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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Vimioso está com Picote! Picote - Moderno Escondido, chegou à final nacional das 7 Maravilhas de Portugal, Século XX.

 Este é um momento de orgulho para toda a nossa região e uma oportunidade de dar ainda mais visibilidade ao património, à história e à identidade do nosso território.

Vamos mostrar a força de Trás-os-Montes!
Vote, partilhe e ajude Picote a chegar à vitória.
Quando um dos nossos chega mais longe, vamos todos com ele.

CONSELHO DE MINISTROS EM BRAGANÇA APROVA APOIO DE 10 CÊNTIMOS AO GASÓLEO c E DÁ PRIMEIRO PASSO PARA A NOVA UNIVERSIDADE

 Governo prolonga até ao final do ano o apoio aos combustíveis para o setor agrícola e florestal, destina 13 milhões de euros à pesca e avança com o processo de transformação do IPB na Universidade de Bragança e do Norte Interior


Bragança foi esta quarta-feira, 9 de setembro, o centro das decisões do Governo para o interior do país. Reunido de forma descentralizada no Campus de Santa Apolónia da Universidade Politécnica de Bragança, o Conselho de Ministros aprovou um conjunto de medidas com impacto direto na agricultura e nas pescas e deu um passo político e institucional de grande significado para o futuro do ensino superior em Trás-os-Montes.

Entre as principais decisões está o prolongamento até 31 de dezembro de 2026 do apoio extraordinário ao gasóleo agrícola, mantendo o benefício de 10 cêntimos por litro de gasóleo colorido e marcado. A medida representa uma despesa superior a 15 milhões de euros, suportada pelo Orçamento do Estado, e pretende aliviar a pressão provocada pelo aumento dos custos dos combustíveis sobre os setores agrícola e florestal.

O apoio tinha vigorado inicialmente até 30 de junho e é agora prolongado através da alteração ao Decreto-Lei n.º 80-A/2026, que criou as medidas extraordinárias de compensação pelo aumento dos preços dos combustíveis.

13 MILHÕES PARA A PESCA

O Conselho de Ministros aprovou igualmente 13 milhões de euros em apoios ao setor da pesca, destinados a compensar o impacto do aumento dos custos dos combustíveis.

Os apoios são enquadrados no programa MAR 2030 e integram um pacote mais amplo dirigido à pesca, aquicultura e transformação e comercialização de pescado. No novo aviso, a dotação global ascende a 18 milhões de euros, dos quais 13 milhões ficam especificamente destinados à pesca. Para a pequena pesca está prevista uma majoração.

As despesas elegíveis abrangem o período entre 28 de fevereiro e 31 de dezembro de 2026, permitindo responder ao agravamento dos custos que tem condicionado a atividade do setor.

BRAGANÇA DÁ O PRIMEIRO PASSO PARA A NOVA UNIVERSIDADE

Mas foi na área da Educação e do Ensino Superior que surgiu uma das decisões com maior impacto estrutural para o território.

O Governo decidiu iniciar a análise técnica dos pressupostos necessários à transformação da Universidade Politécnica de Bragança na futura Universidade de Bragança e do Norte Interior.

A decisão constitui o primeiro passo formal do processo previsto no novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior e surge como reconhecimento do percurso desenvolvido pelo atual Instituto Politécnico de Bragança, nomeadamente nas áreas da capacidade científica, investigação, internacionalização, formação e ligação ao tecido económico e social da região.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, classificou a decisão como um passo natural no percurso da instituição, sublinhando a expectativa de que a futura universidade possa reforçar a capacidade de transformação e desenvolvimento de Bragança, do Norte Interior e do país.

Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou que a escolha tenha resultado de critérios políticos ou de proximidade pessoal, defendendo que a decisão assenta em critérios objetivos relacionados com a capacidade demonstrada pela instituição para aprofundar a sua dimensão científica e de investigação, formar um corpo docente adequado, reforçar a ligação ao tecido institucional e empresarial e atrair talento através da internacionalização.

A transformação do atual modelo de ensino superior numa universidade representa, para o território, uma oportunidade de reforçar a capacidade de fixação de jovens, atração de estudantes e investigadores, produção de conhecimento e ligação entre ciência, empresas e desenvolvimento regional.

UM CONSELHO DE MINISTROS COM MARCA DO INTERIOR

A reunião descentralizada em Bragança assume, assim, um significado que ultrapassa a dimensão simbólica da presença do Governo no interior.

Num território onde a agricultura continua a ter um peso determinante, o prolongamento do apoio aos combustíveis procura aliviar os custos de produção. No setor das pescas, os 13 milhões de euros procuram responder ao agravamento dos encargos com a atividade. E, no ensino superior, o avanço do processo da futura Universidade de Bragança e do Norte Interior abre uma nova etapa para uma instituição que pretende assumir um papel ainda mais relevante na transformação económica, científica e social da região.

O Conselho de Ministros deixou, desta forma, três decisões com impacto distinto, mas com um denominador comum: apoiar setores estratégicos e reforçar a capacidade do interior para produzir, fixar conhecimento, criar oportunidades e afirmar-se no futuro do país.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

Conselho de Ministros reuniu-se hoje em Bragança

 Bragança recebeu hoje, quarta-feira, dia 9 de setembro, uma reunião do Conselho de Ministros, que decorreu nas instalações da Universidade Politécnica de Bragança (UBP).
A reunião constituiu um momento de particular importância para a região, com a formalização da passagem da UBP a Universidade de Bragança e Norte Interior.

A Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, teve oportunidade de abordar diversos temas de interesse para o país e para a região, reforçando a importância de Bragança enquanto território estratégico no contexto nacional e internacional.

Leia a intervenção da Presidente de Câmara, Isabel Ferreira, na abertura do conselho de ministros na íntegra AQUI.

Sendim: Vindimas são uma jornada de trabalho e de convívio

 Na vila de Sendim, no concelho de Miranda do Douro, estão a decorrer as vindimas, um trabalho que tradicionalmente é realizado com a ajuda da familia, vizinhos e amigos, como é o caso de Joaquim Soares, que a 6 de setembro, juntou 12 pessoas, para colher as uvas em três vinhas e de seguida iniciar a produção de vinho caseiro.


Iniciou-se no cultivo da vinha e produção de vinho caseiro, em 2010, ao adquirir duas vinhas velhas e ao plantar uma nova, com as castas tinta antiga e tinta roriz. Este ano, Joaquim Soares previu colher cerca de 1500 quilos de uvas, que se destinam a produção caseira de vinho.

“Hoje mesmo, após a conclusão da vindima, em casa, vamos esmagar as uvas para iniciar o processo de fermentação e produção do vinho. Depois, diariamente, há que voltar a pisar e mexer no vinho para ajudar na fermentação alcoólica. A qualidade das uvas tem influência na qualidade e características do vinho. Anualmente, produzo 700 e 800 litros de vinho, para consumo em casa e para dar a familiares e amigos”, explicou.


Na vila de Sendim, o trabalho da vindima é tradicionalmente feito em família e com a ajuda de vizinhos e amigos. Este ano, o vitivinicultor, Joaquim Soares, contou com a ajuda de 12 familiares e amigos, numa jornada de trabalho e de convívio. Na família de Joaquim Soares, o filho, José, também aprecia a vitivinicultura.

“A vinha e a produção de vinho fazem parte da identidade social, económica, cultural e paisagística de Sendim. Por isso, para mim, é importante preservar e dar continuidade a este legado”, disse o jovem sendinês.

No entanto, este ano, em Sendim, alguns vitivinicultores vão deixar as uvas nas vinhas, dado o encerramento da cooperativa agrícola Ribadouro, por dificuldades financeiras. É o caso, de Manuel Marcelino, reformado, que se dedica à agricultura e a vitivinicultura, para ocupar bem o tempo.

“Estou a tratar de duas vinhas, uma minha e outra do meu cunhado emigrante, num total de 0,5 hetare. Com o encerramento da cooperativa Ribadouro, não tenho onde entregar as uvas. Já ofereci as uvas a dois ou três compradores, mas se não as quiserem vou deixar as uvas nas vinhas, pois não pretendo produzir vinho em casa, dado que não o bebo”, disse.

Sobre a alternativa de entregar a colheita de uvas na empresa Sogrape, em Bemposta, Manuel Marcelino, respondeu que isso implica a prévia inscrição e a assinatura de um contrato com a empresa.

HA

OS FIDALGOS


 VILA BOA DE OUSILHÃO

ANTÓNIO PIRES POUSA, de Vila Boa de Ousilhão, concelho de Vinhais, erigiu em 1861 uma capela junto às suas casas de moradia, em substituição de outra arruinada que lhe pertencia e existia no mesmo local (611).

VILA CHÃ DE BRACIOSA

1º DOMINGOS AFONSO e sua mulher D. Isabel Lopes, lavradores, de Vila Chã de Braciosa, concelho de Miranda, dotaram em 1657 bens, com vínculo de morgadio, à capela de S. Domingos que iam erigir no Cabecinho da Touça, limite da mesma povoação (612).
2º MATEUS DE SANTIAGO, presbítero, natural de Vila Chã de Braciosa, dotou em 1695 de bens suficientes a capela, que na igreja matriz da mesma freguesia mandara erigir o falecido abade dessa freguesia Pedro Guedes de Magalhães, que não fabricara suficientemente (613).
3º D. CATARINA DE MORAIS, viúva, residente em Vila Chã de Braciosa, faleceu a 16 de Junho de 1822 deixando por testamenteiros seu irmão Manuel de Morais, abade de Terroso, e Paulo Miguel Rodrigues de Morais, filho da testadora, deão da Sé de Bragança, cavaleiro da Ordem de Cristo.
Tinha uma nora: D. Maria Guiomar de Azevedo Sousa Sequeira de Figueiredo, e filhos, além do já nomeado, mais: D. Joana, freira, e Manuel Rodrigues de Morais, sargento-mor (614). Ver na lista dos cónegos os apelidos – Morais (Paulo Miguel Rodrigues de) e Azevedo (Francisco Manuel de Morais).
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(611) Museu Regional de Bragança, maço Capelas.
(612) Ibidem.
(613) Ibidem.
(614) Museu Regional de Bragança, Cartório Administrativo, livro 129, fol. 74 v., onde vem o seu testamento.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

𝐈𝐑𝐒 𝐚 𝟎% 𝐞𝐦 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨

 O Município de Miranda do Douro aprovou, 𝐩𝐨𝐫 𝐮𝐧𝐚𝐧𝐢𝐦𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, na última reunião de Câmara, realizada na segunda-feira, 7 de setembro, 𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐩𝐨𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐝𝐮𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐜𝐢𝐩𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐯𝐚𝐫𝐢𝐚́𝐯𝐞𝐥 𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢́𝐩𝐢𝐨 𝐧𝐨 𝐈𝐑𝐒 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝟎%.
A proposta será agora submetida à Assembleia Municipal e, caso seja aprovada, 𝐩𝐞𝐫𝐦𝐢𝐭𝐢𝐫𝐚́ 𝐝𝐞𝐯𝐨𝐥𝐯𝐞𝐫 𝐚𝐨𝐬 𝐦𝐮𝐧𝐢́𝐜𝐢𝐩𝐞𝐬 𝐜𝐞𝐫𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝟏𝟒𝟎 𝐦𝐢𝐥 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐬.

Atualmente, 𝐚 𝐭𝐚𝐱𝐚 𝐝𝐞 𝐈𝐑𝐒 𝐞𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚-𝐬𝐞 𝐧𝐨𝐬 𝟐,𝟓%. Com esta medida, o Município pretende aliviar a carga fiscal das famílias e devolver diretamente aos munícipes uma parte do imposto.

Recorde-se que, quando o atual Executivo tomou posse, em outubro de 2021, a taxa de IRS do Município de Miranda do Douro era de 5%.

𝐃𝐞 𝟓% 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝟎%: menos impostos, mais rendimento disponível para os munícipes.

Desidério Augusto Ferro de Beça - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 29.janeiro.1919 – 13.março.1919
FREIXO DE ESPADA À CINTA, 28.11.1868 – VILA REAL, 11.9.1920

Oficial do Exército.
Governador civil de Bragança (1919). Senador (1919-1920).
Natural de Freixo de Espada à Cinta.
Filho de Miguel Augusto Ferro de Beça, condutor no Ministério das Obras Públicas, e de
Antónia Maria Lages da Trindade.
Casou com Maria do Céu Braga Pimentel, de quem teve três filhos: Miguel Luís Augusto (n. 17.8.1892), Maria do Céu (n. 23.6.1900) e Cândida Teolinda (n. 29.8.1909).
Primo de Abílio Augusto de Madureira Beça, governador civil do distrito de Bragança.
Medalha de prata por comportamento exemplar (1907). Cavaleiro da Real Ordem Militar de S. Bento de Avis (1908). Medalha de ouro por comportamento exemplar (1918). Comendador da Ordem de Santiago da Espada (1919).

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Embora natural de Freixo de Espada à Cinta, foi em Bragança que Desidério Augusto de Beça, descendente de uma das mais influentes famílias do Nordeste Trasmontano, sob o ponto de vista económico e social, se criou e morou boa parte da sua vida.
Assentou como voluntário no regimento de Caçadores n.º 3 em 17 de julho de 1887 e a 26 de junho de 1891 foi promovido a alferes e transferido para Infantaria 24, em Pinhel, mas em 29 de agosto seguinte estava de regresso a Bragança.
Três meses depois, a 28 de novembro de 1891, contraía matrimónio na Sé brigantina com Maria do Céu Braga Pimentel, que granjeou grande fama na cidade enquanto cultora das artes e das letras.
Depois de casado, continuou a sua carreira militar em Bragança, sendo colocado, em abril de 1893, no comando da guarda fiscal ali sediada. Atingiu a patente de tenente em março de 1897 e de capitão em novembro de 1901. Em junho de 1903, foi enviado para Angola, para comandar a 7.ª Companhia Indígena de Infantaria.
Embora se notabilizasse na guerra contra os sobas, sobretudo num combate em setembro de 1903, o governador da Lunda, em duas avaliações conduzidas em 1903 e 1904, considerou-o um “oficial tímido e triste. A sua ação de comando é frouxa, sempre pronto a defender falhas dos subordinados”. Um outro superior confirmava o seu temperamento nervoso, excessivamente impressionável e histérico, além de o afirmar propenso a doenças. No entanto, um e outro eram unânimes em louvar as capacidades organizativas de Desidério Beça.
Em finais de julho de 1904, regressou a Bragança, sendo colocado no regimento de Infantaria 10, mas no ano seguinte foi nomeado secretário da direção do Montepio Oficial, rumando com a família para Lisboa. Todavia, a distância não iria esmorecer o amor pela sua terra. Pelo contrário, logo nesse ano ajudou a fundar o Club Transmontano, uma associação que agremiava trasmontanos e seus descentes com o objetivo de promover “os progressos morais, materiais e económicos da província”.
Mas não era só a geografia que mudava na sua vida. Esta transferência assinalava também o início de um notável percurso no setor do mutualismo que o levaria a elaborar diversos estudos em torno desta matéria. Começou por elaborar um relatório sobre a história do Montepio desde a sua fundação em 1867, para justificar perante o Governo a necessidade de reformar os seus estatutos e tomar medidas para melhorar a sua situação económica. Em junho de 1911, ano em que abandona o Montepio debaixo dos maiores louvores, apresenta ao Congresso Nacional de Mutualidade uma tese, sob o título “Mutualidade militar – Vantagem do seu estabelecimento no exército português”. Poucos meses depois, por portaria de 21 de dezembro, integrou uma comissão para estudar assuntos referentes à organização do mutualismo e à lei sobre associações de socorros mútuos.
De resto, revelou sempre uma superior atenção no que concerne às condições de bem-estar, aos mais diversos níveis – material, físico, intelectual – dos seus camaradas de armas. Logo após a implantação da República, em 5 de outubro de 1910, tomou parte numa comissão encarregue de melhorar as condições económicas dos sargentos e demais praças do Exército. Em 1911, tornou-se vogal do conselho de administração da Fraternidade Militar, cargo que acumulou com o de encarregado da instrução militar preparatória de Lisboa. Em dezembro de 1912, apresenta uma palestra sobre “O Estado, a Família e as Sociedades de Instrução Militar Preparatória”, e em 1916, uma comunicação no I Congresso de Educação Física, promovido pelo Ginásio Club Português, sobre “Instrução Militar Preparatória”, que faria publicar nesse mesmo ano, em versão mais desenvolvida.
Em fevereiro de 1913, foi de novo colocado no regimento de Infantaria 10, em Bragança, mas menos de um mês depois estava de regresso em Lisboa, em Infantaria 5, regimento que conduziu até Mondim de Basto para combater uma incursão monárquica. Ainda neste ano, depois de promovido a major, a 28 de setembro, foi chefe da 3.ª secção da 3.ª repartição da 1.ª direção-geral da Secretaria da Guerra (passaria à 4.ª repartição em 1915). Ainda em 1913, foi nomeado vogal da comissão encarregada de elaborar um regulamento para o tiro nacional, e mais tarde chegaria a diretor dos serviços gráficos do Exército. Nesse período, continuou a ascender na hierarquia militar, atingindo a patente de tenente-coronel em 1916 e de coronel em 1918.
Em 1919, regressa a Bragança, como comandante daquela região militar e governador civil do distrito, assumindo estas funções por duas vezes num curto espaço de tempo. No primeiro mandato, tomou posse do lugar “como alto-comissário do Governo neste distrito”, a 21 de fevereiro de 1919, tendo sido nomeado por decreto de 29 de janeiro anterior. A justificação para este interregno entre a data de nomeação e a data de posse encontra-se no facto de, na altura, a cidade de Bragança estar ocupada pelo movimento insurrecional monárquico, que só retirou para Espanha a 19 de fevereiro.
Um dia antes de tomar posse, a 20 de fevereiro, tinha sido nomeado um outro governador civil, Germano Roque dos Santos, mas essa nomeação seria anulada oito dias depois pelo ministro do Interior, uma vez que este militar, regressado das campanhas da Primeira Guerra Mundial, era contrário aos ideais republicanos, razão pela qual houve fortes protestos no distrito contra a sua nomeação, levando mesmo o administrador do concelho de Moncorvo a demitir-se. Face a tais protestos, Roque dos Santos não chegou a tomar posse do cargo de governador civil, continuando Desidério Beça no desempenho do cargo até ser exonerado a 13 de março.
Todavia, menos de um mês depois, a 4 de abril de 1919, era de novo nomeado para as mesmas funções, que exerceu até 6 de junho seguinte, saindo para tomar assento no Senado da República, para o qual fora eleito pelo círculo de Vila Real, nas listas do Partido Democrático.
No Senado, fez parte das comissões de Instrução, Guerra e Higiene e Assistência e foi vogal do Instituto de Seguros Sociais. Interveio numerosas vezes a respeito destas matérias, mas não deixou de pugnar pelos interesses de Trás-os-Montes, província que “fica lá muito longe, e por isso tem sido sistematicamente esquecida”. Chamou a atenção de diversos ministros para o atraso da viação na província e a necessidade de dar continuidade às obras rodoviárias e ferroviárias, nomeadamente as linhas do Corgo e Sabor e a ponte sobre o Tua na estrada de Alijó a Carrazeda. Relembrando os acontecimentos da Monarquia do Norte, falou sobre a necessidade de Bragança ter divisões de artilharia e cavalaria que, juntamente com Infantaria 10, constituíssem um comando militar independente.
Discursou sobre variadíssimos temas ligados aos interesses trasmontanos, como a falta de veterinários e engenheiros agrónomos no distrito de Bragança; o proveito de desenvolver a indústria sericícola na região; a necessidade de se proceder à arborização no distrito; o problema da emigração que, quando governador civil, conhecera de perto; o potencial turístico de Trás-os-Montes; e a urgência de combater as epidemias que grassavam em Vila Real.
Foi um colaborador entusiasta na realização do 1.º Congresso Trasmontano, que teve lugar em Vila Real, em setembro de 1920, vindo a falecer precisamente no decurso do Congresso, contava apenas 51 anos. Seria, contudo, na sua amada Bragança que seria sepultado. Dele diria Lobo Alves, no momento em que o substituía no Senado após a sua morte, ser “um português do mais fino quilate, um patriota dos de melhor têmpera e um trasmontano que sempre cuidou da prosperidade da sua província”.
O seu nome encontra-se inscrito na toponímia das cidades onde mais tempo viveu: em Bragança, numa rua da freguesia da Sé; e em Lisboa, na sequência de uma proposta da Câmara da capital, aprovada em 1933, para a atribuição de nomes de “prestigiosos mutualistas”, como Brás Pacheco e Costa Godolfim, a um conjunto de ruas na zona do Arco do Cego.

Desidério Beça e o Governo Civil de Bragança no rescaldo da Monarquia do Norte (1919)

Aos dois dias do mês de março nesta cidade de Bragança e edifício do Governo Civil compareceram, além do Exmo. governador civil, coronel Desidério Augusto de Madureira Beça, e os secretários-gerais, Dr. Henrique Augusto Rodrigues Paz Júnior e Antero Artur Lopes Navarro, os seguintes cidadãos:
D. João de Almada, administrador do concelho; Dr. Francisco Martins Morgado, major-médico; padre António Augusto Teixeira, capitão-capelão; Miguel Bernardo Rodrigues da Costa, secretário da administração deste concelho; Dr. Carlos Alberto Teixeira Direito, notário; António Bastos Pereira, pagador de Obras Públicas; Acácio Mariano, farmacêutico; Dr. Eduardo Ernesto de Faria, professor do Liceu e advogado; Adrião Martins Amado, reitor do Liceu; Olímpio Artur de Oliveira Dias, diretor da Escola de Ensino Normal; António Augusto Pires, professor do Liceu; Augusto Ladeiro, inspetor escolar; capitão António José Teixeira; Álvaro Carneiro, Augusto César Moreno e Francisco do Patrocínio Felgueiras, professores da Escola de Ensino Normal; Domingos Bernardo Vinhas, regente e professor da Escola Central primária do sexo masculino; Aníbal Augusto Teixeira, correspondente do Primeiro de Janeiro; Aníbal Montanha, correspondente do Século; Marcolino Videira, negociante; Joaquim Pinto, empregado público; Augusto César Matos, Candeias Duarte e Arcádio Fernandes, estudantes.
Constituída a Mesa pelo Exmo. governador civil e secretários-gerais, por aquele magistrado foi dito que convocara aquela reunião de representantes de todos os partidos políticos republicanos, da instrução, comércio, indústria e academia para se assentar nos melhores processos de fazer uma propaganda eficaz e imediata da República em todas as povoações, ainda as mais remotas do concelho, pondo em destaque todos os crimes praticados pela horda monárquica, e eleger uma comissão política que auxiliasse o Sr. governador civil na escolha de bons republicanos para o desempenho de funções e cargos administrativos, em harmonia com o determinado na circular do Ministério do Interior n.º 126, recebida neste Governo Civil no dia 20 do mês de fevereiro último.
E, passando-se a fazer a eleição da mencionada comissão de consulta política e também de propaganda, verificou-se que ficou constituída pelos seguintes cidadãos: Dr. Francisco Morgado, António Bastos Pereira, Dr. Eduardo Ernesto de Faria, capelão António Augusto Teixeira, José Montanha, tendo sido agregado à comissão, mas somente com intervenção em assuntos de propaganda, o académico Augusto César de Matos.
Encerrada a discussão sobre a matéria de reunião, a assembleia deliberou por unanimidade que ficaria a cargo da dita comissão: 
1.º Dirigir a publicação de uma folha de propaganda republicana, salientando o procedimento brutal e feroz dos revoltosos, em linguagem chã e simples, de modo que seja facilmente compreendida pelo povo das nossas aldeias.
2.º Informar o governador civil da idoneidade dos cidadãos indicados para desempenhar funções administrativas.
3.º Organizar a propaganda nas escolas e em quaisquer reuniões públicas.
Outrossim foi deliberado por aclamação:
a) dar um voto de plena confiança ao Sr. administrador do concelho pela sua ação enérgica e justa e obra republicana que tem levado a efeito.
b) oficiar a todas as câmaras municipais do distrito, convidando-as a enviar representantes ao Porto por ocasião da comemoração do glorioso aniversário do dia 31 de Janeiro.
Pelo Sr. inspetor escolar foi ainda informada a assembleia de que já marcara a 1.ª conferência de propaganda republicana para o próximo dia 6, no salão da escola central primária do sexo masculino.
E, não havendo mais nada a tratar, foi encerrada a sessão por entre entusiásticos aplausos à Pátria, à República, ao Sr. governador civil, administrador do concelho, etc.

E para constar se lavrou a presente ata, que vai ser assinada pelo Sr. governador civil e mais pessoas presentes, depois de subscrita por mim, Henrique Augusto Rodrigues Paz Júnior, que a fiz escrever e assino = Desidério Augusto Ferro de Beça, coronel.

Fonte: Boletim Republicano do Distrito de Bragança, ano 1.º, n.º 1, 26.3.1919.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Histórico Militar, processo individual de Desidério Augusto Ferro de Beça.
Boletim Republicano do Distrito de Bragança, ano 1.º, n.º 1, 26.3.1919.
Traz-os-Montes. Órgão Regionalista da Província, 1.10.1925.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII e X. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
MARQUES, A. H. de Oliveira (coord.). 2000. Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910-1926). Lisboa: Assembleia da República.
PEREIRA, Hugo da Silva. 2014. Os Beças, João da Cruz e Costa Serrão – protagonistas da Linha de Bragança.
Projeto Foz Tua. Disponível em https://issuu.com/foztua/docs/protagonistas_final_1ba46cbc52dc4f.

Publicação da C.M. Bragança

TRATA-SE DO ANTIGO HOTEL “MIRA-TUA” QUE SOFREU OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO E DISPONIBILIZA 62 CAMAS. INVESTIMENTO RONDA OS 2 MILHÕES DE EUROS.

 Aproveitando o facto de estar a acontecer, esta quarta-feira, em Bragança, a reunião do Conselho de Ministros, a direção da Universidade Politécnica de Bragança (UPB) em articulação com o Governo, agendou, para o final da tarde de hoje, a inauguraçao oficial da nova residência para alunos da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela (EsACT), da UPB, presidida pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.


Trata-se de um antigo hotel (Mira-Tua), encerrado, em 2013, que foi adquirido, em dezembro de 2023, pelo então Instituto Poltécnico de Bragança, por um milhão e cem mil euros, e que foi sujeito a obras de requalificação para ser transformado numa residência para estudantes com capacidade para 62 camas. O investimento total foi de 1,9 milhões de euros.

Entretanto, continuam a decorrer as obras de construção de uma outra residência, junto ao campus da EsACT, num terreno que foi cedido pelo Município de Mirandela, (avaliado em 160 mil euros), e que terá capacidade para mais 120 camas, fruto de um investimento de 3,7 milhões de euros. Deve abrir portas no início de 2027. Ambos os investimentos tiveram o financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência.

A EsACT começou como polo do IPB, em 1995, com 70 alunos, utilizando instalações provisórias, cedidas pela autarquia. Em 2016, passou a ter instalações próprias. Atualmente, tem perto de 2000 alunos.

Artigo escrito por Fernando Pires 
(jornalista)

Dois bombeiros de Mirandela confirmam em tribunal que devolução de dinheiro era prática comum

 Dois bombeiros da corporação de Mirandela confirmaram, esta terça-feira, em tribunal, que devolviam parte do montante que recebiam por integrarem, nos meses de verão, as equipas do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), revela a edição online do Jornal de Notícias (JN).


Afirmaram ainda que a devolução de cinco euros por dia era uma prática aceite pelos operacionais, porque lhes era dito que esse dinheiro servia para “fazer melhoramentos no quartel” ou para pagar água e luz, acrescenta o JN. O atual comandante da corporação, Luís Soares, negou a prática de qualquer crime.

As declarações foram feitas no início do julgamento, no tribunal de Bragança, em que o ex-comandante dos Bombeiros de Mirandela, Edgar Trigo, o seu então adjunto e atual comandante, Luís Soares, bem como a própria Associação dos Bombeiros, estão acusados dos crimes de peculato, abuso de poder e falsificação de documentos.

Segundo um dos bombeiros, citado pelo JN, cada um dos cinco elementos das equipas do DECIF recebia 45 euros por dia, mas, no final do mês, todos devolviam cinco euros desse montante, sendo-lhes passado um recibo de “donativo”. As devoluções, explicou, eram feitas por transferência bancária das contas pessoais para a da associação, revela o Jornal de Noticias.

No depoimento prestado em tribunal, o JN adianta também que outro operacional confirmou que a indicação para devolver a verba lhe foi transmitida pelo então presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Mirandela, Marcelo Lago, que faleceu em 2024.

O atual comandante dos bombeiros mirandelenses, Luís Soares, negou qualquer crime. Aos juízes, explicou que, à data dos factos que estão a ser julgados, era adjunto de comando e não tinha responsabilidades relacionadas com o funcionamento das equipas de DECIF. Garantiu também que “não tinha acesso às contas bancárias, nem aos mapas de pagamento”, frisando que as questões financeiras são tratadas pela direção da associação humanitária, refere o JN online.

Ainda segundo o mesmo jornal, Luís Soares sublinhou que os mesmos mapas eram enviados para o comando operacional distrital de Bragança, entretanto extinto, que depois transmitia os dados à Autoridade Nacional de Proteção Civil, responsável pelos pagamentos.

O Ministério Público entende que, entre 2014 e 2017, os dois comandantes, em conluio com Marcelo Lago, “obtiveram, em benefício da associação, verbas monetárias pagas pela Autoridade Nacional da Proteção Civil, a título de subsídios de DECIF, em montantes superiores àqueles que efetivamente eram devidos e que foram por aquela associação apropriados”.

Nos quatro anos em análise, a associação dos Bombeiros de Mirandela terá recebido “indevidamente” 121.524,99 euros, refere a acusação.

Pelo que pede a condenação solidária dos arguidos a pagar ao Estado esse montante, por entender que que “corresponde ao valor da vantagem obtida”.

Este julgamento promete ser moroso, dado o elevado número de testemunhas que estão arroladas, perto de uma centena, a maioria são bombeiros da corporação de Mirandela. Até ao final do ano, estão agendadas mais cinco sessões.

Ao longo destes anos, foram constituídos e interrogados como arguidos cerca de meia centena de bombeiros, mas por “falta de indícios quanto à responsabilidade criminal dos bombeiros que figuraram nas escalas dos anos de 2014 a 2017”, o MP decidiu-se pelo arquivamento da parte do inquérito que lhes dizia respeito.

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito por Rádio Terra Quente)

Convívio de Pesca das Vindimas realiza-se na Albufeira do Azibo

 A Albufeira do Azibo recebe, no dia 13 de setembro, mais uma edição do Convívio de Pesca das Vindimas, promovido pelo Clube de Caça e Pesca de Macedo de Cavaleiros.


A iniciativa reúne pescadores e interessados na modalidade, num dia que inclui um momento de pesca gratuito e um almoço-convívio.

O encontro está marcado para as 09h00 de domingo, na terceira praia da Albufeira do Azibo.

O convívio inclui ainda vários prémios e lembranças para os melhores classificados, para o melhor sócio e para o participante mais jovem.

Filipe Ventura Alves

Mirandela será a primeira cidade “Stay Cool” de Trás-os-Montes

 Mirandela será o primeiro concelho das Terras de Trás-os-Montes a aderir à Rede de Refúgios Climáticos denominado “Stay Cool”, uma iniciativa do Turismo de Portugal criada para proteger residentes e turistas durante os picos de calor extremo.


A medida foca-se no interior norte do país, uma região historicamente fustigada por temperaturas elevadas no verão.

O presidente da câmara de Mirandela, Vítor Correia, justifica a candidatura:

“Nós já integramos uma rede de refúgios climáticos denominada Stay Cool. Em Mirandela, faz todo o sentido, tendo em conta que estamos perante um concelho com um clima, sobretudo no verão, muito quente e acentuado, com riscos extremos.

Durante o ano, temos uma amplitude térmica na ordem dos 50 graus e, por isso, temos que tomar algumas medidas para criar conforto térmico às pessoas, particularmente àquelas que nos visitam, e também aos nossos habitantes que estão por cá.”

Para responder a este desafio, o município identificou cinco espaços que vão funcionar como abrigos temporários com sombra, frescura e áreas de descanso.

“A Estação das Artes, a Ecoteca de Mirandela, o Parque da Ribeira de Carvalhais, o Parque do Império e o Pinhal junto à Escola Secundária Luciano Cordeiro são os locais escolhidos para a intervenção”, avança o presidente da câmara Victor Correia.

Os fundos serão aplicados na qualificação destes cinco locais através do reforço da vegetação, instalação de bebedouros, melhoria do conforto térmico e colocação de sinalização própria, garantindo espaços seguros para os grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.

Com a integração nesta rede, Mirandela avança com a candidatura ao programa “Crescer com o Turismo”. O aviso dispõe de um milhão de euros a nível nacional, com financiamento a fundo perdido que pode chegar aos 80% até a um máximo de 75 mil euros por candidatura.

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito e fotografia por Rádio Terra Quente)

Ministros reunidos em Bragança para elevar IPB a Universidade

 O Conselho de Ministros está reunido ao longo da manhã desta quarta-feira, em Bragança, numa deslocação que a presidente da Câmara, Isabel Ferreira, considera uma oportunidade para apresentar ao Governo as principais necessidades do concelho e do distrito.


A autarca defendeu a importância de os membros do Governo se deslocarem aos territórios, independentemente dos ciclos políticos, para conhecerem diretamente os seus problemas e ouvirem as populações.

“É muito importante que os governos venham ao território perceber quais são as necessidades. Aconteceu em 2020, com um Governo diferente, e acontece seis anos depois. Para Bragança é sempre positivo que os membros do Governo venham ouvir a população”, afirmou Isabel Ferreira.

A presidente da Câmara pretende aproveitar a presença do executivo para reivindicar apoio para investimentos considerados estruturantes na estratégia de desenvolvimento do concelho. Entre as prioridades estão a consolidação da Universidade Politécnica de Bragança, a expansão do Brigantia EcoPark, a reabilitação do parque escolar e a concretização da ligação rodoviária entre Bragança e Puebla de Sanabria, em Espanha.

Isabel Ferreira classificou a transformação do Instituto Politécnico em Universidade Politécnica de Bragança como “um passo muito importante”, pelo qual o território lutava há vários anos, embora tenha criticado a demora na decisão.

“Não foi no tempo certo, na minha opinião. Houve um impasse desnecessário. Os critérios académicos e científicos justificavam que tivesse acontecido ao mesmo tempo que no Porto e em Leiria, mas o que interessa é o resultado final e o impacto que terá em Bragança”, declarou.

A autarca sustentou que a estratégia de afirmação de Bragança como um território inovador necessita do apoio da administração central, tanto na área do ensino superior como na criação de condições para a instalação e crescimento de empresas.

No domínio da educação, Isabel Ferreira quer garantias de que serão disponibilizadas as verbas previstas no processo de transferência de competências para permitir a reabilitação das escolas do concelho.

Outra das reivindicações é o financiamento da ligação entre Bragança e Puebla de Sanabria, considerada fundamental para melhorar as acessibilidades transfronteiriças e aproximar a cidade da rede ferroviária espanhola de alta velocidade.

A presidente da Câmara convidou também os restantes autarcas do distrito de Bragança para participarem no almoço com membros do Governo, procurando alargar a apresentação de preocupações e projetos à escala distrital.

“A coesão territorial também começa assim, desde logo dentro do distrito de Bragança”, sublinhou.

A realização do Conselho de Ministros motivou a convocação de um buzinão contra o aumento e o peso dos combustíveis nos custos suportados pelos agricultores, empresas e famílias do Interior. A concentração, realizada junto ao local da reunião governamental, teve, contudo, uma adesão reduzida, juntando apenas um camião, um trator e uma carrinha.

António G. Rodrigues

terça-feira, 8 de setembro de 2026

PROJETO DE SAÚDE MENTAL ABRANGEU 280 JOVENS EM TRÊS MUNICÍPIOS TRANSMONTANOS

 O projeto (Des)Construir, (Re)Pensar, (Re)Educar (DRR) inicia uma nova etapa com o arranque do ano letivo, depois de ter envolvido, no primeiro ano de implementação, 280 jovens de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé.


Promovido pela União das Mutualidades Portuguesas, o projeto é dirigido a crianças e jovens entre os 10 e os 19 anos e aposta na promoção da saúde mental e no desenvolvimento de competências socioemocionais através de estratégias preventivas, participativas e artísticas.

No primeiro ano, a intervenção abrangeu 20 turmas dos 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário, trabalhando áreas como a autoestima, a gestão emocional, o bem-estar psicológico e as relações interpessoais.

O projeto manteve também atividades durante o verão, nomeadamente em Alfândega da Fé, e prepara agora a continuidade da intervenção no ano letivo de 2026/2027.

O DRR é cofinanciado pela União Europeia, através do Norte 2030 e Portugal 2030, contando ainda com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e de várias entidades parceiras dos três municípios.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

COMUNICADO

 Criadores de gado do Planalto Mirandês manifestam-se contra o Governo devido a ataques de lobos, mas o alvo foi a Palombar


Um grupo de mais de 50 pessoas ligadas ao setor agropecuário organizou uma manifestação contra o Governo devido aos ataques de lobos ao gado no Planalto Mirandês, durante a tradicional Feira do Naso, que decorreu na aldeia da Póvoa, em Miranda do Douro, no passado domingo dia 6 de setembro. 

Apesar de ter sido anunciado publicamente pelos organizadores que a manifestação, que consideramos legítima e compreendemos, era dirigida ao Governo, na prática (e injustamente), o alvo foi a Palombar.

🟠 A nossa equipa, que esteve presente na feira, foi literalmente cercada pelos manifestantes, que lhe dirigiram injúrias, ameaças explícitas de agressões e perseguição, bem como acusações infundadas, cobranças e exigências de aplicação de medidas que não nos competem. Estas foram proferidas por vários manifestantes em voz alta e tom agressivo.

🟢 A Palombar tem raízes no território e desenvolve há 26 anos um trabalho reconhecido e premiado em prol da valorização e dinamização da região e sempre defendeu as comunidades locais, incluindo os criadores de gado, fazendo do diálogo e da compreensão as suas palavras-de-ordem.

🤝 Somos aliados, não inimigos.

▪️Quando se exige à Palombar o que não lhe compete 

▪️Palombar defendeu criadores de gado no Parlamento e em cartas coletivas enviadas ao ICNF

▪️Temos atuado em todas as frentes, naquilo que são as nossas competências e até ao momento com os nossos próprios meios, para apoiar o setor agropecuário e promover a coexistência

▪️A ameaça como método e o ódio como tática não geram soluções, apenas problemas

▪️Disseminar boatos e mitos como o da solta de lobos (que nunca existiu) e da apropriação indevida de dinheiros públicos (que nunca houve), só gera desentendimento, desinformação e revolta por parte do setor, não soluções

▪️Pedimos respeito institucional e moderação na abordagem aos diversos atores 

▪️A solução para problemas coletivos só a vamos encontrar mais fácil e eficazmente em conjunto, por via da entreajuda, da partilha de conhecimento, experiências e boas práticas 

📰 Leia o COMUNICADO COMPLETO AQUI.


Festas, Festividades e Eventos

Agricultores preparam buzinão no conselho de Ministros esta quarta-feira.

Miranda do Douro: Concurso premeia criadores pelo cuidado e preservação do Burro de Miranda

 O recinto do Santuário do Naso, em Miranda do Douro, foi o palco do 7º Concurso da raça Asinina de Miranda, que contou com a participação de uma centena de burros, de criadores de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro, os quais foram premiados pelo trabalho no cuidado e preservação desta raça autóctone da Terra de Miranda.


O concurso realizou-se no Domingo, dia 6 de setembro, tendo participado meia centena de criadores dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso, considerada a área geográfica do solar da raça asinina de Miranda.

No certame, o vice-presidente do Município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, lembrou que o burro de Miranda esteve quase em extinção e sublinhou a importância do concurso para incentivar a sua preservação e promoção, ao proporcionar o contato entre criadores e o público.

“Todos os anos, ao coorganizar o concurso da raça asinina de Miranda, o Município de Miranda do Douro pretende incentivar a preservação, promoção e valorização destes animais, que são outra marca distintiva e emblemática da Terra de Miranda. Felizmente, hoje, já há muitos exemplares da raça asinina de Miranda, pelo que a sua preservação está assegurada. Neste encontro anual, a par do contato entre os animais, os criadores e o público, destaco o convívio que se estabelece entre todos”, disse o autarca de Miranda do Douro.

De visita a Miranda do Douro, o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte), Paulo Ramalho, elogiou o trabalho do Município, da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA) e dos criadores.

“O trabalho destas associaçóes é muito importante para a preservação e promoção das raças autóctones, como é o burro de Miranda. Esta raça é um valioso património genético, cultural e identitário desta região. O burro é um embaixador da Terra de Miranda! Por outro lado, o trabalho dos criadores/agricultores é de suma importância no cuidado dos campos, na prevenção de incêndios e no povoamento das nossas aldeias”, disse.


Por sua vez, o secretário técnico da raça asinina de Miranda, Miguel Nóvoa, informou que o concurso deste ano, também contou com a visita de outros criadores provenientes de regiões como Braga, Porto, Aveiro, Celorico da Beira, Guarda e Santarém.

“Neste momento, há 770 fêmeas reprodutoras em todo o país. A nossa missão é trabalhar com os criadores para que o planalto mirandês continue a ser a região por excelência desta raça autóctone, que é o burro de Miranda. Ao mesmo tempo, apreciamos e incentivamos a exportação do burro de Miranda para outras regiões do país e do estrangeiro”, disse Miguel Nóvoa.

A 6 de setembro, o concurso da raça asinina de Miranda iniciou-se com a avaliação morfológica dos animais e a sessão de esclarecimento aos criadores sobre medidas de apoio e pastoreio extensivo.


No dia seguinte, o concurso, incluiu um almoço convívio dos criadores da raça asinina de Miranda e a atuação das Pauliteiras de Miranda/Malhadas. À tarde, houve a entrega de prémios, com destaque para os prémios aos melhores burros de Miranda, melhor criador e melhor exploração, a nível concelhio e nacional.

O prémio de melhor criador foi atribuído a Alexandre Pires, um jovem, com formação em gerontologia social, que utiliza os burros em sessões lúdicas e terapêuticas, com pessoas.

“Este prémio é um reconhecimento do trabalho que estou a realizar para dar uma nova função ou utilidade aos burros de Miranda. Antigamente, os burros foram muito importantes para a agricultura, mas com o surgimento das máquinas estes animais ficaram desempregados. Atualmente, quero agradecer a estes animais o enorme esforço físico que realizaram no passado, dando-lhes uma atividade nobre, como é a relação com as pesssoas”, disse.


Na exploração em Águeda, Alexandre Pires, tem 12 burros de Miranda, que proporcionam sessões lúdicas e terapêuticas destinadas a crianças, jovens, adultos e idosos.

“O burro de Miranda é uma animal dócil e calmo, o que propicia uma interação afetuosa com as pessoas”, disse o jovem criador.

A 5 de setembro, realizou-se em Miranda do Douro, o 4º Encontro Ibérico de Raças Autóctones, integrado nas comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, proclamado pelas Nações Unidas para 2026. No encontro analisou-se o importante papel do pastoreio extensivo e das raças autóctones na gestão sustentável do território e na redução da carga combustível.

Na Terra de Miranda, ao longo do ano, o público pode conhecer de perto estes animais, no Centro de Valorização do Burro de Miranda, em Atenor e no Centro de Atividades Lúdico Pedagógicas, integrado no PINTA, em São Joanico (Vimioso).

“Às terças-feiras, quintas-feiras e sábados está aberto o Centro de Valorização do Burro de Miranda, em Atenor. E nas quartas-feiras, sexta-feiras e alguns sábados, está em funcionamento o Centro de Atividades Lúdico Pedagógicas, em São Joanico (Vimioso). No verão, estamos abertos todos os fins-de-semana para responder à maior afluência de público à região. Durante o ano, também estamos recetivos à marcação de visitas através do email da AEPGA”, informam.


HA


JOVENS VOLUNTÁRIOS AJUDAM A MAPEAR A BIODIVERSIDADE DO VALE DO TUA

 Jovens voluntários estão a contribuir para o levantamento da biodiversidade do Vale do Tua através do registo de espécies de fauna e flora com recurso ao telemóvel.


A iniciativa decorreu no âmbito do programa MIRANDELA +TUA, integrado no Voluntariado Jovem pela Natureza e Florestas 2026, promovido pelo Município de Mirandela, com apoio do IPDJ, em parceria com o Parque Natural Regional do Vale do Tua e a BIOPOLIS-Cibio.

Durante o verão, os diferentes grupos percorreram o trilho da Ecoteca de Mirandela e registaram as espécies encontradas na plataforma BioDiversity4All, contribuindo para o conhecimento do património natural da região.

A atividade juntou juventude, tecnologia e ciência cidadã, incentivando a descoberta da biodiversidade local e a sua preservação.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

CARRAZEDA DE ANSIÃES APOSTA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA

 O CITICA, em Carrazeda de Ansiães, acolhe esta terça-feira uma formação intensiva em Programação Neurolinguística (PNL) aplicada à Educação, dirigida aos docentes do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães.


A formação é conduzida pelo orador Adelino Cunha e centra-se na utilização de ferramentas práticas para melhorar a comunicação, a motivação e o desempenho dos profissionais de educação.

A iniciativa pretende ainda capacitar os professores para lidar com comportamentos mais desafiantes em contexto escolar e promover nos alunos condições mais favoráveis à aprendizagem.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

Dia Mundial da Fisioterapia assinalado na ULS Nordeste com ações de sensibilização

 O Dia Mundial da Fisioterapia assinala-se hoje e a data vai ser comemorada na Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULS Nordeste), nas três unidades hospitalares e nos centros de saúde, através da iniciativa “World PT Day”.


A ação é promovida pela Ordem dos Fisioterapeutas e pela World Physiotherapy, em parceria com a ULS Nordeste e a Universidade Politécnica de Bragança (UPB).

Durante a manhã, entre as 08h30 e as 12h30, fisioterapeutas do Serviço de Medicina Física e Reabilitação vão desenvolver ações de sensibilização no Centro de Saúde e no Hospital de Macedo de Cavaleiros, no âmbito do tema deste ano, dedicado ao papel da fisioterapia e da atividade física na prevenção, gestão e reabilitação da doença cardiovascular e do acidente vascular cerebral (AVC). Em alguns centros de saúde, a iniciativa prolonga-se também durante a tarde.

A coordenadora dos técnicos do Serviço de Fisioterapia da ULS Nordeste, Ana Rodrigues, explica que vão ser realizadas várias avaliações, com o objetivo de sensibilizar a população para a importância da prática regular de atividade física e para o papel da fisioterapia na promoção da saúde e na prevenção da doença:

“Iremos realizar, em todas as unidades, uma avaliação dos níveis de atividade física e do comportamento sedentário, através de um questionário. Também vamos aplicar uma escala, que é o sit to stand. É uma coisa simples, que nos permite avaliar a aptidão funcional dos membros inferiores. Recordo que os fisioterapeutas da ULS Nordeste estão ao lado das pessoas em todas as etapas da vida, promovendo a saúde, prevenindo as doenças e ajudando cada cidadão a viver com mais autonomia e qualidade de vida.”

No Hospital de Macedo de Cavaleiros, os profissionais vão estar em dois locais distintos para facilitar o acompanhamento de quem quiser participar, explica a fisioterapeuta:

“Nós estamos a organizar esta ação da melhor forma. Por exemplo, aqui em Macedo, queremos ter pelo menos uma pessoa na entrada principal e outra na entrada do nosso serviço, que se situa depois de passar a urgência, por baixo. Em Bragança também estaremos no edifício central e depois no nosso serviço, que fica ao lado da Psiquiatria.”

O Serviço de Medicina Física e Reabilitação está também a ser reforçado com a recente abertura do polo 2, em Mirandela. O objetivo é alargar a capacidade de resposta, sobretudo ao nível da intervenção comunitária, e desenvolver programas de atividade física, saúde ocupacional e ergonomia no trabalho, acrescenta Ana Rodrigues:

“Vamos iniciar o projeto de ginástica laboral em todas as unidades de saúde da ULS Nordeste. Depois, também a prevenção de quedas, a reabilitação cardiovascular e respiratória, bem como outros projetos dirigidos às pessoas com doenças crónicas. Temos um programa, que é o SPLIT, que é um tratamento para as lombalgias. Fazemos uma avaliação estratificada das lombalgias, que vai diminuir muito as queixas ou a quantidade de dor. Também temos intervenção junto da população idosa e das crianças. Nas crianças, acompanhamos casos com disfunções, mas também intervimos na comunidade através da saúde escolar.”

Neste sentido, Ana Rodrigues salienta que a prevenção continua a ser fundamental para reduzir o risco de doença, sobretudo das patologias cardiovasculares, que representam cerca de 35% das causas de morte em Portugal.

“Naturalmente, continuamos a tratar pessoas após traumatismos, fraturas ou cirurgias, mas uma parte muito importante do nosso trabalho acontece antes de a doença ou a incapacidade surgir. Devemos ser mais proativos do que reativos. Muitas vezes acontecem primeiro os problemas e depois é que reagimos. Promovemos estilos de vida ativos, prevenimos complicações associadas às doenças crónicas, ajudamos a reduzir o risco de hospitalizações e reinternamentos. É muito importante diminuir os dias de internamento e contribuir para um percurso de vida mais saudável, com mais autoestima, autoconfiança e também mais felicidade. Cada vez mais, a fisioterapia assume um papel determinante na promoção da saúde pública.”

O tema do Dia Mundial da Fisioterapia deste ano centra-se no papel da fisioterapia e da atividade física na prevenção, gestão e reabilitação da doença cardiovascular e do acidente vascular cerebral.

O Dia Mundial da Fisioterapia assinala-se anualmente a 8 de setembro, desde 1996, e celebra a fundação, em 1951, da atual World Physiotherapy.

Todas as atividades são gratuitas.

Maria João Canadas