Este sábado, não será o “Silêncio da Guitarra” que irá ouvir se for ao Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, para a Noite de Fados Rádio ONDA LIVRE, mas será o trinar de várias guitarras, assim como de diversas vozes inconfundíveis da região, pelas 21h30.
A décima segunda edição está praticamente pronta como conta Rui Costa, organizador e diretor artístico, da Rádio ONDA LIVRE:“A organização está a correr bem. Tudo indica que vai ser um grande espetáculo porque o elenco é muito bom. Temos uma grande fadista que é de Macedo de cavaleiros, Iolanda Pereira, que já deu provas e mais do que provas, que além de ter uma postura em palco espetacular tem uma grande voz. Também temos a Sara Morgado, que também é da região transmontana que tem um voz inconfundível. Vamos ter também um projeto que foi criado há pouco tempo que é um Tributo a Carlos do Carmo, esta grande referência do fado, que nos deixou há pouco tempo, e que o Nuno Fernandes, mais o seu grupo de guitarristas lançaram e está a dar que falar. E vamos ter também um fadista que cantou em grandes casas, em Lisboa. Tem uma voz inconfundível e chama-se Sérgio Pinto, que tem dois projetos um mais a nível de baile e outro de fado, que é o Pinto’s Guitar Fado. Acho que vai ser uma noite repleta de muitas música, fados animados e alegria. Sem falar do cenário, que isso é surpresa”.
A Noite de Fados da Rádio ONDA LIVRE é já um marco cultural na cidade de Macedo de Cavaleiros, que costuma encher as salas e os diversos locais em que já decorreu. O projeto para já vai ter uma dimensão regional, como acrescenta:
“De ano após ano, temos apostado mais nos artistas locais. Este ano abrangemos um bodacinho mais os artistas regionais, que vai ser assim a nossa política. Vamos trazer artistas regionais para mostrar ao público que há imenso talentos na região”.
Um projeto a subir ao palco será Pinto’s Guitar Fado, com a voz de Sérgio Pinto, acompanhado pelo seu filho na guitarra portuguesa, que tem um tema próprio intitulado “Fado Cravo – A lenda da capelinha” que é um hino ao santo da sua terra:
“Eu só tenho um tema da minha autoria que é o Fado Cravo, com uma letra muito bonita que eu escrevi, que fiz para o santinho da minha terra, que se chama “A lenda da capelinha”. De resto, os fados que eu canto, são fados que sempre existiram. Aliás é o que toda a gente faz. E é por isso que o fado evoluiu pouco. Porque a maior parte dos artistas, incluindo o Camané, Mariza, cantam o que os outros sempre cantaram. Quem mais fez evoluir o fado, foi a Amália Rodrigues e o Carlos do Carmo. O fadista Carlos do Carmo, dos homens foi o que conseguiu mais evoluir o fado, e conseguiu transportar o fado para outro patamar. Mas com certeza que vai ser um grande espetáculo. E aconselho, vivamente, a todos aqueles que gostam de fado, a irem no dia 5 ao auditório porque vai ser realmente uma grande noite”.
Uma noite que Carlos do Carmo, um nome incontornável que nos deixou em 2021, filho de Lucília Carmo, outro nome sonante do fado terá um Tributo, num projeto recente que conta com 4 espetáculos, liderado por Nuno Fernandes. Destaca que no norte há muitos fadistas a dedicar-se a este estilo musical:
“Temos muita e boa gente que canta o fado, no Norte e Trás-os-Montes também. Principalmente mulheres a cantar o fado e muito bem cantado. Homens somos menos. Talvez porque haja alguns que não queiram tentar. Mulheres temos bastantes. Porque eu acho que o fado está bocadinho na moda. A nossa geração só agora é que está a dar valor ao fado. Até aqui não se dava grande valor. Achávamos que isto era uma coisa de velhos, se calhar é verdade nós é que estamos mais velhos. Mas também o fado tê vindo a ser ouvido pelos mais jovens, porque veio uma geração de fado que toca coisa diferentes e que nos pôs a ouvir fado, de uma maneira diferente. E mesmo assim, depois vemos Carlos do Carmo, que na altura estava fora do fado tradicional. Tinha até alguns problemas até com isso. Nós acabamos por ouvir também esse gostar”.
Temas como Canoas, Os Putos e Lisboa e Menina e Moça são temas que com certeza vai recordar.
Uma viagem sonora pelo fado, desde os fadistas clássicos como a grande Amália Rodrigues, Hermínia Silva, Carlos do Carmo, até aos mais contemporâneos, como Mariza e Ana Moura, entre muitos outros.
Vão subir ao palco Iolanda Pereira, macedense, Sara Morgado de Vila Flor, o projeto Pinto’s Guitar Fado, com Sérgio Pinto e Dani Patrício alfandegenses, Tributo a Carlos do Carmo com Nuno Fernandes de Bragança, acompanhado por Jorge Pires na guitarra portuguesa, Paulo Dias na viola, João Diegues no baixo, e ainda Álvaro Afonso na viola de fado.
Uma iniciativa da Rádio ONDA LIVRE em parceira com o Município de Macedo de Cavaleiros.
O fado foi declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 27 de novembro de 2011.
A origem histórica do fado é incerta, nasceu em Lisboa em “Casas de Fado”, em bairros como Alfama, Castelo, Mouraria, Bairro Alto, Madragoa para o mundo…
Escrito por Rádio ONDA LIVRE