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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Quem merece ser reconhecido em Bragança?

 Há pessoas e entidades que, através do seu trabalho, dedicação e contributo para a comunidade, ajudam a construir uma Bragança melhor.
No âmbito dos Prémios “Município de Bragança”, o Município convida a comunidade a identificar e propor quem considera merecedor de uma homenagem, pelo seu contributo para o concelho e para o bem comum.

Participe e faça a sua proposta. A sua sugestão pode ajudar a dar visibilidade a quem faz a diferença.

Formulário de participação AQUI.

Envio de propostas até 30 de novembro de 2026

Consulte o regulamento AQUI.

Presidência Aberta em Bragança. Autor: Luís Vasconcelos. Datas: domingo, 15 de fevereiro de 1987 - quinta, 26 de fevereiro de 1987


Trabalhar para viver ou viver para trabalhar. Onde está o equilíbrio?


 A questão não é filosófica, é prática. Afeta decisões diárias, afeta a saúde mental, e as relações pessoais. Num mundo onde a produtividade é frequentemente confundida com valor pessoal, encontrar esse equilíbrio tornou-se um enorme desafio.

Trabalhar para viver significa encarar o trabalho como um meio, não como um fim. É a fonte de rendimento que sustenta a vida. Fora dele, família, lazer, descanso, interesses pessoais. Esta abordagem tende a proteger o bem-estar, porque estabelece limites claros. A pessoa trabalha, mas não se define exclusivamente por isso. Há espaço para recuperar energia, desenvolver outras dimensões da identidade e evitar o desgaste crónico.

Por outro lado, viver para trabalhar coloca o trabalho no centro da vida. Pode trazer recompensas, progressão na carreira (com cunha é garantida), reconhecimento, e estabilidade financeira. Para certas pessoas, especialmente aquelas que encontram significado profundo no que fazem, esta dedicação intensa não é necessariamente negativa. O problema surge quando o trabalho deixa de ser uma escolha consciente e passa a ser uma obrigação constante, muitas vezes alimentada por pressão externa ou interna.

O risco maior de viver para trabalhar é o desequilíbrio acumulado. Horas que nunca acabam, falta de descanso e negligência das relações pessoais acabam por ter um custo. A produtividade até pode aumentar no curto prazo, mas tende a cair com o tempo devido à fadiga e à perda de motivação. Quando a identidade está excessivamente ligada ao trabalho, qualquer instabilidade profissional (como perda de emprego ou mudança de função) tem um impacto emocional muito mais forte.

Por outro lado, trabalhar apenas para viver, sem qualquer envolvimento ou ambição, também pode gerar insatisfação. A ausência de desafio, crescimento ou propósito no trabalho leva frequentemente a apatia e falta de motivação. O ideal não é rejeitar o trabalho como parte importante da vida, mas integrá-lo de forma equilibrada.

Do ponto de vista pragmático, o equilíbrio não está numa divisão rígida de horas ou numa fórmula universal. Está na relação que cada pessoa constrói com o trabalho. 

O que é que realmente importa? Família, saúde, estabilidade financeira, crescimento profissional, tempo livre. Isto tudo tem um peso diferente para cada pessoa. Sem essa clareza e definição, é fácil cair em rotinas automáticas onde o trabalho ocupa todo o espaço disponível. O equilíbrio não acontece intencionalmente, mas por estrutura. Definir horários, evitar levar trabalho para além do necessário e para casa, e proteger o tempo pessoal são decisões práticas. Sem limites, o trabalho tende a expandir-se naturalmente.

Trabalhar mais horas não significa necessariamente produzir mais. Foco, eficiência e organização permitem reduzir tempo sem comprometer resultados. Isso liberta espaço para outras áreas da vida. Em vez de vermos o trabalho e a vida como opostos, pode ser útil procurar a integração. Um trabalho com algum significado, boas relações profissionais e um ambiente saudável reduz a sensação de conflito constante. O equilíbrio não é fixo. Muda com a idade, responsabilidades e objetivos. O que faz sentido numa fase inicial da carreira pode não o fazer anos depois. Ajustar a prática e o pensamento ao longo do tempo é essencial. 

Há também um fator cultural relevante. Muitas sociedades, como a nossa, valorizam a ocupação constante como sinal de sucesso, criando pressão para estarmos sempre produtivos. Isso pode levar a uma normalização do excesso de trabalho. Questionar esse padrão é parte do processo de encontrar equilíbrio.

Outro ponto importante é a tecnologia. A facilidade de estar sempre ligado, e-mails, mensagens, chamadas etc. elimina fronteiras naturais entre trabalho e vida pessoal. Sem gestão consciente, isso transforma qualquer tempo livre em tempo potencial de trabalho.

“Quanto tempo dedico ao trabalho?”, mas “que papel o trabalho ocupa na minha vida?”. Quando o trabalho serve a vida, e não o contrário, há maior probabilidade de equilíbrio sustentável.

A resposta mais realista é que o equilíbrio não é perfeito nem constante. Haverá períodos de maior dedicação profissional e outros de maior foco pessoal. O problema não está nesses picos, mas na ausência de compensação ao longo do tempo.

Em síntese, trabalhar para viver garante liberdade, enquanto viver para trabalhar pode oferecer objetivos, mas ambos, em extremos, têm custos. O equilíbrio está em construir uma relação consciente com o trabalho suficientemente envolvida para gerar crescimento e satisfação, mas suficientemente limitada para não consumir aquilo que, no fim, dá verdadeiro sentido à vida.

Sei bem do que falo e não sirvo de exemplo pelo aspeto positivo!

HM
15 de Setembro de 2026

O passado e o futuro das religiões

 Göbekli Tepe, na Turquia, é um dos lugares mais precoces onde os rituais de aproximação ao sagrado terão desencadeado um primeiro monumento em detrimento de altares itinerantes. Em entrevista à National Geographic Portugal, o arqueólogo Necmi Karul defende que estes rituais e construções coincidiram praticamente com os primórdios da agricultura na região.

MEHMET ÇETIN / ALAMY / CORDON PRESS - Considerado pela UNESCO Património Cultural da Humanidade desde 2018, o sítio arqueológico de Göbekli Tepe fica a 20 quilómetros de Sanliurfa, uma cidade de maioria curda no sudeste da Turquia. 

A província de Şanlıurfa, na Turquia, está para o início do Neolítico como Atenas para a origem das civilizações mediterrâneas. Necmi Karul, docente de Pré-História na Universidade de Istambul, dirige ali o Projecto de Investigação de Göbekli Tepe e Karahan Tepe desde 2016 e tem vindo a reescrever a história todos os anos.

A narrativa do sítio principal tem sido contada profusamente nas últimas décadas e começa sempre da mesma maneira. Na década de 1960, uma equipa da Universidade de Chicago fez sondagens na região e descobriu Göbekli Tepe, concluindo porém que o sítio tinha pouco potencial. Estava por cima de uma “catedral” do Neolítico, mas não raspou mais do que a superfície e, por isso, trinta anos mais tarde, o arqueólogo alemão Klaus Schmidt teve a epifania da sua vida, ao retomar os trabalhos e compreender, em poucas campanhas, que estava perante um sítio especial.

Há cerca de 11.000 anos, o Neolítico marca uma ruptura. O nomadismo dá lugar à sedentarização, a agricultura aparece (ou pelo menos intensifica-se, uma vez que permanece vivo o debate sobre a possibilidade de os humanos terem cultivado variedades selvagens que não deixaram registo detectável) e criam-se povoados. Quando Schmidt começou a escavar, a investigação sobre a revolução neolítica estava razoavelmente resolvida. Uma possível amenização do clima permitira a sedentarização na Mesopotâmia, a que se seguira a explosão da agricultura e criação de animais e restantes processos civilizacionais até à fundação de cidades e à invenção da escrita, há cerca de cinco mil anos. A Mesopotâmia era a melhor candidata para epicentro deste sismo cultural.

MINISTÉRIO DA CULTURA E DO TURISMO DA TURQUIA - Göbekli Tepe situa-se na antiga Mesopotâmia, considerada por muitos estudiosos o berço da cultura ocidental. 

“A descoberta de Göbekli Tepe complicou este debate”, diz Karul. “Os processos de sedentarização não são lineares, mas temos aqui evidências de que a agricultura pode ter tido lugar logo no início da monumentalização.” Por outras palavras, perto de Şanlıurfa, criou-se um centro monumental, esculpiram-se baixos-relevos de animais em centenas de colunas enquanto se lançavam à terra as primeiras sementes. A criação de animais e as práticas residenciais são mais tardias e mesmo os indivíduos sepultados não abundam. “Tinha aqui lugar um ritual, mas, até ver, este não era um lugar residencial”, resume o arqueólogo.

“Os processos de sedentarização não são lineares, mas temos aqui [em Göbekli Tepe] evidências de que a agricultura pode ter tido lugar logo no início da monumentalização.”

(Necmi Karul, arqueólogo e investigador)

Desde 2019, a equação complicou-se. Há neste momento nove sítios em escavação num raio de 100 quilómetros e estão identificados outros onze. Em todos os lugares escavados, como em Karahan Tepe, em Sefer Tepe e em Chakmak Tepe, há correspondências monumentais com Göbekli Tepe. “São todos datados do início do Neolítico, de 9600 a.C. a cerca de 8000 a.C. Há ainda um sítio em Gürcü Tepe que recua até 7800 a.C.”

A afinação das cronologias e a diversificação das escavações, conduzidas por 150 pessoas de dezenas de instituições, revelaram outra novidade. “A monumentalização parece ter sido mais sofisticada no início da vida dos sítios, durante o qual o simbolismo foi mais cuidado”, diz Karul. “No final da ocupação, já era mais desleixado.”

O arqueólogo evita usar a palavra religião para descrever a prática que se institucionalizou em Şanlıurfa há cerca de 11 mil anos. “Prefiro chamar-lhe ritual porque só temos prova disso. Já se escreveu muito sobre esta região, chamando-lhe o Vaticano ou a Mesquita Aqsa do Neolítico, mas ainda não o conseguimos compreender na totalidade nem perceber se tinha carácter sagrado. A iconografia pode ter sido só um sistema de escrita para fixação de memória. Ou talvez um mecanismo para evocação de histórias mitológicas, génese de uma nova ordem social. Não sabemos.”

Necmi Karul defende que a agricultura não precedeu a sedentarização na região. “Foi o resultado dela e ocorreu porque a área em redor mostrava-se particularmente fértil. Na história da agricultura, como na religião, as explicações lineares costumam ser frágeis. Acredito que aqui se praticavam rituais populares e que esses rituais, usados como motivação para manter as pessoas agregadas, podem ter inaugurado uma nova ordem social e novas estratégias de ocupação do território. Mas não esqueçamos que a fragilidade dos monumentos na fase final também pode significar o desmoronamento da prática ritual do milénio anterior.”

“A monumentalização parece ter sido mais sofisticada no início da vida dos sítios, durante o qual o simbolismo foi mais cuidado.”

Em 2019, a revista Nature publicou um artigo de vários investigadores, liderados pelo antropólogo Harvey Whitehouse, da Universidade de Oxford. Após analisar dados sobre 415 sociedades humanas dos últimos dez mil anos, o grupo concluía que a complexificação das sociedades precedera a imposição de deuses moralizadores às comunidades. Por outras palavras, as práticas rituais de lugares como os de Şanlıurfa teriam prosperado antes da imposição de crenças religiosas baseadas numa ou mais divindades moralistas e severas.

FEDOR SELIVANOV / ALAMY / CORDON PRESS - An, deus sumério dos céus, é uma das primeiras divindades cuja mitologia se conhece. Emergia do mar com raios de sol emanando dos seus ombros. Pousava o pé no ombro de um humano ajoelhado antes de subir a escadaria que conduzia ao topo do mundo.

Grande parte das religiões de que temos conhecimento a partir da invenção da escrita, há cinco mil anos, introduzem a figura da divindade punitiva, com forte componente moral e ética, que exige sacrifícios, promessas ou oferendas e que castiga os desvios em vida ou após a morte. Sabe-se que a complexificação da vida social associada aos primeiros povoados de grande densidade exigiu normas mais rígidas de conduta e esse papel foi desempenhado pela religião– com frequência fundindo a liderança política com a figura divina ou recolhendo dela a sua legitimidade.

A satisfação do grupo de Whitehouse durou pouco. Menos de dois anos depois, Bret Beheim e mais uma dezena de colegas criticaram o tratamento estatístico da informação e o artigo viria a ser alvo de uma  retractação dos autores. Voltamos por isso à casa de partida: o que sucedeu primeiro – a agregação de população em cidades, sob normas sociais apertadas, ou a imposição de um credo religioso que funcionou como cola social?

caçadores-recolectores... e não só

O investigador e professor americano Matt Rossano acredita que o comportamento ritualizado associado a uma dimensão sagrada foi decisivo para o salto civilizacional da transição das sociedades de caçadores-recolectores para outros modelos. “Fascina-me a história dos lugares à volta de Göbekli Tepe. Não era suposto que os caçadores-recolectores pudessem construir estruturas monumentais, mas fizeram-no. Acredito que o ritual era tão importante para eles que justificou o esforço e o gasto de tempo e energia. Talvez não pudessem funcionar como grupo sem realizarem esses rituais.”

Milénios mais tarde, a introdução das religiões monoteístas mudou de novo as regras do jogo, como sucedeu no Egipto no breve reinado de Akhenaton, com os primeiros profetas de Israel e com o zoroastrismo. “Talvez a ideia de apenas um deus tenha sido um forte factor de diferenciação de um grupo em relação aos outros”, diz Rossano.

“Já na nossa era, foi decerto útil como factor aglutinador do Império Romano nos seus anos finais – um esforço político-religioso para agregar populações de múltiplas proveniências e culturas. Um só deus não está ligado a um espaço ou tempo particulares. E no caso de comunidades como os antigos judeus, frequentemente em movimento, o monoteísmo não os obrigou a assimilar os deuses das novas geografias. Pela primeira vez, podiam 'levar' Deus com eles.”

ANDREI ALEKSANDROV / SPUTNIK - Na região de Gomel (Bielorrússia), ainda se celebra o Dia de Ivan Kupala, uma cerimónia do calendário religioso inspirada em velhas celebrações pagãs associadas ao solstício de Verão.

Lugo é o lugar ideal para perceber como pode ter ocorrido a ruptura entre religiões na Antiguidade. O meu guia de hoje chama-se Gaio Victório Victorino e tem a particularidade de já ter morrido há 1.800 anos. Foi centurião destacado para o Nordeste da Península Ibérica, por volta de 212 d.C. Para aprender com Gaio, tenho de descer duzentos degraus, que correspondem a sete metros entre a cota da rua moderna e a da residência do centurião. Oriundo da Germânia, Gaio foi um soldado bem-sucedido. À superfície, louvava o imperador e a religião oficial de Roma. Na cave de sua casa, construiu um altar consagrado a Mitra, divindade persa malvista, cujo culto se manteve secreto embora reunisse fiéis em todo o Império. O espaço funcionou até ser desmantelado por receio de repressão ou por o culto ter caído em desuso, talvez substituído pelo incipiente cristianismo de então.

Com Mitra, como com o xamanismo pré-histórico, as religiões sucedem-se na diacronia humana porque cumprem umpapel cultural e político, mas também porque satisfazem uma ânsia inscrita no nosso ADN. Talvez sejam elas que nos fazem… humanos.

Artigo publicado originalmente na edição de Agosto de 2024 da revista National Geographic e parte da série "... E o homem criou deus".

Gonçalo Pereira Rosa
Actualizado a 21 de setembro de 2024


🐺 MATILHA COMUNITÁRIA DO LOBO IBÉRICO + MÁRIO ORTEGA E JOÃO ORTEGA (CUT OUT) + COMUNIDADE LOCAL

 Uma alcateia de esculturas que nasce das mãos da comunidade e espalha-se por um percurso no Polis.

Informação e participação: info@bairrofolia.pt

Arte, cultura e criação em comunidade nos bairros de Bragança
Projeto promovido pelo Município de Bragança
2026 · D’Além do Rio aos Batoques
19 de setembro

Festas, Festividades e Eventos

Carlos Frederico de Castro Pereira Lopes - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 13.março.1919 – 4.abril.1919
PORTO, 18.1.1869 – ?

Magistrado do Ministério Público.
Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra.
Senador (1918).
Natural do Porto.
Filho de Augusto António Lopes Pereira da Silva, moço fidalgo da Casa Real, e de Adelaide Júlia de Castro Pereira.
Casou com Toríbia de Alpoim Cerqueira Borges Cabral (25.8.1890), de quem teve dois filhos, Carlos Castro Pereira Lopes Alpoim (n. 24.5.1892) e Isaura Castro Lopes Alpoim (n. 25.12.1895).
Neto paterno de Francisco António Lopes Cardoso, último capitão-mor de Foz Côa.

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Embora nascido no Porto, de onde a sua mãe era natural, quer o seu pai, quer os seus avós maternos e paternos eram do interior norte do País, nomeadamente de Vila Nova de Foz Coa e Celorico da Beira. O seu pai era um grande negociante no Porto e proprietário em Vila Nova de Foz Coa, pelo que pôde enviar Carlos Pereira Lopes para a Universidade de Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito em outubro de 1888.
Concluída a sua formação, exerceu as funções de delegado do procurador régio na comarca de Santiago do Cacém. Em 1912, foi nomeado delegado do procurador da República na 3.ª vara cível de Lisboa.
Em 1918, foi eleito senador, em representação da província de Trás-os-Montes, nas listas do Partido Nacional Republicano.
Embora tenha sido nomeado governador civil de Bragança em 13 de março de 1919, apenas ocupou o cargo por alguns dias.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo da Universidade de Coimbra, documentos vários.
Diário da República, 16.12.1912.
FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e. 1977. Carvalhos de Basto. A Descendência de Martim Pires Carvalho, Cavaleiro de Basto. Porto: Edições Carvalhos de Basto.
MACHADO, José de Sousa. 1989. Últimas Gerações de Entre Douro e Minho Lisboa: J. A. Telles da Sylva.
MARQUES, A. H. de Oliveira (coord.). 2000. Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910-1926). Lisboa:
Assembleia da República.

Publicação da C.M. Bragança

Governo garante que está a acompanhar o pagamento do IMI aos municípios pelas seis barragens de Trás-os-Montes

 Durante a visita ao concelho de Torre de Moncorvo, o secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, garantiu que o Governo está a acompanhar o processo referente ao pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) pelas seis barragens na região de Trás-os-Montes.


O governante reconhece que há verbas que são devidas aos municípios.

A questão surge numa altura em que avançam também projetos de hibridização das barragens do Douro, com novas infraestruturas de produção de energia renovável:

“Estamos a acompanhar e vamos ver de que modo a Autoridade Tributária trata desse assunto e depois daremos a nossa opinião sobre isso.

Mas aquilo que nós dizemos, e que reconhecemos, é que há algo que é devido aos municípios.”

Os dez municípios afetados pelo negócio das barragens têm reclamado o pagamento dos impostos que consideram ser-lhes devidos.

No entanto, perante novos investimentos em energia, o Governo admite criar mecanismos de apoio aos territórios onde essas infraestruturas vão ser instaladas:

“Nós também temos os projetos, temos aquele plano de aceleração para as energias renováveis, mas aquilo que também estamos a tratar neste momento é de encontrar uma forma de poder apoiar os municípios onde estas infraestruturas irão ocorrer.”

A resposta envolve projetos fotovoltaicos e eólicos associados às barragens do Douro.

João Manuel Esteves diz que alguns destes investimentos já contemplam compensações para os territórios:

“Quanto aos parques fotovoltaicos ou aos projetos eólicos, alguns deles já estão também associados e, sempre que há exploração dos mesmos, também já há compensações para os territórios e, portanto, para as câmaras municipais. Achamos que isso é um caminho.”

O objetivo, segundo o secretário de Estado, é garantir que os grandes investimentos energéticos deixem também retorno e projetos de desenvolvimento nas regiões onde são instalados.

Fotografia: Município de Torre de Moncorvo

Filipe Ventura  Alves

Feira da Pavia destaca potencial económico do produto das Arcas

 A Junta de Freguesia de Arcas juntamente com o municipio de Macedo de Cavalerios vai criar, no próximo ano, um apoio à plantação de pavieiras, através de um subsídio por cada árvore plantada.


A medida pretende incentivar o cultivo da pavia e aumentar a produção deste produto tradicional da freguesia.

A iniciativa pretende promover a pavia e valorizar a produção agrícola local. Segundo o presidente da camara municipal de Macedo de Cavaleiros Sérgio Borges a autarquia pretende também que a produção de pavia possa representar uma oportunidade económica para os agricultores e contribuir para a fixação de jovens no território:

“É esse o objetivo. Aliás, começamos por aqui, por esta feira, onde os produtores já podem vender a sua pavia e mostrar o seu produto. Obviamente, o objetivo é esse mesmo: levar mais além, levar ao resto de Portugal este comércio, esta produção da pavia, e fazer com que os nossos jovens agricultores possam, com a produção da pavia, fixar-se também no nosso território.”

Também a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM TTM) vê na pavia um exemplo da diversidade e autenticidade dos produtos da região, como explica Pedro Lima:

“É perceber como é que estes produtos podem ajudar a continuar a promover uma região que é autêntica, que é única, precisamente pela diversidade de produtos. Somos a região de Portugal, a sub-região Terras de Trás-os-Montes, com mais Denominações de Origem Protegida (DOP), com mais Indicações Geográficas Protegidas (IGP), de produtos variadíssimos.

É essa autenticidade, esse ser único, que o turista hoje em dia procura. Quando nos visitam, eles não querem mais do mesmo, perdoem-me a expressão. Eles querem, sim, identificar um produto a que praticamente só eles tiveram acesso.”

Do ponto de vista agrícola, o município considera que existe margem para aumentar a produção.

O chefe da Divisão de Agricultura, Henrique Palma, aponta para um novo regulamento municipal de apoio às culturas permanentes:

“Há muito potencial. Agora, assim os agricultores o queiram. O Executivo tem um regulamento a sair agora sobre o apoio às culturas permanentes, onde qualquer agricultor se pode candidatar. Esse regulamento é para que as pessoas comprem plantas e as plantem nas suas parcelas. Neste caso, era muito importante, aqui na zona das Arcas, que as pessoas se dispusessem a plantar pavieiras nas parcelas, aumentando assim a produção e o poder económico.”

Entre os produtores, Hermínio Parreira considera que a pavia tem vindo a conquistar novos mercados, embora defenda a necessidade de mais apoio aos agricultores:

“A pavia é um produto genuíno das Arcas. Não era conhecida e ainda não é conhecida a nível nacional. Felizmente, já é conhecida na parte do Minho, Porto, até Espinho. Já há empresários a levá-la para Lisboa, que eu vendo. Vai estando conhecida e já está a ser um caminho muito bem-sucedido.”

A criação do apoio à plantação de pavieiras junta-se às medidas previstas para incentivar o aumento da produção e reforçar o potencial económico da pavia nas Arcas.

Jodie Pinto

Estão abertas as candidaturas ao apoio excecional ao rendimento dos viticultores da Região Demarcada do Douro

 Foi publicado hoje em Diário da República o despacho que estabelece as regras de concessão de um apoio excecional ao rendimento dos viticultores da Região Demarcada do Douro (RDD) que, em resultado das atuais condições de mercado, não disponham de possibilidade de escoamento da sua produção na campanha vitivinícola de 2026-2027.


Recorde-se que o conselho de ministros de 9 de setembro aprovou o Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da RDD.

Segundo o Ministério da Agricultura este apoio pretende “normalizar o setor vitivinícola da RDD, salvaguardar a sustentabilidade económica, social e ambiental de uma região vitícola de montanha cuja paisagem da vinha é insubstituível e cujo objetivo fundamental consistiu na proteção e valorização das suas denominações de origem e indicações geográficas e, consequentemente, proteger os produtores e o património cultural e paisagístico da RDD.”

O ministro da Agricultura salienta que na presente campanha vitivinícola uma parte dos viticultores da RDD não dispõe de possibilidade de escoamento da totalidade da respetiva produção de uvas, pelo que se “impõe, por isso, a adoção de uma medida destinada a assegurar a esses viticultores um rendimento mínimo, prevenindo o abandono da vinha e a consequente degradação da paisagem vitícola e do potencial produtivo da Região.”

A dotação orçamental afeta ao apoio previsto nesta portaria é de doze milhões de euros.

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito por Universidade FM)

O primo Fernando e a prima Bira

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Entre os pilares da minha infância ocupam um lugar muito especial os meus primos Fernando e Bira, nome por que todos conheciam a Elvira. Com o filho Mário, formavam uma família a cuja casa eu pertencia sem cerimónia, como se os laços de sangue fossem apenas uma confirmação do afeto.

A prima Bira partilhava uma bisavó com a minha mãe, mas os laços que nos uniam iam muito além das explicações da árvore genealógica. Nascera na Ilha do Costa, tal como a minha mãe. Cresceram juntas, amigas e quase primas, no mesmo pátio onde viviam muitas das figuras que já passaram por estas páginas. As suas infâncias foram contemporâneas e partilharam casas, famílias e histórias, numa vizinhança em que os laços de sangue se confundiam muitas vezes com os de amizade.

Era uma mulher rechonchuda, de rosto afável e de uma ternura quase maternal. O centro da sua vida era o Mário, alguns anos mais novo do que eu, mas havia nela carinho suficiente para todos. Quem entrava na sua casa sentia-se acolhido: havia sempre uma palavra amiga, um gesto de atenção e aquela sensação de aconchego que só algumas pessoas conseguem transmitir.

Por isso, o Mário entrou naturalmente no grupo dos meus companheiros de infância. Juntos vivemos muitas aventuras na Fonte dos Alhos, na praia ou mesmo em casa, onde os dias pareciam não ter fim e a imaginação transformava qualquer recanto em território de descoberta.

À hora do lanche, a Bira entrava em ação. Preparava café com leite e torradas sem descanso. Eu, o Mário e o meu irmão Luís, sentávamo-nos lado a lado, devorando umas atrás das outras, e ela quase não conseguia acompanhar o nosso ritmo. O que mais a encantava era ver o filho comer. Sozinho, o Mário tinha pouco apetite; connosco ao lado, as torradas desapareciam à velocidade com que saíam da torradeira. Ela observava-nos com um sorriso satisfeito, feliz por ver o filho alimentar-se e por sentir a casa cheia daquela alegria simples que as crianças levam consigo.

Hoje, ao tentar descrevê-la melhor, dou por mim com alguma dificuldade. Não porque dela guarde poucas recordações, mas porque a sua presença era feita mais de gestos do que de palavras. Não era dada a grandes afirmações nem a protagonismos. Pertencia a uma geração de mulheres que viveram discretamente, dedicadas à família, à casa e aos cuidados dos outros.

Raramente a ouvi impor a sua vontade ou procurar o centro das atenções. Sentia-se mais confortável nos bastidores da vida familiar, cuidando, servindo, apoiando. Muitas mulheres da sua geração aprenderam desde cedo a falar pouco de si próprias, a colocar as necessidades dos outros à frente das suas e a medir a sua realização pela felicidade da família.

Mas se nunca a vi lutar por lugares de destaque, vi-a, vezes sem conta, encontrar alegria nas pequenas vitórias dos outros. Num filho que finalmente comia bem. Num grupo de crianças feliz durante as férias. Num dia de praia sem sobressaltos. Num lanche partilhado à volta de uma mesa.

O primo Fernando, natural do Marco de Canaveses, era um homem bastante magro, de cerca de um metro e setenta, cabelo forte e escuro e um bigode farfalhudo. Tinha bom humor e algumas expressões muito suas, que davam sabor às viagens. Quando começava aquela chuva miudinha, ainda tímida, mas com promessa de engrossar, anunciava: “Lá vem a Maria das Pernas Compridas.” E, se um condutor vinha em sentido contrário com os máximos ligados, gritava: “Ó urso, fecha os olhos!”, para gáudio da criançada.

Nas férias grandes, era ele quem assumia o comando das nossas expedições. Com uma paciência inesgotável, carregava-nos a todos no pequeno Fiat 600 — eu, o Mário e a prima Bira — e levava-nos até à praia de Matosinhos. Passávamos o dia inteiro numa barraca alugada na concessionária Constança Barbosa, vivendo jornadas que então nos pareciam verdadeiras aventuras.

A praia era muito diferente da que conhecemos hoje. O extenso areal abria-se diante do mar, enquanto nas suas costas se alinhavam várias fumegantes unidades industriais. A avenida marginal era ainda atravessada pelos carris da linha de Leixões, por onde passavam os comboios que, entretanto, desapareceram da paisagem.


Corríamos, saltávamos e brincávamos sem descanso. Mas não valia a pena cavar muito fundo na areia. A cerca de um metro de profundidade surgia uma camada negra e compacta, vestígio do petróleo deixado pelo naufrágio do Jakob Maersk, uma cicatriz escondida sob o areal. Fazia parte da recordação de um ou dois anos antes, os ares se encherem de fumo negro e as labaredas erguerem-se do mar num vislumbre do próprio inferno. Acabada a tragédia, aquela era a solução daqueles tempos; revolvia-se a areia e limpava-se o mar como se podia. Para além da recordação da maré negra nas areias douradas, a proa do navio “embelezou” a fortaleza que dominava a costa, conhecida por Castelo do Queijo.

Ao almoço, a prima Bira preparava as merendas com o mesmo carinho com que fazia tudo na vida. E nós, que já na altura não perdíamos uma oportunidade, tínhamos um truque que repetíamos vezes sem conta. Com a maior inocência do mundo, aparecíamos junto dela a dizer que a chouriça do pão tinha caído à areia. A Bira percebia perfeitamente a manobra. Ralhava connosco, fingindo indignação, mas o sorriso denunciava-a. E lá acrescentava mais algumas rodelas de chouriça ao pão, enquanto nós trocávamos olhares cúmplices de missão cumprida.

O que nos dava não era apenas mais um pouco de chouriça. Era um mimo, um gesto de afeto e uma forma silenciosa de nos dizer que gostava de nos ver felizes.

Depois vinha a interminável espera para fazer a digestão. Quando finalmente recebíamos autorização para entrar na água, a prima Bira repetia as recomendações de sempre. Que tivéssemos cuidado. Que não nos afastássemos. Que permanecêssemos à vista. Dizia-o uma vez, duas vezes, três vezes, até ficar convencida de que tínhamos ouvido.

Depois puxava para fora da barraca uma pequena cadeira e ali se instalava, voltada para o mar. Enquanto nós corríamos pelas ondas, gritávamos, mergulhávamos e inventávamos brincadeiras, ela mantinha-se alerta, com um verdadeiro olhar de águia. Julgávamos que estava distraída, mas não escapava um movimento ao seu campo de visão.

A Bira era assim e aquela vigilância constante era apenas outra forma de amor. Protetora sem ser sufocante. Carinhosa sem fazer alarde disso. Encontrava a sua felicidade nas pequenas coisas: ver o Mário comer uma torrada a mais, ouvir as nossas gargalhadas ou saber-nos seguros enquanto brincávamos.

O Fernando levava para aquele cuidado uma leveza diferente: sereno, descontraído, sempre pronto para mais uma viagem no seu pequeno Fiat 600, para outro desafio ou para um novo dia de praia. Parecia encarar a vida com naturalidade e confiança, como quem espera sempre o que vem a seguir.

A verdadeira herança que me deixaram não foi feita de bens nem de palavras solenes. Foi feita de afeto, de companhia e de memórias felizes. Daquelas que resistem ao tempo e continuam a aquecer o coração muitos anos depois.

A Bira partiu primeiro. Alguns anos depois, o Fernando seguiu-lhe os passos. Mas basta fechar os olhos para voltar a vê-los: a Bira a distribuir torradas, a fingir acreditar que a chouriça tinha caído à areia, sentada na sua cadeirita a vigiar-nos na praia com aquele olhar atento; o Fernando ao volante do Fiat 600, conduzindo aquela pequena multidão rumo a mais um dia de aventura.

A última fotografia que tenho deles foi tirada no dia do meu casamento. Guardo-a com especial carinho. Nela, o Fernando surge com o seu ar tranquilo, olhando para lá do momento, como se os pensamentos já viajassem alguns passos adiante. A Bira está debaixo do meu abraço, com um sorriso de satisfação serena, como quem encontrou naquele instante o lugar onde queria estar.


Ao rever essa imagem, tenho a sensação de que ela captou algo essencial dos dois. O Fernando, voltado para o futuro, disposto a enfrentá-lo. A Bira, mais receosa das mudanças, de pés firmemente assentes no presente, deixando-se arrastar apenas o suficiente para acompanhar quem amava.

Talvez por isso se completassem tão bem.

By Manuel Amaro Mendonça 14 de Setembro, 2026


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

🚲 Semana Europeia da Mobilidade | 16 a 22 de setembro

 De 16 a 22 de setembro, Bragança assinala a Semana Europeia da Mobilidade, com um programa diversificado que promove a mobilidade sustentável, a atividade física e a segurança rodoviária.
Caminhadas, ciclismo, ações de sensibilização, workshops e outras iniciativas convidam a comunidade a combinar e a mover-se de forma mais sustentável.

Consulte o programa e participe!

𝐄𝐬𝐩𝐚𝐜̧𝐨 𝐊𝐢𝐝𝐬 - 𝟏𝟎𝟎% 𝐂𝐢𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

 Preparados para descobrir o fascinante mundo das formigas?
No dia 𝟏𝟗 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨, 𝐚̀𝐬 𝟏𝟏𝐡, os mais pequenos vão transformar-se em verdadeiros 𝗺𝗶𝗿𝗺𝗲𝗰𝗼́𝗹𝗼𝗴𝗼𝘀 e descobrir como vivem, comunicam, constroem as suas casas e trabalham em equipa estes incríveis insetos.

Uma experiência prática onde 𝐜𝐮𝐫𝐢𝐨𝐬𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐞𝐳𝐚 𝐞 𝐜𝐢𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 se encontram - porque aprender também é explorar, experimentar e divertir-se! 

𝟏𝟗 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 | 𝟏𝟏𝐡
Atividade para crianças
Inscrições AQUI.

𝟭𝟱 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝘁𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝟭𝟴𝟱𝟬 - 𝗡𝗮𝘀𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗚𝘂𝗲𝗿𝗿𝗮 𝗝𝘂𝗻𝗾𝘂𝗲𝗶𝗿𝗼

 Há 176 anos atrás nascia, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, aquele que viria a ser o ilustre poeta, Abílio Guerra Junqueiro. 


Hoje, evocamos esta voz maior da cultura portuguesa, considerada como uma das mais marcantes personalidades da literatura nacional.

Ao longo da sua vida, Guerra Junqueiro trouxe o concelho de Freixo de Espada à Cinta no coração, crescendo profundamente ligado à paisagem, à cultura, às tradições e às gentes locais. Uma ligação indissociável da sua identidade, refletida nas suas obras literárias.

Poeta, escritor, homem de causas, de intervenção cívica, e de tanto mais... assim foi Guerra Junqueiro, livre, forte, inconformista, atento, crítico vigoroso das injustiças sociais e defensor acérrimo da liberdade, justiça e democracia. Dono de uma palavra satírica e mordaz, Guerra Junqueiro deixou-nos uma obra ímpar que permanece viva, que continua a inspirar gerações e a projetar o nome do concelho de Freixo de Espada à Cinta.

Enquanto berço deste nosso ilustre poeta freixenista, é uma honra e um dever manter viva a sua memória, evocar a sua vida e obra e cultivar a sua herança cultural. Por esse motivo, nos últimos anos, a Câmara Municipal tem vindo a promover diversas iniciativas culturais com o objetivo de homenagear Guerra Junqueiro, referência maior da identidade local, símbolo maior do orgulho freixenista e da riqueza cultural nacional.

𝐗𝐗𝐈𝐗 𝐉𝐨𝐫𝐧𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐚𝐥𝐬𝐚𝐦𝐚̃𝐨

 De 𝟏 𝐚 𝟒 𝐝𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐮𝐛𝐫𝐨, o Convento de Balsamão acolhe as 𝐗𝐗𝐈𝐗 𝐉𝐨𝐫𝐧𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐚𝐥𝐬𝐚𝐦𝐚̃𝐨, este ano subordinadas ao tema «𝐀 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐞𝐦 𝐓𝐫𝐚́𝐬-𝐨𝐬-𝐌𝐨𝐧𝐭𝐞𝐬: 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐨 𝐒𝐚𝐠𝐫𝐚𝐝𝐨 𝐞 𝐨 𝐏𝐫𝐨𝐟𝐚𝐧𝐨».
Um programa diversificado de 𝐜𝐨𝐧𝐟𝐞𝐫𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬, 𝐝𝐞𝐛𝐚𝐭𝐞𝐬, 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 e momentos de convívio convida à reflexão sobre as 𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚𝐬 𝐞 𝐫𝐨𝐦𝐚𝐫𝐢𝐚𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐦𝐨𝐧𝐭𝐚𝐧𝐚𝐬, enquanto 𝐦𝐚𝐧𝐢𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐟𝐞́, 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚, 𝐭𝐫𝐚𝐝𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐞 𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.

Para mais informações e inscrições, até 30 de setembro:

Pe. Basileu Pires | 278 468 010 | basileu.pires@gmail.com

Dia Internacional da Democracia – 15 de Setembro


 O Dia Internacional da Democracia, celebrado anualmente a 15 de setembro, constitui uma importante ocasião para refletir sobre os valores fundamentais da liberdade, da participação cívica, da igualdade e dos direitos humanos. Esta data recorda ao mundo que a democracia não é apenas um sistema político, mas sobretudo uma forma de convivência social baseada no respeito pela dignidade humana, pela justiça e pela vontade do povo.

Num tempo marcado por profundas transformações sociais, crises internacionais e desafios à liberdade de expressão, o Dia Internacional da Democracia assume uma relevância cada vez maior. A democracia representa um dos pilares essenciais das sociedades modernas e continua a ser uma conquista construída ao longo de séculos de lutas, revoluções e reivindicações populares.

O Dia Internacional da Democracia foi proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007.

A escolha da data de 15 de setembro está relacionada com a adoção da Declaração Universal sobre a Democracia pela União Interparlamentar, em 1997. Este documento sublinha os princípios fundamentais que sustentam os regimes democráticos e reafirma a importância da participação dos cidadãos na vida política.

A ONU instituiu esta celebração com o objetivo de:

promover os valores democráticos; 
fortalecer as instituições democráticas; 
incentivar a participação cívica; 
defender os direitos humanos; 
sensibilizar para a importância da liberdade e da igualdade. 

Desde então, o Dia Internacional da Democracia passou a ser assinalado em numerosos países através de debates, conferências, atividades educativas, manifestações culturais e iniciativas de cidadania.

A palavra “democracia” tem origem no grego antigo:

demos = povo 
kratos = poder 

Democracia significa, literalmente:

“o poder do povo”.

Este conceito surgiu na Grécia Antiga, particularmente em Atenas, por volta do século V antes de Cristo.

Embora bastante diferente das democracias modernas, o modelo ateniense foi uma das primeiras experiências conhecidas de participação política dos cidadãos nas decisões públicas.

Os cidadãos reuniam-se em assembleias para discutir:

leis; 
impostos; 
guerras; 
questões sociais. 

Contudo, importa recordar que essa democracia antiga era limitada:

mulheres não podiam votar; 
escravos eram excluídos; 
estrangeiros não participavam. 

Mesmo assim, Atenas lançou as bases históricas do pensamento democrático.

Ao longo da História, a democracia conheceu avanços, recuos e profundas transformações.

Após o período clássico grego, muitas sociedades passaram a ser governadas por:

monarquias; 
impérios; 
regimes autoritários. 

No Império Romano surgiram algumas formas de representação política, mas o poder permaneceu concentrado em elites dominantes.

Durante a Idade Média, o poder dos reis era frequentemente absoluto. No entanto, começaram a surgir documentos importantes que limitavam a autoridade monárquica.

Um dos mais conhecidos foi a:

Magna Carta (1215)

Assinada em Inglaterra, a Magna Carta obrigava o rei a respeitar determinados direitos e princípios legais. Embora inicialmente beneficiasse sobretudo a nobreza, este documento tornou-se símbolo da limitação do poder absoluto.

Nos séculos XVII e XVIII surgiram importantes filósofos e pensadores que defenderam:

liberdade; 
igualdade; 
separação de poderes; 
direitos individuais. 

Entre os mais influentes destacam-se:

John Locke; 
Montesquieu; 
Jean-Jacques Rousseau; 
Voltaire. 

As suas ideias inspiraram grandes transformações políticas.

Em 1776, as Treze Colónias inglesas na América proclamaram a independência dos Estados Unidos.

A nova nação adotou princípios democráticos inovadores:

eleições; 
representação política; 
separação de poderes; 
constituição escrita. 

A Declaração da Independência afirmava que:

“Todos os homens são criados iguais.”

Em 1789, a Revolução Francesa transformou profundamente a Europa.

Os revolucionários defendiam:

liberdade; 
igualdade; 
fraternidade. 

A queda da monarquia absoluta abriu caminho ao reconhecimento dos direitos dos cidadãos e ao fortalecimento das ideias democráticas.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão tornou-se um dos documentos fundamentais da história da democracia.

Ao longo dos séculos XIX e XX, muitos países começaram gradualmente a adotar sistemas democráticos.

Contudo, o direito de voto foi inicialmente limitado:

apenas homens ricos podiam votar; 
mulheres eram excluídas; 
minorias enfrentavam discriminação. 

Diversos movimentos sociais lutaram por:

sufrágio universal; 
igualdade política; 
direitos civis; 
liberdade sindical. 

As mulheres conquistaram o direito de voto em muitos países apenas no século XX.

A História mostra que a democracia nunca esteve garantida de forma permanente.

Durante o século XX surgiram regimes totalitários e ditaduras:

nazismo; 
fascismo; 
estalinismo; 
regimes militares. 

Esses sistemas eliminaram:

eleições livres; 
liberdade de imprensa; 
direitos humanos; 
oposição política. 

As duas Guerras Mundiais demonstraram os perigos do extremismo e da intolerância.

Após a Segunda Guerra Mundial, muitos países reforçaram o compromisso com:

a democracia; 
os direitos humanos; 
a cooperação internacional. 

A democracia em Portugal

Portugal viveu longos períodos sem democracia plena.

Durante séculos, o país foi governado por monarquias absolutas e, mais tarde, por regimes autoritários.

O período mais marcante da ausência de liberdade ocorreu durante o:

Estado Novo (1933-1974)

O regime liderado por António de Oliveira Salazar caracterizou-se por:

censura; 
repressão política; 
falta de eleições livres; 
perseguição a opositores; 
limitação das liberdades. 

A democracia portuguesa foi restaurada com:

a Revolução de 25 de Abril de 1974.

A chamada Revolução dos Cravos pôs fim à ditadura e abriu caminho:

à liberdade de expressão; 
ao pluralismo político; 
às eleições democráticas; 
à Constituição de 1976. 

Desde então, Portugal consolidou-se como uma democracia moderna e integrada nas instituições europeias.

Uma sociedade democrática baseia-se em vários princípios fundamentais:

Liberdade

Os cidadãos devem poder:

expressar opiniões; 
votar livremente; 
manifestar-se; 
escolher representantes. 

Igualdade

Todos os cidadãos possuem os mesmos direitos perante a lei.

Participação

A democracia exige envolvimento ativo da população.

Justiça

As leis devem ser aplicadas de forma justa e imparcial.

Respeito pelos direitos humanos

A dignidade humana deve ser protegida.

Pluralismo

Diferentes ideias e opiniões devem coexistir pacificamente.

Apesar dos avanços democráticos, muitos desafios persistem:

desinformação; 
extremismo; 
corrupção; 
populismo; 
intolerância; 
ataques à liberdade de imprensa; 
manipulação digital; 
baixa participação eleitoral. 

Em várias regiões do mundo continuam a existir:

ditaduras; 
perseguições políticas; 
censura; 
repressão de minorias. 

Por isso, a democracia exige vigilância constante e participação ativa dos cidadãos.

A democracia não vive apenas das eleições.

Uma sociedade democrática fortalece-se através:

do debate; 
do respeito; 
da participação cívica; 
da educação; 
da responsabilidade social. 

Cada cidadão desempenha um papel essencial na defesa da liberdade e da justiça.

Celebrar o Dia Internacional da Democracia significa:

valorizar a liberdade; 
recordar as lutas históricas pelos direitos humanos; 
promover o diálogo; 
incentivar a participação cívica; 
defender sociedades mais justas. 

É também uma homenagem a todos aqueles que lutaram — e continuam a lutar — pela liberdade e pela dignidade humana.

O Dia Internacional da Democracia, celebrado a 15 de setembro, recorda-nos que a liberdade, a justiça e os direitos humanos são conquistas preciosas que devem ser protegidas diariamente.

A democracia não é perfeita, mas continua a ser o sistema que melhor permite:

ouvir a voz do povo; 
respeitar diferenças; 
garantir direitos; 
construir sociedades mais humanas. 

Num mundo em constante mudança, defender a democracia é defender a dignidade humana, o diálogo e a esperança num futuro mais livre e justo para todos.

Texto: HM - com IA e IN