quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Pão e pastelaria com “ligeiro aumento” de preço para 2026

 O pão e os produtos de pastelaria deverão sofrer um “ligeiro aumento” de preço no próximo ano, impactados pelas revisões laborais e pelo agravamento do gasto com os ovos, frutos secos e cartão, adiantou a Associação do Comércio da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP).


“Para 2026, as perspectivas da ACIP são cautelosamente otimistas. A estabilidade nos mercados internacionais da farinha, energia e logística cria condições favoráveis para um ano sem grandes oscilações”, apontou a presidente da direção da associação, Deborah Barbosa.

Contudo, a ACIP antecipa “um ligeiro aumento” do preço do pão e da pastelaria, à boleia dos impactos de revisões laborais e das subidas dos preços dos ovos, frutos secos e do cartão.

A isto poderá ainda acrescer o impacto da possível retirada do apoio do Estado aos combustíveis, avisou.

Segundo dados da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a 1 de janeiro de 2025 meia dúzia de ovos custava 1,61 euros, mas em 19 de novembro do mesmo ano a mesma caixa já estava a 2,12 euros, verificando-se assim um agravamento de 31,68%.

O preço dos ovos mantém-se estável desde 22 de outubro, quando atingiu o pico de 2,12 euros. Por sua vez, o valor mais baixo foi o atingido no início do ano (1,61 euros) e manteve-se até ao dia 29 do mesmo mês.

Segundo a ACIP, o setor deverá focar-se na “consolidação, eficiência produtiva e reforço da diferenciação”, fatores que para a ACIP são essenciais para atingir margens sustentáveis e responder às expectativas dos clientes.

Deborah Barbosa disse ainda que os dados preliminares do corrente ano mostram um alinhamento dos preços da pastelaria e padaria com a inflação, após anos de forte volatilidade nos custos e de baixa no consumo.

“O setor apresenta uma evolução moderada, com crescimento contido mas positivo, sustentado pela normalização dos preços das matérias-primas e por um comportamento do consumidor mais previsível. Embora ainda existam muitas pressões ao nível da mão-de-obra e dos serviços essenciais, 2025 evidencia um ambiente de maior equilíbrio operacional”, afirmou.

GOVERNO LANÇA APOIO DE 15 MILHÕES DE EUROS PARA REFORÇAR EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NO SETOR AGRÍCOLA

 O Governo anunciou a criação de um apoio financeiro no valor de 15 milhões de euros destinado a promover a eficiência energética e a utilização de energias renováveis no setor agrícola, numa medida que visa acelerar a modernização, a sustentabilidade e a competitividade da agricultura portuguesa.


O programa prevê financiamento a fundo perdido, que pode atingir até 100% do investimento elegível, e dirige-se a produtores agrícolas e agropecuários, cooperativas, organizações de produtores e associações de regantes. Entre as despesas apoiadas estão a aquisição de equipamentos e infraestruturas de eficiência energética, bem como soluções para a produção e armazenamento de energia a partir de fontes renováveis.

A iniciativa é financiada pelo Fundo Ambiental e operacionalizada pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP). De acordo com o Governo, o apoio permitirá reduzir significativamente os custos energéticos das explorações agrícolas, contribuir para a diminuição das emissões de gases com efeito de estufa e apoiar o cumprimento das metas nacionais em matéria de clima e energia.

Com este investimento, o Executivo pretende reforçar a resiliência do setor agrícola face aos desafios económicos e ambientais, promovendo práticas mais eficientes e alinhadas com a transição energética e com os objetivos de neutralidade carbónica do país.

A Redação,
Foto: DR

Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros acolhe exposição de mini-presépios da Universidade Sénior

 Está a decorrer no Centro Cultural de Macedo Cavaleiros uma exposição de mini-presépios realizada pelos alunos da Universidade Sénior de Macedo Cavaleiros. A exposição é conhecida por “Mãos Experientes, Presépios Resilientes”. 


A iniciativa resulta do trabalho desenvolvido nas aulas de expressão plástica e reúne vários presépios feitos com materiais simples e reutilizados.

Embora o projeto já se tenha realizado em anos anteriores, este ano distingue-se pelo formato de mini-presépios e, ainda, pela reutilização de diversos materiais.

Sobre a atividade e a forma como os alunos reagiram à proposta, a professora Eduarda Guimarães explica que o envolvimento foi imediato e marcado pelo entusiasmo:

Segundo a docente, o número de presépios acabou por ultrapassar as expectativas iniciais:

A exposição destaca-se ainda pela variedade de materiais utilizados na construção dos presépios:

A Universidade Sénior de Macedo Cavaleiros conta atualmente com cerca de 80 alunos inscritos. Este ano registou também o regresso de alunos que tinham interrompido a frequência durante a pandemia, bem como a entrada de cerca de 20 novos alunos logo no primeiro período.

Entre os trabalhos expostos está o presépio de Rita da Silva, que descreve o processo de elaboração:

Também Joaquim Silva participou na exposição, recorrendo maioritariamente a materiais reciclados:

A exposição de mini-presépios pode ser visitada no Centro Cultural de Macedo Cavaleiros. A exposição de mini-presépios pode ser visitada no Centro Cultural de Macedo Cavaleiros até ao dia 7 de janeiro.

Cátia Barreira

Saída do excesso de endividamento abre caminho a novos investimentos em Alfândega da Fé

 Depois de vários anos condicionada pelo excesso de endividamento, a Câmara Municipal de Alfândega da Fé prepara-se para virar a página


Em 2026, depois de se aprovar a conta de gerência do município e fechar-se o exercício de 2025, a câmara de Alfândega da Fé vai formalmente pedir a saída do excesso de endividamento ao Fundo de Apoio Municipal. O autarca admite que a saída do excesso de endividamento vai permitir percorrer um novo caminho, com maior robustez financeira. “Para o ano, depois de aprovarmos a conta de gerência do município e consolidarmos, fecharmos de facto o exercício de 2025, podemos formalmente pedir a saída do excesso de endividamento às entidades da tutela, ao Fundo de Apoio Municipal, e, obviamente, também ao nosso Governo. E é isso que vamos fazer a partir de abril ou maio, podermos instar um novo caminho, um caminho com maior robustez financeira, porque as nossas receitas, felizmente, têm vindo a aumentar, um caminho de maior autonomia, podemos escolher novas medidas e podemos também cumprir um dos principais compromissos que assumimos com os alfandeguenses, que é continuar a reduzir os impostos municipais”, aponta Eduardo Tavares.

Em entrevista à Rádio Brigantia e ao Jornal Nordeste, o autarca esclareceu que um dos grandes projetos para este mandato é criar uma escola profissional no concelho. “É algo que queremos trabalhar. Aliás, foi até anunciado numa reunião que tivemos com os diretores do Centro de Emprego do distrito de Bragança. Mais do que a agricultura, queremos trabalhar áreas funcionais. Temos falta de mão-de-obra em muitas áreas. Carpinteiros, eletricistas, pedreiros, calceteiros, canalizadores… e temos que perceber o que é a oferta que já temos na região, que ela pode ajudar-nos a criar para atrair também jovens para o nosso território e poder formá-los”.

Neste mandato, o presidente quer ainda construir um pavilhão multiusos. “O nosso grande projeto âncora no PROVERE - Programas Regionais de Valorização Económica dos Recursos Endógenos da nossa região vai ser a criação de um pavilhão multiusos no nosso espaço de feiras, no nosso recinto da feira, onde queremos criar um grande pavilhão para a dinamização da economia da nossa região, do nosso concelho, e há um espaço para os nossos empresários onde podemos, efetivamente, vir a ter um programa anual de atividades económicas. É um processo que tem que avançar nos próximos dois anos”.

O regadio também esteve em destaque nesta entrevista. Eduardo Tavares admitiu que, se um dia a União Europeia vier a alterar os seus pressupostos, a captação de água para rega do Baixo Sabor pode ser uma possibilidade. Ainda assim, destacou que não se pode “pregar no deserto”, sabendo que isso, depois, não é financiado.

A entrevista a Eduardo Tavares pode ser ouvida, na íntegra, hoje, depois do noticiário das 17 horas, ou lida na edição desta semana do Jornal Nordeste.

Escrita por rádio Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Revista do ano: Um território em mudança

 O ano que hoje se fecha ficará registado, no Nordeste Transmontano, como um tempo de acertos de contas com o passado e de interrogações sobre o futuro


Foi um ano em que a justiça, a política, a economia e a identidade cultural se cruzaram de forma intensa, revelando tensões antigas e abrindo novas possibilidades.

O dossier das barragens do Douro voltou a dominar a agenda nacional e regional. A venda das seis barragens realizada pela EDP por 2,2 mil milhões de euros a um consórcio francês liderado pela Engie, foi considerada legal do ponto de vista criminal, mas não fiscal. O Ministério Público arquivou suspeitas de fraude, mas determinou que a Autoridade Tributária avance para a cobrança de mais de 335 milhões de euros em impostos que considera em falta. Em causa estão valores elevados de IRC, Imposto do Selo e IMT. Um dia histórico, considerou, em novembro, a presidente da câmara de Miranda.“O Ministério Público decidiu e em nosso ver e decidiu bem, no sentido de dizer que não houve crime da parte da EDP neste negócio das barragens e o Ministério Público deu ordem à AT para liquidar este valor dos impostos e agora aguardamos que esse trabalho seja feito por parte da AT e que cada município receba aquela parte que lhe cabe”, disse Helena Barril.

Em 2025, as eleições autárquicas trouxeram mudanças relevantes no distrito de Bragança. Em Bragança, Isabel Ferreira pôs fim a quase três décadas de governação social-democrata, tornando-se a primeira mulher a liderar a câmara municipal. A vitória foi atribuída a uma candidatura aberta à sociedade civil e com forte renovação de protagonistas. “Foi um trabalho muito grande de renovação de pessoas, de trazer de fora do quadrante político, estritamente partidária, muita gente. Por isso que era a equipa da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal, das juntas de freguesia, tem muita gente independente. Para muitos é até a primeira experiência política e, portanto, acho que foi uma candidatura que abriu à sociedade civil. Depois foi uma candidatura que ouviu muito o terreno”, apontou a atual autarca de Bragança.

Já em Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, candidato da Aliança Democrática, em Macedo de Cavaleiros, conseguiu destronar Benjamim Rodrigues, do PS, que estava há oito anos no poder. Neste concelho, o presidente da câmara e o presidente da Junta de Freguesia de Macedo mediram forças e Sérgio Borges acabou por levar a melhor. “É gratificante, obviamente que sei que a grandeza de uma junta de freguesia não se equipara à de um município, mas tive sempre equipas e foi sempre um altar que se colocou sempre próximo do povo e escutou o povo”, referiu o agora presidente do município de Macedo de Cavaleiros.

O ano ficou também marcado pela elevação de Mogadouro a cidade. A decisão, aprovada por unanimidade na Assembleia da República, teve um forte valor simbólico. Embora não altere a organização administrativa, a nova categoria reforça a visibilidade do concelho e a sua capacidade de atrair investimento e financiamento. “Foi com muito agrado que por unanimidade o Parlamento reconheceu Mogadouro como cidade. Vai trazer a Mogadouro naturalmente mais obrigações, mas ao mesmo tempo mais competitividade, mas também uma visibilidade maior. Acho que foi um passo grande para Mogadouro, um passo histórico”, frisou o presidente da câmara, António Pimentel.

Outro tema marcante foi o fim da concessão das minas de ferro de Torre de Moncorvo à Aethel Mining. O Governo decidiu retirar a concessão por incumprimento de obrigações legais e contratuais, depois de o projeto definitivo de exploração ter sido chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente.

Um dos momentos politicamente mais sensíveis do ano foi a demissão de Hernâni Dias do cargo de secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, a primeira baixa do XXIV Governo Constitucional PSD/CDS-PP. A saída ocorreu após notícias que levantaram suspeitas sobre possíveis conflitos de interesses, nomeadamente a criação de empresas que poderiam beneficiar da nova lei dos solos, tutelada pelo ministério onde exercia funções.

A situação agravou-se com informações de que estaria a ser investigado pela Procuradoria Europeia por alegadas contrapartidas recebidas quando foi autarca de Bragança. Embora Hernâni Dias tenha sempre negado qualquer ilegalidade, afirmando estar de “consciência absolutamente tranquila”, a pressão política aumentou, com partidos da oposição a exigirem a sua demissão e audição parlamentar.

No desporto, o Sport Clube de Mirandela foi protagonista ao conquistar o campeonato distrital de Bragança de forma invicta, garantindo o regresso ao Campeonato de Portugal. Uma época de afirmação que reforçou o papel do clube como referência regional.

A cultura também ganhou destaque em 2025 com a inscrição das Danças Rituais dos Pauliteiros de Miranda do Douro no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Um reconhecimento oficial de uma tradição ancestral que continua viva nas festas e na identidade das comunidades mirandesas.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Um Bragançano na primeira Regência Trina do… Brasil

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Inúmeras vezes, aquilo que por aqui vou partilhando, surge da aleatoriedade de alguns comentários que, amavelmente, são deixados. O que corresponderá ao caso de hoje. Tudo porque numa publicação que aqui fiz, um dos seguidores desta magnífica página se lamentava que, à sua descendente, lhe era ensinada História do Brasil. Considerando que, até determinada época, a História do país do lado de lá do Atlântico se confunde com a do deste lado, nem julgo isso lamentável. Aliás, a «Revolução Liberal» a que ontem fazia menção, muito se deve à partida da família real para o Brasil, onde assentou arraiais, aquando das célebres «Invasões Francesas» do início do século XIX. O que é lamentável é que nas nossas escolas não sejam ministrados ensinamentos acerca da nossa soberba História Regional e Local… Não sei se por desconhecimento, ou se por desinteresse… Adiante…

Na resposta que deixei a esse pertinente comentário, continha esta nota: «E um dos primeiros regentes do Brasil até era bragançano»… E pensei para os meus botões: «Nem é tarde, nem é cedo, porque a dita figura até nasceu em Dezembro, e cumpriram-se, há poucos dias, quase 250 anos sobre a data do seu nascimento. E não haverá muitos, com bastante probabilidade, que a conheçam»… Por isso aqui a trago… 

Muitos saberão que o nosso D. Pedro IV foi, igualmente, o primeiro Imperador do Brasil, como D. Pedro I. Há quase 195 anos, abdicaria em favor do seu filho, o futuro D. Pedro II do Brasil. Todavia, este, nessa época, tinha pouco mais de 5 anos de idade, não podendo, até à sua maioridade, reinar. Até lá, conforme estava consagrado na lei, foi necessária a constituição de uma Regência, que ficaria conhecida como «Regência Trina», por ser constituída por três elementos. E, na primeira Regência Trina, a qual, dada a urgência da sua constituição, ficaria conhecida como «Provisória», um dos seus membros e, como tal, um dos primeiros «Regentes do Brasil», era… Bragançano!!!

Ficaria conhecido para a História como Senador Vergueiro, uma destacadíssima figura que se formaria, em Direito, na Universidade de Coimbra, tendo emigrado para o Brasil, no início do século XIX. País onde ocuparia cargos de relevância, antes e após a sua participação na «Regência Trina Provisória». Não é este o espaço apropriado para traçar a longa biografia deste ilustríssimo Bragançano. De tal forma ilustre que, de São Paulo ao Rio de Janeiro, passando por outras cidades, tem diversas artérias a ostentar o seu nome. Nome completo esse, para os interessados, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Nasceu na pacata, mas fantástica, aldeia de Vale da Porca, quando a mesma ainda pertencia ao concelho de Bragança, no último quartel do século XVIII.

Por curiosidade, há, inclusive, um município, no estado do Rio Grande do Sul, chamado «Nicolau Vergueiro». Todavia, é em honra do bisneto homónimo do nosso Bragançano, também ele uma figura de destaque na política brasileira, especialmente como Deputado Federal. E porque mencionei o Rio Grande do Sul… Lembrei-me da sua capital, Porto Alegre. Onde existe uma avenida a ostentar o nome de outro grande Bragançano: a Avenida Sepúlveda! Artéria essa que honra Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, o Bragançano retratado no magnífico painel de azulejos que ostenta a soberba Igreja de São Vicente. Bragançano este que, entre outros cargos de relevância, foi Governador da Capitania do Rio Grande de São Pedro, posteriormente Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul. Consta-se, inclusive, embora erradamente, que terá sido o fundador de Porto Alegre. 

Como tal, por entre muitas outras personalidades Bragançanas ligadas à História do Brasil, hoje aqui relevo a do Senador Vergueiro e a do General Sepúlveda. Dois grandes Bragançanos, tal como muitos outros grandes, remetidos às «gavetas do olvido». Como se não soubéssemos vangloriar o tanto que temos e somos… Diz isto um primo afastado do Senador, que Vergueiro também é… Orgulhosamente… 

(Foto 1: «Rua Senador Vergueiro – Rio de Janeiro» - Rio – Casas & Prédios Antigos) 

(Foto 2 – «Av. Sepúlveda – Porto Alegre» - Paulo V. Fernandes)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.