MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
Número total de visualizações do Blogue
Pesquisar neste blogue
Aderir a este Blogue
Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
quarta-feira, 11 de março de 2026
𝑭𝒆𝒔𝒕𝒊𝒗𝒂𝒍 𝑪𝒖𝒍𝒕𝒖𝒓𝒂𝒍 "𝑫𝒐𝒖𝒓𝒐 𝑺𝒖𝒑𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓 𝒄𝒐𝒎 𝑽𝒊𝒅𝒂 𝒆 𝑴𝒐𝒗𝒊𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐"
O evento contará com a participação do Rancho Folclórico de Vila Nova de Foz Côa, das Pauliteiras de Miranda e do Rancho Folclórico e Etnográfico de Mêda, proporcionando um momento de celebração da cultura e das tradições do Douro Superior.
A Farsa da Ordem Mundial
Da Faixa de Gaza à Ucrânia e agora ao Irão, os conflitos contemporâneos revelam a fragilidade de uma ordem mundial que serve o poder, não as pessoas.
Há algo profundamente obsceno na forma como o mundo está organizado. Obsceno porque biliões de vidas são condicionadas por decisões tomadas por um punhado de líderes que nunca foram escolhidos pela humanidade, mas que na prática determinam o destino dela. Três grandes centros de poder. Estados Unidos, China e Rússia. Estes países comportam-se como se fossem os proprietários do planeta, movem peças num tabuleiro geopolítico onde os interesses estratégicos valem mais do que a vida humana. E no meio desta engrenagem de poder, desaparece a pergunta essencial: -Onde está o mundo das pessoas?
Biliões de seres humanos vivem reféns das decisões de um punhado de homens sentados em palácios, gabinetes blindados e salas onde o povo nunca entra. Três centros de poder ditam sanções, guerras, crises financeiras, rotas energéticas, preços dos alimentos e do futuro, e fazem-no sem qualquer legitimidade moral global. Não foram eleitos pelo mundo, mas governam o mundo. Não respondem aos cidadãos do planeta, mas condicionam a vida de todos.
É insuportável aceitar que três líderes, três regimes, três máquinas de poder possam manter a humanidade inteira em estado permanente de tensão. Um ameaça com armas nucleares, outro controla populações com vigilância total e repressão, outro vende democracia enquanto impõe caos económico e guerras indiretas. Mudam os discursos, mudam as bandeiras, mas o resultado é sempre o mesmo. Os cidadãos pagam, os poderosos lucram.
Enquanto os estrategas discutem influência, hegemonia e corredores energéticos, as guerras concretas continuam a destruir vidas reais. Na Faixa de Gaza, populações inteiras vivem há meses entre bombardeamentos, bloqueios e uma crise humanitária que ultrapassa qualquer limite moral aceitável. Crianças crescem com o som de explosões, hospitais lutam para funcionar e milhões de civis vivem encurralados num território onde a sobrevivência diária se tornou um ato de resistência.
Na Ucrânia, a guerra prolonga-se como uma ferida aberta no coração da Europa. Cidades destruídas, famílias separadas, milhões de refugiados espalhados por vários países e uma geração inteira marcada por um conflito que rapidamente deixou de ser apenas regional para se tornar parte de uma disputa geopolítica global. A Ucrânia tornou-se palco de um confronto indireto entre potências, onde cada avanço ou recuo militar é analisado como um movimento estratégico num tabuleiro maior.
E agora, mais recentemente, a escalada que envolve o Irão veio acrescentar um novo e perigoso capítulo a esta lógica de confrontação permanente. O que durante anos foi uma tensão latente, marcada por sanções, confrontos indiretos, operações clandestinas e ameaças militares, transformou-se num conflito aberto que ameaça incendiar todo o Médio Oriente. A entrada do Irão no centro de um cenário de guerra direta não é apenas mais um episódio regional, é um sinal claro de que o mundo se está a aproximar perigosamente de uma era de conflitos interligados, onde qualquer faísca pode desencadear uma crise de dimensões globais.
Em todos estes cenários, Gaza, Ucrânia e Irão o padrão repete-se de forma cruel e previsível. As decisões são tomadas longe das populações que sofrerão as suas consequências. As estratégias são desenhadas em gabinetes seguros enquanto os cidadãos vivem por debaixo dos bombardeamentos, deslocações forçadas, fome e medo. Para os centros de poder, estes conflitos são cálculos estratégicos, linhas vermelhas, equilíbrios militares e influência regional. Para as pessoas comuns, são casas destruídas, familiares mortos, vidas interrompidas.
Chamam-lhe “ordem mundial”, mas não há ordem nenhuma, há domínio. Chamam-lhe “equilíbrio geopolítico”, mas o equilíbrio é construído sobre o medo, a chantagem e a desigualdade extrema. O mundo não é governado por valores humanos, mas por interesses estratégicos, petróleo, rotas comerciais, influência militar, moedas e egos gigantescos. A vida humana tornou-se uma variável secundária num cálculo frio.
Como é possível que no século XXI ainda aceitemos que bilhões de pessoas não tenham voz real nas decisões que moldam o destino do planeta? Como é possível que a democracia continue a ser um privilégio geográfico, enquanto grande parte da humanidade vive debaixo de autoritarismo direto, indireto ou sob a influência esmagadora de poderes externos? Como é possível que se fale tanto em liberdade enquanto se normaliza a vigilância massiva, a censura, a manipulação da informação e a propaganda em escala global?
Vivemos numa era em que a tecnologia permitiria uma participação global sem precedentes, uma cooperação entre povos nunca antes imaginada. No entanto, o que vemos é o contrário, uma concentração cada vez maior do poder, decisões cada vez mais opacas e uma política internacional dominada por interesses militares, financeiros e estratégicos que raramente têm em conta o bem-estar das populações.
O mais revoltante é a normalização disto tudo. Ensinaram-nos a aceitar que “o mundo é assim”, que “não há alternativa”, que “a política internacional é suja por natureza”. Repetem-nos que as guerras são inevitáveis, que as tensões são naturais, que os conflitos são parte da ordem global. Mas isso não é realismo, é resignação. É a vitória dos donos do mundo… convencer-nos de que não temos direito a exigir mais, a questionar, a indignar-nos.
Recuso-me a aceitar que o destino da humanidade seja decidido por três centros de poder que não representam a diversidade, a dignidade nem as necessidades reais das pessoas. Recuso-me a aceitar que a guerra continue a ser tratada como instrumento político legítimo no século XXI. Recuso-me a aceitar que crises económicas fabricadas ou manipuladas sejam apresentadas como fatalidades naturais inevitáveis.
Nada disto é inevitável. É escolhido. São decisões humanas, tomadas por estruturas de poder que se habituaram a agir sem prestar contas à humanidade.
A verdadeira revolta começa precisamente aqui, na recusa em aceitar a narrativa do poder como única possível. Começa na consciência crítica, na denúncia pública, na exigência de uma política internacional mais transparente, mais humana e verdadeiramente representativa dos povos. Começa na ideia de que o mundo não precisa de ser dominado por impérios, mas pode ser construído por cooperação entre sociedades.
Um mundo multipolar não feito de blocos militares rivais, mas de povos com voz. Um mundo onde a cooperação valha mais do que a intimidação, onde a economia sirva a vida e não o contrário, onde a política volte a ser um espaço de responsabilidade ética e não apenas de cálculo estratégico e cinismo diplomático.
O mundo não pertence aos Estados Unidos, à China ou à Rússia. O mundo pertence às pessoas. Pertence às milhões de famílias que apenas querem viver em paz, trabalhar, educar os filhos e construir um futuro digno.
A indignação não só é legítima, é necessária. A apatia é o terreno fértil onde os “donos do mundo” prosperam. E pensar, questionar e revoltarmo-nos, mesmo que apenas com palavras, já é um ato de resistência.
Num tempo em que as guerras voltam a multiplicar-se e as tensões globais se acumulam, a consciência crítica talvez seja a primeira e mais importante forma de defesa da humanidade. Se recusarmos aceitar o mundo tal como está imposto, continuará a existir a possibilidade de o transformar.
UMA HISTÓRIA DE AMOR - O MENINO E O CÃO
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Eu tinha doze a treze anos. Não mais; - quando minha mãe, declarou, em derradeiro dia de julho, com largo e bom sorriso, bailando nos finos lábios encarnados: vermelhos e acetinados como cerejas:
- " Este ano vamos passar o mês de agosto a Trás–os-Montes...
A imaginação infantil excitou-se - pelos meus olhos de criança, logo surgiu a pastoril e singela aldeia de minha mãe, esbraseada de sol acariciador, sob o bom e cálido manto azul, do Vale da Vilariça.
Nessa noite - que me pareceu eterna, - percorri as macadamizadas ruas da aconchegante povoação, aninhada nas fraldas da serra de Bornes.
Vi - como vi! - As cacarejantes galinhas, à mistura com pachorrentos marrecos, cevados e esqueléticos cachorros, que livremente circulam pelas calçadas, cobertas de morenas palhinhas, morenas como a gente e o pobre centeio, que vegeta pelas serras.
Vi a desmedida pá do forno comunitário, colhendo das encandecestes brasas, pães redondinhos, estaladiços, saborosos e fumegantes.
Na manhã seguinte parti no ronceiro comboio do Douro, junto à janela, para melhor observar o rio, que, após a Régua, se atravessava a vau.
Em Vila Flor, a Flor das Vilas, como dizia Raul de Sá Correia, o “Rossas" levou-nos, em velha viatura, até à “Quinta do Bem”, onde o prestável feitor, festivamente, nos acomodou.
Pouco depois conheci o Nero. Cãozarrão, guarda da quinta, que após meiga carícia, se afeiçoou a mim.
Sempre que passeava pelo negro asfalto da estrada ou me embrenhava pelos matagais, em vales e montes, o Nero acompanhava-me.
Abandonara, de todo, a obrigação de guarda da Quinta; e era feliz, ladeando-me, e dormindo a sesta, estirado no esfregado soalho.
Certa ocasião ao atravessar olival, e não querendo sujar-me – para não ouvir minha mãe, – deitei-me sobre o pobre animal. Alguém viu, e tirou uma fotografia.
Clarisse Barata Sanches, conhecida como "A poetisa de Góis”, teve conhecimento, e publicou poema no: " Varzeense", acompanhada de foto.
Tenho oitenta e tal anos, mas guardo com saudade, o recorte da gazeta.
Ainda me recordo do amigo Nero, que na hora da despedida: gemeu, chorou, uivou de saudade...
Como seria sua vida após a minha partida?
Os cães também têm sentimentos: também, amam, gemem e choram...
Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".
ONDE FALHEI?
Talvez tenha sido no silêncio das minhas próprias marés,
quando deixei que o meu coração fosse um porto aberto
para barcos que nunca quiseram ancorar.
Talvez tenha falhado quando ofereci o sol
a quem só sabia viver na sombra,
ou quando plantei jardins inteiros
em terras onde nunca choveu compreensão.
Onde falhei?
Pergunto às noites compridas
que me embrulham em pensamentos como nevoeiro.
Pergunto ao espelho,
que guarda nos meus olhos
a memória de todas as tempestades que atravessei.
Talvez eu tenha falhado
por acreditar demais.
Por regar promessas secas,
por costurar com esperança
os rasgões que outros rasgaram minha alma.
Mas às vezes penso
talvez não tenha falhado.
Talvez apenas tenha sido
um coração inteiro
num mundo que aprendeu a viver
aos pedaços.
11-03-2026
Notícias da aldeia
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Todos os anos é assim! O pessegueiro tem pressa de chegar à primavera. Às vezes o sol atrasa-se escondido no manto branco das nuvens que embalam a chuva. O pessegueiro fica triste com o tempo, mas já não há nada a fazer. A flor já se resolveu em promessa de pêssego… doce… doce como o mel. E a abelha que andava por longe, num namoro pegado com o rosmaninho e com a mimosa, num encantamento de páscoa… veio apressada cumprir a sua missão de beijar a flor, fecundada pelo pólen que traz em si o milagre de todos os frutos.
… e é sempre assim, no recato da aldeia onde a natureza nunca se esquece do seu dever de se cumprir no tempo certo.
… louvado seja Deus!
Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança.
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.
“Tintin – Ls Xarutos de l Faraó” no Panteão Nacional
A edição original desta aventura de Tintin, imaginada pelo autor de banda desenhada, Hergé, data de 1934 e foi agora traduzida para a língua mirandesa, por Alcides Meirinhos, da Associaçon de la Lhéngua I Cultura Mirandesa (ALCM).
A sessão de apresentação do livro “Tintin – Ls Xarutos de l Faraó” no Panteão Nacional, está agendada para as 17h30 e conta com a participação da Presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, do Presidente da Direção da ALCM Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa, Orlando Teixeira, do Comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão e do Promotor do projeto editorial, Daniel Sasportes.
A língua mirandesa foi reconhecida oficialmente em 1999 e está presente no Panteão Nacional, enquanto símbolo de cultura e de diversidade, através de conteúdos digitais disponibilizados gratuitamente ao público.
Atualmente, o mirandês é falado por uma minoria no nordeste transmontano, estimando-se que haja apenas 3500 conhecedores da língua e 1500 falantes regulares.
O Panteão Nacional destina-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.
O Panteão Nacional encontra-se instalado em Lisboa, na Igreja de Santa Engrácia, desde 1 de Dezembro de 1966.
SEGURANÇA RODOVIÁRIA EM DESTAQUE NAS TASQUINHAS 2026
Segundo o artigo 81.º do Código da Estrada, é proibido conduzir sob influência do álcool. O limite legal de álcool no sangue é de 0,5 g/l para condutores em geral e 0,2 g/l para aqueles em regime probatório. Esta ação da PSP visa reforçar a prevenção e a responsabilidade, incentivando os participantes a confirmar se estão aptos para conduzir antes de iniciarem a viagem.
Os condutores interessados em realizar o teste devem dirigir-se aos elementos da PSP presentes no local durante o período da ação, promovendo, assim, uma condução segura e consciente.
FREIXO DE ESPADA À CINTA PREPARA INICIATIVAS DE ABRIL PARA A PREVENÇÃO DOS MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA
O encontro teve como principal objetivo preparar o conjunto de iniciativas que irão assinalar o mês de abril, tradicionalmente dedicado à sensibilização e prevenção dos maus-tratos na infância.
Durante a reunião foram abordadas várias ações previstas para as próximas semanas, procurando reforçar a mobilização da comunidade em torno da defesa dos direitos das crianças e jovens. As entidades presentes refletiram igualmente sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela CPCJ no concelho, destacando a importância da cooperação entre instituições locais na identificação e prevenção de situações de risco.
Este momento de articulação institucional permitiu alinhar estratégias e preparar atividades de sensibilização dirigidas à população, escolas e outras entidades do território.
A autarquia e a CPCJ reafirmam, assim, o compromisso de continuar a promover iniciativas que contribuam para a proteção das crianças e jovens de Freixo de Espada à Cinta, reforçando uma cultura de prevenção, cuidado e responsabilidade coletiva.
Travanca integra iniciativa de ginástica do município que já abrange 38 aldeias
Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros, David Vaz, esta iniciativa é promovida pelo Município de Macedo de Cavaleiros:
A atividade chega agora à aldeia de Travanca depois de terem sido reunidas as condições necessárias para a sua implementação:
As aulas arrancam já esta semana e passam a fazer parte da rotina semanal da comunidade:
No total, 38 aldeias do concelho de Macedo de Cavaleiros já beneficiam deste serviço, numa iniciativa que pretende incentivar a prática de exercício físico e promover hábitos de vida saudáveis junto da população.
Carlos Vaz autorizado a permanecer à frente da ULS Nordeste apesar de ter atingido a idade da reforma
O despacho do Secretário de Estado do Tesouro e Finanças, publicado, esta terça-feira, em Diário da República, alega que a decisão é fundamentada em razões de “interesse público excecional” e tem efeitos a 14 de dezembro, dia em que Carlos Vaz completou 70 anos, garantindo desta forma a sua continuidade até à nomeação do novo presidente daquele organismo.
Carlos Vaz é o presidente do Conselho de Administração da ULS do Nordeste, desde 2016, mas já desempenhou funções como presidente do Conselho de Administração dos Hospitais Distritais de Mirandela (1990 e 1993), do Hospital Distrital de Bragança (1996 e 2002).
Foi também nomeado presidente do Conselho de Administração dos Centros Hospitalares de Vila Real/Peso da Régua (2005) e do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (2007 e 2010).
Três anos mais tarde, assume a presidência do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, até 2016.
Carlos Vaz lidera a equipa de gestão que foi reconduzida pela Direção Executiva do SNS, em setembro de 2023.
A administração inclui Filipa Faria (Diretora Clínica dos Cuidados de Saúde Primários), Duarte Soares (Diretor Clínico Hospitalar), Urbano Rodrigues (Enfermeiro Diretor), Paulo Rogão (Vogal Financeiro) e Sandra Moura (Vogal).
Recorde-se que, no passado mês de dezembro, de visita a Bragança, o Diretor Executivo do SNS, Álvaro Almeida, adiantou aos jornalistas que estava a tratar da nomeação do novo Conselho de Administração, mas até agora nada foi decidido.
Mirandela investe 350 mil euros na reabilitação de açudes para valorizar praias fluviais
O processo para a reabilitação de alguns cursos de água, no concelho de Mirandela, foi iniciado em 2020. Agora, o vice-presidente da câmara de Mirandela, Orlando Pires, mostra-se feliz pela aprovação ter chegado “finalmente” e explica em que é que vai consistir este projeto, no caso de Frechas. “No caso de Frechas vai ser uma reabilitação, um pontão existente, bastante ténue, mas que vai permitir que no verão, além da questão da retenção de água, se crie também ali um espelho que possa potenciar, em Frechas, a praia fluvial e que finalmente os indicadores da avaliação da qualidade da água se traduzam em resultados positivos, para que possamos ter finalmente ali uma praia fluvial homologada pelas entidades externas.”
A reabilitação terá outros efeitos como captação de água, para rega, bem como a aposta de desportos náuticos. E o mesmo se aplicará ao açude de Ponte da Pedra, em Torre de Dona Chama. “Em Ponte da Pedra, mesma coisa, também é a reabilitação de um açude que vai permitir criar também um espelho de água, para que de facto possamos também finalmente ter uma praia fluvial homologada nos próximos anos. Os processos das praias fluviais estão condicionados a resultados de qualidade em água pelo menos por três anos consecutivos. E estamos a fazer esse trabalho, juntamente com entidades externas, como a Agência Portuguesa do Ambiente, mas estes dois açudes vão nos trazer de facto uma alavancagem para conseguirmos esse objetivo.”
Os trabalhos devem arrancar ainda durante este verão, mas estarão condicionados pelo caudal do rio. “Não consigo dizer se vamos começar já nos próximos meses ou se vamos ter que aguardar que o caudal desça um pouco, para que a empresa possa começar a trabalhar. Por isso a probabilidade destes dois assuntos ficarem concluídos este ano é grande, mas só para o final de setembro ou outubro, por isso do ponto de vista da praia fluvial para o verão de 2026 não vão servir. No entanto ficará tudo preparado para o verão de 2027.”
O investimento ronda os 350 mil euros e é comparticipado a 75% por fundos europeus.
Revogado Plano de Ordenamento da Albufeira do Azibo por estar desatualizado
O Plano de Ordenamento da Albufeira do Azibo foi criado a 8 de junho de 1993. Mas em 2010 foi aprovada a sua revisão, visto que os objetivos e as propostas de ordenamento consagradas naquele plano se encontravam desatualizadas e desfasadas da realidade. Contudo, segundo a publicação, “este processo não foi concluído e, decorridos mais de 14 anos desde a publicação do despacho que determinou a revisão do POAA, o respetivo programa especial de albufeira não foi aprovado.”
No mesmo documento lê-se que “atualmente, o plano não garante um nível de proteção à massa de água coerente com os objetivos que se pretendem alcançar, designadamente, os ambientais”.
Desse modo, o Governo entende agora que não é necessário “assegurar a proteção das albufeiras de águas públicas através de instrumento de gestão territorial de natureza especial”.
De acordo com a mesma publicação em Diário da República, houve ainda a necessidade de “adaptar o regime de proteção das albufeiras de águas públicas de serviço público ao novo quadro de proteção legal dos recursos hídricos, estabelecido pela Lei da Água”, que define “a gestão sustentável dos recursos hídricos, focando-se na proteção e uso eficiente de águas superficiais e subterrâneas”.
A albufeira do Azibo integra a bacia hidrográfica do rio Sabor.
Primeiro Encontro de Tradições Inclusivas juntou várias instituições do distrito
O Pavilhão Municipal Arnaldo Pereira, em Bragança, recebeu hoje o Primeiro Encontro de Tradições Inclusivas, uma iniciativa que junta instituições do distrito numa atividade que promove o desporto adaptado através dos jogos tradicionais.
O evento começou às 9h30 e contou com a participação várias IPSS, numa manhã dedicada ao convívio, à inclusão e à prática de atividade física. Segundo Sérgio Conde, técnico desportivo do Centro Social e Paroquial Santos Mártires, explicou que tipos de jogos podem ser jogados. “Vai-se jogar com emoção, vai-se colocar a componente da tónica das tradições inclusivas e vamos utilizar aqui um conjunto de jogos que é o jogo do burro, jogo de tração à corda, entre outros.”
Rui Cortinhas, da Associação de Jogos Populares de Bragança, frisou que estes jogos tradicionais foram escolhidos precisamente por serem atividades simples, com poucas regras e facilmente adaptáveis às características de cada participante. “Todos os jogos tradicionais são jogos simples, não têm muitas regras e conseguem se adaptar facilmente a cada característica de cada pessoa. Nós, a Associação, já facilitou um jogo a cada entidade e instituição para eles praticarem também nos tempos livres que têm dentro das instituições, que isso também é o nosso papel como Associação, é que os jogos cada vez se pratiquem mais.”
Mais do que a competição, o objetivo passa por incentivar a prática destas atividades nas instituições e mostrar que os jogos tradicionais podem ser uma ferramenta de inclusão, contou Sérgio Conde. “O que nós queremos é mesmo cimentar esta prática dos jogos populares e acima de tudo o convívio, o fair play, a união entre todos os participantes das IPSS. Toda a gente sairá certamente ganhadora. É esse o nosso lema, é isso que nós queremos demonstrar e queremos de facto consolidar este evento e quem sabe repensar os moldes no próximo ano.”
O Primeiro Encontro de Tradições Inclusivas decorreu durante a manhã, no pavilhão Arnaldo Pereira, em Bragança.
Adeus, Valentina
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Com os invernos nordestinos vinham noites longas e frias, já só se viam as mulheres de barriga e garotos a vir ao mundo, conho tanto raparigo aos berros por comida em terras que mal davam pão para os governar. Tirar a fome a uma manada de filhos era uma mortificação diária para a maioria e o pior é que quanto mais pobres mais tinham, havia casas que contavam cinco, sete, nove. Dizia-se que a do horácio paló tinha parido catorze e a margarida cigana, dezanove. O que valia era trinta ou quarenta em cada cem serem destinados a anjinhos, se calhar até mais, nunca ninguém se deu ao trabalho de os contar. A mesma voz que segredava enlaces noturnos aos matrimónios, mandando-os vir sem regra, dava àqueles seres acabados de chegar ordem de marcha para a outra vida sem terem sequer provado o gosto desta, vá-se lá entender o mundo.
Para a maioria dos progenitores não era grande perda, por vezes a morte chegava mesmo a receber uma mão amiga, e não fosse a tragédia de os desmanchos levarem por vezes as mães desta para melhor, o número deles seria capaz de aumentar e muito. Vestiam-lhes uns trapicos, o tio lino martins ou os irmãos coelhos pegavam em meia dúzia de tábuas de dois ou três palmos de comprido aplainadas à pressa, uns quantos pregos nelas, e lá iam assim para um canto do cemitério. Terra não benzida, pois claro, vinham todos com a mancha do pecado original e não havia tempo de os batizar.
Boa parte dos que escapavam aos primeiros dias ou semanas iam nos anos seguintes de garrotilho, maleitas sortidas, apendicite, insolação, quantos nomes não tinha a miséria, a ignorância, o destino. O doutor policarpo liberal morava na vila, cinco léguas dali em cima de uma burra à chuva, à geada, ao calor, sete escudos por consulta mais os remédios da farmácia e um dia de labor perdido que tão mal vinha a calhar. Os que se livravam de morrer não se livravam da pouca sorte, dos anos maus de lavoura sempre à espreita e do fantasma da falta de tudo menos de incertezas. É por isso que naquele buraco do cu do mundo áfrica e brasil eram palavras prenhes tanto do que havia de distante e misterioso como de promessas de vida desafrontada, o que levava muitos a deixar balfrades quase sempre para sempre.
Então naquela casa térrea ao fundo do povo que quase bebia no ribeiro, onde vivia o tio josé ratão, a mulher e quatro filhos, a cisma andou a consumi-los meses e meses. Havendo que tirar uma boca de casa, quem seria, quem não seria, vais tu valentina que és a mais nova e tens uma vida inteira à tua frente. Está bem meu pai, vou eu, diz a rapariga escondendo dos seus o caroço na garganta que quase a esganava só de pensar em deixar o ninho protetor e seguro e trocá-lo pela ameaça do desconhecido. Foi assim que num dia ensolarado da primavera de cinquenta e nove o povo em peso se reuniu para um funeral sem padre, sem exéquias, sem caixão, sem morto. Em vez de se deter no largo do barreiro, junto do pequeno quadrado dentro de quatro muros altos onde os defuntos eram conduzidos à última morada, aquele cortejo de mais de trezentas almas cabisbaixas e escuras avançou mais umas dúzias de metros até ao alto das eiras, e aí chegados o que não foi de abraços e beijos, prantos da mãe e dos irmãos, soluços abafados do pai, lágrimas pela cara abaixo de uma aldeia inteira e no fim muitos lenços brancos agitados no ar, adeus valentina, adeus valentina.
Abalou a moça para ribeirão preto, no interior de são paulo, onde a esperava uma prima que não conhecia. Nos primeiros anos uma carta por mês, lida à porta dos pais em voz alta para toda a vizinhança, novidades sem conta de um lugar gentio e palavras de saudade, sinais de um buraco no peito que só um pequeno lugarejo distante poderia preencher. Depois, com os anos, as notícias de parte a parte já eram quase só para anunciar um casamento, a chegada de um ou outro filho, a sombria notícia do finamento da mãe, que um mal estranho e repentino levara, de um irmão esmagado debaixo da roda de um carro. As cartas tornavam-se cada vez mais espaçadas, até que um dia, silêncio, um silêncio tão grande como se no cemitério do barreiro houvesse uma campa em terra nua e uma tabuleta com o nome da valentina.
Manuel Eduardo Pires. Estes montes e esta cultura sempre foram o meu alimento espiritual, por onde quer que andasse. Os primeiros para já estão menos mal, enquanto a onda avassaladora do chamado progresso não decidir arrasá-los para construir sabe-se lá o quê, mas que nunca será tão bom. A cultura, essa está moribunda, e eu com ela. Daí talvez a nostalgia e o azedume naquilo que às vezes digo. De modo que peço paciência a quem tiver a paciência de me ir lendo.
🌍💧 𝐒𝐞𝐦𝐚𝐧𝐚 𝐝𝐚 𝐀́𝐠𝐮𝐚, 𝐝𝐚 𝐅𝐥𝐨𝐫𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐞 𝐝𝐚 𝐀́𝐫𝐯𝐨𝐫𝐞 𝐞𝐦 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐥𝐚
O programa inicia-se nos dias 16 e 17 de março, com Oficinas de Campo JAT-TUA, no Parque Dr.º José Gama, a partir das 9h30.
No dia 21 de março, Dia da Árvore, realiza-se a Caminhada Plogging, com partida às 8h30 do Parque Dr.º José Gama e chegada à Igreja de São Bento. Segue-se a Plantação de Medronheiros na Zona de São Bento – Estabilização de Taludes, com lanche convívio, às 11h00, na encosta da Igreja de São Bento.
No dia 22 de março, Dia Mundial da Água, decorre a Caminhada Solidária da Floresta, com início às 9h30, na Ecoteca de Mirandela.
A programação continua no dia 25 de março, com a Entrega de garrafas e inauguração oficial dos bebedouros nas escolas, às 9h00, nas escolas do concelho.
Por fim, no dia 28 de março, assinala-se a Hora do Planeta, com apagão simbólico entre as 20h30 e as 21h30 e Caminhada Hora do Planeta, com início às 20h30, no Palácio dos Távoras.
As iniciativas contam com a colaboração de diversas entidades e parceiros locais e pretendem reforçar a importância da preservação da água, da proteção da floresta e da valorização das árvores para um futuro mais sustentável.
ecoteca@cm-mirandela.pt
📞 936 667 655 (até às 16h00 do dia 20 de março)
𝗠𝗘𝗗 𝗢𝗡 𝗧𝗢𝗨𝗥 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮 𝗮 𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮𝗻𝗰̧𝗮!
Serão realizadas ações de despiste cardiovascular gratuitas, aproximando os cuidados de saúde da comunidade e incentivando a prevenção.
Uma iniciativa que leva a saúde mais perto das pessoas e reforça a importância da prevenção cardiovascular.
terça-feira, 10 de março de 2026
𝑴𝒂𝒊𝒔 𝒂𝒑𝒐𝒊𝒐 𝒂𝒐 𝒅𝒆𝒔𝒑𝒐𝒓𝒕𝒐 𝒆 𝒂𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒓𝒖𝒓𝒂𝒍 𝒆𝒎 𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂 O Município de Bragança reforçou o investimento em áreas estruturantes para o concelho:
🏆 𝐂𝐨𝐥𝐞𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐃𝐞𝐬𝐩𝐨𝐫𝐭𝐢𝐯𝐚𝐬: Em 2026, o apoio ao movimento associativo desportivo ascende a cerca de 500 mil euros, o maior valor de sempre, abrangendo mais clubes e associações. Um reforço na aposta na formação e na dinamização do desporto local. A medida é acompanhada pela isenção total das taxas de utilização das instalações desportivas municipais, a clubes e associações, e por vários apoios logísticos.
🐂 𝐒𝐞𝐭𝐨𝐫 𝐩𝐞𝐜𝐮𝐚́𝐫𝐢𝐨: Foi igualmente reforçado o apoio aos criadores de gado do concelho, com 128 mil euros destinados à sanidade animal, permitindo que o Município assuma os custos do primeiro controlo anual no âmbito do Programa Nacional de Saúde Animal. Uma medida de apoio reforçada para aliviar alguns dos encargos dos produtores, contribuindo para a saúde pública e para a valorização das explorações do concelho.
📎🥇 Saiba mais sobre a “Atribuição de Apoios Municipais a Coletividades Desportivas “ AQUI.
📎🐑 Saiba mais sobre o “Reforço da sanidade animal” AQUI.






















