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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 19 de setembro de 2026

Apresentação do Kit Via Azul

 Decorreu hoje a apresentação do Kit Via Azul, uma iniciativa promovida pelo Município de Bragança, em parceria com os Bombeiros Voluntários de Izeda, que pretende tornar o socorro pré-hospitalar mais inclusivo e adaptado a pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo.
Uma resposta inovadora e humanizada, pensada para apoiar as equipas de emergência na comunicação e abordagem às vítimas, contribuindo para um atendimento mais seguro, tranquilo e adequado às suas necessidades.

Cadeia de Informação Regional está no ar há 29 anos

 A Cadeia de Informação Regional de Trás-os-Montes e Alto Douro (CIR) nasceu a 14 de setembro de 1997 e completou 29 anos na passada segunda-feira.


Atualmente, a CIR é constituída por quatro rádios locais: a Universidade FM, sediada em Vila Real, a Rádio Terra Quente, em Mirandela, a Rádio Onda Livre, em Macedo de Cavaleiros e a Rádio Montalegre, de Montalegre.

A cadeia transmite dois noticiários diários, às 12h30 e às 18h30, cuja edição é assegurada semanalmente, de forma rotativa, pelas rádios parceiras. Aos sábados, às 10h00, é ainda emitido um semanário com os principais acontecimentos da região.

O principal objetivo da criação desta cadeia informativa foi alargar a cobertura jornalística aos distritos de Vila Real e Bragança e unir esforços perante as limitações das redações locais, muitas vezes com poucos meios e recursos humanos, explicou João Faiões, diretor de informação da Rádio Brigantia e um dos responsáveis pelo projeto, à época.

Considerado pioneiro no país, o projeto jornalístico foi apadrinhado por Arons de Carvalho, então secretário de Estado da Comunicação Social, que marcou presença no lançamento da CIR.

No início deste ano, o número de rádios parceiras foi reduzido, mas o principal objetivo do projeto mantém-se, como explica o diretor da Universidade FM, Luís Mendonça:

“Aquilo que achávamos que era positivo há 30 anos faz ainda mais sentido hoje, num mundo cada vez mais global. É cada vez mais importante sabermos o que se passa no nosso território de Trás-os-Montes e Alto Douro e, da mesma forma, quem está do outro lado, neste caso em Bragança, saber o que acontece em Vila Real.

Parece-nos, por isso, muito importante dar continuidade a este projeto, que tem muitas outras vantagens, nomeadamente ao nível da cobertura dos próprios territórios. As rádios têm cada vez menos pessoas a trabalhar e, desta forma, conseguimos ter uma redação maior do que a própria rádio, porque acabamos por ter jornalistas não apenas no nosso território, mas também nos territórios adjacentes. Assim, conseguimos cobrir Trás-os-Montes e Alto Douro de uma forma diferente.

Considero muito importante continuarmos a trabalhar em conjunto. Estou ligado ao associativismo das rádios há 30 anos e sempre defendi a união, a partilha de conteúdos e até a possibilidade de partilharmos entre nós as nossas mais-valias e os recursos humanos.”

O diretor da Universidade FM recorda que a estação entrou na parceria cerca de um ano após a criação do projeto:

“Nós, em Vila Real, entrámos talvez um ano depois de o projeto ter começado. Havia outra rádio que fazia parte do projeto em Vila Real, mas depois saiu. Houve uma aproximação e acabámos por entrar porque achávamos que fazia sentido as pessoas de Vila Real saberem o que se passa em Bragança e as de Bragança saberem o que acontece em Vila Real. A ideia era criar uma ligação mais forte entre os dois distritos.”

O coordenador de programação da Rádio Terra Quente, Fernando Sérgio, sublinha que, na altura, o projeto foi inédito e inovador, não existindo nada semelhante no país. Ao longo dos anos, o modelo chegou mesmo a ser replicado por outros operadores de rádio, permitindo dar uma nova abrangência à cobertura local e regional.

Quase três décadas depois, a confiança no projeto mantém-se.

“Nós acreditamos no projeto desde a primeira hora, com o empenho total de servir a população e as pessoas da região transmontana. Acreditamos que é um projeto único e coeso, que se mantém.

Continuamos a acreditar no projeto e estamos cá com a mesma força e vontade de sempre. Continua a ser, como no primeiro dia, muito importante para a nossa região como um todo.”

Também o diretor da Rádio Onda Livre, Joaquim dos Santos, considera que continuam a existir vantagens em fazer parte do projeto, tal como há 29 anos.

“Só vejo vantagens, não vejo inconvenientes. Há vantagens em fazermos parte de um grupo de trabalho no qual estamos envolvidos desde o início. O projeto continua a ser o mesmo.“

Ao longo das últimas décadas, as rádios locais têm alcançado várias conquistas ao nível da sua sustentabilidade e do reconhecimento do papel que desempenham nos territórios. Nos últimos dois anos, algumas dessas mudanças resultaram também do trabalho desenvolvido pela Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR).

Luís Mendonça, que é também presidente da APR, destaca a criação de apoios específicos para as rádios, nomeadamente uma linha de 300 mil euros destinada a estações afetadas por situações de intempérie.

“Finalmente, nos últimos anos, sobretudo nos últimos dois, vemos que os responsáveis políticos perceberam que as rádios são importantes e começaram a olhar para elas de outra forma. Isso começa agora a traduzir-se em medidas práticas.

Quando há tempestades, e são situações que acontecem cada vez mais, a rádio era uma das componentes que não tinha qualquer apoio. Pela primeira vez, este ano, passámos a ter um programa destinado às rádios afetadas pelo mau tempo.

As rádios afetadas puderam candidatar-se a um programa do Governo, com uma verba de 300 mil euros. Isso representa uma grande vitória para as rádios, porque nunca tinham tido um apoio desta natureza.”

Outra das reivindicações das rádios locais esteve relacionada com os tempos de antena. Desde 1 de julho deste ano, o regime passou a abranger também as eleições presidenciais e legislativas e os referendos nacionais.

“Este ano foi também aprovada uma lei que permite que, quando há eleições, as rádios locais possam transmitir tempos de antena e receber um valor financeiro por esse trabalho.

Existia uma discriminação entre as rádios nacionais, as televisões nacionais e as rádios regionais, que tinham direito a esse valor, enquanto as rádios locais não tinham.

Passámos agora a ter também esse direito, que reivindicávamos há muitos anos. Alguns ouvintes talvez se recordem de campanhas eleitorais que nos recusámos a cobrir como forma de mostrar aos responsáveis políticos o nosso descontentamento.

Finalmente, essa alteração foi aprovada, promulgada pelo Presidente da República e publicada. No próximo momento eleitoral, as rádios locais já poderão beneficiar dessa mais-valia relacionada com a transmissão dos tempos de antena.

As rádios acompanham deputados e candidatos, realizam entrevistas e debates e fazem toda essa cobertura. Faz sentido que também possam ser ressarcidas pela transmissão dos tempos de antena.”

Luís Mendonça acrescenta que a APR encara com satisfação esta mudança na forma como as rádios locais têm vindo a ser consideradas nas decisões políticas. Entre as medidas previstas está também uma linha de financiamento destinada à modernização e reforço da capacidade de resposta das estações.

“Há uma forma diferente de olhar para as rádios, que a Associação Portuguesa de Radiodifusão encara com muita satisfação. Temos também inscritos 18 milhões de euros para as rádios se poderem candidatar e ficarem mais preparadas para situações de intempérie, permitindo, por exemplo, adquirir um gerador, um emissor novo ou uma antena nova.

Esta linha deverá surgir também, em princípio, até ao final do ano. É um programa de apoio que nos vai permitir reforçar as rádios. Passámos muitos anos sem este tipo de apoios, mas mais vale tarde do que nunca. Finalmente, os responsáveis políticos perceberam a importância que as rádios têm para uma construção mais equilibrada do território.”

Ao fim de 29 anos, a Cadeia de Informação Regional mantém a aposta na partilha de informação e na cobertura conjunta de Trás-os-Montes e Alto Douro, através de um meio de comunicação que continua a fazer companhia a milhares de pessoas, muitas delas em territórios mais isolados, e que permanece ligado à proximidade com as comunidades.

Maria João Canadas

Ex-autarca de Mogadouro absolvido de crimes de prevaricação e abuso de poder

O Cantus Noster foi um marcante grupo de música etnográfica de Bragança, fundado no início dos anos 1980.

Braga, num encontro de professores da Associação Nacional de Professores.
Foto 2 - Saint Étienne, França.

Presidência Aberta em Bragança. Datas: domingo, 15 de fevereiro de 1987 - quinta, 26 de fevereiro de 1987


Uma em cada nove espécies de aves migradoras está ameaçada de extinção

 A 6ª edição do Estado das Aves do Mundo, divulgado pela Birdlife International a 11 de setembro na Global Flyways Summit, em Nairobi, foca-se nas aves migradoras e nas suas rotas. As causas do declínio são bem conhecidas. Assim como as soluções de conservação, salientam os peritos.

Abetarda (Otis tarda). Foto: Wirestock Creators/Shutterstock

As aves migradoras empreendem viagens extraordinárias ao viajar por todo o mundo entre áreas de reprodução e de invernada.

Duas vezes por ano, milhões de aves, algumas pesando apenas três gramas, fazem migrações extraordinárias atravessando continentes, oceanos, desertos e montanhas.

Flamingos no Lago Natron, Tanzânia. Foto: Akshita Rabdiya

A andorinha-do-mar-árctica (Sterna paradisaea) voa de pólo a pólo, percorrendo o equivalente a quatro viagens de ida e volta até à Lua durante a sua vida. A narceja-real (Gallinago media) voa quase à altitude do Monte Evereste ao voar sobre o Deserto do Saara e o pequeno colibri-de-garganta-rubi (Archilochus colubris), com apenas três gramas de peso, atravessa o Golfo do México sem parar.

Estas viagens dependem de adaptações muito específicas, incluindo sistemas respiratórios eficientes e reservas de gordura substanciais para garantir um voo longo.

Mas não só. As aves migradoras também têm capacidades sofisticadas de orientação e estratégias de comportamento que lhes permitem navegar vastas distâncias e aproveitar picos de disponibilidade de alimento nos locais onde param para abastecer.

Alguns grupos de aves precisam fazer as migrações de dia, para aproveitar as correntes térmicas, mas outras migram de noite para maximizar as oportunidades de alimentação durante o dia, para evitar predadores ou o calor.

Tendência de declínio

Uma em cada nove espécies de aves migradoras está ameaçada de extinção; sete estão confirmadas ou suspeita-se que se tenham extinguido nos últimos 150 anos. Em 2025, o anúncio oficial da extinção do maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris) marca a primeira extinção mundial de uma ave na Eurásia e África nos séculos mais recentes.

Abelharuco (Meros apiaster). Foto: Richard Cff/Shutterstock

Muitas espécies outrora comuns têm agora as suas populações depauperadas e 45% de todas as 1843 espécies migradoras do mundo estão em declínio; 30% estão estáveis, 14% estão a aumentar e 11% não se sabe.

Os declínios são particularmente acentuados em algumas rotas migratórias. Das quatro rotas terrestres, a rota da Ásia-Australásia (que liga a Sibéria e o Norte da Ásia ao Sudeste Asiático e à Austrália) tem a percentagem mais elevada de espécies em declínio (53%); a rota que passa por Portugal (rota africano-euroasiática) regista declínios de 41%.

A situação é especialmente grave para as aves marinhas (49%) e aves costeiras (54%).

“O risco de extinção está a escalar”, alerta a Birdlife International, numa era em que a perda de biodiversidade é um dos maiores desafios para a Humanidade.

Desde 1988, um total de 102 espécies migradoras foram classificadas com maior estatuto de ameaça na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Entre elas estão o maçarico-siberiano (Numenius madagascariensis) – que passou de Vulnerável a Em Perigo de extinção – e o papagaio-do-mar (Fratercula arctica), que passou de Pouco Preocupante para Vulnerável.

As causas são bem conhecidas. As mais graves são as espécies exóticas invasoras e doenças, expansão e intensificação agrícola, alterações climáticas, caça e captura ilegal e poluição. “Estas ameaças já estão a ter impactos profundos em várias rotas de migração”, sublinha a federação de organizações dedicadas às aves selvagens. Muitas espécies migradoras enfrentam múltiplas ameaças, o que causa a acumulação de impactos e uma elevada mortalidade das aves durante as migrações.

Mas as soluções também são bem conhecidas. “Programas de conservação por todo o mundo provam que é possível restaurar habitats, evitar extinções e ajudar populações a recuperar. Neste momento, 120 organizações parceiras da Birdlife International trabalham para para conservar as aves migradoras.”

Andorinhão-preto (Apus apus). Foto: Alex Cooper Photography/Shutterstock

Perante esta situação, os governos, cientistas, organizações de ambiente e instituições financeiras reunidos na cimeira de Nairobi assinaram na sexta-feira passada a Declaração de Nairobi para as Rotas Migratórias, comprometendo-se a proteger aves e habitats ao longo de todo o trajeto da migração. 

“As soluções existem: o que é preciso agora é implementá-las à escala das rotas migratórias”, comentou Stuart Butchart, Cientista Chefe da BirdLife International e editor sénior do relatório Estado das Aves do Mundo.

Para a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA-BirdLife), estes resultados reforçam a urgência de uma ação coordenada também em Portugal. “Portugal desempenha um papel crucial nas rotas migratórias entre a Europa e África”, lembrou, em comunicado, Pedro Neto, diretor-executivo da SPEA-Birdlife. “Proteger zonas húmidas, áreas costeiras e habitats agrícolas é essencial não só para as aves que aqui nidificam, mas também para as que cá passam o inverno, e para os milhões de aves que dependem do nosso território como escala. Precisamos de políticas mais ambiciosas e de uma aplicação eficaz das que já existem.” 

Movimento de cidadãos apresenta 50 ideias concretas para proteger a floresta e travar o fogo

 Mais de 200 cidadãos, organizações da sociedade civil e profissionais ligados ao ordenamento do território e às florestas participaram, entre 2025 e 2026, num processo de auscultação sobre a gestão da floresta e do território. Daí resultou um guia com 50 propostas de ação, dirigidas tanto aos decisores políticos como aos cidadãos.

Foto: Joana Bourgard

Portugal enfrenta incêndios florestais cada vez mais devastadores, num contexto de degradação do território e de uma relação prolongada e exploratória com a floresta. Como resposta a esta realidade, mais de 200 cidadãos de Norte a Sul do país participaram, ao longo de 2025 e 2026, num processo de reflexão promovido pelo movimento reflorestar.pt.

As conclusões deste processo, que incluem 50 ideias concretas dirigidas aos cidadãos para proteger a floresta, regenerar o território e travar o impacto dos incêndios, são apresentadas esta quinta-feira na Culturgest, em Lisboa, durante uma tarde de conversas dedicada ao tema “Fogos ou Florestania?”.

A iniciativa, promovida pela Culturgest e pela associação Reflorestar.Pt, pretende discutir “outras formas de habitar, cuidar e regenerar o território” e responder a uma questão central: que respostas urgentes e estruturais exige a crise dos incêndios em Portugal?

O documento que vai ser agora apresentado resulta de um processo de auscultação das populações, sob a forma de Assembleias Cidadãs pelas Florestas, Encontros Regionais de Organizações e o IV Encontro pelas Florestas.

Deste processo – feito em parceria com o movimento Faixas Vivas e com o movimento Assembleias de Cidadãos de Portugal – nasceu um documento síntese dirigido à sociedade civil e aos decisores políticos. O guia inclui um roteiro de ação para as políticas públicas, mas também várias propostas para uma cidadania mais ativa, procurando responder a uma pergunta que, segundo a Reflorestar.Pt, surge repetidamente: “O que posso fazer?”

“Este guia nasce da compilação do que foram as dezenas de conversas pelo país”, explica o movimento. A intenção é que seja um documento “claro e direto, com várias conclusões que consideramos de relevo” e que gostávamos que chegassem ao máximo de pessoas possível.

Conhecer primeiro o território

Segundo este guia, a ação cidadã deve começar pelo conhecimento do território onde se vive.

A primeira proposta é, por isso, conhecer e mapear o território da própria freguesia, identificando, por exemplo, as linhas de água, as espécies de árvores nativas e as áreas de maior risco de incêndio.

A partir desse conhecimento, o guia propõe um conjunto de ações de regeneração e cuidado dos terrenos. Entre elas estão a organização de dias de limpeza comunitária de linhas de água ou matas, ações de controlo de espécies invasoras, a criação de pequenos viveiros comunitários de árvores e arbustos nativos ou a colocação de estacas e realização de sementeiras de espécies nativas em áreas degradadas.

Também há propostas para favorecer a biodiversidade, como a construção de hotéis para insetos e caixas-ninho para aves e morcegos.

Outra das dimensões propostas é a organização das comunidades locais.

O guia sugere começar por organizar um encontro informal para que as pessoas se conheçam e possam conversar sobre o território onde vivem. Entre as ideias estão ainda a criação de sistemas locais de troca de sementes ou plantas e de um “banco de tempo” dedicado a tarefas de gestão da paisagem.

A Reflorestar.Pt considera igualmente importante reforçar a ligação das populações à terra através da educação e da celebração do território. Para isso, propõe a criação de percursos pedestres sinalizados, workshops práticos e feiras dedicadas aos produtos da terra.

A participação cidadã deverá, no entanto, ir além da intervenção direta no território. O guia apresenta também formas de influenciar as decisões políticas e exigir mudanças, como pressionar as autarquias para que utilizem exclusivamente plantas nativas nos espaços públicos ou apresentar propostas de orçamento participativo para projetos de regeneração comunitária.

Uma floresta diversa e multifuncional

Para a Reflorestar.Pt, estas ações locais devem integrar uma transformação mais profunda na forma como o país gere o território.

O objetivo é conseguir uma floresta “diversa e multifuncional” e uma “economia rural vibrante, onde cuidar do território seja uma profissão digna”.

“Os ecossistemas não são um custo a suportar, mas uma infraestrutura essencial do país”, defendem os promotores da iniciativa.

A necessidade de atuar é ainda maior perante a acumulação de fenómenos extremos. “Um território já fragilizado por incêndios recorrentes perde capacidade de retenção de água e de proteção do solo, amplificando o impacto de tempestades e cheias seguintes; um território já erodido por fenómenos extremos regenera com mais dificuldade após um incêndio.”

A Reflorestar.Pt identifica, contudo, vários obstáculos à participação dos cidadãos, entre eles o sentimento de impotência perante a complexidade legal e uma burocracia considerada asfixiante.

Por isso, defende que é necessário tornar mais simples a participação das comunidades na gestão da paisagem e aproximar a decisão das pessoas que vivem no território.

“O papel da sociedade civil é assumir a responsabilidade pela gestão de proximidade”, escrevem os coordenadores da iniciativa. “Com o apoio e o enquadramento do Estado, são as comunidades locais, os baldios, as cooperativas e os grupos de proprietários que estão em melhor posição para gerir a paisagem de forma adaptativa e resiliente, porque são elas que detêm o conhecimento local e o interesse direto no bem-estar do seu território.”

Restaurar, valorizar e pagar pelos serviços dos ecossistemas

Ao nível nacional, as propostas incluem dar prioridade ao restauro e regeneração dos territórios, criar um programa específico de proteção para carvalhais e outros bosques autóctones raros e valorizar cadeias de valor alternativas associadas à floresta. Entre os exemplos apontados estão o mel, a resina, a cortiça, os cogumelos e a castanha.

O movimento defende ainda a criação de um Sistema Nacional de Pagamento por Serviços de Ecossistema, reconhecendo o valor dos benefícios que os ecossistemas prestam à sociedade.

Outra das propostas é a criação de um Pacto Social pela Floresta Nativa, envolvendo o Estado, o setor privado, a sociedade civil e a comunidade científica numa visão comum para o território.

No centro de todas estas propostas está a ideia de que a resposta aos incêndios não se pode limitar ao combate ao fogo. Exige uma transformação da relação entre sociedade, floresta e desenvolvimento. “Portugal precisa de uma mudança de paradigma na forma como regula, valoriza e governa o seu território”, defende a Reflorestar.Pt.

Nova espécie Leopardus tilcayo é o primeiro felino descrito para a Ciência em mais de 100 anos

 Nas florestas montanhosas húmidas da Bolívia vive um felino, mais pequeno do que um gato doméstico, que ainda não tinha sido descrito para a Ciência. O Leopardus tilcayo é a primeira espécie de felino a ser descoberta em mais de 100 anos.

Leopardus tilcayo. Foto: Alessandro Verniani/WikiCommons

“Muita da biodiversidade da Terra continua por conhecer”. Quem o diz é a equipa de investigadores da Bolívia, Brasil e Bélgica que estudou atentamente o género Leopardus sp., chamados gatos-do-mato, por se saber pouco sobre ele.

Usando os ossos e o pêlo de oito espécimes guardados em museus de História Natural e 30 amostras de sangue e tecido dos músculos de animais dos nossos dias, de vários países da América do Sul, a equipa usou análises genéticas para tentar conhecer melhor aquele género de felino.

Depois de analisar 38 genomas completos de felinos do género Leopardus sp., a equipa demonstrou que o complexo de espécies anteriormente conhecido como Leopardus tigrinus é composto por cinco espécies crípticas. Ou seja, apesar de serem muito parecidas morfologicamente, tratam-se de linhagens muito diferentes geneticamente.

Uma delas, o Leopardus tilcayo, é uma nova espécie para a Ciência. Até então acreditava-se que este felino era da espécie Leopardus tigrinus. Mas esta investigação descobriu que o tilcayo divergiu desta espécie há 1.4 milhões de anos.

A espécie recebeu o nome “tilcayo” que é o nome usado pelas comunidades locais para designar este felino bem conhecido na zona das Yungas bolivianas.

O holotipo na base este estudo é um macho adulto, capturado vivo perto da localidade de Arapata, Bolívia, a 1570 metros acima do nível do mar e mantido em cativeiro.

Paola Nogales-Ascarrunz, bióloga e co-autora do artigo, explicou ao site Live Science que o tilcayo que vive em cativeiro no refúgio Senda Verde, dedicado a animais vítimas de tráfico, entrou naquele centro há 10 anos. Deram-lhe o nome de Tigrino. “Não se parecia aos outros felinos mas nunca pensámos que fosse uma espécie nova”, contou.

Segundo o artigo científico, publicado na revista Current Biology a 17 de setembro, o tilcayo é um pequeno felino que pode pesar até dois quilos; tem um comprimento entre os 425 e os 505 milímetros e uma cauda com um comprimento entre 250 e 265 milímetros. Tem o dorso de um castanho claro, mais escuro ao longo da linha médio-dorsal. A sua pelagem tem manchas relativamente grandes, irregulares castanho-escuras ou pretas. 

Vive nas florestas montanhosas húmidas das Yungas bolivianas, que descem pelas vertentes orientais da Cordilheira Oriental do país. Esta é uma paisagem muito acidentada, com vales profundos, encostas íngremes, rios, muita chuva e nevoeiro, e uma enorme diversidade de habitats. 

De acordo com os investigadores, esse facto ajuda a explicar por que motivo as Yungas bolivianas sejam uma das áreas menos estudadas nos Neotrópicos.

Isto só por si é um desafio para a conservação, num mundo natural cada vez mais ameaçado pelo Homem. Os investigadores defendem que as medidas de conservação a definir devem ser avaliadas para cada espécie em separado, de forma a garantir a sua conservação a longo prazo.

“A informação que temos neste momento está limitada a dois indivíduos que estudámos e a um pequeno número de registos de foto-armadilhagem”, explicou à agência Reuters Jonas Lescroart, biólogo da Universidade de Antuérpia, Bélgica, e co-autor do estudo.

Ainda no mesmo estudo, a equipa descreveu o Leopardus tigrinus antisuyo, nativa das Yungas do Peru, como uma nova sub-espécie. Assim, hoje a espécie Leopardus tigrinus passa a ser composta por duas subespécies (L. tigrinus antisuyo e L. tigrinus tigrinus).

Antes do tilcayo, a última espécie de felino a ser descrita para a Ciência foi o Leopardus fasciatus, descrita em 1923.

“Mostrar ao público em geral que mesmo num grupo tão icónico como os felinos ainda há espécies novas por descobrir pode transmitir uma mensagem importante”, disse à agência Reuters Eduardo Eizirik, biólogo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil, e um dos autores do artigo. “Há muitas espécies desconhecidas algures no mundo que estão em risco de desaparecer mesmo antes de alguém as descobrir.”

Festas, Festividades e Eventos

Oficina - Fornos de Secar Figos - Inscrições abertas

 No dia 4 de outubro, venha conhecer os antigos fornos de secar figos e descobrir técnicas e saberes tradicionais ligados à produção e secagem deste fruto. Um dia de passeio, demonstrações, sabores e memórias da região.

Data: 4 de Outubro
Concentração: Lavandeira - Largo da Aldeia
Valor: 15€ (inclui pequeno almoço, almoço, seguro, transporte e kit de participante)

Inscrições abertas até 30 de setembro AQUI.

Consulte a programação e não perca esta oportunidade de aprender e viver uma experiência única em contacto direto com a natureza.


Exposição Fotográfica I Sinfonia do Nada: Uma viagem de luz pela região do Douro

 A nova exposição fotográfica, em exibição no CITICA, revela a região do Douro sob uma perspetiva única. Convidamo-lo a visitar "Sinfonia do Nada", uma impressionante viagem visual da autoria de Lúcia Duarte, que capta a essência, a luz e a alma duriense.

Em exibição até 31 de janeiro de 2027 em Carrazeda de Ansiães.

Casa José Pedro lança segunda edição do vinho Caretos de Podence

 A Casa José Pedro, marca de vinhos sediada em Valpaços, vai lançar amanhã a segunda edição do vinho exclusivo Caretos de Podence Reserva Branco, no âmbito do 3.º Encontro de Distribuidores & Parceiros, que decorrerá na Casa do Careto, em Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros.


O diretor-geral da Casa José Pedro, Marcos Lopes Paulo, sublinha que o lançamento oficial deste novo vinho branco, inspirado nos Caretos de Podence e inteiramente alusivo a esta tradição, reforça a ligação entre os produtos transmontanos e uma manifestação cultural classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

“Em volta daquilo que é a cultura dos Caretos de Podence, acho que o lançamento do vinho é um momento alto para a região, para a região vitivinícola de Trás-os-Montes, para o concelho de Macedo de Cavaleiros, para a aldeia e para os Caretos de Podence. Até porque uma parte da venda deste vinho, tal como aconteceu na primeira edição, vai reverter a favor da Associação dos Caretos de Podence.”

O evento vai reunir mais de 250 participantes e terá o vinho como tema central, aliado à gastronomia e à cultura. A iniciativa destina-se a clientes, distribuidores, parceiros e profissionais provenientes de várias regiões do país.

“É um evento corporate, em que reunimos todos os nossos clientes e parceiros de todo o país, que vêm a Trás-os-Montes para celebrar connosco este momento. As duas primeiras edições decorreram na nossa adega. Esta terceira edição será em Podence, pela nossa ligação e parceria com os Caretos de Podence, uma vez que temos uma marca de vinhos criada em colaboração com a Associação dos Caretos de Podence.”

O programa começa às 10h30, junto à Casa do Careto, seguindo-se um mata-bicho transmontano e jogos sem fronteiras. A partir das 13h00, decorrerá um festival gastronómico em plena aldeia, com cozinha ao vivo, chefs a cozinhar na rua, panelas de ferro, vinhos, música e animação.

O objetivo da iniciativa é trazer o “Carnaval à rua em setembro”, recuperando os Caretos, os chocalhos, as máscaras e a irreverência associada à tradição.

As duas primeiras edições do encontro realizaram-se na Quinta do Vale D’Abreia, em Rio Torto, no concelho de Valpaços, onde está sediada a empresa.

Maria João Canadas

Biblioteca A.M. Pires Cabral disponibiliza serviço de computadores com internet gratuitamente

Verbas de apoio aos incêndios estão nas mãos do Conselho de Ministros

 Ainda não há garantia que os agricultores afetados pelos grandes incêndios deste Verão, que aconteceram em Valpaços e Vouzela, com prejuízos nas suas explorações superiores a 30% venham a ter apoio financeiro.


No início de agosto, numa visita à região, o ministro da Agricultura anunciou a abertura de avisos para a reposição do potencial produtivo após os estragos na agricultura – com maior destaque para o olival, amendoal e vinha – causados pelo incêndio que começou, em Ervões, no concelho de Valpaços e que se estendeu aos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Vinhais, com um total de área ardida a chegar perto dos 14 mil hectares.

José Manuel Fernandes anunciou que os apoios destinavam-se a explorações com prejuízos superiores a 30%. Os prejuízos até 10 mil euros seriam comparticipados a 100%, enquanto os apoios até 400 mil euros teriam um cofinanciamento mínimo de 50%”.

Mas, esta sexta-feira, em Valpaços, o titular da pasta da agricultura do Governo AD, afirmou que a autorização para essas verbas de apoio está nas mãos do Conselho de Ministros:

“Os levantamentos estão feitos. Ainda não está nada em circulação para ir ao Conselho de Ministros. Essa decisão é do Conselho de Ministros.

A questão dos 15 mil euros, nós dizemos 10 mil euros que era o montante inicial, mas o decreto-lei de agosto de 2025 permite até aos 15 mil euros. É uma decisão que terá de ser tomada pelo Conselho de Ministros. Só que também não quero levar a Conselho de Ministros, porque esta época infelizmente ainda não acabou, mais uma deliberação, depois mais outra, depois mais outra e pretendo fazer uma proposta que há-de de ser ou não validada pelo Ministro das Finanças do conjunto de incêndios para não andar de deliberação em deliberação. ”

Por agora, José Manuel Fernandes diz que está a ser feito o levantamento dos prejuízos e só depois será apresentado a uma futura reunião de Conselho de Ministros sem concretizar qualquer data:

“Nós, neste momento, estamos a fazer a avaliação dos vários incêndios e outros que existiram. Estes incêndios de Valpaços e Vouzela, foram incêndios de enormes dimensões e, por isso, eu avancei, desde logo, com uma declaração de catástrofe natural e com a abertura de um aviso de 10 milhões de euros para quem teve mais de 30% de prejuízo, se pudesse, é candidato. A decisão a ter em conta, que diz respeito aos prejuízos que estão abaixo dos 30% e da possibilidade de usar dinheiro do Orçamento do Estado para estes prejuízos, há de ter em conta também aquilo que serão as disponibilidades financeiras do Orçamento do Estado, mas temos o trabalho em curso para podermos avançar com essa decisão que é do Conselho de Ministros. ”

Declarações do Ministro da Agricultura, esta sexta-feira, à margem das comemorações alusivas aos 75 anos da Cooperativa de Olivicultores de Valpaços.

Fotografia: Câmara Municipal de Valpaços

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito por Rádio Terra Quente)

Ministro da Agricultura anuncia linha de crédito de 110 milhões de euros para cooperativas e empresas do setor dos vinhos

 De fora desta medida anunciada, esta sexta, em Valpaços, ficam as cooperativas que importaram vinho nas últimas três campanhas.


O Ministério da Agricultura vai avançar com uma linha de crédito para apoiar as cooperativas e as empresas do setor dos vinhos a cumprir os prazos de pagamento aos viticultores associados.

“Vamos ter uma linha de crédito para as cooperativas e empresas pagarem o que devem aos viticultores, no valor de 110 milhões de euros, em que a taxa de juro que o Estado assume é de 75%, e naquilo que for renegociação de dívida é de 50%”, afirmou, esta manhã, o Ministro da Agricultura, em Valpaços, após “uma reunião de trabalho com a Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes”, revelou.

José Manuel Fernandes, que marcou presença nas comemorações dos 75 anos da Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, garantiu que a linha de crédito “já está negociada com o Ministro das Finanças em termos destes montantes, é uma medida nacional que também é importante para ajudarmos os produtores que podem vir a receber os recursos financeiros e aquilo que as cooperativas devem, que não têm as melhores condições em termos financeiros para os suportar”, frisou.

No entanto, o titular da pasta da Agricultura ressalvou que nem todas as cooperativas podem candidatar-se a esta linha de apoio. “As cooperativas e as empresas que importaram vinho nas últimas três campanhas não têm acesso à linha de crédito”, disse.

Este apoio tem em conta o facto de o setor vitivinícola atravessar uma crise profunda de tesouraria e de escoamento de produção.

Fotografia: Câmara Municipal de Valpaços

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito por Rádio Terra Quente)

Três milhões de euros para criar emprego qualificado em cooperativas agrícolas em concelhos de baixa densidade

 O NORTE 2030 abriu um aviso de concurso com uma dotação de 3 milhões de euros do Fundo Social Europeu Mais (FSE+) destinado ao apoio à criação de emprego qualificado em cooperativas agrícolas localizadas nos territórios de baixa densidade da Região Norte. “A medida enquadra-se numa iniciativa-piloto que visa reforçar a capacitação destas entidades, promovendo simultaneamente o desenvolvimento económico, a coesão territorial e a fixação de talento nos territórios do interior”, indicou fonte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).


Com candidaturas abertas até 15 de dezembro de 2026, o aviso prevê o financiamento da criação de um novo posto de trabalho permanente e a tempo inteiro por cooperativa apoiada, destinado a profissionais com formação superior, capazes de impulsionar processos de inovação, comercialização, organização da oferta e valorização económica dos produtos locais.

Para a CCDRN as cooperativas agrícolas desempenham “um papel essencial na dinamização das economias locais, agregando produtores, concentrando a oferta, valorizando recursos endógenos e promovendo cadeias de valor mais eficientes. Contudo, enfrentam frequentemente desafios associados à reduzida escala de operação, à dificuldade de acesso a mercados e à limitação de recursos especializados”.

Os profissionais a contratar poderão desenvolver funções em áreas estratégicas como o marketing e a valorização comercial, a comercialização digital, a internacionalização, a certificação de produtos, a organização de circuitos curtos de comercialização ou a cooperação territorial com municípios, entidades de turismo, associações e centros de conhecimento.

O concurso enquadra-se na Prioridade "Norte Mais Social" do Programa Regional NORTE 2030 e contribui para os objetivos europeus de promoção do emprego, inclusão social e fortalecimento da economia social, reconhecendo o papel das cooperativas agrícolas como agentes fundamentais para a valorização dos recursos locais e para o desenvolvimento equilibrado do território.

As candidaturas devem ser submetidas através do Balcão dos Fundos e poderão beneficiar de uma taxa de cofinanciamento de 85% pelo FSE+, sendo o restante financiamento assegurado pelo Orçamento da Segurança Social.

Ex-autarca de Mogadouro absolvido de três crimes de prevaricação

 O Tribunal de Bragança absolveu hoje o ex-presidente da Câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães, o seu vice-presidente, Evaristo Neves, a vereadora e cinco funcionários desta autarquia dos crimes de prevaricação e abuso de poder.


A juiz que liderou o coletivo do Tribunal de Bragança referiu que os crimes não ficaram provados durante o julgamento. Em causa, segundo a acusação, estavam procedimentos relacionados com contratos por ajuste direto e por consulta prévia, celebrados entre 2014 e 2018, para a obtenção de serviços de segurança privada com duas empresas, num valor de perto de 200 mil euros, que, segundo a acusação, nunca foram detentoras de alvará ou de autorização legal para o exercício da atividade de segurança privada", em benefício de uma terceira.

A acusação deduzida pelo Ministério Público indicava que as empresas eram diferentes, mas tinham os mesmos sócios e que os contratos as beneficiaram.

O ex-autarca, Francisco Guimarães, que liderou a câmara em dois mandatos entre 2013 e 2021, eleito pelo Partido Socialista, disse que “finalmente vemos a justiça ser feita”, à saída do julgamento. “Ao sermos todos absolvidos está mais do que provado que nada daquilo aconteceu. Saímos satisfeitos”, referiu. O julgamento começou a 12 de janeiro.

Glória Lopes

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

𝗘 𝘀𝗲, 𝗽𝗼𝗿 𝘂𝗺𝗮 𝗻𝗼𝗶𝘁𝗲, 𝗮 𝗰𝗶𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝘀𝗮𝗶́𝘀𝘀𝗲 𝗱𝗼𝘀 𝗹𝗮𝗯𝗼𝗿𝗮𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗼𝘀 𝗲 𝘃𝗶𝗲𝘀𝘀𝗲 𝘁𝗲𝗿 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗴𝗼?


No dia 25 de setembro, a ciência sai à rua em Bragança para uma noite de experiências, jogos, demonstrações e muitas perguntas à espera de resposta. 

Na Noite Europeia dos Investigadores, vais poder descobrir como se produzem plantas em laboratório, explorar o mundo das abelhas e do azeite, conhecer melhor os solos, experimentar tecnologias e sistemas inteligentes, participar em jogos e desafios – e conversar com quem investiga tudo isto todos os dias.

A UPB associa-se às atividades promovidas pelo Centro Ciência Viva de Bragança, numa participação que envolve investigadores e centros de investigação da Universidade. Visita-nos e explora, também, o espaço dedicado à STARS EU!

E porque esta é uma noite para experimentar, entre as 17h00 e as 20h00 haverá também atividades de ténis de mesa, Teqball, Pickleball e Zumba na Praça da Sé. 

Traz a curiosidade. A ciência vai estar na rua.

🇬🇧

𝗪𝗵𝗮𝘁 𝗶𝗳, 𝗳𝗼𝗿 𝗼𝗻𝗲 𝗻𝗶𝗴𝗵𝘁, 𝘀𝗰𝗶𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗹𝗲𝗳𝘁 𝘁𝗵𝗲 𝗹𝗮𝗯𝗼𝗿𝗮𝘁𝗼𝗿𝗶𝗲𝘀 𝗮𝗻𝗱 𝗰𝗮𝗺𝗲 𝘁𝗼 𝗺𝗲𝗲𝘁 𝘆𝗼𝘂? 

On September 25, science takes to the streets of Bragança for an evening of experiments, games, demonstrations and lots of questions waiting to be answered. 

At the European Researchers’ Night, you’ll be able to discover how plants are grown in the lab, explore the world of bees and olive oil, learn more about soils, try out smart technologies and systems, take part in games and challenges – and chat to the people who research all this every day.

UPB is joining forces with the activities organised by the Centro Ciência Viva de Bragança, with researchers and research centres from the University taking part. Come and visit us, and be sure to explore the area dedicated to STARS EU too! 

And because this is a night for trying things out, between 5.00 pm and 8.00 pm, there will also be table tennis, Teqball, Pickleball and Zumba sessions in Praça da Sé. 

Bring your curiosity. Science will be out on the streets.

Manutenção, conservação e atenção às necessidades do dia a dia.

 As equipas municipais estão diariamente no terreno, dando resposta a diferentes necessidades do concelho, com trabalhos de limpeza e manutenção de caminhos e aceiros, colocação de vedação no Parque Infantil do Eixo Atlântico, melhoria das caldeiras das árvores e limpeza de caleiras.
Pequenas ações que fazem a diferença na conservação dos espaços públicos e na melhoria das condições de utilização.

Um trabalho permanente, realizado no terreno, para manter Bragança cuidada e funcional.


António Carlos Alves - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 6.junho.1919 – 14.abril.1920
MIRANDA DO DOURO, 22.12.1872 – MIRANDA DO DOURO, 8.12.1949

Magistrado judicial. Professor.
Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra.
Administrador do concelho de Miranda do Douro. Presidente da Câmara Municipal de
Miranda do Douro (1899). Governador civil de Bragança (1919-1920)
Natural da freguesia de Vila Chã de Braciosa, concelho de Miranda do Douro.
Filho de Manuel Inácio Alves, lavrador, e de Maria Felícia Gil.
Casou com Maria Antónia Coelho.

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Concluídos os estudos liceais, matriculou-se em 1891 na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, cuja formatura terminou em junho de 1896, sendo aprovado nemine discrepante, isto é, por unanimidade. Seguidamente, exerceu advocacia em Miranda do Douro, embora por pouco tempo, e ali fundou o Externato Mirandês, que dirigiu e onde foi professor.
Em 1901, entra na magistratura judicial, sendo nomeado juiz da comarca de Valpaços em dezembro de 1923 e transferido para a comarca de Chaves em 1926.
Em 1929, passa para a 2.ª vara comercial do Porto, chegando ao topo da carreira em 27 de novembro de 1934, data em que foi nomeado juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.
Na magistratura administrativa, foi vogal do Conselho Distrital de Agricultura, em cujas funções elaborou e apresentou vários relatórios que foram publicados na imprensa.
Governador civil do distrito de Bragança por decreto de 6 de junho de 1919, tomou posse a 12 do mesmo mês, sendo exonerado a 14 de abril de 1920.
Colaborou em vários periódicos, com especial incidência nos do Porto e de Bragança, como O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto, Diário de Notícias, Portugália, Ilustração Transmontana, Distrito de Bragança, O Século (ali publicando um estudo sobre o aproveitamento das águas do Rio Douro como força motriz) e no Correio Brigantino, onde, entre 21 de setembro e 2 de novembro de 1905, publicou o estudo “Miranda do Douro – Sua história, costumes e importância agrícola”. Escreveu ainda um trabalho sobre A propaganda sobre o Caminho-de-Ferro do Pocinho a Miranda do Douro (Porto, 1902) e um outro sobre a Propaganda Regional do Distrito de Bragança (Bragança, 1920).
Em 1945, foi cofundador do movimento cultural “Ressurgimento Mirandês”, juntamente com António Maria Mourinho e Carlos Simão, que tinha como um dos seus principais objetivos fundar um museu onde se recolhessem e conservassem objetos históricos, arqueológicos, de arte e indústrias da região de Miranda.
Faleceu em Miranda do Douro, a 8 de dezembro de 1949, a duas semanas de completar 77 anos. O seu nome encontra-se inscrito na toponímia de Bragança, dando nome a uma rua da cidade.

António Carlos Alves pronuncia-se sobre a construção do bairro social de Bragança (1919)

Bairro Social. O que a este respeito nos diz o Sr. governador civil
Tendo-nos constado que se trabalhava ativamente para levar a efeito a execução do importante projeto da construção dum bairro social nesta cidade, fomos há dias procurar Sua Exa. o Sr. governador civil, Dr. Carlos Alves, a quem expusemos o fim da nossa visita.
Trocados os primeiros cumprimentos do estilo, fomos direitos ao assunto da nossa palestra, que tinha por fim entrevistar Sua Exa. acerca da veracidade desse importante melhoramento. - Que nos diz Vossa Exa. sobre a construção dum bairro social em Bragança? Que projeto? 
- Da visita do Sr. ministro da Justiça à Associação Artística de Bragança, em um dos dias de novembro, saiu a ideia, de iniciativa de Sua Exa., da criação dum bairro operário na sede do distrito. Para este efeito, e logo depois do regresso de Sua Exa. a Lisboa, pediram-se à Associação Comercial e Industrial e à Câmara Municipal representações nesse sentido. Essas representações foram enviadas ao Ministério do Trabalho, em ofício do Governo Civil n.º 202 de 4 de dezembro corrente, e em que se apresentavam todos os convenientes que pela execução do projeto poderiam advir para a região.
- Vossa Exa. não nos poderá informar de algumas dessas vantagens económicas?
- Os bairros sociais são uma instituição de defesa económica, surgindo do movimento de reivindicações operárias e da revolução operada pela Grande Guerra. A crise mundial das subsistências que se fez sentir durante a guerra e que, depois dela, nos está flagelando, afeta de tal forma a classe operária, que necessário é que o Estado a proteja para obter a sua colaboração no trabalho nacional e conseguir o equilíbrio económico a que tendem as sociedades modernas.
Bragança, e sua região, não é certamente uma terra de fábricas, mas é uma terra de ofícios pela tradição e pelo exercício deles; o que já justificou a criação duma escola industrial. Pois essa população, que dos ofícios vive, e que na terra se designam pelo nome de artistas, são realmente os mais atingidos pela carestia da vida, na qual a da habitação, cujas rendas crescem pela razão geral e pela deficiência de edifícios em terra onde não se fazem construções.
O artista, dentro da cidade, é obrigado a emigrar para os bairros pobres, onde a habitação e mais exigências da vida são mais baratas. Mas, procurando este meio de resolver o problema da economia doméstica, acha a ruína, prejudicando e perdendo a saúde e dos seus, contraindo doenças que as habitações, falhas de higiene e conforto, desenvolvem, como meio propício que são.
O orgulho natural do homem não traz para a rua, em exibicionismos, muitas misérias, mas penetrando nesses bairros, em que se acolhem os que do trabalho vivem, e nos casebres, sem ar, sem luz, sem limpeza, que os cobrem, ver-se-á que a ação socialista do Estado ainda não chegou a esta terra. (…)
Proceda-se sem demora à construção dum bairro operário e teremos resolvido o mais importante problema da vida económica do povo de Bragança.

Fonte: Bragançano, n.º 3, 1919, p. 1 e 2.

Elogio ao desempenho profissional de António Carlos Alves (1927)

Na comarca de Valpaços, cuja inspeção fiz quanto ao serviço judicial do último triénio, serviram, como juízes de Direito, o doutor António Carlos Alves, que tomou posse em 13 de dezembro de 1923 e atualmente serve na comarca de Chaves, e o doutor Álvaro Júlio Barbosa, que tomou posse em 16 de agosto de 1926, e continua sendo juiz da comarca de Valpaços.
O doutor António Carlos Alves gozava de um altíssimo conceito como magistrado inteligentíssimo, de uma cultura jurídica excecional, de uma probidade e honestidade extraordinárias e de uma grande bondade. Pode dizer-se que o doutor Carlos Alves encarna todas as qualidades de um grande juiz, sendo difícil encontrar na magistratura portuguesa quem se lhe avantaje em virtudes e merecimentos.
É-me grato assumir a responsabilidade de o indicar ao colendíssimo Conselho, como um dos magistrados a escolher para inquéritos ou sindicâncias de delicado melindre, porque, permitindo-lho a saúde, bastante precária, conforme me informa, sem ofensa para nenhum colega, creio que não será fácil tarefa encontrar quem melhor possa desempenhar tão espinhosos encargos.
Em matéria de correições, nunca encontrei quem as faça como ele as fez em Valpaços. Tanta minúcia, tão ponderados conselhos e tão preciosas indicações, conhecimentos tão profundos de legislação pátria, enfim, exame tão cuidadoso nos processos, nunca vi!

Fonte: Relatório da inspeção judicial à comarca de Valpaços, outubro de 1927.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928) e Registo de baptismos, paróquia de Vila Chã da Braciosa, 1872.
Arquivo da Universidade de Coimbra, documentos vários.
Bragançano, n.º 3, 1919.
Relatório da inspeção judicial à comarca de Valpaços, 1927.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
SANTANA, Maria Olinda Rodrigues (coord.). 2004. António Maria Mourinho, 1917-1996. Uma vida pela língua e cultura mirandesas. Miranda do Douro: Câmara Municipal de Miranda do Douro.

Publicação da C. M. Bragança