Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Coreto da Praça da Sé - Inaugurado em setembro de 1910

Quando o fungo é um estranho viajante à boleia da natureza

 Os fungos estão a aparecer em novos locais com consequências inesperadas.

AGORASTOS PAPATSANIS - Os cogumelos-porcelana, como estes que crescem numa bétula do monte Olimpo, podem medir 2,5 a 8 centímetros.

Anne Pringle examinava cogumelos num campo do Parque Estadual de Tomales Bay, a norte de São Francisco, quando teve um problema. Estava rodeada por um mar de um dos cogumelos mais perigosos do mundo: Amanita phalloides, conhecido como cicuta-verde ou amanita-falóide.

Anne Pringle examinava cogumelos num campo do Parque Estadual de Tomales Bay, a norte de São Francisco, quando teve um problema. Estava rodeada por um mar de um dos cogumelos mais perigosos do mundo: Amanita phalloides, conhecido como cicuta-verde ou amanita-falóide.

A cicuta-verde é a culpada da maioria dos envenenamentos relacionados com cogumelos. As suas potentes toxinas começam a atacar o organismo humano seis horas após o seu consumo, causando dor abdominal, náusea e vómitos. Se não forem tratadas, podem provocar insuficiência hepática fatal. Em Agosto do ano passado, três pessoas morreram na Austrália devido à ingestão de cicuta-verde. O cogumelo, com cerca de 12 centímetros de altura e um chapéu branco ligeiramente amarelo-esverdeado, pode facilmente ser confundido com um espécime comestível.

➖➖➖

Podendo ser facilmente confundida com um um cogumelo comestível, A cicuta-verde é responsável pela maioria dos envenenamentos relacionados com cogumelos.

➖➖➖

Contudo, a cicuta-verde não evoluiu para matar pessoas. Este cogumelo é um fungo micorrízico. Aflora de um emaranhado de filamentos fúngicos que crescem no solo e se enrolam em torno das raízes das árvores, ajudando-as a obter nutrientes. Esta actividade subterrânea intriga e preocupa cientistas como Anne Pringle, pois sabemos pouco sobre o reino dos fungos e sobre aquilo que acontece quando estas redes subterrâneas sofrem alterações.

No último século, o mundo tornou-se mais interligado do que nunca e os fungos embarcaram em deslocações globais, viajando à boleia de plantas importadas ou, simplesmente, voando centenas de quilómetros com o vento. Agora, as alterações climáticas estão a permitir que muitos destes organismos prosperem em ecossistemas que eram, no passado, demasiado frios e secos. Se a história já nos ensinou algo é que provavelmente não estamos prontos para o que aí vem.

➖➖➖

Os fungos embarcaram em deslocações globais, viajando à boleia de plantas importadas ou, simplesmente, voando centenas de quilómetros com o vento.

➖➖➖

Os fungos são uma dimensão terrestre escondida que estamos a aprender a ver. Prosperam no solo e produzem estruturas comestíveis, como as plantas, mas muitas características nada têm que ver com as das plantas. Enquanto estas têm paredes celulares com celulose, as dos fungos têm quitina, um tipo de fibra também encontrada nos exoesqueletos de insectos e crustáceos. E os fungos são heterotróficos – capazes de se alimentarem de outros organismos, ou de madeira e matéria vegetal morta, excretando enzimas e absorvendo os nutrientes. Sem os fungos, plantas e animais mortos acumular-se-iam no chão da floresta e a maioria das árvores teria dificuldade em encontrar os nutrientes necessários para sobreviverem. “Provavelmente são mais próximos dos animais do que pensamos”, diz Rabern Simmons, curador de fungos do Herbário da Universidade de Purdue.

Durante milhões de anos, evoluíram para viver em ambientes específicos, por vezes em parceria com apenas outra espécie. Porém, quando um fungo é movido para milhares de quilómetros de distância, essas relações complexas podem correr mal. “Os fungos patogénicos podem gerar uma tempestade perfeita”, diz Stephen Parnell, epidemiologista da Universidade de Warwick que estuda a disseminação de doenças em plantas.

➖➖➖

Sem os fungos, plantas e animais mortos acumular-se-iam no chão da floresta e a maioria das árvores teria dificuldade em encontrar os nutrientes necessários para sobreviverem.

➖➖➖

Existem diversas estratégias de reprodução que ajudam os fungos a sobreviver. Esporos aerotransportados de diferentes espécies podem misturar-se num novo habitat ou os cogumelos podem fundir os filamentos que formam as suas redes subterrâneas. Em caso de necessidade, porém, muitos podem reproduzir-se de forma assexuada.

AGORASTOS PAPATSANIS - Dando início à nova geração e ao ciclo de crescimento, os esporos de um cogumelo de chapéu cor-de-veado no monte Olimpo libertam- se e dançam no ar sob as suas lâminas.

Com os climas e as paisagens em mudança, estas características reprodutivas tornam os fungos singularmente adaptáveis. Fungos exógenos podem disseminar-se em novos ambientes e refazer a topografia em seu redor. Os castanheiros-americanos foram outrora gigantes dos Apalaches. No início do século XX, porém, o fungo Cryphonectria parasitica aterrou no território americano. No Japão e na China, era um mero incómodo para os castanheiros asiáticos. No castanheiro-americano, causou úlceras profundas que o privavam lentamente de água e nutrientes. Estima-se que quatro mil milhões de árvores tenham morrido no século seguinte.

Enquanto os últimos castanheiros-americanos definhavam, rãs e outros anfíbios enfrentavam um perigo semelhante devido a um patógeno fúngico conhecido como quitrídio. Este fungo, que se pensa ser originário da península coreana, vivia em harmonia com os anfíbios locais. Espalhou-se pelo mundo nos últimos 150 anos e está agora associado ao declínio de pelo menos quinhentas espécies de anfíbios. Causou o desaparecimento de 90 espécies dos seus habitats e foi descrito como a pior doença que afectou a vida selvagem em toda a história.

“Estamos a deslocar material biológico pelo mundo numa questão de horas para continentes que, durante muito tempo, estiveram separados”, diz o ecologista Ben Scheele. “No fundo, estamos a recriar uma Pangeia disfuncional.”

No outono passado, Anne Pringle e um dos seus alunos passaram semanas a colher centenas de cicutas-verdes em florestas do Reino Unido, Hungria, França e Polónia. Estas amostras poderão ajudar os cientistas a compreender melhor a razão pela qual a cicuta-verde prospera em alguns ecossistemas e não noutros.

➖➖➖

Um patógeno fúngico conhecido como quitrídio foi descrito como a pior doença que afectou a vida selvagem em toda a história.

➖➖➖

Os investigadores procuravam um predador ou patógeno que pudessem replicar, de forma a impedirem estes cogumelos de invadirem o solo das florestas – um método chamado biocontrolo. No entanto, uma das maneiras mais eficazes de manter os fungos no ambiente certo é através da prevenção e monitorização da importação de espécies estrangeiras, testando-as em busca de fungos.

➖➖➖

“Estamos a deslocar material biológico pelo mundo numa questão de horas para continentes que, durante muito tempo, estiveram separados”, diz o ecologista Ben Scheele.

➖➖➖

Quando não se consegue impedir que as doenças fúngicas entrem num determinado ambiente, o seu tratamento pode revelar-se uma tarefa colossal. Vários cientistas têm trabalhado em projectos de cultivo, com décadas de duração, destinados a restaurar o castanheiro-americano. Uma das campanhas envolve uma polémica árvore geneticamente modificada. E embora as rãs possam curar-se do quitrídio a nível individual, a erradicação do fungo em ambientes onde o fungo se estabeleceu é praticamente impossível. No ano passado, um novo estudo sobre a maneira como a cicuta-verde produz a sua poderosa toxina abriu a porta a um possível antídoto.

Algumas empresas tecnológicas emergentes e organizações sem fins lucrativos têm prometido soluções que ajudem os fungos a ajudar-nos. A Funga, uma empresa sediada no Texas, identifica fungos autóctones capazes de ajudar as árvores a armazenar mais carbono. A SPUN, uma organização de investigação científica, está a cartografar os fungos do planeta para identificar pontos críticos regionais que precisam de ser conservados. Existem pelo menos 350 espécies em risco de extinção, embora o número real deva ser muito superior.

➖➖➖

Um recente estudo sobre a maneira como a cicuta-verde produz a sua poderosa toxina abriu a porta a um possível antídoto.

➖➖➖

Para Rabern Simmons, vencer a corrida contra-relógio da biodiversidade é fundamental – tanto para a humanidade como para os fungos. “Estamos a descobrir facetas benéficas para a humanidade de alguma forma, seja na produção de compostos como biocombustíveis ou de compostos com possíveis fins medicinais.” Aquilo que for protegido poderá um dia resolver o próximo problema que possamos criar.

Artigo publicado originalmente na edição de Junho de 2024 da revista National Geographic.

Sarah Gibbens
Actualizado a 19 de junho de 2024

Dia Internacional da Juventude!

PJ detém companheira de recluso quando tentava introduzir droga na prisão de Bragança

 A Polícia Judiciária revela ter detido em flagrante, uma mulher de 43 anos, por “fortes indícios da prática do crime de tráfico de estupefacientes agravado”, no passado dia 25 de julho, no Estabelecimento Prisional de Bragança.


Segundo a PJ, a mulher foi detida durante a visita ao companheiro, recluso naquele EP, quando ali tentava introduzir uma substância suspeita, que se apurou, após teste pericial, tratar-se de resina de canábis.

A mulher, agora detida, e o companheiro, foram presentes à autoridade judiciária para primeiro interrogatório, tendo a mulher ficado sujeita a termo de identidade e residência e ambos estão proibidos de contactar entre si.

A PJ adianta, na nota publicada no seu site oficial da internet, que prossegue a investigação visando o integral esclarecimento dos factos, o apuramento da eventual responsabilidade criminal de outros intervenientes e a adoção das medidas necessárias à prevenção e repressão da introdução de produtos estupefacientes em estabelecimentos prisionais, sendo o inquérito titulado pelo Ministério Público de Bragança.

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)
Foto. PJ

Sr. Adérito Lhano

Festas, Festividades e Eventos

GRIJÓ VOLTOU A ACOLHER ENCONTRO EQUESTRE QUE CELEBROU A TRADIÇÃO E O MUNDO DOS CAVALOS

 A freguesia de Grijó, no concelho de Macedo de Cavaleiros, recebeu a 13.ª edição do Encontro Equestre, uma iniciativa que voltou a reunir cavaleiros, criadores, entusiastas do mundo equestre e visitantes num fim de semana dedicado à valorização desta tradição.


Ao longo de dois dias, o programa integrou provas, demonstrações e diversos momentos de convívio, proporcionando um espaço de encontro entre participantes e público e reforçando a ligação do concelho à atividade equestre.

O evento contou com a presença do executivo municipal, que se associou à iniciativa e destacou a importância deste tipo de acontecimentos na preservação das tradições locais, na dinamização das freguesias e na promoção do território.

A organização mobilizou dezenas de participantes e voluntários, contribuindo para o sucesso de mais uma edição de um encontro que se tem vindo a afirmar como uma referência no calendário de eventos de Macedo de Cavaleiros.

Com esta iniciativa, Grijó voltou a evidenciar a importância da tradição equestre como elemento do património cultural local, promovendo o convívio, o associativismo e a valorização de uma atividade com forte ligação ao mundo rural.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MACEDO DE CAVALEIROS CELEBROU O DIA DOS AVÓS COM INICIATIVA INTERGERACIONAL

 O Município de Macedo de Cavaleiros assinalou o Dia dos Avós com a iniciativa “Laços e Abraços”, um encontro que reuniu avós, netos e restantes familiares para uma tarde dedicada ao convívio, à partilha de experiências e ao fortalecimento das relações entre gerações.


Promovida pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Macedo de Cavaleiros e pela Operação CoMsigo – CLDS 5G, a iniciativa proporcionou um conjunto de atividades pensadas para incentivar a participação das famílias e valorizar o papel dos avós na transmissão de valores, tradições e afetos.

O programa incluiu a construção de um Mural dos Afetos, uma sessão de meditação ativa com movimento, jogos tradicionais e uma caminhada em família, promovendo momentos de proximidade entre participantes de diferentes idades.

As comemorações terminaram na Praça das Eiras, onde a música marcou o encerramento de uma jornada dedicada à celebração dos laços familiares e da importância da convivência entre gerações.

A iniciativa voltou a destacar o contributo dos avós para a vida das famílias e da comunidade, reforçando a importância de preservar os vínculos afetivos e de promover ações que incentivem o encontro e a solidariedade entre diferentes gerações.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

ESTAÇÃO DAS ARTES DE MIRANDELA RECEBE NOVA EXPOSIÇÃO DE SUSANA CEREJA

 A Estação das Artes de Mirandela inaugurou a exposição “Primeira Paragem”, da artista Susana Cereja, uma mostra concebida especificamente para o edifício da antiga estação ferroviária e que convida os visitantes a explorar temas como a identidade, a memória, a passagem do tempo e a liberdade.


Com curadoria de Cláudia Melo, a exposição reúne 42 obras, das quais 19 são apresentadas ao público pela primeira vez. O têxtil assume um papel de destaque ao longo do percurso expositivo, através de técnicas como o bordado, a tecelagem e a tapeçaria de Arraiolos, estabelecendo um diálogo entre a tradição artesanal e a arte contemporânea.

A mostra integra ainda um audioguia, permitindo aos visitantes aprofundar o conhecimento sobre as obras expostas e sobre o processo criativo desenvolvido pela artista.

Patente até 6 de janeiro de 2027, na Estação das Artes de Mirandela, “Primeira Paragem” reforça a programação cultural do espaço e constitui uma oportunidade para o público contactar com uma proposta artística que valoriza o património têxtil português através de uma abordagem contemporânea.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

JOGOS COM FRONTEIRAS ESTREARAM-SE EM VILA FLOR COM 11 EQUIPAS EM COMPETIÇÃO

 As Piscinas Municipais de Vila Flor receberam, no passado fim de semana, a primeira edição dos Jogos Com Fronteiras, uma iniciativa promovida pelo Município que reuniu participantes de várias equipas numa noite marcada pela competição saudável, pelo convívio e pela animação.


Ao todo, 11 equipas aceitaram o desafio e participaram nas diferentes provas preparadas para o evento, demonstrando espírito de equipa, boa disposição e fair play ao longo de toda a iniciativa.

A estreia dos Jogos Com Fronteiras contou ainda com a presença de familiares, amigos e público, que acompanharam as várias atividades e contribuíram para o ambiente de festa vivido nas Piscinas Municipais.

O Município de Vila Flor fez um balanço positivo desta primeira edição, agradecendo o envolvimento dos participantes, colaboradores e de todos os que contribuíram para a organização do evento, que pretende afirmar-se como uma nova referência no calendário de iniciativas de verão do concelho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Câmaras municipais com dificuldades em manter e contratar técnicos qualificados

 As câmaras municipais têm cada vez menos recursos técnicos na área da arquitetura. A preocupação foi manifestada pelo presidente da Ordem dos Arquitectos, Avelino Oliveira, na sua recente passagem por Macedo de Cavaleiros, para uma sessão de esclarecimento que decorreu, na tarde desta segunda-feira, no Centro Cultural.


Avelino Oliveira sublinha que a carreira na administração local já não é tão aliciante, uma vez que as remunerações são mais baixas do que no setor privado. A agravar a situação, os jovens arquitetos também não se estão a fixar em zonas do interior, preferindo o litoral:

A sessão de esclarecimento foi focada no Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE), o novo diploma que entra em vigor no próximo dia 3 de agosto.

Este diploma contempla várias novidades. Os requerentes passam a poder contar com o título urbanístico desde o primeiro dia e haverá uma redução dos prazos, como explica o presidente da Ordem dos Arquitectos:

Na prática, haverá uma agilização da comunicação prévia, com a redução de etapas administrativas e a simplificação dos processos.

O RJUE foi publicado no dia 29 de maio, em Diário da República. Com esta alteração legislativa, o Governo pretende eliminar obstáculos à construção e à reabilitação, criando melhores condições para aumentar a oferta de habitação, estimular o investimento e garantir uma resposta mais célere às necessidades do país.

Para Avelino Oliveira, o novo diploma trará benefícios, mas também desafios:

Esta foi a 12.ª sessão promovida pela Ordem dos Arquitectos a nível nacional, abrangendo cerca de 2.500 arquitetos e técnicos especializados. Estas ações no terreno assumem uma dimensão muito importante, reitera Avelino Oliveira:

Em Macedo de Cavaleiros, a sessão desta segunda-feira contou com a presença de 90 técnicos.

Maria João Canadas

Ferido grave em acidente de trabalho em Mirandela

 Um homem de 41 anos ficou gravemente ferido, esta manhã, após cair do telhado de uma habitação, em Mascarenhas, no concelho de Mirandela, e foi helitransportado para o Hospital de São João, no Porto, confirma o comandante dos bombeiros voluntários de Mirandela, Luís Soares.


O operário da construção civil estaria a realizar trabalhos, quando, por razões desconhecidas, caiu. O alerta ocorreu às 7,36 horas. Quando, a equipa dos bombeiros chegou ao local, a vítima encontrava-se em paragem cardiorrespiratória, tendo sido efetuadas manobras de reanimação até à chegada da equipa do Helicóptero do INEM, sediado em Macedo de Cavaleiros, acrescenta o comandante.

A vítima apresentava um “traumatismo craniano grave” e foi evacuada para o Hospital de São João, no Porto.

No local, estiveram seis operacionais com o apoio de duas viaturas e uma patrulha da GNR que tomou conta da ocorrência.

Fernando Pires

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A 𝑵𝒐𝒊𝒕𝒆 𝒏𝒂 𝑩𝒂𝒊𝒙𝒂 está a chegar! Música, animação, comércio aberto e muito convívio esperam por si no coração de Bragança.

Festas, Festividades e Eventos

Primeira fase de adaptação, até 13 de setembro, terá utilização gratuita. Vai operar nos concelhos de Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

 A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) anunciou, esta segunda-feira que, no próximo dia 3 de agosto de 2026, vai dar início à nova operação do Serviço Público de Transporte "Terras de Trás-os-Montes", uma nova rede de transporte rodoviário de passageiros que “representa um reforço significativo da mobilidade em todo o território intermunicipal”, adianta em comunicado. 


É o resultado do procedimento de contratação pública desenvolvido por esta CIM-TTM, no âmbito das competências que lhe estão atribuídas enquanto autoridade de transportes. Esta nova operação, “traduz-se numa profunda modernização da oferta de transporte público na região, disponibilizando mais de 90 linhas, uma nova identidade visual e uma reorganização da rede, com o objetivo de proporcionar um serviço mais eficiente, acessível e ajustado às necessidades das populações”, acrescenta o comunicado enviado às redações. 

A nova operação contará com 90 autocarros, dos quais 30 serão veículos verdes/limpos. 

A implementação desta nova operação, vai decorrer de forma faseada. Entre 3 de agosto e 13 de setembro de 2026, terá lugar “um período de adaptação”, concebido para “permitir uma transição gradual para a nova rede, facilitando a adaptação dos utilizadores aos novos percursos, horários, imagem e procedimentos do serviço, bem como a consolidação da operação no terreno, sendo que durante este período poderão verificar-se ajustamentos pontuais nos horários ou na operação, sempre que tal se revele necessário para assegurar o normal funcionamento do serviço e garantir uma resposta cada vez mais adequada às necessidades de mobilidade identificadas”, ressalva aquela entidade presidida por Pedro Lima, autarca de Vila Flor.

Para facilitar esta fase de arranque e incentivar os utilizadores a conhecerem a nova rede de transportes, a utilização de todos os serviços “será gratuita em toda a região” entre os dias 3 de agosto e 13 de setembro de 2026. 

Nesta primeira fase, as linhas intermunicipais funcionarão diariamente, assegurando as ligações entre os diferentes concelhos das Terras de Trás-os-Montes. 

Relativamente às linhas municipais estarão em funcionamento em todos os municípios que integram a CIM-TTM (Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Miranda do Douro, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais), à exceção do concelho de Bragança, com periodicidade de duas vezes por semana, com duas viagens por dia, sendo reforçadas nos dias de mercado da sede de cada concelho, em que serão asseguradas três viagens. 

A partir de 14 de setembro, com o início do novo ano letivo, “entram em vigor os horários escolares das linhas municipais e intermunicipais, bem como o serviço de transporte a pedido, completando a implementação da nova operação”, explica a CIM-TTM. 

Esta nova modalidade, permitirá “reforçar a cobertura do transporte público em localidades com menor oferta”, proporcionando uma resposta de mobilidade mais flexível e contribuindo para uma rede mais abrangente e inclusiva em todo o território. 

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)

António Amorim de Carvalho - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 13.dezembro.1917 – 9.fevereiro.1918
PESO DA RÉGUA, 2.7.1870 – ?

Farmacêutico.
Curso de Farmácia pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Deputado (1911, 1911-1914). Governador civil de Bragança (1917-1918).
Natural da freguesia e concelho do Peso da Régua.
Filho de António Manuel de Carvalho, farmacêutico, e de Caetana Rosa, proprietária.

➖➖➖

Seguindo as pisadas do pai, António Amorim de Carvalho foi um reputado farmacêutico, tendo integrado numerosas associações cívicas e profissionais, como o Centro Farmacêutico Português, o Ateneu Comercial do Porto, a União dos Industriais do Norte, a Associação Industrial Portuense, o Clube dos Fenianos, a Associação de Escolas Móveis, o Centro Democrático de Instrução e a Associação de Socorros Comércio e Indústria.
Propagandista dos ideais republicanos e democráticos no Porto e nas Beiras, colaborou em diversos jornais, como A Batalha e A Revolução de Janeiro, dirigidos por Feio Terrenas, O Protesto do Povo, de Heliodoro Salgado, A Folha do Norte, do qual foi um dos fundadores, e A Beira Alta, que fundou em 1911, quando vivia em Armamar.
A sua carreira política ganhou maior protagonismo nos anos imediatos à implantação da República em 5 de outubro de 1910. Depois de integrar a Comissão Municipal Republicana do Porto, em 1911 foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte, pelo círculo de Moimenta da Beira. Destaca-se, neste período, a subscrição de uma proposta para que os empregados da Assembleia fossem gratificados pelo “excesso de serviços na atual sessão”, saindo a verba destinada a tal fim da dotação da Assembleia Constituinte (22.8.1911).
Foi depois eleito para a I Legislatura da Câmara dos Deputados (1911-1915), que abriu a 26 de agosto de 1911, isto é, imediatamente após o encerramento da Constituinte.
Integrou a Comissão de Agricultura e apresentou alguns projetos de lei, um dos quais, do seu óbvio interesse particular, para que ninguém pudesse explorar uma farmácia ou adquirir outra já estabelecida sem previamente registar, perante a respetiva autoridade policial ou administrativa, o seu diploma de farmacêutico por qualquer escola habilitada para o efeito (8.5.1912); um outro para a criação de um novo distrito administrativo com sede em Lamego, que reuniria os concelhos de Lamego, Cinfães, Resende, Castro Daire, Tarouca, Armamar, Moimenta da Beira, Tabuaço, S. João da Pesqueira, Sernancelhe e Penedono, pertencentes ao distrito de Viseu, e os concelhos de Meda e Vila Nova de Foz Coa, do distrito da Guarda (31.5.1912), iniciativa que, como hoje sabemos, não lograria êxito; e um terceiro para que a escola elementar criada pelo Centro Escola Democrático de Lordelo do Ouro, no Porto, passasse a ser considerada escola mista oficial (18.12.1912). A sua atividade parlamentar vai diminuir nos anos seguintes e em dezembro de 1914 pede uma licença para se ausentar do Parlamento, ao qual não mais regressará.
Foi nomeado governador civil de Bragança em 13 de dezembro de 1917, cargo de que tomou posse a 20 desse mês mas onde se demorou apenas dois meses, até 9 de fevereiro do ano seguinte. Nestas funções, em 10 de janeiro de 1918, dissolveu o corpo administrativo que geria os negócios da Câmara Municipal de Bragança, nomeando e dando posse a um grupo de cidadãos, encabeçados por Adrião Martins Amado, futuro governador civil de Bragança, nesta ocasião eleito presidente da nova Comissão Administrativa.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Distrital de Vila Real, Livro de Registo de Baptismos, Paróquia de Peso da Régua (1869-1874).
Diário da Assembleia Constituinte, 1911.
Diário da Câmara dos Deputados, 1911-1914.
AAVV. 2004. Presidentes da Câmara de Bragança. Da República aos nossos dias. Bragança: Câmara Municipal de Bragança.
MARQUES, A. H. de Oliveira (coord.). 2000. Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910-1926). Lisboa: Assembleia da República.

Publicação da C.M. Bragança

Sr. Romeu Gomes

Natalidade em Trás-os-Montes


 Trás-os-Montes enfrenta, há várias décadas, um acentuado envelhecimento demográfico e uma acentuada quebra na natalidade, alimentados pela emigração, pelo êxodo rural e pela escassez de oportunidades económicas. Inverter esta tendência exige uma estratégia integrada que valorize o território e crie condições reais para que os jovens escolham viver, trabalhar e construir a sua família na região.

O primeiro pilar para dinamizar a demografia transmontana é a criação de emprego estável e qualificado. Fixar a população jovem passa por garantir salários dignos, dinamizar incentivos à instalação empresarial, apoiar o empreendedorismo local e valorizar os setores tradicionais, como a agricultura, o turismo sustentável e a transformação de produtos endógenos. Em simultâneo, a aposta no teletrabalho, sustentada por infraestruturas digitais de excelência, constitui um íman poderoso para atrair famílias que ambicionam qualidade de vida longe dos grandes centros urbanos.

A este esforço junta-se o apoio direto às famílias. Medidas como subsídios à natalidade, desagravamentos fiscais a nível local, apoios à habitação e o acesso a rendas acessíveis são fundamentais para aliviar o custo de vida associado à parentalidade. A reabilitação do parque habitacional devoluto e a criação de programas específicos para jovens facilitam a autonomia e tornam a decisão de ter filhos mais sustentável.

Paralelamente, a garantia de serviços públicos de excelência é um fator decisivo. O investimento em creches gratuitas ou a preços controlados, a manutenção de uma rede escolar moderna e de proximidade, e a salvaguarda de cuidados de saúde acessíveis, incluindo valências essenciais de pediatria e obstetrícia, transmitem a tranquilidade indispensável aos pais. A melhoria das acessibilidades e dos transportes públicos assume, igualmente, um papel central no combate ao isolamento das aldeias.

A singular e superior qualidade de vida de Trás-os-Montes deve, por sua vez, ser alavancada como vantagem competitiva. O contacto privilegiado com a natureza, a segurança, a serenidade e o forte sentido de comunidade são atrativos de valor incalculável. A estas vantagens devem somar-se políticas ativas de acolhimento e integração de novos residentes, incluindo cidadãos estrangeiros, cruciais para o rejuvenescimento do tecido social.

O sucesso destas políticas exige uma visão a longo prazo, assente numa articulação estreita entre autarquias, poder central e sociedade civil. O futuro demográfico de Trás-os-Montes não se esgota em meros incentivos financeiros, constrói-se devolvendo vitalidade ao território, assegurando oportunidades, serviços de qualidade e esperança no amanhã. Só assim será garantida a sustentabilidade social e económica da região.

HM
27 de Julho de 2026

Festas, Festividades e Eventos

" Nas escombreiras do amor" - Capítulo II

Por: Luís Abel Carvalho
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


...continuação  

  Um repentino e forte vendaval soprou de nascente, dos lados de Bragança, fazendo agitar os castanheiros de inquietação.

- É berdade! Eram mesmo grães da mesma ´spiga...Credo, quinté fic´á gente arrepiada.

- A este, mataram-no à ´stadulhada, por o que me contas e o meu Tchico Zé foi morto à traição, por trás. Só assim é que conseguiram dar cabo dele. Doitro modo, cara a cara, num sei s´os três tchigariam pra ele. O Cipriano ´spatou-l´uma nabalhada nas costas quinté le furou o pulmão.  

 -  Oh...sabemos lá c´mé cas cousas se passaram...

 - Sabemos, sabemos. – afirmou convictamente com acenos de cabeça. - O Adriano lá contou tudo no tribunal ó juíz. Lá dixo qu´o meu Tchico Zé  ´staba descuidado imentes o Adriano le  passaba  as notas prás mãos e que  o Cipriano beio sorrateiro por trás  co a nabalha e ´spatou-o. 

 - Pois...tamãe oubi decer isso – disse a Celeste encolhendo os ombros.

 - Pois, pois ...Atcho qu´eró destino deles – disse conformada, puxando o xaile para os ombros e o lenço para a testa. - Agora só ´stou priocupada é co este inuncente – disse apontando o netinho de quatro anitos, que se mantinha sentado ao lado dela, alheio a tudo, sem se aperceber que tinha ficado sem Pai. 

 - Esse tamãe seria um desinfeliz, se num fosse bomecê qui o acarinhou, sem saber sequera s´era seu neto, sendo filho da corjidade. Lá seria um imporém, por i... Bem le pode q´rer, qu´i o ´stá a criar com todo o amor!!Num há dúbda! O amor e a fé, nos actos se bê!!

  - Num será bem assim. Será filho d´alguma puta, mas num é ninhum filho da puta. Por o menos no que depender de mim, naquilo que ´stiber ó meu alcance. Mas ele é filho do meu Pascoal, tanho a certezinha.  Assim eu tibesse o Céu tão certo. Atão tu num bês qué a cara ´scarrada e ´scupida dele, os olhos inguaizinhos e inté tem o peido na testa, c´mó meu Pascoal?!! – disse causticamente, com alguma indiferença.

- Lá parcido, é. Num há dúbda. Dá todo ares ó Pascoal, lá isso dá!! 

- Pois é claro que dá! Olha qu´admiração...inda te digo mais: nem erba no trigo e nem suspeitas no amigo – lançou-lhe uma pequena farpa camuflada na ironia.

 - Sabe-se lá quem será a mãe!! – perguntou fingindo não ter percebido.

 - Eu num na conheço, mas ó que dizem por aí, é uma badia ruça, qu´andaba por aí, por as feiras e romarias. É uma ´stoubada qu´anda praí a tchutchar o dinheiro ós rapazes e ós homes casados. Foi botá-lo na roda e nunca ninguém mais a biu...! – disse num encolher de ombros. – Óbi decer qu´era prá i dos lados de Bimioso, prós lados da ´Spanha. 

 -  Oh...Sabe lá a gente donde são essas pessoas!Mas tamãe, agora já co essa idade, pró qu´habia de ´star calhada, pra essa trabalheirama toda!

 - Num me dá trabalho ninhum. O qu´é questoso, num é custoso – disse mansamente. – E é c´mo tu dissestes : o amor e a fé, nas obras se bê. – acrescentou.

 - Ora, pois! Essa é qu´é essa!!. Quem corre por gosto num cansa – concordou acenando que sim com a cabeça.  

 - Agora que bai tchigar a Primabera, só tanho arreceio que m´apanh´ alguma intrite ou cous´assim.

- Ou sarampo, ou garrotilho. Eu sei lá...alguma doença própria das crianças.  Mas num se priocupe, que Deus num le dará  um fardo que num posso suportar. Cruzes, credo! Bai de retro...- disse benzendo-se.

    Pascoal era de porte altivo de olhos e cabelos claros. Tinha ombros largos, maciços e uma boca de rã. Era indomesticável. Procurava a sua verdade; um sentido para a vida. Os maus fígados do Pai tinham-se repetido no filho.

- E pra teu goberno, inda te digo mais oitra. Inté tãe uma marca na nalga direita, c´mó Pascoal e inté c´mó meu Tchico Zé, que tamãe tinha uma ingual!  Aquilo já é cousa herdatária. E olha qu´a minha palabra bale mais do qu´um alforje de moedas d´oiro – disse com voz firme.

    Celeste chorou copiosamente lágrimas de dilúvio e lá foi falsamente compungida com a situação.  Era uma mulher redonda, exuberante de carnes. Tia Inácia sabia bem que ela era de lágrima conveniente e calculista. Esta tal Celeste era tida como uma das quatro feitceiras da aldeia; era uma das que espalhava sal nas encruzilhadas, como fazia o inimigo em tempos remotos, nas cidades destruídas, para não renascerem das cinzas. Era uma mulher alta, de rosto balofo, pesada, mas segura de movimentos. Era possante e maciça, de olhar curioso. Tinha a alcunha de “ Zarolha “, porque não via quase nada do olho direito. Era uma autêntica rata de sacristia. Passava demasiado tempo na igreja, na intenção de salvar a alma no dia do juízo final.  Era capaz de enlamear o nome de qualquer um com a mesma facilidade com que tomava a hóstia de Cristo. Vivia no terreiro da igreja, tendo como vizinha a Doroteia de Jesus, que era Mãe do homem da Esmeralda, filha da Tia Inácia, que vivia em França com os dois filhos. A Doroteia e a Inácia nunca morreram de amores uma pela outra, pois aquela não queria, por nada deste mundo, que o filho casasse com a Esmeralda - mas o amor, mais uma vez, venceu! A tia Doroteia fazia parte do quarteto de feiticeiras da aldeia. O terreiro onde vivia era um semi-círculo formado por cinco casas todas elas com balcão e varanda de madeira e loja. No centro do terreiro havia um enorme olmo, onde prendiam os burros à sombra e a garotada brincava no Verão.

    Tia Inácia não era mulher de bater muito no peito e nem de mastigar Pais Nossos e Ave-Marias.  Nunca o sentimentalismo a arrastou de modo exagerado para a igreja e para o confessionário. No entanto, não perdia a missinha aos domingos e confessava-se uma vez por mês para poder engolir o corpo do Filho de Deus, semanalmente e calar as bocas do povo. Fora disso, não ia às novenas de maio, não participava na encomendação das almas na Quaresma, embora soubesse de cor os cinco mistérios dolorosos, desde o primeiro – Agonia de Jesus no Horto, o segundo – o flagelo de Jesus, o terceiro – a coroação de espinhos, o quarto – o carregamento por Jesus da cruz até ao Calvário e o quinto – a crucificação e morte na cruz. Também não confiava muitas orações a Santa Bárbara – sua vizinha - , quando os trovões, os relâmpagos e as trovoadas traziam a aldeia em pânico, de credo na boca.  Sabia, apesar disso, a cantilena:

“ Santa Bárbara Bendita, 
 que no Céu está escrita
 com cruzes e água benta
 p´rá pagar esta tormenta”.

.

Santa Bárbara bendita
que tens na palma da mão, 
pede a Nosso Senhor
que não mande mais trovão.

.

Magnífica a minh´alma
qu´ engrandece o Senhor
nem espírito se alegra
no Divino Salvador.
Que nos livre do trovão
 qu ´anda tão ameaçador.

    Tinha, no entanto, a paz da aceitação de tudo o que a vida lhe dava sem questionar e, talvez isso, fosse a mais nobre e salutar sabedoria.

     A vida seguia sossegada e rotineira, sobressaltada apenas com alguma festa de casamento, de baptizado, por algum fogo ou alguma morte.

    Quando a Celeste foi embora, já o dia declinava lânguido e amarelecido em tons de salmão coral, sobre o cume sul do Reboredo  e o sol se tinha escondido lampeiro para os lados do Pocinho. O dia caía rabujento e rugoso, no doce e majestoso adormecer das coisas e da natureza. No lugar onde o sol se pôs, ficou uma mancha avermelhada, lembrando vinho derramado numa toalha de linho e a lua irrompia cautelosa e encolhida, por entre as nuvens. O escuro da noite espalhava-se apressadamente pela abóboda celeste. As estrelas, fixas e cintilantes, já brilhavam cada vez mais num céu plúmbeo, onde parecia que tinham espalhado poeira de ouro. Havia um luaceiro claro, mole e taciturno de fim de inverno. Uma nebelina transparente e frouxa envolvia a aldeia triste e pobrezinha, na sua interminável pobreza e acumulava-se nos baixios.  A noite conquistara a sua obscuridade, e o silêncio, o seu mistério. Tia Inácia estava melancólica, debaixo de um impiedoso céu estrelado e vigiada por inúmeras estrelas que dava a impressão de que a perscrutavam, para lhe adivinhar os pensamentos! Só ali era possível uma completa comunhão com o Universo. Todos faziam parte de um ser único, impelidos pela mesma bioenergia imanente.

    Tia Inácia entrou em casa com o neto e acendeu a candeia de petróleo, que projectava umas sombras agigantadas pelas paredes despidas, num círculo desmaiado. Bruxuleava um ténue raio amarelo pálido, tremeluzente. Na lareira havia a panela de ferro onde coziam as couves e a " lata da bianda", onde cozinhava restos para dar à jerica. Uma luz cinzenta e parca entrava pela boeira. A lua ia alta, cheia e lustrosa e espargia uma claridade limpa e crua. Quando examinou as couves tronchudas, viu que estavam já espapaçadas, tal como as batatas.

- Ó rais palir´ó rapaz, quinté na morte me ´stroba. - lamentou-se ao verificar que tanto as batatas como as couves, estavam cozidas demais.

    Com a espumadeira escoou as couves e as batatas e deitou-as em dois pratos fundeiros de barro grosseiro do Felgar, com um ovo cozido. Esmagou tudo com o garfo de pé de osso e temperou-as depois com unto. Deu um prato ao neto e ambos comeram no escano, sentados em mochos de madeira, ao lume já quase apagado. Tia Inácia pegou nas tenazes e revolveu o lume para o espevitar, mas pouco lhe adiantou.  Apenas umas tristes brasas escarlate esmoreciam também num sono de despedida. Ali os sonhos dormitavam juntamente com os grilos, os besouros e as flores silvestres.

- Quem é que moieu, Bójinha? - perguntou o neto subitamente com olhar interrogador.

- Oh...Num foi ningãe. Com´as coubinhas e cala-te, que faizem bem às tripas – respondeu encolhendo os ombros, olhando para o neto com olhar incomodado.

    O menino calou-se e continuou a comer a ceia.

 - Mas a Xinhóia dicho qu´um home tinha moído! - insistiu mais tarde, o menino na pergunta inocente, com olhos envolventes.

- Prontos, bá. Foi o teu Pai. Mas deixa lá, que todos habemos de morrer um dia; uns mais nobos, outros mais belhos, mas ninguém cá fica.

- Atão eu e Ábojinha tamãe bamos moiê?!- perguntou num olhar de espanto.

- De certezinha. Mas agora cala-ti come.

    A velha e o neto cearam calados e ficaram sentados à lareira até à hora de deitar. O menino olhava com olhos de sono e de incompreensão para o lume, que também ia desfalecendo, dando já pouco calor. Umas já desfeitas cavacas de zimbro, moribundas, tinham arrefecido em dores cinzentas, pouco vivas. 

- Tanho fio, Bó – disse o menino a tremer. – Tou inganhado - acrescentou

-´Stás ingranhado? – perguntou a Avó num sorriso terno. – Tamãe eu, mas já bamos a dromir, que já bão sendo horas, qu´isto aqui num é c´mo na casa do oitro, sempr´atiçar-ló lume coas tenazes. – resmungou a velha. - Tchega-te mais ó lume e quece-te.

    Na lareira, apenas o "lato da bianda" e a panela de ferro.

continua...

Fontes de Carvalho

Lê aqui o Capítulo I.


Fontes de Carvalho
, pseudónimo de Luís Abel Carvalho, nasceu no Larinho, uma aldeia transmontana do Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança. É o filho do meio de três irmãos.
Estudou em Moncorvo, Bragança e no Porto, onde se formou em Engenharia Geotécnica. É casado e Pai de três filhos.
Viveu no Brasil, onde passou por momentos dolorosos e de terror, a nível económico e psicológico. Chegou a viver das vendas de artesanato nas ruas e a dormir debaixo de Viadutos.
No ano de 1980 e 1981 foi Professor de Matemática em Angola, na Província de Kwanza Sul, em Wuaku-Kungo. Aí aprendeu a desmistificar certos mitos e viveu uma realidade muito diferente da propagandeada.
Em Portugal deu aulas de Matemática em diversas cidades, nomeadamente em São Pedro da Cova, Ponte de Lima, Cascais (na Escola de Alcabideche, onde deu aulas aos presos da cadeia do Linhó), Alcácer do Sal, Escola Francisco Arruda e Luís de Gusmão, em Lisboa. Frequentou durante quatro anos, como trabalhador-estudante, o curso de Engenharia Rural, no Instituto Superior de Agronomia.
Em 1995 fundou a empresa Bioprimática – Reciclagem de Consumíveis de Informática, onde trabalha até hoje como sócio-gerente.