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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 31 de outubro de 2026

SEIS FREGUESIAS DE CARRAZEDA DE ANSIÃES ABRANGIDAS POR APOIOS AGRÍCOLAS APÓS OS INCÊNDIOS

 Seis freguesias do concelho de Carrazeda de Ansiães vão poder beneficiar dos novos apoios destinados à recuperação do potencial produtivo das explorações agrícolas afetadas pelos incêndios de 2026.


A medida, integrada no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), conta com uma dotação nacional de 10 milhões de euros e pretende apoiar os agricultores na reposição das condições necessárias para retomar a atividade.

As localidades abrangidas são Linhares, Marzagão, Parambos, Seixo de Ansiães, Vilarinho da Castanheira e a União das Freguesias de Lavandeira, Beira Grande e Selores. A inclusão destas freguesias permite alargar o acesso aos apoios aos agricultores que sofreram prejuízos na sequência dos incêndios registados durante este ano.

O apoio destina-se ao restabelecimento do potencial produtivo das explorações agrícolas atingidas pelos incêndios ocorridos entre 1 de maio e 15 de outubro de 2026. A medida pretende contribuir para a recuperação dos meios de produção afetados, permitindo que os agricultores possam voltar a reunir as condições necessárias ao desenvolvimento da sua atividade.

Os agricultores das freguesias abrangidas devem consultar o portal do PEPAC para conhecer as condições de acesso, os critérios de elegibilidade e os prazos de candidatura. É também importante ter em conta que a candidatura a estes apoios não dispensa a apresentação da declaração de prejuízos junto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) territorialmente competente.

A medida representa, assim, uma possibilidade de apoio à recuperação da atividade agrícola no concelho de Carrazeda de Ansiães, numa altura em que os produtores procuram recuperar os danos causados pelos incêndios.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

MIRANDELA ASSINALOU DIA MUNDIAL DO AVC COM SESSÃO DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE PREVENÇÃO

 A importância de prevenir o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e reconhecer os primeiros sinais de alerta esteve em destaque numa sessão de sensibilização realizada ontem à tarde, na Ecoteca de Mirandela, no âmbito do Dia Mundial do AVC.


A iniciativa contou com a participação da enfermeira Fernanda Reimão, que abordou a importância da prevenção e da identificação precoce dos sintomas, alertando para a necessidade de uma resposta rápida perante os primeiros sinais de um AVC.

Durante a sessão, foi reforçado que o reconhecimento atempado dos sintomas e a procura imediata de assistência médica podem fazer a diferença na evolução da situação e nas consequências para a saúde da pessoa afetada. Num AVC, cada minuto conta, pelo que saber identificar os sinais de alerta é fundamental.

A ação teve como objetivo informar e sensibilizar a comunidade para os fatores de risco, a importância de adotar hábitos de vida saudáveis e a necessidade de agir sem demora perante uma possível ocorrência.

Com esta iniciativa, Mirandela associou-se à sensibilização para uma doença em que a prevenção e a rapidez de atuação são determinantes, reforçando a importância de levar informação à população e de promover comportamentos que podem salvar vidas.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

AGRICULTORES DE TORRE DE MONCORVO COM APOIOS PARA RECUPERAR DOS INCÊNDIOS DE 2026

 Quatro freguesias do concelho de Torre de Moncorvo vão passar a estar abrangidas pelos novos apoios agrícolas destinados a compensar os prejuízos provocados pelos incêndios de 2026. A medida, disponibilizada pelo Governo, conta com uma dotação nacional de 10 milhões de euros e pretende apoiar a recuperação da atividade agrícola nas zonas afetadas.


Cabeça Boa, Castedo, Lousa e a União das Freguesias de Adeganha e Cardanha estão entre as localidades incluídas neste mecanismo de apoio, que se destina aos agricultores cujas explorações foram atingidas pelos incêndios.

A inclusão destas freguesias surge na sequência de várias diligências desenvolvidas pelo Município de Torre de Moncorvo junto das entidades governamentais. Entre as iniciativas realizadas estiveram reuniões com o Governo central e o envio de comunicados ao ministro da Agricultura e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), com o objetivo de dar visibilidade aos prejuízos registados na atividade agrícola do concelho e garantir o seu reconhecimento.

O Município considera esta inclusão uma resposta importante para os agricultores afetados, que enfrentam agora o desafio de recuperar as explorações e retomar a atividade produtiva após os danos provocados pelo fogo.

A autarquia garante que continuará a acompanhar o processo, em articulação com as Juntas de Freguesia e as entidades competentes, procurando assegurar que a informação sobre os apoios chega a todos os agricultores potencialmente abrangidos.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

PROJETO PIPSE LEVOU O ESPÍRITO DE HALLOWEEN ÀS ESCOLAS E JARDINS DE INFÂNCIA DE VILA FLOR

 As escolas e jardins de infância do concelho de Vila Flor receberam uma visita especial para assinalar o Halloween. A iniciativa foi promovida pelo Plano Intermunicipal de Promoção do Sucesso Escolar (PIPSE), que levou momentos de animação, doces e algumas travessuras aos mais novos.


Ao longo do dia, a equipa do projeto percorreu os estabelecimentos de ensino do concelho, proporcionando aos alunos uma celebração diferente, marcada pelo convívio, pela diversão e pelo espírito desta tradição.

A iniciativa teve como principal objetivo reforçar os laços afetivos com a comunidade escolar e proporcionar às crianças um dia diferente e animado, promovendo a proximidade entre o projeto, os alunos, as famílias e as instituições locais.

O Plano Intermunicipal de Promoção do Sucesso Escolar continua empenhado em manter uma presença ativa no quotidiano da comunidade, através de ações de proximidade que envolvem as escolas e as famílias e que valorizam também as tradições populares.

A celebração do Halloween foi, assim, uma oportunidade para criar momentos de partilha e levar alegria aos mais novos, reforçando a ligação entre o projeto e a comunidade educativa de Vila Flor.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

UPB ASSINALA DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL COM OFICINAS DE ARTE E MINDFULNESS

 A Universidade Politécnica de Bragança (UPB) assinalou o Dia Mundial da Saúde Mental com um conjunto de atividades dirigidas aos estudantes, centradas na expressão artística e na promoção do bem-estar emocional.


A iniciativa foi dinamizada pelo Serviço de Saúde Mental e Bem-Estar do Gabinete de Saúde da instituição e incluiu workshops de cerâmica e sessões de mindfulness, orientadas para o autocuidado e a gestão do stress.

Na vertente artística, os participantes tiveram oportunidade de experimentar técnicas de cerâmica numa atividade conduzida por Ofélia Marrão. As sessões de mindfulness procuraram, por sua vez, estimular a atenção plena.

Segundo a UPB, estas iniciativas terão continuidade, estando previstas novas atividades ligadas à expressão artística.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Magusto juntou crianças em Corujas

Todos os Santos aumenta movimento nas floristas de Macedo de Cavaleiros

 Crisântemos, arranjos florais, velas e outros artigos voltam a encher as floristas de Macedo de Cavaleiros nos dias que antecedem Todos os Santos e a evocação dos Fiéis Defuntos.


É uma das alturas de maior movimento do ano no setor e, este ano, algumas floristas registam uma procura superior à de 2025, com clientes a anteciparem também algumas compras.

Na Loja Bambu, as encomendas começaram cedo e o trabalho intensificou-se à medida que se aproxima o fim de semana.

A responsável, Sandra Atalão, diz que as vendas estão a correr bem e que muitos clientes decidiram reservar com antecedência:

“Até agora, muito bem. As vendas estão a correr muito bem. Os clientes já encomendaram muitas coisas para o dia 1. Estou cheia de trabalho. As pessoas nem encomendam, os vazos chegam e as pessoas compram e levam logo para casa. Algumas nas últimas semanas foram passando e dizendo o que queriam.”

Os vasos são, para já, dos artigos mais procurados, enquanto a flor de corte e os arranjos ganham maior peso nos últimos dias antes da data.

Na Florista Rosa, a procura também está acima da registada no ano passado. A responsável, Dalila Cepeda, explica que a loja reforçou o stock para responder ao aumento das encomendas:

“Nós este ano, como no ano passado tivemos aumento de produto, fizemos uma encomenda um pouquinho maior, porque está a haver uma procura ainda maior do que no ano passado.

Está tudo mais caro, mas nós tentámos manter os preços, ganhando menos um bocadinho porque a vida está complicada para todos.”

Apesar do aumento de alguns custos, as floristas procuram conter os preços. Dalila Cepeda refere que alguns artigos ficaram ligeiramente mais caros, mas que a opção tem passado também por reduzir margens para evitar um impacto maior nos clientes.

Na Master Flor, os preços das flores mantêm-se semelhantes aos do ano passado, embora alguns artigos artificiais tenham encarecido.

A responsável, Maria Silva, garante que as encomendas são muitas e acredita que a procura vai superar a do ano anterior:

“Tenho muitas encomendas, graças a Deus. Tenho uma lista grande.

E, pelos cálculos que estou a fazer, vai superar o ano passado. Há mais procura, sim.”

Os crisântemos continuam entre as flores mais procuradas nesta época, quer em vaso quer em flor de corte.

Além das flores naturais e artificiais, também as velas mantêm procura. Na Florista Rosa, por exemplo, a vela elétrica tem vindo a ganhar espaço por durar mais tempo e não deixar resíduos nas campas.

Nas três floristas auscultadas pela Rádio Onda Livre, o balanço é positivo. Entre encomendas antecipadas, listas de espera e reforço de stocks, são dias de de muito movimento em Macedo de Cavaleiros, numa tradição que leva muitas famílias aos cemitérios para recordar familiares e amigos já falecidos.

Cátia Barreira

Dia Mundial das Cidades - 31 de Outubro


O Dia Mundial das Cidades, celebrado anualmente a 31 de Outubro, é uma data internacional dedicada à reflexão sobre o papel das cidades no desenvolvimento sustentável, na qualidade de vida das populações e na construção de um futuro mais equilibrado, humano e inclusivo. Esta comemoração destaca a importância crescente dos espaços urbanos na vida moderna e chama a atenção para os desafios e oportunidades associados ao rápido crescimento das cidades em todo o mundo.

Criado oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial das Cidades pretende promover o interesse global pela urbanização sustentável, incentivar a cooperação internacional entre cidades e reforçar o compromisso com a melhoria das condições de vida urbanas. Mais do que homenagear os centros urbanos, esta data convida governos, instituições e cidadãos a refletirem sobre o modo como as cidades podem tornar-se mais justas, resilientes, inteligentes e ambientalmente responsáveis.

A história das cidades acompanha a própria evolução da civilização humana. Desde os tempos mais antigos, que o ser humano procurou organizar-se em comunidades permanentes, criando espaços de convivência, comércio, defesa e cultura.

As primeiras cidades surgiram há milhares de anos nas regiões férteis da Mesopotâmia, do Egito, da Índia e da China. Entre os rios Tigre e Eufrates nasceram cidades como Ur, Uruk e Babilónia, consideradas alguns dos primeiros grandes centros urbanos da humanidade. Estas cidades desenvolveram formas organizadas de governo, comércio, agricultura, escrita e religião, tornando-se fundamentais para o avanço das civilizações.

No Egito Antigo, cidades floresceram ao longo do rio Nilo, impulsionadas pela agricultura e pelo poder dos faraós. Já na Grécia Antiga, surgiram as famosas cidades-estado, como Atenas e Esparta, que influenciaram profundamente a política, a filosofia e a cultura ocidental.

Mais tarde, o Império Romano transformou o conceito de urbanização, construindo cidades organizadas com estradas, aquedutos, fóruns, teatros, termas e sistemas de saneamento. Muitas cidades europeias atuais têm origem romana e conservam até hoje vestígios desse período histórico.

Durante a Idade Média, as cidades cresceram em torno de castelos, muralhas, mosteiros e centros comerciais. Apesar das guerras e epidemias, os centros urbanos tornaram-se locais fundamentais de troca cultural e económica.

Com a Revolução Industrial, entre os séculos XVIII e XIX, ocorreu uma transformação profunda no crescimento urbano. Milhões de pessoas migraram das zonas rurais para as cidades em busca de trabalho nas fábricas. Este fenómeno deu origem às grandes metrópoles modernas, mas também trouxe sérios problemas sociais, como pobreza, habitação precária, poluição e desigualdade.

Atualmente, o planeta vive um dos maiores processos de urbanização da história. Pela primeira vez, mais de metade da população mundial vive em cidades, e estima-se que este número continue a aumentar nas próximas décadas.

As cidades tornaram-se centros fundamentais da economia, inovação, educação, cultura e tecnologia. São espaços onde se concentram universidades, hospitais, empresas, património histórico, serviços públicos e oportunidades de desenvolvimento.

No entanto, o crescimento urbano acelerado trouxe também enormes desafios. Muitas cidades enfrentam problemas relacionados com:

• Trânsito excessivo; 
• Poluição ambiental; 
• Alterações climáticas; 
• Falta de habitação; 
• Desigualdades sociais; 
• Violência urbana; 
• Gestão de resíduos; 
• Escassez de espaços verdes; 
• Pressão sobre os serviços públicos; 
• Exclusão social. 

Perante estes desafios, tornou-se essencial pensar em modelos de desenvolvimento urbano mais sustentáveis e equilibrados.

Reconhecendo a importância crescente das cidades no desenvolvimento humano, a Organização das Nações Unidas decidiu criar oficialmente o Dia Mundial das Cidades em 2013. A primeira celebração ocorreu em 31 de Outubro de 2014.

A data foi estabelecida para promover a chamada “urbanização sustentável”, conceito que procura conciliar crescimento económico, proteção ambiental, inclusão social e qualidade de vida.

O Dia Mundial das Cidades está também relacionado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, especialmente o Objetivo 11, que visa tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

Todos os anos, a ONU escolhe um tema específico para orientar as comemorações globais, abordando assuntos como habitação, mobilidade urbana, inovação tecnológica, alterações climáticas, espaços públicos, património cultural e participação cidadã.

Uma cidade sustentável é aquela que consegue crescer economicamente sem destruir o ambiente e sem excluir pessoas. Isso significa criar espaços urbanos capazes de oferecer qualidade de vida às gerações atuais sem comprometer o futuro das próximas gerações.

As cidades sustentáveis apostam em:

• Transportes públicos eficientes; 
• Energias renováveis; 
• Preservação ambiental; 
• Espaços verdes; 
• Habitação digna; 
• Acessibilidade; 
• Inclusão social; 
• Reciclagem e gestão responsável de resíduos; 
• Planeamento urbano inteligente; 
• Participação dos cidadãos nas decisões locais. 

Em diversas partes do mundo surgem projetos inovadores de cidades inteligentes, que utilizam tecnologia para melhorar a mobilidade, reduzir consumos energéticos e aumentar a eficiência dos serviços públicos.

As cidades não são apenas espaços físicos. Elas representam memórias, tradições, património histórico e identidade cultural.

Ao longo da História, muitas cidades tornaram-se símbolos da humanidade. Paris, Roma, Lisboa, Atenas, Jerusalém, Nova Iorque, Londres ou Tóquio refletem diferentes épocas, culturas e modos de vida.

As cidades preservam monumentos, igrejas, castelos, museus, praças, ruas antigas e tradições populares que contam a história dos povos. Ao mesmo tempo, são locais de encontro entre culturas, ideias e gerações.

Por isso, proteger o património urbano é também preservar a memória coletiva da humanidade.

Um dos maiores desafios atuais das cidades está relacionado com as alterações climáticas. As áreas urbanas consomem grande parte da energia mundial e são responsáveis por elevadas emissões de gases com efeito de estufa.

Ondas de calor, inundações, secas e fenómenos climáticos extremos afetam cada vez mais os centros urbanos, especialmente os mais populosos.

Por esse motivo, muitas cidades têm desenvolvido políticas ambientais destinadas a reduzir emissões poluentes, aumentar áreas verdes, promover energias limpas e incentivar meios de transporte sustentáveis, como bicicletas e veículos elétricos.

As cidades são, acima de tudo, lugares de pessoas. O verdadeiro valor de uma cidade não se mede apenas pelos seus edifícios ou infraestruturas, mas pela qualidade de vida que proporciona aos seus habitantes.

Uma cidade humana é aquela que promove convivência, segurança, inclusão, cultura, educação e solidariedade. É um espaço onde crianças podem brincar em segurança, idosos podem viver com dignidade e todos têm oportunidades de participação social.

O futuro das cidades depende da capacidade de colocar as pessoas no centro das decisões urbanas.

Celebrar o Dia Mundial das Cidades é reconhecer a importância dos espaços urbanos no presente e no futuro da humanidade. Esta data lembra-nos que o desenvolvimento das cidades deve ser planeado de forma equilibrada, sustentável e inclusiva.

Mais do que grandes construções ou avanços tecnológicos, as cidades devem ser locais de cidadania, respeito, diversidade e esperança.

O 31 de Outubro convida governos, urbanistas, arquitetos, instituições e cidadãos a trabalharem juntos na construção de cidades mais verdes, mais humanas e mais preparadas para os desafios do século XXI.

O Dia Mundial das Cidades representa um importante momento de reflexão sobre o futuro urbano da humanidade. Desde as primeiras cidades da Antiguidade até às modernas metrópoles atuais, os centros urbanos desempenharam um papel decisivo no progresso das civilizações.

Hoje, perante os desafios ambientais, sociais e económicos do mundo contemporâneo, torna-se fundamental promover cidades sustentáveis, inclusivas e resilientes.

Celebrar esta data é acreditar que é possível construir cidades mais justas, seguras e humanas, onde desenvolvimento e qualidade de vida caminhem lado a lado. O futuro das sociedades depende, em grande parte, da forma como cuidamos, planeamos e valorizamos as nossas cidades.

Texto e Imagem: HM - com IA e IN

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

🚀 SEI – Semana da Economia e Inovação

 De 27 a 29 de outubro, o Brigantia EcoPark acolheu a SEI, uma iniciativa promovida pelo Município de Bragança, em parceria com a Universidade Politécnica de Bragança e o Brigantia EcoPark.
Três dias dedicados ao emprego, à qualificação, ao empreendedorismo e à inovação, que reuniram empresas, instituições e especialistas em momentos de partilha de conhecimento, reflexão e troca de experiências, contribuindo para o desenvolvimento económico e a valorização do território.

A minha árvore que não é minha


Lá num canto do terreno vive a árvore, que não é minha. Quem pela primeira vez a vê, estranha: uma nogueira sem tronco, de copa arrojada pelo chão? Abeiram-se os curiosos da semba e percebem: é uma árvore, sim, de grosso tronco, manchado de líquenes amarelos, como é próprio da espécie, fincado dois metros abaixo, sólido, no solo fértil da horta do vizinho.

Diz o direito civil dos romanos que eu, como proprietário, tenho direitos exclusivos à coluna de ar que se ergue na vertical da estrema. Nenhum ramo ou folha pode invadir o meu espaço sem consentimento. Mas consinto, porque decepar uma nogueira brava é crime botânico grave... e os frutos que caem deste lado pertencem-me de direito.

Árvore, encontrei-te triste e enfraquecida. As entranhas trespassadas por videiras com a grossura de um punho. Braças e pernadas feridas pelos espinhos de silvas e roseiras-bravas. Adossado ao tronco, um vasto sabugueiro tirava-te a luz de que tanto precisas. Os ramos jovens secos nas pontas; as folhas manchadas pela antracnose, os frutos negros e mofados pela Xanthomonas.

Olhei para ti e compadeci-me. Armei-me de tesoura e serrote e, decidido, carreguei nos teus inimigos. Como um explorador de terras virgens, calquei ervas, cortei troncos, sarmentos e turiões, aparei galhos. Vieram os dias grandes e aqueceu o tempo. Da mesma forma que sorvo o ar fresco da manhã, bebo a água fresca da fonte e, a honrar o sol nascente, trinco uma maçã, abriste a copa ao sol, alongaste no espaço vazio os ramos, e estendeste as tuas raízes ao solo da horta, a aproveitar, à socapa, o azoto e a água das batateiras. Agora a luz é toda tua. O verde encheu o céu. Pelo ar veio o pólen, o sexo aconteceu e carregaste-te de frutos.

Na reserva da sombra da casa, levanto os olhos do livro e sinto-te. Fantasio que és um ser senciente regressado do passado, que pensas, decides e sabes agradecer. Com as folhas a tremeluzir na brisa julgo que sussurras: “vem cá”. Quando o vento mais forte te limpa os excessos da copa e os ramos secos caem num brando estrépito no solo, estás a dizer-me: “também sou capaz, sem ajuda”. O rebrilho das folhas molhadas de murrinha na luz crua da primavera é um sorriso de bem-estar. E os frutos? Presentes de agradecimento. Se na colheita me golpeias com uma noz, é porque brincas; zangada seria um galho de peso. Ou talvez me estejas a pedir mais cuidados. Uma calda de cobre? Adubo ao pé? Ergo-me e riposto: se te portares bem, no próximo ano, veremos.

As tuas folhas cansadas crestam e amarelecem. Em breve devolverão ao solo a fertilidade de que necessitarás no próximo ano. Dormirás profundamente, indiferente à água a escorrer pelos caules despidos e à agitação do vento. E a seiva suculenta protegida, sob a casca, a salvo das ferroadas da geada.

Árvore que és quase minha, chegamos juntos ao outono na esperança de uma nova primavera.

Carlos Aguiar

Presidência Aberta em Bragança. Datas: domingo, 15 de fevereiro de 1987 - quinta, 26 de fevereiro de 1987


🎬 Vila Flor vai ser cenário de Hollywood e TU podes fazer parte desta história!

 A localidade de Abreiro, em Vila Flor, vai acolher as filmagens de um filme de época norte-americano e a produção está à procura de figurantes locais!
Se gostavas de viver a experiência de um grande set de cinema e ver os bastidores de uma produção internacional, esta é a tua oportunidade.

Informações importantes:

Datas das filmagens: 1 a 7 de novembro
Remuneração: 75 € por dia
Candidaturas e contactos: WhatsApp: 916 636 149 | E-mail: taniafgteixeira@gmail.com

LENGALENGAS DOS DEDOS

Estas lengalengas são ditas segurando a mão de alguém, apontando para os dedos, à vez, enquanto é dita.


Pequenino (o dedo mindinho)
Seu vizinho (o anelar)
Pai de todos (o dedo médio)
Fura bolos (o indicador)
E mata piolhos. (o polegar)
➖
Este diz: quero pão
Este diz: que não há
Este diz: que Deus dará
Este diz: que furtará
E este diz: alto lá
➖
O dedo mindinho quer pão
O vizinho diz que não
O pai diz que dará
Este o furtará
E o polegar: «Alto lá!»
➖

Fonte: VELHAS LENGALENGAS
E RIMAS DO ARCO-DA-VELHA
[Compilado pela equipa do Luso-Livros]

RESTOS DO CULTO DAS ÁGUAS, RIOS, FONTES, ÁRVORES E FOGO

Que estas crenças permaneciam ainda entre nós no século VI da era cristã, mostra-se dos cânones organizados por São Martinho, bispo de Dume, bem como por várias crendices supersticiosas de que a etnografia nos aponta vestígios, ainda hoje existentes no nosso povo (182).


É crença geral em todo o distrito de Bragança que a água dos rios e 
fontes está benta na manhã de São João (24 de Junho) e na de São Pedro (29 de Junho) e que produz efeitos benéficos ou curativos em muitas moléstias e antídotos nas feitiçarias [53]; por isso, além das abluções próprias, os lavradores vão lá banhar seus gados bovino, ovino e caprino. É também costume geral levarem o mesmo armentio a dar volta pelos adros dos santuários ou capelas existentes nos campos e montanhas, fora dos povoados, no dia da festa dos respectivos oragos, incorporando-o mesmo algumas vezes no cortejo processional e carregando à cabeça ou pendente do jugo com sacos, onde vai o cereal que, em cumprimento da promessa, oferecem ao santo festejado.
Em geral, nos adros destes santuários há uma ou mais árvores colossais, respeitada religiosamente, ninguém se atrevendo a cortar-lhe pernadas ou a colher-lhe o fruto, sem consentimento do pároco ou mordomos, porque o padroeiro fere com moléstias, geralmente sezões, os violadores sacrílegos.
Como adiante nos referimos muitas vezes ao angaranho e respectivos banhos curativos, convém explicar o que isto seja. Angaranho, anqueilhado ou caílho, é uma espécie de raquitismo e enfraquecimento que ataca as crianças de leite e as de idade inferior a cinco anos, incapazes de andar por se não segurarem nas pernas. Os banhos devem obedecer aos seguintes preceitos rituais: uma mulher leva a criança e outra trá-la para casa, devendo, sempre que seja possível, ter o nome de Maria; vão e voltam silenciosas; a criança é mergulhada completamente, sustentando-a uma pelos pés outra pela cabeça, deixando-lhe ao mesmo tempo ir o enxoval pela água abaixo e vestindo-lhe depois outro. De um modo geral, às águas de virtudes medicinais, ou como tais supostas, chamam Fontes Santas e Águas Santas.
Em algumas terras bragançanas também se cura o angaranho passando três vezes a criança pela abertura de uma árvore nova, que se rachou ao meio para este fim, tornando-a depois a unir e ligar por forma que solde e não seque, porque, se tal suceder, não se produz a cura.
Quando tudo isto resulta inútil e a criança, um pouco mais idosa, continua amarelecente e definhada, é preciso recorrer a uma mulher de virtude, geralmente a que teve dois gémeos de um parto, que a leva à lameira de um alto na encruzilhada de caminhos, colocando-a no centro de um signo-salomão, traçado por regos na lameira, fazendo-lhe ao mesmo tempo rezas especiais. Estas mulheres têm também virtude para pisar as torções e veias que tomam vento, bem como para benzer quebrantos, espinhela caída e outros padecimentos.
Os pulos e saltos por cima das fogueiras de arçã, rosmaninho, sal-puro e de outras plantas balsámicas, feitas nas ruas durante a noite de São João, livram de bruxedos, feitiçarias e de outras moléstias, segundo reza a crença popular. Também, segundo a mesma, os atacados de sarna e outros sofrimentos cutâneos saram, indo espojar-se na dita manhã sobre o linho dos linhares.
O povo distingue perfeitamente entre águas medicinais cientificamente ditas, de efeitos terapêuticos naturais, e águas das chamadas Fontes Santas e dos angaranhos, anqueilhados ou caílhos, de efeitos curativos sobrenaturais ou como tais supostos. Daquelas, há no distrito de Bragança as seguintes nascentes:
Agrobom, concelho de Alfândega da Fé, no sítio de S. Lourenço;
Alfaião, concelho de Bragança. Fonte dos Banhos. Água hipo-salina-sulfúrea-férrea (183), muito frequentada pelos reumáticos. Todavia, o Padre Luís Cardoso (184) atribui-lhe também eficácia na cura das «crianças engaranhadas» e para as «feridas».
Bem Saúde (fonte). No concelho de Vila Flor, um quilómetro da estrada a macadame desta vila para Moncorvo. Muito eficaz em doenças do estômago, bexiga, fígado, rins, intestinos, reumatismo, gota, diabetes, escrofulismo e linfatismo.
Bragança. «Tem boas águas e duas fontes notáveis: a de Afonso Jorge e a do Conde, ambas medicinais para expelir pedra e areias da bexiga».
Castro de Avelãs, concelho de Bragança. Fonte de Penso. Goza de grande fama em moléstias cutâneas, já memorada no Tombo dos Bens do Cabido de Miranda feito em 1691, sempre crescente desde então até hoje.
Izeda, concelho de Bragança. Fonte das Águas Ferradas.
Moimenta, concelho de Vinhais. Água sulfúrea-férrea (185).
Olmos, concelho de Macedo de Cavaleiros. Fonte do Escarledo, muito eficaz em moléstias reumáticas e estomacais.
Penso, freguesia de Edral, concelho de Vinhais. A fonte nasce no leito do rio Rabaçal, e as suas águas, de efeitos similares às de Vidago, são muito procuradas para doenças estomacais.
Pombal, concelho de Carrazeda de Ansiães. Fonte chamada Caldas de São Lourenço, por brotar perto da capela deste santo. São conhecidas há perto de trezentos anos, pelo menos (186), como eficazes em curas reumáticas (187).
É curiosa a explicação que os padres do Tibete (Lamas) dão das águas« térmicas. Dizem eles «que o fogo, vendo-se cheio de pecados, pelos muitos males que fazia no mundo... se fora pedir remédio ao Pagode Badrid, o qual lhe disse que ficasse naquele lugar com ele, que assim ficaria purgado de todos aqueles pecados; teve o fogo por grande mercê esta que lhe fazia o Pagode, e assim se ficou a seus pés; e por isso saía aquela fonte de água tão quente» debaixo do Pagode. Este fogo teve primitivamente o poder de converter em ouro tudo quanto tocava, diz a mesma lenda, mas perdeu tal virtude devido à cobiça de um ferreiro que lançou lá grande quantidade de ferro a fim de enriquecer (188). Adiante, ao tratarmos da fonte da Beira Grande, apontamos lenda similar quanto à perda da virtude, mas por outra razão. 
Santa Cruz, concelho de Vinhais. Águas radioactivas, destinadas a um grande futuro, muito concorridas de doentes.
Vale de Nogueiras, concelho de Bragança.
Vinhas, concelho de Macedo de Cavaleiros. Idêntica nos efeitos à da
Fonte de Escarledo, termo de Olmos, no mesmo concelho.
Vimioso. No sítio da Terronha, margem direita do rio Angueira, termo de Vimioso e a quatro quilómetros da vila, brota «uma nascente de águas férreas e outra de águas sulfurosas frias, muito aproveitáveis para tratamento de moléstias de pele» (189).
Vinhais. «Afirma-se que a melhor água da província de Trás-os-Montes é a que existe no rossio da vila de Vinhais, em uma fonte admirável. Por mais que se beba dela nunca ofende o estômago e facilita muito a exclusão de areias e pedras» (190), Hoje, esta água está inquinada pelas infiltrações fecais das casas sobranceiras à fonte, sendo, por isso, utilíssimo que a nascente se procurasse no ponto conveniente, acima das recentes construções.
Além das fontes de qualidades medicamentosas especiais adiante mencionadas, têm virtude contra o angaranho as seguintes:
No concelho de Alfândega da Fé, a Fonte dos Angaranhos, no termo de Agrobom, e a Fonte da Moura, perto da igreja Matriz de Pombal.
No concelho de Bragança, a Fonte do Caílho, no termo de Parâmio; a água do rio Pepim, na sua junção com o Sabor; a Fonte dos Angaranhos, no termo de Soutelo da Gamoeda; e a do mesmo nome, perto da Senhora do Viso (Aviso, diz o povo) no termo de Serapicos.
No concelho de Carrazeda de Ansiães, a Fonte dos Angaranhos, na Venda Nova, bairro de Parambos.
No de Macedo de Cavaleiros, a Fonte dos Angaranhos, no termo de Ferreira; idem, no de Gradíssimo, Grijó de Vale Benfeito, Pinhovelo, e na fonte da Charça, termo de Salselas.
No de Mirandela, a Fonte do João Frio, termo de Alvites; a Fonte dos Angaranhos, no termo dos Couços, freguesia das Múrias; idem, na de Vale da Sancha e a Fonte de Vale do Carro, termo de Vila Boa.
No concelho do Mogadouro, o Poço de São João, termo de Travanca.
No concelho de Vila Flor, a Fonte Carvalha, termo do Nabo.
No concelho do Vimioso, a Fonte de Terronha, termo de Uva. Barcel. Nesta povoação, concelho de Mirandela, «ha uma fonte, á qual vão levar os meninos quando estão doentes, e dentro do espaço de oito dias, ou melhorão, e cobram saude, ou morrem; do que ha repetidas experiencias nestes moradores» (191).
Beira Grande. No termo desta povoação, concelho de Carrazeda de Ansiães, havia uma Fonte Santa muito concorrida de enfermos, para remédio de seus padecimentos, mas secou se porque curaram nela as mataduras de um burro; nunca mais deitou água, diz o nosso informador.
O Padre António Carvalho da Costa (192) menciona tambem esta Fonte Santa como eficaz para a cura dos meninos que nela lavam.
Bruçó. «Dizem que a água da fonte do Calvário Velho [termo de Bruçó, concelho do Mogadouro], cura as sezões» (193).
Carrapatas. No termo de Carrapatas, concelho de Macedo de Cavaleiros, «uzam os moradores da agua uma fonte chamada Fonte Santa: em alguns tempos lança uns olhos de azeite, que se manifestam sobre a agua: tem virtude para curar a fleuma salgada e os meninos leprosos, e os que padecem o achaque de aranganho» (194). Esta fonte nasce no sítio chamado Serrinha.
Carrazedo. As fontes de Carrazedo, concelho de Bragança, «principalmente do campo, são tão frias, que caindo-lhe algum bicho, ou animal pequeno, acaba logo a vida; entre estas, as mais celebres nesta qualidade são as do Corisco e Escudeiro: no inverno são muito quentes e temperadas» (195).
Casares. No povo dos Casares, concelho de Vinhais, há uma fonte de água tão fria, que metendo-lhe dentro um quarto de carneiro o come todo sem lhe deixar mais que os ossos e não faz mal aos moradores que dela bebem (196).
Há outra idêntica no lugar da Freixeda, concelho de Miranda do Douro (197), mas Carvalho da Costa (198) diz que esta Freixeda da fonte fria é no concelho de Mirandela. Na Freixeda, freguesia de Salsas, concelho de Bragança, há outra fonte de qualidades frígidas idênticas, segundo dizem.
Cércio. No povo de Cércio, concelho de Miranda do Douro, há uma fonte muito bem feita, em arco de cantaria, eficaz na cura da dor de pedra (199).
Chacim. No termo de Chacim, concelho de Macedo de Cavaleiros, há uma fonte em uma fraga, junto ao rio Azibo, que crescendo o rio se inunda a fonte, com tal singularidade, que vão subindo as águas da fonte pela fraga acima, fugindo das do rio; tem virtude para sarar os meninos de fogo ou tolhimentos: é mais frequentada nos dias de São João, São Lourenço e São Pedro: a cor das suas águas é clara, o cheiro de enxofre, e os seus limos semelhantes às claras dos ovos» (200).
Coelhoso. A uns cem metros da capela de Santo António, no termo da povoação de Coelhoso, concelho de Bragança, fica a fonte do Milagre, onde ainda hoje os lavradores no dia da festa do santo, depois de darem volta à capela com seus bois e outros gados, os vão aspergir com água da Fonte.
Coleja. Há no termo desta povoação, concelho de Carrazeda de Ansiães, uma Fonte Santa, onde vão lavar as crianças raquíticas no dia 24 de Agosto (festa de São Bartolomeu), porque as cura, robustecendo-as e desenvolvendo-as.
Felgares. «Em a quinta dos Felgares, termo da villa de Freixiel, que he vesinha a este concelho, está huma cappella da invocaçam de Sam Gens, e junto della huma cerdeira e dando esta seo fruito maduro nos principios de Junho, dois ramos della, que cahem sobre a mesma cappella, fiquam sem produzirem naquelle tempo devido seo fruito; e criando depois flores e cereijas as tem maduras no dia do mesmo Sam Gens, a 25 de Agosto.
E toda a pessoa que as come antes do dia do Santo lhe dam no mesmo instante fortes maleitas, ainda que nunca as tivesse, e toda aquella que as come depois de sua festividade, ainda que de muitos annos as padeça, he logo livre dellas, por cuja rezam já ninguem lhas come antes daquelle dia, e nelle toda a pessoa as procura haver asi para remedio das ditas maleitas, que he achaque que muito reina nesta terra» (201).
Em Baçal, concelho de Bragança, há, junto à capela de São Sebastião, um grande sardão (quercus ilex), e dizem que dão maleitas a quem lhe cortar qualquer galho. A mesma crendice corre em Argozelo a respeito de outro que há junto à capela de São Bartolomeu, a que aludimos na p. 34.
Freixeda. Ver Casares.
Lagoaça, concelho de Freixo de Espada à Cinta; Fonte Santa, muito concorrida de doentes e afamada em curas [54].
Macedo do Peso. O Cabeço do Chocalho, termo de Macedo do Peso, é tão abundante de águas que, exploradas, fariam andar dois moinhos, mas não as pesquisam por temerem que a corrente leve a povoação. Nas Palas da Tinha, também termo de Macedo do Peso, há uns buracos que no Inverno deitam fumo como se dentro houvesse fogo [55].
Marmelos. A povoação de Marmelos, concelho de Mirandela, tem dez fontes, e uma delas medicinal para diversas enfermidades (202).
Mazouco. Na povoação de Mazouco, concelho de Freixo de Espada à Cinta, há junto à igreja paroquial uma nascente chamada Fonte do Xido [56], que «costuma começar a lançar suas aguas no mez de Março, e se o anno hade ser fertil de pão, lança muito pouca e se hade ser esteril, lança mais agua no tempo do estio, que nos mezes antecedentes» (203).
Misquel. No termo de Misquel, concelho de Carrazeda de Ansiães, há uma nascente chamada «a fonte Bieita, dizem, tem virtude para os achaques dos meninos que nela lavam» (204).
Da mesma fonte diz o Padre António da Cunha e Almeida: «pouco abaixo da povoação ha uma fonte de agua milagrosa: diz a tradição que passando ali o arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Martyres pela estrada proxima, fora lá beber dessa agua e que achando-a excelente a abençoara; e por isso é tida por curativa de males especialmente de crianças rachiticas, a que o vulgo chama o mau-olhado, que sendo mergulhadas tres vezes naquela fonte ficam curadas» (205).
É já antiga esta crença, porque as Memórias de Ansiães escritas em 1721 (206), dizem a tal respeito: «no limite do lugar de Misquel, junto da ribeira que lhe passa ao sul pouco distante do lugar, está huma fonte, cuja agoa tem particular virtude para muitos achaques, especialmente de pessoas novas, por cujo respeito ha para ella huma geral concorrencia de gente de muitas partes a qoal se chama Fonte Bieita, palavra antiga da bençam que a vulgar tradiçam tem, lhe fora lançada pelo Illustríssimo e dig.mo Senhor Frei Bartolomeu dos Martyres, Arcebispo Primaz de Braga, a cuja bençam se atribue sua grande virtude».
Mós. No termo de Mós, concelho de Moncorvo, há uma fonte «que chamam do Gogo, e medicinal e em dia de S. João Baptista levão os meninos a lavar-se nela, dando-lhe certo banho, e suores e assegura a experiencia que ou logo logrão melhoria em seus achaques, ou brevemente morrem; e tambem nela se lavam pessoas maiores com bom sucesso em suas enfermidades; e é de notar que, lançando esta fonte no discurso do ano moderada agua, pela meia noite da vespera do dia de S. João começa a lançar em grande quantidade e assim continua todo o anno» (207).
Paradela. No termo de Paradela, concelho de Mogadouro, fica a Fonte Santa, eficaz em moléstias cutâneas.
Quebradas. No termo da quinta das Quebradas, concelho do Mogadouro, fica a Fonte Santa, nascente de água morna, de virtudes curativas nas moléstias de olhos [57].
Sabor. O rio Pepim nasce em Espanha, na vertente este da serra de Montesinho, divide ao meio a povoação de Aveleda, banha o termo de Baçal e entra no Sabor no sítio chamado Trambe-las-Águas (Entre ambas as águas), termo de Oleirinhos, freguesia de Meixedo. No ponto da junção, a água tem virtude contra o angaranho e lá vão banhar as crianças.
São Salvador. Em São Salvador, concelho de Mirandela, há a Fonte do Bispo, por ser aberta, segundo diz a lenda, com uma bengala por D. António da Veiga Cabral e Câmara, bispo de Bragança, falecido naquela povoação em 1819.
As virtudes curativas da fonte, extraordinariamente procurada pelos doentes de várias moléstias, resultam da bênção especial que o bispo (santo no conceito popular, não só no local, mas mais ou menos geral na diocese e fora dela) lhe lançou.
Ainda hoje, nas grandes estiagens, nas grandes chuvadas, nas crises agrícolas, o povo de São Salvador recorre à intercessão do Santo Bispo, como ele lhe chama, e lhe atribui a bênção dos frutos nas colheitas prósperas.
Urros. No termo de Urros, concelho de Moncorvo, junto à capela de Santo Apolinário, «ha um grande cipreste e um belo chafariz, alimentado por optima agua potavel, e diz a lenda que o cipreste nasceu de uma gota de agua que o santo ali vasara de uma cabacinha, que tinha enchido quando passou o Douro, e a agua do chafariz a fez rebentar neste sitio; e muita gente lhe chama fonte santa e faz uzo desta agua no tratamento de algumas moléstias; mas não consiste aqui só a maravilha, porque estando tres quilometros distante do Douro, dizem que se comunica com elle, de sorte que a agua da fonte está clara quando o Douro corre limpo, e se faz turva quando o rio tambem assim vai» (208).
Vale dos Lobos. No termo desta povoação, concelho de Mirandela, há uma fonte chamada Água Santa.
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(182) Ver sobre o assunto VASCONCELOS, J. Leite de – Religiões da Lusitânia, vol. 3, p. 566, onde se faz um largo extracto desses cânones, acompanhado de eruditas notas bibliográficas referentes ao assunto.
(183) LOPES, Alfredo Luís – Águas Minero-Medicinais de Portugal, 1892, p. 113.
(184) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1747, artigo «Alfayam».
(185) LOPES, Alfredo Luís – Águas Minero-Medicinais..., p. 296.
(186) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, tomo 1, p. 437.
(187) LOPES, Alfredo Luís – Águas Minero-Medicinais..., p. 348.
(188) ANDRADE, António de – O descobrimento do Tibete em 1624, edição de Francisco Maria Esteves Pereira, 1921, p. 53.
(189) PEREIRA, José Manuel Martins – As Terras de Entre-Sabor-e-Douro, p. 199.
(190) CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal..., 1762.
(191) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1751, artigo «Barcel».
(192) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 436.
(193) PEREIRA, José Manuel Martins – As Terras de Entre-Sabor-e-Douro, 1908, p. 91.
(194) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1751, tomo 2, artigo «Carrapatas».
(195) Ibidem, artigo «Carrazedo».
(196) CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal..., 1762, parte 1a, artigo «Fontes».
(197) Ibidem.
(198) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, p. 452.
(199) CARDOSO, Luís – Dicionário Geográfico..., 1751, artigo «Cercio».
(200) Ibidem, artigo «Chacim».
(201) Memórias de Ansiães, por João Pinto de Morais, reitor de São João Baptista, extramuros de Ansiães, e António de Sousa Pinto (natural de Marzagão, que também assinava António de Sousa Pinto de Magalhães), 1721, manuscrito da Biblioteca Nacional de Lisboa, § 35.
(202) CASTRO, João Baptista de – Mapa de Portugal Antigo e Moderno, 1762, artigo «Fontes».
(203) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 431.
(204) Ibidem, p. 428.
(205) Relação nominal de todas as freguesias do Concelho de Carrazeda de Ansiães, 1887, p. 16.
(206) Manuscrito da Torre do Tombo, § 45.
(207) COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 477.
(208) PEREIRA, José Manuel Martins – As Terras de Entre-Sabor-e-Douro, 1908, p. 85. COSTA, António Carvalho da – Corografia Portuguesa, 1706, tomo 1, p. 428.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

OITO ALDEIAS DE VINHAIS QUEREM DAR RECONHECIMENTO NACIONAL ÀS SUAS FESTAS DE INVERNO

 As Festas de Inverno de Vinhais vão ser alvo de um processo de documentação etnográfica, com vista à sua inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.


A iniciativa integra o projeto RITUS – Salvaguarda dos Rituais de Máscaras em Vinhais, promovido pelo município, e pretende preservar e valorizar as tradições que continuam a marcar a identidade de várias localidades do concelho.

O ciclo festivo arranca a 31 de outubro, em Cidões, com a Festa da Cabra e do Canhoto, e prolonga-se até 10 de fevereiro, envolvendo oito localidades. Ao longo deste período, as celebrações incluem diferentes rituais associados às máscaras e às tradições populares de inverno, transmitidos entre gerações.

No Natal, a 25 e 26 de dezembro, realizam-se a Festa dos Rapazes, em Ousilhão, e a Festa das Varas, em Rebordelo. No dia 27, Travanca celebra a Festa de Santo Estêvão, seguindo-se, a 31 de dezembro, a Encamisada, em Vale das Fontes. O ciclo termina durante o Carnaval, com o Carnaval Tradicional de Vila Boa de Ousilhão, a 9 de fevereiro, e a celebração da Quarta-feira de Cinzas – A Morte e os Diabos, no dia 10, em Vinhais e Edrosa.

A documentação destas manifestações servirá de base à candidatura de inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), que o município está a preparar em colaboração com as comunidades locais. O projeto representa um investimento global de 70.500 euros, co-financiado pelo programa NORTE 2030, ao abrigo do aviso dedicado à salvaguarda e valorização do património cultural imaterial.

Para o presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Luís Fernandes, as Festas de Inverno são fundamentais para afirmar a identidade do concelho, preservar as tradições e dinamizar a economia local. O autarca destaca também a importância destas celebrações na aproximação entre gerações e no regresso de pessoas que, apesar de viverem longe, mantêm a ligação às suas origens. Sublinha ainda que o envolvimento das comunidades, associações e coletividades é essencial para garantir a continuidade destas manifestações.

No âmbito da preparação do projeto, o município e a equipa técnica reuniram-se, a 23 de outubro, em Vinhais, com representantes das juntas de freguesia e das associações das oito localidades abrangidas, com o objetivo de preparar o arranque do ciclo festivo e articular o trabalho de documentação.

O projeto RITUS é promovido pelo Município de Vinhais, enquanto o estudo etnográfico e a preparação da candidatura estão a cargo do MORE CoLAB – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação. A iniciativa, financiada pelo NORTE 2030, tem conclusão prevista para março de 2028.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

MIRANDA DO DOURO INAUGURA EXPOSIÇÃO QUE LIGA O UNIVERSO DAS MÁSCARAS AO DAS AVES

 “Das Máscaras aos Pássaros”, de Carlos Ferreira, com a colaboração da Associação Palombar, está patente na Casa da Cultura Mirandesa até 7 de janeiro de 2027, com entrada gratuita.


A Casa da Cultura Mirandesa inaugurou, esta quinta-feira, 29 de outubro, a exposição “Das Máscaras aos Pássaros”, da autoria de Carlos Ferreira, que conta com a colaboração de Miguel Nóvoa, da Associação Palombar.

A sessão de abertura contou com a presença do vereador da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Vítor Bernardo, assinalando o início de uma mostra que propõe uma ligação artística e cultural entre dois universos distintos: o das máscaras e o das aves.

A exposição convida os visitantes a percorrer esta relação através de diferentes expressões artísticas, proporcionando uma experiência que cruza criatividade, cultura e natureza.

A mostra pode ser visitada gratuitamente na Casa da Cultura Mirandesa até 7 de janeiro de 2027.

Jornalista : Paulo Silva Reis
Fotos: DR

MACEDO DE CAVALEIROS ACOLHEU JORNADAS DA DIABETES DO NORDESTE TRANSMONTANO

 O Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros recebeu ontem a 8.ª edição das Jornadas da Diabetes do Nordeste Transmontano, um encontro que reuniu profissionais de saúde para debater os principais desafios associados à doença e promover a partilha de conhecimentos e experiências.


A iniciativa foi organizada pela Unidade Coordenadora Funcional da Diabetes da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste e teve como principal objetivo contribuir para a atualização de práticas e para a melhoria dos cuidados prestados às pessoas com diabetes.

Ao longo das jornadas, os profissionais tiveram oportunidade de refletir sobre diferentes questões relacionadas com a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento da doença, numa área em que a atualização de conhecimentos e a articulação entre os vários profissionais assumem particular importância.

A sessão de abertura contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, que deu as boas-vindas aos participantes e felicitou a organização pela realização de mais uma edição do encontro no concelho. Na ocasião, destacou a importância da prevenção, da promoção da saúde e da partilha de conhecimento entre os profissionais.

A realização destas jornadas reforça a importância da colaboração entre instituições e profissionais de saúde na resposta aos desafios colocados pela diabetes, contribuindo para uma maior sensibilização da comunidade e para a melhoria do acompanhamento das pessoas que vivem com a doença.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

FREIXO DE ESPADA À CINTA PROMOVE AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE A PNEUMONIA

 O Município de Freixo de Espada à Cinta vai promover, a 3 de novembro, duas ações de sensibilização sobre a pneumonia, dirigidas à população das freguesias de Fornos e Lagoaça. A iniciativa pretende reforçar a informação sobre a prevenção da doença, os principais fatores de risco e a importância do diagnóstico e tratamento atempados.


As sessões são organizadas pela Câmara Municipal, através da equipa do CLDS 5G Freixo Ativo, em parceria com o Centro de Saúde local. A primeira realiza-se às 14h00, no edifício da Junta de Freguesia de Fornos, seguindo-se uma segunda sessão, às 15h00, no edifício da antiga Escola Primária de Lagoaça.

Durante os encontros serão abordados os principais sinais e sintomas de alerta da pneumonia, os fatores que aumentam o risco de infeção e os cuidados a adotar para prevenir a doença. A iniciativa pretende ainda esclarecer a população sobre a importância de procurar acompanhamento médico perante sintomas suspeitos e de adotar comportamentos preventivos.

A ação é especialmente dirigida à população idosa, uma vez que esta faixa etária apresenta maior vulnerabilidade a infeções respiratórias e a um risco acrescido de complicações. Através destes momentos de informação e esclarecimento, pretende-se reforçar a literacia em saúde e promover hábitos que contribuam para a proteção da saúde respiratória.

A iniciativa enquadra-se nas ações de sensibilização associadas ao Dia Mundial da Pneumonia, assinalado anualmente a 11 de novembro.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR