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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 14 de março de 2026

De Gimonde para o mundo, uma família deu nova vida ao porco bísaro

 O primeiro comércio da aldeia de Gimonde, em Bragança, foi o ponto de partida para a criação da Bísaro - Salsicharia Tradicional, marca reconhecida pela qualidade dos seus produtos de porco transmontano. Alexandrina Fernandes faz parte da terceira geração desta empresa familiar e promove a sua matriz identitária a nível nacional e internacional. “Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

Localizemo-nos no tempo: 1935. E no espaço: Gimonde, em pleno Parque Natural de Montesinho, Bragança, onde a Bísaro - Salsicharia Tradicional nasceu, cresceu e se tornou o que é hoje. “A empresa foi fundada pelos meus avós, que saíram de Carção, no município de Vimioso, e abriram o primeiro comércio da aldeia, com produtos agrícolas, e uma pequena área de refeições. A minha avó era uma excelente cozinheira”, conta Alexandrina Fernandes, 40 anos, atual responsável, com o irmão, Alberto João Fernandes, 39, ambos jovens agricultores, e o pai, Alberto António Fernandes.

“O meu pai foi estudar zootecnia na UTAD, em Vila Real, e ficou com o bichinho do porco. Na altura tinha amigos que eram veterinários e que lhe falaram que a raça bísara estava praticamente extinta e que era importante tentar preservá-la.” Nos anos 70, chegaram a ter um matadouro de porco, “quer bísaro, quer porco normal”, e abriram um talho em Bragança, “a pedido de várias pessoas que visitavam a taberna e provaram os enchidos que a minha avó fazia”, lembra.

Porco Bísaro

Depois, começou o boom da grande distribuição e a Bísaro forneceu “o primeiro continente que abriu em Portugal, em Matosinhos”, há 37 anos. O fumeiro ganhou fama, as solicitações aumentaram e a solução passou por “transformar o matadouro numa unidade de produção maior”, já nos anos 2000. “Começámos a fornecer grandes superfícies e lojas gourmet em todo o país, a ter pedidos para exportação e os chefs de cozinha passaram a valorizar cada vez mais o produto.” Não só os enchidos, como a alheira, a chouriça, o butelo, a chouriça de sangue, o azedo, o cachaço, o lombo e o salsichão, mas também a carne fresca, como os secretos, os lombinhos e as plumas de porco. “Tivemos um chef a pedir-nos apenas sangue, já desenvolvemos carne maturada de porco para o chef Nuno Mendes”, acrescenta Alexandrina.

“Não deixar cair a matriz identitária da nossa empresa, que sempre foi a terra, a nossa região, o nosso ambiente” é a missão da Bísaro e, por isso, todos os anos, organizam uma matança do porco de forma tradicional, para clientes e parceiros. “Temos tecnologia de equipamentos de frio e de enchimento, mas o receituário e o modo de fazer é o mesmo que antigamente.” A empresa mantém-se no mesmo local e as duas explorações de animais em nome próprio, a um quilómetro. “Temos tido apoios. Quando eles existem, temos que aproveitar, porque existem para valorizar os territórios.”

Porco Bísaro

Bísaro, o porco musculado de orelhas compridas

O porco bísaro é um porco comprido – “alguns chegam a ter um metro e vinte de comprimento” –, com umas orelhas muito compridas, e “há também quem diga que tem mais uma costela do que as outras raças e é, por isso, muito procurado para leitão”. Alimentado com produtos da região e em função da época do ano – “nesta época, podemos dar beterrabas, couves”, é também um grande consumidor de castanha, um dos produtos endógenos da região, conferindo um sabor “mais adocicado” à carne.

“O território onde este porco é criado é diferente. É uma zona muito acidentada e o próprio terreno obriga o animal a fazer um esforço muito maior do que um porco que é criado, por exemplo, no Alentejo, em que é basicamente tudo planície”, elucida Alexandrina.

Segundo a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a criação de porcos bísaros assume uma importância determinante “para a manutenção dos sistemas de produção tradicionais”, mas também para a economia familiar das pequenas explorações. Com a produção limitada aos distritos de Bragança e Vila Real e com a certificação de Denominação de Origem Protegida, a Carne de Bísaro Transmontano/ Carne de Porco Transmontano DOP tem contribuído para a proteção da biodiversidade, preservando os habitats e as paisagens, e para um melhoramento da oferta de produtos alimentares seguros, nutritivos e sustentáveis, em conformidade com as diretrizes da Política Agrícola Comum para o período compreendido entre 2023 e 2027.

Porco Bísaro

A sustentabilidade social, ambiental e económica na agricultura e nas zonas rurais são linhas orientadoras da PAC - Política Agrícola Comum que, em Portugal, tem como objetivos principais valorizar a pequena e média agricultura, apostar na sustentabilidade do desenvolvimento rural, promover o investimento e o rejuvenescimento no setor agrícola e a transição climática no período 2023-2027.

“Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

Teresa Castro Viana

5 espécies capazes de controlar pragas em Portugal

 No nosso país, vários animais têm um papel importante no controlo de diversas espécies que podem afectar negativamente a actividade humana. Apresentamos-lhe alguns exemplos neste artigo.

SHUTTERSTOCK - A poupa-euroasiática é um dos predadores naturais da
processionária-dos pinheiros. 

Tal como noutras regiões do mundo, em Portugal residem espécies que podem prestar uma ajuda inestimável ao homem no controlo natural de outras espécies, nativas ou introduzidas, que afectam negativamente a sua  saúde ou as suas actividades diárias. Escolhemos destacar um conjunto de cinco, mas muitas mais poderiam ser mencionadas.

1. Bútio-vespeiro (Pernis apivorus)

Como o nome científico já indicia – ou não significasse apivorus “comedor de abelhas” –, esta ave especializou-se no consumo de abelhas e vespas, entre outros insectos. Passível de ser confundida com a bem mais comum águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), principalmente ao longe, esta pequena rapina é um visitante estival do nosso país, sendo consideravelmente mais comum na metade norte. No entanto, é no Algarve que pode ser mais facilmente observada, aquando da passagem migratória outonal, na Península de Sagres.

Também conhecido como falcão-abelheiro, o bútio-vespeiro destaca-se por ser um dos poucos predadores capazes de atacar com sucesso ninhos de uma espécie que colonizou recentemente o nosso país e que não para de se expandir: a chamada vespa-asiática, Vespa velutina. Outra espécie que poderá ter um efeito não irrelevante neste controlo é uma bem menos querida dos apicultores: o colorido abelharuco-comum (Merops apiasters), também especializado na captura de himenópteros.

Galabin Vasilev Asenov / SHUTTERSTOCK - Um macho de búteo-vespeiro. Esta espécie é capaz de destruir ninhos de vespas para se alimentar das suas larvas, incluindo da invasiva Vespa velutina.

2. Poupa-euroasiática (Upupa epops)

De aspecto inconfundível, esta espécie de cor laranja, padrões pretos e brancos bem visíveis durante o voo, grande crista (que lhe dá o nome comum) e longo bico curvo, é maioritariamente insectívora, embora também se possa alimentar de pequenos vertebrados e até de algumas sementes, pontualmente. 

Uma das suas presas comuns é uma espécie que não só pode afectar negativamente explorações florestais de pinheiro, mas que também causa, devido aos seus pêlos urticários, reacções desagradáveis nos humanos: a processionária-dos-pinheiros (Thaumetopoea pityocampa). A poupa mostra particular apetência pelas pupas desta espécie, enquanto outras espécies, como o chapim-real (Parus major) ou o cuco-rabilongo (Clamator glandarius) se alimentam também com frequência das lagartas.

3. Lontra-europeia (Lutra lutra)

Alexandre Arocas / Shutterstock - A lontra-europeia é um dos principais predadores do invasivo lagostim-vermelho-da-Louisiana. 

A conhecida lontra-europeia é uma espécie de mustelídeo de porte médio que habita a maior parte dos nossos cursos de água doce (e que, na foz do rio Mira, inclusive se aventura em águas costeiras). Tradicionalmente, alimenta-se principalmente de peixes, crustáceos e outras pequenas presas que consegue capturar na água, devido às suas várias adaptações ao meio aquático, que incluem membranas interdigitais, garras fortes e uma pelagem impermeável. 

No entanto, a introdução do invasivo lagostim-vermelho-da-Louisiana (Procambarus clarkii)veio acrescentar uma presa importantíssima à sua alimentação, uma vez que, ao mesmo tempo que estes animais se espalharam pelos cursos de água nacionais, colocando em causa crustáceos nativos e as posturas de anfíbios, a lontra descobriu neles um filão praticamente inesgotável de alimento, sendo hoje uma pedra basilar da sua alimentação. Além desta, outras espécies também ajudam a travar a multiplicação dos lagostins: é o caso da cegonha-branca (Ciconia ciconia), mas também de outros mamíferos como a raposa-vermelha (Vulpes vulpes).

4. Crisopas (Complexo Chrysoperla carnea)

CC - Uma larva de uma das espécies do complexo Chrysoperla carnea. Fonte: Eric Steinert 

Estes insectos, pertencentes à ordem Neuroptera, são caracterizados, na sua fase adulta, pelas suas delicadas asas translúcidas, com a nervação bem visível na cor verde que os caracteriza. Embora tradicionalmente fossem encarados como uma única espécie, hoje sabe-se que por trás do aspecto virtualmente idêntico, se esconde um conjunto de espécies crípticas, apenas distinguíveis por análise genética ou através da escuta das “canções” vibracionais com que comunicam entre si.

Porém, é a fase larvar destes insectos a que nos interessa no âmbito deste artigo: durante este período, as crisopas são vorazes predadores, alimentando-se de afídeos, cochonilhas, ácaros e outros pequenos invertebrados que podem afectar de maneira muito negativa as culturas, com particular impacto numa indústria tão economica e culturalmente relevante no nosso país como a vinícola. É, assim, um aliado indispensável no controlo natural de pragas no sector.

5. Falcão-peregrino (Falco peregrinus)

Martin Bergsma / SHUTTERSTOCK - O falcão-peregrino é um dos animais que colonizou as cidades, incluindo em Portugal, em parte devido à abundância de uma das suas presas de eleição: os pombos. 

De todas as espécies que se adaptaram aos novos habitats urbanos criados pelos humanos, uma das que o fez com maior sucesso, pelo menos entre os vertebrados de algum porte, terá sido o pombo-das-rochas ou pombo-comum (Columba livia), que encontrou nos edifícios citadinos um equivalente muito satisfatório às falésias onde originalmente vivia e se reproduzia.

Ao misturar-se com pombos domésticos (da mesma espécie, mas submetidos a processos de domesticação pelo ser humano), adquiriu uma série de cores e carácteres que não existiam na natureza e, devido à grande disponibilidade de alimento, multiplicou-se de forma extraordinária. No entanto, estes grandes números levaram a que, mais do que uma curiosidade, se tornassem por vezes um problema nas cidades, com as grandes quantidades de dejectos que produzem a, por exemplo, danificar edifícios e monumentos históricos (em Portugal, os edifícios feitos com pedra de Ançã e outras rochas calcárias apresentam-se particularmente vulneráveis).

No entanto, o sucesso dos pombos nas cidades atraiu também alguns dos seus predadores: é o caso, por exemplo, do também nidificante em escarpas falcão-peregrino, que hoje nidifica em várias cidades no mundo, sendo Lisboa uma delas. Este falcão, de tamanho médio, é especializado na captura de aves, sendo os columbídeos como o pombo-das-rochas uma presa particularmente apetecível. Para os caçar, o peregrino usa aquela que é a característica que lhe garantiu um lugar entre os recordistas do mundo animal: elevando-se no ar, deixa-se cair a mais de 300 quilómetros por hora sobre a presa em voo, matando-a não com as suas garras ou bico, mas com o impacto do seu corpo a embater na mesma.

António Matos
Actualizado a 10 de janeiro de 2026

Tie Sabel de Bila Chana

Março. Mês de primavera.

Cidadã descontente por ter de apresentar queixa num livro de reclamações de outro setor

 Uma habitante do concelho de Bragança queixa-se que na Câmara Municipal só lhe foi disponibilizado um Livro de Reclamações, no Balcão Único, após ter ameaçado chamar a polícia. “Disponibilizaram-me um livro de reclamações, de outro sector, nomeadamente do Turismo, depois de eu anunciar que ia chamar a polícia. Recusaram emitir declaração de que não tinham livro de reclamações do balcão único”, explicou fonte ligada à queixosa, Maria Machado.


A reclamação foi motivada pela demora na entrega de uma certidão por parte dos serviços municipais à cidadã, que a havia pedido no dia 12 de fevereiro. A reclamação foi apresentada no início desta semana, um mês depois de o pedido do documento ter dado entrada nos serviços.

O Município de Bragança garantiu por escrito ao Mensageiro “que dispõe de Livro de Reclamações em todos os seus serviços de atendimento ao público, existindo vários exemplares associados a diferentes serviços e equipamentos municipais, todos com o mesmo valor administrativo. No caso em questão, o Livro de Reclamações afeto ao Balcão Único tinha esgotado a última página antes do atendimento referido.

A Câmara dispõe ainda de Livro de Reclamações Eletrónico.

Leia a notícia completa na próxima edição.

Glória Lopes

𝑴𝒆𝒓𝒄𝒂𝒅𝒐 𝑴𝒖𝒏𝒊𝒄𝒊𝒑𝒂𝒍 𝒓𝒆𝒄𝒆𝒃𝒆 𝒂 𝑷𝒓𝒊𝒎𝒂𝒗𝒆𝒓𝒂 𝒄𝒐𝒎 𝒐𝒖𝒕𝒍𝒆𝒕 𝒅𝒐 𝑪𝒐𝒎𝒆́𝒓𝒄𝒊𝒐 𝑳𝒐𝒄𝒂𝒍

  Sábado, 21 de março
10h00 às 19h00
Mercado Municipal de Bragança

Comerciantes da cidade juntam-se aos lojistas do Mercado Municipal para dinamizar o espaço, com animação e promoções cruzadas.

A iniciativa é promovida conjuntamente pelo Município de Bragança e pela ACISB, com o objetivo de dinamizar e promover o Mercado Municipal. 

Esta é uma das iniciativas que integram o 𝑷𝒍𝒂𝒏𝒐 𝒅𝒆 𝑹𝒆𝒗𝒊𝒕𝒂𝒍𝒊𝒛𝒂𝒄̧𝒂̃𝒐 𝒅𝒐 𝑴𝒆𝒓𝒄𝒂𝒅𝒐 𝑴𝒖𝒏𝒊𝒄𝒊𝒑𝒂𝒍 𝒅𝒆 𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂.

Saiba mais AQUI.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Quando a arte ilumina uma cidade como Bragança


 Durante muito tempo, falou-se do interior do país, Bragança incluída, como um espaço distante dos grandes movimentos culturais. As grandes cidades concentravam teatros, museus, festivais e eventos que alimentavam a vida cultural do país, enquanto muitas regiões do interior pareciam destinadas a um papel secundário. A realidade está a mudar. Em várias cidades do interior começa a surgir uma energia nova, feita de cultura, de participação e de vontade de transformar o território. Bragança é um exemplo claro dessa transformação.

Nos últimos anos, o crescimento da programação do Teatro Municipal de Bragança tornou-se um símbolo desse dinamismo. Em 2025, a sala registou uma taxa de ocupação próxima dos 89% e ultrapassou os vinte mil espectadores ao longo do ano. Estes números não são apenas estatísticas. Também representam o encontro entre uma cidade e a cultura, entre artistas e público, entre a criatividade e a comunidade.

Um teatro cheio numa cidade do interior é um sucesso de programação. É um sinal de vitalidade. É a prova de que a cultura não pertence apenas às grandes metrópoles, mas pode florescer em qualquer lugar onde existam pessoas dispostas a participar, a pensar e a sentir.

Num território como Trás-os-Montes, onde a distância geográfica criou desafios económicos e sociais, a cultura assume um papel ainda mais significativo. A cultura torna-se num ponto de encontro. Um espaço onde diferentes gerações se cruzam, onde novas ideias surgem e contagiam, onde o mundo chega até à cidade através da arte.

Quando as luzes se apagam numa sala de teatro e o silêncio antecede o início de um espetáculo, algo especial e único acontece. Durante aquele momento, todos os presentes partilham a mesma experiência. Pessoas que talvez nunca se tenham encontrado antes tornam-se parte de uma comunidade temporária, unida pela emoção da música, da palavra ou da representação.

Nestes tempos, marcados pela pressa, pela fragmentação e pelo isolamento digital, o teatro continua a oferecer algo raro, a presença. A presença real de artistas diante do público e a presença de um público que vive, em simultâneo, a mesma história.

Para uma cidade do interior, isso é ainda mais importante.

A cultura ajuda a combater uma ideia que durante muito tempo pesou sobre a nossa cidade e região, a ideia de que o interior é apenas um lugar de partida. Um lugar de onde as pessoas saem para procurar oportunidades noutros sítios. Quando uma cidade investe em cultura, está também a afirmar que o interior pode ser um lugar de chegada, de criação e de partilha.

O Teatro Municipal de Bragança tornou-se, nesse sentido, um farol cultural. A programação diversificada, que inclui teatro, música, dança, ou outras expressões artísticas, abre janelas para realidades diferentes. Os espectáculos trazem consigo novas histórias, novos olhares, novas perguntas sobre o mundo.

Para os jovens que crescem na cidade, esse contacto com a cultura pode ser decisivo. Ver um espetáculo, ouvir um concerto ou assistir a uma peça de teatro pode despertar curiosidade, criatividade e pensamento crítico. Pode inspirar futuros artistas, escritores, músicos ou simplesmente cidadãos mais atentos e sensíveis.

Mas a importância da cultura não se limita ao desenvolvimento individual. A cultura também fortalece o tecido social. Uma cidade culturalmente ativa torna-se mais vibrante, mais aberta, mais dinâmica. Os espaços culturais transformam-se em pontos de encontro onde as pessoas conversam, trocam ideias e constroem novas relações.

A cultura também tem um impacto no modo como uma cidade se vê a si própria. Quando uma comunidade participa ativamente na vida cultural, começa a desenvolver um sentimento de orgulho coletivo. Os habitantes passam a olhar para a sua cidade e região não apenas como um lugar onde vivem, mas como um espaço de criatividade e de expressão.

Num mundo cada vez mais globalizado, essa identidade cultural torna-se um elemento fundamental. As cidades que conseguem preservar e valorizar a sua identidade ao mesmo tempo que se abrem ao mundo tornam-se lugares mais fortes e mais resilientes.

É precisamente nesse ponto que a cultura e o dinamismo se encontram. O dinamismo de uma cidade não se mede apenas pelo crescimento económico ou pelas infraestruturas físicas. Mede-se também pela intensidade da sua vida cultural, pela capacidade de gerar ideias, pela vontade de experimentar novas formas de expressão.

Quando mais de vinte mil pessoas entram ao longo de um ano num teatro municipal de uma cidade do interior, algo importante está a acontecer. Está a acontecer um movimento de transformação. Um movimento que mostra que a cultura pode ser um motor de desenvolvimento, um instrumento de coesão social e uma fonte de esperança.

No fundo, investir em cultura é investir no futuro.

As cidades não vivem apenas de estradas, edifícios ou números económicos. Vivem também de emoções, de histórias e de experiências coletivas. Vivem da capacidade de imaginar novos caminhos.

Quando o pano sobe no palco do nosso teatro, abre-se também um pouco mais o horizonte de toda a cidade.

Os meus parabéns, agradecimento e estima a todos aqueles que, desde a primeira hora dinamizaram o nosso Teatro Municipal e a todos os que continuam a honrar essa missão. O que era quase um tiro no escuro, transformou-se numa certeza.

HM
Março de 2026

Aldeias Pedagógicas Digitais ao serviço da inovação social em Bragança

 O projeto “Aldeias Pedagógicas Digitais”, promovido pela Azimute, foi apresentado em Rio de Onor e conta com o apoio do Município de Bragança, da Portugal Inovação Social, Fundação MEO, BPI | Fundação “la Caixa” e Fundação Santander.
Esta iniciativa pretende ajudar idosos a manterem-se nas suas casas e aldeias com mais autonomia, através da utilização de tablets simples e intuitivos que facilitam o contacto com família, amigos e a comunidade.

Nas aldeias de Aveleda, Varge e Rio de Onor já foram realizadas 48 entrevistas e entregues 25 tablets. Ao longo de três anos, o projeto pretende envolver 56 participantes, combinando tecnologia com atividades presenciais e valorização das histórias e saberes locais. 

Este é um projeto co-financiado pelo Programa Regional do Norte 2030, através do Fundo Social Europeu +, pela Portugal Inovação Social e pelos diversos parceiros associados.

PODENCE RECEBEU ATIVIDADE DO PROJETO “JUNTO À TERRA” COM ALUNOS DO 8.º ANO

 A aldeia de Podence, conhecida como o berço dos Caretos de Podence e considerada uma das localidades mais coloridas de Portugal, acolheu ontem (12) mais uma iniciativa do projeto “Junto à Terra”. A atividade reuniu alunos do 8.º ano do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, que participaram num dia dedicado à aprendizagem, à partilha e ao contacto direto com o património cultural e natural da região.


As oficinas tiveram lugar na Eira do Careto, um espaço emblemático da aldeia, associado às tradições locais e à preservação da identidade cultural. Ao longo do dia, os jovens envolveram-se em diversas experiências educativas que procuraram reforçar a ligação à comunidade, à paisagem e às raízes culturais do território.

Um dos momentos mais marcantes da iniciativa aconteceu com a presença dos próprios Caretos de Podence, que se juntaram às atividades, levando animação, cor e tradição aos participantes e proporcionando um contacto direto com uma das manifestações culturais mais emblemáticas da região.

A iniciativa foi organizada pela Lago dos Sabores em parceria com o Geopark Terras de Cavaleiros. O evento contou ainda com o apoio do Município de Macedo de Cavaleiros, da Escola Secundária de Macedo de Cavaleiros, da Associação Grupo de Caretos de Podence e da Junta de Freguesia de Podence.

A ação integrou-se nas atividades de valorização do território e de educação para a cultura e sustentabilidade, aproximando os mais jovens das tradições e da identidade local.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

GNR PROMOVE AÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE SEGURANÇA DOS IDOSOS EM SÃO JULIÃO E DEILÃO

 O Comando Territorial de Bragança da Guarda Nacional Republicana, através da Secção de Prevenção Criminal, Policiamento Comunitário e Direitos Humanos, continua a dinamizar ações de sensibilização dedicadas à segurança da população idosa e à prevenção de burlas.


As iniciativas têm sido realizadas junto da população das localidades de São Julião e Deilão, com o objetivo de informar, alertar e capacitar os cidadãos mais idosos para reconhecer e evitar situações de fraude e outros crimes.

Durante estas sessões, os militares da GNR partilham conselhos práticos de prevenção, explicando os métodos mais comuns utilizados por burlões e reforçando a importância de adotar comportamentos seguros no dia a dia, quer em casa quer na comunidade.

Esta iniciativa insere-se na estratégia de policiamento de proximidade e apoio às populações mais vulneráveis, procurando reforçar a segurança e a confiança da comunidade, ao mesmo tempo que promove uma maior consciencialização para os riscos associados a diferentes tipos de burla.

Com estas ações, a GNR pretende continuar a estar próxima da população, promovendo a prevenção e contribuindo para uma comunidade mais informada e segura.

Jornalista: Edgar Pedreiro
Foto: DR

SEMINÁRIO “O PESO DA MÁSCARA” REFLETE SOBRE FESTAS TRADICIONAIS NA RAIA

 No dia 14 de março, o Miniauditório Municipal de Miranda do Douro recebe o seminário “O Peso da Máscara: Património Cultural Imaterial desde a Raia”. O evento reúne associações, comunidades e investigadores de Portugal e Espanha para debater a preservação das festas de inverno, os desafios à sua sustentabilidade e o papel da cultura e tradição no território.


Promovido pela Associação Empresarial para a Promoção da Geografia e Ambiente (AEPGA), no âmbito do projeto VISITEC | PNDI, conta com parcerias locais e internacionais e apoio do Fundo Ambiental. A participação é gratuita, com inscrição obrigatória e possibilidade de assistir online.
Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

MUNICÍPIOS DO NORTE RECEBEM INVESTIMENTO PARA PROJETOS TURÍSTICOS

 Chaves, Montalegre e Vimioso receberam, esta sexta-feira, financiamento para projetos turísticos no âmbito do Programa Crescer com o Turismo, numa cerimónia realizada no Porto. O Turismo de Portugal atribuiu 4,5 milhões de euros a 12 iniciativas, correspondendo a um investimento total de cerca de 11 milhões de euros em todo o país, envolvendo entidades públicas, privadas e associativas.


A sessão contou com a presença do Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, do Presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, e do Presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade.

Álvaro Santos destacou que “mais do que um ato formal, esta sessão representa um compromisso coletivo com o desenvolvimento do território”, sublinhando a importância do investimento para o reforço do turismo regional e a dinamização económica local.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

Visita guiada retrata a história da produção de seda em Chacim

 O Centro Interpretativo do Real Filatório de Chacim promove, no dia 22 de março, uma visita guiada no âmbito da iniciativa “À Descoberta do Turismo Industrial”.


Durante a atividade, os visitantes terão a oportunidade de conhecer o ciclo do bicho-da-seda, observar o moinho redondo, assistir à demonstração do método de fiação à piemontesa e explorar vestígios arqueológicos associados à antiga atividade industrial.

O percurso inclui ainda a visita às ruínas da antiga fábrica e à aldeia de Chacim, património que preserva a memória do desenvolvimento industrial local.

As inscrições estão abertas até ao dia 19 de março e podem ser feitas nos Museus Municipais ou através do correio eletrónico museus@cm-macedodecavaleiros.pt.

O Município assegura transporte gratuito, com partida das Piscinas Municipais às 09h30.

A iniciativa apresenta-se como uma oportunidade para conhecer melhor o património industrial e cultural da região.

Jodie Pinto

Júlia Rodrigues considera ser de “gravidade extrema” a estrutura da CCDRN deixar de ter representantes do distrito de Bragança

 É mais um “sinal negativo” relativamente à importância da implementação de políticas públicas para a verdadeira coesão territorial, o facto de o distrito de Bragança não ter qualquer representante na atual estrutura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN). É a reação da deputada do Partido Socialista, na Assembleia da República, eleita pelo círculo eleitoral de Bragança.


Júlia Rodrigues diz mesmo ser de uma “gravidade extrema” o facto de o distrito não ter nenhum representante nem no conselho diretivo da CCDRN, nem tão pouco nos cinco vice-presidentes recentemente nomeados para as áreas da Agricultura, Saúde, Ambiente, Cultura e Educação.

Beraldino Pinto, antigo presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, era um dos vice-presidentes do Conselho Diretivo da CCDRN, até à recente reestruturação orgânica que também previa a nomeação de cinco vice-presidentes responsáveis pelas áreas da educação, saúde, ambiente, cultura e agricultura e pescas. Este último, já tinha sido criado, no final de 2024, para resolver a polémica integração das anteriores Direções Regionais de Agricultura e Pescas, na CCDR, que passaram a designar-se unidades orgânicas regionais, sediadas em Mirandela, Castelo Branco, Santarém, Évora e Faro, uma decisão que causou forte oposição junto dos agricultores.

Foi a solução do Executivo de Luís Montenegro, que optou por não reverter a decisão, mas garantindo um vice-presidente designado sob proposta do ministro da Agricultura. Na altura, Paulo Ramalho, ex-vereador da Câmara da Maia, foi o escolhido para exercer essas funções e acabou, agora, por ser reconduzido.

Os restantes quatro vice-presidentes com funções setoriais foram nomeados, no Conselho de Ministros do dia 27 de fevereiro, por proposta dos membros dos Governo, mas nenhum é do distrito de Bragança, sendo distribuídos pelos distritos de Braga, Porto e Viana do Castelo.

Na educação foi escolhida Maria José Fernandes, de Guimarães, ex-professora coordenadora do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave. Na Saúde, foi nomeado Jorge Mendes, antigo presidente da Câmara de Valença. Teresa Leite, ex-Professora do Centro Universitário do Porto fica a gerir o ambiente, enquanto, Rui Costa, ex-Diretor de Recursos e Projetos Especiais da Fundação de Serralves, foi o escolhido para a área da cultura.

Para Júlia Rodrigues, esta falta de representatividade do distrito “é de uma gravidade extrema por não termos os nossos quadros técnicos – que também temos quadros técnicos da excelência – a representar o nosso distrito”.

A ex-presidente da Câmara de Mirandela recorda que estes representantes “fazem a gestão dos próximos quadros comunitários”, lamentando que, “apesar de termos quadros muito capazes, muito competentes que poderiam dar um aporte também de conhecimento do território à própria região Norte, perdemos toda a representatividade e a região fica, de alguma forma, enfraquecida”, diz.

Com estas nomeações, a deputada do PS, por Bragança, não tem dúvidas que o Governo dá mais um sinal negativo no chavão constantemente utilizado da coesão territorial, voltando a inclinar o país para o Litoral e dessa forma “vai-se acentuando esta discrepância entre aquilo que são os lugares de representação do interior e do litoral, o que é realmente muito preocupante”, acrescenta a deputada da Assembleia da República.

“Pode ser uma questão de menor importância para os territórios do litoral, mas a nível de coesão territorial para nós é determinante para um sentimento de inclusão até dos nossos quadros, das nossas competências, que temos tantas pessoas competentes que realmente não se compreende esta exclusão”, conclui.

Para a ex-presidente da Câmara de Mirandela este é também um claro sinal que a estrutura distrital do PSD não conseguiu mover qualquer tipo de influência sobre um Governo com a mesma cor partidária.

Apesar de diversas tentativas, não foi possível obter qualquer reação por parte de nenhum dos dois deputados eleitos pelo PSD, pelo círculo eleitoral de Bragança: Hernâni Dias e Nuno Gonçalves.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)

Cerimónia de Exaltação da Capa de d´Honras Mirandesa regressa no domingo com 200 participantes

 A cerimónia de Exaltação da Capa d´Honras Mirandesa, uma peça única do vestuário tradicional português e ainda em uso no concelho neste concelho, está de regresso a Miranda do Douro no domingo.


“De porte majestoso, as origens da Capa de Honras remontam aos tempos medievais, derivando da capa de asperge ou capa pluvial, nos seus primórdios repousando sobre os ombros de clérigos e dignatários eclesiásticos”, descreve a presidente da Câmara de Miranda do Douro, Helena Barril.

Segundo a autarca mirandesa, para a cerimónia está prevista a participação de mais de duas centenas, segundo que acrescenta que haverá no cortejo capas alistanas e zamoranas.

A Capa de Honras Mirandesa é uma peça de vestuário, adotada inicialmente por boieiros e pastores e, mais tarde, assumida como símbolo de fidalguia e prestígio social, esta peça tornou-se um ícone da "proua" (orgulho) local. Hoje, é reconhecida como uma das marcas identitárias mais profundas da Terra de Miranda.

Dado o valor cultural desta peça de vestuário, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) inscreveu, em novembro de 2022, a Capa de Honra Mirandesa no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), culminando “um longo caminho na salvaguarda desta peça do traje transmontano”.

O pedido de registo foi proposto em 10 de julho de 2022 pela Câmara Municipal de Miranda do Douro, que desenvolveu um trabalho de investigação para aprofundar o conhecimento desta arte, “com o objetivo da sua inventariação na plataforma MatrizPCI”.

De um agasalho de guardadores de gado até uma peça de vestuário que "está na moda", a tradicional Capa de Honras Mirandesa está a conquistar espaço num panorama do vestuário tradicional português, onde se confecionam chapéus, capas, carteiras e outras indumentárias que são usadas um pouco por todo o país e Europa, tanto por homens como por mulheres.

A Capa de Honra Mirandesa vai continuar a ser perpetuada no tempo com várias manifestações como a do estilista português Nuno Gama, que já se tinha inspirado na peça para a apresentação da sua coleção durante a ModaLisboa 2018.

Também o ‘designer’ francês Christian Louboutin se inspirou na Capa de Honra Mirandesa para a apresentação de uma das suas coleções, em 2019.

Em fevereiro de 2019, o Papa Francisco vestiu uma Capa de Honra oferecida pelo município de Miranda do Douro.

Atualmente, é apenas utilizada em cerimónias protocolares ou atos de importância relevante. No entanto, é usual oferecer uma capa de honra às pessoas distintas que visitam o município de Miranda do Douro.

Francisco Pinto

Grande nabo em Freixo de Espada à Cinta surpreende população

 Agricultor a vida toda, José Cristão nem queria acreditar na dimensão de um nabo que nasceu e cresceu na sua horta em Freixo de Espada à Cinta “Trata-se de um nabo de tamanho fora do normal, com perto de 70 centímetros de diâmetro e um peso estimado entre 9 e 12 kg.”, contou ao Mensageiro.


Os nabos da horta do agricultor freixenista foram todos semeados no mesmo dia, mas este cresceu mais do que os outros. “Destaca-se claramente pelo seu tamanho e peso, impressionantes”, referiu José Cristão sublinhando que “nunca tinha visto nada assim”.

O caso do nabo gigante cometa-se em Freixo de Espada à Cinta e são muitos que acorrem ao campo para visitar a horta de José Cristão. “Já sou agricultor há muitos anos nunca me tinha sucedido uma destas. Eu só uso como fertilizante estrume de animais, porque mantenho uma horta em modo de produção biológico, e não tenho explicação para este nabo que cresceu tanto”, observou.

José Cristão ainda não ganhou coragem para arrancar o nabo da terra, não vá o vegetal estragar-se. “Nem sei o que fazer com ele. Talvez o deixe na terra até que acabe”, acrescentou.

Glória Lopes

Produtores pecuários de Bragança recebem reforço de apoio municipal de 128 mil euros

 A Câmara de Bragança vai reforçar a sanidade animal e apoiar diretamente o setor pecuário do concelho com 128 mil euros


Os protocolos de colaboração foram formalizados com o Agrupamento de Defesa Sanitária (ADS) de Bragança e com a Associação de Criadores de Gado e Agricultores (ACRIGA).

“Fizemos um protocolo que define um valor global para cada associação e nesse protocolo está o apoio em função do número de animais vacinados e, portanto, isso será gerido depois por cada uma das associações. Portanto, atribuímos apoio para 3.170 bovinos e para 33.650 pequenos ruminantes e, portanto, o apoio é em função destes animais”, explicou a autarca Isabel Ferreira.

A presidente da câmara explica que “foi na sequência da reunião que houve com estas associações em que foram identificadas essas necessidades de apoio”. Os protocolos vão assegurar o financiamento das intervenções de profilaxia médica e sanitária obrigatórias, integradas no Programa Nacional de Saúde Animal (PNSA), permitindo que o Município assuma a totalidade dos custos do primeiro controlo anual.

Segundo a autarquia, os criadores deixam de suportar encargos associados ao rastreio e controlo de doenças como a tuberculose bovina (teste da tuberculina), brucelose bovina (colheitas de sangue para rastreio), brucelose dos pequenos ruminantes (ovinos e caprinos), leucose enzoótica bovina e a vacinação contra clostridioses”.

Este investimento traduz-se num aumento de cerca de 30% face a 2025. A presidente da câmara de Bragança justifica o valor devido à importância do setor para o concelho. “Porque a parte agrícola, em toda a sua dimensão, incluindo a pecuária, é muito relevante no nosso concelho. E os agricultores enfrentam grandes desafios, assim como os produtores de raças animais, sobretudo numa época em que a prevenção é muito importante, nomeadamente, através da vacinação. E considerámos que devíamos alargar os apoios à vacinação para abranger também um maior número de efetivos, de animais”, concluiu.

Os protocolos alargam ainda certos critérios de elegibilidade. Se em 2025 o apoio incidia sobre bovinos com idade igual ou superior a 42 meses, este ano passa a abranger animais com idade igual ou superior a 42 dias.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Rita Teixeira

Novos instrumentos de socorro podem chegar a Portugal brevemente

 Prestar ou receber auxílio de qualquer pessoa na rua já é uma realidade em alguns países estrangeiros e poderá estar cada vez mais próxima de se tornar realidade em Portugal


Durante as comemorações dos 20 anos da VMER de Bragança, a médica interna de medicina intensiva da VMER da ULS do Nordeste, Carla Gomes, falou de alguns instrumentos que já estão a ser testadas no estrangeiro e que podem vir a transformar o socorro em Portugal. Na Dinamarca, por exemplo, o uso de drones permite fazer chegar desfibrilhadores à população com formação em suporte básico de vida. “O uso dos drones pode ter aqui dois componentes. Havendo uma paragem presenciada e uma pessoa com formação e suporte básico de vida, conseguimos colocar um desfibrilhador automático externo que aumenta muito a possibilidade de sobrevivência numa paragem cardiorrespiratória, se for indicado o seu uso ao local, ou seja, antes da chegada dos meios. Se conseguíssemos otimizar esta entrega a partir dos drones, conseguíamos muito melhorar a sobrevivência.”

Em Portugal ainda não existe, mas Carla Gomes acredita que a implementação poderá estar para breve. “Acho que não é uma coisa que possa estar assim tão longe, acho que é uma questão de pensarmos no assunto e de se operacionalizar, mas que depende muito dos centros responsáveis. Isto terá de ser uma decisão a nível nacional. No centro, nos CODU’s, terá de ser uma decisão institucional, portanto não é uma coisa que nos permita decidir de forma regional, mas penso que sim, estarão também à par da evolução daquilo que está a acontecer nos outros países em termos de evolução no pré-hospitalar.”

Ainda assim a médica destaca que o primeiro passo é formar a população para a prestação dos primeiros socorros e utilização do equipamento. Para já, esta tecnologia ainda não é uma realidade em Portugal, mas a nível de inovação e equipamentos de socorro, o país não fica muito atrás dos exemplos internacionais.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Cindy Tomé

Um ano de Mogadouro cidade: autarca faz balanço marcado por investimento público

 Passou um ano desde que a vila de Mogadouro foi elevada à categoria de cidade


Doze meses depois, o presidente da câmara municipal faz um balanço marcado por investimento público, novos equipamentos culturais e sinais de maior interesse pelo território por parte de investidores.

Segundo António Pimentel, o impacto da elevação a cidade foi imediato e tem contribuído para reforçar a visibilidade do concelho. “Para além do facto histórico que representa, temos vindo a assistir, sem dúvida nenhuma, a uma grande procura de Mogadouro para investir. O que quer dizer que resultou numa projeção de Mogadouro a nível nacional, com consequências efetivas para o território”, disse o autarca.

Um dos projetos em andamento é a instalação de um hotel no antigo edifício que alojou os serviços do Ministério da Agricultura e Pescas. Além disso, o autarca revelou que também o hotel de Castelo Branco foi recentemente negociado. “Havia também, como é sabido, interesse e foi negociado já o hotel de Castelo Branco por um investidor francês que naturalmente projeta também a conclusão da obra.”

A aposta no turismo surge como uma das áreas onde o interesse empresarial se tem manifestado com maior intensidade. Mas também têm existido contactos com investidores internacionais. “Têm havido contactos com investidores brasileiros que nos visitaram, nomeadamente um que estava interessado numa instalação de uma plataforma logística. Tivemos apenas uma pequena e uma primeira abordagem.”

O presidente destaca ainda projetos nas áreas social, desportiva e de apoio à população. Um dos exemplos é a ampliação da creche da Santa Casa da Misericórdia, para responder ao aumento do número de famílias jovens. “Podemos constatar pela primeira vez que apesar, por exemplo, de termos apoiado a ampliação da creche da Santa Casa da Misericórdia, temos hoje inúmeros pais que têm que levar as crianças para outros concelhos porque a resposta e o crescimento da população casais jovens foi bastante e como tal só agora iremos lançar, provavelmente ainda esta semana, a construção de uma creche municipal para dar resposta ao aumento da população juvenil.”

Para o autarca, o futuro do concelho dependerá sobretudo da capacidade de atrair empresas e criar emprego. “Só há uma maneira de trazer população para o território. É necessário que o Governo saiba dirigir os apoios para o interior, porque se houver apoios definidos para investir no interior, as empresas naturalmente vêm para o interior e no emprego, não há dúvidas, só as empresas é que verdadeiramente conseguirão fixar os nossos jovens. Não há outra maneira”, concluiu.

Ao longo deste primeiro ano enquanto cidade, o município também apostou no reforço da oferta cultural e na criação de novos equipamentos. Entre os projetos mais recentes está o Centro de Arte Contemporânea Manuel Barroco, inaugurado no final de fevereiro. No mesmo dia foi ainda lançada a primeira pedra do futuro Museu de Mogadouro.

Apesar dos desafios associados à interioridade e à evolução demográfica, António Pimentel considera que o primeiro ano como cidade deixa sinais encorajadores.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Carina Alves

VI Encontro Internacional de Rituais Ancestrais de Bemposta 👹

 - Começamos por apresentar um grupo, que faz a sua estreia em Bemposta

SOS MERDULES BEZZOS DE OTZANA  - (Sardenha, Itália)

 Este grupo representa uma das tradições mais marcantes do imaginário ritual da ilha da Sardenha. A sua presença está ligada às celebrações de Santo António Abade, realizadas a 16 de Janeiro, um momento profundamente simbólico que marca o início do ciclo do Carnaval tradicional em várias localidades Sardas.

 As suas figuras rituais impressionam pela força visual: máscaras expressivas, vestimentas de pele e elementos que evocam a relação ancestral entre o homem, o animal e a natureza. A performance recria um cenário quase primitivo, carregado de simbolismo, onde se misturam o caos, o instinto e a ordem.

 A estreia deste grupo em Bemposta promete trazer uma energia única ao encontro, reforçando a ligação entre diferentes culturas que mantêm vivos os rituais ancestrais da Europa 👹