MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
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Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
sábado, 24 de outubro de 2026
LENGALENGA - JOANINHA VOA, VOA
ADEGANHA
No Castelo Velho, sítio do termo de Adeganha, concelho de Moncorvo, «há muita pedra, que parece ruína de fortaleza antiga e dizem ser um castelo de mouros, e mais adiante, no sítio em que hoje se acha a Senhora do Castelo, dizem que houvera antigamente uma grande cidade, da qual ainda se descobrem parte de muros» (181).
A igreja paroquial de Adeganha é românica, de uma só nave, e nas paredes vêem-se pedras embutidas com figuras esculpidas em meio relevo, como na igreja de S. Facundo, de Vinhais. Apresenta medalhões historiados, bestiário, figuras grotescas de homens com orelhas ou focinhos de animais, lobos ou raposas, ao que parece. No lado exterior da parede está gravada a data 1112, que indicará o ano da construção do templo.
Entre as suas alfaias destaca-se uma cruz paroquial gótica. No pavimento da igreja, em campa rasa de granito, vê-se a legenda:
Secas e falta de presas levam lince-ibérico a predar crias de aves de rapina
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| Lince-ibérico e milhafre-preto. Fotos: Fabrizio Sergio |
No Parque Nacional de Doñana, o lince-ibérico (Lynx pardinus) começou a predar as crias de uma ave de rapina, o milhafre-preto (Milvus migrans), ao ponto de, em 2018, ter eliminado quase metade das crias da população na área estudada.
“Não se trata de uma mudança de comportamento arbitrária: a escassez das suas presas habituais e a seca levaram esta espécie protegida a procurar novas fontes de alimento”, explicam os investigadores do Conselho Superior Espanhol de Investigações Científicas (CSIC) em comunicado. “Este nível de predação não tem precedentes nas três décadas em que os investigadores estudaram ambas as espécies numa área de 10 quilómetros quadrados do Parque Nacional. Até então, tinham coexistido, alimentando-se de coelhos.”
Isto é o que revela um novo estudo da Estação Biológica de Doñana (EBD), do CSIC, publicado na revista Nature, que analisa 1624 ninhos de milhafre entre 1993 e 2023. “Entre 1993 e 2012, os linces tinham predado apenas cerca de 1% dos ninhos de milhafre”, salientou Fabrizio Sergio, investigador da EBD-CSIC e primeiro autor do estudo.
Segundo a equipa científica, este conflito repentino entre os dois predadores resulta da combinação de dois fenómenos. Por um lado, a propagação de uma doença infeciosa provocou o colapso das populações de coelho-bravo em Doñana. Por outro, os longos períodos de seca limitaram a disponibilidade de presas alternativas para o lince, como os patos que vivem nos sapais.
Uma nova relação entre linces e milhafres
Historicamente, os coelhos-bravos eram abundantes em Doñana e tanto os linces como os milhafres coexistiram pacificamente durante décadas. Mas desde que a doença hemorrágica do coelho causou o declínio da sua população, em 2013, os linces começaram a predar intensamente as crias de milhafre-preto, embora só em períodos de falta de água.
“Durante os anos de seca, as principais presas alternativas do lince, como os patos, também são muito escassas, e os linces veem-se obrigados a alimentar-se de tudo o que encontram, mesmo quando isso implica trepar 12 metros para alcançar um ninho de milhafre e predar as crias”, acrescentou Fabrizio Sergio.
Além disso, a equipa observou que os linces predavam com maior frequência os ninhos de milhafre sob os quais se encontravam restos de coelho, o que aponta para uma possível motivação adicional: eliminar concorrentes.
“Em termos humanos, poderíamos dizer que os milhafres que se atreviam a tirar o alimento aos linces acabavam por pagar um preço muito elevado”, afirmou Sergio. “Os linces foram capazes de eliminar quase metade do total de crias de milhafre que chegaram a voar.”
Em resposta, os milhafres adultos cujos ninhos tinham sido alvo de predação por linces apresentaram maior probabilidade de mudar de território e migrar para outros locais. Esta resposta sugere uma espécie de confronto entre as duas espécies: o lince elimina um concorrente pelo alimento, enquanto o milhafre tenta escapar-lhe mudando de território.
A alteração desta relação entre predadores teve também consequências para outras espécies, lembram os investigadores. Por exemplo, a diminuição dos milhafres beneficiou uma pequena coruja insetívora, o mocho-galego (Athene noctua), que é predado por estas aves de rapina e cuja população aumentou.
A combinação de ameaças e os efeitos em cascata
Os autores deste estudo alertam que as alterações climáticas estão a modificar as interações entre espécies e, quando combinadas com outras ameaças, podem desencadear consequências inesperadas e amplificar os seus efeitos. “Estes efeitos em cascata, que podem desenvolver-se silenciosamente ao longo de anos, demonstram a necessidade de abordar em conjunto as diferentes pressões que afetam os ecossistemas, uma vez que umas podem amplificar o impacto das outras”, comentou Fabrizio Sergio.
Além disso, devido à sua posição e influência na cadeia alimentar, os superpredadores podem amplificar os efeitos das alterações globais sobre outras espécies. Em Doñana, a sua conservação exige, segundo a equipa científica, a recuperação das populações de coelho-bravo e a garantia de um regime de inundação adequado nos sapais do Guadalquivir, de modo a manter a disponibilidade de presas e a reduzir a vulnerabilidade destas espécies à seca.
Apesar de tudo, as espécies estudadas mostraram ter estratégias de resiliência para enfrentar as alterações climáticas. Os linces modificaram os seus hábitos alimentares, os milhafres responderam à predação deslocando-se para outros territórios e os mochos-galegos ocuparam o espaço deixado pelos milhafres. “Estas respostas demonstram que a fauna pode apresentar alguma capacidade de adaptação a novas condições”, segundo os autores.
Estes lembram que “a deteção desta interação inédita”, que teria sido difícil de detectar através de estudos pontuais, “foi possível graças ao acompanhamento científico de longo prazo realizado em Doñana”.
“Sem décadas de trabalho por parte dos investigadores, teria sido impossível identificar esta interação. Cada vez há menos apoio a este tipo de estudos de longo prazo, o que acabará por enfraquecer seriamente o progresso científico nesta área”, alertou Fabrizio Sergio.
Reparar na natureza: Luísa Ferreira Nunes, os insetos e os cadernos de campo
Nesta série, sempre às sextas-feiras, vamos conhecer algumas dessas pessoas e descobrir o que as fascina, como começaram, o que aprenderam a ver que dantes não viam e os encontros com a natureza que nunca vão esquecer.
Hoje, damos-lhe a conhecer Luísa Ferreira Nunes, ilustradora naturalista e professora de Entomologia e Ecologia na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco. Há várias décadas que esta autora de uma série de agendas ilustradas combina o conhecimento científico à ilustração para dar a conhecer a diversidade do mundo natural.
WILDER: Lembras-te da primeira vez que reparaste verdadeiramente neste mundo natural?
Luísa Ferreira Nunes: Não sei se consigo identificar uma primeira vez. Acho que foi uma aproximação gradual muito incentivada pelo meu pai. A natureza sempre esteve presente, mas houve um momento em que deixou de ser apenas um cenário e passou a ser a minha profissão e aí a observação era treinada diariamente. No caso dos insetos, a paixão começou nas aulas de Entomologia na universidade, determinando que viesse a ser professora de Entomologia. Como os meus amigos comentam quando vamos para o campo “lá vais tu a olhar para o chão”, força do hábito de observar insetos.
W: O que te incentivou a começar?
Luísa Ferreira Nunes: Foi sempre o meu pai que era um talentoso pintor e conhecedor de fauna e flora. Depois, a Ecologia e a Entomologia deram-me uma forma de olhar para o mundo natural com mais detalhe e perspectiva. O desenho também teve um papel importante, porque desenhar obriga-nos a parar e a ver realmente.
W: O que sabias antes de começar?
Luísa Ferreira Nunes: Muito menos do que pensava. Uma das coisas que se aprende rapidamente é que reconhecer uma espécie ou saber o seu nome é apenas o início. O essencial é perceber relações, ciclos, estratégias, adaptações, interações com outras espécies e com o ambiente.
W: Há alguma espécie ou comportamento em específico que te deixe maravilhada?
Luísa Ferreira Nunes: Sempre me fascinaram os insetos pelas suas estratégias de sobrevivência. Durante o doutoramento trabalhei com coleópteros (escaravelhos) e fiquei impressionada com a complexidade das relações entre estes insetos e as mudanças do meio em que habitam. Mais tarde comecei também a trabalhar com libélulas, sobretudo espécies de montanha. A metamorfose continua igualmente a ser um dos fenomenos mais extraordinários que podemos observar na natureza.
W: O que é que vês hoje que, provavelmente, não terias visto quando começaste por te passar despercebido?
Luísa Ferreira Nunes: Hoje reparo sobretudo nas relações. Não vejo apenas um inseto numa planta. Pergunto porque está ali, o que está a fazer, de que se alimenta, quem depende dele, quem o pode predar, que sinais existem à sua volta. Também reparo muito mais em pequenas alterações: uma folha enrolada, um orifício na casca, uma exúvia, uma postura de ovos, uma mudança no comportamento de uma ave.
W: O que é que as pessoas normalmente não reparam?
Luísa Ferreira Nunes: Na quantidade de vida que existe a poucos centímetros delas. Muitas pessoas procuram natureza em grandes paisagens e ignoram um muro, um tronco morto, uma poça de água ou a parte inferior de uma folha. Há mundos inteiros nesses lugares. E muitas vezes passam também ao lado dos sinais deixados pelos animais, porque estão à procura do animal propriamente dito.
W: Qual foi o encontro com a natureza que nunca mais esqueceste?
Luísa Ferreira Nunes: Estava a conduzir de madrugada, perto de Monfortinho, e de repente estava um enorme veado no meio da estrada, parado. Era grandioso e altivo, olhou-me por uns segundos e saiu da estrada devagar como que dizendo “olha bem para mim”. Achei um comportamento incomum e por isso nunca mais me esqueci.
W: De que forma a tua vida mudou, e é mais rica, por teres aprendido a reparar no mundo natural?
Luísa Ferreira Nunes: Mudou completamente a forma como ocupo um lugar. Mesmo num sítio aparentemente banal há sempre qualquer coisa para descobrir. Aprender a reparar torna o mundo maior. Dá-nos também uma sensação muito clara de que fazemos parte de sistemas muito mais complexos do que nós. Para mim, ciência, ilustração e observação da natureza acabaram por se tornar inseparáveis.
W: Se pudesses ensinar uma única coisa a alguém que quer começar, o que seria?
Luísa Ferreira Nunes: A parar. Parece simples, mas não é. Não procurar imediatamente uma coisa extraordinária. Ficar num lugar durante algum tempo e observar o que muda. Quanto mais tempo damos a um sítio, mais ele começa a revelar.
W: Que conselhos dás a quem quer começar? O que começar a procurar? Que material poderá ser necessário?
Luísa Ferreira Nunes: Começaria por coisas muito simples: virar uma folha e observar o verso; procurar sinais de insetos em troncos e cascas; observar uma pequena poça ou ribeira durante alguns minutos; procurar exúvias, ovos, galerias ou folhas roídas. Também é interessante escolher uma planta e regressar a ela várias vezes ao longo do ano.
E não é preciso muito material. Uma pequena lupa, um caderno, lápis e, se possível, uma máquina fotográfica ou telemóvel para registar detalhes. Mas o instrumento mais importante é o tempo. É preciso permanecer o suficiente para que aquilo que parecia não ter nada comece a mostrar alguma coisa.
No próximo 8 de novembro, o Salão da Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros abre as portas à exposição «O Meu Universo», da artista macedense Filomena Figueiredo.
Esta é a segunda exposição da autora, que volta a partilhar com o público a sua criatividade, o seu olhar e a sua forma de ver o mundo através da pintura.
14h30
Salão da Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros
A entrada é livre. Apareçam e venham descobrir o universo de Filomena Figueiredo!
💻 A inovação digital ao serviço das pessoas e dos territórios!
Integrado no projeto europeu Silver Jobs, do qual o Município de Bragança é parceiro, o evento contará com sessões práticas, workshops e momentos de partilha de conhecimentos, promovendo a inclusão e o desenvolvimento de competências digitais.
Pós-graduação em Ensino da Língua, Cultura e Literatura Mirandesas
A nova pós-graduação inicia-se a 7 de novembro e resulta de uma parceria entre a Universidade Politécnica de Bragança (UPB) e a recém-criada Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa.
O programa curricular da pós-graduação em Ensino da Língua, Cultura e Literatura Mirandesas, decorre ao longo de dois semestres, em regime misto (presencial e onlie) e conta com a participação de docentes especializados na língua, cultura e literatura mirandesas. O valor da propina anual é de 350 euros.
Com esta nova oferta formativa, a Universidade Politécnica de Bragança pretende fortalecer a sua intervenção no distrito, reconhecendo a importância da formação especializada, como instrumento fundamental para a preservação, transmissão, valorização e promoção da língua e da cultura mirandesas.
Com sede em Miranda do Douro, a Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa, tem como prioridades a formação de professores e a criação de materiais pedagógicos para o ensino do mirandês.
O mirandês foi reconhecido oficialmente há 27 anos, tornando-se a par do português, a segunda língua oficial no país.
Um estudo efetuado pela Universidade de Vigo, em 2023, alertou para a possibilidade de extinção da língua mirandesa, dado o descrêscimo no número de falantes.
ALFÂNDEGA DA FÉ ASSINALA 90 ANOS DO NASCIMENTO DE JOSÉ RODRIGUES COM SEMANA DEDICADA À ARTE
A data de 28 de outubro, dia em que José Rodrigues nasceu, assume particular significado nesta semana de homenagem ao artista, cujo percurso marcou a cultura portuguesa.
Com esta iniciativa, o Município de Alfândega da Fé pretende preservar a memória e o legado de José Rodrigues, promovendo simultaneamente a educação artística e o contacto das novas gerações com a cultura.
Macedo de Cavaleiros promove sete fins de semana gastronómicos até setembro de 2027
A primeira proposta, dedicada às castanhas, decorre entre 30 de outubro e 1 de novembro, sob o tema “Castanhas com…”.
O calendário prossegue de 4 a 6 de dezembro, com “Do Azedo”, e, já em janeiro de 2027, entre os dias 8 e 10, com a “Rota das Casulas e do Butelo”. Ainda nesse mês, de 28 a 31, está prevista a “Rota do Javali”.
Em fevereiro, entre os dias 5 e 9, realiza-se o “Festival do Grelo”. A programação continua de 26 a 28 de março, com “Cabrito à Mesa”, e termina de 10 a 12 de setembro, com “Da Pavia”.
A iniciativa integra a estratégia de valorização dos recursos gastronómicos do território, associando a cozinha tradicional aos produtos e às tradições locais.
Sob o mote “Um convite aos sentidos”, os Fins de Semana Gastronómicos procuram dar a conhecer a diversidade da gastronomia de Macedo de Cavaleiros e afirmar o território como destino de experiências ligadas à gastronomia.
Fotografia: Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros
Ministro da Agricultura afasta cenário de alarme devido ao vírus Shamonda
“O impacto na saúde animal não é gravíssimo. Há problemas, em alguns casos, até com abortos nos animais e tudo isso.
Nunca houve, até hoje, um caso de transmissão para os humanos. Não há nenhum risco que se possa considerar premente nesse sentido.”
O governante refere que a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) está a acompanhar a situação e admite a possibilidade de serem concedidos apoios ao setor, caso se revelem necessários.
Sobre a eventual transmissão para humanos, José Manuel Fernandes referiu um caso registado em França, envolvendo uma pessoa que já se encontrava num estado de saúde muito grave, ressalvando que não é possível atribuir a morte ao vírus:
“Não se pode dizer que faleceu por causa desse vírus. E, portanto, aquilo que temos neste momento, em termos de dados e de informação, é que não há nenhum perigo de contágio para as pessoas.”
O ministro reconhece que ainda não existe um plano de erradicação nem uma vacina contra o vírus Shamonda. Defende, por isso, o reforço da prevenção, da investigação e da cooperação entre os países europeus para desenvolver vacinas eficazes e acessíveis:
“A minha mensagem é que não haja alarme, que não haja exageros. E o que é que é importante? É a prevenção, é absolutamente essencial.
É o investimento que temos de fazer a nível europeu numa investigação fortíssima, para termos vacinas para todo o tipo de vírus que começam a andar por aí, onde não há fronteiras.”
José Manuel Fernandes garante que as autoridades estão a monitorizar a situação e afirma que o Governo poderá apoiar o setor caso se justifique.
Questionado sobre o custo das análises, que pode dificultar a testagem dos animais, o ministro reiterou que ainda não existe um plano de erradicação nem uma vacina, defendendo o investimento em investigação à escala europeia para encontrar soluções eficazes e acessíveis.
No distrito de Bragança, terão sido identificados 50 bovinos infetados numa exploração em Santulhão, no concelho de Vimioso, segundo avançou o Jornal Nordeste.
A Rádio Onda Livre continua a aguardar uma resposta da DGAV sobre a situação no concelho de Vimioso.
Dia das Nações Unidas - 24 de Outubro
O Dia das Nações Unidas, celebrado anualmente a 24 de Outubro, constitui uma das mais importantes datas do calendário internacional, simbolizando a união dos povos em torno da paz, da cooperação e da defesa dos direitos humanos. Esta comemoração recorda a entrada em vigor da Carta das Nações Unidas, em 1945, documento fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), criada após a devastação provocada pela Segunda Guerra Mundial.
A ONU tornou-se, ao longo das décadas, um símbolo universal de esperança, diálogo e solidariedade entre as nações. O Dia das Nações Unidas convida os povos do mundo a refletirem sobre a importância da cooperação internacional na construção de um futuro mais justo, pacífico e sustentável.
A criação das Nações Unidas está profundamente ligada aos acontecimentos dramáticos da primeira metade do século XX. A humanidade viveu duas guerras mundiais devastadoras, marcadas por milhões de mortos, destruição em larga escala, perseguições, genocídios e profundas crises económicas e sociais.
Após a Primeira Guerra Mundial, em 1919, foi criada a Sociedade das Nações, organização internacional destinada a promover a paz e evitar novos conflitos armados. Contudo, a incapacidade de impedir o crescimento dos regimes totalitários e o início da Segunda Guerra Mundial revelou as fragilidades dessa instituição.
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) provocou uma tragédia humana sem precedentes. Cidades inteiras foram destruídas, milhões de pessoas perderam a vida e o mundo assistiu aos horrores do Holocausto e das bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Perante tamanha devastação, tornou-se evidente a necessidade de criar uma organização internacional mais forte, capaz de promover o diálogo entre os países e impedir novas guerras globais.
Foi durante o conflito que começaram as primeiras negociações para a criação de uma nova ordem internacional. Em 1941, o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill assinaram a Carta do Atlântico, documento que defendia princípios de paz, liberdade e cooperação internacional.
Mais tarde, em 1 de Janeiro de 1942, representantes de 26 países assinaram a Declaração das Nações Unidas, expressão utilizada pela primeira vez por Roosevelt para designar a aliança dos países que combatiam as potências do Eixo.
Entre Abril e Junho de 1945 realizou-se, em São Francisco, nos Estados Unidos da América, a Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional. Delegados de cinquenta países reuniram-se para redigir a Carta das Nações Unidas, documento que definiria os princípios, objetivos e funcionamento da nova organização.
A Carta foi assinada em 26 de Junho de 1945 e entrou oficialmente em vigor a 24 de Outubro do mesmo ano, data que passou a ser celebrada como o Dia das Nações Unidas.
Desde a sua fundação, a ONU assumiu como missão central preservar a paz mundial e promover relações de amizade entre os povos. A organização baseia-se em princípios fundamentais como a igualdade soberana dos Estados, a resolução pacífica de conflitos, o respeito pelos direitos humanos e a cooperação internacional.
Os principais objetivos da ONU incluem:
• Promover os direitos humanos;
• Combater a pobreza e a fome;
• Apoiar o desenvolvimento sustentável;
• Defender a igualdade entre homens e mulheres;
• Proteger crianças, refugiados e populações vulneráveis;
• Incentivar a cooperação económica, científica e cultural;
• Promover o diálogo entre as nações.
Ao longo da sua história, as Nações Unidas desempenharam um papel essencial em processos de mediação internacional, missões de paz, campanhas de vacinação, ajuda humanitária e promoção da educação e da saúde em diversas regiões do planeta.
A ONU possui uma estrutura complexa e global, composta por vários órgãos principais e inúmeras agências especializadas.
Entre os principais órgãos destacam-se:
A Assembleia Geral
É o principal espaço de debate internacional, onde todos os Estados-membros possuem representação e direito de voto. A Assembleia discute temas relacionados com a paz, segurança, economia, ambiente e direitos humanos.
O Conselho de Segurança
Responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais, possui cinco membros permanentes com poder de veto, Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, além de membros eleitos temporariamente.
O Secretariado
Dirigido pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, coordena as atividades administrativas e diplomáticas da organização.
O Tribunal Internacional de Justiça
Com sede em Haia, nos Países Baixos, é responsável por resolver disputas jurídicas entre Estados.
O Conselho Económico e Social
Promove a cooperação internacional nas áreas económica, social e cultural.
A ONU integra ainda diversas agências especializadas de enorme relevância mundial, entre as quais:
• UNICEF — proteção das crianças;
• OMS (Organização Mundial da Saúde) — saúde pública;
• FAO — alimentação e agricultura;
• ACNUR — apoio aos refugiados;
• OIT — direitos dos trabalhadores;
• PNUD — desenvolvimento humano;
• UNESCO — preservação do património cultural mundial.
Estas instituições trabalham diariamente em múltiplas regiões do planeta, contribuindo para melhorar condições de vida, apoiar populações vulneráveis e responder a crises humanitárias.
Um dos momentos mais marcantes da história das Nações Unidas ocorreu em 1948, com a aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este documento histórico estabeleceu direitos fundamentais inerentes a todos os seres humanos, independentemente da nacionalidade, religião, raça ou condição social.
A Declaração tornou-se uma referência ética universal e influenciou constituições, tratados internacionais e movimentos de defesa dos direitos civis em todo o mundo.
No século XXI, as Nações Unidas enfrentam desafios globais complexos e interligados. As guerras, o terrorismo, as alterações climáticas, as desigualdades económicas, os fluxos migratórios, as pandemias e as crises humanitárias exigem respostas coordenadas entre os países.
A ONU continua a desempenhar um papel fundamental na mediação diplomática, no apoio humanitário e na promoção de soluções globais para problemas globais. A Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam atualmente um dos mais ambiciosos compromissos internacionais para erradicar a pobreza, proteger o planeta e promover sociedades pacíficas e inclusivas.
Apesar das críticas e limitações que frequentemente enfrenta, a ONU permanece como o principal fórum internacional de diálogo entre as nações. Num mundo marcado por tensões políticas e desigualdades profundas, a existência de uma organização dedicada à cooperação internacional continua a ser essencial.
O Dia das Nações Unidas não é apenas uma celebração institucional. Trata-se de uma oportunidade para refletir sobre os valores da paz, da solidariedade, da tolerância e da fraternidade entre os povos.
Esta data relembra que nenhum país consegue enfrentar sozinho os grandes desafios globais. A humanidade partilha um destino comum e depende da cooperação internacional para garantir um futuro sustentável e seguro.
Celebrar o 24 de Outubro é reconhecer a importância do diálogo em vez da guerra, da união em vez da divisão e da esperança em vez do medo. É também homenagear todos aqueles que, ao longo das décadas, trabalharam em missões humanitárias, operações de paz e iniciativas internacionais destinadas a proteger vidas humanas e promover a dignidade das pessoas.
O Dia das Nações Unidas representa um símbolo universal da busca pela paz e pela cooperação entre os povos. A criação da ONU nasceu da necessidade de evitar novas tragédias mundiais e de construir uma ordem internacional baseada no respeito, no diálogo e nos direitos humanos.
Ao longo da sua história, a organização contribuiu para importantes avanços sociais, humanitários e diplomáticos, tornando-se uma referência global de solidariedade e esperança.
Num tempo em que o mundo continua a enfrentar enormes desafios, o espírito das Nações Unidas permanece atual e necessário. O 24 de Outubro recorda-nos que a paz, a justiça e o progresso dependem da capacidade humana de cooperar, respeitar diferenças e trabalhar em conjunto por um futuro melhor para toda a humanidade.
Texto e Imagem: HM - com IA e IN
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
A Freguesia de França recebeu, hoje, mais uma Reunião de Câmara Descentralizada.
Estas reuniões reforçam a proximidade entre o Município de Bragança e as populações, permitindo ouvir as suas preocupações, conhecer de perto as necessidades locais e promover um diálogo aberto e construtivo.
Consulte as principais deliberações desta Reunião de Câmara AQUI.
Sacrum – IV QUATTUOR
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Tomás ergueu-se com dificuldade, sentindo dores intensas onde os fragmentos de tijolo o tinham atingido. Esfregou o rosto e sentiu uma humidade viscosa misturada com terra.
A lanterna jazia a alguma distância, ainda acesa. O foco apontava o que parecia ser uma passagem. Cambaleou para lá.
O ar estava frio e húmido.
Apontou a lanterna para o túnel. Não conseguia perceber se a escuridão escondia o fundo ou se a passagem se prolongava por muitos metros.
Direcionou a luz para o cimo do poço e também não conseguia discernir o topo.
As paredes daquele poço estavam cuidadosamente forradas a tijolo desde o topo até cerca de dois metros do chão. Em tempos, águas revoltas tinham passado por ali, escavando a parede e fazendo desmoronar parte do revestimento.
Conseguia perceber o sítio vazio do degrau que cedera e o fizera cair.
Um calafrio percorreu-lhe a espinha. Estava no fundo de um poço desconhecido, ninguém sabia onde se encontrava e não via maneira de sair. Acima dele, as primeiras gotas de chuva começavam a infiltrar-se.
Andou em volta da parede procurando um ponto de apoio, uma saliência que lhe permitisse colocar um pé ou uma mão e iniciar uma escalada.
Nada. Tudo era terra ou calcário amarelo e escorregadio.
Com os pés e as mãos alisou o chão por baixo do ponto mais próximo do forro de tijolos. Pousou a lanterna a iluminar o local de trabalho. Com pouca convicção, começou a empilhar os tijolos dispersos pelo chão na tentativa de um degrau ou dois que permitisse chegar a algum ponto de apoio.
A luz da lanterna tremeluziu quando ele, a transpirar abundantemente, tinha conseguido erguer um instável palanque de três patéticos degraus.
Subiu a obra e olhou para cima. Era como se não tivesse feito nada…. a sua respiração, acelerada pelo esforço, ganhou ainda mais velocidade.
Gotas de água dispersas começavam a cair do cimo do poço. A chuva devia estar a intensificar-se lá fora.
A luz tremeluziu novamente.
Tomás bateu na lanterna com a palma da mão e o foco estabilizou, mas por pouco tempo. Se a luz morresse, não tornaria o monte de tijolos ou sequer a entrada do túnel.
Apagou a lanterna, sentou-se no chão e acendeu um cigarro com o isqueiro metálico a gasolina, que pertencera ao avô.
Soltou umas baforadas, enquanto a única luz do local era a ponta incandescente que ganhava novo alento a espaços.
Tentava deixar de fumar, mas naqueles momentos de tensão precisava sempre de se refugiar atrás do fumo branco e do cheiro imutável do tabaco.
Inspirou fundo enquanto apagava o cigarro.
Apontou a lanterna para a passagem, a sua única hipótese de sair dali. Na lama do chão distinguiam-se as pegadas de Freixo, seguindo para o interior.
O que o aborrecia era que a passagem tinha uma inclinação descendente.
Tomás praguejou entre dentes e avançou antes que o medo lhe desse outra ordem.
Avançou cautelosamente pelo túnel, enquanto iluminava as paredes de calcário. A maioria da passagem fora aberta pela água; a mão humana limitara-se a alargá-la onde fora necessário.
— Freixo! — Gritou novamente, estremecendo com o eco sufocado que lhe foi devolvido.
Ao fim de alguns minutos o seu caminho bifurcava-se em três possibilidades; duas continuavam a descida e uma parecia subir.
Engoliu em seco. Regressar significava enfrentar o poço uma vez mais; escolher ao acaso podia fazê-lo perder a orientação. Apertou a lanterna com tanta força que os dedos começaram a doer.
O pai falara-lhe muitas vezes de labirintos. Quanto saberia ele sobre aqueles túneis? A proibição tornava-se agora clara: o que existia sob a colina não era novidade para Afonso. Mas teria alguma vez descido até ali? Tomás não duvidava.
“O labirinto não é um lugar onde nos perdemos, mas sim um caminho de introspeção onde nos encontramos” — Dissera-o muitas vezes.
Observou as entradas dos tuneis com atenção e depois percorreu as paredes em volta com a luz. No calcário descobriu um símbolo: três riscos separados em baixo que, ao subir, convergiam num só.
O coração deu-lhe um salto. Reconhecia aquele símbolo. Não eram apenas uns riscos na pedra: era uma orientação.
Com a mão sobre a testa e os olhos fechados fez um esforço para recordar: — A Pata de Ganso, — murmurou — o caminho está indicado… pelo dedo do meio!
Ao sacudir a lanterna, esta apagou-se e ele ficou na absoluta escuridão… exceto… num dos túneis parecia haver uma luz mortiça.
Pelo tato, abriu a lanterna e mexeu com as pilhas, voltando a fechá-la. A luz retornou ao espaço.
O túnel de onde provinha a luz era o da esquerda, que descia, tal como o do centro. O da direita subia e tentava-o, pois poderia ser a saída. Mas o símbolo na parede contradizia-o: indicava o túnel do centro…, mas o da esquerda é que tinha a luz a atraí-lo.
—Espera! — Exclamou. em voz alta. O pai dissera-lhe qualquer coisa sobre caminhos iluminados. “O caminho largo e iluminado é o falso, os caminhos do Senhor são difíceis e escuros.”
Episódio Seguinte - Sacrum – V QUINQUE
By Manuel Amaro Mendonça 16 de Setembro, 2026
Manuel Amaro Mendonça é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/
CANDIDATURAS A APOIOS PARA MODERNIZAR REGADIOS ABERTAS ATÉ 30 DE NOVEMBRO
Estão abertas, até 30 de novembro de 2026, as candidaturas ao quarto concurso da medida “Melhoria da sustentabilidade dos regadios existentes”, integrada no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), destinada a apoiar a reabilitação e modernização de infraestruturas hidroagrícolas em Portugal.
Os apoios visam promover uma utilização mais eficiente da água e da energia, através de intervenções em sistemas de regadio existentes, reforçando a sustentabilidade e a eficiência das infraestruturas coletivas de rega.
A medida prevê uma subvenção não reembolsável que pode atingir 100% do investimento elegível, estando o montante máximo de despesa elegível limitado a três milhões de euros por candidatura.
Podem candidatar-se, individualmente ou em parceria, os beneficiários previstos no artigo 12.º da Portaria n.º 267/2025/1, de 14 de julho, na sua redação atual. Entre as entidades abrangidas encontram-se organismos da Administração Pública direta ou indireta, associações de beneficiários de aproveitamentos hidroagrícolas e entidades do setor empresarial do Estado cuja atividade inclua a conceção, execução, construção e exploração destas infraestruturas.
O financiamento destina-se a obras de reabilitação, modernização e reforço da eficiência dos sistemas de rega, procurando melhorar o desempenho dos aproveitamentos hidroagrícolas e responder aos desafios da gestão sustentável dos recursos naturais.
As candidaturas devem ser submetidas através do Balcão dos Fundos para a Agricultura, no âmbito do PEPAC.
Os interessados podem consultar as condições de acesso, os critérios de elegibilidade e os procedimentos de candidatura na Orientação Técnica n.º 53/D.3.2/2026.
A iniciativa representa uma oportunidade para as entidades responsáveis pelos regadios existentes investirem na modernização das infraestruturas, num contexto em que a eficiência hídrica e energética assume uma importância crescente para a sustentabilidade e a competitividade da agricultura portuguesa.
GD BRAGANÇA ENTREGA 450 EUROS À LIGA PORTUGUESA CONTRA O CANCRO APÓS JOGO COM O MONTALEGRE
O Grupo Desportivo de Bragança (GD Bragança) entregou 450 euros à Liga Portuguesa Contra o Cancro, valor angariado através de um sorteio solidário realizado durante o último jogo frente ao CDC Montalegre, a contar para o Campeonato de Portugal.
A iniciativa permitiu associar a competição desportiva a uma causa de grande relevância social, mobilizando os participantes em torno de um gesto de solidariedade e apoio à luta contra o cancro.
"Prometemos jogar juntos por uma causa maior e cumprimos", sublinhou o clube brigantino, numa mensagem de agradecimento dirigida a todos os que participaram no sorteio e contribuíram para alcançar o montante angariado.
Com esta ação, o GD Bragança reforça a dimensão social do desporto e demonstra que o futebol pode ser também um veículo de mobilização da comunidade, levando a solidariedade para além das quatro linhas.
Os 450 euros entregues à Liga Portuguesa Contra o Cancro representam o contributo de todos os que se associaram à iniciativa, num gesto que dá expressão concreta ao compromisso solidário assumido pelo clube.
































