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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O equilíbrio frágil da paz global


 Vivemos num tempo estranho, em que a palavra “paz” parece existir mais como desejo do que como uma realidade possível. À superfície, o mundo continua a girar com aparente normalidade. As cidades iluminadas, os mercados abertos, os aviões a cruzar os céus como se nada estivesse fora do lugar. Mas por baixo dessa rotina aparente, existe um receio constante, como um fio esticado ao limite, e todos sentimos, que pode partir a qualquer momento.

A paz global, tal como a conhecemos, não é um estado sólido. É um equilíbrio delicado, construído sobre negociações complexas, interesses divergentes e, muitas vezes, sobre compromissos frágeis que resistem mais por necessidade do que por convicção. Não é a ausência de conflito, mas antes a contenção dele. Um jogo subtil onde cada passo em falso pode desencadear consequências imprevisíveis.

Os conflitos que marcam o nosso tempo não são apenas batalhas em territórios distantes. São também disputas económicas, guerras tecnológicas, confrontos ideológicos. São linhas invisíveis traçadas entre potências que medem forças não só com armas, mas com influência, informação e poder estratégico. E, no meio desse tabuleiro global, as decisões tomadas em gabinetes distantes alteram e impactam a vida de milhões de pessoas que nunca terão voz nessas escolhas.

A diplomacia, outrora vista como a arte paciente do diálogo, tornou-se hoje um exercício de equilíbrio sob pressão. As palavras pesam, os silêncios têm significado, é tudo interpretado à escala global. Há encontros que parecem promissores, declarações que apontam para entendimento, mas também há recuos, desconfianças e agendas ocultas. A confiança entre nações é, talvez, o recurso mais escasso dos nossos dias.

É precisamente essa falta de confiança que alimenta o medo. Um medo difuso, mas persistente. O receio de que um conflito regional se transforme em algo maior, num conflito ao nível global. De que uma provocação mal calculada escale para um confronto irreversível. De que o avanço tecnológico, que tanto prometeu progresso, venha também a amplificar a capacidade de destruição.

Vivemos com essa inquietação instalada, mesmo quando dela não falamos. Está nas notícias que evitamos ver até ao fim, nas conversas interrompidas com um encolher de ombros, na sensação de que o mundo se tornou mais imprevisível. Não é um medo constante, mas é um receio sempre presente.

Ao mesmo tempo, há uma estranha normalização do conflito. As imagens de guerra, de destruição, de sofrimento humano, repetem-se com tal frequência que correm o risco de se tornarem banais. Talvez esse seja um dos sinais mais preocupantes do nosso tempo, não apenas a existência dos conflitos, mas a forma como nos habituamos a eles. Como se fossem inevitáveis. Como se a paz fosse apenas um intervalo entre as crises e as guerras.

No entanto, apesar de tudo, a paz continua a existir, não como um dado adquirido, mas como uma construção diária. Está nos acordos que evitam o pior, nos diplomatas que insistem no diálogo quando tudo parece perdido, nas organizações que procuram mediar o impossível. Está também nas pessoas comuns, que continuam a acreditar que o entendimento é preferível ao confronto, mesmo quando a realidade parece desmenti-lo.

A história ensina-nos que os momentos de maior instabilidade são também aqueles em que mais se revela a importância das escolhas humanas. A paz nunca foi garantida. Sempre foi conquistada, negociada, protegida e, por vezes, perdida. O que talvez distinga o nosso tempo é a consciência clara de quão interligado o mundo se tornou. Hoje, um conflito não fica contido. Espalha-se, influencia economias, desloca populações, altera equilíbrios globais.

E, ainda assim, continuamos a viver, a amar, a fazer planos. Talvez porque, no fundo, a esperança resiste. Uma esperança discreta, mas teimosa, que se recusa a desaparecer. A crença de que, apesar da fragilidade, a paz pode ser mais do que um intervalo, pode ser um caminho.

Esse caminho exige vigilância, responsabilidade e, acima de tudo, humanidade. O equilíbrio da paz global não depende apenas de tratados ou alianças. Depende da capacidade de reconhecermos no outro, seja ele próximo ou distante, algo que vale a pena preservar.

E talvez seja essa a verdade mais simples e mais difícil de aceitar. A paz não é um estado permanente. É uma escolha. Uma escolha frágil, constantemente ameaçada, mas ainda assim possível. Sempre possível.

HM
9 de Abril de 2026. 
Um dia em que continua a morrer gente inocente em guerras que não fazem, não alimentam, nem desejam.

TRAÇÃO ANIMAL REGRESSA À FLORESTA EM AÇÃO DE CAPACITAÇÃO EM VIMIOSO

 A localidade de São Joanico está a acolher, desde o passado dia 7 e até esta quinta-feira, uma ação de capacitação dedicada à aplicação da tração animal na gestão florestal sustentável, no âmbito do projeto ASINIFIRE.


A iniciativa reúne profissionais do setor florestal, equipas de sapadores e especialistas, promovendo a partilha de conhecimentos e boas práticas que visam uma abordagem mais equilibrada e ecológica na gestão do território. Os trabalhos no terreno contam com a participação de cavalos de tração da APTRAN, bem como de duas equipas de sapadores florestais do concelho de Vimioso.

Ao longo destes dias, os participantes têm tido oportunidade de acompanhar demonstrações práticas e técnicas que evidenciam as vantagens da utilização de tração animal, nomeadamente na redução do impacto ambiental, preservação dos solos e maior eficiência em zonas de difícil acesso.

A ação destina-se não só a profissionais e entidades ligadas à gestão sustentável da floresta, mas também ao público em geral, que poderá contactar de perto com estas práticas durante um dia aberto agendado para sexta-feira, dia 10.

Com esta iniciativa, os promotores pretendem sensibilizar para soluções alternativas e sustentáveis, reforçando a importância da inovação aliada ao conhecimento tradicional na preservação dos ecossistemas florestais e na prevenção de riscos associados ao abandono do território.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

Albufeira do Azibo vence Prémio Cinco Estrelas Regiões pelo oitavo ano consecutivo

 A Praia da Albufeira do Azibo voltou a ser distinguida com o Prémio Cinco Estrelas Regiões, na categoria “Praias”, pelo oitavo ano consecutivo, na 9.ª edição da iniciativa, que este ano distinguiu 233 ícones e insígnias a nível regional.


No concelho de Macedo de Cavaleiros, também os Caretos de Podence foram galardoados, na categoria de “Festas, Feiras e Romarias”.

No distrito de Bragança, a Alheira de Mirandela voltou a vencer o prémio na categoria “Produtos Tradicionais Portugueses”, também pelo oitavo ano consecutivo.

Entre os símbolos regionais distinguidos, destaque ainda para a Posta Mirandesa, novamente premiada na categoria de Cozinha Tradicional. A aldeia de Montesinho foi também distinguida pela primeira vez, na categoria de Aldeias e Vilas.

Da lista de premiados do distrito de Bragança fazem ainda parte a Fundação Betânia, em Bragança, pela terceira vez, na categoria de Residências Sénior, a Mercearia Tomé, em Miranda do Douro, distinguida pela quarta vez, bem como o Stands Multimarca e a empresa Resineves, sediada em Bragança, ambos premiados pela segunda vez.

No total, foram distinguidas dez marcas e entidades do distrito de Bragança, num prémio que envolveu a participação de mais de 407 mil consumidores.

A cerimónia de entrega dos prémios está marcada para o mês de junho, na ilha de São Miguel, nos Açores.

Maria João Canadas

Macedo de Cavaleiros recebe 6.ª edição da Feira de Stocks Local a 18 e 19 de abril

 A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Macedo de Cavaleiros vai realizar a 6.ª edição da Feira de Stocks Local.


O evento decorre nos dias 18 e 19 de abril de 2026, nas naves do Parque Municipal de Exposições de Macedo de Cavaleiros, reunindo vários comerciantes locais com o objetivo de escoar produtos a preços reduzidos.

Os visitantes poderão encontrar vestuário, calçado, têxteis-lar, acessórios de moda, mobiliário e decoração, entre outros produtos.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Macedo de Cavaleiros, Paulo Moreira, destaca a importância do evento para o comércio local:

O responsável sublinha ainda o impacto da feira na dinamização do tecido empresarial:

De acordo com Paulo Moreira, a adesão ao evento tem vindo a crescer ao longo dos anos:

O presidente da associação destaca também o impacto da iniciativa na economia local e na projeção do concelho:

No sábado, dia 18, a feira abre às 14h30 e encerra às 24h00. Já no domingo, dia 19, o horário decorre entre as 10h00 e as 19h00.

A organização convida a população a marcar presença e a aproveitar as oportunidades disponíveis durante os dois dias do certame.

Jodie Pinto

Secretário de Estado das Florestas visita Alfândega da Fé para acompanhar gestão da paisagem

 O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, vai visitar o concelho de Alfândega da Fé no próximo dia 10 de abril, com o objetivo de acompanhar no terreno a implementação da Operação Integrada de Gestão da Paisagem (OIGP).


A visita pretende avaliar o desenvolvimento desta operação, considerada estruturante para o território.

A OIGP de Alfândega da Fé surge no âmbito da criação da Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP), aprovada para o concelho, com uma área de cerca de oito mil hectares. O projeto abrange as uniões de freguesias de Ferradosa e Sendim da Serra e de Eucísia, Gouveia e Valverde.

A iniciativa é promovida pela Associação dos Produtores Florestais de Alfândega da Fé (AFLOCAF), entidade responsável pela sua execução e dinamização junto dos proprietários locais.

A operação prevê intervir em cerca de 2.250 hectares, através de ações de reconversão e valorização dos povoamentos florestais.

Entre as medidas previstas estão a substituição de áreas de resinosas por espécies autóctones mais resilientes, a instalação de amendoais e olivais, a recuperação de galerias ripícolas, a reconversão de matos em áreas de sobreiro e a execução da rede primária de gestão de combustíveis.

Estas intervenções visam criar uma paisagem mais diversificada e em mosaico, reduzindo o risco de incêndio rural e promovendo a biodiversidade, assegurando também a sustentabilidade dos solos e dos recursos hídricos.

A OIGP assenta num modelo de gestão integrada, envolvendo proprietários e entidades locais com base em compromissos de longo prazo.

A visita do governante permitirá acompanhar a implementação da operação, avaliar o seu impacto e reforçar a articulação com os agentes locais envolvidos, sendo considerada relevante para a transformação do território e para o desenvolvimento do Nordeste Transmontano.

Jodie Pinto

Reabertura da urgência de cirurgia geral no Hospital de Mirandela e uma segunda VMER nos distrito foram alguns dos temas abordados no dia Mundial da Saúde

 A reabertura da Urgência de Cirurgia Geral do Hospital de Mirandela continua condicionada à contratação de novos recursos humanos, que não depende exclusivamente da administração da ULS do Nordeste, mas antes da tutela.


Foi esta a explicação que a Diretora Clínica dos Cuidados de Saúde Primários da ULS do Nordeste adiantou, esta terça-feira, ao público presente no debate sobre saúde e informação de proximidade, que decorreu no auditório municipal, promovido pela Comissão Permanente de Acompanhamento para o setor da Saúde da Assembleia Municipal, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde.

Filipa Faria – que não prestou declarações à comunicação social, alegando não estar mandatada para tal – garantiu à plateia que a administração continua empenhada na reabertura daquela valência, que, recorde-se, foi encerrada, em outubro de 2023, começando por ser uma medida provisória, para fazer face aos constrangimentos na elaboração de escalas devido à recusa da maioria dos médicos em realizar trabalho extra para lá das 150 horas, estipuladas na Lei.

Os três cirurgiões que prestavam serviço na unidade hospitalar de Mirandela foram alocados à urgência do hospital de Bragança. Mais tarde viriam a manifestar a sua indisponibilidade para continuar a realizar serviço de urgência, devido à sua idade e a Lei protege-os.

Perante estas explicações, o presidente do Município de Mirandela, Vítor Correia, entende que a reivindicação tem de ser feita de forma diplomática junto do Ministério da Saúde:

Outro dos temas abordados foi a possibilidade do distrito de Bragança poder vir a ter uma segunda VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) e alocada a Mirandela.

Também aqui, Filipa Faria diz que é um assunto que não depende da ULS do Nordeste. O autarca diz que essa possibilidade seria um ganho enorme em termos de resposta de emergência:

Algumas das questões abordadas na iniciativa denominada “Saúde mais próxima de si”, promovida pela Comissão Permanente de Saúde da Assembleia Municipal, cuja coordenadora, Aida Palas, entende ter sido muito produtiva e com adesão significativa da população:

Foi a primeira iniciativa da recém criada comissão de saúde e Aida Palas acredita que foi um bom arranque para uma série de atividades que pretende organizar sempre em torno da defesa intransigente do serviço nacional de saúde ao nível local:

Esta ação, denominada “Saúde + próxima de Si”, pretendeu também conhecer as respostas locais do SNS e a importância de microinfluenciadores sociais com capacidade de disseminar informação relevante junto da comunidade.

INFORMAÇÃO CIR ( Escrito por Rádio Terra Quente)

Ataque de cães vadios mata pónei e fere outro em Luzelos, Carrazeda de Ansiães

 Um pónei morreu e outro ficou ferido na sequência de um ataque de cães vadios na aldeia de Luzelos, no concelho de Carrazeda de Ansiães, segundo o Jornal de Notícias.


O ataque ocorreu num lameiro situado numa propriedade com cerca de 48 hectares, pertencente ao irmão de Jorge Carvalho. Os animais encontravam-se no local quando foram atacados por vários cães.

Jorge Carvalho deslocou-se ao terreno após ter sido alertado para a situação e encontrou quatro cães de grande porte, três dos quais atacavam o pónei mais pequeno, enquanto outro investia contra o animal mais velho.

O proprietário tentou afastar os cães, recorrendo a gritos e ao arremesso de pedras, mas os animais revelaram comportamento agressivo.

O pónei mais novo apresentava ferimentos graves e acabou por morrer no local. Já o outro animal sofreu ferimentos ligeiros e encontra-se fora de perigo.

Jorge Carvalho comunicou o caso à Guarda Nacional Republicana e à Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães.

O proprietário afirma desconhecer a origem dos cães envolvidos no ataque e critica a atuação das autoridades relativamente à gestão de animais vadios, sublinhando que os prejuízos recaem sobre os donos dos animais atacados.

Segundo o próprio, têm ocorrido situações semelhantes anteriormente, nomeadamente ataques a ovelhas, referindo ainda que existe receio por parte da população em denunciar estes casos.

O proprietário considera que não existe responsabilização pelos danos causados.

Jodie Pinto
Imagem: Jornal de Notícias

Mistérios da Poesia

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Na vagarosa Mindelo, dolente e pacífica capital cabo-verdiana, onde os cães se sentam pacificamente nas ruas, sem se incomodarem com quem calcorreia os passeios, exceto se uma cadela no cio os leva a alvoroçar toda uma esplanada de turistas ou um inesperado líder canino os incentiva a uma corrida desenfreada no areal da Baía das Gatas, na Mindelo solarenga de cores pastel onde o vento se passeia, sem cerimónias esquadrinhando o Quintal da Artes onde a veia artística se espraia em pequeníssimas lojinhas térreas e sem outras condições que a pura imaginação indígena expressa em obras de puro enlevo, onde uma simples T-Shirt envergada pelo mais simples dos transeuntes pode trazer, repetido até à exaustão, um slogan que ganhou, subitamente, um significado acrescido, no mundo em que vivemos (“freedom is not for free” cujo apelo à liberdade e a referência ao seu custo perde força quando traduzido), nas ruas estreitas da baixa mindelense, por onde a sombra de Cesária se estende por todo o lado e tudo cobre, tudo engloba, tudo protege e, como uma mãe grande e omnipresente, a todos embala na remansada lembranças dos suaves e melancólicos tons da Morna; ao lado do CNAD, cuja fachada de tampas coloridas de latas de tinta formam a icónica fachada desse centro cultural, numa rua estreita, em direção à Praia da Laginha, encontra-se uma vivenda, de aspeto modesto, de portas e janelas fechadas (convenientemente, como a seguir se verá porquê), ostenta no pilar da entrada um logotipo cuja inscrição principal diz: Mistério da Poesia.

Porém, engenhosamente, partindo, de forma acertada, do facto de tal enigma se encontrar no interior (o que convém, como facilmente se depreende), mão artística recorreu à expressão anglófona para preposição designativa de “dentro” (“in”) e, habilidosamente transformou o Mistério em M”in”istério coisa que agrada a quem passa, desperta a curiosidade e satisfaz, suponho eu, quem dentro se compraz com a companhia de Calíope e de todas as restantes diáfanas moradoras do Parnaso.

Mesmo com as portas fechadas (tem um horário tardio e boémio, como convém) foi-me impossível passar pelo número 35 da Avenida 5 de julho, no Mindelo, sem me ver compelido a refletir sobre a superior oportunidade, benefício e proveito que adviria, num tempo em que os ministérios da defesa são renomeados como ministérios da guerra, em que as próprias batalhas conseguem o inacreditável feito de se desumanizarem ainda mais, em que homens, mulheres e crianças são feridos, destruídos e mortos por máquinas de plástico e metal, em que a inteligência artificial é capaz de dar substância e cumprimento ao que mais horrendo a inteligência animal e natural, num tempo bárbaro e cruel, de atropelo sem limites nem barreiras sobre a dignidade de todos os seres vivos e se destrói toda a natureza em nome de caprichos e ambições desmedidas, que benesses e proventos poderiam vir, repito, com a institucionalização de um Ministério para a Poesia, que tivesse, à porta, vigilante, o slogan “freedom is not for free”, de entrada livre e sem quaisquer constrangimentos ou pressupostos com a única condição de fraternal convivência entre todos os seres vivos de boa vontade…

Porém, de regresso ao Hotel são bombas e mísseis, drones, canhões e porta-aviões que enchem os noticiários e como um geladíssimo duche nos acordam para a triste e preocupante realidade, crua nua e sem qualquer mistério em que os sombrios tempos nos envolvem e sufocam.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

As Irmãs e a Páscoa de que o mundo precisa

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Decorrente da recente notícia da elevação do Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, a priorado simples, e especialmente depois de participar na Via-Sacra em Bragança, com texto da Ir. Maria José, bem como nas celebrações do Tríduo Pascal e da Páscoa, dei por mim a pensar na missão das Irmãs.

Talvez pela densidade espiritual da Semana Santa, diante da Cruz e do mistério da Páscoa, em que muito do que é acessório se dissipa e se torna mais nítido aquilo que verdadeiramente permanece, reparei no seu silêncio, no seu amor fiel, no seu serviço discreto e na presença que não procura visibilidade, mas sustenta, de forma quase invisível, a vida de muitos e da comunidade.

Irmãs religiosas e consagradas da nossa Diocese de Bragança-Miranda, as de vida comunitária e apostólica, as monjas de clausura contemplativa ou as dos institutos seculares, todas fazendo da própria vida uma admirável entrega.

Pense-se, por exemplo, nas Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, nas Irmãs da Caridade do Sagrado Coração de Jesus, nas Irmãs Carmelitas Descalças do Carmelo da Sagrada Família, no Larinho, em Torre de Moncorvo, nas Irmãs da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, as monjas trapistas do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, nas Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, nas Irmãs Doroteias e nas Irmãs do Instituto Secular Missionário Servas do Apostolado, entre tantas outras.

Algumas continuam presentes no terreno, outras permanecem na memória viva de quem com elas partilhou vivências, mas em todas, descortinamos uma entrega que alguns, sempre inclinados para o ceticismo, a dúvida ou a crítica, a entendem como evasão ou afastamento das fragilidades humanas, mas que a maioria reconhece como um modo mais profundo de habitar o mundo, como uma proximidade que brota de Deus e se concretiza no encontro com os outros.

Num tempo de pressas, utilidades imediatas, superficialidade e sensacionalismos, impressiona nas Irmãs a sua escolha do silêncio, da fidelidade à sua identidade, e a sua certeza de que rezar pelo mundo é glorificar a Deus e servir as pessoas.

Igualmente admirável é o seu legado, que cruza fé, pastoral, catequese, liturgia, música, educação, cultura, ação social, saúde e humanidade neste território de Bragança. Na verdade, quantas crianças, adolescentes e jovens foram por elas acolhidos, acompanhados e formados? Quantas trajetórias ganharam direção a partir de um gesto, de uma palavra ou de uma presença atenta no momento certo? Para muitos, foi através delas que surgiu o primeiro contato com a beleza da liturgia, com a exigência do estudo, com o valor da disciplina interior e até com o sentido da fraternidade.

Neste tempo pascal, há algo nelas que é profundamente pascal, como a sua serenidade firme, a doçura que não fragiliza e uma disciplina que não endurece. Sabem ser exigentes sem perder a delicadeza, escutam com atenção, acompanham com discrição e orientam sem impor. Raramente ocupam o centro das atenções, sustentando-o mesmo em muitas situações em silêncio e discrição.

Se a Páscoa nos lembra que a vida nova começa, muitas vezes, onde o olhar comum apenas vê silêncio ou ausência, até neste sentido as Irmãs são um sinal que importa não ignorar pois recordam-nos que a fecundidade não depende do ruído, que a esperança não precisa de espetáculo e que o amor vivido quotidianamente continua a ser uma das forças mais transformadoras da história.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

Desacordo entre mãe de aluno e educadora origina processo disciplinar no Infantário Cinderela

 A mãe de um aluno do Centro Infantil Cinderela, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Bragança (SCMB), queixa-se de grandes disparidades em duas avaliações pedagógicas sobre o filho, um menino de 3 anos e meio, aluno do pré-escolar. “Em janeiro quando fui assinar uma avaliação do meu filho esta não era compatível com as anteriores. Nesta estava tudo mal, ou seja, o meu filho estava descrito como um atrasado mental. 


Não sabia dançar, não sabia decorar canções, não sabia desenvolver uma história ou esperar pela vez dele para falar”, explicou a mãe, Claúdia Castro, muito revoltada com a situação.

Discordou da avaliação junto da educadora da criança, e, entretanto, uns dias depois foi-lhe apresentada uma segunda, onde se refere que “já está tudo bem” mesmo os problemas que a o menino continua a ter. “Quando voltei à escola a professora apresentou-me uma avaliação nova onde tudo estava bem. O que estava mal na outra, na nova estava bem. Ela [educadora] explicou que tinha refletido e revisto a avaliação. A avaliação tinha sido feita em dezembro e eu fui assiná-la a 21 de janeiro”, referiu Claúdia Castro contando, ainda, que tinha entregado na escola uma carta da pediatra do filho onde se indagava qual era a situação do menino. “A educadora não gostou. Eu disse que estavam a pôr o meu filho como atrasado e ele não é atrasado nenhum. Depois queria que eu assinasse a segunda avaliação e não a antiga”, acrescentou.

Glória Lopes

Sindicato dos Jornalistas condena comunicado emitido pela Santa Casa da Misericórdia de Bragança

 O Sindicato dos Jornalistas está desagrado com o facto de a Santa Casa da Misericórdia de Bragança ter emitido um comunicado antes da emissão de uma reportagem na RTP sobre alegadas agressões e maus-tratos no Centro de Educação Especial.


Na nota, a Misericórdia repudiou as alegações que o canal iria transmitir no dia seguinte e rejeitou qualquer acusação e insinuação.

O sindicato diz que a atitude foi uma tentativa de “condicionamento do exercício do jornalismo” e que a ética e deontologia do jornalista e da RPT foram colocadas em causa. Já o provedor da Misericórdia, Duarte Fernandes, diz que o comunicado apenas foi lançado antes da transmissão porque a reportagem já estava a ser anunciada há alguns dias. “A divulgação de que o programa ia acontecer esteve a decorrer durante a semana toda, presumo eu, e só me deu o trabalho de ver com atenção a reportagem passada, possivelmente quase dois dias. E repare que durante a reportagem aparece constantemente abusos sexuais em Bragança na Santa Casa, maus-tratos na Santa Casa da Misericórdia. É isso que vende? É essa imagem que se quer transmitir ao país que assistiu àquele programa?”, questionou.

O provedor lamenta que tenham sido utilizadas imagens que foram captadas para outra reportagem, há três anos, que não correspondem à realidade atual. “E a maior parte das imagens, aquelas imagens com mau aspecto, degradantes, de uma casa de banho que servia de arquivo ou de arrumação, que já não existe, as imagens que aparecem do exterior e do interior foram captadas há 3 anos, salvo erro. Mas as pessoas que viram ficaram com aquelas imagens na cabeça. Então não tenho motivo para estar triste e indignado”, apontou.

No comunicado da Misericórdia também é referido que a reportagem saiu “apressadamente” em véspera de apresentação das contas da instituição relativas a 2025 e numa altura em que está aberto um concurso público, no valor de um milhão e meio de euros, para a realização de obras no Centro de Educação Especial. Duarte Fernandes prefere não acreditar que esses motivos estiveram na origem do período escolhido para a transmissão. “É uma história que já tem 3 anos, não é? E retomar de forma depreciativa um assunto com 3 anos para voltar a fazer uma reportagem sobre o mesmo assunto com 3 anos e não procurar saber o que de bom ali se fez e o que se melhorou, sentimento de tristeza e de indignação, sobretudo por causa dos funcionários que ali trabalham, isto digo.”

O Sindicato dos Jornalistas diz que a reportagem “foi construída com base numa denúncia feita ao Ministério Público, que abriu uma investigação, bem como em documentos oficiais, nomeadamente relatórios de inspeções da Segurança Social”. Assume ainda que o jornalismo sério e rigoroso se faz com factos e não com “alegações infundadas” como a Misericórdia diz que aconteceu. Já a Santa Casa, que emitiu um novo comunicado, diz que a queixa apresentada foi arquivada, não tendo sido apurada qualquer prática que sustente as alegações. A Misericórdia refere ainda que a abordagem tomada pelo jornalista afasta-se “do rigor, da isenção e da imparcialidade” exigidos.

Miranda do Douro avança com processo de certificação da Bola Doce

 O município de Miranda do Douro já avançou com o processo de certificação da Bola Doce Mirandesa.


Durante a Feira da Bola Doce e dos Produtos da Terra, que decorreu em Miranda do Douro, entre os dias 2 e 4 de abril, o vice-presidente do município, Nuno Rodrigues, já tinha avançado com a informação, em declarações à rádio Brigantia e ao Jornal Nordeste.

Foi numa sessão de esclarecimentos, que aconteceu no primeiro dia da abertura do certame, dedicada à certificação deste produto emblemático da Terra de Miranda, que a o processo ganhou impulso.

“A certificação da Bola Doce Mirandesa enquadra-se numa estratégia mais  ampla de valorização dos produtos mirandeses”, começa por explicar a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril. “A certificação agrega valor económico, permitindo que produtos certificados alcancem um preço superior, aumentando a  rentabilidade dos produtores locais e contribuindo para a sustentabilidade  das suas atividades. Ao mesmo tempo, impulsiona o desenvolvimento  regional, uma vez que atrai turismo gastronómico, cria emprego e  incentiva a permanência das populações no meio rural”, explica a autarca.

Helena Barril reforça que esta certificação poderá trazer mais-valias, como “realçar as  características únicas deste doce tradicional e garantir que a sua  produção seja reconhecida como parte integrante do nosso património,  prevenindo a usurpação do nome e da sua reputação”, aponta.

O processo está a ser desenvolvido pela associação Qualifica / Origin  Portugal, que tem como missão valorizar, qualificar e promover os produtos  tradicionais portugueses. Neste momento, “o trabalho de identificação das características  da Bola Doce Mirandesa já se encontra concluído, assim como as  especificidades do caderno de encargos”. Posteriormente, será iniciado o período de oposição, para que “quaisquer interessados se possam manifestar ou  apresentar eventuais objeções. Concluída essa fase, o processo avançará para  a certificação propriamente dita”, afirma.

A Bola Doce Mirandesa é um doce tradicional muito apreciado, sobretudo  na época da Páscoa, é composta por várias camadas de massa fina intercaladas com açúcar e canela. Anualmente, atrai centenas de visitantes ao território para conhecer e degustar este doce. Exemplo disso foram os 20 mil visitantes que passaram pela última edição da Feira da Bola Doce e dos Produtos da Terra, segundo dados avançados pelo município.

Misericórdia de Bragança com saldo positivo de 466 mil euros

 A Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Bragança aprovou, por unanimidade, as contas da instituição relativas a 2025, com um resultado líquido positivo de mais de 466 mil euros. É a primeira vez em mais de 20 anos que a Santa Casa apresenta resultados líquidos positivos.


O provedor, Duarte Fernandes, assume que o resultado é fruto de uma gestão rigorosa. “O facto de termos um resultado positivo de 466 mil euros significa que nesse período de 2025 as receitas e as despesas foram compensadas. Isto não significa que tenhamos liquidez, que tenhamos esse dinheiro em caixa. Significa, por exemplo, que a dívida à fornecedora era 1,9 milhão e neste momento é 1,6 milhão. Sabe que já há uma diferença de 300 mil euros que se deduziram à dívida. Os encargos na banca, se calhar também sofreram uma diminuição de 100 ou 200. Mas esses 466 mil euros significa que houve uma gestão eventualmente atenta e mais rigorosa no que diz respeito às despesas, mas não ficámos com dinheiro em caixa para o gastar.”

Refere que se houvesse dinheiro para gastar seria para requalificar os lares da instituição. “Tenho instalações nos lares que também têm 40 ou 50 anos e não têm as condições que têm os lares construídos mais recentemente. Foram construídos com os materiais que havia à época e iam entrar, por exemplo, ao bom funcionamento porque, por exemplo, somos capazes de gastar 300 mil euros de gás por ano porque os edifícios são antigos, não têm isolamento térmico”, apontou.

Ainda assim, a Misericórdia de Bragança tem aprovado financiamento para alguns projetos. “Para obras de construção civil, que era uma necessidade. Para aí não temos nada previsto porque não temos dinheiro. E os PRR que temos aprovados, sensivelmente na volta de 1,2 milhões, é essencialmente para equipamentos. Estamos agora numa fase que é a remodelação da lavandaria, tem um bocadinho de construção civil, o resto é máquinas. Temos também equipamentos para adquirir para a Unidade de Cuidados Continuados, salvo erro no valor de 137 mil euros, lavandaria à volta de 400. Temos também equipamentos para o lar, o que foi na candidatura foi só um, também para equipamentos, pode ser para roupeiros, para mesas, cadeiras, sofás, esse tipo de coisas, e outros utensílios. E temos ali em andamento também a requalificação do Centro Infantil do Cinderela.”

Segundo a instituição, os resultados “refletem o empenho, esforço e resiliência dos colaboradores da instituição, bem como o trabalho desenvolvido pelos seus diretores e pela atual Mesa Administrativa, que assumiu funções em janeiro de 2024 com a exigente missão de promover a recuperação financeira da Santa Casa da Misericórdia de Bragança”.

𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗠𝗲𝗱𝗶𝗲𝘃𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗧𝗼𝗿𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝘃𝗼

 Toda a informação sobre a Feira Medieval de Torre de Moncorvo disponível AQUI.

🌓 𝑨𝒔 𝒊𝒏𝒔𝒄𝒓𝒊𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝒐 𝑬𝒄𝒍𝒊𝒑𝒔𝒆 𝑻𝒐𝒕𝒂𝒍 𝒅𝒐 𝑺𝒐𝒍 𝒏𝒐 𝑷𝒂𝒓𝒒𝒖𝒆 𝑵𝒂𝒕𝒖𝒓𝒂𝒍 𝒅𝒆 𝑴𝒐𝒏𝒕𝒆𝒔𝒊𝒏𝒉𝒐 𝒂𝒃𝒓𝒆𝒎 𝒆𝒎 𝒃𝒓𝒆𝒗𝒆!

 🌗 26 segundos de escuridão total: Montesinho prepara-se para o eclipse total do Sol


A 12 de agosto, Portugal terá lugar na primeira fila para um dos fenómenos astronómicos mais raros do século. Numa pequena zona do Parque Natural de Montesinho o eclipse do Sol será total. Ali, será possível testemunhar o eclipse do Sol com 100% de ocultação: 26 segundos durante os quais o dia se faz noite e a coroa solar se torna visível.

Horários principais:

Início: 18h33
Máximo do Eclipse: 19h30 (aproximadamente)
Fim: 20h23

A organização alerta que, por motivos de segurança e preservação ambiental, os acessos à área de observação e as vagas serão limitadas. 𝐀𝐬 𝐢𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐫𝐞𝐬𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐢𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚𝐦-𝐬𝐞 𝐚̀𝐬 𝟏𝟒𝐡𝟎𝟎 𝐧𝐨 𝐝𝐢𝐚 𝟏𝟒 𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐫𝐢𝐥.

Garanta a sua participação, fazendo o pré-registo AQUI.

Caso não consiga reservar o seu bilhete na zona do Parque Natural de Montesinho, será possível assistir ao eclipse do Sol, com 99.8 % de ocultação, no Aeródromo de Bragança.

𝐂𝐨𝐧𝐬𝐮𝐥𝐭𝐞 𝐨 𝐫𝐞𝐠𝐮𝐥𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐢𝐧𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 AQUI.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

🚴‍♂️🌿 Prepare-se para uma experiência inesquecível em Miranda do Douro! No dia 19 de abril, a Câmara Municipal de Miranda do Douro, a Associação de Cicloturismo "L'Crenque BTT" e a "Douro Pula Canhada", no âmbito do Projeto IBERLOBO, convidam-no a celebrar o Douro que nos une com um evento repleto de desporto, cultura e natureza.

 Embora o programa "Nós deiqui e Bós daí" se estenda por duas jornadas entre Espanha e Portugal (18 e 19 de abril), o nosso grande destaque vai para a etapa portuguesa no domingo, para a qual temos o prazer de abrir as inscrições!


𝐃𝐞𝐬𝐭𝐚𝐪𝐮𝐞: 𝟏𝟗 𝐝𝐞 𝐀𝐛𝐫𝐢𝐥 | 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨 & 𝐏𝐚𝐫𝐚𝐝𝐞𝐥𝐚

Junte-se a nós para um percurso memorável pelo Coração do Parque Natural do Douro Internacional:

10h00: Concentração e partida no Estádio Santa Luzia (Miranda do Douro).

Percurso: Trajeto entre Miranda do Douro e Penha das Torres, com atividades dinâmicas ao longo do caminho.

13h00: Chegada à icónica Penha das Torres (Paradela).
Almoço: Gratuito para todos os participantes inscritos (em Paradela).
17h00: Encerramento de um dia épico.

As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias e limitadas a 45 participantes. 

Inscrição para o dia 19 AQUI.

Sobre o Programa Completo: O evento inicia-se no dia 18 de abril em solo espanhol (Fermoselle e Fariza), com atividades transfronteiriças e um concerto ibérico na Sé de Miranda do Douro às 21h30.

Nota: Para a jornada de dia 18 em Espanha, a organização local ainda não facultou o link para a inscrição, que será partilhado assim que disponível.

Não perca esta oportunidade de pedalar e caminhar por paisagens de cortar o fôlego!

Mini-tornado atingiu aldeia de Mofreita, em Vinhais

No âmbito do 𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨𝐬 𝐌𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐞 𝐒𝐢́𝐭𝐢𝐨𝐬, convidamo-lo a descobrir o nosso património, no próximo dia 𝟏𝟖 𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐫𝐢𝐥.

 Venha visitar a 𝐅𝐫𝐚𝐠𝐚 𝐝𝐚 𝐏𝐞𝐠𝐚𝐝𝐚, um local de grande importância arqueológica e geológica, e descobrir 𝐏𝐨𝐝𝐞𝐧𝐜𝐞, a 𝐚𝐥𝐝𝐞𝐢𝐚 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐜𝐨𝐥𝐨𝐫𝐢𝐝𝐚 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥.
O percurso inclui a visita ao 𝐚𝐭𝐞𝐥𝐢𝐞𝐫 𝐝𝐚 𝐚𝐫𝐭𝐞𝐬𝐚̃ 𝐒𝐨𝐟𝐢𝐚 𝐏𝐨𝐦𝐛𝐚𝐫𝐞𝐬, o contacto com a tradição dos 𝐂𝐚𝐫𝐞𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐝𝐞𝐧𝐜𝐞, reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, e ainda a visita à 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐝𝐞 𝐍𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐒𝐞𝐧𝐡𝐨𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐏𝐮𝐫𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨, classificada como Monumento de Interesse Público.

Faça a 𝐬𝐮𝐚 𝐢𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚𝐭𝐞́ 𝐚𝐨 𝐝𝐢𝐚 𝟏𝟔 𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐫𝐢𝐥, nos Museus Municipais de Macedo de Cavaleiros ou através dos contactos: 278 098 084 | museus@cm-macedodecavaleiros.pt

O Município disponibiliza 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐩𝐨𝐫𝐭𝐞 𝐠𝐫𝐚𝐭𝐮𝐢𝐭𝐨, com saída das Piscinas Municipais às 09h30.

𝐉𝐮𝐧𝐭𝐞-𝐬𝐞 𝐚 𝐧𝐨́𝐬 𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐮𝐛𝐫𝐚 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐨𝐫𝐧𝐚 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐨 𝐮́𝐧𝐢𝐜𝐨.

🚴‍♂️ VII Volta ao Nordeste

 Inscrições AQUI.

Avelino Augusto da Silva Monteiro - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 28.janeiro.1909 – 20.janeiro.1910
GUIMARÃES, 20.12.1869 – ?, 6.7.1930

Oficial da Marinha.
Deputado (1901, 1902-1904, 1904). Governador civil de Bragança (1909-1910).
Natural da freguesia de Sampaio, concelho de Guimarães.
Filho de Francisco da Silva Monteiro, proprietário, e de Ana Emília da Mota, sua familiar.
Oficial da Ordem de Santiago. Cavaleiro da Ordem Militar de Avis. Comendador da Ordem Militar de Avis (11.3.1919). Medalha de Prata de Comportamento Exemplar. Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar (1919).

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Concluídos os estudos liceais em Guimarães, de onde era natural, e os preparatórios na Universidade de Coimbra, onde cursou Filosofia e Matemática,
Avelino Monteiro matriculou-se na Escola Naval de Lisboa, no ano letivo de 1887-1888, assentando praça como aspirante de marinha de 2.ª classe a 15 de outubro de 1887.
Foi promovido a aspirante de 1.ª classe a 27 de outubro de 1890, a guarda-marinha em 25 de julho de 1891 e a 2.º tenente em 18 de maio de 1893.
Por portaria de 21 de maio de 1894, foi louvado pelo governo autónomo do distrito da Guiné pelos serviços prestados durante o tempo que a coluna de operações ser conservou fora da praça de Bissau, fazendo parte da guarnição da canhoneira Rio Luiza.
Em 1898, foi promovido a 1.º tenente, em 18 de agosto, e nesse mesmo ano nomeado instrutor e 2.º comandante da corveta-escola Estefânia, ao tempo ancorada na cidade do Porto.
Membro do Partido Regenerador, em 1900 foi eleito deputado pela primeira vez, para a legislatura de 1901, pelo círculo de Santo Tirso ( juramento a 11.1.1901).
Seria reeleito em 1901 pelo círculo do Porto Ocidental, para a legislatura de 1902-1904 ( juramento a 8.1.1902) e em 1904 pelo círculo de Lamego, para a curta legislatura que durou de setembro a dezembro desse ano ( juramento a 4.10.1904).
Integrou as comissões parlamentares da Colonização do Alentejo (1901), Marinha (1901, 1903 e 1904), Pescarias (1902 e 1904) e Orçamento (1904).
Da sua atividade parlamentar é de realçar o empenho permanente na discussão de assuntos relativos ao Ministério da Marinha. Logo em 1901, enviou um requerimento para a mesa a solicitar documentos do Ministério da Marinha, relativa ao serviço do cruzador D. Carlos. Tomou a palavra para comunicar à Câmara a constituição da Comissão de Marinha, de que foi eleito secretário, e de que era presidente o general Alberto de Oliveira, e atuou em defesa dos interesses dos oficiais da Marinha, mandando para a mesa uma participação de alguns oficiais da Armada que pediam que os seus vencimentos no Ultramar fossem igualados aos dos oficiais do Exército do Reino na mesma situação, um requerimento ao Ministério da Marinha a requerer vários documentos relacionados com a ação das canhoneiras Mandovi e D. Luís, e um parecer sobre uma proposta de lei da Comissão que autorizaria o Governo a rever os serviços das escolas de instrução do pessoal para as guarnições dos navios da Armada e serviços correlativos.
Em 1904, foi nomeado observador-chefe de serviço do Observatório Meteorológico e Magnético do Infante D. Luís.
Foi nomeado governador civil de Bragança em 28 de janeiro de 1909, cargo de que tomou posse a 10 de fevereiro seguinte, sendo exonerado a 20 de janeiro de 1910.
Faleceu a 6 de julho de 1930, contava então com 60 anos de idade.

Notícia sobre a chegada a Bragança de Avelino Monteiro (1909)

Chegou na última terça-feira a Bragança o Sr. Avelino da Silva Monteiro, 1.º tenente da Armada, que no dia seguinte, quarta-feira, tomou posse do cargo de governador civil deste distrito.
O ilustre magistrado superior do distrito é um distinto oficial da Armada e tem sido já por vezes eleito deputado às Cortes pelo Partido Regenerador.
O novo governador civil, pela sua esclarecida inteligência e pela sua cordura e fina educação, dá garantias de fazer administração justa e honesta.
Seja bem-vindo.

Fonte: Gazeta de Bragança, ano XVIII, n.º 873, 1909.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Distrital de Braga, Registo de Baptismos, freguesia de Sampaio, 1869.
Biblioteca Central de Marinha – Arquivo Histórico, Livro Mestre (M-24 e D-42).
Gazeta de Bragança, ano XVIII, n.º 873, 1909.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
MÓNICA, Maria Filomena (coord.). 2004. Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. II. Lisboa: Assembleia da República.
Ordens Honoríficas Portuguesas. Disponível em http://www.ordens.presidencia.pt.

Publicação da C.M. Bragança

Rosto fotografado em Bragança entre 2007 e 2009 por Francisco Veiga. Obs* A foto foi-me cedida pelo autor.

Os Padrinhos Manuel Amaro e Áurea

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...") 


Os meus padrinhos, Manuel Amaro e Áurea, pertencem àquela categoria rara de adultos que, sem alarido, nos dão chão. Com eles aprendi que a infância também se faz de estradas — e que uma viagem pode ser um modo de cuidado.

Lembro-me dos passeios pelo Alentejo: o calor a engrossar o ar, a luz muito branca, e aquela sensação de imensidão que só existe onde o horizonte não encontra obstáculos. Parecia que o mundo se tinha aberto e que a estrada não tinha fim.

Todos estávamos felizes e até os contratempos serviam de motivo para brincadeira. Íamos até Vila Fernando, em Elvas, onde, para mim, havia uma bica e uma taberna — e onde o apelido Amaro soava tão natural como o nome de uma rua.

O chão queimava os pés, e isso ficou-me como uma verdade física do sul: não era apenas calor, era fogo que vinha da terra e do céu, mal domesticado, abrasando o próprio ar. Sempre que podia, escapulia-me — saltitando nas lajes ferventes — para me sentar na borda da fonte com os pés dentro de água, como se aquilo bastasse para colocar tudo outra vez no lugar.

Era ali, nessa pausa fresca, que pensava não existir mais ninguém no mundo — ninguém, exceto o Amaro da taberna, que vinha falar comigo. Não para me entreter à pressa, mas com a naturalidade de quem reconhece numa criança alguém inteiro. Ainda hoje me lembro da forma como me dirigia a palavra, como se eu tivesse já idade para merecer conversa.

E depois havia as “manas” — as filhas deles, irmãs de coração. Eu era mais novo; elas já adolescentes, com aquele misto de impaciência e ternura que a adolescência sabe ter quando decide proteger. Cuidaram de mim muitas vezes, e a memória delas ficou-me como a de uma família alargada sem formalidades.

A madrinha tinha um carinho e uma doçura prática — dessas que se revelam no gesto de endireitar uma camisa, no olhar que pergunta sem interrogar, no cuidado de garantir que nada falta antes de alguém se lembrar de pedir.

Do padrinho lembro-me da presença confiante. Não era um homem de exuberâncias, mas trazia consigo uma segurança tranquila, como quem sabe onde está e, por isso mesmo, dá descanso a quem o rodeia. Ao lado dele, as coisas pareciam menos complicadas.

Havia também uma espécie de alegria doméstica feita de pequenas lealdades: estar presente, chegar a horas, cumprir a palavra, conduzir com cuidado. São coisas que uma criança percebe sem saber nomeá-las — e que, mais tarde, reconhece como pilares.

De regresso a casa, os cães faziam parte do retrato como se fossem gente: o Sabu, pequeno, branco e preto, e o Zulu, de pelo vermelho comprido. Ainda os vejo a mexerem-se pela casa e pelo quintal, com aquela energia simples dos animais que pertencem a um lugar e o confirmam.

Mais tarde, vieram as horas passadas no carro a distribuir as encomendas da tipografia. Eu aprendia sem dar conta: ruas, nomes, atalhos, e uma cartografia afetiva do Porto que não vem nos mapas. Entre paragens e entregas, o padrinho ia falando — e eu ia guardando.

Falava-me da história do Porto como quem conta uma coisa de família: o porquê de certos nomes, a vida escondida por trás das fachadas, as camadas de tempo que uma cidade vai acumulando. Eu ouvia com a seriedade de quem está a ser iniciado em qualquer coisa importante.

Também me ensinou a não me deixar iludir pelas primeiras impressões. “Às vezes parece uma coisa e é outra”, dizia — e aquela frase, tão simples, ficou a trabalhar em mim durante anos.

E havia, sempre, o benefício da dúvida: olhar para as pessoas com uma espécie de justiça tranquila, sem pressa de condenar. Não era filosofia dita com nomes grandes; era uma maneira de estar que se passava de adulto para criança por contágio.

Agora, revolvendo fotografias de uma infância feliz, cansadas dos anos e do manuseamento, relembro estes rostos queridos que lentamente se desvanecem nas brumas da memória.

Resta-me uma última recordação, talvez a mais pequena e, por isso mesmo, das mais nítidas: a da Páscoa e do ramo que nunca cheguei a levar. Os meus pais não concordavam com a tradição de levar o ramo ao padrinho na Páscoa: achavam que era uma forma de ir pedir dinheiro e, por isso, nunca me incutiram esse hábito. Anos mais tarde — já o padrinho tinha falecido — a madrinha contou-me que, por essa altura, às vezes dizia num tom entre o ralhete e a saudade: “O Manuel Amaro não apareceu.” E ele respondia, no seu jeito calmo e risonho: “Lá se perdeu no caminho. Qualquer dia aparece por aí.”


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

CONSTITUIÇÃO GANHA NOVA VOZ: PORTUGAL CELEBRA TRADUÇÃO HISTÓRICA PARA MIRANDÊS

 A Constituição da República Portuguesa passa a contar, pela primeira vez, com uma versão integral em língua mirandesa, numa iniciativa da Associaçon de Lhéngua i Cultura Mirandesa (ALCM) que reforça a valorização da diversidade linguística em Portugal.


O trabalho de tradução, que demorou mais de seis meses a ser concluído, surge num momento simbólico: a celebração dos 50 anos da Constituição e os 25 anos da própria associação. Para Alcides Meirinhos, responsável pelo projeto, esta iniciativa representa um passo importante para afirmar o mirandês no panorama legislativo nacional.

“Mais do que um exercício jurídico, esta tradução é um gesto cultural profundo”, sublinha a ALCM, destacando que a língua mirandesa, expressão viva de uma comunidade e de uma identidade própria, ganha assim maior visibilidade e reconhecimento no contexto nacional.

A versão agora apresentada exigiu não só rigor linguístico, mas também validação jurídica. Para esse efeito, foi fundamental o contributo da jurista Maria da Glória Lourenço, falante nativa de mirandês, que assegurou a precisão dos termos legais e a coerência entre os dois sistemas linguísticos.

Segundo os responsáveis, esta tradução aproxima os cidadãos da sua Lei fundamental, reforçando o sentimento de pertença e promovendo o mirandês como uma língua plenamente capaz de expressar conteúdos jurídicos e institucionais.

A iniciativa vem somar-se a outros marcos importantes na afirmação do mirandês, já reconhecido oficialmente desde 1999 como a segunda língua de Portugal. Obras como “Mensagem”, de Fernando Pessoa, “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, ou ainda títulos contemporâneos de José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe já contam também com versões em mirandês, tal como clássicos da banda desenhada como Astérix e Tintin.

Além disso, documentos de referência internacional, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, disponível através da UNESCO, já foram igualmente traduzidos para esta língua.

A nova versão da Constituição aguarda agora a sua apresentação oficial ao público, numa data ainda por anunciar, sendo encarada como mais um passo decisivo na preservação e promoção do património linguístico nacional.

Com esta iniciativa, a ALCM reafirma o compromisso de proteger e dignificar o mirandês, garantindo a sua transmissão às gerações futuras e consolidando o seu lugar na identidade cultural portuguesa.

A Redação com Lusa
Foto: DR

FEIRA DA BOLA DOCE CONSOLIDA SUCESSO E ATRAI MAIS DE 20 MIL VISITANTES A MIRANDA DO DOURO

 A mais recente edição da Feira da Bola Doce e dos Produtos da Terra, que decorreu entre os dias 02 e 04 de abril, em Miranda do Douro, terminou com um balanço positivo, reforçando a sua posição como um dos principais eventos do concelho de Miranda do Douro e de todo o Planalto Mirandês. Durante três dias, o certame voltou a afirmar-se como uma montra privilegiada dos sabores, tradições e identidade local.


O evento, que decorreu no Jardim dos Frades Trinos, registou uma forte adesão do público desde o primeiro dia. No dia 02 de abril, passaram pelo recinto mais de seis mil visitantes, número que se manteve elevado no dia seguinte, com quase seis mil entradas. O último dia revelou-se o mais concorrido, ultrapassando as oito mil e quinhentas presenças. No total, a organização estima que mais de 20 mil pessoas tenham visitado a feira.

A presidente da Câmara Municipal, Helena Barril, sublinha o impacto significativo da iniciativa na economia local. Segundo a autarca, os três dias foram marcados por “grande dinamismo”, com reflexos evidentes no comércio, restauração e hotelaria. A afluência de visitantes encheu as ruas da cidade, evidenciando a crescente atratividade do evento.

A edição deste ano contou com cerca de 90 expositores, provenientes de diferentes pontos do país, que apresentaram uma vasta oferta de produtos regionais e artesanato. No centro das atenções voltou a estar a emblemática Bola Doce Mirandesa, símbolo maior da gastronomia local, que continua a conquistar quem visita o certame.

Com números expressivos e uma adesão crescente, a Feira da Bola Doce e dos Produtos da Terra reforça o seu estatuto como evento de referência na região, contribuindo para a valorização dos produtos endógenos e para a afirmação cultural de Miranda do Douro.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: Canal N