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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐃𝐞𝐥𝐢𝐛𝐞𝐫𝐚 – 22.05.2026 - Reunião de Câmara Municipal Descentralizada - 𝐹𝑟𝑒𝑔𝑢𝑒𝑠𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑃𝑎𝑟𝑎̂𝑚𝑖𝑜

 As principais deliberações que marcam a vida do concelho apresentadas de forma simples.

No próximo dia 𝟐𝟔 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐨, terça-feira, às 20h30, realizar-se-á, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, a sessão pública de esclarecimento à população sobre a proposta da 𝟐.ª 𝐑𝐞𝐯𝐢𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐏𝐃𝐌 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬.

 Aproveite para 𝐞𝐬𝐜𝐥𝐚𝐫𝐞𝐜𝐞𝐫 𝐚𝐬 𝐬𝐮𝐚𝐬 𝐝𝐮́𝐯𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐞 𝐜𝐨𝐥𝐨𝐜𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐨̃𝐞𝐬 𝐚𝐨𝐬 𝐭𝐞́𝐜𝐧𝐢𝐜𝐨𝐬 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬. A sua colaboração é essencial para termos um 𝐩𝐥𝐚𝐧𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐞𝐣𝐚 𝐮𝐦 𝐢𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐧𝐯𝐨𝐥𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐡𝐨.

Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros reforça apoio financeiro às freguesias

 O Município de Macedo de Cavaleiros vai apoiar financeiramente as juntas de freguesia do concelho com um valor global de 212 mil euros. A proposta foi deliberada em reunião do executivo, que decorreu esta quinta-feira.


O presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, admite que o valor poderia ser superior, mas explica que, neste momento, este é o montante possível:

O autarca esclarece ainda que os fundos foram distribuídos de forma o mais equitativa e justa possível:

Sérgio Borges garantiu também que o processo de delegação de competências nas juntas de freguesia está a avançar a bom ritmo e que, possivelmente, poderá ser uma realidade já no próximo ano.

Maria João Canadas

Morgue do Hospital de Macedo de Cavaleiros já está a ser alvo de limpeza após denúncias

 Na sequência das denúncias sobre alegadas falhas de higiene e falta de condições sanitárias na morgue do Hospital de Macedo de Cavaleiros, um auxiliar de saúde da unidade hospitalar confirmou à Rádio Onda Livre que já estão a decorrer trabalhos de limpeza no espaço.


A informação surge depois de profissionais do setor funerário terem denunciado problemas como infiltrações, maus odores, presença de baratas e falta de condições adequadas na morgue.

As queixas foram tornadas públicas pela Rádio Onda Livre e levaram também a Unidade Local de Saúde do Nordeste a admitir a existência de constrangimentos nas instalações, garantindo que estão em curso ações de melhoria.

Jodie Pinto

Encontro de EMRC juntou mais de 800 alunos em Bragança

 O segundo encontro diocesano de Educação Moral Religiosa Católica (EMRC) juntou esta quinta-feira, em Bragança, mais de 800 estudantes do terceiro ciclo e cerca de 80 professores de 11 escolas do distrito.


Estes números superam os da primeira edição, que se realizou em 2025 e reuniu cerca de 500 participantes.

“Poderíamos ter mais se alargássemos a participação a outros graus de ensino”, frisou ao Mensageiro Jorge Novo, responsável pela organização do encontro.

Depois de um dia recheado de atividades que decorreram no centro da cidade de Bragança e no parque Polis, no rio fervenca, o encontro terminou com uma caminhada rumo a Catedral, onde foi construído um logotipo humano pela Paz.

António G. Rodrigues

Igreja mais antiga do distrito foi restaurada e quer atrair mais visitantes

 Foi requalificada a Igreja de São Facundo, em Vinhais, a mais antiga do distrito, no Bispado Bragança-Miranda, classificada como Património Cultural. Um investimento de cerca de 260 mil euros.


As principais intervenções foram “sobretudo a nível da estrutura, quer exterior das paredes e do telhado, que era aquilo que estava mais degradado. E como é um edifício que é património cultural exigia várias intervenções, digamos, com determinados cuidados. Por exemplo, a nível da própria pintura, não é uma pintura normal, foi uma intervenção que teve o projeto feito pela Direção Regional de Cultura, mas a obra foi toda ela financiada pelo município”, explicou o presidente da Câmara de Vinhais, Luís Fernandes, sublinhando que “sendo a igreja que temos mais antiga, fazia todo o sentido recuperar”.

A igreja que se localiza dentro do cemitério, era usada pontualmente, mas a autarquia acredita que, devido às obras, poderá ser utilizada com mais frequência e atrair mais visitantes.

“É verdade que aquela igreja fica no cemitério, mas claro que tendo em atenção esta requalificação esperamos que mais pessoas visitem e aproveitem também para ver todo o resto do património que nós temos, neste caso do património religioso”, rematou.

Giovani Sousa, Pároco de Vinhais, não tem dúvidas que as melhorias eram fundamentais. “Precisava muito destas intervenções, porque a igreja não tinha mais condições de acolher, nem para a festa que tem aqui no mês de dezembro, de São Facundo, e nem para as cerimónias, por exemplo, do dia 1 e dia 2 de novembro, em homenagem aos nossos entes queridos falecidos”, apontou.

A inauguração da reabilitação decorreu durante o feriado municipal de Vinhais.

Festival ObservArribas volta às origens com três dias dedicados às aves e à cultura do Douro Internacional

 O Festival ObservArribas regressa a Miranda do Douro entre 29 e 31 de maio, num retorno simbólico ao território  onde a iniciativa nasceu há nove anos, para uma celebração dos valores naturais e culturais do Parque Natural do Douro Internacional, com particular enfoque na avifauna que sobrevoa as arribas do rio.


“O ponto principal será Miranda do Douro, onde estará toda a organização, com exposições e a maior parte das atividades, mas depois teremos atividades nos restantes municípios, como Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo”, indica Carla Lousão, que integra a organização.

A grande novidade desta edição é a instalação de pontos fixos de observação junto às arribas, na própria cidade de Miranda do Douro. “O festival tem sempre saídas de campo para observação de aves e também passeios fotográficos. Contudo, este ano, como Miranda do Douro vamos ter três pontos de observação fixos, apenas dois deles não requerem inscrição obrigatória” explica.

A medida pretende democratizar o acesso à observação de aves, permitindo que qualquer visitante, com ou sem experiência prévia, possa identificar espécies emblemáticas como o grifo, o britango, a águia-real, a águia-de-Bonelli, a cegonha-preta ou o falcão-peregrino, que fazem deste território um dos mais ricos em biodiversidade da Península Ibérica.

O programa arranca a 29 de maio com o Dia das Escolas, dedicado em exclusivo à comunidade educativa. Dezassete parceiros asseguram 23 atividades de carácter educativo, ambiental e cultural, dirigidas a alunos do território, com o objetivo de aproximar as novas gerações do património natural e identitário do Douro Internacional. “É muito importante, para os mais novos ficarem com a sensibilidade em termos ambientais e culturais, para criarem uma certa identidade com o território e compreenderem que vivem dentro de uma área protegida”, aponta Carla Lousão.

Nos dias 30 e 31 de maio, o festival abre-se a todos os públicos. O programa contempla saídas de campo para observação de aves, pontos fixos com material ótico profissional acompanhados por especialistas, passeios de barco pelas Arribas do Douro, visita a um campo de alimentação de aves necrófagas, oficina de anilhagem científica, oficinas de fotografia de natureza, oficinas infantis e mesas redondas.

A componente cultural ocupa lugar de destaque, com iniciativas que cruzam tradição e território: do mirandês à cosmética natural, do ciclo da lã ao fabrico da bola doce. A maioria das atividades é de participação gratuita. As iniciativas pagas, como os passeios de barco, beneficiam de desconto para os participantes inscritos no festival.

A última edições foram realizadas em Figueira de Castelo Rodrigo (2024) e  Mogadouro (2025) e para Carla Lousão “o balanço é sempre positivo”. Sublinha que “isto não é um festival de massa, estamos a falar de um festival que tem interesses específicos, nomeadamente na observação de aves e na fotografia de natureza, e o que temos verificado nesta, que é a nossa terceira edição, é que a adesão tem vindo a aumentar. E o balanço é extremamente positivo, porque acabamos por ter um programa bastante rico.

O Festival ObservArribas, Natureza e Cultura no Douro Internacional, é organizado pela Comissão de Cogestão do Parque Natural do Douro Internacional, num trabalho conjunto das entidades que a integram e com a colaboração de uma rede alargada de parceiros locais e nacionais.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Os lugares onde se olha o céu

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


 Como habitualmente, o telemóvel do avô demorava alguns segundos a estabilizar a imagem. Primeiro apontava ao teto da cozinha, depois descia para a testa enrugada, seguia-se um olho atento a espreitar. E só por fim o rosto inteiro, sempre demasiado próximo da câmara, iluminado pela luz pálida do candeeiro em cima da mesa.

— E agora?... Já me vês?

Miguel sorria, invariavelmente.

— Sim, vejo.

O ecrã quase perdido na desarrumação da secretária, entre chávenas vazias de café, caixas de comprimidos por abrir e folhas espalhadas ao longo de uma tarde vagarosa que não chegara a transformar-se em trabalho.

— Não te preocupes, avô. Estás cada vez mais moderno.

— Eu? Moderno?... Bom, se calhar sim. Olha, ainda ontem carreguei no botão do micro-ondas e desliguei a televisão da sala.

Riram-se os dois. Miguel, pela primeira vez nesse dia. O avô, devagar, como alguém que já desaprendera a alegria. Quem sabe, talvez ambos ainda guardassem alguma memória dela.

Atrás do avô, a cozinha continuava igual. A mesma toalha de plástico com flores desbotadas; o velho relógio, por cima da porta, a marcar horas desnecessárias; o armário da louça que existia há mais anos do que as paredes da casa. Ao fundo, uma nesga do pátio. O muro de pedra, as duas videiras tortas e, lá longe, uma ponta da serra adormecida sob o anoitecer.

Miguel aguardava aquelas chamadas como se esperasse por uma paz ansiada. Já não conseguia distinguir os dias uns dos outros. Era um acordar cansado, adormecer exausto e, pelo meio, ruídos constantes, sem linguagem, a falarem com ele e a diluírem-se, com o avançar dos minutos, sem a mais ínfima pausa. Já o avô, pelo contrário, parecia viver num mundo cheio de serenidade, com a paciência dos que nunca se adiantam para chegar às palavras. Como se soubesse de algum segredo escondido nos confins da existência.

— E então, choveu por aí, hoje? — perguntou o avô.

Nem reparara. Miguel olhou pela janela. Carros, sirenes de ambulâncias, luzes acesas em prédios onde ninguém se conhecia e, ali dentro, o ar pesado e quieto que se arrastava há meses.

— Não sei, acho que sim… — respondeu, distraído, a encolher os ombros.

— “Acho que sim” não é resposta de quem viu o dia.

Miguel ficou com o olhar silencioso como se qualquer observação fosse prescindível.

Por sua vez, o avô manteve-se calado, por segundos, como se receasse certas lembranças. 

— E tens dormido alguma coisa de jeito?

— Mais ou menos.

— Isso cheira-me a “não”. Que ainda continuas muito longe. 

— Talvez… E não sei bem como se volta.

— Volta-se insistindo — respondeu o avô. — Andas a pensar muito outra vez.

— Achas que dá para desligar o botão?

— Não. Mas dá para não estares desacompanhado enquanto isso acontece.

Miguel deixou escapar um suspiro. Muitas eram as vozes que, diariamente, habitavam o mesmo espaço que ele. Contudo, a solidão ocupava-lhe o corpo. Ultimamente, até o mais simples lhe pedia uma coragem absurda: levantar-se da cama, abrir persianas, atravessar as ruas cheias de caras desconhecidas. A maior insânia? Todos continuavam a falar-lhe da mesma forma. O mundo não reconhece a tristeza que paira, invisível, no ar.

— Acho que ando perdido de mim mesmo — confessou.

— Não. Só estás cansado de existir sozinho. Há quem passe a vida inteira assim.

— Então, não melhora?

— Não. Aprende-se a continuar.

Deu-lhe a única resposta possível. Miguel sorriu com tristeza.

— E tu, avô, tens saído de casa?

— Nem por isso. Às vezes, estou três ou quatro dias sem ouvir uma voz. Nem uma. Só os cães do vizinho.

Afirmou-o com o mesmo desembaraço de quem fala de comida e um bom copo de vinho.

— Mas ontem saí. Fui ao cemitério. A tua avó continua a ter mais visitas do que eu.

Miguel sentiu os olhos húmidos. O avô costumava dizer que a vida é mais severa quando não existe ninguém com quem a dividir. Agora imaginava-o sozinho naquela casa desde a morte da avó. Os dias compridos, o gemido dos móveis à noite, a televisão ligada só para ter companhia. Talvez porque, desde miúdo, o avô lhe parecera pertencer a uma estirpe remota de homens incapazes de serem vencidos, nunca lhe ocorrera perguntar-lhe se a solidão também o afligia.

O avô voltou a aproximar a cabeça do telemóvel.

— Queres que te conte uma coisa curiosa?

— O quê?

— Quando a tua avó morreu, pensei que o pior era deixar de falar com ela. Mas sabes, o pior mesmo foi deixar de ter alguém a quem mostrar as minhas pequenas coisas.

— As tuas pequenas coisas?

— Sim… Os caracóis que encontrei no quintal. A água a pingar da telha partida no telhado. A lenha a estalar na lareira… Essas porcarias sem importância nenhuma. Sabes, nós pensamos que vivemos de grandes momentos mas andamos todos enganados. Vive-se é destas misérias pequenitas que vamos partilhando com alguém, sem nos darmos conta.

Ouviu-se a buzina violenta de um carro, fora do apartamento. Na aldeia do avô, pelo contrário, a calmaria era completa. Sentiu inveja.

— Espera aí… — e o ecrã do telemóvel esvaziou-se da presença do avô durante um minuto.

A cozinha silenciosa. O relógio. O chiar de uma porta a abrir.

Quando ele voltou, trazia uma maçã na mão.

— Os médicos dizem que faz bem ao coração — explicou, a sorrir, depois de uma dentada. — Vem comigo. Vê o que te vou mostrar.

Saiu para a rua. A aldeia completamente recolhida. Não se viam anúncios cheios de cores, nem trânsito, nem prédios a interromper a noite. Somente a estrada estreita, as pedras cobertas de musgo, dois postes de eletricidade, a escuridão ao fundo. 

Depois, o avô estendeu o aparelho ao céu. 

— Aqui ainda dá para olhar para cima — anunciou. — Acho que te esqueceste de como é. 

Um céu gigante, carregado de estrelas. Luminoso. Miguel já não se lembrava da última vez que vira um assim.

— Acho que me fui esquecendo de muita coisa, avô…

Demoraram-se os dois, durante algum tempo, naquela quietude do firmamento abraçada pela tremura branda do vento.

Depois, Miguel teve uma ideia.

— Agora é a tua vez.

Abriu a janela do quarto. Os vidros dos prédios em redor refletiram a agitação noturna. Ali, a cidade permanecia desperta. Excessivamente iluminada. Exageradamente viva. 

— Estás a ver aquela janela ali em frente? — perguntou.

O avô aproximou os olhos do ecrã.

— Qual delas?

— Aquela com a luz azul.

— Sim, estou a ver.

— Naquele apartamento mora uma senhora que chega todas as noites a esta hora. Nunca a vi acompanhada. Não deve ter marido nem filhos.

O avô observou, diligente.

— E ali em baixo, naquele café da esquina… está sempre um homem de boné e com o seu cachecol, a comer torradas e a beber cerveja, enquanto vê os jogos de futebol.

Miguel desceu ligeiramente a câmara. Num quarto andar, uma rapariga, de pijama, regava as plantas na varanda. Mais abaixo, um rapaz magro fumava, encostado ao parapeito da janela. Junto a um semáforo, um idoso, apoiado na bengala, tentava acelerar o passo para conseguir passar antes do vermelho dos peões.

— Um mundo cheio de pessoas que, ao mesmo tempo, procuram não se sentir sozinhas! — comentou Miguel.

— Sabes, meu rapaz, antigamente eu achava que as pessoas eram diferentes umas das outras. Que algumas eram mais fortes e mais preparadas para a vida. Agora sei que andamos todos a ver se encontramos a mesma coisa. Só mudam os sítios onde o procuramos e a maneira como o fazemos.

As estrelas espalhavam-se sobre a aldeia com uma nitidez esplendorosa. No ponto oposto, milhares de luzes continuavam acesas no berço noite. Debaixo de todo esse manto, uma imensidão humana que, quer ao avô como ao Miguel, já não lhes pareceu, assim tanto, composta por estranhos. Somente por pessoas. Preocupadas. Assustadas. Cansadas. A silenciosa fragilidade de toda a gente.

Afinal, a idade não cura a solidão nem a cidade a deixa distraída. Mas, pelo menos, que haja alguém, para lá de todas as distâncias, com quem possamos olhar o nosso céu e dividir as nossas pequenas coisas. Tudo aquilo que não cabe em nenhum modo de escrever ou de falar. 

Só para não permitir que o escuro nos aconteça sozinhos. Só para que o outro saiba onde pode regressar quando a noite se tornar demasiado grande.

Paula Freire


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

De 18 a 21 de junho, a Quinta da Trajinha transforma-se na maior plataforma agrícola do Nordeste Transmontano: a 𝑭𝒆𝒊𝒓𝒂 𝑨𝒈𝒓𝒊́𝒄𝒐𝒍𝒂 𝒅𝒆 𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂.

 A plataforma digital já está disponível online, AQUI.

Se é expositor e está interessado em participar na FAB, inscreva-se AQUI.

O trabalho para eguer a 1.ª FAB está no terreno!

A apresentação oficial à imprensa aconteceu hoje, na Câmara Municipal. Saiba tudo AQUI.

Na 𝗡𝗼𝗶𝘁𝗲 𝗘𝘂𝗿𝗼𝗽𝗲𝗶𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗠𝘂𝘀𝗲𝘂𝘀, o CNE Agrupamento XVIII - Bragança vai procurar 𝗕𝗶𝗰𝗵𝗼𝘀 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝗻𝗵𝗼̃𝗲𝘀 𝗲 𝗯𝗶𝘇𝗮𝗿𝗿𝗼𝘀 à luz da lanterna no Museu do Abade de Baçal.

MIRANDA DO DOURO RECEBE II JORNADAS DA USF D’OURO SAÚDE DEDICADAS À PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR

 O Miniauditório de Miranda do Douro recebe, no próximo dia 25 de maio, as II Jornadas da USF D’Ouro Saúde, uma iniciativa centrada na promoção da saúde cardiovascular e na sensibilização da comunidade para a adoção de estilos de vida saudáveis.


O evento pretende aproximar profissionais de saúde e população em geral, promovendo uma abordagem prática e interativa sobre prevenção cardiovascular, considerada um dos principais desafios de saúde da região.

Ao longo da tarde serão dinamizadas várias atividades dedicadas à alimentação saudável, prática de exercício físico e adoção de hábitos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e redução do risco de doença cardiovascular.

Entre os destaques do programa estão sessões conduzidas por nutricionistas, focadas em estratégias alimentares simples e equilibradas, bem como atividades físicas adaptadas orientadas por especialistas, incentivando a integração de mais movimento no quotidiano.

As jornadas incluem ainda momentos de partilha de informação e aconselhamento sobre prevenção, autonomia e envelhecimento saudável, procurando dotar os participantes de ferramentas práticas para cuidar da saúde cardiovascular no dia a dia.

Com esta iniciativa, a USF D’Ouro Saúde reforça a aposta na promoção da literacia em saúde e na proximidade à comunidade, incentivando hábitos preventivos e estilos de vida mais saudáveis.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

TRÁS-OS-MONTES EM DESTAQUE NA CAPITAL COM MASTERCLASSES DE VINHOS

 A região de Trás-os-Montes vai estar em evidência na área metropolitana de Lisboa através do programa “Eu Provo Trás-os-Montes”, que no próximo dia 30 de maio promove três masterclasses dedicadas aos vinhos transmontanos.


A iniciativa terá lugar no Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras, e pretende dar a conhecer a identidade vínica da região a um público mais amplo, levando os sabores e características do território até à capital.

Ao longo da tarde serão realizadas três sessões temáticas, centradas em diferentes dimensões do património vitivinícola transmontano: a influência da altitude e das sub-regiões, a história das vinhas velhas e dos lagares rupestres, e a importância das castas autóctones enquanto “ADN” dos vinhos da região.

As sessões têm início às 16h00 e prolongam-se até às 19h00, proporcionando uma abordagem pedagógica e sensorial que combina conhecimento técnico com prova de vinhos.

A participação está limitada a inscrições prévias, sendo cada masterclass de acesso pago, num valor simbólico de 5 euros.

A iniciativa reforça a promoção dos vinhos de Trás-os-Montes fora da região de origem, valorizando o enoturismo e a projeção dos produtores transmontanos junto de novos públicos.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

FREIXO DE ESPADA À CINTA E IBERDROLA ABREM CAMINHO A COOPERAÇÃO INSTITUCIONAL INÉDITA

 O Presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira, reuniu-se pela primeira vez com a empresa Iberdrola, num encontro considerado histórico no contexto das relações institucionais do concelho.


A reunião contou também com a presença do vice-presidente do município, Pedro Vicente, e da representação da empresa espanhola, composta por Ramón Delpuy, diretor da Cuenca das Barragens do Douro, e Luís Ángel Martín, responsável pelas operações na mesma área.

O encontro, realizado a 19 de maio, ocorre mais de sete décadas após a construção da Barragem de Saucelle, inaugurada em 1950, e marca o início de um possível processo de aproximação institucional entre o município e a empresa energética.

Segundo as partes envolvidas, a reunião constituiu um primeiro passo para a exploração de futuras formas de cooperação, incluindo a eventual celebração de protocolos e o desenvolvimento de projetos conjuntos com impacto no território.

A autarquia sublinha que esta abertura poderá vir a traduzir-se em benefícios para o concelho, através de iniciativas de colaboração estratégica que reforcem a ligação entre o município e a gestão das infraestruturas hidroelétricas na região.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

“PINGOS POÉTICOS” APRESENTADO NA FEIRA DO LIVRO 2026 EM FREIXO DE ESPADA À CINTA

 Decorreu no dia 19 de maio, na nave de exposições do Auditório Municipal de Freixo de Espada à Cinta, a apresentação da obra “Pingos Poéticos”, integrada na Feira do Livro 2026.


O livro é da autoria de Francisca Favas, pseudónimo literário de Aldina Massa, natural do concelho. Perante uma sala cheia, a escritora apresentou a sua mais recente publicação, uma coletânea poética marcada pela espontaneidade e pela liberdade criativa, onde se reúnem pensamentos, emoções e sentimentos sem uma estrutura temática fixa.

A autora descreveu a obra como um conjunto de fragmentos líricos resultantes de inspirações livres e intuitivas, que refletem diferentes estados emocionais e momentos de criação.

Durante a sessão, foi ainda transmitida uma mensagem do presidente da Câmara Municipal, Nuno Ferreira, que, por motivos de agenda, não pôde estar presente. Na comunicação, o autarca felicitou a autora e destacou a importância da obra no panorama cultural local, sublinhando o contributo de iniciativas literárias para a valorização da criação artística no concelho.

O evento incluiu momentos de leitura de excertos da obra, proporcionando ao público uma aproximação direta ao conteúdo do livro, e terminou com uma sessão de autógrafos marcada pela proximidade entre autora e leitores.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

DESFILE OLÍMPICO MARCA ENCONTRO INTERMUNICIPAL DE DESPORTO SÉNIOR EM MIRANDA DO DOURO

 Realizou-se na manhã de ontem, quarta-feira, 20 de maio, o Desfile Olímpico, uma das iniciativas integradas no Encontro Intermunicipal de Desporto Sénior de Miranda do Douro, que juntou diversos participantes num momento simbólico de celebração do desporto e da convivência.


Após a atividade, os participantes reuniram-se para um almoço partilhado, promovendo o convívio e o reforço dos laços entre todos os presentes, num ambiente de partilha e descontração.

Durante a tarde, o programa prossegue com momentos de animação musical e celebração, dando continuidade a um dia dedicado à atividade física, ao envelhecimento ativo e à socialização.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

FEIRA DA CEREJA ANIMA MASCARENHAS ENTRE 22 E 24 DE MAIO

 Mirandela, através da localidade de Mascarenhas, volta a acolher entre os dias 22 e 24 de maio mais uma edição da Feira da Cereja, iniciativa que celebra um dos produtos agrícolas mais emblemáticos da região e promove as tradições, a cultura e a economia local.


Ao longo dos três dias do evento, o programa integra atividades desportivas, momentos de convívio, jogos tradicionais, animação musical, arruadas e ações dedicadas à valorização da cereja, produto endógeno de forte relevância para a economia local.

Um dos pontos altos da edição será o passeio pedestre “À Procura da Cereja”, promovido pelo Município de Mirandela, agendado para domingo, 24 de maio, às 09h00. A atividade terá início no Largo da Junta de Freguesia e propõe uma experiência de contacto direto com a paisagem rural, os trilhos agrícolas e a identidade do território.

A componente musical assume também destaque, com atuações de Ruizinho do Acordeão, ChamaMusical, MM – Mário Madeira e DJ Rafa Santos, contribuindo para a dinamização do evento ao longo do fim de semana.

A Feira da Cereja é organizada pela Junta de Freguesia de Mascarenhas, com o apoio do Município de Mirandela e de várias entidades locais, reforçando a promoção dos produtos regionais e a valorização do território.

A iniciativa convida residentes e visitantes a participar num fim de semana dedicado à cereja, à cultura popular e ao convívio comunitário.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

XXIII FESTA DA AMIZADE REÚNE IDOSOS MIRANDESES EM DIA DE CONVÍVIO EM MIRANDA DO DOURO

 O Recinto de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa, em Miranda do Douro, recebe no próximo dia 10 de junho a XXIII Festa da Amizade – Encontro de Idosos Mirandeses, iniciativa que volta a juntar anualmente mais de mil participantes num dia dedicado ao convívio, à partilha e à celebração da população sénior.


O evento, promovido pelo Município de Miranda do Douro, integra um programa diversificado que inclui missa, almoço convívio, momentos musicais, atuações culturais e animação musical, proporcionando um ambiente de celebração e proximidade entre os participantes.

O programa tem início às 11h00 com a celebração da missa, seguindo-se, às 13h00, o almoço de confraternização. Durante a tarde, pelas 14h30, sobem ao palco o Coro da Universidade Sénior e a Associação Filarmónica de Mirandesa. A partir das 15h00, a animação continua com baile e música a cargo de DM Music, prolongando o espírito festivo até ao final da tarde.

As inscrições para participação decorrem até ao dia 29 de maio, podendo ser efetuadas nas Juntas de Freguesia, no Balcão Único da Câmara Municipal ou através do email cultura@cm-mdouro.pt.

A organização destaca que a iniciativa pretende reforçar os laços comunitários e promover o envelhecimento ativo, num encontro marcado pela amizade, alegria e convívio entre gerações.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

SEMINÁRIO “ISUPPORT – CUIDANDO DOS CUIDADORES” DECORREU EM TORRE DE MONCORVO

 O auditório da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo recebeu, no dia 20 de maio, o seminário “Isupport – Cuidando dos Cuidadores”, uma iniciativa promovida pela Unidade Local de Saúde do Nordeste, com o apoio do Município de Torre de Moncorvo.


A sessão teve como principal objetivo refletir sobre o papel dos cuidadores informais e profissionais, destacando a importância do seu bem-estar físico e emocional no acompanhamento diário de pessoas em situação de dependência.

Ao longo do seminário foram abordadas estratégias de apoio, capacitação e valorização dos cuidadores, num contexto em que o envelhecimento da população e o aumento das necessidades de apoio tornam esta temática cada vez mais relevante.

A iniciativa contou com a colaboração institucional do Município de Torre de Moncorvo, reforçando o compromisso local com a promoção da saúde, do apoio social e da formação na área dos cuidados.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

SANTULHÃO RECEBE 4.ª EDIÇÃO DA FEIRA DO AZEITE E DA OLIVEIRA NOS DIAS 30 E 31 DE MAIO

 A freguesia de Santulhão em Vimioso volta a ser palco da Feira do Azeite e da Oliveira Santulhana, que decorre nos dias 30 e 31 de maio de 2026, numa iniciativa dedicada à valorização de um dos principais produtos endógenos da região.


A 4.ª edição do certame pretende destacar a importância do azeite e da tradição olivícola no território, promovendo simultaneamente os produtores locais e o património agrícola associado a esta atividade.

Ao longo de dois dias, o evento contará com um programa diversificado que inclui concursos, palestras, workshops, animação musical, jogos tradicionais e momentos de gastronomia regional, proporcionando uma experiência de partilha entre visitantes e comunidade local.

A iniciativa assume-se como um espaço de promoção cultural e económica, reforçando a identidade da região e incentivando o consumo e valorização dos produtos locais.

A organização convida a população a participar e a celebrar o património olivícola de Santulhão, num ambiente de convívio, tradição e sabores típicos.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

VINHAIS ASSINALA FERIADO MUNICIPAL COM ASSINATURA DE PROTOCOLOS DE COLABORAÇÃO COM JUNTAS DE FREGUESIA

 O Feriado Municipal de Vinhais ficou marcado pela assinatura dos protocolos de colaboração entre a Câmara Municipal e as Juntas e Uniões de Freguesia do concelho, numa cerimónia realizada no Centro Cultural de Vinhais, pelas 17h00.


O momento institucional reuniu representantes autárquicos e destacou a importância do trabalho de proximidade desenvolvido pelas freguesias, consideradas a primeira linha de resposta às necessidades das populações.

Com a celebração destes protocolos, o Município reforça a aposta na descentralização de competências e no apoio financeiro e logístico às Juntas de Freguesia, procurando garantir maior capacidade de intervenção no terreno e uma resposta mais eficaz às comunidades locais.

A autarquia sublinha que este reforço de meios representa um investimento equilibrado no desenvolvimento do território, com o objetivo de promover melhores condições de vida em todas as freguesias do concelho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR