quinta-feira, 4 de junho de 2020

Reportagem SIC-Bicho da seda-12-07-2003

Negociantes, almocreves, trabalhadores rurais, mendigos, vagabundos e criminosos

Negociantes e almocreves portugueses e espanhóis, trabalhadores rurais, mendigos, vagabundos e criminosos deslocavam-se, por razões de negócio, trabalho ou mendicidade, entre Bragança e a Espanha. Mesmo tendo em conta o exercício regular de uma atividade comercial legalizada, o fenómeno do contrabando obrigava a uma apertada vigilância sobre todos eles.
O Governo Civil de Bragança referia que sendo os passaportes obrigatórios, existiam fortes motivos para os negociantes e almocreves espanhóis não os solicitarem atempadamente ou nunca os exigirem, devido ao contrabando que, de forma furtiva, pretendiam realizar, não dando visibilidade, assim, à sua atividade. Com efeito, os espanhóis tinham “repugnância” em pedir passaporte para o exterior, porque “como de ordinário vêm buscar a este Reino façanhas, por contrabando”, não estavam interessados em dar conhecimento às autoridades os seus desígnios.
A lei determinava que era imperioso elaborar e registar corretamente as licenças ou guias de circulação dos estrangeiros que exerciam atividades comerciais como negociantes, almocreves e outros que se dedicavam ao transporte de mercadorias ou a vendas ambulantes, bem como conhecer-se o itinerário dos almocreves espanhóis, oriundos de Zamora ou de outras partes da região de Castela-Leão, que se dirigiam para Bragança.
Quanto às licenças concedidas a negociantes espanhóis, determinavam os regulamentos que estes não podiam ter lojas comerciais enquanto a licença não estivesse selada competentemente. Muitos comerciantes locais atestavam a favor de mercadores espanhóis com quem transacionavam produtos, confirmando os seus contínuos giros comerciais, dado que eram conhecidos e abonados pelos negociantes da Cidade de Bragança, estando, assim, dispensados de apresentar “passaporte visado”. Por exemplo, em 1840, os cidadãos espanhóis Pedro Romero e Pedro de Santiago foram encontrados sem passaporte, mas não foram presos porque, tal como a maior parte dos espanhóis comerciantes que entravam e andavam na região, em negócios, eram conhecidos pelos habitantes locais, que serviam de testemunhas abonatórias.
Os espanhóis que entravam pela raia seca com o objetivo de se ocuparem nas fainas agrícolas temporárias, a um ritmo cíclico e sazonal de sementeiras/colheitas, em migrações igualmente temporárias, tinham de se apresentar às autoridades das terras da fronteira, para estas inspecionarem a sua legitimidade, procurando, no entanto, dentro da conformidade da lei, facilitar ou não criar obstáculos de maior à entrada no Reino “destes espanhóis que vierem ocupar-se nos trabalhos rurais, exigindo-lhes somente o simples passaporte da autoridade local dos seus respetivos domicílios, sem necessidade de ser visado pelos nossos cônsules ou agentes diplomáticos.
Os jornaleiros que de Espanha entrarem neste País a procurarem serviço e trabalho rural, serão considerados como pessoas conhecidamente pobres e nessa qualidade devem ser- lhes concedidos gratuitamente os passaportes necessários para transitarem pelo interior do Reino, como bilhetes de residência, a fim de permanecerem nas terras em que eles efetivamente trabalharem” – assim refere a portaria de 29 de abril de 1840.
Com efeito, as migrações periódicas ou deslocações sazonais para certos trabalhos agrícolas, a partir da Terra Fria, mais concretamente do Município de Bragança, para Espanha, constituíam uma realidade que vinha já desde o século XVIII. Bandos de trabalhadores atravessavam a fronteira para participarem nas ceifas em Sanabria, Alcanizes, Zamora e por vezes mais longe, em migrações pautadas pelo calendário agrícola da região de Castela-Leão.
Para além de negociantes, almocreves e trabalhadores rurais, circulavam também outros espanhóis das mais diversas categorias. Ainda em 1876, o Governador Civil de Bragança dava instruções aos regedores das paróquias confinantes com a Espanha para vigiarem com especial cuidado e “incessantemente todos os espanhóis que não forem dos que habitualmente se ocupam em negócios próprios ou venham empregar-se nos serviços agrícolas, apreendendo e fazendo apreender os que encontrarem suspeitos ou se apresentarem para entrar ou sair do Reino sem estarem munidos de passaporte ou que pretenderem sair, e sem mostrarem documento passado em Espanha os que pretenderem entrar em Portugal”.
Os criminosos, mendigos e vagabundos, identificados como tal, eram vistos como elementos marginais e perigosos que podiam comprometer a segurança das povoações, unindo-se a quadrilhas de saqueadores e malfeitores, como refere a circular de 3 de dezembro de 1847.
O Governo Civil de Bragança, em 1860, tinha plena consciência de que as providências adotadas relativamente à mendicidade eram geralmente esquecidas, considerando que se viam “por toda a parte mendigos estranhos e principalmente naturais do Reino vizinho e os próprios do Distrito deixam de trazer as placas de metal que os identificam para com a sociedade, nos pedidos de esmola daqueles de seus membros que a autoridade reconheceu como incapazes de viver com o suor de seus rostos e como pede a dignidade humana”.
Identificar quem circula na região e quais as razões do seu trânsito ou permanência, permitiu recensear numerosas situações relacionadas com as infrações, punições e diligências da mais diversa natureza, que nos permitem concluir que os espanhóis faziam parte do quotidiano de Bragança, a quem a Cidade não era estranha por razões de natureza familiar, residência, trabalho, atividade ambulante ou fixa na Cidade ou Concelho, em movimentações temporárias, sazonais ou definitivas que, não raras vezes, extravasavam os limites territoriais do Município.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

O ARMÉNIO

O Arménio nasceu pobre. Para a esmola ser menor nasceu filho de pai incógnito. Raras vezes, na sua meninice usufruiu de duas refeições seguidas de tirar a tripa de misérias. Na Páscoa, na festa em honra do senhor São Pedro, quando o convidavam a participar na matança dos porcos. Pouco mais.

Ser zorro na aldeia não era novidade, o ferrete saía das aguilhadas, galhas, e palavras acintosas quando o infeliz menino, era o menino meu predilecto companheiro de infância, praticava um qualquer acto a desagradar às zelotas e ímpios das públicas virtudes e vícios privados, nessas alturas tal como as escrófulas eram exibidas pelos pobres de pedir (havia muitos) o signo sainete de ser filho de mãe solteira soava perto da casa da avó (a senhora Albina) como o sino maior da igreja lembrava a todos o ir principiar a missa dita pelo Padre Aurélio que deixava a égua rabuda numa loja de um homem de semblante terroso, lábios cortados à navalha, avantajado na estatura, por isso chamado Xico-grande. Este sebandija espancou vil e violentamente o Arménio porque aos seis anos de idade lhe cortou meia dúzia de favas com a minha cumplicidade. O bruto bateu no rapazinho como o malhador bate em centeio verde. O Arménio não viveu num palacete de brasão esquartelado a significar bastardia, viveu numa decrépita casa com um cabanal esborralhado no terreiro de Lagarelhos. Na origem do berço reside toda a diferença apesar de inúmeros zorros terem singrado na vida.

O corpo inerte do Arménio foi transportado para junto da segunda mãe, colocaram-no em cima do escano, vi a extremosa avó limpar-lhe os lanhos com vinagre, e rugia para dentro a sua revolta brotando lágrimas de revolta impotente. Os vizinhos dissuadiram a mãe da criança de apresentar queixa na guarda por que sendo pobre e tendo um filho zorro não podia pagar a demanda nem conseguia respeitos, ela mulher obscura, a Nair tratada por Naíde, ele proprietário e anfitrião do pároco da freguesia. Vi o meu querido amigo salpicado de nódoas negras sem eu nada poder fazer; salvei-me do mesmo tratamento em face de o lapuz ter receio de enfrentar o meu tio e padrinho e a mulher dele ser amiga da minha avó. Por mim continuo fremente de raiva em virtude não ter podido auxiliá-lo, no que tange ao sinistro espancador passei a desviar-me dele, a nunca lhe falar. Os anos foram correndo, os pobres continuaram a salmodiarem orações até receberem a esmola quantas vezes de comida desdenhada pelos cães, ou a remendada resposta: hoje não pode ser. O Arménio cresceu, ingénuo e confiado, quando pretendia participar nos bailes de inverno, os «bondosos» rapazes pediam às «bondosas» raparigas para o atraírem levando enterrar as socas na cama do lodaçal em redor do «tablado» da bailação.

A vida levou a espaçarmos os encontros, a necessidade levou a emigrar, primeiro foi explorado em Espanha, três ou quatro duros por dia, de ver a ver, era o horário, veio-se embora.

Encontrei-o na festa em honra do chaveiro do céu, na procissão o Senhor São Pedro vai no andor, chaves numa mão, olhar sereno de pescador de almas, cabelo canoso, barba a condizer, túnica azul debruada a ouro, vai abençoar as mulheres, os homens, as casas, ao campos. Tudo. Do meu quintal observei os padres e os fiéis a cantarem e a segurarem os andores, também vi o Arménio, não tardou a abraçar-me aos repelões batendo-me as mãos calejadas nas minhas costas. Não tardaram os seus olhos a explodirem em lágrimas, logo seguidas de explicação da causa: quis ajudar a levar um andor. Os «generosos» rapazes da mesma idade impediram-no! Nada lhe disse. Estivemos tarde fora a reviver facécias da meninice, desaconselhei-o a não se meter no baile. Passados dias, em Bragança, deu-me a novidade: vou para França. E, na terra dos gauleses mourejou durante anos, casou com uma portuguesa das bandas de Celorico da Beira, teve filhos e regressou. Acidentalmente, no dia posterior ao funeral do seu tio Cândido voltámos a abraçar-nos. O momento não propiciou grandes efusões, combinámos um encontro no nosso terrunho de infância que nos proporcionou grata alegria ensombrada ao rememorarmos aqueles atrozes episódios de falta de nome do pai, nessa altura já ele podia assinar Bernardes pois a mãe casara com o Sr. Regino pai dos seus irmãos, o Lelo e o Eugénio. A rememoração deslizou até o seu filho, moço de quinze ou dezasseis anos lembrar a hora de partida. Um abraço, desceu as escadas da casa Buiça, eu fiquei a rever a sua imagem de menino triste, de olhar receoso trespassado de inocência, que me estendeu um bocado de queijo amarelo (flamengo) cortado de uma rodela recebida pela mãe numa acção de farisaica caridade da assistência social de Vinhais. Eu estava ansioso em cravar os dentes naquela novidade destinada às pessoas de reduzidos ou nenhuns recursos.

Há quatro meses, na Feira do Fumeiro de Vinhais, a sua Tia Gracinda encontrou-me a conversar com o Teófilo, por ela soube da morte do Arménio na sequência de um cancro. No regresso até onde vivo, durante quatro horas, o menino de pele e dedos gretados a suarem dolorosas gotas de dor que se chamavam frieiras povoou a melancólica viagem. O afã temporal foi substituído pelo medo e imposição de regras consequência da pandemia. A evocação do Arménio foi sendo adiada. Tardiamente reparo a falta.

Armando Fernandes

Espanha volta atrás com decisão e só abre fronteiras a partir de 1 de Julho

Afinal, Espanha vai aguardar até 1 de julho para reabrir as fronteiras terrestres com França e Portugal.
A informação foi avançada esta tarde pelo Ministério do Turismo, horas depois de a titular da pasta ter anunciado de manhã a reabertura para 22 de junho.

Num comunicado, é dito que se mantém para 1 de julho a data para a abertura ao turismo internacional e a recuperação da mobilidade internacional.

Escrito por Rádio Ansiães

QUE PRIORIDADES PARA A HUMANIDADE?- PARTE II

A natureza traz-nos surpresas, também a atividade humana tem a incerteza como elemento indissociável. Edgar Morin refere “tentamos cercar-nos com o máximo de certezas, mas viver é navegar num mar de incertezas, através de ilhotas e arquipélagos de certezas nos quais nos reabastecemos”. No século XXI, a fome, as epidemias e a guerra continuarão a ser preocupações da humanidade, apesar dos progressos feitos no século XX, no campo da ciência, da tecnologia, do crescimento económico, da cooperação global entre estados, assim como do reforço das democracias e Estados de direito que abriram novos horizontes e reduzindo muito o sofrimento humano.

A questão é de se perceber se estas prioridades continuarão a ocupar o topo da agenda da humanidade ou se serão substituídas por outras e quais. Os sucessos da humanidade sempre a conduziram na procura de objetivos mais ousados, grupos de inovadores estão com os olhos no futuro, focados em várias áreas e prioridades. Um grupo significativo está focado em três novas prioridades da humanidade: a luta contra o envelhecimento, a procura de felicidade coletiva, a conquista de poder ilimitado, agenda que pensam poder dar expressão ao sonho humanista liberal, baseado nos pressupostos do mercado livre, nas eleições democráticas, na crença de que cada ser humano é único e irrepetível e que as suas escolhas livres são a última fonte de autoridade.

Sendo a mudança uma constante na história da humanidade, é possível que as mudanças para a concretização dessas prioridades, venha a atacar os alicerces do humanismo, ao criar potentes novas tecnologias, pós humanistas, com base na evolução da eng.ª genética e da inteligência artificial, com alterações radicais na organização das sociedades e no próprio ser humano.

Ao contrário de séculos passados, a cultura contemporânea consagra a vida como valor supremo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU 1948) consagra o “direito à vida” como valor fundamental da humanidade. A Declaração de Independência (1776), documento fundador dos Estados Unidos da América inscreve como direitos inalienáveis, a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

O desenvolvimento da engenharia genética, da nanotecnologia e os interfaces cérebro-computadores, permitirá aperfeiçoar uma elite reduzida e privilegiada de humanos, dotando-os de capacidades avançadas. Entretanto os algoritmos vão ocupando os lugares dos humanos no mercado de trabalho, a riqueza e o poder tendem a concentra-se ainda mais numa elite muito reduzida, detentora de novas competências e da tecnologia, acentuando as desigualdades sociais.

No outro campo poderá vir a estar a maioria dos humanos sem condições de acesso a programas e medidas de aperfeiçoamento pessoal e uma grande parte da mão de obra ativa não-trabalhadora, substituída por algoritmos inteligentes, pela robotização da indústria, da agricultura, dos serviços, pelo avanço da internet das coisas.

Há poucos anos era impensável que seres humanos viessem a ser substituídos por algoritmos informáticos inteligentes, na condução de veículos de mercadorias, de transportes públicos, de veículos ligeiros autónomos e conectados entre si. É neste contexto de forte inovação tecnológica e digital que o mundo laboral está pressionado por uma mudança radical, em que o sistema económico e político tenderá a dar mais valor à humanidade, menos ao individuo, por sua vez, as pessoas por decisão própria, vão no dia a dia transferindo parte da sua capacidade de decisão para sistemas informáticos (algoritmos inteligentes).

Conjugada a desigualdade de rendimentos com o fosso biológico que pode ser criado, a humanidade pode caminhar para uma maior desigualdade. A sociedade pode ser muito distinta da atual e dos valores que ditaram a Carta dos Direito Humanos, nomeadamente a vida como direito inalienável.

Ao longo da História, vários pensadores e filósofos elegeram a felicidade como bem supremo, de procura pessoal, tendo Epicuro Samos (filósofo ateniense, séc. IV a.C.), alertado os seus discípulos de que ser feliz dava muito trabalho e que o excesso poderia trazer a infelicidade. Na atualidade passou a ser considerada como um bem de procura coletiva. Alguns filósofos, políticos e economistas consideram que a medição do sucesso das nações não deveria ser calculada exclusivamente através do PIB per capita, mas sim acrescentando-lhe um indicador de felicidade.

Uns tentarão a chave da felicidade, na combinação adequada, entre o trabalho, a política, a religião, o lazer, a família e as vivências em comunidade, num percurso natural, outros optarão por soluções eventualmente mais fáceis, tendo por base a investigação cientifica no âmbito da bioquímica e da genética do ser humano. O mercado licito produzirá quase tudo o que possa transmitir sensações agradáveis sem limite, na procura do prazer infinito, mesmo assim tudo pode ser insuficiente. O mercado ilícito atuará como na atualidade, de forma sofisticada e organizada, obrigando os estados a manter guerra aberta com meios poderosos e dispendiosos para proteger os cidadãos e as instituições.

O desenvolvimento da biotecnologia e da inteligência artificial irão mudar o mundo, reconfigurar a sociedade, a economia, o ser humano. A conquista de mais poder no planeta e na galáxia e até no universo pode seguir caminhos de transformação do ser humano, de manipulação biológica, manipulação cibernética ou a manipulação de seres não orgânicos. Controlar e escrutinar este percurso visando o poder ilimitado, é um desafio da cidadania e para as democracias. No elemento escultórico da Ciclovia do Fervença esta escrito: “O fim último da ciência é a honra do espirito humano” – C.G. Jacobi (1804-1851). Há novos caminhos que a ciência vai abrindo, promovendo mudanças que devem ser escrutinadas, feitas de forma transparente. É preciso perceber como a ciência olha em termos de futuro para o ser humano e para a vida, como se liga a inteligência artificial com a consciência e a ética, por outro lado será necessário saber manter a distinção entre o que é religião e o que é ciência.

Prever o que poderá ser a sociedade no final do séc. XXI, é um exercício para filósofos e futuristas, já fazer previsões para 2050 é um exercício de estratégia política não dispensável. A verdade é que a mudança está a acontecer, que a humanidade tem que repensar o modelo de desenvolvimento económico futuro, tem que escrutinar mudanças radicais que poderão abalar os alicerces do humanismo, na organização do sistema social e político, na família, nas religiões.

Ponderar prioridades de médio e longo prazo é um exercício que não podemos dispensar. A atual crise sanitária abanou a humanidade, fez questionar projetos tidos como imutáveis, gerou mais incerteza, questionam-se prioridades e modos de vida e por isso, para olhar em frente e atravessar a tempestade, vale mais ter um mapa e um leme do que não ter mapa nenhum. Assim, a conclusão desta reflexão visa tentar perceber três prioridades para a nova agenda da humanidade, que me parecem ser: as alterações climáticas, a proteção da humanidade e do planeta contra um desastre ecológico global; a alteração do modelo económico para a economia verde e justa; Um Sistema Social e de Saúde Pública que proteja todos. As alterações climáticas são a principal ameaça à vida no planeta como hoje a conhecemos. A intensa emissão de gases com efeito de estufa, resultado da atividade humana, está a provocar o aquecimento global no planeta, a temperatura média está a subir, os glaciares a derreter, o nível de água nos oceanos a subir.

Alterações climáticas extremas estão a provocar inundações e secas extremas, que provocam grandes fluxos migratórios entre regiões e estados, alteração de preço das matérias-primas e de bens alimentares essenciais, danos em infraestruturas públicas e privadas, importantes perdas na economia em geral, perda de biodiversidade no planeta e de vidas humanas. Em 2019, o primeiro dia de agosto foi referido pelo “Global Footprint Network”, como o dia do ano em que se caminha na utilização excessiva dos recursos da Terra, tendo como medida a Pegada Ecológica, medida de sustentabilidade de utilização dos recursos do planeta, significando que até ao final do ano estaremos a viver consumindo recursos de gerações futuras, que ao ritmo de consumo atual, os recursos do planeta serão insuficientes para alimentar seis mil milhões de habitantes, pelo que, alimentar nove mil milhões de pessoas em 2050 é um desafio de grandes proporções.

As alterações climáticas são uma prioridade em todas as equações, desde a política, à economia, ao estilo de vida das comunidades. As principais religiões acompanham esta grande preocupação, tendo o Papa Francisco publicado em 2015 uma Encíclica sobre ecologia. É cada vez mais claro serem necessárias políticas globais e reais de compromisso no combate às alterações climáticas, antes de arruinarmos o planeta e provocarmos uma catástrofe ecológica de grandes proporções. É preferível que as gerações futuras se refiram á atual como geração inteligente que foi capaz de alterar o rumo predador sobre os recursos do planeta, em vez de nos apelidarem de estúpidos e atrasados. A vida é a nossa primeira preocupação, só podemos dispor de uma, de igual modo devemos cuidar da Terra, por enquanto a nossa única Casa Comum, apesar da cooperação internacional e dos elevados recursos científicos e financeiros investidos na descoberta do espaço galáctico. Para termos uma sociedade viável, necessitamos dispor de um ambiente viável. James Canton escreveu “fazemos parte do ambiente, do planeta vivo. Isto parece algo quase espiritual, e de facto é-o”. A batalha global contra as alterações climáticas e a preservação da vida no planeta está em curso, as gerações mais jovens estão nas ruas e pressionam a aceleração de decisões de mudança.

A segunda prioridade é a da descarbonização da economia, a passagem da economia baseada nos combustíveis fósseis para a economia baseada nas energias limpas, a economia verde e do conhecimento. Trata-se de olhar os desafios do futuro adotando estilos de vida compatíveis que permitam aos seres humanos uma vida digna e feliz, podendo ser alcançada sem desperdiçar imenso do que faz falta a centenas de milhões de cidadãos, uma vida de equidade na utilização dos recursos e garantia de que o planeta não fica a saque da ganância, pondo em causa a vida e a liberdade das próximas gerações.

Na era moderna, os ciclos de estagnação ou recessão económica são tidos com grandes preocupações, a sociedade crê que o crescimento continuado é possível e necessário, para consumir mais e alcançar melhorar padrões de vida, para ter momentos mais felizes, para alimentar a população que cresce a um ritmo como nunca aconteceu, agora com maior longevidade. Enfrentar a pobreza exige mais economia, mais emprego, a não ser assim, optando pela estagnação, só poderia acontecer retirando rendimento aos que tem mais, baixando o nível de vida da classe média alta.

A realidade das decisões tem que conjugar vários fatores com o crescimento exponencial da população mundial e o baixo ou muito baixo rendimento em muitos países, pelo que a redução da atividade económica ou mesmo do crescimento zero não é opção. A humanidade está confrontada com duas corridas paralelas e divergentes, a de aumentar o ritmo do progresso cientifico e tecnológica e do crescimento económico e por outro não podemos aproximar-nos demasiado do apocalipse/desastre ecológico, colocando todas as forças da natureza contra o homem.

O capitalismo acredita que a economia poderá continuar a crescer indefinidamente, a produzir tudo, para isso terá que ser descoberta uma reserva inesgotável de recursos. A indústria produz imenso bens absolutamente supérfluos ou mesmo lixo sem qualquer utilidade, recorrendo a mão de obra com remunerações irrisórias, em situação de total precaridade e sem direitos sociais, para além de que as pessoas acumulam bens e objetos absolutamente inúteis, para além de terem perdido o hábito de reparar e reutilizar. Alguns futuristas e empreendedores pensam obter resposta para obtenção ilimitada de novos recursos, na conquista de novos planetas e até de galáxias. Entretanto, as decisões económicas tomadas com os pés na Terra obrigam-se a seguir outros caminhos de expansão, recorrendo aos avanços da ciência que permite aos humanos descobrir novas matérias-primas e fontes de energia.

Á visão do planeta enquanto sistema limitado de recursos: matérias primas e energia, contrapõem-se a de três tipos de recursos: matérias primas, energia e conhecimento que é um recurso progressivo, quanto mais temos mais usamos. A nanotecnologia, a engenharia genética e a inteligência artificial estão a revolucionar a produção, a criar novos produtos, tentando encontrar soluções para a escassez de recursos no planeta. Todo o poder de recursos e de conhecimento alcançado deve ser agora colocado na prioridade de construir uma economia global amiga do ambiente, em todos os setores: agricultura, na indústria, nos serviços. A verdadeira ameaça de colapso da economia e de convulsões politicas e sociais descontroladas é a destruição dos ecossistemas, ao ponto de colocar em causa a sobrevivência da civilização humana. Como resposta a humanidade está a por em curso uma mudança global para um futuro viável no planeta, cientes de que, tal como a era da pedra não acabou por falta de pedra, também a era do petróleo não acabará por falta de petróleo, sim pelo avanço do conhecimento na descoberta de energias de fontes limpas e inesgotáveis.

Como terceira prioridade da agenda da humanidade parece- -me ser a de todos os países darem prioridades à criação ou reforço de um Sistema Social Universal e um Sistema de Saúde Pública que proteja todos. A vida, valor supremo consagrado pela Sociedade Contemporânea, vale a pena ser vivida, seja qual for o caminho seguido rumo ao futuro, por mais incógnito que seja, e neste percurso, a condição humana não pode distanciar-se da evolução tecnológica e do mercado.

A inovação em setores como a biotecnologia, a nanotecnologia, a inteligência artificial, é o combustível da economia do futuro. Está a mudar a sociedade, a economia, o ser humano. A Inovação gera mais inovação, processo imparável para uma mudança radical, no mercado laboral, em que o avanço da internet das coisas, de algoritmos inteligentes e a robotização da indústria, da agricultura e dos serviços, irá reduzir a presença dos humanos nos locais de trabalho. Estamos a caminhar para uma sociedade em que uma parte significativa da mão de obra ativa não terá lugar no mercado de trabalho e as desigualdades sociais podem agravar-se. Os recursos do planeta podem concentrar-se ainda mais em grandes investidores, em fundos agressivos e nas oligarquias de estados ditatoriais ou de estados “predadores”.

A atual crise sanitária veio evidenciar a pobreza, por à vista a muita precaridade da mão de obra em grandes nações, como a Índia e outros países asiáticos e de outros continentes, em que sem direitos sociais, remunerações miseráveis e em plena precaridade, produzem a baixo custo, muito do que as sociedades mais desenvolvidas consomem avidamente, sem que os sistemas de regulação e os cidadãos se questionem sobre as condições humanas ou desumanas da cadeia logística e de produção. As manifestações contra a fome em cidades como Santiago do Chile, as filas enormes de cidadãos na periferia de Joanesburgo para receberem ajuda alimentar de ONG, a fuga das cidades para o campo de milhões de indianos que de um momento para o outro ficaram sem trabalho, eram impensáveis sobre o medo da fome.

Veio igualmente por à prova os sistemas de saúde pública, dos países mais pobres aos mais desenvolvidos, evidenciando ser prioritário reorientar parte da capacidade de investigação e de desenvolvimento, de reduzir o orçamento militar para fortalecer os sistemas de saúde pública, visando a melhoria dos cuidados de saúde, de higiene, alimentares, o aumento da esperança de vida, trazendo todos os povos do planeta a um patamar de maior igualdade e dignidade de vida. Por isso me parece que lutar por um Sistema Social Universal e um Sistema de Saúde Pública que proteja todos, é uma das três prioridades da humanidade.

Precisamos mudar a nós próprios para mudar o mundo, ter esperança no futuro. “A esperança é uma questão de fé! Fé em que, apesar de tudo apontar no sentido contrário, há-de correr tudo bem! – Desmond Tutu. Partilho esta visão no quadro da reflexão que desenvolvi, na perspetiva do médio e longo prazo, se pensarmos no presente e no curto prazo, então é claro que muita coisa ficará diferente e que nas famílias lançadas na pobreza e nas muitas empresas que não reabrirão ou não conseguirão sobreviver, haverá muito sofrimento.

Concluo com a ideia de que as prioridades para a nova agenda da humanidade, deveriam ser: as alterações climáticas, a proteção da humanidade e do planeta contra um desastre ecológico global; a alteração do modelo económico para a economia verde e justa; Um Sistema Social e de Saúde Pública que proteja todos.

Jorge Nunes

Inspetor das Finanças de Bragança detido pela Polícia Judiciária por corrupção

O Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (PJ) procedeu à identificação e detenção de um inspetor tributário da Direção de Finanças de Bragança, pela presumível autoria do crime de corrupção passiva para ato ilícito.
A detenção contou com a colaboração da Autoridade Tributária e Aduaneira. "A investigação tem por objeto eventuais práticas corruptivas praticadas pelo arguido no âmbito da atividade inspetiva da Autoridade Tributária e relativa à cobrança de impostos junto de vários sujeitos passivos.

A investigação culminou com a realização de 2 buscas domiciliárias e não domiciliárias na cidade de Bragança e na recolha de vários elementos probatórios, informou a PJ em comunicado.

O detido, com 46 anos. inspetor tributário, vai ser presente a interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.


Glória Lopes

Espanha reabre fronteiras com Portugal e França a 22 de Junho

A ministra espanhola do Turismo anunciou, hoje, que Espanha reabrirá as fronteiras, com Portugal e França, a partir do próximo dia 22.
A ministra adiantou ainda que é possível que, nesse dia, também seja levantada a quarentena para pessoas que cheguem de Portugal ou França através da fronteira terrestre. 
Na passada terça-feira, o ministro português da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse que a fronteira terrestre iria estar encerrada até 15 de Junho e enquanto o país vizinho mantivesse a quarentena interna.

Escrito por Brigantia

Estúdios de tatuagens reabrem e tentam recuperar prejuízos

Os estúdios de tatuagens puderam voltaram a abrir portas na segunda-feira, na terceira fase de desconfinamento.
Ao longo dos últimos dias, antes da reabertura se poder dar, vários tatuadores protestaram, dizendo-se esquecidos e deixados de parte. Na origem das reclamações estava o facto de os cabeleireiros, esteticistas e barbeiros terem podido abrir na primeira fase de desconfinamento, sendo que, fiscalmente, os tatuadores sempre estiveram incluídos no mesmo CAE que classifica as actividades económicas. Pedro Rodrigues, proprietário de um estúdio de tatuagens, em Bragança, alega que o CAE chegou mesmo a ser alterado, nos últimos tempos e não percebe porquê.

“Ainda hoje não percebo. Foi alterado quando? Agora que aconteceu isto do vírus? E não nos avisam”, questiona.

Os tatuadores alegaram que estar sem trabalhar não fazia sentido, uma vez que, nesta profissão, é prática o uso de máscara, luvas e material descartável. Ainda assim, estes profissionais ficaram para a última fase de desconfinamento e, para Pedro Rodrigues, estar tanto tempo parado foi bastante prejudicial para o negócio.

“Foi deveras difícil e está a ser ainda, porque agora vai ser uma fase de recuperação que é complicada, com o pagamento de salários, para evitar despedir gente da equipa, contas de serviços, como até a recolha de lixo contaminado, temos de ter uma empresa que venha recolher os lixos que não podemos nós transportar e até essas contas  nos foram exigidas”, referiu.

O tatuador brigantino garante que as pessoas não têm receio em ir ao estúdio e que apenas foram desmarcados alguns trabalhos, que estavam agendados para Agosto, sobretudo de emigrantes que não sabiam se poderiam vir a Portugal no verão. “Conseguimos recuperar todas as marcações perdidas. Tivemos algumas desmarcações para o mês de Agosto de pessoas que estão em França e que forma apanhadas de surpresa”, referiu.

Nesta fase, o cumprimento das regras sanitárias e atendimento por marcação prévia são normas a seguir nos estúdios de tatuagens. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Laboratório Colaborativo More desenvolve mais de 30 projectos no primeiro ano de actividade

O Laboratório Colaborativo More de Bragança está a completar um ano de actividade.
O centro de investigação instalado no Brigantia Ecopark, além de reunir 24 profissionais, ao longo deste primeiro ano de trabalho já conseguiu elaborar mais de 3 dezenas de propostas de investigação e desenvolvimento. Segundo Andrey Romanenko, director executivo do CoLab More, a maioria deles destina-se a melhorar o desempenho ou criar novos produtos para empresas.

“No final do primeiro anos, temos mais de 30 propostas, com um investimento total acima de 3 milhões de euros, que é o triplo do investimento em recursos humanos. Quase todos os projectos envolvem empresas, o que é uma prova que as empresas têm interesse e beneficiam da nossa colaboração”, sustenta.

O responsável do Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação considera que a estrutura pode ter um papel importante nesta fase, ajudando empresas na recuperação.

“Nesta conjuntura, é importante para as empresas ver o curto prazo e assegurar a liquidez, mas também é extremamente importante pensar a médio e longo prazo. Aí as iniciativas de investigação e desenvolvimento, com a criação de novos produtos, diversificação de mercado e internacionalização, são muito importantes e é preciso pensar nestes aspectos já. E o Laboratório More é um parceiro ideal para tratar destes assuntos”, sublinha.

O CoLab More faz parte da rede de 26 laboratórios colaborativos nacionais, que têm como principal função ser uma ponte entre as instituições de investigação e desenvolvimento e o mundo empresarial e a sociedade.

O Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação assume como objectivo principal a implementação de uma agenda de investigação e inovação nas zonas de montanha orientada para a criação de valor económico e social.

O consórcio junta unidades de investigação, laboratórios, instituições de ensino superior, centros tecnológicos e actores económicos, sociais e culturais. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Incêndio em prédio deixa cinco estudantes desalojados

Um incêndio num dos nove apartamentos de um prédio de quatro andares, em Bragança, deixou esta madrugada cinco estudantes africanos desalojados.
O alerta para os bombeiros de Bragança foi dado às 2h45, para um incêndio numa habitação na rua D. Pedro IV, no bairro da Coxa.

Devido aos estragos provocados pelo incêndio, sobretudo na marquise, o apartamento onde moravam os cinco estudantes deixou de ter condições de habitabilidade. Acabaram por ser realojados nas habitações de outros colegas.

Neste prédio moravam 27 pessoas.

No local estiveram cinco bombeiros, apoiados por uma viatura e elementos da PSP.

Na origem do incêndio deverá estar um curto circuito numa máquina de lavar a roupa que estava naquela divisão.

AGR

Associação Entre Famílias esgotou o ‘stock’ de alimentos

A Associação Entre Famílias, de Bragança, que presta apoio regular a 57 agregados familiares, já esgotou o seu ‘stock’ de alimentos, devido à impossibilidade de realizar o peditório habitual no mês de maio.
“De facto, 57 famílias, com um total de 258 pessoas em agregados familiares, às quais se vêm somando outros pedidos, não podem ser ajudadas, porque o nosso stock de alimentos chegou ao final”, explicou a associação, em comunicado. Por isso, lançou uma campanha. “Vimos solicitar-lhe que, por seu gesto direto, ou por gestos de outras pessoas suas conhecidas, atenda este pedido, entregando, na Sede da ENTRE FAMÍLIAS, o que estiver dentro da sua generosidade.
Se não puder entregar alimentos, pode deixar um donativo através do IBAN: PT50004520404023018581397

Horário: segundas, terças e sextas - das 09:00 às 12.30 horas;
quartas e quintas - das 14:00 às 17:30 horas.

AGR

quarta-feira, 3 de junho de 2020

LENGALENGA


Era não era,
Andava na serra
Com um boi de palha
E outro de merda.
Quando nisto,
Tristes novas me vieram.
Meu pai era morto,
Minha mãe por nascer!
Eu pus-me a pensar
Que no meu parecer
Isto não podia ser.
Agarrei nos bois às costas
E pus o arado a comer.
Depois, mais abaixo,
Ao passar um ribeiro,
Enrodilhei a aguilhada à cinta
E encostei-me ao tamoeiro.
Depois, mais abaixo,
Ao passar um regato,
Se não fosse um cão,
Mordia-me um cajato
Eu vi um homem a fugir
I Sentei-me para o agarrar
Peguei nos bois às costas,
Deitei o arado a pastar.
Tenho uma jaqueta nova,
Feita de mil modelos.
Não tem mangas, nem costas;
Está rota nos cotovelos.
Encontrei-me com dois fidalgos,
Fiz-lhe logo continência.
Pedi-lhe a cada um seu cigarro.
A mim fez-me boa diferença!
Pergunta requer pergunta.
Porventura me dirá:
- Qual o nome de um homem
Com a terminação em a?

RECOLHA (1985) de Artur dos Santos Madureira, Alfaião – Bragança.

FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Na edição de 1985: ilustrações de José Amaro
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE
BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
Iimpressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

SEF interceptou quatro espanhóis na fronteira de Quintanilha

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras interceptou no Ponto de Passagem Autorizado de Quintanilha, Bragança, quatro cidadãos espanhóis de que tentavam entrar em território nacional com droga e duas armas brancas.
O condutor do veículo tinha interdição de saída da área de residência e, após controlo documental aos restantes passageiros, verificou-se que todos eles tinham antecedentes criminais desde tráfico de estupefacientes, violência doméstica, agressão e assaltos

Os indivíduos foram entregues às autoridades espanholas e estas apreenderam droga e duas armas brancas na posse dos cidadãos espanhóis.

Nos últimos dias o SEF também deteve dois homens, portugueses, com mandados de detenção em outros dois pontos de controlo da fronteira terrestre.

Em comunicado do serviço de segurança, é ainda referido que a deteção de todas estas situações foi facilitada pelo SEF Mobile, um sistema pioneiro, rápido e seguro que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras está a utilizar nos controlos de fronteira e que já permitiu controlar mais de 110 mil cidadãos.

Desde o encerramento das fronteiras a 16 de Março, o SEF já controlou mais de meio milhão de cidadãos nos nove Pontos de Passagem Autorizados. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: OTC

Homem de Carrazeda esteve desaparecido de lar de Mirandela mas já foi encontrado

Um homem de 54 anos, utente do lar Nossa Senhora da Paz da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela esteve desaparecido durante mais de 36 horas.
Foi encontrado, ontem à noite, a caminhar na Estrada Municipal 578 que liga Mirandela à Trindade, próximo da aldeia de São Salvador.

O homem natural do concelho de Carrazeda de Ansiães, que tem dificuldades de locomoção, tinha desaparecido na manhã da passada segunda-feira, ainda antes das oito horas. 

Depois de ter saído para o habitual passeio matinal no exterior do lar, já não voltou para tomar o pequeno-almoço.

Na segunda-feira foram efetuadas algumas diligências para saber do seu paradeiro, mas só ontem à tarde foi montada uma operação de busca que envolveu 30 homens: 15 militares da GNR de Mirandela, com a ajuda de dois cães pisteiros, uma dezena de agentes da PSP de Mirandela e cinco operacionais dos bombeiros da cidade.

Percorreram durante várias horas algumas zonas da cidade e arredores, mas sem resultado.

Por volta das 21.30 horas, um médico que presta serviço na Santa Casa da Misericórdia de Mirandela avistou o homem, acidentalmente, quando circulava na sua viatura próximo da aldeia de São Salvador a cerca de seis quilómetros de Mirandela, a caminhar naquela estrada que faz a ligação ao IP2, na Trindade.

A própria diretora do Lar Nossa Senhora da Paz avisou as autoridades que se deslocaram ao local para o trazer de volta à instituição.

O homem está bem de saúde, apresentava apenas algum cansaço.

Município Macedense vai comparticipar em 50% as despesas com a sanidade animal

O município de Macedo de Cavaleiros está a ajudar os proprietários de explorações agropecuárias do concelho com a comparticipação de 50% das despesas com a sanidade animal de bovinos, ovinos e caprinos.
Apesar de surgir numa altura em que o prejuízo no setor é superior ao estimado, devido à crise pandémica, o vereador da autarquia, Rui Vilarinho, diz que a ajuda já estava a prevista e é para ficar:

“Coincide com este momento mas esta decisão já estava prevista, aliás, foi tomada no ano passado. O objetivo é ajudar os nossos agricultores em 50% na despesa que tiverem com a sanidade animal. Estava previsto começar no início do ano mas a prática de vacinação costuma ser em fevereiro/ março. A partir do momento em que os agricultores vacinem os seus animais, devem dirigir-se à Câmara Municipal e serão ressarcidos em metade do valor pago. É uma medida que vai ser implementada e é para ficar.” 

A medida abrange mais de 300 produtores e representa um investimento da autarquia entre 20 a 30 mil euros.
Para beneficiarem, os interessados devem entregar a fatura-recibo comprovativo do tratamento e IBAN no Gabinete de Empreendedorismo e Desenvolvimento Rural do município.

Escrito por ONDA LIVRE

Prisão preventiva para suspeito de agredir idosa durante assalto em Bragança

Detido terá arrombado uma janela de uma residência e, já no interior, surpreendeu a proprietária de 77 anos.
Um homem de 20 anos ficou em prisão preventiva por suspeita de ter agredido "violentamente" uma idosa durante um assalto em Bragança, informou esta quarta-feira a PSP.
O assalto ocorreu a 26 de maio e só mais tarde, depois de a vítima se encontrar hospitalizada, é que a polícia conseguiu identificar e deter o alegado autor pelo crime de roubo em interior de residência, segundo o Comandando Distrital de Bragança da PSP.

De acordo com a informação divulgada esta quarta-feira, o detido "terá arrombado uma janela de uma residência e, já no interior, surpreendeu a proprietária, uma idosa de 77 anos, colocando-a na impossibilidade de resistir, agredindo-a violentamente, de forma a obter bens patrimoniais".

"A vítima, de tal forma combalida, não conseguiu pedir auxílio, tendo sido socorrida horas mais tarde devido ao alerta dado por um familiar que não a conseguia contactar", descreveu a polícia, em comunicado.

A PSP "iniciou a investigação ao ocorrido, recolhendo vários indícios e provas" que levaram à identificação e posterior detenção do suspeito deste crime, classificado pelas autoridades de "grave e violento".

O suspeito foi presente ao tribunal que lhe aplicou a medida de coação mais gravosa e fica a aguardar o desenrolar do processo judicial em prisão preventiva.

AVISO | TRÂNSITO CONDICIONADO – Praça da Sé e Rua dos Combatentes da Grande Guerra

Informamos de que o trânsito estará condicionado na Praça da Sé e Rua dos Combatentes da Grande Guerra, no dia 5 de junho, das 14h00 às 16h30, para realização de betonagem, no âmbito da empreitada “Reabilitação de edifício na Rua Combatentes da Grande Guerra para instalação da Direção de Finanças e Delegação Aduaneira de Bragança”, conforme imagem.
O trânsito poderá, durante esse período, circular no sentido ascendente na ligação da Rua Oróbio de Castro até a Praça da Sé
Agradecemos a compreensão de todos e pedimos, desde já, desculpas por qualquer eventual incómodo.

Internet fraca dificulta vida a quem procurou Interior para teletrabalho

Os efeitos de confinamento dos últimos meses e o teletrabalho levaram várias pessoas a trocar o litoral pelo Planalto Mirandês para aqui continuarem os seus projetos, mas as limitações da internet podem levá-los a mudar de ideias.
Paulo Fernandes, um engenheiro ligado ao ramo da nanotecnologia, trocou a Grande Lisboa para se instalar em Fonte da Aldeia, uma localidade do concelho de Miranda do Douro, no distrito de Bragança, devido à pandemia provocada pela covid-19.

Aquele profissional disse à Lusa que a pouca velocidade oferecida pela Internet que é distribuída por vários operadores, "dificulta o trabalho a quem quer instalar-se neste território do interior".

"Tinha a minha vida organizada em Lisboa, mas com o aparecimento e agravamento da pandemia provocada pelo novo coronavírus resolvi instalar-me em Fonte da Aldeia, onde me sinto seguro para viver e para desenvolver a minha atividade em teletrabalho. Mas fui-me deparando com muitas dificuldades em desenvolver o meu trabalho devido à fraca qualidade da internet", indicou Paulo Fernandes.

Várias pessoas que se mudaram para este território ou aqui já desenvolviam a sua atividade garantem que este um problema fácil de resolver e que só é preciso "um pouco de vontade e disponibilidade" por parte de quem administra as redes, já que a menos de um quilometro daquela aldeia "há pontos de ligação à fibra ótica".

"A rede de fibra ótica está instalada ao longo do Itinerário Complementar (IC5), que passa a cerca de 500 metros da localidade, pelo que penso que seria fácil resolver o problema", vincou o residente.

Paulo Fernandes admite que se o problema não for resolvido terá que regressar a Lisboa, acrescentando que há mais pessoas que estão em iguais circunstâncias e que o teletrabalho seria uma forma de ajudar a fixar gente no interior.

"Na rede de internet via ADSL as operadores prometem 20 megabits. Na realidade, o que recebemos é um megabit. Demorei o um dia para fazer um 'upload' de trabalho de que necessitava com urgência", contou à Lusa.

Os habitantes de Fonte da Aldeia já se mobilizaram, manifestando o seu descontentamento às operadoras de telecomunicações e dando conta do problema, igualmente, ao município de Miranda do Douro.

Pedro Luís, estudante no Instituto Superior de Engenharia do Porto, garante que veio para Fonte de Aldeia para poder estudar e desenvolver projetos durante este período pandémico, sendo impossível trabalhar muito mais agora que há mais pessoas na aldeia ligadas à internet.

"Estes problemas têm-se agravado nos últimos meses, altura em que mais necessitámos de recorrer à internet, para poder continuar os estudos. Caso não haja melhorias, terei de regressar e ficar pelo Porto", vincou.

Por seu lado, Paulo Meirinhos, um músico e professor de música, avançou que neste tempo de confinamento em que grande parte das atividades culturais e de ensino estão a ser feitas através das novas tecnologias, a população de Fonte de Aldeia e das aldeias vizinhas está privada deste serviço, quando a rede de fibra ótica passa tão perto.

Um grupo de habitantes de Fonte Aldeia lembrou, numa declaração escrita à Lusa, que em grande parte do território nacional a fibra ótica já é uma realidade o que permite, ter uma velocidade similar à que existe nos grandes centros urbanos.

Em declarações à Lusa, o presidente de Miranda do Douro, Artur Nunes, admitiu que há algum tempo que se fizeram diligências junto do Governo, ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações no sentido de se resolver este problema que existe um pouco por todo o concelho.

"Sabemos que é um problema que existe, mas até momento ainda não obtivemos quaisquer respostas. Continuamos a insistir", disse o autarca trasmontano.

FYP // MSP
Lusa/fim

Operação Campo Seguro da GNR reforça fiscalização e aconselhamento até ao final do ano

Até 31 de dezembro, a GNR está a intensificar o patrulhamento nas explorações agrícolas em todo o território nacional no âmbito da Operação Campo Seguro 2020.
O objetivo é prevenir a criminalidade em geral, com especial atenção aos furtos e possíveis situações de tráfico de seres humanos.

Nesse sentido, a Guarda vai promover ações de informação e sensibilização junto das comunidades rurais, em especial dos agricultores, sobre medidas de prevenção e proteção contra furtos, em especial o da cortiça, outros produtos agrícolas, cobre e outros metais não-preciosos.

Vão ainda acontecer ações de sensibilização dirigidas aos condutores de máquinas agrícolas, aconselhando sobre o cumprimento das normas de segurança. A GNR informa que o ano passado, foram cerca de 700 os acidentes com veículos agrícolas que se registaram no país.

No decorrer desta operação vão ter também lugar ações de policiamento de proximidade e fiscalização de forma a garantir que as diversas campanhas agrícolas decorrem em segurança, com empenhamento de militares de diferentes valências.

Vão ainda ser desenvolvidas ações de fiscalização em coordenação com a Guardia Civil espanhola para fazer face à criminalidade transfronteiriça.

A Operação Campo Seguro da GNR começou este mês e está no terreno até ao final do ano.

Escrito por ONDA LIVRE

Canil de São Salvador em Mirandela com condições melhoradas

Há cerca de um ano que o canil de São Salvador está a ser gerido pela Câmara Municipal de Mirandela, depois do executivo liderado por Júlia Rodrigues ter entendido que era a melhor alternativa para fazer face à sobrelotação do Centro de Recolha Oficial da Terra Quente e simultaneamente melhorar as condições higio-sanitárias e alimentares dos cerca de 150 animais ali existentes.
Na altura, o canil situado naquela freguesia do concelho de Mirandela foi adquirido a uma associação de protecção animal. Quase um ano depois, todos são unânimes em considerar que as condições são agora bem melhores.

Após praticamente um ano de gestão municipal, os habitantes de quatro patas do Canil de S. Salvador têm as suas condições de vida, de saúde e de conforto melhoradas.

Isso mesmo é confirmado pela presidente da junta de freguesia, Cristina Passas, acrescentando que é uma situação bem diferente da que aconteceu até há um ano.

“Melhoras ao nível da alimentação e da limpeza que agora é feita diariamente. Nos últimos anos, nomeadamente desde 2010, foram efectuadas várias visitas ao canil, inclusive foi dada uma ordem de encerramento mas nunca aconteceu nada”, afirma Cristina Passas.

A autarquia procedeu à instalação da rede de distribuição de água potável e, através do Serviço Municipal de Veterinária, efectuou a higienização e desinfecção das instalações que passou a fazer parte da rotina diária deste canil, desde então, bem como outras medidas aqui enumeradas por Guilherme França, o veterinário municipal de Mirandela.

A primeira prioridade foi a alimentação dos animais e o seu estado sanitário. Eles tinham uma alimentação com pouca ração e à base de alheiras que já tinham ultrapassado o prazo de validade e hoje eles têm só ração, estão bem tratados, antigamente estavam cheios de sarna e havia uma proliferação de carraças e hoje em dia esse problema desapareceu”, garante Guilherme França, o veterinário municipal de Mirandela.


O Município tinha previsto obras para o canil, mas a pandemia da Covid-19 atrasou o processo. As obras devem avançar em breve.


Cerca de 150 cães e gatos agora com melhores condições no canil de São Salvador. O Município de Mirandela revela ainda que o projecto de adopção já conta, entretanto, com 20 novas famílias para alguns destes animais. 


Escrito por Terra Quente (CIR)