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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Município aposta na Agrinordeste para impulsionar a agricultura do concelho

 A Câmara Municipal apresentou esta quinta-feira a Agrinordeste-Feira Agrícola de Macedo de Cavaleiros, marcada para os dias 9 e 10 de maio. Estarão presentes mais de 75 expositores, desde vendedores de produtos locais, maquinaria agrícola e juntas de freguesia.


O presidente do município, Sérgio Borges, destacou que o concelho conseguiu o maior número de projetos de jovens agricultores aprovados no distrito, nomeadamente 69, com um valor total de 17 milhões de euros, mas a câmara quer puxar por este sector e criou uma divisão de Agricultura, que estará presente com um gabinete durante o certamente para ir ao encontro dos lavradores ajudando-os a a obter esclarecimentos, por exemplo, sobre a tecnologia atualmente usada.

O objetivo da autarquia é que o certame, que se estreia este ano, venha a crescer e a ter dimensão regional "com potencial a nível nacional", referiu o autarca durante a apresentação da feira, que teve lugar no Museu do Azeite dos Cortiços.

Glória Lopes

Miguel Abrunhosa é o novo presidente do conselho de administração da ULSNE

 Em reunião convocada, esta quarta-feira, pelo Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, ficou aprovada, em Conselho de Ministros,  a nova direção do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste.


Miguel Abrunhosa foi o nome escolhido para suceder a Carlos Vaz.

A acompanhar Miguel Abrunhosa foram nomeados Rui Mário do Nascimento e Terras Alexandre, Filipa Sofia Guedes Faria, Lino André Meireles Olmo e Anabela Paula Seixas Gonçalves Martins, para vogais.

Esta nova equipa, irá substituir a administração liderada por Carlos Vaz, de 70 anos que foi autorizado, em março,  a manter-se no cargo, até substituição.

Carlos Vaz preside, desde 2016, o Conselho de Administração da ULS do Nordeste

Contactado pela Rádio Brigantia e Jornal Nordeste, Niguel Abrunhosa preferiu não prestar declarações

ÚLTIMA HORA

Guerra e Paz


 A diferença entre um povo que vive em guerra e outro que vive em paz nunca estará nas notícias dos jornais ou nas imagens que passam na televisão, está na forma como cada pessoa acorda de manhã, respira, sonha e enfrenta o dia.

Num povo em paz, a vida constrói-se com confiança. As crianças crescem a acreditar que o amanhã existe. Brincam nas ruas sem medo, aprendem na escola com a certeza e despreocupação de quem pensa no futuro como algo certo e positivo. Os adultos fazem planos, compram casas, criam negócios, pensam em férias, projetam anos à frente, sonham com os netos. Há problemas, claro, há dificuldades, mas existe uma base sólida, a sensação de segurança, de continuidade, de que a vida, apesar de tudo, segue o seu curso.

Já num povo em guerra, essa base, essa aparente segurança, desaparece.

O dia começa sem garantias. Acordar já é, por si só, uma vitória. O som que interrompe o sono pode não ser um despertador, mas uma explosão distante, ou próxima demais. As crianças aprendem cedo aquilo que nenhuma infância deveria ensinar. O medo, a perda, a incerteza. Brincam menos, sonham menos alto, crescem mais depressa do que deveriam. A escola pode não existir, ou pode ser apenas um intervalo entre sirenes.

Enquanto num lugar de paz se constrói o futuro, num lugar em guerra sobrevive-se ao presente.

As prioridades mudam radicalmente. Em paz, discute-se a qualidade de vida, em guerra, luta-se pela própria vida. Em paz, escolhe-se o que comer e quando, em guerra, agradece-se o que houver, quando houver. Em paz, fala-se de carreiras e ambições, em guerra, fala-se de abrigo, de fuga, de quem ainda está vivo.

Mas a diferença, a maior diferença está dentro das pessoas.

A guerra transforma tudo. Rouba a inocência, desgasta a esperança, altera a forma de ver o mundo e os outros. Cria cicatrizes que permanecem muito depois de se calarem as armas. O medo torna-se constante, quase um companheiro. A desconfiança instala-se e o luto repete-se vezes demais.

Por outro lado, também revela uma força humana quase indescritível. Povos em guerra desenvolvem uma resistência impressionante, uma capacidade de adaptação que desafia qualquer lógica. Encontram humanidade no meio do caos, partilham o pouco que têm, protegem-se uns aos outros como podem. Há uma solidariedade crua, essencial, que nasce da necessidade.

Num povo em paz, essa força também existe, mas raramente é posta à prova da mesma forma. A paz permite cultivar outras dimensões da vida. A arte, a cultura, a reflexão, a liberdade de ser e de escolher… de escrever. Permite errar sem que as consequências sejam devastadoras, permite recomeçar sem partir do zero.

A paz dá espaço para viver, a guerra obriga a sobreviver.

A guerra não cria um povo diferente, coloca pessoas comuns, como nós, em circunstâncias extraordinariamente duras.

Quando olhamos para um povo em guerra, não estamos a ver “outros”, estamos a ver aquilo que qualquer sociedade poderia ser, se a paz deixasse de existir.

… E isto, deveria ser suficiente para lembrar o valor imenso, e tantas vezes esquecido, de viver em paz.

HM
23 de Abril de 2026... num mundo em guerra... na busca gananciosa do dinheiro e do poder!.

LIVROS “ESCONDIDOS” EM MIRANDELA ASSINALAM DIA MUNDIAL DO LIVRO

 Mirandela celebra esta quinta-feira, 23 de abril, o Dia Mundial do Livro com uma iniciativa que leva a leitura para o espaço público. Ao longo do dia, dezenas de livros, deixados em diferentes pontos da cidade, estão disponíveis para quem os queira descobrir e levar consigo, de forma totalmente gratuita.


A ação, promovida pela Biblioteca Municipal, transforma as ruas e outros locais de passagem numa espécie de circuito literário. A proposta é simples, encontrar um livro, usufruir da leitura e, idealmente, voltar a colocá-lo em circulação, promovendo um espírito de partilha entre leitores.

Mais do que assinalar simbolicamente esta data, a iniciativa pretende incentivar hábitos de leitura e aproximar os livros da comunidade, especialmente daqueles que não frequentam regularmente os espaços tradicionais, como bibliotecas ou livrarias.

Celebrado anualmente a 23 de abril, o Dia Mundial do Livro destaca a importância da leitura, da promoção do conhecimento e da proteção dos direitos de autor.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: CM Mirandela

AZEITE DE VILA FLOR CONQUISTA OURO EM PRESTIGIADO CONCURSO INTERNACIONAL

 O azeite “Olmais Organic”, produzido pela Quinta dos Olmais, em Vila Flor, foi distinguido com a Medalha de Ouro na edição de 2026 do NYIOOC World Olive Oil Competition, considerado o mais prestigiado concurso internacional do setor, reforçando a projeção da qualidade transmontana nos mercados globais.


Esta distinção reforça a crescente afirmação dos produtos transmontanos nos mercados internacionais, reconhecendo não só a qualidade do azeite, mas também o rigor e a dedicação de quem o produz. O prémio alcançado coloca Vila Flor no mapa global da excelência oleícola, evidenciando o potencial agrícola e a tradição enraizada na região.

O azeite premiado reflete a identidade da região marcada por condições naturais favoráveis e por um saber-fazer transmitido ao longo de gerações.

Num setor cada vez mais competitivo, distinções desta natureza assumem um papel determinante na valorização do mundo rural e na projeção da qualidade portuguesa além-fronteiras.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: CM Vila Flor

COOPERATIVA AGRÍCOLA DE MACEDO DE CAVALEIROS VAI A VOTOS COM DUAS LISTAS E VISÕES DISTINTAS PARA O FUTURO

 A Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros realiza eleições no próximo domingo, 26 de abril, com duas candidaturas em disputa pela liderança da instituição. O ato eleitoral decorre na sede da cooperativa, entre as 10h00 e as 18h00, e opõe a lista liderada pelo atual presidente, Luís Rodrigues, à Lista B, encabeçada por Quintino Angélico.


Luís Rodrigues, de 63 anos, ocupa o cargo há 26 anos e recandidata-se para aquele que poderá ser o seu último mandato, à luz das novas regras do código cooperativo. Com um percurso longo na direção, que inclui também funções como vice-presidente, o candidato apresenta uma proposta assente na continuidade do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas.

Entre as prioridades elencadas por Luís Rodrigues está o reforço da aposta em novas áreas estratégicas, com destaque para a internacionalização. O atual presidente sublinha ainda o investimento de cerca de dois milhões de euros na modernização da maquinaria da cooperativa, medida que considera essencial para o aumento da capacidade produtiva e competitividade no setor agrícola.

Do outro lado da disputa surge a Lista B, liderada por Quintino Angélico, agricultor de 50 anos, que se apresenta como alternativa com uma proposta de renovação. O candidato defende a necessidade de imprimir uma nova dinâmica à cooperativa, apelando à mudança de rumo.

Quintino Angélico considera que o modelo atual tem gerado resultados insuficientes para os associados, argumentando que é necessário adotar novas estratégias de gestão e maior proximidade com os cooperantes para revitalizar a instituição.

As eleições de domingo assumem, assim, um caráter decisivo para o futuro da cooperativa, colocando frente a frente a continuidade de uma liderança de longa duração e uma proposta de renovação orientada para a mudança. A participação dos associados será determinante para definir o próximo ciclo de governação da entidade.

A Redação
Foto: DR

PSP DE BRAGANÇA ASSINALA 150 ANOS COM CERIMÓNIA RELIGIOSA

 O Salão Nobre do Comando Distrital da PSP de Bragança recebeu, no dia 21 de abril, uma cerimónia religiosa integrada nas comemorações do 150.º aniversário daquela força de segurança, num momento marcado pelo simbolismo e pela solenidade institucional.


Durante a cerimónia, foi formalmente entregue a Bênção Apostólica concedida por Sua Santidade, o Papa Leão XIV, ao Comando Distrital da PSP de Bragança, assinalando a efeméride e reconhecendo o percurso histórico e o serviço prestado à comunidade.

O momento contou com a presença do Diretor Nacional da PSP, Superintendente-Chefe Luís Miguel Ribeiro Carrilho, reforçando a importância da data para a instituição a nível nacional.

A iniciativa integrou o programa comemorativo dos 150 anos do Comando Distrital, sublinhando não só a longevidade da instituição, mas também o seu compromisso contínuo com a segurança pública e a proximidade à população.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: PSP – Comando Distrital de Bragança

GEOPARK TERRAS DE CAVALEIROS RECEBE ALUNOS DA ESCOLA SECUNDÁRIA MIGUEL TORGA EM PROGRAMA EDUCATIVO SOBRE RECURSOS GEOLÓGICOS

 O Geopark Terras de Cavaleiros recebeu ontem, 22 de abril, um grupo de alunos da Escola Secundária Miguel Torga, de Bragança, no âmbito do programa educativo “O papel dos recursos geológicos na sociedade”, uma iniciativa que visa aproximar os jovens do património geológico e da sua relevância para o desenvolvimento sustentável das comunidades.


Durante a visita, os estudantes tiveram oportunidade de explorar vários geossítios emblemáticos do território, conhecendo de perto as características que tornam esta região particularmente rica em recursos geológicos. A atividade permitiu não só observar a diversidade geológica local, como também compreender de que forma estes recursos são fundamentais para diferentes aplicações na sociedade contemporânea.

O território do Geopark Terras de Cavaleiros destaca-se pela sua notável complexidade geológica, que se traduz numa elevada diversidade de recursos naturais. Algumas das explorações mineiras existentes na região, de impacto local e regional, mantêm-se ainda em funcionamento, constituindo um exemplo prático da ligação entre a geologia e a atividade económica.

Este tipo de programas educativos reforça a importância da valorização do património geológico e do contacto direto dos alunos com o território, promovendo o conhecimento científico e a sensibilização para a preservação dos recursos naturais.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: Geopark Terras de Cavaleiros

Autores destacam importância da leitura no Dia Mundial do Livro

 Assinala-se esta quarta-feira o Dia Mundial do Livro, uma data que pretende incentivar hábitos de leitura e reforçar o papel dos livros na formação cultural e crítica da sociedade. Dois autores ouvidos pela nossa reportagem sublinham a importância da leitura nos dias de hoje.


A autora Catarina Broco, natural de Bragança e conhecida por abordar temas como tabus e preconceitos nas suas obras, destaca o valor dos livros enquanto fonte de conhecimento e crescimento pessoal:

Para a autora, o contacto com a leitura deve surgir de forma natural, incentivando sobretudo os mais jovens:

Também o escritor A. M. Pires Cabral, natural da aldeia de Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros, é uma referência da literatura portuguesa, com uma vasta obra na ficção e na poesia, distinguida com vários prémios literários. O autor considera que o livro é um elemento essencial para a construção da civilização e da cultura:

O escritor reforça ainda a importância da leitura como base da cultura e do desenvolvimento individual:

Neste Dia Mundial do Livro, fica o apelo à leitura como ferramenta essencial para o desenvolvimento individual e coletivo.

Jodie Pinto

APEMAC reforça ligação entre famílias e escolas com refeições-prova nas cantinas

 A Associação de Pais das Escolas do Concelho de Macedo de Cavaleiros, em parceria com o Município e o Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, está a promover mais uma edição das refeições-prova nas cantinas escolares, com o objetivo de aproximar os encarregados de educação da realidade alimentar dos alunos.


A iniciativa é exclusiva para associados e permite que os pais avaliem diretamente as refeições servidas nas escolas.

Segundo o presidente da APEMAC, Carlos Sá Morais, o objetivo passa por garantir refeições equilibradas e reforçar a ligação entre famílias e comunidade escolar:

A associação pretende também incentivar uma participação mais ativa dos pais na avaliação da alimentação escolar:

Na prática, os encarregados de educação inscrevem-se, realizam a refeição na cantina e preenchem posteriormente um questionário com vários critérios de avaliação:

A APEMAC admite, no entanto, que a adesão dos pais tem sido limitada, apesar dos esforços de divulgação:

Ainda assim, o responsável destaca que a iniciativa já permitiu alguns ajustes na alimentação servida aos alunos, em articulação com o município e a empresa fornecedora.

A associação sublinha que a quota anual de cinco euros tem um valor simbólico e visa apenas apoiar o funcionamento da estrutura, garantindo que o principal objetivo é a participação das famílias na vida escolar.

Jodie Pinto

A escola inclusiva: entre a lei e a sala de aula

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Em Bragança, como na maior parte das outras escolas do país, a sala de aula já não é o espaço previsível que durante anos julgámos conhecer. Hoje, entrar numa turma é encontrar ritmos diferentes, atenção desigual e necessidades que não cabem num modelo único. É uma mudança que se sente no dia a dia, nas conversas com colegas, nas perguntas dos pais e nas reações dos próprios alunos.

Os alunos mudaram, as famílias mudaram e a sociedade está em permanente mudança. No entanto, continuamos muitas vezes a pedir à Escola que funcione como se nada tivesse acontecido, nada tivesse mudado!

Pedimos-lhe inclusão, flexibilidade e sucesso para todos, mas insistimos em rotinas pensadas para uma homogeneidade que já não existe. Esta contradição pesa aos professores, que acabam por carregar com o custo de um sistema que ainda não se adaptou.

Isto tudo sobrecarregado ainda pelos outros desafios que não podem ser ignorados, sob pena de a Escola se tornar irrelevante: o digital, a inteligência artificial, a diversidade cultural e a complexidade das aprendizagens.

Na verdade, como a escola responde à aprendizagem dos alunos que precisam de mais medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão, é uma questão que parece cada vez mais urgente. Aos alunos que precisam de mais apoio, mais tempo e mais acompanhamento é aí que a retórica se testa. É aí que se percebe se a inclusão é prática ou apenas discurso de relatórios.

Não basta repetir que a escola é para todos. A frase é bonita, mas, sozinha, não muda nada. A inclusão exige tempo, formação, trabalho colaborativo, recursos e liderança. Exige sobretudo condições reais para que o professor possa ensinar pessoas concretas e não apenas cumprir programas, metas e calendários. Quando falta essa base, o professor fica sozinho com o desafio.

Olhando as turmas de hoje verificamos que há alunos que avançam depressa e outros que precisam de voltar atrás várias vezes. Há os que acompanham com facilidade e os que se perdem logo à primeira mudança de ritmo. Há também os que não pedem quase nada em voz alta, mas precisam de muito em silêncio: atenção, presença, paciência e reconhecimento. Quem ensina sabe que é nesses alunos que a escola mede a sua verdade.

Por isso, falar de equidade nas aprendizagens não é falar de dar a todos o mesmo. É falar de dar a cada um o que precisa para aprender, participar e crescer. A justiça educativa dá trabalho! Assim como ultrapassar a ideia da mera igualdade formal que pode ser confortável para os sistemas. Desde logo porque obriga antes de mais a admitir que ensinar bem hoje é muito mais difícil do que ensinar ontem pelo que implica rever práticas, reorganizar equipas e criar respostas.

Além do mais, uma escola inclusiva não se esgota na sala de aula. Precisa de coordenação entre professores, direção, técnicos e famílias, precisa de tempo de conversa, de escuta e de decisão partilhada. Quando essa articulação falha, o aluno sente-o depressa.

Por fim, uma escola verdadeiramente inclusiva não é a que recebe todos e depois espera que cada um se adapte. É antes a que se organiza para que todos contem, na qual essa diferença se afigura decisiva. Assim, a escola não pode medir-se pela regularidade do seu funcionamento, mas pela forma como acolhe a heterogeneidade e a diversidade que a enriquece!

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

Atualização de um projeto compartilhado

Imagem: Confraria do Senhor Jesus de Cabeça-Boa, Samil, Bragança

 De 24 de abril a 2 de maio ocorrem as novenas, que antecedem a Festa da Invenção da Santa Cruz, domingo 3 de maio, de 2026, promovidas pela Confraria do Senhor Jesus de Cabeça-Boa, Samil, Bragança.

Recordo com gratidão um bom amigo, o Prof. João Sampaio, de Zedes, Carrazeda de Ansiães, jornalista, Inspetor do Ministério da Educação, uma voz da região [+ 25-07-2020], que fundou e dinamizou a página eletrónica “CT - Correio Transmontano”. O Prof. Sampaio, fez do jornalismo um ato de terapia e cidadania, sempre presente onde outros órgãos de informação não conseguiam estar. Ajudou-me imenso como prova o histórico “on-line” do “CT”. Tínhamos em comum, entre outros, o projeto da Confraria!

Oferecer uma Via-Sacra de rua, uma estátua do Papa Francisco, uma cruz alta, enquadrados num projeto ambientalmente sustentável, sintonizado com “o Papa mais ambientalista da história da Igreja Católica”, como se lhe reconhecia.

De todo o programa ficou a Via-Sacra de rua, estrutura artística executada em ferro tratado, do escultor brigantino João Ferreira, inspirada no modelo bíblico do Papa Francisco para o Coliseu de Roma em 2017, conferindo atualidade à clássica, ancestral e, artística capela.

Por trás está o anteprojeto de José da Fonte que visa adaptar um espaço para arquivo da Confraria, requalificar o jardim, aproveitar os recursos hídricos e eólicos, para usos sanitários, rega, iluminação e aquecimento, requalificar e adaptar estruturas edificadas, repovoar o adro com árvores autóctones, criar pontos de recolha seletiva de lixo, um espaço de compostagem, entre outros, tudo isto inspirado na carta encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco, na defesa do ambiente. 

A intervenção merece continuar pela história, arte, ambiente e paisagem, começando pela escultura do Papa Francisco. Em vida “o Papa exigiu a retirada da sua estátua da catedral de Buenos Aires por ser contra o culto da personalidade”. Hoje, no 1.º aniversário da sua morte [21-04-2025], a estátua impõem-se por respeito, para com o 267.º sucessor de Pedro. “O Papa do povo”, um “Papa dos nossos dias”, que remete para o ambiente, e para a sua salvaguarda, essa força bucólica que sobrepuja Bragança e, qualifica Cabeça-Boa. “Infelizmente, hoje, no nosso mundo inquieto, dilacerado e desfigurado por egoísmos e lógicas de poder, a arte representa, talvez mais que no passado, uma necessidade universal, enquanto fonte de harmonia e paz”, recorda-nos Francisco.

Impõem-se, por todo isto, continuar este projeto pela arte e pelo ambiente, a “arte uma beleza que faz bem à vida e cria comunhão”, como referiu, o Romano Pontífice, Francisco.

Pe. Estevinho Pires

Ano da Alimentação para valorizar produtos das regiões de montanha

 Até ao final do ano o Laboratório Associado para a Sustentabilidade e Tecnologia em Regiões de Montanha (LA-SusTEC), do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), está a promover o Ano da Alimentação, “uma iniciativa que pretende colocar no centro do debate a valorização dos produtos alimentares das regiões de montanha, cruzando ciência, tradição e inovação”, indicou uma fonte da organização.


Será dinamizado um ciclo de cinco seminários temáticos, a decorrer em diferentes territórios do Nordeste Transmontano, com o objetivo de promover a reflexão e discussão em torno de políticas, estratégias e boas práticas que contribuam para a valorização dos recursos endógenos e para o desenvolvimento sustentável do território.

O primeiro seminário terá lugar a 29 de abril, em Mogadouro, sob o tema “Alimentos do Planalto: do Terroir à Gastronomia”, destacando a ligação entre os produtos locais, o território e a sua expressão gastronómica. Segue-se um segundo encontro em Alfândega da Fé, dedicado à “Certificação e autenticidade de produtos alimentares da Terra Quente”, onde serão abordadas questões relacionadas com a valorização, rastreabilidade e diferenciação dos produtos regionais.

Areia arrastada das minas do Portelo causa problemas no parque de campismo Sobre Águas

 Estão a causar problemas no parque de campismo Sobre Águas, em Bragança, os inertes arrastados pelas águas pluviais das antigas minas de volfrâmio do Portelo, na freguesia de França.


O assoreamento do rio, naquela área, é já muito visível, mas agrava-se substancialmente no verão porque o caudal diminui. “A cada ano que passa há mais sedimento no rio. Nos meses de julho e agosto a água fica completamente estagnada. A água parada também pode acarretar problemas de saúde pública, se forem feitas análises à qualidade da água e esta estiver imprópria para banhos. Os campistas veem os panfletos da saúde pública a desaconselhar os banhos e vão embora”, explicou uma fonte que conhece bem o parque de campismo. 

Ao que o Mensageiro apurou os detentores da concessão do parque, que é propriedade do Município de Bragança, já enviaram vários emails para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a pedir autorização para limpar o rio, mas a resposta tem sido sempre negativa.

Glória Lopes

Comemorações do 25 de abril com várias iniciativas abertas à comunidade

 São várias as iniciativas abertas à comunidade brigantina com que o Município de Bragança vai assinalar os 52 anos do 25 de abril, que têm o ponto alto com a sessão solene, na Assembleia Municipal, no sábado de manhã, e a exposição de um histórico veículo blindado Chaimite, utilizado em 1974 nas operações da Revolução dos Cravos.


"A programação preparada para este ano pretende reforçar a dimensão coletiva e simbólica das comemorações, complementando os momentos protocolares habituais com iniciativas abertas à comunidade e distribuídas por vários espaços do concelho, numa abordagem que procura afirmar o 25 de Abril como um momento de celebração coletivo e não apenas como uma efeméride de caráter institucional", sublinha o comunicado da autarquia.

As iniciativas decorrem entre hoje e sábado.

Esta quinta-feira, pelas 21h00, o Teatro Municipal de Bragança acolhe o concerto “Anónimo de Abril”, um projeto de canções originais que registam na memória coletiva o nome de mulheres e homens que tiveram a coragem e a ousadia de enfrentar e fragilizar a ditadura em Portugal. Um espetáculo homenageia figuras que desempenharam um papel fundamental na luta pela Liberdade, com a participação de Rogério Charraz, José Fialho Gouveia, Joana Alegre e João Afonso.

A 24 de abril, pelas 09h00, realiza-se a Reunião de Câmara Descentralizada (Sessão Pública), na freguesia de Quintanilha, seguida de visita ao Posto de Controlo da Fronteira, numa escolha de forte simbolismo histórico, evocativa do papel desempenhado por aquele ponto fronteiriço na madrugada de 25 de Abril de 1974, quando militares do então Batalhão de Caçadores n.º 3, sediado em Bragança, foram destacados para a fronteira com a missão de assegurar a vigilância do território nacional durante a Revolução.

Ao final da tarde, pelas 18h00, a Biblioteca Municipal de Bragança acolhe a inauguração da exposição “25 de abril, rumo ao cinquentenário”, bem como a dinamização da visita-jogo “O Soldado João” e o 25 de Abril, dirigida ao público infantil, e a exposição bibliográfica “Proibido”, na Biblioteca Adriano Moreira. Iniciativas culturais que visam fomentar o conhecimento histórico e a reflexão em torno da Revolução e do seu legado.

A programação de dia 24 encerra às 21h30, no Auditório Paulo Quintela, com a sessão de cinema “Cartas de Guerra”, de entrada gratuita, numa proposta cultural evocativa integrada no espírito das comemorações.

No dia 25 de abril, as celebrações arrancam pelas 08h30, com uma arruada pela Banda Filarmónica de Bragança.

Pelas 09h00, o Passeio da Liberdade, com concentração na Praça da Sé, convida a uma caminhada urbana que promove a participação ativa da comunidade.

Às 09h30, terá lugar a cerimónia de Hastear da Bandeira Nacional, junto ao edifício Paulo Quintela, seguindo-se, pelas 10h00, no respetivo auditório, a Sessão Solene da Assembleia Municipal.

Entre as 10h30 e as 18h00, a Praça da Sé acolherá o Mercado da Liberdade, iniciativa que pretende dinamizar o centro histórico em torno da data, reforçando a vivência pública e urbana das comemorações, com a presença de floristas, que darão destaque ao cravo enquanto símbolo maior da Revolução, livreiros com obras dedicadas aos valores da liberdade e da democracia, e artesãos com peças inspiradas na estética e imaginário de Abril.

O encerramento do programa está marcado para as 16h00, também na Praça da Sé, com o espetáculo “Leituras de Abril, na Chaimite”, sessão de leitura de poemas evocativos em cima da viatura blindada, a par dos concertos do Coral Brigantino e do Coral MéliMélodie de Mareuil-Les-Meaux (França), num momento cultural de homenagem aos valores de Abril, da liberdade, da igualdade e da fraternidade.

Feira de Emprego e Solidariedade será repensada

 A Feira de Emprego, Educação e Solidariedade que se vinha realizando nos últimos anos em maio não vai acontecer este ano, pelo menos não nos moldes em que vinha acontecendo. A Câmara de Bragança já informou, por email, as instituições que participavam que “no ano de 2026, não será realizada a Feira de Emprego, Educação e Solidariedade, nos moldes em que tem vindo a ocorrer em edições anteriores”.


“Esta decisão resulta de um processo de reflexão estratégica que se encontra em curso, assente na necessidade de reconfigurar o formato do evento, de modo a melhor responder aos atuais desafios do território, às dinâmicas do mercado de trabalho, às necessidades do sistema educativo e às respostas de cariz social existentes, bem como às expetativas dos diferentes parceiros envolvidos”, lê-se no email da autarquia, a que o Mensageiro teve acesso.

“O Município entende que este momento deverá ser aproveitado para repensar objetivos, metodologias e modelos de participação, promovendo uma iniciativa renovada, mais integrada e com maior impacto efetivo na promoção do emprego, da educação, da qualificação e da coesão social no concelho”, lê-se ainda.

De acordo com a comunicação, “está prevista a auscultação e envolvimento dos parceiros estratégicos, nomeadamente IPSS, estabelecimentos de ensino, entidades empresariais e outras instituições relevantes, com vista à construção conjunta de um novo modelo de evento, a implementar em momento oportuno”.

Ao Mensageiro, a presidente da Câmara, Isabel Ferreira, esclarece que esta feira será substituída por uma outra, mais virada para o emprego, a inovação e o empreendedorismo, a realizar no mês de outubro.

“Uma feira que se prevê essencialmente para divulgar oportunidades de emprego, mas também de trazer investidores, ideias de incubação de negócios e de empreendedorismo e, portanto, como o próprio nome indica, uma feira de emprego e inovação”, sublinhou Isabel Ferreira.

Para colmatar a perda de receitas das IPSS com a ausência deste evento, o Município desafiou as instituições a participarem no mercadinho de 25 de abril.

“Desafiámos as IPSS a poderem ter no nosso mercadinho tradicional espaços também para poderem divulgar os seus produtos. E fazer venda também dos seus produtos, e como este também, em muitos outros eventos que vão decorrendo”, concluiu a autarca brigantina.

António G. Rodrigues

Dois alunos brigantinos premiados no concurso ‘Uma Aventura literária

 Dois alunos brigantinos foram premiados na edição deste ano do concurso ‘Uma Aventura literária’, associado à coleção Uma Aventura, das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.


Ana Barbosa, de 10 anos, aluna da escola Paulo Quintela, venceu mesmo dois prémios. Recebeu o terceiro prémio ex-aequo na categoria Desenho 2.º Ciclo, com uma ilustração relativa ao livro Uma Aventura na Amazónia.

Na categoria de Trabalhos Individuais, Ana Barbosa venceu o primeiro prémio ex-aequo na modalidade Recomendação de Leitura 2.º Ciclo.

“Não estava à espera de ser premiada. Já tinha concorrido no ano passado mas não fui premiada. Na altura, não fiquei triste porque sabia que era um concurso nacional. Este ano fiquei tão feliz que até gritei no meio da escola”, contou Ana Barbosa ao Mensageiro. Neta de uma antiga professora de português, a jovem estudante diz que gosta “muito de ler”. “Sempre que os meus amigos e família não sabem o que me dar, um livro é sempre uma aposta certa. Vou muitas vezes às bibliotecas”, apontou. Devido a esse gosto, foi desafiada pelos professores a participar no concurso.

“Como gosto muito de ler e escrever, os meus professores dizem sempre para sermos ativos nestas coisas”, frisou.

“No texto, não falei só da diversidade da Amazónia como falei também da de Bragança. Falei sobre o Parque de Montesinho e convidei as autoras e irem lá passar uma tarde. 

No desenho, ilustrei o que achei mais engraçado no livro”, explicou.

Já Afonso Machado, do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, também em Bragança, venceu o primeiro prémio especial do júri na categoria Texto Original – 3.º e 4.º anos.

“O colégio do Sagrado Coração de Jesus propôs escrever um conto de ‘Uma Aventura’ e eu decidi escrever Uma Aventura em Paris, pois é uma cidade que tenho muita curiosidade em visitar”, explicou o jovem de nove anos  ao Mensageiro.

Afonso Machado confessa que “não estava à espera” de vencer mas que ficou “muito surpreendido e feliz” com o prémio. Até porque a leitura é uma das suas paixões. “Gosto muito de ler pois podemos utilizar a imaginação para viajar para novos mundos”, frisou.

Este é um dos mais importantes concursos literários a nível nacional.

António G. Rodrigues

ISCTE identifica grandes assimetrias entre os municípios na atribuição do RSI

 Uma análise do Centro de Investigação em Estudos de Sociologia do Iscte (Instituto Universitário de Lisboa) revela que as diferentes capacidades técnicas e financeiras das autarquias nacionais, no que respeita ao acompanhamento das famílias vulneráveis e à atribuição do RSI, “correspondem hoje, porém, a prestações sociais desiguais ao longo do território nacional”, explicam os autores.


O CIES identificou assimetrias “que colocam em risco o princípio da igualdade no acesso aos direitos sociais”, indicam os autores do estudo comunicado.

Desde 2020 que as câmaras passaram a ser responsáveis por acompanhar famílias vulneráveis e pela atribuição do RSI. Essas competências da ação social, que foram transferidas da Administração Central para os municípios, estão “a fragmentar, e a tornar desigual, a forma como o Estado Social atua junto das populações dos 278 concelhos de Portugal continental”, concluiram os autores do estudo.

A partir de 2018 e de 2020, o Rendimento Social de Inserção (RSI), o acompanhamento social de famílias vulneráveis (SAAS) e a atribuição de apoios de emergência passaram a ser responsabilidade das câmaras municipais. "Onde antes havia uma política social para todo o continente (as 30 autarquias da Madeira e dos Açores têm regimes regionais próprios) “passaram a existir formas diferentes de 278 autarquias interpretarem o seu novo papel”.

Glória Lopes

Cem largadas previstas para combater a vespa do castanheiro este ano

 Estão previstas cem largadas de Torymus sinensis o parasitóide que combate a vespa da galha do castanheiro, este ano, no concelho de Bragança.


A informação foi avançada ao Mensageiro por Albino Bento, investigador da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança.

“Estão previstas cem largadas distribuídas por várias freguesias do concelho de Bragança. Em princípio, devem acontecer no final desta semana ou no início da próxima. Dessas, haverá ainda dez largadas que ainda não estão afetadas a nenhuma freguesia e serão distribuídas consoante as necessidades que forem identificadas”, frisou Albino Bento.

As largadas deste ano são financiadas pelo Município de Bragança em 22500 euros.

Este ano, fruto das condições climatéricas, o rebentamento dos castanheiros está adiantado cerca de duas semanas pelo que já começam a ser visíveis os casulos da vespa da galha.

“Haverá zonas onde temos ataques elevados e outras onde haverá bastante menos. Terão de ser os produtores e as juntas de freguesia a sinalizar tudo isto. Ficaram de nos identificar pontos de largadas. As coisas estão programadas.

Já houve anos em que se fez no início de abril. Depende dos anos. Comparativamente aos dois últimos anos, está uma a duas mais semanas mais cedo”, sublinhou Albino Bento ao Mensageiro.

Entre os produtores, o sentimento é de alguma apreensão com esta praga que afeta a produção de castanha e a saúde das próprias árvores.

Albino Bento pede, por isso, alguma cautela nesta fase, até junho. “Nesta fase, é importante os produtores não fazerem asneiras. Não devem fazer tratamentos nos soutos com inseticidas nem colocar armadilhas amarelas, pelo menos até junho”, pede o investigador, que irá, também, fazer dez sessões práticas de formação por todo o país.

Ao Mensageiro, a presidente da autarquia, Isabel Ferreira, adiantou que este apoio “surge na sequência de uma candidatura que já vem de trás” mas sublinha que “é um bom investimento”.

“Tal como fizemos para a vacinação dos animais, temos de fazer a mesma coisa para as espécies vegetais, porque cada vez mais são assoladas por pragas e doenças que temos que ajudar os agricultores a combater”, concluiu.

António G. Rodrigues