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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 9 de maio de 2026

A 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗟𝗶𝘃𝗿𝗼 regressa a Bragança de 28 a 31 de maio, no Corredor Verde do Fervença - Pólis 📚

 Durante quatro dias, o espaço transforma-se num ponto de encontro entre livros, autores e leitores, com apresentações, atividades culturais e propostas para todas as idades.
Um evento que celebra a leitura e a cultura no coração da cidade.

𝐃𝐞𝐬𝐚𝐟𝐢𝐨: 𝐕𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐟𝐚𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐩𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨? - 𝐄𝐩𝐢𝐬ó𝐝𝐢𝐨 𝟔 — Berrões de Miranda do Douro

 Entre campos e antigos caminhos rurais de Miranda do Douro, permanecem testemunhos silenciosos de comunidades que habitaram este território há mais de dois mil anos. Entre eles destacam-se os 𝐛𝐞𝐫𝐫õ𝐞𝐬, esculturas zoomórficas talhadas em granito que continuam envoltas em mistério.
Conhecidos em Espanha como verracos, estes monumentos representam geralmente javalis, porcos ou touros e fazem parte de uma tradição escultórica da Idade do Ferro, associada à força, proteção e fertilidade. Espalhados pela paisagem da Meseta Ibérica, revelam a profunda ligação das antigas comunidades ao mundo animal e à terra.

Em Miranda do Douro existem vários exemplares desta estatuária ancestral, como o Berrão de Ramilo, descoberto em 2020 na freguesia de Duas Igrejas, ou os achados de Picote e Malhadas, que ajudam a contar a história e a importância desta região ao longo dos séculos.

Talhados há milhares de anos, os berrões continuam a guardar silenciosamente a paisagem transmontana, lembrando-nos que a história está muitas vezes escondida à vista de todos.

Moda e Estilo nos Anos 70 - Liberdade, Cor e Juventude


 Os anos 70 do século passado foram um grito. Um grito que se ouviu nas ruas, nos palcos, nas universidades, nos liceus e nas escolas, nos bairros, e nos salões de baile. Um grito que dizia: - Queremos ser nós. E esse grito, não estava nu. Vestia-se.

A roupa deixou de ser apenas tecido e costura. Tornou-se num manifesto. Tornou-se parte da linguagem. Tornou-se pele política.

Depois das convulsões sociais e culturais dos anos 60, a juventude dos anos 70 recusou herdar um mundo pronto e fechado. Quis reinventá-lo, e começou pelo corpo. Vestir passou a ser um ato de afirmação, quase um ritual diário de liberdade. Já não se tratava de parecer “adequado”, mas de parecer verdadeiro.

As calças à boca-de-sino eram movimento e afirmação. Abertas na base, ondulavam ao caminhar como se dançassem com o vento. Ajustadas na cintura, desenhavam uma silhueta confiante e despreocupada. Homens e mulheres usavam-nas sem distinção, muitas vezes combinadas com camisas de colarinhos largos, t-shirts justas ou blusas coloridas. O tecido acompanhava o corpo como se dissesse… não temos de nos envergonhar por estarmos vivos.

As cores explodiram. Depois de décadas de sobriedade, surgiram laranjas queimados, amarelos solares, verdes intensos, rosas elétricos. Os padrões psicadélicos, herança da arte visionária e da música que saía das guitarras e dos sonhos coletivos, espalharam-se por vestidos, lenços e camisas. Eram espirais, formas geométricas, flores impossíveis. Vestir era entrar num quadro vivo, onde cada pessoa se tornava parte da própria obra.

Nos cabelos também se fez revolução. Para muitos rapazes, eu incluído, deixá-los crescer era um ato de desafio pacífico. Inspirados por bandas como os The Beatles ou os Led Zeppelin, o cabelo comprido simbolizava rutura com convenções conservadoras e aproximação a uma cultura alternativa, mais livre e experimental. Não era só estética, era identidade.

Para as raparigas, a naturalidade tornou-se símbolo de autenticidade. Franjas soltas, cabelos longos ao vento, maquilhagem leve. A beleza afastava-se do excesso rígido das décadas anteriores. Havia um desejo de parecer menos “construída” e mais vivida. Como se o rosto dissesse que não precisava de moldes para existir.

Artistas como David Bowie transformaram o palco numa passerelle futurista, misturando androginia, brilho e teatralidade. A roupa já não tinha género fixo nem regras estáticas, tinha atitude.

Dos Estados Unidos vinha a força do movimento hippie, que tinha aparecido em lugares como São Francisco. Tecidos naturais, túnicas, coletes de camurça, franjas, contas artesanais. Havia uma procura por autenticidade, por ligação à terra, por espiritualidade. Vestir, também era recusar o consumismo cego e valorizar o feito à mão, o imperfeito, o humano.

E depois havia a ganga.

Antes associada ao trabalho duro, aos operários e agricultores, a ganga renasceu como bandeira juvenil. As calças de ganga tornaram-se quase universais. Rasgadas, bordadas, ajustadas ou largas, eram democráticas. Podiam ser usadas numa manifestação, num concerto, numa tarde despreocupada. A ganga simbolizava igualdade, todos podiam vestir liberdade.

Mas talvez o mais poderoso da moda dos anos 70 tenha sido a sensação de que… tudo era possível. A ideia de que cada manhã era uma tela em branco. Que o espelho não servia apenas para verificar a aparência, mas para afirmar: - Eu escolho quem sou.

A moda tornou-se palco de debates sobre género, sobre autoridade, sobre tradição. Misturavam-se peças masculinas e femininas, o formal com o informal, o artesanal com o industrial. Nada era rígido. Tudo podia ser reinventado.

Era a resistência às normas rígidas, às expectativas estreitas, ao silêncio imposto. Os padrões vibrantes, os cabelos ao vento, a boca-de-sino em movimento carregava uma mensagem. A juventude já não queria caber em moldes antigos e gastos.

Os anos 70 ensinaram que o vestir podia ser um ato de desenvoltura e até de alguma coragem. Que o estilo podia ser um manifesto. Que a cor podia ser política. E que a juventude, quando se reconhece a si própria, transforma até o mais simples pedaço de tecido numa declaração de liberdade.

Foi uma década de nova moda. Foi uma década de identidade. Uma década em que a roupa deixou de ser aparência, e passou a ser a nossa alma exposta ao mundo.

HM
9 de Maio de 2026

Hoje, 9 de Maio, a AEPGA celebra 25 anos de existência, assinalando um percurso marcado pelo compromisso contínuo com a salvaguarda do Burro de Miranda e com a valorização do território do Nordeste Transmontano.

 Fundada numa altura em que a raça se encontrava em acentuado declínio e socialmente desvalorizada, a associação tem vindo a desempenhar um papel determinante na inversão deste cenário. Ao longo destas duas décadas e meia, o trabalho desenvolvido traduziu-se no aumento do número de animais, na melhoria significativa das suas condições de bem-estar e no reconhecimento crescente do seu valor enquanto património genético, cultural, ecológico e identitário.


A missão de “trabalhar pelo bem-estar de burros e pessoas” tem orientado toda a atuação da AEPGA, sustentando uma abordagem integrada que cruza ambiente e conservação da natureza, educação, bem-estar animal, cultura, investigação e intervenção social. Este caminho tem sido possível graças ao envolvimento de comunidades locais, investigadores, parceiros institucionais e público em geral, num esforço colectivo de valorização do mundo rural.

A criação de infra-estruturas como o Centro de Valorização do Burro de Miranda e o Centro de Actividades Lúdico-Pedagógicas, bem como o desenvolvimento de iniciativas culturais, educativas e científicas, contribuíram de forma decisiva para reforçar a ligação entre pessoas, animais e território. Paralelamente, a associação tem promovido uma transformação profunda da percepção sobre o burro, hoje reconhecido como símbolo de sustentabilidade, identidade e renovação rural.

Mais do que preservar uma raça, a AEPGA tem procurado demonstrar que é possível construir territórios mais vivos, equilibrados e sustentáveis, através de uma relação mais consciente entre pessoas, animais e natureza.

As celebrações dos 25 anos da AEPGA irão decorrer ao longo do próximo ano, através de diferentes iniciativas que darão a conhecer este percurso, revisitar memórias e projectar desafios e ambições para o futuro.

Parabéns, AEPGA! Que venham muitos mais anos de dedicação e inspiração!

SEO/Birdlife: andorinhas consomem cerca de 850 insetos por dia e são essenciais a um ambiente saudável

 A presença de aves como andorinhões e andorinhas nas vilas e cidades é um sinal de um ambiente saudável para as pessoas. Por exemplo, uma andorinha pode consumir cerca de 850 insetos por dia, desempenhando um papel muito benéfico, segundo a Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/Birdlife).

Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Foto: Standbild-Fotografie/WikiCommons

Por exemplo, uma andorinha cuja dieta se baseia principalmente em moscas, mosquitos, formigas aladas, vespas, percevejos e pequenos escaravelhos pode consumir cerca de 60 insetos por hora (cerca de 850 insetos por dia), o que equivale a 310.250 moscas e mosquitos por ano.

Todos os anos, após percorrerem milhares de quilómetros desde as suas áreas de invernada em África, estas aves voltam à Península Ibérica para se reproduzirem.

“Muito ligadas ao ser humano, fazem parte tanto do património natural como do legado cultural e histórico das nossas localidades. Trata-se de espécies protegidas a nível nacional e europeu (incluindo os seus ninhos, ovos e crias), que souberam adaptar-se à convivência com as pessoas, aproveitando, em muitos casos, as estruturas urbanas para nidificar”, escreve a organização em comunicado.

No entanto, nos últimos anos, as suas populações têm registado um acentuado declínio. Entre as principais causas deste declínio destacam-se a perda de espaços adequados para nidificar devido, em grande medida, ao desenho dos edifícios modernos, que não têm cavidades e estruturas apropriadas; o uso intensivo de pesticidas, que reduziu drasticamente a disponibilidade de insetos, a sua principal fonte de alimento; e a perda de habitat.

A isto soma-se o facto de, em muitas reabilitações de edifícios históricos e monumentos, não serem incorporados critérios que favoreçam a conservação dos ninhos existentes ou a criação de novos espaços de reprodução.

Também se registam perturbações, pilhagens e até a destruição de ninhos, o que provoca a morte de exemplares. No caso das andorinhas, outro problema adicional é a escassez de barro em ambientes urbanos, essencial para a construção dos seus ninhos.

Assim, a SEO/Birdlife considera “fundamental que, ao planear obras de reabilitação em edifícios e monumentos, se respeitem os períodos de reprodução e criação destas espécies protegidas”.

Antes de iniciar qualquer intervenção, é imprescindível verificar a presença destas aves e programar os trabalhos com a devida antecedência, assegurando que sejam realizados em períodos em que não estão presentes.

“A SEO/BirdLife defende que a conservação do património natural não é apenas uma obrigação legal, mas também um direito dos cidadãos, tal como acontece com o património cultural.”

Recentemente, várias organizações denunciaram o impacto das obras na muralha de Trancoso por ameaçarem uma das maiores colónias de andorinhões-pretos de Portugal.

A SEO/Birdlife sublinha que é possível aplicar soluções técnicas simples, plenamente compatíveis com as obras e a vida em meio urbano, que permitem evitar incómodos sem necessidade de eliminar os ninhos.

Entre as principais recomendações, destaca o planeamento das obras fora do período reprodutor (primavera e verão). “Nos casos em que uma intervenção possa afetar um ninho, é imprescindível obter previamente autorização da autoridade competente para a sua remoção”, especifica.

Propõe também a instalação de prateleiras ou outros sistemas de recolha de dejetos sob os ninhos, uma medida eficaz para minimizar os incómodos para a população. É ainda possível substituir ninhos danificados por estruturas artificiais adequadas, sempre fora da época de reprodução e com a devida autorização administrativa, quando necessário.

Há já várias temporadas que a SEO/BirdLife disponibiliza o acompanhamento em direto de uma colónia de andorinhão-pálido em Jerez, através de uma câmara web instalada no colégio Esclavas SCJ de Jerez. Trata-se de uma iniciativa única a nível mundial, que permite observar, 24 horas por dia, o comportamento reprodutor desta espécie, que apenas pousa durante a época de reprodução.


ICNF e APA: Zero, SPEA e Quercus questionam reestruturação anunciada pela ministra do Ambiente

 As três organizações reagiram esta quinta-feira com preocupação ao anúncio feito pelo gabinete da ministra do Ambiente e Energia. Quercus pede reunião urgente com Maria da Graça Carvalho.

Foto: KevinsPhoto/Pixabay

As mudanças planeadas para o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e para a Agência Portuguesa de Ambiente (APA), anunciadas esta semana pela ministra da tutela, Maria da Graça Carvalho, estão a ser vistas com apreensão por várias organizações ligadas à defesa do ambiente, que pedem para ser escutadas neste processo e receiam que a anunciada “simplificação profunda dos processos de licenciamento” enfraqueça ainda mais a conservação do património natural.

“O comunicado do Governo centra-se exclusivamente na linguagem da desburocratização e da facilitação do investimento, sem uma única menção à missão fundamental destas instituições: proteger o património natural de Portugal”, afirma a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), defendendo que “a eficiência administrativa não pode ser alcançada à custa do enfraquecimento dos mecanismos de proteção ambiental”.

A mesma opinião é partilhada pela ZERO, que aponta o dedo às reformas em cima da mesa, considerando-as “uma clara tentativa de fragilizar ainda mais as instituições que devem defender o bem comum, criando não só uma inaceitável pressão adicional sobre recursos técnicos que já estão há muito no limite das suas capacidades, mas também prejudicando a qualidade e o rigor das avaliações que serão efetuadas, o que poderá levar a decisões tecnicamente pouco ponderadas”. 

A ONG questiona também se este processo de “debilitação” poderá ser agravado por “cortes nos orçamentos de funcionamento das instituições, situação que gerará a inoperacionalidade quase total dos serviços públicos”. E alerta para uma possível “tentativa de desestruturação da política pública de ambiente, em benefício de interesses que poderão não ser compatíveis com os instrumentos de gestão territorial ou com a conservação dos valores naturais protegidos”. 

Também a Quercus exige cautela neste processo de reestruturação, admitindo que “a modernização, simplificação e automatização de processos é desejável”, mas desde que “não abra caminho ao eventual esvaziamento de competências e de autonomia destes organismos” nem comprometa a sua capacidade operacional e os meios necessários para fiscalizarem no terreno.

Fiscalizar antes ou no final?

Outra das medidas olhadas com preocupação, aliás, é a “simplificação profunda” dos processos de licenciamento, incluindo a passagem de um modelo de controlo prévio para a aposta na fiscalização a posteriori.

A Quercus teme que a simplificação anunciada tenha de facto como objetivo a criação de “um ‘livre-trânsito’ para atropelar os interesses e as regras ambientais”.

“A destruição de um habitat prioritário, a perturbação de espécies em época de nidificação ou a alteração irreversível de uma zona húmida não são danos que possam ser remediados com uma multa ou uma ordem de reposição”, acrescenta por seu lado a SPEA, que afirma que “enfraquecer os mecanismos de avaliação prévia não só agravaria a situação do património natural como exporia Portugal a sanções comunitárias acrescidas”.

“Proteger a natureza é proteger o futuro de Portugal e dos portugueses. As zonas húmidas que filtram a água que bebemos, as paisagens naturais saudáveis que nos protegem dos incêndios, os ecossistemas costeiros que defendem as comunidades piscatórias — tudo isto depende de instituições públicas capazes de fazer o seu trabalho. Quando se enfraquecem a APA e o ICNF, não é só a Natureza que fica desprotegida são só as aves que ficam desprotegidas: são as pessoas”, afirma Pedro Neto, diretor-executivo da SPEA.

Também a ZERO avisa para a necessidade de mais reflexão face a uma nova simplificação dos processos de licenciamento, depois das iniciativas do Governo socialista (Simplex) e do atual Executivo. “Não deixa de ser preocupante que se proponha mais simplificação sem uma efetiva avaliação de quais foram os resultados das medidas tomadas anteriormente. Não seria aconselhável avaliar o que já foi proposto antes de voltar a sugerir mais alterações?”, questionam.

Além do mais, acrescenta a mesma associação, “o discurso político parece querer passar a mensagem que o licenciamento não tem uma função ou dignidade próprias”. “Ele existe para garantir a equidade entre todos (todos devem ter de cumprir as mesmas obrigações) e garantir que o bem comum não seja usurpado ou prejudicado para interesse apenas de alguns. Nem todo o investimento contribui para o desenvolvimento sustentável do país, nem deve ser aprovado”, sustenta.

ONG de Ambiente querem ser ouvidas

A SPEA apela também à tomada de várias medidas da parte do Governo, incluindo que a missão de conservação da natureza seja assumida como “pilar central da reforma” e não como “o obstáculo a remover”, e lembra também a necessidade de reforço dos meios humanos, técnicos e financeiros do ICNF e da APA – “condição indispensável para que qualquer reforma produza resultados reais”.

Tanto a SPEA como a Quercus e a ZERO exigem que o processo de reestruturação envolva ouvir as organizações de conservação da natureza, mas também outras entidades como a comunidade científica, “garantindo que as decisões são informadas pelo melhor conhecimento disponível”.

A Quercus anunciou também que vai pedir uma reunião “com urgência” à ministra do Ambiente, “a fim de expôr as suas reservas, preocupações e obter todas as informações sobre esta reestruturação”. “Paralelamente, iremos solicitar uma audiência a todos os Grupos Parlamentares sobre este assunto no sentido de exigir a fiscalização necessária para garantir a defesa do Ambiente”, avisa esta ONG.

ULS DO NORDESTE E TORRE DE MONCORVO UNEM ESFORÇOS PARA REFORÇAR CUIDADOS DE SAÚDE DE PROXIMIDADE

 A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste e o Município de Torre de Moncorvo formalizaram, esta sexta-feira, 8 de maio, dois protocolos de cooperação destinados a reforçar o acesso da população a cuidados de saúde de proximidade, numa aposta conjunta na melhoria da resposta assistencial no concelho.


A assinatura dos acordos decorreu em Torre de Moncorvo e contou com a presença do presidente do Conselho de Administração da ULS do Nordeste, Miguel Abrunhosa, acompanhado pelos diretores clínicos dos Cuidados de Saúde Primários, Filipa Faria, e dos Cuidados de Saúde Hospitalar, Rui Terras Alexandre. Pelo Município marcou presença o presidente da Câmara Municipal, José Carlos Meneses.

Os protocolos agora celebrados visam fortalecer a capacidade de resposta do Centro de Saúde de Torre de Moncorvo, assegurando um acesso mais rápido e eficaz a cuidados especializados e promovendo uma maior proximidade entre os serviços de saúde e a população.

CONSULTAS DE ESPECIALIDADE NO CENTRO DE SAÚDE

Uma das principais medidas previstas passa pela disponibilização de um gabinete no Centro de Saúde de Torre de Moncorvo para a realização de consultas médicas de diversas especialidades, em regime programado.

Os profissionais clínicos serão assegurados pelo Município, de acordo com as necessidades identificadas, ficando também a cargo da autarquia a definição dos horários de funcionamento das consultas.

Com esta iniciativa, pretende-se minimizar constrangimentos no acesso a consultas especializadas, reduzindo tempos de espera e garantindo uma resposta mais célere e eficiente aos utentes da região.

Segundo as entidades envolvidas, a medida permitirá reforçar a promoção da saúde, a prevenção da doença e o acesso facilitado aos cuidados médicos, sobretudo numa região marcada pela dispersão geográfica e pelo envelhecimento populacional.

APOIO FINANCEIRO PARA REFORÇAR O SERVIÇO MÉDICO

O segundo protocolo estabelece a atribuição, por parte da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, de um apoio financeiro de 10 euros por hora a cada médico que desempenhe funções no Serviço de Atendimento Complementar do Centro de Saúde local.

O incentivo pretende contribuir para melhorar o funcionamento do serviço, reforçar a capacidade de resposta assistencial e criar condições mais atrativas para a fixação de médicos no concelho.

Através desta cooperação institucional, técnica e financeira, a ULS do Nordeste e o Município de Torre de Moncorvo sublinham o compromisso conjunto de garantir cuidados de saúde de qualidade, mais próximos da população e ajustados às necessidades do território.

A Redação
Fotos: DR

CENTRO CULTURAL DE VINHAIS RECEBEU TRIBUTO A “OS QUATRO E MEIA” PELA ESCOLA MUNICIPAL DE MÚSICA

 O Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais recebeu, na noite desta quinta-feira, 8 de maio, um espetáculo de tributo à banda portuguesa Os Quatro e Meia, protagonizado pelos alunos da Escola Municipal de Música de Vinhais.


Sob orientação técnica e artística do professor e músico Romeu Beato, os jovens músicos interpretaram alguns dos temas mais conhecidos da banda de Coimbra, proporcionando ao público um momento marcado pela qualidade musical e pela forte adesão da plateia presente.

Ao longo do espetáculo, os alunos demonstraram o trabalho desenvolvido no âmbito da sua formação artística, num concerto que evidenciou talento, dedicação e capacidade interpretativa.

Na sessão de encerramento, o vice-presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Artur Marques, agradeceu publicamente o desempenho dos participantes, destacando o empenho demonstrado pelos alunos e o papel da Escola Municipal de Música na promoção cultural do concelho.

O autarca aproveitou ainda a ocasião para incentivar a participação da comunidade no ensino artístico, deixando um convite aos munícipes interessados na música para integrarem a Escola Municipal, reforçando a importância de continuar a valorizar o talento e a cultura musical em Vinhais.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

“AS ÁRVORES TAMBÉM SONHAM” DÁ VOZ À CRIATIVIDADE E À CONSCIÊNCIA AMBIENTAL EM CARRAZEDA DE ANSIÃES

 Os alunos do 4.º ano do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães são os protagonistas da exposição “As Árvores Também Sonham”, uma iniciativa integrada no projeto “Semear + Cedo”, promovido pelo PNRVT – Parque Natural Regional do Vale do Tua.


Através da pintura, das texturas e da expressão artística, as crianças deram vida a trabalhos inspirados na natureza, num exercício criativo que une imaginação, sensibilização ambiental e valorização do território. A mostra traduz um olhar singular sobre o mundo natural, colocando as árvores no centro de histórias e sonhos concebidos pelos mais novos.

O projeto resulta de uma parceria entre o Município de Carrazeda de Ansiães, o Parque Natural Regional do Vale do Tua e a ESACT-IPB – Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela, entidades que têm vindo a desenvolver ações educativas e culturais junto da comunidade escolar.

Mais do que uma atividade artística, a iniciativa pretende estimular, desde cedo, a consciência ecológica das novas gerações, incentivando o contacto com o património natural e promovendo valores de sustentabilidade e cidadania ambiental.

A exposição evidencia, assim, o envolvimento das crianças na preservação do Vale do Tua e demonstra como a arte pode assumir um papel importante na educação ambiental e na construção de uma ligação mais próxima entre os jovens e o território onde vivem.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

FREIXO DE ESPADA À CINTA DESTACA-SE NA PROMOÇÃO DA LUSOFONIA EM PRÉMIO LITERÁRIO NA GUINÉ-BISSAU

 O nome de Freixo de Espada à Cinta voltou a ganhar destaque além-fronteiras, desta vez em Bissau, capital da Guiné-Bissau, durante a cerimónia de entrega do Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia – edição de 2025, realizada no passado dia 5 de maio.


A iniciativa distinguiu o escritor guineense Francisco Conduto de Pina, numa cerimónia marcada pela forte presença institucional e diplomática dos países lusófonos. Entre os convidados estiveram o Embaixador de Portugal em Bissau, representantes diplomáticos de Angola, Cabo Verde e Brasil, bem como diversas figuras ligadas à cultura e à política da Guiné-Bissau.

Ao longo da sessão, Freixo de Espada à Cinta foi amplamente referido como território impulsionador deste prémio literário, reconhecendo-se o papel desempenhado pelo município na valorização da língua portuguesa e na promoção da cultura no espaço lusófono. A mensagem enviada pelo Executivo Municipal, representado pela vereadora Marisa Madeira, mereceu igualmente palavras de apreço por parte da organização e dos participantes.

A curadora do prémio, Avelina Ferraz, destacou a importância da continuidade desta iniciativa cultural, sublinhando o simbolismo de associar o nome de Guerra Junqueiro à união entre povos de expressão portuguesa. Também o escritor Eugénio de Almeida, distinguido anteriormente com o Prémio Camões, marcou presença no evento.

Para além da vertente literária, a cerimónia serviu para reforçar a dimensão internacional do legado de Guerra Junqueiro, poeta natural do concelho de Freixo de Espada à Cinta e uma das figuras maiores da literatura portuguesa. O seu pensamento crítico, a defesa da justiça social e a valorização da cultura continuam a inspirar o prémio que leva o seu nome.

Com esta participação e reconhecimento internacional, o Município de Freixo de Espada à Cinta reforça a sua afirmação enquanto território de cultura e de promoção da lusofonia, mantendo viva a memória e a obra de Guerra Junqueiro junto das novas gerações e dos países de língua portuguesa.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

MACEDO DE CAVALEIROS ASSINALA 27 ANOS DE ELEVAÇÃO A CIDADE COM PROGRAMA COMEMORATIVO

 O concelho de Macedo de Cavaleiros prepara-se para celebrar, no próximo dia 13 de maio, o 27.º aniversário da elevação a cidade, uma data marcante para a história e identidade do território.


Para assinalar a efeméride, o Município de Macedo de Cavaleiros promove um conjunto de iniciativas comemorativas, num momento que pretende reunir a comunidade em torno da memória coletiva, do orgulho local e do percurso de desenvolvimento alcançado ao longo das últimas décadas.

A celebração evoca 27 anos de crescimento, afirmação e valorização do concelho, destacando o caminho percorrido desde a elevação a cidade, em 1999. O programa pretende também reconhecer o contributo de instituições e cidadãos que desempenharam um papel determinante nesse processo histórico.

Entre os homenageados está a AFRECIMAC – Associação das Freguesias da Cidade de Macedo de Cavaleiros, entidade que reuniu as freguesias de Amendoeira, Carrapatas, Castelãos, Grijó, Macedo de Cavaleiros, Vale Benfeito, Vale da Porca, Vale de Prados e Vilar do Monte, cuja união e empenho foram fundamentais para concretizar a elevação de Macedo de Cavaleiros à categoria de cidade.

As cerimónias comemorativas pretendem reforçar os laços da comunidade com a sua história e identidade, promovendo simultaneamente uma visão de futuro assente na valorização do território e das suas gentes.

O Município deixa ainda o convite à população para participar nas celebrações, num espírito de união e partilha, assinalando uma data que continua a ocupar um lugar de destaque na memória coletiva dos macedenses.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

BIBLIOTECA MUNICIPAL DE MIRANDA DO DOURO RECEBE EXPOSIÇÃO “ZÉ POVINHO E AS ELITES”

 Foi inaugurada na quinta-feira, dia 7 de maio, na Biblioteca Municipal António Maria Mourinho, a exposição “Zé Povinho e as Elites em Miranda do Douro”, uma mostra artística que alia sátira, identidade cultural e expressão contemporânea.


A exposição reúne os trabalhos de Gady (Rui Santos) e Andreia Costa, cruzando o traço satírico do cartoon com a dimensão escultórica, numa abordagem visual que estabelece pontes entre o imaginário nacional e a realidade local.

Ao longo da mostra, os visitantes poderão contactar com diferentes interpretações do emblemático “Zé Povinho”, figura icónica da cultura popular portuguesa, revisitada através da crítica social, do humor e da arte tridimensional.

Patente na Biblioteca Municipal António Maria Mourinho até ao próximo dia 4 de julho, a exposição convida o público a refletir sobre a sociedade contemporânea e o papel das elites, num diálogo artístico marcado pela criatividade e pela identidade cultural do território.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

EHB-IPB REÚNE ESPECIALISTAS E EMPRESÁRIOS PARA VALORIZAR RECURSOS ENDÓGENOS E IMPULSIONAR O FUTURO DOS TERRITÓRIOS

 O Campus da Água acolheu esta terça-feira o seminário “Entre Vinhas, Águas e Sabores: Inovar com Essência Territorial”, uma iniciativa promovida pela Escola Superior de Hotelaria e Bem-Estar (EHB) do Instituto Politécnico de Bragança, que reuniu mais de 170 participantes entre académicos, empresários, produtores e especialistas para debater o futuro dos territórios através da valorização dos recursos endógenos.


O encontro centrou-se na ligação entre tradição e inovação como motores de desenvolvimento sustentável, colocando em destaque setores estratégicos como a gastronomia, o vinho, a água termal e os produtos regionais transmontanos.

Estiveram representados diversos municípios da região do Alto Tâmega e Barroso, nomeadamente Boticas, Chaves, Montalegre, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, num contexto de forte mobilização regional em torno da identidade e da economia local.

Ao longo do dia, produtores e empresas ligadas à vitivinicultura, azeite, cogumelos, pastelaria e panificação partilharam experiências e estratégias de inovação, evidenciando a diversidade e qualidade dos produtos da região e a crescente capacidade de afirmação nos mercados nacionais e internacionais.

A sessão de abertura contou com intervenções de Orlando Rodrigues, Maria José Alves e Tiago Caldas, vice-presidente da Câmara de Chaves, que sublinharam a importância estratégica da valorização dos recursos endógenos para o desenvolvimento económico, turístico e cultural do território.

O programa incluiu ainda um painel dedicado à enogastronomia e identidade territorial, conduzido por Olga Cavaleiro, que explorou a relação entre ciência, cultura e harmonização de vinhos e alimentos, seguido de uma mesa-redonda com empresários da região centrada nos desafios e oportunidades da valorização dos recursos locais.

Foram igualmente dinamizados workshops temáticos sobre água termal, gastronomia naturalista, olival centenário e vinho, proporcionando momentos de experimentação e transferência de conhecimento entre academia e setor produtivo.

Ao longo do evento, o Campus da Água afirmou-se como um espaço de excelência para a reflexão sobre inovação e sustentabilidade, reforçando o papel do ensino superior na dinamização dos territórios de baixa densidade e na promoção de novas abordagens ao desenvolvimento regional.

A iniciativa resultou de uma parceria entre a EHB-IPB, o AquaValor, a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril e a Escola Profissional de Chaves, consolidando uma rede colaborativa orientada para a valorização do património natural e gastronómico de Trás-os-Montes.

A Redação,
Fotos: DR

ALFÂNDEGA DA FÉ APRESENTOU FESTA DA CEREJA&CO 2026

 A Festa da Cereja&co regressará a Alfândega da Fé nos dias 5, 6 e 7 de junho com um programa dedicado à promoção da cereja, dos produtos regionais e da identidade transmontana. 
O cartaz contará com concertos de Carolina Deslandes, Ivandro, Kura e Zé Amaro, além de iniciativas culturais, gastronómicas e desportivas. A apresentação oficial decorreu durante as comemorações do Feriado Municipal e marcou também a abertura do Mercado da Cereja.

Jornalista: Vitória Botelho

𝐀𝐠𝐞𝐧𝐝𝐚 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 - 𝐌𝐚𝐢𝐨 / 𝐉𝐮𝐧𝐡𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔

 Já consultou a programação cultural para os meses de maio e junho?
Concertos, teatro, exposições, atividades ao ar livre e muitas outras iniciativas esperam por si nesta nova edição da Agenda Cultural.

Descubra tudo o que preparámos para si!

Veja a agenda completa AQUI.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Isabel Ferreira e Lilian Barros são as investigadoras mais citadas na área da Biologia e Bioquímica

 Com 63,985 citações e 3 124 publicações, Isabel Ferreira, investigadora do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e atual presidente do município brigantino, está em primeiro lugar no ranking nacional ‘Melhor Cientista em Biologia e Bioquímica em Portugal’ em 2025/2026.


O ranking, que vai na quarta edição, revela que Lilian Barros, também investigadora do IPB, ocupa a segunda posição, com 38,237 citações e 809 publicações.

As duas investigadoras de Bragança ficaram à frente de outros da Universidade do Porto, Universidade de Aveiro e Universidade Nova de Lisboa.

Há vários anos que Isabel Ferreira está entre as cientistas mais citadas em Portugal e a nível internacional.

Glória Lopes

𝑩𝑹𝑨𝑮𝑨𝑵𝑪̧𝑨 𝑫𝑬𝑳𝑰𝑩𝑬𝑹𝑨 - 𝑃𝑟𝑖𝑛𝑐𝑖𝑝𝑎𝑖𝑠 𝑑𝑒𝑙𝑖𝑏𝑒𝑟𝑎𝑐̧𝑜̃𝑒𝑠 𝑑𝑎 𝑅𝑒𝑢𝑛𝑖𝑎̃𝑜 𝑑𝑒 𝐶𝑎̂𝑚𝑎𝑟𝑎 – 08.05.2026

Portugal recusa extraditar homem que matou e enterrou duas mulheres na Serra da Nogueira

 O Tribunal de Recurso de Coimbra recusou executar o mandado de detenção europeu emitido pela França sobre Cédric Prison, o arguido francês em prisão preventiva por suspeita do homicídio de duas mulheres na Serra da Nogueira, em Bragança. O tribunal justificou a recusa pelo facto de os crimes alegados terem sido cometidos "total ou parcialmente no território nacional", segundo avança o canal francês BFMTV.


Cédric Prison foi detido pela GNR no final de março, na zona de Mêda, no distrito da Guarda, durante uma operação de fiscalização rodoviária, numa altura em que viajava em Portugal com os dois filhos menores. A GNR acabou por efetuar a detenção por falsificação de documentos e posse de arma ilegal.

Com a ajuda do filho mais velho, de 12 anos, a Polícia Judiciária conseguiu localizar os corpos de Audrey Cavalié, a sua ex-companheira de 40 anos e mãe do adolescente, bem como a sua companheira na altura dos factos, Angela Legobien, de 26 anos, mãe da criança de 18 meses.

A justiça francesa tinha anunciado no início desta semana a emissão de um mandado de detenção europeu contra o arguido, detido no Estabelecimento Prisional da Guarda, acusado de dois crimes de homicídio qualificado e outros tantos de profanação de cadáver, bem como um crime de sequestro, um de violência doméstica perpetrado contra a filha menor, um de falsificação de documentos e outro de detenção ilegal de arma.

O mandado de detenção europeu era uma forma de permitir uma, eventual, transferência do homem para França, porém, Portugal, não está inclinado para tal.

O advogado da mãe de Audrey Cavaillé, Fabien Arakélian, citado pela AFP, seria de "bom senso jurídico" que Cédric Prizzon fosse julgado em França.

"Temos, de facto, factos que foram cometidos em Portugal, mas com vítimas de nacionalidade francesa e um autor dos factos que também tem nacionalidade francesa", explicou o advogado à AFP.

Glória Lopes

Passeio pedestre até à festa de São João das Arribas

Existência de equipamentos culturais não basta para garantir acesso à Cultura – estudo

 Em Portugal, a existência de equipamentos culturais num determinado território, não é garantia de acesso da sua população à cultura, de acordo com o estudo “Linhas Invisíveis”, que consiste numa análise das desigualdades no acesso à cultura.


“A grande mensagem que importa reter é que o acesso à cultura não depende apenas da presença de equipamentos e, portanto, da oferta disponível”, afirmou o professor e investigador Pedro Borrego, um dos coordenadores do estudo “Linhas Invisíveis: uma análise das desigualdades no acesso à Cultura em Portugal”.

O estudo concentrou-se sobretudo em quatro zonas – Terras de Trás-os-Montes, Alentejo Central, Algarve e Grande Lisboa – onde foi feita a recolha de dados qualitativos no terreno, através de entrevistas com, por exemplo, diretores de museus e representantes das políticas culturais nos municípios.

Além disso, foi feita uma análise de estatísticas e dados quantitativos, “de múltiplos indicadores sociodemográficos, de indicadores da área do setor cultural”, e também uma análise geoespacial, “para estudar a cobertura da oferta cultural e também a acessibilidade”

Pedro Borrego reconhece que, embora existam desigualdades no acesso à Cultura em Portugal, “tem havido um esforço continuado” para mitigá-las, “através de investimento público e de uma política de construção de redes culturais nacionais, que desde a década de 1980 tem expandido o número de equipamentos e a sua distribuição pelo território”.

O investigador refere-se à Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, à Rede Nacional de Arquivos de Portugal, à Rede Portuguesa de Museus, à Rede de Teatros e Cine-Teatros Portugueses e à Rede Portuguesa de Arte Contemporânea.

Embora se registe um aumento de oferta cultural, de eventos e de equipamentos e “apesar do investimento contínuo e da distribuição pelo território”, mantém-se “uma forte concentração em áreas urbanas, como a Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto, e uma divisão entre litoral e interior, onde a concentração é menor”.

“Sabemos que há territórios que estão mais envelhecidos ou sofrem de algum isolamento geográfico, como é o caso de Terras de Trás-os-Montes, por exemplo, e há alguns territórios onde, mesmo tendo oferta, a capacidade institucional para operar é mais débil, digamos assim”, afirmou.

A isso junta-se “a questão dos públicos”, devido a flutuações demográficas causadas pela desertificação, o envelhecimento da população ou “alguma ocupação sazonal”, em territórios como o Algarve, algo que “dificulta a criação de dinâmicas culturais que sejam continuadas”.

O estudo demonstra que, além dos equipamentos existentes nos territórios, o acesso à cultura depende também de outros fatores, como “a mobilidade, a capacidade institucional, as redes de parcerias ou os recursos humanos – que estejam fixos no território e que permitam trabalhar nos equipamentos para dar resposta à procura”.

Pedro Borrego salienta que os museus, por exemplo, “têm um papel importante na maior facilidade de acesso à cultura, porque assumem funções muito alargadas”.

“São espaços de cultura, são espaços de educação, são espaços que promovem a inclusão social. No estudo verificámos muito isso, pelo papel que os museus têm na articulação, não só com as escolas, mas também com algumas entidades, como lares de terceira idade, ou com algumas organizações que prestam cuidados a populações específicas com algum compromisso cognitivo ou com algum compromisso de deficiência física”, referiu.

Além disso, acrescentou, os museus “promovem também, obviamente, o desenvolvimento local, porque sendo âncoras de acesso à cultura, promovem a dinamização da economia local”.

“Portanto, os museus contribuem muito para dinamizar as redes locais, as práticas comunitárias e as medidas de proximidade que se pretendem para podermos mitigar as desigualdades do acesso à cultura”, afirmou.

Para tentar que as desigualdades no acesso no acesso à Cultura sejam menores, os responsáveis pelo estudo fazem uma série de recomendações, nomeadamente “integrar a cultura em políticas públicas transversais” e “desenvolver uma política cultural que seja explicitamente inclusiva – acessibilidade física, social, linguística, económica, a diversidade cultural e a participação, tudo isso”.

No estudo é também recomendado que seja “assegurada autonomia da gestão e da programação dos equipamentos, obviamente enquadrada dentro de uma orientação estratégica”, que haja um “reforço das redes de cooperação e articulação multinível”, promovendo “soluções partilhadas, como serviços educativos, uma bilhética integrada, uma programação que seja articulada, para que se possa, no fundo, responder a uma eventual fragmentação ou até uma necessidade de escala para que a oferta seja rentável ou eficaz”.

O investimento nos recursos humanos é também recomendado, sugerindo-se “a criação de condições para atrair e fixar técnicos qualificados nos territórios, àqueles equipamentos culturais”.

Por fim, os responsáveis pelo estudo recomendam o reforço de estratégias de mediação e de participação, “apoiando a cocriação com as comunidades, uma programação que seja descentralizada, até com a realização de atividades fora de portas”.

“Às vezes, em vez de pensar apenas na atração de público para o equipamento, fazer com que o equipamento, em certa medida, vá onde as pessoas estão, como as escolas, por exemplo. Isso é um aspeto importante”, garantiu Pedro Borrego.

O estudo “Linhas Invisíveis: uma análise das desigualdades no acesso à Cultura em Portugal” foi também coordenado por Ana Lúcia Romão, que, tal como Pedro Borrego, é investigadora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa).

Este projeto foi desenvolvido no âmbito do Science4Policy (S4P): Concurso de Estudos de Ciência para as Políticas Públicas, uma iniciativa promovida pelo PLANAPP – Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas em colaboração com a FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Fonte: Lusa | Foto: Flickr