MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
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Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
“A terra fala” e os Homens já não a ouvem.
PROVAS DE PESCA AO ACHIGÃ REGRESSAM A TORRE DE MONCORVO
A 28 de fevereiro realiza-se a décima edição da prova na modalidade de margem, que terá lugar na Barragem do Arco e na Ribeira Grande, reunindo cerca de 80 participantes. No dia seguinte, 1 de março, decorre a segunda edição da prova destinada a patos e kayaks, nos Lagos do Sabor, com 50 inscritos.
As competições são organizadas pela Norbass – Clube de Pesca ao Achigã, com o apoio do Município de Torre de Moncorvo.
A felicidade no trabalho
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Só o ser humano trabalha. O seu trabalho é a atividade especificamente humana, tanto física como intelectual, que intervém no processo produtivo e visa gerar bens ou serviços.
Assim, o trabalho é a outra face da moeda onde também se faz presente o descanso e a diversão e representa um âmbito mais lato do que o emprego. No emprego, há sempre uma remuneração associada. No trabalho, pode haver ou não, como no caso do voluntariado (em Bragança, a Cáritas, a Cruz Vermelha e outras organizações e pessoas podem servir de exemplo...), em que se trabalha sem qualquer recompensa monetária.
“Somente o Homem tem capacidade para o trabalho e somente o Homem o realiza preenchendo ao mesmo tempo com ele a sua existência sobre a terra” acentua e bem a Carta Encíclica Laborem Exercens, Saudação, do grande Papa polaco e dos jovens, Papa João Paulo II.
Mas sobre o trabalho paira uma grande ambiguidade. Tanto é origem de alegrias, como de tristezas e até sofrimentos. Não só para quem não tem trabalho, os desempregados, mas também para quem não tem um trabalho de que gosta e passa a semana a olhar para o fim-de-semana e no mês a olhar para o ano, a ansiar por férias!
Quem tem um trabalho de que gosta, começa alegre (a ideia do chegar mais cedo já não é tão categórica até pela ocorrência do teletrabalho...) e finaliza-o bem-disposto.
Como dizia Confúcio, “escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”.
Para muitos, este pensamento não é mais do que um cliché, mas quando pode ser concretizado na vida pode convergir numa experiência verdadeiramente admirável e que se faz evidenciar tanto por e para si próprio quer para os outros.
Não raras vezes, contudo, acontece-nos encontrar o contrário: gente de mal com a vida e que quando abordadas no desempenho das suas funções profissionais estão com uma cara tensa e zangada e um tom de voz como um eco de um autêntico suplicio!
Se pensarmos que a felicidade no trabalho é apenas estar ocupado e ganhar dinheiro, cometemos um grande erro. Aliás, boa parte da nossa realização humana depende da forma como vivemos, sentimos e o sentido que damos ao nosso trabalho.
Este sentido pode ser só o de auferirmos rendimentos e perspetivas de melhor futuro, mas com certeza preenche-nos muito mais se o encararmos igualmente como uma forma de expressão do nosso ser pessoa, que influencia toda a vida familiar, que nos insere e faz-nos participantes na vida social, que permite vínculos de companheirismo e amizade e até nos ajuda a aperfeiçoar o mundo, num sentido espiritual, tornando-nos co-criadores com Deus.
É tão bom ver alguém ter gosto na sua profissão e quando essa profissão tem como substância, o ensinar (difícil) e o educar (ainda mais difícil), ainda mais gosto dá!
Bem-haja professores/educadores pela vossa alegria e motivação diária, os que ainda a vão mantendo pese embora toda a desvalorização social, organizacional, relacional e financeira. As organizações e a sociedade também deviam entender mais e melhor os benefícios de terem trabalhadores felizes!
Pese embora fundamental, a vida não é só trabalho. Como disse atrás, também se precisa descansar. Pode aplicar-se aqui o mandamento do repouso sabático, ápice do ensinamento bíblico sobre o trabalho. O repouso abre a perspetiva de uma liberdade mais plena, neste caso a da Páscoa em cada Domingo e com ele recordar e reviver as obras de Deus, da Criação à Redenção, e reconhecermo-nos a nós próprios como obra Sua, dando-Lhe graças pela nossa vida e dos nossos, a Ele que é seu autor e subsistência.
📚 𝐀𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 𝐋𝐢𝐭𝐞𝐫𝐚́𝐫𝐢𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐦 𝐌𝐚𝐫𝐢𝐬𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨 𝐂𝐞𝐫𝐜𝐞𝐝𝐚
Na próxima sexta feira, dia 27 de fevereiro, o Município de Miranda do Douro, convida-o a disfrutar de uma tarde dedicada à cultura, à história e ao conhecimento. A autora Marisa Castro Cerceda estará na Casa da Cultura Mirandesa para apresentar três das suas obras:
Plantas tóxicas, comestíveis e curativas
Soño de Liberdade
✔ O evento contará com a presença especial de Alfredo Cameirão.
Horas: 18h00
Onde: Casa da Cultura de Miranda do Douro (Rua Mouzinho de Albuquerque, 12)
Entrada livre!
© 𝐴 𝑖𝑚𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑣𝑢𝑙𝑔𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑒𝑣𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑒́ 𝑑𝑎 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑛𝑠𝑎𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑒𝑥𝑐𝑙𝑢𝑠𝑖𝑣𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑢𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑒 𝑒𝑑𝑖𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠, 𝑛𝑎̃𝑜 𝑐𝑎𝑏𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑎𝑜 𝑀𝑢𝑛𝑖𝑐𝑖́𝑝𝑖𝑜 𝑞𝑢𝑎𝑙𝑞𝑢𝑒𝑟 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑛𝑠𝑎𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑜 𝑠𝑒𝑢 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑒𝑢́𝑑𝑜 𝑔𝑟𝑎́𝑓𝑖𝑐𝑜.
Castro Vicente: IX Feira do Bísaro com grande afluência de público
Em Castro Vicente, a nona edição da Feira dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro registou a afluência de muito público, vindo inclusive de Espanha e do Grande Porto, tendo os visitantes aproveitado a estadia nesta freguesia do concelho de Mogadouro para degustar a gastronomia local e comprar produtos como o fumeiro tradicional.
Em representação do município de Mogadouro, Norberto Leite, felicitou a freguesia de Castro Vicente pela organização bem sucedida da IX Feira dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro e destacou a singularidade de cada localidade do concelho de Mogadouro.
Entre os expositores da IX Feira dos Produtos da Terra e Fumeiro Tradicional Bísaro, Célia Morais, da Quinta da Faia, comercializou vários produtos caraterísticos de Castro Vicente como as casulas, butelos, alheiras, linguíças, azeite, chícharos (feijão frade), figos secos e lenha.
Santa Joana Princesa – mais uma ilustre «Bragançã»… E outras coincidências… Como o «Braganção» que… elevou Bragança a cidade!
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Hoje, fruto dos acasos de, noutras latitudes, valorizarem os «santos da casa que, nas suas latitudes, não fazem milagres», veio à baila a filha de D. Afonso V, que «santa» não é, de facto, mas sim «beata». E, de repente, acelerados pensamentos, me questionei: «Será que os meus conterrâneos saberão que o dito D. Afonso V, o tal que elevou Bragança a cidade há 562 anos, era um Braganção?»… E também me questionei: «E será que querem saber?»… Cogitando com os meus botões, pensei: «Alguém, “pur’i, se calha”, com bastante probabilidade, ficará entusiasmado por saber»… E “prontus’e”, aqui “stou ou’e, tchatu c’mó caralhitchas’e, co ez’ta proa nas nhas terras’e”. E no tanto que proporcionaram a este país… E a tentar lutar contra os horizontes “piquerrutchus’e”…
“Peis é, atãu’e”, o “ti” D. Afonso V, o tal que proporcionou os recentes festejos pela minha capital de distrito, para lá de ser filho de D. Duarte, também precisou da mãe “p’ra bir’ó mundu’e”. E a mãe, D. Leonor de Aragão, era… “ua Bragançã”! “Rais’parta”!… “Ua Bragançã das de berdade”, descendente directa do conhecidíssimo e «Braganção-mor», Fernão Mendes de Bragança, «o Bravo». E bisneta de outra Bragançã ilustre que já por aqui trouxe, a que morreu, literal e figurativamente, de amores pelo nosso D. Pedro. Bragançã essa acerca da qual, por mera coincidência, escrevi “ua” crónica esta semana. Sem saber que, hoje, a sua tetraneta, Santa Joana Princesa, viria “ó barulhu’e”. “Cousas’e”… Vindo, «por arrasto», o seu trineto, o tal “ti” D. Afonso V, “ó barulhu’e, tamém’e”…
Resumindo… Santa Joana Princesa, festejada, por terras bragançanas, em terras salselenses, por “bias’e” de aveirenses influências, mais o seu irmão, o nosso D. João II e, consequentemente, o pai de ambos, o também nosso D. Afonso V, o tal que elevou Bragança a cidade, eram… Bragançãos! Tal como o primo D. Manuel I, também o era. Tal como…
«Mais de metade da História de Portugal não existiria, tal como a conhecemos, sem sangue bragançano»… Resta, aos responsáveis por terras onde tem origem o sangue bragançano, saber o que fazer com isso… “Digu ou, bá, já que m’ássim’e”…
Rui Rendeiro Sousa – Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer.
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas.
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana.
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.
RIOS SABOR E MAÇÃS CLASSIFICADOS COMO ZONA ESPECIAL DE CONSERVAÇÃO
A nova designação abrange mais de 33 mil hectares e incide sobre territórios dos concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso, integrando a ZEC Rios Maçãs e Sabor, área já inserida na Rede Natura 2000.
De acordo com o diploma, o objetivo é dotar esta área de “um regime jurídico de conservação de habitats”, assegurando proteção especial para a manutenção ou restabelecimento do estado de conservação favorável dos habitats naturais e seminaturais e das espécies selvagens com presença significativa na zona.
Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a classificação implica a salvaguarda de habitats de água doce, zonas ripícolas e higrófilas, mas também áreas rupestres, prados, matos e matagais, tanto mesófilos como xerófilos, além de bosques característicos da região transmontana.
Com a entrada em vigor da ZEC, passam a vigorar restrições específicas. Fica proibida a construção de edifícios em solos rústicos, com exceção de equipamentos de apoio à conservação da natureza, estruturas amovíveis e explorações de depósitos ou massas minerais devidamente enquadradas.
O ICNF será responsável pela emissão de pareceres em situações como obras de ampliação, abertura de novas estradas ou caminhos, bem como na instalação de infraestruturas de aproveitamento de energias renováveis.
O plano de gestão da ZEC Rios Sabor e Maçãs será posteriormente aprovado por portaria conjunta das áreas governativas do Ambiente, Ordenamento do Território, Agricultura e Florestas.
Este processo decorre do incumprimento por parte da República Portuguesa na designação de 61 Zonas Especiais de Conservação e respetivas medidas de proteção, exigidas no âmbito das diretivas europeias de conservação da natureza.
Na região, recorde-se que, no mês passado, a área de Romeu foi igualmente classificada como Zona Especial de Conservação, abrangendo 3.611 hectares nos concelhos de Mirandela e Macedo de Cavaleiros.
Com esta decisão, o nordeste transmontano reforça o seu estatuto como território de elevado valor ecológico, consolidando a proteção de ecossistemas únicos e promovendo uma gestão sustentável dos recursos naturais.
MOGADOURO AVANÇA COM CONSTRUÇÃO DO NOVO MUSEU MUNICIPAL
Orçado em cerca de 2,1 milhões de euros, o museu terá como objetivo preservar e divulgar o património histórico, arqueológico, artístico e etnográfico local. O espaço irá abordar a ocupação humana do território desde a Pré-História até à atualidade, procurando reforçar a identidade cultural e dinamizar o centro histórico.
O projeto integra a Rede Regional de Museus de Território da Região Norte e enquadra-se no Plano de Ação Regional para a Cultura, sendo resultado de vários anos de trabalho e da colaboração entre diferentes entidades e a comunidade.
O presidente da Câmara Municipal, António Pimentel, destaca que “este museu é um investimento no futuro do concelho. Trata-se de uma obra que reforça a nossa identidade, preserva a nossa memória coletiva e cria novas oportunidades de desenvolvimento cultural e turístico para Mogadouro. É um projeto pensado com e para a comunidade.”
O autarca acrescenta ainda que a presença do Secretário de Estado da Cultura simboliza o reconhecimento da relevância do projeto para toda a região Norte, enquanto exemplo de valorização integrada do património e do território.
Mirandela investe mais de 2,7 milhões de euros na modernização e requalificação das infraestruturas do Ciclo Urbano da Água
Em comunicado, a autarquia adianta que o objetivo é “reforçar a eficiência dos sistemas de abastecimento e saneamento, melhorar a qualidade do serviço prestado à população e promover uma gestão mais sustentável dos recursos hídricos”.
No âmbito deste plano, o Município liderado por Vítor Correia, dá conta que tem em execução “três intervenções consideradas estruturantes”.
Uma delas, é a ampliação do Sistema de Telegestão do Município, com um investimento a rondar os 300 mil euros, que permitirá “um controlo mais eficaz e em tempo real das infraestruturas de abastecimento de água, facilitando a deteção precoce de anomalias e a otimização da resposta operacional”.
Paralelamente, está em curso o projeto de Controlo do Ciclo Urbano das Águas Residuais, no valor de 313 mil euros, que visa “reforçar a monitorização e a gestão integrada do sistema de saneamento, com benefícios ao nível da eficiência ambiental e operacional”.
Há ainda a ampliação do Sistema de Tratamento de Água, igualmente já em execução, com um investimento de 257 mil euros, “destinada a reforçar a capacidade de tratamento e a assegurar elevados padrões de qualidade da água distribuída à população”.
As três obras em curso têm conclusão prevista durante o terceiro trimestre de 2026.
Em paralelo, o comunicado da autarquia revela ainda que está a preparar o lançamento da primeira fase da empreitada de Captações e Reabilitação de Condutas, atualmente em fase de contratação pública, com um custo base de 737 mil euros.
Segundo o press release, enviado às redações, esta intervenção incidirá nas ruas Joaquim Teófilo Braga, Nossa Senhora da Encarnação (zona das antenas) e Santa Marinha (zona da Cocheira), tendo como principais objetivos “a melhoria das captações de água, a reabilitação de condutas prioritárias e a redução de perdas na rede de abastecimento”.
Finalmente, o comunicado dá também nota de que estão previstas fases subsequentes desta empreitada, com um preço base de 1.180.000 euros, que abrangerão outras artérias da cidade, nomeadamente, as ruas D. Afonso III, da Força Aérea, 16 de Maio, São Francisco de Sales, a Avenida Engenheiro Camilo Mendonça e a Rua de São João Bosco, “no âmbito de um investimento global mais alargado destinado ao reforço estrutural da rede de abastecimento.
Autarca garante que continua válido o financiamento para a estrada de ligação à Sanábria
Isabel Ferreira explicou que do lado espanhol se se pronunciaram relativamente à declaração de impacte ambiental. “Espanha fez várias sugestões, mas, de facto, com tudo que aconteceu nos últimos tempos [cheias na zona centro de Portugal] a Agência Portuguesa do Ambiente não tem analisado o processo”, afirmou a autarca durante a sessão da Assembleia Municipal que está a decorrer hoje.
A requalificação do lado português tem uma verba com financiamento previsto no valor de cerca de 16 milhões de euros.
CUGA rescinde 25 contratos por mútuo acordo na unidade de Paredes após investimento de 3 milhões
O CEO da empresa, Nuno Pereira, explica que foi uma decisão “inevitável”, tomada no âmbito do processo de automatização da linha de embalamento, de modo a garantir a competitividade da empresa e evitar o despedimento coletivo. “Havia um conjunto de medidas que era necessário serem implementadas para salvaguardar a empresa e os mais de 300 colaboradores. Investimos no apetrechamento da empresa e de algumas unidades, na sua modernização, na sua expansão também, e este processo que acaba, no fundo, por despoletar este conjunto de dispensas”.
A empresa prevê dispensar cerca de três dezenas de trabalhadores a partir de março, na sequência de um investimento de três milhões de euros, iniciado em 2025 para modernizar e qualificar as linhas de produção do grupo.
Segundo a administração, as 30 propostas iniciais apresentadas incluíam “vantagens claras” e “bonificações muito substanciais” face a um cenário de despedimento. “Sabemos que estas decisões têm impacto humano e respeitamos, temos de respeitar profundamente as pessoas envolvidas e temos de procurar uma solução digna e responsável. E o que fizemos foi chegar a acordo com elas, dando-lhes condições melhores do que aquelas que teriam se nós as despedíssemos. E, portanto, chegámos, no fundo, a um conjunto de muitos acordos. Estas 25 pessoas chegaram a acordo com a empresa, mediante uma compensação para saírem. Não foram despedidas. É isso que nós evitámos a todo custo”.
No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) acusou, em comunicado, a empresa de recorrer a “desinformação, ameaças e horários desregulados” para pressionar trabalhadoras a sair.
Acusações que Nuno Pereira rejeita, justificando que 11 trabalhadoras se voluntariaram para rescindir contrato por mútuo acordo e que entre os 25 acordos já formalizados encontram-se várias trabalhadoras sindicalizadas e uma delegada sindical. “Para provar que é uma inverdade absoluta é que nós temos uma delegada sindical que fez mútuo acordo connosco e várias pessoas sindicalizadas. Isso parece-me que é autoexplicativo. Nós estamos completamente tranquilos”.
A CUGA, com unidades em Vila Flor, Vila Real e Paredes, prevê avançar, a partir de março, com a dispensa de cerca de 30 trabalhadores da área de embalamento.
A decisão surge na sequência de um investimento de três milhões de euros destinado à modernização e qualificação das linhas de produção do grupo. 25 contratos já foram rescindidos por mútuo acordo.
A tia Bela e o Tio Cuca
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
A tia Bela e o tio Cuca eram o cheiro a café acabado de fazer na cafeteira e as torradas de pão fresco com manteiga a sério.
Mudaram de casa várias vezes, mas para mim a casa deles será sempre na Avenida do Conde, com a varanda virada para a praça cheia de gente e de carros. Ainda hoje não passo por lá sem olhar para cima, na esperança infantil de dizer adeus à tia Bela.
As minhas memórias mais antigas são dos dias que eu e o meu irmão mais velho lá passámos quando o meu irmão mais novo foi nascer ao hospital. Nós, os mais velhos, tínhamos nascido em casa, mas corria o ano de 1972 e os tempos estavam a mudar.
Os meus tios eram quase como nossos pais e o filho deles, nosso irmão — apenas um pouco mais velho.
A minha tia era austera, para além de carinhosa. As coisas tinham de seguir as suas regras e sabia ser firme sem castigar. O meu tio era o extremo oposto: “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”. Se era o melhor no trabalho, era-o também nas brincadeiras.
O tio Cuca era conhecido assim por toda a família. O seu nome era Manuel e, como brincava com as crianças pequenas dando pequenos encostos de cabeça e dizendo “Cuca”, o epíteto ficou-lhe para sempre.
Eu, nos meus sete anos, já me sentia senhor do meu respeito. Brincadeiras, sim, mas dentro de certos limites. Para alguém como o meu tio e o filho, José Manuel, isso era o terreno ideal para boas risadas. Quando me apanhavam em pijama, desciam-me as calças, deixando-me nu. A raiva e a humilhação deixavam-me furioso. Não me recordo do que lhes gritava, mas de certeza não era nada que uma criança devesse dizer. A minha tia acudia sempre, salvando-me dos meus algozes e admoestando-os por entre as gargalhadas deles.
Havia um poderoso elo que ligava o meu pai à irmã Bela e ao cunhado Manuel. O meu tio fora criado desde muito novo em casa dos meus avós, como um verdadeiro irmão. A mãe dele era prima afastada da minha avó e arranjaram forma de o “rapaz” vir da longínqua Válega, em Ovar, para a cidade, ganhar a vida.
O segundo elo era precisamente Válega, terra natal do tio Cuca e paixão do meu pai. Durante muitos anos, a maior parte das minhas férias grandes foi passada nas terras que Júlio Dinis tão bem retratou.
Também para mim aquela terra se tornou um marco. As corridas até ao ribeiro, o contacto com quem vivia do trabalho do campo e das suas necessidades. Válega era a casa dos meus avós e a liberdade de correr mundo, mas também a casa da mãe do meu tio, o curral das vacas e o corredor de entrada para o pátio, de teto envelhecido, onde as rolas arrolavam o dia inteiro.
Nos passeios em família, eu queria sempre ir com o meu tio na sua Lambretta dos anos 60 ou 70. A minha tia, tenho a certeza, preferia ir no carro com os meus pais. Eu sentia-me um verdadeiro motard, capacete na cabeça, atrás daquele homem que adorava e que respeitava cada linha do código da estrada.
No dia a dia era um trabalhador incansável. Via-o no escritório a organizar livros e pagamentos. Saía de manhã montado na bicicleta, percorria o Porto e arredores, e regressava com os bolsos cheios de dinheiro, recibos e promessas, e as pernas carregadas de quilómetros. O descanso encontrava-o sentado no sofá a ler o jornal. Mais do que a família e o trabalho, só o Ovarense — e depois o Belenenses — lhe ocupavam o coração. Discutia futebol e política como só um bom adepto o faz: observando apenas com um olho.
Nas histórias que contava, alternava entre o jogador pequeno e ladino que fintava adversários e o anti-herói sem físico, mas com boas relações, que mesmo em inferioridade numérica tinha sempre um chiste pronto e alguém que o reconhecia como “o Ovarense” e o salvava da situação.
A minha tia era a fada do lar. A casa estava sempre arrumada e a mesa posta para que o marido almoçasse e saísse de novo sem perder tempo. Por vezes era ríspida e sentia-se desconfortável com as brincadeiras dele em público. Tinha um porte altivo, pouco compatível com o tom jocoso do cônjuge. Só um amor forte, feito de cumplicidade e carinho, conseguia manter inteiro tal mosaico.
Com o passar dos anos, as memórias e o reconhecimento do meu tio foram-se apagando dos seus olhos. A sua figura eternizou-se sentada a ler o jornal, por vezes de cabeça para baixo, respondendo de forma ausente e incoerente.
A tia Bela continuou a comprar-lhe o jornal todos os dias. Desdobrou-se em cuidados, contratando ajuda quando a sua própria vista começou a traí-la. Até ao fim, ele teve ao seu lado a extremosa esposa, cuidando para que nada lhe faltasse.
Quando ele finalmente partiu, restou ela, num pequeno apartamento agora grande demais. Sem o propósito da sua vida, também ela se degradou rapidamente, até já não ser capaz de cuidar de si própria. Em pouco tempo seguiu aquele que fora o homem da sua vida, como acontece em muitos casamentos longos.
Deixou o filho, a nora, a neta e dois bisnetos. Havia uma nova família a florescer, e ela achou que o seu trabalho estava terminado. Cabia agora a outros continuá-lo.
Depois de atiradas as últimas pás de terra, despedi-me mentalmente daqueles que foram pilares da minha infância. Ao sair do cemitério, não consegui evitar um último olhar para a varanda da casa da Avenida do Conde e comprovar que a tia Bela já não estava lá.
22 de Fevereiro, 2026
Manuel Amaro Mendonça é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/
Carrazeda a Nadar! O Grande Festival Aquático está a chegar!
O Município, em parceria com a Associação Regional de Natação do Nordeste, promove o Festival Aquático “Carrazeda a Nadar”, um evento que celebra a prática desportiva, o convívio e a evolução de todos os nossos alunos.
Números que Impressionam:
São cerca de 170 nadadores em representação de 10 escolas e clubes de toda a região:
Carrazeda de Ansiães | Castro Daire | Vila Real (Ginásio Clube e EMAA) | Peso da Régua | Tabuaço | S. João da Pesqueira | Vinhais | Chaves | Torre de Moncorvo.
Programa do Dia:
Além do festival para as escolas, decorrerá o Torregri II de Cadetes B, com os futuros talentos da Federação Portuguesa de Natação!
2.ª Sessão: 15h30
Local: Piscinas Municipais de Carrazeda de Ansiães
Não pode estar presente? Acompanhe todos os resultados em tempo real através do link: https://live.swimrankings.net/48939/
Venha apoiar os nossos jovens atletas! A entrada é livre. Vamos mergulhar juntos nesta festa do desporto?
Concerto Solidário em Bragança!
No âmbito da Semana Nacional Cáritas, teremos um evento especial para apoiar o Grupo de Emergência e Catástrofes da Cáritas Diocesana de Bragança-Miranda.
21h30
Local: Salão da Escola Emídio Garcia
O concerto contará com a participação do grupo Odores de Maria, prometendo uma noite inesquecível de música e solidariedade.
Participe
𝐀𝐧𝐠𝐫𝐚𝐝𝐞𝐜𝐢𝐦𝐢𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐥𝐚 𝐂𝐚𝐩𝐚 𝐝´𝐇𝐨𝐧𝐫𝐚𝐬 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬𝐚
As inscrições devem ser entregues até ao dia 11 de março no Balcão Único do Município de Miranda do Douro, ou através do email cultura@cm-mdouro.pt
De porte majestoso, as origens da Capa de Honras remontam aos tempos medievais, derivando da capa de asperge ou capa pluvial, nos seus primórdios repousando sobre os ombros de clérigos e dignatários eclesiásticos.
Adoptada inicialmente por boieiros e pastores e, mais tarde, assumida como símbolo de fidalguia e prestígio social, esta peça tornou-se um ícone da "proua" local. Hoje, é reconhecida como uma das marcas identitárias mais profundas da Terra de Miranda.




















