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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 29 de agosto de 2026

A loja pequenina que dá sorte grande

 Na Brijogo saíram alguns dos prémios mais falados de Bragança, entre eles um primeiro prémio do Totoloto. Ana Maria e Viriato protagonizam a quinta “História de Quem dá Sorte”.


No edifício do Intermarché de Bragança, a Brijogo é uma referência para quem procura os Jogos Santa Casa. Mas a história começou em 1998, quando Ana Maria e Viriato iniciaram a mediação numa pequena loja, onde viveram momentos que ainda hoje fazem parte da memória de muitos brigantinos. Foi lá que a apresentadora Lara Afonso descobriu o percurso de um casal que, ao longo de décadas, já distribuiu alguns dos prémios mais marcantes da cidade. 

A história começou numa pequena tabacaria com “pouco mais de três metros quadrados”, recorda Ana Maria. À medida que a atividade cresceu, o espaço deixou de ser suficiente e o casal mudou-se para as atuais instalações, onde nasceu a Brijogo. Agora a loja é maior, mas quem lá entra sente-se em casa como sempre. 

Prémios que ficaram na memória 


Foi precisamente ainda na primeira loja que aconteceu o episódio de que todos se lembram. Em 1998, ainda no tempo do escudo, um cliente ganhou o primeiro prémio do Totoloto, no valor de 120 mil contos. Na altura, as máquinas ainda não assinalavam automaticamente os prémios e foi o apostador que percebeu. “Veio cá reclamar e confirmou-se que tinha o primeiro prémio”, recorda Ana Maria. Este episódio foi, sem dúvida, o que mais ficou gravado na memória da mediadora. “O prémio grande, 120 mil contos, então, foi uma loucura!”, relembra.  

Todavia, a dupla não se ficou por aqui: A pequena mediação ainda voltou a fazer história duas semanas antes da mudança para o espaço atual, quando saiu um prémio de um milhão de euros. “Agora estamos à espera de dar mais”, diz o mediador entre sorrisos. 

Ana Maria e Viriato têm ainda a função de auxiliar quem teve sorte e ganhou prémios, mas não sabem o que fazer. “Ajudamos, e a Santa Casa também dá apoio”, informa a mediadora. Tudo isto faz com que, na Brijogo, também já se viva um ambiente familiar. “Na Brijogo há clientes que entram aqui todos os dias”, diz Viriato.  

Uma questão de confiança


Os dois rostos da Brijogo protagonizam o quinto episódio de “Histórias de Quem dá Sorte”. Ao longo de vinte semanas, a iniciativa dá voz a mediadores por todo o país, na maioria pequenos negócios de família enraizados nas suas comunidades. 

No que toca à Brijogo, os prémios ajudaram a escrever a história da casa. Mas é a confiança conquistada ao longo dos anos que faz regressar quem entra diariamente pela porta. 


Em 1998, ainda no tempo do escudo, um cliente ganhou o primeiro prémio do Totoloto, no valor de 120 mil contos. A mesma dupla de mediadores também já testemunhou a entrega de um prémio no valor de um milhão de euros.

SPEA alerta que Plano Nacional de Restauro da Natureza pode não garantir recuperação da biodiversidade

 O Plano Nacional de Restauro da Natureza, cuja consulta pública acabou a 19 de agosto, precisa de mais ambição, financiamento e indicadores para medir se as espécies e os ecossistemas estão realmente a recuperar, defende a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Mocho-galego (Athene noctua). Foto: Edd Deane/Wiki Commons

Portugal está perante uma oportunidade que pode ser decisiva para a recuperação da natureza, mas corre o risco de a deixar escapar. É esta a conclusão da SPEA-BirdLife que, na consulta pública do Plano Nacional de Restauro da Natureza, defendeu alterações à proposta atualmente em discussão.

O plano, que foi apresentado a 2 de junho passado, define 407 medidas de intervenção em ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce (152 medidas), marinhos (27), fluviais (83), urbanos (oito), agrícolas (84) e florestais (25). Estão ainda previstas 28 medidas para ajudar as espécies polinizadoras.

Para esta organização, o plano reúne um esforço importante de diagnóstico e de definição de medidas, mas fica aquém do necessário para garantir uma recuperação efetiva da biodiversidade. O problema, diz a SPEA, é que restaurar a natureza não pode resumir-se à contabilização de hectares intervencionados.

“O Plano Nacional de Restauro da Natureza é uma oportunidade única para travarmos a perda da biodiversidade em Portugal”, comentou, em comunicado enviado ontem à Wilder, Joana Andrade, coordenadora do Departamento de Conservação Marinha da SPEA-BirdLife. “Este é o momento para decidir se queremos apenas cumprir metas no papel ou recuperar verdadeiramente a natureza.”

Mais do que hectares, é preciso recuperar espécies

Uma das principais preocupações da organização é a forma como o sucesso do restauro será avaliado. A SPEA defende que os objetivos, metas e indicadores do plano devem integrar de forma mais clara a biodiversidade e o estado das espécies.

As aves, em particular, podem desempenhar um papel importante como indicadores da eficácia das medidas de restauro. Se uma determinada área é restaurada, mas as espécies que dela dependem continuam a desaparecer ou não regressam, questiona a organização, será que se pode considerar que o restauro foi bem-sucedido?

A questão é particularmente importante porque a recuperação da natureza não acontece em parcelas isoladas. Florestas, zonas húmidas, áreas agrícolas, cidades e mar estão ligados por fluxos ecológicos e pelas deslocações das espécies ao longo dos seus ciclos de vida.

Por isso, a SPEA considera essencial apostar na conectividade ecológica e evitar a criação de pequenas “ilhas” de natureza rodeadas por áreas degradadas.

Entre as pressões que, segundo a organização, continuam a merecer uma resposta mais consistente está também a poluição luminosa. Isto porque a iluminação artificial durante a noite pode afetar aves marinhas e outros grupos de animais.

Além disso, acrescenta a SPEA, o restauro da natureza não deve ficar limitado às áreas protegidas ou aos grandes espaços naturais. As cidades também devem fazer parte desta estratégia.

Para a organização, o ecossistema urbano deve ser entendido como um contínuo, onde os espaços verdes e os edifícios podem desempenhar funções importantes para a biodiversidade.

Entre as medidas propostas estão a proteção e criação de locais de nidificação em edifícios, a instalação de caixas-ninho e outras estruturas, a prevenção de colisões de aves com superfícies de vidro ou espelhadas e o aumento da vegetação nas ruas e avenidas.

A redução da impermeabilização dos solos é outra das prioridades apontadas. A ideia é evitar que a biodiversidade fique confinada a pequenos jardins e parques isolados numa matriz urbana cada vez mais impermeável.

Estas medidas podem, além disso, aproximar o restauro da vida quotidiana das pessoas. Casas, prédios, ruas e bairros podem tornar-se parte da rede de espaços necessários à recuperação da natureza.

O financiamento continua a ser uma incógnita

O Plano Nacional de Restauro da Natureza prevê um investimento, em média, de cerca de 500 milhões de euros por ano em ações de restauro da natureza até 2030. O financiamento previsto resulta da combinação de fundos europeus e nacionais, incluindo verbas do Portugal 2030, da Política Agrícola Comum, do Fundo Ambiental, dos EEA Grants e de investimento privado.

Mas a SPEA considera que ainda não existe uma ligação suficientemente clara entre as medidas previstas, os custos da sua implementação e as respetivas fontes de financiamento.

Mais do que contabilizar fundos que já existem, defende a organização, o financiamento deve partir do custo efetivo das medidas necessárias para cumprir as metas do plano. E deve existir uma garantia de recursos nacionais estáveis e de longo prazo.

“Restaurar não é plantar hoje e esquecer amanhã”, disse Joana Andrade. “Sem financiamento para manter, monitorizar e adaptar as medidas ao longo do tempo, os resultados dificilmente serão duradouros.”

A SPEA admite a possibilidade de mobilizar investimento privado, mas considera indispensável assegurar transparência e evitar situações de greenwashing. Entre as propostas está a criação de um registo público dos projetos financiados e dos seus resultados.

A organização defende também uma revisão dos subsídios públicos que continuam a incentivar atividades prejudiciais para a biodiversidade. E considera que a Avaliação Ambiental Estratégica deve ser usada para testar a coerência global do plano e verificar se as diferentes políticas públicas contribuem efetivamente para a recuperação da natureza.

Medir para saber se a natureza está a recuperar

Sem monitorização adequada, será difícil saber se as medidas previstas estão a produzir resultados, alertou ainda a SPEA.

A organização defende sistemas de acompanhamento baseados em indicadores biológicos, capazes de revelar alterações reais no estado das espécies e dos ecossistemas.

Neste contexto, os programas de ciência-cidadã podem ter um papel importante. É o caso do Censo de Aves Comuns, que permite acompanhar tendências das populações de aves em Portugal ao longo do tempo.

Para a SPEA, iniciativas deste tipo devem ter financiamento estável e reconhecimento institucional, de modo a garantir a continuidade das séries de dados. Só com acompanhamento a longo prazo será possível perceber se as intervenções de restauro estão, de facto, a inverter tendências negativas.

Outra condição para o sucesso deste Plano será, segundo a organização, envolver quem vive e trabalha nos territórios onde o restauro vai acontecer.

Proprietários, agricultores, comunidades locais e organizações da sociedade civil terão de participar na implementação das medidas. A SPEA destaca, neste contexto, a custódia do território, baseada em acordos voluntários e numa colaboração continuada entre diferentes intervenientes.

Açores, Madeira e mar ficam aquém?

A proposta do plano levanta ainda preocupações relativamente às regiões autónomas e aos ecossistemas marinhos.

A SPEA considera que faltam medidas para responder às pressões específicas que afetam estes territórios e ecossistemas. Nas ilhas, em particular, a aplicação de indicadores nacionais poderá não refletir adequadamente realidades ecológicas que são diferentes das existentes no continente.

Mesmo quando não sejam necessários para o reporte europeu, defende a organização, devem existir indicadores regionais capazes de acompanhar a recuperação da biodiversidade nos Açores e na Madeira.

No meio marinho, a organização identifica igualmente lacunas que, na sua perspetiva, precisam de ser corrigidas para que o plano consiga abranger de forma eficaz todos os ecossistemas.

O Plano Nacional de Restauro da Natureza surge num momento particularmente importante para a conservação da biodiversidade. Para a SPEA, pode ser uma oportunidade para inverter décadas de degradação, mas isso dependerá da ambição das metas, da qualidade dos indicadores, dos recursos disponíveis e da capacidade de transformar compromissos em ações concretas.

A organização considera que a versão final do plano deve ir além da contabilização das áreas restauradas e demonstrar, através de dados científicos, que as espécies e os ecossistemas estão efetivamente a recuperar.

“Sem mais ambição, melhor financiamento e uma implementação eficaz, baseada na Ciência e na participação, Portugal arrisca perder uma oportunidade que pode não voltar tão cedo”, alertou Joana Andrade.

A elaboração deste plano nacional é uma resposta ao Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, que estabelece que todos os Estados-membros devem restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas nestes próximos cinco anos, até 2030, garantindo ainda que até 2050 todos os ecossistemas que necessitem de recuperação vão estar em processo de restauro.

Portugal entrega a Bruxelas Plano Nacional de Restauro da Natureza com 386 medidas

 O Governo entregou em 28 de agosto, à Comissão Europeia as medidas que vai usar para restaurar, pelo menos, 20% das áreas terrestres e marinhas até 2030. A ministra do Ambiente pede que este plano seja “um verdadeiro movimento nacional”.

Foto: Anja Odenberg/Pixabay

O projeto de Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN) enviado hoje a Bruxelas já inclui as contribuições da consulta pública que aconteceu entre 9 de julho e 19 de agosto. “Os contributos permitiram introduzir alterações e reforçar a qualidade técnica, científica e operacional do documento”, informa hoje, em comunicado, o gabinete de imprensa do Ministério do Ambiente e da Energia.

No total, a consulta recebeu 184 participações.

O documento resulta de um trabalho coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), e envolveu as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, uma Comissão de Acompanhamento e a Rede de Conhecimento para o Restauro da Natureza, constituída por mais de 200 investigadores em todo o país.

Ao todo são apresentadas 386 medidas, que abrangem ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce, marinhos, urbanos, rios e planícies aluvionares, polinizadores, ecossistemas agrícolas e florestais, além de medidas transversais de governação.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, enviou também esta manhã uma carta à Comissária Europeia do Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall, na qual reafirmou o compromisso de Portugal com a concretização dos objetivos europeus de restauro da natureza.

“Portugal cumpre, e cumpre antes do prazo. Mas esta entrega não representa o fim de um processo. Representa o início de uma nova etapa para colocar o restauro da natureza no terreno”, disse a ministra.

E vai mais longe ao afirmar: “Queremos que este Plano seja mais do que um documento: queremos que seja um verdadeiro movimento nacional, capaz de mobilizar o Estado, as Regiões Autónomas, os municípios, a comunidade científica, os setores económicos e a sociedade civil”.

A ministra lembrou que “restaurar a natureza é proteger a biodiversidade, mas é também tornar os nossos territórios mais resilientes, gerar riqueza e melhorar a qualidade de vida das populações”.

A Comissão Europeia dispõe agora de seis meses para avaliar o projeto e apresentar observações. Portugal terá depois um período adicional de seis meses para finalizar, publicar e apresentar a versão definitiva do Plano. Esta segunda fase decorrerá, assim, entre setembro de 2026 e agosto de 2027.

Entre as iniciativas já em curso que contribuirão para a execução do Plano contam-se, por exemplo, novos projetos-piloto de restauro da natureza em territórios particularmente afetados por catástrofes, como a Serra da Estrela, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Vale do Guadiana, o Alentejo Litoral e a Mata da Margaraça.

Na carta enviada à Comissária Jessika Roswall, a ministra Maria da Graça Carvalho defendeu que o restauro da natureza disponha de uma dotação adequada no próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 e reitera o apoio de Portugal à criação de um Fundo Europeu para o Restauro da Natureza, que permita responder à dimensão do desafio e mobilizar os recursos necessários à execução dos planos nacionais.

O Governo pretende ainda trabalhar na diversificação das fontes de financiamento, incluindo instrumentos complementares como um futuro mercado de créditos de natureza e a mobilização de capital privado.

Segundo a Comissão Europeia, até ao momento, somente dois Estados-Membros da União Europeia submeteram o seu projeto de Plano Nacional de Restauro da Natureza; pelo que Portugal junta-se assim a este primeiro grupo.

PARQUE NATURAL DE MONTESINHO CELEBRA 47 ANOS COM UM DIA DEDICADO À NATUREZA E À TRADIÇÃO

 O Parque Natural de Montesinho comemora este domingo, 30 de agosto, 47 anos com um programa que junta natureza, património e as comunidades locais.


As celebrações começam em Carragosa, Bragança, com uma sessão dedicada aos valores naturais e culturais do parque. Ao longo da manhã, estarão em destaque temas como a biodiversidade, os soutos, o carvalho-negral, o pastoreio, a agricultura e a apicultura.

Durante a tarde, uma viagem por diferentes localidades do Parque leva os participantes até aos concelhos de Bragança e Vinhais, com passagem pelo miradouro de Travanca e por um souto centenário em Zido.

O programa termina com a libertação de uma ave de rapina pelo ICNF e um lanche campestre ao som dos gaiteiros de Zido.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

NEGREDA GANHA NOVO PARQUE INFANTIL DURANTE AS FESTAS DE SÃO BARTOLOMEU

 A aldeia de Negreda, no concelho de Vinhais, assinalou a 24 de agosto as festividades em honra de São Bartolomeu com a inauguração de um novo parque infantil junto à escola.


O dia começou com uma eucaristia campal, seguida da tradicional procissão e da bênção das máquinas agrícolas da população, mantendo uma tradição ligada à identidade da comunidade.

A inauguração do parque infantil foi um dos momentos centrais das celebrações. O novo equipamento pretende criar um espaço seguro para as crianças e, simultaneamente, um novo ponto de encontro para as famílias.

A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Luís Fernandes, e do presidente da Junta de Freguesia de Celas, João Santos. O espaço e um novo mural artístico, criado pelo artista Guel do It, foram também benzidos pelo padre Belmiro.

As comemorações terminaram com um almoço-convívio, que reuniu a população e amigos de Negreda.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

GNR ALERTA PARA BURLAS COM “FALSOS ACIDENTES” QUE JÁ LESARAM VÍTIMAS EM MAIS DE 72 MIL EUROS

 BURLAS DOS “FALSOS ACIDENTES” JÁ LESARAM PORTUGUESES EM MAIS DE 72 MIL EUROS


GNR alerta para esquemas que visa sobretudo condutores mais velhos

Em apenas seis meses, foram registadas 30 denúncias em todo o país, mais 15,4% do que no mesmo período de 2025. Um único caso provocou um prejuízo de 15.450 euros. No distrito de Vila Real foi registada uma ocorrência.

Um acidente que nunca aconteceu pode estar na origem de uma burla que está a ganhar expressão em Portugal e que já provocou 72.540 euros de prejuízo às vítimas apenas nos primeiros seis meses de 2026.

O alerta é da Guarda Nacional Republicana (GNR), que chama a atenção para a crescente sofisticação das burlas através da simulação de acidentes de viação. Entre janeiro e junho deste ano foram apresentadas 30 denúncias em território nacional, contra 26 no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 15,4%.

Os números revelam ainda outra realidade preocupante: em apenas meio ano, o prejuízo acumulado já se aproxima dos 77.480 euros registados durante todo o ano de 2025. E, em 2026, o caso mais grave conhecido pela GNR resultou numa perda de 15.450 euros para uma única vítima.

Entre os distritos com ocorrências registadas este ano encontra-se Vila Real, com um caso no primeiro semestre. Faro lidera a lista, com seis denúncias, seguindo-se Lisboa, Porto, Viseu e Beja, com três ocorrências cada.

O ACIDENTE É INVENTADO. A PRESSÃO É REAL

O esquema começa habitualmente com uma abordagem convincente. Os suspeitos fazem o condutor acreditar que esteve envolvido numa colisão, apontando para alegados danos no veículo e atribuindo-lhe a responsabilidade pelo suposto acidente.

A partir daí, começa a pressão.

O objetivo é convencer a vítima a pagar imediatamente pelos danos alegadamente provocados, muitas vezes sob o argumento de que assim evita a intervenção das autoridades ou problemas com a seguradora.

É precisamente neste momento que a GNR recomenda que os condutores não cedam à pressão.

Não deve ser efetuado qualquer pagamento imediato no local.

Os burlões podem recorrer a dinheiro ou a terminais de pagamento portáteis, procurando transformar rapidamente uma situação aparentemente banal num prejuízo financeiro significativo.

O PERIGO PODE CHEGAR À CONTA BANCÁRIA

A burla pode não terminar com o pagamento exigido.

Segundo a GNR, existem situações em que os suspeitos acompanham as vítimas até caixas multibanco ou procuram obter diretamente os seus dados bancários. Alguns chegam a observar o código PIN, podendo posteriormente proceder à utilização indevida do cartão.

Em determinados casos, os burlões conseguem ainda trocar o cartão bancário da vítima por outro semelhante, ficando na posse do cartão verdadeiro e do respetivo código. O resultado pode ser a realização posterior de levantamentos ou outras operações não autorizadas.

CONDUTORES COM MAIS DE 60 ANOS ENTRE OS PRINCIPAIS ALVOS

A GNR alerta particularmente para a escolha de condutores com mais de 60 anos.

Os autores deste tipo de crime procuram explorar a vulnerabilidade emocional das vítimas, o receio de consequências legais e a vontade de resolver rapidamente uma situação que acreditam ser da sua responsabilidade.

É uma estratégia baseada precisamente na pressão: criar a sensação de que é necessário pagar naquele momento para evitar um problema maior.

Mas é aí que os especialistas aconselham a fazer exatamente o contrário: parar, desconfiar e chamar as autoridades.

O QUE FAZER PERANTE UMA SITUAÇÃO SUSPEITA?

A GNR recomenda que, perante um acidente ou uma alegada colisão, os condutores: Não efetuem pagamentos imediatos no local; Protejam os cartões, códigos PIN e restantes dados bancários; Fotografem os veículos, os danos e o local da ocorrência; Recolham os dados e a documentação da outra parte; Preencham a declaração amigável ou contactem a seguradora; Contactem imediatamente as autoridades perante qualquer comportamento suspeito.

A recomendação é especialmente importante quando alguém tenta impedir a participação do acidente, pressionar para um pagamento imediato ou conduzir a vítima até um multibanco ou terminal de pagamento.

Perante uma emergência ou perigo imediato, deve ser contactado o 112.

Os dados agora divulgados pela GNR deixam uma conclusão clara: o “falso acidente” já não é uma burla de pequena dimensão. Em seis meses, foram 30 denúncias e mais de 72 mil euros perdidos. E, num único caso, a vítima ficou com um prejuízo superior a 15 mil euros.

Depois de um acidente, verdadeiro ou alegado, ninguém deve decidir sob pressão. Fotografar, identificar, participar e contactar as autoridades pode fazer a diferença entre resolver um acidente e cair numa burla.

Jornalistas: Paulo Silva Reis e Vitória Botelho
Foto: DR

BRAGANÇA QUER DAR NOVA VIDA AO CASTELO E À CIDADELA COM PROGRAMA “VIVER AS MURALHAS”

 O Município de Bragança está a preparar o programa “Viver as Muralhas”, uma estratégia integrada para valorizar o Castelo e a Cidadela e melhorar a forma como este espaço é vivido por residentes, comerciantes e visitantes.


A iniciativa pretende intervir em áreas como o trânsito e estacionamento, mobilidade, espaço público, acolhimento turístico, comércio, artesanato e programação cultural, procurando reduzir a pressão automóvel dentro das muralhas sem comprometer o acesso dos moradores e dos serviços essenciais.

Entre as soluções em estudo está a criação de ligações através de pequenos veículos elétricos entre o centro da cidade, os parques de estacionamento e o Castelo. Está também prevista, aos fins de semana, uma ligação através do Comboio Turístico entre a Estação Rodoviária e a Cidadela.

O programa contempla ainda a criação de um mercado regular de artesanato e produtos locais, a melhoria da sinalética, iluminação e espaços de estadia, bem como uma maior articulação entre os equipamentos culturais existentes dentro das muralhas.

Antes da implementação das medidas, o Município pretende ouvir residentes, comerciantes e outras entidades e testar as soluções através de um projeto-piloto. A primeira reunião do grupo de trabalho está marcada para 11 de setembro.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

TORRE DE MONCORVO RECEBE APRESENTAÇÃO DO LIVRO “ENCRUZILHADAS NO IMPÉRIO”

 A Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo recebe, no próximo dia 4 de setembro, a apresentação de “Encruzilhadas no Império”, a mais recente obra de Paulo Cordeiro Salgado.


A sessão está marcada para o auditório da biblioteca e terá apresentação a cargo de Álvaro Teixeira Leonardo.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com uma longa carreira na área da administração hospitalar, Paulo Cordeiro Salgado desenvolveu também atividade de cooperação internacional em países como Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, tendo colaborado com instituições como o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento.

O autor tem ainda um percurso ligado à literatura, com obras dedicadas à ficção, à infância e à juventude, várias delas inspiradas nas suas experiências e vivências em África.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

TABLETS GANHAM ESPAÇO NO DIA A DIA DOS MAIS VELHOS EM ALDEIAS DE BRAGANÇA

 O projeto Aldeias Pedagógicas Digitais continua a aproximar a tecnologia das populações mais velhas de Aveleda, Varge e Rio de Onor, no concelho de Bragança.


Durante os meses de julho e agosto, a equipa manteve o acompanhamento aos participantes, incluindo através de visitas domiciliárias, ajudando na utilização dos tablets e na descoberta de novas ferramentas.

Chamadas e videochamadas, música, jogos, exercício, receitas e informação já fazem parte das rotinas de vários utilizadores. Entre janeiro e julho, o tempo de utilização dos equipamentos aumentou de cerca de 259 para 940 horas mensais, com julho a registar o valor mais elevado até ao momento.

O projeto aposta assim numa utilização simples e próxima da tecnologia, promovendo a autonomia, o contacto com familiares e a participação na comunidade, ao mesmo tempo que contribui para combater o isolamento social.

As atividades incluem também oficinas comunitárias, como as realizadas em torno da alfazema, que juntaram participantes das três aldeias na recuperação de saberes tradicionais e em momentos de convívio e partilha.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

GNR REFORÇA A PRESENÇA JUNTO DOS COMERCIANTES DE BRAGANÇA NO ÂMBITO DO “COMÉRCIO SEGURO”

 Ação de proximidade aposta na prevenção e na adoção de comportamentos que contribuam para aumentar a segurança dos estabelecimentos comerciais.


O Comando Territorial de Bragança da GNR está a reforçar a presença junto dos comerciantes do distrito, no âmbito do programa “Comércio Seguro”, numa ação que coloca a prevenção e a proximidade no centro da estratégia de segurança.

A iniciativa procura sensibilizar os responsáveis pelos estabelecimentos comerciais para a importância da adoção de comportamentos preventivos e medidas de segurança capazes de reduzir situações de risco e contribuir para um ambiente comercial mais seguro.

A presença dos militares junto dos comerciantes assume também uma dimensão de proximidade, permitindo reforçar o contacto direto com quem diariamente desenvolve a sua atividade e identificar eventuais preocupações relacionadas com a segurança dos estabelecimentos.

A GNR sublinha, desta forma, a importância de uma postura preventiva e colaborativa, lembrando que a segurança dos espaços comerciais resulta não apenas da intervenção das forças de segurança, mas também da adoção de boas práticas por parte de comerciantes, trabalhadores e clientes.

Com o “Comércio Seguro”, o Comando Territorial de Bragança reforça uma mensagem simples: prevenir é também proteger e a proximidade entre a GNR e os comerciantes é uma ferramenta essencial para antecipar riscos e tornar o comércio mais seguro.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

MIRANDA DO DOURO LEVA TRADIÇÕES DO PLANALTO MIRANDÊS A ENCONTRO INTERNACIONAL EM ITÁLIA

 Miranda do Douro vai representar Portugal no XV Encontro Internacional de Máscaras Antropológicas, que decorre a 4 e 5 de setembro, em Tricarico, na região italiana da Basilicata.


Os Pauliteiros Mirandeses de Palaçoulo e as figuras tradicionais da Velha, do Bailador e da Bailadeira, de Vila Chã de Braciosa, vão levar à iniciativa algumas das manifestações mais emblemáticas do património cultural imaterial do Planalto Mirandês.

O encontro reúne grupos de vários países, entre tradições mascaradas da Europa e da América Latina, promovendo o intercâmbio entre comunidades que mantêm vivos rituais, músicas, danças e personagens ancestrais.

A participação mirandesa surge também num contexto de valorização e salvaguarda destas tradições. As danças rituais dos Pauliteiros foram inscritas, em 2025, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, enquanto o Município prepara igualmente a salvaguarda dos rituais ancestrais com máscara associados ao solstício de inverno.

Em Tricarico, Miranda do Douro terá assim oportunidade de dar a conhecer internacionalmente um património que continua a ser vivido e transmitido pelas comunidades locais.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

As “Minhas” Plantas


Estive muito tempo sem vir a casa. Tempo demais. Os móveis acumularam pó, e a própria casa prendia a respiração à minha espera. Quando entrei, o que mais me doeu não foi a frieza das divisões vazias, sem a minha gente. Com parte da minha gente estava todos os dias noutro cantinho do mundo. O que mais me doeu foram as saudades daquilo que deixei a crescer sem mim.

Quando fechei a porta pela última vez, levei comigo, para além do braço direito ao peito e uma tristeza profunda devido à incúria de quem tem por missão zelar pelo bem estar de todos os cidadãos e não o faz, a inquietação de quem abandona um bocado da vida. As plantas ficaram. Discretas, imóveis na aparência, mas a fervilhar por dentro com aquele labor que nunca se esgota. Muitas vezes pensei nelas. Imaginei folhas a amarelecer, caules vergados, terra ressequida… uma teia de aranha. Imaginei o chão salpicado de folhas secas, como cartas antigas que ninguém leu a tempo.

Voltei, por fim. Por pouco tempo, mas voltei.

Ao abrir a porta, a luz entrou comigo, e eu entrei com ela. O soalho, surpreendentemente, estava quase limpo das folhas que temi encontrar. Não havia tapete de abandono, não havia sinais de desistência. Pelo contrário. Ali estavam elas, erguidas, compostas, quase altivas. Revigoradas. Peneirentas. Emproadas como senhoras antigas que nunca perderam o porte.

Aproximei-me devagar, como quem se aproxima de alguém a quem deve um pedido de desculpa. Toquei numa folha aqui, noutra ali. Estavam firmes, frescas, vivas. E senti, sem presunção, mas com uma convicção que me aqueceu o peito, que tinham tido ainda mais saudades de mim do que eu delas.

A velha borracheira, quase tão velha como eu, foi a que mais me comoveu. Sempre a conheci resistente, paciente, dona de um silêncio sábio. Agora, as suas folhas abriam-se em todas as direções, como braços que se estendem para um abraço tardio. Havia nelas uma energia nova, uma espécie de alegria que me parecia impossível ignorar. As folhas lustrosas refletiam a luz como um sorriso discreto.

Ali, naquele instante, todas as dúvidas se dissiparam.

As minhas plantas não são apenas objetos decorativos, nem companhia inerte. São presença. Foram espera. Foram persistência. Tinham suportado a minha ausência, tinham atravessado os dias longos sem a minha voz, sem o meu cuidado sempre atento, e ainda assim não se renderam. Antes pelo contrário, pareciam ter guardado forças para este reencontro.

Senti que a casa respirava outra vez.

Há quem diga que as plantas não sentem, que não sabem da nossa existência, que crescem apenas por instinto químico e impulso biológico. Mas como explicar esta impressão tão clara de reconhecimento? Esta troca que não precisa de palavras? Ao regá-las, pela primeira vez depois de uns meses sem o fazer, senti que não era só a água que lhes oferecia, era também a minha presença. E, de alguma forma, elas devolviam-me algo igualmente essencial.

Talvez seja isto que nos salva, perceber que a vida, mesmo na sua forma mais discreta, responde ao afeto. Que há uma comunicação subterrânea, que não se vê, como as raízes que se entrelaçam sob a terra, mas tão real quanto o verde que explode nas folhas.

A velha borracheira, firme no seu canto, ensinou-me mais do que muitos discursos, principalmente dos discursos dos ranhosos “modernos”. Ensinou-me que esperar também é uma forma de amar. Que resistir é um ato de fidelidade. E que a vida, quando é vida, encontra sempre maneira de se erguer outra vez.

Claro que alguém ia regar as “minhas” plantas uma vez por semana. Quero crer que apesar do “alimento” que nunca lhes faltou, sentiram a minha falta como eu senti a delas.

Não tinha dúvidas. Mas, se as tivesse, acabavam agora. As plantas são seres vivos.

HM
28 de Agosto de 2026

Abertura da Escola da Banda Filarmónica de Bragança! 🎶

 Um novo espaço para aprender, descobrir talentos, fazer amizades e viver a música em comunidade — aberto a crianças, jovens e adultos, com ou sem experiência musical.

Queres aprender um instrumento?
Queres desenvolver os teus conhecimentos musicais?
Queres fazer parte da nossa família e ajudar a construir o futuro da banda?

Inscrição AQUI.

Porque uma banda não se faz apenas de música. Faz-se de pessoas, dedicação, amizade, tradição e sonhos.

Palaçoulo: Exposição “Antes que se perca – rostos que contam” é uma homenagem aos anciãos

 Foi inaugurada em Palaçoulo, a exposição fotográfica “Antes que se perca – rostos que contam”, um projeto da autoria de Maria Solano e Sabina Martins, cujo propósito é homenagear e guardar a memória dos anciãos, desta conhecida localidade do concelho de Miranda do Douro.


O presidente da Freguesia de Palaçoulo, Xavier Rodrigues, felicitou as autoras do projeto fotográfico e corroborou da perspectiva de que as pessoas são o mais importante legado da localidade.

“As fotografias que hoje podemos ver não são apenas retratos. Cada rosto que aqui encontramos representa uma vida, uma história, uma família, um trabalho, uma época e uma parte de Palaçoulo. São rostos de pessoas que viveram muitas mudanças. Pessoas que conheceram outros tempos, outras dificuldades, outras formas de viver. Pessoas que trabalharam, lutaram, criaram os seus filhos, construíram as suas casas e ajudaram, de uma forma ou de outra, a construir a aldeia que hoje conhecemos”, disse o autarca de Palaçoulo.

Na perspectiva de Xavier Rodrigues, “Antes que se perca, rostos que contam” — faz muito sentido.

“Porque o tempo passa. As pessoas passam, as gerações mudam e pouco a pouco, algumas memórias correm o risco de desaparecer. Mas enquanto houver uma fotografia, um nome, uma história ou alguém que se lembre, essa memória continua viva”, justificou.


De acordo com as autoras, Maria Solano e Sabina Martins, a exposição fotográfica “Antes que se Perca – Rostos que contam” surgiu da vontade de estar e de escutar as pessoas de Palaçoulo.

“Sentimos o apelo de estar com os nossos maiores, de aprender com a sua experiência de vida e escutar as suas histórias que nunca foram escritas. Inteiramo-nos que grande parte da história da nossa terra vive apenas na memória das pessoas. E a memória, se não for partilhada, desaparece”, justificaram Maria Solano e Sabina Martins.

Para concretizar este propósito, as jovens fotografas agradeceram a confiança, o acolhimento e a coragem das pessoas de Palaçoulo, em partilhar a intimidade das suas vidas.

“Infelizmente, desde que começámos este trabalho, duas das pessoas que fazem parte deste projeto já partiram. E isso fez-nos sentir, de uma forma muito concreta, o verdadeiro significado destas palavras: “Antes que se perca”. Porque hoje podemos continuar a ouvir as suas vozes através das memórias que nos deixaram. Podemos continuar a olhar para os seus rostos. E podemos continuar a contar as suas histórias”, sublinhou Maria Solano.


As autoras adiantaram que a exposição “Rostos que Contam” é o primeiro capítulo do projeto e que ainda há muito mais pessoas e memórias em Palaçoulo, para guardar em fotografia e no coração.

“O projeto não termina aqui. Pelo contrário. Esperamos que esta exposição nos faça perceber que ainda há muito para ouvir e muitas memórias que merecem ser guardadas. E talvez, ao sairmos daqui, cada um de nós pense numa pessoa, numa história ou numa palavra que não queremos que desapareça. Porque, no fundo, é essa a pergunta que está no coração deste projeto: “Que cousa gostáveis que nós guardássemos… antes que se perca?”, interpelaram.

A exposição “Antes que se perca – rostos que contam” pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 17h00, na antiga escola primária, em Palaçoulo.

HA

Palaçoulo: Feira Anual proporcionou o encontro e convívio com os visitantes

 Palaçoulo celebrou a 27 de agosto, a Feira Anual e nem mesmo a chuva da manhã afugentou centenas de pessoas do certame, que começou com a feira franca, incluiu a inauguração da exposição fotográfica “Rostos que contam”, encheu-se de gente à tarde, para assistir às danças dos pauliteiros e às lutas de touros mirandeses e encerrou com os concertos musicais de Urze de Lume e Triângulo.


O certame foi organizado pela Freguesia de Palaçoulo e o presidente, Xavier Rodrigues, neste primeiro ano na liderança da autarquia, indicou que procuraram acrescentar uma componente cultural, com a inauguração da exposição fotográfica “Antes que se perca – Rostos que contam”.

“Na feira anual, às atividades emblemáticas como a feira franca, a feira de artesanato, as chegas de touros e os concertos musicais, este ano acrescentámos a inauguração da exposição “Antes que se perca – rostos que contam”, na antiga escola primária. Esta mostra fotográfica é acima de tudo uma homenagem e uma expressão de gratidão aos nossos conterrâneos e conterrâneas, com mais experiência de vida e sabedoria”, destacou.

Habitualmente em Palaçoulo, a feira anual, a 27 de agosto, iniciava o período festivo de verão, até 2 de setembro, em que se celebra a Festa em honra de Nossa Senhora do Rosário. Este ano, dada a falta de mordomos, a festa não se realiza, o que entristeceu o presidente da freguesia de Palaçoulo, Xavier Rodrigues.

“As festas de verão são momentos de descanso e de convívio entre a população de Palaçoulo e quem nos visita. É com tristeza que, pela falta de pessoas disponíveis, este ano a festa não se realiza. Recordo que a Festa em honra de Nossa Senhora do Rosário, é uma festividade centenária, que se celebra desde 1917. Ainda assim, no dia 2 de setembro, vai celebrar-se a missa solene e a procissão, animada pela Banda Filarmónica Mirandesa. No próximo ano, propunha que em vez dos anteriores sete dias de festa se façam apenas 2 dias”, disse o autarca de Palaçoulo.


Numa análise ao trabalho realizado na Freguesia de Palaçoulo, neste primeiro ano do mandato, Xavier Rodrigues, indicou que estão a atender as solicitações dos fregueses, na manutenção e limpeza dos caminhos rurais, nos arranjos urbanísticos, entre outras solicitações.

De visita à Feira Anual, em Palaçoulo, a presidente do Município de Miranda do Douro, Helena Barril, destacou a capacidade de trabalho, o empreendedorismo da população e a relevância deste certame.

“A gente de Palaçoulo são pessoas alegres, solidárias e tornaram esta localidade conhecida nacional e internacionalmente, pelo impeto industrial e pelo significativo contributo para o desenvolvimento económico da região e do país. Felicito também a freguesia de Palaçoulo, pela organização desta feira anual, que para além dos negócios, proporciona o encontro e o convívio entre a população local e os visitantes, Palaçoulo é também uma localidade onde as pessoas gostam das suas tradições e transmitem-nas com alegria aos mais jovens, como são as danças dos pauliteiros”, disse a autarca mirandesa.


Natural de Palaçoulo, Cisnando Ferreira, destacou a polivalêncida das pessoas, no desenvolvimento de indústrias como as artes gráficas, a cutelaria, a tanoaria, o artesanato, a venda de máquinas agrícolas, a restauração, o turismo religioso com o Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja e a cooperativa agrícola.

“Antigamente, Palaçoulo era uma aldeia predominantemente agrícola e pecuária, onde se criava gado bovino de raça mirandesa. A realização das chegas de touros na Feira Anual, deve-se a essa antiga tradição. A partir da década de 1990, em Palaçoulo, operou-se uma mini revolução industrial, com as pessoas a passarem da agricultura para a indústria”, disse.

Sobre a evolução das feiras, que em Palaçoulo se realizam mensalmente no dia 27, Cisnando Ferreira, indicou que o declínio demográfico tirou pujança económica aos certames, que antigamente eram sobretudo mercados de gado bovino, ovino, caprino e suíno.

“Atualmente, a feira tem menos feirantes, menos público e há outros produtos e artigos à venda. Acima de tudo, esta Feira Anual é um momento de celebração, de encontro e convívio da população de Palaçoulo com quem nos visita. As chegas de touros, por exemplo, são um espetáculo que conseguem atrair centenas de pessoas a Palaçoulo. Para continuar a desenvolver a feira importa mostrar o que nos distingue, como são as navalhas, as barricas, as artes gráficas, as máquinas agrícolas, o mosteiro, etc.”, disse.


O casal, Paulo e Sílvia, vieram de Famalicão até Palaçoulo, para visitar a Cutelaria Martins, por coincidência no dia 27 de agosto, aquando da Feira Anual e no momento das Chegas de Touros.

“É a primeira vez que visitámos Palaçoulo e por coincidência no dia da Feira Anual. Aproveitámos a estadia para assistir os espetáculos das chegas de touros mirandeses, das danças dos pauliteiros e a performance do grupo de percussão Porbatuka. Gostámos muito desta jornada em Palaçoulo e com certeza vamos regressar a esta bela região da Terra de Miranda”, disseram os visitantes.

A Feira Anual, em Palaçoulo, encerrou com o arraial musica dos grupos “Urze de Lume” e “Triângulo”.

Em Palaçoulo, no dia 2 de setembro, às 14h30, celebra-se a missa em honra de Nossa Senhora do Rosário, seguida da procissão, acompanhada pela Banda Filarmónica Mirandesa. 
Antigamente, em Palaçoulo, na festa dedicada a Nossa Senhora do Rosário, participavam também os animais: vacas, ovelhas, burros, etc., que transportavam sacos de oferendas como o trigo, batatas e outros produtos da terra e pediam a proteção divina contra as enfermidades.

HA

Festival de Música Internacional leva tradições populares à Praça das Eiras

 Macedo de Cavaleiros recebe, esta sexta-feira e sábado, o XXI Festival de Música Internacional, que decorre na Praça das Eiras.


O evento tem início marcado para as 21h00 e reúne diferentes projetos ligados à música e às tradições populares.

Na sexta-feira, dia 28, sobem ao palco Albaluna, Urze de Lume e El Portal de Carmen. No sábado, dia 29, a programação conta com Batucada, Adufeiras e Batucadeiras das Olaias.

O programa inclui ainda arruadas com os Abelhudos, Pauliteiros de Salselas, Toca a Bombar, Bombos de Ala e Fanfarra de Vale da Porca.

Para o presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, o Município espera uma forte adesão ao evento:

“Podemos contar com muita animação. Obviamente que, no que toca ao tempo, não está como gostaríamos. Por um lado, é bom, por causa dos incêndios, mas, por outro, está um bocadinho mais fresco. Mas, sim, o que nos tem habituado este festival de música tradicional é a muita animação. Estamos a contar que a Praça das Eiras, mais uma vez, encha para este evento.”

Com 21 edições, o festival mantém-se no calendário cultural do Município e aposta numa programação dedicada à música tradicional e à diversidade de expressões culturais:

“Sim, claro que sim. Aliás, é um evento que já vem de trás, é um evento que tem tido sempre muita adesão, mesmo em termos musicais e tradicionais. É bastante abrangente e temos tido algumas atuações bastante boas, de que as pessoas gostam bastante. Estamos a falar de uma altura em que ainda temos alguns emigrantes na nossa terra. É o último fim de semana, por assim dizer, e contamos que seja, como disse, um grande espetáculo.”

O autarca garante a continuidade do festival e admite mudanças em futuras edições, embora considere adequado o atual formato:

“Obviamente que é para manter e, no futuro, tentaremos sempre fazer com que seja melhor, não só em termos de qualidade, mas também em termos de quantidade. Pelo menos, a questão de poder aumentar ou não os dias, mas acho que este modelo é o ideal. Por isso, claro, estamos um bocado ansiosos por este evento.”

O XXI Festival de Música Internacional realiza-se nos dias 28 e 29 de agosto, na Praça das Eiras, em Macedo de Cavaleiros, com início marcado para as 21h00.

Jodie Pinto

Podence recebe primeira edição do Rock Podence

 A aldeia de Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros, recebe hoje e amanhã a primeira edição do Rock Podence.


A iniciativa nasceu da vontade de três amigos, que se juntaram para criar um festival com o objetivo de levar ao Interior uma proposta cultural diferente, como explica Rafael de Podence, um dos organizadores:

“Considero que era uma coisa que faltava aqui, uma festa diferente, para não ser só festas com música popular portuguesa, como é costume. Aqui na região ainda faltava haver uma festa deste nível, porque não se encontram muito festivais deste tipo, quer no nosso concelho, quer até a nível distrital. Não há muita oferta neste âmbito e acho que é uma coisa bonita para a região.”

O organizador enumera as bandas que vão atuar ao longo dos dois dias:

“Hoje vamos ter os Seventh Plague, os emblemáticos Pica e Trilha, de rock agrícola, e vamos ter o DJ Mazeda, dos Batucada. Depois, no sábado, vamos ter Crianças ao Poder, Paredes Sem Fachada e, para terminar e partir isto tudo, os grandes Mata-Ratos.”

Para já, as expectativas são positivas:

“A ideia é essa. Como é a primeira vez que estamos a criar este evento, é sempre difícil fazer uma previsão, mas a ideia é que o pessoal adira. Para já, sabemos que há alojamentos alugados por pessoas provenientes do Porto, Santo Tirso, entre outros locais, que vêm de propósito para participar neste festival.”

O Rock Podence conta com o apoio logístico do Município de Macedo de Cavaleiros e da União de Freguesias de Podence e Santa Combinha.

A entrada é livre.

O festival decorre no Largo da Feira e vai contar com a animação dos Caretos de Podence, um mercadinho com diversos produtos e ainda artesanato.

Fotografias: Organização

Maria João Canadas

Câmara quer reduzir trânsito dentro da Cidadela

 A Câmara de Bragança vai estudar o condicionamento progressivo do trânsito automóvel no interior da Cidadela, criar novas soluções de estacionamento no exterior das muralhas e implementar um circuito com pequenos veículos elétricos entre o centro da cidade e o Castelo, anunciou a autarquia esta sexta-feira, em comunicado.


As medidas fazem parte do programa “Viver as Muralhas”, apresentado pela presidente da Câmara, Isabel Ferreira, durante a reunião do executivo municipal, e que pretende promover uma intervenção integrada naquela zona histórica da cidade.

O projeto encontra-se ainda numa fase inicial e as soluções não estão fechadas. A autarquia pretende começar por fazer um diagnóstico e ouvir moradores, comerciantes e diferentes entidades antes de avançar para um projeto-piloto.

“Queremos olhar para a Cidadela a partir de quem vive, de quem trabalha e de quem visita este espaço”, explicou Isabel Ferreira, acrescentando que a intenção é “organizar melhor a circulação e o estacionamento” e “reduzir a pressão automóvel onde ela não é necessária”.

“Não partimos com soluções fechadas. Vamos ouvir os residentes e as entidades envolvidas, estudar as alternativas e testar as soluções antes de as tornar definitivas”, assegurou a autarca.

Uma das principais mudanças poderá passar pela limitação da circulação automóvel dentro das muralhas. O acesso continuará, contudo, a ser assegurado aos moradores, pessoas com mobilidade condicionada, veículos de emergência e serviços públicos, bem como para cargas e descargas e outras situações justificadas.

Para controlar as entradas, estão em estudo sistemas de leitura de matrículas, cartões ou identificadores eletrónicos e até semáforos. Antes disso, será feito um levantamento das necessidades de estacionamento dos residentes.

Uma das alterações com maior impacto poderá acontecer no atual Parque de Autocaravanas da costa sul.

A Câmara admite reconverter vários dos seus patamares em estacionamento para os visitantes da Cidadela. O primeiro patamar deverá continuar destinado à atual área de serviço para autocaravanas.

A redução da entrada de automóveis será acompanhada pela procura de alternativas de transporte. Uma das hipóteses é criar um circuito com pequenos veículos elétricos entre a Estação Rodoviária, o centro da cidade, os parques de estacionamento e o Castelo.

A Câmara admite soluções como tuk-tuk elétrico ou miniautocarro, procurando um veículo silencioso e adaptado às características da zona histórica.

Aos fins de semana, está também prevista a utilização do Comboio Turístico da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo para assegurar uma ligação regular entre a Estação Rodoviária e o Castelo.

O projeto “Viver as Muralhas” vai, no entanto, além das questões relacionadas com o trânsito. O município quer intervir nos espaços verdes, iluminação, mobiliário urbano, pavimentos e sinalética e criar zonas de estadia e contemplação.

Está também prevista a requalificação de um espaço para a instalação de um Posto de Turismo, complementado com informação digital e multilingue e percursos que permitam ligar os diferentes pontos de interesse existentes dentro das muralhas.

Outra das propostas passa pela criação de um mercado regular de artesanato e produtos locais, preparado em conjunto com artesãos, produtores e associações do concelho, que poderá incluir oficinas, demonstrações ao vivo e atividades para famílias.

Também os horários dos equipamentos culturais poderão sofrer alterações. A Câmara pretende discutir com as entidades responsáveis pelo Museu Militar e pela Domus Municipalis o funcionamento destes espaços, sobretudo aos fins de semana, feriados e épocas de maior afluência turística.

A intenção é igualmente melhorar a articulação com o Museu Ibérico da Máscara e do Traje e promover programação conjunta, nomeadamente exposições, recriações históricas, visitas e outros eventos.

Apesar do conjunto de propostas já identificado, a Câmara sublinha que nenhuma das principais soluções está ainda fechada.

O processo começará com um diagnóstico à circulação, estacionamento, fluxos turísticos, necessidades dos moradores, espaço público e funcionamento dos equipamentos. Depois será elaborado um programa preliminar, com diferentes soluções, custos estimados, modelo de gestão e calendário.

Seguir-se-á uma fase de participação dos moradores, comerciantes, entidades culturais, forças de segurança, associações e operadores turísticos.

As medidas escolhidas serão então experimentadas através de um projeto-piloto, sobretudo aos fins de semana e nos períodos de maior procura. A decisão definitiva dependerá da avaliação do impacto no trânsito e estacionamento, número de visitantes, satisfação dos moradores e turistas e atividade económica.

A primeira reunião do grupo de trabalho do “Viver as Muralhas” está marcada para 11 de setembro e contará com representantes da Câmara, União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, Museu Militar, Domus Municipalis, PSP, Turismo do Porto e Norte e Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança.

Artesãos, produtores, comerciantes, operadores turísticos e representantes dos moradores da Cidadela deverão igualmente participar no processo.