segunda-feira, 18 de maio de 2026

Museu do Abade de Baçal assinala Dia Internacional dos Museus com antestreia de curta-metragem

 O Museu do Abade de Baçal assinalou, sábado, o Dia Internacional dos Museus com a antestreia da curta-metragem “Contar os passos, ouvir o vento – um retrato do Abade de Baçal”, realizada por Eduardo Brito.


A obra cinematográfica, produzida a partir de uma encomenda do museu e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), tinha como objetivo apresentar uma visão poética e intimista de Francisco Manuel Alves, conhecido como Abade de Baçal, uma das maiores figuras da cultura e património transmontanos.

O realizador explicou que o objetivo do filme passou por comunicar e partilhar uma visão mais humana da figura homenageada.

“Quis comunicar e partilhar o lado mais humano, menos sacerdotal, etnográfico, arqueólogo ou profissional, mas o lado de alguém que tinha um cuidado muito grande com aquilo que guardava, descrevia e registava, como contar os passos. Esse é um lado que me fascina muito”, afirmou.

Segundo Eduardo Brito, o documentário foi pensado como um espaço de encontro e reflexão coletiva, valorizando a experiência de ver cinema em comunidade.

“O que me interessava e interessa sempre nos filmes que escrevo e faço é criar unidades audiovisuais ou cinematográficas que são espaços de encontro. Ou seja, criar um debate sobre a cor da pena do pisco, para mim faz-me ganhar a semana. Porque, atualmente já não se debatem cor das penas do pisco transmontano, nem o uso da terminologia ruivo ou vermelho. Ou seja, este lado de entender os filmes, como lugares onde nos encontramos e falamos e partilhamos qualquer coisa. Estamos aqui num processo de grande comunhão, de crítica. Isto também é super importante, de não ver este filme em casa no computador, mas ver este filme numa tela em que estamos numa sala às escuras e vemos o filme todos juntos e depois temos coisas para falar. E ficamos felizes por isso”, frisou.

A ausência física do Abade de Baçal foi, de resto, uma das opções criativas da curta-metragem. Em vez de recorrer a um ator para representar a personagem, a equipa optou por construir a sua presença através de sons, objetos e ambientes.

“Todo o Abade é representado pela ausência. Pelo som dos passos, pela caneta que escreve, pela porta que abre. A presença do Abade é-nos dada por tudo o que está à volta”, explicou o realizador.

O diretor do museu, Jorge da Costa, considerou que a escolha de Eduardo Brito para o projeto foi acertada e acredita que o filme terá um percurso de sucesso.

“Ficou claro pela sala cheia e pelas reações das pessoas que o filme vai ser um sucesso”, afirmou, destacando o retrato “extraordinário” e “muito completo” da figura do Abade de Baçal.

Para Jorge da Costa, esta curta-metragem representa também uma nova forma de aproximar públicos mais jovens do legado cultural e patrimonial do Nordeste Transmontano.

“O legado do Abade de Baçal é um legado vivo. Continuamos a descobri-lo e esta é mais uma extraordinária achega a essa figura”, referiu.

Depois da antestreia em Bragança, o filme deverá seguir agora para festivais e circuitos de curtas-metragens, regressando posteriormente à cidade para novas exibições públicas e integração na programação do museu.

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