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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Gaitas de foles, casas com comes e bebes e ronda de adegas animam aldeia com 30 habitantes em Trás-os-Montes

 Metade portuguesa, metade espanhola, a aldeia de Rio de Onor, em Bragança, com apenas 30 habitantes abre as portas de casas e adegas durante o Festival D'Onor, que decorre entre 17 e 19 de julho.

O Festival D'Onor regressa entre 17 e 19 de julho a Rio de Onor, aldeia metade portuguesa, metade espanhola, promovendo o envolvimento das comunidades, tradições e cultura dos dois lados da fronteira, revelou a organização à agência Lusa.

A pequena aldeia do concelho de Bragança, que durante o ano tem cerca de 30 habitantes, transforma-se durante estes dias, com o regresso dos filhos da terra, que abrem as portas das casas, na tradicional ronda das adegas, uma das grandes atrações do festival, que acontece sempre ao sábado.

"É uma das coisas que não tem descrição. Eu que já passei bastantes rondas das adegas, o formato é sempre o mesmo, o que conta depois é o coração das pessoas, o bem receber que aqui temos, marca a diferença completamente. Entra aqui numa adega e sente-se em casa. É algo que não se explica, sem ser vivenciado", realçou Rúben Monteiro, presidente da Montes de Festa - Associação.

Nesta que é a oitava edição da iniciativa, deverão estar abertas 20 adegas, cinco das quais no lado espanhol da aldeia, em Rio de Honor, que também está "completamente envolvida" no festival.

Com "muita música à mistura", gaitas de foles e pequenos concertos ao longo da aldeia, os visitantes andam de casa em casa, onde lhes é dado de beber e de comer.

Uma aldeia em harmonia

Este ano haverá uma novidade. "Este ano tem a particularidade que vai terminar com um concerto em Rio de Honor espanhol", adiantou à Lusa Rúben Monteiro.

À noite haverá os habituais concertos, com música tradicional da gaita-de-foles, música mais contemporânea e uma mistura de música eletrónica com tradicional. Edmundo Inácio, Kumpania Algazarra e Dj Omiri são são cabeças de cartaz.

Em 2025, durante os três dias do festival, passaram por Rio de Onor cerca de oito mil visitantes, sendo que só no sábado, o dia mais concorrido devido à ronda das adegas, contabilizou seis mil pessoas. "A estrutura do festival já é difícil de caber nela própria, ou seja, na aldeia", admite a organização.

Rio de OnorCM Bragança

Rio de Onor caracteriza-se, não só, por ser uma aldeia transfronteiriça, mas pela sua beleza natural, numa harmonia entre o rio e a floresta, em pleno Parque Natural de Montesinho. Muitos visitantes acampam nestes dias.

Segundo Rúben Monteiro, neste momento, o parque de campismo já tem reservas de campistas de Madrid, do Porto, de Zamora, de Sanabria.

Festival D'Onor representa um investimento de 30 mil euros, o maior de sempre, com o apoio de diversas entidades, mas segundo a associação Montes de Festa "o maior apoio para isto acontecer é a comunidade local em si".

"Isto não acontece pelo apoio monetário, acontece pela envolvência das comunidades, sem isso não seria possível", rematou Rúben Monteiro.

"Mirandela bate forte”

 Chama-se "Mirandela bate forte”, a campanha que a Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM) está a promover, convidado o comércio tradicional “a fazer ecoar o bater dos seus negócios em sintonia com a Noite dos Bombos”, explica a ACIM, numa nota enviada às redações.


Trata-se de um desafio lançado aos lojistas e empresários locais para que “decorem as suas montras e coloquem os seus bombos até ao dia 15 de julho”, no âmbito das emblemáticas Festas da Cidade e da icónica "Noite dos Bombos". A ideia  é que se “transformem em agentes ativos da maior celebração da identidade mirandelense”, acrescenta a nota.

A grande meta desta campanha é fazer com que “o pulsar e o bater do comércio local façam um eco vibrante por toda a cidade, fundindo-se de forma perfeita com a energia contagiante e histórica dos bombos que marcam as festividades”, pode ler-se.

A iniciativa pretende ainda “transformar as principais artérias comerciais de Mirandela num autêntico roteiro visual e cultural. Ao vestir as montras com as cores e os símbolos da tradição, o comércio de proximidade não só embeleza o espaço público, como também se posiciona como um pilar essencial na receção aos milhares de visitantes e emigrantes que visitam o concelho nesta época”. 

A nota é assinada pelo presidente da direção da ACIM. “Queremos que a força do nosso comércio tradicional se faça ouvir tão alto e com o mesmo impacto que os nossos bombos”, salienta Filipe Carvalho.

Com a data limite fixada para o meio do mês (15 de julho), a contagem decrescente começou “para que as ruas de Mirandela se encham de cor, música, orgulho e muito dinamismo comercial”, conclui a ACIM. 

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)

Vitorino Miranda

Onde Tudo Começou

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.

Embora ninguém possa voltar
 atrás e fazer um novo começo,
 qualquer um pode começar agora
 e fazer um novo fim.

Atribuída a James R. Sherman, Rejection
(tradução livre)


João tinha os olhos fitos no horizonte. A imensidão azul do mar estendia-se a perder de vista, até ao local onde o sol começava agora a querer esconder-se.

Aos pés dele, um pequeno murete separava-o da falésia e de uma queda fatal até às rochas batidas pelas águas muitos metros abaixo.

Uma aragem fria de fim de estação fazia-se sentir, lembrando que os dias de calor tinham terminado. A pele morena dos braços descobertos arrepiou-se.

O corpo seco e musculoso era rotina, repetição, castigo. Corridas ao amanhecer, ginásio depois do emprego, quilómetros de mar, sempre sozinho, sempre mais um pouco. Ninguém acreditava que já passara os quarenta anos.

— Tinha de a trazer aqui. — Disse bruscamente, para ninguém em especial.

— Achas que vai resolver? — Perguntou uma voz sussurrante.

O marulhar contínuo das ondas chegava ao alto da falésia inundando o ar.

— Foi aqui que tudo começou… — continuou ele —… tinha de tentar fazê-la mudar de ideias, no sítio que ela mais gostava.

— Não disseste que já tentaste de tudo? — Insistiu a voz. — Porquê sofrer mais? Vale a pena insistir mais uma vez?

Uma gaivota cruzou a sua linha de visão e manifestou-se ruidosamente.

— Sim! —Acenou a cabeça esboçando um sorriso. — Tudo pode voltar a ser como antes.

— Dizias que estavas farto dela. — Acusou a voz. — Que querias deixá-la e ser novamente livre. Ir para o surf quando quisesses, para os jantares dos amigos… para a cama com quem quiseres…

— É verdade. — O rosto dele alterou-se, as sobrancelhas caídas e a boca contorceu-se. — Por vezes fico farto dela, mas… é a mulher da minha vida.

— Não era melhor cada um seguir o seu caminho? — Havia um tom de escarninho na voz. — Vais humilhar-te… outra vez? Deixa-a ir!

— Não! — Ele olhou para o lado, onde não havia ninguém, com as narinas dilatadas e os olhos arregalados. — Não há-de ir a lado nenhum!

— Estás a falar sozinho? — Uma voz feminina e divertida interrompeu, enquanto um rosto arredondado, de cabelos castanhos curtos, entrava no seu campo de visão. Um ósculo rápido estalou-lhe no rosto.

Ele estremeceu e olhou-a como se acabasse de acordar.

— Então? Que aconteceu? — Insistiu a mulher. — Estavas a dormir em pé? — O sorriso espelhava-se na sua voz.

— Não, claro que não. — Ele cortou o assunto com um gesto brusco da mão. — Estava a pensar.

— Alô, alô! — O seu riso musical envolvia-se naquela voz que ele tão bem conhecia. — Sou eu, Sílvia, lembras-te?

— Pára com isso! — Ela não conseguira arrancar-lhe o sorriso e ele tornou a voltar-lhe as costas, enfrentando o vazio.

— Pronto, está bem, senhor muito sério. — Sílvia fez beicinho, fingindo-se ofendida. — Diz-me lá do que queres falar. Porque me fizeste vir até este sítio de que eu tanto gosto?

— Explica-lhe. — Comandou a voz. — Arrisca, agora é tarde para voltar atrás.

João olhou-a nos olhos. Ficou paralisado por segundos, antes de desviar o olhar e a sua respiração começar a acelerar.

— Que se passa meu querido? — Ela, agora repentinamente séria, procurou recolocar-se na sua linha de visão.

— Pensei muito no que temos falado. — Ele desviou o olhar novamente, cerrando os punhos.

— Quando? De quê? — Sílvia parecia confusa.

— No outro dia! A oitava vez que estivemos a falar no pátio, à noite. — O olhar de João estava agora fixo na moto que a trouxera até ali, estacionada ao lado da dele. — Quando disseste que me ias deixar! — Tinha os dentes cerrados.

— Oitava vez? Deixar-te?  — Os olhos que pareciam sorrir sempre, deixaram de o fazer. — Que queres dizer? Não vou embora para o outro lado do mundo. Vou apenas casar com o Pedro, vou ficar pela cidade à mesma, não vamos mudar-nos. Não sei mesmo do que estás a falar…

— Vês? — A voz sussurante retornava. — Eu disse-te que era inútil e que ela iria fazer-se desentendida, estás a perder o teu tempo. Obriga-a a ouvir!

João enfrentou-a, os olhos faiscantes e os dentes rangendo: — Sim, deixar-me. Que te parece que vais fazer, ao trocar-me por ele? — Enclavinhou as mãos uma na outra.

Sílvia puxou a cabeça atrás, com os olhos muito abertos e a boca entreaberta, numa resposta que não saía.

— Foi por isso que te pedi que viesses aqui. — Confessou ele, abrindo os braços de simplicidade. — Ao lugar onde nos conhecemos e de que tanto gostamos. Onde tudo começou há vinte e cinco meses.

— Oh, meu querido. — Ela olhava alternadamente para ele e para o chão. Lágrimas irromperam dos seus olhos. — Mas nunca houve nada entre nós! Nessa noite apaixonei-me, sim, pelo teu irmão Pedro! Tu sabes isso! Desculpa se alguma vez eu… te dei a entender algo que…

— Típico, típico… manda-a embora. — Censurou a voz sussurrante.

— Cala-te! — Gritou-lhe João bruscamente.

Sílvia deu dois passos atrás, engolindo em seco, silenciada a meio de uma frase.

João atirou um gesto com a mão por cima da cabeça e aproximou-se ainda mais do murete que o separava do abismo.

— Estás a assustar-me. — Confessou ela quase sem voz. — Sabes que sempre gostei muito de ti, sempre fomos muito amigos e por vezes confidentes. — Deu um passo hesitante na direção dele. — Mas nunca mais do que isso. O Pedro sempre foi o meu amor, tu sabes isso tudo, ouviste as minhas inseguranças. Abri-te a minha alma tantas vezes…

— Esquece-a! Manda-a embora! — A voz sussurante martelava sem dó. — Ela serviu-se de ti. Limpou em ti as lágrimas, os medos e as dúvidas… agora deita-te fora.

Perante o silêncio dele, Sílvia aproximou-se mais uns passos e pousou-lhe suavemente a mão nas costas: — João…

Ele voltou-se subitamente para ela, o rosto empedernido e o olhar gélido. Agarrou-lhe a mão.

— Ela não presta! — A voz sussurante continuava. — Deixa-a ir.

— Está bem. — As palavras de João contrariavam o punho de ferro que apertava o pulso da mulher que se contorcia.

— João, pára! Estás a magoar-me. Por favor. — Implorou ela. — Estás a assustar-me.

— Deixa-a ir! — Ordenou a voz. — Ela não precisa de ti e tu também não precisas dela.

Ele olhou o chão de terra amarela, sem lhe soltar o braço e depois olhou o céu, antes de repetir: — Está bem. — Acenou vigorosamente a cabeça de forma positiva. Olhou-a nos olhos e rangeu audivelmente os dentes. — Vou deixar-te ir. Não estás presa a mim, nem eu a ti.

Num gesto brusco, puxou-a para si e empurrou-a para o vazio.


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

Mateus 25

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Muitos dos políticos contemporâneos, alguns bens conhecidos da nossa praça pretendem fazer-nos crer que a ideologia com que nos querem convencer pela suposta bondade dos seus objetivos se baseia na doutrina social da igreja e, com isso, embrulham uma catrefada de lugares comuns, meia-dúzia de frases feitas, um razoável reportório de slogans contra supostos poderosos corruptos e um infindável rosário de insultos sobre os pobres, miseráveis, indefesos, desvalidos e vulneráveis. Há até dirigentes que, em dias de eleição, fazem saber que, antes de se encontrar com jornalistas, apoiantes e demais curiosos ou interessados têm, por obrigação de ofício, de assistir à missa vespertina e só à saída poderão pronunciar-se sobre qualquer escrutínio, entretanto fechado. Sem exceção saem do templo, com uma fingida aura de pretensa santidade, a debitar percentagens de participação e projeções de resultados levantando sérias dúvidas sobre o conteúdo da prédica dominical.

Recentemente, num programa televisivo, um senador americano, democrata ligado a um ramo do catolicismo, confrontado com atitudes de colegas seus, republicanos, igualmente demagógicos, supostos seguidores dos ensinamentos bíblicos e que, por tudo e por nada, recorrem ao Livro, este respondeu que lhes atirava: “Eu sou Mateus 25!”

S. Mateus, o cobrador de impostos, era, quiçá, o apóstolo mais culto da dúzia que acompanhou Jesus Cristo nas Suas deambulações pela Palestina. Talvez por isso a sua sensibilidade para determinados capítulos da prédica cristã deixando-nos, desse tempo, um relato sentido com ênfase em aspetos intemporais que, sendo inovadores “in illo tempore”, continuam atuais e cada vez mais necessários serem trazidos à colação no tempo de agora. Destes, o capítulo 25 sobretudo os versículos 34 a 40, constituem não só uma definição completa da verdadeira doutrina social cristã, mas sobretudo e, igualmente, uma censura aos atuais fariseus que por aí andam e que devendo ler e refletir sobre os versículos de 37 a 40 (“Então os justos responder-Lhe-ão: ‘Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente e na prisão e fomos visitar-Te?’ E o Rei dir-lhes-á em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um dos Meus irmãos mais simples e humildes, a Mim mesmo o fizeste’”)

Se, porventura, tal lição do melhor e mais puro que há na mensagem trazida, há dois milénios, pelo Nazareno, os não sensibilizar suficientemente então, outro remédio não terão que não seja continuar a leitura até ao final do referido capítulo… dele tirando as devidas conclusões ou, então, que se calem com hipocrisia de quererem vender-nos gato por lebre ou, mantendo a tónica bíblica, os que o mesmo S. Mateus descreve na capítulo 7, versículos 15 e 16: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. PORVENTURA podem-se colher uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos?”


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

Junta quer Lamas conhecida como a “capital da cereja transmontana” e avança para a certificação

 A Junta de Freguesia de Lamas, em Macedo de Cavaleiros, já iniciou o processo de certificação da cereja para obtenção da IGP (indicação Geográfica Protegida) de modo a valorizar esta produção, que é a mais representativa da aldeia.


O processo levará entre dois a três anos ainda que o presidente da junta, Diogo Ruivo, tenha consciência que depende de questões políticas. “Daria um grande impulso à cereja no sentido da sua projeção, porque valorizava o fruto, e depois, é claro, obviamente, seria uma marca que colocaria a cereja no mercado com valor acrescentado”, vincou o autarca.

A autarquia tem vindo a apoiar a produção e já atribuiu ajudas de mais de cinco mil euros aos agricultores paracomprarem cerejeiras para plantar. “Até agora já demos apoios para um total de 3534 árvores” indicou o autarca. A junta investiu 5301 euros nesta ajuda direta aos produtores. “Nós estamos a pagar cerca de metade do valor da cerejeira para plantar”, acrescentou.

As ajudas, que variam entre um e dois euros, são dadas em função do compasso, ou seja, da densidade da plantação por hectare. “Tendo em conta que a cereja é um dos principais focos económicos da freguesia, e que muitas famílias a produzem, decidimos dar um pequeno incentivo para ajudar a aumentar a produção de cereja”, esclareceu.

Glória Lopes

Proprietários do Baixo Sabor preocupados com grandes áreas para renováveis na bio-região

 A Associação dos Proprietários dos Baixo e Lagos do Sabor recomenda cautela na instalação de projetos no âmbito da ZAER (Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis) para não se criar um conflito de interesses com a Bio Região classificada há alguns anos. “Recordamos que essa apresentação teve lugar nos Gorazes e contou com a presença do governo, salvo erro, com a presença do Ministério da Agricultura e/ou da Coesão Territorial. Foi um trabalho acreditamos, moroso, que se pretende que a região capitalize como uma mais-valia para os seus agricultores e investidores de uma forma geral”, explicou aquela associação numa nota remetida pelo presidente, Luís Guimarães.


Para esta entidade “a coexistência” destas duas realidades “é possível”, no entanto, “exige um planeamento aturado e monitorização permanente”.

Esta simplificação de licenciamento das ZAER e a sobreposição numa Bio-Região com áreas de conservação e produção biológica “exige cuidados para proteção da biodiversidade e identidade agrícola”, salienta Guimarães.

“Desde logo verificamos competição no uso do solo, ameaça com e dispensa de avaliação de impacte ambiental clássica dos habitats sensíveis na bio-região e obviamente uma ameaça ao modelo económico da Bio região: O turismo e os produtos de uma Bio Região beneficiam da preservação da paisagem e de um ambiente puro o que entra em choque visual e ecológico com infraestruturas industriais de energia”, acrescenta o dirigente associativo.

Glória Lopes

Jantar de fados solidários do Lions Clube reuniu mais de 400 pessoas no castelo

 O tradicional jantar de Fados Solidários promovido pelo Lions Club de Bragança reuniu este ano mais de 400 pessoas no castelo de Bragança, estima a organização.


O evento, um dos mais participados anualmente dos organizados por este clube de beneméritos, tinha como objetivo angariar fundos para entregar a Instituições Particulares de Solidariedade Social do concelho de Bragança.

“Correu bem, até pelas mensagens que as pessoas nos foram fazendo chegar. No geral as pessoas ficaram satisfeitas com a organização”, sublinhou a atual presidente do Lions de Bragança, Manuela Fernandes.

A delegação de Bragança tem, atualmente, 33 companheiros ativos, depois do crescimento registado nos últimos anos.

Em Macedo de Cavaleiros também está a ser estudada a reativação do clube.

Nesta iniciativa, marcou também presença uma delegação de Mirandela.

Ao todo, reuniram-se cerca de três mil euros, pagas as despesas.

AGR

MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA PRESIDE À ABERTURA DA EXPOVILA 5.0

 O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, vai presidir hoje à cerimónia de inauguração da EXPOVILA 5.0, que decorre pelas 17h00, no Parque de Feiras e Exposições de Vila Flor.


A presença do governante assinala o reconhecimento da relevância que a EXPOVILA tem vindo a conquistar como um dos principais eventos de promoção económica e territorial do concelho, reunindo empresas, produtores, instituições e visitantes em torno das potencialidades locais.

A edição de 2026 realiza-se sob o lema “A essência do azeite”, destacando a importância do setor olivícola através da criação da Praça do Azeite, um espaço dedicado à valorização da produção de azeite e dos seus agentes.

Além da componente dedicada ao azeite, o certame contará com a participação de expositores ligados ao comércio, serviços, artesanato, maquinaria e empresas locais e nacionais, reforçando o papel da feira na dinamização da economia e na promoção dos produtos endógenos do concelho.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MUNICÍPIO DE MACEDO DE CAVALEIROS REFORÇA COOPERAÇÃO COM ÁGUAS DO NORTE

 O Município de Macedo de Cavaleiros reuniu com responsáveis da Águas do Norte para analisar o funcionamento dos serviços de abastecimento de água e saneamento no concelho e reforçar a cooperação em áreas consideradas estratégicas para a gestão sustentável dos recursos hídricos.


O encontro, realizado nos Paços do Concelho, contou com a presença do presidente do Conselho de Administração da Águas do Norte, António Cardoso, e de Paulo Queirós, responsável pela gestão dos sistemas públicos de abastecimento de água e saneamento na região Norte, além do executivo municipal.

Durante a reunião foram discutidos os principais desafios atuais e futuros relacionados com a gestão da água, num contexto marcado pelos impactos das alterações climáticas, bem como a necessidade de continuar a garantir um serviço eficiente e de qualidade à população.

As duas entidades assumiram ainda o compromisso de reforçar o trabalho conjunto através da realização de reuniões periódicas e do desenvolvimento de projetos nas áreas da redução de perdas de água, modernização das infraestruturas, eficiência energética, promoção do consumo responsável e sensibilização ambiental, em articulação com o Geoparque Terras de Cavaleiros.

O Município de Macedo de Cavaleiros destaca que esta colaboração pretende fortalecer a sustentabilidade dos recursos hídricos e melhorar continuamente os serviços prestados aos munícipes.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

NOVOS MÉDICOS REFORÇAM CUIDADOS DE SAÚDE EM FREIXO DE ESPADA À CINTA

 O Município de Freixo de Espada à Cinta recebeu, na manhã de ontem, os dois novos médicos que passam a integrar, de forma permanente, a equipa do Centro de Saúde local, reforçando a capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários no concelho.


A receção decorreu nos Paços do Concelho, onde o Presidente da Câmara Municipal, Nuno Ferreira, deu as boas-vindas aos médicos André Cunha e José Ribeiro, numa sessão que contou também com a presença do Diretor do Centro de Saúde de Freixo de Espada à Cinta, Hugo Martins.

Durante o encontro, o autarca desejou aos novos profissionais os maiores sucessos nesta nova etapa, destacando a importância do reforço da equipa médica para garantir um serviço de maior proximidade e qualidade à população.

Na ocasião, foram igualmente apresentadas as medidas que o Município tem vindo a desenvolver no âmbito da melhoria dos cuidados de saúde primários, bem como o trabalho em curso para a criação de uma Unidade de Saúde Familiar (USF), um projeto considerado estratégico para reforçar a resposta assistencial no concelho.

Com a integração destes profissionais, Freixo de Espada à Cinta dá mais um passo na consolidação de uma rede de saúde mais robusta, reafirmando o compromisso conjunto entre o Município e as entidades de saúde na promoção de cuidados de proximidade e na melhoria da qualidade de vida da população.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

ULSTMAD REFORÇA RESPOSTA À EMERGÊNCIA NOS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS

 A Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) reforçou a capacidade de resposta das equipas dos Cuidados de Saúde Primários com a entrega de novos equipamentos de emergência a 29 unidades funcionais, no âmbito do programa ALERTA – CSP.


A iniciativa permitiu dotar as unidades com 29 Desfibrilhadores Automáticos Externos (DAE), 29 monitores de sinais vitais e 29 malas de emergência, reforçando os meios disponíveis para uma intervenção mais rápida, segura e eficaz em situações críticas.

Coordenado pela Unidade de Emergência Interna da ULSTMAD, o programa ALERTA – CSP aposta numa abordagem integrada, que alia a disponibilização de equipamentos à formação teórico-prática dos profissionais, à uniformização de procedimentos e à implementação de um sistema de registo e monitorização das intervenções.

Segundo a coordenadora da Unidade de Emergência Interna da ULSTMAD, Filipa Matos, “este projeto vai muito além da entrega de equipamentos. É um percurso assistencial integrado, que começa nos Cuidados de Saúde Primários e que só é possível com equipas preparadas, procedimentos uniformizados e um registo rigoroso de cada intervenção.”

Já a diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Primários, Carminda Carvalho, destaca que este reforço “fortalece o compromisso de proximidade com a população e cria melhores condições para uma intervenção rápida, segura e eficaz.”

A entrega dos novos equipamentos decorreu em sessões realizadas nas unidades hospitalares de Lamego, Vila Real e Chaves, abrangendo todo o território de influência da ULSTMAD, que presta cuidados de saúde a cerca de 369 mil habitantes distribuídos por 21 concelhos.

Com esta iniciativa, a ULSTMAD reforça o investimento na preparação das equipas e na melhoria da resposta à emergência, contribuindo para uma prestação de cuidados de saúde mais eficiente, coordenada e próxima da população.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Projeto Rural Innovation Challenges dá prémios às melhores iniciativas rurais

 A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, AJAP, lançou a primeira edição do projeto “Rural Innovation Challenges”, com o objetivo de fixar jovens nos territórios do interior, travar o envelhecimento da população, combater o abandono das atividades económicas e promover o empreendedorismo nas zonas de baixa densidade.


O projeto começou a ser implementado no final do mês de janeiro, através da primeira fase do programa, que consistiu na realização de 60 sessões de divulgação junto de escolas profissionais e universidades, desafiando os estudantes a apresentarem ideias de negócio empreendedoras para o mundo rural, como explica o diretor da AJAP, Firmino Cordeiro:

A segunda fase do projeto será um concurso de âmbito nacional, que vai selecionar as 12 melhores ideias inovadoras para o mundo rural, distribuídas por quatro categorias.

O valor total dos prémios será superior a 20 mil euros, como acrescenta o diretor da AJAP:

Nas três primeiras categorias, os primeiros prémios têm o valor de quatro mil euros, os segundos de mil euros e os terceiros correspondem a um iPad.

No âmbito da Academia Rural, dirigida aos estudantes das escolas profissionais, o primeiro lugar recebe um prémio financeiro de 1.500 euros, o segundo 500 euros e o terceiro um iPad.

Já para os estudantes do ensino superior, o primeiro prémio será de dois mil euros, o segundo de 500 euros e o terceiro também um iPad.

As candidaturas estão abertas até ao próximo dia 16 de agosto e a iniciativa passará a realizar-se anualmente.

Além dos prémios, os vencedores terão ainda a oportunidade de viajar até ao Parlamento Europeu:

O Rural Innovation Challenges é uma iniciativa da AJAP, em parceria com a Caja Rural del Sur, CRSUR, e a Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola Mútuo, Agrimútuo.

A iniciativa conta ainda com o Alto Patrocínio do Ministério da Agricultura e Mar e do Grupo do Partido Popular Europeu no Parlamento Europeu, através do eurodeputado Paulo Nascimento Cabral.

A última sessão de divulgação vai decorrer em Valpaços, em data ainda a anunciar.

Fotografia: AJAP

Maria João Canadas

Hotel Água Pinela abre portas em Bragança e quer afirmar Terra Fria como destino turístico de natureza e qualidade

 O Hotel Água Pinela foi inaugurado esta quarta-feira, na freguesia de Pinela, em Bragança, num investimento próximo dos 10 milhões de euros que pretende reforçar a oferta turística qualificada da Terra Fria Transmontana e afirmar o concelho como destino de natureza, bem-estar, gastronomia e experiências autênticas.


A nova unidade do grupo Água Hotels, apresentada como Água Hotels Terra Fria, representa, segundo a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, “um importante marco para o concelho de Bragança, para a freguesia de Pinela e para toda a região”. A autarca destacou que o investimento, apoiado pelo Compete 2030, através de um financiamento FEDER de cerca de 3,96 milhões de euros, permitirá a criação de aproximadamente 80 postos de trabalho.

Para Isabel Ferreira, este é um exemplo concreto de como os fundos europeus podem fazer a diferença quando são aplicados em investimentos estratégicos, capazes de gerar emprego, fixar população e criar novas oportunidades de desenvolvimento. A presidente da Câmara sublinhou ainda que o hotel reforça a capacidade de alojamento turístico do concelho e acrescenta valor à oferta existente, através de valências diferenciadoras que poderão contribuir para afirmar Bragança como destino turístico de excelência.

A autarca lembrou que Bragança reúne condições únicas para fazer do turismo um dos motores da economia local, apontando o Parque Natural de Montesinho, as paisagens da Terra Fria, a biodiversidade, as aldeias autênticas, o património histórico e arquitetónico, as tradições, a genuinidade das gentes e a gastronomia como fatores distintivos. “Quem nos visita encontra aqui muito mais do que um destino, encontra um território autêntico”, afirmou, defendendo que projetos como este beneficiam a economia local, estimulam o comércio, valorizam produtores regionais, fortalecem empresas de animação turística e impulsionam a restauração.

O proprietário, Adriano Martins, destacou o esforço coletivo que permitiu concretizar o projeto, deixando uma palavra de agradecimento aos colaboradores do grupo. “Este projeto apenas é possível porque tivemos os nossos colaboradores todos, sem exceção, que lutaram, que deram tudo o que podiam por esta marca”, afirmou. O empresário sublinhou também a importância dos fundos comunitários, considerando que, sem esse apoio, “era impossível” ou “muito mais difícil” realizar um investimento desta natureza, sobretudo para grupos de menor dimensão.

António G. Rodrigues

Associação “Amar Eva” apresenta proposta inovadora

 A Associação “Amar Eva”, sediada em Mirandela, pretende avançar com um projeto piloto de mentoria familiar sistémica que “visa criar pontes entre família, escola, comunidade e instituições, colocando no centro a escuta, a prevenção, a orientação e o fortalecimento das relações”.


Isso mesmo foi anunciado na apresentação do plano de atividades para os próximos quatro anos. “A Amar Eva tem vindo a atuar num território onde muitas dificuldades surgem de forma silenciosa: famílias sem rede, crianças e jovens em sofrimento, pais exaustos, escolas sobrecarregadas, instituições pressionadas, solidão, conflito, violência, bullying, fragilidade emocional e respostas que, muitas vezes, chegam tarde ou de forma fragmentada”, explica a presidente, Fernanda Ferreira.

Fernando Pires

Macedo de Cavaleiros aposta na qualificação com novo curso de Gestão de Turismo

 Já arrancou em Macedo de Cavaleiros o Curso de Especialização Tecnológica (CET) de Técnico Especialista em Gestão de Turismo, uma parceria entre o município e o IEFP.


O autarca Sérgio Borges afirmou que se pretende “reforçar a aposta na qualificação no interior com o arranque deste curso” e enaltece a importância estratégica da formação na área do turismo, tendo em conta o potencial do território.

O curso reúne cerca de 30 formandos detentores do 12.º ano de escolaridade ou de habilitações superiores.

“O objetivo é mesmo reforçar aqui a promoção e formação de pessoas para que estejam aptas para serem especialistas turísticos. Ou seja, no nosso território temos aqui uma grande oferta turística, como é o caso do Azibo, e faz todo o sentido apostarmos nesta formação para termos aqui pessoas mais especializadas que em termos turísticos nos possam ajudar na promoção e a receber os turistas”, explicou.

O curso vai decorrer nas instalações do mercado municipal. “O interessante aqui é que estamos a falar de 100 pessoas por dia a usufruir deste espaço com vários cursos nesta parceria”, disse.

Sérgio Borges avançou também que brevemente vão ser disponibilizados mais cursos, em diferentes áreas.

Festas, Festividades e Eventos

quarta-feira, 8 de julho de 2026

🐻 Em 2019, a passagem de um urso pelo Parque Natural de Montesinho despertou curiosidade e atenção em todo o País.

 Este verão, o eclipse solar de 12 de agosto voltará a colocar Bragança no centro das atenções.
Duas histórias que inspiraram o 𝑽𝒊𝒍𝒂𝒓𝒊𝒏𝒉𝒐, o novo photopoint da Praça da Sé.
De óculos postos para assistir ao eclipse, o Vilarinho é uma instalação artística temporária que integra o projeto de dinamização do Centro Histórico, a decorrer durante este verão.
Passe pela Praça da Sé, tire uma fotografia e leve consigo mais uma boa memória de Bragança.

Outonecer

Por: Ernesto Rodrigues
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Narrativa de uma memória ainda fresca – quando, entrado nos 75 anos, ou terceira estação, se teme perdê-la –, Outonecer é uma conversa distendida, terna na evocação, com picos de ironia, opinando sem peias sobre a actualidade política nacional e internacional e, como esperado, domínios atinentes à Medicina Geral e Familiar, à psiquiatria em vários confrontos (caso da Inteligência Artificial) e à sexologia – género, identidade, exemplário romano. Não é um abstract ou abrégé do sujeito, pois vida há ainda para viver, salvo se quiséssemos resumir Júlio Machado Vaz ao «subdepressivo que sempre fui» (p. 33); os eventos lembrados conjuram-se em confissão, corajosa para quantos não acompanham o radialista há 35 anos. Mau grado um cardápio de doenças, que o humor mina tantas vezes, o propósito resume-se ao essencial: atender ao Outro (maiúscula inicial), amar e ser amado, morrer dignamente após os filhos, na síntese do poema final.

Esta escrita terapêutica abre com proposição explicativa do título, segundo verso de Sophia (a qual retornará, com Eugénio de Andrade, etc.), e já sugere o modo de composição, ao aproveitar o título do poema, “Barcelona”, para desta se reivindicar cidadão. Liverpool, Provença, Madrid, entre outro lugares citados, aderem a vivências com filhos e netos. Encerra, percorrida meia Europa, o diário provençal de um historiador de pintura, não esteta, enquanto a aprendizagem dos netos se apura em van Gogh, e Júlio se desvia para conversa sobre Picasso e a canção francesa. Esta linha digressiva far-se-á linhagem quando no Porto e, sobretudo, sob a árvore do retiro de Cantelães arquitectado pelo filho mais velho, fecundando a árvore genealógica dos Machado Vaz. Aí termina 2024, pacificado.

De entrada, pois, já entre parêntesis que chegarão a atingir duas e três páginas, a viagem física conjuga-se com a associação livre, mecanismo que ora se instala em passados, ora futura, cujo défice ou perda («esse medo de me perder na floresta das associações livres», p. 19) tomou os ascendentes entretanto alzheimerados. Inseguro, melancólico, sombrio, multifacetado, eis pinceladas de um retrato que, todavia, olha friamente o fim, incapaz de «sobreviver a mim mesmo» (p. 20), e, por isso, recorrendo a Estes Difíceis Amores (também Muros virá noutro contexto), tem posição clara sobre a eutanásia. Esta atmosfera persiste, qual bruma existencial, nos quatro primeiros capítulos, glaucomático, meio surdo (em teste com fim feliz), entre outras maleitas. Mas, nos interstícios, vai-se renascendo, no voto de deixar uma pegada em membros da tribo, primeiros dedicatários e co-protagonistas – só tarde se percebendo quem é Nossa Senhora de Cantelães…   

Visa esse desiderato a viagem, com o filho mais novo, ao berço dos Beatles. Aculturada nos anos 60, a par de bailes de garagem e piedosas mentiras sobre iniciação sexual brandidas no Majestic, esta geração trazia os Beatles no bolso, e discretamente euforiza, ainda, em recente concerto madrileno de Paul McCartney, Macca (também nome de cão, já morto). Lá virá uma plêiade de vozes francesas, inclusive, no original. Introduzem-se, também, diálogos pai-filhos, como será com avô-netos, na curiosa inversão por estes assumida do diminutivo «Julinho». Há um perfume de ficção nestas conversas andantes, elogio do debate, do discordo aceite, enfim, abraço. Sobrevém, entretanto, o medo, vista a cegueira materna, e, políticas do dia à parte, vale a geração de canídeos, até ocuparem a capa.

Tímido frente ao Pai e na escola (mas, aqui, capaz de violência extrema), no quinto dos XI capítulos, há o primeiro de três grandes embates dentro de si. O desdobramento é eficaz quanto a acertos de uma personalidade, na coragem de construir-se (como, em vários momentos, se reflecte sobre o discurso), na rotina de «quatro dias de consultório, um de gravações, fim-se-semana» (p. 65), convocando figuras próximas ou reconhecíveis; a ementa acrescenta pré-diabetes, prostatite, contractura muscular, ciatalgia, enquanto se esclarece a primeira linha do narrador, «Talvez escrevendo…», pois «talvez a escrita me ajude a perceber melhor como estou a envelhecer» (p. 63). Se viver mais, arriscando, como nas costumadas «veredas da associação livre» (p. 76) na rádio, terá os seus «momentos felizes» («Escrevi e disse muitas vezes que não acredito na felicidade» , p. 111), não irá desaguar «em estóico de vão de escada» (p. 68).

Digressões das personagens e do texto, são as do protagonista também íntimas, opinativas (até inesperado comentador de ténis), em sobressalto, que os cortes parentéticos ou interseccionados mais denunciam: a imagem do cubo mal desenhado em teste (p. 30) dá-nos um cubismo picassiano, com a representação do todo num mesmo plano. A família é organismo vivaz; o Outro – amigos, tantos ditos no nome próprio, ex-alunos que medicinam, cozinheiros, vizinhos ou mestres-de-obras –, alimento indispensável.

A voz é, assim, familiar, audível, longe do «estilo cambaleante» (p. 38) que atribui à sua radiofonia, risonhamente autocrítica (como dizer-se torcionário), salteada por vocábulos de uso comum, polilingue, segura nas tonalidades evocativas, seja, de um leitor de poesia, que a musicada já é, favorecendo um ritmo para olhos agradados. Não raro surpreende-nos algum queirosianismo: a negativa 9, de favor, para não gripar a média; as ciganas leitoras de sinas que, na Provença, o cercaram e aos filhos «de saias e elogios» (p. 114); «o desmaio das luzes» no cinema – arte aqui e ali emergindo – e, no anfiteatro universitário dividido pelas meninas, invejando «o primeiro a navegar aquele mar de saias» (p. 134-135)… 

Comecei por falar em leitura relaxada, que o Verão propicia – e, rodeado também de Primaveras, é evidente que o Outono de Júlio Machado Vaz ainda reverdece: mais do que apeadeiro, é ele «uma gavinha para o crescimento da tribo». Entre autobiografemas, constrói-se, afinal, um belíssimo romance familiar.

À saúde!

Ernesto Rodrigues (Torre de Dona Chama, 1956) é escritor e professor universitário.

𝐀 𝐦𝐮́𝐬𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐝𝐚̃𝐨 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐚̀ 𝐏𝐫𝐚𝐜̧𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐄𝐢𝐫𝐚𝐬!

 No próximo sábado, 𝟏𝟏 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐥𝐡𝐨, pelas 21h30, a 𝐎́𝐩𝐞𝐫𝐚 𝐧𝐚 𝐀𝐜𝐚𝐝𝐞𝐦𝐢𝐚 𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 apresenta um concerto dedicado à ópera e à música clássica.
Sob o tema “𝐃𝐚 𝐧𝐨𝐛𝐫𝐞𝐳𝐚 𝐚̀ 𝐯𝐢𝐥𝐚𝐧𝐚𝐠𝐞𝐦 – 𝟔 𝐑𝐞𝐭𝐫𝐚𝐭𝐨𝐬 𝐎𝐩𝐞𝐫𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐨𝐬”, o espetáculo será interpretado pela Orquestra da Ópera na Academia e na Cidade, sob direção musical de José Ferreira Lobo, com a participação do baixo-barítono Rui Silva.

Venha desfrutar de uma noite de verão ao som da ópera.