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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 15 de agosto de 2026

Festas, Festividades e Eventos

Hiroxima e Nagasáqui: O homem que sobreviveu duas vezes

 Chamava-se Tsutomu Yamaguchi. Natural de Nagasáqui, labutava desde 1930 na Mitsubishi no design de petroleiros, mas no dia 6 de Agosto de 1945 estava em Hiroxima, a caminho do trabalho. Conheça a sua história excepcional.

Shutterstock - 10 de Julho de 2018: Um jovem rapaz olha para os restos icónicos do edifício industrial de Hiroxima, destruído pela explosão da bomba atómica da Segunda Guerra Mundial.

Perguntava Sting na sua famosa canção “Russians”, em 1985, “How can I save my little boy from Oppenheimer’s deadly toys?” (Como posso salvar o meu filho dos brinquedos mortais de Oppenheimer?).

Referia-se à bomba atómica, à qual quarenta anos antes um cidadão japonês conseguiu escapar... duas vezes. Na superfície, o indivíduo em questão é uma anomalia história. É o homem que sobreviveu a ambas as explosões nucleares em Hiroxima em Nagasáqui, mas a sua história encerra uma lição bem mais profunda e importante para o que somos e seremos como Humanidade.

UMA MANHÃ SOALHEIRA EM HIROXIMA E UMA LUZ MAIS INTENSA QUE MIL SÓIS

Chamava-se Tsutomu Yamaguchi. Natural de Nagasáqui, trabalhava desde 1930 na Mitsubishi no design de petroleiros; mas no dia 6 de Agosto de 1945, estava em Hiroxima, a caminho do trabalho. Atrasado, caminhava veloz rumo ao escritório da Mitsubishi, onde contava finalizar os pormenores de um projecto que devia entregar nesse dia. A sua expectativa era terminar o mais rápido possível e regressar à sua cidade natal, estar com a sua família. No meio deste bulício, escutou o barulho de motores sobre si. Era um bombardeiro B-29; e do seu ventre saiu um pequeno objecto com dois pára-quedas que descia lentamente sobre o solo.

Eram 8h15 da manhã, o dia instalava-se, mas segundos depois, Yamaguchi assistiu a um relâmpago de luz e um estrondo tremendo que cavalgaram na sua direcção sobre a cidade. A três quilómetros do ponto de impacto, o engenheiro foi projectado violentamente antes de se proteger, por instinto, numa vala de irrigação.

ARCHIVO GBB/CONTRASTO/REDUX - Uma nuvem em forma de cogumelo paira sobre a cidade japonesa de Hiroxima a 6 de Agosto de 1945, depois de os EUA terem lançado a primeira bomba atómica alguma vez utilizada em guerra. Três dias depois, uma segunda bomba atómica destruiu a cidade de Nagasáqui. O Japão rendeu-se a 15 de Agosto.

Quando a comoção terminou e despertou da inconsciência, horas depois, arrastou-se para o exterior e sentiu dores no corpo todo. Um dos seus tímpanos rebentara, a parte superior do corpo tinha queimaduras graves. Procurou um lugar onde pudesse abrigar-se. Pelo caminho, foi ajudando a desenterrar cadáveres que se encontravam entre destroços. A Hiroxima onde começara a manhã era agora um imenso espaço terraplanado.

Finalmente, encontrou um abrigo militar, preparado para proteger de ataques aéreos. Enquanto encontrou alguns colegas, questionando o que lhe acontecera, não se sentiu seguro. Tinha a certeza de que aquele local, supostamente de protecção, não serviria contra a bomba que testemunhara. Era completamente diferente de qualquer outra que conhecia ou ouvira falar. E tinha razão. Yamaguchi assistira à detonação da Little boy, a primeira bomba atómica a ser usada em cenário de guerra. A contagem futura de vítimas seria de cento e quarenta mil mortos, sendo que muitas dezenas de milhar morreriam nas décadas seguintes como consequência de envenenamento por radiação.

Hiroxima, à altura uma das mais importantes cidades industriais do Japão e em séculos anteriores centro de operações militares, seria no futuro conhecida como a primeira mártir do átomo. Porém, Harry Truman, presidente dos EUA, escolhera-a, juntamente com o Estado-Maior das Forças Armadas americanas, precisamente pela sua posição estratégia como lar de uma das forças militares mais importantes da estratégia nipónica de defesa do Sul do País.

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Às vítimas mais imediatas, na ordem dos cento e quarenta mil, seguiram-se muitas dezenas de milhar nas décadas seguintes como consequência de envenenamento por radiação.

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No entanto, a maior parte das vítimas eram civis. Como Truman mais tarde repetiria, era necessária uma demonstração de força para obrigar o Japão a render-se. Para obrigar ao final de uma guerra que o Imperador nipónico afirmara publicamente querer levar até aos limites drásticos: vencer ou morrer tentando. Hiroxima era, na sua visão, esse exemplo.

Domínio Público - A pele da paciente está queimada num padrão que corresponde às partes escuras de um quimono usado na altura da explosão. Fonte: National Archives and Records Administration

Figuras que o rodearam nesse período – como o seu sucessor na presidência Dwight Eisenhower ou o general Douglas MacArthur, que comandava todo o teatro de operações dos EUA no Pacífico – afirmaram mais tarde ter-se oposto à bomba antes de esta ser lançada. No entanto, não existem quaisquer provas nesse sentido. Sendo que também não há evidências de que a campanha de bombardeamentos incendiários constantes que os americanos haviam usado nas semanas anteriores a 6 de Agosto de 1945 não estivesse a forçar os Japoneses até ao ponto de ruptura.

…E NOVAMENTE EM NAGASÁQUI

Tudo isto eram considerações geopolíticas e morais que não eram prioritárias para Yamaguchi. No dia seguinte, embora ferido, quis regressar a Nagasáqui. Estava preocupado com a situação da sua família. Traumatizado pelo que lhe acontecera, soube que, incrivelmente, algumas linhas de comboio se mantinham abertas, incluindo a que viajava até à sua cidade natal. Deslocou-se a pé e pelo caminho assistiu a um cenário atroz. Atravessou rios a nado, porque as pontes haviam sido todas destruídas – contaria mais tarde as visões dos corpos inchados acumulados, alguns deles fundidos.

A visão ficaria com ele para sempre, mas só lhe interessava chegar à estação e voltar para casa, onde chegou a 8 de Agosto. A primeira coisa que fez foi dirigir-se ao hospital e tratar dos seus ferimentos. Os médicos recomendaram-lhe repouso, mas o engenheiro de 29 anos não queria conviver com as imagens de Hiroxima, precisava de se concentrar em algo. Na manhã seguinte, então, foi trabalhar na sua fábrica; e enquanto explicava ao patrão tudo o que acontecera na manhã de seis de Agosto, encontrando neste a incapacidade de acreditar que uma só bomba conseguiria destruir uma cidade inteira, Fat Man, o segundo engenho nuclear a ser usado na História em cenário de guerra, detonou.

Shutterstock  Exposição no Museu da Bomba Atómica de Nagasáqui, na cidade onde o Fat Man – o segundo engenho nuclear a ser usado na História em cenário de guerra – foi detonado a 9 de Agosto de 1945. Um dos primeiros forasteiros a visitar esta então vila de pescadores foi Fernão Mendes Pinto. 

Novamente, a mais ou menos três quilómetros de onde Yamaguchi se encontrava. Novamente, o mesmo cenário: corpos em seu redor, um silêncio mortal, mórbido, nos segundos a seguir à explosão. A fábrica foi obliterada, mas desta vez, a fortuna de Yamaguchi protegeu-o por completo: saiu incólume. Desmaiara de novo, mas sobrevivera uma segunda vez. O problema maior que teve no imediato foi uma infecção. Esta deveu-se a não conseguir substituir as ligaduras que lhe protegiam as queimaduras; e como tal, passou a semana seguinte a vomitar.

Em Nagasáqui, morreram à volta de quarenta mil pessoas no impacto inicial. Yamaguchi resistiu. A sua esposa também, juntamente com o filho bébé de ambos. Yamaguchi, traumatizado, mal foi capaz de pronunciar palavra nos dias seguintes à explosão de Nagasáqui; e durante quase 50 anos, foi incapaz de falar sobre o assunto. Depois do fim do conflito, num toque surreal, trabalhou como tradutor para o exército aliado que estava de plantão no Japão.

O casal teve mais duas filhas e quando em 1957 o governo japonês criou o conceito legal de hibakusha, designando os sobreviventes de uma explosão atómica, Yamaguchi candidatou-se aos vários privilégios que o estatuto concedia. Nessa altura, voltara a trabalhar para a Mitsubishi e vivia relativamente saudável com a família, mergulhado nos seus traumas, mas feliz o suficiente para deixar o passado para trás. No entanto, com o passar do tempo e o fantasma da guerra nuclear a pairar sobre o mundo, Yamaguchi foi sentindo a necessidade de falar da sua experiência, lembrar as vítimas, aqueles que não tinha tido a sua sorte. Ou azar. Conta que em 1981 ouviu um discurso de João Paulo II tratando a tragédia de Hiroxima como o da mão humana. Acordou nele uma vontade de fazer algo, mas sentiu vergonha, embaraço pelo facto de não se considerar uma real vítima atómica – tirando o tímpano rebentado, não sofrera outros danos visíveis – e e também pelo estigma que durante várias décadas as vítimas de Hiroxima e Nagasáqui carregaram no país, como doentes infecciosos da radiação, como se pudessem espalhar a sua doença a outros. Por isso mesmo eram muitas vezes preteridos em empregos ou simplesmente… em casamento. 

VENCENDO O ESTIGMA DA VÍTIMA

Todos estes obstáculos desapareceram em 2005, quando o filho de Yamaguchi, aquele que era bébé aquando de Nagasáqui, morreu de cancro. Abriu-se à exposição pública, surgindo em dois documentários sobre as explosões e com 90 anos – espantoso, quando pensamos no que passou naqueles quatro dias em 1945. Pediu pela primeira vez o passaporte e viajou até Nova Iorque, onde discursou perante uma audiência no edifício das Nações Unidas. A sua figura impressionou jornalistas e cineastas que o entrevistaram. Enquanto que com outros sobreviventes as memórias parecem distantes, uma colecção de fragmentos dispersos, Yamaguchi vive ainda o passado, é uma prova do mesmo, uma encarnação daquele fantasma luminoso que levou Oppenheimer a considerar-se a Morte destruidora de mundos.

Em 2009, foi reconhecido como o único duplo sobrevivente atómico pelo Governo japonês. No ano ano seguinte, faleceria de cancro no estômago, com a impressionante idade de 93 anos. A sua esposa falecera dois anos antes e tantos eles como os filhos sofreram de problemas relacionados com radiação após 1945. 

Tendo-se tornado numa celebridade momentânea, correspondendo-se com Barack Obama ou recebendo a visita de James Cameron, a luta interior de Yamaguchi reflecte-se na totalidade nos poemas que escreveu já idoso. As recordações vivas, mais do que presentes:

“Os corpos estão empilhados uns sobre os outros. E o chão nunca secará

Está empapado da gordura de todas as pessoas que arderam e morreram”

Tsutomu Yamaguchi, o homem duas vezes amaldiçoado e abençoado, mas eternamente assombrado pelo fantasma da bomba atómica.

Bruno Fernandes
Actualizado a 9 de agosto de 2026

Um novo horizonte para descobrir em Seixo de Ansiães

 Sábado passado, 8 de agosto, inauguramos o Miradouro do Santuário de Nossa Senhora da Costa. Este espaço surge não só para valorizar o nosso património religioso e paisagístico, mas também para ofrecer a todos os visitantes um verdadeiro refúgio de paz e contemplação.


De cima deste miradouro, a vista é simplesmente deslumbrante, abraçando a grandiosidade das nossas paisagens durienses e a mística de uma terra com tanta história. É o poiso perfeito para respirar ar puro, recarregar energias e contemplar a beleza única do nosso concelho.

E para acompanhar esta obra nada melhor que música, um duo de cordas com uma harpista e um violinista que por melodias clássicas trouxeram a música ao património e embalaram este maravilhoso fim de tarde.

MERCADO DE VERÃO ANIMA JARDIM 1.º DE MAIO EM MACEDO DE CAVALEIROS

 O Jardim 1.º de Maio, em Macedo de Cavaleiros, recebe a 10.ª edição do Mercado de Verão, iniciativa que junta comércio, exposição e animação durante os dias mais quentes do ano.


A abertura contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal, Sérgio Borges, e da Vice-Presidente, Clementina Gemelgo, que percorreram os espaços dos vários expositores e deram início a mais uma edição do evento.

A programação incluiu ainda um desfile de moda, acompanhado pelo DJ Trups, que apresentou algumas das marcas presentes no mercado.

A iniciativa decorre até 15 de agosto e pretende dinamizar o comércio e a atividade local, proporcionando também momentos de convívio e entretenimento à população e aos visitantes.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Festas, Festividades e Eventos

🔭 Bragança viveu dias de ciência, descoberta e muita emoção!

 O Festival Geração Ciência trouxe à cidade experiências, oficinas, observações astronómicas, atividades para todas as idades e momentos únicos de ligação entre a ciência e a comunidade.
E, no dia 12 de agosto, o Aeródromo de Bragança foi o cenário para acompanhar um dos grandes fenómenos astronómicos do ano: o Eclipse do Sol

Um evento que colocou Bragança de olhos postos no céu e aproximou a ciência de todos!

𝑩𝑹𝑨𝑮𝑨𝑵𝑪̧𝑨 𝑫𝑬𝑳𝑰𝑩𝑬𝑹𝑨 - 𝑃𝑟𝑖𝑛𝑐𝑖𝑝𝑎𝑖𝑠 𝑑𝑒𝑙𝑖𝑏𝑒𝑟𝑎𝑐̧𝑜̃𝑒𝑠 𝑑𝑎 𝑅𝑒𝑢𝑛𝑖𝑎̃𝑜 𝑑𝑒 𝐶𝑎̂𝑚𝑎𝑟𝑎 – 14.08.2026

Vista do Miradouro da Freixiosa

Mercado Municipal já beneficiou de 130 mil euros para melhorar as condições

 A Câmara de Bragança investiu 130 mil euros no mercado municipal que se traduzem em “mudanças visíveis no equipamento”, informou a autarquia.


Trata-se de um investimento no decurso do Plano de Revitalização do Mercado Municipal de Bragança, apresentado a 27 de fevereiro, que esta semana assinalou a 
conclusão de um novo conjunto de trabalhos, num investimento de 65 mil euros, que permitiu “reforçar a iluminação, renovar os reclames ao longo das paredes interiores da zona de produtos regionais, agora com uma solução em folheado de madeira uniforme e instalar novas estruturas e plantas de embelezamento”, segundo a câmara.

A intervenção incluiu ainda a criação de uma loja pop-up, para acolher temporariamente projetos, marcas, produtores ou outras iniciativas, permitindo introduzir novas propostas e maior rotatividade na oferta do Mercado. “Esta é mais uma etapa de um conjunto de investimentos previstos no Plano de Revitalização que estão já concretizados. Entre eles encontra-se o novo parque infantil, num investimento de 29.083,84 euros, criando melhores condições para a utilização do espaço por famílias e contribuindo para tornar o Mercado mais atrativo para diferentes gerações”, acrescenta a autarquia liderada por isabel Ferreira.

Glória Lopes

Festas, Festividades e Eventos

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Em Portugal, Bragança foi a capital do eclipse

ECLIPSE SOLAR LEVA DEZENAS DE PESSOAS A VILA FLOR E MIRANDELA

 O eclipse solar marcou o dia 12 de agosto no Vale do Tua, com dezenas de pessoas reunidas no Santuário de Nossa Senhora da Lapa, em Vila Flor, para observar o fenómeno. A programação astronómica prolongou-se à noite, em Frechas, Mirandela, com uma sessão de observação das Perseidas, num dia dedicado à contemplação do céu e à divulgação científica.

Jornalista: Vitória Botelho

BRAGANÇA RENDE-SE AO ECLIPSE E CONFIRMA-SE COMO A “CAPITAL DO ECLIPSE”

 Milhares de pessoas concentraram-se no Aeródromo Municipal de Bragança para assistir a um dos fenómenos astronómicos mais aguardados do ano. Ciência, juventude e espírito de descoberta marcaram uma tarde que ficará na memória da cidade.


Bragança viveu esta quarta-feira um momento raro e especial. Sob a designação de “Capital do Eclipse”, a cidade transmontana reuniu milhares de pessoas no Aeródromo Municipal de Bragança para observar o eclipse solar, num ambiente marcado pela curiosidade, pela ciência e pelo entusiasmo.

O fenómeno astronómico transformou o aeródromo num verdadeiro ponto de encontro, juntando famílias, jovens, visitantes e amantes da astronomia que quiseram acompanhar de perto um acontecimento pouco comum e particularmente aguardado.

A iniciativa ganhou ainda um significado especial por coincidir com o Dia Mundial da Juventude, permitindo associar a observação do eclipse à promoção da ciência e do conhecimento junto das novas gerações.

Mais do que um espetáculo no céu, o eclipse tornou-se, em Bragança, uma oportunidade para despertar a curiosidade, incentivar a descoberta e aproximar a comunidade da ciência.

Durante algumas horas, os olhares convergiram para o céu e Bragança assumiu-se como um dos grandes pontos de observação do fenómeno, reforçando uma identidade que a cidade tem vindo a construir em torno da astronomia.

Um dia diferente, vivido em comunidade, que deixa na memória milhares de pessoas e uma imagem que dificilmente será esquecida: Bragança a olhar para o céu.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

Sr. Gilberto Carvalho

O tempo de estar e de ficar

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Há encontros que começam sem grande plano: uma cadeira numa das esplanadas tão bonitas e apetecíveis que Bragança tem, um café ou um fininho ou mais, uma conversa despretensiosa e bem-disposta que se prolonga e, quando damos por ela, eis que a tarde já se foi.

Talvez tenha sido essa mesma a melhor maneira de a viver.

Por esta razão, e por outras, pode dizer-se que há qualquer coisa de singelo no verão. São os dias mais longos, as agendas livres e simplesmente a possibilidade de estarmos assim “um pouco mais devagar”.

É uma estação grata e realizadora pois se constitui como uma oportunidade para estarmos mais com os amigos. Simplesmente e apenas estar. Conversar, partilhar uma mesa, recuperar as conversas em dolce far niente.

Noutras alturas do ano, talvez porque a vida nos habitue à pressa, vamos adiando encontros com a facilidade com que adiamos outras coisas. Dizemos “temos de combinar”, prometemos telefonar, deixamos mensagens por responder. Tantas vezes, sem darmos conta, podemos acabar muito acompanhados e pouco encontrados.

O verão concede-nos esse tempo. Não apenas tempo livre, mas tempo disponível, pois há uma diferença grande entre uma coisa e outra.

Todos conhecemos a frase célebre de Saint-Exupéry, das mais belas sobre os vínculos humanos, colocada na boca da raposa: “foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.”

Também os amigos se tornam importantes pelo tempo que lhes damos. Pelo café que se prolonga, pela conversa sem assunto definido, pela visita sem motivo, pelo telefonema que não cabe numa mensagem.

Ora, estar com os amigos vale sempre a pena. Com os verdadeiros, que não serão muitos. Nunca foram, pois são aqueles que gostam de nós apenas pelo que somos e permanecem quando não têm nada a ganhar.

Na verdade, nas amizades o número não conta. Contará mais sabermos e sentirmos que a sua disponibilidade, a sua empatia e o seu cuidado para connosco não dependem de conveniências nem de utilidades recíprocas. Um amigo não é alguém de quem precisamos porque nos pode ser útil, nem por nós o sermos para ele.

Na verdade, é um facto que usamos muitas vezes a palavra “amigo”. Chamamos amigos a colegas de trabalho, companheiros de lazer, pessoas com quem partilhamos momentos agradáveis. Tudo isso tem valor, mas os amigos são mais do que isso. São companheiros especiais da viagem que é a nossa vida.

Não sendo família, tornam-se presença familiar. Sabem escutar, ajudam-nos a continuar quando o caminho não está fácil e que não nos faltam quando fazem falta.

São aqueles que, como as crianças na praia, sabem que as ondas chegarão e que os castelos de areia podem desfazer-se e, ainda assim, não deixam de nos animar a construir, pela felicidade que sentem ao ver-nos felizes.

Conhecem os nossos limites, medos, fragilidades e muitos dos nossos defeitos, mas persistem em estar connosco. São aqueles que nos fazem bem, tantas vezes em silêncio e sem cobranças.

O Papa Francisco escreveu que “a amizade é um presente da vida e um dom de Deus”. Talvez seja precisamente por ser dom que não entra em qualquer contabilidade e, algo paradoxalmente, é quando não esperamos nada dos amigos que, muitas vezes, recebemos tudo.

No fim, talvez a amizade seja quando alguém escolhe ficar connosco e nós que escolhemos ter tempo para ficar também.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

Consulta pública para projeto de central do Cereiro com 246 participações

 A consulta pública da Proposta de Definição de Âmbito (PDA) do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Central Solar Fotovoltaica de Cereiro, em Travanca, concelho de Mogadouro, fechou com 246 participações, segundo o portal participa.pt.


A consulta pública teve início em 22 de julho e terminou na terça-feira.

A PDA tem como objetivo a identificação, análise e seleção das vertentes ambientais significativas que podem ser afetadas pelo projeto e sobre as quais o EIA deve incidir.

Trata-se de uma fase preliminar e obrigatória do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).

A proposta em causa, consultada pelo Mensageiro, resulta da “intenção de hibridização da central hidroelétrica de Bemposta”, também no concelho de Mogadouro, no distrito de Bragança, e respetiva ligação à rede elétrica nacional.

O projeto destina-se à produção de cerca de 205 GWh/ano, com recurso a uma fonte renovável e não poluente, o sol, pode ler-se no mesmo documento.

Francisco Pinto

BANCO DE PORTUGAL PROMOVE AÇÕES SOBRE SEGURANÇA DAS NOTAS EM BRAGANÇA

 O Banco de Portugal vai realizar, esta sexta-feira, 14 de agosto, quatro sessões de sensibilização sobre as notas de euro, no Mercado Municipal de Bragança.


As ações, abertas à população e com participação gratuita, terão uma duração aproximada de 30 minutos e estão agendadas para as 10h15, 10h45, 11h15 e 11h45.

Durante as sessões, serão apresentadas formas simples de verificar a autenticidade das notas e reconhecer os principais elementos de segurança, permitindo aos cidadãos identificar eventuais notas falsas no momento em que as recebem.

Apesar de a circulação de notas contrafeitas continuar a representar uma realidade residual, o conhecimento dos mecanismos de verificação é considerado importante para prevenir situações de fraude.

Uma nota falsa não pode ser trocada por uma verdadeira nem utilizada para efetuar pagamentos. A introdução consciente de uma nota contrafeita em circulação constitui crime, pelo que qualquer suspeita deve ser devidamente comunicada às autoridades competentes.

As sessões promovidas pelo Banco de Portugal pretendem, assim, reforçar o conhecimento da população sobre a segurança do numerário e incentivar uma atitude de maior atenção na utilização das notas de euro.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

VILA FLOR VOLTA A DAR VOZ ÀS HISTÓRIAS DE MULHERES DO INTERIOR

 A Biblioteca Municipal de Vila Flor recebe, no dia 22 de agosto, a inauguração da segunda edição de “Vila Flor no Feminino – Histórias de Mulheres Portuguesas do Interior”, projeto que reúne novos testemunhos e percursos de vida de mulheres do interior do país.


A sessão de inauguração está marcada para as 16h30 e assinala a apresentação de sete novas histórias, que se juntam às nove já reunidas na primeira edição. Ao todo, o projeto passa a contar com 16 relatos de vida.

A exposição procura dar visibilidade a diferentes experiências pessoais e profissionais, mostrando percursos marcados por formas distintas de viver, trabalhar, criar raízes e contribuir para a construção das comunidades e do território.

Mais do que preservar memórias individuais, a iniciativa pretende reforçar a importância das experiências do quotidiano na construção da história coletiva. O projeto coloca também em destaque a perspetiva de género, permitindo refletir sobre os papéis sociais, as oportunidades e os desafios que marcaram os percursos das mulheres retratadas.

Através destes testemunhos, “Vila Flor no Feminino” procura contribuir para uma visão mais abrangente da história, valorizando experiências que nem sempre encontram espaço nos relatos históricos tradicionais.

A exposição pode ser visitada na Biblioteca Municipal de Vila Flor, a partir de 22 de agosto.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

BRAGANÇA REFORÇA SEGURANÇA E QUALIDADE DA CIRCULAÇÃO COM REQUALIFICAÇÃO DE PAVIMENTOS

 Várias zonas da cidade de Bragança estão a ser alvo de intervenções de pavimentação e requalificação, numa operação destinada a melhorar as condições de circulação rodoviária e pedonal.


O Município de Bragança tem vindo a concretizar um conjunto de intervenções em diferentes pontos da cidade, procurando responder às necessidades de conservação da rede viária e reforçar a segurança de quem circula diariamente nestes locais.

Os trabalhos abrangeram a Rua Visconde da Ribeira Brava, o Bairro São João de Brito e a Estrada do Turismo, onde foram realizadas operações de remoção e regularização dos pavimentos existentes, preparação das vias e aplicação de novas camadas de base e pavimentação.

A intervenção incluiu ainda a requalificação de passeios e lancis, contribuindo para melhorar não apenas a circulação automóvel, mas também as condições de mobilidade pedonal.

Com estas obras, o Município pretende prolongar a qualidade e a durabilidade das infraestruturas, reduzir situações de degradação dos pavimentos e proporcionar melhores condições de segurança, conforto e acessibilidade a moradores, automobilistas e peões.

As intervenções integram a estratégia municipal de valorização e manutenção do espaço urbano, com o objetivo de tornar a circulação na cidade mais segura e funcional.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

MIRANDELA ASSINALOU DIA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE COM DEBATE SOBRE CIDADES INTELIGENTES E SUSTENTABILIDADE

 A inovação, a tecnologia e o papel dos jovens na construção de territórios mais sustentáveis estiveram ontem em destaque em Mirandela, numa iniciativa integrada nas comemorações do Dia Internacional da Juventude.


O Auditório Pequeno do Centro Cultural de Mirandela recebeu uma sessão dedicada ao tema “As Cidades Inteligentes e a Sustentabilidade”, promovida pelo Município, que procurou aproximar os jovens de uma discussão cada vez mais presente no futuro das cidades e dos territórios.

A sessão contou com a participação de André Moreira, bolseiro de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e do CeDRI – Instituto Politécnico de Bragança, que abordou o contributo da inovação e das novas tecnologias para a criação de cidades mais eficientes, sustentáveis e preparadas para responder aos desafios do futuro.

A iniciativa teve também um momento de reconhecimento aos jovens envolvidos em programas de voluntariado, com a entrega de cupões aos participantes do “Voluntariado Jovem para a Natureza e Florestas 2026” e do “Verão Jovem”, promovidos pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

No conjunto, os dois programas contam com 110 jovens inscritos, refletindo uma participação significativa da juventude em ações de voluntariado e cidadania ativa.

A sessão integrou um programa mais amplo de atividades promovido pelo Município ao longo destes dias e reforçou a aposta de Mirandela na participação dos jovens, na inovação e na construção de um território mais sustentável, colocando a juventude no centro da reflexão sobre o futuro do concelho.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR