Um momento de participação, diálogo e partilha de ideias, que reforçou a importância de envolver as novas gerações na vida democrática e na construção do futuro de Bragança.
MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
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Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
🗣️ Os jovens têm voz no futuro do Poder Local!
Um momento de participação, diálogo e partilha de ideias, que reforçou a importância de envolver as novas gerações na vida democrática e na construção do futuro de Bragança.
BRAGANÇA JUNTA EMPRESAS E INSTITUIÇÕES EM SEMANA DEDICADA À ECONOMIA E INOVAÇÃO
A primeira edição da Semana da Economia e Inovação decorre até 29 de outubro, no Brigantia Ecopark, em Bragança. A iniciativa reúne empresas, instituições e entidades públicas para debater o emprego, a qualificação profissional, a inovação e o desenvolvimento económico da região.
Ana Luísa Lopes
MIRANDELA PREPARA REQUALIFICAÇÃO DO MERCADO MUNICIPAL COM OBRA PREVISTA PARA 2027
Durante a tarde de segunda-feira, equipas técnicas da Universidade Politécnica de Bragança (UPB), da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana (AMTQT) e do Município de Mirandela realizaram uma visita ao mercado para ultimar detalhes e consolidar as soluções previstas no projeto de execução.
Esta fase inclui também a verificação do cumprimento dos requisitos técnicos e ambientais exigidos no âmbito do financiamento comunitário. Entre os aspetos em análise estão a avaliação da vulnerabilidade sísmica do edifício, para assegurar as necessárias condições de segurança estrutural, e o enquadramento da intervenção nos critérios de contributo climático aplicáveis aos fundos europeus.
A intervenção projetada contempla a modernização do mercado, com melhorias na acessibilidade, no conforto e na eficiência energética. Está igualmente prevista a reabilitação do estacionamento subterrâneo, de forma a melhorar as condições de segurança e funcionamento, bem como a requalificação da cobertura, incluindo a substituição dos materiais existentes e o reforço da impermeabilização e da segurança.
Segundo o município, a solução foi apresentada e validada pelos comerciantes e pela Associação Comercial e Industrial de Mirandela, procurando responder às necessidades de quem utiliza diariamente o espaço. O objetivo passa por proporcionar melhores condições de trabalho aos comerciantes e produtores locais, assim como uma experiência mais confortável aos consumidores e visitantes.
Para além da reabilitação do edifício, o projeto pretende reforçar o papel do Mercado Municipal enquanto espaço de encontro e de valorização dos produtos regionais, criando novas oportunidades para o comércio tradicional e contribuindo para a dinamização do centro urbano.
A execução da empreitada está prevista para 2027, estando perspetivada a utilização de financiamento comunitário para uma parte do investimento. Até lá, o município continuará a desenvolver os trabalhos técnicos necessários à concretização do projeto.
OS FIDALGOS
1º D. LUÍSAMARIA PINTO DE ESCOVAR, viúva, natural de Vilar do Monte, concelho de Macedo de Cavaleiros, faleceu a 19 de Outubro de 1809.
Tinha duas irmãs: D.Maria Caetana e D.Maria dos Prazeres, que residiam em Lamas de Podence.
Tinha bens em Chacim.
Descendência:
D. Luísa Marcelina de Escovar, que casou com Alexandre José de Sousa (3º, adiante citado)(643).
2º D. MARIA INÁCIA DE MORAIS SARMENTO, que residiu em Vilar de Monte, viúva de Manuel Alves de Faria, major de infantaria, faleceu a 22 de Setembro de 1821, deixando por testamenteiro e herdeiro seu primo Francisco Xavier Gomes de Sepúlveda, abade de Rebordãos, e a irmã deste D. Valeriana de Sepúlveda, por sua vida, e, por morte deles, o Seminário de Bragança (644).
3º ALEXANDRE JOSÉ DE SOUSA FREIRE PIMENTEL, de Vilar do Monte, capitão reformado do regimento de milícias de Bragança, viúvo de D. Luísa Maria Pinto de Escovar, faleceu a 24 de Março de 1825 deixando um filho único, António Venâncio Bernardino de Sousa Freire Pimentel (645).
(Ver em Bragança – Família Sepúlveda, pág. 185, e Rio de Fornos, pág. 406).
JOSÉ CARLOS DE LUCENA E SOUSA, abade de Vilar Seco de Lomba, concelho de Vinhais, erigiu em 1754 uma capela nesta povoação, um pouco acima das casas da residência paroquial, dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte (646).
D. ISABEL FARIA, viúva, residente em Quintela de Vinhais, administrava em 1779 o morgadio de Vilar Seco de Miranda(647).
1º FRANCISCO ANTÓNIO PEREIRA DE LEMOS, bacharel em direito, deputado às cortes, morgado de Vilarelhos, concelho de Alfândega da Fé.
Nasceu em Vilarelhos em 1800 e ali faleceu em Outubro de 1883.
Distinguiu-se como deputado nas câmaras de 1838 e diz-se que Camilo Castelo Branco decalcou sobre o seu tipo moral a bela criação do Calisto Elói em A Queda dum Anjo. (Ver Caçarelhos, pág. 200.)
Uma sua filha natural e herdeira da sua grande casa casou com Camilo de Mendonça, dos Mendonças de Barcel, que nasceu a 28 de Fevereiro de 1849 e faleceu em Vilarelhos a 31 de Outubro de 1922.
Gozou enorme prestígio político no concelho de Alfândega da Fé onde era estimadíssimo.
Descendência:
2º JOAQUIM CÂNDIDO DE MENDONÇA, que faleceu a 27 de Setembro de 1910, vítima da sua grande abnegação e altruísmo quando tentava salvar a vida a um seu criado asfixiado num túnel, onde pereceram os dois.
3º D. ANTÓNIA DE VASCONCELOS PEREIRA DE LEMOS, sobrinha e herdeira de Francisco António Pereira de Lemos, casou com Manuel da Costa Pessoa, irmão do terceiro Conde de Vinhais, Simão da Costa Pessoa. Com geração (ver em Vinhais – Família Costa Pessoa).
4º D. LUÍSA ANTÓNIA DA CONCEIÇÃO (na clausura, D. Luísa Antónia do Sacramento), natural de Vilarelhos, filha de João de Azevedo Pereira e de D. Bernarda Maria Josefa e Sousa de Almeida Chaves de Lemos, professou no convento de S. Bento de Bragança em 1759(648).
LENGALENGA - O BENTO
Lengalenga inerente aos jogos de “o mestre manda”, em que uns têm de seguir todo o que o mestre mandar fazer.
Sendim: Feira dos Grazes é uma marca identitária do planalto mirandês
Na abertura da Feira dos Grazes, a 23 de outubro, a União de Freguesias de Sendim e Atenor e o Município de Miranda do Douro, sublinharam a importância deste histórico certame anual, que todos os anos reúne na vila de Sendim, milhares de pessoas de todo o planalto mirandês e também da vizinha Espanha, o que propicia o desenvolvimento económico, social e cultural desta localidade do concelho de Miranda do Douro.
Por sua vez, o presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Luís Santiago, começou por afirmar que a Feira dos Grazes, em Sendim, é o maior certame do concelho de Miranda do Douro.
Sobre o trabalho que o município está a realizar com a União de Freguesias de Sendim e Atenor, Helena Barril, adiantou que para a requalificação da Escola Básica 1| 2 |3, já estão consluídos os projetos de arquitetura e especialidades, faltando agora a obtenção de financiamento junto do governo.
MIRANDELA ALARGA HORÁRIO DOS CEMITÉRIOS PARA FACILITAR HOMENAGENS AOS QUE JÁ PARTIRAM
O Município de Mirandela vai alargar o horário de funcionamento dos dois cemitérios da cidade até 2 de novembro, para facilitar as visitas e as homenagens aos entes queridos por ocasião do Dia de Todos os Santos e do Dia dos Fiéis Defuntos, assinalados a 1 e 2 de novembro.
O Cemitério Velho e o Cemitério de Golfeiras, ambos sob gestão municipal, estarão abertos diariamente, entre as 08h00 e as 17h00, sem interrupção durante a hora de almoço.
A medida pretende dar maior flexibilidade à população numa época tradicionalmente marcada por uma maior afluência aos cemitérios, permitindo que os munícipes prestem homenagem aos familiares e amigos que já partiram com maior comodidade.
A iniciativa acompanha uma tradição profundamente enraizada na comunidade, em que a memória, a saudade e a homenagem aos que já partiram assumem particular significado.
FIBRA ÓTICA VAI CHEGAR A MAIS DE 1.300 CASAS EM FREIXO DE ESPADA À CINTA
Freixo de Espada à Cinta vai reforçar a sua conectividade digital com a expansão da rede de fibra ótica da dstelecom, que permitirá levar esta infraestrutura a mais de 1.300 casas, incluindo, pela primeira vez, as localidades de Mazouco, Lagoaça e Fornos.
A operação deverá elevar para cerca de 3.300 o número de casas abrangidas no concelho até ao final de 2026, correspondendo a uma cobertura de 95%, segundo a empresa. A rede já se encontra disponível em Freixo de Espada à Cinta e Ligares.
O reforço da infraestrutura pretende melhorar as condições de acesso à Internet de alta velocidade para famílias e empresas, facilitando o acesso a serviços digitais e criando novas oportunidades para quem vive e trabalha no território.
“Acreditamos que o acesso a infraestruturas digitais de qualidade não pode depender do local onde se vive ou trabalha”, afirma Ricardo Salgado, presidente executivo da dstelecom, defendendo que o investimento contribui para aproximar o interior das oportunidades proporcionadas pela economia digital.
A empresa opera através de um modelo de rede aberta e multioperador, que permite a diferentes operadores de telecomunicações disponibilizar os seus serviços sobre a mesma infraestrutura. Desta forma, os consumidores podem escolher entre várias ofertas comerciais, de acordo com a disponibilidade e as condições de cada operador.
A expansão insere-se na estratégia de reforço das infraestruturas digitais no interior do país, procurando reduzir as desigualdades de acesso à conectividade e melhorar as condições para o desenvolvimento económico e social dos territórios de menor densidade populacional.
MIRANDELA LIMPA MARGENS DA RIBEIRA DO MOUREL PARA PREVENIR CHEIAS ANTES DO INVERNO
O Município de Mirandela está a realizar trabalhos de limpeza das margens da ribeira do Mourel, numa intervenção que visa melhorar o escoamento da água e reforçar a prevenção de cheias com a aproximação do inverno.
Os trabalhos procuram reduzir obstáculos à circulação da água, contribuindo para minimizar os riscos associados à precipitação intensa, numa altura em que a preparação do território para as condições meteorológicas mais exigentes assume particular importância.
A intervenção permitiu também desobstruir a envolvente da histórica Ponte dos Jogos, devolvendo maior visibilidade a este elemento do património local e valorizando um espaço ligado à memória da cidade.
Para além da componente preventiva, a operação pretende conciliar a segurança hidráulica com a preservação e valorização dos espaços naturais e patrimoniais de Mirandela.
Com estes trabalhos, a autarquia prossegue as ações de manutenção do território, numa estratégia que procura preparar a cidade para o inverno e salvaguardar pessoas, património e espaços públicos.
BRAGANÇA DEBATE RISCOS PSICOSSOCIAIS E SAÚDE MENTAL NOS LOCAIS DE TRABALHO
A saúde mental no trabalho esteve em destaque em Bragança, a 23 de outubro, num seminário que reuniu profissionais e participantes no Auditório Paulo Quintela para debater os riscos psicossociais em contexto laboral e a importância de prevenir situações que comprometem o bem-estar dos trabalhadores.
Sob o tema «Trabalho, Pressão e Limites: Onde começa o risco psicossocial?», a iniciativa foi organizada pela Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULS Nordeste), através da Equipa Local de Saúde Ocupacional, em parceria com a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), através do Centro Local do Nordeste Transmontano, e com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA).
O encontro integrou a campanha europeia «Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis 2026-2028: Juntos pela Saúde Mental no Trabalho» e proporcionou um espaço de reflexão, partilha de experiências e debate sobre os desafios que afetam a saúde psicológica em ambiente profissional.
A pressão constante, a exigência laboral e a dificuldade em estabelecer limites podem representar riscos para a saúde dos trabalhadores, tornando essencial a identificação precoce dos fatores de risco e a adoção de medidas preventivas nos locais de trabalho.
A iniciativa procurou, assim, reforçar a sensibilização para a necessidade de ambientes profissionais mais seguros e saudáveis, sublinhando a importância de colocar a saúde mental no centro das estratégias de prevenção e proteção dos trabalhadores.
O seminário destacou ainda a importância da cooperação entre as entidades ligadas à saúde ocupacional e à segurança no trabalho, numa abordagem que reconhece que proteger quem trabalha é também promover saúde, bem-estar e qualidade de vida.
MUNICÍPIOS TRANSMONTANOS DISTINGUIDOS COM O PRÉMIO «VIVER EM IGUALDADE»
Oito municípios de Trás-os-Montes e Alto Douro foram distinguidos com o Prémio «Viver em Igualdade» para o biénio 2026-2027, uma iniciativa promovida pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) que reconhece o trabalho das autarquias na promoção da igualdade entre mulheres e homens e no combate à discriminação.
Entre os municípios premiados nesta 8.ª edição encontram-se Alfândega da Fé, Boticas, Carrazeda de Ansiães, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Vila Flor, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real, que integram a lista nacional de 57 câmaras municipais distinguidas.
A edição deste ano registou o maior número de candidaturas desde a criação do prémio, em 2012. No total, o júri avaliou 71 candidaturas admitidas, correspondentes a 70 câmaras municipais e uma junta de freguesia.
O galardão distingue autarquias que integram a perspetiva da igualdade nas políticas públicas, na governação e nas iniciativas desenvolvidas nos respetivos territórios, contribuindo para concretizar os objetivos da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação — Portugal + Igual.
A distinção reconhece, assim, o papel dos municípios na construção de comunidades mais inclusivas, através de políticas e práticas que promovam a igualdade de oportunidades e a participação de todos na vida local.
O Prémio «Viver em Igualdade» é atribuído de dois em dois anos pela CIG, valorizando o compromisso das autarquias com a promoção dos direitos humanos, a igualdade e a não discriminação.
Sacrum – V QUINQUE
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Apesar do medo, havia uma breve e amarga satisfação: as lições que tantas vezes desprezara tinham acabado de lhe oferecer um caminho. Pela primeira vez os enigmas do pai mostravam-se úteis.
O contentamento, porém, foi substituído pela raiva. Se o pai conhecia aqueles símbolos, se sabia o que existia sob a colina e até o preparara para os decifrar, porque nunca lhe dissera simplesmente a verdade? Em vez disso, dera-lhe enigmas, proibições e meias palavras!
Agora, sozinho debaixo da terra, tentava completar uma explicação que morrera com o patriarca.
Mesmo morto, Afonso continuava a obrigá-lo a obedecer sem lhe conceder o direito de compreender.
Tornou a olhar para o túnel de onde saíra, que conduzia ao poço. Para já, era a única garantia e a única fração que já conhecia daquele mundo subterrâneo. Tudo o resto era medo e incerteza.
— Freixo! — Gritou novamente. O nome percorreu os três túneis e regressou-lhe deformado. Ficou na dúvida se escutara um latido distante.
Não sabia o que o esperava nos caminhos errados, mas o símbolo apontava para o túnel do centro. Era pouco para chamar certeza; ainda assim, naquele labirinto, era a única orientação em que podia apoiar-se. E se Freixo tivesse seguido por uma das outras passagens?
Estava consciente da sua situação, que piorava a cada centímetro que descia, mas naquele momento não havia mais opções senão continuar. Fora um erro monumental ter ido atrás de Freixo.
Com um suspiro e mais um “Raios partam” entre dentes, começou a sua aventura pelo túnel do meio.
A lanterna ameaçava falhar a todo o momento e quando isso acontecesse estaria limitado à bateria do telemóvel. Tinha consciência que deveria poupá-la o mais possível para a eventualidade de encontrar um ponto onde a rede chegasse.
O túnel era praticamente igual ao anterior, as paredes calcárias eram irregulares e intercalavam com extensas porções feridas por picaretas onde a passagem fora alargada. A água escorria pela rocha e desaparecia no cascalho do chão. Ao longe, ressoava um ruído semelhante à trovoada.
A um certo ponto o túnel estreitava e havia como que um pórtico escavado e polido simulando colunas. Por cima, havia um pentalfa gravado. Não se lembrava do significado exato, associava-o a uma saída, ao caminho da luz, ou qualquer coisa semelhante.
A lanterna projetava uma luz cada vez mais fraca e parecia ainda iluminar uma parede ao fundo do caminho que continuava em declive. Seria o fim do caminho? Mas escutava-se a água a correr e os ecos indicavam uma gruta.
Hesitou e iluminou o caminho de onde viera, ponderando recuar e tentar outro caminho, ou mesmo arranjar forma de escalar o poço.
— Freixo! — Gritou, o som abafado pelo teto baixo. Mas apenas o som das águas furiosas lhe respondia.
Iluminou o chão depois do pórtico. Transformava-se em degraus de calcário gastos pela passagem da água.
— Raios… — Resmungou uma vez mais antes de avançar temerosamente.
Estava quase a chegar à parede que iluminara, o som da torrente era mais forte.
Ao dar mais um passo, confiante nas escadas que descia, não se apercebeu que o degrau estava quase dissolvido e a partir daquele ponto não havia mais nenhum.
Escorregou e caiu de costas começando a deslizar pelo túnel abaixo cada vez mais rápido. Tentava desesperadamente agarrar-se a algo, mas era tudo pedra lisa e húmida.
Foi lançado no vazio e bateu quase imediatamente com força em chão firme.
Estava escuro. Perdera a lanterna na queda.
O estrondo da água estava agora muito perto, percebeu que se encontrava numa imensa gruta.
De joelhos, tateou o chão em volta na tentativa de encontrar a lanterna. Abriu a boca para praguejar, mas conteve-se: até a voz parecia um desperdício naquela escuridão.
Agora, sem a luz artificial, percebia que a escuridão não era completa. O próprio calcário emitia uma fraca e fosforescência verde-azulada. Era o suficiente para conseguir lentamente distinguir as margens do rio e fazer a água cintilar.
Uma larga torrente brotava debaixo de uma enorme fraga, atravessava a gruta num canal revolto e desaparecia por baixo de outra massa de pedra. Para além dessa massa, parecia haver claridade.
Relutante, Tomás usou o telemóvel para iluminar o local e analisar as paredes: se este era o “caminho bom”, não podia ser um fim de linha.
Ergueu-se com dificuldade, resmungando baixinho. O corpo inteiro protestava; naquele dia, o subterrâneo já lhe cobrara demasiadas vezes a imprudência.
Olhou o local de onde caíra. As paredes lisas e molhadas, sem pontos de apoio. Voltar atrás e tentar um dos “caminhos errados” estava fora de equação.
A poucos metros de si viu a lâmpada e o suporte de fecho da lanterna. Uma das três baterias estava mais à frente, mas as restantes, assim como o corpo da lanterna, não estavam à vista. Deveriam ter rolado para o rio.
Voltou a iluminar todo o espaço até chegar ao ponto em que as águas desapareciam e a luz incidiu sobre uma gravação no calcário — uma linha ondulante com três pontos por baixo.
Desta vez a tradução surgiu-lhe naturalmente: um corpo de água, passar por baixo.
Olhou para o rio. Subir a corrente era impossível, voltar atrás também, teria de passar por baixo da fraga onde a torrente desaparecia.
«Nem pensar.» O corpo recusou antes de ele conseguir raciocinar. Apagou a luz do telemóvel para poupar a bateria e sentou-se no chão. Até ali, porém, as indicações tinham funcionado, e o símbolo era inequívoco: os pontos indicavam uma passagem por baixo da água.
Tudo até ali fazia crer que estava no tipo de um caminho iniciático que os templários, que o seu pai tanto adorava, utilizavam para iniciar os noviços. Não deveria de haver ali nada de realmente mortal… ou haveria?
Se fosse um caminho iniciático talvez estivesse concebido para não permitir o regresso. Escolher um dos caminhos errados, ou desistir, seria a mesma coisa? O único sucesso é seguir em frente armado com a Fé.
De qualquer forma, se não arriscar a passagem para o desconhecido, qual é a alternativa? Ficar ali e morrer de fome à espera de que o encontrem?
Com o cérebro a gritar que não o fizesse, obrigou o corpo a entrar gradualmente na água gelada.
Agarrou-se às pedras da margem e mergulhou a cabeça para espreitar sob a fraga. A rocha lisa a que se ancorara escapou-se-lhe das mãos. Num instante, a corrente selvagem atirou-o para a escuridão.
Episódio Seguinte - Sacrum – VI SEX
By Manuel Amaro Mendonça 19 de Setembro, 2026
Manuel Amaro Mendonça é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/
terça-feira, 27 de outubro de 2026
🚀 Arrancou hoje, no Brigantia EcoPark, a Semana da Economia e Inovação (SEI), uma iniciativa promovida pelo Município de Bragança, em parceria com a Universidade Politécnica de Bragança e o Brigantia EcoPark.
Até 29 de outubro, o evento promove a reflexão e a partilha de conhecimento sobre emprego, qualificação, empreendedorismo e inovação, contribuindo para o desenvolvimento económico do território.
Ele há coisas!…
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
A tia Justina Rezadeira gostou muito que a luz elétrica tivesse chegado à aldeia, alumiando ruas e becos, mesmo junto à sua porta. À sua casa, porém, só chegou muitos anos mais tarde, quando o filho veio de França, na força da emigração. Duas lâmpadas e uma tomada eram quanto bastava para os dias de festa.
- O lume bem alumia e, se for preciso fiar, também acendo a candeia de azeite, que alumia que é uma beleza.
Dizia a tia Rezadeira e ria com aqueles dois dentes que lhe ornamentavam a boca. O cabelo alvejava… serrania de dores e sofrimentos.
Mas a eletricidade chegou à aldeia e o medo foi-se embora. Nos serões de inverno, em nossa casa, deixou-se de falar da Prudência Costureira, que morreu tuberculosa e que, nas noites de ventania, vagueava pela aldeia em gritos lancinantes, confundida com as sombras projetadas pelo candeeiro com que se ia acomodar as vacas. Também o tio Alves, que morreu no monte sem confissão, deixou de aparecer a pedir missas pela sua alma. E até a tia Graça, que era bruxa, deixou de se transformar em pita à meia-noite em ponto.
- Esta luz virá de Bragança ou de Lisboa? Perguntava o tio Rodrigo, que já lia o jornal e se fartava de dizer que a Terra anda e o Sol está parado. Ninguém acreditava.
E esta pergunta ficava sem resposta… Ele há coisas!…
Mas as almas penadas, as bruxas e os medos foram descansar. E ficou só o pai, a contar histórias fantásticas do tempo em que os animais falavam, agora à luz serena da eletricidade.
Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança.
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.
COMO EÇA EXPLICA A FALTA DE PATRIOTISMO
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Como se sabe, o nacionalismo é o amor que se sente pela Pátria, onde se nasceu, e se foi criado. Segundo José Maria Coloma (Léxico de Política), o termo equivale a patriotismo.
Eça, assevera – que o patriota, o que ama sua Pátria, o torrão onde nasceu e viveram os ancestrais, nunca pode ser cosmopolita.
Ao adquirirem idiomas, costumes, hábitos, e expressões de outros povos, o poliglota, esquece-se, lentamente a pátria, e a língua materna dilui-se em contacto com idiomas estranhos.
Certa ocasião, nos anos cinquenta, conheci jovem francesa, que estudara em Bordéus, mas pouco conhecia, além da pequena povoa em que vivia.
Um dia resolveu conhecer a terra dos antepassados, e abalou para Portugal.
Tudo lhe parecia estranho, e não compreendia, comportamentos e modos de pensar dos portugueses.
Como beijava todos que encontrava, recomendaram-na a não o fazer, principalmente homens. Respondeu envergonhada:
-"Desculpem, mas eu sou francesa, e beijar é a forma de cumprimentar na minha terra!"
Atualmente, com a globalização, o turismo, a vinda maciça de imigrantes, a sociedade europeia, de raiz cristã, transformou-se: hábitos alteraram-se, assim como antigos valores e costumes, que eram características de cada nação, desapareceram
Mas, leia-se o que disse Eça:
"Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: - toda a outra deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afetivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo" – "
“Correspondência de Fradique Mendes." - (A " Madame" S.)
Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".
Alterações climáticas prejudicam aparecimento de cogumelos no Nordeste Transmontano
Tempo quente e seco está a dificultar o desenvolvimento de fungos e a comprometer aparecimento de cogumelos comestíveis no interior norte. Turismo micológico poderá sentir uma forte quebra este ano.
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| As espécies mais predominantes na região num ano normal são as sanchas ou setas, boleto, repolgas, línguas de vaca, frades ou míscaros - PAULO NOVAIS/LUSA |
As alterações climáticas sentidas nos últimos dois ou três anos estão a prejudicar o aparecimento de várias espécies nobres de cogumelos comestíveis, devido ao terreno seco e falta de humidade, disse esta terça-feira à Lusa um especialista do setor.
Segundo o presidente da Associação Micológica A Pantorra, Manuel Moredo, com sede em Mogadouro, no distrito de Bragança, este ano está a ser péssimo para o aparecimento de cogumelos devido ao tempo quente e seco, o que leva a que estes fungos não se desenvolvam e consequentemente não apareçam no território do interior norte.
“O terreno está muito seco e não há perspetivas de chuva para as próximas duas semanas, pelo menos. Mesmo as espécies mais nobres, como os boletos, amanita caesarea ou setas de cardo, não vão aparecer por falta de humidade e apenas algum calor, o que torna este ano atípico para a apanha dos cogumelos silvestres.
De acordo com o micólogo, haverá ainda algumas espécies como as sanchas que poderão aparecer porque aguentam com algum frio e podem surgir até ao final de novembro.
Por esta altura do ano, lameiros, florestas, soutos e pinhais são locais ideais para a apanha, que são batidos palmo a palmo pelos recoletores de cogumelos silvestres, alguns dos quais o fazem por gosto e outros porque encontraram nesta atividade uma forma de sustento, que este ano “será fraca”.
Os preços das mais variadas espécies de cogumelos silvestres em fresco podem variar entre os 15 euros por quilo, no caso dos boletos, e os três euros, para as setas dos pinhos.
“Estes preços dos cogumelos silvestres são variáveis em função das quantidades existentes. Como este ano a apanha será praticamente nula, há a tendência para uma forte quebra de rendimento para quem nesta altura do ano tenha esta fonte de rendimento extra”, vincou Manuel Moredo.
Sanchas ou setas, boleto, repolgas, línguas de vaca, frades ou míscaros são, entre outras espécies nesta altura do ano, dos fungos mais procurados pelos apreciadores e recoletores na região.
“Já percorremos vários pontos do Nordeste Transmontano, desde a Serra de Bornes, no concelho de Macedo de Cavaleiros, até Mogadouro, e o cenário é sempre o mesmo: não há cogumelos”, sublinhou o especialista em micologia.
Em zonas mais húmidas do país ainda começaram a aparecer várias espécies de cogumelos, mas em Trás-os-Montes isso não vai acontecer este ano.
O turismo micológico é igualmente um atrativo no Nordeste Transmontano e que este ano também poderá sentir uma forte quebra de amantes da micologia, devido à falta de cogumelos silvestres para estudo ou simplesmente para um passeio de identificação das mais variadas espécies que em anos normais aparecem.
A Pantorra já identificou mais de 1.200 espécies de cogumelos silvestres no Nordeste Transmontano em mais de duas décadas, num trabalho conjunto de vários especialistas em micologia da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD) e da Universidade Politécnica de Bragança (UPB) para identificar as espécies, já que muitas delas são tóxicas e algumas até letais.
As espécies mais predominantes num ano normal são as sanchas ou setas, boleto, repolgas, línguas de vaca, frades ou míscaros, fungos procurados pelos apreciadores e recoletores na região.
O território do Planalto Mirandês tem ainda apetências naturais para o aparecimento de trufas negras, sendo este o fungo de maior valor gastronómico conhecido.
SPOSIÇON "DE LAS MAÇCARILHAS ALS PÁIXAROS"
A inauguração terá lugar às 17h00 do dia 29 de outubro, e a exposição poderá ser visitada até 7 de janeiro de 2027.
Contamos com a sua visita!
Informações úteis
Local: Casa da Cultura Mirandesa, Miranda do Douro
Entrada: Gratuita
Público-alvo: Público em geral
Organização: Câmara Municipal de Miranda do Douro
VILA FLOR DISTINGUIDO COM O PRÉMIO «VIVER EM IGUALDADE» PARA 2026-2027
A distinção, atribuída no âmbito da 8.ª edição da iniciativa promovida pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), reconhece o trabalho desenvolvido pela autarquia na promoção da igualdade entre mulheres e homens e no combate à discriminação.
A candidatura de Vila Flor destacou a integração destas preocupações nas políticas públicas municipais, através de uma abordagem transversal que procura responder às necessidades da comunidade e promover uma sociedade mais inclusiva.
O reconhecimento pretende também incentivar a continuidade das medidas destinadas a garantir a igualdade de oportunidades, o respeito pela diversidade e a construção de respostas ajustadas à realidade local.
ACADEMIA SÉNIOR DE CARRAZEDA DE ANSIÃES INICIA ANO LETIVO COM 76 ALUNOS
A iniciativa pretende proporcionar oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, promovendo simultaneamente o convívio, a partilha de conhecimentos e o contacto social entre os participantes.
Para além da componente educativa, a Academia assume um papel na promoção do envelhecimento ativo, ao incentivar os seniores a manterem-se envolvidos em atividades que estimulam a curiosidade, a aquisição de competências e a criação de novas relações.
O Município de Carrazeda de Ansiães destaca o contributo de alunos, professores, voluntários e colaboradores para o funcionamento da instituição, que inicia agora mais um ano dedicado à aprendizagem e à participação da população sénior na comunidade.














