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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Produção de mel para pequenos apicultores aumenta e venda passa a abranger área maior

 O limite de produção de mel para pequenos apicultores vai aumentar de 650 para 2250 litros e a área de comercialização será alargada ao nível das comunidades intermunicipais. As medidas foram anunciadas pelo secretário de Estado da Agricultura, João Moura, durante uma audição na Comissão de Agricultura e Pescas.


A novidade surge na sequência de uma intervenção do deputado da Aliança Democrática eleito por Bragança, Hernâni Dias, que alertou para as dificuldades enfrentadas, sobretudo, pelos pequenos e médios apicultores e para a necessidade de ajustar a legislação à realidade do setor.

Assim, em resposta às preocupações levantadas, o secretário de Estado anunciou a revisão da legislação em vigor, com várias alterações. Entre elas, o aumento significativo do limite de produção para pequenos apicultores, passando dos atuais 650 para 2250 litros de mel, e a redefinição do conceito de pequeno produtor, que poderá abranger explorações com cerca de 150 colmeias.

Outra das mudanças passa pelo alargamento da área geográfica de comercialização. Até agora limitada ao concelho, a venda direta poderá estender-se às comunidades intermunicipais, permitindo “maior escoamento da produção”.

Durante a audição, o governante sublinhou a importância “estratégica” da apicultura, não apenas do ponto de vista económico, mas também ambiental, destacando o papel “essencial” das abelhas na polinização e no aumento da produtividade agrícola, defendendo, por isso, um maior apoio aos produtores.

Na mesma audição, no passado mês de abril, Hernâni Dias reforçou que a apicultura tem particular relevância nos territórios do interior, contribuindo para a biodiversidade e para a fixação de população, defendendo por isso medidas concretas de valorização do setor.

Apresentação da obra de Ivone Maria Adão Ferreira

 No próximo sábado, 16 de maio, o Centro Cultural de Vila Flor recebe um lançamento literário que promete suscitar curiosidade e reflexão. Ivone Maria Adão Ferreira, natural de Macedinho, apresenta "Os Invisíveis Existem", uma obra que mergulha no fenómeno da manifestação dos espíritos e nos canais de comunicação entre o mundo espiritual e os mortais.
O livro, descrito pela autora como a concretização de um "sonho de vida", propõe uma abordagem sobre realidades que transcendem o visível, oferecendo respostas e perspetivas sobre como estas presenças interagem com o nosso quotidiano.

Castelo de Algoso aprovado nas “Novas 7 Maravilhas de Portugal

 O Município de Vimioso tem o orgulho de anunciar que a candidatura às “Novas 7 Maravilhas de Portugal” na categoria “Castelos - Arquitetura Militar”, foi aprovada com sucesso.
Este reconhecimento reforça a importância histórica, cultural e patrimonial de um dos mais emblemáticos monumentos do nosso concelho, símbolo da nossa identidade e memória coletiva.

Erguido sobre um impressionante afloramento rochoso, o Castelo de Algoso continua a afirmar-se como um dos ex-líbris da região, merecendo agora ainda mais destaque a nível nacional.

O Município encontra-se agora a aguardar os próximos passos do processo, confiante na continuidade desta candidatura e no seu potencial de valorização a nível nacional.

- Contamos com todos para apoiar e valorizar este património único!

segunda-feira, 4 de maio de 2026

As Juntas de Freguesia em contexto urbano


 Há um tema que, ciclicamente, aparece no debate público mas raramente é enfrentado com a frontalidade que merece. Qual é a utilidade real das Juntas de Freguesia em contexto urbano. Não se trata de um ataque à democracia local nem à importância da proximidade entre eleitos e cidadãos, pelo contrário. Trata-se de questionar se, nas cidades, essa proximidade está de facto a ser assegurada por estas estruturas ou se estamos perante uma duplicação administrativa que consome recursos sem acrescentar valor evidente e prático.

Nas áreas rurais, o papel das Juntas de Freguesia é evidente, tangível e insubstituível. São muitas vezes o primeiro, e por vezes o único, ponto de contacto entre o cidadão e o poder público. Conhecem o território, as pessoas, os problemas concretos. Funcionam como extensão viva da democracia, especialmente onde a Câmara Municipal está geograficamente distante e socialmente menos presente. Aqui, a sua existência não só faz sentido como é essencial.

Mas nas áreas urbanas, o cenário muda radicalmente.

Num contexto urbano, a densidade institucional é elevada. Câmaras municipais com departamentos especializados, serviços descentralizados, plataformas digitais, linhas de atendimento e equipas técnicas capazes de responder à esmagadora maioria das necessidades dos cidadãos. Neste ecossistema, as Juntas de Freguesia deixam de ser ponte e passam frequentemente a ser intermediação redundante.

O problema não é apenas funcional, é também de perceção. O cidadão comum não distingue claramente onde começa a responsabilidade da Junta e onde termina a da Câmara. Quem trata da limpeza urbana? Quem gere os espaços verdes? Quem intervém nas pequenas obras? A resposta é, muitas vezes, “depende”. E quando “depende”, o resultado é difusão de responsabilidades, perda de eficiência e, não raras vezes, ausência de responsabilização.

Na prática, muitas Juntas urbanas limitam-se a gerir um orçamento próprio para executar tarefas que a Câmara já realiza ou poderia realizar de forma integrada. Manutenção de espaços públicos, pequenos arranjos, apoio logístico a eventos, gestão de equipamentos locais. Nada disto exige uma estrutura política autónoma, exige, sim, boa gestão municipal.

Argumenta-se frequentemente que as Juntas estão “mais próximas das pessoas”. Mas proximidade sem clareza de funções não é proximidade. E proximidade sem capacidade diferenciada de intervenção não é valor acrescentado, é apenas duplicação de funções.

A questão central é simples e desconfortável. Que função exclusiva desempenha uma Junta de Freguesia urbana que não possa ser assumida, de forma mais eficiente e coerente, pela Câmara Municipal?

Se a resposta for difícil de encontrar, e tende a ser, então estamos perante uma estrutura que persiste mais por inércia do que por necessidade.

Isto não significa ignorar o impacto humano de uma eventual reestruturação. Qualquer reforma deve garantir a transição dos trabalhadores para a estrutura municipal, preservando direitos, experiência e conhecimento. Há precedentes claros dessa integração noutros contextos administrativos, por exemplo o mercado municipal, e não há razão para que aqui seja diferente. O objetivo não é eliminar pessoas, é racionalizar o sistema.

Eliminar as Juntas de Freguesia nas áreas urbanas não é centralizar poder de forma cega. É reduzir sobreposições, clarificar responsabilidades e libertar recursos, financeiros e humanos, para onde realmente fazem falta.

Se queremos uma administração pública mais simples, mais clara e mais eficaz, então esta discussão não pode continuar a ser evitada. Porque, afinal, a pergunta mantém-se direta, objetiva e difícil de contornar…

O que fazem, de facto, as Juntas de Freguesia urbanas que justifique a sua existência autónoma?

Estas questões devem ser faladas, debatidas com seriedade em todos os areópagos, e assumidas por quem de direito, pelo Estado.

HM
4 de Maio de 2026

No dia 16 de maio de 2026, às 21h30, o Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais, recebe o espetáculo “Sempre que a Revista Canta!”, com Maria Tavares, Cidália Moreira, Raquel Caneca e Vítor Emanuel.

Insónia

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


A noite aberta em desejo fugitivo
e o deleite impossível,
como se amar-te fosse o último gesto do prazer
a que me pertenço.
Sobre as linhas do corpo onde o enlevo respira
apenas 
esta fome ajoelhada na direção do teu silêncio.

Se eu fosse menos homem, talvez fosse vento
mas, hoje,
há só mar em mim quando te penso.
Chamo-lhe destino,
e aprendo devagar, 
com línguas de água,
a beleza do que nos mantém inteiros.

Recolho, neste verso que sangra 
o nosso mistério entre as veias de espuma.
Os meus olhos sorriem.
Dispo
a brancura molhada que veste a tua memória…
...

Lázaro Rios
(heterónimo de Paula Freire)


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

Vilar do Monte - Macedo de Cavaleiros

Dia 11 de maio, às 10 horas, no Auditório da Casa do Povo de Vinhais, vai realizar-se uma Sessão Informativa centrada na Castanha e na Valorização da Variedade Longal.

EXPOSIÇÃO🎨

Sessão de Esclarecimento | Concurso Rural Innovation Challenges

 A AJAP - Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, vai promover no próximo dia 6 de maio de 2026, uma sessão de esclarecimento dedicada ao Concurso Rural Innovation Challenges. A iniciativa terá lugar no Lagar D'El Rei, pelas 14h30, e contará com a presença do Diretor Geral da AJAP, Firmino Cordeiro, e do Presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares.


Esta sessão pretende dar a conhecer os detalhes sobre o Rural Innovation Challenges, uma iniciativa que tem como principal objetivo valorizar e dinamizar os territórios rurais. Dirigido especialmente a Agricultores, Jovens Agricultores e Jovem Empresários Rurais, o concurso procura incentivar o espírito empreendedor, fomentar a inovação no setor agrícola e promover soluções sustentáveis que contribuam para o desenvolvimento económico e social dos meios rurais.

Durante o encontro, os participantes terão a oportunidade de esclarecer dúvidas, conhecer os critérios de participação e perceber de que forma podem transformar ideias em projetos com impacto real no território.

As candidaturas para o concurso abrem em breve. O regulamento e as fichas de inscrição ficarão igualmente disponíveis AQUI.

🎨 Apoiar a criatividade local é semear um futuro mais brilhante!

 Convidamos toda a comunidade para a abertura da exposição "AS ÁRVORES TAMBÉM SONHAM", uma iniciativa do Projeto SEMEAR + CEDO.
Esta mostra de mascotes é o resultado do talento e dedicação dos participantes do projeto, e uma oportunidade única de valorizar o trabalho realizado no nosso concelho.

Visite o CITICA e deixe-se inspirar!

De 4 a 29 de Maio

CITICA, Carrazeda de Ansiães

Município investe um milhão de euros na requalificação do edifício dos Paços do Concelho

 O município de Mogadouro iniciou obras de requalificação do edifício dos Paços do Concelho, instalado no Convento de São Francisco, onde será investido um milhão de euros, avançou o presidente da câmara.


Segundo António Pimentel, estas obras incidem no melhoramento da eficiência energética do edifício onde se vai proceder à substituição da cobertura do imóvel e de todas as caixilharias, e melhorar as condições de quem trabalha neste espaço central da cidade de Mogadouro.

“As obras vão ainda contemplar a instalação do sistema de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado (AVAC), teclados, e caixilharia de modo a dotar o edifício antigo de condições de eficiência energética e mais conforto”, explicou o autarca social-democrata.

António Pimentel acrescentou, ainda, que, apesar desta intervenção, toda a traça atual do convento de São Francisco (século XV) será respeitada ao nível da caixilharia e cobertura.

Esta obra terá um prazo de execução previsto de um ano, sendo cofinanciada por fundos do PT 2030 em cerca de 85%, no âmbito da eficiência energética.

“Gostaríamos que as obras de requalificação ficassem concluídas dentro do prazo estabelecido”, indicou António Pimentel.

A câmara dará ainda início à requalificação do Salão Nobre dos Paços do Concelho, dotando este espaço, onde funciona a assembleia municipal e outras reuniões e receção de entidades, de melhores condições como a instalação de sistemas melhorados de multimédia e outras tecnologias de informação.

De acordo com o município de Mogadouro, o convento está, hoje, muito desvirtuado da sua traça original, uma vez que sofreu várias reconstruções, em virtude de dois incêndios que o destruíram pelo menos duas vezes.

Francisco Pinto

Campo de Víboras organizou primeira edição de feira em homenagem a tendeiros e lavradores

 A aldeia de Campo de Víboras, no concelho de Vimioso, organizou a primeira Feira dos Tendeiros e Lavradores, que pretende homenagear o povo trabalhador desta localidade e, simultaneamente, promover os produtos e as tradições locais.


“É a primeira edição, a primeira de muitas, pensada já há algum tempo e concretizada agora, este ano, e com sucesso. Uma feira que é diferente porque tem a ver com vendas e tendeiros de Campo de Víboras que começaram com os seus animais a venderem os seus lençóis, as suas flanelas ao metro, que depois passaram para a ourivesaria”, explicou Cristina Miguel, vice-presidente da câmara de Vimioso.

Quem participou fez um balanço positivo da primeira edição. Maria João, de Vimioso, levou produtos regionais típicos do concelho como “folar, roscos, dormidos” e contou que “as pessoas aderiram bastante à feira e deu para fazer negócio”.

Daniela Dias, de Mogadouro, participou devido aos pais que vivem em Campo de Víboras. “Eles são mordomos da festa e perguntaram-me se queria experimentar e que ia ser a primeira, então decidi vir e aproveitar para ver o que dava. Posso dizer que o primeiro dia foi excelente”, apontou.

Mena Oliveira, de Santulhão, é artesã e levou peças produzidas pela própria, para divulgar o seu trabalho. “Sou eu que faço tudo, são peças de madeira, como tábuas e travessas, que podem ser utilizadas como peças decorativas e não só. E é, essencialmente, material reutilizável”, partilhou.

A primeira Feira dos Tendeiros e Lavradores, em Campo de Víboras contou com 24 expositores.

João José de Freitas - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 5.outubro.1910 – 9.junho.1911
CARRAZEDA DE ANSIÃES, 28.5.1873 – ENTRONCAMENTO, 17.5.1915

Professor liceal e advogado.
Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra.
Governador civil de Bragança (1910-1911). Deputado (1911). Senador (1911-1915).
Natural de Parambos, Carrazeda de Ansiães.
Filho de Manuel José de Freitas e de Carlota da Cunha Almeida.
Irmão de António Luís de Freitas, governador civil de Bragança.
Casou com Berta de Azevedo e Albuquerque, de quem teve um filho, Manuel Paulo de Azevedo e Albuquerque Freitas (n. 12.12.1910).

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Fez os seus estudos liceais na cidade do Porto, ingressando depois na Universidade de Coimbra, onde em 1895 concluiu, com distinção, o curso de Direito. Ainda durante os estudos, fez parte da falange académica republicana que deu o seu concurso à revolta de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, tendo assim participado de forma ativa nos acontecimentos.
Terminados os estudos, iniciou a sua carreira profissional como advogado nos auditórios do Porto e lecionista em colégios da mesma cidade. Concorreu em 1896 ao grupo liceal de Geografia e História, sendo o terceiro classificado entre vinte e dois concorrentes; porém, alegadamente devido às suas ideias republicanas, não foi despachado.
Em 1898, fez concurso às cadeiras de Economia Política e Legislação das Obras Públicas e Minas da Academia Politécnica do Porto. Para este concurso escreveu e publicou uma dissertação intitulada A crise monetária e a circulação fiduciária em Portugal, que viria mais tarde a publicar. Embora fosse o primeiro classificado em mérito absoluto, foi-lhe preferido em mérito relativo Bento Carqueja, de novo pelas ideias republicanas que professava. Face a esta situação, foi advogar nesse mesmo ano para Luanda e depois para São Tomé, onde conheceu e travou uma amizade duradoura com o influente republicano António José de Almeida.
Em 1905, regressou a Portugal continental para reger, como professor efetivo, no Liceu Central de Braga, em que foi provido por decreto de 9 de fevereiro de 1906.
Nesse mesmo ano, candidatou-se a deputado por Lisboa e Bragança, nas listas do Partido Republicano Português, mas não conseguiu ser eleito, ao mesmo tempo que uma doença contraída ainda em África o debilitou durante sensivelmente dois anos e meio, a tal ponto que o impossibilitou de exercer o ensino e de se dedicar à propaganda republicana, assim como de fazer qualquer trabalho intelectual.
Só em novembro de 1909 pôde retomar as suas funções como professor em Braga. No mês seguinte, a 19 de dezembro, casava em Lordelo do Ouro com Berta de Azevedo e Albuquerque, filha do professor da Academia Politécnica do Porto e decano dos republicanos daquela cidade, Joaquim de Azevedo Albuquerque.
Voltou a concorrer às eleições para a Câmara dos Deputados em agosto de 1910, as últimas da Monarquia, de novo sem sucesso, mas logo que se implantou a República, a 5 de Outubro de 1910, foi nomeado pelo Governo Provisório governador civil de Bragança, competindo-lhe, nessa qualidade, a 8 de outubro, proclamar solenemente o novo regime, nos Paços do Concelho.
Dados os méritos, o currículo e as ligações de João José de Freitas, parece óbvia a sua escolha para governador civil. O caráter decidido de militante republicano ter-lhe-ia conferido uma inquestionável disponibilidade para, com espírito de missão, exercer um cargo como este ao serviço da República, e entre as suas gentes. O apelo para desempenhar estas funções resultaria ainda da necessidade que, provavelmente, teria sentido de “enquadrar” o mais rapidamente possível estas populações e de contribuir, com a sua influência e a sua ação, para a aceitação do novo regime.
A Pátria Nova, logo a 12 de outubro, veicula várias informações sobre o novo governador civil. Enfatiza-se-lhe o percurso de vida e as qualidades de caráter, e traça-lhe o perfil. Predominam as notas sobre o itinerário político republicano: “Não é um desconhecido. Não é um aderente da última hora. É um revolucionário desde os bancos da escola. Pertence a uma geração académica que deixa um nome inapagável no movimento republicano português. (...) É muito querido no distrito, onde goza de muito prestígio… A escolha do primeiro magistrado do distrito não podia ser mais acertada, porque o Sr. Dr. João de Freitas conhece bem as necessidades do distrito, visto que é filho desta região, e pela sua vasta capacidade intelectual, pelo seu acendrado patriotismo e pelas íntimas relações que o ligam ao Ministério, ninguém mais competente que ele para as resolver”. São enaltecidos, ainda, outros atributos: “alma diamantina, ardente propagandista dos princípios democráticos, reorganizador nos últimos tempos no distrito do Partido Republicano.”
No Jornal de Bragança, Raúl Teixeira dispensa-lhe de igual forma sentidas e elogiosas palavras: “tem o distrito de Bragança à frente do seu governo – um homem. Um homem de talento e de caráter que nós, sem lisonja nem adulação…, consideramos como digno do cargo que exerce e que brilhantemente se destaca da vara de governadores que – exceção feita do Dr. Álvaro de Mendonça – têm grunhido pelo Governo Civil, no nosso tempo”. E passa a transcrever alguns excertos da obra de Joaquim Madureira: “O Dr. João de Freitas é pouco menos de um desconhecido e não sendo, por isso, como toda a gente, um homem célebre, é, como raros o são hoje, nesta pavorosa crise de carateres, nesta pulhocracia de subalternos, uma cabeça que pensa, uma vontade que age, uma alma que sente, uma consciência que se revolta e uma individualidade que se impõe – um homem de caráter e um homem de bem (...) Um grande caráter que se não verga, uma grande consciência que se não aplasta, uma grande vontade que se não quebra e uma grande alma que se não polui”.
Profundamente marcado pela precoce morte da mulher em dezembro de 1910, e apesar de ter conseguido transferência para o Liceu Rodrigues de Freitas, no Porto, em abril de 1911, João de Freitas permaneceu em Bragança até à abertura da Assembleia Nacional Constituinte, em junho seguinte, para a qual havia sido eleito pelo círculo de Braga. Partiu então para Lisboa, sendo sucedido no Governo Civil de Bragança pelo seu irmão, António Luís de Freitas.
Encerradas as Constituintes em agosto de 1911, tomou no mesmo mês assento no Senado da República, a câmara alta do novo regime. Ali, revelou-se um orador muito interventivo, aguerrido e por vezes violento, protagonizando momentos de grande tensão, e quando surgiram as primeiras divisões no seio do republicanismo português, aderiu à tendência evolucionista, sendo na fase final da primeira legislatura um dos mais acérrimos apoiantes do governo ditatorial de Pimenta de Castro (de 25 de janeiro a 14 de maio de 1915).
Inconformado com a deposição do Governo, na sequência da revolta de 14 de maio que restaurou a normalidade constitucional, decidiu eliminar João Chagas, o presidente do Ministério indigitado pelos revoltosos triunfantes, quando este se dirigia a Lisboa de comboio, precisamente para tomar posse. Na verdade, a contenda entre Freitas e Chagas começara anos antes, em 1911, quando o irmão do primeiro, António Luís de Freitas, então governador civil de Bragança, foi demitido pelo segundo, à época ministro do Interior, responsabilizando-o pela ineficácia no combate à primeira incursão monárquica liderada por Paiva Couceiro. João de Freitas considerou a atitude do seu correligionário uma injustiça e uma afronta, nunca lhe perdoando pelo sucedido. A nomeação de Chagas para chefiar o Governo, com a agravante de ir substituir o derrubado general que Freitas acreditava que iria restaurar a República, era a gota de água.
João de Freitas conseguiria desferir cinco tiros de pistola, três dos quais atingiram João Chagas na cabeça, arrancando-lhe um olho, até ser dominado por Paulo José Falcão, que integrava a comitiva. Entregue à Guarda Nacional Republicana, que entretanto acorrera ao local, João de Freitas tentou fugir e pegar de novo na pistola, mas acabou por ser atacado por populares. Segundo relatos da época, a sua morte foi um verdadeiro martírio, sendo seviciado, as suas barbas arrancadas e obrigado a beber fel, até ser finalmente abatido pela Guarda com um tiro de carabina.
Colaborou na imprensa republicana, nomeadamente na República do Norte, do Porto; n’O Mundo e n’A Luta, de Lisboa; e n’A Resistência, de Coimbra, deixando dispersa nesses e noutros periódicos uma extensa obra doutrinária e panfletária. Em Bragança, fundou e dirigiu A Pátria Nova (1908-1915), que morreu com ele. Além da sua dissertação, publicou A revisão da Lei da Separação do Estado das Igrejas, em 1913.
O seu nome encontra-se inscrito na toponímia de Carrazeda de Ansiães.

Auto da proclamação solene da República Portuguesa na Câmara Municipal de Bragança, por João José de Freitas (1910)

Aos oito dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e dez, nesta cidade de Bragança e Paços do Concelho e Sala das Sessões da Câmara Municipal, achando-se presentes os vereadores Augusto César Moreno e João de Deus Afonso Dias, compareceu o bacharel João José de Freitas, governador do distrito, nomeado pelo ministro do Interior do Governo Provisório da República Portuguesa, acompanhado do cidadão Augusto Xavier da Veiga Valente, administrador do concelho, e de muitos outros cidadãos, e pelo referido governador civil foi dito: que tendo o povo, o Exército e a Armada proclamado em Lisboa a abolição do regime monárquico e a implantação da República Portuguesa, no dia cinco de outubro corrente, etendo aquele movimento sido entusiasticamente aclamado no Porto e no resto do País, ele João José de Freitas, como chefe deste distrito, vinha também proclamar solenemente a República Portuguesa nestes Paços do Concelho de Bragança, depois de haver tomado posse do seu cargo. E pelos vereadores presentes foi dito que aderiam entusiasticamente ao novo regime que acabava de ser proclamado, dizendo outro tanto os mais cidadãos presentes, que abaixo assinam.
E para constar se lavrou este auto, que depois de lido e assinado pelo governador civil,administrador do concelho, autoridades civis e militares e demais cidadãos, e ainda subscrita por mim José Valentim Carneiro, secretário da Câmara Municipal que a escrevi, será transcrito na ata da primeira sessão desta Câmara Municipal.
a) João José de Freitas, Augusto Xavier da Veiga Valente, Augusto César Moreno, João de Deus Afonso Dias, João Emídio da Silva Dias, José Augusto Ferreira, António Caetano Fabião, Delfim da Conceição Conde, António José Gonçalves Rapazote, António Bernardo Vergueiro, Narciso Augusto de Morais, António Olímpio Cagigal, Ovídio Alberto Faria Poças Falcão, Manuel Augusto Ribeiro de Miranda, Francisco António Rodrigues – alferes de Cavalaria 9 –, Manuel Custódio Costa, Alípio Augusto Queirós, Casimiro António Pissarro, António Augusto Ferreira, António Augusto Gaspar, João Evaristo Faria e Lima, António Manuel Gonçalves, João Baptista da Cruz, Patrocínio Gonçalves – 2.º sargento de Cavalaria 9 –, António Manuel Pires e Luís Aparício dos Inocentes – capitão de Infantaria 10.

Fonte: CARVALHO, Eduardo, 1966, Notas e documentos para a história dos destinos de Bragança. Bragança: Amigos de Bragança.

Elogio a João de Freitas enquanto governador civil do distrito de Bragança (1911)

Tendo pedido a exoneração do lugar de governador civil do distrito, que tão brilhantemente e com tão elevado tino político exerceu durante oito meses, partiu desta cidade, na passada sexta-feira, este nosso querido amigo e prestantíssimo correligionário.
Não é em linhas rápidas e com o impressor à espera que pode traçar-se o perfil político do eminente republicano, cuja obra administrativa e de democratização tão profundamente se fez sentir em todo o distrito, durante este período dificílimo da vida do novo regime, e num meio que, diga-se a verdade, era um campo maninho que só mãos muito hábeis podiam desbravar.
De resto, para atestar as suas extraordinárias qualidades de energia e trabalho inteligente, não era precisa esta prova irrefragável, que aí fica bem patente aos olhos de todos os que queiram ver.
Estava previsto: o seu passado político e a sua vida de trabalho sem tréguas na defesa do ideal republicano eram sobeja garantia da sua obra governativa.
Mas ela aí está, bem clara, essa obra extraordinária, que só muita dedicação e muito trabalho podiam realizar em tão curto prazo; ela aí está, para que não possa haver dúvidas sobre o valor e a integridade moral de quem a levou a efeito.
E é testemunho insuspeito do que afirmamos esta classificação que o espírito justiceiro de Sua Exa. mereceu a um dos seus mais ferozes adversários – “é um homem”.
E nós, que até ao advento da República vivêramos governados, a maioria das vezes, por politiqueiros incompetentes, ao abraçar na despedida o Dr. João de Freitas, desejamos ardentemente que a sua ação profícua continue a fazer-se sentir neste distrito, de que ele é ilustre filho.
Cremos bem que assim será, porque Sua Exa. leva de Bragança, onde soube criar fundas amizades e verdadeiras dedicações pelo seu porte corretíssimo e imparcial, as mais gratasimpressões.
Chamado agora pela República a exercer a sua atividade na próxima Assembleia Constituinte, o Dr. João de Freitas saberá honrar o seu mandato com a mesma inteligência e boa vontade com que soube cumprir a árdua missão de que foi incumbido pelo Governo Provisório.
Teve Sua Exa. uma despedida afetuosíssima, na qual se encontravam indivíduos de todas as classes, o que prova bem a muita consideração e justo apreço em que é tido pelos brigantinos.
Fazendo votos pelas prosperidades do Dr. João de Freitas, a redação da Pátria Nova não esquecerá nunca os altos serviços prestados pelo seu ilustre fundador à República, e particularmente ao distrito, que certamente continuará a merecer a sua desvelada atenção.

Fonte: A Pátria Nova, n.º 138, Ano III, 1911, p. 1.

João de Freitas e suas memórias, por Raúl Brandão (1914-1915)

Nas perseguições, nas paixões, quantos ódios acumulados! Todos os dias o tropel cresce como uma onda a avolumar-se no horizonte. Hoje [9.1.1914], João de Freitas interpela Afonso Costa no Parlamento. Afirma-se que o não deixam falar. A meu lado um oficial de marinha diz: – se a formiga branca intervém, dou um tiro num!...
Sessões tremendas, em que aquele homem lívido cresce e avança, dizendo as últimas a Afonso Costa. Sente-se o bafo da tragédia muito perto. Toda a gente percebe que o caso é de vida ou de morte. Em dado momento, o Alexandre Braga ousou interrompê-lo – e a resposta veio logo, como uma bofetada: – Cale-se! O senhor não tem autoridade moral, o senhor que vai procurar as amantes à sua própria família! – O outro calou-se, amarfanhado. A Câmara redemoinhou, petrificou, assombrada, e ele continuou com o discurso, sem olhar para os lados.
Tinham dito ao Camacho: – Não vá sentar-se ao pé do João de Freitas, porque hoje matam -no, hoje há tiros! – Mas o Camacho, como de costume, foi sentar-se na mesma bancada. A certa altura, um amigo do Afonso Costa, efetivamente, avançou para o João de Freitas, que, continuando a interpelação, o susteve com um gesto para que se detivesse, metendo ao mesmo tempo a mão direita na algibeira…
Mas o Afonso Costa domina-os e pensa talvez em arredar o Camacho, a quem odeia, e o António José, a quem desdenha. Aparece nas Câmaras com um riso de superioridade e um cravo vermelho na lapela, acompanhado pela púrria.
O pior é que os ódios aumentam. Um deputado diz-me hoje: – Se o visse morto deitava gravata vermelha! – Citam-se escândalos, apuram-se números. Os jornais da noite são arrancados das mãos dos vendedores. O Ministério cai? O dia 29 de janeiro é talvez decisivo para a República.
Dominada a greve, votado o adiamento, entra-se numa nova fase política? O António José reconquistou a popularidade. As galerias intervieram com uma pateada a Afonso Costa, quando Júlio Martins falou no assalto à casa sindical dos ferroviários. Mas o António José, que já não consentira que João de Freitas chamasse ladrão ao Afonso Costa, na República, sacrificando assim uma velha amizade, declarou aos seus correligionários que não quer governar com as galerias. A 26, à noite, prepara-se uma grande manifestação ao Governo, que é dissolvida à pancada, no Rossio.
Nunca vi bater tanto, em Lisboa. Estoiram bombas na Rua do Carmo. As senhoras vêm para as janelas, como nas procissões. Grandes rolos de fumo crescem lá de baixo. A cavalaria estaca.
Gente foge – gente corre aos gritos de: – Morra! Morra! – Uma dama passa, indiferente, pelo braço do marido, com um cão felpudo ao lado. Gritos, vivas, aclamações. O Governo cai?... Há instantes, nas Câmaras, a oposição chamou-lhes: – Ambaquistas! – e mostram os bolsos num gesto significativo. Todos estes homens andam armados de pistolas. De mão em mão corre um papel: “Um conhecido vidraceiro dos lados da Rua do Bemformoso está fabricando uma respeitável quantidade de mocas, com as competentes correias, para não caírem do pulso”. Só se fala em assaltos da formiga branca às redações dos jornais, em golpes de Estado, na ditadura. O Camilo Rodrigues afirma que a formiga quer matar o João de Freitas.
Chegamos ao conflito pessoal? Andam aqui ódios e interesses em jogo. Há a contar com os doidos – com os que manobram por trás da cortina – com os que têm dívidas e letras a pagar.
Diz o Malva do Vale: – Foram distribuídos mil contos de ações de Ambaca aos deputados.
Não valiam um pataco: valem hoje oitenta e cinco mil réis. Mentira e verdade anda tudo misturado.
– Lá para o fundo agitam-se, na sombra, a formiga branca, a formiga preta e a formiga loura. Pela primeira vez, O Mundo está guardado pela cavalaria. – Mata! Mata! Mata!
(...)
Isto aguenta-se ou vem a monarquia? Se vier, diz António José, ainda hei de arranjar quem me empreste, sabe Deus com que custo, dinheiro para me meter num paquete e ir para a Argentina.
Mas lá que hei de fazer aos quarenta e sete anos? – A monarquia é o menos. Caminhamos para a anarquia e para o crime. Um dia destes (maio 1915) João de Freitas disparou o revólver sobre o João Chagas, quando vinham no mesmo comboio para Lisboa, vazando-lhe um olho.
Sob uma aparência calma uma cólera contida, uma ebulição feroz. A bala ia direita ao Afonso Costa – ia direita aos políticos sem escrúpulos. Ele era, foi-o sempre – um grande homem de bem, com o culto da honra. Poucas palavras, a não ser que se tratasse do Afonso Costa, porque então extravasava. Um dia, na Foz, no Mary Castro, falou, falou, interminavelmente no caso das bínubas, no caso do testamento, em todos aqueles casos, sua única preocupação, que tratou nas câmaras e publicou em folhetos. Ouvia-o sem uma palavra. Tinha-o diante de mim, lívido, seco, de barba rala na cara em pentágono, com os olhos fuzilando. Ouvia com espanto correr aquele jato em fusão. Mas só o compreendi bem quando me tocou com a mão: a sua tensão nervosa era tão grande que tinha as mãos geladas – as mãos dum morto. Trazia consigo um filho pequeno, que adorava, mas, acima de tudo, estava a honra, a que sempre sacrificou a família e o interesse. Já em rapaz, os outros diziam dele, com respeito: – É o João de Freitas! – É um tipo que colocou num altar não sei que ídolo, não sei que regras ou que princípios que os outros, até Junqueiro, classificam de loucura. E, efetivamente, a honra, até àquele ponto, não pertence a este mundo, é a honra palavra, a honra acomodatícia, de tirar e pôr, uma coisa humana, que se dê bem com toda a gente. A outra, a dele, incomoda e chega a irritar os homens honrados…
No comboio prenderam-no, agarraram-no e entregaram-no aos sicários, que o mataram lentamente, no Entroncamento. Arrancaram-lhe as barbas e torturaram-no até ao último suspiro.
Por fim, enterraram-no como um cão, por ordem do administrador de Torres Novas.
Que as gerações novas aprendam – se é que as gerações novas ainda têm mais que aprender…
Ponham os olhos neste alucinado. Toda a gente o repudiou. Fizeram-no passar por monárquico.
Diz a República (21 maio 1915): “E João de Freitas bem afirmou mais uma vez então a sua irredutibilidade moral e política com qualquer restauração monárquica. E se – sabia-o O
Século e saibam-no todos – logo na manhã seguinte à lutuosa tragédia do Entroncamento, a República afixou um placard nas suas janelas, em pleno movimento revolucionário, declarando que João de Freitas não pertencia, já há tempos, ao Partido Evolucionista – foi precisamente porque tal lhe foi pedido pelas autoridades para evitar-se assim as tristes consequências de equívocos com que já se procurava explorar junto dos elementos revolucionários, porventura mal elucidados e aconselhados…”
E basta. Porque, para realçar a negra miséria humana, estas linhas já são demais…

Fonte: Raúl Brandão, Memórias, vol. III. Lisboa: Seara Nova, 1933, pp. 72-79.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
A Pátria Nova, n.º 138, Ano III, 1911.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
BRANDÃO, Raúl. 1933. Memórias, vol. III. Lisboa: Seara Nova.
CARVALHO, Eduardo. 1966. Notas e documentos para a história dos destinos de Bragança. Bragança: Amigos de Bragança.
GRANDE Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, t. XI, Lisboa, 1935-1987.
MARQUES, A. H. de Oliveira (coord.). 2000. Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910-1926). Lisboa: Assembleia da República.
SOUSA, Fernando de (coord.). 2013. Bragança na Época Contemporânea. Bragança: Câmara Municipal de Bragança.

Publicação da C.M. Bragança

OS FIDALGOS - SAMÕES

 
1º JOÃO PEDRO GOMES DE ALMENDRA, primeiro Barão de Samões; 
comendador da Ordem de Cristo e proprietário em Samões, concelho de Vila Flor.
O decreto da nomeação de barão é de 20 de Setembro de 1887 (486). O autor que vamos seguindo diz que se dirigiu ao barão pedindo informações, a que ele não respondeu.
Eis os dados que colhi por intermédio do meu bom amigo, cónego Abel José Pires, actual pároco de Samões, a quem aqui consigno fundo reconhecimento, fornecidos pelo doutor António de Almendra, juiz da primeira vara cível de Lisboa, sobrinho do biografado:
João Pedro Gomes de Almendra, primeiro Barão de Samões, nasceu em Vinhais em 1812 e faleceu na mesma povoação a 10 de Abril de 1900.
Era filho de Francisco Bernardo Gomes de Almendra e de D. Joana.
Concluiu o curso farmacêutico na Escola Cirúrgica do Porto em 13 de Fevereiro de 1840 e foi estabelecer-se em Samões na farmácia do seu parente António Manuel Vaz de Almeida.
Casou com D. Teresa Maria Delgado, filha do capitão-mor de Castedo.
Pelo nome de «Remédio de Samões» ficou conhecido um específico de sua invenção e de grande eficácia contra as sezões e febres palustres que muito grassavam na região.
Exerceu os cargos de Juiz Ordinário e por diversas vezes o de presidente da Câmara Municipal de Vila Flor, contribuindo poderosamente para a criação da comarca desta vila e ainda para harmonizar as rivalidades que existiam entre ela e a de Carrazeda de Ansiães.
Por despacho de 8 de Junho de 1869 foi nomeado comendador da Ordem de Cristo em atenção «aos serviços por ele feitos a bem da humanidade, além dos por ele prestados no desempenho de diferentes cargos electivos no município de Vila Flor».
2º Doutor ANTÓNIO AUGUSTO GOMES DE ALMENDRA, sobrinho do antecedente juiz de direito da sexta vara cível de Lisboa, aposentado, nasceu em Vinhais a 2 de Junho de 1853.
Era filho de Manuel Carlos Gomes de Almendra, irmão do primeiro Barão de Samões, e de D. Antónia Felicíssima da Silva.
Casou a 5 de Maio de 1892 com D. Júlia Amélia Pereira, natural do Funchal, ilha da Madeira, onde se realizou o casamento, nascida a 28 de Maio de 1873. Residem em Lisboa.
Descendência:
I. António Augusto Gomes de Almendra, que nasceu no Mogadouro, distrito de Bragança, a 25 de Abril de 1894, engenheiro químico pela Universidade de Berne (Suíça), adido extraordinário à Legação Portuguesa desta cidade.
II. João Anselmo Gomes de Almendra, que nasceu no Mogadouro a 25 de Julho de 1893, médico-cirurgião dos hospitais de Lisboa.
III. D. Maria da Natividade Gomes de Almendra, que nasceu em Vila Flor a 8 de Setembro de 1895 e casou em Lisboa a 24 de Novembro de 1922 com António Vieira de Magalhães de Pina Calado, filho dos barões de Teixoso.
Residem em Teixoso, Beira Alta.
IV. D. Laurentina Gomes de Almendra, que nasceu em Samões a 1 de Maio de 1900.
V.D. Júlia Amélia Gomes de Almendra, que nasceu em Samões a 3 de Outubro de 1904.
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(486) PINTO; SANCHES DE BAENA – Resenha das Famílias Titulares e Grandes, ..., vol. 2º, p. 488. Alguém diz que este decreto é de 2 de Dezembro de 1880.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

🌿 Expo Saúde & Bem-Estar está de volta a Mogadouro! 🌿

 Nos dias 9 e 10 de maio, o Parque de Feiras de Mogadouro recebe a 2.ª edição da Expo Saúde & Bem-Estar, um evento pensado para todos os que querem cuidar melhor da sua saúde e qualidade de vida.


Durante dois dias, poderá encontrar:

✔️ Rastreios de saúde gratuitos 
✔️ Workshops e palestras com profissionais de referência
✔️ Atividades recreativas e desportivas para todas as idades
✔️ Sessões práticas, demonstrações e momentos de convívio

Destaque ainda para a Mesa Redonda “Viver Mais e Melhor”, com especialistas da área da saúde, e um programa diversificado com atividades ao longo de todo o fim de semana.

Haverá também ofertas, brindes e vouchers para os participantes!

Entrada livre e aberta a toda a comunidade
Das 10h00 às 18h00

Esta é uma oportunidade única para fazer rastreios, aprender mais sobre saúde e bem-estar e participar em atividades que promovem um estilo de vida mais saudável.

2 dias com + saúde. Venha cuidar de si!

𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐁𝐨𝐦𝐛𝐞𝐢𝐫𝐨 | 𝟒 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐6

 O Memórias...e outras coisas, solidariza-se com o Dia Internacional do Bombeiro através do reconhecimento e agradecimento às corporações dos Bombeiros Voluntários de todos os Concelhos do Distrito de Bragança.

MUITO OBRIGADO!

EXPOSIÇÃO SOBRE O PAPEL DAS MULHERES NA HISTÓRIA INAUGURADA EM MIRANDELA

 A Estação das Artes de Mirandela inaugurou a exposição “As Mulheres na História”, da artista Mónica Silva, assinalando simultaneamente a celebração do Dia da Mãe. A mostra estará patente ao público até ao próximo dia 6 de julho.


A exposição propõe dar visibilidade ao contributo de mulheres que, ao longo do tempo, foram frequentemente omitidas dos registos históricos, destacando o seu papel na construção da sociedade e na promoção da igualdade. A iniciativa pretende sensibilizar o público para a importância do reconhecimento dessas figuras e do seu legado.

Através de uma abordagem contemporânea, a artista apresenta diferentes perspetivas sobre o percurso feminino, evidenciando histórias marcadas pela resistência e pela afirmação de direitos. A mostra procura também alertar para a persistência de desigualdades, incentivando à reflexão sobre a necessidade de reforçar a representação das mulheres em vários contextos sociais.

A iniciativa insere-se na programação cultural da Estação das Artes, que tem vindo a acolher exposições de diferentes áreas artísticas, promovendo o acesso à cultura na região. Este tipo de eventos contribui para dinamizar a oferta cultural local e envolver a comunidade em temas de relevância social.

A exposição poderá ser visitada até início de julho, sendo esperada a adesão de público escolar e da comunidade em geral, numa iniciativa que pretende fomentar o debate e a valorização do papel das mulheres ao longo da história.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

MURÇÓS RECEBE 1.ª FEIRA DE PRODUTOS DA TERRA E ENCONTRO DE CAÇADORES

 A localidade de Murçós, no concelho de Macedo de Cavaleiros, recebeu a 1.ª Feira de Produtos da Terra e Encontro de Caçadores, iniciativa que reuniu a comunidade local e diversos representantes institucionais.


A sessão de abertura contou com a presença da presidente da Junta de Freguesia, Natália Carrazedo, do presidente da Câmara Municipal, Sérgio Borges, bem como de membros do executivo municipal e do deputado pelo círculo eleitoral de Bragança, Hernâni Dias.

O evento teve como principal objetivo valorizar as tradições locais, os produtos endógenos e os saberes ligados ao meio rural, afirmando-se como um espaço de encontro entre produtores, caçadores e visitantes. A iniciativa procurou ainda reforçar a identidade cultural da região e fomentar o convívio intergeracional.

Durante o certame, os participantes puderam contactar com uma variedade de produtos regionais, bem como assistir a atividades relacionadas com a caça, setor com expressão significativa em territórios do interior. A feira funcionou, assim, como uma montra do dinamismo das comunidades locais e da preservação de práticas tradicionais.

A possibilidade de continuidade da feira em futuras edições é apontada como uma forma de consolidar Murçós enquanto espaço de promoção dos produtos da terra e de dinamização cultural, com impacto na coesão territorial e na afirmação da identidade regional.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

AZEITE DE MIRANDELA DISTINGUIDO EM PARIS COLOCA REGIÃO EM DESTAQUE INTERNACIONAL

 O concelho de Mirandela voltou a afirmar-se além-fronteiras com o reconhecimento atribuído à Casa de Santo Amaro no prestigiado Olio Nuovo Days 2026, que decorreu em Paris. A distinção alcançada destaca a qualidade do azeite produzido na região e reforça o seu posicionamento nos mercados internacionais.


Os produtos da marca, nomeadamente o Azeite de Trás-os-Montes DOP nas categorias Premium Gold, Gold e Prestige, foram reconhecidos pela sua excelência, num evento que reúne alguns dos melhores produtores mundiais. Esta conquista evidencia o rigor, a dedicação e o saber acumulado ao longo de gerações.

A Associação Comercial e Industrial de Mirandela destacou o feito, sublinhando a importância deste reconhecimento para a valorização do tecido empresarial local e para a promoção dos produtos endógenos da região.

A Casa de Santo Amaro surge assim como um exemplo de sucesso, aliando métodos tradicionais à inovação, e contribuindo para projetar o nome de Mirandela e de Trás-os-Montes como referências de qualidade no setor oleícola.

Este prémio representa não apenas uma conquista empresarial, mas também um motivo de orgulho coletivo, reforçando a identidade e a excelência dos produtos portugueses no panorama internacional.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR