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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 9 de agosto de 2026

CCDR NORTE DESAFIA ENTIDADES DA REGIÃO A PARTICIPAR EM PROJETOS EUROPEUS DE INOVAÇÃO

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE) está a desafiar empresas, universidades, centros de investigação e outras entidades do ecossistema de inovação da região a candidatarem-se à VInnovate Call 2026, iniciativa da rede europeia Vanguard Initiative.


As candidaturas estão abertas até 10 de setembro e procuram apoiar projetos conjuntos entre diferentes regiões europeias, com foco em áreas estratégicas como bioeconomia, saúde, hidrogénio, manufatura avançada e impressão 3D.

A iniciativa inclui ainda um webinar de desenvolvimento de projetos, agendado para 27 de agosto, que permitirá conhecer melhor o programa, apresentar propostas e encontrar potenciais parceiros internacionais.

A participação do Norte nesta rede europeia pretende reforçar a cooperação internacional e criar novas oportunidades para projetos alinhados com a Estratégia Regional de Especialização Inteligente S3 NORTE 2027, promovendo uma indústria mais inovadora, sustentável e competitiva.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

ALTO DA CIR ADELHA RECEBE CAMINHADA PARA OBSERVAÇÃO DO ECLIPSE SOLAR

 O Parque Biológico de Vinhais promove, no próximo dia 12 de agosto, uma caminhada até ao Alto da Ciradelha para assinalar o eclipse solar de 2026.


A atividade terá como destino um dos pontos mais elevados do concelho, a cerca de 950 metros de altitude, onde a ocultação do Sol deverá atingir aproximadamente 99%. A localização permite uma observação privilegiada do fenómeno, com um horizonte amplo sobre a paisagem envolvente.

A participação é gratuita, mas requer inscrição prévia até às 19h00 de 11 de agosto. O Parque Biológico disponibilizará óculos de observação solar certificados aos participantes inscritos, garantindo condições adequadas para acompanhar o fenómeno em segurança.

A caminhada terá início no Parque Biológico de Vinhais, seguindo depois até ao Alto da Ciradelha, onde será realizada a observação do eclipse.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

MIRANDELA DEBATE O PAPEL DAS CIDADES INTELIGENTES NA SUSTENTABILIDADE

 O Centro Cultural de Mirandela recebe, no próximo dia 10 de agosto, uma sessão dedicada ao tema das cidades inteligentes e à sua importância na construção de territórios mais sustentáveis.


A iniciativa, intitulada “As Cidades Inteligentes e a Sustentabilidade”, está marcada para as 14h30, no Auditório Pequeno, e pretende abordar os desafios e as oportunidades associados à utilização da tecnologia na melhoria da qualidade de vida das populações.

A sessão será conduzida por André Moreira, bolseiro de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e investigador do CeDRI – IPB, que irá abordar o contributo da inovação tecnológica para uma gestão mais eficiente dos recursos e para a sustentabilidade dos territórios.

A iniciativa pretende promover a reflexão sobre a forma como as soluções tecnológicas podem apoiar a construção de cidades mais eficientes, inovadoras e preparadas para os desafios ambientais e sociais do futuro.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

PICOTE MODERNO ESCONDIDO LEVA MIRANDA DO DOURO À MEIA-FINAL DAS 7 MARAVILHAS DE PORTUGAL

 O Auditório Miller Guerra, em Vila Flor, recebeu, este sábado, a apresentação do CD “Portal das Minhas Raízes”, de Paula Pires, numa iniciativa dedicada à música e à valorização das tradições e da identidade do concelho.


O programa incluiu também a apresentação do projeto “Somos Irmãs”, desenvolvido por Paula Silva e Susana Silva. A iniciativa destacou a ligação entre música, memória e relações familiares, através de um trabalho assente na partilha de histórias e vivências.

Durante a noite, o espaço voltou a receber música ao vivo, com um concerto que juntou vários artistas e proporcionou ao público um momento de convívio e celebração cultural.

A iniciativa assumiu-se, assim, como um encontro de valorização da cultura local e dos talentos ligados a Vila Flor, reforçando a música como veículo de preservação das memórias e das raízes da comunidade.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

VILA FLOR CELEBRA MÚSICA E IDENTIDADE LOCAL COM APRESENTAÇÃO DE “PORTAL DAS MINHAS RAÍZES”

 O Auditório Miller Guerra, em Vila Flor, recebeu, este sábado, a apresentação do CD “Portal das Minhas Raízes”, de Paula Pires, numa iniciativa dedicada à música e à valorização das tradições e da identidade do concelho.


O programa incluiu também a apresentação do projeto “Somos Irmãs”, desenvolvido por Paula Silva e Susana Silva. A iniciativa destacou a ligação entre música, memória e relações familiares, através de um trabalho assente na partilha de histórias e vivências.

Durante a noite, o espaço voltou a receber música ao vivo, com um concerto que juntou vários artistas e proporcionou ao público um momento de convívio e celebração cultural.

A iniciativa assumiu-se, assim, como um encontro de valorização da cultura local e dos talentos ligados a Vila Flor, reforçando a música como veículo de preservação das memórias e das raízes da comunidade.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Um acidente durante um espetáculo de acrobacias de Motas, integrado na concentração de Bragança, provocou ontem à noite, cinco feridos, dois em estado grave.

 O acidente aconteceu quando um participante perdeu o controlo da mota, acabando por abalroar cerca de vinte pessoas.
Cinco dos espectadores foram trasportados para o Hospital de Bragança.

Três mulheres e dois homens com idades entre os 20 e os 63 anos.

No local estiveram dez elementos dos bombeiros daquela cidade apoiados por três viaturas e as autoridades.

A História está de volta a Bragança!

 De 14 a 17 de agosto, o Castelo de Bragança ganha vida para mais uma edição da Festa da História! 
Entre recriações históricas, espetáculos, animação, atividades, expositores e sabores, venha viver uma viagem ao passado e desfrutar de dias únicos em família e entre amigos.

14 a 17 de agosto
Castelo de Bragança

sábado, 8 de agosto de 2026

Parque Arqueológico do Côa recebeu mais de 400 mil visitantes em 30 anos

 Mais de 401 mil pessoas, dos diferentes continentes, visitaram o Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), desde a sua abertura ao público, há exatamente 30 anos, revelou o presidente da Fundação Côa Parque.

© Lusa

Em entrevista à agência Lusa, João Paulo Sousa, que preside a fundação, disse que, desde a criação do PAVC e da sua abertura ao público, em 10 de agosto de 1996, até julho deste ano, este santuário da arte rupestre mobilizou 401.387 visitantes, vindos de vários pontos do globo.

De acordo com João Paulo Sousa, há vontade de dilatar este número, que considera muito satisfatório, apesar de algumas contingências.

"O Vale do Côa é um processo inacabado, com algumas limitações, como é caso dos recursos humanos e da época do ano. Não podemos trabalhar os 12 meses. Nos primeiros meses do ano nem sempre as gravuras estão acessíveis à visitação, devido às condições climatéricas e eventuais cheias no rio Côa. Já no verão, as temperaturas são altíssimas neste território, rondando por vezes os 50 graus", explicou o responsável.

Segundo João Paulo Sousa, o processo de visita ao PAVC teve, desde 2010, uma majoração com a abertura do Museu do Côa e a colaboração de operadores particulares que organizam visitas a este espaço. Ao mesmo tempo não se têm verificado quebras, apesar dos problemas que afetam o mundo. Pelo contrário. Por exemplo: este ano já se verifica um aumento de 8% do número de vistantes, em relação aos mesmos meses de 2025.

Questionado sobre a logística que envolve as visitas aos núcleos de arte rupestre do PAVC, uma das grandes preocupações passa pela substituição das viaturas todo o terreno que estão a serviço e que têm quase tantos anos como o próprio Parque.

"O conforto e seguranças das viaturas são uma preocupação. Segue-se um processo de tramitação para ultrapassar burocracias para a aquisição de cinco novas viaturas para o transporte dos visitantes aos vários sítios de arte rupestre do PAVC e que estão orçadas em 400 mil euros", disse João Paulo Sousa.

No campo da investigação científica, que nos últimos anos têm revelado novas e importantes descobertas no Vale do Côa, João Paulo Sousa alertou que, na última década, a Fundação Côa Parque perdeu cinco dos oito arqueólogos que estavam ao serviço e a tutela foi informada desta situação.

"No decorrer deste ano, vai ser elaborado um protocolo com o instituto público Património Cultural, no montante de 150 mil euros, para aquisição de prestação de serviços de pelo menos um ou dois arqueólogos, durante um período de dois anos. Não é a solução ideal, mas vamos tentar colmatar, porque sabemos que a investigação, preservação e divulgação são fundamentais para o PAVC", sublinhou.

Na área da investigação, há cada vez mais parcerias com universidades e institutos politécnicos da região, somando-se atualmente 20 bolseiros a trabalhar no Côa.

"Só desta forma, no último ano, foi possível descobrir 60 novas gravuras em diferentes locais do Parque Arqueológico", vincou João Paulo Sousa.

Outras das preocupações passa pela segurança do Museu e do património classificado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que é feita com a 'prata da casa'.

"Estamos a sinalizar essa preocupação, para evitar atos de vandalismo e incêndios. [A segurança] é feita com recurso aos nossos assistentes operacionais, e dentro do nosso orçamento não temos verbas suficientes para uma cobertura mais plena. É preciso darmos uma atenção especial ao Côa, porque não estamos a falar de um vale qualquer. Estamos a preservar a maior biblioteca da arte rupestre do mundo", defendeu.

Questionado pela Lusa se a interioridade pesa no Vale do Côa, João Paulo Sousa foi perentório e contrapôs: "Não é esse problema", pois "há uma proximidade com a Secretaria de Estada da Cultura para com a Fundação Côa Parque".

"A questão não se reflete na interioridade do Vale do Côa. O que está a falhar é a questão dos estatutos e falta de autonomia financeira da fundação que gere o PAVC e o Museu do Côa. As pessoas querem fazer, mas o sistema não deixa", indicou.

Segundo o responsável pela Fundação Côa Parque, há novos dados em relação às descobertas no Vale Côa, estando a descoberto 1615 painéis distribuídos por 104 sítios arqueológicos com motivos rupestres do Paleolítico Superior numa área que corresponde a 200 quilómetros quadrados, que é o total da área ocupada pelo PAVC.

O primeiro sítio colocado a descoberto aconteceu em 1995, na Cardina - Salto do Boi, que veio demonstrar uma ocupação do Paleolítico Superior, com 25.000 anos.

Mais recentemente, em 2025, foram descobertas novas gravuras desta feita com 26.000 anos.

Em 2020, foi posto a descoberto o maior auroque do mundo picotado na rocha do sítio do Fariseu com mais de três metros de comprimento, também do Paleolítico Superior.

Em 2018, foi comprovada a presença do homem de Neandertal (350.000 a 35.000 a.C.), no sito da Cardina - Salto do Boi.

As descobertas no Vale do Côa acabaram por suspender da construção da barragem do Côa, que foi decretada em 17 de janeiro de 1996, acompanhada pelo pedido de elaboração de um relatório sobre o valor patrimonial e arqueológico da região pela UNESCO, que permitisse ao Governo uma decisão definitiva e fundamentada sobre o projeto hidroelétrico.

Em julho de 1997, o conjunto arqueológico do Vale do Côa foi classificado como monumento nacional e, em dezembro de 1998, foi inscrito na lista de património mundial da UNESCO.

As Mãos que Sustentaram a Terra


Em Trás-os-Montes, durante séculos, o campo teve voz de mulher. A terra, dura e generosa, reconhecia-lhe o passo ligeiro, o lenço atado à cabeça, a força escondida sob o avental. Eram elas que amanheciam com o dia, antes do sol, quando o galo ainda hesitava em cantar, punham-se a caminho das leiras, do curral, da fonte. O seu trabalho era o primeiro a começar e o último a acabar e, no entanto, era o que ninguém contava nas estatísticas nem nas conversas da taberna.

As mulheres trasmontanas foram o alicerce de uma economia familiar que se fazia de suor e esperança. Quando os homens partiam para a França, o Porto ou Lisboa, em busca de trabalho e de sorte, eram elas que ficavam a cuidar da casa, dos filhos, dos animais e da terra. Ficavam a remendar o tempo e a alimentar o futuro. E faziam-no sem alarde, com uma dignidade que dispensava reconhecimento.

Nos campos, viam-se dobradas sobre a terra, de enxada na mão, o corpo curvado mas o olhar firme. Acompanharam o ciclo das estações como quem reza, semearam no frio, ceifaram no calor, colhiam o cereal com as mãos calejadas e faziam do grão o sustento do lar. O seu rosto guardava o sol de muitos verões e o frio de muitos invernos. As rugas eram uma história de esforço, de perda, de resistência.

O que fazia delas diferentes era o modo como faziam o trabalho. Enquanto lavravam, cuidavam, enquanto mondavam, ensinavam os filhos, enquanto tiravam água do poço, levavam consigo as dores do mundo e lavavam-nas ali. A força vinha-lhes de dentro sem pompa nem medalhas, feita de fé e teimosia.

Nas festas da aldeia, via-se nelas o rosto mais bonito da coragem. As mãos marcadas, o lenço colorido, o sorriso discreto. Eram as primeiras a preparar os tabuleiros, a cozer o pão, a acender o lume do convívio. A comunidade sabia, ainda que raramente o dissesse, que sem elas nada acontecia. A terra só dava fruto porque elas a compreendiam, a aldeia só resistia porque elas a seguravam.

Nos serões de inverno, à volta do lume, eram também as guardiãs e transmissoras da memória. Contavam histórias de lobos, de milagres, de amores e desgraças. Nelas cabia a sabedoria antiga, os remédios das ervas, as rezas contra o mau-olhado, as formas de fazer o pão e o queijo. Eram livro e biblioteca, arquivo e oração. Tudo passava por elas. O saber, a fé, o futuro.

Mas, apesar disso, durante muito tempo o seu papel permaneceu invisível. Nos registos, eram “ajudantes de lavrador”, “domésticas”, “mulheres de”. E, no entanto, foram elas que mantiveram o campo vivo quando a vida parecia desistir. Foram elas que, com mãos pequenas e costas curvadas, sustentaram a grandeza humilde de uma terra esquecida.

Hoje, quando muitas aldeias se esvaziam e os campos se cobrem de mato, é relativamente fácil romantizar o passado. Mas o que aquelas mulheres viveram não foi poesia, foi resistência. Trabalharam com a mesma intensidade com que amavam, suportaram a ausência dos maridos, a dureza do clima, a pobreza dos anos maus. Fizeram-no porque era preciso, porque não havia outro caminho, porque a terra lhes pedia.

O futuro, esse que tantas vezes lhes escapou, está agora nas mãos de quem quiser honrar e lembrar a sua força. Talvez o maior tributo que se possa prestar às mulheres dos campos de Trás-os-Montes seja lembrar que a terra, quando floresce, ainda cheira às suas mãos.

HM
8 de Agosto de 2026

A única sílaba da vida

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


"Um mundo de poesia é sempre cá dentro. No embalo do coração e do silêncio, onde pertence a visão mais clara do muito que tão poucos vêem." 

Para ti, que nunca alcançaste o soberbo olhar da mais profunda e única sílaba da vida, digo-te que aprendas. Porque vale a pena e serás, talvez, mais feliz. Que um mundo de poesia é apenas isto.

- Fazer dos gestos uma paixão com ardor, fazer da arte que em nós vive, o sentimento maior.

- No íntimo, e ainda à flor da pele, a certeza dos caminhos que trilhamos sem a mentira de mostrar alegrias em todos os instantes e horas. De não querer nada em grande, nem de mil fingimentos para anestesiar os vazios da solidão e do que vem. Mas morar em dias simples e leves e cheios daquilo que nos faz tão bem.

- Ter em si a diferença especial de quem nos traz ao colo e nos mostra o brilho da luz, com o carinho genuíno que nos seduz.

- Um mundo de poesia é sempre cá dentro. No embalo do coração e do silêncio, onde pertence a visão mais clara do muito que tão poucos vêem.

- Abrir a janela do peito e permitir a respiração que nos torna capazes de dizer não à palavra oca e ao sentimento vão. E entre as escolhas de um amor tão raro, o nosso, aprender a conjugar o verbo “doar-se” por inteiro e sem pressa, aos braços de quem parte e de quem nos regressa.

- O eterno espaço que nos habita em abraços demorados, as manhãs e o anoitecer que são o chão da nossa estória. As voltas certas das palavras que o tempo cantou e não apagou da memória.

- Esta é a mais profunda e única sílaba da vida. Compreende-a.

Que um mundo de poesia é a nossa sagrada paisagem interior, com tudo o que nos vale a pena. Que este mundo, só verdadeiramente o entende e sente... aquele que não tem a alma pequena.


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

Como irão reagir as aves ao eclipse solar de 12 de agosto?

 O eclipse solar será uma oportunidade única para observar a forma como a natureza responde a uma alteração tão súbita da luz. A Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife) convida a prestarmos atenção ao canto das aves, ao despertar dos insetos e às transformações da natureza nesses minutos.

Mocho-galego (Athene noctua). Foto: Edd Deane/Wiki Commons

No próximo dia 12 de agosto, a Península Ibérica será palco de um dos acontecimentos astronómicos mais importantes e singulares do século: um eclipse total do Sol, visível a partir de uma parte significativa do território.

Além da sua beleza, o eclipse solar será uma oportunidade para observar como a natureza reage a uma alteração tão repentina da luminosidade.

Depois da análise do eclipse total de 2024, observado na América do Norte, os investigadores documentaram mudanças no comportamento das aves. Muitas espécies deixaram de cantar e adotaram comportamentos típicos do anoitecer, reduzindo a atividade ou preparando-se para descansar. No entanto, a intensidade destas respostas variou consoante a espécie e o habitat.

A recolha de dados durante o eclipse é uma oportunidade para compreender melhor como as espécies respondem a este fenómeno.

“Em apenas alguns minutos ocorrerão três alterações ambientais capazes de desencadear respostas fisiológicas e comportamentais nos seres vivos: a diminuição da luminosidade, a descida da temperatura e a alteração temporária dos ritmos circadianos”, escreve a organização em comunicado.

“Estes sinais ambientais, que normalmente anunciam a chegada do entardecer, podem levar as aves a interromper a sua atividade vocal durante a fase de escuridão”, acrescenta a organização. “Quando a luz regressa, poderão interpretar esse momento como o início de uma nova madrugada, retomando o característico coro do amanhecer. Este comportamento está intimamente ligado ao seu relógio biológico.”

Também foram descritos casos em que aves noturnas, como mochos e corujas, começaram a vocalizar durante o período de escuridão, um comportamento habitual ao anoitecer.

Além disso, recorda a SEO/Birdlife, “o mês de agosto coincide com o início da migração pós-nupcial de numerosas espécies, pelo que se acredita que o eclipse possa influenciar os indivíduos que estejam em pleno movimento migratório”. No entanto, até ao momento não há estudos científicos que demonstrem alterações na direção ou na duração da migração atribuíveis a um eclipse.

A sequência de eclipses prevista para 12 de agosto de 2026, 2 de agosto de 2027 e 26 de janeiro de 2028 transformará Espanha num verdadeiro laboratório vivo, oferecendo uma oportunidade única para estudar a resposta da biodiversidade a estes fenómenos astronómicos.

Com esse objetivo, um grupo de investigadores do Museu Nacional de Ciências Naturais e da Universidade de Sevilha lançou o projeto Ecoeclipse, uma iniciativa de ciência cidadã que quer analisar de que forma a diminuição da luminosidade durante os próximos eclipses solares afeta o comportamento acústico e as paisagens sonoras das aves e dos morcegos.

Para colaborar, qualquer pessoa pode gravar os sons do ambiente que a rodeia durante o eclipse, bem como nos dias anteriores e posteriores a cada evento.

Cogestão de áreas protegidas: 3 milhões de euros vão apoiar 18 projetos

 Esta semana foram conhecidos os resultados das candidaturas a apoios para projetos de dinamização das áreas protegidas, com o objetivo de reforçar o modelo de cogestão, em áreas como a conservação da natureza, o turismo de natureza e a educação ambiental.

Foto: Joana Bourgard

A atribuição dos apoios foi aprovada pela Agência para o Clima, que gere os instrumentos de financiamento do Ministério do Ambiente e da Energia, anunciou o gabinete da ministra da tutela, Maria da Graça Carvalho. O dinheiro disponível no âmbito deste aviso, lançado em 2025 pelo Fundo Ambiental, foi distribuído pela Companhia das Lezírias e por várias associações e municípios, num total de 18 projetos candidatos que terão de estar concluídos até ao final de 2026, de acordo com o regulamento.

“Os investimentos aprovados abrangem áreas protegidas de norte a sul do país e resultam de parcerias entre municípios, associações de desenvolvimento, organizações não-governamentais e outras entidades locais”, afirma uma nota de imprensa do gabinete da ministra, que detalha que “as intervenções apostam na conservação da biodiversidade, na valorização do património natural, no turismo de natureza, na educação ambiental e numa maior participação das comunidades locais na gestão das áreas protegidas”.

Contas feitas, das 29 candidaturas que tinham sido apresentadas até ao encerramento deste aviso, no fim de novembro, a Agência para o Clima aprovou agora um total de 27. Destas, no entanto, apenas as 18 propostas com melhor classificação conseguem financiamento do Fundo Ambiental, incluindo 15 com apoio integral e outras 3 com apoio parcial, uma vez que o dinheiro disponível foi insuficiente para apoiar as restantes.

De acordo com a decisão aprovada, o montante máximo que podia ser atribuído, 200.000 euros, deverá ser entregue a três propostas, lideradas pela Companhia das Lezírias, pelo município de Portalegre e pela AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino. Outros nove projetos candidatos terão direito, cada um, a mais de 190.000 euros para concretizarem os seus planos de dinamização, numa área protegida a cuja cogestão estão ligados.

“As áreas protegidas são um dos maiores ativos naturais de Portugal e a sua preservação exige o envolvimento de quem vive, trabalha e investe nestes territórios. Estes projetos mostram que é possível conciliar conservação da natureza, desenvolvimento local e criação de oportunidades para as comunidades, através de um modelo de gestão mais participado, mais próximo e mais eficaz”, afirmou Maria da Graça Carvalho.

Ópera na Academia e na Cidade - Ópera e Zarzuela

 A Praça 6 de Abril acolhe o Concerto de Ópera – Ópera e Zarzuela, um espetáculo que reúne alguns dos mais belos momentos do repertório lírico, interpretados por um elenco de excelência.

13 de agosto
Praça 6 de Abril | Carrazeda de Ansiães
21h30
Entrada gratuita

Música no Património

 No próximo 8 de agosto, o Santuário de N.ª Sr.ª da Costa, em Seixo de Ansiães, recebe o concerto "Música no Património", integrado no projeto Ópera na Academia e na Cidade.
Antes do concerto, será inaugurado o novo Miradouro de N.ª Sr.ª da Costa, um espaço privilegiado para contemplar a paisagem.

8 de agosto
18h00 – Inauguração do Miradouro de N.ª Sr.ª da Costa
18h30 – Concerto de Música de Câmara "Música no Património"
Santuário de N.ª Sr.ª da Costa | Seixo de Ansiães

Obituário da Sé [Bragança] Tinta acrílica sobre papel | 150x120 - Francisco Veiga ~ 2026

Sinopse:

Local de encontro emblemático, os primórdios das redes sociais aconteciam ali: em frente a uma vitrine, na expectativa de quem passava, usando a memória do mais recente falecido como pretexto para romper o silêncio…

(Este trabalho está patente ao público na Estação das Artes - Mirandela, e faz parte da exposição coletiva "da.dah", que reúne produção artística dos docentes da ESE e ESACT da Universidade Politécnica de Bragança.

ALFÂNDEGA DA FÉ RECEBE NOVO COMANDANTE DO POSTO TERRITORIAL DA GNR

 O Município de Alfândega da Fé recebeu, nos Paços do Concelho, o novo comandante do Posto Territorial da Guarda Nacional Republicana (GNR), 2.º Sargento Morais, numa visita destinada a formalizar a sua apresentação às entidades locais.


O encontro serviu também para assinalar a saída do 1.º Sargento Passos Ferreira, que terminou funções no concelho depois de um período marcado pelo trabalho desenvolvido em articulação com o Município e pela proximidade com a comunidade.

Durante a ocasião, a autarquia destacou o profissionalismo, a dedicação e o espírito de cooperação demonstrados pelo militar ao longo do exercício das suas funções, deixando uma palavra de reconhecimento pelo serviço prestado à população de Alfândega da Fé.

Ao novo responsável pelo Posto Territorial, o Município desejou sucesso no desempenho da nova missão e manifestou disponibilidade para manter e aprofundar a cooperação institucional com a GNR.

A autarquia sublinha que esta articulação entre as entidades locais e as forças de segurança é fundamental para reforçar a proximidade, a prevenção e a resposta às necessidades da população, contribuindo para um concelho mais seguro.

Aos dois militares ficam, assim, votos distintos: ao 2.º Sargento Morais, de sucesso no novo cargo, e ao 1.º Sargento Passos Ferreira, de felicidades pessoais e profissionais na nova etapa.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

PLANO PARA O FUTURO DO DOURO PRETENDE REFORÇAR RENDIMENTO DOS VITICULTORES E SUSTENTABILIDADE DA REGIÃO

 A Região Demarcada do Douro deverá contar com novas medidas destinadas a melhorar a competitividade do setor vitivinícola, aumentar o valor gerado pela produção e garantir a sustentabilidade económica e ambiental do território.


A CCDR NORTE participou na elaboração do Plano Executivo para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola do Douro, documento coordenado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) e já entregue ao Governo.

A preparação do plano envolveu oito reuniões de trabalho com entidades públicas e representantes da fileira, num processo destinado a identificar os principais problemas do setor e definir respostas para os desafios que afetam atualmente a região.

Entre as preocupações identificadas estão a pressão sobre os rendimentos dos viticultores, o desequilíbrio entre a produção e a procura e a necessidade de aumentar o valor acrescentado dos vinhos produzidos no Douro. A proteção da paisagem e dos recursos naturais surge igualmente como uma das prioridades.

O documento propõe, entre outras medidas, a criação de referências para os custos de produção, maior formalização das relações comerciais através de contratos escritos na compra e venda de uvas e novos mecanismos de apoio aos produtores.

Está também prevista a adoção de instrumentos para gerir a oferta, o reforço da promoção internacional dos vinhos do Douro e do Porto e uma aposta maior no enoturismo. A sustentabilidade ambiental e a preservação da paisagem duriense integram igualmente o conjunto de ações propostas.

O vice-presidente da CCDR NORTE, Paulo Ramalho, considera que a concretização destas medidas dependerá da capacidade de articulação entre produtores, empresas, entidades públicas e restantes agentes do setor.

O responsável defende ainda uma maior valorização do papel dos viticultores na cadeia de valor, lembrando que estes assumem também uma função essencial na manutenção da paisagem e dos ecossistemas que caracterizam o Douro.

A estratégia ganha particular relevância num ano em que se assinalam 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, reconhecimento que reforça a necessidade de preservar um território cuja identidade está profundamente ligada à atividade vitivinícola.

O plano pretende, assim, servir como base para uma estratégia de longo prazo capaz de equilibrar os diferentes interesses da fileira, melhorar a capacidade económica dos produtores e reforçar a sustentabilidade de uma das regiões vitivinícolas mais reconhecidas de Portugal.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

VINHAIS REFORÇA APOIO A AGRICULTORES AFETADOS PELOS INCÊNDIOS COM DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTO ANIMAL

 Os agricultores afetados pelos recentes incêndios no concelho de Vinhais receberam uma nova resposta de apoio, com a distribuição de alimento destinado aos animais das explorações atingidas pelas chamas.


A ação decorreu na manhã de ontem nas freguesias de Vale das Fontes e Rebordelo e teve como objetivo responder às necessidades mais urgentes dos produtores que viram as suas explorações afetadas pelos incêndios.

O alimento foi disponibilizado pela Cooperativa dos Agricultores de Vinhais, CRL, com o contributo da Cevargado – Alimentos Compostos, Lda., empresa integrada no Grupo AGROS – União de Cooperativas de Produtores de Leite.

A identificação dos agricultores e o levantamento das necessidades ficaram a cargo da Câmara Municipal de Vinhais, da PRORURIS e das respetivas Juntas de Freguesia, que também coordenaram a entrega dos apoios no terreno.

A iniciativa integra o conjunto de medidas que têm vindo a ser mobilizadas para apoiar o setor agrícola após os incêndios e reduzir os impactos provocados nas explorações e nos meios de subsistência dos produtores.

As entidades envolvidas pretendem manter a procura de soluções junto de organismos públicos e privados, com o objetivo de reunir novos apoios para os agricultores afetados e contribuir para a recuperação das explorações atingidas.

A resposta conjunta das instituições locais e das entidades do setor pretende, desta forma, garantir que os produtores não ficam isolados perante as consequências dos incêndios e que recebem apoio numa fase particularmente difícil para a atividade agrícola do concelho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

TORRE DE MONCORVO REFORÇA REDE MUNICIPAL DE DESFIBRILHAÇÃO

 O Município de Torre de Moncorvo reestruturou o Programa Municipal de Desfibrilhação, com o objetivo de tornar a resposta a situações de emergência cardiorrespiratória mais rápida e eficaz.


Os equipamentos de Desfibrilhação Automática Externa (DAE) encontram-se já operacionais e foram distribuídos por diferentes espaços públicos e meios de socorro do concelho.

A rede inclui a Escola Visconde Vila Maior, a Escola Dr. Ramiro Salgado, as Piscinas Municipais Cobertas e Descobertas, a Biblioteca Municipal, o Cine-Teatro/Escola Municipal Sabor Artes e o Campo de Jogos Dr. Camilo Sobrinho.

A par destes equipamentos fixos, existem ainda DAE no veículo de patrulhamento da Guarda Nacional Republicana e no veículo de comando dos Bombeiros Voluntários de Torre de Moncorvo, permitindo reforçar a capacidade de resposta em ocorrências no território.

Com esta reorganização, o Município pretende otimizar os recursos disponíveis e assegurar uma rede de emergência mais abrangente, numa área em que cada segundo pode ser determinante para salvar uma vida.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR