Esta ação destina-se a todos os docentes e conta com creditação caso se inscreva no Centro de Formação de Associação de Escolas do Tua e Douro Superior, caso pretenda apenas o Certificado basta enviar um e-mail para polo.uab@cm-alfandegadafe.pt com o seu nome e e-mail.
terça-feira, 26 de maio de 2026
Ação de Curta Duração: Ambientes Digitais Imersivos e Inteligência Artificial: Da Exploração à Criação
Esta ação destina-se a todos os docentes e conta com creditação caso se inscreva no Centro de Formação de Associação de Escolas do Tua e Douro Superior, caso pretenda apenas o Certificado basta enviar um e-mail para polo.uab@cm-alfandegadafe.pt com o seu nome e e-mail.
Nota de Imprensa | Alfândega da Fé promove debate sobre Agricultura e Desenvolvimento Rural na Festa da Cereja&co
A sessão contará com a participação de representantes de várias entidades ligadas ao setor agrícola e ao desenvolvimento regional, promovendo um espaço de partilha e reflexão sobre os desafios e oportunidades do mundo rural.
O programa tem início às 11h00, com receção dos participantes, seguindo-se a sessão de abertura e a mesa redonda, encerrando com almoço convívio.
Alfândega da Fé promove debate sobre Agricultura e Desenvolvimento Rural na Festa da Cereja&co
A agricultura e o desenvolvimento rural estarão em destaque no próximo dia 7 de junho de 2026, em Alfândega da Fé, com a realização da Mesa Redonda “Agricultura e Desenvolvimento Rural”, integrada na programação da Festa da Cereja&co.
A iniciativa decorrerá no Parque Municipal de Feiras e reunirá especialistas, responsáveis institucionais e agentes do setor agrícola para um momento de reflexão e debate sobre os principais desafios e oportunidades que se colocam atualmente aos territórios rurais.
O painel contará com a participação de Paulo Ramalho, Vice-Presidente da CCDR, Carlos Carvalho, da DGADR, Firmino Cordeiro, da AJAP e Victor Cordeiro, do PEPAC, numa sessão que contará também com o Presidente da Câmara Municipal, Eduardo Tavares.
Num contexto marcado pela necessidade de valorização do mundo rural, da inovação agrícola e da sustentabilidade dos territórios de baixa densidade, esta mesa redonda pretende promover o diálogo entre instituições, técnicos, produtores e comunidade, contribuindo para uma reflexão alargada sobre o futuro da agricultura e do desenvolvimento regional.
O programa tem início às 11h00, com receção dos participantes, seguindo-se a sessão de abertura às 11h15 e o debate às 11h30.
As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias, devendo ser efetuadas até ao dia 4 de junho de 2026, AQUI.
Viriato: O pastor que desafiou um império
Em 150 a.C., um pastor escapou ao massacre dos lusitanos perpetrado por Galba. Durante oito anos, travou as legiões, mas em que fontes podemos confiar?
Viriato é uma personagem bem conhecida dos portugueses, seja por referências nos bancos da escola, seja por leituras mais recentes, como A Voz dos Deuses, de João Aguiar, ou as biografias publicadas pelo académico espanhol Maurício Pastor, ambas traduzidas em Portugal, ou simplesmente por memória difusa do seu nome e valorosos feitos. Todos sabem que foi um chefe tribal lusitano, que combateu os romanos há mais de dois mil anos, em defesa da sua “pátria” e muitos supõem que essa Lusitânia de Viriato teria sido uma espécie de prefiguração de Portugal, o que faria dele um remoto antecessor. Que teria nascido na serra da Estrela ou seria em Viseu?
Lamento informar os leitores que boa parte dessas ideias são fantasias sem qualquer sustentação em fontes credíveis, embora, como escreveu há mais de século e meio Alexandre Herculano, o nosso primeiro historiador de base científica, “a opinião de que somos os sucessores e representantes dos lusitanos não só se firmou e perpetuou entre os eruditos, mas também se tornou por fim uma crença nacional e quase popular que dificultosamente se poderá desarreigar do comum dos espíritos”. Pois se até no recém-publicado livro Astérix na Lusitânia, uma Lusitânia de homens de bigode negro, de bacalhau, pastéis de nata e mulheres de xailes fadistas, o valoroso lusitano é mencionado como antepassado…
Com a consciência de que é tarefa dificultosa, vejamos o que as fontes históricas nos dizem sobre este chefe lusitano, os seus feitos e a sua “pátria”.
Chefe tribal lusitano
Dispomos apenas de um acervo literário composto por romanos e gregos, já que até nós não chegou nenhuma narrativa de autoria lusitana. Diz o historiador Diodoro Sículo, que seria originário dos lusitanos que vivem junto ao oceano, o que, desde logo, o aparta da serra da Estrela ou de Viseu, remetendo o seu berço para um lugar difuso do Sudoeste da Península Ibérica.
Diz também que era pastor desde criança, estando por isso habituado a uma vida austera e de privações; que essas origens ter-lhe-iam dado uma compleição física extraordinária, com notáveis atributos de força e resistência. Estes traços foram particularmente importantes para a construção de outro Viriato mítico. Diz também que teria juntado um grupo de salteadores, que se dedicou à pilhagem das regiões meridionais ricas e se distinguiu na luta contra o poder romano. À medida que cresceu o seu prestígio guerreiro cresceu também o seu grupo, incluindo gentes de outras comunidades, tendo contribuído também para o levantamento de muitos contra a presença romana.
Olhando para outro tipo de fontes históricas que relatam os sucessos da conquista romana na Península Ibérica, ficamos a saber que houve um prolongado conflito na região ocidental, com confrontos com chefes tribais, de que Viriato foi um entre outros, embora sem dúvida o mais bem-sucedido. Por isso, a historiografia romana assegura que a guerra lusitana durou 14 anos (Tito Lívio), ou 11 (Diodoro Sículo) ou 8 anos (Apiano) – este último circunscreve-a ao período em que efectivamente Viriato dominou o cenário guerreiro, embora haja outros líderes que, em simultâneo, pilhavam e guerreavam os romanos. Assim, os conturbados tempos de instabilidade, de conflitos com chefes tribais e bandos de guerreiros não começaram nem acabaram com a chefatura de Viriato.
Que estas rebeliões e guerras eram movidas por gentes chamadas lusitanas parece consensual para todos os autores, mas o que era afinal a Lusitânia para gregos e romanos?
A Lusitânia
A mais antiga descrição de uma Lusitânia, lugar difuso do Ocidente da Península Ibérica, deve-se ao historiador grego Políbio, que conheceu de facto estas paragens, nos meados do século II antes da nossa era.
Ao contrário de muitos outros autores que escreveram sobre a guerra lusitana ou sobre a Lusitânia sem nunca aqui terem estado, Políbio escreveu com conhecimento de facto e a sua Lusitânia é uma terra rica em toda a sorte de recursos agropecuários e marinhos: “Devido ao clima favorável, tanto os humanos como os animais são muito produtivos e a terra nunca carece de produtos.” Parece claro que se referia à franja litoral do Sudoeste, a região já controlada pelos romanos.
A descrição é surpreendente, se pensarmos que mais de um século depois, outro autor grego, Estrabão, refere a Lusitânia delimitada a sul pelo Tejo, tendo sido a zona que mais dificultosamente os romanos controlaram, porque “os montanheses” que a habitavam seriam causadores de conflitos “pois ao habitarem em terra mísera e além do mais escassa, ansiavam pelo alheio”.
Confrontando as duas descrições, poderemos encontrar uma das chaves para o entendimento da chamada guerra lusitana: a coexistência de dois mundos nestes territórios: um, rico e próspero, outro de pobreza e escassez. Políbio parece dar-nos também outra chave importante: uma demografia crescente, que gerava a carência de terra para todos os que nela viviam.
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Para os autores antigos, a Lusitânia foi um território difuso a ocidente, que só ganhou contornos precisos com a criação de uma província com esse nome.
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Mas não faltam também outras referências contraditórias sobre quais seriam os limites dessa Lusitânia, parecendo claro que foi para os autores antigos um território difuso a ocidente, que só ganhou contornos geográficos precisos quando os romanos criaram uma província com esse nome. A delimitação provincial foi aparentemente arbitrária, não remetendo para qualquer realidade política preexistente.
Refira-se também que esta província romana não correspondia ao Portugal histórico. A província estava delimitada a sul e ocidente pelo Guadiana e pelo mar e, a norte, pelo rio Douro, estendendo-se para territórios que pertencem hoje a Espanha, com a sua capital na Colonia Augusta Emerita, hoje Mérida. Em área bruta, somente metade da província englobava o Portugal de hoje e a designação de Lusitânia para o nosso país resulta apenas de um exercício erudito, do tempo em que o latim constituía a língua de comunicação entre letrados e se recuperaram os antigos nomes latinos para designar as novas realidades políticas. Mas a tradição manteve-se até aos nossos dias. Esta partilha territorial ajuda-nos a perceber a razão pela qual em Espanha se reconhece e exalta a figura do Viriato lusitano, tanto como em Portugal.
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| AORONOZ / ALBUM - Escudos, lanças e couraças são as armas destes guerreiros iberos. Na época de Viriato, o Levante peninsular estava plenamente romanizado, ao contrário do interior do território. |
A chamada Guerra Lusitana
Há mais de dois mil e duzentos anos, grupos tribais, chamados lusitanos, gente móvel, sem eira nem beira, percorriam em acções de pilhagem as ricas regiões meridionais. Andavam em busca de terras onde se fixar, praticando aquilo a que hoje chamaríamos um “banditismo social”, ou seja, pilhavam e roubavam por não terem recursos próprios suficientes, como o comentário do grego Estrabão sugere. As vítimas destas correrias eram as comunidades meridionais submetidas e enquadradas pelos romanos, e as respostas destes constituíam acções punitivas, que hoje chamaríamos policiais.
TERRITÓRIO EM CHAMAS
Os lusitanos são citados pela primeira vez nas fontes em 194 a.C., data em que atacaram Ilipa, mas a sua presença fez-se sobretudo notar a partir de 154 a.C., após as incursões de um dos seus líderes, Púnico, na Betúria (o território entre os rios Guadiana e Guadalquivir). Sucedeu-lhe Césaro que, em 153 a.C., derrotou um exército romano dirigido por Lúcio Múmio, pretor da Hispânia Ulterior. Em 150 a.C., ocorreu o massacre dos lusitanos, ordenado por Galba, pretor da mesma província, mas Viriato sobreviveu. Em 147 a.C., este é mencionado como líder dos lusitanos que combatiam Caio Vetílio. Derrotou-o e cercou as suas tropas em Carteia, o que lhe deu o domínio da província. Em 146 a.C., venceu Caio Plaúcio, sucessor de Vetílio, e atacou a Hispânia Citerior. Da sua base, em Mons Veneris (que poderá corresponder à serra de São Vicente), tomou Segóbriga e derrotou os governadores da Hispânia Citerior, Cláudio Unimano e Caio Nigídio. Nos anos seguintes, Viriato terá feito de Tuci uma das suas praças fortes e foi sempre incómodo para os exércitos romanos. Em 140 a.C., a vitória sobre Quinto Fábio Máximo Serviliano permitiu-lhe sonhar com um tratado vantajoso com Roma, mas, no ano seguinte, foi assassinado.
Para os autores da época, estes salteadores pretendiam somente terras para se fixarem. As tensões entre romanos e estes lusitanos resultavam de punições, pactos e promessas nem sempre cumpridas. Nas vésperas da eclosão da guerra lusitana, houve um episódio dramático: o governador romano Sérvio Galba, depois de prometer terras para a instalação dos bandoleiros, recebeu-os, desarmou-os e chacinou-os, num acto que foi condenado pelo próprio Senado de Roma e ficou conhecido na historiografia como “a perfídia de Galba”.
Continuaram as correrias destes grupos tribais, sempre com reiterados desejos de terras e o novo governador, Caio Vetílio, depois de os perseguir e encurralar, de novo prometeu cedência de terras. Foi então que surgiu Viriato, um sobrevivente da chacina de Galba, que terá recordado ao grupo as falsas promessas e traições romanas. Foi aclamado chefe e comandou a fuga do contingente tribal, que de novo se dedicou ao saque.
A guerra prosseguiu por oito anos, por terras das actuais Andaluzia e Extremadura, com alguma eventual extensão a ocidente. Por fim, Viriato pactuou uma trégua, buscando um reconhecimento de Roma, como aliado e legítimo dominador dos territórios que então controlava. O Senado romano não aceitou o pacto. Só aceitaria uma rendição incondicional, como sucedeu com outros grupos e noutras paragens. O conflito reacendeu-se, com avanços dos exércitos romanos e Viriato acabou assassinado por alguns companheiros. Nas palavras do historiador Apiano, Táutalo, que sucedeu a Viriato, entregou-se ao novo governador, Cipião, “este tirou-lhes todas as armas e concedeu-lhes terra suficiente para que não se vissem obrigados a roubar por necessidade”.
O fim da chamada guerra lusitana não foi o fim dos conflitos destes com os romanos, que se prolongaram por longas décadas e decorreram já, na maior parte dos casos, em território hoje português. A ligação entre lusitanos e a serra da Estrela refere-se a uma narrativa mais tardia, quase um século depois de terminada a guerra de Viriato, quando Júlio César atacou os lusitanos do “monte Hermínio”, usualmente identificado com o maciço central português. Contudo, os episódios destes confrontos também são pouco claros, uma vez que os lusitanos, depois dos primeiros confrontos se refugiaram numa ilha, não se percebendo como os lusitanos em fuga da serrania interior encontraram refúgio num ponto do litoral.
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Viriato pactuou uma trégua, buscando um reconhecimento de Roma, como aliado e legítimo dominador dos territórios que então controlava. O Senado romano não aceitou o pacto.
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Viriato mítico
Ao lado do Viriato histórico, conhecido apenas por escassos apontamentos quase sempre relacionados com os seus êxitos guerreiros, tomou forma outro Viriato. Este nasceu no ambiente cultural do Segundo Estoicismo, que enaltecia os valores naturais, contrapondo-os à suposta degenerescência resultante do progresso e sofisticação da sociedade.
Assim, o “bárbaro”, vindo de uma vida de montanha, resistente, forte, veloz, acostumado à actividade física e à alimentação frugal e repousando o mínimo, sóbrio e austero, desprezando os bens materiais, tornando-se o justo líder dos seus, constituía o modelo de virtudes então enaltecido.
O CASAMENTO DE VIRIATO
Um episódio sugestivo da personalidade de Viriato é o relato do seu casamento com a filha de Astolpas, um rico proprietário lusitano da área controlada pelos romanos. Devemos ao historiador grego Diodoro Sículo, que escreveu cerca de cem anos mais tarde, a narração deste episódio. Segundo a crónica, Viriato chegou a casa de Astolpas acompanhado apenas de uma pequena guarda pessoal. “Como estava exposta uma grande quantidade de copos de prata e ouro e vestidos de muitos tecidos e cores, Viriato, apoiando-se na lança, olhou com desdém para estas riquezas sem se maravilhar com elas, manifestando aliás desprezo.” Não se sentou à mesa do banquete. “Provou apenas pães e carne e distribuiu-os em seguida pelos que o acompanhavam. Depois, ordenou que o conduzissem à presença da noiva, fez o sacrifício aos deuses à maneira dos iberos, sentou a donzela a cavalo e partiu para a serra, na direcção da sua morada oculta.” Diodoro refere também que, tendo visto todos os tesouros de Astolpa e sabendo-o aliado dos romanos, Viriato perguntou-lhe porque decidira aliar-se a ele, homem de vida nómada e origens humildes.
É na obra do historiador Diodoro Sículo que encontramos os principais tópicos deste Viriato, onde não falta outro apontamento importante: a eloquência e sageza, resultante de ser somente “educado na compreensão das coisas práticas”.
Este historiador contribuiu com dois dos mais conhecidos apontamentos da sabedoria prática de Viriato: o seu casamento com a filha de um rico proprietário e o discurso aos habitantes da cidade de Tuci. No primeiro caso, diz-nos que o lusitano desprezou os ricos presentes do seu sogro, que convivia com os romanos, e o interpelou, perguntando-lhe pela razão por que o acolhia se tinha nos seus ami-gos a protecção. No segundo, conta-se que teria usado uma pequena história para reprovar o comportamento dos de Tuci, que por vezes tomavam o seu partido, acolhendo-se ao amparo dos romanos, noutras ocasiões. Contou-lhes então a história do homem de meia-idade que tinha duas mulheres, uma jovem e outra mais idosa e que a primeira lhe arrancava os cabelos brancos, para que se parecesse com ela, e a outra os cabelos negros, para que parecesse mais velho. No final, o homem acabou calvo. Assim aconteceria com eles, mortos pelos romanos de cada vez que seguissem Viriato e chacinados pelos lusitanos de cada vez que se acolhessem ao amparo dos romanos, a ponto de a cidade ficar deserta.
Como sucede nestes casos, ambas as histórias terão algum fundamento, já que sabemos que durante a guerra lusitana Viriato terá recebido apoios locais das populações instaladas que escolheriam ora uma ora a outra parte consoante o lado para onde penderiam os sucessos da guerra. É este Viriato mítico que se tornou popular na posteridade. Um retrato mítico, do chefe providencial, que lidera com firmeza e justiça os seus, que é sóbrio, austero e desprendido de bens materiais que prefere repartir com os seus. Uma figura virtuosa, cujos atributos podem ser escolhidos e valorizados, consoante as épocas.
Viriato português e espanhol
A apropriação de Viriato pelos portugueses é antiga. O lusitano é herói em Os Lusíadas, de Camões, como o é no poema épico Viriato Trágico, de Brás Garcia de Mascarenhas, composto durante a guerra da independência do reino de Portugal contra Castela, depois do fim da Monarquia Dual. Neste caso, as andanças do lusitano contra os romanos aparecem associadas à oposição que o autor, defensor da fronteira beirã, moveu contra castelhanos.
No início do século XIX, quando houve que escolher os nossos antepassados ilustres para decorar o coroamento do Arco da Rua Augusta em Lisboa, Viriato foi um dos contemplados e ali figura, com cabeleira longa e túnica curta, uma imagem que remete para o estereótipo dos filósofos gregos, representando bem o herói estóico de Diodoro.
Não se pense, porém, que esta apropriação portuguesa foi pacífica. Também em Espanha Viriato foi apropriado por múltiplos autores e regiões. Cite-se, a título de exemplo, o livro publicado por Anselmo Arenas com o sugestivo título Viriato no fué português sino celtibero, su biografia, onde se mesclam denominações modernas (português) com referências da Antiguidade (celtibero), ou a monumental pintura neoclássica de José de Madrazo, exposta no Museu do Prado, em Madrid, ou o Viriato de Zamora representado em estátua naquela cidade espanhola.
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| AISA - Em 1880, o pintor Alejo Vera recriou o suicídio dos numantinos, que preferiram morrer a render-se. Com a queda de Numância, terminou o ciclo das guerras celtiberas e lusitanas. |
UMA FRASE HISTÓRICA?
“Roma não paga a traidores” Segundo a tradição, esta foi a resposta que o romano Quinto Servílio Cipião deu aos assassinos de Viriato quando se apresentaram perante ele para reclamar a sua recompensa, e a expressão passou ao acervo das frases feitas. Mas, como sucede com tantas outras, não há testemunhos que sustentem a sua autenticidade. Apiano limita-se a dizer que Cipião “lhes concedeu que usufruíssem de quanto tinham, mas quanto ao que pediam remeteu-os para Roma”. O mais parecido com a famosa frase é o trecho do autor bizantino Eutrópio, de um famoso Breviário de compêndio à História de Roma escrita por Tito Lívio: “Quando os seus assassinos pediram ao cônsul Cipião o seu prémio tiveram como resposta que aos romanos nunca lhes agradara que os soldados assassinassem os seus chefes.” A este autor devemos as palavras que poderíamos considerar o mais nobre epitáfio de Viriato: “Foi considerado o melhor defensor da liberdade da Hispânia frente aos romanos.” Não é de estranhar que, ao longo da história, a figura do líder lusitano tenha sido reivindicada por Portugal e Espanha como emblema da resistência pátria frente ao invasor.
Um poderoso impulso para a afirmação do Viriato português veio da publicação da sua biografia pelo académico alemão Adolf Schulten, especialista em temas da Antiguidade da Península Ibérica. Nessa obra, o berço de Viriato é estabelecido na serra da Estrela, sem qualquer fundamentação histórica, mas só porque “hoje mesmo [entenda-se, no início do século XX] habita ali, no meio de privações e na solidão, uma população livre e selvagem, com os seus rebanhos de ovelhas e cabras”, rematando com a afirmação que “desde então, o nome e a fama do herói tornaram-se propriedade patriótica da nação portuguesa”.
A obra de Schulten é “filha do seu tempo”, de ascensão e exaltação dos nacionalismos, e não falta mesmo o capítulo dedicado à “guerra da independência” movida por Viriato, que não encontra eco nas narrativas antigas, a não ser na etapa final de proposta de um pacto que lhe concedesse o domínio das terras que ocupara. Mas serviu bem à ideia portuguesa de ter no lusitano o seu remoto ancestral, tanto mais por ser um estrangeiro a afirmá-lo.
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No início do século XIX, quando houve que escolher os nossos antepassados ilustres para decorar o coroamento do Arco da Rua Augusta em Lisboa, Viriato foi um dos contemplados e ali figura.
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| AORONOZ / ALBUMA PRISMA - Viriato foi contemporâneo da rebelião dos celtiberos contra Roma, que teve o seu epicentro em Numância. |
Em 1940, ainda que à margem das comemorações oficiais do oitavo centenário, de fundação do reino de Portugal e do terceiro da independência face a Espanha, foi inaugurada em Viseu, junto do recinto medieval conhecido como “cava de Viriato” um grupo escultórico encimado pelo herói. Aqui, a personagem é representada em registo que convoca os dados arqueológicos para lhe dar autenticidade: na mão, empunha uma espada curva e o escudo redondo ostenta o complexo umbo encontrado na necrópole celtibérica de Quintanas de Gormaz.
A popularidade do chefe lusitano foi estimulada pelo programa escolar do Ensino Básico de 1960, centrado na apresentação da galeria dos “Grandes Portugueses”, personalidades que deveriam instigar nas crianças o culto pelos valores nacionais. O primeiro era justamente Viriato, em claro anacronismo, uma vez que as suas façanhas se reportavam a um tempo anterior à existência de Portugal e a sua pretensa guerra de independência, para usar a expressão de Schulten, decorrera fora do espaço português. O programa escolar encontrava expressão também num álbum de banda desenhada, publicado pela Mocidade Portuguesa, contendo notas biográficas de cada um destes históricos modelos de virtudes.
Em 1964, a reforma do ensino suprimiu da lista dos “Grandes Portugueses” a figura de Viriato. Com o país envolvido em guerras em três colónias africanas, não deveria ser interessante transmitir aos futuros incorporados no Serviço Militar as virtudes de alguém que, com um punhado de companheiros, enfrentou em acções de guerrilha um exército imperial.
Com a chegada da democracia a ambos países ibéricos, uma nova etapa se abriu no relacionamento entre Portugal e Espanha, que passaram a partilhar sem disputa o seu longínquo herói. Por isso, o livro de João Aguiar, A Voz dos Deuses (memórias de um companheiro de Viriato) conheceu edição espanhola, como as biografias de Viriato do académico espanhol Maurício Pastor foram traduzidas e editadas em Portugal. O Viriato mítico, chefe providencial e carismático, líder do seu povo, homem livre e vivendo de um modo natural, desprezando os bens materiais e repartindo pelos seus com justiça o que obtém, apresenta, afinal, um catálogo de virtudes, passível de distintas leituras, consoante o espírito dos tempos. Em suma, é uma personagem para todas as estações.
Artigo publicado originalmente na edição nº 28 da revista National Geographic História.
Macedo de Cavaleiros recebe, 𝟐𝟗 𝐚 𝟑𝟏 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐨, a primeira edição do 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐞𝐦 𝐂𝐥𝐚́𝐬𝐬𝐢𝐜𝐨, dedicado à 𝐦𝐮́𝐬𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝐜𝐚̂𝐦𝐚𝐫𝐚.
Ao longo dos três dias, serão interpretadas obras de Felix Mendelssohn, Antonín Reicha, Alexander Borodin, Dmitri Shostakovich, August Klughardt, Carl Nielsen, Giuseppe Cambini, Júlio Medaglia e Diogo Mendes.
Os concertos decorrem nos seguintes horários:
• 30 de maio, às 15h30 e 21h30
• 31 de maio, às 17h00
O Festival Macedo em Clássico pretende aproximar o público da música de câmara, promovendo simultaneamente jovens músicos portugueses e contribuindo para a dinamização cultural do concelho.
𝟐ª 𝐑𝐞𝐯𝐢𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐏𝐥𝐚𝐧𝐨 𝐃𝐢𝐫𝐞𝐭𝐨𝐫 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢𝐩𝐚𝐥 (𝐏𝐃𝐌)
O período para apresentação de reclamações, sugestões ou observações decorre 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝟐𝟗 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐨 𝐞 𝟏𝟑 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟔. A documentação completa estará disponível para consulta a partir do dia 29.
Este processo é fundamental para o planeamento estratégico do concelho, permitindo que todos os munícipes e interessados participem ativamente no desenho do futuro do território.
𝐏𝐫𝐚𝐳𝐨𝐬 𝐞 𝐃𝐚𝐭𝐚𝐬 𝐈𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬:
O período de participação pública tem a duração de 30 dias úteis, contado a partir do 5.º dia útil após a publicação oficial em Diário da República (Aviso n.º 12239/2026/2).
▪ 𝐅𝐢𝐦: 13 de julho de 2026
𝐂𝐨𝐦𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐮𝐥𝐭𝐚𝐫 𝐚 𝐝𝐨𝐜𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨?
A partir do dia 29 de maio, todos os elementos que constituem a proposta de revisão estarão disponíveis para consulta:
AQUI.
𝐏𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞: Na Divisão de Ambiente e Gestão Urbana (Largo D. João III, Miranda do Douro), nos dias úteis, das 09h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00.
𝐂𝐨𝐦𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐜𝐢𝐩𝐚𝐫?
Os interessados podem apresentar reclamações, sugestões ou observações por escrito, utilizando o impresso próprio disponível no Balcão de Atendimento e no site do Município. A entrega pode ser feita de três formas:
𝐕𝐢𝐚 𝐩𝐨𝐬𝐭𝐚𝐥: Através de correio registado dirigido à Presidente da Câmara Municipal.
𝐏𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞: Diretamente no Balcão de Atendimento do Município.
O Município de Miranda do Douro reforça a importância da participação de todos neste procedimento de gestão territorial, garantindo a transparência e a proximidade nas decisões que impactam o desenvolvimento da nossa região.
VINHAIS RECEBE O OPEN INTERNACIONAL DE PESCA À PLUMA
Nos dias 12, 13 e 14 de Junho de 2026, o Rio Tuela será palco de um grande encontro de paixão pela pesca, natureza e convívio!
Inscrições limitadas a 22 participantes
Não perca esta experiência única em pleno coração de Trás-os-Montes!
Acidente de trator fere idoso com gravidade em Mogadouro
Segundo os bombeiros, o homem ficou encarcerado, após a máquina capotar, tendo sido helitransportado para o hospital de Bragança.
A mulher do idoso, que também seguia no trator, ficou ferida, mas sem gravidade. Também foi transportada para o hospital de Bragança, mas por via terrestre.
A GNR tomou conta da ocorrência. O acidente aconteceu esta manhã, cerca das 11h20m.
No local estiveram 10 operacionais dos bombeiros, apoiados por três viaturas.
VINHAIS REFORÇA COORDENAÇÃO E PREVENÇÃO PARA A ÉPOCA DE INCÊNDIOS RURAIS
Durante o encontro, o Comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil de Terras de Trás-os-Montes, Noel Afonso, sublinhou a necessidade de consolidar mecanismos de coordenação entre entidades, melhorar o conhecimento dos riscos existentes e apostar em medidas eficazes de prevenção. O responsável destacou ainda que todos os agentes de proteção civil devem atuar de forma coordenada no plano operacional, em conformidade com o Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS).
Também presente na sessão, o agente Morais, do Comando Distrital da GNR de Bragança, abordou a operação “Floresta Segura”, salientando a importância da identificação e sinalização das áreas onde a gestão de combustível é obrigatória. Foi igualmente reforçado o apelo à população para acompanhar diariamente a informação divulgada pelo IPMA sobre o Perigo de Incêndio Rural, permitindo adaptar comportamentos às restrições e proibições em vigor.
No âmbito das queimas e queimadas, as autoridades recordaram que estas práticas devem ser obrigatoriamente comunicadas às entidades competentes e, em determinados períodos, sujeitas a autorização prévia. O procedimento pode ser realizado por telefone ou através da plataforma online disponível para esse efeito.
A reunião serviu para fortalecer a cooperação entre autarquias, forças de segurança e organismos de proteção civil, promovendo uma maior sensibilização para a prevenção dos incêndios rurais. As entidades presentes defenderam que a adoção de comportamentos responsáveis e o cumprimento das normas em vigor são fundamentais para garantir uma resposta mais eficaz na proteção de pessoas, património e floresta.
EXECUTIVO MUNICIPAL DE MIRANDELA REORGANIZA ESTRUTURA PARA REFORÇAR EFICIÊNCIA E PROXIMIDADE
A proposta será apresentada em reunião de Câmara e prevê a atribuição de responsabilidades executivas ao vereador independente Luís Saraiva, que até ao momento não tinha pelouros atribuídos. A alteração visa uma distribuição mais equilibrada das funções dentro do Executivo Municipal, permitindo um acompanhamento mais próximo de áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do concelho.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Vítor Correia, esta reorganização permitirá reforçar a capacidade de resposta do Executivo, distribuir melhor responsabilidades e assegurar uma maior proximidade às necessidades da população.
A autarquia considera que esta medida se enquadra numa estratégia de melhoria da coordenação interna e de otimização dos recursos políticos e técnicos disponíveis. O objetivo passa por promover uma maior articulação entre os diferentes setores municipais e garantir respostas mais eficazes aos desafios locais.
Com esta reestruturação, o Município de Mirandela pretende consolidar um modelo de gestão mais operacional e dinâmico, capaz de acompanhar de forma mais regular a execução das políticas municipais, agilizar os processos de decisão e reforçar a eficácia na concretização dos projetos e compromissos assumidos junto da comunidade.
BRAGANÇA RECEBE I CONGRESSO INTERNACIONAL DEDICADO À ESPIRITUALIDADE EM CUIDADOS PALIATIVOS
Sob o tema “Finitude, Sentido e Cuidado”, o encontro decorrerá no Auditório Eng. Alcínio Miguel, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTiG), reunindo profissionais de saúde, investigadores, docentes, estudantes e outros participantes interessados em aprofundar a reflexão sobre a dimensão espiritual nos cuidados de saúde, particularmente em contexto de doença avançada e fim de vida.
Ao longo dos dois dias, o congresso contará com debates e intervenções centradas em temas como o sofrimento existencial, a procura de sentido perante a doença, a comunicação em situações de fim de vida e os desafios da integração da espiritualidade na prática clínica e nos cuidados paliativos.
A organização pretende incentivar uma abordagem multidisciplinar e humanizada do cuidar, valorizando a dignidade da pessoa e a importância do acompanhamento emocional e espiritual em momentos de maior fragilidade.
O programa inclui ainda workshops temáticos e um jantar temático, marcado para o dia 5 de junho, iniciativas sujeitas a inscrição prévia e limitadas ao número de vagas disponíveis.
AF BRAGANÇA ASSINALOU SEMANA EUROPEIA DO FUTEBOL COM EVENTO DE INCLUSÃO NO PAVILHÃO DA COXA
O evento decorreu no Pavilhão da Coxa, em Bragança, reunindo atletas, técnicos e instituições de vários pontos da região e de Espanha, num dia dedicado à valorização do futebol como ferramenta de integração social. A autarca de Bragança Isabel Ferreira, fez questão de marcar presença e apadrinhou também o evento.
A iniciativa contou com a participação de dez equipas, representando instituições e organizações ligadas ao apoio a pessoas com deficiência intelectual e ao desporto inclusivo, entre as quais A2000, CERCIMAC, CPS Santos Mártires, APADI, Vários Tondela, UDEP Bragança, APPACDM Valpaços, ASCUDT Bragança e Zamora.
Ao longo do dia, os participantes envolveram-se em atividades desportivas e momentos de convívio, num ambiente marcado pelo espírito de equipa, igualdade de oportunidades e celebração da diversidade através do futebol.
A presença da Associação de Futebol de Bragança reforçou o compromisso da instituição com a promoção de práticas desportivas inclusivas e com o apoio a projetos que utilizam o desporto como instrumento de participação social e desenvolvimento humano.
A Semana Europeia do Futebol é uma iniciativa promovida anualmente pela Special Olympics Europa/Eurásia, mobilizando milhares de atletas em vários países e procurando sensibilizar a sociedade para a importância da inclusão através do desporto.
Seis aldeias do concelho de Macedo de Cavaleiros integram processo de IGP de Alfândega da Fé
Recorde-se que o processo de certificação da cereja de Lamas como Indicação Geográfica Protegida voltou a avançar, após vários anos de estagnação.
Para o presidente da Associação de Produtores de Cereja de Lamas, Paulo Pires, o objetivo passa por agregar algumas freguesias próximas de Lamas à cereja produzida naquela aldeia, criando a marca Cereja de Cavaleiros:
Para avançar com o processo, o presidente da associação defende que o município deve dar um novo impulso e garantir maior celeridade.
Já o produtor de Bornes Joel Morais não concorda com a divisão que se está a criar no concelho:
Também António Canha, produtor de Bornes, considera que não faz sentido integrar o processo do concelho vizinho, apesar de escoar a maioria da produção através de Alfândega da Fé:
Recorde-se que a cereja de Alfândega da Fé alcançou, em fevereiro deste ano, a proteção nacional e aguarda agora a certificação como Indicação Geográfica Protegida pela Comissão Europeia.
Cereja arrasada pela chuva num ano em que se esperava uma das melhores colheitas
Luciano Silva, produtor de cereja há vários anos, cultiva 17 hectares e costuma colher cerca de 80 toneladas por campanha. Este ano, as contas são bem diferentes, espera colher apenas entre 20 a 30 toneladas.
O problema surgiu quando o fruto já estava praticamente pronto para a colheita. “Havia bastante quantidade, mas infelizmente a chuva veio e estragou cerca de 80% da cereja. É um prejuízo enorme porque a cereja que se estragou, que cresceu, em vez de ir para a venda vai para o lixo”, lamenta, apontando perdas na ordem dos 50 mil euros.
A imagem das árvores carregadas rapidamente deu lugar à desilusão. “Ela estava bonita, estava grande, tinha um calibre bom, mas depois a chuva veio e rachou-a toda”, conta.
Apesar de admitir que episódios semelhantes têm acontecido ao longo dos anos, Luciano Silva garante nunca ter visto uma quebra desta dimensão. “Este cenário tem-se repetido, sim, mas não tenho memória de algo assim”, refere.
O produtor explica ainda que maio é um mês decisivo para a qualidade da cereja. “O ideal seria um mês de maio impecável, sem chuva, sem água. Em abril, se chovesse, não fazia diferença. Agora, neste mês de maio não convinha.” Este ano, acrescenta, a campanha começou mais cedo do que o habitual. “Tive de começar a apanha no dia 29 de abril e normalmente seria um mês depois.”
A mesma dificuldade é sentida por Carina Barreira, também produtora de cereja. A agricultora relata que a chuva e o frio acabaram por destruir grande parte do fruto que já estava maduro. “A primeira cereja estava madura ficou um bocado estragada pela intempérie, muita chuva, muito frio. Rachou, apodreceu”, explica.
E a situação continua a repetir-se na restante produção. “Agora, na que está para vir, continua a chover e muita dela, aquela que já estava a começar a ficar madura, também acabou por rachar. Tínhamos um bom ano de campanha de cereja e infelizmente não se vai verificar.”
Também Fernando Canha viu a campanha ficar comprometida pela chuva. Natural de Bornes, esteve emigrado em França e regressou à terra natal em 2017 para se dedicar à produção de cereja.
“A produção da cereja estava muito boa, mas o tempo estragou-nos uma grande parte da colheita. Foi demasiada chuva para a cereja, que ela não quer muita chuva, e foi pena, porque era uma boa colheita”, afirma.
Segundo o produtor, o fruto não resistiu ao excesso de água. “As cerejas estavam no período de crescimento e com a água arrebentou.”
Ainda considerando-se um pequeno produtor, Fernando Canha estima perdas entre os três e os quatro mil quilos de cereja. Da produção, apenas cerca de 200 a 300 quilos terão qualidade para venda. Financeiramente, os prejuízos rondam os três a quatro mil euros.
O mesmo cenário afetou também o morango, outra cultura a que se dedica. “O morango também é um fruto muito sensível à chuva, como as cerejas, ou até pior. E foi o prejuízo das cerejas e do morango também”, conta.
Falta de mão-de-obra continua a ameaçar o setor
Além das perdas provocadas pelo mau tempo, os produtores continuam a enfrentar outro problema: a falta de mão de obra. “Lá temos umas pessoas a ajudar, outras pessoas que se vão arranjando”, diz Luciano Silva.
Carina Barreira também sente que a escassez de trabalhadores continua a sentir-se na região. “Não temos mão de obra. Existem cada vez menos jovens no nosso território e tem que ser a família a ajudar uns aos outros. Vem o primo, vem o tio, é mais assim, nessa economia de subsistência, entre aspas, que se vai apanhando a cereja”, descreve.
Feira da Cereja da Serra alavanca negócio na aldeia
Apesar das dificuldades enfrentadas pelos produtores, a aldeia de Bornes voltou a celebrar o fruto, com a realização da nona edição da feira dedicada à cereja.
O presidente da Junta de Freguesia, Júlio Quintela, destaca o crescimento do certame, que este ano contou com 36 expositores, o dobro de anos anteriores. “Já não tinha mais porque não tinha espaço para colocar expositores”, refere.
Na freguesia existem dezenas de produtores, embora cerca de 10 apostem na produção “mais a sério”. E, apesar das perdas, garante que a qualidade da cereja continua elevada.
A feira tem vindo também a ganhar notoriedade fora da região. “Começa a ser conhecida a nível nacional e cada vez traz mais gente. Este ano vieram quatro autocarros, de Braga, Leiria, Porto, Fátima e Viana do Castelo”, explica Júlio Quintela.
Os visitantes continuam a procurar a cereja de Bornes, mesmo num ano particularmente difícil para os agricultores. “A cereja de Bornes distingue-se pelas características únicas do território, tem um aroma diferente, é a cereja da serra. Nós aqui temos um clima muito bom que é frio, a serra é fria e a cereja quer muito frio”, descreve.
O preço manteve-se igual ao do ano passado, a caixa de dois quilos custaa 12 euros. Ainda assim, os produtores sublinham que o rendimento caiu drasticamente. “O nosso rendimento é muito menos, porque nós para apanhar meia dúzia de caixas de cerejas passamos um dia, porque é preciso escolher muitas cerejas”, conclui Fernando Canha.
Vinhais quer apostar em alojamento “diferenciado” para responder ao crescimento do turismo
“Nós temos um déficit, porque a procura infelizmente é grande, aumentou e interessava-nos aqui um alojamento diferenciado, maior e melhor. É verdade que há e é verdade que quem tem esses alojamentos faz um trabalho excelente, mas precisávamos aqui de algo diferenciador. E gostávamos de contar com o apoio do Turismo Porto e Norte, porque é um parceiro fundamental”, revelou o autarca, recordando que o município adquiriu o antigo seminário da vila. “É um espaço que está ali e que entendemos que pode ser aqui aproveitado nessa questão do alojamento, com características mais de luxo, se me permite a expressão, porque toda a sua zona envolvente permite fazer ali, com certeza, uma referência a nível do alojamento e que seria importante para o turismo, não só do concelho, mas da região”, apontou.
Questionado se houve já interesse de algum investidor privado, Luís Fernandes admite que já foram “realizados alguns contactos”, mas aquilo que se pretende é que “o Turismo Porto e Norte, possa alavancar junto de várias entidades, junto de vários promotores, digamos, mostrar a potencialidade que ali está”.
Recorde-se que em março deste ano, foi divulgado que aumentou o número de pessoas que procuram destinos de Natureza para descansar e viver experiências. Sendo o Interior Norte e Leiria as zonas que registaram maior procura em 2025. Entre elas destacou-se Vinhais, Baião, Porto de Mós e Sever do Vouga entre os concelhos que mais cresceram. Portugal bateu ainda o recorde, atraindo 32,5 milhões de hóspedes no ano anterior.
A Cruz Vermelha de Bragança e o Centro de Educação Especial foram distinguidos com a Bandeira de Mérito Social
Criado em 2022, este selo “reconhece publicamente o serviço de excelência e o impacto real das respostas sociais da Delegação junto da comunidade, com especial enfoque na promoção da qualidade de vida, suporte e dignidade das pessoas idosas da região”.
A distinção visa “incentivar modelos de intervenção que privilegiam a dignidade humana, a inclusão e o bem-estar social — valores que fazem parte da génese da Cruz Vermelha Portuguesa —, consolidando a instituição como uma referência incontornável no setor social e humanitário”, frisa a delegação brigantina.
O Centro de Educação Especial (CEE), resposta social da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, também foi distinguido com a Bandeira de Mérito Social.
Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, José Duarte Fernandes, esta distinção representa “um momento de enorme orgulho institucional”, que reconhece o trabalho desenvolvido pelo CEE e reforça a missão da instituição no apoio às pessoas mais vulneráveis da comunidade.
Segundo disse ainda, “é uma honra receber este selo de qualidade e uma motivação acrescida para continuar a inovar e a cuidar”.
Também a diretora técnica do CEE, Anabela Pires, considera que este reconhecimento é “mais do que um troféu”, descrevendo-o como “o espelho de um compromisso diário com a dignidade humana”.
A responsável destacou ainda que o trabalho desenvolvido pelo centro tem acompanhado as exigências de uma sociedade em constante mudança, defendendo que questões como a doença mental, o envelhecimento populacional e a deficiência devem ser encaradas como desafios centrais, exigindo novas perspetivas e respostas adequadas.
Segundo Anabela Pires, a atribuição da bandeira valida o trabalho desenvolvido pela instituição na promoção da inclusão e da autonomia dos utentes, valorizando o contributo de toda a equipa, parceiros e famílias.
Torneio e Mercado Medieval de Ansiães crescem e ganham projeção internacional
O presidente da Câmara, João Gonçalves, explica que a componente competitiva do torneio passa a integrar uma competição internacional, o que deverá dar mais visibilidade ao evento.
“Estamos numa fase em que pretendemos que ainda tenha mais impacto. Este ano, a parte competitiva do torneio mundial, que sabemos que é feito em contexto real, as lutas acontecem em contexto real, conta já para um torneio, é um torneio que está inserido numa competição internacional e, portanto, é provável que haja mais equipes a quererem participar e com isso que o torneio tenha até uma expressão e uma visibilidade maior no país e fora dele.”
O objetivo, segundo o autarca, é também valorizar a Vila Amuralhada de Ansiães e a zona histórica de Carrazeda.
Este ano, o Mercado Medieval vai ainda ser alargado, devido à elevada procura de expositores.
“Vamos também alargar um pouco a localização do mercado e, portanto, vamos— ele originalmente tem ocorrido sempre ali à volta da Biblioteca Municipal, a atual Biblioteca Municipal, que foram os primeiros passos com o Sérgio na Vila, e agora, em face da muita procura que temos de expositores, vamos alargá-lo um pouco até mais ao centro da Vila.”
O Torneio e Mercado Medieval de Ansiães pretendem, assim, reforçar a ligação entre património, história e dinamização económica do concelho.
Escrito por Eduardo Pinto (DRI)
Torneio e Mercado Medieval de Ansiães
Prepara-te para uma viagem no tempo! Estamos muito entusiasmados por revelar os fantásticos expositores que farão parte do nosso Mercado Medieval. Temos opções para todos os gostos:
Sabores autênticos que prometem conquistar o teu paladar.
Uma seleção especial para brindar aos bons momentos.
Tavernas com os melhores petiscos do burgo.
Vem visitar-nos, apoiar o talento local e viver a magia da época medieval!
Data: 29 a 31 de maio
Ageing Congress 2026
Levámos ao congresso a realidade das nossas aldeias, os desafios do envelhecimento no interior e a forma como o projeto procura criar respostas mais próximas, humanas e adaptadas ao território 🌿
Um agradecimento à organização pelo convite e pela oportunidade de partilha.
Projeto cofinanciado pelo Programa Regional do Norte NORTE 2030 , através do Fundo Social Europeu + (FSE+), e pela Portugal Inovação Social
Conta ainda com o apoio dos investidores sociais Fundação MEO, BPI Solidariedade, @fundacaosantanderportugal , @municipiobraganca Fundação "la Caixa".



































