MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
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Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
🌸 𝐌𝐄𝐑𝐂𝐀𝐃𝐈𝐍𝐇𝐎 𝐅𝐋𝐎𝐑 𝐃𝐀 𝐀𝐌𝐄𝐍𝐃𝐎𝐄𝐈𝐑𝐀 🌸
Visite o Mercadinho Flor da Amendoeira no Lagar D’el Rei.
Dias 21, 22 e 28 de fevereiro e 1, 7 e 8 de março.
Um convite para descobrir sabores e celebrar os pequenos prazeres da estação.
Sendim: Carnaval com máscaras, sátiras e enterro do entrudo
O presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Luís Santiago, afirma que o Carnaval, em Sendim, é “o melhor e mais antigo do planalto mirandês!”
“Os sendineses participam com muito entusiasmo nos festejos carnavalescos, sendo por isso um dia de muita diversão e brincadeira intergeracional. Dado que Sendim é uma vila agrícola, é tradição participar no desfile com os tratores enfeitados com sacas, toldos, alfaias e produtos agrícolas”, descreveu o autarca sendinês.
Todos os anos, o Carnaval, em Sendim, distingue-se pela criatividade, o humor e as brincadeiras e sátiras, inspiradas nos acontecimentos ocorridos na vila, ao longo do ano.
Na próxima terça-feira de Carnaval, dia 17 de fevereio, os festejos em Sendim começam às 14h30, com a concentração dos vários grupos “mascarados” no largo de São Sebastião. De seguida, os participantes no desfile dirigem-se para a praça central da vila, onde cada grupo vai apresentar-se à população, havendo prémios para todos os mascarados.
Após o desfile e as apresentações dos grupos, ao final da tarde (18h30), os festejos prosseguem com a encenação do “Enterro do Entrudo”. Este ritual inclui um cortejo fúnebre pelas ruas da vila até ao adro da igreja, onde vai ser queimado o Entrudo (um boneco de grandes dimensões feito de palha).
“O Enterro do Entrudo é uma tradição que estamos a recuperar graças ao saudoso Tio Alfredo Júlio, que nos transmitiu esta herança cultural. O “Entrudo” é um boneco, feito de palha, que após o julgamento e a leitura do testamento é-lhe realizado o cortejo fúnebre.”, explicou Luís Santiago.
O Carnaval em Sendim é um evento anual organizado pela freguesia local. A autarquia convida toda a população a juntar-se “ao vizinho, amigo e até ao inimigo e a divertirem-se juntos nos festejos carnavalescos”.
Carnaval ou Entrudo
A palavra "carnaval" provém do italiano “carnevale”, que significa a abstinência de carne durante os quarenta dias da Quaresma.
Já a palavra “Entrudo” deriva do latim “introitus” e significa “entrada” na Quaresma.
Por isso, o entrudo ou carnaval é um tempo de folia para ganhar ânimo para os quarenta dias de jejum, penitência e oração, até à Páscoa.
Águas Vivas: Confecção dos roscos para a festa de Nossa Senhora das Candeias
Em Águas Vivas, os preparativos para a festa começaram no passado dia 31 de janeiro, com a apanha das xaras (estevas), que são utilizadas para acender e aquecer os fornos da aldeia.
De 10 a 12 de fevereiro, a comunidade de Águas Vivas dedica-se à confecção dos roscos, os biscoitos tradicionais muito apreciados pelo público e que são um dos destaques desta festividade de inverno.
Depois das tarefas de amassar e cozer os roscos, na quinta-feira, dia 12 de fevereiro, realiza-se a montagem dos ramos (pequenos andores de madeira) ornamentados com os roscos, para o leilão que se realiza após a missa solene.
A festa propriamente dita começa na sexta-feira, 13 de fevereiro, com um arraial musical e o tradicional convívio dos “Perneiros”, os mordomos que vão transportar o andor de Nossa Senhora das Candeias.
No sábado, 14 de fevereiro, a festa em honra de Nossa Senhora das Candeias tem como principais momentos a celebração da missa solene, seguida da procissão e ao serão, o arraial, que este ano tem como destaque o concerto de “Cláudia Martins & Minhotos Marotos”.
Em Águas Vivas, a tradição da confecção dos roscos e a ornamentação dos ramos, na festa em honra de Nossa Senhora da Candeias está representada num monumento em granito, na principal rua da localidade.
Na Terra de Miranda, o ritual de oferenda dos roscos (tradicionalmente feitos com farinha, ovos, açúcar e aguardente ou aniz) existe em várias localidades e a sua origem está relacionada com o ciclo agrícola.
“Os roscos são ofertas a Deus, sendo mesmo benzidos pelos sacerdotes no decorrer da eucaristia. Os roscos são feitos com farinha de trigo e por isso simbolizam o pão, considerado um alimento essencial e garante da sobrevivência. As comunidades ao ornamentarem o andor com os roscos ou o pão, estão a agradecer a Deus pela colheita e a pedir a sua intercessão para o novo ano agrícola, que vai começar com a chegada da primavera”, explicou o etnógrafo, Mário Correia.
Bragança recebe mais uma edição do fim de semana gastronómico, este ano com a presença dos Caretos
A presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, sublinha que o evento resulta da evolução do antigo Festival do Butelo e das Casulas, agora alargado à dimensão simbólica dos caretos e da máscara:
O programa decorre ao longo de vários dias e inclui demonstrações gastronómicas, oficinas criativas, atividades para crianças e animação permanente, envolvendo escolas, artesãos locais e chefs de renome nacional:
A iniciativa conta com a forte participação da restauração local, com mais de vinte restaurantes integrados na Semana Gastronómica das Tradições de Inverno, distribuídos pela cidade e pelas freguesias rurais do concelho. Em paralelo, Bragança assume-se como ponto de encontro ibérico em torno das máscaras rituais. Face às previsões de condições atmosféricas adversas para o próximo sábado, o desfile programado foi cancelado, porém mantém-se todas as restantes atividades da programação da mascarararte:
O evento representa também um investimento estratégico na valorização dos produtos endógenos e no desenvolvimento económico do concelho, com impacto direto na promoção do butelo e das casulas:
Entre os dias 13 e 17 de fevereiro, as Tradições de Inverno – Butelo, Casulas e Caretos são assim um convite para viver Bragança no inverno, entre sabores, rituais e memórias que continuam bem vivas no território transmontano.
O que devemos ter no Kit sobrevivência familiar?
O Kit de sobrevivência, para enfrentar pelo menos três dias é composto, por exemplo, por um rádio a pilhas, uma lanterna, medicamentos, copia de documentos, água e enlatados, como salienta André Rodrigues, especialista em Proteção Civil:
E se a família tiver crianças pequenas devem estar munidos de um pequeno fogão a gaz:
Deverá ter também um estojo de primeiros socorros com objetos que ajudem a fazer curativos, como ligaduras, pensos, tesouras, anti-inflamatórios um termómetro, lenços de papel e uma embalagem extra dos medicamentos diários, como por exemplo para a hipertensão e diabetes.
As autoridades recomenda um Kit que possa ser suficiente para aguentar 72 horas sem ajuda externa, no caso de incidentes, tempestades ou crises intersectoriais de grande escala.
Jorge Nunes apresenta livro e conta com a presença de Passos Coelho
Está prevista e anunciada a presença do antigo Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, num evento que terá, ainda, um momento musical.
Museu do Abade de Baçal abre as portas aos jovens até aos 18 anos para promover o diálogo entre a arte e a cultura
Trata-se de uma iniciativa do Museus e Monumentos de Portugal (MMP) que surge num momento em que “reforça a sua atenção nos públicos jovens, procurando aproximá-los dos museus, monumentos e palácios através de relações de confiança e de cumplicidade que se traduzem em projetos concretos, multiplicando oportunidades de participação em todo o país”, indica o MMP numa nota de imprensa.
O GENZ CRIA+ desenvolve-se através de encontros quinzenais ou mensais em quatro museus que fazem parte do universo da MMP — Museu Abade de Baçal, em Bragança, Museu Alberto Sampaio, em Braga, Museu Nacional da Resistência e Liberdade, em Peniche, e Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto. Dirige-se a jovens provenientes de comunidades educativas locais ou de outros contextos, convidando-os a integrar espaços de debate pensamento, descoberta, participação, criação e convívio. Cada sessão pretende afirmar estes museus como ambientes seguros e participativos, incentivando a reflexão sobre temas atuais em articulação com o património e a cultura.
Ferido em despiste aparatoso em S. Salvador
O alerta para o acidente ocorreu, esta terça-feira, às 22,20 horas e no local estiveram 7 operacionais dos bombeiros com o apoio de duas viaturas. A GNR tomou conta da ocorrência.
Jovem enfermeira regressa às origens para levar cuidados de saúde a idosos e combater o isolamento social
Depois de se especializar em enfermagem, Daniela Mota regressou às origens, a Macedo de Cavaleiros, para levar cuidados de saúde personalizados a idosos e combater o isolamento social.
Regressar nunca foi uma dúvida para a jovem de 27 anos. Concluiu a licenciatura no Porto, mas sempre soube que o seu futuro passaria pelo interior transmontano. E foi este o ponto de partida para criar a Montes de Cuidados, um projeto de enfermagem domiciliária que já está no terreno desde o início do mês.
“Durante os meus últimos trabalhos tive a oportunidade de fazer algum apoio domiciliário e perceber as dificuldades que as pessoas têm. Eu acho que aqui no interior, especialmente, os cuidados de saúde ainda são um desafio mediante a distância que as pessoas percorrem. Há pessoas que percorrem dezenas de quilómetros para um simples cuidado de enfermagem no centro de saúde, por exemplo. Por isso eu quis contornar um pouco essas dificuldades e então surgiu o projeto do ‘Montes Cuidados’, que é um serviço de enfermagem domiciliária que permite aproximar os cuidados de enfermagem das pessoas. Nós temos uma população que é especialmente idosa, que precisa de cuidados mais direcionados, mais personalizados, e sendo no domicílio, que é a sua zona de conforto, as visitas são únicas e são muito mais humanizadas.”
Durante o contacto com a população, Daniela Mota foi percebendo as dificuldades sentidas, sobretudo pelos mais idosos.
Atualmente, a Montes de Cuidados atua em articulação com várias juntas de freguesia, que estabeleceram parcerias para reforçar o apoio à população, bem como com clientes individuais.
As visitas são totalmente personalizadas e começam sempre por um levantamento detalhado da situação de cada utente.
“É uma visita totalmente personalizada, ver essa pessoa como um todo e não só com as suas doenças. Eu procuro primeiro fazer um historial, perceber, inteirar-me quais são as rotinas das pessoas, quais são os cuidados que costuma ter, algumas doenças que possam ter e como é que isso afeta o seu dia-a-dia. E tento minimizar, tento ajudar, monitorizar doenças crónicas, que é essencialmente aquilo que as pessoas mais isoladas precisam e os mais idosos, e ajudar no que for preciso, articular aqui com os cuidados de saúde primários algumas intervenções. Procuro ajudar da melhor forma, mediante as necessidades e aquilo que eu tenho disponível ali no local.”
O projeto já chegou não só a várias freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros, mas também a Vinhais e a Bragança.
Mais consultas, mais cirurgias: ULS do Nordeste melhora resposta à população
A Unidade Local de Saúde do Nordeste aumentou a atividade assistencial nos cuidados hospitalares e nos cuidados de saúde primários ao longo de 2025, registando uma melhoria global na resposta prestada à população do distrito de Bragança.
Nos cuidados hospitalares, a ULS do Nordeste registou um crescimento significativo no número de consultas e cirurgias programadas. Nas unidades hospitalares de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela, foram realizadas quase 127 mil consultas externas médicas, mais 7,8% do que em 2024. As consultas não médicas aumentaram ainda mais, com uma subida de 27%.
Também as cirurgias programadas registaram um acréscimo, tendo sido operados mais de 8300 doentes, o que representa um aumento de 6,1% face ao ano anterior. O Hospital de Dia acompanhou igualmente mais utentes, com quase 2400 doentes e mais de 9400 sessões realizadas.
Em 2025, os três hospitais da ULS do Nordeste registaram mais de 10300 altas de internamento. Já a hospitalização domiciliária envolveu 143 utentes, com mais de três mil visitas realizadas pelas equipas de saúde. Em sentido inverso, verificou-se uma redução de 3,6% nos atendimentos da urgência médico-cirúrgica.
Nos cuidados de saúde primários, os Centros de Saúde do distrito de Bragança também registaram um aumento da atividade. Ao longo de 2025 foram realizadas mais de 434 mil consultas médicas, um crescimento de 6,6%. Destaca-se o aumento das consultas presenciais, que subiram mais de 10%.
Cresceram igualmente as consultas descentralizadas de especialidade hospitalar nos Centros de Saúde, nomeadamente nas áreas de Medicina Interna e Psiquiatria, bem como as consultas não médicas, como Psicologia, Nutrição e Medicina Dentária. Os domicílios médicos e de enfermagem registaram aumentos expressivos, reforçando a proximidade dos cuidados prestados à população.
A ULS do Nordeste sublinha que estes resultados refletem o empenho e a dedicação dos seus profissionais e traduzem-se em mais e melhores cuidados de saúde, prestados com qualidade e segurança aos utentes do distrito de Bragança.
Terras de Trás-os-Montes fecha 2025 com a maior subida dos preços da habitação em Portugal
As Terras de Trás-os-Montes destacaram-se, no 3.º trimestre de 2025, como a sub-região do país com o maior aumento homólogo dos preços da habitação, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística. A valorização atingiu 34,3% face ao mesmo período de 2024, colocando a região no topo do crescimento nacional e muito acima da média do país, que se fixou nos 16,1%.
Este crescimento expressivo foi acompanhado por um aumento significativo do número de transações. Nas Terras de Trás-os-Montes as vendas de alojamentos familiares cresceram 39,6% em termos homólogos, um valor apenas comparável ao registado no Alto Alentejo. Estes números confirmam uma aceleração do mercado imobiliário numa região que, durante décadas, foi marcada por valores mais baixos e menor pressão sobre a habitação.
A nível nacional, no 3.º trimestre de 2025 foram transacionados 41117 alojamentos familiares, mais 4,0% do que no mesmo trimestre do ano anterior. O preço médio de venda atingiu os 2111 euros por metro quadrado, refletindo uma subida trimestral de 2,2% e consolidando uma trajetória de valorização contínua do mercado habitacional em Portugal.
Apesar deste cenário nacional de subida generalizada, os dados do INE mostram que todas as 26 sub-regiões NUTS III registaram aumentos nos preços, embora com intensidades muito diferentes. O menor crescimento verificou-se no Alto Minho (5,5%), contrastando com a forte valorização observada nas Terras de Trás-os-Montes.
As regiões tradicionalmente mais caras continuam a ser a Grande Lisboa, o Algarve, a Península de Setúbal, a Área Metropolitana do Porto e a Região Autónoma da Madeira, todas com preços medianos superiores à média nacional. Lisboa mantém-se como o município mais caro do país, com valores a rondar os 5000 euros por metro quadrado, seguida por Cascais e Oeiras. No entanto, nenhuma destas áreas registou uma taxa de crescimento comparável à verificada no nordeste transmontano.
Segundo o INE, a pressão sobre os preços resulta tanto da procura interna como do investimento estrangeiro. No conjunto do país, as transações envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro apresentaram um preço médio de 2889 €/m2, cerca de 19,6% acima do registado no período homólogo, enquanto os compradores com domicílio fiscal em território nacional pagaram, em média, 2083 €/m2. Nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, os compradores estrangeiros continuam a pagar valores substancialmente mais elevados do que os compradores nacionais.
Embora as Terras de Trás-os-Montes não figurem entre as regiões com preços mais elevados, o forte crescimento registado levanta novas preocupações quanto ao acesso à habitação, especialmente para jovens e famílias com rendimentos médios. Especialistas apontam que a crescente procura por zonas de menor densidade, associada ao teletrabalho, à procura de melhor qualidade de vida e à reabilitação urbana em centros históricos, poderá estar a contribuir para esta tendência.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Sim, claro, está tudo bem... não te preocupes. Não estejas a gastar dinheiro!
Nas nossas aldeias, o silêncio ocupa as ruas e a solidão pode doer mais do que o frio do inverno. Muitas vezes é um peso invisível, escondido para não incomodar, mascarado por sorrisos rápidos ou por aquela velha frase que se repete por hábito… “Está tudo bem.” Mas nem sempre está. E é por isso que a ligação entre quem vive nas aldeias e quem, por força da vida ou das profissões, teve de partir, é hoje mais essencial do que nunca.
Nunca fomos tantos a estar tão longe. E nunca foram tão poucos os que ficaram. Pais que envelhecem, vizinhos que já não veem tão bem, amigos que antes se encontravam na rua mas agora passam dias sem ouvir uma voz. O interior está cheio de gente que aprendeu a viver sem pedir nada, que não quer dar trabalho, que “não quer incomodar”. Mas mesmo quem nunca se queixa precisa de companhia, de atenção, de saber que alguém pensa nele.
É aqui que um gesto tão simples como um telefonema se transforma num verdadeiro ato de amor.
Uma chamada de dois minutos, um “estás bem?”, um “precisas de alguma coisa?”, pode ser a diferença entre alguém continuar o dia com serenidade… ou alguém ser salvo de um perigo invisível. Uma chamada pode afastar o desespero, identificar uma emergência, trazer companhia a quem passa horas sozinho, e, por vezes, pode literalmente decidir entre a vida e a morte.
Nas nossas aldeias, há casas onde ninguém entra há semanas, portas que já nem se abrem para o carteiro, janelas que já não se acendem à noite porque quem lá vive perdeu o hábito de esperar visitas. Há idosos que já não têm força para pedir ajuda, há pessoas que passam mal e acreditam que “vai passar”, há pequenos acidentes que se tornam grandes tragédias porque ninguém reparou a tempo. E, ao mesmo tempo, há filhos, netos, sobrinhos, amigos, vizinhos, todos espalhados pelo país e pelo mundo, que levam no coração uma culpa silenciosa por não conseguirem estar presentes como gostariam.
Mas não precisamos estar fisicamente presentes para cuidar.
Podemos cuidar com a voz, com a atenção, com a presença constante mesmo à distância.
É urgente que, nas nossas aldeias, se crie uma verdadeira rede de contacto humano.
Uma lista com o número de todos, dos que ficam e dos que partem.
Uma missão comunitária que não seja formal nem burocrática, mas emocional e genuína.
Falar uns com os outros todos os dias, nem que seja um minuto.
Telefonar ao vizinho que vive sozinho.
Mandar uma mensagem ao tio que está doente.
Ligar aos pais, mesmo quando dizem que “não é preciso”.
Perguntar como correu o dia.
Enviar uma fotografia, partilhar uma memória, lembrar que não estão esquecidos.
Esta rotina simples, se fosse adotada em todas as aldeias, teria o poder de criar laços novos e reforçar os antigos. De diminuir o medo. De reduzir o isolamento. De dar paz a quem está longe e segurança a quem está perto. De fazer cada pessoa sentir que faz parte de uma comunidade que cuida de todos, que não abandona, que está atenta.
A aldeia não é apenas um espaço físico com um tasco onde se joga à sueca.
É uma família alargada.
E como todas as famílias, precisa de comunicação para sobreviver.
Numa época em que tudo se resolve através de mensagens instantâneas, fazemos tão pouco uso daquilo que pode realmente salvar alguém. A voz. A voz que acalma. A voz que escuta. A voz que percebe quando alguma coisa não está bem. A voz que faz companhia. A voz que impede que o silêncio seja absoluto.
É por isso que devemos fazer deste hábito uma missão diária.
Não um dever que incomoda, mas um gesto amoroso.
Uma forma de dizer: “Eu estou aqui.”
O que nos mantém vivos, por dentro e por fora, é saber que não estamos sozinhos. E, nas nossas aldeias… esse gesto tão simples pode ser a maior prova de humanidade que podemos oferecer.
Partilhamos algumas das muitas reuniões de trabalho no Município de Bragança.
Recentemente, teve lugar uma reunião com representantes da “DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor”, reforçando a articulação em matérias de defesa do consumidor e proteção dos munícipes; uma sessão técnica dedicada ao desenvolvimento do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do Município, instrumento estratégico, a apresentar em breve, para uma mobilidade mais eficiente, segura e ambientalmente responsável; encontro com a E-Redes, para análise do ponto de situação no concelho e identificação de necessidades ao nível da infraestrutura elétrica; e reunião ordinária do Conselho de Administração da Resíduos do Nordeste, centrada na gestão e valorização dos resíduos na região.
*Coordenação, planeamento e decisões que consolidam o desenvolvimento do concelho.*
25 de Abril, a Revolução dos Cravos - O Fim da Ditadura e o Nascimento da Liberdade
O dia 25 de Abril de 1974 marcou um dos momentos mais importantes da história contemporânea de Portugal. Conhecido como a Revolução dos Cravos, este acontecimento pôs fim a quase meio século de ditadura, abrindo caminho para um regime democrático e para a consagração de direitos fundamentais, como a liberdade de expressão.
Durante o Estado Novo, instaurado por António de Oliveira Salazar e depois liderado por Marcelo Caetano, o país vivia sob forte repressão política. A censura controlava jornais, livros, cinema, rádio e televisão, impedindo a divulgação de ideias contrárias ao regime. A polícia política, a PIDE, perseguia, prendia e torturava opositores. As liberdades individuais eram severamente limitadas e qualquer crítica pública ao governo podia significar prisão.
A Revolução começou nas primeiras horas de 25 de Abril, liderada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), um grupo de militares que contestava a guerra colonial e o regime autoritário. A senha para a ação foi dada através de duas músicas transmitidas na rádio. “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, esta última tornou-se símbolo da revolução.
Nas ruas, a população juntou-se aos militares, oferecendo cravos que foram colocados nos canos das espingardas e nos uniformes dos soldados, símbolo pacífico de um dia que, apesar de muito nervosismo, resultou em muito poucas vítimas. O gesto dos cravos tornou-se imagem eterna da revolução.
O 25 de Abril significou o fim da censura e da repressão política. Pela primeira vez em décadas, os portugueses puderam falar livremente, formar partidos, manifestar-se e ler jornais sem cortes. A liberdade de expressão tornou-se um dos pilares da nova ordem democrática.
A data é hoje celebrada como o “Dia da Liberdade” e recorda que os direitos conquistados, embora exigindo cuidado e preservação, nasceram do esforço conjunto de militares e povo. O 25 de Abril foi a abertura de portas e janelas para um país respirar a liberdade.
ANTÓNIO RAMINHOS - Volto Já
Com o seu habitual humor nonsense, por vezes negro, vai partilhar histórias sobre funerais, tradições fúnebres e o que realmente acontece nas últimas horas. Depois de Não sou eu é a minha cabeça e Não prometemos para mais ninguém, um espetáculo que pretende transformar a indesejada visita da morte num momento de pura comédia. VOLTO JÁ promete ressignificar o luto e celebrar a vida, garantindo que todos saem da sala de sorriso no rosto, pensativos e um pouco mais leves.
texto, interpretação António Raminhos
























