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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Festas, Festividades e Eventos

𝑷𝒓𝒆́𝒎𝒊𝒐𝒔 𝒆𝒎 𝑫𝒆𝒔𝒕𝒂𝒒𝒖𝒆 - Julho - 2026

 A rubrica “Prémios em Destaque” evidencia, mensalmente, conquistas alcançadas por brigantinas e brigantinos, em diversas áreas, valorizando o talento e o trabalho desenvolvido no concelho.

Castelo de Bragança

Festas, Festividades e Eventos

“SABERES CRUZADOS” LEVA CRIANÇAS A DESCOBRIR AS TRADIÇÕES RURAIS DE VINHAIS

 O projeto intergeracional “Saberes Cruzados”, promovido pelo Município de Vinhais, voltou a proporcionar mais um dia de partilha entre gerações, reunindo crianças do Campo de Férias Municipal e adultos da comunidade numa iniciativa dedicada à preservação das tradições e dos conhecimentos ancestrais do mundo rural.


No quinto dia de atividades, a sede do concelho transformou-se num espaço de aprendizagem prática, onde os mais novos tiveram oportunidade de contactar de perto com três ofícios profundamente ligados à identidade e à história da região.

A primeira experiência foi dedicada à tosquia, permitindo às crianças conhecer a técnica utilizada na remoção da lã, compreender a importância do bem-estar animal e perceber o papel que este recurso desempenhou durante décadas na economia e na vida das comunidades rurais.

Seguiu-se uma oficina de cestaria tradicional, orientada por uma mestre artesã, onde os participantes aprenderam a trabalhar o vime e a descobrir os métodos de construção das cestas utilizadas nas tarefas agrícolas, preservando um saber-fazer transmitido de geração em geração.

A jornada terminou com uma atividade dedicada ao universo da apicultura, durante a qual os jovens ficaram a conhecer o ciclo de vida das abelhas, os diferentes utensílios utilizados pelos apicultores e as várias etapas do processo de produção e colheita do mel, reconhecendo a importância destes polinizadores para o equilíbrio ambiental e para a agricultura.

À medida que se aproxima da reta final, o programa mantém o objetivo de aproximar crianças e adultos através da partilha de experiências, garantindo que os saberes do passado continuam vivos nas gerações do futuro.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

PRIMEIRA FASE DO PROJETO “SABERES CRUZADOS” TERMINOU COM BALANÇO POSITIVO EM VINHAIS

 Chegou ao fim a primeira fase do projeto intergeracional “Saberes Cruzados”, promovido pelo Município de Vinhais, uma iniciativa que, ao longo dos últimos dias, aproximou diferentes gerações através da partilha de conhecimentos, tradições e experiências.


Durante esta etapa, crianças e jovens tiveram a oportunidade de contactar de perto com os saberes e ofícios tradicionais transmitidos pelos seniores do concelho, num projeto que pretende preservar o património imaterial, fortalecer os laços comunitários e combater o isolamento social.

O Município destacou o envolvimento das juntas de freguesia, dos mestres dos saberes, dos participantes e dos monitores do Campo de Férias, sublinhando que o sucesso da iniciativa resultou do contributo coletivo de todos os que participaram nesta primeira fase.

Concluído este primeiro ciclo, o projeto entra agora numa nova etapa, em que os papéis se invertem. Nos próximos dias, serão os mais jovens a orientar os seniores em sessões de capacitação digital, promovendo a aprendizagem de ferramentas tecnológicas úteis no dia a dia, incluindo a utilização da aplicação BUPi – Balcão Único do Prédio.

Com esta iniciativa, o Município de Vinhais reforça a aposta em projetos de inclusão social e aprendizagem mútua, promovendo o diálogo entre gerações e valorizando tanto o conhecimento tradicional como as competências digitais.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Nova carreira de médico dentista reforça reconhecimento da profissão no Serviço Nacional de Saúde

 A aprovação da nova carreira especial de médico dentista no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é vista pela Ordem dos Médicos Dentistas como um passo decisivo para a valorização da profissão.


A medida integra estes profissionais nas Unidades Locais de Saúde e responde a uma reivindicação antiga do setor.

Segundo a coordenadora do Serviço de Medicina Dentária da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, Susana Silva, o distrito de Bragança assegura, desde o ano passado, cobertura de medicina dentária em todos os concelhos, com cinco médicas dentistas distribuídas pelos 15 consultórios existentes:

O acesso às consultas continua a ser feito através de referenciação pelo médico de família.

Para a coordenadora do Serviço de Medicina Dentária da ULS do Nordeste, este modelo tem permitido aproximar os cuidados de saúde oral da população:

A ULS do Nordeste pretende reforçar a equipa de medicina dentária e espera contratar mais profissionais nos próximos anos:

A responsável acredita ainda que a criação da nova carreira poderá facilitar a contratação de profissionais e reforçar a resposta no distrito:

A ULS do Nordeste espera agora que a criação da nova carreira especial de médico dentista torne o SNS mais atrativo para estes profissionais e permita reforçar, nos próximos anos, a resposta em saúde oral no distrito de Bragança.

Jodie Pinto

António Choupina Pires reeleito presidente da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Macedenses

 António Choupina Pires foi reeleito para um segundo mandato à frente da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Macedenses, no passado sábado, na sequência da última Assembleia Geral da coletividade.


Para este segundo mandato, Choupina Pires aponta três prioridades: a legalização do edifício, a angariação de novos sócios e a criação de um plano de atividades que dê nova vida à associação:

A associação nasceu em 1908, criada por um grupo de artesãos. Durante décadas, teve um papel importante na sociedade macedense, apoiando a população em áreas sociais e recreativas, tendo desenvolvido atividade como associação mutualista até à década de 70.

Agora, o objetivo passa por apoiar os associados e as respetivas famílias, com benefícios nas áreas da Segurança Social e da saúde. A associação foi reconhecida como associação mutualista em maio de 2026, passando também a ser equiparada a Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS).

Uma das ideias passa ainda por desenvolver protocolos com clínicas, farmácias e agências funerárias:

A sede da associação, localizada na Praceta Engenheiro Adelino Amaro da Costa, em Macedo de Cavaleiros, foi alvo de obras, depois de o edifício histórico ter chegado a um elevado estado de degradação.

A intervenção, concluída em 2024, teve um custo de 70 mil euros e incluiu a requalificação da fachada e da respetiva caixilharia.

Falta, no entanto, reabilitar o interior do edifício, uma das prioridades deste mandato de quatro anos, num investimento estimado em mais de 100 mil euros:

A Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Macedenses é uma das mais antigas do concelho e prepara-se para comemorar 120 anos em 2028, reforçando o seu papel junto da sociedade macedense, de acordo com os princípios do mutualismo, da solidariedade e do apoio à comunidade:

Os órgãos sociais são constituídos pela Mesa da Assembleia Geral, que tem como presidente Hélder Fernandes, Manuel Mendes como primeiro secretário e Maria Delgado como segunda secretária. Como suplentes surgem Humberto Cabeças, Samuel Pinto e Edgar Diogo.

No Conselho de Administração, liderado por António Choupina Pires, foram eleitos como vogais Jorge Saldanha, Armando Mendes, João Borges, António Lameiras e Quintino Fragoso.

No Conselho Fiscal, Manuel Borges assume a presidência, enquanto João Pires e Domingos Coelho ocupam o cargo de vogais. Como suplentes, a lista integra Márcio Cancela, José Torres e António Oliveira.

A Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Macedenses foi fundada a 24 de maio de 1908.

A direção recorda o apoio económico, social, recreativo e cultural prestado aos associados e à comunidade em geral desde o início da atividade da associação no concelho de Macedo de Cavaleiros.

Maria João Canadas

Festival Ibérico de Pauliteiros regressa a Sendim no sábado

 O Festival Ibérico de Pauliteiros de Sendim, no concelho de Miranda do Douro, está de regresso a esta vila do distrito de Bragança, com grupos de dança dos paus vindos de Portugal e Espanha.


A organização, que cabe à Casa do Pauliteiro de Sendim, explicou que este evento que reúne grupos de Portugal e de Espanha numa celebração da música, da dança e das tradições populares tem como principal objetivo promover e valorizar a ancestral dança dos pauliteiros.

“Este é um contributo para a preservação de um património cultural que constitui um dos maiores símbolos da identidade da Terra de Miranda e da cultura tradicional ibérica”, indicou a entidade promotora da iniciativa.

Nesta edição participarão as Pauliteiras e Pauliteiros de Sendim, as Pauliteiras de Malhadas, o Paloteo de Bernardos de Segóvia, os Pauliteiros da Póvoa, o Rancho dos Pauliteiros da Serra da Boa Viagem, da Figueira da Foz, e o Grupo de Danzas de Logroño, da região espanhola de La Rioja que vão mostrar as expressões das danças de paus e do folclore tradicional da Península Ibérica.

Segundo a organização Um dos momentos mais marcantes da noite será protagonizado pelos antigos pauliteiros de Sendim – Geração de 80, que voltarão a reunir-se em palco para uma atuação especial integrada numa homenagem à geração que desempenhou um papel determinante na preservação desta tradição.

Durante este momento serão igualmente prestadas homenagens póstumas a Paulo Felgueiras e Belmiro Carção, duas figuras incontornáveis na história dos Pauliteiros de Sendim, cujo legado continua vivo nas novas gerações.

Após o encerramento do Festival, a celebração prossegue com o II Pauliteiros Summer Fest, a partir das 00: 30, nas Piscinas Municipais de Sendim, num momento de convívio aberto a participantes, visitantes e a toda a comunidade.

Francisco Pinto

Peça do moncorvense Tiago Rodrigues chega a Guimarães após estreia em Avignon

“La Distance”, a mais recente criação do dramaturgo e encenador moncorvense Tiago Rodrigues, filho do antigo jornalista Rogério Rodrigues, vai ser apresentada em setembro no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, depois da estreia no Festival d’Avignon, em França.


O espetáculo, atualmente em digressão europeia, sobe ao palco do Grande Auditório nas noites de 25 e 26 de setembro, às 21:30.

Escrita e encenada por Tiago Rodrigues, “La Distance” é uma obra de ficção científica situada em 2077, num futuro em que a Terra se encontra em colapso devido à precariedade económica e às consequências das alterações climáticas.

Parte da humanidade vive então exilada em Marte. Separados por cerca de 225 milhões de quilómetros, um pai, que permanece na Terra, e a filha, que partiu para o Planeta Vermelho, procuram manter uma relação através de chamadas de muito longa distância.

Distância familiar traduz conflito entre gerações

A partir deste cenário distópico, Tiago Rodrigues aborda as consequências das escolhas humanas, as dificuldades de comunicação entre gerações e as tensões provocadas pela atual crise climática.

“Interessa-me explorar o distanciamento que pode surgir entre um pai e uma filha como um tema concreto, mas também como uma metáfora para um conflito geracional que, no contexto da atual crise climática, pode por vezes traduzir-se num conflito existencial”, explica o dramaturgo.

Apesar de colocar os protagonistas em planetas diferentes, a peça procura também aquilo que ainda os une. “Ao falarmos sobre distância, também descobrimos proximidade”, acrescenta Tiago Rodrigues.

Em palco, Adama Diop interpreta o pai e Alison Dechamps assume o papel da filha. Os dois atores encontram-se integrados num dispositivo cénico interplanetário em rotação, evocando corpos celestes presos nas respetivas órbitas, que alternadamente se aproximam e se afastam.

O espetáculo é apresentado como “uma miniatura perdida na vastidão do cosmos”, colocando frente a frente dois mundos e duas gerações que procuram preservar um vínculo familiar apesar da separação extrema.

Primeiro estrangeiro a dirigir Festival d’Avignon

Ator, encenador e dramaturgo, Tiago Rodrigues é atualmente um dos nomes portugueses com maior projeção no teatro internacional.

Foi cofundador da companhia Mundo Perfeito e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II entre 2015 e 2021. Em 2022 tornou-se o primeiro estrangeiro a assumir a direção do Festival d’Avignon, um dos mais prestigiados eventos europeus de artes performativas, cargo que deverá exercer até 2030.

As suas criações cruzam frequentemente a ficção com a memória e a política, partindo da ideia do teatro como um espaço livre, democrático e de encontro entre pessoas.

“La Distance” integra uma ampla coprodução internacional. Além do texto e da encenação de Tiago Rodrigues e da interpretação de Alison Dechamps e Adama Diop, conta com cenografia de Fernando Ribeiro, figurinos de José António Tenente, desenho de luz de Rui Monteiro e música de Pedro Costa.

A colaboração artística pertence a Sophie Bricaire e a assistência de direção a André Pato.

Os bilhetes custam 15 euros, ou 12,50 euros com desconto, e estão disponíveis na plataforma Oficina BOL, na bilheteira do Centro Cultural Vila Flor e nos restantes equipamentos geridos pela cooperativa A Oficina.

Pianista brigantino Francisco Morais Fernandes representa Portugal em França

 De Bragança para um dos mais importantes festivais de música do mundo.


O pianista brigantino Francisco Morais Fernandes participou na edição de 2026 da Académie do Festival d’Aix-en-Provence, em França, um dos mais prestigiados programas internacionais dedicados à formação e criação artística na área da música contemporânea e da ópera.

Selecionado entre jovens músicos de diferentes nacionalidades, Francisco Morais Fernandes integrou uma residência artística intensiva que reuniu intérpretes, compositores e professores de renome internacional, culminando com três concertos públicos, o último dos quais integrado na programação oficial do Festival d’Aix-en-Provence, considerado um dos mais importantes festivais de música da Europa.

Ao longo de várias semanas, o pianista trabalhou sob a orientação do pianista francês Pierre-Laurent Aimard, uma das figuras mais influentes da interpretação da música contemporânea, desenvolvendo repertório e aprofundando diferentes abordagens interpretativas. A residência proporcionou igualmente um contacto direto com os compositores Clara Iannotta e Marco Stroppa, referências incontornáveis da criação musical atual, permitindo um trabalho próximo sobre os seus processos criativos e a interpretação das suas obras.

Um dos momentos mais marcantes desta participação foi a colaboração com o compositor argentino Fernando Strasnoy, que escreveu especialmente para Francisco Morais Fernandes a obra Epilogues. A peça foi desenvolvida ao longo da academia através de um processo de criação colaborativo entre compositor e intérprete, permitindo ao pianista acompanhar de perto todas as fases do desenvolvimento da obra e contribuir ativamente para a sua construção artística.

No concerto de encerramento da academia, integrado na programação oficial do Festival d’Aix-en-Provence, Francisco Morais Fernandes estreou Epilogues, de Fernando Strasnoy, e apresentou igualmente a sua composição 2 Duos para Piano Solo, num programa que evidenciou a sua dupla faceta de intérprete e compositor.

Natural de Bragança, Francisco Morais Fernandes é licenciado pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), no Porto, tendo prosseguido a sua formação na Hochschule der Künste Bern, na Suíça, onde concluiu um Mestrado em Performance de Piano e um Mestrado Especializado em Música Contemporânea.

Ao longo dos últimos anos tem vindo a afirmar-se internacionalmente como intérprete especializado na música dos séculos XX e XXI, colaborando regularmente com compositores da atualidade e apresentando-se em festivais e salas de concerto de referência.

Entre as distinções alcançadas destacam-se o Prémio Fritz Gerber, atribuído pela Lucerne Festival Academy, tornando-se o primeiro músico português a receber esta distinção, e o 1.º Prémio da Categoria Superior do Concurso Nacional de Interpretação Contemporânea.

Os próximos meses serão marcados por uma intensa atividade artística. Em agosto, Francisco Morais Fernandes apresentará recitais em Nova Iorque, participará novamente no Festival Les Jardins Musicaux, em Cernier, na Suíça, e atuará em Berna com o Caterpillar Collective, ensemble de música contemporânea do qual é membro fundador. Estes compromissos reforçam um percurso artístico cada vez mais internacional, levando o nome de Bragança a alguns dos mais relevantes palcos da música contemporânea.

A participação no Festival d’Aix-en-Provence representa mais um importante marco na carreira do pianista brigantino, confirmando a sua afirmação no panorama internacional da música contemporânea e projetando o talento português num dos mais prestigiados centros europeus de criação artística.

Segada tradicional em Palácios atrai cada vez mais visitantes

 O Festival da Cultura e Tradição voltou a recriar, em Palácios, no concelho de Bragança, a segada manual e outras etapas do antigo ciclo do pão, como a malha, numa iniciativa que atrai cada vez mais visitantes à região da Lombada.


O evento juntou habitantes da aldeia, emigrantes, turistas e participantes provenientes de diferentes regiões portuguesas e de Espanha. O programa incluiu a segada, o encontro de gaiteiros, artesanato, produtos da terra e gastronomia tradicional e a malha tradicional.

Raul Tomé, um dos responsáveis pela organização, fez um balanço positivo da iniciativa, destacando o aumento do número de visitantes de fora da região.

“Temos aqui um grupo jeitoso para manter mais uma vez a tradição da segada manual e para a dar a conhecer aos jovens”, explicou ao Mensageiro.

Entre os participantes estavam pessoas que nunca tinham assistido a uma segada e outras que regressaram à aldeia para recordar práticas agrícolas vividas durante a infância e a juventude.

Segundo Raul Tomé, as unidades de turismo rural da zona estiveram lotadas, obrigando alguns participantes e músicos a procurar alojamento na cidade de Bragança.

“É bom dar uma vida nova às aldeias e à zona da Lombada, que é culturalmente uma das zonas mais ricas do país”, sustentou.

A organização do festival envolve praticamente toda a população de Palácios, que trabalha voluntariamente na preparação das atividades e das refeições.

“Já somos poucos e começa a sobrar muito trabalho para pouca gente. Todas as pessoas trabalham e colaboram gratuitamente na organização do festival”, contou Raul Tomé.

A presidente da União das Freguesias de São Julião de Palácios e Deilão, Porfíria Margarido, considerou o festival de “extrema importância” para as aldeias, por recuperar um trabalho com o qual se identificam sobretudo os habitantes mais velhos.

“Nós, os mais jovens, ficamos com a lembrança das histórias que nos contaram e vamos repetindo as coisas que ouvimos”, afirmou.

Entre os visitantes estavam pessoas de Vila Nova de Famalicão, de diferentes localidades espanholas e do Planalto Mirandês. Para a autarca, muitos procuram o festival porque conheceram estas práticas no passado e querem revivê-las.

“As aldeias estão a ficar desertificadas. Esperamos que as pessoas mais novas consigam entrar neste espírito de tradição”, apelou Porfíria Margarido, garantindo que a junta de freguesia continuará a apoiar o festival.

A presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, salientou o espírito comunitário existente em Palácios e a capacidade da população para manter vivas as tradições.

“Todos trabalham em comunidade e todos trabalham para o mesmo fim”, destacou.

Para a autarca, a segada deixou de ser apenas uma tarefa agrícola e ganhou componentes recreativas, festivas e sociais importantes para a dinamização das aldeias.

“O caminho das nossas aldeias passa muito por este tipo de iniciativas, que mantêm a autenticidade das atividades rurais, mas com uma componente que chama também o turismo e as pessoas que querem visitar e participar”, explicou.

A presidente considera que a tradição faz parte da identidade de São Julião de Palácios e deve ser divulgada, embora o festival tenha de manter uma dimensão compatível com a capacidade da população local.

“É preciso tirar as pessoas de casa e ajudá-las a participar nestas atividades, mas sempre a uma escala sustentável e que permita repeti-las ano após ano”, defendeu.

Leonel Azevedo, natural de Vizela, participou pela primeira vez na segada.

“É espetacular. É um relembrar de há 40 anos”, descreveu.

O visitante defendeu que estas práticas devem ser transmitidas às gerações mais novas para não desaparecerem.

“Temos de manter as tradições e incutir esta ideia nos jovens, para não perderem o fio. Caso contrário, depois nem sabem o que isto é, porque agora é tudo digitalizado”, concluiu.

António G. Rodrigues

Está a chegar a noite mais longa do ano com milhares a tocarem bombo

 A festa da cidade de Mirandela, em honra de Nossa Senhora do Amparo - que já se iniciou dia 25 de julho - está a chegar ao fim-de-semana final e na madrugada, de sexta para sábado, esperam-se milhares de pessoas nas ruas para assistirem à famosa noite dos bombos, com milhares de pessoas a tocar bombo pelas principais ruas da cidade, apinhadas de gente numa folia que contagia e que não deixa ninguém indiferente.


Os mirandelenses chamam-lhe mesmo a noite mais longa do ano. “É certamente o dia do ano em que a gente de Mirandela vai para a cama mais tarde, porque é um dia de pura diversão e de convívio com os que moram cá e aqueles que estão fora, em Portugal e no estrangeiro. Alguns só os vemos nessa noite e depois só voltamos a encontrá-los no ano seguinte”, conta Manuel Silva, um mirandelense para quem a noite dos bombos é sagrada, há cerca de 40 anos.

Para o presidente do Município não restam dúvidas que esta tradição “é uma imagem de marca que seduz milhares de pessoas e os bombos de Mirandela estão imortalizados”, afirma Vítor Correia.

Esta tradição original começou há mais de 60 anos. “Na altura eram meia dúzia, mas agora, as pessoas vêm de todo o lado tocar bombo e é difícil encontrar alguém em Mirandela que não tenha um bombo em casa”, conta Rui Barreira, da Associação dos Bombos de Mirandela (ABOMIR), um dos organizadores o evento. “Isto já atingiu proporções impensáveis”, confessa este empresário da terra da alheira. “Agora até já há famílias inteiras a integrar o desfile e grupos de amigos que usam fardas personalizadas”, diz.

Por volta da uma da manhã, os “tocadores de bombo” vão concentrar-se no mercado Municipal. Têm à sua espera, centenas de litros de sangria, vinho, barris de cerveja, potes de rancho, sardinhas, alheiras e outros produtos regionais.

Por volta das duas da manhã, e já com milhares nas ruas para assistir ao desfile, os tocadores de bombo vão percorrer algumas artérias da cidade durante horas. Aos primeiros raios de sol, os mais resistentes ainda fazem barulho.

Fernando Pires

Município prepara atividades para o eclipse do sol e distribui óculos de proteção

 O município de Vimioso preparou atividades científicas e lúdicas, com a distribuição de óculos de proteção, para os dias 12 e 13 de agosto, destinadas aos observadores do eclipse total do sol.


Segundo a vice-presidente da câmara de Vimioso, Cristina Miguel, disse que neste concelho a lua cobrirá 99,4 % da luz do sol, sendo o ponto de encontro dos apreciadores destes fenómenos no Parque Ibérico de Natureza e Aventura (PINTA), onde haverá a distribuição de óculos de proteção e aulas práticas de ensinamento para a observação do eclipse.

Segundo a autarca deste concelho do distrito de Bragança, o programa inclui a preparação para observação do eclipse e do céu noturno, acompanhada por oficinas de astronomia e natureza, tendo em vista uma melhor perceção e segurança durante a observação do fenómeno.

“Vamos começar este conjunto de atividades logo na manhã do dia 12 de agosto, onde teremos uma introdução à observação do eclipse, através de experiências interativas dentro do observatório de astronomia existente no PINTA para as pessoas não chegarem à hora do eclipse sem informação e segurança para o observar”, vincou Cristina Miguel.

Segundo Cristina Miguel, no mesmo dia haverá ainda uma oficina para construção de protetores solares, como forma de introdução às medidas de segurança, para observar o eclipse total do sol.

“Os protetores solares para a observação indireta do eclipse serão feitos com materiais usados no dia a dia, sendo uma forma mais segura para as crianças. Ou seja, para além de ser feita a distribuição de óculos para a observação do fenómeno, temos aqui a construção de outros protetores para a visão solar”, indicou.

O município havia programado a observação do eclipse para a zona da Pedreira, mas, devido ao possível risco de incêndio, a observação vai ser feita na Atalaia de Vimioso.

“Aqui estará uma equipa de técnicos que vai ajudar as pessoas a respeitar normas de observação, para não haver possíveis lesões visuais sem a devida proteção”, vincou Cristina Miguel.

Após este evento, que também deverá atrair os vizinhos espanhóis e outras pessoas de vários pontos do país, haverá uma sessão dedicada à observação de estrelas no PINTA.

O eclipse do sol acontece quando a Terra, a lua e o sol estão alinhados, e a lua oculta total ou parcialmente o disco solar por alguns momentos.

Só nas aldeias de Rio de Onor e Guadramil, no concelho de Bragança, poderá ser visto na sua totalidade, ou seja, a Lua cobrir a 100% o Sol. Ainda assim, poderá ser observado parcialmente em todo o país e ilhas.

Em Portugal, o eclipse total só volta a acontecer daqui a mais de 100 anos. No entanto, já no próximo ano este fenómeno raro pode ser assistido no sul de Espanha e na Tunísia. Em Portugal, o último eclipse total aconteceu em 1912.

Francisco Pinto

Sindicato denuncia retirada das ambulâncias SIV de Mirandela e Mogadouro

 O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) denunciou que a reorganização do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) prevê transformar em viaturas ligeiras as ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), incluindo os dois meios sediados em Mirandela e Mogadouro, que servem o distrito de Bragança.


A estrutura sindical liderada pelo moncorvense Rui Lázaro considera que a medida retira ao distrito dois dos principais meios capazes de estabilizar e transportar doentes graves, enquanto o INEM e o Ministério da Saúde garantem que não haverá qualquer redução da capacidade assistencial.

Atualmente, o distrito dispõe de duas ambulâncias SIV, localizadas em Mirandela e Mogadouro, tripuladas por um enfermeiro e um técnico de emergência pré-hospitalar. Estes meios têm capacidade para prestar cuidados diferenciados, estabilizar as vítimas e transportá-las para uma unidade hospitalar.

Segundo o STEPH, a anunciada conversão das 46 ambulâncias SIV existentes no país em viaturas ligeiras significa que deixarão de poder transportar doentes.

“De uma só vez, são suprimidos ao sistema mais de 100 meios de emergência médica com capacidade para transportar doentes graves”, sustenta o sindicato.

A estrutura inclui neste número a conversão das 46 SIV e a eventual transferência de 56 Ambulâncias de Emergência Médica para as Unidades Locais de Saúde, onde poderão passar a estar mais vocacionadas para transportes inter-hospitalares.

Mirandela e Mogadouro surgem na lista de 71 municípios que, segundo o STEPH, serão diretamente afetados pela reorganização.

O sindicato entende que a substituição das ambulâncias SIV por veículos ligeiros diminuirá a capacidade de transporte de vítimas e obrigará à mobilização de uma segunda ambulância para levar o doente ao hospital.

No distrito de Bragança, onde se verificam grandes distâncias, dispersão populacional e envelhecimento, o STEPH considera que a alteração poderá aumentar o tempo entre a ocorrência, a prestação dos primeiros cuidados e a chegada à unidade hospitalar.

A estrutura sindical tem alertado que a região já dispõe de poucos meios diferenciados. Além das SIV de Mirandela e Mogadouro, conta com uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação em Bragança e com o helicóptero do INEM sediado em Macedo de Cavaleiros.

O presidente do STEPH, Rui Lázaro, já tinha advertido, em maio, que a transformação das ambulâncias SIV poderia deixar o distrito sem estes meios de transporte diferenciado e aumentar o risco para as populações do Interior.

Em resposta às denúncias dos trabalhadores, o INEM e o Ministério da Saúde rejeitaram que esteja em curso a retirada de 100 ambulâncias ou o desmantelamento do Sistema Integrado de Emergência Médica.

Segundo a nota oficial do Governo, a eventual transferência da gestão das Ambulâncias de Emergência Médica para as Unidades Locais de Saúde não implica a eliminação de meios.

O Governo assegura que as viaturas continuarão integradas no sistema, sob coordenação nacional do INEM, e serão acionadas exclusivamente pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes.

Relativamente às ambulâncias SIV, o Ministério da Saúde afirma que a passagem para viaturas ligeiras pretende adequar os veículos à missão das equipas, tornando-as “mais rápidas, mais ágeis e mais próximas das populações”.

A tutela argumenta que a principal função destas equipas é chegar rapidamente ao local, prestar cuidados diferenciados e estabilizar o doente.

Depois dessa intervenção, o transporte para o hospital deverá ser assegurado por outra ambulância do Sistema Integrado de Emergência Médica. Desta forma, segundo o Governo, a equipa SIV poderá ficar novamente disponível mais depressa para responder a outra emergência.

O Ministério da Saúde garante, por isso, que a alteração “não representa qualquer perda de capacidade assistencial” e acusa as estruturas representativas dos trabalhadores de divulgarem interpretações suscetíveis de provocar “alarme injustificado”.

O STEPH contrapõe que a explicação oficial não desmente a principal crítica apresentada pelos trabalhadores: as atuais SIV deixarão de ser ambulâncias e perderão a possibilidade de transportar diretamente os doentes que estabilizam.

De acordo com o sindicato, a necessidade de acionar uma segunda viatura não constitui um reforço do sistema. “Pelo contrário, aumenta a dependência das ambulâncias dos bombeiros e da Cruz Vermelha Portuguesa, num dispositivo que o sindicato considera já pressionado pela falta de meios”, alerta Rui Lázaro.

A estrutura sustenta ainda que separar a equipa diferenciada do meio de transporte poderá provocar atrasos, sobretudo em territórios de baixa densidade e com grandes distâncias até aos hospitais, como acontece no distrito de Bragança.

O sindicato rejeita também que a transferência das Ambulâncias de Emergência Médica para as ULS seja apenas uma alteração administrativa.

AGR

Ministro reitera intenção de municipalizar a gestão da EPA de Carvalhais

 As 14 escolas profissionais de agricultura do país - onde se inclui a Escola Profissional de Agricultura (EPA) de Carvalhais, em Mirandela - não vão passar a ser tuteladas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) que, segundo a nova orgânica, até passaram a ter vice-presidentes para cinco áreas, entre elas a agricultura e a educação.


Por agora, a sua gestão continua sob a alçada do Ministério da Educação. “Gostava de clarificar que estas escolas não passaram para a órbita das CCDR's, não é exatamente assim, ou seja, do ponto de vista administrativo elas continuam a depender diretamente do Ministério”, reiterou o Ministro da Educação, em declarações recentes proferidas durante uma audição regimental na Assembleia da República.

Fernando Alexandre adianta que “está a ser feita uma avaliação interna da rede de escolas profissionais de agricultura de todo o país, em articulação com o Ministro da Agricultura”.

O titular da pasta da educação, acrescenta que o relatório foi partilhado com as CCDR's e “vamos ter nos próximos dias reuniões, precisamente, para tomarmos algumas decisões”, assume.

Fernando Alexandre adianta que a solução poderá passar pela assinatura de “contratos inter-administrativos” entre o Governo e os Municípios, ou as CIM's. “Pela sua especificidade e pela importância que têm para as regiões, podem ser enquadradas num contrato inter-administrativo do Governo com a autarquia ou com as autarquias, porque o facto de muitas vezes as escolas estarem sediadas numa autarquia não quer dizer que elas não tenham um âmbito supramunicipal e por isso pretendemos, de facto, retirar as escolas profissionais agrícolas da zona cinzenta, que é assim mesmo em que se encontram”, refere.

Entre as 14 que existem em Portugal, duas delas são na região transmontana: A EPA de Carvalhais, em Mirandela, no distrito de Bragança, e a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural do Rodo, no Peso da Régua, no distrito de Vila Real.

A EPA de Carvalhais tem cerca de duas centenas de alunos distribuídos pelos cursos profissionais de produção Agro-Pecuária, Vitivinícola, Turismo ambiental e Rural, Mecatrónica e Cozinha e Pastelaria.

Recorde-se que o Grupo Parlamentar do PCP da Assembleia da República requereu, há cerca de um mês, a audição urgente do Ministro da Agricultura e da Associação Nacional das Escolas Profissionais Agrícolas para esclarecimentos sobre as transferências das competências e encargos das 14 escolas profissionais agrícolas públicas.

Além disso, os deputados do PCP entregaram também perguntas escritas para obter esclarecimentos do Governo, sobre o futuro das Escolas Profissionais Agrícolas Públicas, a propósito do que os deputados comunistas consideram ter sido uma transferência “forçada” para as CCDR.

Fernando Pires

Vinhais é o concelho com mais projetos PRR aprovados no distrito

 Até ao início deste mês, no distrito de Bragança tinham sido aprovados 6976 projetos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com um valor total de 313 milhões de euros. No topo da lista está o concelho de Bragança com 2392. Mirandela vem a seguir com 1100 projetos aprovados. No entanto, Vinhais é o concelho com maior valor aprovado: 112 milhões de euros.


Segundo os dados disponíveis no site oficial do PRR, relativos a 1 de julho, Vinhais é responsável por cerca de 35% do valor total do distrito. São 111,703 milhões de euros, apesar de ter apenas 176 projetos aprovados no âmbito do PRR. Menos projetos no distrito, só mesmo Carrazeda de Ansiães (144) e Freixo de Espada à Cinta (141).

Segue-se Bragança, com um total de 110 milhões de euros, apesar de ser o concelho do distrito que viu ser aprovado o maior número de projetos (2392).

O terceiro valor mais alto do distrito, vai para o concelho de Mirandela com um total de 24 milhões de euros, para distribuir pelos 1100 projetos aprovados.

Segue-se, Alfândega da Fé que até ao início deste mês viu serem aprovados 506 projetos com um valor global de 16 milhões de euros. Macedo de Cavaleiros teve a aprovação de 876 projetos candidatados ao PRR, com uma dotação superior a rondar os 14 milhões de euros.

A meio da tabela, está Mogadouro que teve a aprovação de 535 projetos, no valor aproximado de 12,5 milhões de euros.

O sétimo concelho com maior volume de montante aprovado é o de Freixo de Espada à Cinta que viu 141 projetos serem aprovados, representando um valor total de 7,5 milhões de euros.

Carrazeda de Ansiães vem logo a seguir com 5,7 milhões de euros a serem distribuídos pelos 144 projetos aprovados.

Torre de Moncorvo tem um valor total de 4 milhões de euros, para os 242 projetos aprovados. Segue-se Miranda do Douro, com 3,6 milhões de euros resultantes de 317 projetos.

Vimioso contabiliza 351 projetos aprovados no valor de 2,6 milhões de euros e finalmente Vila Flor com um total de 212 projetos que representam cerca de 2 milhões de euros.

Ainda segundo os dados disponbilizados no site oficial do PRR, perto de 70% dos projetos aprovados – 4697 – foram para as áreas das qualificações e competências (2361) e eficiência enregética em eidifícios (2336), que representam um montante global de 39 milhões de euros.

Curiosamente, a maior fatia dos cerca de 313 milhões de euros, é alocado a apenas dois projetos ligados a infraestruturas no valor total de 130 milhões de euros, o que representa mais de 40% do valor total aprovado para o distrito

Destaque também para a componente REPowerEU (apoio à transição ecológica que limita a dependência da UE dos combustíveis fósseis russos, reduzindo o desperdício energético) com 1028 projetos já aprovados que representam uma dotação total de 4 milhões de euros.

Segue-se a área das respostas sociais, com 243 projetos aprovados, no valor de 15 milhõs de euros. As restantes áreas têm menos de uma centena de projetos aprovados, sendo a mais significativa a referente à habitação com 94 aprovados, representando um valor total superior a 35 milhões de euros.

Refira-se que, até ao início deste mês, faltava ainda liquidar os valores relativos a 183 projetos.

Fernando Pires

Ambientalistas galegos e portugueses ocupam exploração mineira junto à fronteira

 Mais de uma centena de pessoas participaram numa concentração contra o prolongamento da concessão da mina de volfrâmio San Juan, em A Gudiña, na Galiza, seguindo-se uma ocupação simbólica da exploração por ativistas galegos e portugueses.


A iniciativa foi promovida pela organização Ecologistas en Acción e pelo Movimento UIVO, de Portugal, que contestam a legalidade da prorrogação por 30 anos concedida pela Junta da Galiza à exploração mineira promovida pela empresa sueca Eurobattery Minerals.

Durante a ação, os manifestantes exibiram uma faixa com cerca de 40 metros de comprimento, na qual exigiram o fim daquilo que classificam como “impunidade mineira”.

A mobilização reuniu membros de organizações ambientalistas e cidadãos dos dois lados da fronteira, que alertam para os eventuais impactos do projeto sobre os recursos hídricos e os ecossistemas partilhados por Portugal e Espanha.

Projeto fica a dois quilómetros de Portugal

A exploração projetada situa-se a cerca de dois quilómetros da fronteira portuguesa no concelho de Vinhais, nas proximidades do Parque Natural de Montesinho e das cabeceiras do rio Rabaçal.

Este curso de água tem importância ecológica e contribui para o abastecimento de água potável a várias localidades do concelho vinhaense.

Segundo os promotores do protesto, tanto a autorização inicial como a recente prorrogação da concessão foram aprovadas sem um procedimento de avaliação dos impactos ambientais transfronteiriços e sem consulta ao Estado português.

Os ambientalistas defendem que a localização e as possíveis consequências da exploração obrigavam ao cumprimento das normas europeias e do previsto na Convenção de Espoo, relativa à avaliação dos impactos ambientais além-fronteiras.

Tribunal investiga concessão da prorrogação

A contestação ocorre numa altura em que o Tribunal de Instrução n.º 1 de Santiago de Compostela abriu diligências para investigar a alegada prática de um crime de prevaricação na concessão da prorrogação por 30 anos.

A investigação foi desencadeada por uma denúncia apresentada pela Ecologistas en Acción contra o diretor-geral de Planeamento Energético e Minas da Junta da Galiza e o administrador da Eurobattery Minerals.

De acordo com a organização ambientalista, a autorização terá sido concedida apesar da existência de decisões judiciais definitivas que obrigariam a submeter qualquer prolongamento da concessão a uma nova avaliação de impacto ambiental.

A Ecologistas en Acción considera “preocupante que a empresa esteja a promover o início dos trabalhos enquanto persistem dúvidas sobre a legalidade da autorização e o cumprimento das obrigações ambientais”.

“A proteção dos ecossistemas e dos recursos hídricos partilhados entre a Galiza e Portugal não pode ficar subordinada aos interesses de uma empresa privada”, sustenta a organização na nota de imprensa.

Movimento português entregou carta ao autarca

No âmbito da mobilização, o Movimento UIVO entregou uma carta ao presidente do município de A Gudiña, manifestando a preocupação existente em Portugal com as possíveis consequências do projeto.

A organização portuguesa pediu o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelos dois países e a realização dos procedimentos de avaliação transfronteiriça.

O autarca recebeu uma delegação composta por representantes dos municípios portugueses potencialmente afetados e das organizações ambientalistas envolvidas no protesto.

António G. Rodrigues

Isabel Ferreira quer recuperar presença permanente do Exército

 A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, defendeu o regresso do Exército à cidade, de onde saiu na década de 1970, após vários séculos de presença efetiva, considerando que o reforço europeu do investimento na Defesa poderá criar uma oportunidade para concretizar essa reivindicação a partir de 2030.


A posição foi assumida na sexta-feira, à margem da cerimónia de juramento de bandeira realizada na Praça do Município, onde 42 novos militares prestaram juramento. A iniciativa do Regimento de Infantaria n.º 19, sediado em Chaves, marcou o regresso desta cerimónia a Bragança dez anos depois da última edição, realizada em 2016.

“Hoje é um dia em que o Exército marca presença em Bragança, infelizmente não de forma permanente”, afirmou Isabel Ferreira.

No entanto, o regresso permanente do Exército não deverá concretizar-se a curto prazo como reconheceu a presidente da Câmara de Bragança, que já tinha abordado o assunto quando exerceu funções de secretária de Estado da Valorização do Interior.

“Não é algo que esteja para breve”, admitiu, garantindo, contudo, “apoio inequívoco” do município a qualquer iniciativa destinada a instalar na cidade unidades militares, serviços públicos ou outras instituições.

Isabel Ferreira considera que o período entre 2030 e 2040 “poderá ser o momento adequado” para colocar novamente esta possibilidade na agenda política, tendo em conta o aumento previsto do financiamento europeu destinado à Defesa.

“Uma vez que o próximo quadro comunitário tende a ter um grande reforço do Exército, eventualmente até em detrimento dos Fundos de Coesão, também será o momento certo para reivindicarmos a presença do Exército e o seu regresso a Bragança”, afirmou.

A presidente da Câmara esclareceu que a reinstalação de uma unidade militar não fez parte do programa autárquico nem constitui uma prioridade imediata do executivo, mas entende que o município “deve começar a olhar estrategicamente para essa possibilidade”.

A localização fronteiriça, a extensa área protegida do distrito e a importância das Forças Armadas nas operações de emergência são, segundo Isabel Ferreira, argumentos favoráveis ao regresso.

“Somos uma região com uma área protegida enorme, quer na Reserva da Biosfera, quer no Parque Natural de Montesinho, e por isso temos mais uma razão para reivindicar estas presenças”, sustentou.

Já o comandante do Regimento de Infantaria n.º 19, coronel de Infantaria Roberto Faria, destacou a ligação histórica entre Bragança e o Exército, lembrando a importância da cidade na defesa da fronteira portuguesa.

“Bragança constituiu-se sempre, ao longo da nossa história, como uma das praças-fortes mais importantes na defesa da fronteira nacional”, afirmou.

“O Exército aqui esteve durante muitos séculos e isso criou laços que não desaparecem e que se vão perpetuando pelas gerações”, salientou Roberto Faria.

Dos 44 militares que integram o sétimo curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército, 42 prestaram juramento de bandeira em Bragança. Os outros dois deverão fazê-lo posteriormente, devido a motivos médicos.

Os novos soldados vão agora cumprir sete semanas de instrução complementar, antes de serem colocados nas diferentes unidades do Exército.

Roberto Faria explicou que o Regimento de Infantaria n.º 19 ministra sete cursos de formação por ano, integrando sobretudo jovens do Norte do país, incluindo vários provenientes de Trás-os-Montes.

“Para nós, é um momento de grande alegria, porque vimos para junto das populações que servimos realizar uma das cerimónias mais importantes do Exército”, declarou o comandante.

O responsável sublinhou que a deslocação a Bragança permite aproximar a instituição das populações, divulgar a região junto dos recrutas e familiares.

António G. Rodrigues

Construção de Parque TIR e recuperação da igreja de S. Francisco aprovadas

 A Câmara Municipal de Bragança aprovou a abertura do concurso para a reabilitação do Teatro Municipal, num investimento superior a 800 mil euros, e os projetos de execução da Igreja de São Francisco e do Parque TIR, durante a reunião descentralizada realizada na sexta-feira, em Coelhoso.


Em declarações ao Mensageiro, a presidente da autarquia, Isabel Ferreira, explicou que a intervenção no Teatro Municipal de Bragança abrange o interior e o exterior do edifício e constitui a primeira prioridade de uma lista de imóveis municipais que necessitam de obras.

“Já não é projeto, já é a empreitada. Vamos abrir o concurso para a reabilitação do teatro, na parte interior e exterior”, afirmou a autarca, salientando a urgência da intervenção.

Câmara atribui 550 mil euros para autoescada dos bombeiros

O executivo aprovou também um apoio de 550 mil euros aos bombeiros para a aquisição de uma plataforma elevatória de combate a incêndios em prédios, cujo investimento total ascende a 1,1 milhões de euros.

O custo será repartido em partes iguais entre o município e a corporação.

“Uma autoescada faz a diferença entre salvar uma vida ou não”, justificou Isabel Ferreira, destacando a importância do equipamento para as operações de socorro em edifícios de maior altura.

Nesta reunião foi ainda aprovado o lançamento de  um novo procedimento para a intervenção prevista em Gimonde, depois de o concurso anterior não ter permitido a adjudicação.

Segundo Isabel Ferreira, foram apresentadas três propostas: uma não reunia as condições de elegibilidade e as restantes ultrapassavam o preço-base estabelecido.

A autarca atribuiu esta situação à falta de mão de obra e ao consequente aumento dos preços praticados pelas empresas de construção.

“Só temos duas alternativas: aumentar o preço ou deixar a obra por fazer”, observou.

Perante a urgência da intervenção, o município decidiu abrir imediatamente um novo procedimento, aumentando em cerca de 200 mil euros o preço-base, que deverá ficar próximo dos dois milhões de euros.

Um problema semelhante afetou a empreitada destinada a melhorar a eficiência energética das piscinas municipais. Como as propostas apresentadas ficaram acima do preço-base, a autarquia decidiu igualmente avançar com um novo concurso.

Recuperação da Igreja de São Francisco deverá custar dois milhões

O executivo aprovou ainda o projeto de execução para a recuperação da Igreja de São Francisco, uma intervenção estimada em cerca de dois milhões de euros.

Isabel Ferreira explicou que a obra não dispunha de uma fonte de financiamento identificada, porque o anterior executivo tinha retirado o imóvel do quadro de investimentos prioritários. Após contactos com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, o município identificou uma possibilidade de financiamento através de um aviso dedicado às Rotas do Norte, na área da cultura.

“É muito urgente porque a Igreja de São Francisco, que é a mais antiga de Bragança, está muito degradada, sobretudo ao nível da cobertura”, alertou a autarca.

O município está também em contacto com o Governo para articular as intervenções na área do antigo convento e na igreja.

A Câmara aprovou igualmente apoios destinados a centros sociais e edifícios religiosos, incluindo uma comparticipação na reparação do antigo relógio da igreja da Sé.

O projeto de execução do Parque TIR foi outro dos documentos aprovados, permitindo ao município apresentar uma candidatura a fundos comunitários.

A submissão deverá ocorrer nos próximos dias, antes do encerramento do aviso, previsto para setembro. A abertura da empreitada ficará dependente da aprovação do financiamento.

Isabel Ferreira explicou que os últimos meses têm sido dedicados à elaboração de projetos de execução, com o objetivo de aproveitar os fundos ainda disponíveis no Portugal 2030.

Por a reunião ter decorrido em Coelhoso, o executivo aprovou duas deliberações diretamente relacionadas com aquela freguesia: um apoio à Feira do Cordeiro e um protocolo destinado a dinamizar o setor da oliveira, do olival, do azeite e da azeitona.

O acordo será assinado em 1 de agosto, durante a feira, entre o Município de Bragança, o Instituto Politécnico de Bragança e a Junta de Freguesia de Coelhoso.

A autarquia está também a finalizar uma candidatura ao programa Crescer com o Turismo, destinada à recuperação de antigas escolas situadas em várias freguesias.

Os edifícios serão integrados numa rota de visitação dedicada a produtos, tradições e elementos identitários do concelho, com temas como o contrabando e a castanha.

António G. Rodrigues