MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
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(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
O cheirinho a folar acabado de sair do forno já começa a sentir-se no ar!
Venha partilhar o seu talento e a qualidade dos seus produtos com os milhares de visitantes que nos visitam nesta época tão especial. Vamos mostrar por que razão Carrazeda é a capital do sabor e da tradição!
O 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂 𝗱𝗼 𝗔𝗯𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗕𝗮𝗰̧𝗮𝗹 promove, entre 𝟭𝟲 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼 𝗲 𝟰 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼 de 2026, o 𝗖𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝘁𝗲𝘀 𝗗𝗲𝗰𝗼𝗿𝗮𝘁𝗶𝘃𝗮𝘀, orientado por 𝗙𝗶𝗹𝗶𝗽𝗲 𝗣𝗶𝗻𝗵𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗖𝗮𝗺𝗽𝗼𝘀.
Uma formação gratuita e certificada para quem quer aprofundar o olhar sobre cerâmica, mobiliário, metais, imaginária sacra e azulejaria. Aprendendo a identificar estilos, épocas e características distintivas.
𝗩𝗮𝗴𝗮𝘀 𝗹𝗶𝗺𝗶𝘁𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗮 𝟯𝟬 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀
𝗜𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗮𝘁𝗲́ 𝟵 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼
Inscreva-se AQUI.
27ª PROMOÇÃO GASTRONÓMICA E MOSTRA DE FUMEIRO DE VINHAIS CHEGA A OEIRAS
Durante três dias, os visitantes poderão degustar e adquirir fumeiro de qualidade reconhecida, bem como apreciar a gastronomia típica da região. A iniciativa contará ainda com um programa cultural diversificado, incluindo música tradicional, atuações de grupos folclóricos e momentos de convívio que celebram a identidade e o património cultural de Vinhais.
Organizado pela Casa do Concelho de Vinhais em Oeiras, com o apoio das câmaras municipais de Vinhais e de Oeiras, bem como da União de Freguesias de Oeiras, São Julião, Paço de Arcos e Caxias, o evento visa promover os produtos locais, valorizar os produtores do interior e aproximar o público urbano das tradições gastronómicas e culturais do Norte.
A entrada é gratuita, e todos estão convidados a participar neste encontro que combina sabores, cultura e tradição.
CONCERTO DO QUARTETO DE CORDAS DA GNR MARCA DIA DA UNIDADE EM FREIXO DE ESPADA À CINTA
O evento promete uma noite de música e convívio, reforçando a ligação entre a GNR e a comunidade local, ao mesmo tempo que assinala mais um ano de serviço dedicado à região.
A entrada é gratuita, oferecendo à população a oportunidade de assistir a um momento cultural único e de celebrar a proximidade entre forças de segurança e cidadãos.
Uma iniciativa que combina cultura, tradição e serviço público, convidando todos a marcar presença nesta celebração especial.
FREIXO DE ESPADA À CINTA PROMOVE INICIATIVA SOBRE SAÚDE MENTAL NA TERCEIRA IDADE
A ação destina-se à população idosa do concelho e tem como principal objetivo sensibilizar para a importância da saúde mental como elemento central de um envelhecimento saudável, ativo e autónomo. Durante a sessão, serão abordados os fatores que influenciam o bem-estar psicológico, sinais e sintomas de perturbações mentais e estratégias práticas para promover hábitos de vida saudáveis e cuidados emocionais.
Segundo a organização, a preservação da saúde mental permite que os idosos desenvolvam as suas capacidades, enfrentem os desafios do quotidiano e mantenham uma vida social ativa, fortalecendo a autonomia e a participação na comunidade.
A iniciativa será conduzida pela Equipa do RADAR SOCIAL da Câmara Municipal e pela Dr.ª Ana Camelo, psicóloga do Centro de Saúde de Freixo de Espada à Cinta, garantindo uma abordagem informativa e prática sobre o tema.
Castro Vicente prepara festa dos produtos da terra, do fumeiro tradicional e do Porco Bísaro
Segundo a presidente da Junta de Freguesia de Castro Vicente, Porrais e Vilar Seco, Carla Lousão, uma das principais novidades desta edição é a mudança do local da feira, justificada pelo crescimento do evento:
O sábado arranca com a recriação da tradicional matança do porco, seguida de almoço comunitário e da inauguração oficial da feira. Durante a tarde estão previstas oficinas de cerâmica fria, animação itinerante, jogos tradicionais e uma conversa dedicada ao saber-fazer do fumeiro tradicional. O dia culmina com uma degustação comentada, harmonizada com vinhos do território:
O domingo é apontado como o ponto alto da festa. A manhã começa com atividades na natureza, como uma caminhada interpretativa entre Porrais e a Ribeira do Azibo, um passeio de BTT e um encontro de carros clássicos. Ao almoço realiza-se o Festival da Açorda de Xixos, confecionada em potes de ferro com carne de adobo.
A presidente da Junta explica que a celebração do porco bísaro resulta da forte ligação histórica e económica desta raça à freguesia:
Este ano, a feira conta com 20 expositores no interior da tenda e dois na zona exterior dedicada a máquinas agrícolas, reunindo produtores da freguesia e de concelhos vizinhos.
Com um orçamento a rondar os 10 mil euros, a organização acredita num retorno positivo, com o alojamento já esgotado na freguesia e visitantes que regressam anualmente, incluindo emigrantes.
A Feira do Porco Bísaro é organizada pela Junta de Freguesia de Castro Vicente, Porrais e Vilar Seco, com o apoio do Município de Mogadouro e de vários parceiros locais, prometendo, uma vez mais, afirmar-se como uma celebração da comunidade e da promoção do mundo rural.
Festival de Patinagem Artística leva a magia da Disney a Mirandela
Telma Correia, treinadora da modalidade e elemento da organização, explica que o festival mantém o formato habitual, mas aposta agora num tema dedicado ao imaginário infantil:
A organização promete coreografias marcadas pela nostalgia e pelo simbolismo de histórias que atravessam gerações.
Entre as novidades desta edição está a instalação de um ecrã gigante no pavilhão, que permitirá a projeção de imagens alusivas aos temas apresentados:
A organização sublinha que não se trata de uma competição, mas sim de um momento de exibição e celebração da modalidade:
O festival conta com o apoio de várias entidades locais e patrocinadores da região. Está ainda prevista a participação de uma escola de dança convidada de Chaves, reforçando a componente artística de um espetáculo que alia desporto, arte e entretenimento para toda a família.
Perigo à espreita
O local foi sinalizado pelos próprios comerciantes, que aguardam há meses a intervenção das autoridades competentes. Sob pena de um acidente grave.
Vinhais instala reservatórios de água nas aldeias contra incêndios florestais
Vinhais vai reforçar a prevenção e segurança contra incêndios rurais com o Programa “Condomínio de Aldeia”. O presidente da câmara de Vinhais, Luís Fernandes, refere que o objetivo passa por reforçar a segurança da população das aldeias, inseridas em territórios florestais do concelho. “Identificámos aldeias com maior perigosidade em termos de incêndio, de fazer trabalhos de limpeza, de colocação de reservatórios de água e até de plantação de árvores, que sirvam mais para a defesa dos incêndios.”
As primeiras intervenções foram realizadas nas localidades de Armoniz e Caroceiras, onde arrancou esta estratégia.
O autarca explica quais os trabalhos que foram efetuados nestas freguesias. “Na primeira, foram efetuados trabalhos de limpeza de terrenos e gestão de combustível, bem como a instalação de um reservatório de água e recuperação de poço de água. Por exemplo, em Armoniz foram plantadas, numa área de cerca de três hectares oliveiras, são árvores que ao mesmo tempo que produzem, servem de prevenção”, contou.
Já na segunda aldeia, “a intervenção encontra-se na fase final, estando em execução a instalação de um reservatório de água e a recuperação de um poço de rega, infraestruturas essenciais para garantir pontos de água em caso de incêndio”, disse.
O programa encontra-se em expansão para outras localidades do concelho, com trabalhos de limpeza e gestão de vegetação já iniciados nas aldeias de Moás, Vale de Janeiro, Ferreiros, Cidões, Pinheiro Novo e Brito de Baixo.
Futuramente, será lançado concurso público para estender estas medidas às localidades de Montouto, Soutilha, Landedo e Dine.
O “Condomínio da Aldeia”, com o valor de 400 mil euros, foi comparticipado a 100% pelo Fundo Ambiental.
União das Freguesias da Sé, Santa Maria e Meixedo prepara geminação com Aradas
A União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, no concelho de Bragança, reuniu, durante o fim de semana, com a Junta de Freguesia de Aradas, uma das sete freguesias urbanas de Aveiro, para ultimar os preparativos da formalização de um acordo de geminação entre os dois territórios.
A ideia da geminação nasceu da identificação de pontos comuns entre as duas freguesias, nas áreas cultural, económica e desportiva. O presidente da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo recordou que, além desta visita, houve já outras, nomeadamente, há cerca de dois anos, um intercâmbio desportivo.
“Pensamos na geminação, depois nos pontos comuns das duas freguesias, na área cultural, económica e do desporto. Nós já fizemos intercâmbio com eles em termos de desporto, há 2 anos com a equipa que ganhou o Interbairros. Também fizemos lá uns passeios culturais. Neste momento temos o convite para ir lá no Festival dos Canais, que será agora em julho. E portanto, é essa troca de experiências e de culturas e de promoção do território e da economia”, explicou Telmo Afonso.
Telmo Afonso contou que o primeiro contacto surgiu no seio da Associação Nacional de Freguesias. “Foi através daí que saíram os intercâmbios que fizemos até agora, não só com esta freguesia, também fizemos com a freguesia de Pombal, mas com esta foi mais acentuada, houve mais convivência e mais troca de ideias”.
O processo de geminação deverá ficar concluído no próximo mês de abril, após aprovação pelos respetivos executivos e assembleias de freguesia, estando integrado, numa “estratégia de valorização do território, com impacto nas áreas do turismo, da cultura e da inovação social”.
Conforme o autarca, a geminação pretende ser a porta de entrada para “visitas regulares”, com o objetivo claro de “dar a conhecer, de forma sustentada, o território que as une”.
Testemunha admite relação entre duas empresas no julgamento de ex-autarcas de Mogadouro
Segundo avançou a Lusa, quatro ex-vigilantes do parque de campismo de Mogadouro foram ouvidos, ontem, no julgamento que tem como arguidos oito pessoas, entre elas o antigo presidente da Câmara, Francisco Guimarães, o ex-vice-presidente Evaristo Neves e a ex-vereadora Joana Silva.
Durante a audiência as testemunhas foram explicando as funções que exerciam no parque de campismo, tendo, um dos vigilantes afirmados que, numa deslocação à sede da empresa para a qual trabalhava, a Ronsegur, viu “uma publicidade da sociedade Suavinha”, admitindo que poderia haver uma ligação entre as duas. Já os restantes disseram desconhecer qualquer relação entre as empresas.
De acordo com o Ministério Público, entre 2014 e 2018 terão sido celebrados contratos para serviços de segurança privada, no valor aproximado de 200 mil euros, através de ajuste direto e consulta prévia, para vários equipamentos municipais. A acusação sustenta que as duas empresas envolvidas “nunca foram detentoras de alvará ou de autorização legal para o exercício da atividade de segurança privada”, em benefício de uma terceira.
Em tribunal, os vigilantes disseram que sempre acreditavam que a empresa para a qual trabalhavam possuía o alvará exigido.
Na acusação é ainda apontado que o procedimento administrativo adotado pelos três autarcas, “na celebração de contratos públicos simulados com a Suavinha e com a Strategystape, teve como única e exclusiva intenção beneficiar a Ronsegur e o seu corpo social e contornar as regras” da contratação pública.
Ainda de acordo com a agência de notícias, a acusação sustenta que o ex-vice presidente, Evaristo Neves, seria o responsável pela tutela da contratação pública. No entanto, as quatro testemunhas afirmaram nunca terem visto Evaristo Neves nas instalações.
O Ministério Público acusa o antigo presidente de três crimes de prevaricação e três de falsificação de documento. Já os outros dois ex-autarcas respondem por crimes de prevaricação.
O julgamento prossegue no Tribunal de Bragança, com a próxima sessão agendada para o próximo dia 17 de março.
BRAGANÇA AVANÇA COM CONCURSO DE 1,5 MILHÕES PARA VALORIZAR O PARQUE DE MONTESINHO
O investimento global ascende a cerca de 1,76 milhões de euros, também com financiamento do programa Norte 2030, abrangendo não só as obras no terreno, mas igualmente iniciativas futuras nas áreas de conteúdos e comunicação.
A empreitada está estruturada em três frentes principais. A primeira incide na requalificação da zona ribeirinha do rio Baceiro, entre a Ponte do Parâmio e Espinhosela, onde estão previstas ações de renaturalização, plantação de espécies autóctones e melhoria das condições de circulação pedonal.
A segunda intervenção contempla a recuperação da antiga escola primária de São Julião, que dará lugar a um centro interpretativo dedicado à fauna selvagem, complementado por pontos estratégicos de observação no território do parque.
Por fim, o projeto inclui a revitalização do antigo viveiro de trutas de França, espaço de relevância histórica local, que será reabilitado e transformado num núcleo interpretativo com percurso pedestre temático.
Com esta iniciativa, a autarquia pretende reforçar a conservação da biodiversidade, recuperar património edificado e promover uma maior ligação da comunidade ao património natural, consolidando uma estratégia de sustentabilidade e adaptação às alterações climáticas.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Os “FICHEIROS”… dos famosos, ranhosos e adorados por tantos
Há momentos na História em que os acontecimentos nos deveriam fazer abrir os olhos. O caso dos chamados “ficheiros Epstein” tornou-se um desses momentos, não apenas pelo horror dos crimes, mas pelo que insinuou. Uma teia de cumplicidades, silêncios e proximidades entre poder, dinheiro e prestígio. Quando surgem nomes associados a círculos de elite, a figuras da monarquia, a magnatas, a instituições respeitadas, não é apenas um escândalo judicial que explode, é a confiança coletiva que estala.
Durante décadas, muitos já desconfiavam. Havia uma sensação difusa de que os “donos do mundo” jogavam noutra liga, protegidos por influências, por portas que se fecham antes que a verdade entre. Mas desconfiar é diferente de ver indícios documentados, listas, registos de voos, contactos. A materialidade do papel, real ou simbólica, tem um peso devastador. Transforma a suspeita em possibilidade concreta.
E quando a confiança cai, não cai sozinha.
Cai sobre a crença de que a monarquia simboliza honra e dever.
Cai sobre a imagem de que a Igreja representa moral e proteção.
Cai sobre o mito de que o sucesso económico é sinónimo de mérito e virtude.
O que dói não é apenas o crime. É a sensação de hipocrisia. É perceber que alguns dos que discursavam sobre valores, tradição, família ou fé podem ter circulado em ambientes onde a dignidade humana foi tratada como moeda descartável. Essa perceção corrói por dentro. Porque se os que estão no topo falham, e falham de forma tão brutal, onde se ancora a esperança?
A confiança, uma vez partida, raramente regressa intacta.
Mas talvez a pergunta mais difícil seja outra. O que resta à humanidade quando os seus símbolos se desfazem?
Resta o indivíduo comum. Resta a consciência. Resta a capacidade de indignação. Resta a recusa em normalizar o abuso. Resta a exigência de transparência. Resta a justiça, lenta, imperfeita, mas ainda possível.
Os sistemas podem apodrecer. As instituições podem falhar. As elites podem proteger-se. Mas há algo que não desaparece facilmente, a memória coletiva. E é essa memória que impede que tudo seja varrido para debaixo do tapete da conveniência.
O mundo pode regenerar-se?
A regeneração não nasce da perfeição, nasce do confronto. Toda a estrutura que colapsa revela as suas fissuras. E fissuras são oportunidades de reconstrução, se houver vontade. A História mostra-nos que muitas sociedades já atravessaram escândalos, guerras, corrupções sistémicas. Algumas sucumbiram. Outras reformaram-se, criaram mecanismos de fiscalização, fortaleceram a imprensa livre, protegeram quem denuncia, exigiram prestação de contas.
Começar de novo não significa necessariamente destruir tudo. Às vezes significa expor tudo. Limpar. Reformar. Descentralizar poder. Tornar visível o que antes era reservado a clubes fechados e salas privadas.
Mas há também um perigo… o cinismo absoluto.
Quando as pessoas deixam de acreditar em qualquer instituição, quando tudo é visto como corrupção inevitável, instala-se o vazio. E o vazio pode ser ocupado por autoritarismos, por teorias simplistas, por líderes que prometem “limpar tudo” enquanto concentram ainda mais poder.
Por isso, talvez a questão não seja “começar do zero”, mas decidir que valores são inegociáveis.
A proteção dos vulneráveis não é negociável.
A igualdade perante a lei não é negociável.
Se os poderosos falham, isso não condena a humanidade inteira. Pelo contrário, desafia-a. Obriga-a a redefinir quem merece confiança e porquê. Obriga-a a perceber que títulos, fortunas e cargos não garantem caráter.
No meio da ruína simbólica, pode nascer algo mais sólido, uma ética menos deslumbrada com o poder e mais centrada na responsabilidade. Uma sociedade que não confunda “glamour” com grandeza. Uma cidadania que não se intimide perante nomes sonantes.
Talvez o mundo não precise de começar de novo. Talvez precise, isso sim, de amadurecer.
Perder a ingenuidade dói. Mas pode ser o primeiro passo para uma lucidez mais adulta. A humanidade já atravessou a queda de impérios, a revelação de atrocidades, a exposição de corrupções profundas. Sobreviveu, não porque os líderes eram perfeitos, mas porque as pessoas comuns continuaram a exigir melhor.
No fim, o que resta à humanidade é aquilo que sempre restou. A escolha.
Escolher o cinismo ou a responsabilidade.
Escolher a apatia ou a ação.
A confiança ruiu em muitos altares. Mas a consciência não precisa de acompanhar a queda.
Temos que acabar com os mitos...!
𝑷𝑹𝑬𝑺𝑬𝑹𝑽𝑨𝑹 𝑴𝑶𝑵𝑻𝑬𝑺𝑰𝑵𝑯𝑶
Foi lançado o concurso da empreitada, no valor de 1.512.161,31€ + IVA, integrada no projeto “PRESERVAR MONTESINHO”, um investimento global de 1.764.835,40€ + IVA, cofinanciado pelo Norte 2030.
Três frentes de intervenção no Parque Natural de Montesinho:
. Centro Interpretativo e valorização da fauna silvestre em S. Julião
. Revitalização do antigo viveiro das trutas de França
Mais biodiversidade. Mais património. Mais ligação das pessoas ao território.
O Primavera e o Senhor Santos
Há homens que deixam marca pelo que constroem. Outros, pelo que dizem. O Sr. Santos deixou marca pela forma como estava. Pela presença. Pela postura. Pela serenidade com que ocupava o seu lugar no mundo.
O Café Primavera era no Loreto, em Bragança, era um ponto de encontro obrigatório para muitos, nos quais eu me incluía, um cenário de histórias, um palco de amizades, negócios, copos e desabafos. E no centro de tudo estava ele. O Sr. Santos. Calmo, paciente, humano, sério. Um homem que nunca precisou de impor autoridade porque ela emanava naturalmente da sua maneira de ser.
Havia algo de quase ritual nas noites do Primavera. As mesas enchiam-se devagar, as conversas começavam tímidas e iam crescendo com as horas. O camarão, cozido ou grelhado, chegava à mesa como uma instituição. Diziam, e com razão, que era o melhor camarão de Bragança. Mas a verdade é que o sabor não vinha apenas da qualidade ou do ponto certo de cozedura. Vinha da confiança, da sensação de pertença. Comer no Primavera uns camarões, cozidos ou grelhados... ou uma bifana era fazer parte de uma comunidade, pequena mas unida.
O Sr. Santos circulava com discrição. Observava tudo, sabia tudo, mas nunca invadia. Tinha aquele raro talento de estar presente sem se impor. Quando chegava a hora de fechar, não havia necessidade de anúncios ou de impaciências. Nunca precisou de levantar a voz. Bastava um gesto subtil, um olhar compreendido por todos. Os clientes respeitavam-no profundamente. Não por medo, mas por admiração. Bastava ele dizer: - Está na hora. E todos se prontificavam a abalar.
E no meio das gargalhadas,das "bocas" dos que tinham perdido e das gabarolices dos que tinham ganho... e das noites que se prolongavam, na sueca, no dominó belga, no sobe e desce, nunca no chincalhão que ele não permitia, soava muitas vezes a voz inconfundível do Zé Pires, quando as garrafas iam ficando vazias:
- Óh Santos, há neve pelos cantos…
Era mais do que uma frase. Era um código. Um momento cúmplice que arrancava sorrisos e selava mais uma noite de convívio. E o Sr. Santos, com a sua calma habitual, resolvia a situação sem dramatismos, como quem entende que a vida é feita destes pequenos episódios que, no fundo, são tudo. E lá levava às mesas aquilo que ele sabia que era o que os clientes queriam.
O Primavera era também escola de vida. Ali cruzavam-se gerações. Pais e filhos, amigos de infância e colegas de trabalho. Quantas decisões importantes foram discutidas naquelas mesas? Quantas amizades nasceram e cresceram ali entre um prato de camarão e um copo que insistia em não ficar vazio?
Hoje já não há Primavera. Já não há mini-copa, no Magno já nada é como dantes, nem o Loreto se reconhece. Cada nome que desaparece é como uma página arrancada da história viva da cidade. Vai-se perdendo aquela Bragança genuína, feita de lugares com alma e de pessoas com caráter. Uma Bragança que marcou duas, três ou quatro gerações e que ajudou a definir o que significava pertencer.
Mas há coisas que o tempo não apaga. Restam as memórias. Restam as histórias contadas vezes sem conta. Restam as imagens de um homem direito, sereno, respeitado, que nunca precisou de gritar para ser ouvido. Restam os sabores, os cheiros, os risos. Resta a certeza de que houve um tempo em que o Primavera era parte da nossa casa, e o Sr. Santos, o seu coração.
Homenagear o Sr. Santos é homenagear uma forma de estar na vida, com dignidade, com equilíbrio, com humanidade. É lembrar que o verdadeiro respeito constrói-se todos os dias. É reconhecer que há pessoas que, mesmo depois de partirem, continuam a fazer parte da identidade de uma terra.
Enquanto houver alguém que diga, com um sorriso nostálgico, “lembras-te do Primavera?”, o Sr. Santos continuará presente. Não apenas como dono de um café, mas como símbolo de uma Bragança que vive nas memórias, e que nunca deixará de viver nos corações de quem a sentiu.
Haverá outros espaços dignos de memórias e muitas mais pessoas. Só posso falar e relembrar os meus... e assim continuarei a fazer enquanto puder e quiser.
“Óh Santos… há neve pelos cantos”…
Descanse em paz Senhor Santos!





















