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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Dia Internacional da Alfabetização – 8 de Setembro


 O Dia Internacional da Alfabetização, celebrado anualmente a 8 de setembro, representa uma das mais importantes datas dedicadas à educação, ao conhecimento e à dignidade humana. Esta celebração relembra ao mundo que saber ler e escrever não é apenas uma competência escolar, mas um direito fundamental de todas as pessoas e uma condição essencial para o desenvolvimento social, económico e cultural das sociedades.

A alfabetização constitui uma poderosa ferramenta de liberdade. Através dela, homens e mulheres conseguem compreender o mundo que os rodeia, participar na vida comunitária, exercer os seus direitos, defender as suas ideias e construir um futuro melhor para si e para as gerações seguintes.

Apesar dos enormes progressos alcançados ao longo das últimas décadas, milhões de pessoas em todo o mundo continuam privadas do acesso básico à leitura e à escrita. O Dia Internacional da Alfabetização surge, assim, como um momento de reflexão global sobre os desafios educativos ainda existentes e sobre a necessidade de construir sociedades mais justas e inclusivas.

O Dia Internacional da Alfabetização foi criado pela UNESCO — Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — em 1966, durante a Conferência Geral realizada em Teerão, no Irão.

A primeira celebração oficial ocorreu em 1967.

A criação desta data teve como principal objetivo alertar governos, instituições e populações para o grave problema do analfabetismo existente em várias regiões do planeta, sobretudo em países pobres e em vias de desenvolvimento.

Na época, os números eram alarmantes:

milhões de crianças não frequentavam a escola; 
grande parte da população adulta não sabia ler nem escrever; 
muitas mulheres eram excluídas do ensino; 
a pobreza impedia o acesso à educação. 

A UNESCO reconheceu que o combate ao analfabetismo era essencial para promover:

o desenvolvimento humano; 
a igualdade social; 
a paz; 
o crescimento económico; 
a cidadania democrática. 

Desde então, todos os anos, o dia 8 de setembro passou a ser assinalado em numerosos países através de campanhas educativas, debates, programas de inclusão social, iniciativas culturais e ações de sensibilização.

A capacidade de ler e escrever nem sempre esteve acessível à maioria da população.

Nas civilizações antigas, a escrita era privilégio de pequenos grupos:

sacerdotes; 
escribas; 
nobres; 
governantes. 

No Egito Antigo, na Mesopotâmia, na Grécia e em Roma, apenas uma minoria dominava a leitura e a escrita. O conhecimento era visto como sinal de poder.

Durante a Idade Média, o acesso à educação continuou bastante limitado. Grande parte da população europeia era analfabeta. Os livros eram raros e escritos à mão por monges copistas nos mosteiros.

Foi apenas após a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, no século XV, que o conhecimento começou a espalhar-se mais rapidamente. A impressão de livros permitiu uma maior circulação de ideias e abriu caminho ao crescimento da alfabetização.

Mais tarde, durante os séculos XVIII e XIX, com a Revolução Industrial e o desenvolvimento das escolas públicas, muitos países começaram a perceber que a educação era indispensável ao progresso económico e social.

A escolaridade obrigatória tornou-se gradualmente uma realidade em várias nações europeias e americanas.

Portugal conheceu durante muitos séculos elevadas taxas de analfabetismo.

Até ao início do século XX, grande parte da população portuguesa, sobretudo nas zonas rurais, não sabia ler nem escrever. As dificuldades económicas, a pobreza e a falta de escolas contribuíam para essa realidade.

Após a implantação da República, em 1910, surgiram várias tentativas de modernização do ensino. Contudo, os progressos foram lentos.

Durante grande parte do século XX, especialmente nas décadas anteriores ao 25 de Abril de 1974, Portugal continuava a apresentar níveis significativos de analfabetismo, particularmente entre:

mulheres; 
idosos; 
populações rurais. 

Depois da Revolução de Abril, o país investiu fortemente na democratização do ensino. Foram criadas campanhas de alfabetização, aumentou-se o número de escolas e expandiu-se o acesso à educação obrigatória.

Hoje, embora Portugal tenha registado enormes avanços educativos, continuam a existir desafios relacionados com:

iliteracia funcional; 
abandono escolar; 
desigualdades educativas; 
exclusão digital. 

A alfabetização é considerada um direito humano fundamental.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em 1948, afirma que:

“Todas as pessoa tem direito à educação.”

Saber ler e escrever permite:

compreender informações; 
aceder à cultura; 
encontrar melhores oportunidades de trabalho; 
participar na vida democrática; 
defender direitos; 
melhorar a qualidade de vida. 

Uma pessoa alfabetizada ganha maior autonomia e independência.

A alfabetização também desempenha um papel fundamental:

na redução da pobreza; 
na promoção da igualdade entre homens e mulheres; 
na melhoria da saúde pública; 
no desenvolvimento sustentável. 

Apesar dos avanços globais, o analfabetismo continua a afetar centenas de milhões de pessoas.

Segundo dados internacionais:

muitas crianças continuam sem acesso à escola; 
milhões de adultos permanecem analfabetos; 
conflitos armados e crises humanitárias dificultam a educação; 
a pobreza extrema impede muitas famílias de manter os filhos na escola. 

As meninas continuam particularmente vulneráveis em diversas regiões do mundo, onde persistem desigualdades de género no acesso à educação.

Além do analfabetismo tradicional, surgiu também um novo desafio:

Na sociedade moderna, saber utilizar tecnologias, compreender informações online e comunicar digitalmente tornou-se igualmente essencial.

Nenhuma transformação educativa seria possível sem o trabalho dos professores.

Educadores desempenham um papel decisivo:

na transmissão do conhecimento; 
na formação humana; 
no desenvolvimento da cidadania; 
no incentivo à leitura; 
na construção de valores sociais. 

Muitos professores dedicam a vida à alfabetização de crianças, jovens e adultos, frequentemente enfrentando condições difíceis e escassez de recursos.

O Dia Internacional da Alfabetização também constitui uma homenagem ao trabalho silencioso e fundamental destes profissionais.

A alfabetização abre as portas da leitura, e a leitura abre as portas do mundo.

Ler:

desenvolve a imaginação; 
aumenta o conhecimento; 
melhora a comunicação; 
estimula o pensamento crítico; 
fortalece a criatividade; 
promove a liberdade intelectual. 

Os livros continuam a ser instrumentos poderosos de transformação humana.

Como afirmava o escritor brasileiro Monteiro Lobato:

“Um país faz-se com homens e livros.”

Ao longo da história, regimes autoritários frequentemente limitaram o acesso ao conhecimento, porque pessoas instruídas pensam, questionam e participam.

A alfabetização permite:

compreender direitos; 
interpretar leis; 
combater manipulações; 
defender a democracia; 
promover sociedades mais livres e conscientes. 

Educar é libertar.

Celebrar o Dia Internacional da Alfabetização significa:

valorizar a educação; 
reconhecer o papel dos professores; 
combater desigualdades; 
incentivar a leitura; 
promover oportunidades para todos. 

Mais do que ensinar letras e palavras, alfabetizar é oferecer dignidade, esperança e futuro.

O Dia Internacional da Alfabetização, celebrado a 8 de setembro, representa um apelo universal à construção de um mundo mais justo, humano e desenvolvido através da educação.

Num tempo marcado por rápidas mudanças sociais e tecnológicas, a alfabetização continua a ser uma ferramenta essencial de inclusão, liberdade e progresso.

Cada pessoa alfabetizada ganha voz, autonomia e capacidade de transformar a própria vida e a sociedade.

Porque aprender a ler e escrever não é apenas adquirir conhecimento — é descobrir novos horizontes, abrir caminhos e conquistar liberdade.

Texto: HM - com IA e IN

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝘃𝗼 | 𝗘𝗽𝗶𝘀ó𝗱𝗶𝗼 𝟰/𝟱

 No 𝗘𝗽𝗶𝘀ó𝗱𝗶𝗼 𝟰 𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝘃𝗼, o 𝘾𝙝𝙚𝙛 Á𝗹𝘃𝗮𝗿𝗼 𝗖𝗼𝘀𝘁𝗮 vai ao encontro de uma das tradições gastronómicas mais identitárias do território: os 𝗽𝗲𝗶𝘅𝗶𝗻𝗵𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝗿𝗶𝗼 𝗱𝗮 𝗙𝗼𝘇 𝗱𝗼 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿. 
Na confluência dos 𝗿𝗶𝗼𝘀 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿 𝗲 𝗗𝗼𝘂𝗿𝗼, a 𝗙𝗼𝘇 𝗱𝗼 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿 é conhecida como a última aldeia piscatória de Trás-os-Montes, onde a pesca marca, há gerações, a vida, a economia e a alimentação das suas gentes. Ainda hoje é importante expressão da identidade e do património gastronómico de 𝗧𝗼𝗿𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝘃𝗼.

Nesta receita, a tradição encontra a criatividade: 𝗽𝗲𝗶𝘅𝗲 𝗱𝗼 𝗿𝗶𝗼 com um surpreendente molho de escabeche de nectarinas, bem aromatizado e acompanhado de 𝗯𝗼𝗹𝗮 𝗱𝗲 𝗮𝘇𝗲𝗶𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝗧𝗼𝗿𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝘃𝗼.

Do rio para a mesa.

Da tradição para uma nova interpretação.

𝗩𝗲𝗷𝗮 𝗼 𝗘𝗽𝗶𝘀ó𝗱𝗶𝗼 𝟰 𝗲 𝗱𝗲𝘀𝗰𝘂𝗯𝗿𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗼 𝘾𝙝𝙚𝙛 Á𝗹𝘃𝗮𝗿𝗼 𝗖𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗿𝗲𝗶𝗻𝘃𝗲𝗻𝘁𝗮 𝘂𝗺 𝗱𝗼𝘀 𝘀𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗲𝗺𝗯𝗹𝗲𝗺á𝘁𝗶𝗰𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝘃𝗼.

A viagem está quase a chegar ao fim. 

Descobre os produtos locais AQUI.

𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒂𝒄𝒆𝒍𝒆𝒓𝒂 𝒂 𝒎𝒐𝒃𝒊𝒍𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 𝒆𝒍𝒆́𝒕𝒓𝒊𝒄𝒂

 Foram apresentados os 6 novos autocarros 100% elétricos e os 4 carregadores dedicados à frota municipal, num investimento de cerca de 2,45 milhões de euros, co-financiados pelo PRR através do Fundo Ambiental.
A renovação passa também pela melhoria da informação aos passageiros, com o novo sistema de gestão horária da Estação Rodoviária, a atualização dos equipamentos informativos e dos sistemas tecnológicos do STUB.

A este investimento juntam-se o procedimento para a instalação de 40 novos postos de carregamento e o projeto da futura “Ilha de Energia”, no Terminal da Estação Rodoviária, para produção, armazenamento e utilização de energia renovável.

São decisões com impacto hoje, mas pensadas para os próximos anos.

Em breve será apresentado o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Bragança, que dará a conhecer a estratégia mais ampla que está a ser preparada para o concelho.

Mais informações AQUI.

UM LIVRO + UMA MINI EXPOSIÇÃO

 Uma viagem pela história dos negócios, da tecnologia e das memórias de uma época.
25 de setembro | 18h00 | Biblioteca Municipal de Bragança

𝐑𝐢𝐨 𝐓𝐮𝐚 𝐯𝐨𝐥𝐭𝐚 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐩𝐚𝐥𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐞𝐭𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥

 Mirandela volta a receber, pelo 14.º ano consecutivo, uma prova de natação em águas abertas no rio Tua. A XIV Travessia do Tua realiza-se no domingo, 13 de setembro, integrando o XIX Circuito Nacional de Águas Abertas 2025-2026.


O programa contempla três distâncias: a prova de divulgação de 400 metros, com partida às 10h00; a prova de 1500 metros para absolutos, às 10h30; e a prova principal de 3000 metros, destinada a absolutos e masters, com início às 11h15. Esta última pontua para o Circuito Nacional de Águas Abertas.

A configuração, a extensão e o enquadramento urbano do espelho de água do Tua oferecem condições privilegiadas para a realização de provas de diferentes modalidades. Além da natação em águas abertas, o rio acolhe também o Campeonato Nacional de Fundo de Canoagem, reforçando a sua importância no calendário desportivo nacional.

Estas competições atraem a Mirandela atletas, equipas, familiares e visitantes de vários pontos do país, contribuindo para a dinâmica da cidade e para a valorização do rio Tua enquanto espaço de desporto, lazer e convívio.

A Travessia é organizada pela Associação Regional de Natação do Nordeste, Federação Portuguesa de Natação e conta com o apoio do Município de Mirandela.

A Lenta Despedida das Aldeias


 Ao longo das últimas décadas, o interior de Portugal, particularmente o Nordeste Transmontano, tem vivido uma transformação profundamente marcante que é o despovoamento progressivo das aldeias e das vilas. Casas vazias, escolas encerradas, campos abandonados e um silêncio de morte que cresce à medida que as pessoas partem.

A saída de habitantes do interior não acontece por acaso. Durante muitos anos, a concentração de oportunidades económicas, educativas e sociais nas grandes cidades, levou muitos a procurar melhores condições de vida fora das suas terras de origem. A falta de emprego, o acesso limitado a serviços de saúde e educação, e a escassez de infraestruturas contribuíram para esta decisão.

Para muitos jovens, ficar nunca foi uma opção real. Partiram para estudar, trabalhar ou simplesmente para ter acesso a um estilo de vida que o interior não conseguia, nem consegue, oferecer. Com o tempo, estas partidas tornaram-se permanentes, criando um ciclo difícil de parar e reverter. Menos pessoas significa menos serviços, o que, por sua vez, incentiva ainda mais saídas.

À medida que os mais novos partem, ficam os mais velhos. O envelhecimento da população é uma das consequências mais visíveis do despovoamento. Em muitas aldeias, a maioria dos habitantes tem idade avançada e vivem num ritmo marcado pela rotina e pela falta de esperança.

As escolas fecharam por falta de alunos e por políticas centralistas, os cafés e as tabernas deixaram de abrir diariamente, e os espaços de convívio tornam-se cada vez mais raros. A vida comunitária, que outrora era vibrante, vai-se dissipando. 

O despovoamento não afeta apenas as pessoas, transforma também a paisagem. Campos agrícolas deixam de ser cultivados, os caminhos tornam-se inacessíveis e as casas são abandonadas. A relação entre o ser humano e o território, construída ao longo de gerações, começou a desfazer-se.

Este abandono tem consequências ambientais e culturais. Por um lado, a falta de gestão do território aumenta exponencialmente o risco de incêndios e degrada os ecossistemas. Por outro, perde-se um conhecimento profundo da terra, saberes tradicionais ligados à agricultura, à construção e ao uso sustentável dos recursos naturais.

Ainda assim, há alguns que ficam mantendo vivas as tradições. Cuidam, como podem, da terra e preservam a memória coletiva. Estas comunidades, embora pequenas, são testemunho de uma resistência discreta, mas essencial.

Nos últimos anos, têm surgido também iniciativas que procuram revitalizar o interior. Projetos de turismo rural, pequenos incentivos à fixação de população e novas formas de trabalho remoto. Embora ainda insuficientes para inverter a tendência de forma significativa, mostram que o interior não está condenado ao abandono.

O despovoamento do interior coloca desafios complexos que exigem respostas igualmente profundas. Não é só atrair pessoas, é preciso criar condições reais para que viver no interior seja uma escolha viável e até desejável.

É necessário repensar políticas públicas, investir em infraestruturas, valorizar os recursos locais e reconhecer o potencial destas regiões. Mais do que isso, é fundamental mudar a forma como o interior é percepcionado, não como um espaço esquecido, mas como uma parte essencial do nosso país.

A lenta despedida das aldeias portuguesas é uma transformação humana e cultural que merece atenção e reflexão. O “deserto” que fica não deve ser interpretado como um fim inevitável, mas como um alerta.

Entre o que foi e a incerteza do que será, o interior de Portugal continua à espera de um novo capítulo, um capítulo que, não seja escrito apenas com despedidas, mas também com regressos, reencontros e novas possibilidades.

Continua a faltar ação política e empresarial.

HM
7 de Setembro de 2026

COMO OS HOMENS FAZEM SUAS MEDIDAS

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Lembra-nos os "Apólogos Dialogais", de D. Francisco Manuel de Melo, uma grande verdade, mas poucas vezes dita:

Andava em alvoroço e sobressaltada, a gente alojada nas costas do Reino - porque havia misero pirata, que infestava, a costa macedónica, com duas pequenas barcas, movido a remos. Até que janízaros o arrastaram à presença do Grande Alexandre,

Na presença de Sua Majestade, o pobre corsário, tremia e temia, receando severo castigo. Porém, movido de coragem, empertigou-se, e de voz macia e segura, respondeu-lhe às ásperas injurias de Sua Majestade. Transcrevo as próprias palavras do nosso insigne clássico, conservando o sabor e a elegância da sua sublime prosa:

- Tá, tá, senhor Alexandre! Não me trates, que tu e eu, ambos temos um próprio ofício, mas com tal diferença: que a ti, porque roubas o mundo cercado de exércitos, te saúdam as gentes por monarca, e a mim, que com poucos companheiros faço pequenos danos, me infamam de corsário."

E Manuel de Melo, remata: " Eis aqui como os homens fazem suas medidas! "

Este texto merece reflexão ponderada:

Se cai nas teias da justiça, grande senhor, este, apresenta-se aos magistrados, acobertado de juristas experientes, que com presteza, conseguem que saia ileso ou, pena reduzida.

Mas, se o larápio inculto, que nunca topou oportunidade, ou por ser fraco de inteligência e de memória, assalta galinheiro, e não sendo ligeiro, como lebre, foi apanhado nas malhas da justiça.

Este, sofre sentença impiedosa, que sirva de exemplo, para os demais. 

Recordo o hábil chefe, que era benévolo para prevaricadores, e validos dos diretores; e cruel, para servidores humildes. E dizia – se lhe pediam razão. - É necessário dar exemplo...


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Homenagem | 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢́𝐩𝐢𝐨 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐧𝐚𝐠𝐞𝐢𝐚 𝐀𝐧𝐭𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐂𝐫𝐚𝐯𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐌𝐞𝐝𝐚𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐌𝐞́𝐫𝐢𝐭𝐨 – 𝐆𝐫𝐚𝐮 𝐎𝐮𝐫𝐨

 No dia 𝟏𝟐 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨, pelas 16h00, terá lugar no Salão do Museu Rural de Salselas a homenagem a 𝐀𝐧𝐭𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐂𝐫𝐚𝐯𝐨, na qual o 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢́𝐩𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬 𝐥𝐡𝐞 𝐚𝐭𝐫𝐢𝐛𝐮𝐢𝐫𝐚́, 𝐚 𝐭𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝐩𝐨́𝐬𝐭𝐮𝐦𝐨, 𝐚 𝐌𝐞𝐝𝐚𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐌𝐞́𝐫𝐢𝐭𝐨 – 𝐆𝐫𝐚𝐮 𝐎𝐮𝐫𝐨.


Natural da aldeia de Salselas, António Cravo 𝐝𝐞𝐝𝐢𝐜𝐨𝐮 𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐚̀ 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐫𝐯𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐦𝐞𝐦𝐨́𝐫𝐢𝐚, 𝐝𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐞 𝐝𝐚 𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬, deixando uma obra marcada pela História, pela Etnografia, pela poesia e pelas tradições da sua terra.

O seu percurso ficou também marcado pela criação do 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐑𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐒𝐚𝐥𝐬𝐞𝐥𝐚𝐬, espaço de preservação da História e das tradições locais, e pela valorização dos 𝐏𝐚𝐮𝐥𝐢𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐒𝐚𝐥𝐬𝐞𝐥𝐚𝐬, contribuindo para que estes saberes e costumes chegassem às gerações futuras.

Esta distinção é, por isso, mais do que uma homenagem a um escritor e investigador: é o reconhecimento de um homem que fez 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐞 𝐝𝐚𝐬 𝐬𝐮𝐚𝐬 𝐠𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐬𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐬𝐞𝐮 𝐥𝐞𝐠𝐚𝐝𝐨.

𝐎 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢́𝐩𝐢𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐨𝐬 𝐦𝐚𝐜𝐞𝐝𝐞𝐧𝐬𝐞𝐬 𝐚 𝐣𝐮𝐧𝐭𝐚𝐫𝐞𝐦-𝐬𝐞 𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐧𝐚𝐠𝐞𝐦 𝐚̀ 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐞 𝐨𝐛𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐀𝐧𝐭𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐂𝐫𝐚𝐯𝐨, 𝐩𝐨𝐞𝐭𝐚, 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨𝐫𝐢𝐚𝐝𝐨𝐫, 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐨́𝐥𝐨𝐠𝐨 𝐞 𝐟𝐮𝐧𝐝𝐚𝐝𝐨𝐫 𝐝𝐨 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐑𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐒𝐚𝐥𝐬𝐞𝐥𝐚𝐬.

Vinho Sabor Douro

CARETOS DE PODENCE CONQUISTAM OS MAIS JOVENS EM TAVIRA

 Os Caretos de Podence voltam a levar a tradição transmontana até ao sul do país, marcando presença na Feira da Dieta Mediterrânica, em Tavira.


No stand dedicado a uma das mais emblemáticas manifestações culturais portuguesas, os mais jovens têm tido a oportunidade de viver de perto a experiência de se transformarem em Facanitos, entre as cores, os trajes e a energia característica desta tradição.

A iniciativa está a despertar grande entusiasmo junto das crianças, que podem conhecer e experimentar uma parte do universo dos Caretos de Podence, contribuindo para aproximar as novas gerações deste património cultural.

Com esta presença em Tavira, os Caretos continuam a promover além-fronteiras regionais a identidade, as tradições e o património de Trás-os-Montes, mantendo viva uma tradição reconhecida internacionalmente e profundamente ligada à cultura portuguesa.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MIRANDELA RECEBE XIX MEIA MARATONA DE PESCA DESPORTIVA À AMERICANA

 Mirandela recebeu, na manhã de domingo, a XIX Meia Maratona de Pesca Desportiva à Americana Carlos Manuel Pereira “Lelo”, uma iniciativa que juntou participantes e praticantes da modalidade junto ao rio Tua.


O evento proporcionou um momento de convívio entre os aficionados da pesca desportiva e contribuiu para a promoção desta modalidade no concelho.

A iniciativa assinalou mais uma edição de uma prova já integrada no calendário desportivo local, reunindo participantes num cenário privilegiado junto ao rio Tua.

Jornalista : Vitória Botelho

Antigo aluno da Lusofly Academy de Bragança denuncia alegados «jogos psicológicos» e falhas na formação

 Um antigo aluno da Lusofly Academy de Bragança, que pediu anonimato, denuncia alegadas situações de intimidação e «jogos psicológicos» na escola de aviação.


As declarações surgem na sequência da decisão da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) de suspender, por seis meses, a certificação da Lusofly Academy.

A fonte afirma que a suspensão não constituiu uma surpresa, tendo em conta os problemas que, segundo relata, já se verificavam na escola:

“É assim, efetivamente, a suspensão da licença da Lusofly, da licença da ATO (Approved Training Organisation), não foi recebida com espanto nenhum. Era uma coisa que já seria expectável, dada a situação que estava a acontecer na escola.”

Entre as dificuldades apontadas está a realização das horas de voo.

O antigo aluno afirma que enfrentou períodos prolongados sem conseguir voar e atribui parte dos problemas ao funcionamento da escola:

“Desde a falta de voos. Eu, basicamente, em três meses tive um voo, foi bastante. Além de todos os problemas que tive com o diretor executivo da escola e com a parte da direção da escola.

Não havia aviões. O avião que havia, cheguei a estar parado em frente a uma bomba e a dizerem-me que eu não podia pôr combustível no avião. Teve que ser cancelado. Os instrutores também, normalmente, estavam sempre atrasados e com algumas desculpas que não faziam sentido nenhum para me cancelarem os voos.”

A fonte refere ainda que, à data em que frequentava a academia, existiam limitações ao nível das aeronaves disponíveis para a formação.

Outro dos aspetos relatados prende-se com o ambiente vivido entre os alunos.

O antigo aluno afirma que existiam alegados mecanismos de intimidação que dificultavam a discussão de determinadas situações:

“Efetivamente, sim, havia jogos psicológicos feitos na Lusofly para que houvesse uma certa intimidação em certos assuntos, nomeadamente até mesmo para podermos ter abertura para falar destas situações.”

Sobre a natureza desses alegados «jogos psicológicos», a fonte fala em intimidações, ameaças e promessas relacionadas com oportunidades profissionais após a conclusão da formação:

“Intimidações, prometer lugares em sítios a seguir ao curso, prometer trabalhos, muitas coisas mesmo. As ameaças, um bocadinho por aí.”

Questionado sobre se as falhas da empresa se devem sobretudo a João Roque ou se também estarão relacionadas com os restantes sócios, o antigo aluno atribui grande parte da responsabilidade ao diretor executivo, embora admita também falhas de outras partes:

“A única coisa que eu efetivamente tenho para dizer mais é que grande parte das coisas com que ele se tentou justificar naquela entrevista até podem ser verdade.

Mas há muitas coisas por trás que acho que ainda vão vir ao de cima, nomeadamente jogos psicológicos e muitas falhas na gestão da empresa que ele se esqueceu, ou por coincidência não lhe apeteceu contar, mas os meios judiciais vão encarregar-se de tratar disso.

Eu diria que grande parte se deve, sim, ao João Roque. Claro que também há de ter havido falhas de outras partes, mas grande parte ao João Roque.”

As declarações acrescentam novos relatos sobre o funcionamento da Lusofly Academy de Bragança, numa altura em que a escola está com a certificação suspensa por seis meses.

Recorde-se que a Lusofly Academy, em Bragança, ministra esta formação há cerca de quatro anos e, segundo o antigo aluno, até à data nenhum aluno terá concluído o curso.

A mesma fonte afirma ainda que, apesar de ter pago pela formação, continua sem receber a parte do investimento correspondente à formação que não terminou na Lusofly Academy de Bragança.

Fotografia – Lusofly Academy

Jodie Pinto

𝗧𝗥𝗔𝗜𝗟 𝗟𝗔𝗚𝗢𝗦 𝗗𝗢 𝗦𝗔𝗕𝗢𝗥 | 𝟮𝟮 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼

 No dia 22 de novembro, Alfândega da Fé recebe o Trail Lagos do Sabor, uma experiência que junta desporto, natureza e aventura, num cenário único para correr, superar desafios e desfrutar de cada quilómetro. 
O Running Place regressa a plenos pulmões e com um percurso de cortar a respiração! 

Esta prova estará integrada na edição deste ano do Festival Micológico do Sendim da Serra. 

Em breve, serão divulgadas mais informações.

Politécnico de Bragança vai passar a Universidade

domingo, 6 de setembro de 2026

Um dia marcado pela solidariedade, pela memória e pelo compromisso social.

 No Santuário de N. Sra. da Serra, o Dia da Caridade reuniu instituições e comunidade, com a presença da Secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, e do Bispo da Diocese de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, que procedeu à bênção de novas viaturas de várias IPSS.
Num momento distinto, foi também assinado um novo protocolo entre o Município e a Obra Social Padre Miguel, que prevê um apoio municipal de 400 mil euros à construção da nova Estrutura Residencial para Pessoas Idosas e Grandes Dependentes, uma resposta especializada especialmente dirigida a pessoas idosas em situação de demência.

Um investimento social que responde a uma necessidade cada vez mais sentida pelas famílias e pela comunidade.

Houve ainda lugar para a iniciativa “Lembrar Adriano Moreira”, na Biblioteca Municipal, para homenagear e preservar a memória e o legado de uma das grandes figuras brigantinas da vida académica, cívica e política portuguesa.

SPRIÉNÇA EIMERSIBA MIRANDESA

 Yá 15 anhos que you publico bídeos de la bindima an Sendin. Antretanto ls tiempos parece que mudórun i agora para ser más moderno, hai que dezir, que “tubímos ua spriénça turística eimersiba”… “farmar aura” quedou un cachico an zlhado😂, solo porque staba un sol andiabrado que calcie a 35º i aguantar até la fin de la binha nun ye para todos…

CERCA DE 200 PESSOAS PERCORRERAM O PLANALTO MIRANDÊS ENTRE MIRANDA DO DOURO E NASO

 Cerca de duas centenas de pessoas participaram, na manhã deste domingo, no Passeio Pedestre do Planalto Mirandês, que ligou Miranda do Douro ao Santuário de Nossa Senhora do Naso.


O percurso, com cerca de 16 quilómetros, teve início junto ao Posto de Turismo de Miranda do Douro e levou os participantes por alguns dos cenários naturais mais característicos do Planalto Mirandês, terminando no Santuário de Nossa Senhora do Naso.

A caminhada decorreu num dia marcado por temperaturas elevadas, o que exigiu cuidados adicionais ao longo do percurso. Para garantir o acompanhamento e a segurança dos participantes, estiveram no local os Bombeiros Voluntários de Miranda do Douro e a ULS de Miranda do Douro, que prestaram apoio durante a iniciativa.

A atividade juntou assim cerca de 200 participantes num percurso de natureza e convívio, dando a conhecer algumas das paisagens mais emblemáticas do território mirandês.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

Festas, Festividades e Eventos

Conto de Fadas

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


 "Segurava a fotografia entre os dedos como uma pena solta pelo tempo e, lentamente, deixava-se inebriar pelo som mágico da imagem, pelo feitiço de sua perfeição..." 

Hoje, sabia-lhe apenas a um desfecho de uma história desencantada num invulgar conto de fadas. Ausência imortalizada nas distâncias construídas pelo tempo. E ainda assim, os seus olhos turvavam-se em névoa transparente. As lágrimas abafadas num infinito de vontades.

    À sua frente, sempre aquele rosto tão cheio de palavras que devorava com uma avidez deslumbrante, porque lhe traziam à memória uma presença inacessível. Promessas que o olhar dela seduziu, fazendo-as dançar diante de emoções desprevenidas a atirarem-se, em suicídio, do peito ansioso. E ele mastigara-as, com a força do desejo, porque eram dela. Porque sabia que ela as venerava com a mesma delicadeza de uma pintura imaculada.

    Segurava a fotografia entre os dedos como uma pena solta pelo tempo e, lentamente, deixava-se inebriar pelo som mágico da imagem, pelo feitiço da sua perfeição...

    Amara-a em vagarosas pausas, deleitado com o sabor de cada novidade, de cada pormenor, como uma mesa de iguarias que vai surgindo delicadamente debaixo de olhares gulosos. Tocara com sereno prazer aquela espontaneidade que o embriagava. Rendera-se aos encantos daquela sedução.

    Então, mais uma vez, o rosto dela. Belo, límpido, a respirar ternura e elegância interior numa mistura de timidez selvagem e plácido ardor. O rosto dela, vibrante, de uma inocência branda que lhe acalmava a ansiedade aflita da alma, que lhe tranquilizava o coração abafado em agonia.

    E ao recordá-la agora, sobre as memórias daquele retrato, esmagava um soluço contra as paredes do estômago. Caía num desassossego febril de a ter junto dele. Deixava-se transportar numa viagem etérea pelos seus pensamentos, a sufocarem-lhe o fogo sentido pela inexistência dela.

    Que segredos esconde a força arrebatadora de uma paixão? Perguntou ao silêncio. Este respondeu-lhe, com a segurança quente de quem conhece melhor do que ninguém as suas próprias certezas, que ela não fizera nada. Simplesmente era.


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

TRADIÇÕES DE MIRANDA DO DOURO LEVADAS ATÉ ITÁLIA

 A cultura e as tradições de Miranda do Douro estiveram em destaque em Itália, nos dias 4 e 5 de setembro, durante o XV Raduno Internazionale delle Maschere Antropologiche, realizado em Tricarico, na região da Basilicata.


Os Pauliteiros Mirandeses de Palaçoulo e as figuras tradicionais da Velha, do Bailador e da Bailadeira, de Vila Chã de Braciosa, representaram o concelho naquele encontro internacional dedicado às tradições ancestrais, às máscaras, à música, à dança e aos rituais populares.

A participação permitiu dar a conhecer além-fronteiras algumas das mais emblemáticas manifestações culturais do Planalto Mirandês, num encontro que reuniu comunidades de vários países.

Mais do que uma representação internacional, a presença de Miranda do Douro em Itália constituiu uma oportunidade para promover e valorizar um património cultural imaterial que continua vivo e profundamente ligado à identidade e às gentes do território.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR