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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

𝗥𝗼𝘁𝗮 𝗱𝗮𝘀 𝗔𝗺𝗲𝗻𝗱𝗼𝗲𝗶𝗿𝗮𝘀 -15 março | Açoreira

 Inscrições até dia 13 de março na Junta de Freguesia de Açoreira, Loja Interativa de Turismo e Gabinete do Desporto da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo ou AQUI.

A palavra, entre o ruído e a verdade

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Vivemos num tempo estranho pois nunca se escreveu tanto e, contudo, raramente a palavra, como hoje, esteve tão fragilizada.

A advertência recente do Papa Leão sobre o “enfraquecimento da palavra” num discurso ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, toca precisamente neste ponto sensível da cultura hodierna.

Em nome da tão invocada liberdade de expressão, acrescentava o Santo Padre, está-se a correr o risco, por parte de quem fala e escreve, de esvaziar a própria palavra daquilo que a deve fundamentar e sustentar que é a verdade, a responsabilidade e a honestidade.

Abordou também o que Santo Agostinho, já no seu tempo e a propósito referiu como a inopia loquendi, ou seja, a reflexão de que falar e escrever exigem humildade e atenção ao real, igualmente ao transcendente e divino, reconhecendo os limites da linguagem na qual, as palavras, como mediações frágeis do pensamento e como aproximações à realidade, devem ser usadas com mais cuidado, não com menos.

Hoje, também por aqui, no nosso tempo e na nossa geografia, será importante que estas ideias nos façam ter mais consciência e nos façam afastar do relativismo e aproximarmo-nos da responsabilidade do uso da palavra, fazendo-nos perceber que mais que um problema linguístico é antes de mais um problema humano e ético.

Um problema e já agora um desafio, nesta cultura da velocidade em que vivemos atualmente, das redes sociais, da comunicação permanente e até da imprensa, para que a palavra seja menos instrumentalizada para provocar impacto, gerar visibilidade, conquistar seguidores ou impor narrativas e fique mais vinculada, lá está, com o que atrás se referia: a verdade, a responsabilidade e a honestidade.

Trata-se de arrepiar caminho a uma lógica do sucesso imediato e da exposição permanente que o filósofo Gilles Lipovetsky dizia ser uma das marcas da “hipermodernidade”, em que, a seu ver, se assiste ao comunicar sem densidade e correspondência com a verdade objetiva e vivida, na fidelidade ao real e com a preocupação pelo bem que constrói.

A palavra sem critério e sem verdade transforma-se em ruído, alertava Umberto Eco, já há mais de uma década, pois quando tudo pode ser dito sem consequência, a palavra perde peso e credibilidade.

Daí a urgência de reafirmar a ética da palavra, pois falar e escrever não são atos neutros e criam vínculos, ferem ou curam, esclarecem ou confundem.

Da infância recordo uma frase que a minha professora me ensinou e que tendo a não esquecer “palavras fora da boca são pedras fora da mão, pensa primeiro palavras que saiam do teu coração”. Assim, de simples, para ensinar que uma palavra usada sem verdade pode tornar-se arma e uma palavra ancorada na bondade e honestidade pode tornar-se amizade e serviço.

Acredito que educar para o valor da palavra é, hoje, uma tarefa decisiva, tanto na escola, na família, na Igreja e nos meios de comunicação.

Educar não para coartar a liberdade de expressão, mas de a enraizar na verdade, escolhendo palavras, menos eficazes no soundbyte e para o aplauso no criticismo, mais verdadeiras e mais fiéis à dignidade humana.

Num mundo saturado de discursos, orais e escritos, talvez outro exemplo de ato de coragem seja este.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

𝐈𝐈𝐈 𝐏𝐚𝐬𝐬𝐞𝐢𝐨 “À 𝐩𝐫𝐨𝐜𝐮𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐄𝐬𝐩𝐚𝐫𝐠𝐨𝐬 𝐒𝐞𝐥𝐯𝐚𝐠𝐞𝐧𝐬” 🌱

 Os Lagos do Sabor vão ser o cenário natural para o programa da 3º edição do passeio "À procura dos Espargos Selvagens".

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A MORTE COMEÇA, QUANDO NASCEMOS

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Tudo passa açodado: passam as horas, passam os dias, passam os anos, e sem percebemos, chega a caduquice, a decadência, a velhice…; e tudo passa num ápice!...

          Então, atónitos, interrogamo-nos: como foi possível!?

          Paulatinamente, passaram os dias alegres da juventude e, de súbito - o que nos parecia não ter fim, acaba… - e já somos homens e mulheres feitos... As graciosas linhas do rosto juvenil, evolam-se; branqueiam–se de neve, os grisalhos cabelos; e de repente, os indesejados sulcos da face, surgem… e, com eles, maleitas e achaques, próprias do lúgubre crepúsculo... Assim como esmorecerá, a memória, e os cansados olhos, se embaciaram para sempre ...

          Escreveu Frei Heitor Pinto, na “Imagem da Vida Cristão”, citando prática de S, Gregório, que: “A morte começa logo que nascemos.”

          Asseverando, convicto, que: a vida nunca para, mas rola, assim como o tempo - que nunca está, mas constantemente passa; e termina afirmando: que é erro, saudar amigo, dizendo: “Como está”. Porque ninguém “Está”, mas “Passa”.

           As águas do rio, não estão – mas correm, passam; como passam, também, os ponteiros do relógio, que sem cessar, medem, minuto a minuto, o tempo.

          No vigor da mocidade, alimentamos - falsa ilusão! - que a vida, não passa, não têm fim; os que perecem, são sempre os outros… os velhos…. os avós, os pais. Mas o tempo passa, rola, voa, e num ápice, chega a triste velhice, com ela, os, incómodos, e arreliadores achaques...

         Alguém comparou a vida, a um longo e perlongado sonho: inicia ao adormecer, e termina ao acordar.

          Ou à Caverna de Sócrates: Tirante o sentido original da alegoria, narrada por Platão – que apresenta homens acorrentados, a caminhar, morosamente, para a Caverna; por analogia, tomei a ousadia em parte, de adaptá-la, para demonstrar - o que é a vida: todo o ser humano, mais cedo ou mais tarde, acabará – mesmo não querendo, - a precipitar-se na Caverna, ainda que não conheça, o que irá encontrar, porque é enigma para ele.

        Um dia, sem o desejar, a negregada. Átropos, sem piedade, cortará a ténue linha, que une a vida, à Eterna Vida.


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Santulhão: Desfile e queima do Entrudo

 O Festival do Entrudo, em Santulhão, culminou na terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro, com o desfile, julgamento e a queima do Entrudo, atividades que registaram a participação de muitos figurantes e de público, numa tarde de tradição, convívio e diversão.


O casal Suzete Pires e Pedro Garcia, viajaram de Castelo Branco (Mogadouro) até Santulhão para conhecer o Festival do Entrudo. A viver e trabalhar em Lisboa, o casal opou por participar num carnaval mais tradicional, para recordar tempos da sua infância na aldeia.

“Antigamente, em Castelo Branco, queimava-se o Entrudo, à noite, o que tornava o ambiente bastante macabro e dava até medo. Com o passar dos anos, este carnaval ancestral foi-se perdendo e por essa razão decidimos vir a Santulhão conhecer o Festival do Entrudo”, disseram.

Entre o muito público que participou no desfile do Festival do Entrudo, em Santulhão, o presidente da Câmara Municipal de Vimioso, António Santos, elogiou o trabalho realizado pela organização.


“Ao longo dos anos, a freguesia de Santulhão e o Grupo Recreativo e Associativo de Santulhão (GRAS) tem sabido tornar o Festival do Entrudo o mais original de todo o concelho de Vimioso. O público que visita Santulhão nesta altura do ano leva uma experiência memorável de tradição, convívio e diversão. Compete ao município de Vimioso apoiar e incentivar a preservação e divulgação deste evento ancestral que é o Festival do Entrudo, em Santulhão”, disse o presidente do município.

No final do evento, o presidente da Freguesia de Santulhão, Adrião Rodrigues, expressou enorme satisfação pela adesão de público ao evento. ao longo dos quatro dias de atividades.

“O Festival do Entrudo encerrou da melhor maneira nesta terça-feira de Carnaval, com a grande participação de figurantes e de público no desfile e julgamento do Entrudo. Ao longo dos quatro dias de atividades, destaco a afluência de caçadores para a montaria ao javali, o passeio pedestre e o tradicional jantar do butelo. De ano para ano, o Festival do Entrudo regista uma maior afluência de público, em especial com o regresso dos nossos (e)migrantes que vivem e trabalham noutras regiões do país e no estrangeiro”, disse o autarca local.


Questionado sobre se o Festival do Entrudo em Santulhão pode atingir a notoriedade de outros eventos, como o vizinho Entrudo Chocalheiro de Podence, Adrião Rodrigues respondeu que acima de tudo a pretensão local é conservar a originalidade desta tradição local.

“O nosso propósito para o Festival do Entrudo em Santulhão é manter a sua ancestral originalidade. Não nos preocupamos em contar o número de pessoas que nos visitam no decorrer do Festival do Entrudo. Acima de tudo, queremos preservar esta bonita tradição para a população e receber bem aqueles que nos visitam”, concluiu o autarca de Santulhão.


Anualmente, o Festival do Entrudo é uma iniciativa do Grupo Recreativo e Associativo de Santulhão (GRAS), que conta com os apoios do município de Vimioso, da Freguesia de Santulhão, da Reserva da Bioesfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, da Freguesia de Santulhão, dos Café Caçador e Teixeira e do Ministério da Cultura.

HA

FESTIVAL SABORES MIRANDESES REGISTA MAIS DE 14 MIL VISITANTES

 O Festival Sabores Mirandeses, que decorreu entre os dias 13 e 15 de fevereiro, recebeu um total de 14 930 visitantes contabilizados na porta principal, num evento que se afirma como um dos principais destaques gastronómicos da região.


De acordo com os números divulgados pela organização, a afluência diária registou variações significativas como: 2 485 visitantes na sexta-feira, dia da abertura, 7 116 visitantes no sábado e 5 329 visitantes no domingo, último dia do festival. Os dados referem-se exclusivamente às entradas registadas na porta principal, uma vez que a porta secundária não dispunha de controlo de acessos.

O evento contou com a participação de diversos expositores locais, promovendo a gastronomia e os produtos típicos da região, recebendo elogios pela diversidade e qualidade das experiências oferecidas.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: CM Miranda do Douro

Entrudo Chocalheiro de Podence excede expectativas de visitantes

Ellen e a aventura digital de uma jovem de Macedo que conquista as redes sociais

 Ellen Silva, estudante e residente em Macedo de Cavaleiros, tem vindo a afirmar-se nas redes sociais com conteúdos que retratam o seu dia a dia, o desporto e várias atividades criativas. Com apenas 17 anos, soma já milhares de seguidores e procura inspirar outros jovens a explorar o mundo digital de forma consciente e responsável.


O interesse pela criação de conteúdos surgiu cedo. Influenciada pelo pai e pelo universo do YouTube, Ellen começou a gravar os primeiros vídeos ainda em criança:

Ao longo dos anos, a paixão foi crescendo e, em 2023, decidiu apostar de forma mais consistente na produção de vídeos. Gradualmente, os conteúdos começaram a ganhar visibilidade.

Apesar de viver numa cidade de menor dimensão, Ellen percebeu rapidamente que a sua presença online tinha impacto junto da comunidade local:

O crescimento não foi imediato. Houve um período de menor alcance, mas a persistência acabou por dar resultados, sobretudo no TikTok e, mais tarde, no Instagram. Hoje, partilha com os seguidores momentos do quotidiano, atividades desportivas, como a natação e a corrida, e também rotinas de estudo.

Conciliar a vida escolar com a criação de conteúdos exige organização. Ellen explica como gere o tempo entre escola, treinos e redes sociais:

Com o apoio do pai na edição dos vídeos, consegue manter o equilíbrio entre estudos, vida pessoal e produção digital. Apesar da exposição pública, considera que a experiência tem sido positiva, sobretudo pela possibilidade de motivar outros jovens e receber feedback construtivo.

A jovem deixa ainda uma mensagem de incentivo a quem pretende iniciar-se no mundo digital:

Atualmente, Ellen conta com mais de 10 mil seguidores no Instagram e cerca de 5 mil no TikTok. Para já, encara as redes sociais como um hobby, mas quer continuar a investir neste projeto, sempre com equilíbrio e foco nos estudos. O objetivo é mostrar que é possível conciliar paixão, responsabilidade e criatividade, mesmo a partir de uma pequena cidade do interior.

Cátia Barreira

Entrudo Chocalheiro de Podence, tradição que perdura além-fronteiras

 E é assim que a tradição não morre. Adriano e Fábio Pires são netos de José Pires, natural de Podence. São já quatro gerações, eles e o pai, que ajudam a manter viva esta tradição genuína de Trás-os-Montes. Emigrantes em França, todos os anos regressam a Podence para vibrarem com o Entrudo Chocalheiro, vestidos de Caretos. Explicam, na primeira pessoa, o que os motiva a participar:


Terminou ontem o programa do carnaval mais característico de Portugal. Entre chocalhadas, travessuras e sorrisos no rosto, houve também muitas pisadelas provocadas pelo numeroso público que marcou presença, vindo de vários pontos do globo:

Para os cerca de 200 expositores presentes, o evento foi também uma aposta ganha:

A organização foi partilhada entre o Município de Macedo de Cavaleiros, a Associação Grupo dos Caretos de Podence, a União de Freguesias de Podence e Santa Combinha e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros.

Estima-se que, ao longo dos quatro dias, tenham passado por Podence cerca de 200 mil pessoas, como sublinha o presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges:

Um evento que posiciona cada vez mais Macedo de Cavaleiros e Podence como uma referência internacional:

Também António Carneiro, presidente da Associação Grupo dos Caretos de Podence, fez um balanço positivo após a Queima do Entrudo, realizada esta terça-feira, momento simbólico que continua a reunir milhares de pessoas na Eira do Careto:

A festa decorreu durante quatro dias, com diversas atividades emblemáticas, como o Desfile das Marafonas, o Desfile Noturno, o Pregão Casamenteiro e a Queima do Entrudo. Houve ainda iniciativas ligadas à natureza, como caminhadas, ateliers e workshops, entre outras propostas.

A edição de 2026 ficou também marcada pela inauguração de um mural dedicado à Madona, numa estratégia de embelezamento contínuo das ruas da aldeia através da street art.

Já esta quinta-feira, os Caretos de Podence seguem para a Guiné-Bissau. No próximo mês estarão em Nápoles, em Itália, estando ainda previstas deslocações aos Estados Unidos da América e a Macau.

Maria João Canadas

Deslizamento de terras obriga ao corte da ecopista

 Na manhã desta terça-feira, registou-se um deslizamento de terras, próximo da ponte de Avantos (Mirandela), que atirou para cima do troço da ecopista daquele concelho uma enorme quantidade de terra e pedras, deixando de ser possível circular naquela ciclovia, confirmou o coordenador Municipal de Proteção Civil. O incidente não causou vítimas.


“O deslizamento ocorreu, por volta das dez da manhã, colocamos fitas no local para definir um perímetro de segurança e está interdita a circulação na ciclovia entre Vilar de Ledra e o Romeu”, adianta João Vinhais.

Esta ecopista liga as aldeias de Carvalhais e Romeu, no concelho de Mirandela, reaproveitando e valorizando um dos troços da antiga linha ferroviária de ligação entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros, que foi desativada em 1991. A obra foi inaugurada, em Agosto de 2024.

Um investimento de 900 mil euros do Município de Mirandela, comparticipado em 400 mil pelo Turismo de Portugal, na regularização de cerca de 13 quilómetros do leito do canal ferroviário e pavimentação, estabilização de taludes, instalação de guardas e sinalética.

A ligação é o troço do concelho de Mirandela da Ecopista do Tua, um projeto intermunicipal que agrega os municípios de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança para aproveitar o corredor ferroviário para uma ecopista e a reabilitação de estações e apeadeiros numa extensão total de 70 quilómetros.

Fernando Pires

Cheias deixam rasto de destruição e prejuízos de quase meio milhão de euros no concelho de Torre de Moncorvo

 Em Torre de Moncorvo, o mau tempo, seguido de cheias, provocou estragos avultados, principalmente na zona da Foz do Sabor e já se fazem contas aos prejuízos. Maria Pisco, mora junto à praia da Foz do Sabor, e viu tudo aquilo que cultivou, num terreno de três hectares, a ser destruído pela tempestade. “Tinha alface, espinafre, as faveiras já com flores, ervilhas, brócolos, couve-penca e couve-lombarda. Agora, está tudo estragado e já não sai dali nada”, contou a produtora de 65 anos. Sem esperança e, agora com prejuízos, “já não é altura de plantar, só quando o tempo melhorar. Mas há quem esteja pior, apesar de nós estarmos mal”, disse.


Auzenda Moreira, também habita na mesma zona, e dedica-se ao turismo. Tem vários alojamentos rurais e, apesar de o mau tempo não lhe ter provocado estragos nas habitações, as reservas caiaram a pique. “Tenho muitas reservas de todo o lado, mas com este tempo e todos os problemas causados pela tempestade, a maioria anulou tudo”. O fim de semana passado era um dos que estimaria fazer mais negócio, devido ao Dia de São Valentim, mas desde que o mau tempo começou somaram-se os cancelamentos. “Já conto com prejuízos financeiros na ordem dos 300 euros por semana”.

Ambas contaram que não se lembram de estragos tão avultados quanto estes. “Já aconteceu, mas uma tempestade tão grande não”, disse Maria. A agricultora acrescentou ainda que “toda a gente se queixa. Os pomares à beira rio estão todos cobertos”. Já Auzenda considerou que “foi a pior delas todas. Esta aldeia vive muito de turismo rural e vejo todos os meus colegas a queixarem-se da falta de reservas, porque estão a ser anuladas e é um prejuízo muito grande, porque vivemos disto”, sublinhou.

Jornalista: Rita Teixeira

Tintim já fala em língua mirandesa através do álbum “Ls Xarutos de l Faraó”

 A personagem da Banda Desenhada (BD), Tintim, criada pelo belga Hergé já fala em mirandês por terras dos Faraós, os senhores do antigo Egito, tudo porque acaba de ser lançado o álbum “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), o primeiro álbum das aventuras do intrépido repórter que procura aventuras em qualquer parte do mundo.


Esta edição é limitada a 1.000 exemplares e colocados à venda numa livraria em Miranda do Douro e nas lojas FNAC, pelo unitário de 18 euros, sendo que este álbum do Tintim em mirandês tem edição da belga “Casterman”, com tradução de Alcides Meirinhos, membro da Associação de Língua e Cultura Mirandesa.

Daniel Sasportes, um dos mentores desta edição, em mirandês disse durante a apresentação do livro que aconteceu em ambiente da casa cheia, na biblioteca António Maria Mourinho, Miranda do Douro, frisou que este lançamento constitui não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal.

Já o Comissário da recém-criada Estrutura de Missão para a Salvaguarda da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão, explicou o Mensageiro que este tipo de traduções da BD é dirigido a um público mais infantojuvenil, mas que também chega a leitores e apreciadores deste tipo de aventuras mais adultos.

“Este tipo de iniciativa é uma reafirmação da língua mirandesa. A ação desta aventura decorre no Egito, o que demonstra a capacidade de o mirandês mostrar ao mundo inteiro a sua polivalência, o que vem colocar o idioma no mesmo patamar de outras línguas”, destacou.

Para Alfredo Cameirão, este tipo de tradução é “importantíssimo” para a sua divulgação já que esta é uma das BD’s mais conhecida no mundo e assim o mirandês pode chegar mais longe.

Este álbum assinala a primeira aparição de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira), o único personagem português recorrente na série, que reforça o simbolismo desta edição.

Já Alcides Meirinhos, explicou que a tradução deste livro das aventuras de Tintim foi um desafio interessante, mas no início um pouco trabalhoso e difícil.

Também Júlio Meirinhos, ex-deputado do PS e tido como o “pai” da lei do mirandês, já que foi o responsável pela oficialização deste idioma, referiu que há 27 anos havia muitos sonhos mas passo a passo a língua mirandesa foi-se consolidando.

“O povo e as instituições provaram ao longo destes anos que foram aderindo os grandes projetos que foi a oficialização da língua mirandesa e foram fazendo as coisas, uma de cada vez. Houve várias traduções desde os clássicos da literatura, até ao Astérix e a médio prazo a tradução da Constituição Portuguesa, já se escreveram mais livros, em mirandês, que nos 50 anos anteriores à lei que oficializou o idioma, para razão para estar confortável e poder dizer que já há raízes se foram formando, e que tudo isto vai evoluindo e juventude tem provado isso mesmo”, enfatizou.

Para já não está em cima da mesa, outra tradução das aventuras de Tintim, para o mirandês.

Francisco Pinto

Livro Máscaras Rituais de Portugal – Coleção de Roberto Afonso apresentado no sábado

 A apresentação da obra Máscaras Rituais de Portugal – Coleção de Roberto Afonso realiza-se no próximo sábado, 21 de fevereiro, pelas 15h30, no Centro Cultural de Vinhais, em Vinhais, no dia dos Mil Diabos à Solta.


A obra surge na sequência da exposição patente naquele espaço entre 20 de maio e 31 de dezembro de 2025, culminando um percurso de oito anos de itinerância por diversos espaços culturais de Portugal e Espanha. Ao longo desse tempo, a coleção foi consolidando reconhecimento público e aprofundamento científico.

A primeira edição do catálogo foi promovida pela Câmara Municipal de Bragança, após a apresentação pública da coleção na Mascararte de 2017, em Bragança. Posteriormente, a Câmara Municipal de Vimioso editou uma nova publicação no âmbito da exposição realizada em Vimioso, com especial destaque para o Entrudo de Santulhão.

Esta edição que agora vem a lume, revista e ampliada, editada pela Câmara Municipal de Vinhais, reúne pela primeira vez imagens de todas as peças da coleção. Uma obra que se afirma como um verdadeiro repositório das mascaradas tradicionais portuguesas, integrando textos de Alex Rodrigues, Alfredo Cameirão, Antero Neto, António Tiza, José Moreira, Isidro Rodrigues, Margarida Codesso e Roberto Afonso, com prefácio de António Tiza.

Mais do que um simples catálogo, trata-se de um roteiro das mascaradas portuguesas e um instrumento fundamental de memória e estudo. Reunir num único volume a diversidade, a força simbólica e a riqueza estética das máscaras rituais portuguesas constitui um gesto de responsabilidade cultural e um contributo relevante para investigadores, associações culturais, escolas e comunidades que mantêm vivas estas práticas ancestrais.

A presença da comunicação social será determinante para ampliar o alcance de uma obra que ultrapassa o âmbito editorial e se assume como documento de referência sobre uma das expressões mais identitárias da cultura popular portuguesa.

Semana Santa de Bragança com programação reforçada e aposta em afirmação turística

 A Semana Santa de Bragança apresenta-se reforçada, este ano, com novas propostas culturais e maior envolvimento institucional, apostando na afirmação da celebração como referência religiosa e turística


A programação mantém o núcleo litúrgico tradicional, mas alarga-se a outras iniciativas abertas à comunidade e aos visitantes, explica o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Duarte Fernandes. “O desafio foi feito o ano passado à Câmara Municipal, eles já nos apoiavam logisticamente, mas fizemos o desafio de estender a Semana Santa para outras atividades extra-religiosas. O ano passado foi um primeiro ano, achámos que correu bem e este ano continuamos com o desafio com a Câmara Municipal e vamos ter atividades para além do programa religioso, nomeadamente um curso de fotografia, vai haver um concerto e visitas no âmbito do turismo religioso.”

A Semana Santa é organizada pela Santa Casa da Misericórdia de Bragança, em parceria com a Unidade Pastoral Senhora das Graças e com o município. Conta com o Encontro de Grupos de Encomendação das Almas e um Concurso de Fotografia, que convida profissionais e amadores a captar a vivência e a identidade desta “Semana Maior”, e a ideia é criar maior dinamismo social e económico. “Aliarmos a parte religiosa também à parte social, de maneira que a cidade também viva isto para além do religioso, que haja um dinamismo no aspeto económico, no aspeto do turismo, das pessoas que nos possam visitar, para que as pessoas estejam mais envolvidas. Se há pessoas que não têm uma matriz tão religiosa, mas se houver outra atração qualquer que as faça vir à cidade, provavelmente depois também aproveitam e fazem a vivência religiosa nas cerimónias que nós temos durante a Quaresma.”

O provedor acredita que entre os visitantes estarão, certamente, muitos espanhóis. “Em Zamora têm uma tradição muito forte em termos de Semana Santa, no entanto, tenho a percepção que mesmo assim e mesmo durante o ano nós verificamos que há muita gente daqui dos nossos vizinhos espanhóis que nos visitam na altura das festividades, seja no Carnaval, seja na Páscoa. Eu tenho essa noção enquanto cidadão que nessas épocas festivas e às vezes fins de semana temos gente de Espanha que vem aqui a Bragança e fica um dia, dois dias.

A presidente da câmara de Bragança, Isabel Ferreira, adiantou que houve reforço do apoio municipal, aprovado em reunião de executivo, no valor de oito mil euros, porque há interesse em reforçar as atividades ligadas à iniciativa. “É um período muito importante do ponto de vista religioso, mas também um período em que Bragança pode e deve receber muitos turistas e visitantes, e por isso também temos todo o interesse em que durante esse período haja uma oferta cultural e recreativa que permita que esses visitantes possam desfrutar do nosso concelho.”

Além das celebrações centrais, como a Via Sacra, a Procissão do Enterro do Senhor e o Tríduo Pascal, regressa a Semana Gastronómica do Bacalhau, dinamizada pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Bragança, e o “Sábado na Praça”, com produtos típicos da Páscoa, nomeadamente os folares. Haverá ainda visitas guiadas gratuitas pelo centro histórico.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Preparado para, juntos, comemorarmos o 𝟱𝟲𝟮.º 𝗮𝗻𝗶𝘃𝗲𝗿𝘀𝗮́𝗿𝗶𝗼 da nossa cidade? 𝑬́ 𝒋𝒂́ 𝒆𝒔𝒕𝒆 𝒔𝒂́𝒃𝒂𝒅𝒐, 𝒂𝒑𝒂𝒓𝒆𝒄̧𝒂!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O Pereira


 Há nomes que designam pessoas. E há nomes que designam lugares, memórias, afetos e uma forma inteira de estar na vida. O Pereira era tudo isso. O António Pereira, homem de sorriso aberto e coração ainda maior, tornou-se sinónimo de um espaço, nos arrabaldes de Bragança, que marcou gerações, um refúgio noturno onde a amizade tinha morada certa.

Entrar no Pereira era entrar num ambiente onde as luzes eram ténues, mas o calor humano era intenso. Onde os risos se ouviam madrugada adentro e o tempo parecia abrandar para nos deixar viver mais um pouco. Ali partilhavam-se histórias, confidências, sonhos e até desilusões, sempre acompanhados de um copo levantado em brinde à vida.

E que dizer dos petiscos? O caldo verde de excelência que nos aquecia a alma nas noites frias transmontanas. As feijoadas reconfortantes, os pregos suculentos que sabiam sempre melhor àquela hora improvável, os rissóis de amêijoa ou de berbigão que desapareciam das travessas num instante. 

Mas o verdadeiro coração do espaço não estava nas paredes, nem no balcão, nem nas mesas cheias. Estava nele. No Pereira. Sempre sorridente. Sempre disponível. Sempre paciente com os mais “exagerados” por terem bebido um copo a mais. Nunca um olhar de reprovação, apenas compreensão. Nunca impaciência, apenas empatia. Sabia ouvir, sabia acolher, sabia cuidar, mesmo quando já era muito depois da hora.

Grupos de amigos e amigas ficavam até de madrugada, entre gargalhadas e canções improvisadas. E lá estava ele, de braços abertos, pronto para receber mais um, para servir mais um, para dar mais um abraço. Quando, já envergonhados, pedíamos desculpa por termos ficado até tão tarde, respondia com aquela bonomia tão sua:

- Ora essa, mandai sempre.

E nós sabíamos que era sincero.

Havia também o piano. Ah, o piano… Quantas noites ganharam alma à volta daquelas teclas. Mesmo quem não sabia tocar acabava por se aventurar, porque ali ninguém julgava, todos participavam. O piano unia vozes, desafinadas ou não, e transformava desconhecidos em companheiros de coro. Era música e comunhão.

O Pereira era, e é, um amigo. Um daqueles raros. Um pilar discreto da nossa Bragança. Um ícone que não precisa de estátua porque já está gravado na memória coletiva de todos nós. A sua bondade espalhou-se pelas conversas, pelas histórias que ainda hoje contamos com um sorriso nostálgico.

Obrigado, amigo Pereira.

Obrigado por tudo o que nos aturaste.

Obrigado pela paciência nas noites longas.

Obrigado pelos abraços sinceros e pelo “até amanhã” que soava sempre a promessa de reencontro.

Obrigado por teres feito do teu espaço um lar para tantos.

A nossa Bragança é maior porque tu existes.

E enquanto houver quem recorde aquelas noites, enquanto houver quem fale do caldo verde, do piano, das gargalhadas até de madrugada, o Pereira continuará vivo, mesmo sem as portas abertas.

O Pereira não era apenas um espaço.

Era amizade. Era acolhimento. Era casa.

HM

Tradições Populares - Brincadeiras infantis e jogos em Trás-os-Montes e Alto Douro


“Numa época em que não havia outros divertimentos, os jogos eram o passatempo favorito dos adolescentes e jovens, que a eles se entregavam, sempre que se podiam libertar da tutela dos pais ou da maçada da escola. Era uma espécie de teatro infantil relacionados com os elementos da sua experiência quotidiana, na vida agrícola (…)”, etc. 1

Reis e rainhas 2

1.- Tem de haver tantos rapazes como raparigas, que constituem grupos de sexos diferentes, afastando-se para não se ouvirem.

2.- No grupo dos rapazes (reis) o valete põe os nomes aos seus companheiros. No grupo das raparigas (rainhas) é a dama a fazer o mesmo.

3.- Postos os nomes, o valete vem com o rei ao pé da dama e diz:

– Ó rei D. Sebastião (ou outro nome) vai casar com…

Declara a dama:

– Com a rainha dos olhos negros (ou outro nome).

Então D. Sebastião aponta para uma das rainhas. Se for essa a dos olhos negros, casa com ela, saindo do jogo de mãos dadas. Não acertando, a rainha apontada vira-lhe as costas. Os nomes das rainhas, entretanto, podem ir sendo mudados.

4.- O jogo continua até se casarem todos. Por fim casam-se, sem a estratégia da adivinha, o valete e a dama.

5.- Feitos os casamentos, os parem cumprimentam-se com vénias à moda antiga e dançam.

Fitinhas 2

Junta-se um grupo de crianças e uma delas baptiza cada uma com o nome de uma cor. Observando a distância que não permita ouvir os nomes, estão outras duas crianças, fazendo uma de Anjo Bom e a Outra de Anjo Mau. Aproxima-se o Anjo Bom e trava o seguinte diálogo com a criança que pôs os nomes:

– Truz, truz.– Quem é?– Anjo Bom.– Que deseja?– Uma fita.– De que cor?

O Anjo Bom pronuncia o nome da cor. Se esta existir no grupo, leva consigo a criança que lhe corresponde. Não existindo, vai-se embora. Vem em seguida o Anjo Mau, adoptando-se o mesmo processo. Ganha o anjo que conseguir mais crianças.

Palmatória 2

1.- Um rapaz encosta-se a uma parede, com os olhos fechados e as mãos voltadas para trás, nas costas.

2.- Os outros participantes, em número variável, vão-lhe batendo, com mais ou menos força, nas palmas das mãos, tentando ele adivinhar quem lhe bateu.

O jogador em cujo nome acertar é o que amoucha de seguida.

Saca 2

Dispositivo inicial

Jogo de rapazes, tendo um número ilimitado de participantes, sendo um deles o fiscal e outro o que vai de olhos vendados ficar de cócoras, de costas voltadas para os restantes jogadores. Estes encontraram-se em fila, lado a lado, a uns três metros dele.

Desenvolvimento

Um dos jogadores que está na fila vai junto do que está de cócoras, dá-lhe uma palmada no rabo e volta para o lugar.

O que está de cócoras tira a venda e vai até à fila de jogadores, trazendo às costas o que ele pensa que lhe bateu, até ao sítio em que se encontrava.

Chegado aqui, o fiscal diz se foi ou não aquele que lhe deu a palmada. Se foi, fica este na posição de cócoras, processando-se novamente o jogo como no princípio. Se não foi, vai ter de o levar às costas para o lugar onde estava, trazendo novamente outro jogador que ele pensa que foi, até conseguir acertar.

Quando isto acontecer o jogador que lhe deu a palmada fica na posição de cócoras e de olhos vendados, indo o outro para junto dos jogadores que se encontram em fila, recomeçando-se o jogo da mesma forma como antes se processou.

Flores 2

Dispositivo inicial

Não é necessário material

O número de jogadores pode variar, assim como as idades dos participantes; estes eram geralmente jovens do sexo feminino entre os 15 e os 17 anos.

Formava-se uma roda de jogadores todos sentados; uma das jogadoras ia para o centro, sentando-se; todas as outras escolhiam entre si o nome de uma flor, mas sem o revelarem à jogadora do centro.

Desenvolvimento

Quando todas as jogadoras estavam prontas, a jogadora do meio dava um suspiro:

– Ai!

– Que tens? – perguntavam as restantes jogadoras em coro.

– Saudades – respondia a jogadora do centro.

– De quem? – perguntava o coro

– Da rosa (por exemplo) – respondia a jogadora do centro.

Aquela que tivesse o nome desta flor levantava-se e tomava o lugar daquela que estava no centro da roda; no caso de não haver o nome da flor que ela escolheu, as perguntas e as respostas repetem-se novamente, escolhendo ela o nome de outra flor.

Novamente as jogadoras combinavam nomes de flores, mas sem escolher o nome da flor que anteriormente tinham escolhido, e sem o revelarem à jogadora do centro.

O jogo continuava na mesma ordem acima referida até dar a volta a todas as jogadoras.

Acabava este jogo num baile.

1 in “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – IV volume – Miscelânea”, Joaquim Alves Ferreira
2 Fonte: “Tradições Populares – I”, António Cabral, editado pelo INATEL, 1999

Cantigas de romaria e de trabalho em Trás-os-Montes


 Cantigas de Romaria

«As festas e romarias, tão caras à alma do nosso povo, crente e folgazão, têm uma função simultaneamente religiosa e social.

A elas afluem, de todas as partes por onde andam dispersos, os filhos da terra, para alimentar a fé que os liga à sua igreja e fortalecer as raízes que os ligam ao seu torrão natal.

Nelas se robustecem velhas amizades e se criam outras novas, embora, às vezes, se gerem também discórdias, porque o calor aperta e o vinho sobe à cabeça dos romeiros, o que felizmente se vai tornando cada vez mais raro.

Depois de satisfeitas as devoções e cumpridos os votos, vá de dar largas à emoção e à alegria, num convívio salutar e fraterno, com os parentes e amigos, cantando e dançando, no largo da igreja ou no recinto da ermida.

Para isso, o próprio povo criou, na linha das cantigas de romaria, uma poética especial, que contempla, ao mesmo tempo, a religião e o amor. (…)»

Cantigas de Trabalho

«Após as romarias, em que o povo se diverte e descontrai, volta o trabalho, que é duro e penoso.

Para amenizar essa dureza, não há nada como cantar: Quem canta seu mal espanta.

Por isso, não faltam no reportório do povo canções para esse fim, e em maior abundância do que para os dias festivos, já que são mais os dias de labor do que os de lazer.

Outrora, sobretudo no meio rural, o trabalho era todo feito a cantar. O eco dos sachadores e dos ceifeiros elevava-se nos ares, enchia os vales e as encostas, fazendo do campo um vasto auditório musical.

Infelizmente, essa alegria tende a desaparecer, se é que não desapareceu já. À medida que a máquina substitui o esforço humano, deixa de se sentir a necessidade de se cantar.

Por isso, hoje, o povo já não canta no trabalho. Ou, se o faz, não canta as suas próprias canções.

Entoa músicas estranhas, sem alma nem beleza, que nada têm a ver com a sua identidade cultural e que lhe são impingidas pela propaganda radiofónica, em nome duma arte e de progressos muito duvidosos.

É a perda de uma faceta importante do nosso povo. É o requiem por uma cultura que se extingue.

E é pena. (…)»

Joaquim Alves Ferreira in Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – II volume – Cancioneiro | Imagem de destaque, meramente ilustrativa: “Ilustração Portuguesa”, nº 825 – 1922

I fazírun ua bicha sin fin

GNR ALERTA PARA OS RISCOS DAS “BOMBINHAS” DE CARNAVAL E PEDE MANUSEAMENTO SEGURO

 A Guarda Nacional Republicana (GNR) voltou a chamar a atenção para os perigos associados ao uso de bombinhas de Carnaval, lembrando que estes artigos de pirotecnia devem ser utilizados com especial cuidado.


Segundo a GNR, apesar de serem frequentemente encaradas como objetos inofensivos, as bombinhas podem provocar acidentes graves quando mal manuseadas. Em situações de risco, podem causar queimaduras e lesões sérias, sobretudo em crianças e jovens, que tendem a lidar com estes produtos sem noção total das consequências.

A força de segurança reforça que a prevenção continua a ser essencial, apelando ao cumprimento de regras básicas de segurança e ao uso responsável deste tipo de artigos durante as festividades.

A GNR sublinha ainda que pequenos gestos de prudência podem evitar ocorrências com impacto significativo, deixando um apelo à população para que celebre o Carnaval com segurança.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Homem detido por caçar usando recursos proibidos e em zona sem autorização

 Um homem foi detido pelo Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) do Destacamento Territorial de Mirandela por caçar com recurso a meios não permitidos e sem a devida autorização da zona de caça, no mesmo concelho, no passado dia 15 de fevereiro.


O homem tinha na sua posse um “chamariz” e também não possuía autorização “especial de caça emitida pela entidade gestora da zona de caça”, refere o comunicado da GNR.

O detido foi identificado e detido, tendo sido apreendido o chamariz, uma arma de fogo, bem como 45 munições.

Neste sentido, a Guarda Nacional Republicana relembra que, durante o exercício venatório, é proibida a utilização ou detenção de aparelhos que emitam ultrassons ou que, funcionando por bateria ou pilhas, tenham como efeito atrair espécies cinegéticas.

Recorda ainda que, nas Zonas de Caça Municipais, o exercício da caça apenas é permitido a caçadores que, para além dos documentos legalmente exigidos, sejam titulares de Autorização Especial de Caça emitida pela entidade gestora. 

Maria João Canadas

Burricadas reforçam envolvimento comunitário no Carnaval de Alfândega da Fé

 O Carnaval em Alfândega da Fé terminou com um balanço positivo, marcado pela segunda edição das burricadas, que registou maior envolvimento da comunidade e reforçou a dinâmica junto do comércio local.


A vice-presidente da Câmara Municipal, Maria Manuel Silva, destaca o crescimento da participação e o impacto sentido ao longo dos dias de festa:

Segundo a autarca, o evento correspondeu às expectativas traçadas para este ano. Ainda assim, o objetivo passa por continuar a crescer de forma sustentada, preservando a essência comunitária da iniciativa:

Apesar das condições meteorológicas adversas, com frio e ameaça de chuva, a adesão da população é considerada satisfatória. A expectativa é que, nas próximas edições, a iniciativa continue a atrair participantes, incluindo alfandeguenses que atualmente residem fora do concelho:

No que diz respeito ao impacto económico, o município encontra-se a recolher dados. Ainda assim, a vice-presidente considera que o investimento realizado foi equilibrado e ajustado à dimensão do evento:

A organização já iniciou a avaliação interna desta edição. O objetivo é consolidar as burricadas como um elemento distintivo do Carnaval de Alfândega da Fé, reforçando o envolvimento comunitário e o impacto positivo na economia local nas próximas edições.

Cátia Barreira

Hoje há BURRICADAS

Festival do Entrudo - SANTULHÃO

𝗘𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗱𝗼 𝗘𝗻𝘁𝗿𝘂𝗱o

 É já hoje!

Não pode faltar ao tradicional Enterro do Entrudo, com ponto de encontro marcado para as 20h, no Largo do Outeiro.

Esta iniciativa é organizada pela Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora dos Montes Ermos 2026 em parceria com a Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta.

Contamos consigo!

Acerca do topónimo «Ledra», das medievais «Terras de Ledra» e outros «disparates carnavalescos»… «Contra a desinformação, marchar, marchar!»

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Uma porção do actual distrito de Bragança correspondeu, em medievais tempos, às «Terras de Ledra». Circunscrição essa que não detinha, à semelhança dos conceitos de fronteira da actualidade, limites perfeitamente definidos, correspondendo, grosso modo, a territórios inseridos nos actuais concelhos de Mirandela e Macedo. A vetusta designação, evolução dos tempos, perderia, gradualmente, a sua importância, substituída sendo, ao longo do tempo, por outras circunscrições, particularmente os concelhos e os julgados. No entanto, a denominação «Ledra» permaneceu viva na toponímia, chegando aos dias de hoje por via das povoações de Vilar de Ledra (Mirandela) e Fornos de Ledra (Macedo). Acrescente-se a estas, até bem tarde, a designação de Vale de Prados de Ledra, que era dada à anexa da freguesia das Múrias (Mirandela), hoje apenas mencionada por Vale de Prados.

No universo da toponímia, ocorrem nomenclaturas perfeitamente identificáveis no Português actual (como o Vale de Prados acima referido), outras havendo que existência não têm nos dicionários, como é excelente exemplo o «Ledra» que aqui trago. Isto é, caso se pergunte a alguém qual o significado de «Ledra», o mais provável é que ninguém saiba responder. De vez em quando, lá surge uma explicação popular, à semelhança de tantas outras explicações para nomes de terras, maioritariamente oriundas do «imaginário mouro». Assim, de repente, e como paradigma, lembrei-me de Espadanedo, que diz o Povo que deriva de «espada nele», com mouros pelo meio. Todavia, Espadanedo é um fitotopónimo derivado de um substantivo colectivo. Mas há muitos mais exemplos por aí… Onde até já vi «Ledra», por sugestão «homófona», associada a uma família Romana. Só que…

Os estudos toponímicos, epigráficos ou linguísticos, têm muito mais que se lhe diga do que o «amadorismo» de descobrir uma qualquer semelhança num qualquer livro que nos vem parar à mão, por vezes, por mero acaso, ou por vir referenciado na Wikipédia... Os referidos estudos envolvem coisas «raras» que incluem o «indo-europeu», as respectivas influências na evolução dos idiomas actuais, particularmente naquele que mais respeito nos diz, o Latim. Mas também noutros que influência tiveram no nosso idioma, como serão bons exemplos o Árabe, o Celta ou os chamados idiomas «germânicos». Ou até, estudos genéticos e de etnologia, e outras coisas ainda mais «raras». À custa disso fica a saber-se, por exemplo, que «Ledra» é um topónimo cuja existência mais remota data de 3.500 a.C., muito antes de os Romanos começarem a deixar a sua marca pela Europa… À custa disso, fica a saber-se muito mais, como, por exemplo, que há mais sítios no mundo que até tomam, ou já tomaram, a referida designação «Ledra». Um muito mais que já tive a oportunidade de publicar, a propósito de umas terras que, em medievais tempos, se situavam, precisamente, nas «Terras de Ledra». Parece, no entanto, que o topónimo «Ledra», para lá de outros disparates, até passou a contribuir para o topónimo «Mirandela»...

O que, mesmo para qualquer iniciado nos estudos toponímicos, que saiba “algua cousita” acerca de sufixos de origem latina, lhe soará a «desinformação». Porque qualquer iniciado em estudos toponímicos saberá, de antemão, porque básico é, que os topónimos em cuja constituição entram os sufixos [elo] e a sua versão no feminino, [ela], se tratam de diminutivos originados a partir do Latim [ellu / ella]. Assim acontece em vulgar Português, como é bom exemplo [rua / ruela], ou em topónimos bastante comuns e conhecidos como Vouzela, Penela ou Vizela. E até, pelas nossas bandas, com Fradizela, Cernadela ou Pinela, ou até no nosso Tuela, por exemplo. Parece, no entanto, que o topónimo «Mirandela» será diferente, mesmo que seja comummente aceite que se trata do diminutivo de «miranda», palavra que deu o nome a povoações como Miranda do Douro, Miranda do Corvo ou Miranda de Ebro… E não vou aqui explicar as possíveis origens da palavra «miranda», que ao caso não vem…

Regressemos, porém, a Ledra. Uma designação cujo primeiro registo conhecido, por estas bandas, poderá apontar para um «terminus augustalis» de época Romana, conforme notícias que nos chegaram acerca de uma inscrição. Nome esse que permaneceu em época Sueva e, posteriormente, em período Visigodo, assim o rezam os documentos, escritos e numismáticos, que chegaram até nós. Tal como, já na Baixa Idade Média, se pode atestar o mesmo nome, nas suas diversas variantes, em documentos eclesiásticos ou provenientes das chancelarias régias. Todavia, sempre referido a uma região, nunca a uma povoação em concreto. Tal como aconteceu, por exemplo, com as regiões de Lampaças ou da Vilariça. Ou, até terem sido fundadas as povoações homónimas, com as regiões de Bragança, Miranda e Vinhais. Ao confrontar-me com alguma «desinformação» que por aí circula, um dia destes ainda hei-de ver alguém a afirmar que havia uma povoação chamada Minho e outra chamada Galiza… 

Não, não há documento algum que mencione uma povoação específica designada como Ledra! Assim como não o há relativamente a qualquer povoação chamada Lampaças ou Vilariça! Estas eram regiões, assim como, na actualidade, o Minho ou a Galiza são regiões… E Bragança, Miranda ou Vinhais só passaram a ser povoações individualizadas depois de terem tomado o nome das «terras» das quais faziam parte… A não ser que, sei lá, a Wikipédia ajude na descoberta de novos documentos… Já agora, a finalizar, e para os mais curiosos, «Ledra» é um hidrónimo… Que deu nome a uma região em cuja área foi vulgar ver associada a sua designação “possessiva” à nomenclatura de povoações… 

Tudo o resto é lirismo, ou confusão de desejos com realidade. O que não abona muito a favor do critério e do rigor com que esta magnífica página sempre foi feita. Uma coisa é a escrita ficcional, através da qual poderemos escrever o que nos «der na real gana». Uma outra, completamente diferente, é partilhar conhecimento, que nunca deverá ser alicerçado num «só porque me apetece». Esse tipo de «conhecimento» já conduziu a «afastar-me». Todavia, isso também representava um mau serviço a esta página que, felizmente, tanto me diz… Por isso regressei… «Contra a desinformação, marchar, marchar!»… 

(Foto: Fornos de Ledra – Igreja abandonada do antigo Recolhimento das Oblatas do Menino Jesus - que o foi, inicialmente, no Loreto, em Bragança)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Governo apoia pastoreio com 30 milhões de euros para reduzir risco de incêndio

𝐗𝐗𝐕𝐈 𝐅𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐀𝐥𝐡𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐝𝐞 Mirandela 🍴 26 de fevereiro a 01 de março

 Produto identitário de excelência, reconhecido como uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal e distinguido com o Prémio Cinco Estrelas, a alheira volta a estar em evidência num dos mais expressivos eventos da região de Trás os Montes.
A XXVI Feira da Alheira de Mirandela realiza se entre 26 de fevereiro e 01 de março, afirmando se como palco de promoção da gastronomia, do território e da vitalidade económica e cultural do concelho.