MEMÓRIAS...e outras coisas...
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Sobre o Blogue
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
A AEPGA, a Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural e Associartecine apresentam o Arribas em Foco nos dias 10 e 11 de Outubro, em Miranda do Douro.
Durante dois dias, nas paisagens únicas das Arribas do Douro e do rio Fresno, fotógrafos de todos os níveis de experiência terão a oportunidade de aprender, partilhar conhecimentos, trocar experiências e explorar em conjunto um dos territórios mais extraordinários para a observação da biodiversidade em Portugal.
Com sessões teóricas, debates informais e saídas de campo acompanhadas pelos fotógrafos Pedro Alves e Renato Lainho, este encontro é um convite à descoberta do património natural do Planalto Mirandês e dos muitos seres vivos que encontram refúgio nas suas arribas, rios e vales.
Mais do que um curso, queremos criar uma comunidade de pessoas unidas pela fotografia, pela observação da natureza e pela sua conservação.
Saiba mais informações e inscreva-se AQUI.
Pega-azul: o que tem a sua distribuição que ver com a Idade do Gelo?
As duas espécies de pegas-azuis, pertencentes ao género Cyanopica, apresentam uma distribuição curiosa, estando separadas por muitos milhares de quilómetros, entre a Península Ibérica e a Ásia Oriental.
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| Bruno Garrido Macias / SHUTTERSTOCK - A pega-azul pode ser encontrada em Portugal e Espanha, mas também no norte da China, Mongólia, Península Coreana, Japão e nalgumas áreas da Sibéria. |
A pega-azul é um corvídeo, de tamanho médio, cujas características físicas mais distintivas são os azuis das asas e da longa cauda, o preto do seu “barrete” e o tom creme e acastanhado do resto do corpo.
Também conhecida por charneco, rabilongo e por mais uma meia dúzia de nomes de âmbito local, esta ave é bastante conspícua, deslocando-se geralmente em grupos familiares que abarcam várias gerações, ou mesmo em bandos compostos por várias famílias, e vocalizando com muita frequência e intensidade.
Em Portugal, a pega-azul é encontrada principalmente na faixa interior do país, embora quanto mais para Sul na sua distribuição mais provável seja de a encontrar no litoral. Esta ocorrência está associada à zona de clima com influência mediterrânica no nosso país e na vizinha Espanha.
A sua distribuição é por vezes descontínua, um factor que dados apontam que se deva à sua natureza essencialmente florestal. Esta característica leva-a a ter dificuldades em subsistir em terrenos pouco arborizados, como é o caso das pseudoestepes cerealíferas, onde muitas vezes resiste apenas em manchas mais arborizadas ou nos corredores ripários. É isto que explicará, por exemplo, a existência de uma população isolada na Sierra Nevada, que terá ficado incapaz de se expandir dali devido à conversão agrícola dos solos circundantes.
De reputação parcialmente desmerecida (não há dados que suportem a acusação de que estes animais têm um impacto particular sobre outras espécies de aves, por exemplo, embora possam oportunisticamente predar crias ou ovos), nem sempre as interacções das pegas-azuis com os humanos são amistosas. Principalmente quando os agricultores tentam cultivar árvores de fruto ou similar, fonte alimentar que estas aves apreciam, o que aliado aos seus hábitos gregários as torna um verdadeiro terror para os donos de pomares. Foram também por isto perseguidas durante muito tempo, e ainda há quem defenda não lhes dar tréguas, escudando-se na crença de que estas aves, ao terem sido alegadamente introduzidas na Península Ibérica durante o período da expansão de Portugal e Espanha, seriam aves exóticas e um factor de desequilíbrio nos ecossistemas. Mas não é isso que a ciência nos diz: a verdade é bastante mais interessante.
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| Rudmer Zwerver / SHUTTERSTOCK - As pegas-azuis são animais altamente gregários e particularmente ruidosos quando voam em bando. |
Irmãos à distância
Esta crença que a pega-azul seria uma espécie introduzida não aparece do nada: é resultado da distribuição mundial do género Cyanopica, composto por apenas duas espécies, muito semelhantes fisicamente. Uma, Cyanopica cooki, é nativa da Península Ibérica, particularmente das áreas de influência mediterrânica no sudoeste e centro, enquanto que o seu parente próximo, Cyanopica cyanus, é encontrado no norte da China, Mongólia, Península Coreana, Japão e nalgumas áreas da Sibéria… a quase 10 mil quilómetros de distância!
Sendo as espécies tão obviamente aparentadas – historicamente eram, aliás, consideradas a mesma espécie –, como explicamos esta distância entre ambas? A introdução de uma das populações parecia uma possibilidade razoável: afinal, esta distribuição é tudo menos típica. No entanto, múltiplos trabalhos perto da viragem do século, incluindo a tese de mestrado do português Pedro Cardia, determinaram, para além de qualquer dúvida, que as populações asiáticas e ibéricas apresentavam um grau de diferenciação genética considerável. Esta distinção seria completamente impossível caso os indivíduos europeus tivessem origem numa introdução a partir dos asiáticos, complementando assim descobertas, recentes à altura, que indicaram um fóssil de cerca de 44 mil anos encontrado em Gibraltar como pertencente a este género.
Foi determinado, então, que não só ambas as populações eram nativas das áreas onde residiam correntemente – com óbvios ajustes para possíveis alterações de distribuição ao longo do tempo – como que eram espécies distintas, um par de espécies-irmãs, ou seja, os parentes mais próximos existentes uma da outra.
Mas então, como é que espécies tão próximas, evolutivamente falando, acabaram por ocupar localizações geográficas tão díspares? A resposta está uns milhares de anos atrás, na última era glacial.
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| CC BY 3.0 - Note-se, nesta representação gráfica, que a Península Ibérica e a costa este asiática apresentavam o mesmo tipo de vegetação na última era glacial. Fonte: Internet Archaeology |
Separadas pelo gelo
É hoje tido como ponto assente que a distribuição das aves do género Cyanopica, à primeira vista tão anómala, é na verdade um caso particularmente extremo de um padrão que existe noutras espécies, e não só de aves. A separação de uma população antigamente contínua em duas ou mais devido ao avanço do gelo na última era glacial, que durou desde há cerca de 115 mil anos até há cerca de 11 mil e 700, a maior parte do Pleistocénico, sendo esta parte de um padrão maior de glaciação, a Glaciação Quaternária.
Com a diminuição das temperaturas, muitas espécies foram vendo as áreas onde conseguiam sobreviver cada vez mais diminuídas e, enquanto muitas acabaram por se extinguir, outras subsistiram no que se costuma chamar “refúgios glaciares”, zonas onde as alterações dos ecossistemas não foram tão dramáticas e onde estas espécies conseguiram sobreviver.
Uma dessas zonas é justamente a Península Ibérica, que neste período apresentava grandes estepes florestadas, onde estes animais puderam subsistir. Outra área geográfica que apresentava este mesmo tipo de habitat era… o Este da Ásia. Assim, é altamente provável que estas duas espécies, divorciadas há muitos milénios, sejam ambas descendentes de uma única espécie que apresentava uma distribuição contínua entre as duas hoje existentes. Esta, no entanto, ter-se-á extinguido da maior parte da área que ocupava algures durante os sucessivos períodos glaciares, deixando apenas duas populações isoladas nos seus extremos, que divergiram, dando origem às duas espécies que hoje conhecemos.
MIRANDELA ACOLHE UMA CENTENA DE PRATICANTES DE VÁRIOS ESTILOS DE ARTES MARCIAIS E DESPORTOS DE COMBATE
“Este ano, vamos ter quatro mestres de várias especialidades e o objetivo é sempre o mesmo, tentar demonstrar que vários estilos podem encontrar-se e partilhar experiências e conhecimento”, acrescenta.
A edição deste ano conta com a novidade de ter lançamento de “meia dúzia de treinadores que estão connosco que é para eles começarem também a ter o bichinho e a noção de ser seminarista, de começar a lidar com os mais novos”, explica Carlos Mendes.
Para os atletas “é sempre bom ver qualquer coisa diferente, para avaliarem o nosso trabalho, terem a oportunidade de observar outras técnicas, tocar ideias e conhecimentos na família marcial que está sempre presente”, adianta.
Vão marcar presença os atletas da Associação de Defesa Pessoal do Nordeste Transmontano, de Mirandela, Torre de Dona Chama, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Alfândega da Fé e Murça, bem como de outros clubes oriundos do Porto, Maia, Oliveira do Hospital e Viseu.
Viver sem idade | 𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐈𝐝𝐨𝐬𝐨
𝐍𝐨 𝐝𝐢𝐚 𝟑 𝐝𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐮𝐛𝐫𝐨, junte-se às comemorações do Dia Internacional do Idoso, nas 𝐍𝐚𝐯𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐞 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 de Macedo de Cavaleiros. 𝐕𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐜𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐮𝐦𝐚 𝐭𝐚𝐫𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐣𝐨𝐠𝐨𝐬, 𝐦𝐮́𝐬𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐯𝐢́𝐯𝐢𝐨.
As atividades começam às 14h00 com os Jogos do Hélder. Às 15h30, haverá um lanche e, às 17h30, o Coro da Universidade Sénior de Macedo de Cavaleiros encerra a tarde com a sua atuação.
𝐀𝐜𝐞𝐢𝐭𝐞 𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐯𝐢𝐭𝐞 𝐞 𝐯𝐞𝐧𝐡𝐚 𝐯𝐢𝐯𝐞𝐫 𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐭𝐚𝐫𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐧𝐨𝐬𝐜𝐨.
PODENCE JUNTA GASTRONOMIA E TRADIÇÃO NO FESTIVAL DA CASA JOSÉ PEDRO
A aldeia de Podence, em Macedo de Cavaleiros, recebeu o terceiro encontro anual da Casa José Pedro, que juntou cerca de 300 distribuidores, fornecedores e parceiros num festival dedicado à gastronomia e aos sabores transmontanos. O encontro ficou ainda marcado pelo lançamento do novo vinho branco Reserva Caretos de Podence, que dá continuidade à parceria entre a marca e a Associação dos Caretos de Podence.
Jornalista: Vitória Botelho
ALFÂNDEGA DA FÉ SAI DO PROGRAMA DE AJUSTAMENTO MUNICIPAL DEZ ANOS ANTES DO PREVISTO
Alfândega da Fé deixou oficialmente o Programa de Ajustamento Municipal, dez anos antes do prazo inicialmente previsto. A saída foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal, depois de o município atingir o limite legal de endividamento e concluir o processo de recuperação financeira iniciado em 2016.
Jornalista: Vitória Botelho
ULS DO NORDESTE REFORÇA CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS COM NOVOS PROJETOS
Entre as novidades está a implementação da telerreabilitação, que permitirá a utentes elegíveis realizar programas de fisioterapia à distância, com acompanhamento de fisiatras e fisioterapeutas, reduzindo a necessidade de deslocações.
Foi também apresentado um projeto-piloto das Equipas de Cuidados Continuados Integrados, inicialmente nas equipas de Bragança e Macedo de Cavaleiros, para reforçar o acompanhamento domiciliário de pessoas em situação de dependência. Atualmente, as ECCI da ULS do Nordeste acompanham, em média, 85 doentes por dia.
A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados passa ainda a contar com uma Equipa Coordenadora Local única para toda a ULS, com polos em Mirandela e Miranda do Douro, enquanto uma nova Equipa Local de Acompanhamento ficará responsável pelo apoio à coordenação clínica e pela monitorização da qualidade dos Cuidados de Saúde Primários.
MIRANDELA HOMENAGEIA ATLETA COM MAIS DE 22 ANOS NA PESCA DESPORTIVA
A atleta mirandelense conta no currículo com um título de Campeã do Mundo por Equipas, um 8.º lugar individual em competição internacional e vários títulos de Campeã Nacional.
Além do percurso enquanto atleta, Maria Rosa Cristino Baptista assumiu também funções de dirigente federativa, mantendo uma ligação à modalidade e contribuindo para a sua representação nacional.
A homenagem pretende reconhecer o percurso desportivo da atleta e o contributo para a projeção da pesca desportiva portuguesa, bem como para a afirmação de Mirandela no panorama nacional e internacional.
MIRANDELA ASSINALA DIA MUNDIAL DO TURISMO COM PEDDY PAPER GUIADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Ao longo do percurso, os participantes terão o ChatGPT como guia, recebendo através da ferramenta pistas, desafios e informações sobre os diferentes locais incluídos no roteiro.
A atividade propõe um percurso pedonal pela cidade, dirigido a famílias e grupos, com passagens pela Estação das Artes, Museu da Oliveira e do Azeite, Ponte Velha, Ecoteca, Porta de Santo António e Paço dos Távoras, antes do regresso à Estação das Artes.
O Peddy Paper decorre entre as 20h00 e as 22h00 e pretende proporcionar uma forma diferente de conhecer o património de Mirandela, recorrendo às novas ferramentas digitais.
Executivo de Macedo de Cavaleiros quer retomar projeto da Casa dos Magistrados
O presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, explica que o executivo está a fazer um levantamento do património e aguarda também uma definição por parte do Estado relativamente aos imóveis que poderão ser cedidos aos municípios:
“É assim, nós, quando entrámos como novo executivo, uma das questões é exatamente os nossos imóveis, o nosso património.
“Estamos a fazer um levantamento daquilo que nos pertence e depois também há aqui uma linha ténue daquilo que é do município e daquilo que é do Estado.“
“As câmaras vão ter uma lista dos imóveis disponibilizados pelo Estado para escolher até ao final do ano.”
Entre os imóveis que podem entrar nesta equação está precisamente a Casa dos Magistrados.
Sérgio Borges diz que o projeto continua a ser uma prioridade do executivo, mas sublinha que será necessário avaliar as condições dos edifícios e os custos de uma eventual recuperação:
“A Casa dos Magistrados é, obviamente, uma antiga ambição, que já vem de trás, e não deixa de ser também a ambição deste executivo.”
“Temos que ver como estão os edifícios e é de louvar esta iniciativa, mas, obviamente, tendo em conta o estado dos imóveis.”
“Porque, se tivermos um imóvel que exija um grande investimento só para o recuperar, também não faz sentido.”
A autarquia ainda não tem, por isso, um valor definido para o investimento.
O presidente da Câmara admite que a verba poderá vir a ser incluída no orçamento municipal, embora, devido à altura do ano, o investimento possa transitar para 2027:
“Tudo o que é investimento, tudo o que é obra, tem que estar plasmado no orçamento.”
“Temos que realmente ter essa lista, avaliar caso a caso e perceber qual o valor total que temos que investir nesses imóveis.”
Para Sérgio Borges, a recuperação e utilização destes imóveis poderá também contribuir para atrair e fixar entidades e instituições no concelho.
O projeto da Casa dos Magistrados fica, assim, em aberto, dependente da lista de imóveis disponibilizada pelo Estado, da avaliação das condições dos edifícios e dos custos necessários à sua recuperação.
Talhas acolhe Festa das Vindimas e da Amêndoa este fim de semana
A programação tem vindo a crescer e, este ano, apresenta algumas novidades, entre as quais jogos tradicionais, uma sessão de cinema ao ar livre e a exposição “Memórias da Casa Antiga”, instalada no salão da antiga Escola Primária. O presidente da Junta de Freguesia de Talhas, José Vilar, explica que a mostra pretende recriar o ambiente das antigas casas da aldeia:
“Este ano também temos, para quem quiser visitar, um museu em miniatura. Construímos este museu para relembrar a nossa casa de antigamente, o que era a casa da aldeia. Vamos colocar algumas peças para que as pessoas relembrem o que havia dentro das nossas casas.
A exposição será realizada na antiga Escola Primária. Temos um salão no primeiro piso e será aí que vamos ter esta pequena exposição, uma espécie de museu em miniatura.”
A feira vai contar com 18 expositores, que vão apresentar produtos locais, artesanato, maquinaria e tratores agrícolas, numa iniciativa que procura valorizar aquilo que é produzido na aldeia e na região.
Para esta quinta edição, as expectativas são positivas, garante José Vilar:
“As expectativas para a feira são boas. O objetivo é promover os produtos da terra, da região, e atrair pessoas. As aldeias estão cada vez com menos gente e organizamos estes eventos para fomentar o convívio e fazer mexer um pouco a aldeia. Tentamos promover o contacto entre as pessoas e fortalecer as ligações entre todos.
Depois, queremos também promover os produtos que temos aqui e que são tão bons, aos quais talvez não demos o valor que devíamos, sejam os produtos naturais ou os transformados pelas pessoas.”
O programa inclui ainda uma caminhada, que conta já com cerca de 40 inscritos, e vários momentos de animação musical, com a Banda de Latos de Bagueixe, concertinas, gaita de foles, o grupo Os Abelhudos e a banda Midnes.
A organização espera receber muitos visitantes ao longo dos dois dias:
“Estamos à espera de muitos visitantes. Já me disseram que poderão vir pessoas até do estrangeiro, além das pessoas das aldeias da região. Apelo a que nos venham visitar, pelo menos os habitantes da aldeia, que deem um saltinho, porque é bom.”
A Festa das Vindimas e da Amêndoa chega, assim, à quinta edição, com dois dias dedicados à valorização dos produtos locais, com destaque para as uvas, o vinho e a amêndoa, mas também ao convívio, ao fortalecimento das ligações entre a comunidade e à dinamização da aldeia.
Projeto ECOS é apresentado na Noite Europeia dos Investigadores
Um dos objetivos é perceber de que forma o ensino artístico especializado em música pode contribuir para a educação, a cultura e o desenvolvimento do território.
A investigação é desenvolvida pelo Centro de Investigação Transdisciplinar em Educação e Desenvolvimento da Universidade Politécnica de Bragança e envolve cerca de quatro investigadores.
Tiago Madalozzo, investigador responsável pelo projeto, explica que o estudo vai decorrer ao longo de 12 meses e pretende analisar os primeiros anos de atividade do Conservatório:
“O objetivo é dar a conhecer à comunidade científica o que é que acontece no âmbito do Conservatório Regional de Macedo de Cavaleiros e de que modo as atividades pedagógico-musicais têm não só o ensino especificamente de música, mas também a ideia de promover um espaço de acesso da população a esse tipo de atividade que, durante muitos anos, não era uma procura possível de ser satisfeita na região.”
A investigação vai recorrer a entrevistas, observação de aulas e atividades e análise de documentos do próprio Conservatório, procurando perceber não só a dimensão pedagógica, mas também a relação da instituição com a comunidade e com o território.
Esta questão ganha particular importância numa região onde, segundo Vasco Alves, diretor do Conservatório e também investigador do projeto, o acesso a este tipo de ensino continua a ser mais limitado:
“O que acontece é que, no interior e principalmente aqui na nossa região, não existem muitas estruturas que permitam às crianças e aos jovens ter acesso a esse direito.
Grande parte das instituições de ensino que oferecem este tipo de formação artística estão confinadas ao litoral.”
O projeto ECOS pretende, assim, perceber de que forma uma instituição como o Conservatório pode contribuir para combater estas assimetrias e reforçar a participação cultural e a coesão territorial.
A investigação poderá também ter uma dimensão para além de Macedo de Cavaleiros. Os investigadores querem perceber se a experiência do Nordeste Transmontano pode ser útil para outros territórios periféricos:
“O caso da região do Nordeste Transmontano tem a sua especificidade, mas, ao mesmo tempo, há outras regiões, inclusive em outros países da Europa, que também passam por essas mesmas necessidades e em que talvez uma instituição como o Conservatório possa ser uma das possibilidades para se repensar essa situação e levar o ensino artístico especializado.”
Os primeiros resultados científicos deverão surgir no próximo ano.
O projeto ECOS vai acompanhar esta realidade para perceber o impacto que o ensino artístico especializado está a ter em Macedo de Cavaleiros e na região.
O projeto será apresentado na Noite Europeia dos Investigadores, em Bragança, que reúne mais de 30 bancas científicas, com a participação de centros de investigação da Universidade Politécnica de Bragança e de outras entidades ligadas à ciência e à inovação.
O programa inclui ainda atividades de astronomia, desporto e bem-estar, música e animação, numa iniciativa que pretende aproximar a investigação científica da comunidade.
Fotografia: Brandão
Centro Tecnológico Especializado – Área Industrial da Abade de Baçal tem restaurante aberto à comunidade
O Centro Tecnológico Especializado contou com um investimento promovido no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência e integra, entre outros espaços, uma Cozinha e um Restaurante Pedagógico dotados de equipamento profissional. Trata-se de uma infraestrutura destinada à formação prática dos alunos dos cursos profissionais do Agrupamento, mas igualmente vocacionada para a articulação com o tecido empresarial da região e para a qualificação de ativos, num território onde a oferta formativa especializada assume particular relevância para a fixação de jovens.
Universidade de Bragança e Centro de Formação Prepara assinam protocolo para duas formações
A entrada em vigor da nova Lei de Estrangeiros mudou as condições para quem pretende imigrar para Portugal por meio do visto de estudo. Desde 11 de setembro, os cursos profissionais deixaram de poder fundamentar novos pedidos de autorização de residência. A alteração coincide com a entrada em vigor de um protocolo entre as duas instituições que abrange os cursos de Técnico Especialista em Tratamentos de Estética e Bem-Estar e de Técnico Especialista em Marketing Digital, informou o Centro de Formação Prepara.
“Agora, quem pretenda vir para Portugal para frequentar um destes cursos terá de pedir o visto no consulado português no país de origem e aguardar a decisão antes de viajar. Para se candidatarem, os interessados deverão ter concluído o ensino secundário, correspondente ao ensino médio brasileiro, e solicitar a equivalência do certificado de conclusão numa escola secundária pública portuguesa”, explicam numa nota de imprensa.
O protocolo já se encontra em vigor e foi apresentado publicamente durante a segunda edição do Universo Prepara, realizada a 12 de setembro, no Porto. O acordo permitirá também aos alunos dar continuidade ao seu percurso académico após a conclusão dos cursos. No curso de Técnico Especialista em Marketing Digital, a articulação será feita com a licenciatura em Marketing da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (EsACT). Já os alunos de Tratamentos de Estética e Bem-Estar poderão candidatar-se à licenciatura em Dietética e Nutrição da Escola Superior de Saúde (ESSa).
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Município de Bragança e Águas do Norte reforçam cooperação institucional
A reunião foi realizada num ambiente de cordialidade e de cooperação institucional, tendo como objetivo principal a discussão de diversos assuntos relacionados com os serviços de distribuição de água e de saneamento de águas residuais, que a Águas do Norte presta no Município de Bragança.
Neste âmbito, o Presidente do Conselho de Administração da Águas do Norte destacou a importância da articulação próxima com os Municípios, realçando que é através deste diálogo constante que se consegue garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos e o cumprimento das metas ambientais. A Águas do Norte reafirma, assim, a sua missão de prestar serviços públicos com elevados padrões de qualidade, promovendo o desenvolvimento regional e a preservação ambiental.
HUMANIDADE
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Ernesto José Rodrigues - ‘A humanidade não se salva se o mal nos torna maus, pois seremos iguais a quem, assim, nos venceu’
Quando é que surgiu a sua vontade de escrever ficção e de publicar?
Confessei, no limiar da tese de doutoramento (1996), ter entrevisto, em Cuore. Libro per i Ragazzi (1886), a primeira, e inolvidável, relação entre contar e comover. A ilusão era completa: tratava-se de “un alunno di terza”, de oito anos, como eu, que “notava man mano in uno quaderno, come sapeva, quello che aveva visto, sentito, pensato, nella scuola e fuori”. Eu perseguia, mormente, o excitante ‘Racconto mensile’, por fim em lágrimas no que narra as andanças do pequeno genovês Marco, que, “Dagli Apennini alle Ande”, busca as origens, seja, a mãe – motivo de eleição na minha prosa. Longe de mim compreender que, nesse Coração traduzido por Miguel de Novaes (irmão de Faustino Xavier e de Carolina, casada com Machado de Assis), sobrenadava a visão de uma outra Itália, na pós-unificação, úbere de virtudes e patrioticamente sentimental. Ou como um país de comunas, senhorias, fragmentos – assim as aventuras encaixadas no percurso da personagem –, se torna adulto.
Esse desejo inconsciente de emular quem nos surpreende activou-se desde os dez anos; aos 14, tinha dez capítulos à Camilo bem argumentados, e, aos 16 [1972], em vésperas de me estrear na poesia (Inconvencional, 1973), inaugurava a contística de A Flor e a Morte (1983), variedade precedida pela estreia ficcional de Várias Bulhas e Algumas Vítimas (1980). A publicação desta novela, celebrada no tempo, impôs-se desde 1978, quando já ia em três livrinhos de versos e presença na antologia de Maria Alberta Meneres, O Poeta Faz-se aos Dez Anos (Assírio & Alvim, 1973).
Onde é que, por norma, encontra a inspiração para escrever as suas obras?
Viageiro atento a factos civilizacionais, com cinco anos em expatriamento dourado sobre o Danúbio, tudo vai do espírito do lugar, que me fez, simultaneamente, comunidade local e regional, ou já povo transladando-se em continentes. Desde João de Barros e da nossa rica cronística, História e Geografia são índices de Modernidade; no meu caso, uma geografia particular, ora na Pátria Breve (2000) nordestina, ora em movimento, que cumulei n’A Serpente de Bronze (1989), rodando entre Santa Apolónia e Budapeste, na demanda de uma Europa unida, ou casa comum europeia concretizada em 2004. Rolam Espanha, França, Alemanha, Áustria, e convoco Itália, segundo personagens incomuns. Lisboa e Bled (Eslovénia) quinhentistas são cenário n’O Romance do Gramático (2011); Londres e o Afeganistão, em Uma Bondade Perfeita (2016). Moçambique está em dois romances inéditos. E correm, entretanto, a par da linha de Cascais, de uma Lisboa parlamentar (Passos Perdidos, 2014), uma Torre de Dona Chama (1994) natal e A Casa de Bragança (2013), cidade onde me justifiquei escritor, e nos passeia até Fez e Europa Central medievas. A História vem desde D. Afonso Henriques, segundo parataxes e outras formas de apresentação do tempo.
Quais as temáticas mais presentes na sua escrita?
Demanda e desvelamento, em busca da conseguida serenidade. Pais e filhos que se buscam, mesmo se julgam ir noutro sentido, como no inédito Um Passado Imprevisível. Outrem também dirige as nossas vidas, e, ainda que ao lado, há rostos fechados que a composição ilumina. Enquanto se constrói uma relação, cria-se um espaço, seja o da língua portuguesa em seus vultos maiores, seja o de uma nova Europa, mas também o da memória de infância, de uma juventude filtrada, até ao sacrifício digno e à bondade.
Que aspectos destacaria na sua mais recente obra, Uma Bondade Perfeita, que acaba de vencer o Prémio PEN Clube Português (Narrativa)?
Numa alternância de dois narradores (com seus nomes curiosos, Clemente e Filodemo, a par dos demais, significativos, cuidado que sempre tenho) sempre aquém da omnisciência, tem este romance, logo nas primeiras linhas, solução que só se abre na última página. Esta diligência ‘policiária’ acompanha-me regularmente.
Em 2010, quando o terminei, falava-se pouco de refugiados, mas eu sentia que essa condição em que ciclicamente se vê a humanidade voltaria a assombrar a Europa e o Mediterrâneo. Também cabe à literatura sinalizar ameaças. O pano de fundo de uma catástrofe colectiva remetia-nos, ao tempo, para o Afeganistão, onde coloquei, numa guerra e lugares indefinidos, vítimas de carne e osso, percursos individuais determinados pelo psicopata Menigno.
Quem nos salva é, não o altruísmo mecânico de mãe biológica, mas Ágata (bondosa, em grego), que, erguida entre as maiores violências, persegue o bem supremo da paz de consciência, e culmina neste Séneca: «Sabes o que eu chamo ser bom: ser de uma bondade perfeita, absoluta, tal que nenhuma violência ou imposição nos possa forçar a ser maus.»
A humanidade não se salva se o mal nos torna maus, pois seremos iguais a quem, assim, nos venceu. É isso a escalada da guerra, não raro alimentada pelos media manipuladores. Ser defensivo é outra coisa, e, desde logo, obviar à iniquidade, que conduz à servidão, nem que a única saída, sempre em aberto, seja a morte – digna, como a de Ágata.
Quais os momentos mais marcantes no seu percurso enquanto escritor?
Afora a emoção da estreia (1973), cujos 40 anos foram comemorados com dois títulos – Do Movimento Operário e Outras Viagens, poesia, e A Casa de Bragança – e celebrações oficiais nesta cidade, na terra natal e na Assembleia Municipal de Mirandela, retenho a recepção crítica tangente às sugestões narrativas de Várias Bulhas… e às aventuras da língua e de modos dialógicos n’A Serpente de Bronze, enquanto espero que alguém veja a disseminação polifónica de Bakhtine em Torre de Dona Chama. Como não me distingo do investigador, crítico e ensaísta que também sou desde a adolescência, marcante foi, após 23 a pensar em Tomé Pinheiro da Veiga, editar-lhe Fastigínia (2011), sabendo embora que Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal (1998) tem maior repercussão. Enfim, o tradutor agradeceu os galardões máximos do Estado húngaro atribuídos a um intelectual estrangeiro.
O que é, para si, um bom livro?
É aquele que autoriza estas perguntas: como se combinam, pertinentemente, os elementos na sistematização, ou concorrência, da obra? Como se inscreve esta, e o seu género, na solidária evolução literária? Como se relaciona (e, com ela, o sistema agora já transformado) com os díspares subtextos (social, económico, etc.)? Nem todos os livros são essa composição problemática.
Sei, também, que, sendo (1) instituição, a obra vive na sua precária (2) autonomia interna; se for (3) um saber primeiro – que me comove –, e puder questionar as bases da inquietação e prazer, para em mim encontrar o que no texto vejo, melhor ainda. Nem sempre coincide essa tripla frente; mas bastam alguns reconhecimentos no criador que sou, além de leitor, para considerar o livro bom.
E o que faz de um escritor um bom escritor?
Eu desejo morrer escritor, sem o valorativo bom, que posso aplicar às obras (desde logo, às anónimas); mas uns são preferidos a outros, como sabe quem actualizou o Dicionário de Literatura (2003-2004) de Jacinto do Prado Coelho. Capricho do tempo, podem ser melhores, sem que os ausentes não deixem de ter qualidade. Estou verbetado em vários dicionários; não, neste.
Para terminar, gostaríamos que nos indicasse os seus 7 escritores de eleição e os 7 livros que, indubitavelmente, recomendaria.
Escrevi sobre, e traduzi, umas centenas de títulos, além de ter falado sobre outros em aula, e lido obras-primas que não verti em prosa crítica. O herói d’A Serpente de Bronze leva para férias europeias cinco livros: Os Lusíadas; Peregrinação; História Trágico-Marítima; Itinerário, do padre Jerónimo Lobo; Jornada d’el-rei D. Sebastião a África. São exemplares, inclusive no anonimato autoral, de imagens da nação, que persigo. Substituo os dois últimos pela Castro, de António Ferreira, e Fastigínia, completando o septeto com Os Maias e a minha edição crítica d’A Queda Dum Anjo (2016). Autores de eleição: Cervantes, Flaubert, Kafka, Pessoa, Buzzati, Borges, Márai.
in:escritores.online


























