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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 30 de maio de 2026

4º Centenário da publicação de “Os Lusíadas” - 1972

 
Documento publicado por: Leonor Gomes

𝐅𝐚𝐥𝐞𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 do 𝐌𝐚𝐣𝐨𝐫-𝐆𝐞𝐧𝐞𝐫𝐚𝐥 𝐇𝐞𝐢𝐭𝐨𝐫 𝐇𝐚𝐦𝐢𝐥𝐭𝐨𝐧 𝐀𝐥𝐦𝐞𝐧𝐝𝐫𝐚 - Natural do Zoio, concelho e distrito de Bragança.


 Com profunda consternação, o Exército Português lamenta o falecimento do Major-General Heitor Hamilton Almendra e endereça à sua Família, amigos e camaradas as mais sentidas condolências.

Figura marcante da história militar portuguesa, destacou-se pela sua dedicação ao serviço de Portugal e pelo contributo decisivo para o desenvolvimento das Tropas Paraquedistas. Tornou-se o primeiro Oficial General da Especialidade Paraquedista da Força Aérea Portuguesa e, sob o seu comando, concretizou-se o levantamento e a organização do Corpo de Tropas Paraquedistas e da Brigada de Paraquedistas Ligeira da Força Aérea Portuguesa.

Ao longo da sua distinta carreira militar foi agraciado com numerosas condecorações nacionais e estrangeiras, destacando-se o grau de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a Medalha de Ouro de Valor Militar com Palma, a Medalha de Prata de Valor Militar com Palma, a Cruz de Guerra de 1.ª Classe Coletiva, a Medalha de Ouro de Serviços Distintos, duas Medalhas de Prata de Serviços Distintos com Palma e a Cruz do Mérito Militar de Espanha com Distintivo Branco, entre outras distinções que testemunham o seu mérito, coragem, dedicação e relevante serviço a Portugal.

O seu exemplo, os seus valores e o legado que deixa permanecerão vivos na memória do Exército e continuarão a inspirar sucessivas gerações de militares.

Descanse em Paz, meu General.

MOGADOURO INAUGUROU MONUMENTO DE HOMENAGEM AOS ANTIGOS COMBATENTES

 O concelho de Mogadouro prestou este sábado homenagem aos Antigos Combatentes com a inauguração oficial de um monumento honorífico instalado no Parque da Vila, numa cerimónia marcada pela emoção e pelo reconhecimento do serviço prestado por gerações de militares portugueses.


A iniciativa reuniu antigos combatentes, familiares, autarcas e população em geral, num momento de tributo àqueles que participaram em diferentes conflitos e missões militares ao serviço de Portugal. A homenagem evocou, de forma particular, os militares que perderam a vida na Guerra do Ultramar, na Primeira Guerra Mundial e na missão de manutenção de paz na Bósnia, em 1996.

Da autoria do escultor Hélder de Carvalho, o monumento representa um soldado envolto na Bandeira de Portugal, simbolizando valores como a coragem, o sacrifício e o sentido de missão associados ao serviço militar.

A inauguração integrou o Encontro de Anciãos do Concelho de Mogadouro, que reuniu cerca de 900 seniores provenientes das várias freguesias do município. Entre os participantes encontravam-se numerosos antigos militares e antigos combatentes, que assistiram à cerimónia de homenagem.

O novo espaço pretende afirmar-se como um local permanente de memória e reflexão, preservando o legado daqueles que serviram o país e contribuindo para que as futuras gerações conheçam e valorizem o seu testemunho.

A cerimónia constituiu um dos momentos centrais do encontro concelhio, reforçando a importância da preservação da memória coletiva e do reconhecimento público daqueles que serviram Portugal em diferentes contextos militares.

Jornalista: Maria Inês Pereira
Foto: DR

ONGA acusam Governo de se preparar para enfraquecer proteção do lobo-ibérico

 Vinte e uma organizações não-governamentais de ambiente criticaram nesta terça-feira propostas de alteração ao Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), considerando que as mudanças põem em causa a proteção do lobo-ibérico em Portugal e contradizem compromissos anteriormente assumidos pelo Governo.


Num comunicado conjunto, entidades como a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), Quercus, a Rewilding Portugal, a Palombar, a WWF Portugal e a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável apelam à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para que trave as alterações propostas pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura e Mar.

Segundo as ONGA, as alterações previstas permitiriam que beneficiários de apoios do PEPAC — nomeadamente agricultores e produtores pecuários — continuassem a receber financiamento destinado à manutenção de cães de proteção de gado, mesmo depois de condenações por crimes ambientais relacionados com o abate de lobos.

As organizações consideram que esta possibilidade cria uma contradição nas políticas públicas de conservação da natureza. “Se legalmente se penaliza, e bem, quem abate esta espécie protegida, não se pode manter apoios para proteção da espécie aos mesmos que as abatem”, defendem no comunicado.

As associações sustentam ainda que as alterações representam um sinal “profundamente negativo” para a sociedade e para o setor agropecuário, ao enfraquecerem a coerência entre os apoios públicos e os objetivos de conservação do lobo-ibérico.

O comunicado recorda declarações feitas por Maria da Graça Carvalho em setembro de 2024, após Portugal ter votado favoravelmente a proposta da Comissão Europeia para reduzir o estatuto de proteção do lobo na Europa. Na altura, a ministra garantiu que não haveria alterações na política nacional de proteção da espécie.

“As alterações agora propostas contrariam diretamente essa promessa”, salientam as ONGA.

As organizações alertam também para a necessidade de reforçar o combate ao crime ambiental, lembrando que o abate ilegal continua a ser uma das principais ameaças ao lobo-ibérico em Portugal. Nesse sentido, defendem que os instrumentos de apoio público devem promover comportamentos compatíveis com os objetivos de conservação e não beneficiar, “na prática”, infratores condenados por crimes ambientais.

As associações subscritoras sublinham que acreditam na compatibilização entre atividade agropecuária e conservação da natureza, desde que existam políticas públicas coerentes e práticas de gestão sustentáveis.

O PEPAC é o instrumento que enquadra a aplicação dos fundos europeus da Política Agrícola Comum em Portugal, financiando medidas ligadas à agricultura, floresta e pecuária, incluindo ações de conservação da biodiversidade e proteção de espécies ameaçadas.

Entre as 21 entidades que assinam o comunicado estão também a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o Grupo Lobo – Associação para a Conservação do Lobo e do seu Ecossistema, o GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) e a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA).

Recuperação do lobo em Portugal

A 5 de dezembro de 2025, o Governo aprovou o Programa Alcateia 2025-2035, documento através do qual o país quer conseguir um estado de conservação favorável do lobo-ibérico.

Até 2035, o Programa Alcateia quer reverter a diminuição do número de lobos-ibéricos em Portugal, assegurando que esta espécie Em Perigo de extinção passa a estar em situação de conservação favorável. 

Em Portugal, o lobo esteve presente em todo o território continental até ao início do século xx. Desde então, e à semelhança do registado no resto da Europa, verificou-se uma drástica redução da sua área de distribuição e do respetivo efetivo populacional. 

Com o desaparecimento progressivo do lobo, de sul para norte e do litoral para o interior, a área de presença ficou circunscrita a áreas do Norte e Centro do País correspondendo atualmente a cerca de 20 % da distribuição original.

Hoje existem quatro núcleos populacionais: Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Sul do Douro, segundo o Censo do Lobo-Ibérico 2019/2021. Foram detetadas 58 alcateias (56 confirmadas, 2 prováveis). Estima-se que a população ronde os 300 animais, o que corresponde ao valor médio da estimativa de 190 a 390 lobos. A população portuguesa representa cerca de 15 % da população ibérica de lobo.

Humanos estão a ajudar a expansão do chacal-dourado na Europa e o lobo pode ser o principal travão

 A presença humana está a facilitar a impressionante expansão do chacal-dourado (Canis aureus) pela Europa, revela um novo estudo internacional. O desaparecimento do lobo é o gatilho por detrás de uma das maiores conquistas territoriais de um carnívoro em todo o mundo.

Chacal-dourado. Foto: Dhaval Vargiya/WikiCommons

O chacal-dourado poderá colonizar até 75% da Europa nas próximas décadas, o que corresponde a quase seis vezes a área que hoje ocupa. Portugal, Espanha e França têm condições altamente favoráveis à expansão desta espécie, concluiu um estudo publicado a 25 de maio na revista científica Nature Ecology & Evolution.

O trabalho, que reuniu investigadores de 13 países europeus, analisou 8,991 pontos de levantamentos acústicos de uivos de chacais-dourados entre 2001 e 2017. O objetivo foi perceber que factores determinam a presença de grupos territoriais de chacal-dourado.

Entre os autores está Francisco Álvares, investigador do CIBIO/BIOPOLIS, com trabalho realizado, por exemplo, com chacais-dourados no Irão. Este especialista em carnívoros disse à Wilder que, na sua opinião, a principal relevância deste estudo é mostrar “como ainda há muitos países europeus com elevada adequabilidade para a ocorrência da espécie, apesar de ainda não terem populações residentes”.

“Face à velocidade a que têm aparecido registos, o chacal pode vir a colonizar alguns desses países num futuro relativamente próximo”, explicou.

Actualmente, os núcleos reprodutores mais próximos da Península Ibérica estão em Itália. Em Espanha existem, para já, apenas dois registos confirmados, ambos feitos em 2023 no País Basco: um animal atropelado e outro detectado por foto-armadilhagem, mais concretamente na zona montanhosa entre Álava e Burgos.

“O chacal tem uma grande capacidade de dispersão e há animais a aparecer a milhares de quilómetros das populações residentes da espécie”, salientou Francisco Álvares.

Apesar disso, acrescentou, “o chacal-dourado ainda está a chegar timidamente ao nordeste de Espanha. O processo de se tornar territorial e reprodutor em Espanha e depois chegar a Portugal pode demorar décadas”.

Durante milénios, o chacal-dourado, animal com um tamanho entre um lobo e uma raposa, esteve restrito ao sudeste da Europa, a países como a Sérvia, Bulgária ou Roménia. Mas nas últimas décadas, a espécie expandiu-se rapidamente por grande parte do continente, chegando já à Península Ibérica e a regiões próximas do Ártico, como por exemplo partes da Finlândia e Noruega.

O “escudo humano”

O resultado mais inesperado do estudo foi o peso da relação entre chacais, lobos e humanos.

Os investigadores concluíram que a presença do lobo reduz significativamente a probabilidade de ocorrência de chacais. Mas esse efeito enfraquece perto das zonas humanizadas. Ou seja, os chacais conseguem coexistir melhor com lobos quando vivem próximos de pessoas.

“O principal factor que determina a expansão desta espécie foi inesperado: o lobo, que pode funcionar como um travão”, explicou Francisco Álvares. “Mas verificámos também que a presença humana pode facilitar essa expansão.”

O fenómeno é conhecido como human shielding, ou “escudo humano”. Na prática, os grandes predadores tendem a evitar áreas muito humanizadas, enquanto espécies mais pequenas e generalistas aproveitam essa proximidade como refúgio.

Ao contrário do lobo, o chacal-dourado adapta-se facilmente a zonas agrícolas, periurbanas e humanizadas. Alimenta-se de pequenos vertebrados, cadáveres, restos orgânicos e lixo.

“Eles conseguem conviver muito bem com áreas agrícolas e zonas periurbanas”, explicou Francisco Álvares. “Essa associação aos humanos faz com que o efeito do lobo fique mais atenuado.”

O investigador destacou ainda que o chacal-dourado pode trazer um benefício ecológico: a remoção de biomassa orgânica.

Um estudo publicado em 2016 na revista Biological Conservation concluiu que os chacais-dourados removem anualmente milhares de toneladas de resíduos animais na Europa, funcionando como verdadeiros “limpadores” naturais dos ecossistemas humanizados. Os investigadores estimaram que, só na Europa, os chacais removem todos os anos mais de 13 mil toneladas de restos animais descartados e consomem cerca de 158 milhões de roedores considerados pragas agrícolas. Na Sérvia, onde a espécie é abundante, o estudo calculou que a população de chacais elimina anualmente mais de 3.300 toneladas de restos de animais domésticos e cerca de 13,2 milhões de roedores associados a danos agrícolas.

O estudo alerta ainda que os mesopredadores são frequentemente vistos apenas pelos seus impactos negativos, apesar de poderem prestar serviços semelhantes aos atribuídos a espécies necrófagas mais valorizadas, como os abutres.

Além da remoção de cadáveres e resíduos orgânicos, os autores sugerem que os chacais podem ajudar a limitar populações de roedores e até contribuir indirectamente para reduzir riscos sanitários associados à acumulação de matéria orgânica em decomposição.

Embora o aparecimento de um novo predador possa gerar preocupação, Francisco Álvares considera que não existe razão para alarmismo. “Não é um animal que cause tantos prejuízos como o lobo”, disse. “Há pouquíssimos ataques a animais domésticos. É uma espécie generalista e menos ousada.”

O investigador sublinha que os principais impactos poderão sentir-se sobretudo sobre espécies cinegéticas, como o coelho-bravo.

O lobo como aliado

Para os autores do estudo agora publicado, a recuperação das populações de lobo na Europa poderá funcionar como uma solução natural para limitar a expansão do chacal-dourado.

“Se o chacal chegar cá, talvez o nosso melhor aliado seja o lobo”, afirmou Francisco Álvares. “Temos de perceber que a natureza funciona assim: os grandes predadores têm um efeito muito forte sobre as espécies abaixo deles.”

Para o investigador, é importante pensarmos nesta questão “quando estamos a querer perseguir o lobo. Este pode ser o melhor aliado para, mais tarde, não termos que lidar com tantos chacais”. 

O estudo estima que a recuperação futura do lobo poderá reduzir em cerca de 18% as áreas adequadas à expansão do chacal-dourado.

Este é um cenário que já aconteceu na América do Norte, mas com outra espécie, o coiote. “A expansão do coiote na América do Norte também tem sido grande nos últimos anos. E já foi provado que tal ocorreu porque, durante várias décadas, o lobo desapareceu de muitas regiões. Estes são processos que duram várias décadas. E aqui também a presença humana acabou por facilitar a expansão do coiote.”

Francisco Álvares recordou que “a relação entre lobo e coiote é muito semelhante à relação entre lobo e chacal, até porque quer o coiote quer o chacal são mesopredadores”. Um mesopredador é um carnívoro de médio porte, generalista, situado abaixo dos grandes predadores na cadeia alimentar.

“O nosso estudo fornece evidências de que a recuperação de predadores de topo pode atuar como uma solução baseada na natureza para regular a expansão das populações de mesocarnívoros”, explicou, em comunicado, Miha Krofel, investigador da Universidade de Liubliana e autor sénior do estudo. “No entanto, manter estes efeitos ecológicos exige populações de predadores ecologicamente eficazes e estabilidade social suficiente, o que é particularmente desafiador em paisagens dominadas por humanos.”

Ainda assim, os investigadores consideram que a combinação entre alterações climáticas, paisagens humanizadas e o efeito de “escudo humano” continuará a favorecer a disseminação da espécie.

Cientistas desvendam a defesa surpreendente dos feijoeiros contra as lagartas que os comem

 Um novo estudo científico, liderado por investigadores da Universidade de Washington, descreve como é que estas plantas reagem quando as folhas são comidas pelas borboletas, na sua fase de lagartas.

Um feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris) em flor. Foto: Juan Carlos Fonseca Mata/Wiki Commons

“O inimigo do meu inimigo, meu amigo é.” Este provérbio antigo aplica-se não só aos humanos mas também a várias espécies de plantas, que recorrem a estratégias invisíveis para se libertarem dos insetos e de outros animais que as comem.

Entre essas plantas estão os feijoeiros, que recorrem a uma estratégia que foi agora decifrada em pormenor por uma equipa de investigadores. O estudo, liderado pela Universidade de Washington, foi publicado esta semana na revista científica Science Advances.

De facto, apesar de parecerem vítimas imóveis quando uma lagarta lhes mordisca uma folha, estas plantas da família das leguminosas utilizam uma arma química para se defenderem.

Através de experiências em campo e em laboratório, realizadas no México com feijoeiros-comuns (Phaseolus vulgaris), a equipa de cientistas confirmou que essas plantas são avisadas sobre a presença de lagartas que as mordiscam graças a um recetor de peptídeos que está presente na superfície das folhas, que atua como uma espécie de alarme. Os peptídeos são um tipo de moléculas presentes em todos os seres vivos e que muitas vezes atuam como biomensageiros.

No caso dos feijoeiros, quando as lagartas mastigam e partem em pedaços as proteínas das folhas das plantas, esses pedaços dão origem a um pequeno peptídeo a que os cientistas chamam de inceptina. Esta inceptina é então libertada nas folhas do feijoeiro através da boca das lagartas, à medida que estas se alimentam, misturada com outras secreções.

E é então que tudo acontece. Graças ao tal receptor que está presente nas folhas, conhecido como recetor de inceptina (INR, na sigla em inglês), os feijoeiros identificam a presença dessa molécula, mesmo em quantidades muito pequenas. Em resposta, libertam uma mistura de químicos voláteis destinada a atrair as vespas. Ao longo de milhões de anos, estes insetos predadores aprenderam a reconhecer esses químicos como um sinal da presença de lagartas.

Se tudo correr bem, a planta que está a ser atacada é então visitada por vespas que se encarregam de caçar as lagartas presentes nas suas folhas, para servirem de alimento às crias desses insetos, que são carnívoras.

Festividades

Hoje, na rubrica “𝑶𝒔 𝑺𝒆𝒓𝒗𝒊𝒄̧𝒐𝒔 𝑬𝒙𝒑𝒍𝒊𝒄𝒂𝒎”, damos a conhecer o 𝑷𝑰𝑷𝑺𝑬 – 𝑷𝒓𝒐𝒈𝒓𝒂𝒎𝒂 𝑰𝒏𝒕𝒆𝒓𝒎𝒖𝒏𝒊𝒄𝒊𝒑𝒂𝒍 𝒅𝒆 𝑷𝒓𝒐𝒎𝒐𝒄̧𝒂̃𝒐 𝒅𝒐 𝑺𝒖𝒄𝒆𝒔𝒔𝒐 𝑬𝒔𝒄𝒐𝒍𝒂𝒓.

 Este programa tem como missão apoiar os alunos, promover a igualdade de oportunidades e contribuir para o sucesso educativo em todo o território, através de iniciativas que envolvem escolas, famílias e comunidade. 
Este programa visa ter um impacto positivo na educação e no futuro das nossas crianças e jovens.

Picote: Encontros de Primavera dedicados às “Arquiteturas da Vida e da Morte”

 De 3 e 7 de junho, a aldeia de Picote, no concelho de Miranda do Douro, é o local de mais uma edição dos Encontros de Primavera, um evento cultural que este ano tem como tema “Arquiteturas da Vida e da Morte”, para reflexão sobre os vestígios humanos inscritos na paisagem.


Em comunicado, a Associação Frauga, organizadora do evento cultural, refere que o tema “Arquiteturas da Vida e da Morte” incluem exposições, performances, cinema, caminhadas, intervenções artísticas, música e momentos de partilha comunitária, envolvendo artistas, investigadores e criadores de diferentes áreas.

“Esta edição propõe, igualmente, uma reflexão artística, antropológica e sensorial sobre os vestígios, as memórias e as marcas humanas inscritas na paisagem do planalto mirandês e das arribas do Douro,” indicou a organização.

Nesta aldeia do concelho de Miranda do Douro, os Encontros da Primavera pretendem afirmar-se como “um dos mais relevantes momentos de criação contemporânea e pensamento cultural no nordeste transmontano, promovendo o diálogo entre arte, património, território e comunidade”.

Fonte: Lusa | Foto: Flickr

FESTIVAL OBSERVARRIBAS ARRANCOU EM MIRANDA DO DOURO COM DEZENAS DE JOVENS

 O Festival ObservArribas abriu hoje portas em Miranda do Douro, dando início a três dias dedicados à valorização do património natural e cultural do Parque Natural do Douro Internacional.


A decorrer entre os dias 29 e 31 de maio, o evento reúne atividades centradas na biodiversidade, na observação de aves e na promoção das paisagens únicas das arribas do Douro, um dos mais emblemáticos patrimónios naturais da região transmontana.De caráter rotativo entre os municípios que integram o Parque Natural do Douro Internacional, a edição de 2026 decorre em Miranda do Douro, assumindo-se como um espaço de sensibilização ambiental, promoção turística e valorização cultural do território.A sessão de abertura ficou marcada pela forte participação de jovens oriundos de Miranda do Douro, Sendim e Mogadouro, que integraram as primeiras iniciativas do festival, num ambiente de aprendizagem, descoberta e contacto direto com a natureza.

Ao longo dos próximos dias, o ObservArribas contará com diversas atividades dirigidas ao público de diferentes faixas etárias, incluindo ações de educação ambiental, observação de aves, caminhadas interpretativas e momentos de animação cultural, reforçando a importância da preservação dos ecossistemas e da identidade local.O festival pretende, assim, aproximar a comunidade do património natural do Douro Internacional, promovendo simultaneamente a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável da região.

Jornalista: Maria Inês Pereira
Foto: DR

CARRAZEDA DE ANSIÃES RECEBE TORNEIO E MERCADO MEDIEVAL

 O Município de Carrazeda de Ansiães promove mais uma edição do Torneio e Mercado Medieval de Ansiães.
O evento recria o ambiente da Idade Média com animação de rua, música, gastronomia, ofícios tradicionais, falcoaria, acampamentos e torneios de combate.

O torneio afirma-se como uma referência regional na valorização da história, cultura e turismo.

Jornalista: Maria Inês Pereira

Programa de apoio ao pastoreio apresentado em Macedo de Cavaleiros

 Decorreu, na passada quarta-feira, no auditório do Mercado Municipal de Macedo de Cavaleiros, uma sessão de esclarecimento dedicada ao Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio.


A iniciativa, promovida em colaboração com a CCDR Norte e enquadrada no Fundo Ambiental, apresentou medidas de apoio à instalação de novos produtores pecuários e à conversão de áreas de mato em pastagens.

O objetivo passa por incentivar o pastoreio como forma sustentável de gestão do combustível vegetal, contribuindo para a prevenção de incêndios rurais e para a valorização do território.

O chefe de divisão de programas e avaliação da CCDR Norte, José Vieira, explicou que o programa integra várias medidas de apoio à atividade pecuária e à gestão do território:

O responsável destacou ainda a importância da pastorícia na prevenção de incêndios:

Sobre os apoios financeiros disponíveis, José Vieira referiu que o programa contempla várias vertentes de financiamento:

José Vieira destacou também as datas previstas para a abertura das candidaturas:

A sessão foi dirigida a produtores, proprietários rurais e restantes interessados nas medidas de apoio disponíveis.

Jodie Pinto

Open Day de vela antecede etapa nacional da modalidade nas águas do Azibo

Quatro monumentos do distrito estão a votação para as Novas 7 Maravilhas de Portugal

 Quatro monumentos do distrito de Bragança estão entre os 147 finalistas, anunciados hoje, que estão a votação para as Novas 7 Maravilhas de Portugal, cujo tema é o património construído histórico e contemporâneo.


O Castelo de Bragança, na categoria ‘Castelos’, a Concatedral de Miranda do Douro, na categoria ‘Religião’, a Domus Municipalis, em Bragança, na categoria ‘História’, e o Moderno Escondido, em Picote, no concelho de Miranda do Douro, na categoria ‘Arquitetura do século XX’, são os quatro monumentos que representam Trás-os-Montes. 

Esta edição, apresentada em março, em Lisboa, está organizada em sete categorias: Castelos, Religião, História, Grandes Obras, Arquitetura do século XX, Arquitetura do século XXI e Turismo. 

Segundo a organização, a esta nova edição das 7 Maravilhas de Portugal, houve mais de 650 candidaturas. O painel de especialistas reduziu a lista para 147, organizadas 21 por cada região, Norte, Centro, Grande Lisboa, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira.

No mês de junho vão percorrer-se algumas localidades do país para realizar meias-finais regionais e depois, em julho, finais regionais. Ficará apenas uma candidatura de cada categoria em cada região.

A final nacional acontece no dia 12 de setembro. 

O Zé do Talho

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Nota Editorial
: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.

Este conto é a continuação de outro “A Promessa“, publicado em 2021

O dia nasceu cinzento, com gotas de chuva empurradas pelo vento frio — uma daquelas manhãs de inverno em que até o despertador parece pedir desculpa.

José Ferreira, mais conhecido por Zé do talho, estava em frente ao espelho, mirando-se a analisar o que os seus quarenta e seis anos fizeram de si. Baixo, a puxar para o gorducho, cabelo loiro, a rarear, sobre um rosto redondo e rosado. No centro sobressaía a penugem dourada que teimava em chamar bigode.

Desde que herdara o talho do pai — homem cioso do que era seu — mantinha tudo como estava. Solteirão, vivia sozinho numa vivenda ostensiva nos limites da povoação — mais fachada do que lar.

Parecendo satisfeito com o que via, cofiou o bigode, sacudiu as encorrilhas da camisola de gola alta, que tapava o pescoço curto e denunciava a barriga rotunda e depois ajeitou as calças, que repousavam nos sapatos negros imaculadamente brilhantes. Estava pronto para a cerimónia.

Vestiu o casaco das ocasiões, ainda a cheirar a naftalina e a arrependimento, como se o tempo não tivesse passado desde o último velório. Deitou um derradeiro olhar ao espelho antes de sair para o frio e para o funeral do Bruno.

Caminhou apressadamente pela rua calçada em direção ao cemitério, puxando as golas do casaco para cima, na tentativa de manter o vento gelado do lado de fora. Sorriu ao lembrar-se da expressão “Parece que tinha morrido um barbeiro.”, não foi um barbeiro, mas foi um trolha; Bruno Mendes, marido da bela e doce Madalena.

Envolto nos seus pensamentos, ia acenando distraidamente às pessoas que convergiam de todos os lados na direção da igreja. Ia ser um grande funeral.

Bruno não era particularmente amado na freguesia. Era quezilento e beberrão, mas um trolha de excelência.  Os trabalhos que fazia eram de qualidade e rápidos, enquanto não entrasse o álcool na equação.

Como todos na povoação, o Zé não gostava nem desgostava de Bruno, ele era “um mal necessário”. Cedo ou tarde, toda a gente precisa de compor uma racha na parede, ou pintar a cozinha e lá tinham de o chamar. Mas o Zé do talho tinha uma mágoa ainda mais antiga; ele fora o rival que roubara a “sua” Madalena.

 A nave da igreja estava praticamente cheia. O ambiente reverberava de muitas dezenas de conversas cruzadas em voz baixa e respeitosa. O ar estava pesado e a humidade parecia ter-se passado do exterior para ali. Ecoavam tossiqueiras dispersas. Os cangalheiros estavam a pousar a urna junto do altar e a dar os últimos retoques no tule que saía das bordas. Mesmo ao lado, em pé e com os olhos fixos no ataúde, estava uma figura feminina vestida de negro.

Era uma mulher na casa dos quarenta, cabelo negro, curto, rosto oval, pálido, onde sobressaíam a olheiras da noite mal dormida e de choros recentes. Não era gorda, mas pesavam-lhe mais uns quilos do que lhe era devido. As mãos secas e ásperas seguravam um terço cuja cruz pendia para fora delas. O tronco forte e os seios generosos estavam convenientemente cobertos por uma camisola de lã que caía sobre a saia simples que terminava acima do joelho. As pernas continuavam de pele lisa, torneadas e sem mácula. Nos pés trazia uns sapatos baratos, quase sem tacão, que se via terem sido comprados mais para serem práticos que mostrados.

Zé preferiu manter-se junto da porta, em vez de se submeter às centenas de olhos que o perscrutariam e julgariam se atravessasse o corredor central para dar os sentimentos a Madalena.

Mesmo assim, durante a cerimónia não tirava os olhos da mulher de rosto triste, ladeada pela irmã e a mãe do falecido. Várias recordações lhe acudiam à memória; a escola primária, o amor silencioso que sempre nutriu por ela, as vezes que ela o surpreendeu a olhá-la. Nunca foi, porém, capaz de lhe revelar os seus sentimentos e depois, repentinamente, Bruno tornava-se um obstáculo no caminho para o amor.

** / **

Durante a escola, o seu rival nunca lhe parecera isso mesmo — era um “gandulo”, “gazetão” e turbulento. Mais velho que eles dois anos, mas colecionava repetições de anos letivos. Exatamente o tipo de personagem que meninas bem-educadas como Madalena deviam evitar.

Quando terminaram a quarta classe, tanto Zé como Madalena fizeram-no com mérito, mas Bruno reprovou uma vez mais. Foi trabalhar nas obras com um tio empreiteiro que, na verdade, pouco mais era que um trolha com espírito empreendedor. Madalena foi trabalhar com a mãe no seu ofício de costureira em casa e ele com o seu pai, assumindo definitivamente o apelido de Zé do Talho.

Bruno entregava o ordenado em casa, para ajudar a mãe, viúva há alguns anos e a irmã, ainda demasiado jovem para trabalhar. Ao terceiro mês de trabalho, porém, “desviou” o ordenado e deu a entrada para comprar uma “fenomenal” moto Casal Cross 125. Ele contava que “levou uns valentes cascudos da mãe”, mas valera a pena.

Não tardou que o trolha motorizado mostrasse interesse na bela Madalena e esta se encantasse pelo imponente cavaleiro que percorria ruidosamente as ruas da freguesia. Era oficial; Zé perdera a oportunidade e a sua amada trocara o seu coração de talhante pelo ronco da Casal 125 do Bruno.

** / **

Após uma cerimónia que lhe pareceu interminável, o sino começou a tocar a finados. Os funcionários da funerária iniciaram o transporte da urna para o cemitério que ficava mesmo ao lado da igreja.

À medida que se formava o cortejo atrás dos agentes funerários ele foi apreciando a quantidade e qualidade de gente que acompanhava o féretro até à última morada; eram todos mais ou menos humildes, com exceção do presidente da junta, primo direito do Bruno. Até o tio, Ex empreiteiro e pai do presidente, comparecera. Fora o empregador do sobrinho, mas não fazia já parte dos abastados; abrira falência há uns anos, deixando os empregados com ordenados em atraso e horas extraordinárias por pagar.

Alguns dos acompanhantes trocaram palavras de circunstância e pena com Zé. Aquele era um meio pequeno e, se todos conheciam o trolha Bruno e a família, melhor o conheciam a ele, talhante de terceira geração. Enquanto os vizinhos murmuravam sobre a tragédia, Zé fingia compaixão, mas estava concentrado em cada gesto de Madalena — o lenço, o olhar perdido, o silêncio.

A perda de um dos habitantes da freguesia por acidente, era uma grande tragédia, quando todos estavam habituados a velórios e funerais relativos apenas aos idosos da terra.

Enquanto decorriam as despedidas à boca da sepultura, Zé manteve-se afastado enquanto levantava a gola do sobretudo para se proteger do vento gelado. Na sua mente corriam as memórias do antigamente; os bilhetinhos passados de carteira em carteira, os olhares tímidos e os sorrisos envergonhados. Quando começaram a trabalhar, ela vinha com a lista da mãe, escrita por vezes na margem de uma folha de jornal. Sem saber como dizer o que sentia, ele desenhava corações no papel pardo com que se embrulhava a carne. Nunca disse nada. Mas cada bife levava um pedaço do seu coração. Ela nunca comentou. Ele nunca perguntou.

Entregue o corpo à terra, todos começaram a dispersar apressadamente para sair do frio e da chuva que ameaçava começar a todo o momento.

Zé sabia que aquela era a única oportunidade que tinha de se aproximar novamente dela. Tentar recuperar um segundo que fosse, de um tempo que nunca fora seu.

Decidiu-se. Deixou o farmacêutico, que lhe dizia não sabe o quê, a falar sozinho e atirou uns passos largos até chegar ao trio de mulheres que se afastavam da sepultura onde o coveiro começava o serviço.

O olhar dela, posto no chão, focou-se nos sapatos pretos, brilhantes, maculados apenas por pequenas manchas de lama. E depois subiu para o rosto dele, que esperava exibir pesar suficiente.

— Madalena… — rouquejou, tossindo imediatamente para aclarar a garganta —… os meus sentimentos. Como te sentes? — Percebendo a estupidez da pergunta, corrigiu-se, contristado — Como estás a aguentar-te? E os teus filhos?

— Oh, Zé, bom amigo. — Miou ela, quase em sussurro. — Ainda não acredito no que aconteceu… logo no aniversário dele… o meu Bruno…

Ele tinha vontade de a abraçar, conseguir finalmente sentir aquele corpo encostado ao seu, ainda que pelos motivos errados. Limitou-se a agarrar-lhe uma das mãos gélidas e apertá-la nas suas: — Como vai ser agora? Onde estão as crianças?

— Ficaram com uma vizinha, não os queria aqui. — Confessou mansamente, sem retirar a mão que ele apertava com avidez. — Não sei que vou fazer da minha vida, que já não estava fácil…

— Ainda é muito cedo para saber o dia de amanhã. — Grasnou a sogra, puxando-lhe o braço, suave, mas firmemente, de forma que nos soltássemos. — O futuro a Deus pertence e se Ele quiser, não lhes há de faltar nada.

— Se precisares de alguma coisa… — ele não acabou a frase, enquanto o olhar de Madalena se despegava lentamente do seu e elas começavam a afastar-se. Trocaram poucas palavras, mas o peso do passado estava omnipresente naqueles segundos.

 Ele ignorou o olhar interrogativo da cunhada dela, embora sentisse o ressentimento da sogra. Várias das pessoas ainda dispersas pelo cemitério observavam a cena e cochichavam entre elas. Desconfortável, virou-lhes as costas e foi-se embora por sua vez.

 Entrou no talho como um furacão, ainda envergando a roupa do funeral e mal cumprimentou os atarefados funcionários. Pegou num bocado de alcatra e cortou quatro generosos bifes, depois cortou e aparou bons pedaços de entrecosto e entremeada, ao que juntou algumas chouriças.

Colocou todos os sacos individuais num saco branco sem asas. Tirou a caneta com o seu nome gravado do bolso e desenhou um coração que não conseguiria passar despercebido. Depois meteu tudo num saco de azul de asas, com que saiu do estabelecimento, perante o olhar interrogativo dos funcionários.

Enquanto caminhava em passos largos pelas ruas, debaixo da chuva que começava a cair sem vergonha, as suas memórias voltavam ao passado.

** / **

O pai dele deixava que ela fosse atendida pelo filho em exclusividade, que eram colegas de escola.

O olhar de Madalena quando ia buscar as compras, não sabia se era de amor, se simples simpatia, mas havia sempre um calor onde ele gostaria de mergulhar para sempre.

Ela nunca comentou nada dos corações que lhe enviava no papel de embrulho, não sabia se os vira, ou se os ignorava e ria-se dele à socapa… achava que não.

O seu sonho começou a ser perturbado pelo roncar da Casal 125 que percorria ruidosamente as ruas da freguesia e que fazia-a correr para a porta do talho para o ver passar.

Ela não percebia, ou se percebia, disfarçava, o olhar de tristeza dele quando ela voltava para o interior do estabelecimento.

Como raramente falavam mais do que o necessário, o acanhamento tolhia-o, nunca ela lhe disse quando começou a namorar com o Bruno.

O dia do casamento de Madalena, passou-o ele a chorar de arrependimento, trancado no quarto. Dali em diante nunca mais os corações apareceram no papel pardo que embrulhava a carne.

**/**

Chegara à porta de casa dela. A chuva caía copiosa e ele estava todo encharcado. Agora que ali chegara, estava hesitante e a sua mão erguia-se, num gesto que não terminava, para tocar à campainha.

A porta abriu-se, surpreendendo-se ele e a mulher que saía.

Era a cunhada de Madalena, que lhe deitou um olhar desconfiado:

— Senhor José? Que está aqui a fazer à chuva? A Madalena está lá dentro, que entrar?

— Não, não! — Desculpou-se atabalhoadamente. — É só para entregar isto para os ajudar neste momento difícil. — Virou costas e afastou-se a passos largos, quase a correr, ignorando as poças no caminho.


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Bragança está nomeada nas 7 Novas Maravilhas de Portugal e o nosso património merece chegar ainda mais longe!

 O majestoso Castelo de Bragança, símbolo da nossa história e identidade, está a concurso na categoria Castelos.
Já a emblemática Domus Municipalis, monumento único no país, representa Bragança na categoria História.

📞 Vote no Castelo de Bragança: 761 207 001

📞 Vote na Domus Municipalis: 761 207 007

Ajude-nos a valorizar e divulgar o património brigantino. Cada voto conta!

Mesa Redonda | Agricultura e Desenvolvimento Rural

 No âmbito da iniciativa Festa da Cereja & Co, realiza-se no próximo dia 7 de junho de 2026, no Parque Municipal de Feiras de Alfândega da Fé, a Mesa Redonda subordinada ao tema “Agricultura e Desenvolvimento Rural”.
A sessão contará com a participação de representantes de várias entidades ligadas ao setor agrícola e ao desenvolvimento regional, promovendo um espaço de partilha e reflexão sobre os desafios e oportunidades do mundo rural.

O programa tem início às 11h00, com receção dos participantes, seguindo-se a sessão de abertura e a mesa redonda, encerrando com almoço convívio.

As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias, devendo ser efetuadas AQUI até ao dia 4 de junho de 2026.

VIMIOSO CELEBRA CAMÕES E A ARTE

 No próximo dia 9 de junho, o Município de Vimioso convida toda a comunidade a participar no encerramento das comemorações dos 500 anos de Luís de Camões, com um dia repleto de cultura, literatura, música e partilha!

O evento “Express’ARTE” decorrerá no Parque Municipal e contará com: Feira do Livro

✅ Momentos musicais com alunos do concelho
✅ Exposição “Portas e Janelas”
✅ Conversas e sessões de autógrafos com os escritores convidados
✅ Homenagens e animação cultural ao longo de todo o dia

Teremos ainda a presença especial dos escritores: 

Manuela Bulcão
Raúl Minh'Alma
Pedro Chagas Freitas

9 de junho - Parque Municipal de Vimioso - A partir das 10h00

Venha celebrar connosco a literatura, a criatividade e o legado de Camões.

“A literatura vive. E Camões continua a inspirar.”

GNR ASSINALA DIA INTERNACIONAL DO BRINCAR COM AÇÕES DE PROXIMIDADE JUNTO DAS CRIANÇAS

 O Dia Internacional do Brincar foi assinalado com momentos de alegria, partilha e diversão proporcionados às crianças pelos militares da Secção de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário de Mirandela e Vila Flor, bem como pelo efetivo do Posto Territorial de Torre Dona Chama.


A iniciativa teve como principal objetivo sensibilizar para a importância do brincar no desenvolvimento infantil, promovendo simultaneamente comportamentos seguros e hábitos de vida saudáveis.

Ao longo da atividade, as crianças participaram em diversos momentos lúdicos e educativos, privilegiando o contacto com a natureza e as brincadeiras ao ar livre, numa ação que reforçou também os laços de proximidade entre a GNR e a comunidade escolar.

Além da componente recreativa, os militares aproveitaram a ocasião para transmitir mensagens relacionadas com a segurança infantil e a importância da prática de atividades físicas e recreativas fora do ambiente digital.

A GNR destaca que ações desta natureza contribuem para o desenvolvimento saudável das crianças, incentivando estilos de vida mais ativos, o convívio social e a valorização do brincar como elemento essencial para o bem-estar físico e emocional.

A iniciativa foi recebida com entusiasmo pelos mais novos, num dia marcado pelo convívio, pela aprendizagem e por muitos sorrisos.

Jornalista: Maria Inês Pereira
Foto:DR

MUNICÍPIO DE BRAGANÇA DISTINGUE ATLETAS E ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL PELO MÉRITO DESPORTIVO E INCLUSÃO

 O Município de Bragança distinguiu esta quarta-feira, 27 de maio, várias atletas da Associação de Futebol de Bragança e o selecionador distrital Marco Quina, no âmbito da iniciativa “Prémios em Destaque”, que reconhece mensalmente conquistas e méritos alcançados por brigantinos em diferentes áreas de atividade.


Foram homenageadas as atletas Maria Fernandes, Iara Gomes, Inês Fidalgo e Ana Paradinha pela conquista da Liga de Bronze no Torneio Interassociações, disputado em Portalegre, ao serviço da Seleção Distrital Sub-16 da Associação de Futebol de Bragança.

O reconhecimento foi igualmente estendido ao selecionador distrital Marco Quina, responsável técnico pela equipa que alcançou o feito desportivo, valorizando o trabalho desenvolvido na formação do futebol feminino distrital.

Além do mérito competitivo, a cerimónia destacou também a vertente social e inclusiva do desporto, com a distinção atribuída à Associação de Futebol de Bragança pela aprovação da candidatura à Bandeira da Ética, na categoria de projeto, através da iniciativa “Futebol Inclusivo”.

Este reconhecimento nacional evidencia o compromisso da associação na promoção de valores como a inclusão, igualdade, participação e cidadania através do desporto, reforçando o papel do futebol enquanto ferramenta de integração social.

A rubrica “Prémios em Destaque”, promovida pelo Município de Bragança, pretende valorizar publicamente o talento, o esforço e as conquistas de brigantinas e brigantinos nas mais diversas áreas, desde o desporto à cultura, passando pela educação, inovação e intervenção comunitária.

Com estas distinções, Bragança volta a sublinhar a importância do desporto na afirmação do território e no desenvolvimento pessoal e coletivo dos jovens atletas, reconhecendo simultaneamente o trabalho das instituições que promovem práticas desportivas mais inclusivas e éticas.

Jornalista: Edgar Pedreiro
Fotos: AFB