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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A Magia dos Clubes no Quintal


 Nos anos 60 e 70, o mundo, pelo menos o nosso, não era medido por megabytes ou seguidores, mas pelo alcance do nosso grito de chamada a partir da janela. Antes da ditadura do ecrã, do silêncio isolador dos auscultadores e da velocidade frenética dos chats, existia um mundo muito mais palpável, quente e genuíno. Os clubes no quintal. Eram pequenos universos paralelos, reinos indomáveis, nações inventadas, muitas vezes na terra batida onde o tempo, por capricho da nossa inocência, parecia andar bem mais devagar.

Não havia necessidade de orçamentos ou planos de engenharia. Os nossos palácios eram erguidos com o que a vida, por acaso, nos oferecia. As tábuas velhas de uma estante que já não servia eram transformadas em mesas de comando, as caixas de fruta de madeira, com o seu cheiro ao campo, umas pedras perdidas em qualquer caminho, tornavam-se tronos e cadeiras e um lençol colorido, estendido com orgulho num estendal de arame, erguia-se como sendo a nossa bandeira oficial, hasteada com a solenidade de quem declara a independência de um novo mundo, de um novo reino.

Para nós, o "estatuto" do clube não era uma brincadeira, era uma constituição sagrada. Tínhamos cadernos escolares, com as folhas riscadas, onde as regras eram escritas. Proibido entrar sem autorização, proibido contar segredos aos mais velhos, proibido desistir. Muitas vezes criávamos senhas e contra-senhas que serviam de acesso ao clube. As nossas atividades, embora simples aos olhos de um adulto, eram epopeias autênticas desde o rigor tático de um campeonato de berlindes, ou de um jogo de hóquei de campo, até à construção monumental de uma cabana ou de uma casa na árvore que, embora instável, parecia tocar as nuvens.

Nas nossas merendas, o banquete era simples, mas sabia sempre a luxo. Pão com marmelada caseira que deixava traços amarelados nos dedos, as inconfundíveis bolachas Maria que se desfaziam na boca, uns amendoins e umas latas de sardinhas, e aquela garrafa de sumol de litro e meio, muitas vezes partilhada por quatro ou cinco, com a atenção necessária para que ninguém bebesse um mililitro a mais do que a sua parte. Eram momentos em que o quintal, fosse o recanto cuidado de casa ou aquele terreno baldio cheio de silvas e mistérios, se transformava num território secreto, um santuário onde a imaginação ditava a lei e os adultos eram apenas figuras distantes, residentes de um planeta que pouco tinha a ver com o nosso.

Esses clubes não viviam de quotas ou mensalidades, de burocracias ou de redes sociais que exigem uma presença quase constante. Viviam do calor da proximidade, daquele olhar cúmplice que dispensava palavras e do entusiasmo puro de inventar um projeto novo todos os dias. Éramos arquitetos de sonhos, engenheiros de brincadeiras, diplomatas de uma paz que nunca precisou de tratados.

Mais tarde, já uns jovens, e antes de existirem discotecas ou boites em Bragança, os clubes serviam de local de encontro e de convívio onde se ouviam os últimos éxitos musicais, onde se namoriscava e se faziam bailes improvisados, e onde se criavam amizades indestrutíveis. Mas esse tempo da minha vivência, será contado noutros episódios.

No meu quintal existiram três clubes. No início dos anos 60 “Os 10 Terríveis”, depois em adolescentes, “O Ás de Copas” e mais tarde, já jovens, “O Saturno Club”.

Estes clubes não eram apenas lugares de ocupação de tempos livres. Eram, na verdade, fábricas de amizade. Eram alicerces lançados quase ao vento que, estranhamente, resistiram ao tempo. Hoje, quando fechamos os olhos, lembramo-nos de que a nossa maior riqueza não estava naquilo que possuíamos, mas nas pessoas com quem escolhemos, naquele pedaço de terra esquecido, partilhar a nossa infância, adolescência e juventude. Aquelas amizades, forjadas à sombra de um lençol velho, não ficaram pelo caminho, pelo menos a maioria delas, tornaram-se a base inquebrável sobre a qual construímos, anos mais tarde, o que somos hoje.

HM
24 de Junho de 2026

MIRANDELA É O PRIMEIRO MUNICÍPIO DO PAÍS A IMPLEMENTAR SISTEMA DIGITAL DE INSPEÇÃO DE PARQUES INFANTIS

 O Município de Mirandela voltou a posicionar-se na linha da frente da inovação tecnológica na administração pública, tornando-se o primeiro município português a implementar o Módulo de Inspeções do Infracontrol Online, uma ferramenta digital destinada à fiscalização e acompanhamento de equipamentos municipais, aplicada numa fase inicial aos parques infantis.


A nova solução integra a estratégia de modernização e transformação digital da autarquia, permitindo uma gestão mais eficiente, rigorosa e preventiva dos espaços públicos. Através desta plataforma, as equipas municipais passam a realizar inspeções diretamente no terreno utilizando dispositivos digitais, eliminando processos burocráticos e tornando a recolha de informação mais rápida e precisa.

O sistema possibilita a utilização de listas de verificação digitais, o registo fotográfico das situações observadas, a identificação imediata de ocorrências e a elaboração automática de relatórios técnicos, garantindo uma monitorização contínua do estado de conservação e das condições de segurança dos parques infantis do concelho.

Com esta inovação, o Município consegue acelerar a deteção de problemas e planear de forma mais eficaz as intervenções necessárias, contribuindo para a melhoria da segurança e da qualidade dos espaços utilizados diariamente por crianças e famílias.

O Infracontrol Online funciona como uma plataforma de gestão operacional que permite acompanhar ocorrências, equipamentos e intervenções em todo o espaço público, assegurando maior organização, rastreabilidade e capacidade de resposta dos serviços municipais.

Embora a implementação tenha começado pelos parques infantis, a autarquia prevê alargar progressivamente a utilização do módulo a outras áreas estratégicas da gestão municipal, incluindo infraestruturas, equipamentos urbanos, estabelecimentos de ensino, património municipal e articulação com as juntas de freguesia.

A aposta nesta ferramenta representa mais um passo na construção de uma administração local mais moderna e eficiente, colocando a tecnologia ao serviço dos cidadãos e reforçando a capacidade de prevenção, planeamento e gestão dos recursos públicos.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE MACEDO DE CAVALEIROS APROVA REFORÇO DE APOIOS ÀS FREGUESIAS E SUSPENSÃO DE TAXAS NAS PRAIAS FLUVIAIS

 A Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros aprovou, na reunião ordinária realizada a 18 de junho, um conjunto de medidas com impacto direto na gestão do concelho, destacando-se o reforço financeiro às freguesias, a transferência de recursos no âmbito da descentralização de competências e a suspensão da taxa de acesso às zonas balneares das Praias da Ribeira e da Fraga da Pegada.


A sessão, presidida por Maria José Vieira Teodoro Moreno, ficou marcada pela apreciação e votação de vários assuntos estratégicos para o desenvolvimento do município, tendo a maioria das propostas reunido amplo consenso entre os deputados municipais.

Entre as deliberações aprovadas por unanimidade está o apoio e reforço financeiro ao exercício de competências próprias das freguesias e uniões de freguesia do concelho, bem como a transferência de recursos para o exercício das competências delegáveis, ao abrigo do processo de descentralização administrativa. As medidas visam dotar as autarquias locais de melhores condições para responder às necessidades das populações e reforçar a capacidade de intervenção no território.

Outro dos pontos em destaque foi a aprovação, por maioria, da suspensão da taxa de acesso às zonas balneares das Praias da Ribeira e da Fraga da Pegada, uma decisão que pretende incentivar a utilização destes espaços de lazer durante a época balnear e reforçar a atratividade turística do concelho.

A Assembleia Municipal aprovou ainda a terceira alteração modificativa aos Documentos Previsionais de 2026 e a segunda alteração ao Mapa de Pessoal do município, instrumentos considerados fundamentais para assegurar o normal funcionamento dos serviços e a concretização dos projetos previstos para o presente ano.

No plano institucional, foi aprovada a designação dos representantes da Assembleia Municipal na Comissão Municipal de Toponímia, bem como a nomeação para o Conselho Municipal de Educação. Os deputados aprovaram igualmente a designação do Fiscal Único da Resíduos do Nordeste, EIM, S.A., e a lista de candidatos ao procedimento de recrutamento de Juízes Sociais.

Durante a reunião foi ainda dado conhecimento da revogação da anterior minuta e da aprovação de uma nova minuta do contrato de comodato para a cedência do edifício do Jardim de Infância de Travanca à Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros.

Com estas deliberações, a Assembleia Municipal reforça a aposta na valorização das freguesias, na melhoria dos serviços públicos e na promoção de medidas que contribuam para a qualidade de vida da população e para o desenvolvimento sustentável do concelho.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

Região de Trás-os-Montes está acima da média nacional com terrenos georreferenciados

 Em Portugal, já estão georreferenciadas, através do BUPi (Balcão Único do Prédio) mais de 43% de matrizes existentes nos cerca de 170 municípios que podem aderir a este Sistema de Informação Cadastral Simplificado.


Nos distritos de Bragança e Vila Real, a percentagem de matrizes já georreferenciadas é ligeiramente superior à média nacional, confirma a Secretária de Estado da Justiça, Ana Luísa Machado:

O BUPi é uma plataforma online e um serviço presencial que permite aos proprietários identificar, demarcar e registar os seus terrenos rústicos e mistos, com o grande objetivo de mapear o território nacional e garantir a titularidade legal das propriedades.

O registo é gratuito, até 30 de setembro deste ano. Depois disso, passará a ser pago, apesar de ainda não estar definida qual será a taxa a pagar:

Declarações da Secretária de Estado da Justiça, esta terça-feira, em Vila Flor, local escolhido pela Estrutura de Missão para a Expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado, para distinguir municípios, balcões BUPi e técnicos habilitados que se destacaram, em 2025, pelo seu desempenho, inovação, proximidade aos cidadãos e contributo para o conhecimento do território.

Relativamente a premiados da região, destaque para a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes que saiu vencedora na categoria de Sistemas de Informação Geográfica. Que deixa naturalmente satisfeito, Pedro Lima, o presidente daquela CIM, e anfitrião desta iniciativa:

O Município de Mirandela arrecadou o prémio relativo ao segundo lugar na categoria “Cidadão Primeiro” que tem como base os resultados extraídos da plataforma BUPi, permitindo reconhecer o desempenho alcançado no âmbito da georreferenciação de matrizes. Para Agostinho Beça, coordenador do balcão BUPí de Mirandela, este prémio é o reconhecimento merecido para o desempenho dos técnicos alocados ao BUPi:

Também a União de Freguesias de Mouçós e Lamares, do concelho de Vila Real, recebeu uma menção honrosa na categoria de proximidade ao cidadão. Uma distinção que para o presidente, Hélder Afonso, é o reconhecimento do trabalho importante que as freguesias protagonizam junto das populações

Destaque ainda para o Município de Chaves que foi distinguido com o primeiro prémio na categoria de produtividade e a técnica do Município de Miranda do Douro, Vera Branco, na categoria de técnicos habilitados.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)
Fotografia: Ilustrativa

Concelho tem 11 percursos pedestres homologados

 O Município de Bragança tem, pela primeira vez, os seus 11 percursos pedestres homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.


Trata-se de “um passo relevante”, segundo a informação da autarquia liderada por Isabel Ferreira, para a valorização destes itinerários e para o reforço da oferta natureza do concelho.

As pequenas rotas estão localizadas em várias freguesias rurais, e já constituem importantes ativos turísticos e ambientais nas aldeias.

Em paralelo, foram realizados trabalhos de limpeza, manutenção e valorização em todos os trajetos, reforçando as condições de segurança e fruição para munícipes, visitantes e turistas.

Este processo representa um passo importante na qualificação da oferta de natureza do concelho, garantindo melhores condições de segurança, sinalização e usufruto por parte de munícipes, visitantes e turistas.

A homologação dos percursos pedestres constitui, também, um reconhecimento da qualidade destes itinerários, que atravessam diferentes paisagens do território.

Os 11 percursos pedestres homologados são:

• PR1 – Entre Carvalhais e Vales Encaixados (Rebordaínhos) – 13,5 km
• PR2 – Nas Fraldas da Serra da Nogueira (Sortes) – 14,5 km
• PR3 – Da via romana aos carvalhais e lameiros (Carrazedo) – 10 km
• PR4 – Trilho da floresta e biodiversidade (Carrazedo) – 12,5 km
• PR5 – Por trilhos das Minas da Ribeira (Coelhoso) – 13,5 km
• PR6 – Entre as ribeiras da Veiga e de Vilalva, à descoberta dos olivais (Izeda) –
12,5 km
• PR7 – Na rota dos pombais (Macedo do Mato) – 11 km
• PR8 – Rota dos castanheiros em flor (Salsas) – 11,5 km
• PR9 – Os encantos dos “Quercus”: Percurso entre carvalhos, sobreiros e
azinheiras (Sendas) – 18 km
• PR10 – Da monumental Basílica de Santo Cristo de Outeiro à imponência do Rio
Sabor (Outeiro) – 13 km
• PR11 – O Lado Português do Rio Onor (Rio de Onor) – 7 km

GL

ULS do Nordeste distinguiu 3 instituições por boas práticas na alimentação

 A Unidade Local de Saúde do Nordeste distinguiu três instituições do concelho de Bragança com os “Selos de Excelência PLS – Boas Práticas de Saúde: Alimentação Mediterrânica e Boas Práticas de Higiene e Segurança Alimentar”.


Foram reconhecidos o Centro Social Nossa Senhora de Fátima – Jardim de Infância e Creche, o Centro Social de Santa Clara e a Fundação Betânia – Centro Apostólico de Acolhimento e Formação, pelo trabalho desenvolvido na promoção de hábitos alimentares saudáveis e na implementação de boas práticas de higiene e segurança alimentar.

A iniciativa integra um projeto desenvolvido pela ULS do Nordeste, em parceria com a Direção-Geral da Saúde e a Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, tendo como base os princípios da Dieta Mediterrânica. a distinção é válida por um ano e passível de renovação.

A ULS do Nordeste destaca a importância deste projeto na promoção da saúde junto da comunidade, sublinhando que o processo inclui acompanhamento, monitorização e ações de formação dirigidas aos profissionais das instituições aderentes.

O Selo de Excelência integra as estratégias do Plano Local de Saúde da ULS do Nordeste, que identifica como áreas prioritárias de intervenção as doenças cérebro-cardiovasculares, as doenças oncológicas e as doenças mentais, apostando na prevenção e na promoção de estilos de vida saudáveis.

A Dieta Mediterrânica, reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, assenta no consumo equilibrado de alimentos de origem vegetal, azeite, peixe, carne e lacticínios em quantidades moderadas, privilegiando produtos locais e sazonais.

Além dos benefícios para a saúde, este modelo alimentar promove também a sustentabilidade ambiental.

Sublime 2021 da Quinta dos Castelares é um dos melhores vinhos do mundo

 O Sublime 2021 da Quinta dos Castelares, em Freixo de Espada à Cinta, é um dos melhores vinhos do mundo, segundo o prestigiado Prémio Mundial de Vinhos da Decanter, uma das revistas mais influentes do mundo dedicadas ao vinho.


Para o enólogo e diretor-geral da Quinta dos Castelares, Pedro Martins, este reconhecimento é o reflexo do trabalho desenvolvido desde a criação da marca. “Estamos a falar de uma medalha num concurso em que engloba aproximadamente 17 mil vinhos. Para Portugal foram unicamente atribuídas 6 medalhas de platina, sendo 3 em vinhos licorosos e em 3 vinhos de mesa. É um orgulho tremendo saber que o nosso vinho está considerado nos 200 melhores vinhos do mundo. E isto para nós é sinal que o caminho está a ser bem delineado e bem feito”.

Apesar de a Quinta dos Castelares já ter conquistado mais de duas centenas de prémios nacionais e internacionais, Pedro Martins admite que a Medalha de Platina superou as expectativas. “Quando falamos de vinhos feitos por nós é como se estivéssemos a falar de um filho. O que eu quero dizer com isto é que nós, quando mandámos os vinhos para concursos, ambicionámos sempre ter bons resultados. Ter agora júris, a nível mundial, de várias nacionalidades, a provar e atribuir exatamente o mesmo feeling ao vinho que eu tenho é um grande de orgulho. Mas não estávamos à espera, não vou dizer que estávamos”.

O Sublime 2021 é produzido exclusivamente com uvas Touriga Nacional e beneficia de condições únicas que lhe conferem frescura, elegância e complexidade. “Estamos a falar de um vinho produzido em Freixo de Espada à Cinta, numa vinha com uma altitude na ordem dos 650 a 700 metros, que lhe dá alguma acidez natural. Estamos a falar também de um vinho que tem um teor alcoólico um bocadinho mais alto que o normal. Mas é um 15 de álcool que não se sente. É um vinho 100% orgânico, que nos dá alguma fruta. Está com uma madeira muito bem casada, super elegante, nem a madeira se sobrepõe ao vinho, nem o vinho se sobrepõe à madeira. É um casamento perfeito. Temos notas de baunilha da madeira, de tosta… e temos também a fruta, o morango. Estamos a falar também de um ano de temperaturas altas, o que lhe dá alguma complexidade”.

A distinção internacional poderá também reforçar a presença da marca nos mercados externos. “Nós já temos uma presença internacional significativa. E sim, logicamente, há alguns mercados que estão menos bem trabalhados, outros que não estão conseguidos. Um dos mercados que gostávamos de trabalhar mais era o dos Estados Unidos. Nós temos alguma presença nos Estados Unidos, relativamente pequena, e espero que, com este prémio, se consiga chegar mais longe”.

Além do Sublime 2021, também o Grande Reserva 2021 foi premiado. Recebeu a Medalha de Prata. Já o Superior 2023 conquistou a Medalha de Bronze.


Vila Flor já tem mais de 50% do território georreferenciado

 Vila Flor já tem mais de 50% do território georreferenciado e a região de Trás-os-Montes está acima da média nacional. O anuncio foi feito pela Secretária de Estado da Justiça, Ana Luísa Machado à margem da cerimónia de entrega dos prémios BUPi 2025, que decorreu ontem, em Vila Flor.


A secretária de Estado da Justiça adiantou ainda que apesar dos resultados positivos da estrutura de missão, esperam atingir os 75% de georefenciação até ao final do ano. “Temos tido excelentes resultados, estamos numa reta final, mas aquilo que pretendemos é ter mais território georreferenciado. Portanto, estamos a trabalhar para que tenhamos muito sucesso, para que as pessoas reconheçam a importância de georreferenciar os seus prédios, de os identificar. Nós gostaríamos muito de chegar aos 100%. Temos algumas dificuldades porque ainda temos de perceber quais são os 100%. Aquilo que nós pensamos que possam ser os 100% podem não ser. É um trabalho que também estamos a desenvolver. Se chegássemos aos 75% até ao final do ano, eu ficaria muito feliz”.

Ana Luísa Machado destacou ainda que as heranças indevisas continuam a ser um dos grandes entraves à georeferenciação. “Esse é um grande problema, apesar de o Governo estar bastante empenhado em resolver essa questão. Já foram agora adotadas medidas para tentar agilizar o processo das heranças indivisas, mas temos um outro problema que é as pessoas herdam terrenos em localidades onde nunca residiram. Muitas vezes são minifúndios. Não sabem muito bem onde é que ficam, às vezes lembram-se que ficava junto àquela pedra ou junto àquele rio e não conhecem pessoas que os possam ajudar a localizar esse prédio, a fazer o desenho. Em todo caso, também já está a ser trabalhado, estão a ser trabalhadas algumas ferramentas digitais que vão permitir chegar a uma aproximação daquilo que é a geometria do prédio”.

Quanto aos prémios BUPi 2025, a secretária de estado da justiça afirma que são são um estímulo para dar continuidade a este trabalho que considera ser de sucesso. “Nós temos profissionais que são excelentes, que estão a trabalhar todos os dias no BUPi, juntamente com os municípios, juntamente com as CIM, também com as comissões de coordenação regional. Queremos dar a conhecer o mérito, até para que sejam exemplos para outros”.

A Comunidade Intermuncipal das Terras de Trás-os-Montes venceu a categoria Sistemas de Informação Geográfica.  Pedro Lima, autarca de Vila flor e presidente da CIM-TTM mostra-se satisfeito pela distinção e pelo concleho acolher este evento de dimensão nacional. “É muito importante termos aqui um membro do Governo e termos aqui as equipas nacionais, que convergem para este trabalho que é muito importante a nível nacional. Portanto, Vila Flor sente-se sempre orgulhosa de receber, mas receber um evento que tem caráter nacional evidentemente que é muito significativo para nós. Quanto aos prémios, a CIM vai receber um prémio porque acho que nos comportámos muito bem. Temos a visão de que este trabalho é importante ser feito, se calhar mais importante para nós aqui que sentimos o flagelo dos incêndios de uma forma particular, porque a nossa orografia é bastante desafiante e portanto damos muita importância à terra e a quem é o seu dono e quem deve cuidar dela”.

𝗜𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗔𝗯𝗲𝗿𝘁𝗮𝘀: 𝗩𝗼𝗹𝘂𝗻𝘁𝗮𝗿𝗶𝗮𝗱𝗼 𝗝𝗼𝘃𝗲𝗺 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗡𝗮𝘁𝘂𝗿𝗲𝘇𝗮 𝗲 𝗙𝗹𝗼𝗿𝗲𝘀𝘁𝗮𝘀 𝟮𝟬𝟮𝟲

 Fruto da aprovação da candidatura do Município ao Programa Voluntariado Jovem para a Natureza e Florestas do IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude, I.P. , encontram-se abertas as inscrições para o programa destinado à proteção do património natural de Vila Flor, mediante pagamento de bolsa de participação.


Condições de Participação: 

Datas: 6 de julho a 28 de agosto
Horário: 5 horas diárias
Bolsa de participação: 13€/dia
Quem pode participar? Jovens dos 15 aos 25 anos

Como participar?

1. Regista-te na plataforma do IPDJ que é AQUI.

2. Já registado(a)? Vai diretamente para o link da atividade e clica em “Inscrever-me” e escolhe a tua ação:

Se fores menor de idade, precisas de autorização dos teus pais.

Precisas de ajuda para te inscrever? Passa pelo GIP no Centro Cultural de Vila Flor!

Faz a diferença. Participa!

Pela natureza, pela floresta, por um futuro mais verde

Conservatório de Música e Dança de Bragança - OCEANO

 Da superfície luminosa às profundezas silenciosas, o Oceano respira em correntes que unem mundos distantes. Nas águas claras vivem as Sereias da Superfície; nas sombras azuis e misteriosas habitam as Sereias das Profundezas. 
Entre estes dois universos move-se a Mensageira do Oceano, viajando pelas correntes que ligam todas as águas, aproximando estes dois mundos. Guiadas por ela e acompanhadas por criaturas marinhas, as Sereias encontram-se finalmente num mesmo espaço. Nesse encontro revela-se o verdadeiro coração do mar: não existem fronteiras entre as águas, apenas correntes que ligam tudo o que nelas vive. E assim, entre luz e profundidade, as Sereias celebram a harmonia, lembrando que todas fazem parte do mesmo Oceano.

direção artística e coreografia Jordana Bonette e Luciula Zanella; libreto Luciula Zanella; músicas Andrea Vanzo, Dan Romer, David Lanz, Ludovico Einaudi, Rodrigo Leão e Tina Guo; arranjo e orquestração Mário Cardoso; figurinos João Fernandes; intérpretes Alunos de Dança do Conservatório de Música e Dança de Bragança.

𝗕𝗮𝗶𝗿𝗿𝗼 𝗖𝗼𝗺𝗲𝗿𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗗𝗶𝗴𝗶𝘁𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗧𝗼𝗿𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝘃𝗼

 Descubra as riquezas de Torre de Moncorvo e a sua herança única, neste encontro de descoberta do território.

Saiba mais AQUI.

𝐒𝐞𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐥𝐚𝐫𝐞𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐞 𝐯𝐢𝐬𝐢𝐭𝐚 𝐚𝐨𝐬 𝐥𝐨𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐚 𝐀́𝐫𝐞𝐚 𝐝𝐞 𝐀𝐜𝐨𝐥𝐡𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐄𝐦𝐩𝐫𝐞𝐬𝐚𝐫𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐥𝐚 (AAE) - 26 de junho

 Informam-se todos os interessados que, em cumprimento do disposto na Cláusula 10.ª do Programa do Procedimento, o Município de Mirandela vai realizar a sessão de esclarecimentos e visita aos lotes no próximo dia 26/06/2026 (sexta-feira), nos seguintes termos e horários:

Apresentação e sessão de esclarecimentos: início às 09,00 horas, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Mirandela.

Visita aos lotes na Área de Acolhimento Empresarial: início às 11,00 horas, na AAE, sita na Zona Industrial de Mirandela.

𝐂𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬 𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐢𝐧𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 AQUI.

Conferência dedicada à reflexão sobre a língua, a cultura e a identidade mirandesas enquanto património vivo e fundamental da diversidade cultural portuguesa.

 No âmbito do Mês do Mirandês, a Cooperativa Árvore promove, no próximo dia 27 de Junho, às 16h, uma conferência dedicada à reflexão sobre a língua, a cultura e a identidade mirandesas enquanto património vivo e fundamental da diversidade cultural portuguesa.
A sessão contará com a participação de Alfredo Cameirão, Ana Alexandra Afonso (La Bida Mirandesa)  e José Meirinhos, que irão partilhar diferentes perspetivas sobre a preservação, valorização e atualidade da língua mirandesa, bem como o seu papel na construção da memória e da identidade coletiva.

Mais do que uma herança a preservar, o mirandês afirma-se como uma língua viva, capaz de continuar a inspirar pensamento, criação e pertença.

Data : 27 de junho de 2026
Hora :16h00
Local : Cooperativa Árvore - Porto
Escola Árvore
Árvore - Cooperativa de Actividades Artísticas, CRL

Entrada livre

Festas, Festividades e Eventos

terça-feira, 23 de junho de 2026

Bragança dá mais um passo na valorização do turismo de natureza.

 Pela primeira vez, todos os percursos pedestres municipais estão homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, um reconhecimento que atesta a qualidade, segurança e sinalização dos trilhos existentes no concelho. Atualmente, a rede integra 11 percursos, distribuídos por alguns dos locais mais emblemáticos do território.


Entre montanhas, aldeias, rios e paisagens únicas, há cada vez mais razões para descobrir Bragança.

🚶‍♀️🌳 Escolha o seu percurso e parta à descoberta da natureza, da biodiversidade e da autenticidade do nosso território.

Mais informação AQUI.

Foi hoje demolido o edifício onde funcionou o Chave D'Ouro

Depois de colocarmos os macedenses à prova, fomos até Bragança e Mirandela descobrir se os transmontanos das cidades vizinhas conhecem bem a Feira de São Pedro 2026 e os artistas que vamos receber nesta edição.

Dr. Fernando Subtil

5 animais salvos da extinção pelos humanos

 Estas cinco histórias contam como os humanos salvaram algumas das espécies mais emblemáticas do nosso planeta da beira da extinção e lhes deram um novo sopro de vida.

ISTOCK

Muitos dos problemas enfrentados por estas espécies e pelos seus ecossistemas devem-se a acções humanas como a exploração dos recursos naturais, a poluição, a perda e degradação dos habitats, a caça indiscriminada ou a introdução acidental de espécies invasoras. No entanto, no meio desta paisagem difícil, há histórias de esperança e sucesso que nos recordam o poder da ação humana para fazer a diferença.

Ao longo da história, cientistas, conservacionistas e comunidades empenhadas de todo o mundo dedicaram tempo, recursos e esforços incansáveis para proteger e salvar espécies da beira da extinção e dar-lhes umasegunda oportunidade. Através de programas de reprodução em cativeiro e de reintrodução ou da aplicação de várias estratégias de conservação, estes esforços conseguiram evitar que alguns animais icónicos desaparecessem para sempre.

Estas histórias desafiam-nos a seguir em frente, chamam-nos a ter consciência do nosso impacto no ambiente e a tomar medidas responsáveis para preservar a vida selvagem e os seus habitats; encorajam-nos a acreditar que podemos fazer a diferença de uma forma positiva e inspiram-nos a tentar continuar a construir um futuro sustentável para todas as espécies que partilham o nosso mundo.

1. BISONTE-AMERICANO

Descrito como Bos bison pelo cientista e naturalista Carl von Linnaeus em 1758 e conhecido actualmente como Bison bison, o bisonte-americano, do qual várias tribos nativas da América do Norte obtinham alimento, abrigo e combustível, foi considerado uma divindade durante séculos. De facto, ainda hoje o é para os índios Sioux ou Lakota.

ISTOCK - Manada de Búfalos no Parque Nacional de Yellowstone.

Foi baptizado de "cibolo" pelos espanhóis aquando da sua chegada às grandes planícies americanas, a que deram o nome de "Llanos de Cíbola" devido ao grande número destes animais que aí pastavam. No entanto, com o posterior povoamento dos ingleses e devido ao elevado valor das suas peles, a espécie foi abatida, levando-a à beira da extinção. Dos estimados milhões de bisontes que podiam pastar na América do Norte, em 1890 o número destes bovídeos herbívoros tinha diminuído para apenas 750.

No entanto, graças aos esforços do Jardim Zoológico do Bronx, em Nova Iorque, que manteve uma pequena manada de sobreviventes, foi dada uma segunda oportunidade à espécie no Parque Natural de Yellowstone e noutras reservas naturais dos Estados Unidos.

Actualmente, estima-se que cerca de 30.000 bisontes vivam em estado selvagem no continente americano e que a população total, incluindo os criados em cativeiro para carne, se aproxime dos 500.000.  Pouco comparado com as estimativas anteriores à chegada dos europeus às Américas, que falam de 10 a 60 milhões de bisontes, mas ainda assim um número mais do que aceitável, considerando que se trata de uma espécie que talvez só tenhamos recordado nos livros de história. 

2. BISONTE-EUROPEU

Um caso semelhante ao do bisonte-americano é o de um dos seus parentes do velho continente: o bisonte europeu, Bison bonasus, também conhecido como bisonte das planícies ou dos Cárpatos. Durante a pré-história, várias espécies de bisontes povoaram e espalharam-se pela Europa, mas, num processo que começou ainda quando os nossos antepassados caçavam com lanças talhadas em pedra, foram desaparecendo gradualmente, deixando o Bison bonasus como o único representante do seu género na Europa.

ISTOCK

3. LINCE IBÉRICO

Outro dos feitos mais notáveis da conservação neste século encontra o seu esplendor na Península Ibérica, onde uma das jóias mais emblemáticas da fauna espanhola, o lince ibérico (Lynx pardinus), esteve perto da extinção na década de 1990.

A espécie enfrentou inúmeras ameaças, sendo uma das mais devastadoras a escassez da sua principal presa, o coelho, devido à mixomatose, uma doença viral que dizimou as populações de coelhos na Península Ibérica.

Assim, na década de 90, a preocupante realidade do lince ibérico estava reduzida a menos de 100 indivíduos dispersos em pequenas comunidades fragmentadas. No entanto, perante este quadro desolador, foi implementado um programa de conservação e recuperação sem precedentes. Foram criados meticulosos centros de reprodução em cativeiro, como o Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico, em Silves, e o Centro de  Centro Nacional de Cría del Lince Ibérico, em Espanha, ou o e foram realizados meticulosos trabalhos de reprodução.

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Os frutos destes esforços de conservação tornaram-se palpáveis com o início dos programas de reintrodução na primeira década do século XXI, que conseguiram aumentar significativamente a população de lince ibérico. Estes esforços centraram-se na criação de corredores ecológicos, estabelecendo ligações entre diferentes áreas de habitat e incentivando a dispersão do lince. Foram também implementadas medidas rigorosas de combate à caça furtiva e realizadas campanhas de sensibilização para promover a protecção da espécie – outrora, à semelhança de outros predadores ibéricos, considerada um verme – e do seu meio ambiente.

Os resultados actuais mostram um ressurgimento impressionante do lince ibérico. De acordo com os dados mais recentes, estima-se que mais de 1300 exemplares desta emblemática espécie felina vivam em estado selvagem em várias áreas protegidas de Espanha e Portugal. No entanto, o trabalho não está terminado, pois apesar da notável melhoria da sua situação, a espécie continua a ser legalmente considerada "em perigo" nos catálogos espanhol e português de Espécies Ameaçadas de Extinção.

4. BALEIA AZUL 

Com 33 metros de comprimento e cerca de 150 toneladas de peso, a baleia azul – Balaenoptera musculus –, o colosso por excelência dos oceanos, é o maior animal que alguma vez existiu na Terra, mas isso não impediu que estivesse perigosamente perto de desaparecer.

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Estes gigantes eram abundantes nos oceanos do mundo até ao início do século XX. Estima-se que, antes do início da caça comercial à baleia, algumas das suas populações, como a da Antárctida, terão rondado os 250.000 indivíduos. No entanto, durante o início e meados do século XX, quando a indústria baleeira atingiu o seu auge, dezenas de milhares de baleias azuis foram caçadas, principalmente pela sua gordura e óleo, utilizados para múltiplos fins.

Assim, após a introdução, em 1925, de navios-fábrica movidos a vapor, modernizados com rampas de popa e outras características que deram um salto qualitativo na capacidade de caça a estes gigantes, o número de baleias azuis caçadas anualmente aumentou drasticamente.

Estima-se que entre 1930 e 1931 estes navios caçaram uma média de 29.400 exemplares só na região antárctica. Esta situação sustentada levou a que, no final da Segunda Guerra Mundial, a sua população estivesse consideravelmente reduzida, pelo que, em 1946, foram introduzidas as primeiras quotas restritivas do comércio internacional de baleias, mas que se revelaram ineficazes por não diferenciarem as espécies.

Só em 1966 é que a Comissão Baleeira Internacional concedeu protecção legal a estas espécies, marcando um ponto de viragem crucial no seu destino. Desde então, a população de baleias azuis tem registado uma lenta recuperação e, de acordo com os dados mais recentes, estima-se que a população mundial ronde os 10.000 indivíduos.

Os esforços de conservação centram-se actualmente no estabelecimento de áreas marinhas protegidas e na implementação de medidas de monitorização e controlo da caça ilegal. Embora as suas populações actuais revelem uma melhoria em comparação com os números alarmantes do passado, há ainda muito a fazer para garantir a recuperação total e a conservação desta espécie marinha icónica, que apesar de ser caçada por alguns países e de enfrentar ameaças como a pesca acidental ou a colisão com navios, continua a ser classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como uma espécie em perigo.

5. URSO PANDA-GIGANTE

O panda-gigante – Ailuropoda melanoleuca – é um caso bastante peculiar, pois há quem acredite que esta icónica espécie asiática estaria de facto extinta – ou em vias de extinção – mesmo sem o contributo particular das acções humanas.

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Embora seja verdade que os pandas-gigantes enfrentam uma série de desafios de conservação, alguns deles estão mais relacionados com a sua reprodução e capacidades físicas – em última análise, com a sua própria biologia – do que com os factores externos que condicionam a sobrevivência das espécies de um ecossistema como um todo.

Por exemplo, uma das principais dificuldades enfrentadas por estes animais é a sua baixa taxa de reprodução. São desajeitados na cópula, ao ponto de necessitarem de assistência quando se reproduzem em cativeiro. Para além disso, têm pouco interesse pelo sexo, tendo sido considerados dos animais menos libidinosos do reino animal.

Além disso, as fêmeas dos pandas só são férteis durante um curto período de tempo por ano, entre 24 e 72 horas; têm dificuldade em conceber e, quando engravidam, a taxa de sucesso do parto e de sobrevivência da descendência é bastante baixa.

Outro desafio para os pandas-gigantes é a sua falta de jeito natural. Embora a sua aparência adorável e o seu comportamento brincalhão os tornem adoráveis para muitas pessoas, a sua falta de jeito, francamente, pode ser um grande obstáculo à sua sobrevivência na natureza. Devido à sua estrutura corporal e pernas curtas, os pandas são menos ágeis e menos eficientes na procura de alimentos do que outros animais. Este facto pode dificultar a sua capacidade de encontrar alimento suficiente, o que contribui para os problemas de conservação que enfrentam, incluindo a caça furtiva ou o desaparecimento da sua principal fonte de alimento, o bambu, cujo baixo valor energético significa que necessitam de grandes quantidades de bambu.

No entanto, a recuperação das populações de pandas é um dos feitos mais notáveis no domínio da conservação. Um dos marcos mais importantes neste domínio ocorreu na década de 1980, quando foram criadas na China várias reservas naturais e parques nacionais para proteger o seu habitat. Estas áreas protegidas proporcionaram um ambiente seguro para os ursos panda e ajudaram a abrandar a degradação do seu habitat.

Além disso, foram subsequentemente implementados vários programas de criação em cativeiro, nos quais foram utilizadas técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial, para aumentar a taxa de reprodução dos pandas em cativeiro e a sua subsequente reintrodução na natureza.

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Assim, ao longo dos anos, os resultados têm sido muito positivos. Estima-se que, em 2004, o censo oficial do panda na China tenha registado uma população de aproximadamente 1.596 indivíduos na natureza. Este foi um aumento significativo em relação às décadas anteriores e deu esperança para a sobrevivência da espécie. Duas décadas mais tarde, em 2022, a população de pandas em estado selvagem aumentou para 1.864 pandas, mais 16,3% do que em 2003. 

Tudo isto levou a que, em 2016, o estatuto de conservação do panda fosse actualizado de "em perigo" para "vulnerável" na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza; mas, embora os dados sejam encorajadores, os conservacionistas avisam que ainda há muito trabalho a fazer.

Héctor Rodríguez
JORNALISTA E EDITOR DE CIÊNCIA E NATUREZA
Actualizado a 2 de julho de 2023

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