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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 2 de agosto de 2026

Sr. Inocêncio Pereira

Quando eu morrer…*

Por: Carlos Pires,  inVERSOS, 1973
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


Quando eu morrer…
Quando deixar de ver guerras,
Bichos, bestas, papões, oportunistas,
Intrujões e malfeitores…
Quando deixar de ver um Sol mal repartido,
Banquetes de papanças, festanças com fantoches,
Homens de cilha na barriga e sobrecarga no bandulho,
Almas sem pão no inferno da miséria,
Bocas sem paz na paz das injustiças
E monstros a brincar aos soldadinhos
Incutindo, heroicamente, amor ao ódio na destruição da Humanidade…
Abra um Sol novo que os pobres ilumine!
Haja um novo Mundo, sem raças, distinções!
Haja paz, sossego, em TODAS as nações!

Quando eu morrer…
Quando me gelar o céu da boca,
Que toda uma mudança neste mundo seja pouca!
As mãos se apertem em paz e amizade
E os pobres façam parte de uma só Humanidade!

Quando eu morrer…
Seja a morrer o chefe dos cruéis,
Recomece-se outra história,
Legislem-se outras leis,
Festeje-se com palmas a palma da vitória!
E dançai! Pulai! Cantai!
Contratai, familiares, os bailarinos mais briosos,
Toquem a despique os conjuntos mais famosos!

Quando o frio me gelar,
As fanfarras não parem de tocar!
Haja sarabanda e reboliço,
Metam-lhe bons copos,
Festejando a união,
O branco, o preto e o mestiço!
Ouça-se o batuque,
Dance-se merengue, valsas, tangos e balé!
Baloucem ancas,
Gozem corpos,
Cante-se em tom alto, bem de pé,
Um coro bem alegre e vivo contra os mortos!

Quando eu morrer…
Seja Primavera!
Gorgolejem, cristalinas, as águas dos ribeiros,
Escambalhem-se os botões em rosas a sorrir,
O Sol espreite, lindo, no cimo dos outeiros,
E os prados sejam camas onde vós possais dormir!

Quando eu morrer…
Não haja diferenças de brancas e de pretas,
E venham para o baile cegos, coxos e manetas!
Cumpra-se o que digo
E os mortos se levantem do fundo do jazigo!
Ladrem os cães,
Os lobos soltem uivos,
Relinchem os cavalos,
Entoem bem os burros!
Que à minha morte morra a “caridade”,
Se respeitem os direitos,
Se implante a igualdade!
Que à minha morte os pobres tenham sorte.
E toda a Terra, o Mundo, o Universo,
Saibam que quem morreu
Fui eu! Fui eu!

*O poema “Quando eu morrer…”, publicado em plena ditadura em in VERSOS - primeiro livro do autor, composto e impresso na Escola Tipográfica de Bragança em 1973 -, foi inspirado num dos mais emblemáticos poemas de Mário de Sá-Carneiro, "Fim".


Carlos Pires
é natural de Macedo de Cavaleiros, tendo adoptado a pequena aldeia de Meles, onde crestou à  solta nas férias grandes, como o seu verdadeiro berço. Como jornalista, fez parte das Redações do "Tempo", "Portugal Hoje", " Primeira Página", "Liberal", "Semanário" e da revista de economia "Exame" (de que foi editor). Em Bragança, colaborou no semanário "Mensageiro de Bragança" (1970-72), tendo sido co-fundador do semanário "ÈNÍÉ - uma voz do Nordeste Português" (1975) e da publicação  "Domus", da Casa de Cultura da Juventude de Bragança (1977-78).
Foi assessor de imprensa de Maldonado Gonelha, ministro da Saúde (1983-85).
Entrou para o Infarmed em fins de 2000, depois de ter sido assessor de imprensa da ministra Elisa Ferreira, nos dois governos de António Guterres, primeiro no Ministério do Ambiente, depois no Planeamento (1995-2000).
No Infarmed criou o Gabinete de Imprensa, tendo sido porta-voz da instituição durante mais de uma dúzia de anos.
Alguns aspetos marcantes: a iniciativa da realização de um curso para jornalistas (2001), ministrado por peritos do Infarmed, em que os principais órgãos de informação estiveram representados, sobre o ciclo de vida do medicamento; a elaboração do jornal da instituição, "Infarmed Notícias", trimestral (de que é coordenador/editor/redator). A edição especial de Janeiro de 2018, com 120 testemunhos sobre o INFARMED na altura conturbada da ideia controversa da sua deslocalização para o Porto (depois editada em livro); e ainda a publicação de um livro, editado pela Âncora, "Redondilhando", que nasce no seio da instituição e cujo prefácio foi assinado por Ernesto José Rodrigues.

7 eventos do céu nocturno para observar em Agosto

 Este mês traz-nos um elenco excepcional de eventos celestiais, com alinhamentos raros, meteoros brilhantes e eclipses dramáticos iluminando o céu.

Lorenzo Di Cola/ NurPhoto, Getty Images - A lua cheia do “esturjão” ergue-se atrás do castelo de Rocca Calascio e da Igreja de Santa Maria della Pietà, na cidade italiana de Rocca Calascio. A lua cheia de Agosto coincide com um eclipse lunar quase total.

Os observadores celestes esperaram o ano inteiro por este Agosto recheado de acção – um mês com um excepcional eclipse solar total visível sobre uma faixa da Europa e condições quase perfeitas da chuva de meteoros das Perseidas.

E isso é apenas o começo. Os céus nocturnos de Agosto exibirão ainda agrupamentos de planetas, um segundo eclipse e uma Lua cheia.

Saiba como desfrutar ao máximo dos eventos celestes deste mês, incluindo para onde olhar – e quando.

Todo o mês de Agosto: Agrupamento de planetas antes da alvorada 

O oitavo mês do ano traz-nos um desfile planetário matinal, com Marte, Úrano, Saturno e Neptuno visíveis durante várias horas antes do nascer do Sol. Precisará de um telescópio ou de uns bons binóculos para ver Úrano e Neptuno. Cerca de uma hora antes de o Sol nascer, Mercúrio e Júpiter juntam-se ao espectáculo mesmo acima do horizonte a nascente.

Para desfrutar da melhor vista, saia na noite de 4 de Agosto para ver a Lua e Saturno viajarem juntos: estarão visíveis pouco depois do pôr do Sol. Poucos antes de o Sol nascer entre os dias 8 e 11 de Agosto, começa outro espectáculo: um alinhamento planetário sobre o horizonte a nascente, com Júpiter, Mercúrio, Marte e a Lua a formarem uma linha diagonal. É uma representação visual da eclíptica – o plano que todos os planetas seguem ao orbitar o sol.

2 de Agosto: Mercúrio na sua maior elongação ocidental 

O veloz Mercúrio costuma estar demasiado perto do Sol para ser fácil de detectar. No dia 2 de Agosto, a vista melhora quando o planeta atinge a sua maior elongação ocidental, ou seja, a maior separação aparente do Sol. O momento coincide perfeitamente com o desfile planetário matinal de Agosto. Fique atento ao planeta veloz, que se junta a muitos outros dos nossos vizinhos interstelares, nas horas que antecedem a alvorada – sobretudo no início do mês.

BABAK TAFRESHI, National Geographic Image Collection - Uma imagem composta de dia-e-noite mostra um eclipse solar total sobre as montanhas de Grand Teton e do Lago Solitude, no estado americano do Wyoming. O eclipse solar total deste ano será visível ao longo de uma faixa estreita desde a Gronelândia a Espanha.

12 de Agosto: Eclipse solar total

Em meados deste mês teremos o tão aguardado eclipse solar total. Esta maravilha, que ocorre quando a Lua se desloca entre a Terra e o Sol, trará um crepúsculo temporário à estreita faixa de totalidade da Europa, que inclui sobretudo a região oriental da Gronelândia, a região ocidental da Islândia e o norte de Espanha, onde a totalidade – quando a Lua cobre toda a nossa estrela brilhante – ocorrerá ao fim da tarde e durará entre um e pouco mais de dois minutos. Mas não só: em Portugal, o eclipse também será visível na totalidade numa estreita faixa do nordeste transmontano, nas proximidades de Bragança e do Parque Natural de Montesinho.

Não se esqueça de garantir a sua segurança observando o eclipse com uns óculos especiais.

12-13 de Agosto: Pico da chuva de estrelas das Perseidas 

As Perseidas são um evento essencial da observação celeste estival e, neste ano, vão dar um espectáculo fabuloso. O pico da chuva de meteoros, a 12-13 de Agosto coincide com uma Lua nova, o que significa que a Lua não obstruirá o espectáculo das Perseidas. Com o céu escuro, poderá ver mais de 100 meteoros por hora. As Perseidas são conhecidas pelo seu rasto excepcionalmente luminoso – o traço que segue a rocha espacial quando esta atinge a nossa atmosfera superior. A melhor altura para observar é entre a meia-noite e o nascer do Sol.

Alan Dyer/VWPics, Redux - Dezenas de meteoros das Perseidas rasgam o céu nocturno sobre o parque Dinosaur Provincial Park, em Alberta, no Canadá, durante a chuva de meteoros anual no dia 12 de Agosto de 2023. Neste ano, o pico das Perseidas ocorrerá em céus escuros e sem luar, proporcionando as melhores condições dos últimos anos.

27-28 de Agosto: Eclipse lunar quase total 

Na noite de 27 para 28 de Agosto, se as condições meteorológicas o permitirem, Portugal poderá observar um eclipse lunar parcial muito profundo, durante o qual a sombra da Terra cobrirá cerca de 96% do disco da Lua cheia.

Embora não se trate de um eclipse lunar total – e, por isso, a Lua não adquira a característica tonalidade avermelhada de uma Lua de Sangue –, a parte eclipsada poderá apresentar um subtil brilho alaranjado ou acobreado, resultado da luz solar refractada pela atmosfera terrestre. A Lua estará visível no horizonte sudeste ao início da noite e o eclipse poderá ser acompanhado durante várias horas, atingindo o seu ponto máximo já na madrugada de 28 de Agosto. 

28 de Agosto: Lua cheia do “esturjão” 

Embora a noite de 27 para 28 de agosto seja a mais indicada para observar o eclipse lunar parcial que acompanha esta fase, também valerá a pena contemplar o nascer da Lua após o pôr do Sol do dia 28 de Agosto, quando surgirá no horizonte com um aspecto particularmente brilhante e majestoso. Esta Lua cheia é conhecida como Lua cheia do “Esturjão” devido à proliferação de esturjões nos Grandos Lagos e no Lago Champlain, situado no Nordeste dos EUA, segundo o The Old Farmer’s Almanac.

30-31 de Agosto: A Lua aproxima-se de Saturno

A Lua encerra este mês cheio de emoções com a aproximação de Saturno na noite de 30 para 31 de Agosto. A dupla aparecerá separada por cinco graus, cerca de três dedos. Veja-os subir juntos no céu no horizonte a nascente cerca de duas horas depois do pôr do Sol. O par viajará junto ao longo da eclíptica durante a noite, desaparecendo quando o Sol nascer. O resto do desfile planetário deste mês seguirá no seu encalce, incluindo Marte e Júpiter, que serão os planetas mais visíveis a olho nu.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Stephanie Vermillion
Actualizado a 1 de agosto de 2026

Festas, Festividades e Eventos

Estas descobertas só foram possíveis graças aos eclipses solares

 Desde a descoberta do hélio à confirmação da teoria de Einstein, os eclipses permitiram observar fenómenos de outra forma invisíveis e mudaram para sempre o nosso conhecimento do universo.

iStock

Os eclipses solares possibilitaram algumas das maiores descobertas da história da astronomia. Graças aos escassos minutos durante os quais a Lua oculta o disco solar, os investigadores conseguiram estudar regiões normalmente ofuscadas pelo seu brilho intenso e resolver enigmas que pareciam inatingíveis.

Embora disponhamos actualmente de telescópios espaciais e satélites sofisticados, os eclipses continuam a proporcionar-nos oportunidades únicas. A própria natureza cria o coronógrafo perfeito, bloqueando o Sol com uma precisão impossível de reproduzir com a engenharia humana e revelando uma física que permaneceria de outra forma oculta.

O eclipse que descobriu um elemento antes de este existir na Terra

Um dos episódios mais extraordinários da história da ciência aconteceu no dia 18 de Agosto de 1868. Durante um eclipse solar total, o astrónomo francês Pierre Janssen detectou uma linha amarela desconhecida no espectro das protuberâncias solares. Pouco depois, o astrónomo britânico Norman Lockyer concluiu que aquele sinal não correspondia a nenhum elemento conhecido.

Assim nasceu o hélio, o único elemento químico descoberto primeiro no Sol e só décadas mais tarde na Terra. Lockyer deu-lhe esse nome em homenagem a Hélio, o deus grego do Sol, muito antes de ser possível isolá-lo em minerais terrestres, algo que só sucedeu em 1895.

Aquela descoberta marcou o nascimento da astrofísica moderna. Demostrou que era possível conhecer a composição química de estrelas situadas a milhões de quilómetros através da espectroscopia, uma técnica que ainda hoje é fundamental para o estudo do universo.

Quando um eclipse transformou Einstein numa celebridade mundial

Se existe um eclipse que mudou a história da ciência, foi o de 29 de Maio de 1919. Albert Einstein previra que a gravidade do Sol deformava o espaço-tempo e desviava ligeiramente a luz proveniente de estrelas distantes. O problema era evidente: quando o Sol brilhava, essas estrelas eram completamente invisíveis.

Durante a totalidade, o astrónomo Arthur Eddington fotografou o céu a partir da ilha de Príncipe, enquanto outra expedição o fez a partir de Sobral, no Brasil. Comparando essas imagens com fotografias captadas alguns meses antes, foi comprovado que as posições aparentes das estrelas coincidiam com as previsões da relatividade geral.

Aqueles poucos minutos foram suficientes para transformar a forma como vemos o universo. A gravidade deixou de ser considerada uma força convencional e passou a ser interpretada como uma curvatura do espaço-tempo.

NASA - Da esquerda para a direita, um eclipse solar total, um eclipse solar anular e um eclipse solar parcial. Um eclipse híbrido apresenta-se como um eclipse total ou anular (imagens esquerda e central), consoante a localização do observador.

A corona solar: um laboratório natural que continua a surpreender

Durante muito tempo, acreditou-se que a corona solar era simplesmente um halo ténue que circundava o Sol. No entanto, os eclipses revelaram uma realidade muito mais complexa. Os espectros obtidos durante diferentes fases da totalidade mostravam umas linhas misteriosas que os cientistas atribuíram inicialmente a um elemento inexistente chamado corónio. Décadas depois, descobriu-se que aqueles sinais eram emitidos por ferro extremamente ionizado, algo que só poderia ser produzido se a coroa alcançasse temperaturas superiores a um milhão de graus.

A descoberta desconcertou completamente a comunidade científica. A superfície visível do Sol ronda os 5.500°C e a atmosfera exterior é centenas de vezes mais quente – um paradoxo cujo mecanismo exacto continua a ser estudado.

Os eclipses também revelaram que a corona é formada por filamentos, arcos de plasma e anéis gigantes moldados por campos magnéticos intensos. Graças a essas observações, foi possível compreender melhor a origem do vento solar, as erupções de massa coronal e a relação estreita entre a actividade magnética do Sol e o chamado clima espacial.

Luis Rojas M - Corona solar. Eclipse solar total de 2019, Valle de Elqui, no Chile. Durante o período de actividade solar mínima, é possível observar os campos magnéticos dos eixos norte e sul do Sol na quietude da corona.

Longe de terem perdido o interesse, os eclipses continuam a ser essenciais para a investigação. Existe uma região estreita situada junto à borda do Sol que até os melhores coronógrafos artificiais têm dificuldades em observar, enquanto a Lua a oculta de forma perfeita durante alguns minutos. Essa vantagem explica a razão pela qual a NASA organizou dezenas de experiências durante o eclipse total de 2017 para melhorar os seus modelos do vento solar e do clima espacial.

Os eclipses também permitiram cartografar o relevo da borda da Lua através das famosas contas de Baily – pequenas pérolas luminosas que aparecem imediatamente antes e depois da totalidade. Durante séculos foram a ferramenta mais rigorosa para estudar as montanhas, vales e crateras do limbo lunar, muito antes do advento das sondas espaciais.

A sua utilidade não se fica por aqui. As crónicas sobre eclipses observados há mais de dois mil anos tornaram-se um precioso registo geofísico. Comparando essas descrições históricas com os cálculos orbitais actuais, os investigadores reconstruíram pequenas variações na velocidade de rotação da Terra causadas pelas marés e outros processos internos, fornecendo assim informação impossível de obter com outros métodos.

Afinal, os eclipses evocam uma ideia fascinante. Durante poucos minutos, a Lua e o Sol protagonizam um alinhamento perfeito que transforma o céu num laboratório irrepetível. Nesse breve intervalo, o brilho que normalmente oculta a corona desaparece e o universo revela alguns dos seus segredos mais profundos. É uma demonstração de que, até na era dos telescópios espaciais, a natureza continua a ser capaz de construir o instrumento científico mais rigoroso de todos.

Sergio Parra
Actualizado a 30 de julho de 2026

A fíbula dos Bragança

Uma investigadora portuguesa analisa um velho artefacto das colecções reais à luz de uma história da medicina.

ALAMY E CATARINA JANEIRO, CORTESIA DO MUSEU BRITÂNICO- FONTE: "THE BRAGANZA FIBULA: MEDICINE PORTUGAL AND GALICIA" (CATARINA JANEIRO E JOSÉ PAULO ANDRADE) - A fíbula de Bragança tem sido interpretada pelos especialistas que lhe dedicaram atenção como um amuleto ou ídolo de função protectora, talvez um presente a alguém de estatuto elevado.

À sua maneira, a fíbula dos Bragança conta uma história do século XX português. Não se sabe de que ponto do país provém esta extraordinária peça votiva à qual os especialistas atribuem uma datação entre os séculos IV e II a.C., mas ela terá integrado a colecção de antiguidades de Dom Fernando, rei consorte de Dona Maria II.

Do rei, é legítimo deduzir que passou para as mãos de Dom Afonso, duque do Porto e irmão de Dom Carlos. Com a morte desta figura, em 1920, a peça tornou-se propriedade da sua esposa, uma socialite norte-americana chamada Nevada Hayes, que consumiu boa parte dos seus anos finais reclamando ao Estado português os bens que deixara em Portugal. A fíbula, porém, não constava nos inventários, o  que sugere que a viúva a levou de imediato para os Estados Unidos.

O novelo voltou a adensar-se na década de 1940, quando o joalheiro Warren J. Piper a adquiriu aos herdeiros de Nevada. Em 1949, a qualidade da ourivesaria chamava a atenção de alguns especialistas e a peça figurou pela primeira vez num catálogo. Anos depois, foi adquirida pelo coleccionador de Illinois Thomas Flannery, que enviou fotografias da peça para várias autoridades, cativando historiador de arte Ole Klindt-Jensen, que a deu a conhecer ao mundo em 1960. Cinco anos mais tarde, a peça foi exibida numa exposição em Edimburgo (Escócia).

O Museu Britânico mantinha a fíbula debaixo de olho e, no início do século XXI, quando a Christie’s a levou a leilão, a peça foi arrematada. Depois disso, voltou a ser mostrada em 2007 numa exposição em Madrid sob tema O Herói e o Monstro e começou a ser valorizada como importante ícone de uma cultura ibérica da Idade do Ferro, talvez propriedade de um chefe que quis transpor para o objecto a cosmovisão do seu povo.

Catarina Janeiro é historiadora da medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e tem sido uma das responsáveis pela reabilitação do conhecimento sobre este artefacto, divulgando-o em congressos e chamando a atenção para as semelhanças do mesmo com outros artefactos coevos da região noroeste da Península Ibérica. “Eu creio que há um significado telúrico na fíbula”, diz. “A sociedade da Idade do Ferro dividia-se na tríade entre sacerdotes, artesãos e guerreiros. Os guerreiros e os sacerdotes usavam a magia de diferentes formas para protegerem o seu povo, mas carácter sagrado do seu mundo traduzia-se nos seus objectos.”

Não se sabe muito sobre a proveniência da peça, mas, por afinidade tipológica com a dezena de objectos similares, muitos especialistas concordam que deverá ter feito parte de um enxoval de uma cultura de inspiração celtibera da Galiza ou do Norte de Portugal.

Em 2023, Catarina Janeiro teve acesso à peça no Museu Britânico e teve então oportunidade de estudar melhor este extraordinário objecto de ouro maciço. “O tipo de capacete monte-fortino e a bainha da espada remetem para este universo cultural, mas interessa-me mais o uso que a peça poderia ter.” A historiadora acredita que a peça estabeleceria a ligação possível com o universo mágico destas comunidades. “O médico moderno é o repositório de ciência, mas já foi muitas coisas na história da nossa espécie: já foi druida e sacerdote e, neste contexto, acredito que esta peça destinava-se a proteger alguém, tal como ainda hoje se oferecem no Norte alfinetes e crucifixos de ouro aos bebés.” Longe do país há mais de um século, talvez a fíbula dos Bragança possa um dia regressar.

INTERPRETANDO A FÍBULA DE BRAGANÇA

ALAMY E CATARINA JANEIRO. CORTESIA DO MUSEU BRITÂNICO. FONTE: “THE BRAGANZA FIBULA: MEDICINE, PORTUGAL AND GALICIA”, CATARINA JANEIRO E JOSÉ PAULO ANDRADE (2026)

Com evidentes paralelos com artefactos zoomórficos de Briteiros, Braga, Penafiel e Marco de Canaveses, entre outros sítios arqueológicos da Idade do Ferro, a peça reproduz a cosmovisão celtibera de representação do divino através de um animal. O monstro marinho a que os gregos mais tarde chamaram Ceto (1) desafia o guerreiro que segura um escudo como protecção (2). O javali, regularmente associado ao submundo, puxa na direcção contrária (3). “O torneado lembra uma trompa uterina (4) talvez para representar as águas de onde se nasce”, diz Catarina Janeiro. “E o formato parece um círculo. O rapaz nasce das águas e volta ao submundo.” 

Artigo publicado originalmente na edição nº 30 da revista National Geographic História.

Gonçalo Pereira Rosa
Actualizado a 29 de julho de 2026

IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA SERRA REGRESSA ÀS PROCISSÕES EM VILARINHO DA CASTANHEIRA

 A freguesia de Vilarinho da Castanheira, no concelho de Carrazeda de Ansiães, prepara-se para viver mais uma edição das Festas em Honra de Nossa Senhora da Assunção, este ano marcada pelo regresso da imagem restaurada de Nossa Senhora da Serra, uma peça de elevado valor histórico e religioso para a comunidade.


A imagem voltará a integrar a tradicional procissão do primeiro domingo de agosto, retomando uma tradição com vários séculos de existência. De acordo com os registos históricos, já em 1758 existia, no alto da serra, uma capela dedicada a esta invocação mariana.

Ao longo de décadas, a imagem foi transportada em procissão até ao cimo da serra, uma prática que continua a ocupar um lugar especial na memória da população. A tradição esteve suspensa nos últimos anos, mas será agora recuperada, depois do processo de restauro promovido pela paróquia.

Segundo o pároco, padre Manuel, a peça, anteriormente conhecida pela população como «Nossa Senhora da Assunção Velhinha», corresponde, na verdade, à imagem de Nossa Senhora da Serra.

Outro dos aspetos que distingue estas festividades é a ornamentação dos andores, um trabalho artesanal desenvolvido por voluntários, que recorrem a tecidos de cetim e a milhares de alfinetes para preservar uma tradição profundamente enraizada na identidade local.

As celebrações continuam, assim, a afirmar-se como um dos momentos mais importantes da vida religiosa e cultural de Vilarinho da Castanheira, reunindo fé, história e património.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

GNR PROMOVE AÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE BURLAS A IDOSOS EM CARRAZEDA DE ANSIÃES

 A Guarda Nacional Republicana (GNR) promoveu uma ação de sensibilização dedicada à prevenção de burlas dirigidas à população sénior, no âmbito do programa «Idosos em Segurança», em Carrazeda de Ansiães.


A iniciativa teve como principal objetivo alertar os participantes para alguns dos esquemas fraudulentos mais frequentes e divulgar estratégias de prevenção que permitam reforçar a segurança e reduzir situações de risco.

Ao longo da sessão, foram abordadas várias medidas de autoproteção, numa ação que procurou incentivar a adoção de comportamentos preventivos e reforçar a confiança da população mais idosa.

A iniciativa contou com a colaboração da Junta de Freguesia de Carrazeda de Ansiães, reforçando a importância do trabalho desenvolvido em articulação com as entidades locais na promoção da segurança e do bem-estar da comunidade.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Festas, Festividades e Eventos

sábado, 1 de agosto de 2026

“Ficar ou partir?


 A questão da fixação dos jovens no interior do país tem sido central no debate sobre desenvolvimento regional e coesão territorial. Num país marcado por fortes assimetrias entre o litoral densamente povoado e o interior progressivamente despovoado, os jovens enfrentam o dilema constante entre ficar na sua terra, contribuindo para a sua vitalidade, ou partir em busca de oportunidades que acreditam ser mais viáveis em centros urbanos maiores. O caso de Bragança é um exemplo paradigmático desta realidade. Uma região com potencial, recursos e qualidade de vida acima da média, mas com desafios estruturais no domínio do emprego, da diversificação económica e da atração de investimento.

Um dos elementos mais determinantes no processo de decisão prende-se com as oportunidades de emprego. Embora Bragança tenha registado alguns pequenos avanços nos últimos anos, graças ao crescimento de setores como as tecnologias da informação, o agro-alimentar e o turismo rural, a verdade é que o mercado de trabalho permanece muito limitado. Muitos jovens com formação superior enfrentam o risco de subemprego ou de ausência de vagas compatíveis com as suas áreas de estudo. Acresce ainda a perceção de que, no litoral ou no estrangeiro, poderão encontrar salários mais competitivos, trajetórias profissionais mais rápidas e empresas com maior escala e dinâmica.

Contudo, importa reconhecer que a região apresenta nichos de oportunidade, sobretudo para quem esteja disposto a empreender ou integrar setores emergentes. Parques empresariais, incubadoras e programas municipais de apoio às startups podem vir a ser fundamentais e relevantes. Ainda assim, o grande desafio reside em transformar estes esforços numa massa crítica capaz de garantir continuidade e estabilidade, fatores essenciais para a fixação juvenil.

A, agora, Universidade Politécnica de Bragança (UPB) tem desempenhado uma função decisiva no combate à desertificação do nosso território. Reconhecida pela qualidade do ensino, pela forte internacionalização e pela ligação às empresas, a UPB atrai milhares de estudantes de vários pontos do país e do mundo. Para muitos jovens locais, a universidade politécnica representa a possibilidade de estudar próximo de casa, reduzindo os custos e mantendo uma ligação à comunidade.

Ainda assim, a permanência dos estudantes após a conclusão do curso não é uma inevitabilidade. Muitos acabam por deixar a região devido à escassez de oportunidades na sua área de formação. É neste ponto que a articulação entre UPB, tecido empresarial e autarquias se revela fundamental. É necessário criar uma ligação forte entre a formação e o emprego, estágios qualificados, programas de fixação e incentivos à contratação.

Se no campo económico Bragança enfrenta obstáculos, no que toca à qualidade de vida apresenta vantagens frequentemente reconhecidas. Ambiente seguro, contacto com a natureza, custo de vida acessível, acessibilidade crescente e uma comunidade que valoriza o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Muitos jovens que partem acabam por reconhecer, mais tarde, estas características como diferenciadoras, especialmente quando confrontados com o stress e o custo elevado das grandes cidades.

Além disso, a região oferece um conjunto de experiências culturais únicas, tradição gastronómica, proximidade à natureza e um sentido de pertença difícil de replicar noutros contextos. A questão central está em transformar esta qualidade de vida numa componente integrada da estratégia de desenvolvimento regional, comunicá-la, potenciá-la e associá-la a oportunidades concretas.

A decisão de ficar ou partir é, em grande medida, moldada pelas expectativas sobre o futuro. Os jovens procuram estabilidade, progressão, reconhecimento e possibilidade de construir uma vida plena. Se a região não lhes garante isto, ou se não o comunica de forma eficaz, a tendência continuará a ser a saída para centros urbanos mais competitivos.

Para inverter o ciclo, não basta criar empregos temporários ou iniciativas pontuais. É preciso identificar setores estratégicos, investir em inovação, reforçar infraestruturas, captar empresas e fomentar políticas públicas que incentivem a fixação, como sendo a habitação acessível, os transportes eficazes, mobilidade internacional, cultura e serviços modernos.

Bragança tem potencial para se afirmar como um polo de inovação rural, conciliando tradição com modernidade. As transições digital, energética e agroecológica abrem portas para novos modelos económicos onde a região pode liderar, desde que exista visão de longo prazo e políticas articuladas.

 “Ficar ou partir?” nunca será uma pergunta com resposta única ou simples. Cada jovem avalia o seu percurso, ambições e prioridades de forma individual. No entanto, é responsabilidade coletiva, das instituições, empresas, autarquias e comunidade, criar condições para que “ficar” seja uma escolha viável, digna e valorizada.

Bragança encontra-se num ponto crucial entre a continuidade das tendências demográficas negativas, e/ou a construção de um futuro em que os jovens vejam o interior, não como um ponto de partida para outros destinos, mas como um lugar onde podem crescer, prosperar e contribuir para o desenvolvimento de uma região que tem tanto para oferecer.

Ouso dizer que quase basta querer! É “cá” e só “cá” que podem receber o beijo dos Avós, que já cansados, não os podem acompanhar… fica o corpo dos mais velhos mas os que partem levam, com eles, a alma e a alegria dos que, sem opção, ficam...

HM
1 de Agosto de 2026

🏅 Medalha de Sócio de Mérito | Pizzi

 O brigantino Pizzi, reconhecido futebolista e uma das figuras maiores do futebol nacional, foi hoje distinguido com a Medalha de Sócio de Mérito, numa cerimónia que celebrou o seu percurso e a forma como tem levado o nome de Bragança mais longe.

CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE FREIXO DE ESPADA À CINTA REUNIU PARA ANALISAR NOVO ANO LETIVO

 O Conselho Municipal de Educação de Freixo de Espada à Cinta reuniu-se no passado dia 28 para analisar diversos temas relacionados com a política educativa do concelho e preparar o arranque do próximo ano letivo.


A sessão decorreu na Sala de Reuniões do Edifício da Ação Social e contou com a participação de representantes de diferentes entidades ligadas ao setor da educação, no âmbito do mandato correspondente ao período entre 2025 e 2029.

Durante o encontro, foi efetuada uma avaliação do ano letivo de 2025/2026, tendo sido igualmente analisadas e aprovadas alterações ao regulamento interno do órgão. Os participantes emitiram ainda parecer favorável à proposta de organização dos transportes escolares para o ano letivo de 2026/2027.

A reunião permitiu reforçar a articulação entre o município, os estabelecimentos de ensino, as famílias e as restantes entidades da comunidade educativa, promovendo a cooperação e o desenvolvimento de estratégias conjuntas para responder aos desafios do setor.

O Conselho Municipal de Educação assume um papel relevante na definição das políticas educativas locais, acompanhando a implementação de medidas e contribuindo para a atualização dos instrumentos de planeamento e organização da rede escolar.

Com esta iniciativa, a autarquia reafirma a importância da educação enquanto fator determinante para o desenvolvimento social e económico do concelho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MIRANDA DO DOURO HOMENAGEOU BOMBEIROS FALECIDOS HÁ 13 ANOS

 Miranda do Douro voltou a prestar homenagem a António Ferreira e Daniel Falcão, dois bombeiros que perderam a vida no incêndio ocorrido a 1 de agosto de 2013, numa cerimónia marcada pela emoção e pelo reconhecimento do seu exemplo de dedicação e serviço à comunidade.


Treze anos depois da tragédia, familiares, elementos da corporação e membros da comunidade reuniram-se para recordar o percurso dos dois operacionais e destacar o legado que deixaram junto das gerações mais jovens.

A cerimónia constituiu um momento de reflexão e de tributo à coragem e ao espírito de missão demonstrados pelos dois bombeiros, cuja memória continua a ocupar um lugar especial na história da corporação e do concelho.

A iniciativa, promovida pelos Bombeiros Voluntários de Miranda do Douro, pretendeu também sublinhar a importância do trabalho desenvolvido diariamente por todos aqueles que se dedicam à proteção e ao socorro das populações.

Treze anos depois, a comunidade continua a recordar António Ferreira e Daniel Falcão como símbolos de entrega, coragem e compromisso com o próximo.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

ALBUFEIRA DO AZIBO RECEBE A ELITE NACIONAL DO VOLEIBOL DE PRAIA EM MAIS UMA ETAPA DO CIRCUITO NACIONAL

 A Praia da Ribeira, na Albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, é este fim de semana o palco da 4.ª etapa do Circuito Nacional de Voleibol de Praia 2026, reunindo algumas das melhores duplas portuguesas da modalidade numa competição que alia elevado nível competitivo a um dos mais emblemáticos cenários naturais do país.


Concluída a fase de qualificação, disputada na sexta-feira, a competição prossegue ao longo de sábado e domingo com os jogos decisivos, prometendo duelos intensos entre atletas de referência do voleibol de praia nacional.

A realização desta etapa reforça o estatuto da Albufeira do Azibo como destino privilegiado para a organização de grandes eventos desportivos, conjugando condições naturais de excelência com uma forte capacidade de atração turística. Ao longo do fim de semana, são esperados centenas de visitantes que, além de acompanharem a competição, poderão desfrutar da praia fluvial e da paisagem envolvente.

A entrada é gratuita, constituindo uma oportunidade para assistir de perto a voleibol de praia de alto nível e apoiar os atletas numa das provas mais importantes do calendário nacional.

A organização convida a população e os visitantes a deslocarem-se à Praia da Ribeira e a viverem um fim de semana onde o desporto, a natureza e a promoção do território se unem num ambiente único.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

Festas, Festividades e Eventos

Sete organizações pedem lei específica para proteger os carvalhais portugueses

 Têm um papel essencial mas hoje os carvalhais autóctones ocupam apenas 2,5% da floresta portuguesa. No Dia Nacional da Conservação da Natureza, a coligação C7 pede a criação de um regime jurídico específico para os proteger porque a legislação atual, alegam, não é suficiente.

Mata da Albergaria. Foto: Pedro Nuno Caetano/WikiCommons

O apelo da C7 – que reúne Fapas, GEOTA, LPN, Quercus, SPEA, ZERO e WWF Portugal – junta-se às posições já assumidas pela Aliança pela Floresta Autóctone e pela Ordem dos Biólogos, que têm vindo a defender uma proteção legal específica para estas espécies.

Segundo a C7, os carvalhais autóctones têm um papel essencial na conservação da biodiversidade. “Criam condições de sombra, humidade, alimento e abrigo que sustentam centenas ou milhares de espécies de plantas, animais, fungos e microrganismos”, escreve a coligação em comunicado enviado hoje à Wilder. Além disso, sequestram e armazenam carbono, combatendo as alterações climáticas, protegem os solos, regulam o ciclo da água e reduzem a severidade dos incêndios.

Mas a área ocupada por estes carvalhais está em regressão e hoje estes ocupam apenas cerca de 2,5% da área florestal nacional, o que corresponde a cerca de 81,7 mil hectares.

“Entre os habitats mais vulneráveis estão os carvalhais galaico‑portugueses de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), como os que encontramos na Mata da Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês, refúgio e reduto para inúmeras espécies”, refere a C7. “Entre as espécies em situação de maior vulnerabilidade está o carvalho‑de‑Monchique (Quercus canariensis), criticamente ameaçado de extinção, entre outros carvalhos nativos em regressão, como o carvalho‑negral e o carvalho‑cerquinho (Quercus faginea).”

Para estas organizações, esta redução resulta de décadas de fragmentação dos habitats, da substituição por monoculturas florestais e da ausência de instrumentos legais eficazes para assegurar a sua conservação.

“As manchas de carvalhais foram sendo substituídas por espécies exóticas destinadas à indústria da celulose, como o eucalipto”, salienta a C7. Além disso, as organizações apontam o dedo ao corte indiscriminado de carvalhos, à intensificação do uso do solo e à crescente pressão sobre os sistemas naturais que empobrece a paisagem e compromete a regeneração natural.

Restauro da Natureza é uma oportunidade

Segundo a coligação, este é um momento particularmente importante para definir novas medidas de proteção, uma vez que Portugal deverá apresentar à Comissão Europeia, em setembro, o Plano Nacional de Restauro da Natureza, que decorre do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. Esta é “uma oportunidade única para inverter o cenário de degradação dos carvalhais autóctones e fomentar a sua recuperação”.

As organizações defendem que os carvalhais devem ser assumidos como um dos alvos prioritários das políticas públicas de restauro ecológico e consideram que uma legislação específica permitiria proteger não apenas árvores isoladas, mas também bosques, corredores ecológicos e outros habitats associados.

Além da criação de um regime jurídico próprio, a C7 propõe o reforço dos instrumentos de gestão do território, a criação de incentivos económicos para proprietários que conservem floresta autóctone, o apoio a atividades económicas sustentáveis associadas aos carvalhais — como o turismo de natureza ou a recolha de produtos florestais não lenhosos, como os cogumelos, os frutos silvestres ou plantas aromáticas — e um investimento na literacia ambiental que envolva escolas, universidades e centros de investigação.

“Os benefícios que os carvalhais proporcionam à sociedade ultrapassam largamente o seu valor económico imediato, justificando a adopção de medidas específicas que garantam a sua proteção, recuperação e valorização.”

Sr. Abílio Pacheco (O Chapeleiro)

Inventário orfanológico por óbito de José de Sá Carneiro Vargas

 O documento do mês dá relevo à figura ímpar de José de Sá Carneiro Vargas (1761 – 1824) dando destaque ao seu inventário orfanológico (de menores) do ano de 1876 da comarca de Bragança.


José de Sá Carneiro Vargas nasceu em Bragança em 18 de Dezembro de 1761, cidade onde também faleceu a 29 de Janeiro de 1824. Oriundo de uma família de cristãos-novos, abastados negociantes que granjearam grande notoriedade em particular no negócio da seda, foi Vereador da Câmara e Capitão de Ordenanças em Bragança.

O processo de inventário de menores em questão desvela a descrição de bens tais como: bens imóveis, objetos em ouro e prata, bem como livros, podendo o leitor consultar pelos seus próprios meios a partir de uma reflexão.

Os inventários obrigatórios (também conhecidos como inventários orfanológicos) do século XIX possuem uma enorme e essencial importância genealógica, embora a sua principal finalidade jurídica fosse a proteção do património de herdeiros vulneráveis.

Embora o seu propósito primário fosse económico e sucessório (gerir e partilhar a herança), secundariamente funcionam como um verdadeiro “retrato familiar” da época, tornando-se numa das fontes documentais mais valiosas para historiadores e genealogistas.

Identificação Completa da Família: O processo lista obrigatoriamente o inventariado (a pessoa falecida), a data do óbito, o cônjuge sobrevivo e todos os herdeiros diretos (filhos, netos), especificando as respetivas idades e moradas.

Conselho de Família: frequentemente, o documento nomeia tutores, curadores e outros parentes que integravam o conselho de família para proteger os menores, ajudando a mapear redes de parentesco alargadas.

O Arquivo Distrital de Bragança encontra-se num projeto de digitalização de documentação, tendo como missão preservar, conservar, divulgar e dar a conhecer o seu acervo, garantindo a acessibilidade e facultando a consulta, de forma a assegurar a transparência do Estado e o direito à informação.

Consulte AQUI.

Fonte: Arquivo Distrital de Bragança

NOITE BRANCA DE MIRANDELA REGRESSA EM SETEMBRO COM MÚSICA E ANIMAÇÃO ATÉ À MADRUGADA

 Mirandela prepara-se para receber mais uma edição da Noite Branca, um dos eventos mais aguardados do calendário de animação da cidade, promovido pela Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM).


A iniciativa está marcada para o próximo dia 12 de setembro e terá lugar no Parque do Império, onde são esperados centenas de visitantes para uma noite dedicada à música, ao convívio e à dinamização do comércio local.

A programação arranca às 19h30 e prolonga-se até às 04h00, contando com a participação dos DJs Sara Santini e Miguel Rendeiro, que assumem o papel de cabeças de cartaz. O alinhamento inclui ainda atuações de Rafa Santos, Ferdi e DJ Átila, prometendo uma oferta musical diversificada ao longo da noite.

À semelhança das edições anteriores, a organização convida a população a aderir ao espírito da iniciativa, vestindo-se de branco e participando naquele que pretende ser um momento de celebração e encontro entre a comunidade e os visitantes.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

A fornada está quase pronta!