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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Presidência Aberta em Bragança. Datas: domingo, 15 de fevereiro de 1987 - quinta, 26 de fevereiro de 1987


III CONGRESSO IBÉRICO em Unidades de Cuidados Continuados Integrados

Centro Náutico do Azibo abriu atividades náuticas à comunidade este sábado

 O Centro Náutico da Albufeira do Azibo deu início, este sábado, a um novo projeto municipal, que juntou cerca de 25 participantes numa manhã dedicada à experimentação de modalidades náuticas.


O programa, promovido pelo Município de Macedo de Cavaleiros, inclui atividades como vela, canoagem e remo. Segundo o responsável pela Divisão de Desporto, Juventude, Saúde e Bem-Estar do município, José Borba, o projeto pretende aproximar a comunidade deste espaço e incentivar a prática desportiva em contacto com a natureza.

“Hoje é o início da abertura do Centro Náutico à população de Macedo e não só. Aquilo que pretendemos é divulgar as modalidades que podem vir a ser desenvolvidas aqui no centro, com especial incidência, neste primeiro dia, na vela. No futuro, pretendemos também desenvolver a canoagem e, mais tarde, o remo.”

Nesta primeira fase, o objetivo passa também pela formação de técnicos, com o apoio da Federação Portuguesa de Vela, e pela criação de condições para que estas atividades possam ter continuidade ao longo do ano.

“A vela, particularmente, não é fácil. É uma modalidade muito exigente ao nível técnico e estamos a conseguir implementar esta atividade, e as futuras, muito graças à parceria que estabelecemos com a Federação Portuguesa de Vela.”

A iniciativa pretende chegar a diferentes públicos, incluindo pessoas que nunca tiveram contacto com estas modalidades. Foi precisamente a vontade de experimentar que levou Luísa Fernandes, de Macedo de Cavaleiros, até ao Centro Náutico.

“Primeiro, quis perceber melhor a modalidade. Estamos perto de Macedo e acho que é uma iniciativa excelente, também para perceber de que forma conseguimos integrar esta prática no nosso dia a dia, que normalmente é bastante stressante.”

Depois de experimentar a canoagem, a participante destacou a possibilidade de aproveitar a natureza e quebrar a rotina.

“Ter uma albufeira como esta tão perto da nossa cidade e, neste momento, termos a possibilidade de praticar modalidades como a canoagem ou a vela é uma mais-valia. Já experimentei a canoagem e adorei.”

Também Isabel Roxo, de Alfândega da Fé, participou na iniciativa. Já com experiência em canoagem e vela, destacou a possibilidade de praticar estas modalidades numa paisagem como a da Albufeira do Azibo.

“O que me trouxe aqui foi uma grande paixão por tudo o que está ligado à água. Quando soube desta atividade, não hesitei. Ainda por cima, com este contacto com a natureza e numa paisagem como esta, é realmente maravilhoso.”

Para José Borba, a aposta passa também por manter o Centro Náutico ativo fora da época balnear.

“A sazonalidade é algo que vamos aproveitar no Centro Náutico. Quando houver condições propícias para a vela, vamos dinamizar a vela. Quando não houver, vamos apostar na canoagem.

Vamos tentar manter sempre atividade no Centro Náutico, para que as pessoas que nos procuram possam usufruir das condições que temos aqui, quer através das atividades náuticas, quer, quando o tempo não o permitir, através de atividade física no ginásio que temos instalado.”

A partir de outubro, o programa será também alargado às escolas, com atividades regulares destinadas aos jovens. Numa fase posterior, está ainda prevista a criação de uma escola e, eventualmente, de um clube.

Neste primeiro dia, cerca de 25 pessoas participaram nas atividades do Centro Náutico. A iniciativa vai repetir-se mensalmente, com participação gratuita e aberta à comunidade. A próxima sessão está prevista para o terceiro sábado de outubro.

O objetivo é que o Centro Náutico deixe de estar associado apenas à época balnear e passe a ser utilizado ao longo de todo o ano, aproximando a população da Albufeira do Azibo através do desporto e do contacto com a natureza.

Filipe Ventura Alves

Alfândega da Fé sai do PAM e ganha “autonomia financeira”

 Dez anos depois de ter entrado no Programa de Ajustamento Municipal (PAM), Alfândega da Fé deixa o programa. A Assembleia Municipal aprovou a cessação do PAM e, este sábado, o Município formalizou o fim do processo, na presença do presidente da Direção Executiva do Fundo de Apoio Municipal (FAM), Miguel Almeida.


O programa estava inicialmente previsto para se prolongar por cerca de 20 anos, mas foi concluído em aproximadamente metade desse período. Para o presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, a saída representa a recuperação da autonomia financeira e política do município.

“É um motivo de grande alegria, é um motivo de ganho de autonomia, a nossa liberdade financeira e política, para podermos, num futuro breve, já fazer escolhas diferentes, obviamente continuando com o mesmo rigor, com a mesma responsabilidade.

Continuamos a ter uma situação financeira difícil, ainda devemos 10 milhões de euros à banca, mas queremos seguir um caminho agora diferente, fazer escolhas diferentes, mais livres, de forma mais autónoma, mais direcionadas para a melhoria de vida dos alfandeguenses, das nossas empresas e dos nossos jovens.”

O município deixa agora de estar sujeito às medidas específicas de ajustamento, nomeadamente às regras de racionalização da despesa e de otimização da receita. Eduardo Tavares garante que uma das prioridades passa pela redução gradual dos impostos municipais.

“Quando saíssemos do excesso de endividamento, iríamos continuar a baixar os impostos municipais, e esse é um compromisso que eu reitero hoje, reafirmo, que vamos descer os impostos municipais aos alfandeguenses, de forma gradual, nos próximos anos. Podemos lançar mais medidas de apoio económico, e é isso que vamos fazer já em 2027, com apoios direcionados para a nossa economia, para os nossos jovens, para as nossas empresas.”

O Programa de Ajustamento Municipal entrou em vigor em 2016, depois de Alfândega da Fé ter recorrido ao FAM num contexto de rutura financeira. Ao longo do processo, o programa foi revisto duas vezes, incluindo uma revisão extraordinária em 2023, que conduziu à celebração de um segundo contrato de assistência financeira.

Para Miguel Almeida, presidente da Direção Executiva do Fundo de Apoio Municipal, o percurso de Alfândega da Fé representa um caso de recuperação financeira alcançada antes do prazo inicialmente previsto.

“Alfândega da Fé foi o primeiro município a entrar no FAM em 2016, foi mesmo o primeiro, e portanto fez todo este percurso de 10 anos, muito antes daquilo que estava previsto inicialmente. As previsões em 2016 apontavam para 20 anos. Ninguém estava a prever que iria existir uma pandemia, ninguém estava a prever que iria existir uma guerra, e portanto foi necessário, a meio do trajeto, fazer uma revisão do programa. O município conseguiu dar uma resposta fantástica e, em menos de 10 anos do que estava previsto, conseguiu atingir o objetivo da sua recuperação financeira.”

A saída do PAM não significa, contudo, o fim do pagamento da dívida contraída através do Fundo de Apoio Municipal. Os dois contratos de assistência financeira mantêm-se em vigor até ao final dos respetivos prazos.

“O que acabou hoje foi o programa de ajustamento, que tem medidas de contenção da despesa e de aumento ou de otimização da receita. Os empréstimos que nós fizemos ao município, esses têm o prazo de 20 anos e esses continuam a ser pagos.”

O primeiro empréstimo, celebrado em 2016, previa um montante de até cerca de 1,5 milhões de euros. Em 2024, entrou em vigor um segundo contrato, no valor de até quase 13,8 milhões de euros, destinado ao pagamento de dívidas e à cobertura de passivos.

Com o fim do Programa de Ajustamento Municipal, Alfândega da Fé entra agora numa nova fase da gestão financeira, deixando de estar sujeita ao regime específico de ajustamento, embora mantenha responsabilidades financeiras perante o FAM, bem como obrigações de informação e acompanhamento.

Filipe Ventura Alves

🏃‍♀️ 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐥𝐚 𝐚𝐬𝐬𝐢𝐧𝐚𝐥𝐚 𝐚 𝐒𝐞𝐦𝐚𝐧𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐞𝐬𝐩𝐨𝐫𝐭𝐨

 De 𝟐𝟑 𝐚 𝟑𝟎 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨, Mirandela junta-se à 𝐒𝐞𝐦𝐚𝐧𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐞𝐬𝐩𝐨𝐫𝐭𝐨 – #𝐁𝐞𝐀𝐜𝐭𝐢𝐯𝐞, com um programa diversificado de atividades desportivas, pensado para diferentes idades e níveis de participação.
Ao longo de oito dias, haverá atletismo, artes marciais, xadrez, spinning, cross-training, pilates, kickboxing, kung-do, aerokick, caminhadas, badminton, canoagem, passeio a cavalo, body pump, entre outras propostas.

A iniciativa envolve o Município de Mirandela, clubes, associações, ginásios e outras entidades locais, promovendo a prática de atividade física, o convívio e a adoção de estilos de vida mais ativos e saudáveis.

Consulte o programa e escolha as atividades que mais lhe interessam. Em Mirandela, o desporto é para todos.

AS QUATRO ESTAÇÕES Vivaldi & Paganini - Orquestra “Virtuosi del Teatro alla Scala” violino e direcção musical: Mario Hossen

 O violinista austro-búlgaro Mario Hossen é considerado um dos grandes virtuosos dos nossos dias e um dos principais intérpretes da música de Paganini. Como solista aclamado internacionalmente, Hossen tocou com orquestras de renome, como a Filarmónica de Londres, a Sinfónica de Viena, a Orquestra della Scala di Milano, Academy of St. Martin in the Fields, English Chamber Orchestra, a Sinfónica Tchaikovsky de Moscovo, entre muitas outras.


Elogiado pelo seu virtuosismo ímpar e pela presença carismática em palco, Hossen toca um repertório que vai do Renascimento à música contemporânea e ao jazz.

Os seus esforços musicológicos e artísticos estão focados, entre outros temas, na pesquisa sobre Paganini. Hossen editou a obra completa de Paganini para violino solo e para violino com orquestra, que está disponível como edição histórico-crítica pela editora austríaca Doblinger.

27 setembro | 17h00 - Teatro Municipal de Bragança

Bilhetes disponíveis AQUI.

OFICINAS DE MÚSICA | MOGADOURO 🎼🎸🥁

 Estão abertas AQUI as inscrições para as oficinas de música do Município de Mogadouro, até 30 de setembro.

𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿 𝗔𝗿𝘁𝗲𝘀 𝗗𝗲𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗣𝗼𝗿𝘁𝗮𝘀 | 𝗔𝗰𝗼𝗿𝗱𝗲𝗮̃𝗼

 A Escola Municipal Sabor Artes dispõe de aulas de Acordeão.
Convidamo-lo a vir experimentar uma aula grátis, agende através do e-mail sabor.artes@torredemoncorvo.pt ou do contacto telefónico 279 254 207

Acidente agrícola em Mogadouro provoca um ferido grave

 Um homem de 74 anos ficou gravemente ferido esta manhã, na sequência de um acidente com um trator agrícola, entre as localidades de Castanheira e Saldanha, no concelho de Mogadouro.


O alerta foi dado por volta das 11h10.

Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Mogadouro, Luís Azevedo, o homem encontrava-se a realizar trabalhos agrícolas:

“Foi um acidente com um veículo agrícola, portanto, um trator, em que houve um despiste da trilha normal de trabalho e acabou por prender o operador do trator.

Ele acabou por ser arrastado pelas ferramentas agrícolas, portanto, pelos arados, e resultou então num ferido grave.”

Após o acidente, o homem foi auxiliado por um popular, que o transportou numa moto 4 até à estrada municipal.

No local estiveram os Bombeiros Voluntários de Mogadouro, a ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Mogadouro e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Foi ainda acionado um meio aéreo para a evacuação do ferido, que, segundo o comandante, se encontrava estabilizado.

Filipe Ventura Alves

Dia Internacional da Paz – 21 de Setembro


 O Dia Internacional da Paz, celebrado anualmente a 21 de setembro, é uma das datas mais simbólicas do calendário global, dedicada à promoção da paz entre nações e povos, bem como à reflexão sobre a importância da harmonia, da justiça e do respeito mútuo na convivência humana.

A origem desta celebração remonta a 1981, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu instituir um dia dedicado à paz mundial. Inicialmente, a data era celebrada na terceira terça-feira de setembro, coincidindo com a abertura das sessões da Assembleia Geral. No entanto, em 2001, a ONU estabeleceu oficialmente o dia 21 de setembro como data fixa, reforçando o seu significado e ampliando o seu alcance global.

O Dia Internacional da Paz foi concebido como um apelo concreto à ação. A ONU declarou este dia como um momento de cessar-fogo global, convidando todas as nações e grupos em conflito a interromperem as hostilidades, ainda que temporariamente. Este gesto pretende demonstrar que a paz é possível e que o diálogo pode substituir a violência.

Historicamente, a busca pela paz tem sido uma constante na trajetória da humanidade. Após duas guerras mundiais devastadoras no século XX, tornou-se evidente a necessidade de criar mecanismos internacionais que evitassem novos conflitos de grande escala. Foi nesse contexto que surgiu a ONU, em 1945, com a missão central de manter a paz e a segurança internacionais.

Ao longo das décadas, o conceito de paz evoluiu. Deixou de ser entendido apenas como a ausência de guerra, uma ideia frequentemente associada ao termo latino pax, para passar a incluir dimensões mais amplas, como justiça social, direitos humanos, desenvolvimento sustentável e igualdade. Esta visão mais abrangente reconhece que a paz duradoura só pode existir quando existem condições dignas de vida para todos.

O Dia Internacional da Paz também está profundamente ligado a figuras históricas que defenderam a não-violência e o diálogo como caminhos para a transformação social. Entre elas destaca-se Mahatma Gandhi, cuja filosofia de resistência pacífica inspirou movimentos em todo o mundo. Outro exemplo é Martin Luther King Jr., que liderou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos com base em princípios de igualdade e justiça.

Todos os anos, a ONU define um tema específico para esta data, abordando questões contemporâneas como alterações climáticas, inclusão social, educação para a paz ou direitos humanos. Estas temáticas refletem os desafios atuais e incentivam governos, organizações e cidadãos a adotarem atitudes e políticas que promovam a paz em diferentes níveis da sociedade.

A celebração do Dia Internacional da Paz assume diversas formas em todo o mundo. Inclui cerimónias oficiais, momentos de silêncio, atividades educativas, campanhas de sensibilização e iniciativas comunitárias. Um dos símbolos mais conhecidos desta data é o Toque do Sino da Paz na sede da ONU, um gesto simbólico que convida à reflexão e ao compromisso com um mundo mais pacífico.

Na sociedade contemporânea, marcada por conflitos regionais, desigualdades sociais e desafios globais como as crises ambientais, o significado deste dia torna-se ainda mais relevante. A paz não é um estado permanente garantido, mas sim um processo contínuo que exige esforço coletivo, diálogo e compromisso.

Em síntese, o Dia Internacional da Paz, celebrado a 21 de setembro, é um convite universal à reflexão e à ação. Recorda-nos que a paz começa em cada indivíduo, nas atitudes, nas palavras e nas escolhas do dia a dia, e que só através da cooperação e do respeito mútuo será possível construir um futuro mais justo, equilibrado e harmonioso para toda a humanidade.

Texto: HM - com IA e IN

domingo, 20 de setembro de 2026

A Câmara Municipal é a casa comum de um território


Uma câmara municipal é, antes de tudo, a casa comum de um território. Não é um palco. Não é uma agência de eventos. Não é um salão de festas com orçamento público. É a estrutura mais próxima das pessoas, aquela que toca o quotidiano, o passeio onde se caminha, a escola onde se aprende, o centro de saúde onde se espera, o jardim onde as crianças brincam.

É precisamente por essa proximidade que a responsabilidade é maior.

Há sempre a tentação do brilho fácil. Das festas e festinhas. Dos palcos iluminados, dos cartazes coloridos, dos foguetes que sobem ao céu e das garrafas de champanhe abertas sob aplausos. A fotografia fica bonita nas redes sociais. O discurso passa em alta voz, mas o momento é efémero.

O passeio esburacado mantém-se. A rampa que não existe continua a faltar. O infantário que não foi construído continua a ser um problema diário para dezenas de famílias.

Governar é escolher prioridades. Um euro gasto constitui uma declaração de valores.

Quando uma autarquia decide investir mais em festivais do que em reabilitação urbana básica, está a enviar uma mensagem aos munícipes. A aparência vale mais do que a segurança. Quando se financiam eventos para círculos restritos, para grupos de pseudo elites culturais ou empresariais, enquanto há idosos isolados, famílias sem apoio social, jovens sem oportunidades, está-se a escolher visibilidade em vez de responsabilidade.

Uma cidade não se mede pelo número de palcos que monta no verão. Mede-se pela qualidade de vida que garante no inverno.

É claro que a cultura importa. As festas tradicionais ou umas festas da cidade unem comunidades. Os eventos dinamizam a economia local. Não se trata de abolir celebrações ou festas. Trata-se de equilíbrio. Trata-se de perceber que o essencial vem antes do acessório.

Antes dos foguetes, os passeios. Antes do champanhe, os infantários. Antes da selfie institucional, o apoio social eficaz.

Quantas quedas poderiam ser evitadas com passeios dignos? Quantas mães e pais poderiam trabalhar descansados se houvesse mais creches acessíveis? Quantos jovens poderiam encontrar rumo com investimento consistente em formação, desporto, espaços públicos bem cuidados?

A verdadeira política local não necessita de muitas luzes de palco. Está no esgoto que funciona, na iluminação pública que aumenta a segurança, no transporte que liga aldeias isoladas ao centro urbano, na habitação social bem gerida sem servir apenas as clientelas preguiçosas e oportunistas, na transparência das contas. No entanto é também necessário apostar na divulgação daquilo que se vai fazendo e decidindo na governação do concelho no sentido de termos cidadãos devidamente informados e, se possível, esclarecidos.

Há também uma dimensão ética que não pode ser ignorada. As autarquias administram dinheiro que não é seu, é das pessoas. As decisões devem ser guiadas pelo princípio do bem-estar coletivo, não pela conveniência eleitoral ou pela busca de aplauso imediato.

O poder local é o mais visível e, paradoxalmente, o mais vulnerável à tentação da popularidade. Um grande concerto ou um grande espetáculo, dão votos. Um sistema de drenagem de águas residuais renovado e funcional raramente dá dois votos até ao dia em que uma forte chuvada mostra quem planeou devidamente e quem, levianamente, improvisou.

E há ainda outra prioridade muitas vezes esquecida. Escutar. Escutar quem tropeça no buraco do passeio. Escutar quem espera meses por uma vaga num infantário. Escutar quem vive numa aldeia sem ter transporte. Escutar quem precisa de apoio social mas não tem voz.

Governar não é juntar grupos minoritários em jantares protocolares. É aproximar-se de quem raramente é convidado para a mesa. É dar prioridade aos invisíveis.

O bem-estar das populações constrói-se com decisões difíceis, com planeamento de longo prazo, com coragem para dizer “não” ao supérfluo quando o essencial está por cumprir. Exige transparência, prestação de contas, visão estratégica.

Uma câmara municipal responsável interroga-se diariamente. Estamos a resolver problemas reais? Estamos a reduzir desigualdades? Estamos a melhorar a vida concreta das pessoas?

Se a resposta for substituída por métricas de espectáculo, número de eventos ou de entradas nos museus, no impacto mediático das atividades, fotografias ou vídeos partilhados nas redes sociais, então há alguma coisa que não está totalmente certa.

As autarquias são a primeira linha da democracia. São o rosto mais próximo do Estado. Se falham, a confiança perde-se rapidamente. Se cumprem, fortalecem o tecido social.

A escolha é simples, embora nunca seja fácil tomar a decisão. Um evento que passa rápido ou uma estrutura que fica para o futuro?

As populações não vivem de foguetes. Vivem de ruas seguras, escolas acessíveis, serviços eficientes, apoio social justo, transparência, respeito e um custo de vida compatível com os vencimentos que auferem.

É nessa escolha quotidiana que se revela a verdadeira grandeza, ou a pequena estatura, de quem governa.

Este texto é apenas uma reflexão, que penso ser necessária, e de maneira alguma uma crítica a quem quer que seja.

HM
20 de Setembro de 2026

𝗢𝘀 "𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 & 𝗧𝗿𝗮𝗱𝗶çõ𝗲𝘀" 𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝗙𝗿𝗲𝗶𝘅𝗼 𝗱𝗲 𝗘𝘀𝗽𝗮𝗱𝗮 à 𝗖𝗶𝗻𝘁𝗮 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮𝗺 𝗻𝗼𝘀 𝗱𝗶𝗮𝘀 𝟯𝟬 𝗲 𝟯𝟭 𝗱𝗲 𝗼𝘂𝘁𝘂𝗯𝗿𝗼 𝗲 𝟭 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼

 Relembramos que falta pouco tempo para o concelho de Freixo de Espada à Cinta celebrar mais uma edição do "Sabores & Tradições", o certame enogastronómico que serve de montra privilegiada para valorizar e divulgar o que de melhor se faz e produz no nosso território.
Dias 30 e 31 de outubro e 1 de novembro, junte-se a nós e venha desfrutar dos "Sabores & Tradições" do concelho de Freixo de Espada à Cinta!

Antelgéncia Artefecial

Presidência Aberta em Bragança. Datas: domingo, 15 de fevereiro de 1987 - quinta, 26 de fevereiro de 1987


Balbina Mendes: a artista que encontrou no Porto liberdade para criar

 Balbina Mendes nasceu numa aldeia de Miranda do Douro, cresceu a falar mirandês e fez os primeiros deveres à luz da candeia. Foi no Porto que encontrou a formação artística que não pôde ter quando era jovem. Hoje, a pintora, professora aposentada, mãe e avó leva para as telas as máscaras, os rituais e as histórias da terra onde cresceu.

Balbina Mendes é pintora, professora aposentada, mãe e avó. Nascida em Malhadas, no concelho de Miranda do Douro, construiu no Porto a parte decisiva do seu percurso artístico: frequentou uma escola de pintura e concluiu o mestrado em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Uma das suas séries, Margens Douro Nascente Foz, chegou à Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Palácio de Cristal, depois de acompanhar o rio desde a nascente.

É uma história de persistência tardia, sem a retórica fácil de quem apresenta a vida como uma linha de vitórias. Balbina Mendes não começou por ser artista. Cresceu numa família de agricultores, foi professora em Aveiro e no Funchal, criou duas filhas e só mais tarde entrou em Belas-Artes. Pelo caminho, foi pintando. Primeiro por prazer. Depois porque alguém viu que aqueles trabalhos mereciam ser mostrados.

Hoje vive e tem ateliê em Vila Nova de Gaia. Mas é no Porto que identifica a possibilidade de se formar, de expor e de continuar a ver arte. E é do Porto, também, que olha para uma origem que nunca deixou de atravessar a obra: Malhadas; o mirandês ouvido em casa; os serões de inverno à lareira; e as máscaras rituais do Nordeste Transmontano que acabaram por se transformar numa reflexão sobre o que cada pessoa mostra — e esconde — de si própria.

“Não tem de ser um caminho brilhante para estarmos tranquilos com o nosso percurso.”

Exposição no Mosteiro de ANcede, Centro Cultural (MASC)

Uma aldeia, uma carta e a vontade de estudar

Balbina Mendes nasceu em 1955, em Malhadas. Ficou na aldeia até aos 13 anos. O pai era emigrante na Alemanha; os pais eram agricultores e a família vivia de uma agricultura de sobrevivência. A descrição que faz desse tempo tem dureza, mas não nostalgia cega. Não havia água canalizada nem saneamento. As ruas transformavam-se em lama no inverno. As crianças guardavam animais e aprendiam cedo a defender-se das intempéries.

Ao mesmo tempo, recorda uma infância de liberdade. “As memórias que eu tenho da infância são muito boas”, diz. “São as memórias de quem cresceu em plena liberdade, de quem começou a ganhar autonomia muito cedo.”

Em casa, as coisas discutiam-se à mesa. Nos serões, depois da ceia, os vizinhos juntavam-se à lareira. As mulheres fiavam lã de ovelha; as crianças faziam os deveres ou escutavam os mais velhos. As histórias, algumas fantásticas e fantasmagóricas, iam depois para a cama com elas. “A lareira, as pessoas à volta da lareira, o contar das histórias, enriqueceram o nosso imaginário definitivamente”, conta.

Os primeiros anos de escola foram feitos à luz de uma candeia ou de um lampião, a petróleo ou azeite. A eletricidade chegou à aldeia quando já frequentava a quarta classe. Mas houve uma outra luz que lhe abriu horizontes: a biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian. A carrinha levava livros às aldeias. Balbina requisitava-os e levava-os para o campo, enquanto guardava os animais.

Foi por escrever as cartas que a mãe não podia escrever ao pai, na Alemanha, que encontrou a forma de lhe pedir para continuar a estudar. O pai autorizou. Aos 13 anos, foi para a cidade de Miranda estudar. “Tinha vontade realmente de uma vida diferente”, recorda. Tornou-se boa aluna e seguiu um caminho que os pais não tinham podido fazer.

O Porto como possibilidade

Com 20 anos, saiu de Trás-os-Montes para trabalhar como professora, primeiro no distrito de Aveiro e depois no Funchal. Continuou a estudar enquanto ensinava. Havia, diz, “uma certa inquietação”: a vontade de procurar coisas diferentes, crescer e evoluir.

O Porto apareceu como a cidade onde esse desejo podia ganhar forma. Não foi uma escolha motivada por uma imagem turística ou por uma mudança de vida abstrata. Foi, acima de tudo, uma escolha de formação. Começou por frequentar uma escola particular de pintura no Porto. Ao mesmo tempo que dava aulas, pintava e expunha.

“O Porto tem uma oferta de possibilidades que uma cidade pequena não tem”, diz. “Foi essa a razão que me levou a vir para cá.”

Exposição na Coorporativa Árvore - Porto.

A primeira exposição realizou-se quando vivia em Gaia e estudava pintura no Porto. A artista recorda que as obras foram vendidas e que surgiram encomendas. Não foi uma consagração instantânea; foi o incentivo que precisava para continuar. Mais tarde, já com as filhas encaminhadas na vida, entrou na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e concluiu o mestrado em Pintura.

O percurso não lhe deu a sensação de atraso. Pelo contrário. “Fui fazendo o percurso degrau a degrau”, afirma. “Cheguei à maturidade com a satisfação de ver um caminho com que estou tranquila. Acho que fiz bem o que me propus fazer e estou bem com a vida.”

Para quem começa hoje, vê no Porto uma cidade com referências e espaços de exposição. Fala de galerias, de museus e de uma necessidade que considera essencial: ver boa arte. “É tão importante para um jovem artista ver boas exposições e boa arte como para um escritor ler bons livros.” Não é uma garantia de carreira. É uma condição para alimentar aquilo que cada pessoa tem para criar.

Livro de Balbina Mendes, um registo do seu percurso artístico

A língua que aprendeu antes do português

Antes de aprender português, Balbina Mendes aprendeu mirandês. Era a língua de casa, da aldeia e das histórias ouvidas nos serões de inverno. “O mirandês é a minha primeira língua materna”, diz. “Foi com mirandês que eu aprendi a falar.”

A entrada na escola alterava essa regra. A professora proibia os alunos de falar mirandês dentro da sala. As aulas, a escrita e a comunicação formal aconteciam em português. No recreio, a outra língua regressava. “As nossas brincadeiras eram em mirandês”, recorda.

Essa experiência está longe de ser um detalhe biográfico. O mirandês, reconhecido em Portugal desde 1999, é parte da forma como Balbina Mendes olha para a cultura e para a pluralidade. A pintora fala dele sem o reduzir a peça de museu ou marca regional. “É uma riqueza, uma mais-valia linguística. Não temos só a língua portuguesa; temos a língua portuguesa e a língua mirandesa. Somos mais ricos, temos mais uma língua.”

No Porto, onde o mirandês é hoje ensinado na Universidade do Porto, esta ligação ganha outra dimensão. A artista chegou à cidade em busca de instrumentos para trabalhar a pintura; trouxe consigo uma língua que, durante a infância, teve de ficar à porta da escola. A formação deu-lhe novas técnicas. A origem continuou a dar-lhe matéria.

As máscaras que guardam uma vida

As telas de Balbina Mendes têm rostos, máscaras e referências aos rituais do Nordeste Transmontano. Não são ilustrações de costumes. São, nas palavras da própria, uma pintura autobiográfica. “Há muito de mim na minha pintura: das minhas vivências, das raízes, da origem, dos rituais em que cresci e das tradições que pratiquei como criança.”

A génese está nas máscaras dos rituais de inverno que conheceu em criança. Com o tempo, essa imagem evoluiu. A máscara tornou-se psicológica e social: a camada que protege, defende e permite que uma pessoa esconda parte do que sente. Também por isso a artista aproxima esta ideia da obra de Fernando Pessoa e da sua “múltipla heteronímia”.

Há uma exigência que atravessa o processo. Para Balbina Mendes, o mais difícil nem sempre é começar uma obra ou expô-la. É saber quando parar. “Há uma parte da obra que já está resolvida, mas há uma parte que não me convence”, explica. Por vezes, deixa a pintura amadurecer, virada ao contrário, antes de voltar a procurar o caminho para a concluir.

Essa disponibilidade para esperar estende-se a quem vê o trabalho. A artista gosta quando alguém encontra numa tela uma ideia que ela própria não tinha identificado. Um bom visitante, diz, pode dar significações inesperadas à obra. “Às vezes trazem-nos agradáveis surpresas.”

"Duplo II, acrílico s/ serapilheira, Double II, acrilyc on burlap, 236x168cm. Col. Maria José Santos" " Duplo III, acrílico e folha de ouro s/ serapilheira, Double III, acrylic and gold leaf on burlap, 198x144cm."

O Douro como ligação

Entre as obras que recorda com maior importância está a série Margens Douro Nascente Foz. Foram 50 pinturas sobre o rio, numa itinerância que começou em Sória, perto da nascente, passou por cidades ribeirinhas e chegou à Galeria da Biblioteca Almeida Garrett, no Palácio de Cristal. A exposição acabaria por seguir para Newark, nos Estados Unidos, a convite da organização do Dia de Portugal naquela cidade.

A série partia do rio para aproximar duas margens e duas culturas. Ao longo do percurso, Balbina explorou o Douro não apenas enquanto paisagem, mas também através da tradição oral e cultural, do património arquitetónico e de elementos comuns aos dois povos ibéricos. A exposição foi descendo o rio, das proximidades da nascente até ao Porto, acompanhando também a própria geografia afetiva da artista.

Depois dessa experiência, outros espaços do Porto e de Vila Nova de Gaia passaram a fazer parte do seu percurso expositivo. Expôs no Palacete Visconde de Balsemão, na Casa-Museu Teixeira Lopes, no Convento Corpus Christi, na Cooperativa Árvore e na Biblioteca Municipal de Gaia, onde recorda especialmente o contacto com os estudantes. Quando tenta escolher uma exposição ou um lugar de que tenha gostado mais, hesita:

“É difícil dizer qual é o melhor, todos foram excelentes.”

Exposição Espaço Corpus Christi

A sua pintura, entretanto, também atravessou fronteiras. Balbina já expôs em sete países, entre a Europa, os Estados Unidos, a Austrália e a Índia. A dimensão internacional não apagou a ligação à origem. Pelo contrário, as referências de Malhadas e do Nordeste Transmontano continuam a reaparecer naquilo que pinta, mesmo quando as telas encontram outros lugares e outros públicos.

O Douro não é, para Balbina Mendes, apenas paisagem. É uma continuidade física entre a aldeia onde nasceu e a cidade onde se tornou artista. “O rio entra em Portugal perto da minha aldeia e chega aqui”, diz. “É um outro Douro, diferente, modificado, como nós vamos modificando ao longo do nosso percurso de vida.”

É essa a imagem que melhor explica a sua história. Não uma rutura entre Malhadas e o Porto, mas um percurso que se transforma sem apagar a nascente.

Momento do Porto & Rafaela Geremia
set 14, 2026

Roteiro pelos museus de Bragança

sábado, 19 de setembro de 2026

Apresentação do Kit Via Azul

 Decorreu hoje a apresentação do Kit Via Azul, uma iniciativa promovida pelo Município de Bragança, em parceria com os Bombeiros Voluntários de Izeda, que pretende tornar o socorro pré-hospitalar mais inclusivo e adaptado a pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo.
Uma resposta inovadora e humanizada, pensada para apoiar as equipas de emergência na comunicação e abordagem às vítimas, contribuindo para um atendimento mais seguro, tranquilo e adequado às suas necessidades.

Cadeia de Informação Regional está no ar há 29 anos

 A Cadeia de Informação Regional de Trás-os-Montes e Alto Douro (CIR) nasceu a 14 de setembro de 1997 e completou 29 anos na passada segunda-feira.


Atualmente, a CIR é constituída por quatro rádios locais: a Universidade FM, sediada em Vila Real, a Rádio Terra Quente, em Mirandela, a Rádio Onda Livre, em Macedo de Cavaleiros e a Rádio Montalegre, de Montalegre.

A cadeia transmite dois noticiários diários, às 12h30 e às 18h30, cuja edição é assegurada semanalmente, de forma rotativa, pelas rádios parceiras. Aos sábados, às 10h00, é ainda emitido um semanário com os principais acontecimentos da região.

O principal objetivo da criação desta cadeia informativa foi alargar a cobertura jornalística aos distritos de Vila Real e Bragança e unir esforços perante as limitações das redações locais, muitas vezes com poucos meios e recursos humanos, explicou João Faiões, diretor de informação da Rádio Brigantia e um dos responsáveis pelo projeto, à época.

Considerado pioneiro no país, o projeto jornalístico foi apadrinhado por Arons de Carvalho, então secretário de Estado da Comunicação Social, que marcou presença no lançamento da CIR.

No início deste ano, o número de rádios parceiras foi reduzido, mas o principal objetivo do projeto mantém-se, como explica o diretor da Universidade FM, Luís Mendonça:

“Aquilo que achávamos que era positivo há 30 anos faz ainda mais sentido hoje, num mundo cada vez mais global. É cada vez mais importante sabermos o que se passa no nosso território de Trás-os-Montes e Alto Douro e, da mesma forma, quem está do outro lado, neste caso em Bragança, saber o que acontece em Vila Real.

Parece-nos, por isso, muito importante dar continuidade a este projeto, que tem muitas outras vantagens, nomeadamente ao nível da cobertura dos próprios territórios. As rádios têm cada vez menos pessoas a trabalhar e, desta forma, conseguimos ter uma redação maior do que a própria rádio, porque acabamos por ter jornalistas não apenas no nosso território, mas também nos territórios adjacentes. Assim, conseguimos cobrir Trás-os-Montes e Alto Douro de uma forma diferente.

Considero muito importante continuarmos a trabalhar em conjunto. Estou ligado ao associativismo das rádios há 30 anos e sempre defendi a união, a partilha de conteúdos e até a possibilidade de partilharmos entre nós as nossas mais-valias e os recursos humanos.”

O diretor da Universidade FM recorda que a estação entrou na parceria cerca de um ano após a criação do projeto:

“Nós, em Vila Real, entrámos talvez um ano depois de o projeto ter começado. Havia outra rádio que fazia parte do projeto em Vila Real, mas depois saiu. Houve uma aproximação e acabámos por entrar porque achávamos que fazia sentido as pessoas de Vila Real saberem o que se passa em Bragança e as de Bragança saberem o que acontece em Vila Real. A ideia era criar uma ligação mais forte entre os dois distritos.”

O coordenador de programação da Rádio Terra Quente, Fernando Sérgio, sublinha que, na altura, o projeto foi inédito e inovador, não existindo nada semelhante no país. Ao longo dos anos, o modelo chegou mesmo a ser replicado por outros operadores de rádio, permitindo dar uma nova abrangência à cobertura local e regional.

Quase três décadas depois, a confiança no projeto mantém-se.

“Nós acreditamos no projeto desde a primeira hora, com o empenho total de servir a população e as pessoas da região transmontana. Acreditamos que é um projeto único e coeso, que se mantém.

Continuamos a acreditar no projeto e estamos cá com a mesma força e vontade de sempre. Continua a ser, como no primeiro dia, muito importante para a nossa região como um todo.”

Também o diretor da Rádio Onda Livre, Joaquim dos Santos, considera que continuam a existir vantagens em fazer parte do projeto, tal como há 29 anos.

“Só vejo vantagens, não vejo inconvenientes. Há vantagens em fazermos parte de um grupo de trabalho no qual estamos envolvidos desde o início. O projeto continua a ser o mesmo.“

Ao longo das últimas décadas, as rádios locais têm alcançado várias conquistas ao nível da sua sustentabilidade e do reconhecimento do papel que desempenham nos territórios. Nos últimos dois anos, algumas dessas mudanças resultaram também do trabalho desenvolvido pela Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR).

Luís Mendonça, que é também presidente da APR, destaca a criação de apoios específicos para as rádios, nomeadamente uma linha de 300 mil euros destinada a estações afetadas por situações de intempérie.

“Finalmente, nos últimos anos, sobretudo nos últimos dois, vemos que os responsáveis políticos perceberam que as rádios são importantes e começaram a olhar para elas de outra forma. Isso começa agora a traduzir-se em medidas práticas.

Quando há tempestades, e são situações que acontecem cada vez mais, a rádio era uma das componentes que não tinha qualquer apoio. Pela primeira vez, este ano, passámos a ter um programa destinado às rádios afetadas pelo mau tempo.

As rádios afetadas puderam candidatar-se a um programa do Governo, com uma verba de 300 mil euros. Isso representa uma grande vitória para as rádios, porque nunca tinham tido um apoio desta natureza.”

Outra das reivindicações das rádios locais esteve relacionada com os tempos de antena. Desde 1 de julho deste ano, o regime passou a abranger também as eleições presidenciais e legislativas e os referendos nacionais.

“Este ano foi também aprovada uma lei que permite que, quando há eleições, as rádios locais possam transmitir tempos de antena e receber um valor financeiro por esse trabalho.

Existia uma discriminação entre as rádios nacionais, as televisões nacionais e as rádios regionais, que tinham direito a esse valor, enquanto as rádios locais não tinham.

Passámos agora a ter também esse direito, que reivindicávamos há muitos anos. Alguns ouvintes talvez se recordem de campanhas eleitorais que nos recusámos a cobrir como forma de mostrar aos responsáveis políticos o nosso descontentamento.

Finalmente, essa alteração foi aprovada, promulgada pelo Presidente da República e publicada. No próximo momento eleitoral, as rádios locais já poderão beneficiar dessa mais-valia relacionada com a transmissão dos tempos de antena.

As rádios acompanham deputados e candidatos, realizam entrevistas e debates e fazem toda essa cobertura. Faz sentido que também possam ser ressarcidas pela transmissão dos tempos de antena.”

Luís Mendonça acrescenta que a APR encara com satisfação esta mudança na forma como as rádios locais têm vindo a ser consideradas nas decisões políticas. Entre as medidas previstas está também uma linha de financiamento destinada à modernização e reforço da capacidade de resposta das estações.

“Há uma forma diferente de olhar para as rádios, que a Associação Portuguesa de Radiodifusão encara com muita satisfação. Temos também inscritos 18 milhões de euros para as rádios se poderem candidatar e ficarem mais preparadas para situações de intempérie, permitindo, por exemplo, adquirir um gerador, um emissor novo ou uma antena nova.

Esta linha deverá surgir também, em princípio, até ao final do ano. É um programa de apoio que nos vai permitir reforçar as rádios. Passámos muitos anos sem este tipo de apoios, mas mais vale tarde do que nunca. Finalmente, os responsáveis políticos perceberam a importância que as rádios têm para uma construção mais equilibrada do território.”

Ao fim de 29 anos, a Cadeia de Informação Regional mantém a aposta na partilha de informação e na cobertura conjunta de Trás-os-Montes e Alto Douro, através de um meio de comunicação que continua a fazer companhia a milhares de pessoas, muitas delas em territórios mais isolados, e que permanece ligado à proximidade com as comunidades.

Maria João Canadas

Ex-autarca de Mogadouro absolvido de crimes de prevaricação e abuso de poder

O Cantus Noster foi um marcante grupo de música etnográfica de Bragança, fundado no início dos anos 1980.

Braga, num encontro de professores da Associação Nacional de Professores.
Foto 2 - Saint Étienne, França.