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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

A pensar nos mais pequeninos, apresentamos a 1a edição dos "Sábados mágicos", com sessões de contos e muita magia

sussurro

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


 São suas cúmplices as manhãs de nevoeiro. Arrastam nos braços os segredos de um tempo maduro onde o coração pulsa todos os sentires por inteiro. Guardam na leveza das mãos as sombras dos dias e dos desejos lentos e húmidos do orvalho vagaroso das árvores velhas. 

Num compasso antigo, nasce a bruma de cada afeto que ainda não conhece o poente, como flor em segredo a pressentir a essência de tudo. E ela, resguardada dos ecos ruidosos do mundo, frágil caminhante, repousa sobre o translúcido da pele, todas as promessas murmuradas ao vento, com olhos que se cerram e lábios que esperam…

Sim, há algo de eterno nas manhãs transparentes. Talvez um pacto arcano com a terra dissolvendo-se nos braços do mistério.

@Lázaro Rios
(heterónimo de Paula Freire)


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

NO LOCAL DE TRABALHO

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Na empresa onde trabalhei quase quarenta anos, havia centenas de trabalhadores. Cada qual com sua função:

Uns, eram ateus; outros – em pequeno número: crentes; outros ainda: católicos de estatística.

Entre os crentes, havia um, que frequentara o seminário, mas foi constrangido a sair, porque sofria deficiência física: corcovava. Chamava-se Anselmo. Dirigente que tratava todos, com paciência e extrema bondade.

Nunca se envergonhou de se declarar cristão. Quem tivesse problemas de trabalho ou necessidade de apoio e conselho espiritual, dirigia-se a ele.

Era catequista, e todas as semanas deslocava-se à terra natal para cumprir a obrigação. Certa vez confessou-me: " Se pudesse, e ainda me quisessem, gostava de ser padre"...

Outro, era evangelista ferrenho, e gostava de conversar comigo. Contou-me - certa ocasião teve forte vontade e dizer, perante enfermo grave: " Em nome de Jesus, levanta-te!".

Nunca o fez, embora estivesse convicto que seria atendido, mas se tivesse enganado? Cairia no ridículo, e seria alcunhado de lunático ou coisa pior.

Ainda havia outro, que era católico praticante – não gosto do termo, porque quem não cumpre o que Jesus ensinou, não é cristão – o católico, cumpre ou tenta cumprir os Mandamentos.

Tinha aspeto provinciano, caipira. Nos intervalos das refeições, assistia à missa. Se não havia, rezava e orava no templo.

Agnósticos e ateus eram poucos, – Havia um que pretendia batizar o filho. Não que acreditasse; mas, a mulher queria.

Foi falar ao Padre Faria. Este perguntou-lhe?

- " É casado na Igreja? Respondeu-lhe:

-" Não! Nem acredito. Minha mulher quer, porque diz que é bom..."

-" Então leve o menino para casa, quando tiver idade, traga-o para a catequese."

" Mas eu pago! Respondeu-lhe, irado. "

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Acabo de escutar, num canal de TV, interessante entrevista a figura pública, bastante conhecida.

Ao perguntar-lhe se concordava com o que o Papa dissera sobre determinado assunto, declarou:

- "Por ser católico não me impede de dizer: que discordo muitas vezes, quando Ele fala de temas profanos, sem se basear na Bíblia ou dogma da Igreja". Para ser católico, basta cumprir o que Jesus ensinou; mas, infelizmente., nem sempre os crentes conhecem o Evangelho…

Em meados deste século, ouvi famoso ator declarar na televisão: "Globo": - " Tenho muita fé na Senhora Aparecida, mas para mim, a Santa Forte, é a Santa de Fátima!"...Como há tanta ignorância em matéria religiosa, mesmo em pessoas inteligentes e cultas!?... É inacreditável!...


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

31ª Feira Franca da Moimenta, nos dias 25 e 26 de abril de 2026

 Um fim de semana único onde a tradição ganha vida através da gastronomia típica, do artesanato, dos concursos de raças autóctones, da música ao vivo e de muita animação.
Descubra os sabores autênticos e participe em experiências como a caminhada Rota do Contrabando, o Encontro Micológico e as emblemáticas Chegas de Touros.

BRAGANÇA REFORÇOU PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS COM SESSÃO DE SENSIBILIZAÇÃO

 O Centro de Convívio de Cova de Lua, no concelho de Bragança, acolheu no passado dia 12 de abril uma ação de sensibilização dedicada à limpeza da floresta e à prevenção de incêndios rurais.


A iniciativa foi promovida pela Comunidade Local dos Baldios de Cova de Lua e contou com a colaboração da Guarda Nacional Republicana, através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (GNR–SEPNA), do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e do Município de Bragança, com o apoio da Junta de Freguesia de Espinhosela.

Durante a sessão foram abordadas questões relacionadas com a limpeza de terrenos, a gestão de combustíveis e o cumprimento das obrigações legais, numa ação de sensibilização que procurou alertar a população para a importância da prevenção de incêndios rurais.

O encontro permitiu ainda o esclarecimento de dúvidas por parte dos participantes, reforçando a proximidade entre as entidades envolvidas e a comunidade local, num território onde a prevenção assume particular relevância.

Estas iniciativas têm como objetivo promover boas práticas de gestão florestal e reforçar a consciência cívica, contribuindo para uma maior proteção do território face ao risco de incêndio.

TRADIÇÃO E MEMÓRIA MARCARAM XXXVII FESTIVAL NACIONAL DE FOLCLORE EM MIRANDELA

 O Grande Auditório do Centro Cultural de Mirandela acolheu, no passado sábado, 11 de abril, o XXXVII Festival Nacional de Folclore, um evento que voltou a reunir diversos grupos representativos da cultura tradicional portuguesa.


A iniciativa destacou-se pela forte valorização das tradições populares, através de atuações de dança e música que trouxeram ao palco a riqueza dos trajes, sonoridades e expressões culturais de diferentes regiões do país. O encontro promoveu, igualmente, o intercâmbio cultural entre participantes e público, contribuindo para a preservação e divulgação do património imaterial português.

Para além do programa artístico, o festival ficou marcado por momentos de evocação e homenagem a Augusto Carvalho, recentemente falecido, reconhecendo o seu percurso e contributo dedicado à cultura mirandelense. A sua memória foi lembrada com especial destaque, sublinhando o legado deixado no panorama cultural local.

Este evento reforça, mais uma vez, a importância do Festival Nacional de Folclore no calendário cultural do concelho de Mirandela, assumindo-se como um espaço privilegiado de dinamização cultural, preservação das tradições e promoção da identidade popular portuguesa.

CULTURA E MEMÓRIA MARCARAM APRESENTAÇÃO DA REVISTA BRIGANTIA EM BAÇAL

 A aldeia de Baçal foi palco, no passado sábado, 11 de abril, de um momento de forte significado cultural, com a apresentação da revista Brigantia (Volume XLII-XLIII), publicação que integra um suplemento dedicado ao Abade de Baçal, figura incontornável da identidade histórica e cultural da região.


A sessão teve lugar na Igreja Matriz da localidade e reuniu participantes num ambiente de partilha, reflexão e valorização da memória coletiva, centrada no legado de Francisco Manuel Alves, o Abade de Baçal, e na sua importância para a preservação do património cultural transmontano.

Ao longo do encontro, foi sublinhada a relevância de manter viva a ligação entre passado, presente e futuro, reforçando o papel da cultura e da investigação na construção e consolidação da identidade local e regional.

A iniciativa evidenciou ainda a proximidade com a população da freguesia, destacando a vitalidade cultural do território e o compromisso contínuo com a valorização das suas raízes e do seu património imaterial.

ALBUFEIRA DO AZIBO E CARETOS DE PODENCE DISTINGUIDOS COM O PRÉMIO CINCO ESTRELAS REGIÕES

 As praias da Albufeira do Azibo e a tradição dos Caretos de Podence foram novamente distinguidas com o prestigiado “Prémio Cinco Estrelas Regiões”, reforçando o reconhecimento da qualidade, autenticidade e valor cultural do território de Macedo de Cavaleiros.


Este galardão destaca dois dos principais ex-líbris do concelho: por um lado, a Albufeira do Azibo, amplamente reconhecida pela excelência da sua paisagem natural, pela qualidade das suas águas e pelo seu papel enquanto destino de referência para turismo de natureza e lazer; por outro, os Caretos de Podence, símbolo maior de uma tradição ancestral que continua viva e que se afirma, hoje, como património cultural identitário e diferenciador da região.

A atribuição deste prémio sublinha o trabalho contínuo de preservação ambiental e cultural desenvolvido no território, bem como o envolvimento da comunidade local na valorização dos seus recursos naturais e das suas tradições.

Num contexto em que o turismo sustentável e a autenticidade cultural assumem crescente relevância, este reconhecimento vem reforçar a posição do concelho como um destino de excelência, onde natureza e cultura se cruzam de forma única e genuína.

O prémio é, assim, interpretado como um reconhecimento coletivo, envolvendo todos aqueles que contribuem diariamente para a preservação, promoção e valorização deste património comum, consolidando a imagem de uma região distinguida pela qualidade e pela identidade própria

CONDOMINIUM LEVA EXPERIÊNCIA PERFORMATIVA À ESCOLA DE MIRANDA DO DOURO EM TORNO DA LÍNGUA MIRANDESA

 A Escola Básica e Secundária de Miranda do Douro recebeu, no passado sábado, 11 de abril, a iniciativa CONDOMINIUM (An Mirandés), num evento que transformou o espaço escolar num território de encontro, reflexão e criação artística dedicado à língua mirandesa.


Ao longo da tarde, a comunidade foi convidada a percorrer diferentes áreas da escola através de uma experiência performativa e participativa, onde arte, identidade e convivência se cruzaram de forma dinâmica. O projeto partiu da ideia de “casa” enquanto espaço comum, aberto e partilhado, propondo uma leitura simbólica da língua mirandesa como elemento central de resistência cultural, liberdade e coesão comunitária.

A iniciativa, concebida pelo artista Rogério Nuno Costa, contou com a participação ativa de alunos, associações locais e vários elementos da comunidade mirandesa. Esta colaboração alargada permitiu criar um ambiente de partilha intergeracional, reforçando o papel da escola como espaço de cultura viva e de construção de identidade coletiva.

O projeto destacou ainda a importância da preservação do património cultural imaterial da região, sublinhando o valor da língua mirandesa enquanto expressão única do território e da sua memória.

Com esta ação, a CONDOMINIUM reforça o seu caráter experimental e comunitário, promovendo novas formas de relação entre criação artística, educação e comunidade local.

SOLIDARIEDADE SAI À RUA EM VIMIOSO COM CAMINHADA A FAVOR DA LIGA CONTRA O CANCRO

 A freguesia de Vimioso prepara-se para receber, no próximo dia 1 de maio, uma caminhada solidária que pretende unir a comunidade em torno da promoção da saúde e do apoio a doentes oncológicos. A iniciativa resulta de uma parceria com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, reforçando o compromisso local com causas de relevante interesse social.


A concentração dos participantes está marcada para as 08h30, junto à Junta de Freguesia de Vimioso, local de partida de um percurso acessível a pessoas de todas as idades. O evento culmina com um almoço convívio, agendado para as 13h00, promovendo não só o espírito solidário, mas também o reforço dos laços comunitários.

A inscrição tem o custo de 10 euros e inclui uma t-shirt alusiva à iniciativa, bem como o almoço. Parte do valor angariado será destinada à Liga Portuguesa Contra o Cancro, contribuindo para o financiamento de projetos de apoio aos doentes e para ações de sensibilização e prevenção da doença.

De acordo com a organização, esta caminhada pretende chamar a atenção para a importância da adoção de estilos de vida saudáveis, assim como para a relevância do diagnóstico precoce no combate ao cancro. Ao mesmo tempo, procura mobilizar a população para uma participação ativa em iniciativas solidárias, fortalecendo o sentido de comunidade no concelho.

A ação insere-se numa estratégia mais ampla de dinamização de eventos solidários em Vimioso, apostando na proximidade e no envolvimento cívico como motores de mudança social.

Governo incentiva pastoreio com apoios até 30 mil euros e aposta na redução de combustível

 O Governo publicou em Diário da República uma portaria para apoiar a instalação de novos produtores pecuários e apoio à conversão de matos em novas pastagens, integrados no programa de apoio à redução da carga combustível através do pastoreio.


O diploma prevê que o Governo apoie com um prémio de 30 mil euros os novos pastores, distribuídos durante cinco anos, 8.400 euros por ano nos primeiros três anos e 2.400 euros por ano nos últimos dois anos. Em Miranda do Douro, no Mercado de Gado de Malhadas, onde decorreu no passado fim de semana o XXIX Concurso Nacional de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa e o XI Concurso Concelhio de Cão de Gado Transmontano, onde o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, marcou presença, explicou que o objetivo “é a redução da carga combustível e onde aí se pretende criar uma fileira e aí teremos um prémio de instalação de 30 mil euros para os novos pastores. Haveremos também de ter, sairá no aviso, os apoios inclusivamente para a compra de animais onde as raças autóctones terão uma majoração. Aí, o grande objetivo é também que possa haver estábulos, mas o que nós queremos é que os ovinos e os caprinos, para além de reduzir a carga combustível, criem uma fileira que traga rendimento para o produtor e contribuam também para a coesão territorial”, reforçou. Mas o burro de Miranda não está incluído nestas raças abrangidas por este apoio. “Esta medida tem vários objetivos: a redução do material combustível, um objetivo de criação de riqueza e de fixação da população, e um objetivo de se ter uma fileira onde para além da carne, também haja, por exemplo, derivados como o leite e o queijo. Há aqui um objetivo também de segurança alimentar. E portanto, excluímos o Burro de Miranda porque não encaixa no objetivo de segurança alimentar”, explicou José Manuel Fernandes.

A autarca Helena Barril mostrou-se satisfeita com estas medidas e acredita que podem de facto ajudar os jovens a fixar-se no território. “Penso que as medidas que foram anunciadas são alavancadores para que esse propósito se concretize e todos os jovens que queiram vir para o território e queiram assumir, no fundo, esta herança cultural que o façam”, destacou a presidente da Câmara de Miranda do Douro.

De acordo com o diploma publicado, está ainda previsto um apoio adicional à aquisição de animais, valor ainda a definir em aviso do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP).

A instalação de novos produtores pecuários tem uma dotação financeira de 2,5 milhões de euros. Para a conversão de matos em novas pastagens estão destinados 5 milhões de euros.

OIGP de Alfândega da Fé avança a bom ritmo e torna território mais resiliente

 A OIGP do concelho de Alfândega da Fé é “um grande exemplo”. Já foi intervencionada 70% da área abrangida


Estão em marcha, no país, cerca de 60 projetos da Operação Integrada de Gestão da Paisagem (OIGP) para transformar a paisagem e reduzir o risco de incêndio rural, avançou o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, numa visita a Alfândega da Fé, onde destacou o exemplo da OIGP do concelho. “O caso da Alfândega da Fé, é um grande exemplo da boa execução e da boa transformação da paisagem que está a acontecer. E é bom constatar a execução que está a ser concretizada no terreno, que é esse o verdadeiro foco, que é garantirmos a transformação da paisagem, garantir a resiliência, garantir a capacidade produtiva deste território que estava adormecida”, disse, realçando que “há muitos anos, várias áreas tiveram uso agrícola, mas foram abandonadas”.

A OIGP de Alfândega da Fé surge no âmbito do projeto para criação da Área Integrada de Gestão da Paisagem de Alfândega da Fé (AIGP), aprovada para o concelho com uma área de cerca de oito mil hectares, abrangendo as Uniões de Freguesias de Ferradosa e Sendim da Serra e de Eucísia, Gouveia e Valverde.

A iniciativa é promovida pela Associação dos Produtores Florestais de Alfândega da Fé (AFLOCAF) entidade responsável pela sua execução. Joaquim Maia, representante da associação, explicou que este projeto engloba várias vertentes. “Tem a vertente agrícola, em que fizemos novas plantações, de amendoal, olival e medronho, principalmente. Depois fizemos plantações também florestais de sobreiro, pinheiro manso e depois são estruturas de aproveitamento da floresta que já existem no concelho. Destaco também a limpeza de matos, podas, fertilizações, a tal estrutura de resiliência que foi a instalação da rede primária, a limpeza dos aglomerados populacionais, ou seja, foram limpas faixas de 100 metros em novas aldeias deste projeto. Tornámos este território mais resiliente ao impacto dos grandes incêndios”, apontou, reforçando que “não se evitam os incêndios, mas tornámos o combate muito mais fácil”. O responsável da AFLOCAF salienta que estes projetos de transformação da paisagem são uma “oportunidade única, que nunca tivemos num setor florestal ao longo das últimas décadas”.

O governante Rui Ladeira defendeu que a aposta na agricultura através da substituição de áreas de resinosas por espécies autóctones é que “cria a verdadeira resiliência, a limpeza, a rede primária e o uso de áreas que estavam com ocupação de matos, como estevas, e que eram um manto de oportunidade para os incêndios”. Avançou ainda que o prazo de execução dos trabalhos nas OIGP foi alargado com o atual governo. “Quando chegámos ao Governo havia três meses para executar a obra, mas conseguimos garantir 18 meses. E depois desses meses, já conseguimos garantir e alargar uma segunda fase até dezembro de 2026”, revelou.

Joaquim Maia contou que não houve grades dificuldades para mobilizar os proprietários. “Isto é um território já muito desertificado, com muitas heranças indivíduas, mas dadas as boas sinergias e a associação já estar no território há muitos anos, a adesão ao projeto dos proprietários, que é voluntária, foi muito positiva. Já contamos com mais de 200 contratos assinados, ou seja, mais de metade da área já está contratualizada”, divulgou.

O Presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, partilhou o orgulho desta OIGP ser considera “um projeto exemplar a nível do país”. O autarca frisou que o município “olha para estas temáticas com grande responsabilidade e sensibilidade, porque a prevenção é muito importante”. Numa área total de quase oito mil hectares já foram intervencionados cerca de 2.250 hectares.

domingo, 12 de abril de 2026

Há fronteiras entre o Estado e a Igreja!?


Depois de assistir, on-line, à “cerimónia” da apresentação da Revista Brigantia, com um suplemento dedicado ao Abade de Baçal, na Igreja Matriz de Baçal, ocorrida ontem, 11 de Abril de 2026, não posso deixar de manifestar a minha apreensão por ver que continua a haver algo de profundamente errado, e até intelectualmente desonesto, na forma como, em pleno século XXI, as autarquias do interior de Portugal continuam a comportar-se como extensões paroquiais em vez de instituições republicanas. Não se trata de tradição, nem de identidade cultural, trata-se de submissão. Submissão política, simbólica e, em muitos casos, quase servil a uma instituição religiosa que nunca deixou verdadeiramente de exercer poder onde não devia.

Bem sei que é uma questão polémica mas isso não me impede de escrever umas linhas para que quem quiser pense e avalie. Eventos Republicanos deviam ser separados dos espaços religiosos.

É inaceitável que Câmaras Municipais, financiadas por todos os contribuintes, se prestem a encenar devoções oficiais, a patrocinar festas religiosas com dinheiro público ou a misturar cerimónias civis com rituais de fé como se isso fosse normal. Não é. É um anacronismo gritante. É a República a abdicar da sua própria razão de existir.

A separação entre Estado e Igreja não é um detalhe decorativo do regime democrático, devia ser um dos seus pilares. Ignorá-la não é apenas um deslize, é uma traição ao próprio conceito de República. E quando isso acontece de forma sistemática, sobretudo em territórios onde o escrutínio é menor e o conformismo maior, deixa de ser negligência para passar a ser cumplicidade.

No período do ano, que vivemos recentemente, a Páscoa, alguém se apercebeu onde começava e acabava a República (Câmara e Juntas) e onde começava e acabava a Igreja?

Há quem tente suavizar isto com o argumento fácil da “tradição”. Mas a tradição não pode ser um escudo para práticas retrógradas. Se fosse, ainda hoje aceitaríamos a censura, a ausência de direitos fundamentais ou o domínio absoluto das elites não eleitas. Invocar a tradição para justificar a promiscuidade entre poder político e religião é, no fundo, admitir que não se quer evoluir.

E o elefante na sala? O estatuto privilegiado da Igreja. Enquanto os cidadãos e empresas são esmagados por impostos, a Igreja continua a navegar num regime de exceção fiscal que a coloca acima do esforço coletivo. Pior ainda, beneficia desse privilégio ao mesmo tempo que mantém influência direta e indireta sobre decisões e agendas locais. Isto não é apenas desigualdade, é um insulto à ideia de equidade numa sociedade democrática.

Mais grave ainda é o silêncio cúmplice. Quantos autarcas evitam confrontar esta realidade com medo de perder apoio local? Quantos preferem perpetuar este teatro para não beliscar sensibilidades? Essa cobardia política tem um custo, e esse custo é pago em atraso civilizacional.

Não, isto não é uma cruzada contra a fé. Cada um acredita no que quiser, como quiser. Mas a fé pertence ao domínio privado. Quando invade o espaço institucional, deixa de ser expressão de liberdade para se tornar instrumento de poder. E a República não pode, nem deve, tolerar isso.

Continuar a fingir que esta mistura é inofensiva é um erro grave. É assim que se normalizam abusos. É assim que se aceita o inaceitável. E é assim que, passo a passo, se reabre a porta a um passado que deveria estar definitivamente enterrado.

Se as instituições republicanas não tiverem a coragem de se afirmar como verdadeiramente laicas, então não passam de uma fachada moderna a esconder práticas arcaicas. E nesse caso, sejamos honestos, não estamos assim tão longe daquilo que gostamos de fingir que já ultrapassámos, um tempo em que o poder político se ajoelhava perante o altar.

A Missão da República e da Igreja (das Igrejas) até se podem cruzar, pontualmente, o problema passa a ser quando as missões de ambas se confundem.

HM
12 de Abril de 2026

A apresentação da Revista Brigantia – Volume XLII-XLIII, com um suplemento dedicado ao Abade de Baçal, trouxe à Igreja Matriz daquela aldeia um momento de memória, reflexão e identidade.

 Entre palavras, partilhas e reconhecimento do nosso património cultural, refletiu-se sobre a memória de Francisco Manuel Alves, entre o passado, o presente e o futuro, em profunda proximidade com a população da freguesia.

"RAMPA TT do Guieiro - Motas e Quads - GIMONDE 2026."

1873 – Várias centenas de espanhóis armados entram pelo Concelho de Vinhais com a intenção de se dirigirem para Bragança, instalando o pânico na Cidade.

Rosto fotografado em Bragança entre 2007 e 2009 por Francisco Veiga. Obs* A foto foi-me cedida pelo autor.

Governo pondera atualizar limites dos parques naturais de Montesinho, Douro e Alvão

 O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai avançar com a abertura de um período de discussão pública relativo às propostas de atualização dos limites de três áreas protegidas. São elas o Parque Natural do Douro Internacional, o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural do Alvão.


De acordo com o aviso publicado em Diário da República, na passada sexta-feira, a consulta pública terá início 10 dias úteis após a publicação oficial e decorrerá por um período de 20 dias úteis.

Durante este prazo, os documentos que integram os respetivos processos estarão disponíveis para consulta online, através do portal institucional do ICNF e da plataforma Participa.pt.

A documentação poderá ser consultada presencialmente, em horário de expediente, nas instalações dos três parques naturais, localizadas em Mogadouro, Bragança e Vila Real.

Segundo o aviso, os cidadãos interessados poderão apresentar observações e sugestões até ao final do período de discussão pública. As participações podem ser submetidas através da plataforma Participa, por correio eletrónico ou por via postal, para o endereço dppre@icnf.pt, dirigidas ao presidente do Conselho Diretivo do ICNF.

Para o efeito, deverá ser utilizado o formulário próprio de participação, disponível para descarregamento no portal institucional do ICNF.

SECRETÁRIO DE ESTADO DAS FLORESTAS ACOMPANHA REFORÇO DE MEIOS EM MIRANDA DO DOURO

 O Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, esteve na passada sexta-feira, dia 10 de abril, no concelho de Miranda do Douro, numa visita centrada no reforço da capacidade de prevenção e combate a incêndios rurais.


No terreno, o governante acompanhou a operação de um trator florestal de roda pneumática, recentemente atribuído ao Município de Miranda do Douro pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Este equipamento integra o Programa de Mecanização do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais e visa aumentar a eficácia das ações de prevenção e mitigação do risco de incêndio no território.

A visita contou também com a presença da presidente da Câmara Municipal, Helena Barril, que acompanhou os trabalhos desenvolvidos no local.

Durante a deslocação, houve ainda oportunidade para contactar com a equipa de Sapadores Florestais do concelho, destacando-se o papel essencial destes profissionais na proteção da floresta e na redução do risco de incêndios.

A iniciativa enquadra-se na estratégia de reforço da prevenção, num concelho particularmente exposto à ocorrência de fogos rurais.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

MIRANDELA RECEBE ENCONTRO DEDICADO A CUIDADORES INFORMAIS

 O Município de Mirandela promove, no próximo dia 14 de abril, um encontro dirigido a cuidadores informais, com o objetivo de valorizar e apoiar quem desempenha um papel essencial no acompanhamento de pessoas em situação de dependência.


A iniciativa terá lugar no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Mirandela, a partir das 10h00, e apresenta participação gratuita, estando aberta a toda a população.

Organizado pela autarquia, o encontro pretende criar um espaço de informação, partilha e esclarecimento, reunindo cuidadores, técnicos e comunidade. Ao longo da sessão, serão abordados temas relevantes associados aos desafios do cuidado informal, com apresentações temáticas e momentos de troca de experiências.

A iniciativa visa ainda reforçar as redes de apoio existentes no concelho, promovendo uma maior consciencialização para a importância do papel dos cuidadores informais e contribuindo para o seu reconhecimento social.

Com esta ação, o Município de Mirandela reforça a aposta em políticas de proximidade e apoio social, dirigidas a uma franja da população frequentemente exposta a exigências físicas e emocionais significativas.

Maria Inês Pereira
Foto: DR