Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 1 de novembro de 2026

Grândola Vila Morena


 Grândola, Vila Morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, Vila Morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, Vila Morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, Vila Morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

Bragança | Um ano a construir o futuro

 Um ano de trabalho, decisões e desafios. De projetos concretizados e muitos outros em curso.
O primeiro ano de mandato fica marcado pelo compromisso de responder às necessidades do concelho e de construir, todos os dias, uma Bragança melhor.

Um ano passou. O trabalho continua!

POR UM MUNDO ONDE A PAZ NÃO SEJA UM SONHO, MAS UMA REALIDADE!


Olho para este nosso planeta e pergunto. Até quando vamos permitir que o ódio, a ganância, a ambição e a sede de poder continuem a destruir vidas, famílias e sonhos?
Será assim tão difícil os homens sentarem-se à mesma mesa, conversarem, respeitarem as diferenças e encontrarem caminhos para a paz?
Afinal, todos nascemos neste mesmo mundo. Todos temos direito a viver, a amar, a sorrir, a envelhecer e a deixar aos nossos filhos e netos um futuro com esperança.
Não precisamos de mais guerras, mais armas ou mais sofrimento. Precisamos de mais humanidade, mais compreensão, mais respeito e mais amor ao próximo.
A Terra é a nossa casa. Não temos outra. E, em vez de a destruirmos, temos a obrigação de a proteger.
O meu apelo é simples, mas vem do fundo do coração: HOMENS, ENTENDAM-SE! ACABEM COM AS GUERRAS! DEIXEM-NOS VIVER EM PAZ!
Que a inteligência humana sirva para construir, e não para destruir. Que a força esteja no diálogo e que a maior vitória seja nunca mais termos de chorar por causa de uma guerra.
A paz não tem nacionalidade, não tem religião nem fronteiras. A paz é um direito de todos!
Um abraço de esperança a todos os que ainda acreditam num mundo melhor.

HM

«PSP - Autoridade para uns, proteção para outros. Dois pesos e duas medidas!»


Confesso que não consigo compreender esta dualidade de critérios por parte de uma força de segurança como a PSP.

Também não confundo a instituição com as pessoas que a representam, no terreno, e que cumprem ordens.

Não entendo como é que uma polícia que, tantas vezes, demonstra uma preocupação quase excessiva com manifestações pacíficas, legítimas e constitucionalmente protegidas, parece ter uma postura tão diferente quando chega o fim de semana e há um «clássico» de futebol.

Aí, assistimos a verdadeiros cordões policiais a proteger claques de energúmenos que insultam tudo e todos, intimidam cidadãos, provocam desacatos, destroem estabelecimentos comerciais, devastam bares e cafés e, em situações extremas, transformam cidades em autênticos cenários de guerra.

E a pergunta impõe-se! como é possível a PSP mostrar tanta determinação perante cidadãos que exercem pacificamente o seu direito à manifestação e, ao mesmo tempo, mobilizar enormes dispositivos policiais para proteger quem, tantas vezes, se comporta como se estivesse acima da lei?

Como é possível que manifestantes pacíficos sejam confrontados com bastões, enquanto indivíduos que promovem a violência, a intimidação e a destruição encontram na mesma polícia uma espécie de escudo protetor?

Afinal, qual é o critério? Onde está a proporcionalidade? E onde fica a igualdade de tratamento perante a lei?

A polícia existe para proteger os cidadãos, garantir a ordem pública e fazer cumprir a lei. Não para intimidar quem protesta pacificamente, nem para servir de guarda-costas a quem faz do vandalismo, da violência e da prepotência uma forma de estar.

E deixo uma pergunta, talvez incómoda. Porque não permitir que estas claques assumam a responsabilidade pelos seus próprios comportamentos, intervindo a polícia de forma firme e proporcional quando, e se, efetivamente houver crimes, agressões ou atos de vandalismo?

A autoridade não se mede pela quantidade de bastonadas distribuídas aos mais vulneráveis, nem pela dimensão dos cordões policiais montados para proteger os mais perigosos. Mede-se pela coragem de aplicar a lei a todos, sem medo, sem favoritismos e sem dois pesos e duas medidas.

Ou será que o Governo não está à altura do exigível?

A lei é a mesma para todos. Ou, pelos vistos, deveria ser.

Claro que assumo, como sempre, a polémica que o texto possa levantar.

HM
1 de Novembro de 2026

LENGALENGA - TENHO UM MACACO


Tenho um macaco
Dentro de um saco
Não sei que lhe faça
Não sei que lhe diga
Dou-lhe um pau
Diz que é mau
Dou-lhe um osso
Diz que é grosso
Dou-lhe um chouriço
Isso, isso.
➖
Fonte: VELHAS LENGALENGAS
E RIMAS DO ARCO-DA-VELHA
[Compilado pela equipa do Luso-Livros]

CERCIMAC CELEBRA 20 ANOS COM QUATRO NOVAS ESTRUTURAS DE APOIO EM MACEDO DE CAVALEIROS

 A Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Macedo de Cavaleiros (CERCIMAC) assinalou 20 anos de atividade com a inauguração de quatro intervenções destinadas a reforçar o apoio a pessoas com deficiência ou incapacidade.


O investimento, de cerca de 1,9 milhões de euros, permite alargar a capacidade de resposta da instituição e criar melhores condições para a promoção da autonomia e inclusão dos utentes.

As obras agora inauguradas, em Macedo de Cavaleiros, incluem uma segunda unidade do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI), duas Residências de Autonomização e Inclusão (RAI) e a ampliação do Lar Residencial. Com esta última intervenção, a capacidade da estrutura passou de 24 para 30 lugares, permitindo acolher mais pessoas.

As novas respostas sociais representam um reforço dos serviços disponibilizados pela instituição, procurando proporcionar diferentes oportunidades de desenvolvimento pessoal, autonomia e participação ativa na comunidade. O objetivo passa também por melhorar a qualidade de vida dos utentes e das respetivas famílias, através de estruturas mais adequadas às suas necessidades.

A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, que destacou o trabalho desenvolvido pela CERCIMAC ao longo das últimas duas décadas e a importância da instituição no acompanhamento das pessoas com deficiência ou incapacidade e das suas famílias. O autarca sublinhou ainda a necessidade de continuar a investir em respostas sociais que promovam a igualdade de oportunidades, a dignidade e a inclusão.

Marcou também presença a secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, além dos restantes membros do Executivo Municipal e de representantes de diversas entidades e instituições.

Ao assinalar duas décadas de atividade, a CERCIMAC reforça a sua intervenção social em Macedo de Cavaleiros, com novas estruturas que procuram dar resposta às necessidades da população e acompanhar os percursos de vida das pessoas com deficiência ou incapacidade.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

CIDÕES VOLTOU A ACENDER A MAGIA E O MISTICISMO COM A FESTA DA CABRA E DO CANHOTO

 A aldeia de Cidões, no concelho de Vinhais, voltou a transformar-se num cenário de magia, fogo e tradição com mais uma edição da Festa da Cabra e do Canhoto, realizada este sábado, 31 de outubro. Uma celebração profundamente ligada à cultura popular transmontana que, ano após ano, atrai centenas de visitantes.


Em pleno coração de Trás-os-Montes, a noite ficou marcada por um ambiente envolvente, onde o misticismo, os rituais ancestrais e as manifestações da cultura popular assumem o protagonismo. A festa recupera simbolismos e costumes associados às antigas celebrações de outono, mantendo viva uma tradição que distingue a identidade da aldeia.

Uma das figuras centrais é o “Cabrão”, personagem que desperta a curiosidade e a atenção de quem visita Cidões. No entanto, é a sua queima que constitui um dos momentos mais aguardados da noite, num ritual carregado de simbolismo e que reúne os participantes em torno do fogo.

A programação integrou ainda vários momentos tradicionais, com animação ao longo da noite, incluindo a participação de grupos de gaiteiros e outras expressões da cultura popular, contribuindo para recriar o ambiente característico desta celebração.

A Festa da Cabra e do Canhoto afirma-se, assim, como um momento de valorização do património cultural imaterial e de preservação dos costumes transmitidos entre gerações.

Mais do que uma festa, é uma celebração da memória coletiva e da identidade de uma comunidade que continua a manter vivas as suas tradições e a partilhá-las com quem chega de fora.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

FESTA DA MONTANHA DESTACA CASTANHA COM SEMINÁRIO E MÚSICA TRADICIONAL EM SAMBADE

 A castanha esteve em destaque na Festa da Montanha 2026, em Sambade, no concelho de Alfândega da Fé, com a realização do 12.º Seminário da Castanha, que ocupou a manhã deste domingo.


A iniciativa reuniu momentos de partilha de conhecimentos em torno de um dos produtos mais emblemáticos da localidade e de grande importância para a identidade do território.

O seminário proporcionou um espaço de reflexão e troca de experiências sobre este fruto, valorizando a sua produção e o papel que desempenha na economia e nas tradições locais.

A programação da Festa da Montanha continua durante a tarde, com uma componente cultural e musical. Os Grupos de Cantares de Alfândega da Fé e de Sambade, bem como Ruizinho de Penacova, sobem ao palco para animar os visitantes e dar voz às tradições populares da região.

A iniciativa pretende valorizar os produtos da terra, preservar os costumes locais e promover o património cultural de Sambade, reunindo a comunidade e os visitantes em torno da castanha, da música e das tradições.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

MAIS DE 100 PARTICIPANTES NA PROVA DE DEGUSTAÇÃO DE VINHOS DE FREIXO DE ESPADA À CINTA

 Os vinhos de Freixo de Espada à Cinta estiveram em destaque este sábado, 31 de outubro, numa prova de degustação que reuniu mais de 100 participantes no âmbito do “Sabores & Tradições”. A iniciativa, já habitual na programação do certame, voltou a dar palco aos produtores locais e à qualidade da produção vitivinícola do concelho.


A sessão decorreu na tenda de eventos, instalada junto ao Auditório Municipal e Jardim da Seda, e contou com a participação de seis produtores e marcas: Montes Ermos, EspadaCinta Vinhos, Quinta dos Castelares, Maritávora, PORTTABLE e BARC Family Wine. Ao longo da prova, foram apresentados diferentes vinhos produzidos no concelho, dando a conhecer a diversidade da oferta local.

Uma das novidades desta edição foi a alteração da ordem de apresentação dos vinhos, com os brancos a serem degustados em primeiro lugar, seguindo-se os tintos. A organização pretendeu, desta forma, melhorar a experiência dos participantes e dar continuidade à evolução desta iniciativa, que já se tornou uma tradição no programa do “Sabores & Tradições”.

O presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira, agradeceu a participação dos produtores e a adesão do público, destacando a importância dos vinhos locais enquanto produto de referência e veículo de promoção do concelho, tanto no mercado nacional como internacional.

Durante a iniciativa, o autarca anunciou ainda que, em 2027, o Município pretende marcar presença em várias feiras internacionais de referência, com o objetivo de promover os vinhos do concelho e reforçar a sua notoriedade junto dos mercados externos.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

Hora de almoço

FREIXO DE ESPADA À CINTA QUER ELEVAR IGREJA MATRIZ A BASÍLICA MENOR E APOSTA NA VALORIZAÇÃO DA SEDA

 Freixo de Espada à Cinta tem em perspetiva dois projetos que poderão reforçar a valorização do património e dos recursos locais: a elevação da Igreja Matriz a Basílica Menor e a criação de novas oportunidades para a produção de seda natural.


A autarquia apresentou um pedido ao Vaticano para que a Igreja Matriz de Freixo de Espada à Cinta possa receber o título de Basílica Menor, uma distinção que pretende reconhecer a importância histórica, religiosa e patrimonial do templo.

A eventual elevação a Basílica Menor poderá reforçar a projeção do património religioso de Freixo de Espada à Cinta e contribuir para a afirmação do concelho no âmbito do turismo cultural e religioso.

Outro dos projetos em desenvolvimento está relacionado com a seda natural, uma das marcas identitárias do concelho. Estão a decorrer negociações com uma marca francesa, tendo em vista novas oportunidades de utilização e valorização desta matéria-prima.

Freixo de Espada à Cinta é o único território de toda a Península Ibérica onde a produção e laboração de seda natural se mantém de forma totalmente artesanal, recorrendo a instrumentos seculares de madeira e a técnicas transmitidas entre gerações.

Esta atividade representa um património cultural e económico de grande importância para o concelho, mantendo vivo um saber-fazer tradicional que distingue Freixo de Espada à Cinta.

Com estas duas apostas, o município pretende valorizar o património histórico e religioso e criar novas oportunidades para um dos produtos mais emblemáticos do território.

Jornalista: Ana Luísa Lopes

FREIXO DE ESPADA À CINTA CELEBROU TRADIÇÕES POPULARES COM MÚSICA, ETNOGRAFIA E JOGOS TRADICIONAIS

 A música tradicional, a etnografia popular e os jogos que fazem parte da identidade local estiveram em destaque no segundo dia do evento “Sabores & Tradições”, em Freixo de Espada à Cinta.


Este sábado, 31 de outubro, a programação ficou marcada por várias atuações de grupos tradicionais e pela realização de mais uma edição do Torneio da Malha.

Na tenda de eventos, os bombos “BOMB’AII”, os Gaiteiros Roleses, a Associação Zangarrão de Lagoaça e o grupo «Simphogaitas» levaram ao público diferentes expressões da cultura popular, com atuações que deram ritmo e animação ao certame. Os espetáculos proporcionaram momentos de convívio e permitiram valorizar manifestações etnográficas representativas do território.

Paralelamente, durante o início da tarde, a Rua Vale de Madeira recebeu o Torneio da Malha, uma competição dedicada a um dos jogos tradicionais do concelho, que continua a mobilizar participantes e público. A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Nuno Ferreira, e do vice-presidente, Pedro Vicente, que acompanharam a competição e agradeceram a participação dos jogadores na preservação desta tradição.

Através destas atividades, o «Sabores & Tradições» voltou a dar espaço às manifestações culturais e aos costumes que marcam a identidade de Freixo de Espada à Cinta, reunindo diferentes gerações em torno da música, da tradição e dos jogos populares.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

sábado, 31 de outubro de 2026

Carta a Bragança do ano de 2076

No dia 1 de setembro de 2026 fui convidado, pelo Município de Bragança, a participar na iniciativa “Bragança 2076”, no âmbito das comemorações dos 50 anos do Poder Local Democrático.

A Cápsula do Tempo “Bragança e o Poder Local: 1976-2026-2076”, irá reunir mensagens, testemunhos e contributos de cidadãos, escolas, empresas, associações e instituições do concelho, ficando simbolicamente guardada para ser aberta no futuro.

Jamais poderia deixar de dar o meu contributo para uma iniciativa pioneira na nossa terra através de uma mensagem dirigida a quem viver em Bragança no ano 2076.

Como alguns de nós já não estaremos por "estas bandas" quando a cápsula for aberta, e mesmo que o meu contributo não seja um dos “eleitos” para a posteridade, aqui fica para os que agora ainda o podem ler.

➖➖➖

Carta a Bragança do ano de 2076
De: Bragança em 2026

A quem abrir esta cápsula em 2076, e de quem vos imaginou sem vos conhecer


Se estas palavras chegaram até vós, significa que já passaram cinquenta anos desde que as escrevi.

Cinquenta anos, uma distância que, para quem escreve em 2026, parece simultaneamente imensa e breve. É o tempo que demora uma infância a transformar-se em velhice, de uma árvore crescer até tocar o céu, de uma casa mudar de moradores, de uma praça assistir a milhares de encontros, partidas e regressos. É o tempo suficiente para uma cidade mudar de rosto, mas talvez não suficiente para mudar aquilo que verdadeiramente a torna uma cidade.

Escrevo-vos sem saber quem sois.

Não sei como são as vossas casas, como vos deslocais pelas ruas, como estudais, como trabalhais, como amais ou como vos encontrareis uns aos outros. Não sei que palavras novas inventastes, que tecnologias vos acompanham, que doenças vencestes, que guerras evitastes ou que desafios vos obrigaram a reinventar a maneira de viver.

Não sei sequer se ainda chamais Bragança a esta terra. Mas imagino que sim.

Quero acreditar que, quando abrirdes esta cápsula, ainda reconhecereis qualquer coisa daquilo que somos.

Talvez uma paisagem.

Talvez uma manhã fria.

Talvez o contorno das serras.

Talvez o castelo.

Talvez o sabor de um produto da terra.

Talvez uma história contada pelos mais velhos.

Talvez o sotaque de alguém que, ao pronunciar o nome de uma aldeia, ainda consiga transportar-vos para uma infância que já não existe.

Uma terra não é apenas aquilo que se constrói sobre o chão. Uma terra é também aquilo que se constrói dentro das pessoas.

Em 1976, Bragança iniciou um novo ciclo de poder democrático. Era um tempo em que Portugal ainda aprendia a respirar plenamente a liberdade. A democracia dava os primeiros passos, as instituições locais começavam a ganhar uma nova responsabilidade e as comunidades descobriam, pouco a pouco, que o futuro de um território também podia ser pensado e decidido por aqueles que nele viviam.

Desde então, passaram cinco décadas. Cinquenta anos de escolhas.

Cinquenta anos de obras e projetos, de acertos e erros, de sonhos concretizados e outros que ficaram pelo caminho. Cinquenta anos em que diferentes gerações olharam para Bragança e procuraram responder à mesma pergunta, ainda que com palavras diferentes:

Como podemos deixar esta terra melhor do que a encontrámos?

A resposta nunca foi definitiva. Nunca poderia ser.

Governar uma cidade, uma vila, uma aldeia ou um concelho não é apenas construir edifícios, abrir estradas, criar serviços ou desenhar planos. É, sobretudo, tomar decisões sobre a vida das pessoas. É decidir onde se constrói, mas também onde se preserva. É criar oportunidades sem destruir raízes. É preparar o amanhã sem esquecer aqueles que precisam de respostas hoje.

Ao longo destas cinco décadas, Bragança mudou.

Mudou a cidade. Mudaram as freguesias. Mudaram os caminhos.

Mudaram as escolas, os serviços, as instituições, as empresas, as formas de trabalhar e de comunicar. Mudaram as expectativas das pessoas.

E mudou também a relação entre Bragança e o mundo.

Uma terra que durante séculos aprendeu a viver com a distância passou, progressivamente, a viver num mundo em que a distância pode ser vencida por uma estrada, uma ligação digital, uma ideia ou uma oportunidade.

Mas há uma coisa que nunca deveria mudar, a consciência de que o desenvolvimento só vale verdadeiramente a pena quando melhora a vida das pessoas.

Bragança em 2076

E agora cabe-nos imaginar-vos.

Como será Bragança quando o século XXI já tiver atravessado a sua segunda metade?

Talvez olheis para 2026 como nós hoje olhamos para 1976. Com alguma ternura, alguma surpresa e, talvez, alguma dificuldade em compreender como vivíamos com tantas limitações.

Talvez vos pareça estranho que os automóveis ocupassem tanto espaço nas cidades. Talvez estranheis que muitas tarefas dependessem das mãos humanas. Talvez os vossos sistemas de inteligência artificial vos expliquem que, em 2026, a medicina, a educação e a ciência estavam ainda a dar os primeiros passos naquilo que hoje considerais banal.

Talvez já não exista a palavra "smartphone" porque nenhum objeto seja necessário para comunicar.

Talvez atravesseis a cidade em veículos autónomos, silenciosos, não poluentes e partilhados.

Talvez as casas produzam a própria energia, armazenem água, regulem automaticamente a temperatura e saibam, antes de nós, aquilo de que precisamos.

Talvez muitas profissões que conhecemos tenham desaparecido e outras, que hoje nem conseguimos imaginar, sejam consideradas essenciais.

Talvez uma criança em 2076 possa aprender com um professor situado a milhares de quilómetros, viajar virtualmente até Marte numa aula de História da Ciência e conversar com uma reconstrução digital de uma pessoa que morreu há alguns séculos.

Talvez a tecnologia seja tão invisível na vossa vida que já não faleis dela. Talvez o que para nós era extraordinário tenha deixado de vos surpreender.

E, no entanto, desejo que ainda haja coisas que a tecnologia não tenha conseguido substituir.

Desejo que ainda haja alguém sentado, à sombra de uma árvore, na Praça da Sé..

Que ainda haja crianças a correr.

Que ainda haja pessoas que se encontrem simplesmente para conversar.

Que ainda se ouça o sino de uma igreja.

Que ainda haja festas nas aldeias.

Que ainda se cozinhe para a família.

Que ainda existam histórias contadas de avós para netos.

Que ainda haja quem pare diante de uma paisagem sem necessidade de a fotografar.

E que ainda exista tempo. Tempo para os humanos.

Gostaria que em 2076 Bragança fosse uma cidade mais verde, mais inteligente, mais inclusiva e mais próspera.

Mas, acima de tudo, gostaria que fosse mais humana.

Imagino uma Bragança onde a tecnologia esteja ao serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço da tecnologia.

Uma cidade em que os edifícios sejam energeticamente eficientes, em que a água seja tratada como um bem precioso, em que as ruas tenham sombra, árvores e espaços de encontro, em que a mobilidade seja limpa e acessível e os passeios não tenham buracos, e em que respirar ar puro não seja um privilégio.

Imagino um concelho em que as aldeias não sejam lembradas apenas como lugares de memória, mas como lugares vivos.

Que as nossas freguesias tenham futuro.

Que nelas nasçam crianças.

Que existam casas habitadas e escolas abertas.

Que haja comércio, cultura, serviços, trabalho e comunidade.

Que a juventude não tenha de partir porque partir é a única maneira de construir uma vida. E, se partir, que possa regressar.

Que Bragança seja suficientemente aberta para acolher quem chega e suficientemente forte para fazer regressar quem partiu.

Gostaria que em 2076 ninguém perguntasse se é possível viver longe dos grandes centros.

Que a resposta fosse simples. É possível viver bem aqui!

Viver, estudar, trabalhar, criar uma empresa, fazer ciência, cuidar dos outros, envelhecer com dignidade, constituir família, desenvolver arte, praticar desporto, participar na comunidade.

Viver plenamente.

Bragança tem uma característica que talvez continue a ser uma das suas maiores riquezas. Somos interior, mas somos também fronteira. Somos portugueses, mas vivemos junto a uma cultura que nos lembra diariamente que nenhuma fronteira consegue separar completamente os povos.

Desejo que 2076 Bragança tenha transformado essa condição geográfica numa vantagem.

Que seja uma verdadeira cidade de ligação entre culturas, pessoas, conhecimento e oportunidades.

Que a fronteira não seja uma linha que separa, mas um caminho que aproxima.

Que Espanha continue a ser vizinha, parceira e presença quotidiana.

Que Bragança seja conhecida não por estar longe, mas por estar ligada.

Ligada às pessoas.

Ligada à Europa.

Ligada ao conhecimento.

Ligada à ciência.

Ligada à economia.

Ligada à cultura.

Ligada ao mundo.

Mas sem nunca deixar de estar ligada a si própria.

Há também uma pergunta que talvez em 2076 seja mais urgente do que aquela que hoje conseguimos formular. Será que conseguimos cuidar da terra?

Nós, em 2026, já sabemos que o clima está a mudar. Sabemos que as florestas precisam de proteção. Sabemos que a água não é infinita. Sabemos que os incêndios podem destruir em horas aquilo que levou décadas a crescer. Sabemos que a biodiversidade é frágil.

Sabemos que aquilo que fazemos hoje pode determinar a qualidade de vida daqueles que ainda não nasceram.

Mas saber não chega. É preciso agir.

Por isso, quando abrirdes esta cápsula, espero que possais olhar à vossa volta e reconhecer uma paisagem viva.

Espero que as serras continuem a ter árvores.

Que os rios continuem a correr com água límpida.

Que os animais ainda encontrem abrigo.

Que os campos não tenham desaparecido completamente.

Que as estações do ano ainda tenham significado.

Que ainda saibais distinguir o cheiro da terra molhada depois da chuva.

E que ninguém vos tenha obrigado a escolher entre desenvolvimento e natureza. A natureza não é um obstáculo ao futuro. É a condição do futuro.

Aos jovens de 2076 sugeria uma pergunta:

 - Perguntai-nos o que fizemos nós, em 2026, para que pudésseis ficar nesta terra?

Talvez esta seja uma das questões mais importantes para qualquer território do interior.

Durante décadas, muitas terras perderam jovens para as cidades maiores, para o litoral, para outros países. A partida tornou-se, muitas vezes, sinónimo de ambição.

Espero que, quando lerdes estas palavras, já não seja assim.

Espero que uma pessoa jovem de Bragança possa sonhar alto sem que lhe digam que, para realizar o sonho, terá necessariamente de abandonar a sua terra.

Que possa querer ser cientista, engenheiro, artista, agricultor, professor, médico, empresário, investigador, programador, escritor ou artesão e encontrar aqui uma possibilidade.

Não necessariamente a resposta inteira, mas pelo menos a primeira oportunidade.

Uma cidade sem jovens pode conservar monumentos, estradas, jardins e edifícios. Mas perde uma coisa que nenhuma obra pública consegue construir. O futuro!

Cuidai, por isso, dos jovens. Escutai-os. Não lhes ofereçais apenas discursos sobre o futuro. Dai-lhes espaço para o construir.

Mas se vos peço que cuideis da juventude, peço-vos também que não esqueçais os mais velhos.

É provável que em 2076 a esperança média de vida seja muito superior à de hoje. Talvez a medicina consiga prolongar a vida por muitas décadas. Talvez algumas doenças que hoje nos assustam sejam apenas capítulos ultrapassados dos livros de História.

Mas viver mais não significa necessariamente viver melhor.

Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida será aquela em que ninguém se torna invisível por envelhecer.

Desejo que os idosos de Bragança em 2076 tenham companhia, cuidados, autonomia, dignidade e voz. Que a velhice não seja sinónimo de isolamento e que as novas gerações compreendam que os rostos envelhecidos transportam consigo uma biblioteca inteira.

É nesses rostos envelhecidos que estão as memórias que não existem nos arquivos. É nesses rostos envelhecidos que estão histórias de trabalho, de pobreza, de migração, de amor, de perda, de resistência, de festas, de invernos rigorosos, de estradas difíceis e de uma vida que foi, tantas vezes, construída com muito menos do que aquilo que hoje consideramos necessário.

Não destruam essa memória.

Uma comunidade que perde a memória perde também a capacidade de saber quem é.

Talvez daqui a cinquenta anos muitas das coisas que hoje consideramos fundamentais sejam diferentes.

Mas há valores que gostaria de vos entregar como quem entrega uma pequena chama para iluminar e aquecer a noite.

Liberdade.

Democracia.

Solidariedade.

Respeito.

Justiça.

Honestidade.

Coragem.

Sentido de comunidade.

Não são palavras antigas. São palavras que precisam de ser reinventadas em cada geração.

A democracia não deve ser tratada como uma peça de museu. É preciso cuidar dela.

Participar.

Questionar.

Discordar.

Ouvir. 

Aceitar que o outro possa pensar de maneira diferente.

E lembrar que uma comunidade não é feita apenas daqueles que concordam connosco. É feita também daqueles com quem discordamos, mas com quem partilhamos a mesma rua, a mesma praça, a mesma escola, a mesma paisagem e, em última instância, o mesmo destino.

Talvez em 2076 a expressão "poder local" vos pareça antiquada.

Talvez as estruturas administrativas tenham mudado. Talvez as cidades sejam governadas através de sistemas que hoje nem conseguimos conceber.

Mas espero que uma coisa permaneça. A proximidade.

Que quem toma decisões continue a saber que por detrás de cada número exista uma pessoa.

Que por detrás de cada estatística exista uma história.

Que por detrás de cada mapa exista uma casa e um lar.

Que por detrás de cada orçamento exista uma necessidade.

E que por detrás de cada decisão exista uma responsabilidade.

O poder local nasceu, em democracia, para aproximar a decisão das pessoas. Cinquenta anos depois, essa proximidade continua a ser uma das maiores riquezas de uma comunidade.

Não podeis permitir que a eficiência substitua a empatia. 

Não deveis permitir que os algoritmos decidam aquilo que só os seres humanos podem compreender.

Uma cidade pode ser inteligente mas precisa, antes de tudo, de ser sábia.

Quando abrirdes esta cápsula, talvez quase tudo tenha mudado. Mas há coisas que gostaria que ainda encontrásseis.

Gostaria que ainda soubésseis o que significa ser Bragançano.

Não como uma identidade fechada, orgulhosa de si própria, ou arrogante, ao ponto de excluir os outros, mas como uma forma de pertença generosa.

Gostaria que ainda sentísseis orgulho desta terra.

Do seu castelo.

Das suas aldeias.

Da sua gastronomia.

Da sua cultura.

Das suas tradições.

Das suas gentes.

Das histórias familiares.

Das paisagens.

Do inverno.

Até do frio.

Uma identidade não é um inventário de monumentos. É uma relação afetiva com um lugar e essa relação não pode ser construída por decreto. Passa de geração em geração.

Uma avó ensina uma receita.

Um pai conta uma história.

Uma criança aprende o nome de uma serra.

Um grupo de amigos encontra-se numa praça.

Uma comunidade celebra uma festa.

Um agricultor conhece a terra pelo cheiro.

Um emigrante regressa e reconhece a paisagem antes mesmo de chegar a casa.

É assim que um território permanece vivo.

Há uma coisa que talvez deva confessar-vos.

Nós, em 2026, não sabemos se estamos a fazer tudo bem.

Provavelmente não.

Errámos.

Adiaram-se decisões.

Destruíram-se coisas que talvez devessem ter sido preservadas. Construíram-se outras que talvez pudessem ter sido diferentes.

Houve oportunidades perdidas. Houve sonhos que não se cumpriram. Houve pessoas que partiram porque não encontraram aqui o futuro que procuravam.

Mas também houve coragem.

Houve gente que ficou.

Houve gente que voltou.

Houve pessoas que trabalharam sem saber se veriam os frutos do seu esforço.

Houve professores que ensinaram crianças que hoje já não são crianças.

Houve agricultores que cuidaram da terra.

Houve trabalhadores que construíram ruas e casas.

Houve empresários que arriscaram.

Houve associações que mantiveram comunidades unidas.

Houve autarcas e funcionários públicos que serviram a causa comum.

Houve cidadãos que, muitas vezes sem reconhecimento, fizeram aquilo que todas as cidades precisam para sobreviver. Cuidaram uns dos outros.

É a essas pessoas que também pertence Bragança.

Se pudesse deixar-vos apenas um conselho, seria este. Não recebais o futuro como uma herança. Recebei-o como uma responsabilidade.

Uma herança é algo que se recebe. Uma responsabilidade é algo que se transforma.

Quando abrirdes esta cápsula, Bragança não será a Bragança que nós imaginámos.

E ainda bem.

Cada geração tem o direito de inventar o seu próprio futuro.

Não queremos que vivais exatamente como nós imaginámos. Queremos que tenhais a liberdade de imaginar melhor.

Se encontrardes nesta carta alguma previsão errada, deveis sorrir.

Se encontrardes um sonho que se concretizou, celebrai.

Se encontrardes um sonho que não se cumpriu, perguntai porquê.

E se encontrardes alguma coisa que vos pareça impossível, lembrai-vos de que também nós, em 2026, vivíamos num mundo que os habitantes de 1976 dificilmente conseguiriam imaginar.

O futuro nunca é tão improvável como parece. Nem tão garantido. É feito de escolhas.

Talvez, no dia em que esta cápsula for aberta, alguém se pergunte:

"O que pensavam eles de nós?"

Pensávamos em vós. Sem vos conhecer.

Pensávamos nos vossos filhos. Nos vossos netos. Nas vossas escolas. Nas vossas casas. Nas vossas ruas. Nos vossos sonhos.

Pensávamos na Bragança que gostaríamos de vos entregar. E talvez a nossa maior esperança fosse esta. Que não tivésseis vergonha de nós.

Que olhásseis para 2026 vendo uma geração que tentou. Uma geração que sabia que o tempo estava a mudar.

Que sabia que o planeta estava a pedir cuidado.

Que sabia que a tecnologia podia transformar tudo.

Que sabia que as comunidades do interior precisavam de novas oportunidades.

Que sabia que a democracia nunca está definitivamente conquistada.

E que, apesar de todas as dúvidas, decidiu continuar a construir.

Imagino o momento em que esta cápsula for aberta.

Talvez seja primavera. Talvez uma manhã luminosa. Talvez haja crianças por perto. Talvez alguém leia estas palavras em voz alta.

E enquanto essa voz atravessa o ar, imagino Bragança lá fora.

O sol sobre as pedras.

As árvores agitadas pelo vento.

As montanhas ao longe.

As casas.

As ruas.

As pessoas.

E, algures, talvez ainda exista alguém a olhar para o horizonte e a perguntar o que virá depois.

É nesse instante que espero que compreendais uma coisa. Nós também fizemos essa pergunta.

Em 2026, não sabíamos como seria Bragança em 2076.

Tal como, em 1976, ninguém poderia saber exatamente como teria sido Bragança em 2026.

Mas havia algo que atravessou esses cinquenta anos.

A vontade de continuar.

A vontade de construir.

A vontade de pertencer.

A vontade de deixar alguma coisa melhor para quem viesse depois.

É essa vontade que vos entregamos.

Não uma cidade perfeita.

Não uma história sem erros.

Não um futuro pronto.

Entregamos-vos apenas uma chama.

Cuidai dela.

Acrescentai-lhe a vossa luz.

Corrigi o que estiver errado.

Protegei o que merecer ser protegido.

Mudai aquilo que tiver de ser mudado.

E, sobretudo, não deixeis que Bragança seja apenas o lugar onde nascestes ou onde viveis. Fazei dela, geração após geração, um lugar onde valha a pena viver.

Quando voltardes a abrir uma cápsula como esta, daqui a outros cinquenta anos, talvez alguém vos escreva a partir de 2126.

Talvez então compreendais aquilo que hoje apenas conseguimos imaginar. Nenhuma geração possui verdadeiramente uma cidade.

Cada geração recebe-a por um instante.

Cuida dela durante esse instante.

E entrega-a, depois, às mãos de quem ainda não chegou.

Nós estamos agora nesse instante. Vós estais no seguinte.

E Bragança continuará entre ambos, como uma ponte feita de tempo, memória e esperança.

Que em 2076 ainda saibais olhar para esta terra e dizer, com orgulho e ternura.

“Esta é a nossa Bragança.”

E que, nesse momento, alguma criança vos pergunte:

“E como era Bragança em 2026?”

Contai-lhe.

Contai-lhes tudo.

Mas, sobretudo, dizei-lhe que houve uma geração que, há cinquenta anos, se atreveu a imaginar o futuro.

E que teve a esperança de que esse futuro seria melhor.

Com esperança,

Henrique Martins

Uma voz de Bragança no mês de setembro do ano de 2026

HM

𝑨 𝑷𝒓𝒆𝒔𝒊𝒅𝒆𝒏𝒕𝒆 𝑬𝒙𝒑𝒍𝒊𝒄𝒂 - Outubro - 2026

Esta é uma rubrica mensal dedicada a apresentar, de forma próxima e transparente, um balanço dos principais acontecimentos e decisões do Município.

Saiba mais AQUI.

A Paz é possível...

𝗣𝗮𝗿𝘁𝗶𝗹𝗵𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗶𝗴𝗼 𝗼𝘀 𝗺𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗺𝗼𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝟭° 𝗱𝗶𝗮 𝗱𝗼𝘀 "𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 & 𝗧𝗿𝗮𝗱𝗶çõ𝗲𝘀" 𝟮𝟬𝟮𝟲 𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝗙𝗿𝗲𝗶𝘅𝗼 𝗱𝗲 𝗘𝘀𝗽𝗮𝗱𝗮 à 𝗖𝗶𝗻𝘁𝗮 (𝟯𝟬 𝗱𝗲 𝗼𝘂𝘁𝘂𝗯𝗿𝗼)

O primeiro dia da 𝗙𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗮 𝗠𝗼𝗻𝘁𝗮𝗻𝗵𝗮 foi assim...

FREIXO DE ESPADA À CINTA REÚNE SABORES, TRADIÇÕES E PRODUTORES LOCAIS

 Freixo de Espada à Cinta está a receber mais uma edição dos «Sabores & Tradições», um certame que decorre até domingo, 1 de novembro. Ao longo de três dias, a iniciativa reúne produtores locais e dá destaque à gastronomia, aos produtos endógenos e às tradições do concelho. 
A valorização da economia local e a promoção turística do território estão também em evidência, numa celebração da identidade de Freixo de Espada à Cinta.

Jornalista: Ana Luísa Lopes

As histórias escondidas nas plantas: quem planta os carvalhos?

Há milhares de carvalhos com histórias escondidas sobre a sua origem nas florestas do nosso país. Carine Azevedo leva-nos numa viagem pelas “aventuras” de uma bolota e revela-nos os seus mistérios. São eles que ditam o destino de árvores que podem chegar, ou não, a centenárias.

Gaio. Foto: Jerzystrzelecki / Wiki Commons

Uma bolota caída no chão de um bosque pode passar facilmente despercebida. Está entre folhas secas, pequenos ramos e pedaços de casca, debaixo de uma árvore que talvez a tenha produzido. À primeira vista, parece que a sua história começa e acaba ali: caiu, ficou no chão e talvez venha a germinar naquele lugar e dar origem a uma nova árvore.

Mas, se as bolotas caem junto dos carvalhos que as produziram, como surgem novos exemplares a vários metros de distância, ou mesmo em clareiras afastadas do bosque?

Carvalho-alvarinho, um habitante de florestas nativas na Península Ibérica. Foto: Joanna Boisse/Wiki Commons

Para responder a esta pergunta, temos de seguir a viagem de uma bolota.

Uma viagem para lá da árvore

No outono, quando os carvalhos produzem as suas bolotas, o chão dos bosques pode ficar coberto destas sementes. Para muitos animais, é uma época de abundância alimentar. Entre eles está o gaio-comum (Garrulus glandarius), uma ave que se alimenta de bolotas, mas que nem sempre as consome no local onde as encontra.

Em vez disso, recolhe-as e transporta-as para outros locais, onde as esconde no solo ou entre a vegetação. Estes esconderijos funcionam como reservas de alimento para os meses seguintes.

Mais tarde, regressa a alguns desses esconderijos para recuperar as bolotas armazenadas, mas nem sempre as consegue encontrar a todas. 

É aqui que a história muda.

Algumas bolotas permanecem esquecidas no solo e, se continuarem viáveis e encontrarem condições favoráveis, podem germinar e dar origem a novas árvores.

Gaio a transportar uma bolota. Foto: Otars Opermanis/Wiki Commons

Além disso, ao transportar as bolotas para longe da planta-mãe, o gaio pode levá-las para lugares onde, de outra forma, dificilmente chegariam por si próprias. Sem o pretender, acaba por contribuir para a dispersão dos carvalhos.

Nem todas as bolotas escondidas se tornam árvores

Mas chegar a outro lugar é apenas o início da viagem. 

Uma bolota esquecida no solo pelo animal que a guardou pode ser encontrada por outro consumidor, ou perder a capacidade de germinar antes de encontrar condições favoráveis para dar origem a uma nova árvore.

Os gaios não são os únicos animais a alimentar-se de bolotas. Os ratos-do-campo (Apodemus sylvaticus) e outros roedores também recolhem sementes e criam reservas de alimento. 

Ainda no outro dia, num passeio por um carvalhal, encontrei numerosas bolotas espalhadas pelo chão e sinais da presença de javalis (Sus scrofa). Também estes animais fazem parte da história dos carvalhos. Alimentam-se de bolotas, remexem o solo à sua procura e podem alterar o destino de muitas sementes e das jovens plantas que encontram pelo caminho. 

O efeito destes animais na regeneração do carvalhal depende, por isso, das circunstâncias. A sua atividade pode alterar o destino das sementes, mas não significa necessariamente que esteja a favorecer o aparecimento de novos carvalhos.

Ser transportada para longe pode aumentar as possibilidades de uma bolota chegar a um local favorável, mas não garante que venha a nascer uma nova árvore. Entre o esconderijo de um gaio ou de um rato-do-campo e o aparecimento de um novo carvalho, há ainda um longo caminho a percorrer.

Carvalho-negral. Foto: Luis Fernández García/WikiCommons

É por isso que uma bolota esquecida não é ainda um futuro carvalho. Significa apenas que a sua história continua.

O que acontece depois de germinar?

Se uma bolota permanecer viável e encontrar condições adequadas, pode germinar. A raiz desenvolve-se primeiro e fixa a planta ao solo, permitindo-lhe começar a absorver água. Mais tarde surgem as primeiras folhas e aquilo que era apenas uma semente transforma-se numa pequena planta.

Pode parecer que a parte mais difícil já passou. No entanto, uma planta recém-germinada continua a enfrentar muitos desafios.

A jovem planta precisa de água, luz e espaço para crescer. A falta de água durante os meses mais quentes, a competição com a vegetação envolvente ou o consumo por herbívoros podem comprometer o seu desenvolvimento.

É por isso que existe uma grande diferença entre uma bolota germinada e um carvalho adulto. Entre os dois extremos existe um longo percurso e podem passar muitos anos, durante os quais inúmeras plantas não conseguem sobreviver. Estabelecer-se no solo é apenas mais uma etapa de um processo que pode demorar muitos anos.

Uma floresta feita de pequenas viagens

Quando observamos um carvalhal, parece-nos algo estável. As árvores permanecem no mesmo lugar durante décadas ou séculos, e a paisagem muda lentamente. Mas, por baixo dessa aparente estabilidade, são inúmeros os acontecimentos que continuam a ocorrer no solo, entre a vegetação, longe do olhar de quem passa.

Todos os anos, milhares de bolotas caem ao solo dos carvalhais. Apenas uma parte conseguirá germinar e sobreviver tempo suficiente para dar origem a uma nova geração de carvalhos. A regeneração do bosque depende desta sucessão de etapas, em que a dispersão das sementes se cruza com as condições do solo, a disponibilidade de água e luz e a atividade dos animais.

Os animais não controlam este processo nem são os únicos responsáveis pela regeneração dos carvalhais. Ainda assim, os seus movimentos e comportamentos ajudam a explicar como os carvalhos podem surgir em locais afastados das árvores que produziram as sementes.

Visto desta forma, um carvalhal não é apenas um conjunto de árvores adultas. É também o resultado de milhares de pequenas histórias que acontecem e que contribuem continuamente para a transformação da floresta.

Uma história escondida numa bolota

Voltemos à bolota que encontrámos no chão, entre folhas secas e pequenos ramos. Não sabemos o que lhe vai acontecer. Pode permanecer junto da planta-mãe, ser transportada por um gaio, ficar escondida numa reserva de alimento de um rato-do-campo ou ser encontrada por um javali. Até um gesto tão simples como apanhar uma bolota durante um passeio e deixá-la noutro local pode alterar o rumo da sua história. 

Uma bolota parece pouca coisa. Mas, no seu percurso, cruzam-se as vidas dos carvalhos e dos animais que deles se alimentam, assim como as condições do solo, a disponibilidade de água e a luz de que uma nova árvore precisa para se estabelecer.

Da próxima vez que encontrar uma bolota caída numa mata ou num bosque, talvez valha a pena parar por um momento. Aquilo que parece apenas uma semente pode ser o início de uma viagem inesperada. O seu destino permanece incerto e depende de acontecimentos que quase nunca chegamos a observar. 

➖➖➖

Este texto faz parte da série “Histórias escondidas das plantas”. 

Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

Para acções de consultoria, pode contactá-la no email carinea.azevedo@gmail.com.

Nessa manhã de novembro

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


Nessa manhã de novembro, os mortos tinham flores. 

Caminhei demoradamente sobre as folhas húmidas, das primeiras chuvas, que adormeciam no chão. Por entre as pedras adornadas com letras corroídas, curtas fendas rasgavam os mármores entregues à morrinha e à paciência requintada daquele alvorecer.

Observei, discretamente, algumas das inscrições pouco legíveis desses corpos cedidos à terra. Diferentes sortes, um mesmo desígnio. Questionei-me quais teriam sido, lá atrás, as últimas vozes a pronunciarem os seus nomes tantas vezes repetidos, com carinho, em histórias de família. 

Ou aqueles que, pelo contrário, tinham sido votados ao abandono porque a última voz que os proferira já tivesse partido também, levando nas mãos o rosto que dera a essa existência um sentido maior do que o seu nome.

Um casal jovem chorava o filho. Não levaram flores consigo, talvez por não saberem que flores fariam sorrir quem não chegou a conhecer a primavera. Aqui jaz tudo aquilo que nunca pudeste ser e duas pessoas que, durante alguns segundos, se amaram o bastante para acreditar no teu futuro. 

A morte cabe às misteriosas leis do universo e nenhum amor, por mais absoluto que seja, tem força para a afastar. Compreendi, então, como um cemitério guarda em si todas vidas que nunca aconteceram. As dos que partiram e as dos que ficam.

Duas crianças, de mãos dadas, olhavam para uma mulher a pousar um ramo de rosas sobre a sepultura. Quem sabe, os netos e a filha de alguém, depois de terem fechado a casa, agora, vazia. Porventura, hoje, não percebam mas, sem se darem conta, os pormenores de muitas vivências irão desparecer-lhes, até que restem somente os retratos antigos da passagem pelo tempo. 

Nesse instante, senti um súbito medo. Porque somos nós que sustentamos essa vulnerável arquitetura das memórias até que compareça a hora delas, de igual modo, nos deixarem. Não foi, por isso, um medo da morte, mas aquele medo de chegar lá à frente e descobrir que ali poderei encontrar não o túmulo que está debaixo do solo mas, sim, dentro de mim. 

Na campa, à minha frente, recordei o meu pai. A última vez que escutei a sua voz sem imaginar que seria a última vez, com a despreocupação de quem não pensa que meros segundos podem, mais tarde, transformar-se em tesouros. Nem a consciência de que, em breve, poderia ver-me obrigada a reconstruí-lo a partir de simples fragmentos. Unicamente a inocência de assumir que haveria sempre um outro amanhã.

Faz morada no meu interior através dos detalhes mais impercetíveis. A maneira de segurar uma chávena, a mania de confirmar se a porta ficou bem fechada, a vontade de ficar silenciosa quando alguma coisa magoa, algumas ansiedades ou modos de ternura. Pequenos gestos que julgo serem exclusivamente meus quando se trata, tão só, de uma herança que passa de corpo para corpo.

Mas o certo é que as imagens desvanecem-se apesar de serem extraordinariamente amadas. É que a memória faz o que pode e, no entanto, é o tempo quem se determina a fazer o que tão bem sabe. Esquecer. 

Esquecer aquilo que se descobre ser verdadeiramente precioso quando deixa de existir. Esquecer o som daqueles passos dentro de casa, esquecer os hábitos mais insignificantes, a afabilidade cuidadosa do arrastar de uma cadeira para nos sentarmos, o jeito delicado de uma mão nos pousar levemente sobre os cabelos, a singularidade dos lábios abertos no sorriso, a inclinação da cabeça quando somos escutados. Todos os diminutos sinais que tornam um ser irrepetível, tudo o que nos parece impossível, na altura, um dia vir a ausentar-se. 

Só porque estamos demasiado ocupados a viver. Só porque tratamos os nossos vivos como se fossem eternos. E a verdade é que os mortos não têm poder para corrigir as nossas recordações.

O meu pai… Hoje, a minha mente não consegue reproduzir sequer a sonoridade ou o timbre exato da sua voz. É uma sensação estranha quando o pensamento nos recorda de uma subtileza da qual o ouvido já se esqueceu. Como se entrássemos em casa e percebêssemos que, durante a noite, nos tivessem roubado todos os aromas e música que nos pertenciam. No fundo, há uma morte que nos calha quando o coração se cala para sempre e há outra que tem início quando já não conseguimos lembrar-nos da claridade da voz dos que amamos.

Esse mundo de quem já partiu, mas que ainda permanece do nosso lado, pode ocupar tanto espaço em nós como a falta da presença de quem se ama. Se calhar, é por isso que a terra só recebe aquilo que nela deixamos e não nos assegura lembranças que não lhe competem. É preciso aceitar essa insuficiência. Que nem tudo o que nos foi oferecido continuará infinitamente acessível aos nossos sentidos. 

Porque, no fundo, nenhum esquecimento reflete a dimensão do amor ou dos afetos que recebemos com desassossego enquanto estamos desatentos, ao mesmo tempo que acreditamos tardar o momento em que a vida deixará de reservar um lugar para os que nos são íntimos.

Olhei para a fotografia desmaiada do meu pai, com toda a minha infância docemente aconchegada dentro dela e repeti-lhe as últimas palavras que escutei da sua voz sem imaginar que seria a última vez: “Obrigado por tudo.” O amor em poucas sílabas quando ele já não se encontra aqui para que eu possa, igualmente, agradecer-lhe. 

Nessa manhã de novembro, os mortos tinham flores. Os que nunca chegaram a florir tinham apenas nomes. E sem quase darem por nada, com uma inquietude incessante cheia de tristezas, os vivos morriam também, de pé, à espera das suas próprias cinzas, algures no futuro.

Paula Freire


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.