Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 30 de agosto de 2026

Câmara de Macedo de Cavaleiros apresentou queixa contra pessoas que usaram detetores de metais na praia do Azibo

A Universidade de Bragança virá a caminho?


A criação da Universidade de Bragança é uma justa e histórica aspiração de toda uma região que, há longos anos, trava uma luta persistente pela valorização do ensino superior no interior norte de Portugal e pela coesão territorial. Trata-se de uma reivindicação de décadas, sentida por estudantes, docentes, autarcas e pelas populações locais, que viram sucessivos governos adiar uma resposta estrutural para o desenvolvimento da região.

Contudo, a forma como o anúncio foi feito levanta sérias dúvidas institucionais e políticas. A revelação da criação da universidade foi feita no encerramento da Universidade de Verão, pelo secretário-geral, de um dos partidos que suporta o Governo, um evento estritamente partidário. Misturar o papel institucional de governação com a arena político-partidária num comício de verão empobrece a "solenidade" do ato e fere o princípio da separação entre o Estado e os partidos. Anúncios desta magnitude, que moldam o futuro do país e exigem planeamento, orçamento e validação técnica, devem ser feitos nos órgãos próprios de soberania e pelo Governo em funções, e não com aproveitamento de palcos partidários. 

Esta escolha de timing e cenário gera, inevitavelmente, desconfiança quanto à credibilidade e à real sustentabilidade do anúncio. Fica no ar a sensação de que uma conquista tão importante para Bragança e para o Norte Interior está a ser utilizada como mero trunfo de propaganda política e de encaixe partidário, em vez de ser tratada com o rigor, a transparência e o respeito institucional que a causa merece. As populações de Bragança merecem uma universidade por mérito, por necessidade estratégica do país e por compromisso de Estado, e não como um anúncio de festa/feira de partido.

É necessário que as forças vivas da região e os deputados eleitos pelo interior do País... estejam atentos e não deixem esquecer o "anúncio".

Este anúncio deveria ter sido feito, pelo Primeiro Ministro, em BRAGANÇA e com a pompa e circunstância devidas!

HM
30 de Agosto de 2026

Foi hoje anunciada a criação da 𝑼𝒏𝒊𝒗𝒆𝒓𝒔𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 𝒅𝒆 𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒆 𝒅𝒐 𝑵𝒐𝒓𝒕𝒆 𝑰𝒏𝒕𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓, como culminar do processo de transformação da atual Universidade Politécnica de Bragança.

 O ensino superior é um dos principais ativos estratégicos de Bragança: gera conhecimento, atrai talento, dinamiza a economia, promove a inovação e reforça a capacidade de afirmação de todo o território.
O Município de Bragança assume total compromisso com este processo e continuará a trabalhar em estreita articulação com a Universidade para potenciar o seu crescimento e o impacto do ensino superior no concelho e no Norte Interior.

𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝑰𝒏𝒐𝒗𝒂𝒅𝒐𝒓𝒂 reforça-se como território de conhecimento, ciência e futuro!

OS FIDALGOS

VALE TELHAS [VALE DE TELHAS]

1º ANTÓNIO GOMES, confirmado de Vale de Telhas, concelho de Mirandela, e seu sobrinho Gaspar Gomes, também presbítero, residentes em Vale Telhas, fizeram em 1689 doação de bens, com vínculo de morgadio, à capela que tencionavam construir na igreja matriz da referida povoação (606).
2º FRANCISCO RODRIGUES PINHEIRO DE AGUIAR, de Vale de Telhas, concelho de Mirandela, era filho de João Rodrigues Pinheiro e de D. Luísa Lopes Cardoso.
Neto paterno de Belchior Rodrigues Pinheiro e de D. Comba Pires.
Neto materno de Gonçalo de Aguiar Cardoso e de D.Maria Brás.
Foi-lhe passado brasão com as armas dos Pinheiros e dos Cardosos a 23 de Maio de 1753 e está registado no Cartório da Nobreza, livro particular, fol. 58(607).

VARIZ

MANUEL GONÇALVES, presbítero, de Variz, concelho do Mogadouro, erigiu em 1814 uma capela nesta povoação, dedicada a Nossa Senhora das Dores, que dotou com bens suficientes para a sua fábrica (608).

Vila de Ala

VILA DE ALA
Família Fonseca Telo Caldeira

1º ANTÓNIO FREIRE DA FONSECA TELO, fidalgo da Casa Real, casado e com descendência, foi nono senhor do morgadio de Vila de Ala, concelho do Mogadouro, e do antigo padroado do capítulo de S. Francisco do Mogadouro, que lhe pertencia desde a fundação do mosteiro, com capela e jazigo.
2º MANUEL FREIRE DA FONSECA, irmão do precedente, despachou-se para a Índia, para onde foi na companhia do vice-rei marquês de Távora, com o foro de seus pais e hábito de Cristo.
3º D. JOSEFA, irmã dos precedentes.
4º D. ROSA MARIA DE ALBUQUERQUE ORDONHES TELO, irmã dos precedentes, casou em Vila Flor com Diogo Montes de Lemos. Com descendência.
5º D. MARIANA, irmã dos precedentes, casou na província do Alentejo com Manuel Cabreira da Fonseca, capitão-mor de Alegrete. Teve um único filho, António Telo da Fonseca, capitão do regimento de Olivença.
Eram todos filhos de José Monteiro da Fonseca Telo (fidalgo cavaleiro da Casa Real, alferes de cavalaria e oitavo senhor da casa e padroado de Vila de Ala, natural de Proença-a-Nova, na Estremadura, que faleceu no ano de 1785, quando marchava com o seu regimento para o Alentejo) e de D. Ana Maria de Albuquerque Ordonhes, irmã de Manuel de Morais Faria, governador de Outeiro e mestre de campo, natural da vila do Vimioso, ambos filhos de Gaspar de Morais Antas, da casa do Vimioso, e de D. Benta de Faria da Silva, aos quais se refere o brasão de armas de Manuel de Morais Faria Antas da Silva.
Netos paternos de Manuel Freire da Fonseca, fidalgo cavaleiro da Casa Real, da ordem de Cristo, provedor de Torres Vedras, primeiro lugar que serviu (irmão de João Telo da Fonseca, desembargador da Casa da Suplicação), e de D. Isabel Caldeira Gaifão, filha de Bartolomeu Caldeira Gaifão, fidalgo da Casa Real e sargento-mor de Proença, e de D. Maria de Meireles, sua prima, filha de Matias da Fonseca e de D. Maria Freire de Meireles; neta paterna de Diogo Manso e de D. Margarida da Fonseca, filha de Vasco da Fonseca, fidalgo da Casa Real, no tempo de D. João III; neta materna de Jorge Delgado, alcaide-mor de Óbidos (filho de António Mendes Caldeira, fidalgo da Casa Real, e de D. Maria da Fonseca, sua parente; neto paterno de António Mendes Caldeira, o Velho, da vila de Carlão; neto materno de João da Fonseca, fidalgo da Casa Real, e de D. Inês de Gaia), e de D. Joana Freire.
Segundos netos paternos de António Freire da Fonseca, fidalgo cavaleiro da Casa Real, da Ordem de Cristo, corregedor do cível da corte e da Mesa de Agravos da Casa da Suplicação, e de D. Maria Soeiro de Madureira, filha de Manuel Soeiro de Madureira, morgado de Vila de Ala, e de D. Isabel de Madureira; neta paterna de Miguel Fernandes Soeiro, morgado de Vila de Ala e padroeiro de S. Francisco do Mogadouro, e de D. Guiomar Montes, filha de Diogo Montes, da Torre de Moncorvo; neta materna de João Telo e de D. Filipa de Madureira, filha de Luís de Madureira, morgado de Pradas.
Terceiros netos paternos de António Freire de Afonseca, o Velho, fidalgo da Casa Real, e de D.Maria de Morais Freire, filha de Jorge Freire, morgado de Caparica, e de D. Ana Soeiro.
Quartos netos paternos de Manuel Freire da Fonseca (filho de Jorge Delgado, alcaide-mor de Óbidos, e de D. Joana da Fonseca, filha de Pero da Fonseca, fidalgo da Casa Real, capitão de mar e guerra na armada de Tristão da Cunha em 1506, e de D. Ana Freire, filha de Gil Vaz Freire, alcaide-mor de Abrantes, e de D. Catarina de Beirós, filha do senhor de Paramos) e de D.Maria Temudo.
O códice que vamos seguindo algo diverge nos nomes dos terceiros avós de D. Ana Maria de Albuquerque Ordonhes, dos que aponta o Brazão de Armas de Manuel de Morais Faria Antas da Silva. Parece-nos, porém, que este seria escrito com mais conhecimento de causa, e por isso para ele remetemos o leitor (609).
6º JOSÉ MARIA TELO, morgado de Vila de Ala, que vivia pelos anos de 1779, era obrigado a pagar ao convento do Mogadouro vinte alqueires de trigo e dez tostões em dinheiro, segundo dispunham as cláusulas da fundação do morgadio (610).
7º ANTÓNIO JACINTO DA FONSECA TELO CALDEIRA, casado com D. Francisca Madalena, falecida em Vila de Ala, donde ambos eram naturais, a 14 de Setembro de 1893, assentou praça em tenente em Fevereiro de 1808, fez todas as campanhas da Guerra Peninsular e reformou-se como capitão em 1820.
8º JOÃO DE DEUS MARTINS MANSO, natural de Bemposta, concelho do Mogadouro, neto materno dos antecedentes, combateu em França como alferes durante a Grande Guerra (1914-18), onde foi ferido e, tendo-se depois reformado, casou na Guarda, onde reside, na casa legada por seu tio Manso, chantre na Sé dessa cidade, sobrinho do bispo da mesma D.Manuel Martins Manso, falecido a 1 de Dezembro de 1878, a quem nos referiremos no volume consagrado aos escritores.
----------
(606) Museu Regional de Bragança, maço Capelas.
(607) SANCHES DE BAENA – Arquivo Heráldico-Genealógico, p. 215.
(608) Museu Regional de Bragança, maço Capelas.
(609) PINTO, Bento – Caderno de Árvores de Costado.Mas este artigo sobre Vila de Ala, a julgar pela caligrafia que é muito mais mal feita, deve ter sido escrito por pessoa diferente. Ver o volume IV, p. 348, destas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança. Ver em Vila Flor – Família Montes Seixas Lemos Pereira, p. 509.
(610) Volume IV, p. 348, destas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança.
----------
MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

Carlos Augusto Vergueiro - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 24.janeiro.1919 – 29.janeiro.1919
BRAGANÇA, 11.5.1865 – OVAR, 15.10.1936

Oficial do Exército.
Curso da Arma de Infantaria pela Escola do Exército.
Governador civil de Bragança (1919).
Natura da freguesia da Sé, cidade e concelho de Bragança.
Filho de José Cândido Vergueiro, funcionário da Repartição da Fazenda Pública em Bragança, e de Matilde Joaquina Fernandes.
Casou com Maria do Carmo Correia Pinheiro, de quem teve três filhas, Margarida Vergueiro (3.4.1898), Maria da Graça Vergueiro (15.7.1902) e Maria de Lourdes Vergueiro (30.6.1905).
Medalha comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891.

➖➖➖

Republicano de sempre”, nas palavras do próprio, Carlos Augusto 
Vergueiro era primeiro-sargento de Infantaria quando eclodiu a revolta republicana do 31 de Janeiro de 1891, no Porto, tomando parte na mesma ao lado dos revoltosos, o que lhe valeu o seu afastamento do Exército e o exílio.
Porém, o Governo provisório saído da Revolução de 5 de Outubro de 1910, através do decreto da Secretaria da Guerra de 5 de novembro de 1910, prontamente o reabilitou, como a outros camaradas seus que, “na manhã memorável de 31 de Janeiro de 1891, se distinguiram pela sua patriótica atitude e excelsa coragem posta ao serviço da causa republicana”, reintegrando-o no Exército no posto que lhe competiria se nunca tivesse sido afastado. Promovido assim a capitão, serviria nos anos seguintes nos regimentos de Infantaria n.º 10, n.º 17 e n.º 32.
Por decreto de 13 de agosto de 1917, foi promovido a major de Infantaria n.º 10, integrando nesta patente o Corpo Expedicionário Português, tendo comandado um batalhão durante a Primeira Guerra Mundial.
Ocupou o lugar de governador civil do distrito de Bragança apenas por alguns dias, por determinação das forças republicanas que tomaram Bragança em 23 de janeiro de 1919, nos tempos conturbados da Monarquia do Norte. Foi, aliás, um dos mais ativos participantes na contenda, ao comando do 6.º grupo de Metralhadoras, que entretanto incorporou outras forças que se mantiveram leais à República, tendo posteriormente redigido um pormenorizado Relatório do movimento monarquista em Bragança e ação dos republicanos nesta cidade, publicado em maio de 1921, onde clamava para que fosse feita justiça aos que, “em volta da bandeira verde-rubra, se reuniram na hora de perigo”, indicando os nomes e a ação que cada um desempenhou naquele momento, militares mas também civis, para que “a História faça justiça ao seu caráter, à sua coragem, dedicação, lealdade e valor”.
Nesse ano de 1921, era já tenente-coronel de Infantaria n.º 6, foi condecorado com a medalha comemorativa da Revolução de 31 de Janeiro de 1891, destinada, como se lê no preâmbulo da lei que a instituiu, a homenagear os “sobreviventes desse movimento, verdadeiros precursores da República, como penhor do verdadeiro e inolvidável apreço dos serviços prestados por esses mesmos combatentes, que, pelos seus atos de decidido arrojo e espírito de sacrifício, tem jus à gratidão da Pátria e da República”.
Faleceu em Ovar, a 15 de outubro de 1936, aos 71 anos.

Excerto do relatório produzido por Carlos Augusto Vergueiro sobre a revolta monárquica ocorrida em Bragança em janeiro de 1919

Ao alvorecer de 21 fui acordado por uma enorme balbúrdia, vivório e repiques de sinos. Vieram-me dizer que havia sido restaurada a Monarquia. Consumava-se o crime.
Procurei logo informar-me do que havia de positivo, e, a corroborar os mil boatos tendenciosos, vi o facciosismo dos jornais do Porto e à hora do almoço recebo um recado do ex-tenente coronel Bandeira, comunicando-me que nos Paços do Concelho ia ser solenemente proclamada a restauração da Monarquia, mas que, dada a minha situação de republicano histórico, me não compelia a comparecer, permitindo-me que ficasse em casa, esperando que eu não cometeria o mais leve ato de hostilidade ao restaurado regime e, por isso, contra vontade de alguns camaradas, me não mandava prender. Limitei-me a agradecer a atenção e procurei logo inteirar-me se poderia contar com alguém.
Entretanto, vi partir para Mirandela uma companhia sob o comando do ex-capitão Inocentes, que soube ir encarregado de proclamar a Monarquia naquela vila e assegurar a ordem monárquica.
Ao meio-dia, realizava-se os atos de posse do governador civil, tenente-coronel Bandeira, e o da proclamação da Monarquia nos Paços do Concelho, a que, segundo, me consta, assistiu o comandante militar coronel Machado, o delgado de saúde Cagigal, etc., etc., e quase todo, se não todo, o elemento oficial.
Cheguei a julgar-me inteiramente só!... nesse mesmo dia sou procurado pelos Drs. Albano Fernandes e Alberto Direito para assumir o comando das forças que se deviam revoltar; declarei-lhes estar à sua disposição e que comigo podiam contar para tudo, e que me chamassem quando fosse necessário.
Dia 23, pelas 11 horas, sou avisado que o movimento restaurador devia rebentar às 14, sendo o sinal dois tiros disparados das muralhas de Infantaria 10. Vários civis e militares estavam então a postos, devendo notar-se que no 10 reinava grande animação e uma inquebrantável fé no triunfo.
Por motivos imprevistos, e por justas ponderações, foi adiada a hora do movimento para as 18 horas e 30 minutos, sendo iniciado pelo combinado sinal. Dirigi-me para o quartel, encontrando ao sair de casa dois sargentos prontos a acompanhar-me. Entretanto, eram lançadas patrulhas de Infantaria 10 e do 6.º Grupo de Metralhadoras, aquartelado por ordem do comandante militar nas casernas de Infantaria 10, e a todo o momento se aguardava a adesão de Infantaria 30.
Os regimentos portaram-se heroicamente. Uma patrulha travava combate na Costa Grande com as ordenanças armadas do tenente-coronel Bandeira. Um dos nossos homens, soldado da 11.ª Companhia de Infantaria 10, da patrulha do comando do sargento Machado do 6.º Grupo de Metralhadoras, morreu varado por uma bala. Outra patrulha do comando do sargento Claudino, de Infantaria 10, 3.ª Companhia, que prende o tenente-coronel Bandeira, é também repelida a tiro, mas voltando à carga, consegue prender o tenente-coronel, que encontrei já detido no quartel do 10.
Durante essa noite, vários recontros se deram. Uma patrulha do comando do alferes Afonso, de Infantaria 30, que responde a tiro às palavras “Quem vive”, é aprisionada e bem assim o seu comandante.
Entretanto, o comandante e 2.º comandante de Infantaria 30 dominavam o seu regimento.
A todo o instante se esperava a adesão daquela unidade, até às 8 horas da madrugada de 24, postos em fuga os comandantes e os oficiais mais fanatizados pela ideia de monarquia, alferes Cantista, alferes Ribeiro e outros, se entregou um núcleo de soldados sob o comando do alferes Jorge de Lima, indo ao encontro do capitão Bragança, que com um grupo de sargentos aceitara em ir indagar da atitude daquele regimento por determinação minha. Foram recebidos fraternalmente e aos vivas à República. Restava dominar alguns grupos civis armados, o que se conseguiu com relativa facilidade e devotada energia.
Os regimentos trabalhavam afanosamente na consolidação da República, não se poupando todos a sacrifícios de toda a ordem. Os comandantes interinos das unidades, visto os autênticos terem sido presos e outros postos em debandada, eram incansáveis!... (...)
Fomos recebidos como salvadores, tantas foram as vilanias e vexames a que os trauliteiros e seus sequazes sujeitaram várias famílias e estabelecimentos comerciais.
Assumi o comando de Infantaria n.º 10. O quartel estava horrorosamente desprezado, o pavimento queimado em muitas casernas e isto em nome de D. Manuel II!
Assim terminaram estes tristes dias de eterna vergonha para os que indiferentemente assistiram ao desenrolar destes acontecimentos e para os que deram o seu apoio ao maior crime que contra a Pátria se tem planeado!

Fonte: Arquivo Histórico Militar, Relatório do movimento monarquista em Bragança e ação dos republicanos nesta cidade.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Histórico Militar, processo individual de Carlos Augusto Vergueiro e Relatório do movimento monarquista em Bragança e ação dos republicanos nesta cidade.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII e X. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus. 
ESTRELA, Paulo Jorge. 2007. As Revoluções Republicanas na Falerística Nacional. Lusíada. História, v. 2, n.º 7. Lisboa: Universidade Lusíada.
TEIXEIRA, A. J. 1929. Regime de Infantaria n.º 10. Breve resumo dos seus factos mais notáveis. Bragança: Tip. Académica.
Geneall – Portal de Genealogia (disponível em geneall.net).

Publicação da C.M. Bragança

EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE FOTOGRAFIA CIDEREU DESTACA A IDENTIDADE E O PATRIMÓNIO DA MAÇÃ E DA SIDRA

 Foi inaugurada em Carrazeda de Ansiães a Exposição Internacional de Fotografia CIDEREU, uma iniciativa dedicada à valorização da cultura, da paisagem, do património e da identidade das comunidades associadas à produção de maçã e sidra.


A mostra integra a programação da 29.ª Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite e reúne trabalhos fotográficos que procuram retratar a relação entre os territórios produtores, as suas tradições e as pessoas que, ao longo de gerações, têm contribuído para preservar estas atividades e o seu legado cultural.

A cerimónia de inauguração contou com a presença de diversas entidades, entre as quais o presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, João Gonçalves, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, o presidente da CCDR-Norte, Álvaro Santos, e o presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Esteve também presente Mariana Santos Naredo, coordenadora-geral do projeto CiderCities, além de representantes de instituições e entidades locais.

A Exposição Internacional de Fotografia CIDEREU assume-se como um espaço de encontro entre diferentes territórios ligados à cultura da maçã e da sidra, permitindo conhecer, através da linguagem fotográfica, a diversidade das suas paisagens, tradições e manifestações patrimoniais.

O momento inaugural contou ainda com a presença de Lucas Mesquita, vencedor do Prémio Local, que acompanhou a visita à exposição e se associou à iniciativa.

A mostra poderá ser visitada durante a realização da 29.ª Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite e, posteriormente, entre 1 e 30 de setembro, na Praça do CITICA, em Carrazeda de Ansiães.

Mais do que uma exposição fotográfica, a iniciativa pretende afirmar a fotografia enquanto instrumento de preservação da memória coletiva e de valorização da identidade e do património dos territórios ligados à maçã e à sidra.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

CARRAZEDA DE ANSIÃES CELEBRA SABORES E TRADIÇÕES NA 29.ª FEIRA DA MAÇÃ, DO VINHO E DO AZEITE

 Carrazeda de Ansiães volta a celebrar os produtos que fazem parte da identidade e da economia do concelho. A 29.ª edição da Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite junta, durante três dias, produtores, comunidade e visitantes, num encontro onde os sabores da terra se cruzam com a tradição, a cultura e a animação.

Jornalista: Vitória Botelho

TENAZ LEVA OS SABORES DE TRÁS-OS-MONTES A UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MIRANDELA

 A Estação das Artes recebeu a segunda edição do TENAZ – Mirandela na Ponta dos Dedos, um festival que colocou a gastronomia transmontana no centro de uma experiência que cruzou cozinha de autor, vinhos, cultura e produtos locais. Quatro chefs reinterpretaram sabores e ingredientes do território, num encontro que procurou valorizar a identidade gastronómica de Mirandela e aproximá-la de novos públicos.

Jornalista: Vitória Botelho

SÃO MARTINHO DE ANGUEIRA CELEBRA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO COM TRADIÇÃO DOS PAULITEIROS

 A fé e a tradição voltaram a marcar as celebrações em honra de Nossa Senhora do Rosário, em São Martinho de Angueira, no concelho de Miranda do Douro, numa jornada que reuniu a comunidade em torno de uma das manifestações culturais mais identitárias do Planalto Mirandês.


As festividades incluíram o tradicional peditório, a celebração da missa e a procissão pelas ruas da aldeia. Entre os momentos de maior simbolismo esteve a entrega dos chapéus dos Pauliteiros à Nossa Senhora, colocados sob o seu manto num gesto de devoção e proteção.

O programa prosseguiu com a atuação do grupo de jovens Pauliteiros e das Pauliteiras, num encontro entre diferentes gerações que contribui para manter viva esta tradição.

As celebrações voltaram, assim, a cruzar religiosidade, música, dança e cultura popular, reforçando a ligação da comunidade a um património que integra o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MIRANDELA TRANSFORMA O PARQUE IMPÉRIO NUMA GALERIA DE ARTE AO AR LIVRE

 Street Gallery regressou este fim de semana para a quarta edição, reunindo pintura, escultura, fotografia e artesanato num encontro aberto a toda a comunidade.


O Parque Império, em Mirandela, transformou-se este fim de semana num espaço dedicado à arte e à criatividade, com a realização da quarta edição da Street Gallery, iniciativa promovida pelo coletivo artístico “Verdes Criativos”.

Street Gallery arrancou ontem e hoje, 30 de agosto, entre as 10h00 e as 19h00, o parque continua a ser ocupado por diferentes expressões artísticas, numa proposta que pretende aproximar os criadores do público e levar a arte para fora dos espaços convencionais de exposição.

Pintura, escultura, fotografia e artesanato estão representados ao longo dos dois dias, proporcionando aos visitantes a oportunidade de conhecer trabalhos de diferentes artistas, descobrir novos talentos e contactar de forma mais próxima com os processos criativos.

A Street Gallery pretende também valorizar o próprio espaço público, transformando o Parque Império numa galeria a céu aberto, onde a arte se cruza com o quotidiano e pode ser descoberta por quem passa.

Mais do que uma exposição, a iniciativa assume-se como um momento de encontro entre artistas, comunidade e visitantes, convidando a uma utilização diferente do parque e criando um ambiente de partilha, descoberta e valorização da criação artística.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

Eclipse solar e Caretos de Arcas: o clique perfeito para a eternidade

 “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”


É a partir deste verso de Fernando Pessoa que damos a conhecer um dos últimos trabalhos do fotojornalista Henrique Casinhas, que, com o enquadramento perfeito do eclipse solar do passado dia 12 de agosto, retratou uma das tradições mais emblemáticas do concelho de Macedo de Cavaleiros: os Caretos de Arcas, que ganham cada vez mais expressão.

O fotojornalista conta que a ideia partiu de um projeto chamado “Máscaras das Terras Altas”, que desenvolve em parceria com o fotógrafo Hugo Amaral:

“Eu tenho um projeto com um colega, o Hugo Amaral, que se chama ‘Máscaras das Terras Altas’. Estamos a fotografar caretos por toda a Península Ibérica e estamos com este projeto desde 2018.

Já andamos a fotografar os caretos há algum tempo. Em Bragança existem vários, em Podence, em Vila Boa de Ousilhão, e existem mais alguns que ainda nos faltam.

Mas, em Arcas, estivemos lá no Natal passado, no dia 25 de dezembro, contra um bocado a vontade da minha família. Fui com o Hugo, fomos logo de manhã, no dia de Natal, e seguimos para cima. Fomos fotografar os Caretos de Arcas, que saem precisamente nesse dia.”

Foi precisamente com o eclipse solar, que colocou o mundo a olhar para o céu, que Henrique Casinhas se aventurou a retratar esta tradição peculiar da aldeia de Arcas:

“Entretanto, surgiu esta ideia do eclipse, que eu já tinha visto nas notícias. Já tinha mais ou menos esta ideia de fazer esta fotografia. Gosto muito de fazer enquadramentos com os astros e com este tipo de fotografias mais planeadas.

Desde novembro que já tinha esta ideia, mais ou menos pensada, de pôr um elemento dentro do eclipse. E, já que, em Portugal, onde se ia ver o eclipse completo era Bragança, pensei: Bragança, porque não os caretos? Acho que não há nada melhor para nós, fotógrafos.

Ainda por cima, para este meu projeto, também gostaria de fazer este trabalho. Porque não fazer com os caretos?

Só me faltava, no meio de tudo, escolher com quem, quais os caretos em si. Como estivemos, no Natal, na aldeia e criámos uma relação muito gira, porque eu acho que, no dia 25, quando chegámos a Arcas, devíamos ser os únicos portugueses que não eram da aldeia que ali estavam, acabámos por criar ali uma proximidade muito grande com aquela comunidade. Foi muito giro.

Foi assim que surgiu a ideia. Comecei a planear, dois meses antes, talvez. Mais perto da data, liguei para o Nelson, que é uma das pessoas que está mais à frente dos Caretos de Arcas, e ele disse-me logo que sim. Disponibilizaram-se e pronto. Basicamente, foi isto. Depois, foi ir à procura do sítio um dia antes e esperar que corresse tudo bem.”

O projeto “Máscaras das Terras Altas”, iniciado em 2018, deverá ser publicado em livro, acrescenta o fotógrafo:

“A longo prazo, sim, será um livro. Isto tudo começou num grupo de quatro amigos meus, com outro fotógrafo, o Hugo Amaral, com quem estou a fazer isto.

Basicamente, tiramos umas férias juntos. Não é bem umas férias, mas tiramos sempre uns dias, na altura do Entrudo, para ir dar uma volta. Ou seja, é um motivo para nos juntarmos, um bocado um motivo de festa, e juntamos o útil ao agradável e vamos fotografar.

Toda a viagem e todo o conceito disto acabam por ser muito divertidos. Com os nossos amigos fica mais divertido ainda. Eles dois também trabalham com imagem, um é videógrafo, o outro trabalha com edição, mas normalmente, nessa altura, estão só de férias.

Mas nós, eu e o Hugo, estamos a apostar um bocadinho mais nisto. A ideia é ser uma exposição ou um livro, possivelmente. Inclusive, esta imagem, não sei se vai ser ou não, mas tem potencial para ser capa, e acho que podia ser giro.”

Henrique Casinhas nasceu em Sintra, tem 40 anos e é licenciado em Design Gráfico. No entanto, o mundo da fotografia foi sempre uma paixão, tendo-se dedicado inicialmente a retratos de surf e de bodyboard.

Em 2008, tornou-se fotógrafo freelancer e, em 2016, decidiu especializar-se na área do fotojornalismo. Integrou o Canon Student Program, durante o festival Visa pour l’Image, em França.

Colabora com diversos jornais nacionais e internacionais, bem como com agências de imagem globais, percurso que já lhe valeu vários prémios:

“Sim, este ano, já alcancei o segundo lugar na World Photographic Cup 2026. Foi ótimo. Fui representar Portugal e consegui o segundo lugar na categoria de desporto. Fui à Islândia receber o prémio e foi um momento muito importante na minha carreira.

No ano passado, com a mesma fotografia, alcancei também o segundo lugar nos World Sports Photography Awards. E, em 2023, se não me engano, fui distinguido noutra categoria, Urban and Extreme.

Tenho estado sempre muito ligado à área do desporto e tenho sido premiado nessas categorias. Estes três prémios grandes foram os mais marcantes.”

Nos últimos anos, foi finalista dos World Sports Photography Awards, conquistando várias menções honrosas e dois segundos lugares, na categoria Urban and Extreme, em 2023, e na categoria Aquatic, em 2025.

Colabora, em regime de freelancer, com diversas publicações e agências, como National Geographic, Observador, Público, ECO, Champions Journal, The Telegraph, Paris Match, BBC News, jornal AS, Reuters, SOPA Images e Getty Images.

Maria João Canadas

sábado, 29 de agosto de 2026

A loja pequenina que dá sorte grande

 Na Brijogo saíram alguns dos prémios mais falados de Bragança, entre eles um primeiro prémio do Totoloto. Ana Maria e Viriato protagonizam a quinta “História de Quem dá Sorte”.


No edifício do Intermarché de Bragança, a Brijogo é uma referência para quem procura os Jogos Santa Casa. Mas a história começou em 1998, quando Ana Maria e Viriato iniciaram a mediação numa pequena loja, onde viveram momentos que ainda hoje fazem parte da memória de muitos brigantinos. Foi lá que a apresentadora Lara Afonso descobriu o percurso de um casal que, ao longo de décadas, já distribuiu alguns dos prémios mais marcantes da cidade. 

A história começou numa pequena tabacaria com “pouco mais de três metros quadrados”, recorda Ana Maria. À medida que a atividade cresceu, o espaço deixou de ser suficiente e o casal mudou-se para as atuais instalações, onde nasceu a Brijogo. Agora a loja é maior, mas quem lá entra sente-se em casa como sempre. 

Prémios que ficaram na memória 


Foi precisamente ainda na primeira loja que aconteceu o episódio de que todos se lembram. Em 1998, ainda no tempo do escudo, um cliente ganhou o primeiro prémio do Totoloto, no valor de 120 mil contos. Na altura, as máquinas ainda não assinalavam automaticamente os prémios e foi o apostador que percebeu. “Veio cá reclamar e confirmou-se que tinha o primeiro prémio”, recorda Ana Maria. Este episódio foi, sem dúvida, o que mais ficou gravado na memória da mediadora. “O prémio grande, 120 mil contos, então, foi uma loucura!”, relembra.  

Todavia, a dupla não se ficou por aqui: A pequena mediação ainda voltou a fazer história duas semanas antes da mudança para o espaço atual, quando saiu um prémio de um milhão de euros. “Agora estamos à espera de dar mais”, diz o mediador entre sorrisos. 

Ana Maria e Viriato têm ainda a função de auxiliar quem teve sorte e ganhou prémios, mas não sabem o que fazer. “Ajudamos, e a Santa Casa também dá apoio”, informa a mediadora. Tudo isto faz com que, na Brijogo, também já se viva um ambiente familiar. “Na Brijogo há clientes que entram aqui todos os dias”, diz Viriato.  

Uma questão de confiança


Os dois rostos da Brijogo protagonizam o quinto episódio de “Histórias de Quem dá Sorte”. Ao longo de vinte semanas, a iniciativa dá voz a mediadores por todo o país, na maioria pequenos negócios de família enraizados nas suas comunidades. 

No que toca à Brijogo, os prémios ajudaram a escrever a história da casa. Mas é a confiança conquistada ao longo dos anos que faz regressar quem entra diariamente pela porta. 


Em 1998, ainda no tempo do escudo, um cliente ganhou o primeiro prémio do Totoloto, no valor de 120 mil contos. A mesma dupla de mediadores também já testemunhou a entrega de um prémio no valor de um milhão de euros.

SPEA alerta que Plano Nacional de Restauro da Natureza pode não garantir recuperação da biodiversidade

 O Plano Nacional de Restauro da Natureza, cuja consulta pública acabou a 19 de agosto, precisa de mais ambição, financiamento e indicadores para medir se as espécies e os ecossistemas estão realmente a recuperar, defende a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Mocho-galego (Athene noctua). Foto: Edd Deane/Wiki Commons

Portugal está perante uma oportunidade que pode ser decisiva para a recuperação da natureza, mas corre o risco de a deixar escapar. É esta a conclusão da SPEA-BirdLife que, na consulta pública do Plano Nacional de Restauro da Natureza, defendeu alterações à proposta atualmente em discussão.

O plano, que foi apresentado a 2 de junho passado, define 407 medidas de intervenção em ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce (152 medidas), marinhos (27), fluviais (83), urbanos (oito), agrícolas (84) e florestais (25). Estão ainda previstas 28 medidas para ajudar as espécies polinizadoras.

Para esta organização, o plano reúne um esforço importante de diagnóstico e de definição de medidas, mas fica aquém do necessário para garantir uma recuperação efetiva da biodiversidade. O problema, diz a SPEA, é que restaurar a natureza não pode resumir-se à contabilização de hectares intervencionados.

“O Plano Nacional de Restauro da Natureza é uma oportunidade única para travarmos a perda da biodiversidade em Portugal”, comentou, em comunicado enviado ontem à Wilder, Joana Andrade, coordenadora do Departamento de Conservação Marinha da SPEA-BirdLife. “Este é o momento para decidir se queremos apenas cumprir metas no papel ou recuperar verdadeiramente a natureza.”

Mais do que hectares, é preciso recuperar espécies

Uma das principais preocupações da organização é a forma como o sucesso do restauro será avaliado. A SPEA defende que os objetivos, metas e indicadores do plano devem integrar de forma mais clara a biodiversidade e o estado das espécies.

As aves, em particular, podem desempenhar um papel importante como indicadores da eficácia das medidas de restauro. Se uma determinada área é restaurada, mas as espécies que dela dependem continuam a desaparecer ou não regressam, questiona a organização, será que se pode considerar que o restauro foi bem-sucedido?

A questão é particularmente importante porque a recuperação da natureza não acontece em parcelas isoladas. Florestas, zonas húmidas, áreas agrícolas, cidades e mar estão ligados por fluxos ecológicos e pelas deslocações das espécies ao longo dos seus ciclos de vida.

Por isso, a SPEA considera essencial apostar na conectividade ecológica e evitar a criação de pequenas “ilhas” de natureza rodeadas por áreas degradadas.

Entre as pressões que, segundo a organização, continuam a merecer uma resposta mais consistente está também a poluição luminosa. Isto porque a iluminação artificial durante a noite pode afetar aves marinhas e outros grupos de animais.

Além disso, acrescenta a SPEA, o restauro da natureza não deve ficar limitado às áreas protegidas ou aos grandes espaços naturais. As cidades também devem fazer parte desta estratégia.

Para a organização, o ecossistema urbano deve ser entendido como um contínuo, onde os espaços verdes e os edifícios podem desempenhar funções importantes para a biodiversidade.

Entre as medidas propostas estão a proteção e criação de locais de nidificação em edifícios, a instalação de caixas-ninho e outras estruturas, a prevenção de colisões de aves com superfícies de vidro ou espelhadas e o aumento da vegetação nas ruas e avenidas.

A redução da impermeabilização dos solos é outra das prioridades apontadas. A ideia é evitar que a biodiversidade fique confinada a pequenos jardins e parques isolados numa matriz urbana cada vez mais impermeável.

Estas medidas podem, além disso, aproximar o restauro da vida quotidiana das pessoas. Casas, prédios, ruas e bairros podem tornar-se parte da rede de espaços necessários à recuperação da natureza.

O financiamento continua a ser uma incógnita

O Plano Nacional de Restauro da Natureza prevê um investimento, em média, de cerca de 500 milhões de euros por ano em ações de restauro da natureza até 2030. O financiamento previsto resulta da combinação de fundos europeus e nacionais, incluindo verbas do Portugal 2030, da Política Agrícola Comum, do Fundo Ambiental, dos EEA Grants e de investimento privado.

Mas a SPEA considera que ainda não existe uma ligação suficientemente clara entre as medidas previstas, os custos da sua implementação e as respetivas fontes de financiamento.

Mais do que contabilizar fundos que já existem, defende a organização, o financiamento deve partir do custo efetivo das medidas necessárias para cumprir as metas do plano. E deve existir uma garantia de recursos nacionais estáveis e de longo prazo.

“Restaurar não é plantar hoje e esquecer amanhã”, disse Joana Andrade. “Sem financiamento para manter, monitorizar e adaptar as medidas ao longo do tempo, os resultados dificilmente serão duradouros.”

A SPEA admite a possibilidade de mobilizar investimento privado, mas considera indispensável assegurar transparência e evitar situações de greenwashing. Entre as propostas está a criação de um registo público dos projetos financiados e dos seus resultados.

A organização defende também uma revisão dos subsídios públicos que continuam a incentivar atividades prejudiciais para a biodiversidade. E considera que a Avaliação Ambiental Estratégica deve ser usada para testar a coerência global do plano e verificar se as diferentes políticas públicas contribuem efetivamente para a recuperação da natureza.

Medir para saber se a natureza está a recuperar

Sem monitorização adequada, será difícil saber se as medidas previstas estão a produzir resultados, alertou ainda a SPEA.

A organização defende sistemas de acompanhamento baseados em indicadores biológicos, capazes de revelar alterações reais no estado das espécies e dos ecossistemas.

Neste contexto, os programas de ciência-cidadã podem ter um papel importante. É o caso do Censo de Aves Comuns, que permite acompanhar tendências das populações de aves em Portugal ao longo do tempo.

Para a SPEA, iniciativas deste tipo devem ter financiamento estável e reconhecimento institucional, de modo a garantir a continuidade das séries de dados. Só com acompanhamento a longo prazo será possível perceber se as intervenções de restauro estão, de facto, a inverter tendências negativas.

Outra condição para o sucesso deste Plano será, segundo a organização, envolver quem vive e trabalha nos territórios onde o restauro vai acontecer.

Proprietários, agricultores, comunidades locais e organizações da sociedade civil terão de participar na implementação das medidas. A SPEA destaca, neste contexto, a custódia do território, baseada em acordos voluntários e numa colaboração continuada entre diferentes intervenientes.

Açores, Madeira e mar ficam aquém?

A proposta do plano levanta ainda preocupações relativamente às regiões autónomas e aos ecossistemas marinhos.

A SPEA considera que faltam medidas para responder às pressões específicas que afetam estes territórios e ecossistemas. Nas ilhas, em particular, a aplicação de indicadores nacionais poderá não refletir adequadamente realidades ecológicas que são diferentes das existentes no continente.

Mesmo quando não sejam necessários para o reporte europeu, defende a organização, devem existir indicadores regionais capazes de acompanhar a recuperação da biodiversidade nos Açores e na Madeira.

No meio marinho, a organização identifica igualmente lacunas que, na sua perspetiva, precisam de ser corrigidas para que o plano consiga abranger de forma eficaz todos os ecossistemas.

O Plano Nacional de Restauro da Natureza surge num momento particularmente importante para a conservação da biodiversidade. Para a SPEA, pode ser uma oportunidade para inverter décadas de degradação, mas isso dependerá da ambição das metas, da qualidade dos indicadores, dos recursos disponíveis e da capacidade de transformar compromissos em ações concretas.

A organização considera que a versão final do plano deve ir além da contabilização das áreas restauradas e demonstrar, através de dados científicos, que as espécies e os ecossistemas estão efetivamente a recuperar.

“Sem mais ambição, melhor financiamento e uma implementação eficaz, baseada na Ciência e na participação, Portugal arrisca perder uma oportunidade que pode não voltar tão cedo”, alertou Joana Andrade.

A elaboração deste plano nacional é uma resposta ao Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, que estabelece que todos os Estados-membros devem restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas nestes próximos cinco anos, até 2030, garantindo ainda que até 2050 todos os ecossistemas que necessitem de recuperação vão estar em processo de restauro.

Portugal entrega a Bruxelas Plano Nacional de Restauro da Natureza com 386 medidas

 O Governo entregou em 28 de agosto, à Comissão Europeia as medidas que vai usar para restaurar, pelo menos, 20% das áreas terrestres e marinhas até 2030. A ministra do Ambiente pede que este plano seja “um verdadeiro movimento nacional”.

Foto: Anja Odenberg/Pixabay

O projeto de Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN) enviado hoje a Bruxelas já inclui as contribuições da consulta pública que aconteceu entre 9 de julho e 19 de agosto. “Os contributos permitiram introduzir alterações e reforçar a qualidade técnica, científica e operacional do documento”, informa hoje, em comunicado, o gabinete de imprensa do Ministério do Ambiente e da Energia.

No total, a consulta recebeu 184 participações.

O documento resulta de um trabalho coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), e envolveu as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, uma Comissão de Acompanhamento e a Rede de Conhecimento para o Restauro da Natureza, constituída por mais de 200 investigadores em todo o país.

Ao todo são apresentadas 386 medidas, que abrangem ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce, marinhos, urbanos, rios e planícies aluvionares, polinizadores, ecossistemas agrícolas e florestais, além de medidas transversais de governação.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, enviou também esta manhã uma carta à Comissária Europeia do Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall, na qual reafirmou o compromisso de Portugal com a concretização dos objetivos europeus de restauro da natureza.

“Portugal cumpre, e cumpre antes do prazo. Mas esta entrega não representa o fim de um processo. Representa o início de uma nova etapa para colocar o restauro da natureza no terreno”, disse a ministra.

E vai mais longe ao afirmar: “Queremos que este Plano seja mais do que um documento: queremos que seja um verdadeiro movimento nacional, capaz de mobilizar o Estado, as Regiões Autónomas, os municípios, a comunidade científica, os setores económicos e a sociedade civil”.

A ministra lembrou que “restaurar a natureza é proteger a biodiversidade, mas é também tornar os nossos territórios mais resilientes, gerar riqueza e melhorar a qualidade de vida das populações”.

A Comissão Europeia dispõe agora de seis meses para avaliar o projeto e apresentar observações. Portugal terá depois um período adicional de seis meses para finalizar, publicar e apresentar a versão definitiva do Plano. Esta segunda fase decorrerá, assim, entre setembro de 2026 e agosto de 2027.

Entre as iniciativas já em curso que contribuirão para a execução do Plano contam-se, por exemplo, novos projetos-piloto de restauro da natureza em territórios particularmente afetados por catástrofes, como a Serra da Estrela, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Vale do Guadiana, o Alentejo Litoral e a Mata da Margaraça.

Na carta enviada à Comissária Jessika Roswall, a ministra Maria da Graça Carvalho defendeu que o restauro da natureza disponha de uma dotação adequada no próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 e reitera o apoio de Portugal à criação de um Fundo Europeu para o Restauro da Natureza, que permita responder à dimensão do desafio e mobilizar os recursos necessários à execução dos planos nacionais.

O Governo pretende ainda trabalhar na diversificação das fontes de financiamento, incluindo instrumentos complementares como um futuro mercado de créditos de natureza e a mobilização de capital privado.

Segundo a Comissão Europeia, até ao momento, somente dois Estados-Membros da União Europeia submeteram o seu projeto de Plano Nacional de Restauro da Natureza; pelo que Portugal junta-se assim a este primeiro grupo.

PARQUE NATURAL DE MONTESINHO CELEBRA 47 ANOS COM UM DIA DEDICADO À NATUREZA E À TRADIÇÃO

 O Parque Natural de Montesinho comemora este domingo, 30 de agosto, 47 anos com um programa que junta natureza, património e as comunidades locais.


As celebrações começam em Carragosa, Bragança, com uma sessão dedicada aos valores naturais e culturais do parque. Ao longo da manhã, estarão em destaque temas como a biodiversidade, os soutos, o carvalho-negral, o pastoreio, a agricultura e a apicultura.

Durante a tarde, uma viagem por diferentes localidades do Parque leva os participantes até aos concelhos de Bragança e Vinhais, com passagem pelo miradouro de Travanca e por um souto centenário em Zido.

O programa termina com a libertação de uma ave de rapina pelo ICNF e um lanche campestre ao som dos gaiteiros de Zido.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

NEGREDA GANHA NOVO PARQUE INFANTIL DURANTE AS FESTAS DE SÃO BARTOLOMEU

 A aldeia de Negreda, no concelho de Vinhais, assinalou a 24 de agosto as festividades em honra de São Bartolomeu com a inauguração de um novo parque infantil junto à escola.


O dia começou com uma eucaristia campal, seguida da tradicional procissão e da bênção das máquinas agrícolas da população, mantendo uma tradição ligada à identidade da comunidade.

A inauguração do parque infantil foi um dos momentos centrais das celebrações. O novo equipamento pretende criar um espaço seguro para as crianças e, simultaneamente, um novo ponto de encontro para as famílias.

A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Luís Fernandes, e do presidente da Junta de Freguesia de Celas, João Santos. O espaço e um novo mural artístico, criado pelo artista Guel do It, foram também benzidos pelo padre Belmiro.

As comemorações terminaram com um almoço-convívio, que reuniu a população e amigos de Negreda.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

GNR ALERTA PARA BURLAS COM “FALSOS ACIDENTES” QUE JÁ LESARAM VÍTIMAS EM MAIS DE 72 MIL EUROS

 BURLAS DOS “FALSOS ACIDENTES” JÁ LESARAM PORTUGUESES EM MAIS DE 72 MIL EUROS


GNR alerta para esquemas que visa sobretudo condutores mais velhos

Em apenas seis meses, foram registadas 30 denúncias em todo o país, mais 15,4% do que no mesmo período de 2025. Um único caso provocou um prejuízo de 15.450 euros. No distrito de Vila Real foi registada uma ocorrência.

Um acidente que nunca aconteceu pode estar na origem de uma burla que está a ganhar expressão em Portugal e que já provocou 72.540 euros de prejuízo às vítimas apenas nos primeiros seis meses de 2026.

O alerta é da Guarda Nacional Republicana (GNR), que chama a atenção para a crescente sofisticação das burlas através da simulação de acidentes de viação. Entre janeiro e junho deste ano foram apresentadas 30 denúncias em território nacional, contra 26 no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 15,4%.

Os números revelam ainda outra realidade preocupante: em apenas meio ano, o prejuízo acumulado já se aproxima dos 77.480 euros registados durante todo o ano de 2025. E, em 2026, o caso mais grave conhecido pela GNR resultou numa perda de 15.450 euros para uma única vítima.

Entre os distritos com ocorrências registadas este ano encontra-se Vila Real, com um caso no primeiro semestre. Faro lidera a lista, com seis denúncias, seguindo-se Lisboa, Porto, Viseu e Beja, com três ocorrências cada.

O ACIDENTE É INVENTADO. A PRESSÃO É REAL

O esquema começa habitualmente com uma abordagem convincente. Os suspeitos fazem o condutor acreditar que esteve envolvido numa colisão, apontando para alegados danos no veículo e atribuindo-lhe a responsabilidade pelo suposto acidente.

A partir daí, começa a pressão.

O objetivo é convencer a vítima a pagar imediatamente pelos danos alegadamente provocados, muitas vezes sob o argumento de que assim evita a intervenção das autoridades ou problemas com a seguradora.

É precisamente neste momento que a GNR recomenda que os condutores não cedam à pressão.

Não deve ser efetuado qualquer pagamento imediato no local.

Os burlões podem recorrer a dinheiro ou a terminais de pagamento portáteis, procurando transformar rapidamente uma situação aparentemente banal num prejuízo financeiro significativo.

O PERIGO PODE CHEGAR À CONTA BANCÁRIA

A burla pode não terminar com o pagamento exigido.

Segundo a GNR, existem situações em que os suspeitos acompanham as vítimas até caixas multibanco ou procuram obter diretamente os seus dados bancários. Alguns chegam a observar o código PIN, podendo posteriormente proceder à utilização indevida do cartão.

Em determinados casos, os burlões conseguem ainda trocar o cartão bancário da vítima por outro semelhante, ficando na posse do cartão verdadeiro e do respetivo código. O resultado pode ser a realização posterior de levantamentos ou outras operações não autorizadas.

CONDUTORES COM MAIS DE 60 ANOS ENTRE OS PRINCIPAIS ALVOS

A GNR alerta particularmente para a escolha de condutores com mais de 60 anos.

Os autores deste tipo de crime procuram explorar a vulnerabilidade emocional das vítimas, o receio de consequências legais e a vontade de resolver rapidamente uma situação que acreditam ser da sua responsabilidade.

É uma estratégia baseada precisamente na pressão: criar a sensação de que é necessário pagar naquele momento para evitar um problema maior.

Mas é aí que os especialistas aconselham a fazer exatamente o contrário: parar, desconfiar e chamar as autoridades.

O QUE FAZER PERANTE UMA SITUAÇÃO SUSPEITA?

A GNR recomenda que, perante um acidente ou uma alegada colisão, os condutores: Não efetuem pagamentos imediatos no local; Protejam os cartões, códigos PIN e restantes dados bancários; Fotografem os veículos, os danos e o local da ocorrência; Recolham os dados e a documentação da outra parte; Preencham a declaração amigável ou contactem a seguradora; Contactem imediatamente as autoridades perante qualquer comportamento suspeito.

A recomendação é especialmente importante quando alguém tenta impedir a participação do acidente, pressionar para um pagamento imediato ou conduzir a vítima até um multibanco ou terminal de pagamento.

Perante uma emergência ou perigo imediato, deve ser contactado o 112.

Os dados agora divulgados pela GNR deixam uma conclusão clara: o “falso acidente” já não é uma burla de pequena dimensão. Em seis meses, foram 30 denúncias e mais de 72 mil euros perdidos. E, num único caso, a vítima ficou com um prejuízo superior a 15 mil euros.

Depois de um acidente, verdadeiro ou alegado, ninguém deve decidir sob pressão. Fotografar, identificar, participar e contactar as autoridades pode fazer a diferença entre resolver um acidente e cair numa burla.

Jornalistas: Paulo Silva Reis e Vitória Botelho
Foto: DR

BRAGANÇA QUER DAR NOVA VIDA AO CASTELO E À CIDADELA COM PROGRAMA “VIVER AS MURALHAS”

 O Município de Bragança está a preparar o programa “Viver as Muralhas”, uma estratégia integrada para valorizar o Castelo e a Cidadela e melhorar a forma como este espaço é vivido por residentes, comerciantes e visitantes.


A iniciativa pretende intervir em áreas como o trânsito e estacionamento, mobilidade, espaço público, acolhimento turístico, comércio, artesanato e programação cultural, procurando reduzir a pressão automóvel dentro das muralhas sem comprometer o acesso dos moradores e dos serviços essenciais.

Entre as soluções em estudo está a criação de ligações através de pequenos veículos elétricos entre o centro da cidade, os parques de estacionamento e o Castelo. Está também prevista, aos fins de semana, uma ligação através do Comboio Turístico entre a Estação Rodoviária e a Cidadela.

O programa contempla ainda a criação de um mercado regular de artesanato e produtos locais, a melhoria da sinalética, iluminação e espaços de estadia, bem como uma maior articulação entre os equipamentos culturais existentes dentro das muralhas.

Antes da implementação das medidas, o Município pretende ouvir residentes, comerciantes e outras entidades e testar as soluções através de um projeto-piloto. A primeira reunião do grupo de trabalho está marcada para 11 de setembro.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

TORRE DE MONCORVO RECEBE APRESENTAÇÃO DO LIVRO “ENCRUZILHADAS NO IMPÉRIO”

 A Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo recebe, no próximo dia 4 de setembro, a apresentação de “Encruzilhadas no Império”, a mais recente obra de Paulo Cordeiro Salgado.


A sessão está marcada para o auditório da biblioteca e terá apresentação a cargo de Álvaro Teixeira Leonardo.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com uma longa carreira na área da administração hospitalar, Paulo Cordeiro Salgado desenvolveu também atividade de cooperação internacional em países como Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, tendo colaborado com instituições como o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento.

O autor tem ainda um percurso ligado à literatura, com obras dedicadas à ficção, à infância e à juventude, várias delas inspiradas nas suas experiências e vivências em África.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

TABLETS GANHAM ESPAÇO NO DIA A DIA DOS MAIS VELHOS EM ALDEIAS DE BRAGANÇA

 O projeto Aldeias Pedagógicas Digitais continua a aproximar a tecnologia das populações mais velhas de Aveleda, Varge e Rio de Onor, no concelho de Bragança.


Durante os meses de julho e agosto, a equipa manteve o acompanhamento aos participantes, incluindo através de visitas domiciliárias, ajudando na utilização dos tablets e na descoberta de novas ferramentas.

Chamadas e videochamadas, música, jogos, exercício, receitas e informação já fazem parte das rotinas de vários utilizadores. Entre janeiro e julho, o tempo de utilização dos equipamentos aumentou de cerca de 259 para 940 horas mensais, com julho a registar o valor mais elevado até ao momento.

O projeto aposta assim numa utilização simples e próxima da tecnologia, promovendo a autonomia, o contacto com familiares e a participação na comunidade, ao mesmo tempo que contribui para combater o isolamento social.

As atividades incluem também oficinas comunitárias, como as realizadas em torno da alfazema, que juntaram participantes das três aldeias na recuperação de saberes tradicionais e em momentos de convívio e partilha.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR