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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Autarquia de Macedo de Cavaleiros aumenta quadro de pessoal

 O reforço do mapa de pessoal da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, com a criação de 71 novos lugares, foi um dos principais temas debatidos na Assembleia Municipal realizada esta quinta-feira. O assunto já tinha sido discutido na reunião de Câmara do passado dia 12 de fevereiro.


Na reunião do executivo, a proposta foi votada contra pelos vereadores da oposição do Partido Socialista, que tornaram pública essa posição.

Na Assembleia Municipal, a vereadora responsável pelo pelouro dos Recursos Humanos, Cristina Pires, esclareceu que 30 dos postos de trabalho agora incluídos já transitavam do anterior executivo, sendo criados nesta fase mais 40 novos lugares:

A autarca justificou a necessidade do reforço do quadro, sobretudo, devido às reformas previstas para os próximos dois anos, salientando que o executivo pretende acautelar as necessidades que irão surgir nos serviços municipais:

Relativamente aos programas ocupacionais do Instituto de Emprego e Formação Profissional, IEFP, que têm a duração de nove meses, com um interregno obrigatório de três meses antes de eventual novo recrutamento pela mesma entidade, a vereadora sublinhou que este modelo cria instabilidade laboral:

Segundo os esclarecimentos prestados, há trabalhadores que colaboram com a autarquia há cerca de 10 anos, num modelo considerado pelo executivo como um ciclo rotativo. Os serviços municipais referiram ainda que já foram realizados cerca de 545 programas ao abrigo do IEFP.

Foi também justificada a criação de duas novas divisões, Agricultura e Desporto, o que implicará a contratação de novos recursos humanos.

A medida gerou contestação por parte da bancada socialista, que considera que o aumento do quadro de pessoal poderá traduzir-se num impacto financeiro na ordem de um milhão e meio de euros. O deputado municipal Alfredo Preto afirmou que existe apreensão quanto à possibilidade de reduzir a margem para investimento no concelho e nas aldeias:

Em resposta, o executivo garantiu que esta decisão não colocará em causa as promessas eleitorais assumidas.

A proposta foi aprovada com 36 votos a favor, 18 contra e 6 abstenções.

Maria João Canadas

FREIXO DE ESPADA À CINTA APRESENTA PROJETO DE JOALHARIA CONTEMPORÂNEA INSPIRADO NA SEDA LOCAL

 O Município de Freixo de Espada à Cinta promove, no próximo sábado, dia 28, às 17h00, a apresentação do projeto de Design de Joalharia Contemporânea “SILKLAND”, no stand municipal.


A iniciativa será conduzida pela designer Soraia Maduro, em colaboração com o Museu da Seda e do Território. A coleção tem como ponto de partida a emblemática seda produzida no concelho, reinterpretando este património através de uma abordagem contemporânea na área da joalharia.

O projeto pretende valorizar a identidade e a tradição locais, aliando criatividade e inovação a um dos maiores símbolos culturais do território. A sessão é aberta à população e visitantes, que são convidados a participar neste momento de celebração e promoção do património freixenista.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

OS FIDALGOS - RABAL


 Família Varge

De José Cardoso Borges, Descrição Topográfica da Cidade de Bragança, notícia XI, Dos Morgados, § 24, fólio 313 (mihi), copiamos o seguinte:

«1 – Morgado que instituiu o padre BENTO PIRES VARGE e seus irmãos o padre João de Varge e Maria dos Santos, com capela de Nossa Senhora da Penha de França no lugar de Rabal junto á fonte do Vale, limite da povoação( 468) em 27 de Maio de 1696 e o nomearam em seu sobrinho.
2 – Bento de Varge, cidadão de Bragança, capitão de uma tropa da ordenança, que cazou com Francisca de Morais Leite; sem geração.
3 – É hoje [1721-24] administrador Antonio Conçalves Varge, alferes de infantaria, parente mais chegado dentro dos instituidores, que deixaram a clausula, que não tendo o primeiro chamada sucessão, entrasse o parente mais chegado dentro do sexto gráu e faltando em algum tempo a direita sucessão do administrador, havendo parente dentro do sexto gráu sucederá e não o havendo, nomeia a Confraria do Santissimo Sacramento do lugar de Rabal.
Os mesmos instituiram um vinculo para que andasse nos seus parentes até o sexto gráu inclusivé, não por sucessão, mas pelos parentes mais chegados dos instituidores até sexto gráu inclusivé tão somente e que findo o sexto gráu passem logo as fazendas deste vinculo á Confraria do Santo Cristo de S. Vicente de Bragança».
A capela deste morgadio está profanada e pertence por compra aos herdeiros de Martinho Garcia, de Rabal, que fez das campas sepulcrais dos fundadores, nela existentes, degraus de escada na sua casa de habitação, no bairro do Pinheiro!
Na que serve de patamar ainda se vê a seguinte inscrição:

S
D. P. IM.A D
VARGE N
ATVRAL
DA CIDDE
BRAGANC
Q. FLESE
EO.....

Há ainda outra pedra sepulcral a servir de degrau, com vestígios de letras, mas não se percebem.
O padre Bento Pires Varge faleceu em Rabal a 2 de Março de 1707 e foi sepultado na sua capela, como declara o respectivo registo de óbito.
No pavimento da capela-mor da igreja matriz de Rabal existe a seguinte inscrição numa sepultura rasa, de granito, a qual faz recordar o nome do grande épico, e a sua inserção aqui serve para corrigir a lição que Mario Saa, por informação nossa, aponta no Camões no Maranhão, onde, por erro tipográfico, vem mencionado o ano de 1551 em vez de 1651:

S.A
DE IO....
DA FO....
OVRA C....
MOES RE
CTOR DE
RABAL
1651.

Nas partes pontuadas, as letras estão gastas pelo roçar do calçado, mas é fácil a sua reconstituição:
S(epultur)a de Io(ão) da Fo(nt)ovra C(a)moes rector de Rabal (falecido em) 1651.
ANTÓNIO JOSÉ PINHEIRO DE FIGUEIREDO SARMENTO, bacharel, professo na Ordem de Cristo, natural de Rabal, concelho de Bragança era filho do capitão Miguel Pires Pinheiro e de D. Luísa Esteves de Figueiredo.
Neto paterno de Francisco Pires Pinheiro e de D. Isabel Rodrigues.
Neto materno de António Esteves Pinheiro e de D. Domingas de Figueiredo Sarmento.
Assim diz Sanches de Baena(469), mas do próprio processo para «Habilitação da Ordem de Christo» e do seu registo de baptismo nos livros do registo paroquial de Rabal, consta que era filho do capitão Miguel Pires Pinheiro e de D. Luzia Esteves.
Neto paterno de Francisco Pires e de D. Isabel Rodrigues, naturais de Gimonde, concelho de Bragança.
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(468) Museu Regional de Bragança, maço Capelas. Ver Bornes, p. 26.
(469) SANCHES DE BAEENA – Arquivo Heráldico Genealógico, part. 1ª, p. 62.
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Neto materno de Francisco Esteves, de Rabal, e de D.Domingas Rodrigues, natural de Paramo.
Seus pais casaram em Rabal a 9 de Fevereiro de 1749 e na mesma povoação faleceu sua mãe a 5 de Setembro de 1770.
O capitão Miguel Pires Pinheiro devia ter casado segunda vez, pois no registo de óbito do filho, doutor António José Pinheiro de Figueiredo Sarmento (que faleceu em Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 3 de Outubro de 1823 (470), e não a 12 de Outubro de 1824, como dizemos em Bouça, pág. 28, guiados pela Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal), se diz que tinha na sua companhia sua madrasta Ana Joaquina; que tinha cinco filhos, um dos quais de nome Ezequiel e outro na Ferradosa (casado?) e que tinha propriedades em Cabanelas e um casal em Mirandela.
O doutor António José Pinheiro de Figueiredo Sarmento foi juiz de fora da capitania de Benguela, por despacho de 7 de Maio de 1779; provedor dos defuntos e ausentes da mesma capitania por despacho de 26 do mesmo mês e ano e provedor da fazenda real da mesma, por alvará de 21 do mesmo mês e ano (471).
Teve carta de brasão a 4 de Março de 1796, registada no Cartório da Nobreza, livro V, fol. 118 v., que lhe concede escudo esquartelado com as armas dos Pinheiros, Figueiredos e Sarmentos (472).
Era seu tio o bacharel em direito canónico pela Universidade de Coimbra António Esteves Pinheiro de Figueiredo, natural de Rabal, cavaleiro professo da Ordem de Milícia Dourada do Sacro Palácio Pontifício, desembargador da mesa do despacho Episcopal, examinador sinodal, abade de Podence, na diocese de Bragança; neto de Pedro Esteves, sexto avô materno do autor destas linhas, que, em abono da verdade, declara que seus maiores tinham burguesmente os apelidos de Esteves, ignorando portanto donde vieram os aristocráticos de Figueiredo Sarmento. Seria algum Figueiredo Sarmento, de Bragança, com quem a minha família de Rabal sempre se deu muito e ainda hoje se dá, padrinho dos doutorandos e tomaria os apendículos do padrinho?
No arquivo da igreja paroquial de Podence há um livro que contém os autos de posse dos abades da mesma desde 1631 e diz na parte respectiva:
«António Esteves Pinheiro de Figueiredo, natural de Rabal, foi provido em concurso, pelo Ex.mo e Rev.mo Snr. Bispo, D. Frei Aleixo de Miranda Henriques, no ano de 1759, falecendo a 27 de Abril de 1782. Tomou posse da igreja a 10 de Janeiro de 1759».
Na igreja paroquial de Podence, lado do Evangelho, há um lindo altar em talha dourada, onde hoje (1927) se venera a imagem do Coração de Jesus, mandado fazer por este abade, como declara a seguinte inscrição que nele se lê:
Este altar de S. João o mandou fazer o Rdº Abbº Dr. Antonio Esteves Pinheiro de Figueiredo. No anno de 1781.
Na mesma igreja, lado da Epístola, no altar da Senhora das Dores há um painel, onde se vê pintada (mal) uma figura que o artista quis fazer do abade no leito da agonia, onde se lê: milagre evidentissimo q. fes nossa senhora das dores no RdºAntonio Esteves Pinheiro Figueiredo abbº de Podence o qual stando por instantes sofocandose d’uma apostema que de repente lhe sobrebeu na garganta; por intermedio da divina senhora em menos de meia hora se viu libre do dito perigo socedeu amanhecendo ao dia 6 de dezembro, 1775.
Em 1759 fundou na igreja paroquial de Podence a Confraria de Nossa Senhora das Dores, de que ainda no arquivo paroquial se conserva a bula, concedida pelo geral dos dominicanos em Roma, bem como os estatutos organizados pelo abade (473).
Nos caixões das vestes sagradas da sacristia da igreja paroquial de Baçal depositamos uma tese de direito canónico impressa em 1742 de frente em três planas, em seda vermelha, destinada a véu de cálix, defendida por este abade no quinto ano do seu curso, em Coimbra, dedicada a Maria Santíssima sob os títulos de Senhora da Assunção, do Salvador, do Loreto e a sua mãe Santa Ana.
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(470) Museu Regional de Bragança, Cartório Administrativo, livro 123, fol. 136.
(471) Torre do Tombo, maço 33, nº 13, letra A. Chancelaria de D. Maria I, livro 12, fol. 191 v., livro 13, fol. 310 e 311, livro 54, fol. 198 e livro 80, fol. 208.
(472) SANCHES DE BAENA – Arquivo Heráldico Genealógico, parte 1ª, p. 62.
(473) Ver o volume IV, p. 662, destas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança.
Ao actual abade de Podence, padre Vicente Carneiro, agradecemos as valiosas notícias que nos forneceu referentes a este seu antecessor.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

ANJOS NA TERRA

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Conhecido de D. Francisco Manuel de Melo, contava entre seus bens, a quantidade de amigos que possuía e, tinha razão, porque, quando são leais, sinceros e dedicados, são bens mais valiosos que oiro e prata. São anjos, que Deus nos proporciona para amenizar as agruras da vida.

Infelizmente, anjos bons, são raros, a maioria dos amigos comportam-se como as formigas, que só procuram celeiros cheios, como os de Job; outros, hipócrita, buscam: fama, influencia e glória, como os de Camilo, que tendo " Cento e dez, tão serviçais", mas vendo-o doente, pobre e quase cego, diziam: " - Que vamos lá fazer? Se ele está cego, não nos pode ver!..."

Também eu, durante a minha longa existência tive amigos, companheiros de jornadas, que Deus, na Sua infinita bondade, colocou-os no meu caminho, a quem lhes devo o que fui e o que sou.

Muitos perdi-os no correr dos anos, ceifados pela impiedosa Morte, mas ficaram, para sempre, gravados no filme da memória, com gratidão e saudade.

Entre eles, destaco o Silvério, que me abriu as portas, que muito necessitava, não por amizade, porque mal me conhecia, mas pelo bondoso coração, que tudo fazia para ajudar quem muito precisava.

Deparei, também, na estrada da vida, muita ingratidão, falácias e cambalachos, e ainda quem utilizando a política (que devia servir para o bem de todos,) me prejudicou no termo da carreira profissional; e tudo porque não sou, não era, nem quero ser – porque abomino opinião de cabresto, nem penso por cabeça alheia – militante de partido político...

Porém Deus sempre me amparou, como Pai que cuida dos filhos, não que fosse ou seja merecedor, que não sou, mas creio, como supunha Jean Guitton: a Misericórdia divina é superior à Sua Justiça.

Jesus sempre me enviou e certamente enviará, nos momentos angustiosos, anjos da guarda, que permanecem presentes nas horas de amargura.

Foram e são mãos humanas, guiadas pela Mão de Deus, que consolam, apoiam e abraçam.

Seria justo citá-los, mas muitos já não se encontram entre nós, e os mortos não têm vaidade; os que restam, certamente, não gostariam de se verem em letras de forma.

Decerto, o leitor, também deparou e deparará, ao longo da vida, " anjos", que o acolheram e o protegeram. Se atribuiu, alguma vez, o auxílio à sorte ou acaso, está redondamente enganado, foi certamente, a Mão de Deus que fez a mão dos homens agir.

Não foi sem razão, que o conhecido do nosso clássico, incluía no rol dos bens, os amigos fiéis e dedicados.

Porém não é fácil topar, no percurso da nossa peregrinação terrena – "anjos".

Os que nos abordam, em geral, não são "anjos" da Luz, mas das trevas. Buscam interesses e o vil metal, que tudo compra e tudo corrompe.

Já o ilustre Rei Salomão, dizia: " As riquezas granjeiam muitos amigos; mas os pobres, o seu único amigo, a deixa." - Pv.19:4

Infelizmente era assim, e continua assim, e para nosso mal, continuará assim...


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Fumeiro de Vinhais mostra-se em Oeiras

 Oeiras recebe entre quinta-feira e domingo a 27º edição da Promoção Gastronómica e Mostra de Artesanato do Concelho de Vinhais. “Sendo um dos eventos gastronómicos mais emblemáticos desta Vila, constituirá, mais uma vez, ponto de encontro de quem gosta de apreciar e descobrir o melhor da cozinha de Trás-os-Montes”, refere fonte da organização. O certame é organizado em parceria pelos Municípios de Oeiras e Vinhais, e pela Casa do Concelho de Vinhais.


Serão três dias a experienciar saberes e sabores rurais no Mercado Municipal de Oeiras e a sentir o incomparável aroma dos enchidos que transporta quem está presente para a característica aldeia transmontana.

Além do fumeiro estão disponíveis uma tasquinha e um restaurante com pratos da Terras Frias. “Oeiras transforma-se num verdadeiro palco de celebração de tradições culturais, onde não faltarão grupos de concertinas; gaiteiros; castanholas; pauliteiros; caretos; tunas académicas; confrarias; “Contos à Lareira” e uma noite de fados, tudo isto seduzindo centenas de visitantes”, explica a organização.

Família apresenta queixa no MP contra dois polícias por agressão

 A mulher de 44 anos e o filho de 25 que, no passado sábado, receberam ordem de detenção de elementos da Brigada de Investigação Criminal da PSP de Mirandela, e presentes a interrogatório judicial, por alegadas agressões a um dos polícias, apresentaram queixa-crime no Ministério Público contra dois dos agentes, alegando terem agredido o homem de 25 anos, causando-lhe vários ferimentos.


Tudo aconteceu no seguimento de uma queixa de roubo por esticão, apresentada, na PSP, por uma mulher que descreveu algumas das características físicas do presumível autor do furto da carteira, levando uma equipa da Brigada de Investigação Criminal da PSP a efetuar diligências junto de um homem de 25 anos, já com antecedentes criminais neste tipo de crime.

No seguimento desta abordagem, na via pública, terá havido mesmo confronto físico entre os polícias e o indivíduo de 25 anos que acabou por ser manietado, algemado e levado para a esquadra. Um dos polícias e o indivíduo receberam tratamento hospitalar.

No entanto, a mãe do detido, Sandra Monteiro, nega que o filho tenha oferecido resistência aos polícias e garante que o agredido foi o seu filho, sem razão aparente. “Veio um carro da polícia, disseram para tirar as coisas dos bolsos que tinham roubado a uma senhora, a carteira que tinha dinheiro. Ele tirou tudo, pôs tudo em cima do carro, depois veio outro carro patrulha que trazia as duas senhoras, que tinham sido supostamente as vítimas e disseram que não foi ele, que deixassem o rapaz”, conta.

“Um dos polícias deitou as mãos ao pescoço, nem o deixou falar, estava quase a asfixiá-lo. E para ajudar o meu filho, puxei o polícia para trás, mas ele continuou a dar-lhe murros, deitou-o ao chão, pôs-lhe o pé em cima do pescoço, deu-lhe duas vezes com as algemas na cabeça, abriu-lhe a cabeça ao meio, levou nove pontos”, acrescenta. “Depois, as culpas ainda são nossas, mas não, isto não é assim”, desabafa.

Sandra Monteiro já apresentou queixa-crime no Ministério Público, por agressão, contra os dois polícias envolvidos, entregando ainda um pequeno vídeo sobre as supostas agressões e exames periciais que o homem efetuou no Instituto de Medicina Legal, em Bragança.

Confrontado com esta queixa-crime apresentada contra dois agentes da PSP, o Comissário daquela força de segurança de Mirandela, não quis pronunciar-se sobre o assunto.

Recorde-se que, na passada segunda-feira, um homem de 45 anos foi identificado e constituído arguido pela PSP de Mirandela, suspeito de ser o autor do referido assalto por esticão, no passado sábado.

Fernando Pires

Carção: Comédia “Filhas da Mãe” assinala o Dia Mundial do Teatro

 Para assinalar o Dia Mundial do Teatro (27 de março), a Casa do Povo de Carção é o palco da comédia “Filhas da Mãe”, que conta com participação especial do apresentador de televisão, Jorge Gabriel, num enredo de risadas e boa disposição.


O espetáculo agendado para as 21h30, desenvolve-se como um programa de televisão intitulado “A minha vida dava uma banda sonora”. Entretanto, a rotina é interrompida por um evento hilariante: o apresentador é raptado em direto.

Com um elenco carismático e uma narrativa cheia de ritmo e surpresas, “Filhas da Mãe”, promete uma noite de gargalhadas, ironia e crítica social, num espetáculo que reflete com humor o poder da televisão e das histórias que nela se contam.

A representação da comédia “Filhas da Mãe” em Carção, é uma iniciativa do município de Vimioso e da freguesia local.

O Dia Mundial do Teatro foi comemorado pela primeira vez em 1962, pelo Instituto Internacional do Teatro(ITI). A data continua a ser comemorada, anualmente, a 27 de março pela comunidade internacional do teatro.

HA

Mogadouro: Início da construção do Museu do Território e inauguração do Centro de Arte Manuel Barroco

 O Município de Mogadouro inicia esta sexta-feira, dia 27 de fevereiro, a construção do Museu do Território e simultaneamente inaugura o Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco, duas iniciativas culturais que visam dinamizar a atividade cultural na cidade e que contam com a visita do secretário de Estado da Cultura.


O programa institucional começa às 11h30, com o lançamento da primeira pedra do Museu do Território, na zona histórica da cidade de Mogadouro.

O futuro museu vai ser instalado junto ao castelo templário do século XII, implica um investimento de dois milhões de euros e deve estar concluído no início de 2028.

“No plano cultural, Mogadouro carecia de um museu para albergar todo o espólio arqueológico e histórico do concelho, que se encontra espalhado por vários locais, como é o caso da Sala Museu de Arqueologia. O futuro museu é um espaço cultural que pretende revitalizar o centro histórico da cidade”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, António Pimentel.

No mesmo dia, vai ser inaugurado no centro da cidade de Mogadouro, o Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco.

“Trata-se de um espaço museológico contemporâneo e inovador, que combina uma exposição permanente de escultura, com soluções tecnológicas imersivas e interativas”, informa o município.

O novo espaço cultural nasce de um protocolo de colaboração entre o município de Mogadouro e o escultor Manuel Barroco, que cede o seu espólio artístico para exposição permanente.

“Este gesto de grande significado reforça a ligação do artista à sua terra natal e constitui um exemplo notável de cooperação entre o setor público e a iniciativa privada na promoção da cultura”, realça a autarquia.


A cerimónia de inauguração do Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco está agendada para as 12h00, de sexta-feira, dia 27 de fevereiro, na antiga Casa das Associações, no Largo Trindade Coelho. A cerimónia oferece uma visita guiada, seguida das intervenções institucionais e de um Porto de Honra.

O Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, António Joaquim Pimentel, sublinha que “o projeto honra um dos nossos maiores artistas, valoriza a cultura no interior do país e demonstra que, com visão e parcerias sólidas, é possível criar equipamentos culturais de referência.”

O Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco integra projeções audiovisuais sobre a vida e obra do artista, conteúdos multimédia, um ponto de exploração holográfico com visualização tridimensional de esculturas, um núcleo intimista dedicado aos “tesouros” criativos do autor e uma intervenção mural de homenagem permanente.

Com este novo espaço cultural, a cidade de Mogadouro pretende criar um novo polo de atração turística e educativa e promover a dinamização cultural da cidade.

Fontes: MM e Lusa | Fotos: HA

Colisão entre dois veículos faz dois feridos graves e um ligeiro junto a Ifanes

 Uma colisão entre dois veículos ligeiros, no concelho de Miranda do Douro, provocou esta quinta-feira ferimentos graves num jovem de 21 anos e uma mulher de 68, avançou fonte do Comando Sub-Regional das Terras de Trás – os - Montes.


Segundo o comandante Sub-Regional, João Noel Afonso, os feridos graves são familiares (neto e avó) e há ainda o ferido ligeiro a registar, tratando-se de um cidadão de nacionalidade espanhola.

“Dois dos ocupantes de uma das viaturas envolvidas no acidente tiveram de ser desencerados de dentro de um dos veículos”, indicou o combate.

O acidente aconteceu a meio da tarde na estrada municipal que liga Miranda do Douro à aldeia de Ifanes.

Dois dos feridos, um grave e outro leve, foram transportandos por via terrestre para o hospital de Bragança. Já um outro ferido grave seguiu por via aérea para um hospital de referência no Porto.

O alerta foi dado as 16:51.

No local estiveram 36 operacionais que foram apoiados por 11 veículos e pela equipa médica do helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), estacionado em Macedo de Cavaleiros.

A GNR tomou conta da ocorrência.

Francisco Pinto

Polo de inovação agrícola vai reforçar valor da alheira de Mirandela e preparar candidatura à UNESCO

 A criação de uma nova estrutura no polo de inovação agrícola da Quinta do Valongo, em Mirandela, foi anunciada durante a abertura da Feira da Alheira. O objetivo é reforçar a componente científica e tecnológica da produção, acrescentar valor ao produto e preparar uma futura candidatura da alheira a património gastronómico e cultural da UNESCO


Vai ser criada uma estrutura, no polo de inovação agrícola, na Quinta do Valongo, em Mirandela, para acrescentar mais valor à alheira.

Segundo o vice-presidente da CCDR-Norte, Paulo Ramalho, as obras neste polo estão a decorrer a bom ritmo e será necessário este passo, para um produto como a alheira de Mirandela evoluir. “Dentro em breve, 5, 6 meses no máximo, poderemos ter aquele espaço reabilitado e pronto a cumprir com a sua função, que é, de facto, ter lá pessoas a trabalhar, no sentido de criar valor ao nosso agricultor, através de análises, dos produtos, mas, acima de tudo, através de encontrar novas soluções produtivas para acrescentar valor ao trabalho do agricultor. E, nesse sentido, vamos precisar naturalmente de técnicos mais especializados, vamos ter lá, seguramente, pessoas da universidade, da academia, do mundo científico e queremos ter as organizações ligadas às diversas produções”.

O autarca Vítor Correia também defendeu que para o produto evoluir é necessário juntar a ciência e a inovação. “A alheira já atingiu um patamar de elevadíssima qualidade, de elevadíssima expansão, mas nós percebemos que, para evoluir, precisamos juntar a ciência e a inovação. Já temos aqui o IPB, com o laboratório MORE, mas temos de juntar aqui mais componente científica, como a UTAD, a Escola Profissional de Agricultura, também a CCDR-N, que se vem agora a juntar, com o polo de inovação agrícola. O que temos que lhe dar é uma componente mais científica para podermos inovar e evoluir mais e atingir outros patamares”.

Isto porque no futuro a câmara de Mirandela pretende candidatar esta iguaria a património da UNESCO, avançou Vítor Correia. “Estamos a falar num trabalho que temos de fazer para candidatar esta iguaria a património da UNESCO. Património gastronómico e cultural. É juntar a gastronomia, mas também a componente cultural e histórica”.

Declarações à margem da abertura da Feira da Alheira de Mirandela, que decorreu esta quinta-feira.

Jornalista: Rita Teixeira

Mirandela celebra a 26.ª Feira da Alheira com 100 expositores

 Arrancou ontem, em Mirandela, a 26.ª edição da Feira da Alheira, que reúne cerca de 100 expositores no centro da cidade. Com a alheira IGP como protagonista, os produtores mantêm os preços face ao ano passado e apontam para fortes expectativas


Arrancou ontem a Feira da Alheira de Mirandela, que vai já na 26.ª edição, e conta com cerca de 100 expositores distribuídos pelo centro da cidade.

Catarina Pinto, produtora de alheira, está com expetativas positivas e conta o que os visitantes procuram cada vez mais o produto. “As expectativas são sempre altas. Temos um ex-libris na nossa cidade e todos os nossos produtos têm de estar aqui expostos e o mercado vai-nos procurar. As expectativas são sempre altas porque aquilo que produzimos é de confiança e de qualidade”.

A alheira IGP é a rainha da festa e há para todos os gostos, como refere Pedro Caldeira, também produtor de alheira. “Temos desde a alheira de caça, à alheira silvestre, alheira de aves, alheira IGP, alheira tradicional. Penso que cada a alheira IGP e a alheira de Mirandela são as que mais se vendem”.

No que diz respeito ao preço, este mantém-se semelhante ao do ano anterior. “Em termos de preço, estamos a manter o mesmo preço do ano passado. Colocamos um preço simbólico. Neste momento, está a 8 euros a alheira certificada. Não é um preço para nós ganharmos dinheiro”.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM), Filipe Carvalho, acrescenta que nesta edição há mais expositores e espera-se um bom certame. “As expectativas são muito boas, temos um acréscimo de expositores, o que é bom, temos bom tempo, também é muito bom, e esperemos que haja mais pessoas. Estou convicto que irá haver, de certeza”.

Já o presidente da câmara de Mirandela, Vítor Correia, recordou o impacto económico da alheira no concelho. “Impacto da alheira está estimado na ordem dos 50 milhões, e isso direta e indiretamente, desde o fator produtivo até o fator depois da restauração, exportação. Indiretamente também podemos associar aqui as famílias que vivem diretamente ou indiretamente da produção de alheira. Temos 800 trabalhadores ligados a este setor, portanto, 800 famílias que estão aqui a financiar-se através deste produto fantástico e que tem de ser a nossa âncora de produção e de divulgação”.

A feira da alheira decorre até domingo, em Mirandela.

Jornalista: Rita Teixeira

Continuam por liquidar mais de 300 milhões de euros de impostos das barragens transmontanas vendidas

 Quatro meses depois da decisão do Ministério Público que, segundo os municípios, obriga ao pagamento, o dinheiro continua sem chegar


Os dez municípios transmontanos, cujas barragens foram vendidas pela EDP à Movhera, vão pedir nova audiência à diretora da Autoridade Tributária.

Em causa está o pagamento de cerca de 335 milhões de euros em impostos que os autarcas dizem estar por liquidar.

Quatro meses depois da decisão do Ministério Público que, segundo os municípios, obriga ao pagamento, o dinheiro continua sem chegar.

A autarca de Miranda do Douro e porta-voz do processo, Helena Barril, afirma que os municípios exigem saber onde está o montante devido. “Efetivamente andamos à procura que alguém nos dê resposta onde estão os 335 milhões de euros que nos são devidos. E esta é a questão que continuamos a colocar. Vamos pedir uma nova audiência à diretora da AT para que nos responda a esta questão. Houve uma decisão do Ministério Público que obriga ao pagamento do imposto de selo e nós estamos a aguardar há mais 4 meses a vinda desse dinheiro para os territórios”.

O anúncio foi feito, ontem, à margem de uma reunião convocada com urgência pela presidente de Miranda do Douro a pedido do vereador Vítor Bernardo. O intuito passou por debater assuntos, como as diligências para garantir o pagamento dos impostos das barragens.

Um montante que terá, segundo a autarca, um “enorme” impacto na economia dos seis concelhos. “Imagine-se o impacto positivo que esse valor poderá ter ao nível dos municípios abrangidos pela venda das barragens. E é esse dinheiro que nós efetivamente queremos que chegue ao território. No caso concreto de Miranda, o impacto seria enormíssimo do ponto de vista de alavancar as finanças do município”.

Helena Barril salientou que não estão contra as empresas Movhera e EDP e destaca que querem apenas que a lei se cumpra. “Não nos vamos calar e vamos continuar unidos”.

Os autarcas garantem que continuam unidos e que vão manter a pressão junto da Autoridade Tributária até que o processo fique esclarecido e as verbas cheguem aos territórios.

Jornalista: Cindy Tomé

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

De ls namoros proibidos

"Montaria ao Javali - Paradinha Nova - 2026"

Universidade do Porto (UP) acolheu colóquio sobre a língua mirandesa

 No passado dia 20 de fevereiro, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Língua Materna, realizou-se na Casa Comum da Universidade do Porto, o colóquio “Lhéngua mirandesa: tradiçon i feturo”, que reuniu especialistas, instituições e comunidade em torno da língua mirandesa.


Ao longo de um dia de reflexão, partilha e celebração, o encontro reuniu investigadores, docentes, representantes institucionais e agentes culturais para pensar a língua mirandesa nas suas várias dimensões: património, ensino, criação artística, território, documentação histórica, políticas linguísticas e futuro.

As intervenções evidenciaram a vitalidade do mirandês e a importância do trabalho conjunto entre comunidade, escola, investigação e instituições públicas. Ficou também clara uma ideia central do colóquio: “tradiçon i feturo” não é apenas um tema — é um programa de trabalho, que exige continuidade, cooperação e compromisso.

O evento contou ainda com momentos de forte simbolismo cultural, incluindo a participação dos Pauliteiros de Miranda, sublinhando que a tradição se mantém viva quando é partilhada, praticada e renovada.

O colóquio “Lhéngua mirandesa: tradiçon i feturo” foi promovido pelo Centro de Estudos Mirandeses, o Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa e o Centro de Linguística da Universidade do Porto.

Fonte: Academia das Ciências de Lisboa

Miranda do Douro: Danças dos Pauliteiros entusiasmam os alunos do AEMD

 As danças dos pauliteiros de Miranda são uma das atividades extracurriculares preferidas dos alunos do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD), que começam a aprender esta dança tradicional logo no 5º ano de escolaridade e os pequenos pauliteiros mostram desde cedo uma surpreendente habilidade e entusiasmo em dançar para o público.


O diretor do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, professor António Santos informou que a partir do 5º ano de escolaridade, os alunos aprendem as danças dos pauliteiros com uma surpreendente habilidade.

“Os alunos revelam ser muito proficientes e por iniciativa própria durante os intervalos ensaiam as várias danças dos pauliteiros. Nas várias escolas de Miranda do Douro, esta dinâmica ligada à aprendizagem das danças dos pauliteiros já existe há vários anos, pelo que praticamente os alunos já não precisam de um ensaiador”, disse o diretor.

António Santos, acrescentou que, em simultâneo, no AEMD são desenvolvidos projetos de promoção do sucesso escolar, em colaboração com o município de Miranda do Douro, que envolvem a constituição de grupos de pauliteiros, ensaios regulares e atuações.

“Atualmente, na Escola Básica e Secundária de Miranda do Douro existem dois grupos de pauliteiros, um masculino e outro feminino. E o mesmo acontece na Escola Básica ½/3 de Sendim, com a existência de um grupo de Pauliteiros e outro grupo de pauliteiras”, indicou o diretor do AEMD.

“Lhaço” é a palavra mirandesa para cada conjunto de melodia, texto e coreografia para as danças dos pauliteiros. Os Lhaços ou danças são acompanhados musicalmente por gaita de foles, bombo e caixa.

Entre os jovens pauliteiros, João Lourenço e Tatiana Flaire, do 6º ano de escolaridade, dançam juntos no mesmo grupo na escola de Miranda do Douro. Questionados sobre o que os motiva a dançar, João Lourenço respondeu que gosta das tradições e pretende contribuir para a continuidade desta dança tradicional da Terra de Miranda. Por sua vez, Tatiana Flaire, respondeu que gosta de dançar e decidiu aprender as danças dos pauliteiros, pois permite-lhe dançar em grupo.

No próximo dia 14 de abril, os jovens pauliteiros e pauliteiras vão dançar em Miranda do Douro, aquendo da visita do Conselho Nacional de Educação, ao Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD).

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ROTA LITERÁRIA DO DOURO PERCORRE 19 BIBLIOTECAS E PROMOVE AUTORES DA REGIÃO

 A literatura duriense vai andar na estrada durante o mês de março. A primeira edição da Rota Literária do Douro arranca com um desafio ambicioso: 19 dias, 19 bibliotecas e 19 autores, numa iniciativa que pretende aproximar leitores e escritores, reforçando a identidade cultural do território.


Promovida pela Rede Intermunicipal de Bibliotecas Públicas do Douro, a iniciativa vai percorrer as 19 bibliotecas que integram esta rede, levando a cada concelho um autor da região. O objetivo passa por dar a conhecer escritores locais fora dos seus contextos habituais, estimulando a circulação cultural dentro do próprio Douro e promovendo o contacto direto entre o público e quem escreve sobre a região, as suas memórias e as suas vivências.

A viagem literária começa a 06 de março, na Biblioteca Municipal de Mesão Frio, com uma apresentação dedicada ao poeta lamecense Fausto Guedes Teixeira. Três dias depois, a 09 de março, será a vez de Moimenta da Beira receber uma exposição sobre a vida e obra do escritor mesão-friense Domingos Monteiro, num momento que pretende revisitar o seu legado literário e a sua ligação ao território.

Mais do que um ciclo de apresentações, esta Rota Literária assume-se como um projeto estruturante de cooperação cultural. Trata-se da primeira edição de uma iniciativa que ambiciona afirmar-se como ponto de encontro anual no panorama cultural duriense, valorizando os autores da região e consolidando o trabalho em rede entre bibliotecas municipais.

Ao apostar na circulação de autores dentro do próprio território, a Rota Literária do Douro reforça a coesão cultural da região e sublinha o papel das bibliotecas públicas como espaços vivos de encontro, conhecimento e partilha.

Jornalista: Luís Eduardo Lopes
Foto: CM Mesão Frio 

Feira da Alheira de Mirandela abre portas esta quinta-feira

 Mirandela acolhe, a partir desta quinta-feira e até ao próximo domingo, a 26ª edição da Feira da Alheira, o melhor enchido do mundo para o site TasteAtlas e uma das sete maravilhas da gastronomia portuguesa, para celebrar a excelência gastronómica, a força da tradição e a identidade cultural.


O certame – organizado pela Câmara Municipal, em parceria com a Associação Comercial e Industrial – terá mais de uma centena de expositores distribuídos pela zona nobre da cidade, numa área de 11.500 metros quadrados, desde o Parque do Império até à Zona Pedonal da Rua da República, e apresenta uma programação cheia de atividades, como conta o presidente da autarquia, Vítor Correia:

A Alheira de Mirandela IGP (Indicação Geográfica Protegida) é a rainha da feira, mas, Vítor Correia, sublinha que o certame terá representados outros produtos endógenos e haverá diversos eventos culturais que servirão para promover o concelho

O presidente do Município acredita que durante quatro dias, Mirandela vai ter milhares de visitantes numa feira em que o seu sucesso está sempre muito dependente das condições climáticas, por se realizar ao ar livre. Apesar de ser um tema recorrente todos os anos, Vítor Correia acredita que este é o melhor modelo

A feira da alheira de Mirandela arranca, esta quinta-feira, com o III Encontro Cinegético do Município de Mirandela, e à noite, está agendado o concerto da Banda Sinfónica da PSP, integrado nas comemorações dos 150 anos do Comando Distrital da PSP de Bragança.

Há ainda degustações e showcooking, um Passeio TT, o BTT Rota da Alheira e o VI Capítulo da Confraria da Alheira de Mirandela.

A animação musical estará a cargo de Micaela, na noite de sexta-feira, e Augusto Canário, no sábado.

INFORMAÇÃO CIR ( Escrito por Rádio Terra Quente)

Ciência Cidadã

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 O município de Oeiras tem, nesta altura, no âmbito do Programa “Ciência + Cidadã” mais de uma dezena de projetos de cariz científico onde várias centenas de munícipes se juntam a uma trintena de investigadores para os levar a cabo, cumprindo integralmente as exigentes e rigorosas metodologias impostas para lhes conferir validade. Só assim é possível validar os resultados e usá-los, como vai acontecendo, de base a publicações em revistas da especialidade, depois de revistos pelos pares, bem como dar suporte a teses de mestrado e outras.

Neste sábado, dia 21, foi concluída uma dessas iniciativas depois de atingido o objetivo de caracterizar os microrganismos que habitam no intestino dos diferentes componentes de várias famílias, com o objetivo de, identificando-os, demonstrar a característica única de cada um mesmo que englobados, genericamente num grupo de normalidade expectável, mas, também, poder revelar algum componente a merecer especial atenção ou exames complementares (como aliás aconteceu).

Para além deste objetivo, imediato, e completamente conseguido, outro há, mais importante e de relevo como, aliás, foi devidamente evidenciado pelo vereador municipal, Pedro Patacho, com o pelouro da Ciência e Inovação (áreas reconhecidamente da competência da administração central mas a que a edilidade oeirense, em boa hora, decidiu dar especial atenção e investimento municipal). O responsável autárquico, louvando a iniciativa, levada a cabo por reputados cientistas da Gulbenkian, da Universidade Nova e da Faculdade de Medicina da Católica e liderada pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica, lembrou aos presentes a importância de fomentar na sociedade civil a metodologia científica, sempre, mas sobretudo nos tempos correntes onde o negacionismo, o obscurantismo, a desinformação e o reacionarismo retrógrado e populista ganha terreno.

Mesmo no tempo pós-Covid em que uma pandemia idêntica a outras que, no passado ceifaram dezenas de milhões de vidas, foi contida com recurso à Ciência e à aplicação massiva de vacinas desenvolvidas em tempo record, continuam a proliferar teorias conspirativas e medram pretensas terapias geradas e recriadas com base em conjeturas obscurantistas de tempos medievais. A Ciência e a confiança nos seus vários agentes e métodos é a arma mais eficaz (quiçá a única verdadeiramente capaz) contra o medo e a demagogia dos modernos charlatães, arautos de amanhãs radiosos que, em tempos idos, apenas conduziram a noites escuras e frias.

Os cientistas podem não nos dizer tudo quanto nos espera para lá dos limiares do conhecimento, porém apontam-nos um caminho seguro e verdadeiro. Já os vendedores de banha da cobra, manipuladores e apavoradores apenas exploram caminhos de retrocesso que a história já demonstrou aonde conduzem e de onde era suposto termos saído para não mais regressar nem, tão pouco, nos aproximarmos.

Saudando a iniciativa da Câmara de Oeiras é justo homenagear quem, no nordeste, a seu tempo, igualmente deu relevo a estes ideais, concretamente, os antigos edis, Artur Pimentel e Jorge Nunes, na expetativa que, de novo, venham a ganhar importância no nosso torrão nordestino.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

Cada um por si

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Há datas que não são meros dias de calendário, como são o Natal, o Carnaval, a Páscoa, pois convocam-nos às memórias, às raízes, às tradições e cultura, enfim à nossa identidade.

Portanto, é natural e compreensível e até louvável que, à volta do imaginário coletivo e valor que traduzem, as Câmaras Municipais mobilizem recursos para organizar eventos para afirmar o território, dinamizar o comércio local e fortalecer o turismo, numa estratégia de valorização territorial e económica.

Contudo, uma reflexão se impõe: quando dois, três ou quatro municípios organizam eventos semelhantes nas mesmas datas, estamos a afirmar identidade ou a fragmentar o impacto? Estamos a somar forças ou a disputar públicos? Não estaremos, inadvertidamente, a enfraquecer aquilo que pretendemos fortalecer?

Talvez as respostas tenham diferentes perspetivas e todas corretas e verdadeiras na mesma. No entanto, eu inclino-me, nesta fase, para a constatação de que, em datas próximas ou coincidentes, com diferentes concelhos a promoverem eventos de natureza semelhante, ocorrerá, necessariamente, uma fragmentação de públicos, de investimento e de impacto mediático. Em vez de soma, lá está, produz-se dispersão.

Neste sentido, à legítima afirmação da autonomia municipal, importaria introduzir alguma racionalidade estratégica e cooperação estruturada, uma capacidade de articular interesses sem abdicar da sua própria identidade. 

Adaptando o que um dia disse Aristóteles, “o todo é necessariamente anterior à parte” significa que a prosperidade de cada município está também vinculada à vitalidade do conjunto regional, percebendo o território como um espaço coeso, articulado e estrategicamente inteligente, para todos beneficiarem.

É neste enquadramento que se coloca a questão do diálogo intermunicipal. Poderia a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) assumir um papel mais ativo de coordenação estratégica? Não como instância hierárquica, mas como plataforma de convergência, com calendário partilhado e planeamento integrado? A autonomia não é antagónica da colaboração, pelo contrário, amadurece quando se reconhece a interdependência.

Por outro lado, traduzindo o pensamento de muitas pessoas, por que razão não se concebe, à escala da CIM-TTM, um grande evento anual, estruturante e agregador? Um evento que possa unir cultura e património, turismo, ecologia e sustentabilidade, inovação tecnológica, produtos endógenos (o azeite, a castanha, a carne, o mel, o vinho, etc), a gastronomia e até setores industriais distintivos? Um evento com conferências nacionais e internacionais, capaz de projetar a região como laboratório de inovação territorial e de excelência rural?

Num tempo em que as regiões de baixa densidade competem por investimento, talento e notoriedade, a cooperação estratégica é mesmo uma necessidade. A nossa competitividade territorial aumentaria pela capacidade de trabalhar em rede. Como se depreende do 9.º Relatório sobre a Coesão Económica, Social e Territorial (2024) da Comissão Europeia  “a governação multinível eficaz e a cooperação entre autoridades locais e regionais são determinantes para maximizar o impacto das políticas públicas e fortalecer a resiliência territorial”.

Para cumprir este desafio, que não é apenas organizativo, mas político, exige-se visão, confiança institucional e cultura de colaboração. Exige que passemos da lógica do evento isolado para a lógica do projeto partilhado, para deixarmos de perguntar “quem organiza?” para perguntar “que impacto regional queremos gerar?”.

Se o território for pensado como comunidade, a articulação deixa de ser ameaça à identidade e torna-se ampliação da sua força, descobrindo que, quando se trabalha pelo bem comum do território e das pessoas, ninguém perde protagonismo e todos ganham escala.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)