segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Movimento Cultural da Terra de Miranda enviou carta aberta aos deputados da República Portuguesa

 Carta aberta aos deputados da Assembleia da República, já remetida para os Grupos Parlamentares, aprovada após a reunião que o Movimento Cultural da Terra de Miranda manteve no passado domingo, dia 17 de janeiro.
O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) enviou hoje uma carta aberta aos deputados da Assembleia da República. O grupo de intervenção cívica com origem na cidade de Miranda do Douro pede aos deputados na Assembleia da República, enquanto representantes do povo português, que cumpram a função parlamentar de escrutínio do Governo, de forma a “exigir resposta clara e definitiva” sobre o negócio das 6 barragens transmontanas e do correspondente pagamento de impostos.

Nessa missiva, o MCTM  exorta os deputados para interrogarem o Governo sobre “o valor da contrapartida financeira exigida pelo Governo à EDP pela mais-valia adicional que lhe foi proporcionada pela autorização da realização de um negócio que não estava previsto no contrato inicial”.

O Movimento quer saber “por que motivo, quando o Ministro Manuel Pinho prorrogou as concessões, obrigou a EDP a pagar aproximadamente 700 milhões de euros ao Estado e agora nada foi exigido e qual é o valor de IRC que a EDP vai pagar por efeito desta mais-valia, ou o Governo sabe que nada vai ser pago?”.

O MCTM insiste ainda em tornar claro “o valor do Imposto do Selo pago pela EDP, por efeito da cisão e da consequente transmissão (trespasse) da concessão a favor da empresa veículo, que constituiu para a realização do negócio e qual é o valor do Imposto do Selo a pagar pelas entidades adquirentes por efeito da fusão com aquela empresa veículo e da correspondente transmissão (trespasse) da concessão”.

A carta endereçada aos grupos parlamentares da Assembleia da República termina ainda com as perguntas: “acautelou o Senhor Ministro que o contrato de venda não contivesse cláusulas de planeamento fiscal tendentes a evitar o pagamento destes impostos? O Senhor Ministro confirma que havia sido alertado por escrito, pelo MCTM, para a possibilidade de existirem cláusulas de planeamento fiscal destinadas a evitar o pagamento dos impostos devidos por operações deste tipo?”.

Zasnet alerta para os impactos negativos da mina a céu aberto de Valtreixal para a Reserva da Biosfera

 O ZASNET, cujo projeto mais emblemático é o desenvolvimento da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica (RBTMI), que abrange os territórios do Nordeste Trasmontano, Zamora e Salamanca, apela em nota distribuída à comunicação social “às entidades responsáveis pela realização da avaliação do Estudo do Impacto Ambiental causado pela instalação da mina que tenham em conta as consequências negativas que este projeto terá para a RBTMI e o seu modelo de desenvolvimento sustentável”.


O ZASNET (Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial) emitiu hoje um comunicado tentando alertar para as consequências e impactos negativos na Reserva da Biosfera provenientes da instalação de uma mina de volfrâmio a céu aberto em Valtreixa, Calabor, Espanha, no limite da proteção ambiental da Serra da Culebra, na Sanábria, e a cerca de cinco quilómetros da fronteira portuguesa e do Parque Natural de Montesinho.

O ZASNET, cujo projeto mais emblemático é o desenvolvimento da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica (RBTMI), que abrange os territórios do Nordeste Trasmontano, Zamora e Salamanca, apela em nota distribuída à comunicação social “às entidades responsáveis pela realização da avaliação do Estudo do Impacto Ambiental causado pela instalação da mina que tenham em conta as consequências negativas que este projeto terá para a RBTMI e o seu modelo de desenvolvimento sustentável”.

Após um relatório, o Agrupamento, constituído pelas Associações de Municípios de Terra Fria do Nordeste Transmontano e da Terra Quente Transmontana, a Câmara Municipal de Bragança e as Diputaciones de Zamora e Salamanca, bem como o Ayuntamiento de Zamora, analisou os objetivos e programas, em curso na RBTMI, para garantir o equilíbrio de interesses no desenvolvimento sustentável deste território transfronteiriço, que passam por uma estratégia de desenvolvimento baseada no equilíbrio entre a conservação da natureza e a promoção do desenvolvimento social, educação e a investigação científica.

Segundo Hernâni Dias, presidente em exercício do ZASNET, e signatário do comunicado, “o principal problema tem a ver com a impossibilidade de integrar nos objetivos das reservas da biosfera, uma intervenção com as características da mina a céu aberto proposta, colocando em risco o reconhecimento emitido pela UNESCO, há cinco anos”.

O ZASNET diz que “ a instalação desta mina é altamente poluente, não só localmente, mas afeta uma área muito maior que o expectável, tanto ao nível do solo como da água e da atmosfera. Também é considerada muito prejudicial aos ecossistemas em todo o território, com especial incidência em Áreas Protegidas e Classificadas como Sítios de Importância Comunitária (SIC) ou Zonas de Proteção Especial (ZPE)”, refere-se num comunicado de imprensa endereçado ás redações da comunicação social.

O ZASNET chama a atenção para a localização desta mina a céu aberto, no coração da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, com as suas Áreas Protegidas e Zonas de Proteção Especial, como a Rede Natura 2000, que afetará o equilíbrio dos ecossistemas e, consequentemente, a população residente e não residente.

O agrupamento qualifica o projeto da mina Valtreixal como “altamente desfavorável ao turismo de natureza, num território de excelência como é a Reserva para o desenvolvimento deste tipo de atividades, uma vez que compromete as bases e fundamentos do programa MaB (Homem e a Biosfera) o selo atribuído pela UNESCO, com grande esforço, a este território de elevado valor ambiental”.

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial considera ainda como “muito adversa para as futuras atividades que o ZASNET pretende desenvolver, no sentido de promover e valorizar este território de baixa densidade populacional, que convive em harmonia com a natureza, a cultura, o património arquitetónico e arqueológico, bem como, para os produtos de qualidade única desta área”.

Projeto de investimento de 2 milhões de euros

Além das graves implicações ambientais e consideráveis investimentos já efetuados com o projeto para a implementação da sinalização turística em toda a Reserva da Biosfera, o ZASNET lembra que está, atualmente, a desenvolver um projeto denominado Património cultural, produtos autóctones, natureza e turismo como base económica para o desenvolvimento da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, com uma despesa aproximada de 2 milhões de euros, financiada no âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Programa INTERREG VA e POCTEP. Este projeto visa a promoção e valorização do território através de um conceito de desenvolvimento económico, cujo eixo principal é o turismo de qualidade, inteligente e responsável, com ações de proteção e valorização do património natural e cultural, o que constitui uma oportunidade para as PMEs, conforme proposto pelo Plano Estratégico de Cooperação Territorial – ZASNET 2020.

Entre as ações previstas estão a implementação da marca corporativa RBT Meseta Ibérica; organização de eventos; o desenvolvimento do projeto para equipar quatro Centros de Interpretação; o desenho de roteiros e pacotes turísticos; a criação de um Observatório Turístico; a organização do I Encontro Internacional de Bloggers de Turismo, bem como a formação específica para o setor do turismo da RBTMI.

Um modelo de turismo responsável e não agressivo

O ZASNET sublinha que “o modelo económico que se pretende para a RBTMI, é um modelo de turismo sustentável e responsável da Biosfera (BIOSPHERE RESPONSIBLE TOURISM DESTINATION) uma certificação internacional, já alcançada por esta entidade, que promove o equilíbrio entre o património ambiental, o aproveitamento das oportunidades económicas e valores socioculturais, visando, também, o combate às alterações climáticas. Esta certificaçâo cria oportunidades para a população da Reserva da Biosfera, através de um modelo de turismo não agressivo, satisfazendo as necessidades atuais dos clientes e utilizadores, sem comprometer as gerações futuras”.

Município de Macedo isenta taxas e rendas a feirantes, habitações sociais e esplanadas

 Até ao final do primeiro semestre deste ano, os feirantes e arrendatários de habitações sociais em Macedo de Cavaleiros estão isentos de pagar as rendas e taxas ao município. Estão também isentos das taxas de ocupação os comerciantes com esplanadas e, neste caso, até ao final do ano.
A medida surge com o objetivo de ajudar a população tendo em conta que o país enfrenta mais um confinamento geral, como refere o presidente da câmara, Benjamim Rodrigues:

“Vamos ter outro período de confinamento com grandes condicionantes e os comerciantes vão passar algumas dificuldades pois o volume de negócio não será o mesmo e a fonte de rendimento diminuirá. Como tal, teremos de os apoiar para minimizar os prejuízos.”

Algumas isenções já estavam em vigor e vão manter-se, podendo surgir outras:

“Este despacho inclui os feirantes e arrendatários, espaços do mercado municipal, esplanadas, parquímetros e isenção das rendas sociais.

No entanto, consoante a evolução deste estado de emergência, vamos repensar as medidas e poderão ser alteradas a qualquer momento.

As empresas, neste momento, vão continuar a laborar. Os comerciantes são os que neste momento têm mais dificuldades com algumas condicionantes mais drásticas. São estes últimos que aqui visamos.”

Até ao final do primeiro semestre do ano vai também ser dada continuidade ao Programa de Apoio Alimentar da autarquia, que numa primeira fase de implementação, em abril, chegou a ajudar 63 famílias com mais dificuldades económicas, atribuindo-lhes cabazes com alimentos para um mês, adquiridos preferencialmente aos produtores do concelho:

“Certamente que nos iremos deparar com algumas famílias mais fragilizadas que vão ter as suas fontes de rendimento condicionadas com o encerramento de alguns comércios e, como tal, temos de estar atentos e criar ferramentas para que essas famílias beneficiem dos cabazes.

Os Serviços de Ação Social da Câmara, em parceria com as Instituições de Solidariedade Social do concelho, juntas de freguesia e Segurança Social vão estar no terreno.”

Até 15 de junho está também a decorrer o concurso “Compre em Macedo” que habilita a prémios quem fizer compras no comércio tradicional superiores a 25€.

Escrito por ONDA LIVRE

Cooperativa de Macedo de Cavaleiros regista melhor campanha de azeite de sempre

 Está na reta final aquela que está a ser a melhor campanha de azeite de sempre na história da Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros.
Quase seis milhões de quilos de azeitona que deram origem a azeite de boa qualidade, como refere Luís Rodrigues, presidente da cooperativa:

“É a melhor campanha de sempre da história da Cooperativa. Já ultrapassámos os cinco milhões e 800 mil quilos. Houve muita azeitona e a qualidade é ótima. Tudo o que enviámos para o laboratório tem excelentes valores. Falta agora esperar que o preço também ajude.”

Devido à pandemia, a campanha teve de acontecer com algumas regras que foram respeitadas pelos agricultores:

“Tentamos cumprir todas as regras e os agricultores perceberam isso. Mantiveram-se sempre em cima dos tratores para evitar os ajuntamentos. Que nós saibamos não tivemos qualquer caso de contágio na Cooperativa.”

De forma a agilizar o processo de transformação de azeite, evitando as grandes filas de espera, a cooperativa investiu cerca de um milhão de euros, comparticipado em 30% dos fundos europeus, para duplicar a capacidade de transformação:

“Temos feito o esforço de apostar na modernização do nosso lagar. Fizemos um investimento grande e que já deu jeito nesta campanha, e esperamos que no próximo ano já não tenhamos o problema da falta de capacidade. 

Há dois anos submetemos dois projetos que começam da receção até à laboração. Já temos instalada capacidade para duplicar a produção. Espero que com isso se resolva o problema das filas.”

A Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros tem atualmente cerca de 1700 produtores associados, número que tem vinda a aumentar anualmente.

Escrito por ONDA LIVRE

GNR apreende material usado para caça ilegal ao javali em Bragança

 A GNR anunciou hoje que apreendeu no sábado diverso material usado na caça ilegal ao javali no concelho de Bragança.
Os militares receberam uma denúncia, deslocaram-se ao local e verificaram a existência de vários laços e de um garrafão com óleo queimado, que apreenderam.

Os factos foram remetidos ao Tribunal Judicial de Bragança.

Escrito por ONDA LIVRE

Projectos de beneficiação em lares de idosos no concelho de Alfândega vão criar 19 postos de trabalho

 Quatro lares do concelho de Alfândega da Fé vão sofrer obras de requalificação e de ampliação
O objectivo é melhorar as condições oferecidas aos idosos nas estruturas de Parada, Gebelim, Sambade e na Misericórdia de Alfândega. Segundo o presidente da câmara, Eduardo tavares, estas obras vão também diminuir as listas de espera. “Vai possibilitar a ampliação de pequenos lares do nosso concelho e a melhoria de outros, nomeadamente maiores, que têm alguns problemas, como a eficiência energética. Há dois pequenos lares que estavam cheios e com lista de espera. Com estes projectos e com esta ampliação podemos descer as listas e oferecer melhores condições aos nossos idosos”.

Com a ampliação dos lares de Parada e de Gebelim vão ser criados mais 19 postos de trabalho. “Essas ampliações vão requerer a contratação de mais funcionários”.

Para já, estão a ser feitas candidaturas para obter financiamento nacional e da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes. Um investimento de mais de um milhão de euros, que Eduardo Tavares afirma estar garantido. “O dinheiro está cativo para o nosso concelho, para estas instituições. O dinheiro não vai faltar, é uma garantia. Faltam apenas os trâmites processuais”.

O presidente da câmara estima que as obras dos quatros lares arranquem ainda este ano. Estes projectos foram aprovados pelo Conselho Local de Acção Social de Alfândega da Fé.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Medida da câmara de Bragança ajudou matadouro municipal a manter o número de abates em 2020

 Desde o mês de Junho e até ao final de Dezembro, o preço do abate de animais no matadouro de Bragança foi reduzido para metade. A redução das taxas foi assumida pelo município, de forma a apoiar economicamente os criadores
Hernâni Dias, presidente da câmara, avança que, no período em que a medida se aplicou, o número de abates cresceu, face aos primeiros meses do ano. Comparando 2020 com 2019, os números são semelhantes, mas no ano passado podiam ter caído, caso a medida não se aplicasse. “Houve um acréscimo significativo do primeiro para o segundo semestre, sendo que no primeiro ainda não havia este apoio. O aumento que se verificou foi de 21% no volume de abates. Passámos de 149 toneladas para 181. No geral do ano não houve uma grande variação. A redução do preço de abate em 50% representou um apoio de mais de 31 mil euros”.

O Governo determinou que os municípios poderiam tomar algumas medidas de mitigação da pandemia até 31 de Dezembro. Contudo, este ano as câmaras ainda não têm autorização para as adoptar e, por isso, ainda não se sabe se a redução se vai manter.

E ainda no que toca ao apoio dado aos produtores pecuários, em 2020, a autarquia de Bragança começou a pagar na totalidade os custos relacionados com a vacinação animal. “Falamos de um investimento na ordem dos 70 mil euros. Foram vacinados cerca de 2800 bovinos e cerca de 3100 pequenos ruminantes, entre ovinos e caprinos, todos eles devidamente registados no concelho Foi através de um protocolo que celebrámos com o Agrupamento de Defesa Sanitária da Associação de Criadores de Gado de Bragança. É um processo que tem vindo a ser desenvolvido em todo o país, com diversos programas de erradicação e vigilância de doenças de animais e acções de controlo para a prevenção de doenças, que constam do Programa de Saúde Animal”.

Este apoio começou a ser dado em 2017, mas, até ao ano passado, o financiamento era de 50%. “Já tínhamos isso em mente, não uma medida tomada no âmbito da pandemia. Para o ano em curso estamos a prever o mesmo”.

Através do Programa Nacional de Saúde Animal, têm vindo a ser desenvolvidos, em todo o país, diversos programas de erradicação e vigilância de doenças de animais.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Criadores continuam a pagar apenas metade do abate em Miranda do Douro

 O abate de animais no matadouro de Miranda do Douro mantém-se a metade do preço durante os próximos seis meses
A medida também já tinha sido tomada pela câmara no ano passado, com o objectivo de apoiar a actividade pecuária no concelho, que também foi afectada pela pandemia. Segundo a vereadora, Anabela Torrão, a adesão dos produtores justifica a continuidade da promoção. “Este apoio, do feedback que tivemos, foi crucial, ao nível competitivo e no apoio à retoma financeira das entidades, quer singulares quer coletivas. Mediante o pedido, por parte das associações, da continuidade deste apoio, foi deliberado, em reunião de câmara, que continuará a ser dado no primeiro semestre do ano”.

Segundo Anabela Torrão esta medida permitiu ainda que os produtores saldassem dívidas que tinham ao matadouro. “Tínhamos alguns clientes do matadouro que tinham dívidas superiores a dez mil euros ou com prazo de pagamento superior a 90 dias e foi muito interessante ver que, perante a aprovação desta medida, conseguiram saldar a dívida que tinham e usufruir deste apoio. Foi também uma forma de saldarmos algumas dívidas”.

O abate de bovinos, ovinos, caprinos, suínos e leitões tem um desconto de 50% no matadouro de Miranda. A medida está em vigor até 30 de Junho. Anualmente, neste matadouro, são processadas cerca de 500 toneladas de carne.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

domingo, 17 de janeiro de 2021

OBRIGADA MEU SOGRO que me acolheste com muito respeito como filha, DESCANSA EM PAZ

 A 6 de Janeiro de 2021 partiu fisicamente, um SENHOR, possivelmente o POLÍCIA MAIS IDOSO da cidade de Bragança.
97 anos vividos com muita garra, sem doenças e sem tomar 1 único comprimido... Uma qualidade de vida de louvar!

Susana Abrantes

O boneco de neve

 Se a vida fosse um colar de missangas, as recordações seriam o fio que as uniria e lhes dariam a forma definida que leva à beleza que nos encanta os olhos.

Seriam elas que nos permitiriam exibir de nós e em nós aquilo que somos em plena essência para nos identificarmos e sermos identificados.

No alfobre das minhas plantas efetivas e afetivas, vão despontando de oras em quando aquelas que me fazem saber de onde venho, onde estou e para onde quero ir, apesar de todos os temores e todas as dúvidas acerca das coisas o mundo ao virar de cada esquina.

Entre elas, está um boneco de neve. É verdade. Foi feito para durar coisa de uma semana no inverno de mil novecentos e sessenta e sete. Parece que foi há muito, mas foi ontem, quando eu ainda nem sabia desenhar letras para juntando-as formar palavras.

Naqueles invernos, era raro o ano em que não nevasse. Umas vezes com maior intensidade, outras com menor, mas o acordar e ver tudo pintado de branco, era encantadoramente normal, pelo menos para quem não tinha ainda de se preocupar com o pão para se por na mesa e mais os apeguilhos para já nem ir aos condoitos.

Foi o Mudo que Deus cuide, quem o fez. Nesse tempo ele era já moço feito já pronto para ir aos cestos na vindima, mas eu ainda era petiz ainda de andar com o cú das calças rachado para as imediatas precisões como era uso e se bem me entendem.

Como sempre, neve pegada no solo era sinónimo de brincadeiras e entreténs para preencher o tempo apesar de as alternativas não serem muitas. Colocar ratoeiras cobertas com neve e só com um isco de feito de migalhas de pão para prender pardais era um deles.

Punha-se uma pessoa à coca, e quando se ouvisse o estalo era só ir buscar a incauta vítima para fazer um belo petisco frito. Na eterna atividade de se caçar para se comer, no fundo esta era também uma maneira. Seria brincadeira, mas era também canseira, numa época em que a fartura era mais de fome do que de substância à escolha.

Mas indo ao boneco de neve antes que derreta na imaginação. Naquele ano o nevão foi de espantar e muito para cima do costume. A neve formou uma cobertura de palmos suficientes para ter havido a necessidade de se abrirem trincheiras para se circular.

Mais parecia que ali tinha estado desde sempre e que tudo se construiu sob a sua condição. Como havia pouco ou nada para se fazer, o Mudo qual escultor com escola de arte, construiu um boneco onde não faltou pontiagudo nariz e espalhafatoso chapéu ainda que esfarrapado de ser pobre e todo roto como é timbre.

Ficou bonito o dianho do boneco. Esteve ali semanas e não sei se teria ganho vida própria. Pelo menos que mexia a cabeça, era eu quase capaz de jurar, mas isso pode ter sido dos meus olhos. Não sei. Cá por coisas nunca disse isto antes, mas que mexia, lá isso mexia.

Não acreditam, bem sei. Mas se calhar o Mudo meteu nele todos os seus silêncios e porque as pausas também são música, como bem sabemos, ficou um espanto digno de ser visto. Conteria nele todos os sonhos das vidas de quem é poeta sem que o saiba. Não sei.

O que sei, é que quando vou de carro dar a volta no largo onde o Mudo lhe deu forma, há alturas em que ainda o vejo mesmo sem que haja nevão em redor. Já perguntei ao Mudo, e ele no seu modo de falar que só alguns entendem, também me garante que o via mexer-se.

Ele há cada coisa!

Manuel Igreja

sábado, 16 de janeiro de 2021

BRAGANÇA - Dos Primórdios da Nacionalidade às Feiras Medievais - CARTA GASTRONÓMICA DE BRAGANÇA

Cântara (Remêa)
No ano de 1143, realiza-se a Conferência de Zamora.
Na presença do legado papal Guido de Vico, Afonso Henriques e Afonso VII de Leão, celebram um Tratado de Paz que outorga ao infante português o título de rei. Não muito distante de Zamora, a uma centena de quilómetros, no pequeno burgo de Bragança, e redondezas as gentes não mudaram o seu quotidiano, apesar da importância do acontecimento. O filho da Infanta D. Teresa, Afonso Henriques passa a ser a cabeça do Reino. O poder régio abrange todos os seus súbditos.

No hoje concelho de Bragança, ao tempo, avultava como principal potentado económico o mosteiro beneditino de S. Salvador de Castro de Avelãs, sendo os frades conhecidos pelo seu desmesurado apetite pelas cousas materiais.
Além de ficarem com a melhor e maior parte dos produtos agrícolas cultivados pelos cabaneiros e lavradores nos seus domínios, bem como dos gados neles apascentados, ainda exigiam o terço dos bens de todos os moradores falecidos. O franciscano e rigoroso historiador Frei Joaquim Santa Rosa Viterbo acentua: “E os de Bragança, como gente simples, e de estremo, convinhão neste abuso do Mosteiro de Castro de Avelãs, que pretendia levar o terço dos defuntos daquela terra.” O investigador Pedro Vitorino taxa de «despotismo desmarcado» a gula dos beneditinos do Mosteiro de Castro de Avelãs, a qual foi castigada pelo Papa Paulo III, extinguindo-o por bula de 1545.
Até às alteridades alimentares originadas pelos Descobrimentos, não será erro azedo dizer-se que a alimentação da maioria da população se fazia à conta do que a terra dava, acrescida de algum peixe pescado nos rios e ribeiras, ainda o trazido pelos almocreves.
Os almocreves ou recoveiros eram essenciais para o regular abastecimento de tudo quanto escasseava, caso do azeite, do pescado, e do sal, ainda no incremento das comunicações entre as regiões. A vida económica assentava na eficiência no acarretamento das mercadorias, daí o papel dos almocreves na sua movimentação, eles prestavam serviços a todos quantos os necessitassem, de grosso modo, trabalhavam por conta própria.
A documentação existente revela-nos que os almocreves e mercadores a operarem no ora concelho de Bragança tinham no Porto o centro de negócios, embora a cada passo se deslocassem a Matosinhos e Vila Nova de Gaia a fim de adquirirem pescado seco e sardinhas.
Também Bragança era de grande importância estratégica na rota dos mercados da província transmontana e dos reinos de Leão e Castela, pois no burgo bragançano entrecruzavam-se outras vias de comunicação para as localidades de Vinhais, Chaves, Vila Real, Mirandela, Vila Flor, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta, Salamanca e Medina del Campo.
Importa sublinhar o óbvio, os almocreves, bufarinheiros e mercadores não calcorreavam caminhos e simulacros de estradas expostos a perigos de variada periculosidade, como o faziam singelamente os peregrinos a caminho de Santiago, os quais também aportavam a Bragança.
Não. Eles sabiam quão perigosa era a sua actividade, mas o ânimo do lucro levava-os a arriscarem a nessas insanas jornadas chegando a percorrer dez léguas em cada dia, do seu afã comercial retiramos informações a indiciarem o crescimento e definhamento das povoações.
No tocante a Bragança dizem-nos que a povoação, no século XIII, evidenciava sinais de ter crescido consideravelmente: em espaço edificado, em habitantes, em actividades, levando-a a atingir riscante importância no contexto territorial da região. Daí não causar estranheza o facto de ser uma das primeiras terras do Reino a beneficiar de uma feira, instituída em 1272 por D. Afonso III. A partir dessa data recebeu Bragança sucessivas cartas de feira a evidenciarem o seu valimento estratégico, por assim ser, a carta de feira firmada por D. João I em 1405, revela interesse na reorganização económica daquele território, tendo o cuidado de marcar o seu começo da feira para o dia de Santiago, sabendo de antemão que não concorria com outros mercados na região.
Os documentos foraleiros, das inquirições e os das chancelarias aludem a animais e vegetais, que constituíam por um lado a base da dieta alimentar das Comunidades, e por outro, nos anos de boas colheitas, os excedentes que se vendiam-se nas feiras e mercados. A vila de Bragança é uma das primeiras a ser objecto de outorga de carta de feira como acima se refere constituindo-se como importante centro de negócios. Atente-se na enunciação do nome dos produtos vindos a lume nos documentos, elaborada por ordem alfabética e na ortografia actual: “Adens, alhos secos, ameixas verdes e secas, amêndoas, aveia, avelãs, azeite, bode, bogas, bois, bordalos, borrego, cabras, cabritos, carne fresca, carneiros, castanhas verdes e secas, cebolas, centeio, cerejas, cevada, cervos, cidras, coelhos, corços, cordeiros, favas, figos verdes e secos, fiolho ou funcho comia-se no verão em caldo nos anos de más colheitas, galinhas, gamos, grão-de-bico, hortaliças, laranjas, lebres, leitões, lentilhas, linhaça, manteiga salgada, mel, melões, milho, mostarda, nozes, ovelhas, queijos secos, pão, pão meado (metade centeio, metade trigo), painço, peras, perdizes, pescado de água doce, pinhões, pombos, porcos, sebo, toucinho, trigo, trutas, unto, uvas verdes, vinho, vinagre, vacas e frutas de várias espécies.”
Há referências à proliferação de caça de pêlo e pena, sendo frequentes as montarias. A caça também se praticava furtivamente acarretando consequências gravosas aos prevaricadores.
Tanto a caça maior, como a caça menor, concentrava-se nas coutadas pertencentes à Ordem do Hospital, a fidalgos e particulares abastados.
A corografia é um precioso auxiliar na inventariação de modos de vida das gentes, da valia das terras e de produtos alimentares nelas produzidos ou transformados, pois revelam a sua abundância e/conducente valia determinando o nome dos povoados quantas vezes em formação.
Não por acaso o povo cognominou D. Afonso Henriques, o Conquistador, D. Sancho I, o Povoador, e D. Dinis, o Lavrador.
Como ensina o sábio Leite de Vasconcelos em Antroponímia Portuguesa, a “geografia gera apelidos vários e modos dando nome próprio, ou comum, de lugar, sítio, ou dando um adjectivo que pode chamar-se étnico”. É o caso dos Bragançãos.
Nos exemplos seguintes deparamo-nos com profissões e produtos que nos ajudam a aferir o sistema alimentar dos nossos ancestrais.

Alfaião (lugar fresco; fabricante ou vendedor de tendas, guarnecer com alfaias), Aveleda (lugar onde provavelmente existiram aveleiras, cuja semente é comestível), Babe (porta de «povoação»), Baçal (cebola), Bragada (bragas; não se apanham trutas com as bragas enxutas, pano grosso), Caravela (corta-vento munido de um vaso de folha em que bate uma peça movida pelo vento, destinado a espantar das searas, hortas e pomares, as aves nocivas), Carocedo (caroça – cabeça do linho onde tem a semente), Carragosa (terra abundante de carrascos), Carrazedo (terra de carrascos), Castanheira (árvore que pinga as castanhas), Castrelos (pequeno castro), Castro de Avelãs (local onde existem avelaneiras que dão avelãs), Chãos (pequena terra fértil, arborizada e regada), Coelhoso (terra de muitos coelhos), Deilão (solo argiloso), Fontes (abundância de água), França (sítio com lenha miúda), Freixeda (lugar com muitos freixos), Freixedelo (existência de freixos), Grijó de Parada (pequena igreja, pequena paróquia), Izeda (lugar de muitas azinheiras), Maçãs (lugar de muitas macieiras), Macedo do Mato (macedo casta de uva branca, mato, figo grande de polpa fina, matagal), Martim (casta de uva), Meixedo (significa defumado), Milhão (milho de cana muito alta, e milho graúdo), Montesinho (montês, silvestre), Mós (pedra redonda e chata com que se trituram os cereais; monte de grão depois de debagado ou demolhado), Mosca (vara de videira torcida na ponta), Nogueira (evidentes as nozes), Oleirinhos (significa a existência de oleiros), Oleiros, Outeiro (pequeno monte), Palácios (casas ou residências dos senhores ou senhorios dos respectivos concelhos a quem a coroa real tinha feito mercê dos direitos que lhe pertenciam), Parada (foro de parada), Paradinha Nova (lugar, sítio, paragem), Paradinha do Outeiro, Paradinha Velha, Parâmio (campo raso, privilegiado), Petisqueira (alusivo a petiscos), Pinela (pinheiro – pinhões), Portelo (caminho público), Quinta de Vale de Prados (prédio rústico com casa de habitação), Quintela de Lampaças (pequena quinta onde existiam muitas acelgas), Rebordãos (castanheiro bravo), Rebordaínhos (castanheiro Bravo), Salsas (planta umbelífera cujas folhas são usadas para aromatizar pratos de culinária), Samil (terra hospitaleira), Santa Comba de Rossas (termo repleto de matagais), S. Pedro dos Serracenos (serraceno: homem do deserto), Sendas (atalho, caminho estreito, vereda), Soutelo (souto), Terroso (da cor da terra), Vale de Nogueira (evidente), Vale de Lamas (lameiro), Valverde (planície verdejante), Varge (veiga, chã cultivada), Veigas (várzea, planície fértil), Vila Boa (herdade, casal ou granja), Vilarinho de Cova de Lua (pequeno casal), Zeive (aumento, crescimento), Zoio (brilhante, escondido).” 

Outros topónimos nos dão conta da existência de espécies vegetais que prenunciam produtos comestíveis tais como: “Almendra, Amendoeira, Amoreira, Brunhoso, Carrapatoso, Cereja, Cidreira, Frutuoso, Laranjeira, Loureiro, Macieira, Marmelo, Moreiras, Moreirinhas, Parra, Parreira (videira), Pereira, Pereiro, Salgueiro, Sarmento, Silvano, Sobral, Souteiro, Vidal, Videira, Vide, Vidinhas, Vinhas, Vinhão.”
As descrições acima referidas ajudam a estabelecer quais eram as principais existências alimentares ao tempo, originando receituários muito díspares, pois uma coisa era a cozinha da nobreza, do alto clero, dos conventos e dos mosteiros conforme a regra de cada Ordem, a do povo sem a diferenciação entre o espaço rural e o urbano.
A vila de Bragança quer no seu bojo, quer nas periferias, integrava árvores de fruto, hortas, terras de semeadura e vinhas, criando-se aves de capoeira, coelhos, porcos e outros animais destinados ao consumo dos seus moradores.
Os comeres e beberes da maior parte da população brigantina no seu quotidiano pautavam-se pela parcimónia, as técnicas estariam subordinadas a cozeduras simples; pobres e remediados optariam pelos caldos, papas, migas e guisados para nada se perder, isto quando sobrava alguma coisa. A nobreza e o alto clero tinham nos assados de grandes peças a representação da sua riqueza e poder.
Havia grande número de pobres de pedir, os mesmos não eram considerados como grupo social, recebiam assistência das Ordens religiosas e das confrarias numa perspectiva individual. A caridade era exercida a título privado e a ajuda aos pobres e «destituídos» em vários casos concedia aos benfeitores bulas de perdão dos pecados.
Os carecidos, de um modo geral, estavam arredados das viandas de leite, quer dizer; queijos, manteigas, natas e doces à base de leite.
O leite era consumido preferentemente por doentes ou pessoas de fraca compleição.
Na história dos Bragançãos, magnates locais, há referências ao casamento de Dom Fernão Mendes, O Bravo, com a infanta D. Sancha Henriques, irmã de D. Afonso Henriques, segundo o cronista teve origem no risonho episódio de o indómito guerreiro ao comer natas salpicou as barbas provocando estrepitosas gargalhadas de mofa ao Conquistador e seu séquito. Pela «ofensa» recebida exigiu como compensação casar com a irmã do vencedor da batalha de Ourique, onde Dom Fernão Mendes se distinguiu bravamente, daí o apodo.
Havia duas refeições durante o dia, o jantar e a ceia, sendo a carne de porco a principal gordura animal consumida, constituía a tábua de salvação das famílias, bem como as aves de capoeira e os ovos. Algum pescado marítimo e fluvial alegrava, de quando em vez, as ditas refeições.
De forma redundante, a horta assumia-se como a despensa principal, inúmeras vezes afectada pelas pragas, as trovoadas e acções de guerra. Apesar do talento das mulheres cozinheiras imperava a monotonia sazonal, só quebrada nos dias nomeados, de festas e de feira. Tais dias estavam primacialmente subordinados ao calendário religioso, a Natividade, a Páscoa, o Corpo de Deus, e a Festa em honra do Santo Padroeiro eram as de maior importância na esfera da sacralidade,
o Entrudo, prenúncio do jejum quaresmal assumia-se como a grande festividade profana.

Carta Gastronómica de Bragança
Autor: Armando Fernandes
Publicação da Câmara Municipal de Bragança

É URGENTE

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...") 


É urgente destapar, sorrisos 
Presos nas máscaras,
No restolho das geadas,
Nas neves das solidões
nas veias congeladas,
nas noites geladas
Dos gelados corações!
É urgente, entrar num sonho
Até que tudo passasse,
Até que o sonho acordasse,
Livre de máscaras,
Livre de confinamentos.
Livre de imposições!
Este flagelo que pesa,
Que assusta multidões 
Que beija a pele indefesa
Nas sarjetas do silêncio,
Nas aurículas dos corações!
Nascem palavras medrosas,
A esvoaçar, como andorinhas,
Asas feitas de lágrimas,
Corpos de frio e de vento
Bicos esfomeados
Corações apunhalados!
A voar, cortando o tempo!
Vem o pobre e o mendigo
A chorar num ombro amigo
Lagrimas de ousadia,
Gotas silenciosas.
Braços e mãos chorosas
Amaldiçoar a  pandemia.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Incêndio deixa três pessoas desalojadas em Quintas (Mirandela)

 Três pessoas ficaram desalojadas, ontem, na sequência de um incêndio que lhes consumiu a casa, em Quintas, na freguesia de Vale de Gouvinhas, no concelho de Mirandela.
Segundo os bombeiros, o alerta foi dado às 15h53m. 

No local estiveram 14 operacionais dos bombeiros, apoiados por 5 viaturas.

A casa ficou destruída.

Escrito por Brigantia

Crônica do Tempo em que Havia Futebol de Várzea; ou meu Último Jogo na Várzea

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas) 

Quando eu tinha vinte anos de idade, jogava num time de várzea: o «Independente» do Jardim D´Abril. Na época esse era um time de «boleiros», ou seja, ali foi reunido alguns dos melhores do bairro do Jardim D´Abril (bairro de Osasco –SP-Brasil).

Modestamente, eu, ACAS, (então chamado de Carlinhos), envergava a camisa número nove. Certa feita, num domingo de manhã, nós fomos jogar contra o «Palmeiras» de Pirituba.

Ali, a cancha era limitada de fundo e de um lado (em L) por um córrego que servia como esgoto da comunidade. Na cabeceira do campo, onde estava também o «vestiário», era a entrada possível ao campo de jogo, uma vez que do outro lado existia um barranco íngreme e cheio de pedras, onde se postava a torcida do «Palmeirinha», como era chamado. Não percebi de início; a maioria dos torcedores que se postavam no tal barranco, portavam pedaços de paus (galhos de árvores, cabos de vassouras e afins, ... .).

Embora o campo de jogo não tivesse grama, um capim ralo e um tipo de cipó de finas folhas revestiam ao menos cinquenta por cento da cancha. Uma coisa era boa; o campo era plano, sem buracos, como aqueles que sempre jogávamos. Ali, a bola rolava sem mudar de trajetória: bom para o Independente, pensei eu; e assim pensaram também meus companheiros.

O jogo teve início. Eu dei a saída para o Hélio Preto, que da meia direita recuou para o João Tucano (que havia se casado no dia anterior), este levantou a cabeça e lançou o Zé Carlos (o craque do time), por cima da zaga palmeirense e que, de chaleira, tocou por cima do goleiro: um a zero para o Independente!

Em quatro toques, fizemos um gol. Isso nos motivou e despertou a torcida e o time palmeirense, que passou a meter o pé, ao mesmo tempo em que a torcida, brandindo os paus, ameaçava o juiz da partida.

Dada nova saída, o Cabo Paulinho roubou a bola do adversário e, de canhota enfiou uma bola adocicada entre os dois beques. Eu entrei; saí do goleiro e toquei para a meta vazia: 2x0!

Nova saída: o Chicão cortou o passe do Palmeiras e tocou para o João Tucano, que de voleio meteu no barbante (3x0). Nem é preciso dizer que a torcida invadiu o campo e (praxe na várzea), fizeram a troca do juiz; por um de confiança do Palmeiras!

A partir daí, o Palmeiras começou a dar mais pontapés! E com o beneplácito do juiz da casa. E eles seguraram o placar por, pelo menos, dez minutos. Mesmo assim, o Zé Carlos tentou, e fez; do meio do campo, um gol por cobertura (4x0).

Tão logo deram a saída, nossa zaga roubou a bola e tocou na ponta direita para o Pedrinho, que chutou lá do canto da área grande e acertou o ângulo (5x0).

Nova saída e o Osvaldinho tomou a bola do Palmeiras e foi derrubado covardemente, por trás. Houve um movimento do Independente para agredir o faltoso, porém, com a torcida adversária invadindo o campo, deixamos pra lá! O juiz, covarde, ainda marcou falta para o Palmeiras, onde um truculento beque disparou um canhão; felizmente a bola passou por cima da trave do gol defendida pelo Matheus.

Na saída da bola, o Matheus lançou a bola para o Madalena, quarto beque, que driblou três jogadores adversários ao mesmo tempo e lançou na área: eu fui na bola, mas recebi um safanão nos ombros e senti um murro nas costelas: enquanto fiquei caído, tentando respirar, a bola sobrou para o Coronel, que desferiu um portentoso chute de canhota, que por pouco não joga, inclusive o goleiro, para o fundo das redes.(6x0).

Já eram passados cerca de trinta minutos de jogo e eu mal conseguia respirar: me passaram a bola, mas eu não conseguia correr. Dominei o balão e enquanto gemia de dores, dois adversários chegaram com força exagerada sobre mim: apliquei-lhes uma jogada que eu criei e batizei como «banho de cuia». Com a bola no chão, curvei o pé direito e a lancei para o alto, enquanto os dois passaram feitos touros numa tourada.

Um dos dois que receberam o “chapéu” pulou com os dois pés nas minhas costas, o outro, não satisfeito com minha contorção no chão deu-me um chute na clavícula. Nesse instante, o pior aconteceu: meu time fugiu do campo ao mesmo tempo em que a torcida, pedaços de paus em punho, batiam-me ali mesmo no chão!

Eu me levantei com muito custo e defendia com os braços às dezenas de pauladas que levava. Nesse instante o Osvaldinho pulou no meio da grei enfurecida e, nós, de costas um para o outro, enfrentamos aquele dilúvio de impropérios e pauladas; mais os chutes.

Vi então, num relance, que o Pedrinho já havia apanhado nossas roupas no vestiário e se dirigia ao pequeno caminhão de aluguel que nos levava nos eventos de jogos pela várzea de São Paulo. Eu e o Osvaldinho éramos os únicos do Independente que ainda estavam no campo, todos os outros já estavam em cima do caminhão, cerca de trezentos metros distantes do campo de jogo.

Apanhei como um cachorro; o Osvaldinho também. Jamais esqueci a coragem e a solidariedade do Osvaldinho. Isso ocorreu há quarenta e nove anos (N.A.: mais oito = 57, se considerarmos este ano pandêmico de 2021); até hoje não esqueço a bravura do Osvaldinho, nem o último jogo que fiz na várzea de São Paulo.

Foi então que abandonei o futebol; certo que um curso de desenho mecânico seria muito melhor para mim, mesmo que tivesse que ficar em casa aos domingos, para executar trabalhos do curso de desenhista.

Devo informar aos leitores que eu e o Osvaldinho só paramos de apanhar, quando o presidente do Palmeiras entrou no campo e se colocou entre nós dois e os agressores, pedindo pelo amor de Deus que parassem com aquilo, pois se o Independente fizesse uma reclamação na Liga Amadora de Futebol de Osasco, eles nunca mais poderiam marcar jogos naquele campo.

Infelizmente comecei a falar do futebol de várzea a partir do meu último jogo. Mas ainda tenho algumas histórias, mais alegres, sobre o futebol de várzea para contar aos leitores, inclusive tenho algumas fotos da época.

Esta é apenas uma de minhas lembranças do futebol da várzea; que se acabou em São Paulo. (SIC) !!!!!!!

Foto: Campo de futebol de várzea em São Paulo -Brasil. Eram 1000 em 1970, restam 20

Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Mulher encontrada morta numa lagoa no concelho de Miranda do Douro

 Uma mulher, de 70 anos, foi encontrada morta, hoje, numa lagoa, na localidade de Cércio, em Miranda do Douro
A lagoa situa-se na propriedade onde a mulher residia. 

O alerta foi dado às 15h45m. 

A mulher, que vivia sozinha, não era vista há dois dias, segundo confirmou, à Lusa, o 2.º comandante dos bombeiros de Miranda, Júlio Miguel.

A GNR tomou conta da ocorrência. 

Escrito por Brigantia

BRIGANTIA - Revista de Cultura

A Revista Brigantia foi editada pela primeira vez no ano de 1981. Tinha como Diretor Belarmino Afonso e como Editor e Proprietário a Assembleia Distrital.

O Primeiro número da Revista teve a colaboração de:

- António Maria Mourinho;
- Belarmino Afonso;
- Jacinta Maçaira, Maria da Conceição Mendo e Maria de Lurdes Quina;
- Dionísio Afonso Gonçalves;
- António Rodrigues Mourinho (Júnior);
- Manuel Gonçalves;
- Belarmino Afonso e Jorge Manuel Morais;
- Luís Arnaldo de Sousa Ferreira;
- Hirondino da Paixão Fernandes;
- Carolina Victória Pires;
- Octávio Sobrinho Alves;
- César Garrido;
- A. e Jorge Morais;
- António José Teixeira.

Capa do nº 1 da Brigantia

Traficante de cocaína detido em flagrante pela PSP

 A PSP anunciou esta sexta-feira a detenção em flagrante de um homem, com 59 anos, Segundo uma fonte do comando desta cidade, por suspeita de tráfico de droga. "
O suspeito, um portuense, residente em Bragança, foi apanhado no decurso de uma operação planeada e dirigida para o reconciliar com a posse de estupefacientes, foi consumada a detenção e apreendido estupefaciente, cocaína em base (vulgo Crack) com o peso bruto total de 9,14 gramas, suficiente para aproximadamente 50 doses de consumo diário, e um telemóvel, por suspeita de utilização na prática do crime", adiantou uma fonte da PSP.

O homem vai ser presente à autoridade judiciária competente para primeiro interrogatório judicial e aplicação da medida de coação adequada.

Glória Lopes

CONSELHOS PARA O BEM-ESTAR DOS IDOSOS

 A Azimute elaborou uma lista de conselhos para ajudar os idosos a ultrapassar esta fase difícil que atravessamos.
Numa altura em que a ansiedade, a tristeza, o medo e outros sentimentos negativos são emoções cada vez mais presentes e que precisam de ser travadas, é necessário estar presente, cuidar e dar atenção a estas pessoas. 

O distanciamento e isolamento social não têm que significar solidão.

Vinhais tem 20 bolsas de estudo para alunos do ensino superior

 Pela primeira vez, o município de Vinhais vai apoiar os estudantes do ensino superior com a atribuição de 20 bolsas de estudo
O valor de cada bolsa pode chegar aos 700 euros, consoante os rendimentos do agregado familiar. As candidaturas devem abrir dentro de uma semana, estando dependente da publicação em Diário da República, explica o presidente da câmara, Luís Fernandes. “Estamos à espera da publicação. No dia a seguir já se podem candidatar”.

A autarquia vai ainda atribuir 3 bolsas de mérito. Estes apoios à educação estão a ser atribuídos pela primeira vez em Vinhais, uma lacuna que Luís Fernandes quer colmatar. “Este tipo de apoio é a primeira vez que vai acontecer. Era a parte, a nível da educação, que estava a descoberto. É mais uma forma de ajudar as famílias do concelho”.

Na última reunião de câmara, o município decidiu também manter a isenção de taxas municipais de publicidade e ocupação de espaços públicos para os empresários do sector da restauração e cafés. “É mais uma ajuda dentro das que temos vindo a tomar no sentido de ajudar, sobretudo, esta área da restauração”.

Medidas da câmara de Vinhais de apoio à educação e aos empresários do concelho.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais