O brigantino Pizzi, reconhecido futebolista e uma das figuras maiores do futebol nacional, foi hoje distinguido com a Medalha de Sócio de Mérito, numa cerimónia que celebrou o seu percurso e a forma como tem levado o nome de Bragança mais longe. ⚽
MEMÓRIAS...e outras coisas...
BRAGANÇA
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(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
sábado, 1 de agosto de 2026
CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE FREIXO DE ESPADA À CINTA REUNIU PARA ANALISAR NOVO ANO LETIVO
A sessão decorreu na Sala de Reuniões do Edifício da Ação Social e contou com a participação de representantes de diferentes entidades ligadas ao setor da educação, no âmbito do mandato correspondente ao período entre 2025 e 2029.
Durante o encontro, foi efetuada uma avaliação do ano letivo de 2025/2026, tendo sido igualmente analisadas e aprovadas alterações ao regulamento interno do órgão. Os participantes emitiram ainda parecer favorável à proposta de organização dos transportes escolares para o ano letivo de 2026/2027.
A reunião permitiu reforçar a articulação entre o município, os estabelecimentos de ensino, as famílias e as restantes entidades da comunidade educativa, promovendo a cooperação e o desenvolvimento de estratégias conjuntas para responder aos desafios do setor.
O Conselho Municipal de Educação assume um papel relevante na definição das políticas educativas locais, acompanhando a implementação de medidas e contribuindo para a atualização dos instrumentos de planeamento e organização da rede escolar.
Com esta iniciativa, a autarquia reafirma a importância da educação enquanto fator determinante para o desenvolvimento social e económico do concelho.
MIRANDA DO DOURO HOMENAGEOU BOMBEIROS FALECIDOS HÁ 13 ANOS
Treze anos depois da tragédia, familiares, elementos da corporação e membros da comunidade reuniram-se para recordar o percurso dos dois operacionais e destacar o legado que deixaram junto das gerações mais jovens.
A cerimónia constituiu um momento de reflexão e de tributo à coragem e ao espírito de missão demonstrados pelos dois bombeiros, cuja memória continua a ocupar um lugar especial na história da corporação e do concelho.
A iniciativa, promovida pelos Bombeiros Voluntários de Miranda do Douro, pretendeu também sublinhar a importância do trabalho desenvolvido diariamente por todos aqueles que se dedicam à proteção e ao socorro das populações.
Treze anos depois, a comunidade continua a recordar António Ferreira e Daniel Falcão como símbolos de entrega, coragem e compromisso com o próximo.
ALBUFEIRA DO AZIBO RECEBE A ELITE NACIONAL DO VOLEIBOL DE PRAIA EM MAIS UMA ETAPA DO CIRCUITO NACIONAL
Concluída a fase de qualificação, disputada na sexta-feira, a competição prossegue ao longo de sábado e domingo com os jogos decisivos, prometendo duelos intensos entre atletas de referência do voleibol de praia nacional.
A realização desta etapa reforça o estatuto da Albufeira do Azibo como destino privilegiado para a organização de grandes eventos desportivos, conjugando condições naturais de excelência com uma forte capacidade de atração turística. Ao longo do fim de semana, são esperados centenas de visitantes que, além de acompanharem a competição, poderão desfrutar da praia fluvial e da paisagem envolvente.
A entrada é gratuita, constituindo uma oportunidade para assistir de perto a voleibol de praia de alto nível e apoiar os atletas numa das provas mais importantes do calendário nacional.
A organização convida a população e os visitantes a deslocarem-se à Praia da Ribeira e a viverem um fim de semana onde o desporto, a natureza e a promoção do território se unem num ambiente único.
Sete organizações pedem lei específica para proteger os carvalhais portugueses
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| Mata da Albergaria. Foto: Pedro Nuno Caetano/WikiCommons |
O apelo da C7 – que reúne Fapas, GEOTA, LPN, Quercus, SPEA, ZERO e WWF Portugal – junta-se às posições já assumidas pela Aliança pela Floresta Autóctone e pela Ordem dos Biólogos, que têm vindo a defender uma proteção legal específica para estas espécies.
Segundo a C7, os carvalhais autóctones têm um papel essencial na conservação da biodiversidade. “Criam condições de sombra, humidade, alimento e abrigo que sustentam centenas ou milhares de espécies de plantas, animais, fungos e microrganismos”, escreve a coligação em comunicado enviado hoje à Wilder. Além disso, sequestram e armazenam carbono, combatendo as alterações climáticas, protegem os solos, regulam o ciclo da água e reduzem a severidade dos incêndios.
Mas a área ocupada por estes carvalhais está em regressão e hoje estes ocupam apenas cerca de 2,5% da área florestal nacional, o que corresponde a cerca de 81,7 mil hectares.
“Entre os habitats mais vulneráveis estão os carvalhais galaico‑portugueses de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), como os que encontramos na Mata da Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês, refúgio e reduto para inúmeras espécies”, refere a C7. “Entre as espécies em situação de maior vulnerabilidade está o carvalho‑de‑Monchique (Quercus canariensis), criticamente ameaçado de extinção, entre outros carvalhos nativos em regressão, como o carvalho‑negral e o carvalho‑cerquinho (Quercus faginea).”
Para estas organizações, esta redução resulta de décadas de fragmentação dos habitats, da substituição por monoculturas florestais e da ausência de instrumentos legais eficazes para assegurar a sua conservação.
“As manchas de carvalhais foram sendo substituídas por espécies exóticas destinadas à indústria da celulose, como o eucalipto”, salienta a C7. Além disso, as organizações apontam o dedo ao corte indiscriminado de carvalhos, à intensificação do uso do solo e à crescente pressão sobre os sistemas naturais que empobrece a paisagem e compromete a regeneração natural.
Restauro da Natureza é uma oportunidade
Segundo a coligação, este é um momento particularmente importante para definir novas medidas de proteção, uma vez que Portugal deverá apresentar à Comissão Europeia, em setembro, o Plano Nacional de Restauro da Natureza, que decorre do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. Esta é “uma oportunidade única para inverter o cenário de degradação dos carvalhais autóctones e fomentar a sua recuperação”.
As organizações defendem que os carvalhais devem ser assumidos como um dos alvos prioritários das políticas públicas de restauro ecológico e consideram que uma legislação específica permitiria proteger não apenas árvores isoladas, mas também bosques, corredores ecológicos e outros habitats associados.
Além da criação de um regime jurídico próprio, a C7 propõe o reforço dos instrumentos de gestão do território, a criação de incentivos económicos para proprietários que conservem floresta autóctone, o apoio a atividades económicas sustentáveis associadas aos carvalhais — como o turismo de natureza ou a recolha de produtos florestais não lenhosos, como os cogumelos, os frutos silvestres ou plantas aromáticas — e um investimento na literacia ambiental que envolva escolas, universidades e centros de investigação.
“Os benefícios que os carvalhais proporcionam à sociedade ultrapassam largamente o seu valor económico imediato, justificando a adopção de medidas específicas que garantam a sua proteção, recuperação e valorização.”
Inventário orfanológico por óbito de José de Sá Carneiro Vargas
José de Sá Carneiro Vargas nasceu em Bragança em 18 de Dezembro de 1761, cidade onde também faleceu a 29 de Janeiro de 1824. Oriundo de uma família de cristãos-novos, abastados negociantes que granjearam grande notoriedade em particular no negócio da seda, foi Vereador da Câmara e Capitão de Ordenanças em Bragança.
O processo de inventário de menores em questão desvela a descrição de bens tais como: bens imóveis, objetos em ouro e prata, bem como livros, podendo o leitor consultar pelos seus próprios meios a partir de uma reflexão.
Os inventários obrigatórios (também conhecidos como inventários orfanológicos) do século XIX possuem uma enorme e essencial importância genealógica, embora a sua principal finalidade jurídica fosse a proteção do património de herdeiros vulneráveis.
Embora o seu propósito primário fosse económico e sucessório (gerir e partilhar a herança), secundariamente funcionam como um verdadeiro “retrato familiar” da época, tornando-se numa das fontes documentais mais valiosas para historiadores e genealogistas.
Identificação Completa da Família: O processo lista obrigatoriamente o inventariado (a pessoa falecida), a data do óbito, o cônjuge sobrevivo e todos os herdeiros diretos (filhos, netos), especificando as respetivas idades e moradas.
Conselho de Família: frequentemente, o documento nomeia tutores, curadores e outros parentes que integravam o conselho de família para proteger os menores, ajudando a mapear redes de parentesco alargadas.
O Arquivo Distrital de Bragança encontra-se num projeto de digitalização de documentação, tendo como missão preservar, conservar, divulgar e dar a conhecer o seu acervo, garantindo a acessibilidade e facultando a consulta, de forma a assegurar a transparência do Estado e o direito à informação.
Consulte AQUI.
Fonte: Arquivo Distrital de Bragança
NOITE BRANCA DE MIRANDELA REGRESSA EM SETEMBRO COM MÚSICA E ANIMAÇÃO ATÉ À MADRUGADA
A iniciativa está marcada para o próximo dia 12 de setembro e terá lugar no Parque do Império, onde são esperados centenas de visitantes para uma noite dedicada à música, ao convívio e à dinamização do comércio local.
A programação arranca às 19h30 e prolonga-se até às 04h00, contando com a participação dos DJs Sara Santini e Miguel Rendeiro, que assumem o papel de cabeças de cartaz. O alinhamento inclui ainda atuações de Rafa Santos, Ferdi e DJ Átila, prometendo uma oferta musical diversificada ao longo da noite.
À semelhança das edições anteriores, a organização convida a população a aderir ao espírito da iniciativa, vestindo-se de branco e participando naquele que pretende ser um momento de celebração e encontro entre a comunidade e os visitantes.
ALFÂNDEGA DA FÉ REFORÇA RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO COM O MUNICÍPIO CABO-VERDIANO DE SANTA CRUZ
A deslocação contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, acompanhado por uma delegação composta por representantes de diferentes áreas, na sequência de um convite formulado pelo presidente da autarquia de Santa Cruz.
A iniciativa surge no âmbito da parceria estabelecida entre os dois municípios, uma relação que, ao longo de mais de duas décadas, tem permitido o desenvolvimento de projetos conjuntos e a promoção de intercâmbios assentes na partilha de experiências e conhecimentos.
Entre os principais objetivos da visita estiveram o fortalecimento das relações institucionais e a identificação de novas oportunidades de colaboração em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento dos dois concelhos.
A autarquia de Alfândega da Fé considera que esta ligação continua a representar um importante instrumento de aproximação entre comunidades, contribuindo para o aprofundamento das relações de amizade e cooperação entre Portugal e Cabo Verde.
CONSELHO MUNICIPAL CINEGÉTICO DE MACEDO DE CAVALEIROS REALIZA PRIMEIRA REUNIÃO DO MANDATO
A reunião teve como principal objetivo reforçar a cooperação entre as diferentes instituições e promover uma gestão sustentável dos recursos naturais associados à atividade cinegética.
Entre os temas em análise esteve a emissão de um parecer relativo à administração de uma zona de caça municipal, uma medida considerada fundamental para assegurar a preservação dos recursos existentes e o equilíbrio entre a atividade cinegética e a proteção do território.
Ao longo da sessão, foi ainda destacada a importância da caça no desenvolvimento económico e social do concelho, bem como o seu contributo para a valorização da biodiversidade e para a dinamização da atividade turística.
Com a realização desta primeira reunião, o município pretende dar continuidade a uma estratégia baseada no diálogo e na articulação entre as várias entidades envolvidas, reforçando a posição de Macedo de Cavaleiros como um dos principais territórios de referência no setor cinegético da região.
Esta aposta tem igualmente contribuído para a afirmação de iniciativas dedicadas à atividade, entre as quais a Festa dos Caçadores do Norte e a Feira da Caça, eventos que atraem visitantes de diferentes pontos do país.
Até para ir para o céu, é preciso passar pela serra
Quem nasce no nordeste profundo brigantino sabe que a vida se rege pelos sinos. No eixo sul, no pé da Serra da Nogueira, a fé caminha em espiral, marcando os meses numa matriz cristã inscrita na alma do povo.
O ciclo abre com as Cinzas, a Quaresma, a Páscoa e, a Visita Pascal, depois vem o 3 de maio e, a novena da Santa Cruz, em Cabeça-Boa. Cinquenta dias após a Páscoa, a novena do Pentecostes em São Pedro de Sarracenos, logo depois o novenário prossegue em Samil com o Santo António a 13 de junho. A 29 de junho, honra-se o padroeiro em São Pedro de Sarracenos. Em 15 de agosto, o compasso acelera com a padroeira de Samil, a Senhora da Assunção. Em Alfaião, as novenas da Senhora da Veiga acolhem os emigrantes, no 3.º domingo de agosto. São Roque assinala-se a 16 de agosto também em Samil e, nesse mês ainda a 24 corre-se ao São Bartolomeu. Coroa-se o verão no alto da «aldeia da novena», cumprindo o «fique»* de 29 de agosto até à festa da Senhora da Serra, a 8 de setembro. No outono, Santa Teresinha (1 de outubro), a Senhora do Rosário (7 de outubro) e, o São Judas Tadeu (28 de outubro) protegem Samil, guardando-nos o fôlego até ao São Martinho (11 de novembro) padroeiro de Alfaião, findo o qual o Natal e a refeição comunitária de bacalhau no Santo Estêvão nos aquecem.
Pelo meio atrapalha-se o mês de maio, o terço comunitário, as confissões na Quaresma e, toda uma “linguagem do coração”, entre sufrágios e muitíssimos funerais, que começam a deixar os párocos em verdadeira arritmia. Estes mistérios vivos, da piedade e da liturgia, perdem gente e, fôlego.
A génese deste esquema de fé está nas velhas abadias. Os párocos rodavam de festa em festa, num modelo que combatia o isolamento, dava sustento e, criava fraternidade sacerdotal. Valorizava-se a liturgia, o canto, a saúde e a vida espiritual, na ausência do SNS, os Santos eram o Ministério da Saúde contra as pestes. Pese o dinamismo juvenil, que persiste em animar a todo o custo a festa, falta ardor que suporte esta “atividade missionária espontânea”, que derreta o gelo, que a implacável demografia agravou, levando leigos e não poupando nos clérigos.
Só o culto, a “via da beleza”, a dignidade do altar, a verdade dos sacramentos, o canto que encanta as novas gerações e rejuvenesce assembleias, a verdade e autenticidade de uma vida cristã, que incremente uma maior participação ativa dos leigos, ajudam a contrariar a insana demografia! As confrarias, como a da Santa Cruz, ou da Senhora da Serra, continuam a ser pilares desafiadores de atualização e renovação. Mais do que carregar andores, como quem faz uns minutos de ginásio, precisamos de discípulos. Unindo os avós que guardam a memória e os netos que trazem a energia, gera-se corresponsabilidade. Provamos que a Igreja continua viva e que aqui, até para ir para o Céu, é preciso passar pela Serra.
As férias na sociedade do desempenho
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Vêm aí as benditas férias, assim sentidas, pois há um cansaço que já não vem apenas do trabalho, nem do peso dos dias, nem sequer das horas mal dormidas. É um cansaço mais fundo, mais silencioso e mais perigoso...
É o cansaço de termos passado a viver, quase na plenitude do dia e como exigência da sociedade, como se fôssemos máquinas programadas para produzir, responder, vencer e andar sempre felizes.
A este propósito, Byung-Chul Han, no seu ensaio A Sociedade do Cansaço, coloca-nos uma pergunta assaz pertinente, mais a mais nesta era da IA e da robótica avançada: não estaremos a adoecer porque atribuímos ao ser humano qualidades próprias de um computador, como multitarefa, velocidade, eficiência, desempenho permanente?
É algo desconcertante olharmos para dentro da sociedade hodierna e quiçá dar-lhe razão, pois o mundo de hoje deixou de oprimir sobretudo por proibições e passou a esgotar por possibilidades, levando-nos a adoecer. Tem-nos tornado sujeitos, mais do que obedientes ao “deves”, verdadeiros prisioneiros seduzidos pelos diferentes “podes”: ir mais longe, ganhar mais, reinventar-te, superar-te...
Contudo, nesta gramática aparentemente luminosa de liberdade, instala-se paulatinamente uma servidão nova, diferente, a da pessoa que se explora a si própria e ainda se culpa por não conseguir corresponder ao ideal que lhe foi proposto.
Depois da sociedade disciplinar descrita por Michel Foucault, feita de vigilância, normas e instituições fechadas, tem emergido uma sociedade de ginásios, escritórios, aeroportos, centros comerciais, plataformas digitais, redes sociais, vigilância algorítmica e avaliações permanentes. É a sociedade do desempenho como também lhe chama o próprio Byung-Chul Han. O olhar do outro já não precisa de nos vigiar de fora, porque o transportamos dentro de nós. Somos, ao mesmo tempo, patrões e operários de nós mesmos, como se fôssemos ao mesmo tempo Prometeu e a águia.
Repare-se que a grande perversidade está no facto de esta pressão se apresentar sob a máscara da felicidade! Todos devem estar bem, realizados, disponíveis, motivados, bem-sucedidos. Quem não consegue não se sente punido, por alguém que o castigue, mas sente-se culpado. A promessa de liberdade transforma-se, assim, em ansiedade; a promessa de realização converte-se em exaustão; a promessa de reconhecimento desemboca na necessidade insaciável de validação.
Talvez por isso, este século XXI, venha a reconhecer-se não apenas pelas doenças virais ou bacterianas, mas pelas patologias emocionais, neuronais e até espirituais, como a ansiedade, depressão, défice de atenção, burnout e a sensação persistente de insuficiência. À vida fugaz, frágil e bela como descobrimos no nosso território de Bragança tende-se a responder com produtividade histérica e febril, como se o sentido da vida pudesse nascer da acumulação de dinheiro ou outros bens, da velocidade com que se vive e da permanente exposição social e mediática.
Benditas férias então se forem ocasião para recuperar a vida na sua dimensão contemplativa, dos concertos, do convívio, dos sabores gastronómicos e dos saberes partilhados em amenas cavaqueiras, não como fuga ao mundo mas como resistência lúcida. Aproveitar para parar, desligar, escutar, pensar, caminhar, contemplar, rezar, aceitar limites, cuidar do corpo e da alma, coisas que não são um luxo nem um despropósito.
Sermos mais humanos é também sabermos não produzir, não respondermos imediatamente, não estarmos sempre disponíveis, não transformar cada minuto em rendimento.
A verdadeira liberdade começa quando deixamos de nos tratar como máquinas.
Talvez a maior sabedoria do nosso tempo, em contraponto da sociedade do desempenho, seja reaprender a descansar sem culpa, para voltarmos a viver com alma.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
𝑨 𝑷𝒓𝒆𝒔𝒊𝒅𝒆𝒏𝒕𝒆 𝑬𝒙𝒑𝒍𝒊𝒄𝒂 - Julho - 2026
Esta é uma rubrica mensal dedicada a apresentar, de forma próxima e transparente, um balanço dos principais acontecimentos e decisões do Município.
O estado do Serviço Nacional de Saúde - A dedicação dos profissionais e as dificuldades estruturais
O Serviço Nacional de Saúde (SNS), tal como o Municipalismo, continua a ser uma das maiores conquistas sociais da democracia portuguesa. Criado com o objetivo de garantir acesso universal, tendencialmente gratuito e equitativo aos cuidados de saúde, o SNS representa um pilar fundamental do Estado social em Portugal. No entanto, nas últimas décadas, o sistema tem vindo a enfrentar um conjunto crescente de pressões que colocam em evidência um contraste cada vez mais visível. De um lado, a dedicação exemplar dos profissionais de saúde, do outro, dificuldades estruturais profundas que desafiam a sua capacidade de resposta.
Um dos aspetos mais frequentemente destacados é precisamente o papel dos profissionais. Médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais e administrativos têm mantido o funcionamento do SNS muitas vezes em condições exigentes. A sua dedicação é visível nos horários prolongados, na resposta a serviços de urgência sobrelotados e na gestão diária de recursos limitados. Em muitos casos, o SNS só consegue responder à procura graças ao esforço extraordinário destes profissionais, que trabalham sob pressão constante e, não raras vezes, em situação de desgaste físico e emocional.
Apesar disso, este empenho individual não é suficiente para colmatar problemas estruturais que se têm vindo a agravar. Um dos principais desafios é a falta de recursos humanos em várias áreas, sobretudo em regiões mais periféricas do país, como é a nossa. A dificuldade em atrair e reter profissionais, associada à emigração de médicos e enfermeiros para outros países com melhores condições salariais e laborais, cria desequilíbrios significativos no sistema. Esta realidade resulta em serviços sobrecarregados, listas de espera prolongadas e dificuldades no acesso a cuidados de saúde em tempo útil.
Outro problema estrutural relevante é o envelhecimento da população. Portugal é um dos países mais envelhecidos da Europa, o que aumenta a pressão sobre o SNS. Doenças crónicas, necessidade de cuidados continuados e maior procura por serviços médicos especializados exigem uma resposta mais robusta e integrada. No entanto, o sistema nem sempre consegue acompanhar este aumento da procura, levando a uma sensação de saturação em muitos serviços.
A nível organizacional, o SNS também enfrenta desafios relacionados com a gestão e a eficiência dos recursos. A burocracia, a falta de autonomia de algumas unidades de saúde e a fragmentação entre cuidados primários, hospitalares e continuados dificultam uma resposta mais rápida e coordenada. Embora tenham sido implementadas reformas e medidas de modernização ao longo dos anos, muitas delas ainda não produziram os efeitos desejados de forma consistente em todo o território.
As infraestruturas são outro ponto crítico. Muitos hospitais e centros de saúde funcionam em edifícios antigos, com equipamentos desatualizados ou insuficientes. Isto não só limita a qualidade dos cuidados prestados, como também dificulta o trabalho dos profissionais. A modernização do parque hospitalar e o investimento em tecnologia são frequentemente apontados como essenciais para garantir a sustentabilidade do sistema.
Paralelamente, a relação entre o setor público e o setor privado na área da saúde tem vindo a ganhar relevância no debate público. O crescimento dos seguros de saúde e do recurso a clínicas privadas reflete, em parte, a insatisfação de alguns utentes com os tempos de espera do SNS. No entanto, esta tendência levanta questões importantes sobre equidade e acesso universal, já que nem todos os cidadãos têm as mesmas condições económicas para recorrer ao setor privado.
Apesar das dificuldades, é importante reconhecer que o SNS continua a ser um sistema robusto e essencial. Em situações de crise, como durante a pandemia, o sistema demonstrou uma capacidade notável de resposta e adaptação, evidenciando a sua importância estratégica para o país. Essa resiliência é, em grande medida, resultado do compromisso dos seus profissionais e da estrutura pública que garante o acesso a cuidados de saúde a toda a população.
O futuro do SNS depende, em grande parte, da capacidade de enfrentar os desafios estruturais de forma integrada e sustentável. Investimento em recursos humanos, melhoria das condições de trabalho, modernização das infraestruturas e uma gestão mais eficiente são fatores determinantes. Ao mesmo tempo, é necessário valorizar e proteger aqueles que diariamente asseguram o funcionamento do sistema.
Sr. Primeiro-ministro. Não será já tempo de substituir a atual Ministra da Saúde? Time is Up!































