Hermínia Cunha, é natural de São Pedro Velho (Mirandela), tem 57 anos, é enfermeira no Hospital de Santo António, no Porto, há 32 anos, e nos últimos 25 está alocada ao bloco operatório.
Também pertence ao grupo de transplantação e colheita de órgãos naquela unidade hospital portuense e foi nessa qualidade que foi convidada a integrar uma equipa multidisciplinar, coordenada por Norton de Matos, cirurgião vascular, constituída por vários profissionais de saúde que, há mais de uma década, iniciou um projeto pioneiro em Cabo Verde, e que teve a sua concretização, no passado dia 24 de março, no Hospital Universitário Agostinho Neto, na cidade da Praia, com a realização, com sucesso, do primeiro transplante renal, marcando um momento histórico para o Sistema Nacional de Saúde daquele país africano e do qual se orgulha a enfermeira mirandelense. “Eles têm muitos doentes em diálise e o objetivo é tentar tratar as pessoas e fixar os locais para eles não terem que se deslocar para Portugal, onde vinham fazer os tratamentos e até um possível transplante. É uma forma de reduzir o número de doentes em diálise lá em Cabo Verde, fazendo este projeto”, conta.
No entanto, “o mérito não é meu, é todo deles”, ressalva Hermínia Cunha. “Pertenço ao grupo de transplantação e colheita de órgãos e foi nesse contexto que os cirurgiões me convidaram para fazer parte da equipa”, acrescenta.
A enfermeira natural da “terra dos morangos” (São Pedro Velho) explica que o processo começou com “uma colheita de rim em dador vivo, depois de vários estudos feitos a familiares diretos, muito rigoroso, iniciou-se então a colheita e a transplantação de órgão”.
A colheita do rim foi feita com recurso a uma técnica “pouco invasiva, que se chama de laparoscopia, para o dador não sofrer pelo facto de estar a expor-se a incisões profundas. Portanto, a laparoscopia são pequenas incisões e nós conseguimos tirar o órgão sem fazer grande lesão ao dador. ele tem alta no dia a seguir, e o receptor tem um rim super saudável, de alguém que é familiar com laços de ligação, genótipos e de outras características que são essenciais para não haver a rejeição”, refere.
Para além deste projeto, Hermínia Cunha já integrou cerca de uma dezena de missões organizadas por Organizações Não Governamentais (ONG), em outros países africanos, como São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, para a realização de diversas cirurgias. “Na última missão que fiz, na Guiné-Bissau, houve a possibilidade de fazermos cirurgias endoscópicas, que eram receções de adenomas da próstata e receções de lesões da bexiga, e levamos equipamento de endoscopia para iniciarmos lá esta nova técnica cirúrgica”, conta.
Hermínia não esconde que há um enorme elo de ligação com a equipa. “Gostamos de nos juntar, e sabemos que fazemos uma equipa forte e focada no trabalho e no empenho de que tudo corra bem, e chegarmos cá e termos realizado um grande número de cirurgias, acaba por ser realmente um privilégio para mim entrar nestas equipas e é um trabalho que me dá prazer e que gosto imenso”.
A enfermeira não tem dúvidas que a melhor decisão que tomou foi passar para o bloco operatório no Santo António, “porque achava que era um trabalho que ia executar com muito prazer e motivação e de facto acertei. Também foi a realização de um sonho ir para o Bloco e empenhar-me e focar-me em todos os procedimentos cirúrgicos que ali existem”, afirma.






















