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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

MÃE E FILHO DETIDOS APÓS AGRESSÃO A POLÍCIA EM MIRANDELA

 FAMÍLIA TERÁ REAGIDO COM VIOLÊNCIA A ABORDAGEM POLICIAL SOBRE SUSPEITAS DA AUTORIA DE UM ROUBO POR ESTICÃO. AGENTE DA PSP E SUPOSTO AGRESSOR FORAM ASSISTIDOS NO HOSPITAL LOCAL, MAS JÁ TIVERAM ALTA.


Um homem de 23 anos e a sua mãe, de 48, receberam ordem de detenção, a meio da tarde de ontem (sábado), depois de se envolverem em agressões físicas com um agente da Brigada de Investigação Criminal da PSP de Mirandela, revela uma fonte daquela autoridade de segurança.

O detido e o agente da PSP sofreram ferimentos ligeiros no confronto físico e ambos receberam tratamento no serviço de urgência do hospital de Mirandela, vindo a ter alta, ao final da tarde, confirmou fonte daquela unidade hospitalar. O polícia ficou com um hematoma na cabeça e no joelho, enquanto o detido teve de ser suturado na cabeça.

Ainda segundo fonte da PSP, o caso aconteceu na sequência de uma queixa de roubo por esticão, apresentada por uma mulher. Uma equipa da Brigada de Investigação Criminal interrogou a vítima, para recolher alguns dados que pudessem levar à identificação do autor do roubo, e as características físicas relatadas apontavam para um homem que já tem antecedentes criminais neste tipo de crime.

Uma equipa da Brigada de Investigação da PSP de Mirandela abordou, na via pública, o indivíduo suspeito que se encontrava com a mãe e alguns amigos, relata a mesma fonte.

A reação do homem à abordagem dos agentes da PSP terá sido violenta, partindo para a agressão a um dos polícias, que também terá tido o envolvimento da mãe. O alegado agressor foi manietado por um dos agentes que lhe colocou as algemas e deu voz de detenção.

Os alegados agressores foram entregues, sob detenção, na esquadra da PSP, sendo posteriormente libertados, sob o Termo de Identidade e Residência, e notificados para comparecerem no Tribunal Judicial de Mirandela, esta segunda-feira.

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)

Quase poema… ou da sabedoria

Por: Fernando Calado
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


Assim falava Cristopina, o pedinte mais andrajoso que conheci:

- Esconjura para longe de ti todos aqueles que apregoam as suas virtudes públicas… Esconjura todos aqueles que, solidários, choram copiosamente a desgraça alheia… em vez de sofrerem no silêncio do coração.

Esconjura para longe de ti, em sexta-feira 13, todos aqueles que te servem palavras doces… melíficas… e te embalam em canções dolentes… Desconfia! Pois o homem honrado e virtuoso orienta a sua ação pela vida discreta… solidária… fraterna… e silenciosa… onde as palavras valem apenas o que valem diante da grandeza do ato.

...Que pena tenho dos que sofrem pelo mundo!

…E quem tem pena dos que sofrem à nossa porta?!

…A loucura anda à solta!

Que a nossa boa estrela nos livre de todo o mal!

“Não há uma verdade primeira; só há erros primeiros.”

…Todos os que nos mentiram e roubaram… devolveram-nos a verdade!

…Aprendemos com os erros!

…A lucidez não tem preço!

…O sofrimento purifica-nos!

- Bom dia, Sr. Cristopina!

- Bom dia, Fernando!


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

1871 – Registam-se 21 feiras de seda no Distrito de Bragança

José Caetano Saraiva Caldeira de Miranda 1.º conde de Almendra - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 8.junho.1906 – 13.setembro.1906
VILA NOVA DE FOZ CÔA, 1.2.1854 – VILA NOVA DE FOZ CÔA, 7.6.1931

Proprietário.
Governador civil de Bragança (1906).
Natural da freguesia de Almendra, concelho de Vila Nova de Foz Côa.
Filho de José Caetano Saraiva Caldeira, proprietário e bacharel em Direito, e de Antónia Amélia de Miranda.
Afilhado e sobrinho materno de António José de Miranda, 1.º visconde de Paradinha do Outeiro e governador civil de Bragança.
Casou com Maria José de Arrochela Pinto de Miranda Montenegro, filha de Martinho José Pinto de Meneses e Sousa Melo de Almeida Correia de Miranda Montenegro Pamplona, 1.º conde de Castelo de Paiva, sem descendência.
1.º conde de Almendra (decreto de 26.12.1906).

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Chegou a frequentar o primeiro ano de Direito na Universidade de Coimbra, porém sem nunca o concluir, uma vez que teve de abandonar Coimbra para poder dirigir a sua importante casa agrícola, devido ao falecimento do irmão mais novo e à doença incurável do seu pai. Tornou-se assim um grande proprietário agrícola, com quintas, casas e terrenos espalhados pelos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé, e um rico palacete brasonado em Almendra, Vila Nova de Foz Coa, que ainda hoje resiste.
Em 1888, viu o seu património aumentar exponencialmente, uma vez que o seu tio e padrinho António José de Miranda, falecido em março desse mesmo ano, solteiro e sem geração,  instituíra o seu afilhado como herdeiro de todos os seus bens não vinculados.
Por decreto de 8 de junho de 1906, foi nomeado governador civil de Bragança, lugar de que tomou posse a 20 do mesmo mês, mas logo em 13 de setembro seguinte foi exonerado destas funções.
Testemunhos de quem o conheceu pessoalmente garantem que pagava frequentemente as contas da farmácia local aos almendrenses mais necessitados e que suportou mais de uma dúzia de cursos superiores. Sempre que reconhecia em alguém capacidade para os estudos, mandava-o para o Colégio de Lamego e depois para a Universidade.
Enviuvaria cedo, vindo a falecer a 7 de junho de 1931, aos 77 anos, sem descendentes. Contudo, deixou um importante legado patrimonial e o seu solar é, mesmo nos dias de hoje, uma das mais importantes referências arquitetónicas do concelho de Vila Nova de Foz Côa. Deixou, além disso, por ocasião da sua morte, uma quantia significativa a todos os seus empregados e aos pobres de Almendra, Castelãos e Vilares de Vilariça, locais onde tinha casas, além do usufruto vitalício a muitos dos seus rendeiros.

Notícia da chegada de José Saraiva Caldeira de Miranda a Bragança (1906)

Chegou na quarta-feira a Bragança, tomando logo posse do seu alto cargo, o delegado de confiança do atual Governo.
O Sr. José Saraiva Caldeira de Miranda, representante de uma das mais nobres e ilustres famílias do distrito de Bragança – da família Miranda, cujo nome simbolizou a política do Partido Conservador de Costa Cabral e depois do Partido Regenerador – é um homem de espírito inteligente e culto, de aprimorada educação e de belo caráter, qualidades que reputamos garantia de uma administração séria e de uma política cordata, como confiamos fará.
Foi acompanhado desde Macedo até aqui por seu primo, o general reformado António Augusto de Miranda, seu primo afim Sr. Dr. Francisco de Meneses Cordeiro e por avultado número de correligionários do distrito e de influentes progressistas de Bragança.
Como adversários políticos leais que nos prezamos de ser, damos ao novo governador civil as boas-vindas e fazemos votos por que não tenhamos motivos legítimos para o censurar, antes proporcione benefícios a Bragança e a todo o distrito que o tornem credor da gratidão geral.

Fonte: Gazeta de Bragança, XVI ano, n.º 735, 1906.

Elogio ao procedimento de Caldeira de Miranda na substituição do médico municipal de Bragança (1906)

A vereação deste concelho, tendo o propósito de demitir um seu médico municipal para o substituir pelo Dr. Antero Adelino Guerra e Sá, fez-lhe uma devassa vergonhosa naquela qualidade, mas pretendendo atingi-lo na sua vida particular; como porém a prova contra ele não fosse nenhuma e ela quisesse eximir-se às responsabilidades pecuniárias, penais e outras, mendigou-se do Sr. Eduardo, que era ao tempo ministro do Reino, que o demitisse de subdelegado de saúde e juntando à denúncia as peças da acusação do médico municipal – o que tudo vinha a dar em miserável devassa de vida íntima do Dr. António Augusto de Azevedo.
Aos rogos seguiu-se a imposição – feita pelo presidente da Câmara, Constantino Pegado, e por Camilo de Mendonça e Visconde de Vale Pereiro [José Manuel Martins Manso] – de que se o ministro não acedesse se dissolveria o Partido Progressista de Vila Flor!
A exoneração veio. Podia tê-la evitado o funcionário aludido, aproveitando-se das dedicações de amigos ou servindo-se da chantagem que em volta do caso fazia a autoridade! Mas não quis: sendo funcionário zeloso e médico distinto é homem honrado.
É essa exoneração por conveniência de serviço.
Foi, pois, comida a vereação! Mas porque não o percebesse ou fingisse não o perceber, e contando com cumplicidade da parte dos outros e fundamentando a sua deliberação no disposto no § 3.º do artigo 304 das leis vigentes de saúde, declarou vago o lugar do médico municipal e pediu autorização para o pôr a concurso.
O Sr. Caldeira de Miranda, nobre governador civil de Bragança, respondeu ou mandou responder que a vereação labora em erro porque se a disposição legislativa citada diz que a pena de exoneração dos subdelegados de saúde implica a de médicos municipais que são, é todavia certo que, sendo dada por conveniência de serviço, uma exoneração não é pena – ideia esta que para a referida disposição devia estar e estava no espírito do legislador.
Por isso o Exmo. governador civil Sr. Caldeira de Miranda interpretou bem a lei.
E procedeu briosamente.
A vereação há de pois ter e ser-lhe-ão exigidas as suas responsabilidades, se nas circunstâncias aludidas exonerar o médico municipal de que se trata.
Não haveria mais que ver estranhos a expulsar os naturais deste concelho, freguesia e vila sem razão e impunemente! (...)
E a propósito: pede-se ao nobre governador civil que mande sindicar da forma como desde janeiro de 1905 foram feitos pagamentos a fornecedores da Câmara, a empregados e a amas como subsídio de lactação.

Fonte: Gazeta de Bragança, Ano XVI, n.º 741, 1906.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Distrital da Guarda, Livro de Registo de Baptismos, Paróquia de Almendra, 1824 1855.
Gazeta de Bragança, ano XVI, n.º 735 e n.º 741, 1906.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
GRANDE Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, t. II, Lisboa, 1935-1987.
Geneall – Portal de Genealogia (disponível em geneall.net).

Publicação da C.M. Bragança

Importa ultrapassar o envelhecimento demográfico em Portugal

 
O mundo, Portugal inclusive, mudou muito ao longo da minha vida, sendo a redução drástica da pobreza extrema (abaixo do limiar fixado em um 1,9 dólares por dia) o acontecimento que considero mais importante, ao ter diminuído de 75% da população mundial em 1950 para 9% atualmente.

Entretanto, a população mundial mais que triplicou, se bem que a taxa de fecundidade, ou seja, a média do número de filhos por mulher até ao fim do período reprodutivo, tenha diminuído 50%; mas, por outro lado, a taxa de mortalidade infantil baixou de 15% para 3% e a esperança de vida elevou-se de 46 para 72 anos. Apesar do referido crescimento da população mundial, de 2,5 para 8 mil milhões de seres humanos, a produção de alimentos aumentou de forma ainda mais acentuada, graças aos progressos notórios que se registaram na agricultura, com destaque para a produção de adubos azotados e para o melhoramento genético de plantas e de animais.

No caso de Portugal, desde o fim da II Grande Guerra até ao presente, a população residente elevou-se de 8,4 para 10,3 milhões, mas importa sublinhar que desde 1982 não há renovação de gerações, devido principalmente ao facto do índice sintético de fecundidade ser um dos mais baixos do mundo (1,34 filhos por mulher em idade fértil, em 2021).

Em consequência do crescente envelhecimento demográfico, atualmente Portugal é um dos dez países mais envelhecidos do mundo, de tal modo que por cada 100 indivíduos que saem do mercado de trabalho apenas ingressam 76. 

Este quadro é especialmente grave no setor agrícola, que nas últimas três décadas registou uma quebra média de 30 mil trabalhadores por ano, baixando de 16% para 6% da população residente – em grande parte devido à reforma da Política Agrícola Comum (PAC) de 1992, na sequência da qual as terras aráveis baixaram de 2,3 para 1,0 milhão de hectares (entre 1989 e 1993 o decréscimo da mão-de-obra agrícola foi especialmente acentuado: 272 mil no total, sendo 251 mil mão-de-obra familiar) e, adicionalmente, devido também à crescente mecanização agrícola. Acresce que 60% dos trabalhadores agrícolas têm 55 ou mais anos e apenas 3,9% têm menos de 40 anos.

A esta evolução demográfica negativa devemos acrescentar a emigração portuguesa, tudo concorrendo para que a falta de mão-de-obra seja um problema transversal a vários setores de atividade, podendo ser mitigada pela imigração. 

No setor agrícola a falta de mão-de-obra faz-se sentir não só em atividades temporárias (e.g. colheita de fruta, vindimas, horticultura), como também em atividades permanentes (e.g. produção animal), podendo afirmar-se que sem imigração a agricultura portuguesa já não sobrevive. 

A imigração, porém, enfrenta entre nós alguns problemas, nomeadamente de índole organizacional, inclusive dificuldades de comunicação quando se trata de imigrantes não falantes de língua portuguesa. 

Outros países recorrem em larga escala à imigração, mas alguns controlam-na consoante as necessidades do país. É o caso, por exemplo, do Canadá, que recebe milhões de pessoas qualificadas, concedendo-lhes vistos temporários (variáveis e em geral até seis meses) ou vistos permanentes desde que comprovem determinados requisitos, o que lhes permite inclusive tornarem-se cidadãos canadenses e reunir os membros da família. O Canadá possui mais de 60 programas de imigração, contemplando diversos públicos-alvo que quer atrair. Naquele país, em 2019 os imigrantes foram responsáveis por 80% do crescimento da população e, no início de 2030, espera-se que o referido crescimento dependa exclusivamente da imigração, dado que a taxa de natalidade é baixa. 

Outra alternativa, complementar da imigração, reside em criar em Portugal condições favoráveis ao aumento da atual taxa de natalidade, que nos coloca entre os países onde nascem menos bebés. Para o efeito cabe ao Estado diversas iniciativas, com relevo para a disponibilização de creches, mas também à sociedade, na medida em que são cada vez mais as mulheres que exercem uma atividade profissional como os homens, mas por razões culturais estes nem sempre partilham as tarefas domésticas, incluindo as que respeitam aos cuidados dedicados às crianças.

Manuel Chaveiro Soares
Engenheiro Agrónomo, Ph. D.

VINHAIS RECEBE LANÇAMENTO DO LIVRO SOBRE TRADIÇÕES MASCARADAS DE PORTUGAL

 Vinhais foi acolheu ontem, dia 21 de fevereiro, a apresentação do livro “Máscaras – Rituais de Portugal | Coleção de Roberto Afonso”, uma obra-catálogo que explora as tradições mascaradas e as festas de Inverno, elementos centrais da identidade cultural do concelho e da região.


O evento, realizado no Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais, evidenciou o interesse e o orgulho local pelas tradições populares. Entre os presentes estiveram o Presidente da Câmara Municipal, Luís Fernandes, o Vice-Presidente, Artur Marques, Alex Rodrigues, investigador e representante da Academia Ibérica da Máscara, e o autor e colecionador Roberto Afonso, que partilhou o percurso e a motivação por detrás desta coleção.

Durante a sessão, salientou-se a importância de valorizar o património imaterial, os artesãos e as comunidades que mantêm vivas estas manifestações culturais, numa região descrita como “uma Terra dos Diabos”. A obra reúne contributos de vários especialistas, oferecendo uma visão detalhada das festas, personagens, trajes e máscaras, apresentada de forma acessível e visualmente cuidada, consolidando-se como referência para a preservação e promoção das tradições mascaradas portuguesas.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: CM Vinhais

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Bragança, 562 anos de elevação a cidade. As homenagens e a minha perceção.


Celebrar a cidade é celebrar as suas gentes. E é precisamente aqui que nasce a reflexão, porventura incómoda, mas necessária. Quem deve ser homenageado quando a cidade se homenageia a si própria?

 Acompanhei a cerimónia oficial do primeiro ao último minuto. Não discuto critérios mas também não enjeito o meu direito a ter opinião.

É tradição, nestas comemorações, distinguir “personalidades” consideradas merecedoras do reconhecimento coletivo. Porém, importa perguntar, com frontalidade e honestidade, que mérito é esse que se distingue? Que valor extraordinário é celebrado quando se trata de alguém que apenas cumpriu as funções para as quais foi nomeado, eleito ou contratado? Se um gestor público gere, se um político governa, se um dirigente dirige, não estará apenas a cumprir a obrigação que assumiu, remunerada e sustentada pelos impostos de todos?

Não se trata de desvalorizar o trabalho. Pelo contrário. O trabalho é nobre. Mas há uma diferença clara entre cumprir o dever e transcender o dever. Entre fazer o que é exigido e oferecer o que é gratuito. Entre a função e a vocação.

Quem exerce cargos públicos, quem assume responsabilidades políticas ou administrativas, fá-lo, legitimamente, em troca de uma remuneração e de reconhecimento institucional. Se desempenha bem as suas funções, honra o compromisso assumido. Mas isso é o mínimo esperado. É a obrigação. Não é um favor. Não é um gesto de altruísmo. É dever.

Homenagem, essa palavra tão carregada de significado, deveria ser reservada para o que é raro, para o que é desinteressado, para o que nasce do amor à terra e não do estatuto que a terra confere. Homenageado deveria ser o cidadão comum que, sem palco nem manchetes, colabora silenciosamente para elevar o nome de Bragança e da região. Aquele que organiza, que ajuda, que ensina, que cria, que cuida, não porque recebe por isso, mas porque sente que é sua obrigação moral contribuir.

Há homens e mulheres que, depois de cumprirem as suas jornadas de trabalho, ainda encontram energia para dinamizar associações, preservar tradições, apoiar os mais frágeis, promover a cultura, defender o património. Fazem-no sem esperar medalhas, sem discursos, sem fotografia oficial. Fazem-no por amor. E esse amor, sim, é extraordinário.

Na minha ideia só deveria ser homenageado quem nada recebe monetariamente pelo que faz pela sua terra, quem age pro bono, quem oferece tempo, talento e esforço sem contrapartida material. Porque aí há renúncia. Há generosidade. Há uma entrega que ultrapassa o interesse pessoal.

Também me parece sensato refletir sobre a homenagem precoce a crianças ou jovens imberbes. O talento deve ser incentivado, sem dúvida. O mérito deve ser reconhecido. Mas transformar jovens em símbolos públicos pode, por vezes, criar deslumbramento prematuro, pressão excessiva, expectativas difíceis de sustentar. A aprendizagem exige humildade, tempo, erro, crescimento. A exposição pode desviar o foco do essencial. Formar caráter antes de formar celebridades.

Por outro lado, há profissionais liberais que, longe dos holofotes, mantêm portas abertas durante décadas. Gente que atravessa crises económicas, desertificação, dificuldades logísticas, concorrência desigual e, ainda assim, permanece. Médicos, advogados, comerciantes, artesãos, técnicos, empresários de pequena escala. Pessoas que investem na cidade quando outros partem. Que criam emprego. Que prestam serviços de proximidade. Que conhecem pelo nome aqueles que atendem. Que resistem. Essa persistência é uma forma de amor. E esse amor honra Bragança todos os dias.

Celebrar os 562 anos de Bragança deveria ser, acima de tudo, celebrar a fibra moral dos seus habitantes. A cidade não é apenas o seu passado medieval, nem os seus edifícios históricos, nem os cargos institucionais que a governam. A cidade é o povo que acorda cedo no inverno transmontano. É o comerciante que abre a porta mesmo quando a rua está vazia. É o voluntário que organiza eventos culturais. É o vizinho que ajuda o vizinho. É o emigrante que, longe, continua a dizer com orgulho: “Sou de Bragança.”

Se a homenagem pública pretende ser justa, que seja criteriosa. Que distinga o que é excecional do que é obrigatório. Que reconheça o altruísmo antes do cargo. Que celebre a dedicação desinteressada antes do protagonismo institucional.

Uma cidade engrandece-se não apenas pelos títulos que recebeu há 562 anos, mas pelos valores que escolhe honrar hoje.

E talvez a maior homenagem que Bragança possa fazer a si própria seja a de olhar para os seus cidadãos comuns, reconhecer neles a verdadeira nobreza e dizer, com gratidão sincera, sois vós que fazeis da cidade um lugar digno de ser celebrado…

HM
Fevereiro de 2026

Bragança assinalou este sábado (21), 562 anos desde a sua elevação a cidade, com um dia repleto de atividades para toda a comunidade. As comemorações incluíram iniciativas culturais e momentos de convívio, reforçando a ligação da cidade à sua história e à memória coletiva.

𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚. 𝟓𝟔𝟐 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐂𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.

 Uma história feita de tempo e de gentes.
De quem ficou, de quem partiu e de quem regressa, sempre.

Entre muralhas e horizontes abertos, Bragança construiu-se com trabalho, coragem e comunidade.

Honra a memória que a trouxe até aqui, vive o presente com determinação e avança para o futuro com a confiança de quem sabe recomeçar, sempre.

Celebramos o que fomos, o que somos e tudo o que ainda vamos ser.

Parabéns, 𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚.

Uma cidade que nunca deixa de recomeçar.

--

© Voz-off: "Sísifo", de Miguel Torga

O “LÉZINHO”


Alegre, faceto, bem disposto e, melhor ainda, amante da família, assim era o senhor Nazaré Barreira. A Dona Piedade, sua mulher secundava-o nas ingentes tarefas de dar de comer a quem tinha fome e de beber a quem tinha sede.

À custa de muito trabalho, de engenho e paciência e senhor Nazaré, transformou a casa de pasto em afreguesado restaurante.
Nos dias de feira e nas tardes domingueiras de emocionantes relatos futebolísticos até a cozinha se enchia de barulho e de gente. Pais de filhas, a Dona Piedade e o seu marido, ficaram ébrios de felicidade, quando lhes nasceu um varão – o Lézinho -, de seu nome: António José Barreira. Menino da sua mãe e das irmãs, o Lézinho mal começou a andar, livre passou a ser o seu caminho no vai e vem entre o antigo quartel dos bombeiros e o comércio do senhor Cândido Parente, extremoso e paciente benfiquista.
Saí de Bragança, os anos correram, quando voltei a encontrá-lo, pelo seu natural vigor era homem feito. Tinha-se transformado numa figura popular cujos chistes e apartes eram (e são) glosados sem malícia ou falsa virtude.
Dos seus tempos de adolescente recordo-me de ele ser uma espécie de passarinho a avisar o guarda Alfredo, exuberante sinaleiro, da chegada dos superiores. E porquê? Porque a linguagem gestual e, os estridentes silvos do apito provocavam irritante secura na boca do cívico. A fim de aplacar a megera, , o eficaz disciplinador de trânsito saltava da peanha e entrava no átrio das instalações da negregada Legião Portuguesa, a fim de se dessedentar. Se o Lézinho presenceava o refrescar da garganta, implacável dizia: “Alfredo, se o chefe te apanha estás tramado”. O tramado era dito no mais puro vernáculo.
Nos últimos tempos encontrei-o nas imediações da Igreja da Misericórdia, a paredes meias da sua residência. Conversei com ele uma vez ou duas, e falou-me serenamente, dizendo-me, várias vezes, com uma certa insistência, que ocupa o tempo a levar a cruz nos funerais. Sempre são uns euros a chocalharem na algibeira. No café Chave D´Ouro, pediu-me para lhe tirarem a fotografia, pois também queria sair no “Mensageiro”. Sem qualquer tipo de reserva ou precaução prometi-lhe da sua pretensão dar conta ao director do jornal. Os seus olhos admitiam a esperança em tal? Claro que sim. O seu desejo é agora satisfeito, ou não fosse este jornal um farol de: “fé, esperança e caridade”.

Figuras notáveis e notórias bragançanas
Texto: Armando Fernandes
Aguarelas: Manuel Ferreira

Quem foi Maria Madalena? Os historiadores ainda estão a tentar descobrir.

 É uma das figuras mais reconhecidas da Bíblia – e talvez a mais incompreendida. Talvez seja por isso que os académicos não conseguem deixar de perseguir a verdade sobre Maria Madalena.

VIA BRIDGEMAN IMAGES-Maria Madalena é uma das mais reconhecíveis e incompreendidas figuras da Bíblia. Os académicos passaram centenas de anos a cruzar textos religiosos e escavações em cidades antigas em busca de provas da sua vida.

Foi dito que era uma mulher possuída por demónios, trabalhadora sexual e esposa de Jesus: a história de Maria Madalena foi escrita e reescrita inúmeras vezes ao longo de 2.000 anos, desde que se tornou seguidora de Jesus de Nazaré.

É possivelmente uma das figuras mais reconhecidas da bíblia, mas muito do que sabemos sobre Maria Madalena permanece envolto em mistério. O que é verdade sobre ela – e que evidências arqueológicas têm os académicos sobre a sua vida e o seu mundo?

Separando os factos da ficção

As evidências textuais sobre Maria Madalena vêm sobretudo dos evangelhos canónicos atribuídos a Mateus, Marcos, Lucas e João. Eles identificam-na como parte do círculo de Jesus e alguém que foi ao seu túmulo para ungir o seu corpo na manhã da Páscoa.

No entanto, nem sempre os quatro autores concordam sobre os pormenores da sua vida. Lucas, por exemplo, alega que estava possuída por demónios, enquanto outros afirmam que assistiu à crucificação de Jesus.

Além disso, os evangelhos não-canónicos – escritos dos primeiros tempos do cristianismo que não integram o Novo Testamento – fornecem relatos diferentes da relação de Maria Madalena com Jesus, incluindo insinuações a uma ligação forte. Alguns destes textos sublinham que “os discípulos homens desdenham dela por ser mulher”, dizem James R. Strange, Charles Jackson Granade e Elizabeth Donald Granade, professora de Novo Testamento na Universidade de Samford, no Alabama.

Que outras informações podem os académicos obter destes textos? Elizabeth Schrader Polczer, professora assistente de Novo Testamento na Villanova University, observa que “o nome de Maria Madalena nunca surge associado a um homem, como o de muitas outras mulheres. Isto sugere que era uma mulher independente.”

A Lamentação de Cristo, uma pintura a óleo de Sandro Botticelli, retrata Maria Madalena aos pés de Cristo após a sua crucificação. Os evangelhos discordam sobre o facto de ela ter efectivamente assistido à crucificação e a ausência de evidências sobre a sua vida deu rédea livre aos artistas para a imaginarem.

Esta falta de certezas sobre Maria Madalena nos textos bíblicos tem alimentado mitos, equívocos e especulação. Um dos principais: que era uma trabalhadora sexual. Este mito remonta a 591, quando o Papa Gregório I confundiu erroneamente Maria Madalena com uma figura identificada como “pecadora” no Evangelho de Lucas. Não existem provas de que seja verdade – mas tem sido uma ideia difícil de abandonar.

Em busca de evidências arqueológicas em terras bíblicas

Contudo, os académicos não dependem apenas de evidências textuais para examinar o passado. A arqueologia já fez descobertas significativas sobre o mundo descrito na bíblia, embora apresentem os seus desafios.

Strange sublinha: “As evidências arqueológicas sobre a existência de uma figura antiga têm de ser uma inscrição, por exemplo, no pavimento em mosaico de uma sinagoga ou num sarcófago. Como pode imaginar, costumamos encontrar nomes de pessoas ricas ou poderosas, ou ambas, inscritos em objectos antigos.”

Ocorreu tal descoberta sobre Maria Madalena?

Outro ponto de partida lógico para uma exploração do mundo de Maria Madalena seria escavar o seu local de origem.

Tradicionalmente, muitos presumiram que o nome Madalena significava o local de Nascimento de Maria, Magdala. Como tal, ela é frequentemente mencionada como “Maria de Magdala.” E onde era ao certo Magdala? Os primeiros teólogos não sabiam.

Deveria ser perto do Mar da Galileia. A arqueóloga Marcela Zapata-Meza, directora do Magdala Archaeological Project entre 2010 e 2024, destaca que “há histórias sobre peregrinos que afirmam ter estado na casa de Maria Madalena, nas margens do Mar da Galileia”, a região onde Jesus foi activo.

No século VI, os primeiros cristãos começaram a referir-se a um local específico como “Magdala”: as ruínas de uma cidade antiga situada no lado ocidental do Mar da Galileia.

Contudo, Schrader Polczer, e a historiadora Joan E. Taylor, afirmam que não existem evidências de este local ter sido a terra natal de Maria Madalena.

“Durante o século I, este local era conhecido como Tarichaea [o seu nome grego]”, diz Schrader Polczer. “Não era conhecido como Magdala durante o tempo de vida de Jesus.”

Ela acrescenta: “É um equívoco referirmo-nos a ela como Maria de Magdala porque nenhum autor dos evangelhos se refere a Maria Madalena desta forma. Em vez disso, os autores dos evangelhos chamam-lhe consistentemente ‘Maria a Madalena’ ou ‘a Madalena Maria’. ‘Madalena’ também poderia indicar um título honorífico (‘Maria a Torre’) e não a sua cidade natal.”

As evidências arqueológicas poderiam, teoricamente, pôr fim a estas questões. E as escavações em Magdala revelam informações úteis sobre o mundo de Maria Madalena. Em 2009, os investigadores descobriram uma antiga sinagoga no local, juntamente com uma pedra gravada com uma menorá, ilustrando como os residentes de Magdala poderiam praticar a sua religião no século I. Também foram descobertas instalações de água com degraus em espaços públicos e privados, que podem ter sido utilizadas para purificação ritual na comunidade judaica – e que seriam certamente um luxo. “Todos estes locais recebem água subterrânea e isso torna-os os mais puros de Israel”, diz Zapata-Meza.

No entanto, “não existem evidências arqueológicas sobre Maria Madalena”, diz Zapata-Meza. E embora alguns investigadores tenham afirmado que rastrearam os restos mortais de Maria Madalena até França ou um túmulo século I em Jerusalém, estas afirmações têm pouca credibilidade na comunidade académica.

Preenchendo as lacunas

Apesar de tudo, os académicos continuam a descobrir novas e fascinantes pistas sobre a vida e o trabalho de Maria Madalena sempre que encontram um texto antigo há muito perdido.

No final de 2023, foi publicado P.Oxy 5577, um fragmento de papiro do Egipto que pode revelar algumas informações fundamentais. “Maria Madalena pode ter sido um dos discípulos mais próximos de Jesus”, diz Schrader Polczer, “e este fragmento de papiro recentemente publicado sustenta essa possibilidade porque Jesus ensinou uma mulher chamada Maria a tornar-se uma imagem da incorruptível luz eterna’”. No entanto, o papiro não identifica explicitamente a mulher como Maria Madalena.

Schrader Polczer acrescenta que os pormenores mais essenciais sobre a sua vida permanecem esquivos. “Há muita coisa que nunca saberemos sobre Maria Madalena. Não podemos ter a certeza de onde nasceu, quem era a sua família, a idade que tinha aquando da crucificação, ou o que lhe aconteceu após os acontecimentos da manhã da Páscoa.”

Porque continuam, então, os investigadores a perseguir o mistério de Maria Madalena? Porque a sua história oferece vislumbres da história do cristianismo – e porque ela foi incompreendida durante tanto tempo. Embora a escassez de evidências sobre a sua vida tenha dado origem à proliferação de mitos durante centenas de anos, Schrader Polczer diz que “o lado bom é que Maria Madalena se tornou a santa padroeira dos trabalhadores sexuais e das ‘mulheres caídas’ ao longo dos séculos”.

Com efeito, Maria Madalena veio a ser associada com pessoas historicamente marginalizadas, como leprosos, e leprosários da Idade Média e do início da Idade Moderna receberam por vezes o seu nome. Muitos continuam a considerá-la alguém que defende as pessoas negligenciadas, rejeitadas ou ignoradas pela sociedade.

“Maria Madalena ressoa profundamente com muitas pessoas que sentem que as suas vozes e histórias não foram ouvidas ou valorizadas”, diz Schrader Polczer. “Ao darmos a conhecer Maria Madalena, poderemos recuperar aspectos fundamentais e menosprezado da visão de Jesus para a Humanidade.”

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Parissa DJangi

La cuonta de ls trés rius

SER CARETO APRESENTADO NA GUINÉ-BISSAU NUM ENCONTRO ENTRE TRADIÇÕES MASCARADAS

 A apresentação do livro “Ser Careto – Rumo à UNESCO” decorreu na Guiné-Bissau, a convite da Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau, num evento que promoveu o diálogo intercultural entre Portugal e o país africano.


A iniciativa levou até Bissau a tradição dos Caretos de Podence, manifestação cultural originária de Trás-os-Montes, reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A obra destaca o percurso, o simbolismo e o valor identitário desta celebração portuguesa, marcada pelas máscaras coloridas, pelos rituais festivos e pela forte ligação à comunidade.

O momento ganhou um significado especial pela proximidade simbólica com o Kankurang, tradição ancestral presente na Guiné-Bissau e noutros países da África Ocidental. Tal como os Caretos, o Kankurang está associado a práticas rituais, à proteção da comunidade e à transmissão de valores entre gerações, assumindo-se como um dos mais relevantes símbolos culturais da região.

Durante a sessão, foi sublinhada a convergência entre estas duas expressões culturais, que, apesar da distância geográfica, partilham elementos estruturantes como a máscara, o ritual e o sentido de pertença coletiva. O encontro evidenciou o papel da cultura como instrumento de aproximação entre povos e como ponte para o reforço da identidade e da cooperação internacional.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Vila Flor acolhe Campeonato Regional de Defesa Pessoal

 A Associação de Defesa pessoal do Nordeste Transmontano (ADPNT), em parceria com a Associação Desportiva Dom Dinis, promove, hoje, o campeonato regional que vai contar com cerca de 60 atletas dos diversos clubes da região.


O evento terá combates de Light Contact, Grapling e Submission, como explica Carlos Mendes, presidente da Associação de Defesa Pessoal do Nordeste Transmontano:

Atualmente, há cerca de 130 atletas de defesa pessoal distribuídos por seis clubes que estão filiados na Federação Portuguesa de Defesa Pessoal:

O campeonato regional de Defesa Pessoal acontece, este sábado, em Vila Flor, com o apoio do Município de Vila Flor e da União de Freguesias de Vila Flor e Nabo.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)
Fotografia: Genérica

“BRAGANÇA – MEMÓRIAS E CAMINHOS DE FUTURO” REFORÇA LIGAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E DESENVOLVIMENTO

 No âmbito das comemorações dos 562 anos da cidade de Bragança, foi apresentado o livro “Bragança – Memórias e Caminhos de Futuro”, da autoria de António Jorge Nunes. 
Uma obra que convida à reflexão sobre a história, a identidade e os desafios que se colocam à cidade, reforçando a importância de preservar a memória coletiva enquanto se traçam novos caminhos para o desenvolvimento do território.

Jornalista: Vitória Botelho

ULS do Nordeste distinguida pela Direção-Geral da Saúde no projeto STOP Infeção Hospitalar 2.0

 O reconhecimento foi atribuído durante um evento que decorreu na Alfândega do Porto, dedicado à reflexão sobre os progressos alcançados na redução das infeções hospitalares


A Unidade Local de Saúde do Nordeste foi distinguida, ontem, pela Direção-Geral da Saúde pela redução no número de infeções hospitalares em Portugal.

O reconhecimento foi atribuído durante um evento que decorreu na Alfândega do Porto, dedicado à reflexão sobre os progressos alcançados na redução das infeções hospitalares.

A distinção ocorreu no âmbito do projeto STOP – Infeção Hospitalar 2.0, implementado em 21 instituições do Serviço Nacional de Saúde ao longo dos últimos três anos e que envolveu mais de 350 profissionais de saúde. O projeto centra-se na redução da incidência de infeção em cinco tipologias específicas, incluindo infeções associadas a procedimentos cirúrgicos, cateteres e ventilação mecânica, com enfoque nos serviços de Medicina Interna, Medicina Intensiva, Cirurgia Geral e Ortopedia.

A iniciativa contou com a colaboração da Fundação Calouste Gulbenkian e do Institute for Healthcare Improvement e tem como objetivo promover a segurança do doente e a melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde em Portugal.

A ULS do Nordeste já havia integrado, entre 2015 e 2018, o Desafio Gulbenkian: STOP Infeção Hospitalar, iniciativa nacional orientada para a redução de infeções associadas aos cuidados de saúde, tendo então registado diminuições significativas nas cinco tipologias avaliadas.

Atualmente, o STOP Infeção Hospitalar 2.0 envolve várias equipas multidisciplinares da instituição, designadamente os serviços de Medicina Intensiva, Medicina Interna das Unidades Hospitalares de Bragança e Mirandela, Ortopedia da Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros e Cirurgia Geral da Unidade Hospitalar de Bragança.

Entre os principais indicadores destaca-se, no Serviço de Medicina Intensiva, a redução da pneumonia associada à intubação de 7,98 para 3,4 por mil dias (menos 57%), da infeção da corrente sanguínea associada a cateter venoso central de 3,92 para 0,76 por mil dias (menos 80%) e da infeção do trato urinário associada a cateter vesical de 1,55 para zero por mil dias (redução de 100%).

Na Medicina Interna, a infeção urinária associada a cateter vesical diminuiu de 6,46 para 4,1 por mil dias (menos 36%).

Na Cirurgia Geral, as infeções em cirurgias do cólon e reto passaram de 18,34 para 5,5 por cada 100 cirurgias (menos 70%). Já na Ortopedia, a taxa de infeção em artroplastias da anca desceu de 9,1 para 1,7 por cada 100 cirurgias (menos 81%) e, nas do joelho, de 1,4 para 1,3 (menos 7%).

No comunicado, a instituição “congratula-se com esta distinção e reforça o compromisso de continuar empenhada na melhoria contínua da qualidade e segurança dos cuidados de saúde”.

Para Cristina Nunes, líder do projeto e membro da Comissão Executiva, “o impacto destes resultados ultrapassa o contexto local. É um exemplo nacional de como a mudança é possível quando existe rigor, método e motivação para melhorar”, sublinhando ainda a importância da capacitação dos profissionais e a poupança económica gerada para o sistema de saúde com a prevenção das infeções hospitalares.

Escrito por Rádio Brigantia.
Jornalista: Cindy Tomé

Jovem de 23 anos apanhado pela PSP de Mirandela com 366 doses de haxixe

 Comportamento, de um dos ocupantes, denunciou o suspeito


Um jovem de 23 anos foi constituído arguido e sujeito a Termo de Identidade e Residência, depois de ter sido apanhado com 366 doses de haxixe individuais, divulgou, esta sexta-feira, o Comando Distrital de Bragança da Polícia de Segurança Pública (PSP).

No âmbito de uma fiscalização, que ocorreu ontem pela 01h00, os polícias da Esquadra de Mirandela detetaram “um comportamento suspeito, por parte de um dos ocupantes, vindo a ser encontrado na sua posse produto suspeito de ser estupefaciente (haxixe), correspondente a 366 doses individuais”, refere, em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o produto foi apreendido e o suspeito foi constituído arguido e sujeito a Termo de Identidade e Residência.

Ainda no período compreendido entre 14 e 19 de fevereiro, o Comando Distrital de Bragança da PSP desenvolveu diversas ações de policiamento preventivo e fiscalização. Nestas operações foram detidas ainda “detidas três pessoas por condução de veículo automóvel sob a influência do álcool, por apresentarem taxas de álcool no sangue superiores ao limite legalmente permitido para enquadramento criminal”.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Rita Teixeira

🌸 𝐌𝐄𝐑𝐂𝐀𝐃𝐈𝐍𝐇𝐎 𝐅𝐋𝐎𝐑 𝐃𝐀 𝐀𝐌𝐄𝐍𝐃𝐎𝐄𝐈𝐑𝐀 🌸

 HOJE

15h00 – Showcooking: Doçaria da Maria
Lagar D'el Rei

Confeção de um doce de amêndoa, destacando a tradição, os sabores e a herança gastronómica de Alfândega da Fé.

Um convite para descobrir sabores e celebrar os pequenos prazeres da estação. VISITE!

A 𝐗𝐗𝐕𝐈 𝐅𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐀𝐥𝐡𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐥𝐚 oferece um programa abrangente que cruza sabores, tradição e entretenimento. Conheça todos os momentos e marque presença de 26 de fevereiro a 1 de março!

De repente, lembrei-me de Egas Moniz, não do Aio de D. Afonso Henriques, mas do galardoado com o Prémio Nobel da Medicina, não no século XIX, mas já em meados do século XX...

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Não que Egas Moniz tenha alguma ligação a Bragança e ao seu distrito… Mas foi Prémio Nobel! Através de um procedimento neurocirúrgico que, na actualidade, é considerado uma «aberração». Porém, no seu tempo, não o foi. Foi um mestre nesse seu tempo. Assim como muitos outros foram mestres no seu tempo. Entretanto, a neurocirurgia evoluiu imenso, parecendo haver os que pretendem permanecer atolados na involução… 

O mesmo sucede com outras áreas da ciência. Evoluem, embora mantendo o respeito pelos seus pioneiros. Há, no entanto, quem leia, por exemplo, o soberbo trabalho que o Abade de Baçal nos deixou, e permaneça arreigado aos conhecimentos que nos legou, como se os mesmos fossem únicos, incontestáveis e universais. Todavia, o Abade de Baçal, à semelhança de outros pioneiros nos estudos sobre a região bragançana, não tinha à disposição as ferramentas disponíveis na actualidade, em pleno século XXI... E, para quem conheça, efectivamente e ao pormenor, a excelsa obra do Abade de Baçal, saberá que muitas considerações que o mesmo fez, entre os séculos XIX e a primeira metade do século XX, estão completamente desactualizadas e desajustadas da realidade. Sem qualquer desprimor para os, reforço, magníficos conhecimentos que nos legou. 

Depois desses primeiros estudiosos sobre o distrito de Bragança, já muitos outros ilustres autores posteriores, da segunda metade do século XX, e já neste século XXI (!!!), com outras ferramentas e com outros métodos à disposição, dedicaram o seu tempo a trazer à tona o tanto que guardado é nestas magníficas terras. Parece, no entanto e à falta de melhor, que deve continuar a proceder-se à lobotomia pré-frontal, o tal procedimento que deu um Prémio Nobel a um Português… Só porque foi Egas Moniz que a implementou… E, a partir dos inícios da segunda metade do século XX, tudo parou na evolução da neurocirurgia. E ai de quem conteste, porque Egas Moniz disse!…

Todavia, há coisas positivas… Acompanho esta página há muitos anos. E é tanto o que tenho aprendido com a maioria das publicações que por aqui são feitas! Há, no entanto, algumas que, ao invés de perder, literalmente, tempo a contestá-las, as aproveito para três situações distintas. 

A primeira delas: servem-me para demonstrar, a actuais e futuros investigadores, que a investigação não se faz sem dedicação; 

A segunda delas: servem-me para mostrar, a actuais e futuros investigadores, como não deve ser aplicada a dita dedicação, em simultâneo me servindo para exemplificar a grande distância que existe entre realidades paralelas e, passe o pleonasmo, realidades reais;

A terceira delas: servem-me para tipificar a diferença entre curandeiros e a medicina, e para perceber os motivos para estas terras enxotarem os seus, empurrando-os, compulsivamente, para outras terras onde os horizontes largos não permitem que caibam a tacanhez e a mesquinhez...

E vamo-nos divertindo, eu, os actuais e os futuros investigadores… Até os iniciados nestes âmbitos da investigação se divertem… O problema é que, tal como aconteceu com as «histórias dos mouros», uma «mentira repetida mil vezes», pode «transformar-se em verdade»… Valendo, contudo, que os entusiastas e os acérrimos defensores da lobotomia pré-frontal não conseguem crédito nos locais onde o crédito é tido… 

“Çculpen qualquiera cousa“ ou, em versão parecida da “nh’ábó Maria”, “zculpim qualquera cousa”…


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.