Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Na 𝗡𝗼𝗶𝘁𝗲 𝗘𝘂𝗿𝗼𝗽𝗲𝗶𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂𝘀, o CNE Agrupamento XVIII - Bragança vai procurar 𝗕𝗶𝗰𝗵𝗼𝘀 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝗻𝗵𝗼̃𝗲𝘀 𝗲 𝗯𝗶𝘇𝗮𝗿𝗿𝗼𝘀 à luz da lanterna no Museu do Abade de Baçal.

MIRANDA DO DOURO RECEBE II JORNADAS DA USF D’OURO SAÚDE DEDICADAS À PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR

 O Miniauditório de Miranda do Douro recebe, no próximo dia 25 de maio, as II Jornadas da USF D’Ouro Saúde, uma iniciativa centrada na promoção da saúde cardiovascular e na sensibilização da comunidade para a adoção de estilos de vida saudáveis.


O evento pretende aproximar profissionais de saúde e população em geral, promovendo uma abordagem prática e interativa sobre prevenção cardiovascular, considerada um dos principais desafios de saúde da região.

Ao longo da tarde serão dinamizadas várias atividades dedicadas à alimentação saudável, prática de exercício físico e adoção de hábitos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e redução do risco de doença cardiovascular.

Entre os destaques do programa estão sessões conduzidas por nutricionistas, focadas em estratégias alimentares simples e equilibradas, bem como atividades físicas adaptadas orientadas por especialistas, incentivando a integração de mais movimento no quotidiano.

As jornadas incluem ainda momentos de partilha de informação e aconselhamento sobre prevenção, autonomia e envelhecimento saudável, procurando dotar os participantes de ferramentas práticas para cuidar da saúde cardiovascular no dia a dia.

Com esta iniciativa, a USF D’Ouro Saúde reforça a aposta na promoção da literacia em saúde e na proximidade à comunidade, incentivando hábitos preventivos e estilos de vida mais saudáveis.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

TRÁS-OS-MONTES EM DESTAQUE NA CAPITAL COM MASTERCLASSES DE VINHOS

 A região de Trás-os-Montes vai estar em evidência na área metropolitana de Lisboa através do programa “Eu Provo Trás-os-Montes”, que no próximo dia 30 de maio promove três masterclasses dedicadas aos vinhos transmontanos.


A iniciativa terá lugar no Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras, e pretende dar a conhecer a identidade vínica da região a um público mais amplo, levando os sabores e características do território até à capital.

Ao longo da tarde serão realizadas três sessões temáticas, centradas em diferentes dimensões do património vitivinícola transmontano: a influência da altitude e das sub-regiões, a história das vinhas velhas e dos lagares rupestres, e a importância das castas autóctones enquanto “ADN” dos vinhos da região.

As sessões têm início às 16h00 e prolongam-se até às 19h00, proporcionando uma abordagem pedagógica e sensorial que combina conhecimento técnico com prova de vinhos.

A participação está limitada a inscrições prévias, sendo cada masterclass de acesso pago, num valor simbólico de 5 euros.

A iniciativa reforça a promoção dos vinhos de Trás-os-Montes fora da região de origem, valorizando o enoturismo e a projeção dos produtores transmontanos junto de novos públicos.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

FREIXO DE ESPADA À CINTA E IBERDROLA ABREM CAMINHO A COOPERAÇÃO INSTITUCIONAL INÉDITA

 O Presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira, reuniu-se pela primeira vez com a empresa Iberdrola, num encontro considerado histórico no contexto das relações institucionais do concelho.


A reunião contou também com a presença do vice-presidente do município, Pedro Vicente, e da representação da empresa espanhola, composta por Ramón Delpuy, diretor da Cuenca das Barragens do Douro, e Luís Ángel Martín, responsável pelas operações na mesma área.

O encontro, realizado a 19 de maio, ocorre mais de sete décadas após a construção da Barragem de Saucelle, inaugurada em 1950, e marca o início de um possível processo de aproximação institucional entre o município e a empresa energética.

Segundo as partes envolvidas, a reunião constituiu um primeiro passo para a exploração de futuras formas de cooperação, incluindo a eventual celebração de protocolos e o desenvolvimento de projetos conjuntos com impacto no território.

A autarquia sublinha que esta abertura poderá vir a traduzir-se em benefícios para o concelho, através de iniciativas de colaboração estratégica que reforcem a ligação entre o município e a gestão das infraestruturas hidroelétricas na região.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

“PINGOS POÉTICOS” APRESENTADO NA FEIRA DO LIVRO 2026 EM FREIXO DE ESPADA À CINTA

 Decorreu no dia 19 de maio, na nave de exposições do Auditório Municipal de Freixo de Espada à Cinta, a apresentação da obra “Pingos Poéticos”, integrada na Feira do Livro 2026.


O livro é da autoria de Francisca Favas, pseudónimo literário de Aldina Massa, natural do concelho. Perante uma sala cheia, a escritora apresentou a sua mais recente publicação, uma coletânea poética marcada pela espontaneidade e pela liberdade criativa, onde se reúnem pensamentos, emoções e sentimentos sem uma estrutura temática fixa.

A autora descreveu a obra como um conjunto de fragmentos líricos resultantes de inspirações livres e intuitivas, que refletem diferentes estados emocionais e momentos de criação.

Durante a sessão, foi ainda transmitida uma mensagem do presidente da Câmara Municipal, Nuno Ferreira, que, por motivos de agenda, não pôde estar presente. Na comunicação, o autarca felicitou a autora e destacou a importância da obra no panorama cultural local, sublinhando o contributo de iniciativas literárias para a valorização da criação artística no concelho.

O evento incluiu momentos de leitura de excertos da obra, proporcionando ao público uma aproximação direta ao conteúdo do livro, e terminou com uma sessão de autógrafos marcada pela proximidade entre autora e leitores.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

DESFILE OLÍMPICO MARCA ENCONTRO INTERMUNICIPAL DE DESPORTO SÉNIOR EM MIRANDA DO DOURO

 Realizou-se na manhã de ontem, quarta-feira, 20 de maio, o Desfile Olímpico, uma das iniciativas integradas no Encontro Intermunicipal de Desporto Sénior de Miranda do Douro, que juntou diversos participantes num momento simbólico de celebração do desporto e da convivência.


Após a atividade, os participantes reuniram-se para um almoço partilhado, promovendo o convívio e o reforço dos laços entre todos os presentes, num ambiente de partilha e descontração.

Durante a tarde, o programa prossegue com momentos de animação musical e celebração, dando continuidade a um dia dedicado à atividade física, ao envelhecimento ativo e à socialização.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

FEIRA DA CEREJA ANIMA MASCARENHAS ENTRE 22 E 24 DE MAIO

 Mirandela, através da localidade de Mascarenhas, volta a acolher entre os dias 22 e 24 de maio mais uma edição da Feira da Cereja, iniciativa que celebra um dos produtos agrícolas mais emblemáticos da região e promove as tradições, a cultura e a economia local.


Ao longo dos três dias do evento, o programa integra atividades desportivas, momentos de convívio, jogos tradicionais, animação musical, arruadas e ações dedicadas à valorização da cereja, produto endógeno de forte relevância para a economia local.

Um dos pontos altos da edição será o passeio pedestre “À Procura da Cereja”, promovido pelo Município de Mirandela, agendado para domingo, 24 de maio, às 09h00. A atividade terá início no Largo da Junta de Freguesia e propõe uma experiência de contacto direto com a paisagem rural, os trilhos agrícolas e a identidade do território.

A componente musical assume também destaque, com atuações de Ruizinho do Acordeão, ChamaMusical, MM – Mário Madeira e DJ Rafa Santos, contribuindo para a dinamização do evento ao longo do fim de semana.

A Feira da Cereja é organizada pela Junta de Freguesia de Mascarenhas, com o apoio do Município de Mirandela e de várias entidades locais, reforçando a promoção dos produtos regionais e a valorização do território.

A iniciativa convida residentes e visitantes a participar num fim de semana dedicado à cereja, à cultura popular e ao convívio comunitário.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

XXIII FESTA DA AMIZADE REÚNE IDOSOS MIRANDESES EM DIA DE CONVÍVIO EM MIRANDA DO DOURO

 O Recinto de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa, em Miranda do Douro, recebe no próximo dia 10 de junho a XXIII Festa da Amizade – Encontro de Idosos Mirandeses, iniciativa que volta a juntar anualmente mais de mil participantes num dia dedicado ao convívio, à partilha e à celebração da população sénior.


O evento, promovido pelo Município de Miranda do Douro, integra um programa diversificado que inclui missa, almoço convívio, momentos musicais, atuações culturais e animação musical, proporcionando um ambiente de celebração e proximidade entre os participantes.

O programa tem início às 11h00 com a celebração da missa, seguindo-se, às 13h00, o almoço de confraternização. Durante a tarde, pelas 14h30, sobem ao palco o Coro da Universidade Sénior e a Associação Filarmónica de Mirandesa. A partir das 15h00, a animação continua com baile e música a cargo de DM Music, prolongando o espírito festivo até ao final da tarde.

As inscrições para participação decorrem até ao dia 29 de maio, podendo ser efetuadas nas Juntas de Freguesia, no Balcão Único da Câmara Municipal ou através do email cultura@cm-mdouro.pt.

A organização destaca que a iniciativa pretende reforçar os laços comunitários e promover o envelhecimento ativo, num encontro marcado pela amizade, alegria e convívio entre gerações.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

SEMINÁRIO “ISUPPORT – CUIDANDO DOS CUIDADORES” DECORREU EM TORRE DE MONCORVO

 O auditório da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo recebeu, no dia 20 de maio, o seminário “Isupport – Cuidando dos Cuidadores”, uma iniciativa promovida pela Unidade Local de Saúde do Nordeste, com o apoio do Município de Torre de Moncorvo.


A sessão teve como principal objetivo refletir sobre o papel dos cuidadores informais e profissionais, destacando a importância do seu bem-estar físico e emocional no acompanhamento diário de pessoas em situação de dependência.

Ao longo do seminário foram abordadas estratégias de apoio, capacitação e valorização dos cuidadores, num contexto em que o envelhecimento da população e o aumento das necessidades de apoio tornam esta temática cada vez mais relevante.

A iniciativa contou com a colaboração institucional do Município de Torre de Moncorvo, reforçando o compromisso local com a promoção da saúde, do apoio social e da formação na área dos cuidados.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

SANTULHÃO RECEBE 4.ª EDIÇÃO DA FEIRA DO AZEITE E DA OLIVEIRA NOS DIAS 30 E 31 DE MAIO

 A freguesia de Santulhão em Vimioso volta a ser palco da Feira do Azeite e da Oliveira Santulhana, que decorre nos dias 30 e 31 de maio de 2026, numa iniciativa dedicada à valorização de um dos principais produtos endógenos da região.


A 4.ª edição do certame pretende destacar a importância do azeite e da tradição olivícola no território, promovendo simultaneamente os produtores locais e o património agrícola associado a esta atividade.

Ao longo de dois dias, o evento contará com um programa diversificado que inclui concursos, palestras, workshops, animação musical, jogos tradicionais e momentos de gastronomia regional, proporcionando uma experiência de partilha entre visitantes e comunidade local.

A iniciativa assume-se como um espaço de promoção cultural e económica, reforçando a identidade da região e incentivando o consumo e valorização dos produtos locais.

A organização convida a população a participar e a celebrar o património olivícola de Santulhão, num ambiente de convívio, tradição e sabores típicos.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

VINHAIS ASSINALA FERIADO MUNICIPAL COM ASSINATURA DE PROTOCOLOS DE COLABORAÇÃO COM JUNTAS DE FREGUESIA

 O Feriado Municipal de Vinhais ficou marcado pela assinatura dos protocolos de colaboração entre a Câmara Municipal e as Juntas e Uniões de Freguesia do concelho, numa cerimónia realizada no Centro Cultural de Vinhais, pelas 17h00.


O momento institucional reuniu representantes autárquicos e destacou a importância do trabalho de proximidade desenvolvido pelas freguesias, consideradas a primeira linha de resposta às necessidades das populações.

Com a celebração destes protocolos, o Município reforça a aposta na descentralização de competências e no apoio financeiro e logístico às Juntas de Freguesia, procurando garantir maior capacidade de intervenção no terreno e uma resposta mais eficaz às comunidades locais.

A autarquia sublinha que este reforço de meios representa um investimento equilibrado no desenvolvimento do território, com o objetivo de promover melhores condições de vida em todas as freguesias do concelho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Entre Bragança e Puebla, uma promessa que (não) pode ficar pelo caminho

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Por estes dias, soube-se que a estrada de ligação entre Bragança e Puebla de Sanabria obteve a Declaração de Impacto Ambiental favorável, embora condicionada, mas perdeu o financiamento do PRR.

Tal informação deve ter deixado cada um de nós com um sentimento ambivalente: por um lado, parece estar a abrir-se uma porta, por outro, percebe-se que a chave passou para outras mãos.

Claro está que se lamenta profundamente esta última notícia, assim como os atrasos, os bloqueios e os desencontros processuais, bem como a incapacidade de fazer coincidir as necessidades do nosso território com as exigências administrativas e políticas, uma realidade que este executivo municipal herdou dos anteriores e pretende resolver.

Este é mais um exemplo, que se soma outros, de que vivemos demasiadas vezes sob o signo do “quase” e do “ainda não”: quase há estudos, quase há calendário, quase há parecer... mas ainda não há financiamento, ainda não há concurso e muito menos a obra foi concretizada.

A distância à Puebla de Sanábria, que não é tanto medida em quilómetros como no tempo, decorrente da via estreita, do piso sofrível, do traçado sinuoso e, de onde em onde, perigoso, mantém-se cristalizada. Já nem falo do que se apresenta do lado espanhol. Ainda no pretérito domingo, por força da necessidade de ir a Santiago de Compostela, em deslocação pela estrada atual, via Rio de Onor, mais uma vez me foi dado experienciar essa realidade.

Uma distância que poderia ser muito mais curta no tempo mas que, ao longo de décadas, se foi adiando pelo centralismo governativo, pelas hesitações políticas e outras decisões erráticas.

Numa Europa e num tempo em que se derrubaram as fronteiras de ordem geográfica, económica e até cultural e social, de que Rio de Onor já fora precursor, é preciso agora derrubar a fronteira do não compromisso político.

Esta estrada, reivindicada por razões óbvias, como aproximar e facilitar o acesso de Bragança à alta velocidade ferroviária, encurtar a ligação ao norte de Espanha, valorizar a relação com Castela e Leão e abre novas possibilidades para empresas, estudantes, turistas e instituições, é também decisiva para o nosso futuro a médio e longo prazo.

Refira-se que não se configura como uma reivindicação apenas local e que, nesse sentido, se deve apresentar como uma necessidade regional, uma exigência nacional e mesmo uma evidência ibérica.

Pensemos que os territórios melhor ligados beneficiam, de forma clara, com maior capacidade de atrair investimento e fixar população, projetando-se para além dos limites territoriais e procurando diferentes alternativas de desenvolvimento.

Por isso, aqui a questão não é tanto de chegar mais depressa, mas de proporcionar ligação a outros grandes eixos de mobilidade, a outras linhas de destino, diga-se mesmo a outros “corredores de futuro”, sendo um exemplo simbólico e estratégico de um instrumento de justiça territorial.

Como se disse anteriormente, o desenvolvimento de Bragança não se constrói com advérbios de aproximação mas com contratos e execução.

Neste sentido, a palavra dada, em Bragança, pelo Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, de que esta obra não deixaria de se fazer por causa dos atrasos e que seriam encontradas outras fontes de financiamento, tem, por isso, de valer mais do que uma frase de circunstância. O compromisso político não pode ficar suspenso entre o entusiasmo de campanha e o esquecimento governativo. Ele ganhou gravidade política e deve agora ser honrado.

Em todo o caso, convém sublinhar que esta estrada não será uma concessão graciosa do poder central a Bragança e ao território transmontano, mas uma opção estratégica importante para o próprio país, pois se afirma como uma porta de cooperação e de futuro. Para todos.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

Projeto “Daqui” que partilha conversas com as gentes transmontanas em exposição

 Foi inaugurada na passada sexta-feira, 15 de maio, a Exposição “DAQUI” de Paula Preto, patente na Ecoteca de Mirandela.


É o resultado do projeto DAQUI, de Artes Visuais, Fotografia e Vídeo, implementado através do Programa de Apoio em Parceria - Arte e Coesão Territorial da Direção-Geral das Artes.

Durante 18 meses, a fotógrafa Paula Preto, a ilustradora Sónia Borges e Marta Miranda, responsável pela programa do espaço “Galeria do Mercado”, estiveram nas primeiras quintas do mês, no Mercado Municipal de Mirandela, com ações de mediação dirigidas a diferentes públicos, veiculadas por conversas, oficinas e atividades que provocam e escutam histórias ligadas à imigração, hospitalidade e à forma como nos relacionamos com o lugar que habitamos.

Os encontros não passaram apenas pelo mercado, alargando-se às aldeias, à Escola Profissional Agrícola de Carvalhais, à Escola Profissional de Música, à Escola Básica do Convento e à Associação para a promoção da saúde mental - Matiz.

O Projeto chegou ao seu final, com o legado a ficar na posse do Município de Mirandela – os áudios, as fotografias, os vídeos e os textos- tendo sido editado um catálogo (dezembro de 2025), mas agora parte do “produto” obtido está em exposição (fotografias, videos e áudios), até ao dia 30 de agosto.

Paula Preto diz estar “de coração cheio” com o resultado do projeto. Marta Miranda admite que já sente imensas “saudades das histórias das pessoas que ouviu ao longo de um ano”. Também a ilustradora Sónia Borges confessa que foi um projeto “muito emotivo”.

Partilharam o processo em 4 exposições intermédias: Mãe água; Cabem muitos Mapas no mapa Daqui; A meio do Caminho; e Raízes.

Marta Miranda entende que o projeto também ajudou e muito a criar uma nova dinâmica no próprio mercado municipal. “É um espaço cheio de relações, está no centro da cidade, e venho há três anos a observar as pessoas que vêm à quinta-feira, à feira, e que não compram nada, só vêm conversar, estarem umas com as outras. Vi pessoas das aldeias a dar dinheiro aos miúdos das escolas quando vinham, porque não tinham rebuçados para lhe dar. Ou seja, foram muitas emoções, foi a partilha de muitas histórias, foi um projeto muito emotivo”, confessa.

Fernando Pires

Praia Fluvial perde bandeira azul

 Depois de sete anos consecutivos distinguida com o galardão de Bandeira Azul, este ano, a Praia Fluvial “Arquiteto Albino Mendo” de Mirandela não consta da lista divulgada pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE) que atribui este símbolo de qualidade , tendo em conta um conjunto de critérios que vão desde a informação e educação ambiental, até à qualidade da água; passando ainda pela gestão ambiental, equipamentos, segurança e serviços.


O presidente da Câmara de Mirandela, confirma a perda do galardão, revelando que ficou a dever-se à alteração da classificação da qualidade da água balnear de “Excelente” para “Boa”. Esta alteração “resultou de dois episódios pontuais de poluição de curta duração, registados nos dias 2 e 5 de setembro de 2025, em que os parâmetros de E. Coli ultrapassaram os valores limite permitidos para a prática balnear”, explica Vítor Correia. “Para se ter bandeira azul, todas as análises efetuadas têm de dar resultado excelente não podendo existir inconformidades, mas como ao longo da época balnear passada, em momentos diferentes de análises da água, se verificou, infelizmente, essa inconformidade, foi o suficiente para não ser agora atribuída a bandeira azul”, acrescenta o autarca.

Vítor Correia sublinha que esta situação “decorre exclusivamente do cumprimento dos critérios técnicos e regulamentares aplicáveis à qualidade da água balnear, não estando relacionada com qualquer incumprimento ao nível da segurança, acessibilidade, limpeza ou gestão da praia fluvial”.

O presidente do Município garante que, apesar de não hastear a bandeira azul na época balnear deste ano, a praia fluvial de Mirandela “está em perfeitas condições para banhos” e que a qualidade da água será monitorizada com maior frequência. “A partir de 1 de junho, vamos implementar um sistema de controlo das massas de água, através da instalação de sensores em locais estratégicos, que nos vai dar alertas, de 15 em 15 minutos, sempre que a água apresente alguma inconformidade para atuarmos de imediato e tentar perceber qual é a origem dessa irregularidade”, refere Vítor Correia, sobre este sistema que também irá monitorizar a qualidade da água dos rios Tua e Tuela, a montante das Praias Fluviais Arquiteto Albino Mendo e Vale de Juncal, bem como da aldeia de Frechas.

Recorde-se que, no distrito de Bragança, nesta época balnear de 2026, são apenas três as praias fluviais com bandeira azul: Fraga da Pegada e a Praia da Ribeira, ambas na albufeira do Azibo, no concelho de Macedo de Cavaleiros e a praia da Congida, no concelho de Freixo de Espada à Cinta.

Fernando Pires

Festa da Cereja movimenta economia do concelho e anima a vila durante três dias

 Iniciada nos anos 80 a Festa da Cereja & Companhia de Alfândega da Fé é o maior certame dedicado a este fruto na região transmontana.


A festa, que este ano se realiza nos dias 5, 6 e 7 de junho, tem vindo a crescer, explicou o presidente do Município de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, sublinhado o dinamismo económico que aporta ao concelho, durante a apresentação da festa na passada sexta-feira, 8 de maio, data em que se celebrou o feriado municipal.

A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara de Santa Cruz, em Cabo Verde, Carlos Silva.

Este ano a feira tem lugar marcado para 120 expositores, mais 20 do que no ano passado e 13 são dedicados apenas à comercialização deste fruto

A cereja de alfândega da Fé encontra-se numa fase decisiva para a obtenção da certificação europeia e já dispõe de proteção nacional.

“O que pode motivar mais o setor para a sua reorganização”, sublinhou o autarca que acredita que a edição de 2026 da feira voltará a afirmar o concelho como referência nacional na produção de cereja de qualidade. “A certificação é um passo histórico para a valorização da nossa cereja, que é o principal produto agrícola do concelho”, destacou Eduardo Tavares.

A área plantada com cerejeiras tem aumentado. “A Cereja de Alfândega da Fé é um símbolo maior da nossa identidade e da nossa economia local. O reconhecimento da IGP representa justiça para os produtores, proteção para o produto e uma oportunidade de reforçar a notoriedade da nossa cereja nos mercados nacionais e internacionais”, referiu o autarca.

O município é responsável pela organização da Festa da Cereja, onde este ano investe 300 mil euros, um valor que, segundo o autarca, “é largamente ultrapassado pelo impacto económico”.

Por outro lado, Eduardo Tavares salientou que esta festa “representa a ligação entre agricultura, turismo, cultura e desenvolvimento económico. É uma montra daquilo que Alfândega da Fé tem de melhor e uma oportunidade para afirmarmos o território, os nossos produtores e a excelência dos produtos locais”.

Durante a feira realiza-se o concurso da Melhor Cereja de Alfândega da Fé para distinguir a qualidade.

Apesar de o autarca ter vincado que a Festa da Cereja “é mais do que animação”, o cartaz de espetáculos é apelativo e contará com nomes como Carolina Deslandes, Ivandro, Kura e Zé Amaro, complementado por animação de rua, grupos culturais, bandas filarmónicas, DJs e diversas atividades desportivas e recreativas ligadas ao território, incluindo o Grande Encontro de Stand Up Paddle & Caiaques nos Lagos do Sabor.

GL

Produto para o tratamento do cancro dos castanheiros em vias de ser legalizado para comercialização geral

 O Dictis, o produto desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Bragança para o tratamento do cancro dos castanheiros do Nordeste Transmontano, está mais perto de receber a autorização para chegar ao mercado. Para já, a autorização provisória foi renovada por mais cinco anos pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), num protocolo estabelecido com o IPB na passada quinta-feira.


Mas o objetivo é mesmo levar o produto para a comercialização normal. “Estamos a preparar o dossiê para os próximos anos. Temos agora aqui uma renovação da autorização por mais cinco anos, mas esperamos antes dos cinco anos ter o processo completo para homologação como produto comercial”, frisou o presidente do IPB, Orlando Rodrigues.

O mesmo responsável admite que a demora de todo o processo é “um problema” mas que “é necessário”.

“É um problema, obviamente, para quem está deste lado e submete um processo destes. Mas também se percebe que dadas as implicações para um produto normal (que não é o caso deste pois este é um fungo que existe na natureza e, portanto, não tem impactos), mas, naturalmente quando se introduz um produto químico no mercado tem obviamente que haver rigor. Temos que entender que o processo é complexo porque tem que ser complexo. Aqui é um caso específico que está um bocadinho à margem, mas temos que aceitar as regras e, portanto, fazer o melhor possível. O que importa é resolver o problema dos agricultores e isso está a ser conseguido”, sublinhou Orlando Rodrigues.

O presidente do IPB explicou, ainda, que um processo desta magnitude é muito complexo e que a rentabilidade do produto acaba por não ser grande precisamente pelo seu sucesso após a aplicação, pois deixa de ser necessário repetir os tratamentos.

“Trata-se de um produto biológico, mas mesmo assim as exigências são estudos que normalmente têm uma complexidade que obrigam a investimentos muito avultados e que não estão ao nosso alcance. Aqui há a perspetiva de que, tratando-se de um produto biológico, possa haver um processo mais simplificado e nós estamos exatamente agora nesta fase a preparar o dossiê para pedir a homologação do produto como produto comercial, o que dará outra liberdade. De qualquer forma, este meio de tratamento é um meio de tratamento muito específico, que os fungos têm características diferentes em diferentes geografias. Este está adaptado ao nosso fungo, daí que se não tivéssemos sido nós a desenvolvê-lo não se poderia importar de outra região porque [os fungos que originam a doença] são diferentes e só tem eficácia aqui na nossa região. Depois de estar implantado no terreno, fica sempre instalado e não precisa de novas aplicações”, resumiu.

Por outro lado, Orlando Rodrigues admite que, “nessa perspetiva, não é um produto com interesse comercial que viabilize um investimento a longo prazo”.

“É um produto com grande impacto económico, mas uma vez que esteja o problema resolvido, ele fica resolvido para sempre, em princípio, embora precise de alguma manutenção. Portanto, daí que também faça sentido fazer uma aplicação experimental como tem sido feita nos últimos 10 anos”, disse.

Mais de 100 mil tratamentos já efetuados 

O Dictis foi desenvolvido de forma experimental pela investigadora Eugénia Gouveia, que se mostra satisfeita por esta renovação da autorização provisória.

“Representa que os castanheiros têm mais hipóteses de sobrevivência, de recuperarem e de ficarem vigorosos e portanto é muito bem-vinda esta autorização e que os agricultores também ficam muito contentes com esta possibilidade de continuar a fazer os tratamentos”, sublinhou a investigadora do IPB.

“Já funciona num sistema que pretende ser muito eficaz e ser aplicado de forma correta. O IPB faz cursos de formação, faz ações de divulgação, as câmaras participam em muitas atividades deste programa, financiando inclusivamente os projetos, tivemos um projeto do PT2020, aplicaram-se tratamentos em 100 mil castanheiros em Bragança, Vinhais e Macedo Cavaleiros, o que significa que é um grande apoio quando todas as entidades colaboram”, disse.

O Dictis já é comercializado a título experimental desde 2015 e apresenta, segundo Eugénia Gouveia, uma alta taxa de sucesso.

“Se não se fizesse nada, ao fim de cinco anos os castanheiros estavam mortos e estão quase todos vivos. É preciso sempre fazer alguma retificação, há alguns onde não funciona por outros motivos, mas quando é aplicado de forma correta e para as condições corretas, um tratamento significa salvar o castanheiro, porque não é preciso repetir como acontece nos outras substâncias ativas utilizadas, como com os pesticidas. Este é um produto biológico que atua diretamente no fungo que é patogénico e, dessa forma, o castanheiro deixa de reconhecer o fungo como parasita e pára o crescimento e promove o desenvolvimento de sítios novos e funcionais. É um sistema altamente eficaz, altamente específico e que não interfere nem com a saúde humana, nem com o ambiente. Portanto é um produto que tem todas as vantagens”, destacou Eugénia Gouveia, apontando uma eficácia “a rondar os 95 por cento”.

António G. Rodrigues

Governo de Castela e Leão não concede licença de operação à Mina de Calabor

 A Junta de Castela e Leão decidiu não atribuir a licença ambiental ao projeto mineiro Valtreixal situado em Calabor a poucos quilómetros do Parque Natural de Montesinho, concelho de Bragança, em área da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica e da Rede Natura 2000.


O Estudo de Impacte Ambiental do projeto foi submetido a consulta pública em 2019 e a decisão da Junta de Castela e Leão foi tomada a 13 de Maio 2026, avança o Movimento Uivo.

O projeto de exploração mineira de Valtreixal, previsto em território espanhol, a 5 km da fronteira portuguesa consistia numa mina de volfrâmio e estanho que ocuparia uma área de exploração de 250 hectares. “O Governo português foi notificado para se pronunciar no âmbito de uma Avaliação de Impacte Ambiental Transfronteiriço. “Pela sua dimensão e caraterística, este projeto teria um impacto significativo na qualidade de vida da população raiana, na economia local e no Parque de Montesinho”, sublinha o Uivo acrescentando que se trata de um território classificado, que tem norteado toda uma estratégia pública de desenvolvimento social e económico da região, assente nos produtos endógenos (mel, castanha e outros), no turismo da natureza e cinegético.

A mina tinha projetado a utilização de toneladas de dinamite, a construção de uma linha de alta tensão de 10km e a instalação de uma fábrica de tratamento de minério, a passagem diária de dezenas de veículos pesados, o armazenamento e aterragem de resíduos perigosos e a criação duma escombreira de grande dimensão. “Inevitavelmente teriam impactes transfronteiriços na paisagem, na biodiversidade, na qualidade do ar e da água, destruindo a flora e habitat de animais selvagens tais como veados, águias e raposas, alguns classificados como ameaçados ou em risco de extinção, como o lobo ibérico, a águia-real e a cegonha preta”, elenca o movimento.

O Estudo de Impacte Ambiental publicado “apresentava erros graves,”, destaca o Uivo, nomeadamente do ponto de vista da identificação das espécies, da avaliação de riscos e das medidas de mitigação, não sendo evidente a provisão de recursos para situações de contingência e ações de remediação.

O Uivo, movimento apartidário de cidadãos, constituído em 2021 para fazer face à construção desta mina, pretende chamar a atenção da sociedade civil e das instituições públicas para este tipo de projectos. O desenvolvimento não pode ser justificação para projectos sem rigor e com retorno duvidoso. “Neste caso concreto o governo português aparentemente marcou a sua posição defendendo o interesse nacional. O projecto gerou, na altura, grande movimentação de repudio tanto do lado português como espanhol, unindo a população raiana e levando a questão à opinião pública e às instituições adequadas”, explicou a mesma fonte.

Macedo de Cavaleiros realizou primeiro encontro de Famílias de Acolhimento para promover esta medida junto das entidades que a decretam

 Decretar mais o Acolhimento Familiar em vez do Acolhimento Residencial em instituições foi o objetivo do I Encontro de Acolhimento Familiar do Nordeste Transmontano, que decorreu sexta-feira, em Macedo de Cavaleiros, no Centro D. Abílio Vaz das Neves e que reuniu diversas entidades e profissionais do setor.


O distrito tem cada vez mais Famílias de Acolhimento capacitadas mas falta que as entidades que decidem estejam sensibilizadas para isso.

"O objetivo deste encontro foi reunir profissionais, a sociedade em geral, magistrados, Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (estão cá representadas as 12 do distrito), com o intuito de sensibilizar para que mais vezes seja decretada a medida de acolhimento familiar em vez da medida de acolhimento residencial", explicou Sónia Almeida coordenadora da única valência do género existente no Nordeste Transmontano.

A mesma responsável explicou que "nas crianças dos 0 aos 6 anos, os estudos científicos indicam que para o seu bom desenvolvimento, devem crescer no seio de uma família". "Apesar de as instituições serem maravilhosas, e nós também temos cá a nossa casa de acolhimento residencial, mas a rotatividade dos funcionários e o facto de não haver um a dois cuidadores no máximo, por causa das questões de vinculação para uma só criança, faz a diferença", explicou.

No distrito de Bragança, só há pouco tempo é que surgiram as famílias de acolhimento.

"Começámos a trabalhar em junho de 2023, data em que assinámos o acordo. Em setembro deu-se início à resposta com o comportamento de uma equipa multidisciplinar. E, neste momento, temos nove famílias, com nove crianças em famílias de acolhimento, mais oito famílias certificadas, duas famílias que neste momento estão suspensas, quatro famílias em avaliação que já fizeram a formação e já passaram todo o processo e que estão na fase final da avaliação psicossocial, e temos um grupo de cinco famílias que aguarda pela formação inicial", adiantou a mesma responsável.

Mesmo assim, Sónia Almeida sublinha que "ainda faltam famílias de acolhimento na região".

"Nós temos acordo para 30. Tomáramos nós que no distrito nenhuma criança estivesse em acolhimento residencial e que todas pudessem estar em família. É curioso que nós recebemos crianças de outros distritos. Temos, por exemplo, uma família que acolheu três irmãos que vieram da Covilhã", frisou.

Para Pedro Lima, presidente da Câmara de Vila Flor e da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes, "trata-se às vezes da incapacidade de decidir, de decidir tarde de mais, tanto quando se retira como quando se entrega. Portanto, pelo que eu entendo, temos que ser um pouco mais céleres. Não estou a dizer que concordo, claro que não, toda a gente concorda que os filhos estão bem com os pais, mas, no entanto, quando há certos indicadores, devemos ter a capacidade de decidir de uma forma perentória, a bem do interesse superior da criança, e de a entregar o mais rapidamente possível, de novo, a um ambiente familiar que consiga dar-lhe a melhor estrutura, o melhor crescimento possível, para que se transforme num cidadão que participe e sem handicaps".

Para o presidente da CIM, que congrega nove dos 12 concelhos do distrito de Bragança, trata-se de uma escolha, trata-se de uma capacidade decisória que deve existir na nossa sociedade. "É difícil, claro que sim, para alguém decidir determinar a retirada de uma criança. Mais difícil ainda se torna nos dias de hoje, com tanto escrutínio, entregá-la a uma família de acolhimento. Mas temos, sem dúvida, que criar estes laços entre nós", sublinhou.

Presentes neste encontro estiveram diversos instituições de outros distritos, como Castelo Branco, Viseu ou Porto.

Na sessão de abertura, o Bispo da Diocese de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, sublinhou que "na família é decisivo o amor forte, indissolúvel e estável". "Um amor com estas características gera esperança e confiança. E a confiança pode gerar comunhão, que é um fator de coesão emocional para a comunidade familiar", disse.

No entanto, lembrou que "a construção da unidade familiar é uma parte da experiência a construir, pois a família deve igualmente habilitar os seus membros para a aventura da autonomia. A família é um ninho ou regaço, sim, mas deve ser também uma escola de voo. É um porto de abrigo, sem deixar de ser um impulso à navegação em mar aberto. Viver isso com naturalidade, sem ansiedade nem com o peso da culpa, é uma sabedoria que se vai adquirindo. No processo de aquisição desta sabedoria, há três pontos que convém nunca perder de vista. O primeiro é compreender que a família vive numa reconciliação permanente, o que implica uma descoberta e redescoberta permanentes. Não basta o saber do que era: é necessário a disponibilidade para reconhecer o que a cada momento é e que está a acontecer agora. Muito facilmente a família se torna irreconhecível de um dia para outro e os seus membros como que estranhos. A prática da hospitalidade radical que define o amor é, por isso, um trabalho interminável.

Não há alternativa à troca atenta de olhares de uns para com os outros e sempre de coração desarmado, para aprender do outro aquilo que só ele nos pode ensinar. Pensar que os pais conhecem os filhos de uma vez para sempre, ou vice-versa, é um erro grosseiro. O verdadeiro conhecimento é aquele que aceita confrontar-se com o desconhecido que imediatamente não vemos, mas que está lá", sublinhou D. Nuno Almeida.

O prelado frisou que "há que valorizar o papel da esperança". "Uma família é uma construção assumidamente colaborativa, fruto da cooperação dos seus membros, no sentido que depende de todos no aqui e no agora. Mas é uma história maior do que aquela que o presente histórico pode decidir. O modo original como cada geração interpreta as raízes ou a direção surpreendente que empresta ao próprio florescer mostram como a família é sobretudo um fruto da esperança. A felicidade da família depende sempre do investimento em esperança que está disposta a realizar.

A vida cristã está inevitavelmente “obrigada” a ser testemunho da Esperança e da Confiança.

É possível ser testemunhas de esperança e confiança se cultivarmos a “arte cristã de amar”", disse o Bispo de Bragança-Miranda.

D. Nuno Almeida terminou a sua intervenção lembrando as palavras do Papa Francisco em 2022, no Encontro Mundial das Famílias: “Ao afirmarmos a beleza da família, sentimos mais do que nunca que devemos defendê-la. Não permitamos que seja inquinada pelo veneno do egoísmo, do individualismo, da cultura da indiferença e do descarte, e perca assim o seu “DNA” que é o acolhimento e o espírito de serviço. Os traços próprios da família: o acolhimento e o espírito de serviço dentro da família”".

António G. Rodrigues

“Ministério da Saúde” garante que ‘héli’ do INEM fica mas Ministra permanece em silêncio sobre o assunto

 Foi em comunicado, e quase um mês depois das declarações da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no Parlamento, sobre a saída do helicóptero do INEM de Macedo de Cavaleiros para o Porto, que o Ministério da Saúde veio dizer que este meio aéreo de emergência “não vai ser deslocalizado”.


Num comunicado de imprensa de três parágrafos, que não está assinado por nenhum responsável, é dito que “as informações que andam a circular de que as populações do distrito de Bragança e dos restantes distritos de Trás-os-Montes deixarão de ter acesso a este meio são falsas e de extrema gravidade, tendo apenas como objetivo alarmar as populações”.

O comunicado, redigido em termos pouco usuais para um gabinete de imprensa e numa linguagem demasiado coloquial para o profissionalismo que se exige a um gabinete ministerial, termina dizendo que o próprio INEM já tinha esclarecido o assunto, quando anunciou que o contrato até 2030 seria para cumprir.

O Mensageiro questionou o gabinete de comunicação do Ministério da Saúde na própria tarde de sexta-feira, dia em que foi emitida a nota de imprensa, com questões dirigidas à própria Ministra da Saúde. A resposta nunca chegou.

Recorde-se que Ana Paula Martins disse, no dia 21 de abril, na Comissão Parlamentar de Inquérito à greve no INEM em novembro de 2024, que pretendia “refundar o INEM”. E apresentou dez pontos em que essa refundação assentaria. Seriam eles a mudança do regime jurídico, o foco na emergência médica pré-hospitalar, o aumento do financiamento, o novo modelos de triagem, a georeferenciação e IA, otimizar o serviço de helicópteros,   diminuir tempo de atendimento, INEM só faz transporte secundário, diagnóstico precoce do doente crítico, aumentar competências dos profissionais.

Ora, precisamente, no sexto ponto apresentado por Ana Paula Martins, a Ministra dizia que haverá “dois helis de nível A” e “dois helis de nível B”, sem explicar esta diferenciação. Disse ainda que estarão “localizados em pontos geográficos estratégicos, com logística hospitalar diferenciada de apoio”. As bases operacionais “de primeira intervenção” estarão nos hospitais de São João, Coimbra, Santa Maria e Faro e as “bases logísticas de rectaguarda, em apoio alternativo”, ficarão em Macedo Cavaleiros, Viseu, Évora e Loulé. Textualmente. Ninguém inventou (o vídeo está disponível em https://www.mdb.pt/noticia/ministra-da-saude-anunciou-mesmo-intencao-de…).

Por isso, o Mensageiro confrontou Ana Paula Martins com o vídeo das suas declarações e perguntou se tinha, entretanto, mudado de ideias. A Ministra não respondeu. 

O Mensageiro perguntou ainda quando teria acontecido essa mudança de ideias. Também não houve resposta. O Mensageiro procurou, ainda, saber se a Ministra podia garantir que o concurso público internacional para o fornecimento do serviço a partir de 2030, que terá de ser aberto em 2028, irá contemplar a permanência do helicóptero nas bases atuais, enquanto bases de primeira intervenção e não de apoio logístico de retaguarda. Silêncio.

O jornal diocesano também questinou, na sexta-feira, o Ministério da Saúde sobre o anúncio, entretanto feito pela Ministra, de que cada ULS iria ter uma ambulância SIV do INEM. O distrito de Bragança tem, atualmente, duas ambulâncias SIV (uma na SUB de Mogadouro e outra na urgência do hospital de Mirandela). Quer isto dizer que uma delas será eliminada? Qual? Mais uma vez, não houve resposta.

Fonte ligada à Saúde dá conta de um grande mal-estar da Ministra com este assunto, e que Ana Paula Martins estará a ser desautorizada nesta matéria. Certo é que desde as declarações no Parlamento a 21 de abril, a Ministra já veio explicar mais algumas medidas referentes ao INEM (como a das ambulâncias) mas não voltou a falar dos helicópteros. 

Ministra a prazo

Aqui chegados, é preciso recordar a demora na nomeação do novo Conselho de Administração da ULS do Nordeste. Carlos Vaz terminava o mandato a 14 de dezembro. Inicialmente pediu para ficar até final do ano, o que foi recusado, por atingir a idade limite (70 anos). Mas, logo a seguir, foi o próprio Ministério a dizer-lhe que teria de continuar até ser nomeado um novo substituto, o que só aconteceu em abril (foi nomeado Miguel Abrunhosa). 

A proposta dos nomes para o novo Conselho de Administração da ULS terá partido do presidente da Distrital do PSD, Hernâni Dias, também deputado. 

A demora da nomeação terá ocorrido por decisão da Ministra, que preferia Duarte Soares, o que terá provocado as fraturas que agora ficam evidentes.

Ao Mensageiro, fontes ligadas à Saúde em Lisboa admitem que a Ministra estará a prazo e que o sucessor até está encontrado. Deverá ser a atual Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, depois da ‘nega’ dada pelo atual Diretor Executivo do SNS, Álvaro Almeida.

Ana Paula Martins é das Ministras mais desgastadas do Governo, com diversos casos a minar o seu mandato, marcado, sobretudo, pelas 11 mortes que aconteceram durante o período de greve geral, que coincidiu com a greve às horas extra dos técnicos de emergência pré-hospitalar do INEM, em novembro de 2024. 

Mesmo de dentro do Gabinete da Ministra, os sinais são já de falta de solidariedade institucional com Ana Paula Martins, que não deverá resistir ao ‘desencontro’ com Hernâni Dias, próximo do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro. 

As nomeações recentes para a ULS vieram confirmar isso mesmo pelo que a corda, a partir, parte para o lado mais fraco. Neste caso, o da Ministra.

António G. Rodrigues

Eclipse esgota alojamento em Bragança

 Alojamentos locais, hotéis e até mesmo parques de campismo, a hotelaria em Bragança está, na maioria, esgotada devido ao eclipse solar que acontece dia 12 de agosto.


Apesar de o fenómeno poder ser observado noutras zonas do país, Bragança, mais concretamente nas aldeias no coração do Parque Natural de Montesinho, é onde o fenómeno poderá ser observado na totalidade. Sendo esse o motivo que está a levar astrónomos, profissionais e curiosos à procura de  alojamento na região.

“Já há mais de meio ano que estamos esgotados para o período de 10 a 12”, contou Alexandrina Fernandes, diretora do A.Montesinho, localizado na aldeia de Gimonde.

A responsável acrescentou ainda que essa altura é “uma epóca” que atrai muita gente ao território por “coincidir com as férias escolares”. Ainda assim, Alexandrina Fernandes confessa que desde que o eclipse foi noticiado “as pessoas, nomeadamente as que são da área técnica começaram a fazer reservas.”

“Além das casas também temos um parque de campismo rural e, nos últimos tempos, temos tido também reservas, também devido ao facto do alojamento tradicional estar esgotado. No parque campismo as pessoas podem pôr tendas ou caravanas e podem assistir ao eclipse”

Telmo Cadavez é propriétário do Cepo Verde. Para ele a grande diferença do mês de agosto dos anos anteriores foi a antecipação de marcações.

“Já começámos a notar desde janeiro. Porque nós até divulgámos em janeiro o próprio eclipse no nosso Facebook e noutros meios de comunicação e sentimos essa ocupação imediatamente”, disse, acrescentando que “esta ocupação excessiva ou total, foi antecipada, porque o mês de agosto, é por natureza, um mês de muita afluência e portanto houve aqui uma antecipação desse fenómeno. Uma antecipação e uma concentração em duas ou três semanas, ou até menos, dessa marcação. Porque o esgotar da capacidade ia acontecendo ao longo de abril, maio, junho para agosto”, rematou.

O empresário alertou ainda para as questões de transito e aproveitou para apelar ao bom senso. “As questões do tráfego é preocupante porque apesar da disponibilização de autocarros, muitas pessoas vão querer ir ao local pelos próprios meios.  E, se todo este fenómeno se deslocalizou em reservas para Bragança e para concelhos limítrofes, não sei o que é que vai acontecer”, disse destacando que o objetivo não é alarmar, mas sim alertar para estas questões de transito.

“Tinha sido útil, e ainda estamos a tempo, de definir aqui mapa dentro do Parque do Montesinho. Por ser a área onde vai ser mais visível, e foi isso que foi propagado na comunicação social. Nós, já o fizemos e enviamos para todos os nossos hóspedes um mapa de vários pontos distribuídos nestas zonas.”

A correria aos alojamentos não se resume apenas às localidades situadas no Parque Natural de Montesinho. O fenómeno extendesse à cidade de Bragança. Flávio Gonçalves é empresário de hotelaria e restauração na região e conta que o fenómeno “ajuda no negócio.”

O empresário contou que as últimas casas que alugou foi “a pessoas que vêm de França de propósito e ficam três dias alojados na minha casa”, disse acrescentando que também vai ter um impacto na restauração.

“Obviamente que vai ter impacto um bocadinho em tudo, porque há uma necessidade das pessoas consumirem e de gastarem dinheiro, por isso é que vêm. Ou seja, o facto de virem ver o eclipse e virem ver o fenómeno permite que haja movimento económico dentro da cidade. Portanto, vai ter um impacto brutal para todos nós”, rematou o empresário.

A restauração também ganha

Muitos responsáveis da hotelaria lamentam que o fenómeno não ocorra, por exemplo, durante a epóca mais baixa.  “É pena o eclipse ser em agosto e não ser na época baixa, mas também se calhar condições de visibilidade não seriam tão garantidas. De resto, sim agosto é sempre um mês de muita procura por nós”, disse Filipe Rodrigues.

Também Telmo,  partilha a mesma opinião que Filipe Rodrigues. “Tenho pena que este fenómeno não exista numa época mais baixa, digamos assim, porque agosto é o mês de férias e de grande movimento e portanto, claro que beneficiámos com o projeção do fenómeno aqui em Trás-os-Montes, em Bragança. Mas em termos de ocupação não sei se estamos a ter diferenças para os anos anteriores.”

O que dizem os especialistas

Pedro Mota Machado, é astrónomo do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e Comissário Nacional para o Eclipse 2026, explicou durante a apresentação do Programa Nacional  do  Eclipse  2026, que “durante cerca de 26 segundos, a população da região do Parque Natural de Montesinho irá observar um eclipse total que revela a Coroa Solar”, isto é, a camada mais externa da atmosfera solar, visível a olho nu apenas em eclipses totais.

Por sua vez, a diretora executiva da Ciência Viva, Ana Noronha afirmou que “o ponto mais importante das observações é numa pequena zona de Montesinho”, nomeadamente nas localidades de Rio de Onor, Varge e Guadramil. Nesses locais, o eclipse poderá ser observado na sua totalidade, “em que o disco do Sol ficará completamente tapado pela Lua” e em que, durante alguns instantes, “vai ser como se fosse de noite, mas uma noite estranha”.

Apesar de o fenómeno atingir a sua máxima expressão nessa área, Ana Noronha sublinhou que “no resto do país, o fenómeno será igualmente impressionante”, embora com menor intensidade.

A responsável considerou também que este eclipse representa uma “oportunidade única”, tratando-se de um acontecimento raro, já que “de facto, é uma coisa que não acontece todos os dias”.

Cuidados redobrados para uma observação segura

Observar o eclipse acarreta o redrobrar de cuidados para evitar problemas de saúde. Segundo a diretora executiva do centro de ciencia viva de Bragança, Clotilde Nogueira podem surgir “problemas de saúde pública”. Assim e de forma a “precaver”, o Centro de Ciencia Viva de Bragança “está alinhada” para informar a população e para  formar voluntários.

Entre os cuidados a ter, segundo Ana Noronha,  “a  primeira  indicação  é  não olhar  para  lá  sem  proteção”, informou destacando que os óculos escuros que se usam na praia “não  protegem  nada.”

A responsável acrescentou ainda que estará em curso uma campanha nacional, em  articulação  com  a  Direção-Geral  da  Saúde  e  a  Associação Nacional de Farmácias,  que  irá  explicar  como utilizar  óculos  certificados, os  únicos  que  podem  e  devem ser usados na observação do fenómeno.

O Eclipse total é um fenómeno raro, que acontece quando lua, sol e terra se alinham. Estima-se que o último aconteceu em 1912. Após este ano, o Centro de Ciência Viva aponta que o próximo irá decorrer em 2144.