quarta-feira, 25 de maio de 2022

Documento do mês de maio de 2022 – “Amor de Mãe” de Francisco Manuel Alves, 1966

 O Dia da Mãe é uma data comemorativa que se celebra no primeiro domingo do mês de maio.


Em Portugal, o Dia da Mãe chegou a ser celebrado a 8 de dezembro, mas passou a ser celebrado no 1.º domingo de maio, em homenagem à Virgem Maria, mãe de Cristo, que se celebra durante o mês. A data é uma homenagem e apologia a todas as mães tendo como matriz a celebração do amor dos filhos pelas suas mães na magnitude da infinitude. Assim, no Dia da Mãe, os filhos doam presentes embalados de afetos, suaves caricias, palavras pensadas e escritas às suas mães, num ato simbólico e ritual poético.

Canta-se a génese no seio de poemas floridos, os primórdios da criação num ato de gratidão eterno.

Destacamos um texto do saudoso Padre Francisco Manuel Alves, conhecido como “Abade de Baçal” da revista “Amigos de Bragança”, de 1966 intitulado “Amor de Mãe”. Singular nas palavras, faz uma cartografia que transborda Amor na sua plenitude magistral.


Fonte: Arquivo Distrital de Bragança

D. Estefânia: exéquias em Bragança (1859)

A Rainha D. Estefânia (1837-1859), cujo casamento com D. Pedro V se realizara em 18 de maio de 1858, viria a morrer em 17 de julho de 1859. Esta trágica ocorrência levou a manifestações de pesar em todo o País, não deixando Bragança de participar no luto que atingira a Família Real e em particular o monarca, que, em carta de 25 de julho daquele ano, ao seu “querido tio”, príncipe Alberto de Saxe Coburgo e Gotha (1819-1861), escrevia que lutava “constantemente para compreender o pleno significado da minha enorme tragédia”.

D. Estefânia, Rainha de Portugal

Na sessão de 1 de agosto de 1859 da Câmara de Bragança532, devido “à infausta notícia” da morte da Rainha, foi deliberado enviar “uma representação sentimental” a D. Pedro V, e que se fizessem exéquias “que continuam a ter lugar por ocasião do falecimento dos Senhores Reis deste Reino”. Pedia-se “ao seu digno Presidente se encarregasse da direção delas, e que para se levarem a efeito se fizesse orçamento suplementar, e que depois de votado e aprovado pela Câmara conjuntamente com o Conselho Municipal se anunciasse a arrematação da essa”.
O orçamento suplementar para as exéquias da Rainha D. Estefânia foi de 350$000 réis.
Para comunicar a morte de D. Estefânia, foram colocados editais onde se anunciava a morte da Rainha e se decretava luto por seis meses (três meses de rigor e três meses aliviado), dando-se cumprimento ao decreto de 18 de julho de 1859. Cumpridos os preceitos habituais (toque do sino da Câmara durante três dias sucessivos, “com o intervalo do costume”, e tapadas as armas do Município em sinal de luto), as exéquias foram marcadas para o dia 7 de setembro. O local escolhido foi a Igreja de São Francisco, por se considerado o espaço “maior e mais majestoso”.


Segundo o relatório transcrito na ata da sessão de 15 de setembro de 1859, no dia 6 do referido mês, pelas doze horas, tocou o sino da Câmara “em estilo fúnebre”, seguido pelos sinos de todas as igrejas de Bragança. Em seguida principiou a salva de morteiros, “disparando os tiros de quarto em quarto de hora até conclusão das exéquias”. O toque dos sinos repetirá ao “romper da aurora” do dia 7. Neste dia, pelas nove horas da manhã, em frente dos Paços do Concelho, organizou-se um préstito, constituído por diversas personalidades, que, devidamente organizado, se dirigiu dos Paços do Concelho à Igreja de São Francisco.


Na Igreja de São Francisco, armada para a cerimónia, os membros que compunham o cortejo ocuparam os seus lugares, dando-se princípio às exéquias “em tom aparatoso segundo o Rito Romano, que se observou à risca”. O ritual foi dirigido pelo beneficiado da Sé de Bragança, João Evangelista Vergueiro, sendo o ofício entoado por vários sacerdotes – clérigos de ordens sacras e minoristas – e a missa celebrada pelo cónego João José Martins, que faria parte, em 1860, da comissão nomeada para governar a Diocese, sendo acólitos o beneficiado da Sé, Francisco António Martins, e o perfeito do Seminário de São José, padre Manuel Pires. Seguindo o relato, a função teve ainda, para maior grandeza do “ato fúnebre”, um acompanhamento musical dirigido pelos beneficiários da Sé, o mestre da capela e organista, o cónego António da Cruz e Sousa e padre Domingos António de Sá Ferreira, professor de cantochão.

Excerto da ata da Câmara Municipal de Bragança, a deliberar a publicitação da “infausta notícia” da morte de D. Estefânia

Concluída a missa, foi “recitada” a oração fúnebre pelo chantre da Sé, Dr. José Luís Alves Feijó, que, tomando por tema Ezequiel (7-27) – O Rei estará de luto, o príncipe se cobrirá de desolação, as mãos do povo da terra tremerão de pavor –, recordou as virtudes da Rainha “finada”, a sua religiosidade e piedade. Terminada a oração fúnebre, seguiram-se as absolvições oficiadas pelo deão João António Correia de Castro Sepúlveda (1796-1876), pelos cónegos José Joaquim de Morais e Manuel Caetano Barreira, e pelo beneficiário da Sé, Claudino Augusto César Pissarro. Concluíram-se as exéquias com três descargas de fuzilaria dadas pela guarda de honra, e no intervalo das descargas, os músicos dos dois corpos que a constituíam tocaram peças fúnebres “acomodadas às circunstâncias”.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

𝗘𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗔𝗟𝗙𝗔𝗡𝗗𝗔𝗚𝗛 - 𝗦𝗼𝗯𝗿𝗮𝗹 𝗖𝗲𝗻𝘁𝗲𝗻𝗼 | 28 de maio

A "Castanheira" de Lagarelhos, em Vinhais tem 14 metros de altura e 17 metros de copa

1.º Censo Nacional de Águia-caçadeira já está no terreno

 A Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural já realizou quatro ações de formação sobre o 1.º Censo Nacional de Águia-caçadeira que arrancou no território nacional este ano, as quais foram direcionadas para vigilantes da natureza do Departamento Regional da Conservação da Natureza e das Florestas (DRCNF) do Norte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). As ações de formação sobre o Censo e identificação das espécies-alvo decorreram nos parques naturais do Douro Internacional, Montesinho, Alvão e no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Crias de águia-caçadeira no ninho. Fotografia Paulo Calejo/Palombar.

O Censo, que se realiza em 2022 e 2023, está enquadrado no projeto "Searas com Biodiversidade - Salvemos a Águia-caçadeira”. Este projeto é promovido por vários parceiros: a Palombar, a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC), o BIOPOLIS/CIBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e o Clube de Produtores do Continente (CPC) e tem financiamento destas três últimas entidades.

No âmbito deste projeto, o BIOPOLIS/CIBIO ficou responsável pela coordenação nacional do 1.º Censo de Águia-Caçadeira. A nível regional, a Palombar coordena as ações do Censo a norte do rio Tejo.

Censo e campanha nacional de salvamento

Com a realização deste Censo, prevê-se obter informação sobre a população reprodutora da espécie em Portugal, a qual será essencial para o sucesso da campanha nacional de salvamento e proteção de ninhos de águia-caçadeira localizados em parcelas de produção cerealífera em que a ceifa coincide com a época de reprodução da espécie. A campanha, coordenada pela Palombar no norte de Portugal e pelo ICNF/DRCNF do Alentejo no sul do país, está centrada no envolvimento dos produtores agrícolas na conservação desta rapina.

Este Censo é fundamental para conhecer a população nidificante desta rapina no território nacional e proteger as zonas de nidificação e alimentação e servirá de base para a implementação de medidas agroambientais e planos de gestão do território e da espécie que envolvam as comunidades locais, bem como para monitorizar a sua população, de forma a quantificar os seus reais efetivos e identificar os locais onde nidificam, assim como avaliar a evolução das suas populações ao longo dos próximos anos.

Águia-caçadeira fêmea. Fotografia Palombar.

O 1.º Censo Nacional de Águia-caçadeira conta ainda com vários parceiros, entre os quais os departamentos regionais do ICNF do Alentejo, Centro e Norte, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Aves Selvagens (CERVAS/ALDEIA), a Associação Transumância e Natureza (ATNatureza), a Associação Rewilding Iberia Portugal, o Fórum Aves de Portugal, a BIOSFERA - Consultoria Medioambiental, e também com diversos voluntários.

Uma das espécies mais ameaçadas da fauna terrestre em Portugal

A águia-caçadeira (Circus pygargus) é uma rapina migradora que tem um estatuto de ameaça “Em perigo” de extinção, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e as suas populações têm registado um declínio continuado e acentuado no território nacional nos últimos anos. Esse declínio resulta, muito provavelmente, de dois fatores decisivos que afetam a espécie: o corte precoce das culturas de feno em plena época reprodutora e a perda de habitat associada à redução muito significativa das áreas cultivadas com cereais. Esta é uma das aves estepárias com maior dependência das searas por constituir o seu habitat preferencial de nidificação e de alimentação.

Atualmente, a águia-caçadeira é considerada uma das espécies mais ameaçadas da fauna terrestre em Portugal. Trata-se de uma espécie de conservação prioritária no país e que está protegida através da transposição para a legislação nacional da Diretiva Aves da União Europeia, e das Convenções de Berna, de Bona e de Washington.

Câmara de Macedo promove experiência da Bandeira Azul em Espanha

 Macedo de Cavaleiros foi um dos três municípios portugueses que esteve em plano de destaque no I Congresso Ibérico Bandeira Azul em Praias do Interior que decorreu nos últimos dias em Mérida (Espanha). “Foi uma honra sermos convidados para dar nota da nossa experiência enquanto um dos municípios portugueses que há mais tempo é distinguido com a Bandeira Azul, um selo de garantia da qualidade das praias”, explicou o presidente da Câmara macedense, Benjamim Rodrigues.


O I Congresso Ibérico teve como mote a partilha de experiências relacionadas com a implementação do programa Bandeira Azul em praias do interior, segmento no qual Macedo de Cavaleiros tem vindo a destacar-se com o projeto de praias fluviais na Albufeira do Azibo. Recorde-se que a elevada qualidade das praias do Azibo tem sido sucessivamente premiada e pelo 19.º ano seguido que a Praia da Fraga da Pegada recebeu a Bandeira Azul, enquanto a Praia da Ribeira recebeu este galardão pelo 13.º ano consecutivo.

“É também uma oportunidade de promover um destino integrado, onde as praias fluviais, de excelência, são um dos polos de atração de turistas portugueses e espanhóis”, frisou Benjamim Rodrigues. Mas o autarca macedense recorda que o Azibo é muito mais do que apenas as suas praias, destacando a possibilidade da prática de desportos náuticos não motorizados bem como a realização de passeios de barco graças aos passeios promovidos por duas empresas com os seus barcos movidos a energia solar.

O autarca admite que, no verão, muitos turistas vêm a Macedo “pelas suas praias, mas acabam a ficar, ou regressar, pelo vasto território do Geopark Terras de Cavaleiros, um geoparque da UNESCO, fazer caminhadas, passear de bicicleta ou visitar a aldeia de Podence, com os seus Caretos, os grafitis nas ruas e o Museu do Careto”. “Para os mais ousados e experientes, é ainda possível voar de parapente a partir da Serra de Bornes, enquanto a restante família pode usufruir das praias do Azibo”, acrescenta.

Uma mensagem que procurou passar durante este congresso ibérico. “É importante mostrar como se pode fazer um trabalho de excelência mesmo nos territórios do Interior”, concluiu o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros.

Município de Miranda do Douro está a usar um rebanho de ovelhas para a limpeza de terrenos

 Ovelhas da Raça Churra Galega Mirandesa está a fazer limpeza de terreno


A ideia surgiu perante a falta de mão-de-obra no município para fazer estes trabalhos. Para a autarca Helena barril há vantagens em usar os animais. “A ideia surgiu por termos vários terrenos da autarquia com a necessidade de ser limpos. Todos os dias nos deparamos com falta de mão-de-obra na câmara porque, há relativamente pouco tempo, em função de um regulamento interno que foi aprovado, relativo às pré-reformas, foram 28 funcionário embora. Num município como Miranda é muita gente e deparamo-nos, muitas vezes, com a falta de pessoas, nomeadamente nesta área da jardinagem e assim surgiu a ideia. É um terreno que tem oliveiras e, por isso, faz sentido que as ovelhas lá estejam”.

O projecto é uma parceria do município de Miranda com a Associação de Criadores de ovinos de raça Churra galega Mirandesa. “Decidimos lançar o desafio à Associação dos Criadores de Ovelhas da Raça Churra Galega Mirandesa, tentando perceber se estavam disponíveis para a ideia de trazer para aqui as ovelhas e eles responderam prontamente. A terra está totalmente vedada com a chamada rede ovelheira, tem água e há um tratador que vai ver as ovelhas três vezes ao dia”.

São actualmente 30 as ovelhas sapadoras que estão a fazer o trabalho de limpeza para já num dos terrenos do município, mas o projecto pode ser alargado. “Por acaso estamos a pensar trazer os burros da Associação Para o Estudo e Protecção do Gado Asinino para outro terreno. Vamos lançar o desafio para também ajudarem nessa limpeza dos terrenos. Temos as raças autóctones e temos que também as aproveitar nesse sentido”.

Para já são as ovelhas sapadoras que têm como função a limpeza de um terreno em Miranda do Douro.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Seis detidos por tráfico de droga em Bragança, Macedo e Vimioso

 Cinco homens e uma mulher, com idades entre os 17 e os 20 anos, foram detidos, ontem, por tráfico de droga, nos concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Vimioso


As detenções aconteceram no âmbito de uma investigação que decorria há cerca de meio ano, em Bragança e Macedo de Cavaleiros.

As diligências policiais culminaram na detenção das seis pessoas e no desmantelamento de uma rede de tráfico de droga que operava junto aos estabelecimentos de ensino destas localidades, bem como em espaços de diversão nocturna, procurados maioritariamente por jovens estudantes. Foi dado cumprimento a onze mandados de busca, oito domiciliários e três em veículos, tendo sido apreendidos 65 gramas de canábis, três doses de haxixe, cinco pastilhas MDMA, uma viatura, 10 telemóveis, uma pistola de ar comprimido, entre outro material.

Os detidos, alguns deles com antecedentes criminais por ilícitos da mesma natureza, serão presentes a primeiro interrogatório durante o dia de hoje, no Tribunal Judicial de Macedo de Cavaleiros, para aplicação de medidas de coação.

Escrito por Brigantia

Portugal está a conseguir controlar a vespa das galhas do castanheiro

 A luta biológica contra a vespa das galhas do castanheiro abrangeu 116 municípios desde 2015 e envolveu 3.183 largadas dos parasitóides que eliminam a praga que afeta a produção da castanha, foi hoje anunciado.


“Com o esforço de todos estamos a conseguir controlar a praga”, afirmou à agência Lusa José Gomes Laranjo, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e presidente da Associação Portuguesa da Castanha (RefCast), que tem sede em Vila Real.

A vespa das galhas do castanheiro assolou os soutos e ameaçou a produção de castanha que é fonte de rendimento para muitas famílias. A sua dispersão já era esperada quando foi detetado o primeiro foco de infestação em território nacional, em 2014.

Desde 2015, segundo salientou o investigador, foram realizadas 3.183 largadas em 116 municípios, numa área estimada de 25 mil hectares de castanheiro dos territórios de Trás-os-Montes, Douro, Minho, Beiras, Douro Litoral e Madeira.

Os parasitóides ‘Torymus sinensis' são insetos que se alimentam das larvas que estão nas árvores e são capazes de exterminar a vespa.

Esta vespa deposita os seus ovos nos gomos do castanheiro durante os meses de julho e agosto, tornando-se na primavera seguinte visíveis através do aparecimento das galhas, que são pequenos invólucros com as larvas no interior.

Este ciclo está a ser combatido com a largada dos insetos “bons” nos meses de abril e maio que, ao propagarem-se no mesmo espaço, vão parasitar as larvas existentes no interior das galhas, travando a formação de novas vespas.

Em 2022 foram realizadas cerca de 700 largadas, em 60 concelhos (Continente e Madeira). No ano passado a luta biológica abrangeu 89 municípios e foram realizadas à volta de 1.000 largadas.

“A tendência é diminuir ainda mais, porque nós estamos a distribuir, pelas várias áreas da castanha, no país, um novo inseto que se vai instalar, criar a sua população e que, depois, vai parasitar a praga. Portanto, uma vez instalado nós não precisamos de andar sistematicamente a fazer largadas. O processo começa a ficar estabilizado”, explicou José Gomes Laranjo.

O especialista adiantou que, de acordo com a monitorização que é feita anualmente, “o parasitóide está instalado” e que, agora, é preciso “deixar o tempo passar para que, ano após ano, a população do parasitóide se multiplique, cresça e ganhe predomínio sobre a vespa”.

José Gomes Laranjo fala em quebras pontuais de produção, mas frisou que a nível nacional “não foram sentidas quebras de produção por causa da vespa”.

“E isto é, já de si, a grande vitória do trabalho feito por toda a gente desde 2015”, sublinhou, apontando que o “apoio dos municípios foi decisivo”.

Em 2014, temia-se que as perdas na produção pudessem atingir os 80%, o que constituiria uma séria ameaça à sustentabilidade do setor.

As previsões estavam, segundo o investigador, fundamentadas naquilo que se tinha passado em Itália, onde a redução da produção atingiu, precisamente, os cerca de 80%.

“Nós atacamos a praga logo no ano seguinte a ela ter aparecido”, afirmou.

O plano está a ser concretizado no âmbito do protocolo Biovespa, que envolve a RefCast, produtores, autarquias e os serviços do ministério da Agricultura.

Atualmente é possível fazer a georreferenciação das largadas através de uma aplicação de telemóvel que permite inserir imediatamente a informação, que fica disponível numa base de dados acessível através da página na Internet soscast.eu.

Aos produtores é também aconselhado não lavrar os soutos, não queimar a lenha de poda onde estão as galhas com os parasitóides e não aplicar inseticidas.

Miranda do Douro vai ser palco de Cimeira Internacional de Música Sacra

 Miranda do Douro vai receber, em Novembro, uma Cimeira Internacional de Música Sacra


A iniciativa foi apresentada no aniversário da elevação de Miranda a Diocese, que já conta 477 anos.

Rui Valdemar, da organização o evento, explica que o papel que a música sacra teve ao longo de dois séculos em Miranda, altura em que era sede da diocese, motivou a escolha do local para esta Cimeira. “Miranda do Douro foi sede da diocese, que agora partilha com Bragança. há aqui uma concatedral, na qual a música sacra foi, durante dois séculos, vital e foi ricamente desenvolvida aqui”.

A cimeira levará a Miranda diversos compositores e músicos de renome internacional, assim como personalidades da área política, económica, musical e eclesiástica, oriundas não só de Portugal, como de Espanha, França, Itália, Inglaterra e Alemanha.

Perspectivas para o século XXI é o mote para a iniciativa que vai contar com palestrantes nacionais e internacionais e com concertos. “O interior não está habituado a receber este tipo de eventos e especialmente estes, ligados à música sacra. O facto de trazermos algumas personalidades de relevo internacional, ainda por cima uma cimeira que pretende ser reformista e de papel activo na transição que se quer fazer da música sacra, parece-me que é um papel muito importante que o interior assume, colocando-nos um passo à frente”.

Na apresentação da iniciativa em Miranda do Douro, marcou presença Monsenhor Adelino Paes, administrador da diocese de Bragança-Miranda, que explica que a iniciativa pode contribuir para unir os dois pontos da diocese. “a diocese olha para este evento com muita alegria e muita esperança porque a música sacra é um valor inestimável que nós não podemos esquecer. A música sacra, toda a música, toca o divino e o divino toca a música. É um evento que não podemos deixar de apoiar. A aproximação de Bragança e Miranda é importante”.

De 11 a 13 de Novembro Miranda do Douro vai ser o centro da música sacra, com a realização de uma Cimeira Internacional. A organização é da casa da Música Mirandesa, com o apoio do Município e da Diocese de Bragança-Miranda.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

terça-feira, 24 de maio de 2022

… VIDAS

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Meu avô, Manuel Joaquim Calado, nasceu em 15 de abril de 1872 e faleceu, já com uma certa idade, em 19 de novembro de 1916, tinha 44 anos
A minha avó, Maria da Conceição Oliveira, nasceu a 16 de março de 1875 e faleceu a 7 de dezembro de 1938. Ficou muito doente. Ainda chamaram o médico de Bragança. Lavou as mãos, auscultou a enferma e concluiu, muito sério: - Não há nada a fazer!... Gastou-se como uma vela!
Era muito velhinha, tinha 63 anos.
Enviuvou quando tinha 41 anos. Ficou sozinha com três filhos e uma estalagem para aturar. Era preciso fazer batatas à espanhola para os almocreves e acomodar as montadas no palheiro… gastou-se.
Em 1918 teve muito medo da pandemia… e dos almocreves, ciganos e pedintes que vinham de longe… alguns morriam no palheiro… só por milagre resistiu à peste, pois já tinha 43 anos.
… os soldados que vinham da grande guerra contavam horrores de mortes e desgraças tantas… ela benzia-se e encomendava-se a São Sebastião.
… fizeste bem meu homem, meu Manuel, não teres comprado a capela de São Sebastião, quando em 1911, aquele republicano de Bragança, anticlerical, ta queria vender por umas cascas de alho… e fazia-te tanta falta para armazém!
… mas a pandemia passou… e assististe a tantos funerais e tu resististe… São Sebastião… protegeu-te agradecido.
…Um pobre vindo de longe contou-te que em 1917 uma santinha tinha aparecido em Fátima… longe que eu sei lá… e em 1918 todos os dias rezavas o terço em honra da santinha de Fátima… para que livrasse o mundo da fome, da peste e da guerra…
… vidas… resististe minha menina… minha avó, a tantos males, a tantas mortes e felizmente morreste muito velhinha com 63 anos.

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

Já não vamos a “salto”: partimos de avião e deixamos o coração em Portugal

Eu tive de sair, de deixar para trás tudo o que conhecia e de me esquecer que a palavra saudade só existe em português, tive de desacomodar-me e carimbar o passaporte para poder realizar tudo aquilo que idealizo.


Eu emigro, tu emigraste. Ele emigra, nós emigrámos. Vós emigrastes, eles emigraram. Afinal, somos todos um tanto ou quanto filhos, ou netos, dos migrantes que nunca conhecemos, mas que sabemos que fazem parte da nossa história, da nossa essência.

Eu sou do Sul, de uma cidade contornada por uma baía azul, onde o Sol nasce na linha do horizonte que se vê ao fundo do mar e quando eu acordo ele já brilha. Abro a janela e sinto o cheiro da maresia; o ar, esse, é tão leve que nem se sente, mas o sabor do salitre está bem presente no paladar. Saio para a rua e cumprimento os meus vizinhos: o do segundo andar, que passeia os três cães; o do primeiro, que chega da caminhada matinal; e o do café, o Senhor João, que está sentado na esplanada a beber uma bica e a ler o jornal. E é esta correria matinal de um bairro familiar que me faz sentir em casa.

Imaginem, agora, o quão difícil foi deixar isto em prol de um objectivo pessoal e profissional; em prol de uma situação económica mais digna, que me dá a liberdade de usufruir de todos os meus direitos mais básicos; em prol da valorização e aprendizagem constante do indivíduo como ser e não como “empregado”. É muito, e só quem tem a audácia de se aventurar entenderá as dificuldades que todos os emigrantes enfrentam quando mudam de país. São os cheiros e os sabores, são as caras e as amizades, as gargalhadas em coro, é o falar a mesma língua, a tradição e a cultura, é a saudade que nos invade e nos faz querer viajar de volta, mesmo sabendo que não há bilhete de ida.

Eu tive de sair, de deixar para trás tudo o que conhecia e de me esquecer que a palavra saudade só existe em português, tive de desacomodar-me e carimbar o passaporte para poder realizar tudo aquilo que idealizo. Faço aquilo que mais gosto, trabalho em hotelaria, na parte financeira de um hotel em Madrid onde, de momento, desempenho funções que dificilmente desempenharia com a minha idade em Portugal. Apesar de estar mesmo ao lado, na vizinha Espanha, aqui vivo, não sobrevivo, faço o que mais gosto e sou reconhecida, tenho um salário ajustado de acordo com a realidade económica do país e uma perspectiva de futuro que o afigura bastante risonho.

Foi graças à globalização que eu pude tomar esta decisão, foi ela que me permitiu escolher onde quero estar, o que quero fazer e quando quero regressar. Ela chegou e o mundo tornou-se um só, redondo de cor azul e verde, com ténues linhas brancas que sobrevoam o território e onde a palavra “fronteira” perdeu o lugar do pódio, sendo substituída pela multiculturalidade. A abertura à mudança e à aceitação de tudo o que nunca vivemos, nem vimos, e de tudo o que pensávamos que poderia estar errado e não está, não é tarefa fácil, nem tão pouco é para todos. Para isso, é obrigatório sermos corajosos, audazes e conscientes ao ponto de entendermos que uma mudança de país não é um recomeço, mas sim a continuidade do percurso pessoal e profissional que o nosso país de origem deixou de nos poder proporcionar.

Mas nem tudo é mau e o ganho está em procurar incansavelmente quais os alicerces da nossa resistência e resiliência, pois esses serão os motores da nossa permanência e da nossa capacidade de nos adaptarmos à volta que demos à nossa vida. Os países que criam condições em que os jovens sentem que têm de sair para poder alcançar tudo aquilo que desejam são os mesmos que perderão os motores do desenvolvimento, do empreendedorismo e do progresso e que, por isso, não estarão na vanguarda do sucesso colectivo e individual. Aqui, mesmo ao lado, eu vim ser o que não fui e vim fazer o que nunca fiz. Aqui, mesmo ao lado, ao longe, eu vejo Portugal.

Carolina Gomes

Feriado municipal de Vinhais assinalado com inaugurações de obras

Bombeiros de Mirandela descentralizam meios junto da população

III Festival Literário de Mirandela

Vimioso: Está de volta a comédia “Tudo ao monte e fé em Deus”

 No próximo sábado, dia 28 de maio, às 21h30, sobe ao palco do auditório da Casa da Cultura de Vimioso, a peça “Tudo ao monte e fé em Deus – pós covid”, uma comédia que visa recordar e criticar humoristicamente os acontecimentos mais marcantes dos anos de pandemia.


De acordo com Marinela Gabriel, presidente da AMARTES – Associação de Desenvolvimento Artístico, Cultural e Desportivo, a comédia “Tudo ao monte e fé em Deus – pós covid” é uma recriação do teatro revista, através de sketches humorísticos, sendo de assinalar que os atores são todos amadores.

“Somos um conjunto de pessoas que têm as suas profissões, vidas familiares e fazemos o esforço por participar na vida associativa e dar algo mais de nós à comunidade”, disse.

Semanalmente, este conjunto de atores encontra-se nos serões de 4ª e 6ª feiras para os ensaios.

A peça de teatro “Tudo ao monte e fé em Deus – pós covid”, que vai ser apresentada no serão do dia 28 de maio, é a primeira atividade da associação, após dois anos de interrupção forçada por causa da pandemia.

Depois da apresentação em Vimioso, a comédia “Tudo ao monte e fé em Deus – pós covid” vai ser apresentada também nas aldeias do concelho de Vimioso.

“Alguns dos nossos atores são oriundos das aldeias e fazem questão de apresentar as peças de teatro na sua terra de origem”, informou a presidente da AMARTES.

Para além do teatro, esta associação desenvolve outras atividades culturais e desportivas. Entre elas, destaca-se: o Teatramas, um espetáculo de teatro e dança; a prova desportiva AMARTES Radical, dedicada aos desportos radicais, como a escalada, o slide, etc.; a celebração do Dia Mundial da Música; o Cachico – Mercado Rural, em parceria com a junta de freguesia de Carção; o Trail Running, em parceria com o município de Vimioso; as viagens low-cost da Amartes; e em dezembro, apresentam o Auto de Natal.

HA

Moncorvo assinalou Dia Internacional dos Museus

 O passeio terminou na “Casa que a tradição relaciona com a Inquisição”, onde os visitantes podem assistir a um vídeo mapping sobre a passagem dos judeus pelo concelho de Torre de Moncorvo.


A Câmara Municipal de Torre de Moncorvo assinalou o Dia Internacional dos Museus, no dia 18 de maio, com a abertura ao público do Centro de Estudos Judaicos Maria da Assunção Carqueja e Professor Adriano Vasco Rodrigues, com visitas orientadas que decorreram das 10h00 às 18h00.

As visitas têm início na antiga sinagoga e atual Centro de Estudos Judaicos Maria da Assunção Carqueja e Professor Adriano Vasco Rodrigues, efetuando-se de seguida o passeio judaico pelo centro histórico da vila, percorrendo os vários pontos de interesse sobre judaísmo existentes na sede de concelho.

O passeio terminou na “Casa que a tradição relaciona com a Inquisição”, onde os visitantes podem assistir a um vídeo mapping sobre a passagem dos judeus pelo concelho de Torre de Moncorvo.

Insetos “bons” combatem insetos “maus”

 Como a Ciência está a responder à nova ameaça sobre os castanheiros. José Gomes Laranjo, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e também presidente da Associação Portuguesa da Castanha – RefCast, lidera uma equipa de investigadores e técnicos que está a implementar no terreno as medidas de que a Ciência dispõe para combater este flagelo no âmbito do projeto “BioVespa”.


Segundo os números do INE, Portugal produziu em 2020 perto de 42 mil toneladas de castanha, sendo que 85% está localizada em Trás-os-Montes. Desde 2014, porém, uma nova praga, conhecida por “vespa da galha do castanheiro”, começou a invadir os soutos, temendo-se de início que as perdas na produção pudessem atingir os 80%, o que constituiria uma séria ameaça à sustentabilidade do setor.

José Gomes Laranjo, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e também presidente da Associação Portuguesa da Castanha – RefCast, lidera uma equipa de investigadores e técnicos que está a implementar no terreno as medidas de que a Ciência dispõe para combater este flagelo no âmbito do projeto “BioVespa”.

O combate traduz-se numa luta biológica que passa pelo uso, em grande escala, de um inseto parasitoide, “Torymus sinensis”, no combate à vespa das galhas, esse inseto nefasto que tem a denominação científica de “Dryocosmus kuriplilus”, originário da China e que se vem propagando, nas últimas décadas, pelos territórios do planeta produtores de castanha.

Esta vespa deposita os seus ovos nos gomos do castanheiro durante julho e agosto, tornando-se na primavera seguinte visíveis através do aparecimento das galhas, que são pequenos invólucros com as larvas no interior. Este ciclo está agora a ser combatido com a largada dos insectos “bons” nos meses de abril e maio que, ao propagarem-se no mesmo espaço, vão parasitar as larvas existentes no interior das galhas, travando a formação de novas vespas.

Segundo José Gomes Laranjo, no âmbito do programa Biovespa “a luta biológica de combate à vespa foi já realizada em 116 municípios, situados não apenas em Trás-os-Montes e Douro, mas também nos distritos do Minho, Beiras, Douro Litoral, para além da região da Madeira, estimando-se abranger uma área de castanheiro de mais de 25 mil hectares”. Nesta campanha, assinala o investigador, “foi realizado um total de 3183 largadas de parasitóides, sendo que a monitorização que tem vindo a ser efetuada demonstra atualmente que o parasitoide está instalado em todos os municípios abrangidos”, restando agora aguardar que as suas populações se multipliquem, cresçam de forma a dominar a vespa. Como refere o investigador, “agora é a sua vez” de fazer tudo bem feito no souto.

Alunos do 2ºC de Macedo de Cavaleiros convertem-se em artistas durante uma semana

 Os alunos do 2ªC do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros estão a ter uma semana diferente, dedicada às artes visuais.


A atividade consiste numa residência artística e decorre no âmbito do Programa de Educação Estética e Artística, que está a acontecer em apenas oito agrupamentos a nível nacional.

Está a ser dinamizada por um professor de artes visuais convidado do IPB, António Santos Meireles, que explica qual o objetivo:

“Estas crianças ao longo desta semana vão ter uma experiência artística que lhes permitirá ter uma aprendizagem sobre as diferentes paisagens, sobretudo as paisagens humanas. Há que perceber a interligação entre aquilo que é a dimensão humana e a dimensão natural, e toda este processo artístico são ensinamentos que devem levar para o futuro.” 

Inês Falcão, Professora de artes visuais e Embaixadora do Programa Nacional de Educação Estética e Artística, refere que estão a ser utilizados materiais recicláveis para consciencializar os alunos para questões ambientais: 

“ Os alunos vão utilizar materiais reutilizáveis, materiais amigos do ambiente, vão utilizar podas, vão pintar com vegetais, estamos de certa forma a sensibiliza-los para desafios futuros.” 

Paulo Dias, Diretor do agrupamento de escolas de Macedo de Cavaleiros falou da importância deste tipo programas para os alunos: 

“Este tipo de eventos vêm chamar a atenção para a educação estética e educativa relativamente ao nosso projeto educativo, pois estimula a criatividade, a partilha, o sentido crítico, e de certa forma contribui para a felicidade e o bem estar dos alunos.” 

Para sexta-feira está marcada a apresentação pública do projeto, às 11h30 no centro cultural da cidade.

Escrito por ONDA LIVRE

Falecimento do padre Acácio Alfredo Anselmo

 Natural da freguesia de Castro Vicente, no concelho de Mogadouro, fez os estudos teológicos no Seminário de Bragança.


Ordenado presbítero em 3 de julho de 1949, por D. Abílio Vaz das Neves, foi assistente do Diretor da Fundação Casa de Trabalho – Patronato de Santo António.

Paroquiou no concelho de Macedo de Cavaleiros (Macedo do Mato, Bagueixe, Ala, Vilarinho do Monte) e mais tarde no concelho de Alfândega da Fé (Agrobom, Valpereiro, Vilarelhos, Pombal, Eucísia e Santa Justa, Gouveia com Cabreira).

Também foi Pároco em Vale Frechoso, no concelho de Vila Flor. A partir de 1997, no concelho de Mogadouro, liderou Castro Vicente, sua paróquia natal, com a anexa de Vilar Seco. Assumiu, no ano seguinte, a freguesia de Peredo, com as comunidades de Porrais e Vilar Seco.