MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
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Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Primeira fase de adaptação, até 13 de setembro, terá utilização gratuita. Vai operar nos concelhos de Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.
É o resultado do procedimento de contratação pública desenvolvido por esta CIM-TTM, no âmbito das competências que lhe estão atribuídas enquanto autoridade de transportes. Esta nova operação, “traduz-se numa profunda modernização da oferta de transporte público na região, disponibilizando mais de 90 linhas, uma nova identidade visual e uma reorganização da rede, com o objetivo de proporcionar um serviço mais eficiente, acessível e ajustado às necessidades das populações”, acrescenta o comunicado enviado às redações.
A nova operação contará com 90 autocarros, dos quais 30 serão veículos verdes/limpos.
A implementação desta nova operação, vai decorrer de forma faseada. Entre 3 de agosto e 13 de setembro de 2026, terá lugar “um período de adaptação”, concebido para “permitir uma transição gradual para a nova rede, facilitando a adaptação dos utilizadores aos novos percursos, horários, imagem e procedimentos do serviço, bem como a consolidação da operação no terreno, sendo que durante este período poderão verificar-se ajustamentos pontuais nos horários ou na operação, sempre que tal se revele necessário para assegurar o normal funcionamento do serviço e garantir uma resposta cada vez mais adequada às necessidades de mobilidade identificadas”, ressalva aquela entidade presidida por Pedro Lima, autarca de Vila Flor.
Para facilitar esta fase de arranque e incentivar os utilizadores a conhecerem a nova rede de transportes, a utilização de todos os serviços “será gratuita em toda a região” entre os dias 3 de agosto e 13 de setembro de 2026.
Nesta primeira fase, as linhas intermunicipais funcionarão diariamente, assegurando as ligações entre os diferentes concelhos das Terras de Trás-os-Montes.
Relativamente às linhas municipais estarão em funcionamento em todos os municípios que integram a CIM-TTM (Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Miranda do Douro, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais), à exceção do concelho de Bragança, com periodicidade de duas vezes por semana, com duas viagens por dia, sendo reforçadas nos dias de mercado da sede de cada concelho, em que serão asseguradas três viagens.
A partir de 14 de setembro, com o início do novo ano letivo, “entram em vigor os horários escolares das linhas municipais e intermunicipais, bem como o serviço de transporte a pedido, completando a implementação da nova operação”, explica a CIM-TTM.
Esta nova modalidade, permitirá “reforçar a cobertura do transporte público em localidades com menor oferta”, proporcionando uma resposta de mobilidade mais flexível e contribuindo para uma rede mais abrangente e inclusiva em todo o território.
António Amorim de Carvalho - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)
Farmacêutico.
Curso de Farmácia pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Deputado (1911, 1911-1914). Governador civil de Bragança (1917-1918).
Natural da freguesia e concelho do Peso da Régua.
Filho de António Manuel de Carvalho, farmacêutico, e de Caetana Rosa, proprietária.
Natalidade em Trás-os-Montes
Trás-os-Montes enfrenta, há várias décadas, um acentuado envelhecimento demográfico e uma acentuada quebra na natalidade, alimentados pela emigração, pelo êxodo rural e pela escassez de oportunidades económicas. Inverter esta tendência exige uma estratégia integrada que valorize o território e crie condições reais para que os jovens escolham viver, trabalhar e construir a sua família na região.
O primeiro pilar para dinamizar a demografia transmontana é a criação de emprego estável e qualificado. Fixar a população jovem passa por garantir salários dignos, dinamizar incentivos à instalação empresarial, apoiar o empreendedorismo local e valorizar os setores tradicionais, como a agricultura, o turismo sustentável e a transformação de produtos endógenos. Em simultâneo, a aposta no teletrabalho, sustentada por infraestruturas digitais de excelência, constitui um íman poderoso para atrair famílias que ambicionam qualidade de vida longe dos grandes centros urbanos.
A este esforço junta-se o apoio direto às famílias. Medidas como subsídios à natalidade, desagravamentos fiscais a nível local, apoios à habitação e o acesso a rendas acessíveis são fundamentais para aliviar o custo de vida associado à parentalidade. A reabilitação do parque habitacional devoluto e a criação de programas específicos para jovens facilitam a autonomia e tornam a decisão de ter filhos mais sustentável.
Paralelamente, a garantia de serviços públicos de excelência é um fator decisivo. O investimento em creches gratuitas ou a preços controlados, a manutenção de uma rede escolar moderna e de proximidade, e a salvaguarda de cuidados de saúde acessíveis, incluindo valências essenciais de pediatria e obstetrícia, transmitem a tranquilidade indispensável aos pais. A melhoria das acessibilidades e dos transportes públicos assume, igualmente, um papel central no combate ao isolamento das aldeias.
A singular e superior qualidade de vida de Trás-os-Montes deve, por sua vez, ser alavancada como vantagem competitiva. O contacto privilegiado com a natureza, a segurança, a serenidade e o forte sentido de comunidade são atrativos de valor incalculável. A estas vantagens devem somar-se políticas ativas de acolhimento e integração de novos residentes, incluindo cidadãos estrangeiros, cruciais para o rejuvenescimento do tecido social.
O sucesso destas políticas exige uma visão a longo prazo, assente numa articulação estreita entre autarquias, poder central e sociedade civil. O futuro demográfico de Trás-os-Montes não se esgota em meros incentivos financeiros, constrói-se devolvendo vitalidade ao território, assegurando oportunidades, serviços de qualidade e esperança no amanhã. Só assim será garantida a sustentabilidade social e económica da região.
" Nas escombreiras do amor" - Capítulo II
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
...continuação
Um repentino e forte vendaval soprou de nascente, dos lados de Bragança, fazendo agitar os castanheiros de inquietação.
- É berdade! Eram mesmo grães da mesma ´spiga...Credo, quinté fic´á gente arrepiada.
- A este, mataram-no à ´stadulhada, por o que me contas e o meu Tchico Zé foi morto à traição, por trás. Só assim é que conseguiram dar cabo dele. Doitro modo, cara a cara, num sei s´os três tchigariam pra ele. O Cipriano ´spatou-l´uma nabalhada nas costas quinté le furou o pulmão.
- Oh...sabemos lá c´mé cas cousas se passaram...
- Sabemos, sabemos. – afirmou convictamente com acenos de cabeça. - O Adriano lá contou tudo no tribunal ó juíz. Lá dixo qu´o meu Tchico Zé ´staba descuidado imentes o Adriano le passaba as notas prás mãos e que o Cipriano beio sorrateiro por trás co a nabalha e ´spatou-o.
- Pois...tamãe oubi decer isso – disse a Celeste encolhendo os ombros.
- Pois, pois ...Atcho qu´eró destino deles – disse conformada, puxando o xaile para os ombros e o lenço para a testa. - Agora só ´stou priocupada é co este inuncente – disse apontando o netinho de quatro anitos, que se mantinha sentado ao lado dela, alheio a tudo, sem se aperceber que tinha ficado sem Pai.
- Esse tamãe seria um desinfeliz, se num fosse bomecê qui o acarinhou, sem saber sequera s´era seu neto, sendo filho da corjidade. Lá seria um imporém, por i... Bem le pode q´rer, qu´i o ´stá a criar com todo o amor!!Num há dúbda! O amor e a fé, nos actos se bê!!
- Num será bem assim. Será filho d´alguma puta, mas num é ninhum filho da puta. Por o menos no que depender de mim, naquilo que ´stiber ó meu alcance. Mas ele é filho do meu Pascoal, tanho a certezinha. Assim eu tibesse o Céu tão certo. Atão tu num bês qué a cara ´scarrada e ´scupida dele, os olhos inguaizinhos e inté tem o peido na testa, c´mó meu Pascoal?!! – disse causticamente, com alguma indiferença.
- Lá parcido, é. Num há dúbda. Dá todo ares ó Pascoal, lá isso dá!!
- Pois é claro que dá! Olha qu´admiração...inda te digo mais: nem erba no trigo e nem suspeitas no amigo – lançou-lhe uma pequena farpa camuflada na ironia.
- Sabe-se lá quem será a mãe!! – perguntou fingindo não ter percebido.
- Eu num na conheço, mas ó que dizem por aí, é uma badia ruça, qu´andaba por aí, por as feiras e romarias. É uma ´stoubada qu´anda praí a tchutchar o dinheiro ós rapazes e ós homes casados. Foi botá-lo na roda e nunca ninguém mais a biu...! – disse num encolher de ombros. – Óbi decer qu´era prá i dos lados de Bimioso, prós lados da ´Spanha.
- Oh...Sabe lá a gente donde são essas pessoas!Mas tamãe, agora já co essa idade, pró qu´habia de ´star calhada, pra essa trabalheirama toda!
- Num me dá trabalho ninhum. O qu´é questoso, num é custoso – disse mansamente. – E é c´mo tu dissestes : o amor e a fé, nas obras se bê. – acrescentou.
- Ora, pois! Essa é qu´é essa!!. Quem corre por gosto num cansa – concordou acenando que sim com a cabeça.
- Agora que bai tchigar a Primabera, só tanho arreceio que m´apanh´ alguma intrite ou cous´assim.
- Ou sarampo, ou garrotilho. Eu sei lá...alguma doença própria das crianças. Mas num se priocupe, que Deus num le dará um fardo que num posso suportar. Cruzes, credo! Bai de retro...- disse benzendo-se.
Pascoal era de porte altivo de olhos e cabelos claros. Tinha ombros largos, maciços e uma boca de rã. Era indomesticável. Procurava a sua verdade; um sentido para a vida. Os maus fígados do Pai tinham-se repetido no filho.
- E pra teu goberno, inda te digo mais oitra. Inté tãe uma marca na nalga direita, c´mó Pascoal e inté c´mó meu Tchico Zé, que tamãe tinha uma ingual! Aquilo já é cousa herdatária. E olha qu´a minha palabra bale mais do qu´um alforje de moedas d´oiro – disse com voz firme.
Celeste chorou copiosamente lágrimas de dilúvio e lá foi falsamente compungida com a situação. Era uma mulher redonda, exuberante de carnes. Tia Inácia sabia bem que ela era de lágrima conveniente e calculista. Esta tal Celeste era tida como uma das quatro feitceiras da aldeia; era uma das que espalhava sal nas encruzilhadas, como fazia o inimigo em tempos remotos, nas cidades destruídas, para não renascerem das cinzas. Era uma mulher alta, de rosto balofo, pesada, mas segura de movimentos. Era possante e maciça, de olhar curioso. Tinha a alcunha de “ Zarolha “, porque não via quase nada do olho direito. Era uma autêntica rata de sacristia. Passava demasiado tempo na igreja, na intenção de salvar a alma no dia do juízo final. Era capaz de enlamear o nome de qualquer um com a mesma facilidade com que tomava a hóstia de Cristo. Vivia no terreiro da igreja, tendo como vizinha a Doroteia de Jesus, que era Mãe do homem da Esmeralda, filha da Tia Inácia, que vivia em França com os dois filhos. A Doroteia e a Inácia nunca morreram de amores uma pela outra, pois aquela não queria, por nada deste mundo, que o filho casasse com a Esmeralda - mas o amor, mais uma vez, venceu! A tia Doroteia fazia parte do quarteto de feiticeiras da aldeia. O terreiro onde vivia era um semi-círculo formado por cinco casas todas elas com balcão e varanda de madeira e loja. No centro do terreiro havia um enorme olmo, onde prendiam os burros à sombra e a garotada brincava no Verão.
Tia Inácia não era mulher de bater muito no peito e nem de mastigar Pais Nossos e Ave-Marias. Nunca o sentimentalismo a arrastou de modo exagerado para a igreja e para o confessionário. No entanto, não perdia a missinha aos domingos e confessava-se uma vez por mês para poder engolir o corpo do Filho de Deus, semanalmente e calar as bocas do povo. Fora disso, não ia às novenas de maio, não participava na encomendação das almas na Quaresma, embora soubesse de cor os cinco mistérios dolorosos, desde o primeiro – Agonia de Jesus no Horto, o segundo – o flagelo de Jesus, o terceiro – a coroação de espinhos, o quarto – o carregamento por Jesus da cruz até ao Calvário e o quinto – a crucificação e morte na cruz. Também não confiava muitas orações a Santa Bárbara – sua vizinha - , quando os trovões, os relâmpagos e as trovoadas traziam a aldeia em pânico, de credo na boca. Sabia, apesar disso, a cantilena:
que no Céu está escrita
com cruzes e água benta
p´rá pagar esta tormenta”.
.
que tens na palma da mão,
pede a Nosso Senhor
que não mande mais trovão.
.
qu´ engrandece o Senhor
nem espírito se alegra
no Divino Salvador.
Que nos livre do trovão
qu ´anda tão ameaçador.
Tinha, no entanto, a paz da aceitação de tudo o que a vida lhe dava sem questionar e, talvez isso, fosse a mais nobre e salutar sabedoria.
A vida seguia sossegada e rotineira, sobressaltada apenas com alguma festa de casamento, de baptizado, por algum fogo ou alguma morte.
Quando a Celeste foi embora, já o dia declinava lânguido e amarelecido em tons de salmão coral, sobre o cume sul do Reboredo e o sol se tinha escondido lampeiro para os lados do Pocinho. O dia caía rabujento e rugoso, no doce e majestoso adormecer das coisas e da natureza. No lugar onde o sol se pôs, ficou uma mancha avermelhada, lembrando vinho derramado numa toalha de linho e a lua irrompia cautelosa e encolhida, por entre as nuvens. O escuro da noite espalhava-se apressadamente pela abóboda celeste. As estrelas, fixas e cintilantes, já brilhavam cada vez mais num céu plúmbeo, onde parecia que tinham espalhado poeira de ouro. Havia um luaceiro claro, mole e taciturno de fim de inverno. Uma nebelina transparente e frouxa envolvia a aldeia triste e pobrezinha, na sua interminável pobreza e acumulava-se nos baixios. A noite conquistara a sua obscuridade, e o silêncio, o seu mistério. Tia Inácia estava melancólica, debaixo de um impiedoso céu estrelado e vigiada por inúmeras estrelas que dava a impressão de que a perscrutavam, para lhe adivinhar os pensamentos! Só ali era possível uma completa comunhão com o Universo. Todos faziam parte de um ser único, impelidos pela mesma bioenergia imanente.
Tia Inácia entrou em casa com o neto e acendeu a candeia de petróleo, que projectava umas sombras agigantadas pelas paredes despidas, num círculo desmaiado. Bruxuleava um ténue raio amarelo pálido, tremeluzente. Na lareira havia a panela de ferro onde coziam as couves e a " lata da bianda", onde cozinhava restos para dar à jerica. Uma luz cinzenta e parca entrava pela boeira. A lua ia alta, cheia e lustrosa e espargia uma claridade limpa e crua. Quando examinou as couves tronchudas, viu que estavam já espapaçadas, tal como as batatas.
- Ó rais palir´ó rapaz, quinté na morte me ´stroba. - lamentou-se ao verificar que tanto as batatas como as couves, estavam cozidas demais.
Com a espumadeira escoou as couves e as batatas e deitou-as em dois pratos fundeiros de barro grosseiro do Felgar, com um ovo cozido. Esmagou tudo com o garfo de pé de osso e temperou-as depois com unto. Deu um prato ao neto e ambos comeram no escano, sentados em mochos de madeira, ao lume já quase apagado. Tia Inácia pegou nas tenazes e revolveu o lume para o espevitar, mas pouco lhe adiantou. Apenas umas tristes brasas escarlate esmoreciam também num sono de despedida. Ali os sonhos dormitavam juntamente com os grilos, os besouros e as flores silvestres.
- Quem é que moieu, Bójinha? - perguntou o neto subitamente com olhar interrogador.
- Oh...Num foi ningãe. Com´as coubinhas e cala-te, que faizem bem às tripas – respondeu encolhendo os ombros, olhando para o neto com olhar incomodado.
O menino calou-se e continuou a comer a ceia.
- Mas a Xinhóia dicho qu´um home tinha moído! - insistiu mais tarde, o menino na pergunta inocente, com olhos envolventes.
- Prontos, bá. Foi o teu Pai. Mas deixa lá, que todos habemos de morrer um dia; uns mais nobos, outros mais belhos, mas ninguém cá fica.
- Atão eu e Ábojinha tamãe bamos moiê?!- perguntou num olhar de espanto.
- De certezinha. Mas agora cala-ti come.
A velha e o neto cearam calados e ficaram sentados à lareira até à hora de deitar. O menino olhava com olhos de sono e de incompreensão para o lume, que também ia desfalecendo, dando já pouco calor. Umas já desfeitas cavacas de zimbro, moribundas, tinham arrefecido em dores cinzentas, pouco vivas.
- Tanho fio, Bó – disse o menino a tremer. – Tou inganhado - acrescentou
-´Stás ingranhado? – perguntou a Avó num sorriso terno. – Tamãe eu, mas já bamos a dromir, que já bão sendo horas, qu´isto aqui num é c´mo na casa do oitro, sempr´atiçar-ló lume coas tenazes. – resmungou a velha. - Tchega-te mais ó lume e quece-te.
Na lareira, apenas o "lato da bianda" e a panela de ferro.
continua...
Fontes de Carvalho
Fontes de Carvalho, pseudónimo de Luís Abel Carvalho, nasceu no Larinho, uma aldeia transmontana do Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança. É o filho do meio de três irmãos.
Estudou em Moncorvo, Bragança e no Porto, onde se formou em Engenharia Geotécnica. É casado e Pai de três filhos.
Viveu no Brasil, onde passou por momentos dolorosos e de terror, a nível económico e psicológico. Chegou a viver das vendas de artesanato nas ruas e a dormir debaixo de Viadutos.
No ano de 1980 e 1981 foi Professor de Matemática em Angola, na Província de Kwanza Sul, em Wuaku-Kungo. Aí aprendeu a desmistificar certos mitos e viveu uma realidade muito diferente da propagandeada.
Em Portugal deu aulas de Matemática em diversas cidades, nomeadamente em São Pedro da Cova, Ponte de Lima, Cascais (na Escola de Alcabideche, onde deu aulas aos presos da cadeia do Linhó), Alcácer do Sal, Escola Francisco Arruda e Luís de Gusmão, em Lisboa. Frequentou durante quatro anos, como trabalhador-estudante, o curso de Engenharia Rural, no Instituto Superior de Agronomia.
Em 1995 fundou a empresa Bioprimática – Reciclagem de Consumíveis de Informática, onde trabalha até hoje como sócio-gerente.
Miranda do Douro: Cesteiro conserva arte de fazer cestos de vime
O cesteiro mirandês contou em língua mirandesa, que desde Bragança ao Pocinho, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, não há quem faça as cestas como ele, devido à técnica e aos materiais, em que utiliza vimes desfolhados, nó de vimeiro ou salgueiro, escova materiais que são colhidos nas margens do transfronteiriço rio Angueira, afluente do rio Sabor.
“Toda a matéria-prima é autóctone desta região, pois cresce nas margens do rio Angueira que nasce em Espanha e atravessa os concelhos de Miranda do Douro e Vimioso, sendo depois tratada e trabalhada ao meu jeito ”, explicou o octogenário artesão.
O cesteiro natural de São Martinho de Angueira, uma aldeia raiana do concelho de Miranda do Douro, contou que tem uma técnica única que aprendeu há mais de 50 anos na aldeia de Caçarelhos, no concelho de Vimioso e meteu-se a fazer as cestas mirandesas que levam mais de sete horas de trabalho para moldar os materiais.
Marcolino Fernandes vincou que só para descascar os vimes “são precisas mais de duas horas”.
“Fui fazendo, mas estraguei muita quantidade de vimes para aprender e construir as minhas cestas, às quais já perdi conta. Aprendi e nunca mais deixei de fazer cestas e cestos e outros objetos, como chapéus e peças musicais para entretenimento, como ruge-ruges”, explicou.
Marcolino Fernandes desabafou e disse que cada dia que não faz uma cesta já não é ele próprio, apesar das contingências físicas provocadas pela idade e das doenças que ultrapassou ao longo da sua vida.
“Este trabalho já me cansa muito as costas, os dedos das mãos com os quais é preciso fazer muita força para entrelaçar os ramos de vime que chegam aos dois metros de comprimento e são cruzados por inteiro sem deixar pontas soltas”, especificou.
Marcolino disse que antigamente havia cesteiros em quase todas as aldeias do Planalto Mirandês, porque as pessoas precisavam das cestas para a agricultura, para uso doméstico (costura), para a viticultura, decorativos, entre outras utilidades.
O cesteiro mirandês tem receio que esta arte tradicional desapareça, porque nas regiões do Planalto Mirandês e do Douro Superior já não há ninguém, ou praticamente ninguém, que trabalhe a arte da cestaria tradicional.
Marcolino Fernandes também foi ao longo de algumas décadas professor primário, mas afiançou que nem um dos seus alunos demonstrou interesse em aprender a arte de cesteiro e que os velhos artesãos escondiam os seus trabalhos antes de “serem copiados”.
“Uma vez passei ao lado de um cesteiro que trabalhava num cesto e depressa parou perante o meu olhar curioso. Mas, continuei a aprender a fazer o meu trabalho. Como na minha aldeia [São Martinho] havia muito vimes, continuei a treinar e os trabalhos foram saindo”, disse.
O veterano artesão sempre foi dizendo que agora os cestos servem para decorações e perdendo a sua utilidade de outros tempos, devido ao aparecimento de novos materiais.
O trabalho de cestaria de Marcolino Fernandes está patente no Museu da Terra de Miranda com 30 exemplares, o qual também esteve exposto no Museu Antropológico de Madrid, por empréstimo.
Pela raia nordestina é comum ver Marcolino Fernandes a trabalhar ao vivo em feiras de artesanato como Vimioso, Miranda do Douro e, do lado espanhol, em localidades castelhanas como Vitigudino, Alba de Torres, Rabanales e outras, devido à sua “técnica apurada” na arte da cestaria.
O resiliente artesão, por norma, apresenta-se como “o último cesteiro mirandês”.
“Las Cestas de Marcolino” são o mote de uma exposição etnográfica que está patente na Casa da Cultura Mirandesa, durante o verão, como forma de ajudar a perpetuar estas memórias ancestrais dos velhos e antigos cesteiros da Terra de Miranda.
“Para esta exposição comecei a fazer mais cestos de diversas formas para mostrar ao público que por aqui passa. É uma forma de divulgar e perpetuar esta arte ancestral”, vincou o cesteiro mirandês, como gosta de ser apelidado.
Para além de cesteiro e antigo professor do ensino primário, Marcolino Fernandes é também um falante e escritor de língua mirandesa, características que estão ligadas com a sua arte, devido às vivências de um passado comunitário neste território do Nordeste Transmontano.
MIRANDELA DISTINGUE PRODUTORES DE AZEITE E VINHO PREMIADOS EM CONCURSOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS
A iniciativa integrou a conferência “Gastronomia, Azeite e Vinho – Porque Ninguém é Feliz Sozinho”, promovida pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), reunindo produtores, especialistas e representantes de entidades ligadas à promoção da gastronomia e dos produtos regionais.
Durante a sessão foram reconhecidos os produtores de azeite Valdrez, Casa Santo Amaro, Fio Aroma, Mont’Alverne, Pai Torto, Quinta de S. Braz e Seiras, assim como os produtores de vinho Casal da Fradissa, Costa Boal, Flandório, Maria Gins e Quinta das Corriças, pelos prémios alcançados em diferentes competições de âmbito nacional e internacional.
A homenagem pretendeu valorizar o trabalho desenvolvido pelos produtores locais, destacando a qualidade dos azeites e vinhos de Mirandela e o seu contributo para a promoção do concelho e da região. O reconhecimento público reforça ainda a importância destes produtos na afirmação do território como referência no setor agroalimentar e enoturístico.
CURSOS DE VERÃO REFORÇARAM FORMAÇÃO EM PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE FRUTOS SECOS EM BRAGANÇA
A formação, organizada pelo Centro de Investigação de Montanha (CIMO) e pelo Laboratório Associado SusTEC, contou com a participação do MORE CoLAB, cujos investigadores integraram o corpo docente e dinamizaram várias sessões dedicadas à produção sustentável de frutos secos.
Entre os temas abordados estiveram estratégias inovadoras para uma produção mais sustentável da amendoeira, no âmbito do projeto SIAMESE, bem como a cultura do castanheiro e da amendoeira, duas produções de grande importância económica e social para a região transmontana.
Além das sessões teóricas, o programa incluiu uma visita técnica de campo, permitindo aos participantes conhecer práticas agrícolas sustentáveis aplicadas à realidade do território e promover a troca de experiências entre investigadores e profissionais do setor.
A iniciativa assume particular relevância para Trás-os-Montes, onde culturas como a castanha e a amêndoa representam um importante motor de desenvolvimento económico. A aposta na formação especializada e na transferência de conhecimento pretende contribuir para uma agricultura mais competitiva, sustentável e preparada para responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas e pela inovação tecnológica.
A participação do MORE CoLAB reforça ainda o compromisso da instituição com a investigação aplicada, a capacitação dos profissionais e a valorização de fileiras agrícolas estratégicas para o desenvolvimento da região.
CORTIÇOS E CERNADELA RECEBERAM A PRIMEIRA EDIÇÃO DO “SABORES & MÚSICA NA ALDEIA”
Ao longo da iniciativa, as tradicionais barraquinhas deram a conhecer uma variedade de produtos típicos da região, permitindo aos visitantes descobrir e degustar algumas das especialidades produzidas no concelho, num ambiente marcado pelo convívio, pela animação e pela valorização dos costumes locais.
O evento contou com a presença do executivo do Município de Macedo de Cavaleiros, que acompanhou as atividades e destacou a importância de iniciativas que promovem o associativismo, dinamizam as aldeias e contribuem para preservar o património cultural e gastronómico do concelho.
A organização esteve a cargo da Associação Abelhudos, em colaboração com a Junta de Freguesia de Cortiços, contando ainda com o envolvimento de expositores, voluntários e diversos parceiros que contribuíram para o sucesso desta primeira edição.
Com esta iniciativa, Cortiços e Cernadela reforçaram a aposta na promoção dos produtos locais e das tradições da região, criando um espaço de encontro entre a comunidade e os visitantes e valorizando o mundo rural através da cultura e da gastronomia.
domingo, 26 de julho de 2026
Hoje celebramos o Dia dos Avós, uma homenagem a quem preserva as nossas memórias, transmite valores e mantém vivas as tradições de geração em geração.
Porque são as pessoas, as tradições e os laços entre gerações que tornam Bragança um concelho cada vez mais vivo.
OS FIDALGOS - TRAVANCA
Neto paterno de Jerónimo de Freitas e de D.Maria Francisca.
Neto materno de Bento Gomes Pedroso e de D. Catarina Salgado, filha de D. Manuel Salgado Barreto, irmão de D. Afonso Salgado, general de batalha, governador de Chaves e das armas da província de Trás-os-Montes, pai dos bispos de Pernambuco e Rio de Janeiro, D. Francisco Luís Salgado e D. Francisco da Cruz Salgado, primos coirmãos de D. Catarina Salgado, avó de Francisco José Salgado Cardoso e de seus irmãos Francisco António Gomes Salgado, reitor da igreja de S. Bartolomeu de Rabal, e Manuel Caetano Salgado.
Os seus ascendentes foram pessoas nobres.
Teve por armas um escudo esquartelado: no primeiro quartel as armas dos Cardosos; no segundo as dos Salgados; no terceiro as dos Barretos e no quarto as dos Peixotos.
Foi-lhe passado este brasão a 14 de Maio de 1766 e está registado no Cartório da Nobreza, livro 1º, fol. 29 v. (576).
2º FRANCISCO XAVIER DE MOURA CARVALHAIS, natural de Travanca, concelho de Macedo de Cavaleiros, tenente-coronel de milícias, era filho do capitão Caetano José Dias Carvalhais e de D.Maria de Moura.
Neto paterno de Pedro Dias Carvalhais, tenente de infantaria de Bragança.
Neto materno de D. Luísa Pinto.
Foi-lhe passado escudo com as armas dos Mouras e Carvalhais a 21 de Agosto de 1807 e está registado no Cartório da Nobreza, livro 7º, fol. 199 v. (577).
A certidão autêntica da carta de brasão de armas passada a Francisco Xavier de Moura Carvalhais, escrita em quatro fólios de pergaminho, com iluminuras (ver a descrição geral em Mascarenhas, pág. 252), está em Travanca na posse de D.Maria Teresa de Moura Magalhães, filha do conselheiro Francisco Xavier de Moura Carvalhais e de D. Maria Angélica de Sousa Pinto Barroso (ver 4º – III em Mascarenhas – Família Barrosos, pág. 255).
3º FRANCISCO JOSÉ MASCARENHAS e sua mulher D. Francisca Joana Freire de Andrade, de Travanca de Macedo de Cavaleiros, obtiveram em 1794 licença para oratório particular na sua casa de moradia (578).
4º ANTÓNIO RAIMUNDO DE MORAIS ANTAS, capitão de infantaria, e sua mulher D.Maria da Piedade,obtiveram em 1819 licença para oratório particular nas suas casas de moradia em Travanca, concelho de Macedo de Cavaleiros, podendo ampliar às suas casas de moradia em Bragança(579).
5º D. FRANCISCA JOANA FREIRE DE ANDRADE, de Travanca de Macedo, mulher de Francisco José Lopes, faleceu a 1 de Novembro de 1806, deixando por sua alma mil e trezentas missas! (580)
MIRANDELA RECEBEU JOVENS CICLISTAS EM TARDE DEDICADA À FORMAÇÃO
Mirandela acolheu este sábado a segunda edição do Encontro de Escolas e do Circuito Cidade, uma iniciativa que reuniu dezenas de jovens atletas de vários pontos do país. Ao longo da tarde, os participantes competiram em diferentes escalões, num evento que promoveu o ciclismo de formação, o espírito desportivo e a descoberta de novos talentos.
Jornalista: Vitória Botelho




























