Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

As Aventuras de Salvador Num País Pouco Seguro

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)

Nota da autora: a estória que se segue é mera ficção. Não retrata nomes, pessoas ou factos verdadeiros. Se caso houver de qualquer semelhança com a realidade, certamente será obra da mais pura coincidência.


Salvador Silva de Matos, criatura de humildes origens, parida em remota gruta escondida entre agrestes silvados da serrania, meteu-se-lhe na cabeça, era ele um petiz que, um dia, ainda haveria de ser rei de um suposto chão sem dono.

Coube-lhe a ventura da nascença em território desvalido, dado à adoração de questionáveis adivinhos com sabedorias de oráculo.

Assim, pois, cresceu ele confiante, de mãos dadas com Lelo Porcino e Tita Severa, amigos do peito, em façanhas dignas de grandes iluminados.

Porventura, as maiores certezas lhe vinham de arraigada crença sobre os seus antepassados, senhores de quintas e palácios. Heranças que, com certeza, lhe pertenciam, se não por escritura pelo menos por desígnios.

E fora precisamente por esses reais lugares, numa caminhada pela natureza, que o excelso fenómeno lhe sucedera. De olhos postos num casal de passarinhos agarrados ao ramo de centenária árvore, embevecido pela troca de afetos entre ambos, como só a um coração compassivo como o seu seria possível, o espírito foi-lhe atravessado por raio de luz, absolutamente revelador. Não ouviu palavra alguma, mas tudo lhe ficou claro.

Tal como Saulo, antes de ser Paulo, a caminho de Damasco, também ele foi interpelado na sua revigorante caminhada daquela manhã, que pretendia fazer até Belém. Já não foi. Voltou para casa, de mãos postas ao Alto, consciente do sentido espiritual da coisa. Na verde flora sentira o chamado para a missão de corrigir o que estava errado no mundo. 

Não precisava de testemunhas, apenas da sua fé, para reavivar as crenças de menino e desenvolver ainda mais particular sensibilidade para os caminhos eclesiásticos que acreditou, durante algum tempo, serem a sua maior vocação. O certo é que, apesar dos mandamentos lhe estarem na ponta da língua, sentia-se facilmente impelido a contorná-los com assustadora vontade. 

Uma incongruência que acabou por perceber ter origem na violenta paixão desenvolvida por encantada beldade, de lustrosos e densos cabelos, pele macia cor de canela e doces olhos negros, com origem omissa. Daqueles amores avassaladores capazes de desorganizar furiosamente aptidões predestinadas. 

Quando a doutrina, que precisa de firmeza, começou a falhar-lhe e o conflito de desejos o deixou num estado de permanente perturbação, viu-se obrigado a desprender-se da vocação, ainda que conservando o seu apetite pelo dogma. Diante disso, continuou a amar o próximo mas, então, sob condições muito bem definidas. Desde que este fosse claramente um seu semelhante, pois assim O Senhor criou o homem.

Deste modo, subsistindo na ideia de ser possuidor de raro talento, tornou-se letrado. Crente de que só desse modo um rei conquista a atenção de tantos inocentes e ingénuos que descobrem um abrigo em noites de tempestade, sem se darem conta dos telhados feitos de papel. Afinal, o estudo não é pouca coisa quando ajuda um homem a conseguir dizer com elevado fervor, banalidades e superficialidades, que soem a epifanias. 

E a vida continuou. 

Logo pela manhã, não carecia de relógio para se levantar da cama. A revolta de viver nesta pequena casa em ruínas, como proclamava, funcionava-lhe como despertador biológico. Ao acordar dominava-o sempre o sobressalto característico de todos aqueles que se entendem presença indispensável para o planeta. 

Depois do pequeno-almoço, invariavelmente apressado, dirigia-se ao espelho, a ajustar a gravata como se estivesse a cingir ao pescoço régia faixa. Era ali, diariamente e com afinco, que treinava frases simples para problemas profundos, repetindo-as até à exaustão. Não tinha interesse na complexidade. Com efeito, suspeitava dela. Para ele, verdades factuais eram acessórios de ordem meramente técnica, absolutamente dispensáveis para quem tão bem se entende com impulsiva verborreia carregada de emoções. E não é desse pão que o povo se alimenta?

Num ato de culto à própria imagem, aprumava o tronco, lançava o queixo para a frente e esboçava um sorriso retorcido numa imitação imperfeita do seu ídolo máximo e inequívoco manifesto de genialidade, Maximiliano Trampa. A incivilidade decorosa erguida ao patamar de liderança, que enfeitiçava e incitava multidões. Venerava-o com sacramental respeito.

Descia, então, à rua. Pela trela, o seu chihuahua, Rocky, acompanhava-o. Um diminuto cão dado ao nervosismo, de latido um quanto histérico, que se lançava contra estranhos com impetuosidades desproporcionadas ao tamanho do corpo. Salvador via nele o reflexo fiel de uma alma congénere. 

Na pastelaria do rés-do-chão, Anjali, funcionária incansável, servia-lhe um café. 

— Obrigada Anjála… Anjalá… É isso, não é? — E pronunciava-lhe o nome, sorridente e irónico, fazendo inútil esforço à língua alheia.

Já do outro lado da estrada, à porta do mercado, lá acabava por se cruzar, uma vez mais, com as antigas figuras do bairro, Manel Duarte e Maria Rosa. O casal de ciganos a descarregar caixas de fruta.

Salvador observava-os de viés.

— Bom dia. Então, muito trabalho? — Cumprimentava, riso cáustico, enquanto Rocky, com manifesta energia canina, lhes ladrava às canelas, a farejar benesses iminentes. 

Salvador puxava da trela:

— Quieto, Rocky. Aqui ainda mandamos nós.

Por fim, no adro da igreja, D. Leopoldina acenava-lhe. Frequentadora assídua da missa das sete. A ela, saudava-a com pronta diligência e uma vénia cordial.

— Deus a acompanhe, minha senhora.

Dentro de zona familiar, Rocky caminhava de torso inchado. 

As manhãs de Salvador eram ocupadas por longos passeios, que ele afirmava serem “para pensar o país”. Vestido com a pele de exímio detetive, avaliava cada episódio, ocorrência ou peripécia fora do comum, ocorrida no bairro, como indício irrefutável de que aquele já não era seguro. Nunca vivenciara nenhuma experiência concreta, mas as evidências não mentiam e, sobretudo, permitiam-lhe que a ideia assentasse bem na oratória. Falar mais de defeitos do que de virtudes exige que, se num país não se vive com segurança, alguém seja escolhido para o endireitar.

No fundo, detentor de elevada esperteza, Salvador era mais um espécime, entre tantos, convencido da coroa lhe pertencer por direito divino, enquanto se ria dos outros e ao mesmo tempo exigindo ser levado à séria. 

Necessariamente, o tempo trouxe-lhe uma coleção de inimigos. Sentia-se perseguido por ambicionar ocupar o centro de um palco que lhe devia ser concedido. De toda a forma, o que é um verdadeiro salvador se não tiver inimigos? Um simples homem com umas poucas de opiniões.

Mas os amigos de confiança permaneciam ao seu lado. Lelo Porcino e Tita Severa. A eles revelava as suas aspirações mais íntimas. Que havia nascido para algo glorioso. 

Lelo, homem de fortes convicções e exaltação fácil, formado em Diplomacia da Martelada. Porém, começara a falar muito e mal desde célebre cornada recebida em improvisada arena, quando decidira desafiar escorreito touro, em nome da bravura. Aniquilara-se-lhe a coerência expressiva. Com repentinos arroubos, as palavras saíam-lhe em atropelos e cada apreciação proferida logo se levantava em contradição, antes mesmo de ter assentado. Diziam as más-línguas do povaréu que aquilo era mal do juízo curto.

Tita, senhora de opiniões firmes e paciência curta, estudada em Arquitetura de Oportunidades. Uma figura mais intrincada. Filha de mãe incógnita, ocultada por pudor. A identidade refinada, de arestas polidas, herdara-a do lado paterno, único ramo genealógico que reconhecia como digno de memória e de quem se orgulhava com afeição. Fazia brasão íntimo da sua biografia: professa das nobres condutas do catecismo, obstinada defensora de bons costumes e dama de pomposo recato, vivia os dias como extremosa dona de casa. As noites eram gozadas, livremente, a cantar fado nas mourarias, fazendo uso desta arte como expiação para todos os contrassensos que pautavam a sua existência. 

Lelo Porcino e Tita Severa, dois paradoxos em movimento, mas profundamente coerentes consigo próprios. Para ambos, a questões morais que lhes coubessem, eram sempre uma questão de posicionamento e de ajustes.

Pela tarde, os encontros davam-se na Taberna do Tio Eusébio, venerável espaço de coexistência do vinho e dos alvitres, a competirem em acidez e rudeza. Em jeito de tertúlia, ali se juntava o séquito habitual, a despejar copos e conversa fiada sobre os carrapatos da sociedade. 

Para além dos habituais convivas, Lelo e Tita, haviam ainda o Tó da Oficina, com experiente traquejo em soluções duradouras; o Neca do Ginásio, fervoroso adepto da força como argumento; o Joca das Apostas, expedito em prever o futuro de forma tão certeira como perdia o dinheiro dos bolsos dos compinchas; e o velho Zé do Barril, grande especialista em tudo. Vez por outra, aparecia também o Kiko Branco, jovem de músculos tatuados com símbolos históricos, botas pesadas mesmo no verão e cabeça rapada, ao léu, até no inverno. Instintivamente ressabiado, rapaz de elevadas suscetibilidades, com ideias fixas que lhe serviam de desculpa para fúrias impacientes.

Uma plateia que fazia brilhar Salvador Silva de Matos, com o seu discurso abundante e fraca argumentação, mas uma lábia que extasiava os crédulos irrefletidos e descautelados. 

— Antigamente, isto não era assim! — Assertiva que lançava para tudo justificar, desde o estado calamitoso do país até ao preço do pão. — Estamos precisados de alguém com pulso. 

— E visão! — Acrescentava Tita, de olhos afiados e voz afinada. 

— E arrojo! — Rematava Lelo, com um murro na mesa, anafado e engasgado com a saliva da boca.  

Os outros aprovavam.

— É isso mesmo. Tem que haver alguém capaz de dizer as verdades. — Esbravejava o Neca.

— Eu não sou contra ninguém, mas há por aí gente a mais e instruídos de menos. Há que haver ordem ou afundamos de vez. — Apostava o Joca.

— Isto acabava num mês se te deixassem mandar, ó Salvador. Olha que quem é sério não deve nada a ninguém… — Berrava o Tó.

— Um dia isto vai terminar! — Garantia Salvador, com aquele visível deleite dos justiceiros de sofá. — Vamos sepultar de vez todos os que por aí andam nessas confrarias e irmandades de palavras gastas, a enganar-nos com festas cívicas de nomes chiques, para parecerem inteligentes. Nós, aqui, não precisamos de ler livros para percebermos que, no fundo, é tudo pão com chouriço, só para comermos aquilo que nos querem dar.

Punha gosto em ouvir-se indignado. Dava-lhe uma composta sensação de autoridade. E sorria, a mostrar os dentes de pouco sizo.

Sob a mortiça luz da taberna, Tio Eusébio agraciava-o com gorduroso prato de rojões a crepitar em banha. Salvador, lambendo os lábios, agradecia-lhe a ele e à bem-aventurada providência.

— É como este pitéu, caro amigo. Nada de molhos estrangeiros!

Kiko Branco, muito atento à assembleia, escutava. Não aprovava, não desaprovava, não discutia. Guardava a sua admiração no canto do olhar frio e silenciosa reverência no corpo ereto.

Zé do Barril, por sua vez, limitava-se a erguer o copo. Já todos tinham falado por ele. Limpava os olhos, comovido, com medo que a visão turva o fizesse perder o milagre. Mais do que nenhum outro, ele sabia. Acreditava com a confiança dos desesperados que Salvador já não era tão só um homem: ele era o Homem. Qual D. Sebastião, O Desejado, Salvador surgia-lhe, na frente, pronto para socorrer um mundo perdido.

Convictamente ciente de que a sua terra fora abandonada por todos, menos por si, assim o dedicado Doutor ocupava as sua tardes, em aparatoso gesticular e arrebatador entusiasmo, a esganiçar-se – como se a altura da voz fosse forma de mostrar saber – sobre o imperativo de grandiosas reformas nos hábitos, nos comportamentos e nos pensamentos de muitas gentes que moravam no mesmo solo de horrendos traidores e conspiradores, destruidores de vidas, sem mostras de sentimentos de culpa, movidos por forças obscuras.

O púlpito entendia os alertas e perdoavam-no quando o viam tropeçar em contradições, virtude considerada, por todos, acima da lógica. Ouviam-no em postura de extrema devoção e ninguém o questionava sobre o “como”. O “quê” era-lhes suficiente.

Alguns choravam. Outros aplaudiam com genuína gratidão, ainda que antes ou depois do tempo. Outros havia que filmavam, receosos de perderem os melhores momentos do ousado e corajoso mestre. Debaixo da mesa, Rocky, senhor do território, ladrava em concordância.

Salvador sentia-se como afoito pastor no meio de ovelhas desorientadas e agradecidas. Piscava o olho a si mesmo. Imensa é a sedução da promessa de purezas num mundo decadente e cheio de confusão! 

Se alguém dele diferisse, era de imediato apontado como fazendo parte da comandita d’“eles”. Termo abrangente, muito flexível e de vasta utilidade. Pois Salvador mostrava-se profundamente abominador de quem dúvidas de si tivesse. Avesso a esses amantes de um lugar seguro. A segurança de quem se deita, em estado vegetativo, num silêncio incapaz de despertar paixões e inspirar massas. Faceta messiânica desta natureza só a muito poucos era concedida. 

Pelo fim do dia, Salvador, imperturbável, recolhia-se ao conforto do lar, com Rocky já cansado ao seu colo, certo de que os erros dos outros lhe serviriam sempre de combustível e a esperança veemente de que, por esse motivo, alguma vez deixaria de ser confundido com um comum cidadão. Ainda que na manhã seguinte o país acordasse igual, os silvados e o mato continuariam a crescer, densos, prontos para uma desinfestação que somente ele, de mangas arregaçadas, estava disposto a dar seguimento com zelo e método.

Talvez a sua mãezinha fosse dona da razão quando, em tempos, lhe dissera que tivesse sempre olho esperto e que jogasse pelo seguro. E que esperasse. Porque, afinal, ele morreu de velho.

Paula Freire


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

Exposição de Fotografia: “Memórias de um Olhar por Noel Magalhães”

 Em 2012 Noel Magalhães, um dos mais ativos e importantes fotógrafos amadores da região doou, ao Museu do Douro uma grande parte da sua obra fotográfica, de grande valor documental e patrimonial para a região e para o país.


Conhecido como “o fotógrafo do Douro”, por o fotografar exaustivamente desde há mais de setenta anos, a obra fotográfica de Noel Magalhães vai muito além dos registos que tradicionalmente se lhe conhecem. Esta exposição apresenta uma série de fotografias inéditas e outras que, apesar de terem circulado por várias exposições de fotografia no país, permanecem pouco conhecidas. Este acervo integra um conjunto de fotografias enviadas para concursos e exposições e um conjunto de fotografias impressas a partir dos negativos doados, algumas das quais foram presentes a exposições. 

A exposição estará aberta ao público de 9 de fevereiro a 15 de abril, na Galeria de Exposições do Centro Cultural de Vila Flor. 

Entrada livre!

Welcome to Bragança!

Grades do Loreto - BRAGANÇA

Durante a XXVII edição do Festival Sabores Mirandeses, a Biblioteca Municipal António Maria Mourinho transforma-se num ponto de encontro entre o saber e o sabor. Convidamo-lo a participar num ciclo de apresentações literárias que celebram desde o pensamento estratégico ao romance e 𝑎 𝑙𝑎 𝑛𝑢𝑜𝑠𝑠𝑎 𝑙ℎ𝑒́𝑛𝑔𝑢𝑎 𝑚𝑖𝑟𝑎𝑛𝑑𝑒𝑠𝑎.

▪ 13 FEV | 16H00: Economia Criativa e Territórios Inteligentes de António Covas. 
▪ 14 FEV | 15H30: Fomos Mais Que Um Erro de Raul Minh’alma. 
▪ 14 FEV | 17H00: Las Abinturas de Tin Tin: Ls Xarutos de L Faraó. 

Poldras do Fervença

 Antes da construção do Jardim António José de Almeida e antes de existir a Torre do Relógio na Sé.

Vamos todos ajudar? São tantos e tantos a precisar! Por todos, custa tão pouco.

Apresentação Pública dos 1ºs 4 autocarros dos STUB´s. 21 de dezembro de 1984.

Tanques do Loreto - BRAGANÇA

Obrigada à autora por atravessar tempestades para estar conosco! Município de Bragança - Agrupamento Escolas Miguel Torga - Bibliotecas Agrupamento de Escolas Abade de Baçal - Biblioteca Emídio Garcia

Feira da Caça mantém impacto no setor hoteleiro mas com quebra face ao ano passado

 A realização da Feira da Caça em Macedo de Cavaleiros teve impactos distintos no setor da hotelaria local, com resultados variados entre os diferentes estabelecimentos do concelho. Enquanto alguns hotéis mantiveram níveis de ocupação semelhantes aos de anos anteriores, outros registaram um ligeiro recuo.


As diferenças são explicadas por vários fatores, entre eles as condições meteorológicas adversas e o cancelamento de algumas atividades do programa do certame, que acabaram por influenciar a procura.

O proprietário do Hotel Muchacho, João Camilo, explica como decorreu este período:

O responsável acrescenta que a ocupação se concentra essencialmente nos dias do evento, não se traduzindo, na maioria dos casos, em estadias prolongadas:

Ainda assim, no Hotel Muchacho, a Feira da Caça continua a representar um impulso relevante para a hotelaria local.

No Hotel Alendouro, o cenário foi diferente. Marisa Alendouro refere que esta edição trouxe alguns constrangimentos face aos anos anteriores:

Apesar disso, houve dias de maior procura, embora, no geral, se tenha registado uma diminuição comparativamente ao ano passado:

Já no Hotel Monte Bela Vista, um  pouco mais afastado da cidade, Sónia Teixeira apresenta uma perspetiva distinta, considerando que a Feira da Caça não tem uma influência significativa na taxa de ocupação do hotel:

O balanço evidencia que, apesar de a Feira da Caça continuar a ser um fator importante para a dinâmica turística do concelho, o impacto na hotelaria não foi este ano homogéneo, refletindo-se numa variação de ocupação entre os diferentes estabelecimentos locais.

Cátia Barreira

Barragens do Douro não foram construídas para controlar cheias

O Douro voltou a inundar as suas margens, a chuva intensa dos últimos dias tem contribuído para o aumento dos caudais dos efluentes do rio, e as barragens têm vindo a efetuar descargas.


Na nossa região estão identificadas 11 áreas de risco potencial significativo de inundação.

O investigador, Rui Cortes, especialista na área dos Recursos Hídricos e Ecologia Aquática, lembra que as barragens do Douro foram construídas para produzir energia elétrica e não para controlar cheias tendo reduzida capacidade de armazenamento:

Rui Cortes defende que o ordenamento do território está mal estruturado e dá como exemplo a marginal de Peso da Régua que” está construída em leito de cheia”:

Rui Cortes diz que a chuva intensa dos últimos dias na bacia do Douro é equivalente ao caudal que Espanha tem de libertar para Portugal durante um ano inteiro.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Universidade FM)

Feira do Fumeiro de Vinhais abre as portas esta tarde

 Entre hoje e domingo Vinhais abre as portas da Feira do Fumeiro, cuja 46ª edição conta com 70 produtores de enchidos. A partir das 14h00 o pavilhão do fumeiro fica aperto ao público e a inauguração oficial está marcada para as 18h00.


A Câmara de Vinhais investe este ano cerca de 400 mil euros na organização da iniciativa, que segundo os dados do município gera um volume de negócios superior a seis milhões de euros, “números que dinamizam a economia local e regional”, destacou o presidente, Luís Fernandes.

Os enchidos impulsionam a venda de outros produtos tradicionais “que têm cada vez maior importância”, como o mel, o vinho, e os cuscos, entre doçaria e artesanato.

Além da exposição e venda de produtos, haverá conferências, das Jornadas Técnicas do Porco Bísaro, concursos, nomeadamente do melhor salpicão, melhor chouriça de carne, demonstrações de culinária, com chefs reputados, mas também concertos com Pedro Abrunhosa (no sábado), Vizinhos (na sexta-feira), Odores de Maria (sexta-feira), Djane Percy, DJ André Meneses e muito mais.

Glória Lopes

Festival do Butelo e das Casulas e "Mascararte" preservam tradições de inverno em Bragança

 Entre 12 e 17 de fevereiro, Bragança prepara-se para receber dois eventos, que marcam este mês, o “Tradições de Inverno: Butelo, Casulas & Caretos” e a “Mascararte – XII Bienal da Máscara”.


Por esta altura na região, a tradição manda que o butelo e as casulas enfeitem as mesas enquanto os mascarados saem à rua com os chocalhos. Por Bragança, os preparativos já começaram com a apresentação do Festival “Tradições de Inverno – Butelo, Casulas e Caretos”.

A autarca de Bragança, Isabel Ferreira, destacou o crescimento “significativo” do festival dedicado a valorizar a gastronomia transmontana. O evento contará com 54 expositores, mais 12 do que na edição anterior. Assim como um crescimento da área em 725 m², distribuída com espaços de exposição, restauração e Showcooking. “Queria destacar também que estes expositores que virão, muitos são do concelho de Bragança, mas também de toda a sub-região de Trás-os-Montes, o que afirma também a importância e a dimensão regional deste evento para a promoção dos nossos produtos endógenos”.

Isabel Ferreira adiantou ainda que, este ano, o investimento do município ronda os 170 mil euros. “É uma estimativa, porque depende daquilo que concretizarmos ou não concretizarmos. E o impacto, temos que o avaliar depois no final do evento, mas certamente muito grande, porque é um evento que atrai muitas pessoas, que impacta também no dinamismo das pessoas que não vêm de fora, mas que aqui vivem, porque é transversal, como eu disse, tem atividades para todas as idades”.

À semelhança das edições anteriores, este festival decorre na Praça Camões entre os dias 13 a 17 de fevereiro.

Em simultâneo, e ainda que por pura coincidência, a cidade acolhe, entre os dias 12 a dia 18 de fevereiro a bienal “Mascararte”. Com o tema “máscaras e símbolos de identidade”, António Tiza destacou que a exposição é composta por mascaras de cinco países. “Espanha, Estados Unidos, México e Peru. Ela foi pensada e realizada para integrar a bienal. Gostaria apenas de referir que nós próprios aqui na cidade beneficiámos desta evolução, deste trabalho de afirmação da máscara e dos rituais com máscara. De tal forma que a nossa tradição de Bragança, cidade, estava praticamente adormecida e neste tempo foi sendo recuperada”.

A presidente da Câmara Municipal, isabel Ferreira destacou que esta Bienal afirma Bragança como Capital Ibérica da Máscaras e destacou que ambos os eventos reúnem talento e artesanato, mas não só. “Afirmamos cada vez mais Bragança como capital ibérica da máscara. É muito importante destacar que hoje este evento reúne e cruza aquele que é o património imaterial, que é uma característica que se tem, que temos o privilégio de ter. Destaco a importância e a riqueza deste programa porque de facto reúne talento, artesanato, objetos identitários, a dimensão da criação artística e da investigação, mas também da cooperação territorial europeia, em particular a cooperação transfronteiriça, que tem uma expressão muito grande neste evento”.

Com Wokshops de máscaras, showcookings e, prometem ser dias de muito comida, artesanato e animação. O Festival Tradições de Inverno e a 12ª Bienal Mascararte vão decorrer em simultâneo, entre os dias 12 a 17 de fevereiro, em Bragança.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Cindy Tomé

Pedidos de ajuda à Cruz Vermelha subiram “significativamente” no ano passado

 Em 2025 a delegação de Bragança a Cruz Vermelha Portuguesa registou um aumento dos pedidos de ajuda. Atualmente, esta entidade apoia cerca de 1530 famílias, com várias modalidades, com base num programa regular de ajuda a pessoas carenciadas, desde alimentos, medicamentos, vestuários, entre outros tipos de auxílio na cidade e nas freguesias. Mais de 680 são utentes da loja de emergência social, como vítimas de violência doméstica, mães solteiras, jovens estudantes, desempregados e migrantes. 


A delegação faz intervenção direta em 22 aldeias do concelho de Bragança de modo a contribuir para o envelhecimento ativo, combatendo o isolamento e a solidão. “Temos mais áreas como a Saúde, transportes e teleassistência, que também já existe no concelho, mais a parte de apoio ao voluntariado internacional”, explicou o delegado regional, Jorge Nunes, sublinhando que “todos os dias alguém passa pela delegação procurando ajuda”.

A procura de apoio na Cruz Vermelha está a aumentar “significativamente”, principalmente alimentos e roupa, tanto mais que os rendimentos são baixos mesmo para quem trabalha e a inflação tem aumentado. “Os pedidos partem de várias proveniências, desde imigrantes, nomeadamente de brasileiros e dos PALOP, mas também de gente do concelho que sente dificuldade ou sopor causa dos percalços que tem na vida”, revelou Patrícia Fernandes, presidente da delegação de Bragança.

Glória Lopes

Centro Europe Direct alarga a sua atividade a toda a região transmontana

 O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) conseguiu aprovação de uma nova candidatura de mais cinco anos para o Centro Europe Direct, a funcionar na Escola Superior Agrária, que permite alargar a sua ação a toda a região transmontana.


O Centro Europe Direct de Trás-os-Montes, inicialmente designado de Bragança, funciona desde 1995, sem interrupção, e, com a aprovação da candidatura, que vigorará entre 2026-2030, poderá continuar as atividades de divulgação de informação europeia agora numa área territorial mais alargada, integrando as NUTS III Terras de Trás-os-Montes, Douro e Alto Tâmega e Barroso.

Segundo a responsável pelo serviço, Silvia Nobre, o centro dará continuidade às atividades desenvolvidas no passado de acordo com as prioridades de informação estabelecidas pela representação da Comissão Europeia em Portugal. “Nós já temos este centro de informação europeia há bastantes anos. Começámos por ter a rede Carrefour, mas eram centros diferentes e mais voltados para o meio rural. Assim funcionou até 2005. Daí para cá, portanto, desde 1995 até 2005, temo-nos candidatado à rede Europe Direct. É uma candidatura feita pela Comissão Europeia à qual se candidatam diferentes instituições no pressuposto de cumprirem, um plano de divulgação das políticas europeias, dos programas europeus e da legislação disponível e ainda sensibilizarem os cidadãos para a importância da participação e da construção europeia”, explicou Silvia Nobre, a responsável pelo Centro Europe Direct de Trás-os-Montes.

Os Europe Direct são centros de informação da União Europeia (UE) focados em aproximar esta instituição dos cidadãos através de informação sobre políticas, oportunidades e a construção europeia, com serviços presenciais e online e colaboração com escolas e outras entidades.

Glória Lopes

Início de funções da Estrutura de Missão para língua mirandesa é “marco histórico”

 O município de Miranda do Douro defendeu na segunda-feira que a entrada em funcionamento da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa (EMPLM) é um marco histórico para este idioma, que acontece 27 anos após o seu reconhecimento.


A presidente da Câmara, Helena Barril, disse que “é preciso assinalar que é um dia histórico e feliz para a língua e cultura mirandesa, para o território da Terra de Miranda, com o início de funções da EMPLM”.

“Mais do que estarmos a carpir mágoas daquilo que aconteceu até aqui, ao longo deste processo, o importante é que temos um organismo de Estado, em Miranda do Douro, para a salvaguarda e divulgação da língua mirandesa”, vincou a autarca deste concelho do distrito de Bragança, em declarações ao Mensageiro.

De acordo com Helena Barril, a partir do momento em que a Estrutura de Missão, está no terreno, “o município está com muita esperança durante os próximos quatro anos”, tempo de vigência da EMPLM, “no respeita ao trabalho da promoção do mirandês”.

“Todo este trabalho terá o apoio do município, do Conselho Consultivo da EMPLM, para o cumprimento dos desígnios a que se propuseram”. “Vamos assim honrar os nossos antepassados que nos deixaram esta língua da forma como ela é, ou seja da tradição oral que agora já figura em traduções de obras literárias importantes”.

Helena Barril alertou para a globalização a que o mirandês poderá estar exposto e as influencias “menos positivas” que pode ter no idioma, com o aumento da exposição.

Francisco Pinto

IPB celebra acordos com o Paraná para criar um canal de mobilidade de empresas startups

 O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) assinou, ontem, protocolos com várias instituições de ensino superior e entidades do Paraná (Brasil), que visam criar uma mobilidade de empresas tecnológicas, nomeadamente startups, além de alunos e docentes.


Trata-se de acordos pioneiros, uma vez que vão além da mobilidade habitual de alunos e professores, por incluir o mundo empresarial. A iniciativa vai começar como projeto piloto no IPB, mas deverá ser alargada à região Norte. “O nosso objetivo é mais vasto do que a mobilidade de alunos e professores nos dois sentidos, embora, a ideia é que o intercâmbio seja ao nível da pós-graduação e de doutoramentos, sobretudo estes acordos são ao nível de doutoramento, mas mais do que isso, queremos criar uma mobilidade de empresas tecnológicas, de startups. É um objetivo ambicioso no âmbito da inovação, que implica que startups dos dois lados participem. Do Brasil para que possam instalar-se nos nossos parques científicos e tecnológicos e ser ajudadas a crescer e a desenvolver-se, e de Bragança e da Região Norte para que se instalem no Paraná”, explicou o presidente do IPB, Orlando Rodrigues.

Este tipo de acordo “nunca aconteceu”, admitiu Orlando Rodrigues. “É claramente uma ambição muito grande deste projeto que vai em linha com o que se deve ser o contexto do acordo União Europeia – Mercusul”, acrescentou o responsável.

IPB promoveu durante três dias um encontro internacional para ligar ecossistemas de inovação do Norte de Portugal e do Paraná (Brasil)”, uma iniciativa estratégica que visa reforçar a cooperação científica, tecnológica, académica e empresarial entre Portugal e o Brasil.

O encontro reuniu dirigentes de instituições de ensino superior portuguesas e brasileiras, responsáveis governamentais e entidades de financiamento da ciência e inovação, num momento-chave de reflexão sobre novas oportunidades de cooperação internacional, nomeadamente no contexto do acordo União Europeia – Mercusul.

Glória Lopes

Comprar casa em Bragança exige menos de metade do esforço financeiro de Lisboa

 No distrito de Bragança, o número de anos necessários para compensar a compra de casa é significativamente mais baixo


Comprar casa em Portugal continua a exigir um grande esforço financeiro, mas em Bragança a realidade é bem diferente da que se vive nas grandes cidades do país.

De acordo com dados do portal imobiliário Imovirtual, são necessários, em média, 28 anos e meio de rendas para comprar casa em Portugal. Este indicador resulta da comparação entre o preço médio de venda e o valor anual do arrendamento e mostra fortes desigualdades entre o litoral, o interior e as ilhas.

No distrito de Bragança, o número de anos necessários para compensar a compra de casa é significativamente mais baixo, situando-se entre os 13 e os 17 anos. Um valor que coloca a região entre as mais equilibradas do país e que contrasta com a realidade de distritos como Lisboa, Faro ou Aveiro, onde este esforço ultrapassa os 30 anos.

Segundo o Imovirtual, 25 dos 29 territórios analisados apresentam rácios superiores a 25 anos. Bragança integra o grupo restrito de distritos do interior onde comprar casa continua a ser uma opção financeiramente mais vantajosa do que arrendar, sobretudo para quem procura estabilidade a médio e longo prazo.

Nas áreas metropolitanas, o cenário é oposto. Em Lisboa, são necessários quase 33 anos de rendas para comprar casa. Em Faro, o valor sobe para mais de 35 anos. Nestes mercados, os preços de venda muito elevados fazem com que o arrendamento seja a opção mais flexível, especialmente para quem valoriza mobilidade profissional.

Para o Imovirtual, esta diferença territorial ajuda a explicar porque não existe uma resposta única à pergunta “comprar ou arrendar”. A responsável de marketing do portal, Sylvia Bozzo, sublinha que o trabalho remoto está a permitir que muitos profissionais optem por viver no interior, onde os rácios são mais equilibrados e o acesso à casa própria é mais viável.

A responsável acrescenta ainda que uma eventual descida das taxas de juro em 2026 poderá tornar distritos como Bragança ainda mais competitivos para a compra de habitação.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Detido homem suspeito de tentar matar a companheira em Carção / Vimioso

 Suspeito atropelou a mulher propositadamente e pôs-se em fuga 

Um homem de 57 anos foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), esta quinta-feira, por ser suspeito de tentar matar a companheira, em Carção, no concelho de Vimioso.

Segundo a PJ, os factos ocorreram durante a manhã de ontem, numa via pública do concelho de Vimioso, “quando o arguido, no contexto de desavenças decorrentes da relação conjugal, conduziu deliberadamente uma viatura automóvel contra a vítima, de 58 anos, causando-lhe lesões graves”, explicou a PJ, em comunicado.

O detido, de 57 anos, vai ser presente a interrogatório judicial, tendo em vista a aplicação de medidas de coação.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Rita Teixeira