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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Neste dia Nacional dos Castelos convidamo-lo a percorrer o território e a descobrir este património. Terras de Trás-os-Montes - O Destino Natural

110 anos do Arquivo Distrital de Bragança

 O Arquivo Distrital de Bragança assinalou os seus 110 anos com um seminário dedicado à história e ao património documental da instituição, promovendo a valorização e divulgação de um importante legado da memória de Bragança.
Uma ocasião para celebrar o passado, preservar a memória e reforçar a importância dos arquivos na construção do futuro.

𝐁𝐢𝐞𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐂𝐨𝐧𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨𝐫𝐚̂𝐧𝐞𝐚 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐚 𝐚 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬

 Macedo de Cavaleiros integra a Bienal de Arte Contemporânea Terras de Trás-os-Montes – Linha da Terra, uma iniciativa que, entre outubro e dezembro, liga nove concelhos através da arte contemporânea, reunindo cerca de 160 artistas em 14 exposições.


𝐍𝐨 𝐩𝐫𝐨́𝐱𝐢𝐦𝐨 𝐝𝐢𝐚 𝟏𝟖 𝐝𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐮𝐛𝐫𝐨, 𝐚̀𝐬 𝟏𝟔𝐡𝟎𝟎, 𝐨 𝐂𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 de Macedo de Cavaleiros recebe a inauguração da exposição HOLOCENOSE (+), com curadoria de Rui Ferro e Marta Lima.

A exposição cruza arte, ciência e indústria, tendo como ponto de partida a fundição contemporânea para explorar relações entre matéria, memória, paisagem e território.

HOLOCENOSE (+) resulta de uma plataforma colaborativa entre a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e a Associação Portuguesa de Fundição, aproximando a investigação e a criação artística de um território marcado pelas suas raízes, pela matéria e pela memória.

Participam na exposição Alexandre Costa, Ana Raquel Silva, Carlos Barreira, Daniel Sorrentino, Maria Isabel Neves, Maria Palma, Marta Lima, Norberto Jorge, Rita Machado, Rui Ferro e Teresa Bastos.

A Bienal de Arte Contemporânea Terras de Trás-os-Montes afirma 𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐩𝐨𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐥𝐮𝐠𝐚𝐫𝐞𝐬, 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐞 𝐝𝐢𝐟𝐞𝐫𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐨𝐥𝐡𝐚𝐫 𝐨 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐨, aproximando a criação contemporânea das comunidades e valorizando uma programação cultural feita em rede.

Depois da inauguração, a exposição poderá ser visitada no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros até 31 de dezembro.

Presidência Aberta em Bragança. Datas: domingo, 15 de fevereiro de 1987 - quinta, 26 de fevereiro de 1987


Festas, Festividades e Eventos

🎭 TEATRO EM MIRANDA DO DOURO: COMÉDIA "A MULHER DO MEU MARIDO"

 O Miniauditório de Miranda do Douro recebe, no próximo dia 24 de outubro, às 21h00, a nova produção da Ali'Arte - Associação Cultural: a hilariante comédia "A Mulher do Meu Marido"! 


Sinopse
: Com diálogos afiados, situações hilariantes e um olhar satírico sobre família, aceitação e as pequenas mentiras que contamos por medo, a peça conta a história de Gil e Afonso, um casal que vive tranquilamente em Lisboa até ao dia em que o pai de Afonso, o conservador e ingénuo Sr. Barbosa, anuncia uma visita para conhecer a sua "mulher".

O problema? Afonso nunca revelou ao pai que é gay e, para sustentar a mentira que lhe garante uma ajuda mensal, inventou uma esposa imaginária. Com o pai à porta, entra em cena Berta, uma colega de trabalho motivada (mas pouco dada à inteligência), que aceita fingir ser a esposa perfeita. Entre equívocos, improvisos e ciúmes, o apartamento transforma-se num verdadeiro palco de mal-entendidos!

Uma comédia sobre o absurdo das máscaras sociais onde ninguém é exatamente quem parece ser… até ao momento em que já não é possível fingir mais.

Entrada gratuita, sem necessidade de pré-reserva de bilhetes.

𝐋𝐨𝐜𝐚𝐥: Miniauditório de Miranda do Douro 
𝐃𝐚𝐭𝐚: 24 de outubro 
𝐇𝐨𝐫𝐚́𝐫𝐢𝐨: 21h00 
𝐂𝐥𝐚𝐬𝐬𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐄𝐭𝐚́𝐫𝐢𝐚: M/16 
𝐎𝐫𝐠𝐚𝐧𝐢𝐳𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨: Ali’Arte | Município de Miranda do Douro

Venha apoiar a cultura e desfrutar de uma noite memorável de gargalhadas e boa disposição! 

Contamos com a sua presença.

Empresa cria projeto para aproximar munícipios e administração pública dos idosos e pessoas vulneráveis

 Uma startup portuguesa decidiu usar a Inteligência Artificial (AI) para aproximar os serviços públicos da população idosa e infoexcluída, através de contactos telefónicos regulares da câmara municipal do seu concelho “e saber a tempo quando alguém precisa de atenção”.


Trata-se de um projeto desenvolvido pela MILAE, que parte de uma ideia simples: “há pessoas que os serviços públicos precisam de acompanhar, mas que os canais digitais não alcançam”. A resposta que a empresa propõe é o contacto por telefone. A MILAE liga e a pessoa só tem de atender e conversar normalmente: como dormiu, se já almoçou, se tem tido visitas. Não precisa de aplicação, de smartphone nem de Internet. “A inteligência artificial pode ser muito mais do que uma ferramenta para aumentar produtividade dentro de uma empresa. Pode ser uma forma de aproximar os serviços públicos das pessoas. Há milhares de pessoas que não usam aplicações, não entram em portais e não respondem a canais digitais. Mas atendem o telefone. É aí que queremos estar” revelou Tiago Nunes, fundador da MILAE e CEO da HoneCraft.

Os municípios e a Administração Pública mantêm, assim, contacto regular com milhares de pessoas, por telefone fixo ou telemóvel. Quando uma conversa revela uma mudança no dia-a-dia, uma necessidade ou uma situação que merece atenção, a equipa responsável é avisada e decide onde é preciso intervir. A empresa não quer substituir os profissionais, permite-lhes chegar a mais pessoas e dedicar o tempo a quem mais precisa. Em vez de esperar que a pessoa procure o serviço, é o serviço que lhe telefona a perguntar como está.

Glória Lopes

MEMÓRIA CRONOLÓGICA DA CATEDRAL DE BRAGANÇA

 233 anos de ambição, seis projetos conhecidos, um dos quais com obra iniciada e outro concluída, sete bispos envolvidos e outros tantos locais equacionados. Eis os meandros das ‘sete partidas’ da materialização de Catedral em Bragança, sonhada em 1768 e consubstanciada em 2001. Na passagem do 25.º aniversário da sagração da Catedral de Bragança, dedicada a Nossa Senhora Rainha, assim foi a complexa, sinuosa e morosa demanda através de uma cronologia descritiva e ilustrada.

Concatedral de Miranda do Douro e Catedral de Bragança na atualidade. Autores.

ANTECEDENTES

Instituída a Diocese Nordestina em Miranda, ainda durante a edificação da Catedral de Santa Maria já se questionava a escolha da localidade, em detrimento de Bragança, para sede do Bispado. Desde então, as justificações para a sua transferência foram recorrentes.
  • 1540: O Rei D. João III coloca Miranda do Douro à cabeça duma comarca do Nordeste Transmontano, sendo a outra Torre de Moncorvo.
  • 22 de Maio de 1545: Criação da Diocese de Miranda pelo Papa Paulo III, a pedido do Rei D. João III, através da Bula «Pro Excellenti Apostolicae Sedis». Extinção, pela mesma Bula, do Mosteiro de Castro de Avelãs, cujos bens revertem para a novel Diocese transmontana. O Bispo nomeado é o castelhano D. Turíbio Lopes, Deão da Capela Real e confessor da Rainha D. Catarina. O Cabido é instituído na mesma altura. Em julho desse ano, Miranda do Douro é elevada a cidade. Das razões da escolha de Miranda para sede de Diocese estará o facto de Bragança ser sede de Casa Ducal e de ‘intervenção’ da Rainha D. Catarina, de origem castelhana, em favor dos mirandeses.
  • 24 de Maio de 1552: Lançamento da 1.ª pedra da Catedral de Santa Maria de Miranda do Douro, edificada ao longo do século XVI e início do seguinte.
  • 22 de Agosto de 1556: Acordado entre o Cabido, requerer a D. João III, a mudança da Sé de Miranda para Bragança.
  • 1565: Publicadas as «Constituições Sinodais» do Bispado de Miranda, primeiro texto normativo, canónico e disciplinar da Diocese, aprovado D. Julião d’Alva, 3.º Bispo de Miranda, em Sínodo Diocesano de 11 de novembro de 1563.
  • 1620: Equacionada, no magistério de D. Frei Francisco Pereira, 11.º Bispo de Miranda, a possibilidade de transferência do Bispado para Bragança.
  • 1636-1672: Miranda viveu um período de Sé vacante (sem bispos empossados), devido a diferendos diplomáticos de Portugal com a Santa Sé e a Espanha, decorrente da Restauração da Independência em 1640.
  • 1706: Destruição do Paço Episcopal de Miranda, devido a incêndio, originando prolongada inabitabilidade.
  • Julho de 1710: Miranda é ocupada por tropas castelhanas, no âmbito da Guerra da Sucessão de Espanha, até maio do ano seguinte. A Catedral foi delapidada.
  • 8 de Agosto de 1744: D. Diogo Marques Morato 21.º Bispo de Miranda, lamenta, em carta à Câmara de Bragança, esta cidade não ser a sede do Bispado.
  • 16 de Outubro de 1754: D. Frei João da Cruz, 22.º Bispo de Miranda, escreve ao Papa Bento XIV a referir que Miranda do Douro não tem condições geográficas, demográficas e climatéricas para ser sede de Bispado.
  • 16 de Maio de 1758: D. Frei Aleixo de Miranda Henriques é consagrado 23.º Bispo de Miranda do Douro. Escolhe para Deão o sobrinho, Miguel de Miranda Henriques.
  • 3 de Setembro de 1759: A Companhia de Jesus é oficialmente extinta em Portugal, a instância do Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo (futuro Marquês de Pombal) e promulgação do Rei D. José. Os seus bens patrimoniais revertem para a coroa. A 29 de outubro, os regulares da Companhia de Jesus de Bragança iniciaram, sob prisão, marcha para o Porto.
  • 8 de Maio de 1762: Explosão do paiol de munições do castelo de Miranda, no contexto da invasão militar de Espanha a Portugal. A catástrofe provoca cerca de 400 mortos (entre os quais o padre secretário do Bispo D. Aleixo), a derrocada de parte do castelo e de cerca de 200 habitações. Tratou-se da motivação específica para transferência posterior da sede do Bispado de Miranda para Bragança.        
SÉCULOS XVIII-XIX

D. Aleixo. Museu do Abade de Baçal.

Bispo de «sinistros intentos» para os mirandeses, determinado e coerente para os brigantinos, o Bispo D. Aleixo de Miranda Henriques é o promotor da transferência da sede da Diocese e o primeiro a projetar uma Catedral em Bragança. Com as obras a ficarem pelas fundações, seguiu-se, nos bispados posteriores, a intenção, não concretizada, de ampliar e adequar a ‘Igreja dos Jesuítas’ de modo a emprestar-lhe funcionalidade e dignidade de Sé-Catedral.
  • 7 de Março de 1764: Confiante no bom relacionamento com os poderes públicos, D. Frei Aleixo de Miranda Henriques transfere, de motu próprio, a sede Episcopal de Miranda do Douro para Bragança.
  • 17 de Novembro de 1764: Em resposta a carta dirigida por D. Aleixo ao Rei D. José, o monarca autoriza a mudança da ‘cabeça’ do Bispado de Miranda para Bragança. Em 1766, o Papa Clemente XIII confirma-a.
  • 12 de Dezembro de 1764: D. Aleixo escreve ao Senado de Bragança dando conta da autorização régia para a mudança da Sé para esta cidade. Nesse dia, o Bispo emite convite para um ato religioso de ação de graças pela transferência da sede da Diocese, realizado na igreja de Santa Maria do Sardão.
  • Dezembro de 1764: ‘Acesa’ e contraditória troca de correspondência entre D. Aleixo, instalado em Bragança, e o Cabido, não atreito a abandonar Miranda do Douro. A 18 desse mês, o Bispo remata por carta: “obedecer, ou não á disposição do soberano”.
Igreja de S. João Batista da Sé, onde funcionou a Catedral de Bragança de 1764 a 2001. Autores.
  • 30 de Dezembro de 1764: Contrariando obediência manifestada dias antes ao Bispo, o Cabido solicita ao Rei a sua permanência em Miranda enquanto não existir nova Sé-Catedral. Depois, a 10 de abril, desconfortável pela deslocação e realojamento em Bragança, envia capitulares à corte com a finalidade de poderem representar ao monarca os inconvenientes da transferência da sede da Diocese. Não terá atendimento.
  • 29 de Janeiro de 1765: Carta do Bispo D. Aleixo ao Cabido a enfatizar as razões especiais da mudança da Sé.
  • 4 de Fevereiro de 1765: A Câmara de Miranda do Douro, em carta ao Cabido, protesta contra a transferência das alfaias e mobiliário da ‘sua’ Catedral para Bragança.
  • 20 de Fevereiro de 1765: O Cabido ‘obriga-se’ a celebrar a Quarta-Feira de Cinzas na Igreja de São Vicente, em Bragança. A 11 de abril, reunia no coro da Igreja dos Jesuítas, escolhida para Catedral provisória pelo Bispo D. Aleixo.
  • 13 de Janeiro de 1766: Início de funcionamento do Seminário Diocesano no antigo Colégio Jesuíta, com dez alunos.
  • 4 de Outubro de 1767: Por Carta, D. Aleixo queixa-se ao Rei do não acatamento da sua autoridade … por parte do Cabido.
  • 30 de Janeiro de 1768: A Paróquia de São João Baptista, com Igreja sita na encosta do castelo, é transferida para o antigo Colégio Jesuíta, por Decreto do Bispo D. Aleixo.
  • 2 de Setembro de 1768: Confirmação régia de doação ao Bispado do Colégio dos Jesuítas e da cerca anexa. No dia seguinte, D. Aleixo escreve ao Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo a manifestar a intenção de construir uma nova Sé-Catedral em Bragança, no espaço fronteiro ao Seminário, com o frontispício virado para as Eiras do Bispo, atual Praça Camões. Assente num desenho de fachada majestoso, planta de Cruz latina e nave única, da autoria do Arq. italiano António Stoppani Romano. Daí resultaria, segundo o prelado, na “melhor de todas as Sés do reino”.
Projeto-fachada da Catedral de Stoppani Romano, 1768. Museu do Abade de Baçal.
  • 5 de Março de 1770: O Rei D. José solicita ao papa Clemente XIV a divisão da Diocese de Miranda em duas. A 10 de Julho, o Sumo Pontífice cria as Dioceses de Miranda e de Bragança pelo Breve «Pastoris Aeterni». O Cabido funciona em Bragança; o instituído para Miranda não funcionará!
  • 10 de Julho de 1770: D. Frei Aleixo de Miranda Henriques é nomeado Bispo do Porto, assumindo a cátedra a 18 de setembro desse ano. Falece menos de um ano decorrido, em de Maio de 1771. Foi o primeiro Bispo a intentar edificação de Catedral em Bragança.
  • 22 de Fevereiro de 1772: Tomada de posse do 1.º Bispo de Bragança, D. Miguel António Barreto de Meneses e, um ano depois, como 25.º de Miranda, por sua vontade.
  • 1773-1778: D. Bernardo Ribeiro Seixas, 2.º bispo da novel Diocese de Bragança, procura dar continuidade às obras da nova Catedral. Nas fundações iniciadas por D. Aleixo tinham sido gastos “mais de dezoito mil cruzados”.
  • 1778: Concordata entre o Papa Pio VI e a Rainha D. Maria I, com o padroado da Catedral a ser transferido para a coroa. Consequentemente, o projeto da nova Catedral é cancelado.
  • 27 de Setembro de 1780: Unificação das Dioceses de Miranda e de Bragança, pela Bula «Romanus Pontifex» do Papa Pio VI. Com sede em Bragança e a obrigação de ereção de Catedral.
  • 12 de Junho de 1781: Tomada de posse de D. Bernardo Seixas como 1.º Bispo da Diocese de Bragança e Miranda, que não consegue dar continuidade às obras da Sé.
  • 30 de Agosto de 1791: O Cónego Manuel de Miranda protesta à Câmara de Bragança as obras de ampliação e adequação levadas a efeito por D. Bernardo no edifício colegial da Sé. Nomeadamente os entaipamentos e rompimento de paredes nas arcadas do claustro com o intuito de aumentar os altares. A iniciativa parou e o Bispo faleceu no ano seguinte.
  • 4 de Novembro de 1793: Sagração de D. António Luiz da Veiga Cabral da Câmara como 2.º Bispo de Bragança e Miranda. Toma posse a 01 de janeiro do ano seguinte.
  • 28 de Maio de 1797: O Cabido faz obras na Igreja da Sé, “acrescentando-a, dando-lhe serventia e comodidades precisas”.
  • 31 de Julho de 1799: Em consonância com o Bispo Diocesano, o Cabido remete carta ao General Manuel Sepúlveda, governador provincial, para se retomarem as obras da nova Catedral a partir dos alicerces deixados por D. Aleixo, nomeadamente a Capela-mor e o Cruzeiro. Em resposta no dia seguinte, o General põe à disposição “a sua pessoa, o seu préstimo, a sua autoridade e os seus desejos de servir a Deus e a Pátria”. O processo não seguiria avante, devido às parcas capacidades financeiras e às tribulações sócio religiosas relacionadas com o próprio Bispo.
  • 1800: O Cabido de Bragança pede à Rainha D. Maria I a concessão dos rendimentos das cinco igrejas paroquiais da ‘colação’ e de duas prebendas de Miranda. Sem efeito.
  • 1801-1803: O Cabido, através do Deão Caetano José Saraiva, ao tempo a mais relevante figura eclesiástica, assume a ampliação da Igreja da Sé, “metendo-lhe do claustro e edifício contíguo o espaço suficiente para lhe dar amplitude, forma e proporções que a celebração das funções do culto exige”. Foram captados os materiais, mas os trabalhos foram interrompidos por ordem do General Sepúlveda, que exigia, enquanto representante distrital do Estado, orientar as obras. Situação inaceitável e negada pelo Deão.
  • 1 de Julho de 1803: O Príncipe Regente D. João emitiu um Aviso que as obras encetadas pelo Cabido correriam por conta da Fábrica da Catedral. Obras que pararam definitivamente por morte do Deão Caetano Saraiva, em 1804.
SÉCULO XIX – 1877-1882

Decorrido um século sobre o projeto de Catedral definido para a cerca do antigo Convento Jesuíta, intenta-se a edificação na cerca do extinto Convento Feminino de Santa Clara. Foi delineada uma planta mas, ‘falha de substância arquitetónica’, as obras ficaram pelas intenções.
  • 4 de Outubro de 1875: Entrada solene em Bragança de D. José Maria da Silva Ferrão de Carvalho Martens, 9.º Bispo de Bragança e Miranda.
  • 4 de Março de 1876: O Cabido solicita às Câmaras dos Pares e dos Deputados o extinto Convento de Santa Clara e uma dotação para a construção no local da nova Catedral. “O projecto desta concessão foi apresentado ao parlamento pelo Deputado Conselheiro José Guilherme Pacheco, por intervenção do Conselheiro Martens Ferrão, irmão do prelado bragançano”.
Local da cerca do antigo Convento de Santa Clara. Autores.
  • 22 de Março de 1877: Carta de Lei relativa à concessão do referido Convento à Diocese de Bragança e Miranda, para se edificar na cerca a nova Catedral. A concessão tinha um prazo máximo de cinco anos para a construção, sob pena de devolução ao Estado.
  • Março de 1877: A convalescer em Lisboa, D. José Martens apresenta uma Provisão relativa à angariação de receitas para a construção da Catedral, com a particularidade de propor a contribuição dos fiéis. Em janeiro do ano seguinte, publicou uma Pastoral sobre o ‘assunto Catedral’, com o projeto ao encargo do Arq. das Obras Públicas José Maria Nepomuceno.
  • 16 de Março de 1878: D. José Martens publica uma «Provisão de Providências» com 19 artigos, tida por ‘demasiado idealista’, relativamente à edificação da Catedral.
  • 12 de Abril de 1878: O Delegado do Tesouro participou ao governador do Bispado, Dr. António Augusto Rodrigues, que “ia ser posto em praça o arrendamento da cerca” do convento de Santa Clara. No dia seguinte, este informa o Delegado que o Bispo resolvera, dentro de três meses, “dar princípio às obras da Catedral, que abraçariam parte da cerca”.
  • 28 de Abril de 1878: O Cabido divulga a Pastoral Episcopal pelos Arciprestes, motivando à captação de apoios financeiros institucionais e pessoais.
Planta de José Maria Nepomuceno, 1878. Arq. Diocesano.
  • 26 de Agosto de 1878: Em Lisboa, o Arq. José Maria Nepomuceno entregou ao Bispo a planta da nova Igreja Catedral. Projeto em estilo neogótico de uma só nave.
  • 1 de Setembro de 1878: Enviada a planta para Bragança, com a indicação de ser analisada pelo Diretor das obras Públicas do Distrito, Eng. Manuel Paulo de Sousa, a quem o prelado incumbiu da direção da obra. A 10 de Setembro, este refere que a planta, não acompanhada do projeto completo, não satisfazia, além de não contemplar o caderno de encargos.
  • 8 de Abril de 1879: O Cabido envia o tesoureiro, Cónego Manuel António Pires, em missão pela Diocese a organizar e regular os trabalhos das comissões. A 27 de julho, o tesoureiro diz que nada se consegue fazer nesse sentido.
  • 9 de Novembro de 1879: O Cabido convoca as comissões paroquiais da cidade para o dia 16; quase “não compareceu ninguém das freguesias da Vila e da Sé”. Em cofre para a construção da catedral existiam somente “92 mil e 435 réis”.
  • 6 de Março de 1882: Com as obras da Catedral paradas e a Câmara a ambicionar a cerca do Convento, o Cabido informa o Bispo que “o recurso a subsídios pelos cofres do Estado ou da Bula era vedado por disposições da lei”, e que só o Prelado poderia aferir dos caminhos para ultrapassar a situação. O resultado foi a devolução do espaço conventual à coroa.
SÉCULO XX – ANOS 1950-1960

O Bispo D. Abílio Vaz das Neves e os Arquitetos Francisco Figueira e Vassalo Rosa são os fautores da assunção da Catedral Brigantina. Contudo, se neste caso o Cabido não foi um dos entraves, sobrevieram interesses paralelos pela Câmara de Bragança, determinadas críticas ao anteprojeto aprovado e um ‘manto de decisão obscura’ dos agentes estatais.
  • 8 de Dezembro de 1938: O Papa Pio XI transfere o Bispo D. Abílio Vaz das Neves da Diocese de Cochim/Índia para a de Bragança e Miranda. 15.º Bispo Diocesano, a sua entrada solene concretiza-se a 30 de março do ano seguinte: “um bispo da nossa terra que vinha para junto dos seus”.
  • Novembro de 1948: Carta de D. Abílio Vaz das Neves ao Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, acompanhada de Memorial datado de 12 de outubro de 1947, de onde informa, entre outros assuntos, da inexistência de Sé-Catedral adequada e condigna, porquanto a Igreja da Sé “mal comporta 200 pessoas além do clero”.
  • 10 de Dezembro de 1956: Enfatizando que o Estado se apropriou das dependências do Seminário para erguer o Liceu Nacional, D. Abílio refere por carta a necessidade de edificação de uma nova Catedral, mediante compensação financeira pelo Estado, ou restauro e ampliação da “pobre Capela dos Jesuítas”. Em 22 de outubro do ano seguinte, o prelado frisa, em carta ao Ministro das Obras Públicas, Eng. Arantes e Oliveira, o assunto da ereção de Catedral. A 12 de dezembro, o governante ‘abre a porta’ a possível financiamento.
  • 28 de Agosto de 1958: D. Abílio escreve uma crítica carta a Salazar, sobre o ‘rumo’ da Educação em Portugal, que causou desconforto.
  • 23 de Julho de 1959: D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto exilado por Salazar, em trânsito para Espanha foi recebido no Paço Episcopal de Bragança, onde passou a noite.
  • 2 de Fevereiro de 1960: A «Exortação Pastoral sobre Liturgia Sagrada e a Nova Sé», de D. Abílio, levanta de novo a questão da Catedral em Bragança.
  • 1 de Novembro de 1960: A partir desta data, “toda a documentação do serviço religioso será taxada com um selo a favor da construção da Sé Nova”.
  • 15 de Novembro de 1960: Nomeação de comissão, por D. Abílio, para angariar fundos em Bragança. Os peditórios foram assumidos com entusiasmo e generosidade.
  • 18 de Janeiro de 1961: O Prelado, o Presidente da Câmara de Bragança, Adriano Pires, e o responsável municipal pelo Urbanismo apontam o “morro do Quartel do 30” como o local mais indicado para a nova Catedral. Contrastava a pretensão camarária de se erguer “nas proximidades do cemitério ou da capela do Senhor da Piedade, no Forte de S. João de Deus ou à margem da Avenida João da Cruz”, que não eram do agrado do Bispo. Disso mesmo dá conta, a 24 de janeiro de 1962, ao Diretor Geral dos Serviços de Urbanização.
  • 10 de Abril de 1963: Depois de três anos de reuniões entre o Bispado, a Câmara de Bragança e o Ministério das Obras Públicas, o Ministro informa que a nova Catedral de Bragança será edificada no topo da Praça Cavaleiro de Ferreira. D. Abílio aponta 1964 como ano de lançamento da 1.ª pedra, no 5.º centenário da elevação de Bragança a cidade.
Topo da Praça Cavaleiro Ferreira. Arq. Diocesano.
  • Dezembro de 1963: Existência em cofre de 500 contos em nome da Diocese (donativos), com um custo total das obras estimado em 8 mil a 10 mil contos. Apresentado o «Regulamento do Concurso de Ante-Projectos», para edificação da nova Catedral, e respetivo «Programa de Construção».
  • Janeiro de 1964: Decorre concurso público de anteprojetos para a Catedral de Nossa Senhora da Assunção, de Bragança, organizado pelo Movimento de Renovação da Arte Religiosa, com patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian. A apresentação de propostas decorre até finais de junho.
  • 11 e 15 de Abril de 1964: Através de ofícios enviados ao Bispo Diocesano e ao Ministro das Obras Públicas, respetivamente, a Câmara de Bragança pede reconsideração do local escolhido para edificação da Catedral (topo da Praça Cavaleiro de Ferreiro), por aí pretender erguer os Paços do Concelho. O Ministro considera a proposta extemporânea e que “já se havia pronunciado, o ano passado (…) e esta determinação já se tornou pública”.
  • 14 de Julho de 1964: Reunido no Porto, o júri atribui o primeiro prémio de anteprojeto da Sé-Catedral de Bragança, de um conjunto de 12 equipas concorrentes, ao trabalho dos Arq. Francisco G. Figueira e Luís Vassalo Rosa, Escultor António Alfredo, Eng. Eduardo Zuquete e Padre Albino Cleto. Para o júri “três aspectos fundamentais se impuseram: a preocupação de uma integração; a facilidade da solução espacial proposta; e o senso na apreensão dum conceito de estrita economia da obra”.
Maquete F. Figueira/V. Rosa, 1964. Arq. Gulbenkian.
  • 16 de Outubro de 1964: Apresentação, pelo Arq. Vassalo Rosa, do anteprojeto vencedor no Paço Episcopal de Bragança. Depois, fá-lo-ia na Sociedade Nacional de Belas Artes/Lisboa.
  • 21 de Outubro de 1964: Exposição pública dos anteprojetos concorrentes no Museu do Abade de Baçal, em Bragança, onde esteve presente o Dr. Azeredo Perdigão, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, o principal patrocinador.
  • 25 de Outubro de 1964: Carta do Arq. Vassalo Rosa a D. Abílio, acompanhada de “2 coleções [plantas] para análise e elaboração do programa definitivo a juntar à proposta de contrato”, e um “conjunto de fotografias que permite apreender (…) o conjunto do trabalho”. O Arq. sugere ainda que o prelado dê a conhecer o anteprojeto à Câmara de Bragança e interceda junto do Ministério das Obras Públicas. D. Abílio responde a 11 de Novembro, aludindo aos elevados honorário exigidos para uma “Diocese tão parca de rendimentos” e, quanto ao Templo projetado, parece-lhe “frio, sem alma” e que “nem a disposição nem a luz suprem algo que lhe falta”. Aspetos a rever pelos autores do anteprojeto, conforme resposta de 28 de novembro, com ‘a passagem dos trabalhos’ a projeto definitivo.
  • 3 Novembro de 1964: Atendendo à necessidade de financiamento pelo Estado, D. Abílio submete o anteprojeto à Câmara de Bragança. Esta, juntando um parecer favorável e elogioso, solicita informação da Direção de Urbanização Municipal. Face à localização em zona de proteção de edifícios públicos, envia o documento ao Ministério das Obras Públicas, com um parecer favorável e proposta de algumas correções. O Ministério, por sua vez, solicita um parecer à Junta Nacional de Educação, que haveria de ser … negativo.
  • 14 Novembro 1964: O prelado brigantino publica uma Provisão dando nota do anteprojeto vencedor e elenca os nomes que integram a Comissão Executiva (liderada pelo Cónego Ângelo Melenas) e a Comissão de Meios (pelo Cónego Luís Ruivo), para levarem a cabo o empreendimento. A inauguração é apontada para 1967.
  • 24 de Novembro de 1964: O Ofício N.º 3172, da Direção Geral dos Serviço de Urbanização, aponta a necessidade de “expropriar 6 fogos, 4 quintais destes e duas outras parcelas de terreno; no restante, é municipal”.
  • 9 de Dezembro de 1964: A Comissão Executiva da Catedral envia aos projetistas 100 contos “para pagamento de honorários. Na assinatura do contacto perfar-se-á a importância de 2/5”.
  • 20 de Dezembro de 1965: D. Abílio Vaz das Neves, alegando problemas de saúde, mas também ciente da posição final negativa do Governo relativamente ao anteprojeto da Catedral, submete ao Papa Paulo VI o pedido de exoneração de Bispo da Diocese de Bragança e Miranda.
  • 20 de Fevereiro 1965: Com 70 anos de idade, D. Abílio Vaz das Neves é substituído por D. Manuel de Jesus Pereira como 16.º Bispo de Bragança e Miranda, que tomou posse em maio seguinte. D. Abílio fixou-se na residência paroquial de Chacim, Macedo de Cavaleiros.
  • 26 de Março de 1965: O Ministério da Educação Nacional formaliza o discutível parecer: “o anteprojecto da nova Sé, a construir em Bragança, não merece aprovação”, devido a “rotura com a tradição das belas composições e obras do passado; ausência de unidade, harmonia e simplicidade; não se encontra exaltada a verdade utilitária e funcional; e não se empregam os materiais da região”.
  • 28 de Março de 1965: Homenagem pública a D. Abílio Vaz das Neves, no Cine Camões, em Bragança. Na sua sentida intervenção, termina dizendo: “(…) da minha parte fiz o que pude. (…) à Cidade e à Diocese entrego a construção da Sé Nova”.
  • 10 de Maio de 1965: Data do despacho de reprovação do Ministro das Obras Públicas, Arantes e Oliveira, ao anteprojeto vencedor: “Em face do parecer do Ministério da Educação Nacional tem de considerar-se o projeto reprovado”. Decisão que assentou no referido parecer exarado pela Junta Nacional de Educação.
  • 08 de Junho de 1965: Carta da Comissão Executiva da nova Sé a informar os Arquitetos Vassalo Rosa e Francisco Figueira da rejeição governamental do anteprojeto de sua autoria; carta do Bispo Manuel de Jesus Pereira aos Arquitectos dando mostras do seu desagrado com a situação.
  • 2 de Julho de 1965: Prazo para interpor recurso nos tribunais. Não sucederia.
  • 13 de Julho de 1965: O Arquiteto João Valério “louva o despacho” ministerial, no jornal «Novidades». Replicará novo artigo em 3 de setembro, enfatizando: “(…) a catedral de Bragança tem de se tornar um facto, visto ter sido aberto concurso para a sua construção. Mas façam-na uma verdadeira catedral e não um covil serrano (…)”.
  • 29 de Junho de 1965: O Padre Agostinho Veloso, da «Revista Brotéria», escreve ao Bispo D. Manuel Pereira, com tratamento de “meu prezadíssimo amigo”, iniciando: “Acabo de ver nos jornais a grande notícia: o Ministro da Educação reprovou o monstro”.
  • 15 de Julho de 1965: Os autores do anteprojeto vencedor reprovado publicam um extenso artigo, no jornal «Diário Popular», a contraditar a decisão governamental, intitulado «O problema da construção da nova Sé de Bragança visto pelos autores do anteprojecto reprovado». O texto é replicado no jornal «Diário de Lisboa» sob o título «Uma exposição dos autores do projecto da nova Sé de Bragança classificada em primeiro lugar».
  • 26 de Agosto de 1965: O Arq. Diogo Pimentel que, em colaboração com Sebastião F. Sanches, foi concorrente classificado em 2.º lugar, publica no «Diário Popular» um artigo contrariando os argumentos de reprovação ministeriais: «Espero que os autores do anteprojecto premiado possam continuar o seu trabalho». Em ‘sentido contrário’, de Florença o Padre Manuel Atanásio publica no jornal «Letras e Artes» um artigo a justificar o porquê de o anteprojeto merecer reprovação.
  • 4 de Março de 1966: Os Arquitetos V. Rosa e F. Figueira dirigem missiva ao Cón. Ângelo Melenas a lamentar o silêncio da Diocese face à decisão oficial, exigindo indeminização financeira conforme «Condições Gerais do regulamento». A resposta do Cón., a 27 de abril, refere que “a decisão da autoridade não nos é imputável”.
  • 16 de Novembro de 1966: O Bispo D. Manuel de Jesus Pereira procura dar seguimento aos trabalhos da nova Catedral. Em missiva a Adriano Pires, Presidente da Câmara, refere: “passou já mais de ano meio sobre a reprovação do anteprojeto, sem que os senões apontados fossem corrigidos pelos Exmos Arquitectos”. Lembra que o “Ministério das Obras Públicas não reprovou o local, mas isso está implícito”. Aventa que a nova Catedral “não será nem românica, nem gótica, nem renascentista, nem modernista, mas dos nossos dias”. E conclui que se devia “desviar” a construção da Catedral para a zona do Toural, podendo, assim, a “Câmara construir na Praça Cavaleiro Ferreira o edifício camarário”.
  • 10 de Dezembro de 1966: Apresentação ao Bispo D. Manuel de um novo anteprojeto, da autoria de F. Figueira/V. Rosa, de características distintas do de 1964, acompanhada de minuta de contrato.
  • 30 de Agosto de 1967: Exposição da maquete da Catedral, orientada para o Toural, no salão nobre da Câmara Municipal, que por deliberação camarária de 22 de novembro manifestou plena concordância com o local escolhido.
  • 24 de Fevereiro de 1968: Enviado pelo Bispado, este 2.º anteprojeto dá entrada na Direção-Geral dos Serviços de Urbanização. No despacho, o Ministro das Obras Públicas refere laconicamente: “(…) trata-se do problema da localização”. A zona do Toural, junto ao cemitério, era vista como “demasiado excêntrica”, “por ora agreste, mal cuidado, sujo até, mal acompanhado de construções, (…) não reúne as melhores condições, embora num futuro, talvez remoto, estes aspectos negativos se transformem”.
  • 31 de Outubro de 1969: Despacho do Ministério das Obras Públicas sobre a localização da nova Catedral, indicando o topo Sudoeste da Praça Cavaleiro Ferreira, conforme consignado no 1.º anteprojeto. Regressava-se ao ‘ponto de partida’, ignorando as pretensões da Câmara para o local e deixando cair o 2.º anteprojeto orientado para o Largo do Toural. Não teria seguimento, pese embora a visita a Bragança e abordagem do assunto do então Ministro das Obras Públicas, Eng. Rui Sanches.
  • 23 de Abril de 1974: A Câmara de Bragança remete missiva para o Presidente do Cabido da Sé de Bragança, a dar nota que aceita a construção da Catedral no topo Poente da Praça Cavaleiro Ferreira, “desde que tal construção se inicie dentro do espaço de um ano a contar da data de recebimento desta comunicação”. Dois dias depois, ocorre a revolta militar de 25 de Abril e tudo para. Nem a Diocese terá a sua Catedral, nem a Câmara os Paços do Concelho, no local ambicionado.
SÉCULO XX – ANOS 1980-2001

D. António Rafael, Mensageiro de Bragança.

D. António José Rafael é o «Bispo da Catedral», quem ‘agarrou’ na ideia tida e levou a obra a efeito. Pressionando e contando com o apoio do Estado, exortou os fiéis a contribuir com ‘pedras’ para a Catedral, teve apoios de mecenas e benfeitores e acompanhou ciosamente o andamento dos trabalhos, deixando a sua marca pessoal nas sucessivas alterações e adaptações do projeto do Arquiteto Vassalo Rosa, nomeadamente através de esquiços. O resultado foi uma Catedral de sumptuosa contemporaneidade, com transmontanas marcas arquitetónico-litúrgicas.
  • 1 de Março de 1979: Por morte, no ano transato, de D. Manuel de Jesus Pereira, D. António José Rafael, então Bispo Auxiliar, é nomeado Bispo da Diocese de Bragança e Miranda.
  • 15 de Novembro de 1981: No encerramento do bicentenário da fusão das Dioceses de Bragança e Miranda, o Núncio Apostólico, Mons. Sante Portalupi, benze a primeira pedra da nova Catedral nos jardins do Seminário de São José. É o início da demanda do Bispo D. António Rafael relativamente à ambicionada Catedral em Bragança. Serão contactados o Arq. Vassalo Rosa e o Escultor António Alfredo, autores do anteprojecto de 1964.
  • 17 de Outubro de 1982: Em Miranda do Douro, na presença do Bispo Diocesano, D. António Rafael, e do Ministro da Administração Interna, Eng. Ângelo Coreia, o Secretário de Estado das Obras Públicas, Eng. António Nobre, afirma que o início de edificação da nova Catedral de Bragança pode ocorrer no princípio do ano seguinte, com a possibilidade de comparticipação do Estado. O governante confirma-o por carta-documento a D. António, datada de 25 de novembro, assim como o Bispo, em 24 de dezembro, através do «Mensageiro de Bragança».
  • 29 de Dezembro de 1982: Os Arq. Vassalo Rosa e António Alfredo fazem entrega ao Secretário de Estado das Obras Públicas do «Programa Preliminar» da nova Catedral, decalcado do de 1964. O mesmo fariam, a 14 de janeiro, ao Bispo D. António. Obra orçamentada em 200 mil contos, pensada para se iniciar no segundo semestre desse ano. Contudo, em 1984 o anteprojeto ainda não tinha o parecer do Planeamento Urbanístico, sem o qual, além da Comissão de Arte Sacra e da Câmara Municipal (favoráveis, mas com muitas reservas desta, sobretudo ao nível estético), o Estado não poderia comparticipar.
  • 10 de Julho de 1984: Interpelações pela Secretaria de Estado das Obras Públicas ao Contrato apresentado pelos Arquitetos da Obra.
  • 15 de Fevereiro de 1985: Aprovado Contrato e o orçamento pelo secretário de Estado Eng. Eugénio Nobre, garantindo a D. António Rafael que a 1.ª fase do empreendimento da Catedral já tinha dado entrada no PIDDAC/85.
  • 15 de Novembro de 1986: Com a presença do Bispo Diocesano, o Arq. Vassalo Rosa apresenta a maqueta da Catedral no Salão do Paço Episcopal.
  • Maio de 1987: Proposta de «Projeto Geral, Programação, Coordenação, Arquitectura e Espaço Celebrativo», coordenada por Vassalo Rosa e António Alfredo, distinto do anteprojeto de 1964. Em local cedido pela Câmara, a Catedral erguer-se-á no espaço do bairro da ‘Ilha do Rei’, enquadrado pelo antigo ‘Quartel do 30’ e as duas escolas secundárias. A maqueta seria apresentada no Terreiro do Paço, em Lisboa, e em outras cidades do país.
Alçado ‘fronteiro’ do projeto Vassalo. Rosa, 1987. Arq. Diocesano.
  • 5 de Novembro-30 de Dezembro de 1988: Debate público no Porto sobre o projeto da Sé Catedral de Bragança, entre entidades e coletividades civis, militares e religiosas, organizado pela Comissão Coordenadora da Região Norte.
  • 30 de Dezembro de 1988: Aprovação governamental do projeto da Catedral na sessão de encerramento do debate público na Casa do Infante (Porto), com a presença do Ministro do Plano e da Administração Pública, Valente de Oliveira, o Bispo D. António Rafael e o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Eng. José Luís Pinheiro. Formalizada pelo Gabinete do Ministro: «Sé de Bragança – Despacho N.º 11/89».
  • 18 de Maio de 1989: D. António Rafael empossou, no Paço Episcopal, o Conselho de Assuntos Económicos da Catedral de Bragança, presidido pelo Cónego Silvério Pires.
  • Abril de 1990: Apresentado pelos projetistas um diferenciado modelo de execução do ‘risco’ da Catedral. As alterações sucediam-se, mediante intervenções/opiniões de D. António.
Planta geral V. Rosa, 1990. Arq. Municipal de Bragança.
  • 27 de Maio de 1991: Despacho Ministerial de aprovação das Obras da Catedral, com investimento de 100 mil contos.
  • 14 de Agosto de 1991: Abertura de concurso público, pelo Conselho Económico da Sé Catedral, para a construção do edifício, com admissão de 11 empresas e um prazo de 600 dias para conclusão das obras.
  • 26 de Fevereiro de 1993: Lançamento da 1.ª pedra da Catedral de Bragança, com a presença de D. António Rafael e demais prelados, entidades governamentais (ministro Valente de Oliveira), regionais e brigantinas.
  • 1993: Exposição da Catedral no salão do Paço Diocesano, com a maquete e trinta e um painéis, ‘sujeita’ a debate público.
  • Outubro de 1993: A firma construtora da Catedral, «Construções Campo Alegre», abriu insolvência e as obras são interrompidas. Recomeçam em setembro do ano seguinte, estimando-se a sua conclusão para finais de 1997.
  • 10 de Fevereiro de 1995: O Despacho Ministerial 10/89 classificou a construção da Sé-Catedral de Bragança como «Equipamento de Hierarquia superior».
  • 29 de Junho de 1995: Visita a Bragança do Ministro Valente de Oliveira, que se mostrou satisfeito com o andamento dos trabalhos e a conceção da obra sacra.
  • 10 de Outubro de 1995: Ao abrigo do «Despacho Ministerial 41/95 de 30 de Março», o Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, João Reis, aprovou a 2.ª parte de construção da Catedral: “estruturas resistentes, elementos primários e secundários de construção, revestimentos e acabamentos, instalações e equipamentos de água, saneamento e electricidade”. Com valor estimado de 185 mil contos, que pode chegar aos 200 mil contos. Concorreram 6 empresas.
  • 25 de Janeiro de 1996: Em cerimónia realizada no salão nobre do Paço Episcopal, presidida por D. António Rafael, foi empossada uma nova Comissão de Obras, presidida pelo Cónego José Bernardo Vicente.
  • 22 de Maio de 1996: No 450.º aniversário da criação da Diocese de Miranda, com a estrutura da nova Catedral definida, é feita uma inauguração simbólica, mas ‘com pompa’, por D. António José Rafael. A Diocese de Bragança e Miranda passa a designar-se Diocese Bragança-Miranda e a antiga Catedral de Miranda do Douro de Concatedral.
  • 1998: Demora do Arq. Vassalo Rosa em entregar o caderno de encargos para a última fase da Catedral. O concurso realiza-se só em 1999. A adjudicação das obras interiores só se fará em Novembro de 2000. A Catedral já não vai poder ser inaugurada em julho ou agosto de 2000, ano de jubileu e de final do século. É protelada para julho de 2001.
  • 1999: Feitura do painel cerâmico da parede testeira do presbitério, pelo Mestre Mário Silva.
  • 19 de Junho de 2001: D. António José Rafael que, entretanto, resignou e passa a Bispo Emérito, toma posse do cargo de Administrador Apostólico da Diocese.
  • 24 de Agosto de 2000: Após três anos de paragem, o Ministro Adjunto Fernando Gomes assinou com a Fábrica da Catedral um protocolo para a comparticipação da 3.ª fase das obras da Catedral, envolvendo os acabamentos da cripta e da Igreja: 367 mil contos de um total de 525 mil contos.
  • 24 de Outubro de 2000: Abertura das propostas de construção da 3.ª Fase da Catedral. O Bispo D. António Rafael aponta o dia 7 de outubro de 2001, de Nossa Senhora do Rosário, com os interiores ultimados, para sagração da Catedral, dedicada a Nossa Senhora Rainha.
  • 19 de Julho de 2001: Nomeada a «Comissão Diocesana para a Dedicação da Catedral», tendo como “Presidente e Deão os Cónegos Silvério Pires e Adelino Paes”.
  • 4 de Outubro de 2001: O Arq. Vassalo Rosa, através de Ofício, faz entrega ao Conselho Económico e Social da Catedral, presidido pelo Cón. João Gomes, de “3 colecções dos desenhos referentes à definição do Claustro dos Bispos”.
Pátio dos Bispos da Catedral de Bragança. Autores.
  • 7 de Outubro de 2001: Inauguração da Catedral, com os arranjos exteriores por concluir. D. António José Rafael pôde, então, enfatizar: “Bragança, aqui tens a tua Catedral” e “Até sempre! Na nossa Catedral, para sempre nos encontraremos”.
  • 14 de Outubro de 2001: Ordenação, na nova Catedral de Bragança, do Bispo D. Frei António Montes Moreira, sucessor de D. António José Rafael.
  • 29 de Junho de 2018: Falecimento de D. António Rafael. O seu corpo repousa, desde então, no Pátio dos Bispo da Catedral. Juntamente com os seus antecessores e impulsionares da existência de Sé-Catedral em Bragança, D. Abílio Vaz das Neves, desde 2019, e D. Manuel de Jesus Pereira, desde 2021.
Interior da Catedral de Nossa Senhora Rainha. Autores.

Fontes Bibliográficas

ABADE DE BAÇAL, Francisco Manuel Alves – Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança. Bragança: Câmara Municipal de Bragança/Instituto Português dos Museus - Museu Abade de Baçal, Vol. I a IV, 2000.
ARRATIBEL, Daniel Lasagabaster – Adela de Batz de Trenquellèon y su familia en la revolución francesa. Madri: Ediciones SM, 1990.
CASTRO, Pe. José de – Bragança e Miranda. Porto: Tipografia Porto Médico Lda, 4 Volumes, 1946-1951.
CEPEDA, Francisco José Terroso – Bragança no Século XX Através da Imprensa Regional. Bragança: Câmara Municipal de Bragança, Vol. 2, 2021.
CIPRIANO, Susana e LOUSADA, Abílio – Diocese de Bragança-Miranda. Das Mais Belas Igrejas do Concelho de Bragança. Lugares de Culto e de Fé. Lisboa: Editora Paulinas, 2025.
JACOB, João – Bragança. Lisboa: Editorial Presença, 1997.
MACHADO, Cyrillo Volkmar – Collecção de Memorias relativas às vidas dos pintores, e escultores, architetos, e gravadores portuguezes, Na Imprensa de Victorino Rodrigues da Silva. Lisboa: 1823.
NÓVOA, António – Diccionário de Educadores Portugueses. Porto: Edições ASA, 2003.
OLIVEIRA, Carlos Prada de – “Bragança Eclesiástica no Antigo Regime 1545-1820”. In Bragança. Das Origens à Revolução Liberal de 1820. Coord. Fernando de Sousa. Vol. II. Bragança: Câmara Municipal de Bragança 2019.
PEREIRA, Inocêncio (Org) – D. António Rafael – O Bispo da Catedral. Bragança: Câmara Municipal de Bragança, 2002.
PEREIRA, Henrique Manuel (Org) – Na Nossa Catedral para Sempre nos Encontraremos. D. António José Rafael e Mário Ferreira da Silva. Bragança. Diocese de Bragança-Miranda, 2016.
PIRES, Cón. Manoel Antonio – Opusculo de Considerações Historicas da Cathedral de Bragança. Porto: Typ. de Antonio José da Silva Teixeira, 1882.
RODRIGUES, Luís Alexandre – “As Transformações do Espaço Urbano da Bragança Contemporânea”. In Bragança na Época Contemporânea (1820-2012). Coord. Fernando de Sousa. Vol. 2. Bragança: Câmara Municipal de Bragança 2013.
RODRIGUES, Luís Alexandre – Bragança no século XVIII. Urbanismo. Arquitectura. Vol. I. Dissertação de Mestrado em História de Arte, Faculdade de Letras/Universidade do Porto. Bragança: Policopiado, 1995.
RUIVO, Luís José Afonso – Cidade de Bragança e Freguesia da Sé. Bragança: 1995.
VASCONCELOS, José Leite de – Estudos de Filologia Mirandesa. Lisboa: Imprensa Nacional, Vol. I, 1990.

Fontes Documentais

Arquivo Distrital de Bragança: Transcrições do Livro de Actas do Cabido e das Actas das Sessões Capitulares 1870-1891.
Arquivo Fundação Calouste Gulbenkian: Acervo MRAR.
Arquivo Municipal de Bragança: Pastas da Catedral de Bragança.
Tombo Diocesano Monsenhor José de Castro – Diocese Bragança-Miranda: Pastas da Catedral de Bragança e do Cabido.
 
Jornais

Mensageiro de Bragança (fonte principal); Voz do Nordeste; Cardo; Diário de Lisboa; Diário de Notícias Diário Popular; Expresso; Letras & Artes; Novidades.

Susana Cipriano e Abílio Lousada

ACELERAR O NORTE VISITA EMPRESAS DE MIRANDELA E FREIXO DE ESPADA À CINTA

 O projeto Acelerar o Norte vai estar, a 13 de outubro, em Mirandela e Freixo de Espada à Cinta, com visitas a duas empresas que participaram no programa de apoio à transição digital.


Em Mirandela, a equipa do projeto visita a Ourivesaria Zenith, enquanto em Freixo de Espada à Cinta será visitada a BIOFREIXO. As deslocações contam com o acompanhamento do presidente da Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM).

A iniciativa integra um ciclo de visitas às diferentes sub-regiões do Norte, procurando aproximar o projeto das empresas beneficiárias, conhecer as experiências dos empresários e acompanhar no terreno os processos de transformação digital.

Desde março de 2024, o Acelerar o Norte tem apoiado empresas dos setores do comércio, serviços pessoais e restauração, através de ações de sensibilização e capacitação para a adoção de ferramentas e estratégias digitais.

O projeto já passou pelas oito sub-regiões do Norte, incluindo Trás-os-Montes, através de iniciativas como roadshows e workshops dedicados à digitalização, boas práticas e marketing digital.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

LAGOAÇA E FORNOS RECEBE WORKSHOP INTERNACIONAL DEDICADO À CONSERVAÇÃO DOS ABUTRES

 A União das Freguesias de Lagoaça e Fornos, em Freixo de Espada à Cinta, recebeu ontem a cerimónia de abertura do Vulture Conservation Monitoring and Threat Detection Workshop 2026, dedicada à monitorização e conservação das populações de abutres.


A sessão contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, e ficou marcada pela libertação de exemplares de abutre-preto, uma das espécies abrangidas pelo projeto LIFE AEGYPIUS RETURN.

A iniciativa reuniu especialistas e entidades ligadas à conservação da natureza, promovendo a partilha de conhecimento sobre a monitorização destas aves e a identificação de ameaças à sua sobrevivência.

A libertação dos exemplares reforçou também a importância das ações de conservação da biodiversidade e da proteção dos habitats naturais no território transmontano.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

29.ª Jornadas Culturais de Balsamão deixam reflexão sobre o futuro das tradições

 As 29.ª Jornadas Culturais de Balsamão terminaram este domingo, em Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros, depois de quatro dias dedicados à reflexão sobre as festas e romarias de Trás-os-Montes, entre o sagrado e o profano.


O responsável pela organização da iniciativa, padre Basileu Pires, faz um balanço positivo das jornadas, que contaram com cerca de 35 a 40 participantes, entre inscritos e conferencistas:

“Estas jornadas foram muito positivas. Nós preparámo-las bem, obviamente, e, quando se prepara bem, eu acho que corre bem.

A participação não foi excessiva, mas foi até mais do que nós esperávamos. Andaram por volta dos 25 participantes inscritos, fora dos conferencistas.

No total, andaram por volta dos 35, 40, por aí. Portanto, foi um número razoável.”

Apesar da avaliação positiva, os participantes deixaram também sugestões para futuras edições, nomeadamente a redução do número de conferências e a criação de mais tempo para o diálogo entre conferencistas e participantes:

“As conferências foram muito profundas, principalmente na sexta-feira. Foi bastante intenso, embora as pessoas, na avaliação, tenham dito que, se calhar, as temáticas deviam ser mais pequenas, não haver tantas conferências, para dar mais tempo para o diálogo entre o conferencista e os participantes.”

Para o padre Basileu Pires, uma das principais mensagens das jornadas passa pela importância das festas enquanto elemento da identidade transmontana, mas também pela necessidade de manter o diálogo entre a fé e a cultura:

“O nosso povo, as nossas festas, que são uma identidade do povo aqui transmontano, são uma grande riqueza.

E, depois, também, obviamente, fica esta ideia de que, às vezes, é preciso mais diálogo entre a fé e a cultura e entre a fé e a expressão religiosa, para sermos um pouco mais críticos e para que as festas exerçam a sua função, não só de manter as tradições, mas também de ajudar as pessoas a crescer na verdadeira fé.”

O tema da próxima edição já está escolhido e aponta precisamente para a relação entre a fé, a cultura e a experiência humana num contexto marcado pela inteligência artificial:

“Continuar este diálogo entre a fé e a cultura, já que, no próximo ano, fazemos 30 anos das Jornadas Culturais, avaliar um pouco o caminho feito e tratar este tema: a experiência humana, a experiência humana e de fé, obviamente, nesta era digital de inteligência artificial.”

A próxima edição, que assinala os 30 anos das Jornadas Culturais de Balsamão, deverá, assim, aprofundar o diálogo entre fé e cultura, com particular atenção à experiência humana na era digital e da inteligência artificial.

Filipe Ventura Alves

Reações à possibilidade de instalar uma segunda VMER em Mirandela

 “Satisfeito, mas ainda expectante”. É desta forma que o Presidente da Câmara de Mirandela reage à revelação da Administração da ULS do Nordeste, na semana passada, de que estarão “bem encaminhadas as diligências com vista à instalação de uma segunda VMER na sua área de influência, a localizar em Mirandela”, após uma reunião com o presidente do INEM e o Vice-presidente da CCDRN para a área da saúde.


“Essa tem sido uma reivindicação do executivo municipal e da comissão municipal da saúde e apesar de ser uma medida que ainda esta em equação, sabemos que essa reunião foi frutífera e deixa-nos satisfeitos”, acrescenta Vítor Correia.

Também a Comissão Permanente de Acompanhamento para o Setor da Saúde da Assembleia Municipal de Mirandela “congratula-se” com a recente revelação do Conselho de Administração da ULS do Nordeste, ressalvando que se trata “apenas de uma reunião de trabalho com as Entidades competentes (INEM e CCDRN), mas nem por isso deixa de ser um passo muito importante neste processo, revelador de estarem a ser desencadeadas, pela administração da ULSNE, diligências para a instalação de uma VMER em Mirandela”, revela a Coordenadora desta comissão, numa resposta, por escrito, enviada à nossa redação.

Aida Palas acredita que o Conselho de Administração, com as Entidades competentes, “continuará a trabalhar para que a VMER em Mirandela seja uma realidade”, acrescenta.

Nesta nota escrita, a coordenadora começa por revelar que, no passado dia 25 de agosto, esta Comissão reuniu com o Conselho de Administração da ULS Nordeste tendo já sido abordado, de entre outros temas, “a emergência pré-hospitalar e concretamente a instalação de uma VMER em Mirandela”, e dado nota da “existência de recursos humanos capazes de a assegurar”, acrescenta o documento escrito pela coordenadora desta Comissão Permanente de Acompanhamento para o Setor da Saúde da Assembleia Municipal de Mirandela, criada em novembro de 2025, e que integra ainda mais nove representantes de todas as bancadas daquele órgão autárquico: Mário Vilarinho (PS), Rui Sá (PSD), Hernâni Moutinho (CDS), Eliana Alves (Chega), Sandra Grilo (Movimento Amar Mirandela), Virgílio Tavares (Movimento Move Mirandela), Tiago Morais (IL), Jorge Humberto (CDU) e José Carlos Teixeira (representante dos presidentes de junta eleitos por movimentos independentes).

Quem também já reagiu a esta revelação da administração da ULS do Nordeste, foram os três vereadores sem pelouro da AD, do Município mirandelense.

Numa curta nota publicada na sua conta oficial da rede social do Facebook, Paulo Pinto, Helena Chéu e Cristina Passas consideram estarmos perante “uma boa notícia para Mirandela e para todo o território transmontano”, e fazem questão de recordar que esta foi uma proposta apresentada pelos candidatos da AD durante a campanha eleitoral para as autárquicas e uma reivindicação que têm levado, por diversas vezes, às reuniões da Câmara Municipal”.

Conferimos as reações ao anúncio da ULS do Nordeste, de que Mirandela pode vir a receber uma VMER constituída por um Médico e um Enfermeiro, que funciona como uma extensão do Serviço de Urgência do hospital à comunidade, atuando como uma unidade de cuidados intensivos móvel para garantir a estabilização rápida da vítima no local (um acidente ou doença súbita) e o acompanhamento médico durante o transporte para o hospital mais adequado.

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito por Rádio Terra Quente)