A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, considera que o primeiro ano de mandato foi marcado por uma profunda reorganização dos serviços municipais e pela preparação de projetos de investimento, criticando a falta de projetos de execução que encontrou quando assumiu funções, no final de 2025.
Durante uma sessão pública de balanço dos primeiros 12 meses à frente do Município, a autarca explicou que a prioridade foi preparar candidaturas a fundos comunitários e lançar procedimentos para obras que pretende concretizar ainda neste mandato."Quando entrámos, no final de 2025, estávamos com o PT 2030 a decorrer em pleno e com o PRR a terminar", recordou, considerando especialmente preocupante a ausência de projetos de execução preparados para aproveitar essas oportunidades de financiamento.
Isabel Ferreira comparou a situação de Bragança com a de outros municípios, onde os atuais executivos estão a inaugurar obras herdadas dos antecessores.
"O que vejo em muitos municípios à volta é os meus colegas estarem a inaugurar uma série de obras que herdaram dos executivos anteriores. Mas eu já nem sequer falo em empreitadas, falo mesmo em projetos", afirmou.
A presidente da Câmara defendeu que qualquer executivo deve manter permanentemente uma carteira de projetos preparada para responder à abertura de candidaturas.
"Temos que estar sistematicamente com projetos de execução, porque a qualquer momento pode aparecer uma oportunidade de financiamento e isso é fulcral para Bragança, porque o nosso orçamento é reduzido e está muito comprometido com a despesa", justificou.
Saneamento de Gimonde e São Bartolomeu entre os investimentos
Entre os investimentos que deverão avançar a curto prazo, Isabel Ferreira destacou a obra de saneamento em Gimonde, já em fase de adjudicação, e as intervenções previstas em São Bartolomeu e nas piscinas.
A autarca revelou ainda que o Município conseguiu aprovar uma candidatura para a construção de um Centro de Recolha Oficial de Animais, apesar de não dispor inicialmente de um projeto de execução.
A candidatura foi apresentada com um estudo prévio, sendo agora necessário concluir o projeto e iniciar a obra dentro dos prazos estabelecidos pela entidade financiadora, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.
Isabel Ferreira reconheceu que a preparação simultânea de candidaturas e empreitadas tem exigido maior esforço aos serviços municipais, mas considera indispensável aproveitar todas as oportunidades disponíveis.
"Temos que arriscar. Uma lição muito grande que trago do Governo e da Assembleia da República é que, para concretizarmos 10%, temos de ter um universo de 100", afirmou.
Quer grandes obras concluídas antes do final do mandato
A presidente da Câmara rejeitou a ideia de que um primeiro mandato autárquico deva servir apenas para preparar investimentos a concretizar posteriormente.
"Não gosto quando as pessoas dizem que no primeiro mandato não se consegue fazer nada, que é preciso mais um mandato. O meu objetivo é fazer coisas no primeiro mandato", assegurou.
Entre as intervenções que pretende ver concretizadas destacou a Praça Camões, o Rio Fervença, São Bartolomeu e o Jardim José de Almeida.
"Serei uma presidente feliz se conseguir executar tudo aquilo de que estivemos a falar, estas grandes obras", afirmou, acrescentando que pretende chegar ao final do mandato com os investimentos realizados e consolidados.
Reorganização dos serviços marcou primeiro ano
Isabel Ferreira classificou como "muito positivo" o balanço dos primeiros 12 meses, embora tenha reconhecido que o processo exigiu alterações profundas no funcionamento da autarquia.
Segundo explicou, a reorganização implicou mudanças físicas de trabalhadores, revisão de procedimentos e atualização de regulamentos municipais.
"Foi um ano de trabalho muito intenso, que envolveu o executivo, os dirigentes e os trabalhadores do Município numa nova dinâmica", sublinhou.
A presidente da Câmara reconheceu que algumas mudanças retiraram trabalhadores das suas rotinas habituais e exigiram uma adaptação a novos métodos de funcionamento.
A opção de entregar aos dirigentes e responsáveis técnicos a apresentação pública dos resultados do primeiro ano foi também assumida pela autarca como uma forma de dar transparência ao balanço.
Isabel Ferreira rejeitou as críticas de que a sessão deveria ter sido conduzida exclusivamente por responsáveis políticos, defendendo que os técnicos conhecem melhor os processos que acompanharam diretamente.
"Se a máquina não estiver alinhada, nada acontece", salientou.
A autarca considerou que a apresentação pelos próprios serviços permitiu mostrar o trabalho desenvolvido sem transformar a sessão numa intervenção exclusivamente política.
No final, manifestou satisfação com a adesão do público e destacou a proximidade que considera existir entre o executivo e os munícipes.
"Sinto muito apoio das pessoas. As pessoas não têm problemas em dizer as suas dificuldades em qualquer momento", concluiu.
António G. Rodrigues