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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

VIDAS EP4 - NICOLAU SERNADELA, O NOSSO TIO JOÃO

Festas, Festividades e Eventos

11 DE NOVEMBRO | DIA NACIONAL DAS RAÇAS AUTÓCTONES PORTUGUESAS

 É no Parque Biológico de Vinhais que a PRORURIS, o Município de Vinhais e a ANCSUB se associam para assinalar o Dia Nacional das Raças Autóctones Portuguesas, com uma iniciativa dedicada à valorização e preservação deste importante património nacional.
Uma manhã de descoberta, partilha e reflexão sobre a importância das nossas raças autóctones na biodiversidade, na tradição e no futuro do mundo rural.

Valorizar as nossas raças é preservar a nossa identidade!

🎶 A música como ponto de encontro, de partilha e de promoção do bem-estar.

 O projeto "𝑪𝒂𝒏𝒕𝒆 𝒑𝒆𝒍𝒂 𝑺𝒖𝒂 𝑺𝒂𝒖́𝒅𝒆 – 𝑺𝒊𝒏𝒈4𝑯𝒆𝒂𝒍𝒕𝒉" iniciou uma nova edição em Bragança, dando continuidade ao trabalho desenvolvido junto da população sénior através do canto em grupo e da expressão artística.
Depois dos resultados positivos da primeira edição, a iniciativa regressa para promover o envelhecimento ativo e saudável, reforçar os laços sociais e contribuir para o bem-estar emocional, cognitivo e físico dos participantes.

Uma iniciativa da Associação Vozes Vivas, em parceria com o Município de Bragança, com o apoio da Fundação Belmiro de Azevedo e do Centro Social Paroquial de Santo Condestável.

𝗔𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼 𝗹𝗶𝘃𝗿𝗼 " 𝗜𝗻𝘃𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗠𝗮́𝗴𝗶𝗰𝗼 - 𝗥𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗲 𝗠𝗶𝘀𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗼𝘀 𝗥𝗮𝗶𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗜𝗜𝗜"

Autor - António Pinelo Tiza
Inauguração da exposição "Máscaras da Alma entre o Sagrado e o Profano" de Gady

13 Novembro | 18h00
Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo

A física moderna sugere que o tempo não avança – é apenas uma ilusão

 Segundo as teorias de Einstein, o tempo depende da velocidade do observador e do campo gravitacional ao qual está submetido, fenómenos que foram demostrados experimentalmente.

SHUTTERSTOCK - Não existe um tempo universal. Não é possível dizer que “num determinado momento”, existe uma determinada realidade, composta por coisas que acontecem em simultâneo em diferentes locais.

O que é o tempo? Um conceito tão familiar parece não precisar de uma explicação. No entanto a física moderna desmontou muitas das nossas intuições e o tempo é, em grande parte, uma ilusão.

A discussão sobre o verdadeiro significado do tempo, incluindo a sua própria existência a um nível fundamental, está hoje mais vivo do que nunca e entronca nas questões mais profundas da física teórica.

Einstein e o espaço-tempo

No início do século XX, Albert Einstein revolucionou nossa concepção do espaço e do tempo com a sua teoria da relatividade especial (1905) e geral (1915), segundo as quais o tempo depende da velocidade do observador e do campo gravitacional ao qual está submetido, fenómenos que foram demostrados experimentalmente.

Desde então que concebemos o tempo como uma dimensão do mesmo género que as três dimensões espaciais: a quarta dimensão.

O Tempo corre mais devagar na cabeça do que nos pés

Suponhamos que o relógio de sua casa marca 10 horas quando você sai para dar um passeio e 11 horas quando regressa. O bom senso diz-lhe que se passou uma hora e o relógio que estava no seu bolso (se estiver a funcionar bem) mostrará o mesmo. Contudo, em termos estritos, isso está incorrecto. Uma vez que se deslocou, o tempo decorrido para si e o seu relógio é ligeiramente inferior do que para o relógio que ficou em sua casa. A diferença é tão mínima que é nula em termos práticos. No entanto, quando se faz este tipo de experiência utilizando relógios atómicos, prova-se que o tempo decorrido é diferente (e a discrepância é exactamente a prevista pela teoria de Einstein).

O mesmo acontece com a gravidade: quanto maior for o campo gravitacional, mais devagar o tempo corre. Quando uma pessoa está em pé, o tempo corre mais depressa na sua cabeça do que nos seus pés – também isto foi comprovado experimentalmente.

Não existe um tempo universal. Não é possível dizer que “num determinado momento”, existe uma determinada realidade, composta por coisas que acontecem em simultâneo em diferentes locais. Para outro observador, os acontecimentos que configuram “a realidade do presente” são outros.

A passagem do tempo para a física

A percepção psicológica mais poderosa que temos acerca do tempo é que, ao contrário do espaço, o tempo flui. Os acontecimentos passados já aconteceram. Existiram, mas já não existem. E os futuros ainda não aconteceram. Só o presente tem uma existência real.

No entanto, não há nada nas equações da física que nos diga que o tempo corre desta forma. Essas leis relacionam acontecimentos ocorridos em tempos diferentes (ou seja, caracterizados por diferentes valores da coordenada tempo), mas não nos dizem que o tempo avança do passado para o futuro.

Por incrível que pareça, a passagem do tempo é provavelmente uma ilusão – e uma ilusão fortíssima

A que se deve essa alucinação colectiva?

Suponhamos que o tempo corria mais devagar. Como se aperceberia disso? Neste jogo não deve cometer o erro de imaginar que o tempo corre mais devagar para todos, excepto para nós. Nós somos parte do universo e, por conseguinte, os processos do nosso cérebro (e os seus pensamentos) também abrandariam em sincronia com os relógios. Portanto, a resposta é que não nos aperceberíamos de nada. Tudo pareceria exactamente igual.

Isto seria assim mesmo que a “passagem do tempo” fosse da frente para trás. Em cada momento, os nossos pensamentos seriam idênticos e, consequentemente, o mesmo se aplicaria às nossas “recordações” e à nossa percepção do tempo.

A seta do tempo

No entanto, o tempo parece passar e fá-lo numa determinada direcção e não na oposta. A isto chama-se a “seta do tempo”. Quando acrescentamos leite a uma chávena de café, ambos se misturam – e isso nunca acontece ao contrário. Quando um ovo cai ao chão, parte-se, mas os seus pedaços nunca se recompõem espontaneamente e o ovo não volta a saltar para as nossas mãos. A razão de ser destes processos aparentemente reversíveis encontra-se no segundo princípio da termodinâmica, segundo o qual “a entropia tende sempre a aumentar”.

Em termos coloquiais, a entropia é semelhante à desordem de um sistema físico. Na verdade, este segundo princípio não é uma lei física, mas pura estatística. Existem muito mais estados desordenados do que ordenados, por conseguinte, a evolução tende sempre a desordenar os sistemas.

Pegue num baralho de cartas com 20 cartas vermelhas sobre 20 cartas pretas e baralhe-o. Isso fará com que o baralho perca a configuração inicial. Por mais que o baralhe, nunca voltará à configuração inicial, embora tal seja possível, em princípio. São estes processos irreversíveis que criam uma seta do tempo, que distinguem o passado (entropia menor) do futuro (entropia maior).

A ordem no Big Bang

No instante do Big Bang, o universo apresentava uma entropia muito baixa, ou seja, muito pouca desordem. Ninguém sabe a razão de ser deste acontecimento fundamental (embora existam modelos interessantes que o explicam), mas, graças a ele, a entropia conseguiu aumentar, dando origem à seta do tempo que nos é familiar.

Desde aquele instante remoto, a entropia nada mais fez do que aumentar através de processos irreversíveis, como os acima mencionados (ovos que se partem, líquidos que se misturam) e outros de maior envergadura (estrelas queimando hidrogénio).

Os processos irreversíveis produzem uma poderosa sensação de causa e efeito nessa ordem temporal. Contudo, essa diferença não existe nas equações da física, pois todos os processos são, na verdade, reversíveis.

A pedra no tanque

Imagine que deixa cair uma pedra num tanque originando as típicas ondas concêntricas à sua superfície. Em princípio, o processo poderia acontecer ao contrário: uma flutuação aleatória da superfície da água daria origem a ondas perfeitamente concêntricas que avançariam até ao centro, onde ocorreria um remoinho que elevaria a pedra desde o fundo do tanque, atirando-a para a sua mão e a superfície recuperaria a calma. Tudo aconteceria como se estivesse a ver um filme ao contrário.

Isto não é proibido pelas leis da física, mas é extraordinariamente improvável devido ao segundo princípio de termodinâmica: os processos decorrem sempre da menor entropia para a maior. E o estado da pedra na nossa mão e o tanque calmo têm muito menos entropia do que a pedra no fundo do tanque e a água ligeiramente agitada pelo impacto da pedra.

Se víssemos uma fotografia de ondas circulares na superfície de um tanque, iríamos relacioná-las (diríamos que “tinham sido causadas”) com alguns estados de menor entropia (por exemplo, a queda de um objecto. O oposto (uma flutuação aleatória da água) é altamente improvável.

Portanto, situaremos a causa no passado, no reino da baixa entropia. É por esta razão que falamos em causas e efeitos, com as primeiras a antecederem os segundos.

E é também a razão pela qual se foram registos e memórias do passado. Se a pedra cair em cima de barro, em vez de na água, as ondas geradas ficam “congeladas”, oferecendo um registo da “causa” que as produziu, que, como dissemos, é sempre um acontecimento do passado.

O mundo está cheio deste tipo de marcas do passado: as crateras da Lua, os fósseis, as construções humanas, etc. Por essa mesma razão, relacionamos os registos do nosso cérebro (as nossas memórias) com acontecimentos do passado que os “causaram”. Isto gera sensação a psicológica de viajarmos do passado para o futuro: do passado (baixa entropia) possuímos registos e memórias abundantes, enquanto o futuro (alta entropia) é incerto. A percepção é que o passado “já aconteceu”, mas o futuro “ainda não”, embora as leis da física não façam exactamente esta interpretação.

A natureza do tempo

Embora a maioria dos físicos estejam de acordo com o que dissemos anteriormente, a verdade é que ainda não conhecemos a natureza do tempo em toda a sua profundidade. E não o faremos até conseguirmos conciliar a teoria da relatividade geral com a mecânica quântica – os dois pilares da física moderna.

De momento, podemos apreciar a ideia de que a passagem do tempo (desejada ou não) é apenas uma ilusão.

Alberto Casas González, Professor de investigação, Instituto de Física Teórica (IFT - UAM - CSIC).

Este artigo foi publicado originalmente em The Conversation

The Conversation
Actualizado a 28 de junho de 2024

𝐎 𝐨𝐯𝐨 𝐯𝐚𝐢 𝐬𝐞𝐫 𝐨 𝐫𝐞𝐢 𝐝𝐚 𝐦𝐞𝐬𝐚 𝐞𝐦 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨 | 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐆𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨𝐧𝐨́𝐦𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐨 𝐎𝐯𝐨

 De 5 a 8 de dezembro, Miranda do Douro volta a celebrar os sabores da nossa terra com mais uma edição do Festival Gastronómico do Ovo!
Uma celebração da tradição, dos produtos locais e da criatividade à mesa, onde o protagonista é o nosso Ovo Mirandês.

Pratos surpreendentes, sabores autênticos e a arte de bem receber juntam-se para dar vida a uma experiência gastronómica que promete conquistar todos os paladares.

Venha descobrir novas formas de saborear um produto tão nosso!

𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨
𝟓 𝐚 𝟖 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨

Há tradições que se preservam. E sabores que merecem ser celebrados!

Álvaro da Cunha Ferreira Leite - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 20.novembro.1923 – 17.dezembro.1923
RIO DE JANEIRO, 25.10.1880 – FAFE, 5.2.1964

Médico.
Licenciado em Cirurgia e Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Governador civil de Bragança (1923). Deputado (1925-1926). Presidente da Câmara Municipal de Vinhais (1950-1955).
Natural do Rio de Janeiro, Brasil.
Filho de João da Cunha Ferreira Leite e de Ermelinda Rossi.
Casou e teve duas filhas, Helena (n. 1904) e Eunice (n. 1911)
Comendador da Ordem de Mérito (1931).

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Embora nascido no Rio de Janeiro, Álvaro da Cunha Ferreira Leite veio para Portugal com apenas quatro anos, em 1884, na companhia dos seus pais, fixando residência em São Martinho de Silvares, concelho de Fafe, de onde a sua família era natural.
Completada a instrução primária em Silvares, passou depois pelo Colégio de Santa Quitéria, em Felgueiras, e pelo Liceu Nacional de Coimbra, e em 1898, matricula-se na Universidade de Coimbra, onde estudou Química e Filosofia, frequentando em seguida os Preparatórios Médicos. Vai depois estudar para o Porto e a 24 de julho de 1907, conclui o curso de Cirurgia e Medicina na Escola Médico-Cirúrgica.
Publica, nesse ano, a sua dissertação inaugural, intitulada Entero-nevrose muco-membranosa.
Procurando alargar os seus conhecimentos científicos, frequenta o curso de Medicina Sanitária, que conclui em 1908, e no verão de 1910 faz uma formação em Hidrologia Médica, nas termas de Caldas de Aregos, Resende.
A 14 de setembro de 1910, é nomeado médico-cirúrgico do primeiro partido na Câmara Municipal de Vinhais, concelho onde de imediato fixa residência. Menos de dois anos depois, a 6 de abril de 1912, é nomeado subdelegado de Saúde de Vinhais. A 26 de maio de 1913, pede exoneração do cargo de médico municipal, mas dias depois, a 8 de junho, é novamente nomeado, a título interino. Essa nomeação seria efetivada a 25 de setembro de 1914, pelo que Álvaro Ferreira Leite continuará a sua vida profissional em Vinhais pelas décadas seguintes.
Militante da primeira hora do Partido Republicano Nacionalista, em 1923 tem uma breve passagem pela magistratura administrativa, ao ser nomeado governador civil do distrito de Bragança a 20 de novembro, isto é, cinco dias depois de o governo nacionalista de Ginestal Machado ser empossado. Porém, logo a 17 de dezembro seguinte é exonerado do cargo, em consequência da queda do Executivo de Ginestal Machado.
Em 1925, é eleito deputado pelo círculo de Moncorvo, precisamente pelo Partido Republicano Nacionalista, para a legislatura iniciada em dezembro desse ano e interrompida pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926. Integrou a comissão de Saúde e Assistência Pública, mas não exerceu qualquer atividade parlamentar digna de registo, estando ausente da maioria das sessões do plenário.
Em 1930, por ocasião do vigésimo aniversário como médico em Vinhais, foi homenageado pela população local com a oferta de uma viatura de marca Citroen, e em 1931 é proclamado Cidadão Vinhaense pela Câmara Municipal. Mais tarde, seria mesmo declarado Cidadão Honorário do Concelho de Vinhais.
O seu papel como médico, mas principalmente como grande benemérito, seria inclusive reconhecido pelo Presidente da República, Óscar Carmona – que tinha sido, aliás, ministro da Guerra no Governo que nomeara Ferreira Leite governador civil de Bragança –, o qual, a 11 de junho de 1931, o agracia com o grau de comendador da Ordem de Benemerência. Como que corolário do seu percurso ao serviço do próximo, a 1 de outubro de 1933, Ferreira Leite assume o cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vinhais.
A 3 de junho de 1946, é nomeado delegado de saúde, ao serviço da delegação de saúde do distrito de Bragança e a 2 de setembro de 1950 assume a presidência da Câmara Municipal de Vinhais, lugar que ocupa até 1955.
Em 1964, padecendo de uma doença grave e prolongada, regressa a São Martinho de Silvares, onde viria a falecer a 5 de fevereiro desse ano. Encontra-se sepultado no cemitério daquela localidade, tendo o seu caixão sido coberto com terra proveniente de Vinhais, conforme era seu desejo, confirmando o apego e carinho que tinha por esta terra e pelas suas gentes.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Diário da Câmara dos Deputados, 1925-1926.
AFONSO, Roberto de Morais. 2016. “Dr. Álvaro Leite”, in Viver Vinhais, n.º 2. 1.º trimestre de 2016.
ALMEIDA, Maria Antónia Pires de. 2013. O Poder Local do Estado Novo à Democracia: Presidentes de Câmara e Governadores Civis. 1936-2012. E-book.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
BAIÔA, Manuel. 2015. O Partido Republicano Nacionalista (1923-1935). “Uma República para Todos os Portugueses”. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.
FONTE, Barroso da. 1998. Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto-Durienses, vol. I. Guimarães: Editora Cidade Berço.
Ordens Honoríficas Portuguesas. Disponível em http://www.ordens.presidencia.pt.

Publicação da C. M. B.

LENGALENGA - ARCO DA VELHA (*)


➖ 

Arco da velha,

Tira-te daí,

Menina donzela

Não é para ti,

Nem para o Pedro

Nem para o Paulo,

É para a velha

Do rabo cortado

➖

[(*)Arco-da-velha é uma expressão usada quando se quer referir algo espantoso, inacreditável, inverosímil. Trata-se de uma forma reduzida de arco da lei velha, em referência ao arco-íris, que, segundo o mito bíblico, Deus teria criado em sinal da eterna aliança entre ele e os homens.]

Fonte: VELHAS LENGALENGAS
E RIMAS DO ARCO-DA-VELHA
[Compilado pela equipa do Luso-Livros]

*Um projeto desenvolvido na Universidade Politécnica de Bragança chegou à final de um concurso internacional de conservação da natureza!*

 O projeto Ecosystem Engineers: Restoring Habitats for Portugal's Beaver Return, desenvolvido por João Teixeira, estudante do Mestrado em Gestão de Recursos Florestais da Universidade Politécnica de Bragança (UPB), em colaboração com a *Rewilding Portugal, foi selecionado como finalista de um concurso internacional da *European Outdoor Conservation Association (EOCA)*.


A candidatura foi preparada no âmbito da *unidade curricular de Turismo e Recreio da Natureza*. Nesta unidade curricular, os estudantes são desafiados a desenvolver projetos reais de conservação da natureza, em colaboração com organizações não governamentais, para apresentação a concursos internacionais de financiamento.

*É a primeira vez que um projeto desenvolvido neste contexto chega à fase de votação pública!* Este resultado demonstra o potencial da colaboração entre o ensino superior e as organizações de conservação da natureza, aproximando a formação académica dos desafios reais da gestão e conservação dos ecossistemas.

*O que pretende fazer o projeto?*

Recuperar habitats ribeirinhos no Parque Natural do Douro Internacional, criando condições favoráveis ao regresso natural do castor-europeu (Castor fiber) a Portugal, através de:

🌳 Recuperação de 10 km de corredores ribeirinhos  
🌱 Plantação de 5.000 árvores e arbustos autóctones  
🌍 Controlo de espécies invasoras e melhoria das condições ecológicas  
🤝 Envolvimento das comunidades locais em ações de conservação

O projeto concorre a um financiamento de *30.000 €*, cuja atribuição depende agora da votação pública.

*A votação decorre de 5 a 17 de novembro, até às 12h00 (hora de Portugal continental).*

👉 *Vote AQUI.

*Ajude-nos a apoiar este projeto! Vote e partilhe!*

Tó: Feira de São Martinho no fim-de-semana de 7 e 8 de novembro

 A aldeia de Tó, no concelho de Mogadouro, organiza a já tradicional Feira de São Martinho, no fim-de-semana de 7 e 8 de novembro, um certame dedicado às castanhas, produtos locais, tradições e cultura.


O certame é organizado pela Freguesia de Tó e conta com expositores de produtores locais e regionais, como os enchidos feitos com carne de porco bísaro, queijos, mel das serras de Mogadouro e doçaria tradicional.

A iniciativa conta ainda momentos dedicados à comunidade local, como a tradicional matança do porco, o maior comedor de castanhas ou as chegas de touros de raça mirandesa.

A música tradicional e as figuras do solstício estarão presentes para atrair os visitantes.

Paradela: Missa, almoço e magusto na festa de San Martinico

 No Domingo, dia 8 de novembro, as populações de Paradela, Ifanes e Aldeia Nova vão celebrar em conjunto, a festa em honra de São Martinho (San Martinico, em mirandês), com um programa que começa com a celebração da eucaristia e a procissão na pequena ermida, seguida de um almoço convívio e do magusto de castanhas assadas.


Em Paradela, a conhecida festa em honra de “São Martinico” celebra-se junto à pequena e original capela dedicada a São Martinho de Tours, que foi edificada em 1918, entre as aldeias de Paradela, Ifanes e Aldeia Nova.

Na festa deste ano, a celebração religiosa da eucaristia, em honra de São Martinho, está agendada para as 12h00, de Domingo. No final da missa, realiza-se a procissão com a imagem de São Martinho (uma pequena escultura feita com madeira de castanheiro), ao redor da ermida.

«A designação “San Martinico” é um palavra mirandesa, que expressa o carinho e a afeição que o povo das localidades de Paradela, Ifanes e Aldeia Nova têm para com este santo, do século IV», explicou o presidente de União de Freguesias de Ifanes e Paradela, Nélio Seixas.

Segundo o jovem autarca, antigamente, esta festa religiosa era mesmo uma romaria que atraía a vinda de muitas pessoas à ermida de Sâo Martinico, única em todo o planalto mirandês.

“Diz-se que ao longo do ano, os pastores e os contrabandistas que passavam pela capela depositavam aí as suas esmolas, em sinal de gratidão pela intercessão do santo na guarda das ovelhas e na entrega das mercadorias do contrabando. E essas esmolas financiavam a festa de São Martinho, no dia 11 de novembro”, contou.

No Domingo, após a celebração da eucaristia, está programado o tradicional almoço convívio, com sardinhas, entremeada e durante a tarde o magusto de castanhas assadas, cuja participação tem um custo de 7 castanhas.

“No decorrer da tarde de Domingo, o magusto de castanhas assadas é animado com a música e as danças tradicionais da Terra de Miranda”, acrescentou o autarca.

A festa em honra de “São Martinico” é organizada pela União de Freguesias de Ifanes e Paradela e que conta com as colaborações da Associação Cultural e Fronteiriça de Paradela e do Município de Miranda do Douro.


Lenda de São Martinho

Segundo reza a lenda, num dia frio e tempestuoso de outono, um soldado romano, de nome Martinho, percorria o seu caminho montado a cavalo, quando deparou com um mendigo cheio de fome e frio.
O soldado, conhecido pela sua generosidade, tirou a capa que envergava e com a espada cortou-a ao meio, cobrindo o mendigo com uma das partes. 
Mais adiante, encontrou outro pobre homem cheio de frio e ofereceu-lhe a outra metade.
Sem capa, Martinho continuou a sua viagem ao frio e ao vento quando, de repente e como por milagre, o céu se abriu, afastando a tempestade. Os raios de sol começaram a aquecer a terra e o bom tempo prolongou-se durante três dias.
Desde essa altura, todos os anos, por volta do dia 11 de novembro, surgem dias de calor, a que se passou a chamar “verão de S. Martinho”.
Em Portugal, na Festa de São Martinho é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o vinho novo. Como diz o ditado popular, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.

HA

MOGADOURO GARANTE MAIS DE 715 MIL EUROS PARA DOIS PROJETOS DE VALORIZAÇÃO TURÍSTICA

 Dois novos projetos prometem reforçar a oferta turística de Mogadouro e valorizar os recursos culturais e desportivos do concelho. O município viu aprovadas duas candidaturas ao Programa Crescer Turismo, garantindo um financiamento não reembolsável de 715.255,97 euros.


Um dos projetos prevê a criação da Casa da Máscara Ibérica – Centro de Interpretação, em Bemposta, que conta com um apoio aprovado de 315.255,97 euros, para um investimento elegível de 394.069,96 euros. A candidatura foi coordenada pelo Município de Mogadouro, tendo a Junta de Freguesia de Bemposta como entidade promotora e beneficiária.

O futuro espaço pretende dar maior visibilidade às tradições ancestrais associadas às máscaras ibéricas, contribuindo para preservar este património cultural e reforçar a identidade do território, ao mesmo tempo que cria novos motivos de interesse para quem visita o concelho.

A segunda candidatura diz respeito ao Centro Ibérico de Tiro Desportivo, que receberá um financiamento de 400 mil euros, correspondente a um investimento elegível de 556.901,02 euros. O projeto pretende diversificar a oferta turística e desportiva de Mogadouro, criando condições para atrair visitantes e eventos ligados à modalidade.

No conjunto, os dois projetos representam um investimento elegível de 950.970,98 euros, com uma comparticipação de fundos não reembolsáveis superior a 715 mil euros.

Com estas aprovações, Mogadouro reforça a aposta na diversificação da atividade turística, na valorização do património e na criação de novas oportunidades para a economia local, através de projetos que procuram afirmar o concelho como destino de interesse cultural e desportivo.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

VILA FLOR ASSINALA DIA NACIONAL DO CUIDADOR INFORMAL COM SESSÃO DE ESCLARECIMENTO

 O papel de quem cuida diariamente de familiares ou pessoas em situação de dependência esteve em destaque em Vila Flor, no dia 5 de novembro, com uma sessão informativa dedicada aos direitos e apoios disponíveis para os cuidadores informais.


A iniciativa decorreu no Auditório Miller Guerra e teve como principal objetivo esclarecer dúvidas sobre o Estatuto do Cuidador Informal, dando a conhecer os mecanismos de apoio existentes e os direitos associados a esta condição.

A sessão foi promovida em parceria entre a Câmara Municipal de Vila Flor, a Segurança Social e a Unidade Local de Saúde (ULS) Nordeste, procurando proporcionar informação e orientação a quem assume diariamente esta responsabilidade.

Mais do que assinalar a data, o encontro pretendeu dar visibilidade ao trabalho dos cuidadores informais e à importância de garantir que também têm acesso a acompanhamento e apoio no exercício das suas funções.

A iniciativa reforçou, assim, a necessidade de reconhecer e proteger quem dedica diariamente o seu tempo e atenção ao cuidado dos outros.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

Olmos estreia Feira do Mel e da Alcaparra com 20 expositores

 A freguesia de Olmos, no concelho de Macedo de Cavaleiros, recebe, este fim de semana, a primeira edição da Feira do Mel e da Alcaparra.


A iniciativa pretende promover dois produtos tradicionais da localidade e dar aos produtores uma oportunidade para divulgar e escoar a produção.

O certame conta com 20 expositores inscritos, dez de Olmos e os restantes de outras localidades. A lotação disponível já está preenchida, como explica o presidente da Junta de Freguesia de Olmos, Francisco Rocha:

“É uma maneira de as pessoas lá da aldeia exporem os produtos que têm. Entre Malta e Olmos temos sete pessoas que produzem mel e, quanto à alcaparra, praticamente toda a gente tem oliveiras na aldeia e faz sempre uma boa quantidade para vender e para consumo.”

Este ano, a produção de mel deverá ser menor, devido às condições atmosféricas e aos efeitos da vespa asiática, que tem provocado estragos nas colmeias.

Ainda assim, a feira surge como uma oportunidade para os apicultores e produtores locais divulgarem e venderem os seus produtos:

“O mel este ano há pouco, por causa das condições atmosféricas. Alguns produtores, infelizmente, com a vespa asiática, viram as colmeias serem destruídas.

Mas é uma maneira de venderem o seu produto, porque cada vez há menos gente e a feirinha pode chamar mais pessoas.”

O programa começa no sábado, dia 7, às 14h30, com a atuação do grupo Sons da Vila.

A abertura oficial está marcada para as 15h00 e, meia hora depois, realiza-se um seminário dedicado à produção de mel e aos problemas que afetam atualmente os apicultores, com a participação de um representante da Macmel.

No domingo, dia 8, realiza-se uma caminhada solidária a favor dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros.

A inscrição tem um custo de dez euros e inclui um kit com t-shirt, água, mochila e fruta. O valor angariado reverte integralmente para a corporação, sendo o almoço dos participantes oferecido pela Junta de Freguesia:

“A caminhada solidária é em parceria com os Bombeiros Voluntários. As pessoas inscrevem-se, levam um kit e dão dez euros. O valor total é para os bombeiros.

A Junta de Freguesia oferece o almoço, que vai ser porco no espeto e frango assado.”

A animação de sábado fica a cargo dos Abelhudos e do artista Luís Godinho.

A organização espera atrair visitantes de várias localidades e destaca a adesão dos expositores, embora reconheça que as condições meteorológicas poderão influenciar a afluência:

“A caminhada solidária é em parceria com os Bombeiros Voluntários. As pessoas inscrevem-se, levam um kit e dão dez euros. O valor total é para os bombeiros.

A Junta de Freguesia oferece o almoço, que vai ser porco no espeto e frango assado.”

A animação de sábado fica a cargo dos Abelhudos e do artista Luís Godinho.

A organização espera atrair visitantes de várias localidades e destaca a adesão dos expositores, embora reconheça que as condições meteorológicas poderão influenciar a afluência:

Maria João Canadas

Produtor pecuário de Mirandela aguarda há dois meses pela ração prometida pelo município

 Há cerca de dois meses, o Município de Mirandela anunciou a atribuição de um apoio de emergência aos produtores pecuários afetados pela destruição de pastagens decorrente dos incêndios de agosto, fornecendo 4.200 quilos de ração – o equivalente a 140 sacos de 30 kg – para a alimentação de ovinos e bovinos, na localidade de Vilar de Ouro.


O Município de Mirandela garantiu, na altura, que continuaria a acompanhar a situação no terreno, em articulação com as entidades locais, com o objetivo de identificar novas necessidades e procurar respostas para os produtores pecuários afetados.

Agora, Vítor Oliveira, produtor pecuário de Fonte Maria Gins, freguesia de Aguieiras, com três explorações e um efetivo a rondar os 400 animais, que alega ter perdido todos os rolos de feno no incêndio, queixa-se que o Município prometeu apoiar com sacos de ração, mas até agora nada recebeu:

“A Câmara ficou de trazer a ração, mas não apareceu. Falei com a veterinária municipal e ela disse que a iam entregar, já há bastante tempo. Eu já lhe tinha dito que estou a passar uma fase muito difícil.

Ardeu-me todo o feno que tinha. Tinha sete anos de rolos acumulados. Ela disse que iam entregar a ração, mas já passou bastante tempo, se calhar um mês e meio ou dois, e não me disseram mais nada.

Andaram a entregar em Vale de Ouro a pessoas a quem não ardeu o feno nem o pasto, pelo que sei. Também me disseram que não havia nenhum pedido por parte da Junta de Freguesia.

Pronto, mas, naquela altura, o pedido ficou feito e ainda não entregaram nada, já há bastante tempo.

Agora estamos a passar por uma seca e os animais não têm nada para comer.”

Vítor Oliveira acrescenta que lhe foram prometidos perto de 200 sacos de ração para os seus animais:

“São três explorações, com um efetivo que ronda os 380 a 390 animais. A veterinária municipal tem acesso aos dados e sabe exatamente quantos animais cada produtor tem.

E viu que eu tinha direito a 180 sacos de ração.”

Confrontado com esta queixa, o Município responde que houve um atraso no fornecedor, mas acrescenta que os sacos de ração serão entregues a este produtor pecuário na próxima semana.

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito por Rádio Terra Quente)

Projeto de reabilitação da estação foi o mais votado

 O projeto das obras de reabilitação da Estação Ferroviária de Mirandela, transformada em “Estação das Artes”, inauguradas no dia 25 de setembro de 2024, da autoria de uma equipa multidisciplinar da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana e do Município mirandelense foi o vencedor geral – o mais votado pelo público – da 2ª edição dos prémios dos Fundos Europeus promovidos pela Agência para o Desenvolvimento e Coesão, no âmbito do Portugal 2030 que distingue projetos cofinanciados pela União Europeia com impacto relevante em Portugal.


O projeto que presidiu às obras de reabilitação da Estação Ferroviária de Mirandela já tinha sido selecionado como um dos cinco finalistas na categoria de “Portugal mais Próximo dos Cidadãos” indicada para projetos que valorizem o desenvolvimento local, promovam a coesão social e territorial e contribuam para cidades mais sustentáveis.

Ontem, durante a Gala de entrega dos prémios, nas diversas categorias, no Centro de Congressos de Lisboa, foram distinguidos os vencedores nas diferentes categorias e o vencedor geral, aquele que o público mais votou no último mês, depois de terem sido conhecidos os finalistas.

Na categoria “Portugal mais Próximo dos Cidadãos”, onde estava como finalista o projeto de reabilitação da estação ferroviária de Mirandela, o júri atrrbuiu a vitória ao Programa Centro 2020; Projetos Âncora para a concretização da Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE Rede Aldeias do Xisto 2020 - 2ª Etapa”.

O último prémio entregue foi o mais votado pelo público entre todos os que tinham sido selecionados como finalistas e aí a vitória foi para o projeto de requalificação da estação Ferroviária de Mirandela.

IMÓVEL EMBLEMÁTICO

O edifício da antiga estação da CP tinha vindo a degradar-se, desde a desativação da linha do Tua, na década de 1990. A estação, construída em 1887, foi uma referência no transporte de mercadorias e passageiros, mas, em 1991, a CP encerrou o troço ferroviário entre Mirandela e Bragança, e desde então, o edifício, em pleno centro da cidade, ficou votado ao abandono sem qualquer tipo de requalificação.

Em setembro de 2019, foi estabelecido um acordo que permitiu a reabilitação do edifício. A câmara e a Infraestruturas de Portugal celebraram um contrato de comodato que garante o usufruto de edifícios e terrenos ao município por um período de 50 anos com o compromisso de realizar obras.

Depois de o primeiro concurso ter ficado sem propostas de concorrentes, em 2020, no ano seguinte, no segundo procedimento concursal, o Município adjudicou a obra de requalificação no valor de 2,5 milhões de euros, inserida no PEDU - Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano - financiado em 85 por cento por fundos comunitários.

Fernando Pires

Quase 200 obras de Alberto Caetano em exposição em Bragança

 Quase 200 obras do colecionador e arquiteto Alberto Caetano, doadas ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, estão expostas no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.

Quase 200 obras do colecionador e arquiteto Alberto Caetano, doadas ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, vão estar expostas, a partir de hoje, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.

O diretor do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, António Meireles, revelou à Lusa que, das 367 obras doadas pelo colecionador ao Museu do Chiado, 186 vão estar em Bragança, numa exposição que será inaugurada hoje.

A mostra conta ainda com quatro peças que foram emprestadas ao centro de Bragança por Aberto Caetano, em abril: "O Colecionador #01", de 2021, da dupla Sara & André, "Também eu deixo o relógio parar. E deixo as grades fechar. Porque isto não é uma prisão. Mas sabemos como fugir", de 2018, de Horácio Frutuoso, uma obra (sem título) da série "Caretos", de 1984, de João Vieira, e um pastel de óleo sobre tela, de 2020, de Rui Castanho.

"Esta exposição é extraordinária na sua diversidade e pela amplitude que tem das obras que a compõem, que compreende obras desde o início do século XX até à contemporaneidade, aqui há poucos anos, sendo esta diversidade, o número de autores, a qualidade dos artistas que compreende realmente um marco fundamental daquilo que é a arte contemporânea", sublinhou António Meireles.

Esta é a primeira exposição póstuma de Alberto Caetano, que morreu no mês passado. Uma "homenagem não apenas à pessoa que faleceu, mas também à figura do colecionador que perdura através da sua coleção", podendo ser apreciadas obras que o representam, como uma pintura do desenhador Abel Manta.

"Nós temos, não apenas as obras que o arquiteto escolheu, mas também aquelas que de alguma maneira o representam e que compreendem esta diversidade de uma coleção e daquilo que é o sentir e a expressão que o próprio colecionador vai imprimindo à coleção que vai adquirindo ao longo dos anos", rematou o diretor do Centro de Arte Contemporânea de Bragança.

Alberto Caetano nasceu em Lisboa, em 1959, e licenciou-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, em 1983, onde viria a lecionar entre 1992 e 2011, cerca de duas décadas, desenvolvendo em paralelo atividade de desenho, artes plásticas e projeto.

Desde meados dos anos 1980, trabalhou nas áreas de recuperação, arquitetura e design, mantendo ateliê próprio em Lisboa, desde 1990, com especial atenção à relação entre vivência poética do espaço, rigor construtivo e precisão do desenho, tendo participado também em exposições coletivas e individuais de artes plásticas entre 1975 e 1991.

Ao longo de cinco décadas, construiu uma coleção particular de arte moderna e contemporânea, fruto de uma relação próxima e continuada com muitos artistas.

Esta coleção reúne obras de artistas como Ana Jotta, Gaëtan, Miguel Ângelo Rocha, Luísa Correia Pereira, Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Mário Cesariny, Joaquim Rodrigo, Manuel Lapa, Salette Tavares, Jorge Martins e Diogo Evangelista, entre outros.

Em março deste ano, o Governo atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural na sequência da doação, "sem contrapartidas", ao Estado português, da sua coleção, como indicou, na altura, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, em comunicado, elogiando este "gesto filantrópico, raro pela sua dimensão e impacto no panorama cultural nacional", que veio reforçar "o património artístico do país e afirma Alberto Caetano como figura de referência da vida cultural portuguesa".

Alberto Caetano morreu no passado dia 04 de outubro.

A exposição "A vida pode ser feliz contigo. Obras da doação de Alberto Caetano" vai estar patente até 14 fevereiro de 2027 no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.



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