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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 25 de julho de 2026

Ontem realizou-se a Cerimónia Militar de Juramento de Bandeira do 4.º Curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército de 2026, no Regimento de Infantaria n.º 19, em Bragança.

Festas, Festividades e Eventos

Bebé nasce em ambulância na zona do Azibo durante transporte para o Hospital de Bragança

 Uma mulher, de 41 anos, deu à luz na manhã desta terça-feira, durante o transporte para o Hospital de Bragança.


O alerta foi dado por volta das 05h20 para o nó de Bornes, para uma mulher em trabalho de parto, com contrações de três em três minutos.

A grávida foi avaliada no local até à chegada da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Bragança, tendo sido depois iniciado o transporte para o Hospital de Bragança.

Ao chegar à zona do Azibo, a mulher entrou em trabalho de parto. O bebé acabou por nascer cerca das 06h30, sem complicações.

Mãe e bebé foram transportados para o Hospital de Bragança.

Íntimos

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


Dias íntimos estes, 
entre o sonho e o desejo de nada sentir em vão. 
Dias e tardes com a música da terra debaixo dos pés descalços 
e a vontade de um piano 
a sussurrar notas doces no recolhimento do peito. 
O real da vida 
debruçado sobre as folhas soltas da brisa 
que o sol beijou ainda ontem. 
E ergue-se 
a bucólica fragrância dos instantes felizes 
enquanto a tarde estremece num ritmo morno. 
Apenas vibrações que escutam, quietas, 
a carícia das aves escondidas 
e o som disperso das vozes secas de outono. 

Não entendo a fala mágica dos pássaros, 
mas isso, pouco importa…
Sei que são vozes surpreendentes 
de muitos poemas  
no fio invisível deste dourado tempo.


Paula Freire
. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome. 
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua. 
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

QUEDAS

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Há dias em que minhas asas, estão frágeis como a seda, e quebram. Não é sempre por um impacto súbito ou por um vendaval inesperado, mas, por uma soma silenciosa de pesos que se acumulam. Como se cada sonho adiado ou cada lágrima contida fosse um fio a mais a desgastar a sua estrutura.

E, quando se quebram, caio. Não é uma queda grandiosa, é uma descida lenta, quase impercetível, como uma folha que se desprende da árvore sem alarde, mas com tristeza.

No chão, os meus pedaços espalham-se. São fragmentos de mim que já voaram alto, e que já tocaram o céu. De mãos trêmulas, apanho-os, e mais uma vez colo as asas.

Não é um trabalho perfeito, e nunca será. Ficam sempre marcas e cicatrizes. Já não são as mesmas asas de antes, mas são as minhas asas, remendadas com coragem e persistência.

Quando olho para trás, vejo que não é o céu que me define, nem a queda. É a escolha de continuar colando as asas, mesmo quando o mundo parece querer manter-me no chão.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

ONDE SE FALA DE MARIA, E DOS LOBOS QUE VIVEM NO TEMPLO

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Estando em Viana do Castelo, em veraneio, assisti a curiosa e instrutiva homilia. O sacerdote, tentava explicar, cautelosamente, que Maria é uma só – A Mãe de Jesus.

As invocações, os santuários, festas e romarias a Nossa Senhora de...; não significam que haja várias, mas uma, com diversas denominações.

Escuto agora, após a monumental peregrinação a Fátima, dizer: " Tenho muita devoção a nossa Senhora de Fátima!" 

Saberá, quem o disse, que deveria dizer: “Sou devoto de Maria.”; seja a de Fátima, de Lurdes, Aparecida ou do Brasil.

Muitos asseveram: que prestam culto a Nossa Senhora. Ora a Maria: presta-se – adoração – pela santidade e por ser a Mãe de Jesus.

A Veneração a santos – não a imagens, – melhor seria, aos contemporâneos, expor só fotografias. A veneração aos santos, chamamos: dulia; à Mãe de Jesus: hiperdulia.

Devemos evangelizar os infiéis, e – cristianizar os cristãos: para serem profetas esclarecidos, e aptos a diferenciarem o trigo do joio: dos que se servem do ambone, para tosquiarem as ovelhas, e dos que servem do púlpito, para servir o Senhor.

Falsos profetas e marombistas, pululam nas Igrejas, como lobos famintos, para obterem ascensão social e financeiro

Não costumam pregar o Evangelho; nem ensinar a doutrina de Jesus; mas apenas, espalhar ideologias perniciosas, e divulgar o que o povo quer e gosta de ouvir.

Vamos à escola para aprendermos a sobreviver na sociedade, que criamos. Do mesmo modo devemos ir à catequese ou à escola dominical, para discernir: o bem do mal, – do maligno, espalhado pelos meios de comunicação social, e transmitido, em catadupas.

A porta do templo está aberta, até os cachorros entram... Por isso vegetam, também por lá, de fisionomia seráfica, “peixinhos vermelhos”, que nadam, na pia de água-benta! Quiçá, mais entre católicos, que nos evangélicos, porque estes não costumam usarem água-benta...


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Passeriformes terão evoluído por surtos motivados por alterações do clima

 Ao longo da história da Terra, as aves da ordem Passeriformes evoluíram através de rápidos surtos evolutivos que, frequentemente, coincidiram com alterações climáticas, revela um novo estudo científico.

Pisco-de-peito-ruivo. Foto: Wolfgang Vogt/Pixabay

Os cientistas já sabem que a evolução dos organismos ocorre em impulsos rápidos, seguidos de períodos de desaceleração. Este padrão tem sido revelado por registos fósseis.

Agora, ao estudar os passeriformes, uma equipa de investigadores da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, conseguiu identificar esses surtos evolutivos analisando medições do esqueleto de exemplares atuais, pertencentes a 2057 espécies. Além disso, verificaram que estes episódios coincidiram com mudanças climáticas ocorridas no passado.

“Este resultado é muito importante para a teoria da evolução porque existe uma longa tradição, com cerca de 100 anos, que prevê que o aparecimento de novos grupos, designados por radiações evolutivas, está frequentemente associado a uma explosão de diversificação”, comentou, em comunicado, Jake Berv, primeiro autor do estudo e investigador de pós-doutoramento na Escola para o Ambiente e Sustentabilidade da Universidade do Michigan.

“A teoria evolutiva prevê que as radiações adaptativas possam explicar uma grande parte da diversidade da vida na Terra”, continuou. “Isto pode acontecer devido ao surgimento de uma nova oportunidade ecológica ou porque um grupo colonizou um novo continente, provocando uma aceleração dramática da sua taxa de evolução. A ideia é que, com o passar do tempo, essas oportunidades diminuem à medida que a evolução avança, levando a um abrandamento. Segundo a teoria, este processo ocorre em impulsos ao longo do tempo. É isso que a teoria prevê e parece ser também o que observamos nos dados.”

As conclusões, obtidas através de inteligência artificial e de um modelo estatístico de grande escala, foram publicadas hoje num artigo na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Ver através do Skelevision

Para reconstruir a evolução deste grupo de aves, os cientistas da Universidade do Michigan analisaram mais de 2.000 espécies e recolheram mais de 170.000 medições individuais de esqueletos. Para construir uma base de dados desta dimensão, recorreram a uma ferramenta de inteligência artificial (IA) chamada Skelevision, desenvolvida pelo laboratório do investigador Brian Weeks – professor associado de Ciência e Gestão dos Ecossistemas na Escola para o Ambiente e Sustentabilidade da Universidade do Michigan – em colaboração com o laboratório de David Fouhey, da Universidade de Nova Iorque.

O Skelevision utilizou uma câmara para fotografar os esqueletos das aves sobre uma grelha de fundo que fornece uma escala de referência comum. Ao longo de sete anos de colaboração, Weeks e Fouhey desenvolveram um modelo de IA capaz de medir com precisão uma dúzia de ossos do esqueleto das aves.

Os investigadores utilizaram o Skelevision para digitalizar e medir mais de 15.000 exemplares de museu, a maioria proveniente das coleções do Museu de Zoologia da Universidade do Michigan. O processo de digitalização de cada exemplar demora 45 segundos, tornando possível digitalizar coleções inteiras.

Jake Berv desenvolveu depois um novo método estatístico, denominado bifrost, que permite analisar o esqueleto completo de uma espécie em simultâneo. Desta forma, foi possível estimar a evolução da forma corporal ao longo dos cerca de 45 milhões de anos de história evolutiva dos passeriformes.

Os investigadores concluíram que os passeriformes atravessaram um período de rápida evolução da forma corporal há cerca de 35 milhões de anos, coincidindo com a transição entre o Eoceno e o Oligoceno, uma época marcada por um acentuado arrefecimento global. A análise estatística identificou ainda um conjunto de desacelerações evolutivas ocorridas há cerca de 15 milhões de anos, coincidindo com outro importante acontecimento geológico.

“As nossas conclusões alteraram claramente a minha forma de pensar sobre o funcionamento do mundo”, reconheceu Brian Weeks. “O padrão que encontrámos – raros aumentos muito acentuados na taxa de evolução e muitas pequenas reduções dessa taxa – é consistente com a ideia de que as linhagens exploram novos nichos ecológicos e evoluem rapidamente para tirar partido dessas oportunidades.”

Uma descoberta adicional

Para testar os resultados, os investigadores analisaram depois o conjunto de dados à escala mundial. Descobriram que a região onde as aves vivem também permite prever a sua taxa média de evolução morfológica. As comunidades de aves que habitam latitudes mais elevadas e regiões com maiores oscilações sazonais de temperatura tendem a incluir espécies que evoluem mais rapidamente do que aquelas que vivem junto ao equador.

O facto de terem encontrado padrões semelhantes tanto ao longo do tempo como no espaço sugere que a variabilidade ambiental poderá desempenhar um papel importante na alteração da forma corporal das espécies.

“Parece existir uma ligação entre os gradientes latitudinais e as taxas de evolução morfológica que tem sido subvalorizada”, disse Weeks, em comunicado. “Espero que os nossos resultados incentivem uma maior integração das taxas de alteração morfológica noutras áreas importantes da investigação, como os bem conhecidos gradientes latitudinais da biodiversidade.”

O estudo destaca igualmente a importância do investimento nas coleções dos museus e mostra como os avanços da inteligência artificial podem ajudar os investigadores a tirar melhor partido destes recursos.

“Torna-se particularmente evidente como é importante investir nos museus quando pensamos na dimensão de uma análise como esta”, acrescentou Weeks. “Está muito para além daquilo que seria possível fazer apenas com exemplares recolhidos por um único investigador.”

E lembrou que “é impossível prever todo o valor científico que um espécime poderá vir a ter no futuro.”

Os investigadores consideram ainda que este estudo pode ajudar a compreender de que forma as espécies respondem às alterações climáticas provocadas pela atividade humana.

“Neste momento da história da humanidade estamos a viver uma fase de profundas alterações climáticas globais e não sabemos o que irá acontecer sequer nos próximos dez anos, quanto mais ao longo de dez milhões de anos”, afirmou Berv. “Se queremos compreender os impactos a longo prazo da atividade humana na Terra, temos de estudar a relação entre os acontecimentos da história do planeta e as grandes transições evolutivas.”

Este trabalho foi também apoiado pelo Michigan Institute for Data & AI in Society, pelo Natural Sciences and Engineering Research Council of Canada e pela National Science Foundation.

Projeto Floresta Comum abre candidaturas para distribuir mais de 75 mil plantas autóctones

 As candidaturas à 16.ª edição da Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones do projeto Floresta Comum abriram esta terça-feira, 22 de julho, e decorrem até 30 de setembro. Limitações técnicas num dos viveiros reduziram em dezenas de milhares o número de plantas disponíveis este ano.

Foto: Joana Bourgard

Nesta campanha estarão disponíveis 75.065 plantas de 39 espécies de árvores e arbustos.

O sobreiro, o teixo, o bidoeiro, o freixo e o azereiro são as cinco espécies produzidas em maior número nos quatro viveiros do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Destes, o de Amarante produziu 60.000 plantas, o de Valverde produziu 8180, o da Malcata produziu 5000 e o de Montegordo, 1885.

Segundo Pedro Sousa, coordenador do Projeto Floresta Comum (Quercus), esta edição disponibiliza um número muito inferior de plantas devido a limitações técnicas num dos viveiros.

No ano anterior, os quatro viveiros disponibilizaram um total de 110.000 e na época de 2023-2024, o número tinha chegado às 114.000 plantas.

“O número mais reduzido de plantas disponíveis este ano explica-se com limitações técnicas no viveiro da Malcata, um dos que mais produz”, explicou hoje à Wilder o responsável.

Pedro Sousa disse que nas imediações do viveiro da Malcata, onde num ano normal são produzidas entre 50.000 a 60.000 plantas, foi registada uma doença nas árvores e, por precaução, as espécies mais propensas a serem infetadas não foram produzidas “para não se correr o risco de propagar a doença por todo o país”. “Mas este foi um problema pontual que se irá resolver.”

O Floresta Comum, que vai na sua 16ª edição, apoia três tipos de iniciativas: projetos florestais e de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade, projetos educativos e projetos para parques urbanos, segundo um comunicado divulgado hoje pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, coordenadora do projeto. Desde o seu início, esta iniciativa já plantou 1.544.331 árvores.

Podem candidatar-se entidades responsáveis pela gestão de terrenos públicos ou comunitários, como autarquias e baldios, que pretendam desenvolver ações de reflorestação, conservação da natureza ou recuperação da biodiversidade.

Segundo a organização, o objetivo é “incentivar a criação de uma floresta autóctone com altos níveis de biodiversidade e de produção de bens e serviços do ecossistema”, escreve em comunicado.

Uma floresta autóctone é uma floresta de árvores originárias do próprio território. “A floresta autóctone portuguesa é toda a floresta formada por árvores originárias do nosso país, como é o caso dos carvalhos, dos medronheiros, dos castanheiros, dos loureiros, das azinheiras, dos azereiros, dos sobreiros, etc.”

De acordo com os promotores, a utilização de espécies autóctones tem várias vantagens ecológicas e de gestão do território. Estas plantas estão adaptadas às condições locais, tendem a resistir melhor aos períodos de seca, são geralmente mais resilientes a pragas e doenças e podem contribuir para aumentar a capacidade dos ecossistemas enfrentarem as alterações climáticas.

A oferta é muito inferior à procura

Segundo Pedro Sousa, a procura é muito superior à oferta e tem vindo a aumentar a cada ano que passa. “Na edição anterior recebemos cerca de 250 mil pedidos de plantas”, mais de o dobro das plantas efectivamente disponibilizadas.

O responsável acredita que esta procura irá aumentar ainda mais, uma vez que o Plano Nacional de Restauro da Natureza, que saiu de consulta pública a 19 de agosto, prevê inúmeras acções de reflorestação por todo o país.

“O Plano Nacional de Restauro prevê o reforço do número de viveiros para cerca de o dobro e também o reforço da capacidade de recolha de sementes geneticamente adequadas”, acrescentou.

Do Plano Nacional faz parte uma medida que visa criar uma rede nacional de viveiros florestais, “destinada a assegurar a disponibilidade, em quantidade e qualidade adequadas, de material florestal de reprodução compatível com os princípios da silvicultura próxima da natureza e com as exigências do restauro ecológico”.

A medida inclui a instalação, reabilitação ou recuperação de nove viveiros distribuídos pelo território nacional (um nos Açores, um na Madeira e sete no Continente). Esta rede deverá estar a funcionar em pleno até 2040. O grande desígnio é possibilitar que Portugal faça a “transição para modelos de gestão florestal mais resilientes, biodiversos e próximos da natureza”.

Por enquanto, os quatro viveiros em funcionamento têm, para este ano, 75.065 plantas. Aqui pode consultar todas as espécies disponíveis.

O regulamento da candidatura e os formulários estão disponíveis na página do projeto Floresta Comum.

Esta é uma parceria entre a Quercus, o ICNF, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). O projeto é parcialmente financiado através do Green Cork, iniciativa de reciclagem de rolhas de cortiça, e conta com o mecenato da REN.

Cuco, mocho-galego e andorinha-das-chaminés continuam a desaparecer de Portugal

 O mocho-galego, a andorinha-das-chaminés e o cuco estão entre as aves comuns que continuam a perder população em Portugal. A conclusão resulta de 22 anos de monitorização feita pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). O declínio é particularmente acentuado nos meios agrícolas.

Cuco (Cuculus canorus). Foto: RSPB Images

Segundo o Censo de Aves Comuns, em 2025, as dez espécies que registaram maior número de indivíduos foram o pardal (4812), o pombo-das-rochas (1764), o estorninho-preto (1588), a milheirinha (1564), o melro-preto (1552), a andorinha-dos-beirais (1503), a fuinha-dos-juncos (1442), a rola-turca (1378), a andorinha-das-chaminés (1324) e o verdilhão (1264).

Neste Censo, os indicadores ambientais calculados pela SPEA combinam as tendências populacionais de várias espécies representativas de cada habitat: 23 espécies agrícolas, 20 florestais e 25 urbanas.

Uma das conclusões deste Censo é que as populações de aves associadas aos campos agrícolas mantêm uma tendência negativa em Portugal Continental.

Em sentido contrário, as aves dos meios florestais apresentam uma evolução global positiva.

Pela primeira vez, a SPEA calculou também um indicador para os meios urbanos, que revela igualmente uma tendência positiva.

Ainda assim, no conjunto das 64 espécies analisadas, o indicador geral das aves comuns apresenta uma evolução negativa ao longo das últimas duas décadas.

“Os resultados deixam um alerta claro: a biodiversidade dos meios agrícolas continua sob forte pressão”, afirma, em comunicado, Hany Alonso, coordenador nacional do Censo de Aves Comuns e técnico sénior de Ciência da SPEA. Segundo o responsável, embora a evolução positiva dos indicadores florestal e urbano seja um sinal encorajador, ela não compensa a perda de biodiversidade nos meios agrícolas nem o declínio de espécies como a laverca, a andorinha-das-chaminés ou o cuco.

Quase metade das espécies agrícolas está em declínio

O indicador dos meios agrícolas é construído a partir da evolução de 23 espécies representativas deste habitat desde 2004. Dessas, dez (cerca de 43%) apresentam um declínio moderado, oito têm uma tendência estável e cinco têm uma tendência positiva.

“A andorinha-das-chaminés e o mocho-galego são as espécies que apresentam maiores declínios nos últimos dez anos”, destaca o Censo das Aves Comuns. 

Destas 23 espécies de aves que dependem dos meios agrícolas, aquelas com maiores declínios nos últimos 22 anos são o mocho-galego, o carraceiro, o pintassilgo, o peneireiro, a andorinha-das-chaminés, o picanço-real, o abelharuco, o pardal, o cartaxo e a milheirinha.

As cinco espécies que registam tendência positiva são a cegonha-branca, a fuinha-dos-juncos, o milhafre-preto, a pega e o estorninho-preto.

Nos meios florestais, apesar da evolução positiva do indicador global, cinco das 20 espécies avaliadas registam tendências negativas: o picanço-barreteiro, o cuco, a cotovia-dos-bosques, o chapim-real e a rola-brava.

O pombo-torcaz foi a única espécie florestal a registar um aumento acentuado. Com um aumento moderado surgem a trepadeira, o chapim-azul, o pisco-de-peito-ruivo, o peto-ibérico e a toutinegra-de-barrete.

O relatório identifica ainda outras espécies em regressão, como a felosa-poliglota, o peneireiro-cinzento e a alvéola-cinzenta. A laverca e a águia-caçadeira registam declínios acentuados, enquanto a perdiz-comum, o chasco-ruivo e o rouxinol-grande-dos-caniços apresentam igualmente tendências negativas.

Segundo a SPEA, o declínio das aves é transversal a diferentes ecossistemas e grupos ecológicos, afetando espécies insetívoras, granívoras e carnívoras. Ainda assim, é nos meios agrícolas que a perda de biodiversidade é mais evidente, envolvendo tanto espécies residentes como migradoras.

Maior participação reforçou o censo em 2025

A campanha de 2025 contou com a monitorização de 52 quadrículas de 10 × 10 quilómetros em Portugal Continental, o valor mais elevado desde 2014 e mais de 40% acima do registado nos anos anteriores. No total, foram realizados censos em 1040 pontos de escuta distribuídos pelo território.

Segundo a SPEA, este aumento da participação permitiu recolher mais informação e melhorar a capacidade de acompanhar as alterações nas populações de aves. Cerca de 73% dos participantes completaram as duas visitas previstas na metodologia do programa.

Desde o início do censo, em 2004, já foram recolhidos dados em 179 quadrículas do continente. Dessas, 37 foram monitorizadas durante mais de dez anos e 92 durante mais de cinco anos, permitindo construir séries temporais particularmente importantes para avaliar alterações de longo prazo.

Nos Açores, o censo de 2025 decorreu nas nove ilhas, envolvendo 29 voluntários e colaboradores da administração regional, que monitorizaram 20 quadrículas. Foram calculadas tendências para 17 espécies, destacando-se o aumento da rola-turca e as tendências negativas da toutinegra-dos-Açores e do milhafre.

Na Madeira, foram monitorizadas cinco quadrículas e 86 pontos de escuta. Aqui, a SPEA quer reforçar a participação no arquipélago para obter avaliações populacionais mais robustas nos próximos anos.

Esta iniciativa assenta no trabalho de observadores voluntários que, durante a primavera, visitam áreas previamente selecionadas e registam todas as aves vistas ou ouvidas em pontos de escuta. Os dados recolhidos contribuem também para a avaliação das aves comuns à escala europeia.

Para garantir a continuidade do programa, a organização considera prioritário manter o apoio aos voluntários, promover ações de formação, reforçar a coordenação regional e assegurar financiamento estável para a recolha, análise e divulgação dos resultados.

“As espécies comuns estão-nos a dizer que o que se passa no nosso ambiente é bastante alarmante”

 Esta semana a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) revelou o resultado do Censo de Aves Comuns. O seu coordenador, Hany Alonso, fala à Wilder sobre a importância das aves que estamos tão habituados a conhecer e de as continuar a monitorizar. Ainda que não haja financiamento assegurado.

Mocho-galego (Athene noctua). Foto: El Golli Mohamed/Wiki Commons

WILDER: Porque é preciso preocupar-nos com espécies comuns e não apenas com as raras e ameaçadas?

Hany Alonso: O nosso planeta é composto por uma diversidade incrível de espécies e essa é a sua maior riqueza, a nossa biodiversidade. À medida que a ação humana tem conduzido a alterações profundas nos nossos ecossistemas, as espécies vão respondendo às mesmas; algumas mantêm-se e outras vão diminuindo em abundância e chegam mesmo a desaparecer. Para melhor compreendermos o que está a acontecer não basta olharmos para as espécies ameaçadas ou raras, que são, apesar de tudo, em termos quantitativos, uma pequena parte do todo. Olhando para as espécies comuns – as que têm uma distribuição alargada, compõem a maior parte da biomassa da biodiversidade e desempenham papéis cruciais nas relações tróficas – podemos ter uma ideia muito mais fidedigna do que está a acontecer. Na América do Norte, olhando para as aves comuns, percebemos que em 50 anos perdemos 29% da avifauna. Na Europa, a perda foi de cerca de 25% em pouco mais de 30 anos. Tudo isto foi-nos dito pelas espécies de aves comuns, através de monitorizações similares ao Censo das Aves Comuns.

Mas o mais importante é que as aves comuns também funcionam como um indicador do que está a acontecer nos ecossistemas e o significado real destas perdas é exponencialmente maior. Para que as aves insetívoras estejam em declínio houve perdas muito significativas de insetos e invertebrados, e para que os meios agrícolas tenham perdido muitas aves, outros grupos de organismos, incluindo plantas e outros pequenos vertebrados também foram muito afetados.

É obviamente importante monitorizar e trabalhar prioritariamente na conservação das aves ameaçadas, mas aquilo que as espécies comuns nos estão a dizer é o que se passa no nosso ambiente, e é bastante alarmante.

W: Há alguma espécie que o preocupe particularmente?

Hany Alonso: Infelizmente, há várias espécies que me preocupam, pois são várias as que apresentam uma situação de declínio de longo-termo, incluindo espécies bastante comuns como os pardais, pintassilgos ou milheirinhas. Mas destaco três casos que, não sendo novidade, merecem alguma atenção, sendo que estas três espécies partilham algumas características, todas elas são insetívoras e migradoras de longa-distância: 1) o picanço-barreteiro, por ser uma das espécies que evidenciam um declínio mais acentuado. Tanto os seus números como a sua área de distribuição têm estado a cair. 2) o cuco, por ser uma espécie icónica que as pessoas conhecem bem por causa da sua vocalização característica. Este migrador de longa-distância, tem diminuído quer na sua área de distribuição enquanto nidificante, quer na sua abundância em Portugal. Não são claras as razões para este declínio, que também está a ocorrer noutros países europeus, mas pode estar relacionado com diminuição de presas ou alterações na abundância das espécies hospedeiras. 3) Finalmente, a andorinha-das-chaminés. Esta é uma espécie cujo declínio surpreende a maior parte das pessoas. Para já, não é evidente nenhum declínio na sua área de distribuição mas a diminuição da sua abundância em Portugal e Espanha é significativa. As razões para o declínio são provavelmente multi-fatoriais: a perda de locais de nidificação, a diminuição de presas e as alterações climáticas estão entre as principais prováveis causas.

W: Acredita que este Censo consegue tirar uma boa fotografia do que está a acontecer às nossas aves comuns? Ou ainda são precisos mais voluntários?

Hany Alonso: Acredito que, para a maioria das espécies, o censo consegue uma fotografia bastante razoável do estado das populações a nível nacional. Tanto assim é, que para uma grande parte das espécies, é evidente uma consistência nos resultados, apesar da cobertura espacial e dos participantes variarem um pouco de ano para ano. E quando olhamos para os resultados do censo realizado em Espanha, também são consistentes com os nossos. Muitas das espécies comuns que estão em declínio em Portugal também estão em Espanha, embora existam obviamente algumas diferenças.

Mas uma boa fotografia não é a fotografia que nós queremos. Queremos a melhor fotografia possível e queremos que essa fotografia nos permita avaliar bem o estado da avifauna em todas as regiões do país. Sabemos que ainda temos um esforço de amostragem heterogéneo e que o estado das espécies não é igual em todo o território. Por isso são precisos ainda mais voluntários e, simultaneamente, tentar cobrir regiões do país que estejam menos cobertas pelo censo.

Em 2025 tivemos 52 voluntários no continente e mais de 30 voluntários e colaboradores nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. É um resultado muito positivo, e devemos isso ao incrível esforço e dedicação dos nossos voluntários, e no caso dos Açores também à colaboração com a Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, que se tem disponibilizado para colaborar e participar nas monitorizações. No entanto, sendo este um projeto de monitorização de longo-termo, esta é uma corrida contínua e que tem sempre bastante desgaste. Envolver os cidadãos implica dedicar tempo a angariar novos voluntários e sobretudo a cuidar dos que participam no censo, ano após ano. Acho que também temos muitas melhorias para fazer e o desafio de concretizá-las com recursos muito limitados. Este ano (2026) ainda não fechámos as contas da participação no censo, porque ainda estamos a receber dados, mas é provável que não ultrapassemos os números de participação de 2025.

W: Porque decidiram incluir, pela primeira vez, um indicador ambiental urbano e qual a sua importância?

Hany Alonso: Ao longo dos últimos anos, temos equacionado a hipótese de lançar um programa de monitorização específico para as aves no meio urbano, algo que nos permita avaliar as tendências das espécies de aves nestes ambientes, mas que também permita avaliar o estado geral da biodiversidade nas cidades e outros aglomerados urbanos. É uma necessidade evidente, visto que há poucos indicadores ambientais no meio urbano e essa informação pode ajudar-nos a definir estratégias e medidas concretas que possam promover ou beneficiar a biodiversidade, ou mitigar ameaças existentes nos meios urbanos. Já concorremos com essa ideia em algumas candidaturas a projetos, mas infelizmente não avançaram. Decidimos por isso, para já, avançar com este indicador ambiental urbano no âmbito do Censo de Aves Comuns pois, apesar de não ser um programa direcionado exclusivamente aos meios urbanos, também recolhe informação nesses habitats.  Mas não desistimos da ideia anterior, pois achamos que é importante ter um programa de monitorização ambiental desenhado especificamente para o meio urbano, e que permita uma avaliação mais detalhada dos estado das suas populações de aves.

W: Este Censo já existe há mais de 20 anos e é usado como indicador ambiental. O que mudou nas políticas desde 2004 e porque é que, apesar disso, as aves dos meios agrícolas continuam a diminuir?

Hany Alonso: Têm existido mudanças nas políticas agrícolas desde 2004, mas é difícil dizer que têm sido no sentido de inverter estas tendências negativas das espécies dos meios agrícolas. Aliás, basta olharmos para a situação de algumas espécies ameaçadas dependentes dos meios agrícolas como o sisão ou o tartaranhão-caçador, cujos declínios têm sido acentuados, isto apesar de existirem medidas de conservação dirigidas a estas espécies. A verdade é que é necessário um maior compromisso por parte dos decisores políticos e a necessidade de dar mais prioridade à conservação da natureza. Não se trata de comprometer a atividade agrícola, bem pelo contrário, é simplesmente assumir que a promoção da biodiversidade tem de fazer parte da atividade agrícola. Precisamos trabalhar todos em conjunto para que os nossos campos agrícolas sejam compatíveis com a biodiversidade e todos saem a ganhar com isso, sobretudo as gerações futuras. Tenho noção de que estamos em contraciclo, mas nunca foi tão necessário que a política se envolva mais na conservação da natureza. 

W: O que revelam os resultados deste Censo sobre o estado da natureza e a conservação em Portugal?

Hany Alonso: Infelizmente, revelam que a perda de biodiversidade tem vindo a ocorrer ao longo das décadas, sobretudo nos meios agrícolas. Vale a pena frisar que os sistemas agrícolas e agroflorestais compõem uma parte muito significativa dos ecossistemas em Portugal, e que muitas das espécies dependem deles direta ou indiretamente, e foram-se adaptando lentamente aos mesmos à medida que o homem modelava a paisagem. São precisamente estes ecossistemas que recentemente têm sofrido transformações profundas mas sobretudo muito rápidas, deixando menos margem de manobra para que as espécies se adaptem às mudanças.

A intensificação agrícola é o grande problema, mas na verdade ela congrega ameaças muito diferentes que afetam a sobrevivência ou produtividade de muitas espécies. O uso de pesticidas e fertilizantes, as grandes monoculturas, o desaparecimento do mosaico agrícola, o abandono rural, a perda e a degradação do habitat, entre muitas outras. Para os insetívoros, o uso de pesticidas e a falta de diversidade na vegetação são problemas sérios. Para espécies que nidificam no solo – como a laverca, o tartaranhão-caçador, e muitas outras espécies – as alterações de larga escala nas práticas agrícolas tradicionais (nomeadamente o corte antecipado das culturas para feno, ao invés do corte tardio para produção de cereal) afetam a produtividade e demografia dessas espécies. 

Sabemos que a produção agrícola é necessária e que temos de trabalhar para garantir a nossa independência na produção alimentar. Mas precisamos de refletir sobre o estado da natureza e apostar em práticas e medidas que realmente beneficiem a biodiversidade e que compensem os efeitos negativos da intensificação agrícola. Não se trata de ir contra a agricultura, mas de trabalhar em conjunto com o setor para garantir práticas agrícolas mais amigas da natureza. Pode parecer estranho, mas proteger as galerias ripícolas, evitar a contaminação das linhas de água, dar preferência às sebes vivas, manter poisios e limitar o encabeçamento são práticas conciliáveis com uma produção agrícola eficiente e que promovem a biodiversidade e podem até ajudar na regeneração dos solos.

Mas há outros problemas noutro tipo de habitats, como as zonas húmidas ou habitats costeiros, sujeitos a inúmeras pressões relacionadas com atividades humanas. Olhando para o futuro de forma positiva, temos agora no Plano Nacional de Restauro, uma boa oportunidade de melhorar o estado da natureza em Portugal.

W: De onde vem o financiamento para este Censo?

Hany Alonso: Neste momento, o censo não tem financiamento assegurado. A execução da maioria do trabalho de campo tem sido garantida por voluntários, assim como a coordenação regional, sendo que os gastos com a preparação e análise dos dados, produção de relatórios e divulgação dos resultados do censo tem sido garantida pela SPEA, com recurso aos seus próprios fundos. 

Sem dúvida que a importância deste programa de monitorização justificava mais apoios, até porque isso permitiria investirmos mais nas atividades formativas e na melhoria da cobertura do censo, o que significaria mais dados e mais qualidade. E os dados têm sido muitíssimo utilizados. Os dados obtidos têm sido partilhados e utilizados pelas entidades administrativas, por exemplo, para que possam reportar o estado das espécies de Portugal na União Europeia. Têm sido partilhados com parceiros europeus para avaliação das tendências das espécies à escala europeia e também com a academia, para projetos científicos e para os estudantes desenvolverem as suas teses.

Há muitas razões para se investir mais nos programas de monitorização de longo-termo, pois os dados são a base do conhecimento, das avaliações do estado das espécies, da produção de indicadores e, em última instância, são a base para a tomada de decisões. Sabemos que sempre que forem precisos, os dados deste censo vão ser requisitados, por inúmeras entidades, e a SPEA irá fornecê-los pois sabemos da importância que têm. Mas sem querer repetir-me demasiado, ainda falta que se reconheça a importância de investir neste e noutros programas de monitorização da biodiversidade.

Sr. José Tiago

MIRANDELA CELEBRA AS FESTAS DE NOSSA SENHORA DO AMPARO

 Mirandela prepara-se para viver uma das maiores celebrações do concelho com as Festas de Nossa Senhora do Amparo, que decorrem de 25 de julho a 2 de agosto. O programa inclui mais de 35 espetáculos gratuitos, animação popular, celebrações religiosas e gastronomia, prometendo atrair milhares de visitantes e reforçar a identidade cultural e turística da cidade.

Jornalista: Vitória Botelho

Festas, Festividades e Eventos

Festas, Festividades e Eventos

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Freguesia de Coelhoso recebeu, hoje, mais uma Reunião de Câmara Descentralizada.

 Estas reuniões permitem reforçar a proximidade entre o Município e as populações, ouvindo as suas preocupações, acompanhando de perto a realidade local e promovendo um diálogo aberto e construtivo.

Sinto borboletas ao mexer no barro, é PAIXÃO.

  Um amor pela arte que não se explica, um amor pelas suas raízes.
Vem viver a alma de uma terra que nunca esquece as suas raízes.

𝟮𝟱 𝗱𝗲 𝗝𝘂𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟲 - 𝗣𝗜𝗡𝗘𝗟𝗔

Festas, Festividades e Eventos

Banco de Portugal regressa a Bragança com espaço de atendimento ao público

 O Banco de Portugal vai instalar um serviço de atendimento no Mercado Municipal de Bragança, inicialmente através de um projeto-piloto com a duração de seis meses e com cobertura para os distritos de Bragança e Vila Real.


O anúncio foi feito pela presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, que revelou que o protocolo foi aprovado esta sexta-feira, em reunião descentralizada do executivo municipal, que decorreu em Coelhoso.

A assinatura está prevista para 21 de agosto, em Bragança, numa cerimónia que deverá contar com a presença do próprio governador do Banco de Portugal.

“Vamos ter instalações do Banco de Portugal numa primeira fase, num projeto-piloto de seis meses, para avaliarmos depois o potencial de crescimento desta instituição em Bragança”, explicou a autarca.

O serviço ficará localizado no Mercado Municipal, “enquadrando-se também no plano da autarquia para revitalizar aquele espaço”.

Segundo Isabel Ferreira, o balcão terá atendimento presencial uma vez por semana, às sextas-feiras, embora a frequência possa aumentar em função da procura.

“Consideramos que é o melhor dia, até porque é dia de feira semanal, e as pessoas das freguesias rurais também vêm mais”, justificou a presidente do município.

O atendimento deverá abranger toda a região, designadamente os distritos de Bragança e Vila Real. Durante o período experimental, a procura será avaliada para determinar a necessidade de aumentar o número de dias de funcionamento e analisar o potencial de crescimento da presença do Banco de Portugal na cidade.

Os serviços que ficarão disponíveis no novo espaço serão divulgados posteriormente, em articulação com a equipa de comunicação do Banco de Portugal.

António G. Rodrigues

𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐃𝐞𝐥𝐢𝐛𝐞𝐫𝐚 – 24.07.2026 - Reunião de Câmara Municipal Descentralizada - Freguesia de Coelhoso

PJ DETÉM EM BRAGANÇA SUSPEITO DE INTEGRAR ESQUEMA INTERNACIONAL DE “ROMANCE SCAM” COM MOVIMENTOS SUPERIORES A 70 MIL EUROS

 Homem de 27 anos é suspeito dos crimes de burla informática, falsidade informática e branqueamento de capitais. Investigação aponta para utilização de contas bancárias nacionais para ocultar dinheiro proveniente de fraudes amorosas online.


A Polícia Judiciária (PJ) deteve, no concelho de Bragança, um cidadão estrangeiro de 27 anos, fortemente indiciado pela prática dos crimes de burla informática e nas comunicações, falsidade informática e branqueamento de capitais, no âmbito de uma investigação relacionada com o fenómeno conhecido internacionalmente por “Romance Scam”.

A operação foi conduzida pelo Departamento de Investigação Criminal de Vila Real e incide sobre um esquema fraudulento em que as vítimas eram alegadamente manipuladas através da criação de falsas relações de confiança em plataformas digitais. Após estabelecerem uma ligação emocional com os burlões, acabavam por efetuar transferências de elevadas quantias em dinheiro.

Segundo a Polícia Judiciária, a investigação permitiu reunir fortes indícios de que o suspeito abria contas bancárias em instituições financeiras portuguesas para receber, movimentar e dispersar os montantes provenientes da atividade criminosa, desenvolvendo posteriormente operações destinadas a ocultar a origem ilícita do dinheiro e a integrá-lo no circuito económico e financeiro.

As diligências realizadas identificaram várias contas bancárias tituladas pelo arguido, abertas após julho de 2025, onde foram creditados valores considerados manifestamente incompatíveis com a sua situação económica e financeira.

A análise efetuada pelas autoridades revelou, até ao momento, a movimentação de mais de 70 mil euros, existindo fortes indícios de que esse dinheiro resulta de transferências realizadas por vítimas do esquema de fraude amorosa. Os montantes eram depois transferidos através de diversas operações bancárias, numa tentativa de dificultar o rastreamento da sua origem e do destino final dos fundos.

A PJ considera igualmente existirem elementos probatórios que apontam para a utilização do sistema financeiro nacional como meio de circulação e dissimulação de vantagens patrimoniais obtidas através da prática de crimes.

A investigação prossegue sob a direção do Ministério Público de Bragança, visando identificar outros eventuais envolvidos, apurar a verdadeira dimensão da atividade criminosa, localizar património de origem ilícita e identificar novas vítimas.

O detido será presente à autoridade judiciária competente para primeiro interrogatório judicial, onde serão determinadas as medidas de coação a aplicar.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR