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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Casa do Pão ganhou prémio do melhor folar de Portugal

 A Casa do Pão, em Bragança, ganhou o primeiro lugar na categoria de ' O melhor Folar de Portugal, um prémio atribuído pela ACIP-Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares, que teve lugar na Exponorte, ontem.


O jovem empresário de Bragança, Bruno Lopes, foi distinguido entre 23 concorrentes no XII Concurso ACIP – “O Melhor Folar e Pão de Ló de Portugal”, integrado na TECNIPÃO, o maior evento nacional dedicado ao setor da panificação e pastelaria.

A aposta no folar tradicional deu vitória a Bruno Lopes, que destronou o folar de Valpaços, vencedores em anos anteriores. Os produtos foram submetidos a provas cegas até apurar o vencedor.

Este concurso é uma montra de excelência, tradição e inovação, que distingue os melhores produtos nacionais e valoriza o saber-fazer dos profissionais que mantêm viva a qualidade da panificação e pastelaria portuguesas.

Glória Lopes

Manuel Pinto Guedes Bacelar Sarmento de Morais Pimentel Teles de Meneses e Melo (2.º Visconde da Bouça) - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 13.setembro.1906 – 15.fevereiro.1908
LOUSADA, 4.8.1842 – ?

Proprietário.
Deputado (1882-1884). Par do Reino (12.6.1890). Governador civil de Bragança (1906-1908).
Natural da freguesia de Covas, concelho de Lousada.
Filho de Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento Pereira de Morais e Pimentel, 4.º visconde de Montalegre, moço-fidalgo com exercício na Casa Real, e de Ana Carolina Augusta Vaz Guedes Pereira Pinto Teles de Meneses e Melo, senhora das casas de Rio de Moinhos e de Vila Garcia.
Irmão de Luís Vaz Guedes Pinto Bacelar Sarmento Pereira de Morais Pimentel Teles de Meneses e Melo, 2.º visconde de Vila Garcia. Neto paterno de Luís Vaz Pereira Pinto Guedes e Maria Inês Cândida Pinto Bacelar, 2.os viscondes de Montalegre.
Casou com Maria Cândida de Sampaio e Castro, 2.ª viscondessa da Bouça, sem descendência. 2.º visconde da Bouça, por via do casamento (7.3.1889). Moço-fidalgo com exercício na Casa Real.

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Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento era um abastado proprietário, descendente de uma linhagem nobre. Porém, o título do seu pai, Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento Pereira de Morais e Pimentel, 4.º visconde de Montalegre, havia sido concedido por alvará da Junta Governativa do Reino, constituída aquando da Guerra Civil da Patuleia, pelo que não foi depois validado pelo Governo triunfante de D. Maria II.
Manuel Sarmento iria titular-se por outra via, ao casar em 1868 com Maria Cândida de Sampaio e Castro, sua prima, filha dos 1.os viscondes da Bouça e 2.ª viscondessa da Bouça, embora só em 21 de fevereiro de 1878 lhe viesse a ser concedido um alvará de lembrança de segunda vida do título, vindo o mesmo a ser reconhecido oficialmente por decreto de 7 de março de 1889.
Membro do Partido Regenerador, foi eleito deputado em 1881 para a legislatura de 1882 1884, em representação do círculo uninominal de Mirandela, onde residia ( juramento a 13.2.1882). Não fez parte de qualquer comissão, mas não deixou de defender a sua região sempre que foi oportuno. Assim, defendeu o trajeto que entendia ser o melhor para a linha de caminho-de-ferro de Foz Tua a Mirandela (6.3.1884).
Chamou depois a atenção dos poderes públicos para o muito deficiente estado de conservação da estrada que ligava Vinhais a Mirandela, situação que causava preocupação, especialmente no inverno, requerendo o visconde da Bouça que a mesma via fosse considerada estrada real (23.2.1882). Não se coibiu de chamar a atenção do Governo regenerador, que apoiava, para a necessidade de se proceder à construção de linhas férreas na província de Trás-os-Montes (24.4.1882).
A sua carreira política teve continuidade anos mais tarde, ao ser eleito par do Reino pelo distrito de Bragança, em 14 de abril de 1890 (posse a 12.6.1890). Também na câmara alta do Parlamento não fez parte de qualquer comissão, ocupado que estava a defender a regularidade da sua eleição, questionada pela oposição progressista.
Na altura, atacou diretamente Eduardo José Coelho, líder do Partido Progressista em Bragança, atribuindo-lhe a responsabilidade pela desordem que grassava no distrito, bem como o juiz de Vinhais, que “andava de assembleia em assembleia com um cacete na mão, ameaçando com processos e escrevendo a várias pessoas, incluindo subordinados e pessoas dependentes” (12.6.1890).
Por decreto de 13 de setembro de 1906, foi nomeado governador civil do distrito de Bragança, cargo de que tomou posse no dia 20 do mesmo mês, exercendo o cargo até 15 de fevereiro de 1908, data em que, prestes a completar 66 anos e com a saúde debilitada, se retirou para a sua casa na Bouça, em Mirandela.

Edital do visconde da Bouça restringindo os festejos no Carnaval (1908)

O Sr. secretário-geral, servindo de governador civil, entendendo dever dar cabal execução ao alvará que no ano passado foi posto em vigor pelo chefe do distrito de então, mandou novamente afixar, para conhecimento do público, o seguinte edital:
“O governador civil do distrito de Bragança: vindo já de longe as reclamações contra certas práticas e usos que nesta época se exibem na cidade, e que são condenáveis, não só por impróprias de terras civilizadas, como por terem originado lamentáveis conflitos, que convém acautelar, no uso da atribuição que me confere o n.º 1.º do art.º 251 do Código Administrativo, faço saber o seguinte:
1.º Que à exceção de Domingo, Segunda e Terça-feira de Carnaval, ninguém pode transitar pelas ruas da cidade com disfarces ou máscaras.
2.º Que nos citados dias é proibido o uso de qualquer traje ou a prática de atos ofensivos do decoro e moral pública.
3.º Que nos jogos carnavalescos não se podem usar coisas que possam molestar alguém, sendo absolutamente proibido contender com os transeuntes.

Bragança, 5 de fevereiro de 1907 – Visconde da Bouça.

Está conforme. Bragança e secretaria do Governo Civil, 28 de fevereiro de 1908, servindo de secretário-geral o oficial Antero Artur Lopes Navarro”.
É de esperar que o povo desta cidade, ordeiro e cordato como é, o respeitará por completo, pois trata-se de medidas que são de todo o ponto justas e legais. O ano passado houve infelizmente a lamentar algumas transgressões, de que resultou serem presas várias pessoas, algumas das quais, consta-nos, ainda se encontram na cadeia e outras têm processo pendente de julgamento. No interesse de todos, pois, recomendamos a estrita observância do disposto edital que deixamos transcrito.

Fonte: Gazeta de Bragança, Ano XVI, n.º 823, 1908, p. 2.

Carta dos alfandeguenses a Bacelar Sarmento, pedindo a sua intervenção urgente (1907)

Alfândega da Fé, 7.10.1907

(Particular)

Ao Sr. governador civil

Foi baldadamente que apelamos para o Sr. governador civil, pedindo-lhe encarecida e respeitosamente que olhasse um pouco para o estado anárquico em que se encontram os serviços administrativos nesta desventurada terra. Lastimamos, não só porque amamos muito esta nossa querida Alfândega, mas também porque muito prezamos o bom nome de S. Exa. e os seus bons desejos, mais de uma vez manifestados, de bem cumprir os altos deveres do seu honroso cargo. É provável que S. Exa. não lesse, por isso de novo voltamos a importuná -lo.
Oiça-nos Sr. Visconde da Bouça!
Os progressistas cá do burgo, hoje eduardistas, dissidentes, correligionários de V. Exa., ou lá o que são (pouco importa) têm estado há muitas dezenas de anos dirigindo os destinos políticos deste concelho. A sua influência nefasta, a sua administração ruinosa, levou-nos à miséria e custou-nos os maiores desgostos e vergonhas. Liquidaram-nos, como os rotativos liquidaram a Nação, como diria o Sr. João Franco ou qualquer dos seus ilustres sectários.
Reabilitamo-nos, readquirimos à força de trabalho e sacrifícios a nossa autonomia, tal e qual como Portugal terá de fazer um dia… próximo. Apareceram-nos logo os ilustres figurões retomando as rédeas da governação, apresentando programas mirabolantes, parecendo-se ainda,
Exmo. Sr., neste ponto com o grande Messias, salvador-mor da gente lusa. Pois falharam, Sr. Visconde, como falharam os do Messias. Em jantares lautos, entre o champanhe e o café, pronunciaram discursos de encantar, como pregou em águas furtadas na baixa e nos teatros da província o Grande Salvador. Não cumpriram o programa, esqueceram a palavra plumeamente comprometida, como o Sr. Presidente do Conselho esqueceu o seu e a sua. A diferença entre os nossos regedores e o grande Alcaide está em que esses estão completamente sós e S. Exa. tem ainda uma meia dúzia de secretários que o aplaudem e fingem acreditar.
Se o Governo, a quem Deus conserve por muitos anos no poder, para gáudio dos franquistas e salvação da pátria e das batatas, não adiasse sine die as eleições camarárias, nada pediríamos a S. Exa., pois nós mesmo, os alfandeguenses, liquidaríamos a situação vexatória  e delapidadora que não pode nem deve continuar, colocando à frente da administração municipal homens honestos, patriotas desinteressados e cheios de boa vontade de bem servir este povo. Mas o Governo não faz eleições e diz-se que ele vai nomear comissões. Não podemos portanto nós intervir com a urgência que o caso reclama, mas pode e deve fazê-lo V. Exa. É o que nós vimos a pedir-lhe, sem intuitos partidários, sem espírito egoísta, unicamente no propósito de bem servir a nossa Alfândega e na certeza de que defendemos uma causa nobre, justa e patriótica, que certamente encontrará apoio no espírito esclarecido de V. Exa.
Eram dez os vereadores da nossa Câmara, que Deus haja. Cinco efetivos e cinco substitutos.
Pois deu-lhes o trangulo-mangulo, como aos partidários de V. Exa., e dos dez ficou um. E este um é tudo ou melhor não é nada. O Sr. administrador, autoridade respeitabilíssima, a quem todos os alfandeguenses reconheciam como o seu melhor amigo, o nobre colega de V. Exa. (como ele diria) partiu, morreu… Tem-se, é certo, espalhado que ressuscita mas até hoje não apareceu o milagre. Que mais é preciso acrescentar ao quadro para V. Exa. ter o conhecimento exato da situação? Cremos que nada mais. Mas se for, Sr. governador civil, nós conhecemos factos, sabemos de casos interessantíssimos e tudo aqui virá em letra redonda; se V. Exa. quiser e o decreto de 20 de maio deixar… Salve-nos, ou melhor, ajude -nos, Sr. governador civil, e terá V. Exa. praticado mais um belo ato de administração e conquistado o geral aplauso deste bom povo.

Fonte: Gazeta de Bragança, 17.11.1907, Ano XVI, n.º 808.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Distrital do Porto, Registos de Batismos, paróquia de Covas, 1775-1849.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
GRANDE Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, t. IV, Lisboa, 1935-1987.
MÓNICA, Maria Filomena (coord.). 2004. Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. III. Lisboa:
Assembleia da República.

Publicação da C.M. Bragança

Formação para Professores e Educadores - AUDIÇÃO MUSICAL PARTICIPADA

 Inscrições AQUI.

VOLUNTARIADO JOVEM ABERTO NO CAMINHO DE SANTIAGO COM PROJETO EUROPEU

 O Município de Mirandela anunciou a abertura de candidaturas para jovens entre 18 e 30 anos interessados em integrar o projeto “New Footsteps on the Camino”, promovido pela Federação Portuguesa do Caminho de Santiago no âmbito do European Solidarity Corps.


A iniciativa oferece experiências de voluntariado ao longo do Caminho Português de Santiago, permitindo contato direto com comunidades locais, intercâmbio cultural e participação em ações sociais, culturais e ambientais. Há duas modalidades: voluntariado individual, com cerca de três meses e meio, e em equipa, com duração aproximada de duas semanas, abrangendo percursos como o Caminho Central, da Costa, Interior, de Torres e Via Nascente.

Os voluntários apoiam peregrinos, participam em campanhas de limpeza, sinalização e valorização patrimonial, além de ações de promoção do turismo sustentável. O projeto oferece transporte, alojamento e alimentação, e concede o certificado Youthpass, reconhecendo as competências adquiridas.

As inscrições são gratuitas e exclusivamente online.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MACEDO DE CAVALEIROS ABRE INSCRIÇÕES PARA ATIVIDADES DE APOIO À FAMÍLIA DURANTE A PÁSCOA

 A Câmara de Macedo de Cavaleiros anunciou que as inscrições para as atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF), para a educação pré-escolar, e para a Componente de Apoio à Família (CAF), do 1.º ciclo do ensino básico, decorrerão entre 11 e 24 de março durante a interrupção letiva da Páscoa.


A inscrição é obrigatória, mesmo para crianças que já frequentam estes serviços, e deve ser feita através da plataforma Siga Edubox, no separador “Candidaturas”, onde os pais poderão escolher o período e horário desejados.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Passeio TT “Mulheres ao Volante” junta aventura e solidariedade em Bragança

 Vindas de vários pontos do país, as mulheres aceitaram o desafio de percorrer um trajeto inédito, que passou maioritariamente pelo Parque Natural de Montesinho


Convívio e solidariedade marcaram, no sábado, o VIII Passeio TT Mulheres ao volante. O evento, que decorre, anualmente, em Bragança, serve para celebrar o Dia Internacional da Mulher, reunindo dezenas de participantes para um dia de condução fora de estrada e contacto com a natureza. “Isto é mesmo para a brincadeira e levamo-lo aos máximos. Gostamos imenso de conviver. Quem não conhece que venha porque não se vai arrepender”, disse Melissa Pires. “É espetacular. Este passeio também serve para homenagear a história e a independência das mulheres”, explicou Sandrina Ramalho.

Vindas de vários pontos do país, as mulheres aceitaram o desafio de percorrer um trajeto inédito, que passou maioritariamente pelo Parque Natural de Montesinho. Para muitas, a participação já é tradição, mas há cada vez mais estreantes, conta Nélio Fraga, da Aventura Norte, que organiza o passeio. “De ano após ano, e cada vez mais, nas redes sociais, e mesmo pessoalmente, há quem nos pergunte, questione, quando é que vai ser a data, qual é que vai ser o dia deste evento. Temos gente de praticamente todo Portugal”.

Anualmente, parte do valor arrecado com as inscrições reverte a favor do Lar de São Francisco, que apoia crianças e jovens em situação de risco. A madrinha do oitavo passeio, Cláudia Rodrigues, destacou precisamente essa dimensão. “Quando nós percebemos qual é a causa, é quase que uma obrigação moral termos participação nestes eventos. Neste momento são eventos lúdicos, mas que o resultado final é para uma causa muito nobre. Quase que me sinto aqui obrigada emocionalmente a corresponder”.

A organização do passeio esteve a cargo da Aventura Norte, que assumiu pela primeira vez a responsabilidade do evento.

Jornalista: Carina Alves

Expansão da zona industrial de Mogadouro anunciada na Feira das Amendoeiras em Flor

 O presidente da câmara, António Pimentel, espera que, nos próximos tempos, haja vários investidores interessados em apostar no concelho


A zona industrial de Mogadouro vai ser expandida. O presidente da câmara, António Pimentel, espera que, nos próximos tempos, haja vários investidores interessados em apostar no concelho. “Temos já em adjudicação a expansão da zona industrial porque, efetivamente, não direi a totalidade, mas já temos poucos lotes na zona industrial para que agentes económicos se possam instalar. E como entendemos que o país vai sofrer um boom no desenvolvimento e na implantação de empresas, estamos esperançados que algumas delas possam vir optar por Mogadouro. Por isso, esta fase de expansão vai obedecer a outros critérios, como seja a dimensão dos lotes, para que verdadeiramente se instalem indústrias e não armazéns ou pequenas indústrias”.

Declarações de António Pimentel na abertura da trigésima nona edição da Feira Franca dos Produtos da Terra e Artesanato, a Feira das Amendoeiras em Flor.

Sónia Ferreira é de Mogadouro e participa pela primeira vez na feira. Produz bolos e quer dedicar-se em exclusivo a essa atividade. Entendeu que a feira era uma boa forma de mostrar o que faz. “Faço bolos em part-time e quero, futuramente, vir a trabalhar a tempo inteiro, então achei melhor começar a divulgar o meu trabalho através das feiras. São grandes as minhas expectativas, estou confiante que mais pessoas vão passar a conhecer o meu trabalho e depois também o passa palavra vai ajudar a que o meu trabalho seja mais divulgado”.

Mónica Ferreira também participa pela primeira vez na feira. A ideia é precisamente a mesma: dar a conhecer o que produz. “É uma forma também de divulgar os produtos que produzo há já 11 anos. O meu produto é realizado com chocolate belga e produtos locais, figo seco, marmelada, que também produzimos, amêndoa caramelizada, cogumelo desidratado”.

A feira decorre ainda no próximo fim-de-semana.

Jornalista: Carina Alves

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As inscrições já estão abertas!

domingo, 8 de março de 2026

PARA TODAS AS MULHERES SILENCIOSAMENTE HEROICAS

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Para todas as mulheres de olhos húmidos e sorriso firme. Para vós que chorais na sombra da noite, mas que ao amanhecer, ergueis o rosto como quem acende uma nova aurora dentro do peito

Para vós que tendes as mãos marcadas pelo trabalho duro, mãos que conhecem o peso da terra, do ferro, das horas longas e do cansaço. Mãos que já foram abrigo, pão, colo e resistência. Mãos que constroem vida mesmo quando a própria vida lhes parece desabar.

Para todas as que conheceram a traição, esse punhal silencioso que rasga a confiança. Que foram enganadas, usadas, esquecidas por quem prometeu cuidar. Mas, ainda assim, não deixaram morrer dentro de si a capacidade de amar o mundo.

Sois como árvores antigas: o vento pode vergar-vos, as tempestades podem arrancar-vos todas as folhas, mas as raízes… as raízes mergulham tão fundo na terra da coragem que nenhuma dor consegue derrubar.

Um dia feliz para vós, mulheres silenciosamente heroicas.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

O Município de Bragança assinalou o Dia Internacional da Mulher com um conjunto de iniciativas dedicadas à valorização, celebração e reflexão sobre o papel da mulher na sociedade.

 No Mercado Municipal realizaram-se várias atividades dirigidas às mulheres, com momentos de dança e workshops que promoveram o convívio, o bem-estar e a partilha. 
No Centro de Arte Contemporânea Graça Morais decorreu também o evento “Deusas da Montanha”, uma conversa inspiradora entre mulheres em torno do tema “Qual a montanha que ainda precisamos escalar até aqui?”, que promoveu a reflexão sobre desafios, conquistas e caminhos futuros.

Para assinalar esta data simbólica, foram ainda distribuídas flores às funcionárias municipais, como gesto de reconhecimento pelo seu trabalho e dedicação.

Porque celebrar as mulheres é também reconhecer a sua força, o seu percurso e o caminho que ainda continuamos a construir juntos.

Gasóleo acabou em praticamente todos os postos de combustíveis de Bragança

 A afluência aos postos foi tão grande ontem que hoje não há gasóleo em praticamente nenhum posto de abastecimento


Não há gasóleo em praticamente nenhum posto de combustível em Bragança. Ontem a afluência aos postos de combustível foi tão grande que o gasóleo acabou e hoje quem vai abastecer volta para casa com o depósito como estava.

É o caso de Carlos Augusto que foi atestar o depósito do jipe, mas vai ter de optar por outra solução. “Por acaso vou para casa e tenho lá a carrinha. Preciso de ir para a aldeia mas não posso ir de jipe, tenho de ir de carrinha”.

O preço dos combustíveis rodoviários em Portugal sofreu um forte aumento, com o custo do gasóleo a disparar mais de 20 cêntimos por litro e o da gasolina a subir 7 cêntimos por litro, o que fez com que os brigantinos corressem para os postos para abastecer. Carlos Augusto reprova a atitude de desespero. “Não há gasóleo em bomba nenhuma. Acabaram com ele. As pessoas não pensam umas nas outras e assim não se pode fazer”.

Quanto à subida de preços… diz que é incompreensível. “A subida é um exagero. Já ele estava caro… isto para os nossos ordenados é muito”.

Margarida Lopes teve mais sorte porque procurava gasolina, o que ainda há, mas não aprova a atitude de ir encher o depósito por medo. “Achamos que vamos resolver o problema da subida com os litros a mais, mas só faz com que muita gente fique sem”.

A condutora já contava com a subida de preços, mas diz que é um exagero. “Já era expetável. Com a guerra aproveitam logo para inflacionar o preço dos combustíveis, mas é um exagero e vamos ver o que ainda vai subir mais”.

Segundo o funcionário de um dos postos de combustível mais movimentados da cidade, o gasóleo já acabou ontem à noite. A expetativa é que amanhã o haja de novo. “Logo desde as oito da manhã, até ao fim da noite, ontem, houve sempre gente sem parar. Quase toda a gente enchia o depósito e muitos encheram também jerricans que traziam. Hoje não há praticamente ninguém, vem uma pessoa ou outra para meter gasolina. Penso que amanhã já voltará a haver amanhã, de manhã, quando vier o camião abastecer”.

Estes aumentos refletem a subida das cotações internacionais dos produtos refinados, com o gasóleo a ser particularmente penalizado pela guerra no Médio Oriente, já que uma boa parte da produção petrolífera e do crude mais pesado da região do golfo Pérsico é canalizada para o gasóleo. Além disso, a Europa embora sendo excedentária na produção de gasolina é deficitária em gasóleo, adquirindo no golfo Pérsico uma parte relevante do gasóleo que importa.

Jornalista: Carina Alves

MULHER - A Gentil Camponesa


Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
És a gentil camponesa.

---

És tu que não tens maldade,
És tu que tudo mereces,
És, sim, porque desconheces
As podridões da cidade.

---

Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilusão:

---

És como a rosa em botão,
Tu és pura e imaculada.
És tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado...

---

Vestes-te, tratas do gado
Que há-de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
É grande a tua pureza,

---

Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.

---

Teus lábios nunca pintaste,
És linda sem tal veneno;
Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;

---

És verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poderá parecer bela;

---

Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.
Pois se te tenho na mão,
Inda assim acho tão pouco,

---

Que sinto um desejo louco:
Guardar-te no coração!...
As coisas mais belas são
Como as cria a Natureza,

---

E tu tens toda a grandeza
Dessa beleza que almejo,
Tens tudo quanto desejo,
És a gentil camponesa

---

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

O avô Domingos e a avó Almerinda

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 “Assim estejam os meus inimigos” — Dizia Domingos, o meu avô materno, feliz, ao brindar com a família em volta da mesa farta das festas. Quase de certeza que não tinha inimigos, embora pudesse ter quem lhe invejasse a felicidade.

A vida não lhe fora fácil, embora parecesse melhor, quando eu comecei a ter perceção das coisas; era canalizador numa empresa do Porto, para onde teve muitas vezes de fazer o caminho a pé. Era de Alfena de onde tinha vindo, com o irmão, para São Mamede de Infesta para trabalhar numa padaria, onde dormiram muitas vezes.

Era eu criança e ia ter com ele ao tasco, onde parava antes de regressar a casa do trabalho. “Ó Fernando, serve aí um «simolzinho» ao meu neto.” — pedia, feliz.

Gostava de uma boa piada e o rádio lá de casa estava sempre sintonizado nos “Parodiantes de Lisboa”, parece que ainda hoje consigo ouvir um dos comerciais mais repetidos: “Ò Barnabé! Que é? Toca o tango!”

Calado e observador, tinha, no entanto, sempre um abraço e um sorriso acolhedor de boas-vindas.

A avó Almerinda não era avó de sangue, mas era-o de coração. Substituíra a minha verdadeira avó, que se fora desta vida aos 43 anos e que eu nunca conheci.

No seu trabalho, corria toda a freguesia com uma enorme canastra à cabeça onde transportava o pão que distribuía pelas freguesas. Quando chegava à casa, trazia sempre a sua parte no pão que eu e o filho dela, meu tio por parte do pai, comíamos avidamente, como se alguma vez tivéssemos tido fome.

Os Natais eram em casa deles, na Ilha do Costa, como cheiro a bacalhau cozido e do açúcar dos doces a misturar-se no ar. Uma “enchente de gente” numa casa pequena, com um coração que não se enchia.

Regavam-se os jantares com vinho branco e as sobremesas com espumante, porque “a água, quer-se morninha, mas para lavar os pés.” — dizia o avô por graça.

Aquela casa pequenina, no pátio rodeado de tantas outras, era o nosso destino tantas vezes que era como se fosse uma extensão da nossa, poucas centenas de metros dali. Naquela Ilha tinha vários familiares e amigos e era sempre o ponto de partida para as nossas “aventuras” na Fonte dos Alhos ou nas construções das casas e do campo de futebol do Infesta.

O avô gostava da boa paz e quando não estava em casa, estava no quintal, que cuidava com esmero. Os vasos de flores em cimento, feitos por ele, rodeavam a horta organizada e cavada.

Um dia, magoou-se a trabalhar no quintal e o ferimento acabou por infetar. Era uma época em que não havia INEM e os telefones fixos eram raros e certa noite foram chamar o meu pai para o levar ao hospital. Nunca regressou.

Alguns anos mais tarde, beneficiando dos apoios da câmara municipal, o meu tio e a mulher, que viviam com a mãe, mudaram-se para um apartamento, num bairro construído em parte do que foi a bouça da Fonte dos Alhos e deixaram a casinha na Ilha do Costa.

A avó, sim, porque sempre foi a minha avó, partiu muitos anos mais tarde, quase sem vista e sem saber onde estava.

A Ilha lá está, renovada e reconstruída, mas sem a magia e os personagens que foram parte da minha infância.


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

SAUDADE…


 A saudade da juventude não é apenas a nostalgia de um tempo que já passou, é também o eco de uma versão de nós mesmos que já não vive o presente, mas que continua a viver na memória com uma nitidez que quase magoa. Não se trata apenas da energia inesgotável ou da despreocupação aparente. É algo mais profundo, mais silencioso, é a recordação de quando o mundo ainda parecia enorme, por cumprir e ao nosso alcance.

Na juventude, os dias tinham uma elasticidade infinita. O tempo não passava, expandia-se. Um verão parecia durar uma eternidade. Uma amizade era promessa de permanência. Um amor era absoluto, mesmo quando era breve. Havia uma confiança implícita de que tudo estava ainda por acontecer, de que o melhor estava à frente, à espera de ser descoberto. E essa expectativa dava à vida uma vibração especial, uma espécie de luz interior que iluminava até as incertezas.

Com o passar dos anos, não é apenas o corpo que muda. Muda a forma como olhamos o horizonte... o mundo. Já não vemos apenas possibilidades, vemos também limites. Já não ignoramos as fragilidades, convivemos com elas. A experiência traz sabedoria, é verdade, mas traz também consciência do tempo que passou e do que não volta.

A saudade da juventude é, muitas vezes, saudade da facilidade, da leveza nas decisões, nos erros, nas quedas. Errava-se com menos medo, porque havia sempre a sensação de que amanhã era outro dia. Hoje, as escolhas carregam um peso maior, uma responsabilidade acumulada. Na juventude, o futuro era uma folha em branco, na maturidade, é um livro já com muitas páginas escritas.

Mas há algo particularmente tocante nessa saudade. É a memória da intensidade. A intensidade com que se sentia. A alegria era eufórica. A tristeza era abissal. O entusiasmo era contagiante. Tudo era vivido com uma urgência quase sagrada, como se cada momento fosse decisivo. Hoje, talvez sintamos com mais equilíbrio, mas raramente com a mesma chama.

Há também a saudade das pessoas que éramos. Dos sonhos que nos moviam. Das convicções absolutas. Das amizades que pareciam indestrutíveis. Algumas mantiveram-se, outras ficaram pelo caminho. E todas as ausências são um pequeno marco do tempo. A juventude não se perde de um dia para o outro, vai-se afastando devagar, quase sem nos apercebermos, até que um dia nos surpreendemos a olhar para trás com ternura e alguma tristeza.

E, no entanto, a saudade da juventude não é apenas dor. É também gratidão. Significa que vivemos. Que houve dias luminosos o suficiente para deixarem marca. Que houve risos espontâneos, paixões arrebatadas, tardes demoradas, conversas intermináveis. A saudade é a prova de que houve intensidade, noites sem fim.

Talvez o que mais custe aceitar não seja o envelhecimento em si, mas a consciência de que estamos a percorrer a última parte do caminho. Na juventude, a morte é um conceito distante, na maturidade, é uma realidade que se “insinua” todos os dias. O tempo deixa de ser um recurso infinito e passa a ser um bem precioso. E é nessa mudança de perspetiva que a saudade se torna mais aguda e, por vezes, dolorosa.

Contudo, há uma beleza escondida nessa melancolia. A juventude pode ter ficado para trás, mas deixou raízes. Está presente nas histórias que contamos, nas fotografias que guardamos e partilhamos, nas músicas que ainda nos emocionam. Está na forma como sorrimos ao recordar um momento aparentemente banal que, afinal, era extraordinário.

E talvez a verdadeira sabedoria esteja em compreender que a juventude não é apenas uma fase biológica, é também um estado de espírito. Embora o corpo envelheça, é possível preservar a curiosidade, o desejo de aprender, a capacidade de nos maravilharmos. Não com a mesma ingenuidade, mas com uma consciência mais serena.

A saudade da juventude é, no fundo, um diálogo entre o que fomos e o que somos. Não é um convite a viver preso ao passado, mas a honrar o caminho percorrido. A reconhecer que as rugas trazem histórias, as perdas trazem também crescimento, os anos acrescentaram conhecimento e sabedoria.

Porque, se é verdade que a juventude tinha o brilho da aurora, a maturidade tem a densidade do entardecer. E há pores-do-sol que são tão belos como o nascer do dia, apenas exigem um olhar mais atento.

Sentir saudade da juventude é humano. Mas talvez o maior gesto de reconciliação com o tempo seja aceitar que cada idade tem a sua forma de beleza…

HM
Março de 2026

sábado, 7 de março de 2026

QUANDO EU PARTIR

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Quando eu morrer, não me vistam de frio,
nem de silêncio duro, nem de escuro vazio.
Enrosquem meu corpo na pele da poesia,
como quem cobre a noite com restos de dia.
Quero na fronte pousada, sem pressa nem dor,
uma grinalda feita de dádiva e amor:
abraços e estrelas, sementes do infinito 
a perguntar ao vento se a morte é um mito.
E que o meu corpo repouse, tranquilo e sereno,
coberto apenas por um véu bem pequeno,
bordado de vírgulas, pausas da vida 
e de reticências de uma história sentida.
Porque quem viveu de poesia, não morre de vez:
fica suspenso no ar, leve e talvez,
como poema que o tempo nunca termina…
apenas continua… numa página divina.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

Bragança debateu a mobilidade do futuro

 O Museu Ferroviário de Bragança acolheu a 1.ª Sessão de Participação Cívica para elaboração do diagnóstico que servirá de base ao Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS).
A sessão serviu para refletir sobre desafios e prioridades, contribuindo para a construção de soluções de mobilidade mais eficientes, inclusivas e sustentáveis para Bragança.

Por terras esquecidas: Eremitérios de Trás-os-Montes

 Entre arribas deslumbrantes e um rio que molda a paisagem, a religião encontrou sempre devotos, apesar de as crenças variarem com os séculos.

Edificado num lugar de beleza ímpar, o Eremitério de Santo André, próximo da aldeia de Cércio, exibe por cima do arco a representação da forma como o santo foi executado no século I d. C.
Esta “Capela Sistina” em ponto pequeno representa cenas do Evangelho e enriquece o Eremitério da Senhora da Teixeira em Torre de Moncorvo.
Pormenor de um fresco no exterior do Eremitério da Senhora da Teixeira em Torre de Moncorvo.
No Eremitério da Senhora da Teixeira em Torre de Moncorvo, uma pintura mural retrata cenas da vida de Cristo. O pormenor da Última Ceia desperta a atenção pela menos conhecida disposição da representação, com o formato redondo da mesa. Jesus consola São João Evangelista.
As ruínas do Eremitério de São Facundo em Urrós dominam uma paisagem deslumbrante. Um aspecto comum a estes espaços é o facto de não se saber com certeza as ordens monásticas que aqui viveram, nem em que momento os Eremitérios foram abandonados.
O Eremitério Os Santos apresenta uma pintura mural notável num abrigo ao ar livre datado do século XVI. A coroação de Nossa Senhora pela Santíssima Trindade domina este espaço transmontano que resiste à erosão, ao vandalismo e à incúria humanas.
No Eremitério Os Santos o pormenor da figura de S. Paulo Apóstolo com espada sobre o ombro esquerdo contempla a coroação de Nossa Senhora.
Castro de Vilarinho dos Galegos
Pormenor de parte da muralha do Castro de Vilarinho dos Galegos
Vista do Castro de Vilarinho dos Galegos
Igreja de Santo Cristo na aldeia de Picote.
Pintura mural na Igreja de Santo Cristo no Picote com cerca de 500 anos. O centro de Conservação e Restauro da Diocese Bragança Miranda procedeu ao restauro destes frescos.
Pormenor de inscrição romana reutilizada na edificação da Igreja Romanica de Santo Cristo no Picote.
Imagem de São Paulo na igreja Paroquial de Picote. Originalmente esta imagem estava no Eremitério Os Santos.
A Festa de São João das Arribas no castro próximo de Aldeia Nova, em Miranda do Douro, celebra o santo que sacralizou o antigo lugar pagão.
Procissão da festa de São João das Arribas em Aldeia Nova.

Ao longe, o eco de um sino percorria os meus ouvidos.

O sol tímido espreitava entre os montes numa tarde gelada de Março. A neve misturada com a chuva miudinha ensopava-me. Alguns abutres teimavam em voar no meio deste ambiente tempestuoso. 

O Douro Internacional é um lugar majestoso. Ao longo de um percurso de vários quilómetros, erguem-se enormes arribas, guardiãs de um passado remoto. As marcas desta presença estão por todo o lado. Caçadores, guerreiros, pastores, monges e agricultores todos eles influenciaram um território que, apesar de fortemente humanizado, continua quase intocado.  

Com alguma imaginação, não é difícil conceber as grandes manadas que percorriam este espaço na pré-história, conduzidas por caçadores-recolectores. Mais tarde, fixaram-se comunidades que, do alto destes penhascos, controlavam um vasto território. O Império Romano, com a sua fúria centralizadora, chegou e também dominou esta região periférica. As villae rústicas – que, nesta região, seriam semelhantes às quintas modestas – estabeleceram-se no planalto sobranceiro às arribas. Durante gerações, os impérios nasceram e tombaram e a ocupação humana persistiu, tentando domesticar uma paisagem bravia. 

O cristianismo chegou por fim e moldou o mundo antigo, estabelecendo um elo que resiste até aos nossos dias. Assim tenhamos os óculos certos para espreitar essa transformação, subjacente às camadas de erosão e apropriação.

Apesar de agora já não existirem xamãs por aqui, nem práticas mágicas, os velhos ritos perduram numa aculturação perfeita entre o sagrado e o profano. Subsistem “numa camada por baixo do cristianismo, que aprisionou as práticas pagãs destes lugares”. As palavras certeiras são proferidas pelo padre Manuel Marques de Bragança em conversa durante a procissão da Festa de São João das Arribas, em Maio, que acompanhei. O cortejo começa na Igreja da Aldeia Nova e termina em São João das Arribas. Faz-se sentir calor como um teste à fé, mas cerca de uma centena de pessoas marcha rumo ao objectivo como muitas outras fizeram antes delas. “Como o cristianismo não conseguiu erradicar as antigas crenças, levantou capelas e substituiu a antiga divindade pelo santo católico”, continua o meu interlocutor. 

São João Evangelista, o mais novo apóstolo de Jesus, sacraliza o antigo castro, lugar pagão. Em terra de ocupação humana dispersa, o santo escolhido é homem porque ajuda na procriação. O santuário pagão onde o druida cuidava do carvalho sagrado tem agora implantada uma igreja e, no meio da nova edificação, lá está uma estela romana, um capitel e mais um punhado de materiais reaproveitados. É um passado que espreita a todo o momento, como dizia um dos maiores pensadores da cultura transmontana do século XX, o abade de Baçal.

A magia das arribas do Douro continuou nos séculos seguintes, convidando à reflexão e à espiritualidade. Num espaço de meditação, o cristianismo edificou pequenas ermidas nos séculos XV e XVI em lugares de enorme deslumbramento, ligados muito provavelmente a itinerários de santidade. 

Nas ermidas, recolhia-se um pequeno número de frades em oração e contemplação de Deus. Na tradição do antigo ascetismo quase contemporâneo da fundação do cristianismo, pequenas comunidades de monges estabeleceram-se por todo o mundo antigo. Ninguém sabe ainda a que ordens pertenceram os homens que ocuparam este território nessa altura, mas as marcas da sua passagem permaneceram nas fragas do Douro. 

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Na tradição do antigo ascetismo quase contemporâneo da fundação do cristianismo, estabeleceram-se pequenas comunidades de monges. Ninguém sabe ainda a que ordens pertenceram, mas as marcas da sua passagem permaneceram.
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Santo André em Cércio, São Facundo em Urrós, Os Santos no limite das freguesias de Sendim e Picote, Senhora da Teixeira em Torre de Moncorvo, são topónimos bem presentes no coração da terra transmontana e indícios de uma cultura preservada na tradição oral.

No caminho para o Eremitério de Santo André, acompanhado por um morador da aldeia de Cércio, vamos percorrendo velhos caminhos de contrabando. Há sessenta anos, “a travessia ilegal de uma fronteira era uma tarefa heróica”, confidencia António Domingues, o meu guia. O rio determinava a esperança de uma vida melhor, travando ou permitindo o sonho de alcançar a Europa para lá dos Pirenéus. Schengen era ainda designação desconhecida.

A travessia do grande rio ibérico do Norte era também o passaporte para amealhar mais alguns escudos e ultrapassar existências miseráveis. 
O contrabando, documentado desde a década de 1930 nos ficheiros das polícias de fronteira mas provavelmente anterior, tentava suprir necessidades básicas. Levava-se bacalhau, café, açúcar e sabão e trazia-se peças de vestuário, tecidos, bilhas de barro, colorau, entre outros. Era um jogo permanente com a zelosa polícia de fronteira que amiúde disparava a matar para manter este espaço inviolável. 

Se nesse passado relativamente recente estes percursos eram zonas de risco, hoje conduzem-nos a locais de sonho, por onde quase não passam agora os seres humanos. As ruínas da ermida de Santo André debruçam-se sobre o rio num ambiente que não custa imaginar perfeito para quem se entregava à oração. Entre a vegetação que nunca se compadece com a colonização de espaços monumentais sagrados ou profanos, pequenos nichos já não guardam as imagens de santos. Alguns sarcófagos abandonados e um espaço revolvido revelam sinais da crença comum em todos estes lugares perdidos em que histórias mirabolantes de tesouro acompanham o imaginário popular e muitas vezes destroem inutilmente vestígios históricos insubstituíveis. 

Na Igreja de Santo Cristo na aldeia do Picote, a conservadora-restauradora Joana Afonso, do Centro de Conservação e Restauro da Diocese de Bragança-Miranda, executa a operação da reintegração cromática numa velha pintura mural com cerca de cinco séculos.

A verdade sobre estas comunidades costuma ser bastante mais prosaica. Vieram, instalaram-se, desapareceram – do seu rasto, ficaram apenas as rochas.

O pequeno lugar de culto ainda lá está, apesar de arruinado, orientado para a cidade de Jerusalém, património de várias religiões. Por cima do arco, a imagem da cruz de Santo André persiste. Ornamenta um templo onde o voto de pobreza seria o traço mais evidente. Uma vez mais, a linha do tempo devolve-nos o passado. Na aldeia de Cércio, continua a contar-se uma história a propósito deste Eremitério.

Muito antes do tempo dos avós dos nossos avós, viviam aqui quatro frades. Três iam à missa do outro lado do rio e deixavam para trás o quarto frade, por ser glutão. Invariavelmente, o frade guloso chegava antes à missa e ao alimento, para surpresa dos restantes. Cruzava as águas do Douro, protegido pelo seu manto. Religião e magia misturam-se nas regiões onde a autoridade tem mais dificuldade em uniformizar crenças. 

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As gravuras incrustadas na rocha um pouco por todo o lado, as estelas com simbologias xamânicas e a ocupação romana são vestígios de um passado grandioso que o tempo não fez esquecer.
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O abandono a que estão votados estes espaços é confrangedor. Muitas destas ruínas carecem de uma intervenção urgente sob o risco de património único, classificado durante o século XX, se perder para sempre. Apesar de tudo, “é surpreendente a resiliência do abrigo da ermida dos Santos”, admite Lúcia Cardoso Rosas, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Os frescos estão bastante danificados por quase quinhentos invernos e verões impiedosos, mas permanecem in situ, pacientes e aguardando um eventual restauro que os salvaguarde. Um estudo sobre Eremitérios no território transmontano dirigido por esta investigadora revelou um conjunto significativo de espaços edificados ao ar livre sob rocha granítica com orientações geográficas de nascente e sul e um conjunto de painéis com pintura mural sobre reboco notáveis e absolutamente inéditos em Portugal. 

Nova observação atenta ao painel revela a coroação de Nossa Senhora pela Santíssima Trindade, São Paulo Apóstolo, a conversação entre Santo Antão e São Paulo Eremita e a crucificação. É um mural completo, um livro de pedra com cinco séculos.

A marca de 1553 presente num dos painéis confere uma datação mais precisa para este espaço de recolhimento. A água abundante permitia o estabelecimento de hortas e, com elas, a produção de alimentos para os frades que viviam em completo isolamento. A coroação pela Santíssima Trindade de Nossa Senhora (representada de olhos baixos e ladeada por Deus Pai e pelo Filho segurando a coroa, com a pomba do Espírito Santo envolta em luz) decora o maior dos três painéis. No lado esquerdo, São Paulo Apóstolo contempla a cena com uma espada ao ombro. 

Num painel distinto, figuram Santo Antão, nascido em 251 d.C., em visita a São Paulo Eremita (229 d.C.). O diálogo entre os dois eremitas remete-nos para a vida de dois santos que viveram nos primeiros séculos do cristianismo. 
A vocação eremítica do abrigo está por isso bem patente na própria temática dos frescos. Neste período, o Império Romano do Ocidente começava a dar os primeiros sinais de colapso e o cristianismo, como escreveu mais tarde Agostinho de Hipona que assistiu ao primeiro saque de Roma em 410 d.C., faria a sua refundação. 
O império não sobreviveu na Europa, mas a Igreja protegeu e salvou de certa forma parte do seu legado cultural. Os textos antigos chegaram até aos nossos dias pela mão de monges copistas em mosteiros, que funcionaram como fiéis depositários dos saberes clássicos e estas obras estão na base da cultura europeia. Homens como Severino Boécio, considerado o último romano e o primeiro escolástico que viveu entre os séculos V/VI d.C., traduziram as obras de Aristóteles com comentários explicativos.

Enquanto os santos impressionam pela sua beleza, quando chegamos ao Eremitério da Senhora da Teixeira, a visão é arrebatadora. A abóbada é baixa, requerendo a submissão de quem nela penetrava. Para entrar, o eremita penetrava por uma passagem que o obrigava a rastejar, saindo depois de joelhos, o que o colocaria na posição mais humilde perante o altar. Toda a simbólica apela ao desprendimento material destes homens entregues a Deus. 

A pintura mural retratando cenas da vida de Cristo encerra um santuário que nos esmaga pela sua qualidade pictórica. Por momentos, podemos pensar que estamos noutra Capela Sistina. Lutando contra a provável angústia motivada pela falta de espaço, o artista encontrou uma solução engenhosa para a representação da Última Ceia. Aqui, a mesa passou a ser redonda e Cristo consola carinhosamente São João Evangelista. 

Esta simples cena, representada sucessivamente pelos melhores artistas da história com diversas interpretações e orientações estilísticas, provocou há poucos anos uma enorme polémica com o escritor Dan Brown, cuja interpretação da cena o conduziu a conclusões polémicas. Na parede de uma ermida esquecida, a Última Ceia está igualmente representada, singela e sublime, tal como o artista quinhentista anónimo aqui a concebeu.

A ermida tem mais um aspecto curioso, pois foi implantada em terreno privado, que pertence à mesma família há várias gerações. O proprietário, César Abel Gomes, gosta de contar que o avô foi um destacado maçon, que não escondia as suas fortes posições anticlericais. No entanto, como em tudo na vida, existem excepções. Para ele, o Eremitério da Senhora da Teixeira recaía fora do âmbito dessa recriminação. 

A celebração de missa no domingo seguinte à Páscoa foi uma tradição inquebrável, mesmo nessa fase. Ainda hoje, o padre lá vai e a procissão antecede o ofício. Vem à memória o célebre poema de Miguel Torga: “Não tenho mais palavras / Gastei-as a negar-te / (Só a negar-te eu pude combater / O terror de te ver / Em toda a parte.) / Fosse qual fosse o chão da caminhada / Era certa a meu lado / A divina presença impertinente / Do teu vulto calado / E paciente…” 

A peregrinação prossegue e os caminhos levam-nos a Picote, em Terras de Miranda. Nesta aldeia, o passado histórico posto a descoberto nos inúmeros achados arqueológicos com diferentes datações exprime a antiguidade do povoamento aqui desenvolvido. É provável que o Picote tenha desempenhado um papel de santuário durante séculos. A sua localização sobranceira ao Douro Internacional terá sido terreno para ritos proto-históricos. As gravuras incrustadas na rocha um pouco por todo o lado, as estelas com simbologias xamânicas e a ocupação romana são vestígios de um passado grandioso que o tempo não fez esquecer. 

No meio de todo este mosaico histórico, uma descoberta recente colocou à vista uma pintura mural de meados do século XVI na igreja românica de Santo Cristo, no Picote, que originalmente seria dedicada a São João Baptista. 
A imagem da sua decapitação durante o Império Romano está lá representada, lembrando que os ciclos políticos começam e acabam, mas os ícones religiosos têm uma ressonância potencialmente mais duradoura. 

Joaquim Inácio Caetano, conservador-restaurador doutorado em História de Arte, com intenso trabalho nesta área, tem a convicção de que o artista que pintou os frescos das paredes laterais da capela-mor, campanha distinta da da parede fundeira, da Igreja de Picote pode ser o mesmo que trabalhou noutras igrejas de Espanha, nomeadamente da comarca de Sayago na província de Zamora. Alguns aspectos estilísticos, técnicas, o tipo de reboco e as incisões revelam um intenso intercâmbio entre os dois países no que toca à pintura mural em espaços eclesiásticos. O restauro total destes frescos que hoje podem ser contemplados por quem visita esta terra bem no coração de Trás-os-Montes é um excelente exemplo da valorização do património. 

Uma vez mais, a igreja assenta no passado longínquo – aras romanas foram postas a descoberto na intervenção no espaço. Olho para uma das colunas na igreja e reparo que, no meio dos blocos nus de granito, está implantada uma inscrição romana. Este pormenor recorda-me um texto do abade de Baçal nas suas “Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança”: “A Igreja não só cristianizou os loca sacra com capelinhas e cruzes, mas também aproveitou habilmente a devoção pagã, canalizando-a no sentido cristão.”

Hugo Marques