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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 30 de junho de 2026

No âmbito da Semana da Cultura Mirandesa, no próximo sábado, dia 4 de julho, as cordas e a música clássica vão ecoar no Largo D. João III, com a prestigiada Academia de Música de Lisboa a apresentar o concerto "Os Violinhos Camerata". 🎻🎶

 Prepare-se para uma noite mágica, ao ar livre, num cenário único, onde o talento destes jovens músicos promete emocionar todo o público.

BRAGANÇA RECEBE NOVO CAMPO DO PROJETO FOOTPARK COM FOCO NO DESPORTO E ESTILOS DE VIDA SAUDÁVEIS

 Foi inaugurado em Bragança um novo minicampo de futebol inserido no projeto FOOTPARK, uma iniciativa que pretende criar e requalificar espaços desportivos de acesso livre em várias regiões do país, promovendo a prática de atividade física e hábitos de vida mais saudáveis.


Este equipamento, agora aberto à comunidade, representa o décimo quinto espaço já concluído no âmbito do programa, que resulta de uma parceria entre a Missão Continente e a Fundação do Futebol, em articulação com entidades locais.

A cerimónia de inauguração contou com a presença de diversas personalidades ligadas ao desporto e às instituições envolvidas no projeto, destacando-se a participação de Nuno André Coelho, Embaixador da Liga Portugal, que assumiu o papel de padrinho deste novo espaço.

Após o descerramento da placa inaugural, o campo recebeu de imediato as primeiras atividades com a participação de crianças, assinalando o início da sua utilização pela comunidade.

O projeto FOOTPARK tem como objetivo alargar a rede de minicampos em todo o território nacional, prevendo a criação de 32 espaços até 2027, cada um associado a figuras de referência do futebol português e integrado em zonas urbanas e comunitárias.

A iniciativa pretende, além da vertente desportiva, reforçar a coesão social e incentivar a utilização de espaços públicos para a prática de exercício físico e convívio entre gerações.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

“ Manta de Retalhos" – Uma viagem pela arte, memória e tradição

 De 3 de julho a 3 de setembro, visite a exposição "Manta de Retalhos", de Helena Santos, no Centro Interpretativo do Parque Natural de Montesinho – Casa da Vila, em Vinhais.
Através de técnicas como a afeltragem, o croché e o bordado, a artista dá vida a peças únicas, inspiradas na natureza e no mundo rural transmontano. Cada obra conta uma história, unindo criatividade, tradição e contemporaneidade numa experiência rica em cor, textura e emoção.

A inauguração realizar-se -à no dia 3 de julho, sexta-feira pelas 15h00 no Centro Interpretativo do Parque Natural de Montesinho – Casa da Vila | Vinhais

Venha descobrir um universo onde cada detalhe é tecido com imaginação, sensibilidade e afeto.

Assembleia Municipal de Bragança 29/06/2026

 PARTE 1


PARTE 2

𝐅𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐨𝐬 𝐏𝐞𝐧𝐝𝐨̃𝐞𝐬 - 𝐏𝐞𝐧𝐝𝐨𝐧𝐞𝐬 𝐀𝐥𝐚𝐧𝐭𝐫𝐞, 𝐋𝐚 𝐌𝐞𝐬𝐦𝐚 𝐓𝐢𝐞𝐫𝐫𝐚

 A Câmara Municipal de Miranda do Douro, com o apoio da ALCM - Associação da Língua e Cultura Mirandesa, organiza a Festa dos Pendões - Pendones Alantre, La Mesma Tierra , no dia 4 de julho, a partir das 10h00, integrado nas Comemorações da Semana da Cultura Mirandesa e, durante a qual, irão desfilar pelas ruas da cidade mirandesa vários pendões, provenientes das aldeias mirandesas e das regiões espanholas de León, Aliste e Sayago.

BRAGANÇA RECEBE REUNIÃO INTERNACIONAL DA APIMONDIA NO IPB PARA DEBATER FUTURO DA APICULTURA

 O Instituto Politécnico de Bragança vai acolher, entre 11 e 13 de julho, a reunião anual da Comissão Executiva da APIMONDIA, uma das mais importantes organizações mundiais do setor da apicultura.


O encontro reúne em Bragança representantes de vários países da Europa, América, Ásia e Oceânia, incluindo membros das presidências, comissões científicas e estruturas regionais da entidade internacional.

A realização do evento no IPB é interpretada como um reconhecimento do trabalho desenvolvido pela instituição nas áreas da investigação, inovação e valorização da apicultura, bem como da sua integração em redes científicas internacionais.

O momento central do programa está previsto para 13 de julho, no Escola Superior Agrária de Bragança, onde decorrerá uma reunião técnica com a participação de entidades nacionais do setor, incluindo a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal

Ao longo da sessão serão discutidos temas como o mercado global do mel, a sanidade apícola e projetos europeus ligados ao setor, incluindo iniciativas no âmbito da Honey Platform.

O programa inclui ainda a apresentação de investigação desenvolvida pelo Centro de Investigação de Montanha (CIMO) e visitas técnicas a laboratórios e a unidades de produção e transformação de mel na região.

A realização desta reunião internacional reforça o posicionamento do IPB como instituição de referência na área da apicultura e consolida a ligação entre ciência, inovação e setor produtivo.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

VINHAIS RECEBE CAMPEONATO REGIONAL DE NATAÇÃO COM CENTENAS DE ATLETAS EM PROVA

 As Piscinas Municipais Descobertas de Vinhais foram palco, nos dias 27 e 28 de junho, do Campeonato Regional de Natação, uma competição que juntou centenas de atletas oriundos de vários clubes da região.


A prova foi promovida pelo Município de Vinhais, em colaboração técnica com a Associação Regional de Natação do Nordeste, proporcionando dois dias de competição marcados por desempenho desportivo, superação e espírito de fair play.

Ao longo do evento decorreram várias cerimónias de entrega de prémios, distinguindo os melhores resultados nas diferentes categorias, numa iniciativa que contou com a presença de diversas entidades locais e associativas.

Um dos momentos em destaque foi a participação dos jovens atletas das escolas de natação, que receberam medalhas de participação, num gesto de incentivo à prática desportiva desde os escalões de formação.

O município aproveitou ainda a ocasião para homenagear o nadador vinhaense Filipe Pires, reconhecendo o seu percurso e resultados desportivos, considerados um exemplo para os jovens do concelho.

A organização destaca que a realização do campeonato reforça a capacidade de Vinhais para acolher eventos desportivos de dimensão regional, contribuindo para a dinamização local e para a promoção da modalidade.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

FESTA DOS POMBAIS REGRESSA A UVA COM DOIS DIAS DEDICADOS À CULTURA, NATUREZA E TRADIÇÃO

 A aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, volta a receber nos dias 3 e 4 de julho mais uma edição da Festa dos Pombais, um evento que se tem afirmado como uma proposta diferenciadora no panorama cultural da região transmontana. A iniciativa chega à sua quarta edição com um programa pensado para todas as idades, de participação gratuita.


Durante dois dias, o evento promete transformar a aldeia num espaço de encontro entre património, criatividade e identidade local, reunindo atividades ligadas à arte, música, natureza e tradições do território. Oficinas criativas, experiências sensoriais, performances, sons experimentais e iniciativas ligadas ao ambiente e à paisagem integram uma programação diversificada que pretende proporcionar momentos de descoberta e partilha.

Mais do que uma celebração, a Festa dos Pombais procura criar uma ligação próxima entre visitantes e o território, convidando a uma experiência autêntica centrada nas características únicas da comunidade local e da cultura rural.

A escolha de Uva para acolher o evento não é por acaso. A aldeia destaca-se pelo seu património singular, possuindo mais de quatro dezenas de pombais tradicionais, elementos emblemáticos da arquitetura vernacular transmontana e fortemente associados à história e identidade local.

Criada em 2022, a Festa dos Pombais nasceu com o objetivo de valorizar o património natural, arquitetónico e cultural do meio rural, apresentando-se como uma alternativa inovadora às festividades tradicionais de verão na região.

A iniciativa é promovida pela Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, em parceria com o Município de Vimioso e a União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Festas, Festividades e Eventos

ULSTMAD AVANÇA COM NOVO TRATAMENTO HEPÁTICO E REFORÇA CUIDADOS ESPECIALIZADOS NA REGIÃO

 A Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro realizou, durante o mês de junho, um novo procedimento na área da radiologia de intervenção, reforçando a capacidade de resposta clínica em doentes com patologias oncológicas do fígado.


Pela primeira vez, a unidade efetuou uma quimioembolização transarterial hepática, técnica minimamente invasiva que permite administrar tratamento diretamente na zona tumoral, associando a terapêutica ao bloqueio do fluxo sanguíneo que alimenta a lesão.

A instituição destaca que este avanço representa um reforço na diferenciação dos cuidados prestados e possibilita aos utentes da região o acesso a tratamentos especializados sem necessidade de encaminhamento para outras unidades hospitalares.

Paralelamente, a equipa médica implementou também uma nova tecnologia associada ao tratamento da hipertensão portal, tornando a unidade pioneira a nível nacional na utilização deste dispositivo específico, permitindo uma abordagem mais adaptada às necessidades clínicas de cada doente.

A ULSTMAD prevê ainda promover, em outubro, um encontro científico dedicado ao tratamento da trombose portal, reunindo especialistas nacionais e internacionais ligados à área.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MACEDO DE CAVALEIROS ASSINALA FERIADO MUNICIPAL COM CELEBRAÇÕES RELIGIOSAS E MÚSICA FILARMÓNICA

 O dia 29 de junho, feriado municipal em Macedo de Cavaleiros, foi vivido com momentos de fé, tradição e cultura, integrados na programação da Feira de São Pedro 2026.


As celebrações começaram com a Eucaristia solene na Igreja de Santa Maria, seguindo-se a procissão em honra de São Pedro até à Igreja de São Pedro. A cerimónia reuniu centenas de participantes, entre fiéis, associações locais e bandas filarmónicas, mantendo viva uma das tradições religiosas mais marcantes do concelho.

As comemorações prosseguiram com o tradicional concerto das bandas filarmónicas do concelho, realizado no Jardim 1.º de Maio. A atuação reuniu a Banda 25 de Março de Lamas e a Banda Filarmónica do Brinço, num momento dedicado à valorização da música e das tradições locais.

A iniciativa voltou a reunir a comunidade em torno das festividades do santo padroeiro, reforçando o papel das tradições religiosas e culturais na identidade do concelho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

CARETOS DE PODENCE MARCAM PRESENÇA NO ROCK IN RIO LISBOA AO LADO DOS KARETUS

 Os Caretos de Podence subiram ao palco do Rock in Rio Lisboa num momento que juntou tradição, música e performance contemporânea, ao lado do projeto Karetus, numa atuação que destacou uma das expressões culturais mais emblemáticas do país.


A participação levou a estética e a energia desta tradição transmontana a um dos maiores festivais de música realizados em Portugal, proporcionando um espetáculo marcado pela cor, movimento e forte ligação às raízes culturais da aldeia de Podence.

O momento foi recebido com entusiasmo pelo público, reforçando a capacidade de integração entre manifestações culturais tradicionais e formatos artísticos modernos, num cruzamento que tem vindo a dar maior visibilidade internacional aos Caretos.

Esta presença em palco representa mais um passo na projeção nacional e internacional desta prática cultural, reconhecida como património imaterial, e evidencia a crescente valorização das tradições portuguesas em grandes eventos musicais.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Em 19 anos passaram 255 mil pessoas pelo Centro de Ciência Viva

 O Centro de Ciência Viva de Bragança (CCVB) celebra esta terça-feira 19 anos de abertura ao público, tendo recebido 255 mil visitantes e participantes em atividades.


A democratização da ciência é um dos seus principais objetivos, assim como aproximar os cientistas da sociedade, dando a conhecer o seu trabalho e a sua importância para o desenvolvimento social.

Inaugurado em 2007, o CCVB “ao longo do seu percurso, tem desenvolvido um trabalho de proximidade com a comunidade escolar, promovendo atividades desde o pré-escolar até ao ensino secundário, em estreita colaboração com os agrupamentos de escolas do concelho e do distrito de Bragança e com o Instituto Politécnico de Bragança”, indicou a direção.

GL

Assembleia Municipal aprova novo Código Regulamentar de Bragança

 O novo Código Regulamentar do Município de Bragança e respetiva Tabela de Taxas foi aprovado, esta segunda-feira, em Assembleia Municipal, com 44 votos a favor, 33 abstenções e um voto contra, da Iniciativa Liberal.


O documento, que substitui o código em vigor desde 2016, esteve envolto em forte polémica nos últimos dias devido ao aumento de várias taxas municipais, contestado pela oposição, que acusou o executivo socialista de agravar os encargos para famílias, empresas e associações. O executivo defende que o novo regulamento vai muito além da atualização das taxas, representando uma reorganização administrativa e jurídica considerada necessária.

Iniciativa Liberal vota contra e critica “900 páginas de burocracia”

O único voto contra partiu da Iniciativa Liberal. O deputado Nuno Fernandes criticou a dimensão do documento, comparando-o com códigos regulamentares de outros municípios. “Porto 350 páginas, Braga 450, Vila Real 342. Bragança, com 35 mil habitantes, apresenta quase 900 páginas. Simplificação? Simplificado não é de certeza”, afirmou.

Considerando que o regulamento “cria um mau estar muito profundo” para quem tem de lidar com os serviços municipais, Nuno Fernandes acusou o executivo de apresentar um documento demasiado complexo para uma “população envelhecida e com baixos níveis de literacia financeira e jurídica”.

Para Nuno Fernandes, o código representa “um aumento generalizado de impostos” sobre famílias, empresas e associações. No discurso, na assembleia, apelou ao PSD e aos presidentes de junta para travarem a proposta, salientando que “travar este regulamento é obrigar a negociar”. “Vamos devolver este documento ao executivo com uma mensagem clara: a política é a arte da negociação, não da imposição”, defendeu.

PSD critica aumentos e abstém-se

Também o PSD manifestou fortes reservas, optando pela abstenção. A deputada Isabel Ribeiro afirmou que, embora reconheça a necessidade de atualizar taxas que não eram revistas desde 2016, a proposta apresenta aumentos “completamente desequilibrados”. Segundo a social-democrata, o novo código contempla 56 aumentos, 29 manutenções, 18 reduções, cinco reconfigurações e quatro novas taxas.

Entre os exemplos apontados, destacou a subida de uma simples declaração de 13,42 para 52 euros, da concessão de uma sepultura individual de 905 para 2070 euros, do licenciamento de obras de 65 para 143 euros ou de uma fotocópia, que passa de cinco cêntimos para um euro.

“O único beneficiário é a autarquia, que vai arrecadar mais receita à custa, uma vez mais, dos brigantinos”, afirmou.

A deputada defendeu que a revisão das taxas deveria ser gradual e criticou a rejeição da proposta de redução da tarifa social para famílias numerosas, considerando que o município segue “em contraciclo” relativamente às recentes medidas nacionais de apoio fiscal a agregados com três ou mais filhos.

Isabel Ribeiro lamentou ainda que a maioria das propostas apresentadas pelo PSD durante o período de discussão pública tenha sido rejeitada, referindo que apenas duas foram integralmente acolhidas, nomeadamente medidas relacionadas com crianças com necessidades específicas e com o alargamento do período de incubação de empresas.

Presidentes de junta discordam dos aumentos, mas abstêm-se

Em representação dos presidentes de junta do PSD, Telmo Afonso, presidente da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, justificou a abstenção com um equilíbrio entre a discordância relativamente ao aumento das taxas e a responsabilidade institucional.

O autarca reconheceu que o novo código implica “um acréscimo de encargos para as famílias, empresas e associações” e afirmou não se identificar “uma necessidade imperiosa que justifique agravar a carga fiscal dos munícipes”, tendo em conta a situação financeira do município.

Ainda assim, defendeu que não pretendem criar obstáculos ao funcionamento da autarquia nem inviabilizar decisões da maioria eleita. “A nossa abstenção traduz um equilíbrio entre respeitar a legitimidade democrática do executivo e afirmar de forma clara a nossa discordância relativamente ao aumento das taxas municipais”, explicou.

PS rejeita ideia de aumento generalizado

Pelo PS, Dinis Costa sustentou que a discussão não pode resumir-se apenas ao valor das taxas, considerando que o novo código representa “um esforço sério e tecnicamente muito rigoroso” de reorganização da regulamentação municipal.

Segundo o deputado socialista, o diploma sistematiza normas que estavam dispersas, reforça a segurança jurídica, distingue de forma mais clara taxas e preços públicos e estabelece critérios objetivos para isenções e reduções. “O foco do diploma parece estar não tanto em cobrar mais, mas fundamentalmente em cobrar melhor, de forma mais transparente e juridicamente mais segura”, afirmou.

Dinis Costa rejeitou igualmente as críticas sobre um alegado aumento generalizado das taxas, considerando que essa leitura é “enviesada” e “parcial”.

Isabel Ferreira acusa oposição de criar receio na população

Já a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, acusou a oposição de contaminar o debate com “duas ideias falsas”. “Este código regulamentar é apenas um aumento generalizado de taxas”, começou por dizer. Quanto ao segundo ponto foi ainda mais clara. Admitiu que houve tentativa de “transformar um documento estruturante para o município numa sucessão de frases soltas, números fora do contexto e exemplos escolhidos a dedo para criar receio nas pessoas”.

Esclarecendo que o regulamento “orgulha” a equipa e os serviços municipais, salientou que “o documento substitui um instrumento aprovado em 2016 e que, passados cerca de 10 anos, já não acompanha a realidade legal, administrativa, económica e operacional do município”. “A nossa responsabilidade é garantir boa gestão pública”, rematou ainda.

Para Isabel Ferreira, “reduzir a proposta do novo código regulamentar a ruído sobre percentagens é lamentável”, assim como “generalizar e tentar tirar proveito político de um qualquer aumento percentual, quando na verdade se traduz em poucos cêntimos, é também populista”. “A falta de visão estratégica é tal que não se percebe que esta proposta permitirá regularizar situações gritantes, como a venda de lotes na nova zona industrial, a integração do teatro municipal na rede nacional e a disponibilização de novos serviços municipais. Estamos a falar de regras, de procedimentos, de segurança jurídica. Estamos a falar da relação diária entre cidadãos, empresas, associações e serviços municipais. Estamos a falar da cidade e das aldeias, do centro urbano e das freguesias rurais. Estamos a falar da forma como o município funciona. Reduzir isto a meia dúzia de exemplos, quase sempre apresentados sem contexto, não é esclarecer ninguém”, lamentou.

Dirigindo-se aos eleitos, Isabel Ferreira considerou que votar contra significaria manter um código desatualizado e afirmou que a abstenção “não é neutralidade nem prudência”, mas antes uma recusa em assumir uma decisão sobre uma revisão que classificou como necessária para melhorar os serviços municipais.

O código servirá para “dar mais previsibilidade à relação entre o município, as comunidades locais, as associações, as empresas e os cidadãos”.

Secretária de Estado destaca trabalho da Conservatória de Vila Flor e anuncia reforço de 700 profissionais para os Registos

 A secretária de Estado da Justiça, Ana Luísa Carvalho, elogiou o trabalho desenvolvido na Conservatória de Vila Flor, apesar da escassez de recursos humanos, e garantiu que o Governo está a reforçar o setor dos Registos e do Notariado com a entrada de 700 novos profissionais até ao final do ano.


Questionada sobre os problemas de falta de pessoal nas conservatórias e de procuradores na região, a governante afirmou sair de Vila Flor “de coração cheio”, destacando o desempenho da conservatória local.

“Apesar das limitações em termos de recursos humanos, a conservatória não tem pendências. É uma conservatória de exemplo”, afirmou, explicando que o serviço funciona com uma conservadora que acumula funções com outra conservatória e apenas duas oficiais de registo, que, além dos processos locais, tratam também de processos distribuídos a partir da plataforma nacional.

Ana Luísa Carvalho considerou que o mérito pertence aos profissionais que ali trabalham. “São pessoas que merecem todo o reconhecimento, porque trabalham efetivamente muito para manter a conservatória em dia”, referiu.

Relativamente ao Tribunal de Vila Flor, a secretária de Estado disse ter reunido com os magistrados e garantiu que, apesar das limitações das instalações, estes manifestaram satisfação com as condições de trabalho.

Perante a aproximação dos meses de verão, período em que aumenta a procura pelos serviços das conservatórias devido ao regresso de muitos emigrantes, Ana Luísa Carvalho explicou que o Governo já está a preparar um plano de contingência semelhante ao aplicado no ano passado.

“Sabemos que julho e agosto são os meses de maior afluência às conservatórias e essa é uma situação que estamos a acompanhar e a acautelar”, afirmou.

A governante reconheceu, contudo, que o Instituto dos Registos e do Notariado enfrenta dificuldades resultantes de um longo período sem reforço de pessoal.

“O IRN teve um desinvestimento de mais de 20 anos. Durante esse período não foi contratado um único trabalhador nem foram abertos concursos para conservadores ou oficiais de registo”, disse.

Segundo a secretária de Estado, o Governo pretende inverter essa realidade através da contratação de novos profissionais e da valorização das carreiras. “Até ao final do ano entrarão mais 700 profissionais para a área do registo, entre oficiais de registo e conservadores”, anunciou, acrescentando que foi também alcançado um acordo com os sindicatos para melhorar as condições da carreira e aumentar a sua atratividade.

As declarações surgem num contexto de forte contestação por parte dos trabalhadores do setor. Durante uma recente greve, o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN) afirmou que os serviços enfrentam uma carência de 2.731 oficiais de registo e 270 conservadores em todo o país, alertando para o risco de rutura do sistema.

O sindicato contesta igualmente os números apresentados pelo Governo sobre o reforço de pessoal. Segundo o STRN, uma parte significativa das vagas anunciadas corresponde a concursos já anteriormente previstos, considerando que o reforço efetivo é substancialmente inferior ao divulgado pelo Executivo. A estrutura sindical defende ainda um plano extraordinário de recrutamento para responder às necessidades dos serviços e reduzir os atrasos acumulados.

Obras da nova Escola Superior de Saúde decorrem a “bom ritmo”

 As obras da nova Escola Superior de Saúde, do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), estão a decorrer a bom ritmo e a empreitada deverá estar concluída dentro de um ano e meio.


“A obra está a decorrer muito bem, a empresa é uma empresa muito competente que está a planear muito bem a obra e a executar dentro dos prazos que estão estabelecidos. Seguramente dentro de um ano e meio a escola estará pronta. Isso permitir-nos-á desenvolver mais capacidades científicas na área da saúde, ter uma interação mais intensa com a comunidade também nessa área, desenvolver a nossa parceria com a ULSNE, que é uma parceria fundamental”, garantiu o presidente do IPB, Orlando Rodrigues.

O investimento será superior a 12 milhões de euros,com “fundos próprios”. “O que temos feito ao longo dos últimos anos, é numa base de uma gestão plurianual, ir acumulando algumas reservas que nos permitam fazer esse investimento. Portanto, foi isso que fizemos ao longo dos últimos anos, fomos acumulando algumas reservas especificamente com esse fim, o que nos permitiu neste momento cabimentar e lançar essa infraestrutura que está cabimentada basicamente com fundos próprios”, disse.

Orlando Rodrigues defendia melhores infraestruturas há vários anos. Isto porque as atuais não conseguem dar resposta aos mais de dois mil alunos. “Estamos numa situação de ter as nossas instalações completamente ocupadas, sobrelotadas. Temos inclusivamente a utilização de bancada em laboratório por turnos, de funcionamento 24 horas, porque os nossos espaços estão cheios. Estamos com dificuldade em instalar equipamentos laboratoriais que adquirimos com financiamento de capitais, porque não temos instalações. Para além do baixo investimento em ciência e tecnologia, tem havido um desequilíbrio e uma falta de investimento em infraestrutura”, destacou.

O destino da atual escola ainda não está definido. “Pode vir a ficar um edifício exclusivamente para atividades científicas e, portanto, essa é uma hipótese que está em cima da mesa, com algumas obras de requalificação. Pode ser um edifício para albergar atividades de investigação científica ou numa parceria conjunta com a saúde, com o Ministério da Saúde a ceder à ULSNE e em contrapartida a alavancar o nosso financiamento na construção da nova escola”, apontou.

Declarações do presidente do IPB, no âmbito de uma entrevista realizada para a edição desta semana do Jornal Nordeste, que já está disponível nas bancas.

A entrevista na íntegra, para ouvir, hoje a partir das 11 horas na rádio Brigantia.

O bisavô José de Almeida

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Na minha memória, era alto.

Magro, quase alongado no tempo, como se ocupasse mais espaço do que aquele que as fotografias hoje me mostram. Rosto magro, esculpido na pedra, barbeado à navalha e cabelo escuro, quase incongruente nos oitenta anos que tinha.

Sei agora que não era assim tão alto — que tinha uma estatura mediana, pouco maior que as mulheres que aparecem ao seu lado nas fotos antigas e cansadas. Mas a infância não mede as pessoas com fita métrica. Mede-as pela impressão que deixam. E ele era, para mim, um homem grande.


Vestia-se sempre com uma certa solenidade: fato escuro de três peças, ou um colete de lã que lhe desenhava a figura com rigor. Por vezes um sobretudo comprido azul-marinho… Não consigo olhar para o meu filho que adora vestir um igual, sem me recordar dele. Havia nele uma elegância discreta, antiga, como quem não se veste para impressionar, mas porque assim se deve estar no mundo.

Era austero.

Não era de brincadeiras e quando a conversa não lhe agradava, deitava um olhar de desaprovação silenciosa que não precisava de palavras.

E, no entanto, a sua presença não era desagradável. Ele não pedia atenção, ela era-lhe devida e como tal era-lhe dada, como um princípio silencioso. Era o herdeiro de um respeito pelos mais velhos que já não existe nos nossos dias.

Ele era o avô da minha mãe. E foi através dela que herdámos um gesto antigo:

“A sua bênção, avô.”

E nós, pequenos, a imitá-la:

“Bença, vô.”

Do meu bisavô José ficaram histórias que ouvi pela voz da minha mãe. Contava que ele tinha estado na Grande Guerra, na Flandres — mas não nas trincheiras. Era cozinheiro. Demorou a regressar e, pelo caminho, ganhou a vida a ler livros a um senhor idoso que já não o conseguia fazer.

Talvez venha daí a sua relação com as palavras, pois também em casa lia. E a família, num tempo sem televisão, reunia-se à volta dele para ouvir os romances que escolhia. Havia um ritual. Um silêncio exigido.

Ai de quem falasse para o lado.

Se alguém quebrava o fio, ele amuava, fechava o livro e retirava-se, levando consigo tudo o que ainda faltava contar.

Num tempo em que ninguém se preocupava se as crianças fumavam ou não, chamava-me, dava-me algumas moedas — não me recordo quais — e dizia, naquela voz queimada:

“Vai-me num instante buscar um Kentuques, filho, e podes ficar com o troco.”

E eu corria. Voltava da mercearia com o pequeno maço sem filtro, entregue sem perguntas, orgulhoso da missão.

O bisavô cheirava a tabaco.

Tinha mãos ossudas, e unhas amarelas e grossas.

E eram essas mãos que, por vezes, me pousavam na cabeça com um carinho contido. Não havia um sorriso debaixo daquele bigode espesso e curto, quase severo, mas havia o gesto. E isso bastava.


Os meus pais diziam que eu tinha o feitio igual ao dele.

E quando eu resmungava, a minha mãe exclamava:

“Aí está o Zé d’Almeida.”

Mas era apenas um desabafo. Muitos anos depois, ela guardava uma fotografia minha, já com vinte anos, que gostava de a comparar com outra dele. Colocava-as lado a lado, demorando-se nas semelhanças — como se procurasse provas de que certas coisas não passam, apenas mudam de rosto.

Eu devia ter uns sete anos quando ele se foi.

Não cheguei a saber que partira. De repente, deixou de fazer parte da minha vida — mas nunca da minha memória.

Hoje, quando o revejo nas fotografias, quase me surpreendo.

Como pode caber ali alguém que na minha memória era tão maior? Para mim nunca deixará de o ser.

As histórias dele ficarão sempre como num livro aberto lido em voz alta, num gesto breve sobre a cabeça de um miúdo, num resmungo que regressa noutra idade, ou num rosto que parece repetir-se.

O Zé D’Almeida foi um dos meus pilares, firme…

mesmo depois de tudo o resto passar.


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

𝑷𝒓𝒆́𝒎𝒊𝒐𝒔 𝒆𝒎 𝑫𝒆𝒔𝒕𝒂𝒒𝒖𝒆 - Junho - 2026

 A rubrica “Prémios em Destaque” evidencia, mensalmente, conquistas alcançadas por brigantinas e brigantinos, em diversas áreas, valorizando o talento e o trabalho desenvolvido no concelho.

Bragança nunca esquece os Seus Filhos


Durante décadas, Bragança e as suas aldeias, habituaram-se ao som das malas a serem fechadas. A emigração, essa cicatriz profunda na "pele" de Trás-os-Montes, tornou-se o destino de muitos. Jovens cujos olhos brilhavam com a ambição do mundo e famílias inteiras, impelidas pela necessidade, deixaram o pouco conforto do lar na procura do que a terra, naquele momento, lhes negava. Partiram para a luz febril das grandes cidades ou para os horizontes desconhecidos da França, Suíça, Luxemburgo ou Alemanha.

Levavam pouco na bagagem, mas levavam tudo na alma. O cheiro da terra molhada após a primeira chuva de outono, o sabor inconfundível do fumeiro, a bênção dos mais velhos e, acima de tudo, uma saudade que já tinha começado antes mesmo de atravessarem a fronteira. A partida era uma ferida na alma. A tristeza instalava-se nas aldeias, as escolas esvaziavam-se, e as casas viam as janelas fecharem-se, 

A distância, os Alpes ou o Oceano não conseguem apagar o vínculo umbilical com a origem. Quando o verão chega e o sol faz brilhar as searas, Bragança desperta do seu longo torpor. O regresso dos filhos pródigos é uma procissão de esperança. Carros com matrículas de todos os cantos da Europa param nas ruas, e o ar enche-se, de súbito, com o som das vozes reencontradas.

Nesses dias, a vida pulsa com uma intensidade renovada. As festas da terra, os convívios à sombra dos carvalhos, os risos que se misturam com as lágrimas do reencontro, tudo isto é um bálsamo. Por algumas semanas, a aldeia volta a ter a idade da infância, e os emigrantes, entre o café na esplanada e o olhar posto nas montanhas, sentem que a vida, afinal, nunca deixou de decorrer ali.

Bragança é, para quem de cá saiu, o porto de abrigo final. Muitos vivem a vida lá fora como se estivessem apenas de passagem, guardando, no fundo do peito, o sonho de um regresso definitivo. Sonham com a reforma, a paz serena dos montes, onde a vida é um ciclo de paz e tradição.

A terra, fiel e paciente, aguarda. Bragança não julga quem partiu, ela compreende. Bragança sabe que, embora o corpo possa habitar noutros países, o coração de um transmontano permanece sempre ancorado no seu berço.

Contudo, esta espera não é uma resignação passiva. Bragança respira, inova e transforma-se. O Instituto Politécnico é, há anos, um farol de conhecimento, trazendo jovens de todo o mundo para o coração da cidade. O turismo rural e a valorização das raízes gastronómicas e culturais são a prova de que a tradição e a modernidade podem dançar de mãos dadas.

A "terra que espera" é, também, uma terra que sonha. Espera que as novas gerações encontrem razões para ficar, para construir futuro sobre os alicerces dos avós. É um esforço coletivo para que a identidade transmontana não seja uma memória de museu, mas uma chama vibrante e viva.

Bragança ensina-nos uma lição sublime. Partir nunca significou esquecer. Partir é, muitas vezes, apenas o preâmbulo de um regresso mais consciente. As raízes transmontanas são profundas demais para serem cortadas pela distância.

Bragança permanece firme e profundamente acolhedora. Bragança é a casa de portas sempre abertas, a mãe que não pergunta pelo tempo que passou, mas que celebra apenas o facto de estarmos de volta. Para quem nasceu no coração de Trás-os-Montes, todas as estradas, por mais longas que sejam, acabam sempre por conduzir a casa.

Que assim seja!

HM
29 de Junho de 2026

Pela revogação imediata das leis que entregam a Terra de Miranda ao lóbi energético

 Duas leis abusivas entregaram o território nacional aos grandes interesses energéticos.


• A primeira, de 2022, permite autorizar, em apenas dez dias, a instalação de parques eólicos e centrais fotovoltaicas, mesmo quando estejam em causa valores ambientais, históricos, culturais e paisagísticos. Basta que as entidades públicas não respondam nesse prazo irrealista.

• A segunda, de 2024, prorrogou esse regime até ao final de 2026.

Estas leis, que constituem um privilégio dado pelo Estado a um lóbi empresarial, são inaceitáveis num Estado de Direito, lesam o interesse público, o bom senso democrático e a própria Constituição.

Por essa razão, solicitamos ao Presidente da República, à Provedoria de Justiça e à Assembleia da República que promovam a revogação imediata do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 30-A/2022, de 18 de abril, e do Decreto-Lei n.º 116/2024, de 30 de dezembro.

É inadmissível que terrenos onde os proprietários estão sujeitos a fortes restrições impostas pelo Estado possam agora ser ocupados com projetos energéticos capazes de destruir o equilíbrio ecológico, a paisagem e a agricultura da Terra de Miranda.

Acresce que os governos e muitas autarquias mantiveram as populações na ignorância. É nesse contexto que a ENGIE e outras empresas avançam sobre terrenos agrícolas para instalar centrais eólicas e fotovoltaicas, abordando populações desinformadas, envelhecidas e sem poder negocial.

Não há boa-fé possível neste processo. Não há boa-fé quando se negoceia com proprietários sem informação sobre os impactos dos projetos. Não há boa-fé do Estado, que aprovou leis para favorecer interesses económicos, nem das autarquias que, pelo silêncio ou omissão, deixaram as populações desprotegidas.

O engano agrava-se quando estas empresas utilizam abusivamente instalações das Juntas de Freguesia para apresentar negócios privados, confundindo os cidadãos. As Juntas existem para defender as populações, não para legitimar operações empresariais.

Não estamos contra a transição energética. Estamos contra uma transição capturada por grandes interesses económicos, imposta às populações por silêncio administrativo, com lucros privados e custos públicos. A energia limpa não pode justificar negócios sujos nem o atropelo da democracia local, da transparência e da dignidade das comunidades.

Estamos contra a desigualdade flagrante entre a cumplicidade do Estado com as empresas energéticas e o desprezo com as populações que deve representar.

A Terra de Miranda não é terra vazia nem sacrificável. É terra habitada, trabalhada, herdada e defendida por quem nela vive.

O seu futuro não pode ser decidido em gabinetes, negociado em silêncio e entregue a empresas que chegam com contratos antes da verdade.

Exigimos a revogação imediata destas leis e o fim deste assalto institucional à Terra de Miranda.