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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Desta vez, a nossa tradição participa no Carnevale Europeo delle Maschere Zoomorfe, que terá lugar em Isernia nos dias 13, 14 e 15 de março de 2026.

 No sábado, 14 de março, os Caretos integrarão o Grande Cortejo de Máscaras, num desfile internacional com mais de 300 figurantes, representando algumas das mais antigas e impressionantes máscaras tradicionais da Europa.
Será mais uma oportunidade para mostrar ao mundo a força cultural de Podence e do nosso Entrudo Chocalheiro, património que continua a viajar e a encantar novos públicos.

Dos caminhos de Trás-os-Montes até Itália…

Os chocalhos de Podence continuam a ecoar pela Europa!

BRAGANÇA - 𝑷𝒓𝒆́𝒎𝒊𝒐𝒔 𝒆𝒎 𝑫𝒆𝒔𝒕𝒂𝒒𝒖𝒆 - 𝐹𝑒𝑣𝑒𝑟𝑒𝑖𝑟𝑜 - 2026

 A rubrica “Prémios em Destaque” evidencia, mensalmente, conquistas alcançadas por brigantinas e brigantinos, em diversas áreas, valorizando o talento e o trabalho desenvolvido no concelho.

Em fevereiro, os destaques foram:

🏀 𝐂𝐥𝐮𝐛𝐞 𝐝𝐞 𝐁𝐚𝐬𝐪𝐮𝐞𝐭𝐞𝐛𝐨𝐥 – 𝐄𝐬𝐭𝐫𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐁𝐫𝐢𝐠𝐚𝐧𝐭𝐢𝐧𝐚𝐬

Campeões Distritais de Basquetebol - Sub-14 e Sub-16 Masculinos

💪 𝐒𝐚𝐧𝐝𝐫𝐚 𝐈𝐬𝐚𝐛𝐞𝐥 𝐞 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢́𝐜𝐢𝐚 𝐑𝐚𝐦𝐚𝐥𝐡𝐨 – 𝐁𝐮𝐝𝐨 𝐆𝐲𝐦

Competição “Hybrid Day” | Aveiro - 3.º lugar (Categoria) – 112 duplas - 5.º lugar (Geral) – 381 duplas femininas

🏑 𝐄𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚 𝐝𝐞 𝐏𝐚𝐫𝐚 𝐇𝐨́𝐪𝐮𝐞𝐢 𝐝𝐨 𝐂𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐏𝐚𝐫𝐨𝐪𝐮𝐢𝐚𝐥 𝐒𝐚𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐌𝐚́𝐫𝐭𝐢𝐫𝐞𝐬

Campeã Nacional de Para Hóquei - VII Jogos de Inverno da ANDDI

⚽ 𝐅𝐂 𝐌𝐚̃𝐞 𝐝’𝐀́𝐠𝐮𝐚

Campeões Distritais de Futebol - Sub-16 Masculinos

👩‍🍳 𝐌𝐚𝐫𝐢𝐧𝐚, 𝐑𝐨𝐬𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐞 𝐒𝐨́𝐧𝐢𝐚

Vencedoras do programa “Chefes da Nossa Terra” - RTP

Reconhecimento público de resultados que projetam o nome de Bragança a nível regional e nacional.

A freguesia de 𝐒𝐞𝐳𝐮𝐥𝐟𝐞 recebe, no próximo fim de semana, a 𝐈 𝐅𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐒𝐨𝐩𝐚𝐬 & 𝐑𝐨𝐣𝐨̃𝐞𝐬.

  O evento conta com a venda de produtos da terra, concurso de sopas entre freguesias, showcooking, muita animação e ainda a II Caminhada Solidária CSIF SeLaCor, a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
 Uma oportunidade para 𝐬𝐚𝐛𝐨𝐫𝐞𝐚𝐫 𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐝𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨, 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐨𝐯𝐞𝐫 𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐯𝐢́𝐯𝐢𝐨 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐟𝐫𝐞𝐠𝐮𝐞𝐬𝐢𝐚𝐬 𝐞 𝐚𝐩𝐨𝐢𝐚𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐛𝐨𝐚 𝐜𝐚𝐮𝐬𝐚.

SECRETÁRIO DE ESTADO ADJUNTO E DO TRABALHO PARTICIPA EM REUNIÃO DE GESTÃO DO IEFP EM BRAGANÇA

 O Secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, participará na reunião de gestão da Delegação Regional do Norte do IEFP, IP, marcada para sexta-feira, 6 de março, às 10h00, no Museu Nacional de Arte Antiga Abade Baçal, em Bragança.


O encontro contará com a presença de dirigentes regionais e locais do serviço público de emprego, incluindo a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, e o delegado regional do Norte do IEFP, César Ferreira, com o objetivo de avaliar a atividade desenvolvida em emprego e formação profissional e promover a troca de ideias.

Durante a visita, Adriano Moreira terá também a oportunidade de conhecer as obras de requalificação do Centro de Emprego e Formação Profissional de Bragança, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), reforçando o alinhamento entre políticas nacionais e necessidades regionais.

O IEFP é responsável por implementar políticas ativas de emprego e formação profissional, promovendo a criação de oportunidades e a redução do desemprego.

Jornalista: Vitória Botelho
foto: DR

Eclipses: Mito e ciência

 A observação de eclipses deu origem a mitos antigos mas também a esforços racionais com vista à compreensão física do fenómeno e das suas consequências na Terra.

ALAMY / CORDON PRESS - Por influência dos jesuítas, a astronomia chinesa incorporou muitos conhecimentos europeus a partir do século XVI.

Há muito que o monumento megalítico de Stonehenge, no Sul de Inglaterra, fascina os estudiosos. A sua enigmática estrutura e propósitos difíceis de descodificar têm desafiado especialistas de diversos domínios científicos.

Todavia, no início da década de 1960, os astrónomos britânicos Gerald Hawkins e, um pouco depois, Fred Hoyle propuseram que o monumento pré-histórico fora utilizado para prever a ocorrência de eclipses. Num documentário televisivo produzido na época, Gerald Hawkins afirmou, confiante, que “gerações de arqueólogos têm-se interrogado sobre o significado de Stonehenge… Bem, eu tenho a resposta”.

ALAMY / CORDON PRESS - Eclipse solar visto através de um dos portais do monumento megalítico de Stonehenge. 

Hawkins conseguira utilizar o recém-inventado computador electrónico nos seus cálculos: um único minuto no computador do centro Smithsonian-Harvard permitira-lhe cruzar milhares de alinhamentos possíveis. Segundo ele, quatro alinhamentos das pedras de Stonehenge com posições extremas do Sol e da Lua visíveis no horizonte formavam um rectângulo perfeito e isso só se verificava para aquela latitude. Seria este facto intencional ou mera coincidência? Com os 56 buracos de poste igualmente espaçados e dispostos em circunferência, o monumento poderia ter sido usado para prever eclipses.

Por sua vez, os arqueólogos, que não encontravam nos seus dados qualquer motivação para se interessarem por eclipses, consideraram a proposta demasiado sofisticada para os contextos culturais da pré-história. E, até prova em contrário, também os peritos que hoje se dedicam à astronomia cultural olham para o “previsor de eclipses” de Stonehenge como um mito moderno.

ALAMY / CORDON PRESS - Mural do século XIX de Gurdwara Baba Atal, em Amritsar (Índia), exibindo a  visita do Guru Nanak a Kurukshetra. O episódio tem particular relevância por ter coincidido com um eclipse do Sol.

A criação de histórias mitificadas para explicar os eclipses tem raízes profundas. Nas tabuinhas cuneiformes da Mesopotâmia, os mais antigos registos escritos conhecidos, encontram-se referências a eclipses lunares e solares. Os primeiros textos, que associavam corpos celestes a presságios, datam da primeira metade do segundo milénio antes da nossa era. Quatro destas tabuinhas contêm presságios relacionados com eclipses da Lua e outros relativos a eclipses do Sol. Mas o auge desta tradição astral babilónica ficou expressa no conjunto de setenta tabuinhas, celebrizado pelas palavras que iniciam a primeira: Enūma Anu Enlil. Entre este grupo de tabuinhas, oito possuem referências relacionadas a eclipses lunares e sete a eclipses solares. Os mais antigos exemplares do Enūma Anu Enlil pertenciam à biblioteca de Assurbanípal e estão datados do século VII a.C.

Os presságios da Mesopotâmia devem ser entendidos no contexto de uma religião politeísta segundo a qual uma multiplicidade de deuses era responsável pelas várias vicissitudes do mundo e interessava-se sobremaneira pelo destino dos humanos. Em especial, o interesse dos deuses recaía sobre os reis, vistos como os seus representantes na Terra. Os presságios faziam assim parte de uma linguagem de comunicação com as próprias divindades, que por sua vez expressavam as suas intenções através desses sinais. Os eclipses lunares foram assim interpretados com frequência como anúncios da morte iminente do rei da Assíria, de Babilónia ou de terras vizinhas. Quando tal prognóstico surgia, foi muitas vezes adoptada a prática de entronizar e executar ritualmente um rei-substituto, tipicamente um prisioneiro, satisfazendo os deuses e poupando ao mesmo tempo o monarca reinante. 

UNIVERSIDADE DE ROCHESTER / J. ADAM FENSTER - Este extraordinário exemplar da biblioteca da Universidade de Rochester reunia compêndios de medicina e astronomia do século XIV. O almanaque de pergaminho podia ser dobrado e transportado à cintura pelo seu proprietário.

Na China antiga, e na verdade até ao século XX, o céu estrelado foi considerado um reflexo dos acontecimentos terrestres, sendo que o imperador, o eixo em torno do qual tudo girava, era espelhado na fixa estrela Polar. Rainhas e príncipes, guardas e oficiais da corte ocupavam a região circumpolar. Ou seja, cada “funcionário” no céu tinha um correspondente no palácio imperial. Por exemplo, o Príncipe da Coroa governava a Lua, enquanto o Grande Imperador governava o Sol. Quando o Sol perdia o brilho a meio do dia, o poder do Imperador poderia estar em causa, e logo que na Lua cheia surgisse uma sombra, o Príncipe ficava também inquieto.

Na China antiga, tudo o que acontecia no céu era registado– especialmente fenómenos invulgares – e analisado pelos astrólogos da corte, do ponto de vista dos presságios. A técnica era aplicada exclusivamente à família real e, dadas as implicações políticas, o fabrico de registos (ou seja, reportar um “falso prodígio”) era punido com a pena capital.

BIBLIOTECA NACIONAL - Na noite de 20 de Setembro de 331 a.C. ocorreu um eclipse total da Lua. No dia seguinte deu-se a batalha de Gaugamela, onde o exército macedónio de Alexandre venceu as forças do último rei da Pérsia, Dario III. Os relatos clássicos referem que o exército macedónio ficou impressionado com o eclipse, enquanto Alexandre dormiu profundamente – é possível que o tenha feito para incutir confiança nas suas forças. Dario III foi sensível aos maus presságios e a interpretações astrológicas que vaticinavam a queda do seu reinado.

As culturas nativas americanas também se inquietavam com os eclipses solares e um dos mais conhecidos mitos daquela região mostra bem como se esforçavam por resolver uma ameaça entendida como um perigo iminente. O espanhol Garcilaso de la Vega registou nas suas crónicas as reacções dos incas do Peru: “Quando havia um eclipse solar, diziam que o Sol estava zangado por alguma ofensa cometida contra ele, uma vez que a sua face aparecia perturbada como a de um homem zangado! E previam, como os astrólogos, a aproximação de um grande castigo… Eram então tomados pelo medo e tocavam […] todos os instrumentos que encontravam para fazer barulho. Atavam os cães, grandes e pequenos, batiam-lhes com muitos golpes e faziam-nos uivar e chamar a Lua pois, de acordo com uma certa fábula que contam, pensavam que a Lua gostava de cães em troca de um serviço que estes lhe tinham feito e que, se ela os ouvisse chorar, teria pena deles e acordaria do sono causado pela sua doença.”

UNIV. ROCHESTER / J. ADAM FENSTER - De revolutionibus orbium coelestium, a obra de Copérnico publicada em 1543, propôs um modelo heliocêntrico do universo. A compreensão do movimento dos corpos, considerando a Terra móvel, foi uma revolução para a época.

Maus presságios

Durante a Idade Média, a astronomia geométrica grega recebida da Antiguidade foi cultivada, desenvolvida e integrada com contributos persas e indianos através dos astrónomos árabes. Na verdade, o interesse dos sábios do islão pela astronomia estava intimamente relacionado com a religião. Rezar na direcção de Meca ou determinar os momentos da oração requeria conhecimentos astronómicos. Todavia, como atesta o testemunho do grande astrónomo árabe al-Bīrūnī, sobre o eclipse total do Sol de 11 de Abril de 1176, aparentemente a carga mítica do fenómeno já se dissipara: “Era a manhã de sexta-feira dia 29.º do Ramadão… quando era jovem e na companhia do meu professor de aritmética. Quando o vi [eclipse], tive muito medo… O meu professor era conhecedor das estrelas e disse-me: ‘Agora verás que tudo isto irá passar’, e passou rapidamente.”

É curioso notar que, quando a ciência moderna deu os primeiros passos para racionalizar as interpretações e os estudos matematizados, fê-lo num contexto em  que ainda convivia com prognósticos de grandes calamidades. 

A CIÊNCIA E AS OBSERVAÇÕES

Na segunda metade do século XIX, a melhoria dos sistemas de transportes e o crescente apoio logístico proporcionado por autoridades locais e coloniais, fizeram das expedições aos eclipses totais do Sol um dos principais empreendimentos da investigação astronómica. O interesse pelos eclipses solares foi também incrementado pelo surgimento de novas técnicas de observação e registo, como a fotografia e a espectroscopia, que permitiram o estudo da física e química do Sol. Nesse contexto, a Península Ibérica foi um palco importante da história das observações solares, uma vez que foi em Rivabellosa (Espanha), no eclipse de 18 de Julho de 1860, que foram obtidas as primeiras fotografias da coroa solar (“atmosfera” exterior do Sol). O autor da façanha foi o britânico Warren de la Rue. De la Rue era um abastado químico victoriano e foi ele próprio a financiar a expedição a Rivabellosa. Alem disso, foi um infatigável inventor: criou uma câmara especial para fotografar o Sol e uma das primeiras lâmpadas eléctricas.

Logo após a Guerra Civil Inglesa, num período conturbado, ocorreu o eclipse da “Segunda-feira Negra”. O eclipse de 29 de Março de 1652 foi visível em Londres e desencadeou um debate sobre a legitimidade da astrologia. O Conselho de Estado sentiu necessidade de proclamar que os eclipses eram fenómenos naturais, mas tal não impediu a publicação de panfletos repletos de profecias e interpretações astrológicas, incluindo a chegada de mais uma peste como a de 1593, a ruína das monarquias europeias ou a extinção do Sol. Quando o Sol nasceu na terça-feira após o eclipse, os astrólogos ingleses saíram em defesa da sua reputação, culpando os italianos pelos prognósticos nefastos.

ALAMY / CORDON PRESS - Também o mundo sul-americano se  interessou pela astronomia. Quando produziu esta aguarela, em 1819-1820, o pintor Jules Ferrario ficou fascinado com a intersecção entre astronomia e tradição dos povos peruanos.

A ciência dos eclipses deve a Edmond Halley, o astrónomo inglês mais conhecido pelo cometa a que deram o seu nome, os primeiros mapas da faixa da totalidade.  Em 1715, Halley publicou um mapa das Ilhas Britânicas onde assinalou a trajectória da sombra da Lua na superfície terrestre naquele ano. Comparando o percurso efectivo da sombra com os seus cálculos em 1715, elaborou depois nova carta para o eclipse total que passaria a norte de Londres em 11 de Maio de 1724, e incentivou o público a observar e registar o fenómeno. Ainda hoje esses mapas são de capital importância na preparação das observações, já que o eclipse só é total na estreita faixa atravessada pela sombra da Lua.

Diversos desenvolvimentos técnicos que deram origem ao surgimento da astrofísica foram protagonizados por astrónomos amadores, vários dos quais com fortuna pessoal. No eclipse de Julho de 1860, esteve presente também uma delegação portuguesa onde se destacava o astrónomo do Observatório da Universidade de Coimbra, Rodrigo de Sousa Pinto.

Por sua vez, o eclipse de 6 de Abril de 1894 foi observado no Árctico pelo explorador norueguês Fridtjof Nansen e pelos seus companheiros Hjalmar Johansen e Sigurd Scott-Hansen. Nansen partiu para norte com a intenção de imobilizar o seu navio Fram no gelo e prosseguir até ao Pólo Norte. Pelo caminho, testemunhou o eclipse do Sol como um eclipse parcial. Este foi um dos raros eclipses híbridos: numa estreita faixa percorrida pela sombra da Lua, o eclipse começou como eclipse anular, passou a total e terminou como anular. A expedição teve de ser abandonada quando ficou patente que o Fram não conseguiria navegar até ao Pólo Norte e as tentativas para alcançar o Pólo com trenós puxados por cães falharam. Os membros da equipa tiveram de ser salvos por outra expedição.

ALAMY / CORDON PRESS - A expedição polar de Fridtjof Nansen observa o eclipse do Sol de 6 de Abril de 1894 através de um teodolito e de um telescópio.

A partir do início do século XX, as condições e meios técnicos envolvidos no estudo da física solar, e em particular os instrumentos e técnicas usadas nas expedições aos eclipses totais, ficaram fora do alcance dos astrónomos amadores.

Deste modo, o estudo da coroa, das protuberâncias (erupções de plasma na superfície visível do Sol), da composição química e da ligação do ciclo solar à actividade magnética na Terra foi levado a cabo essencialmente por equipas profissionais e desenvolvido num contexto institucional.

O astrónomo Francisco da Costa Lobofoi um dos pioneiros da astrofísica em Portugal. Costa Lobo observou o eclipse solar de 17 de Abril de 1912, em Ovar, acompanhado por um grupo de alunos da Universidade de Coimbra, e utilizou a nova tecnologia da cinematografia. Este foi o primeiro eclipse filmado extensivamente, com câmaras registando o fenómeno em Portugal, Espanha, França, Bélgica e Alemanha. A partir da análise do filme, Costa Lobo chegou à conclusão de que o pólos da Lua seriam ligeiramente achatados.

ALAMY / CORDON PRESS - O eclipse solar de 17 de Abril de 1912 trouxe a Portugal diversas equipas internacionais, que foram brindadas com um céu limpo. Cientistas russos, ingleses e franceses deslocaram-se ao Norte do país, mas as condições favoráveis, como documentou a imprensa da época, permitiram também a um grande número de populares a fruição do eclipse, recorrendo a filtros caseiros de vidro fumado. Foi um eclipse híbrido, isto é, previa-se que ocorresse simultaneamente como total e anular – em alguns pontos de observação, a Lua cobriria por completo o disco do Sol enquanto noutros deixaria visível um anel. Na imagem, observações  em Cormeilles-en-Paris, próximo de Paris.

A teoria não foi aceite na época pela comunidade internacional, que considerou que a hipótese do subtil achatamento se devia antes às irregularidades do relevo lunar. Contudo, medições realizadas em 2009 pelo satélite japonês Kaguya (Selene) confirmaram o achatamento dos pólos da Lua dentro dos parâmetros avançados por Costa Lobo, há mais de um século.

Depois de algumas tentativas frustradas para confirmar a teoria da relatividade generalizada de Albert Einstein, em 29 de Maio de 1919, na então portuguesa ilha do Príncipe, dois britânicos desesperavam perante uma manhã chuvosa. Arthur Eddington e o fabricante e técnico de relojoaria Edwin Cottingham deixaram Liverpool a 8 de Março no vapor H.M.S. Anselm, com o objectivo de registar um eclipse total do Sol. Pretendiam, naquela ilha do golfo da Guiné, medir o deslocamento aparente das estrelas observadas junto do limbo do Sol e, dessa forma, testar as previsões de Einstein. Tinham sido acompanhados até à ilha da Madeira por Andrew Crommelin e Charles Davidson, que seguiram para Sobral, no Norte do Brasil, com o mesmo objectivo.

As duas expedições foram organizadas por um comité especial criado em Inglaterra com vista a apoiar os astrónomos nos seus esforços para observar eclipses solares.

O eclipse de Maio de 1919 oferecia uma excelente oportunidade. Em Março de 1917, o astrónomo real de Inglaterra Frank Dyson publicou um artigo em que chamava a atenção para a circunstância de o eclipse se dar numa região do céu em que se observavam inúmeras estrelas. Um observador terrestre veria nas proximidades do Sol o enxame estelar das Híades, na constelação Touro, o enxame aberto mais próximo da Terra (um enxame estelar é um grupo de estrelas ligadas entre si pela interacção gravitacional e com uma origem comum). A observação de um razoável número de estrelas brilhantes tornava-se importante pela imperiosa necessidade de fazer um tratamento estatístico das observações.

No dia 6 de Novembro de 1919, numa reunião conjunta da Royal Society e da Royal Astronomical Society, foram finalmente revelados os resultados das expedições. Em Inglaterra, os grandes jornais fizeram eco imediato do sucesso dos seus astrónomos, bem como das extraordinárias implicações da relatividade generalizada. Em 7 de Novembro, The Times publicava sob o título “Revolução na Ciência” a notícia: “As ideias de Aristóteles, Euclides e Newton, que são a base das nossas concepções actuais, não correspondem ao que pode ser observado na estrutura do universo (…) Aqui e ali, passado e presente são relativos, não são absolutos, mudam segundo o referencial escolhido (…).” Era o final de uma longa maratona.   

Artigo publicado originalmente na edição nº 26 da revista National Geographic História.

Luís Tirapicos

A 13 de Janeiro de 1750, Portugal e Espanha definiam as suas fronteiras na América

 Neste dia, há 276 anos, o conflito armado entre as Coroas de Espanha e de Portugal sobre as suas possessões ultramarinas na América do Sul chegou ao fim com a assinatura de um tratado, para a qual contribuiu o astuto Alexandre de Gusmão.

FOTO: CC

O documento, assinado em Madrid pelos monarcas Fernando VI de Espanha e João V de Portugal, definiu os limites entre as respectivas colónias, e Portugal, com base no direito romano uti possidetis ita possideatis (quem possui de facto, deve possuir de direito), alargou consideravelmente os seus domínios, especialmente no território do actual Brasil.

O Tratado de Madrid ou, como o definem alguns historiadores, o Tratado de Permuta, veio substituir o Tratado de Tordesilhas (assinado a 7 de Junho de 1494), que fixara oficialmente as fronteiras entre os dois reinos, embora estas nunca tenham sido totalmente respeitadas.

DOMÍNIO PÚBLICO - Dom João V de Portugal, por Jean Ranc.

INTERESSES OPOSTOS

A União Ibérica, que teve início em 1580, após a morte malograda do rei português Henrique I, e durou até 1640, foi um período histórico em que Portugal esteve sob o domínio dos monarcas Habsburgos espanhóis e, embora os respectivos domínios ultramarinos permanecessem teoricamente separados, é verdade que tanto os espanhóis podiam entrar sem dificuldade em territórios portugueses, como os portugueses podiam fazer o mesmo em terras espanholas.

Essas incursões resultaram em títulos de terras (que mais tarde foram respeitados pela diplomacia), estabelecendo assim algumas das futuras fronteiras terrestres do Brasil (os portugueses expandiram os seus domínios em muitas regiões do Nordeste e Norte do Brasil, da Paraíba ao Grão-Pará e quase toda a Amazónia). Houve também uma grande expansão portuguesa para o Sul, onde os assentamentos jesuítas espanhóis foram destruídos no que hoje é o Oeste do Rio Paraná, centro do Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Os títulos de terra portugueses e espanhóis foram posteriormente respeitados pela diplomacia, estabelecendo assim algumas das futuras fronteiras terrestres do Brasil, onde os portugueses estenderam os seus domínios.

No século XVII, Portugal pretendia estender as suas possessões até à foz do Rio da Prata, pelo que, em 1678, fundou uma colónia na região para fazer valer os seus direitos. Em 1679, o governador da capitania do Rio de Janeiro, Manuel de Lobo, partiu com um grupo de comerciantes interessados em expandir os seus negócios com o objectivo de fundar o primeiro assentamento europeu no território que mais tarde se tornaria o Uruguai.

Localizada em frente à cidade argentina de Buenos Aires, na margem oposta do Rio da Prata, a colónia portuguesa tornou-se um centro de contrabando de açúcar, tabaco e algodão para comerciantes ingleses e portugueses. Ao tomar conhecimento da ocupação portuguesa, o governador espanhol mobilizou as suas tropas e mandou prender Manuel de Lobo.

Os subsequentes protestos de Portugal levaram à intervenção do Papa Inocêncio XI e a colónia foi devolvida aos seus proprietários em 1683, o que foi ratificado pelos tratados de Lisboa em 1701 e de Utreque em 1715. Para os espanhóis, o controlo do estuário do Prata e o transporte da prata do Peru eram essenciais para a segurança do seu império, pelo que a segurança da zona era de importância vital.

DOMÍNIO PÚBLICO - Alegoria da Paz de Utreque, por Antoine Rivalz. 

UM NEGOCIADOR ASTUTO

O fim da disputa entre Espanha e Portugal sobre os limites das suas colónias sul-americanas era imperativo para ambas as potências, que renegociaram as fronteiras impostas pelo Tratado de Tordesilhas. O mais proeminente dos negociadores portugueses foi Alexandre de Gusmão, um português nascido no Brasil que viu a importância de assegurar para o seu país as planícies férteis do Rio Grande do Sul e trocá-las pela colónia de Sacramento, na margem esquerda do Rio da Prata, assegurando assim que Portugal manteria as terras de Mato Grosso e a rota fluvial que conduz ao Amazonas.

Através de estudos apresentados à Corte Espanhola, De Gusmão demonstrou que, enquanto Portugal tinha ultrapassado a Linha de Tordesilhas, com a ocupação portuguesa de parte da bacia amazónica e do Centro-Oeste da América do Sul, a Espanha tinha ultrapassado a chamada Linha de Saragoça (traçada com a assinatura do Tratado de Saragoça, assinado a 2 de Abril de 1529), expandindo as suas possessões na Ásia, com as Filipinas, as Marianas e as Molucas, que tinham sido colónias portuguesas. De Gusmão argumentou com sucesso que as perdas de um reino numa região tinham sido compensadas pelos ganhos noutra e que o princípio da divisão territorial deveria ser a ocupação efectiva da terra (uti possidetis). Assim, através de extensa documentação e de negociações astutas, conseguiu assegurar a Portugal a maior parte do actual território brasileiro.

De Gusmão mostrou que, enquanto Portugal tinha ultrapassado a Linha de Tordesilhas, com a ocupação portuguesa de parte da bacia do Amazonas e do centro-oeste da América do Sul, a Espanha tinha ultrapassado a Linha de Saragoça, expandindo as suas possessões na Ásia.

Como consequência desta nova demarcação, as regiões onde se estabeleceram as Missões Orientais, que incluíam sete aldeias das missões jesuíticas guaranis ou reduções jesuíticas guaranis, e que se encontravam na margem esquerda do rio Uruguai, passaram a pertencer a Portugal. O significado disto é que Portugal permitiu a escravização dos índios, enquanto nos territórios espanhóis os indígenas eram a priori considerados súbditos de Sua Majestade e, portanto, gozavam da sua protecção.

Esta mudança de estatuto jurídico fez com que a população indígena se recusasse a passar para as mãos dos portugueses (esta mudança também os tornou objecto da cobiça dos bandeirantes, grupos de expedicionários que partiam do Brasil português para fornecer aos proprietários portugueses escravos mais baratos do que os negros africanos). Assim, entre 1752 e 1756, eclodiu a guerra guaranítica, na qual o líder guarani, o cacique José Tiarajú, teve um papel importante.

Tiarajú morreu pouco antes da Batalha de Caibaté, na qual 1.700 índios morreram em combate contra os exércitos espanhol e português que defendiam a imposição das novas fronteiras. Finalmente, em 1761, com a assinatura do Tratado de El Pardo, o Tratado de Madrid foi abolido para as missões e estas puderam continuar a fazer parte de Espanha, enquanto Portugal ficou com a colónia de Sacramento.

SHUTTERSTOCK - Colónia de Sacramento, no Uruguai. 

O resultado final do Tratado de Madrid e dos demais tratados que se seguiram foi a colonização portuguesa da região até o século XIX. Para a historiografia brasileira, o Tratado de Madrid representa a base histórico-jurídica da formação territorial do país, pois foi o primeiro documento a definir com real precisão as fronteiras naturais do futuro Estado do Brasil.

J. M. Sadurní
Actualizado a 13 de janeiro de 2026

L tou batizo

Obras do Polo de Inovação Agrícola concluídas ainda este ano

 Até ao final do Verão, deste ano, devem estar concluídas as obras para a instalação do Polo de Inovação Agrícola, na Quinta do Valongo, em Mirandela, uma propriedade com cerca de 80 hectares, da ex-Direção Regional de Agricultura que ao longo dos anos tem estado subaproveitada.


A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte é a entidade gestora deste investimento de 1,3 milhões de euros, financiado pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência – que pretende dotar aquele espaço de uma maior relação entre a produção e o conhecimento científico adotando novas soluções tecnológicas.

Paulo Ramalho, vice-Presidente da CCDRN para as áreas da Agricultura e Pescas, confirma que os trabalhos para a instalação do polo de inovação agrícola de Mirandela devem estar prontos dentro de seis meses:

O investimento de 1,3 milhões de euros, financiado pelo PRR, prevê a requalificação de edifícios, a aquisição de equipamentos laboratoriais, instalação de sistemas de rega, a aquisição de maquinaria e alfaias agrícolas. O polo de inovação agrícola terá um conjunto de iniciativas de experimentação relacionadas com as culturas do olival, amendoal e outros frutos secos, para além de atividades relacionadas com os setores da apicultura, das pastagens e de algumas fruteiras de variedades regionais.

Paulo Ramalho acrescenta que até a alheira terá uma sala específica para potenciar maior conhecimento científico e inovador ao produto ex-libris de Mirandela:

Paulo Ramalho adianta ainda que está prevista a implementação de estudos em agricultura de precisão, de modo a potenciar os recursos genéticos e mitigar os impactos das alterações climáticas.

Com o objetivo de gerir e dinamizar o funcionamento do Polo de Mirandela, foi estabelecido um contrato de parceria com várias entidades do ecossistema de inovação nomeadamente: a Câmara Municipal de Mirandela, a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais, o Instituto Politécnico de Bragança, entre outras entidades de diversos setores agrícolas.

As obras para a instalação deste polo agrícola, na Quinta do Valongo, em Mirandela, devem estar prontas até ao final do mês de agosto. Naquele espaço também está instalada a delegação de Trás-os-Montes da ASAE e desde 2018, acolhe uma Unidade de Ataque Ampliado do GIPS – Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro – com dezenas de militares da GNR que integram o dispositivo de combate a incêndios.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)

A 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐌𝐚𝐭𝐫𝐢𝐳 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐝𝐞𝐧𝐜𝐞 recebe, no próximo sábado, 𝟕 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐜̧𝐨, pelas 21h30, a associação cultural 𝐎́𝐩𝐞𝐫𝐚 𝐧𝐚 𝐀𝐜𝐚𝐝𝐞𝐦𝐢𝐚 𝐞 𝐧𝐚 𝐂𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, no âmbito da iniciativa Concertos no Património, com “𝐎 𝐁𝐚𝐫𝐫𝐨𝐜𝐨 𝐒𝐚𝐠𝐫𝐚𝐝𝐨 𝐞 𝐏𝐫𝐨𝐟𝐚𝐧𝐨”.

CARRAZEDA DE ANSIÃES PROMOVE CAMINHADA VERDE E REPOUSO DO SANTUÁRIO DA SENHORA DA PAIXÃO

 O Município de Carrazeda de Ansiães convida estudantes e famílias a participar numa caminhada até ao Santuário da Paixão, em Arnal, no dia 22 de março, como parte das comemorações do Dia Mundial da Poesia e da Árvore. Durante o percurso, será realizada uma ação de reflorestação com a plantação de azinheiras, valorizando espécies autóctones e promovendo a consciência ambiental.


A iniciativa integra o Programa Intermunicipal de Promoção do Sucesso Escolar (PIPSE), desenvolvido em parceria com o Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães. Além da caminhada, o programa celebra o Dia Mundial da Poesia, entre 19 e 21 de março, com teatro, apresentação de livros e atividades educativas para alunos do pré-escolar ao 12.º ano.

O PIPSE visa criar um ambiente educativo inclusivo e motivador, fortalecendo competências académicas, sociais e cívicas, promovendo a integração comunitária e o envolvimento parental. O projeto, que conta com uma equipa multidisciplinar e investimento superior a 322.000€, é financiado em 85% pelo NORTE2030-2024-5, reforçando o compromisso com o sucesso escolar e a valorização do território.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MERCADINHO DA AMENDOEIRA EM FLOR ANIMA TORRE DE MONCORVO

 Nos dias 7, 8, 14 e 15 de março, a Praça Francisco António Meireles recebe mais uma edição do Mercadinho da Amendoeira em Flor, promovido pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.


O evento, que decorre das 10h30 às 17h30, reúne oito produtores locais que oferecem produtos típicos da região, incluindo amêndoas, azeite, vinho, licores, doces, frutos secos e artesanato.

A iniciativa conta ainda com animação musical e atividades variadas, como concertinas, cavaquinhos, aulas de FitDance, gaiteiros e a atuação de Bruno Cordeiro, proporcionando cultura e lazer aos visitantes durante a floração das amendoeiras.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Mirandela recebe curso de iniciação à prova de azeite a 15 de março

 Mirandela vai receber, no próximo dia 15 de março, um curso de iniciação à prova de azeite, a decorrer entre as 09h30 e as 17h30, nas instalações da Ecoteca de Mirandela.


A iniciativa destina-se a produtores, técnicos do setor agroalimentar, estudantes e a todos os interessados em aprofundar conhecimentos na área da análise sensorial do azeite.

Ao longo da formação, os participantes irão adquirir competências na identificação das características organoléticas do azeite, na distinção entre atributos positivos e defeitos, bem como na interpretação dos critérios de avaliação utilizados na classificação da qualidade do produto.

As vagas são limitadas e a participação está sujeita a inscrição prévia, através do endereço eletrónico azeite@appitad.pt.

Cátia Barreira

3.ª edição - 𝑴𝒐𝒐𝒕 𝑪𝒐𝒖𝒓𝒕

 Um fim de semana dedicado à inovação no ensino do Direito, aberto à comunidade.
O 𝑴𝒐𝒐𝒕 𝑪𝒐𝒖𝒓𝒕 afirma-se como um laboratório de prática jurídica, onde se cruzam conhecimento académico e realidade profissional. Um espaço exigente, que estimula o pensamento crítico, a argumentação e a ética, aproximando estudantes, docentes e profissionais num ambiente de aprendizagem aplicada e colaborativa.

📝 Tome nota, assista a esta iniciativa (programa nas imagens) e visite o Centro Nacional de Inovação Jurídica (Rua dos Combatentes da Grande Guerra)!

Cristiana Pereira lança novo single “Valentim”

 A cantora Cristiana Pereira, que reside em Macedo de Cavaleiros, acaba de lançar um novo single intitulado “Valentim”.


Presença regular em programas de televisão, a intérprete apresenta agora um novo tema com uma sonoridade renovada, que tem sido bem recebido pelo público, como a própria destaca:

Cristiana Pereira iniciou o seu percurso musical aos 11 anos, na escola Musilândia, em Mirandela. Mais tarde, formou com o irmão, Paulo Pereira, o grupo “Irmãos Pereira”, com o qual percorreu diversas localidades, participando em festas e espetáculos.

Posteriormente, integrou o programa de rádio “Vem Cantar Connosco”, momento que considera ter sido determinante para a sua projeção no mundo das artes do espetáculo. O primeiro álbum a solo foi editado em 2002.

A artista sublinha a importância de recuperar o imaginário musical tradicional, dando-lhe uma nova abordagem, mais moderna e adaptada aos tempos atuais:

O tema “Valentim” já se encontra disponível em todas as plataformas digitais. A apresentação pública decorreu na feira Rural Arcas, realizada este fim de semana.

Maria João Canadas

Aberto prazo de candidaturas ao programa “Macedo Habitar”

 O Município de Macedo de Cavaleiros abriu o prazo de candidaturas ao programa “Macedo Habitar”, destinado à recuperação e reabilitação de habitações degradadas no concelho.


O programa tem como objetivo melhorar as condições habitacionais e apoiar famílias e proprietários cujas habitações se encontram em situação de degradação.

A iniciativa integra-se na estratégia municipal de reabilitação urbana e de promoção da qualidade de vida dos residentes, reforçando o compromisso com a inclusão social e a valorização do património habitacional do concelho.

As candidaturas decorrem até ao dia 31 de março e devem ser entregues nos serviços da Divisão Municipal de Ação Social, no Serviço de Habitação Social.

Cátia Barreira

Ossadas encontradas na aldeia de Carrazedo

 Um conjunto de ossadas foi encontrado esta terça-feira na aldeia de Carrazedo, na serra da Nogueira, no concelho de Bragança, confirmou ao Mensageiro fonte da GNR.

A descoberta foi feita no decurso de uma mobilização de terras para a construção de um armazém naquela localidade.

A Polícia Judiciária esteve no local para recolher os vestígios e enviar para posterior análise.

"Para já, não se suspeita de nenhum crime. Há cerca de dois séculos, aquele local terá sido um cemitério. Por isso, de momento, não há nenhuma suspeita criminal", sublinhou a mesma fonte.

De acordo com a GNR, ainda não se confirma se são ossadas humanas. "Terá que ser feita a análise de vestígios de ADN para confirmar", sublinhou a mesma fonte.

Até à data, não há registo de nenhum desaparecido naquela zona.

António G. Rodrigues

Há cada vez mais imigrantes a pedir apoio em Bragança

 O pedido mais urgente é "mesmo financeiro" porque são famílias vulneráveis


Há cada vez mais imigrantes a pedir apoio, em Bragança, à Associação Entre Famílias. A entidade tem vindo também a registar um aumento significativo de pedidos de ajuda por parte de famílias com filhos mais velhos, quando o seu público-alvo tradicional são as grávidas e mães de bebés.

Andreia Correia, diretora técnica do Centro de Apoio à Vida, esclarece que os pedidos mais urgentes são financeiros, mas há diversas dificuldades. “Precisam de uma orientação a nível profissional, damos sempre alguns nomes de sítios onde possam encontrar um lugar para trabalhar, mas inicialmente o pedido mais urgente é mesmo financeiro, portanto são famílias vulneráveis. A nível emocional também é preciso trabalhar bastante, devido às condições que também têm algumas famílias e algumas mães, notamos um bocadinho esta necessidade formativa, o aprender o português, que também já temos uma outra entidade para onde as encaminhamos. Assim como na questão de saber onde se dirigir para tratar dos papéis que eles necessitam”, explica.

Ainda assim, a ajuda ao nível da documentação e burocracia não se destina apenas a quem vem de fora. “Quando eu falo de documentos englobo também todas as responsabilidades parentais, por exemplo, como fazer, há mesmo sem ser imigrantes pessoas que cá não têm possibilidades e não sabem que podem pedir apoio jurídico, por exemplo, na Segurança Social, isto é título de exemplo, e nós também fazemos toda esta parte, mas sim, a nossa população é maior, a maior parte da nossa população é imigrante, sim.

Segundo a responsável, apesar de o foco não ser o assistencialismo puro, a associação procura sempre dar resposta, como sendo a famílias com filhos mais velhos e até à distância. “Aqui temos tentado ajudar, inclusive à distância. A título de exemplo, temos uma menina que está em Lisboa e nós estamos a tentar ajudar, mais que não seja com a parte social, desde os apoios, também de residência.”, exemplifica.

Perante o aumento dos pedidos, tanto nesta como noutras instituições, a adaptação tem de ser constante. “Somos uma equipa multidisciplinar e prezamos exatamente pelo trabalho em equipa. Quando uma técnica confirma uma necessidade que antes não existia, mas que está existe neste momento, portanto, que é necessário combater, comunica à outra técnica. Portanto, temos um trabalho de equipa multidisciplinar e reunimos todas as semanas e discutimos os casos que temos mais, ou os novos que chegaram, ou aqueles cujos objetivos estão a mudar e temos que adaptar.”

Reconhecida como IPSS desde 2009, a associação tem como missão o apoio à vida “desde a conceção à morte natural”, prestando acompanhamento social, psicológico e formativo a grávidas, puérperas e famílias em situação de vulnerabilidade.

Escrito por rádio Brigantia

terça-feira, 3 de março de 2026

A tia Laura e o tio Manuel

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 O tio Manel era o “pastor de crianças”, nos longínquos anos 70. Todos os dias saía para o seu passeio até à bouça conhecida como Fonte dos Alhos, nome herdado de uma famosíssima fonte de águas cristalinas que lá existia. Atrás dele, materializava-se um “rebanho” de crianças saídas de todos os lados e que o seguiam num acordo tácito de que estariam vigiadas por um adulto.

Durante umas horas, enquanto ele descansava sentado numa pedra, a criançada corria e saltava em volta das árvores e pelos caminhos calcados que enxameavam o pequeno bosque. Aqueles momentos, representavam para mim uma aventura em terras longínquas, a dez minutos de distância da segurança da minha casa.

Mas o papel do tio não se esgotava aí; a par da mulher, o ti Manel Padeiro e a tia Laura, eram um dos casais emblemáticos da Ilha do Costa. Na altura, quase todos os adultos eram tios e tias, pelo que eu não sabia ainda que ele era irmão do meu avô Domingos, pai da minha mãe, que também residia noutra casa na mesma ilha.

Ele era o “mau exemplo”, divertido, não perdia uma oportunidade para fazer uma partida a alguém, de que se gabaria sempre que pudesse.

A minha mãe contava que, estava ela casada há pouco, mostrou-lhe uns enchidos que tinha comprado no Alentejo e que estavam esbranquiçados. Ele respondeu de imediato que estavam estragados e que não os comesse. O meu pai disse-lhe depois “Ele levou-os não foi? Consolaram-se a comê-los!” Durante muito tempo o tio Manel quando passava pela minha mãe perguntava-lhe, divertido, se havia mais chouriço estragado…

A tia Laura era trocista e acompanhava nas brincadeiras, mas era a mais silenciosa do casal. O seu divertimento fazia-se a distorcer o sentido das palavras dos outros e a trazer a conversa para a malícia. Referindo-se à minha bisavó Rita, mãe do marido e que casou com dois irmãos, dizia que tinha tido um filho de cada pai, o que era quase verdade.


Nos tempos em que as crianças nasciam em casa, foram as suas mãos que trouxeram muitas delas ao mundo. Para ela, todas as dificuldades tinham um lado melhor que outro e enquanto houvesse que comer, haveria de dar para todos.

Quando eu ia lá a casa, havia sempre algo para oferecer, um afago e um beijo, mesmo correndo eu pelo bairro todo quase diariamente. À medida que os anos passaram, a Fonte dos Alhos continuou o sítio preferido de brincadeiras, depois com companheiros mais crescidos, que não necessitavam da vigilância dos adultos. Os meus caminhos foram-se distanciando daqueles locais de infância, da Ilha do Costa e dos tios-avós que lentamente desapareceram na bruma da existência, mas nunca foram esquecidos.


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/ 

A Educação e a Vida Estudantil nos Anos 70 do Século XX


A Educação e a Vida Estudantil nos anos 70 do século XX, em Bragança, tal como no restante território português, não podem ser compreendidas sem referência ao contexto político do Estado Novo, regime autoritário que moldava profundamente as instituições, os programas escolares e a própria mentalidade social. Embora a década já anunciasse mudanças que culminariam na Revolução dos Cravos, a primeira metade dos anos 70 ainda vivia sob a forte influência de uma estrutura conservadora, centralizada e vigilante. Os exames finais tinham um papel central na avaliação, funcionando muitas vezes como barreiras de acesso ao ensino superior.

Em cidades do interior como Bragança, a realidade educativa tinha caraterísticas muito próprias. O acesso ao ensino secundário continuava a ser um privilégio de poucos, sobretudo quando comparado com os grandes centros urbanos como Lisboa ou Porto. Muitas famílias viam na escola uma oportunidade rara de ascensão social, mas também enfrentavam dificuldades económicas que levavam, com frequência, ao abandono escolar precoce. Os alunos deslocavam-se por vezes de longas distâncias, vindos de comboio, ou autocarro, das aldeias e concelhos vizinhos. 

O ensino secundário era marcado por uma forte rigidez curricular. As disciplinas assentavam na memorização de conteúdos, na repetição e na autoridade incontestada do professor. A sala de aula organizava-se em silêncio e disciplina, com métodos pouco participativos e raras oportunidades de debate aberto. Os exames finais assumiam um papel decisivo, eram verdadeiros filtros sociais, determinando quem poderia prosseguir estudos e quem ficaria pelo caminho. O insucesso escolar era comum, e a reprovação não era vista como exceção.

A presença da Igreja Católica era marcante. A disciplina de Religião e Moral integrava o currículo, transmitindo valores alinhados com a doutrina oficial e com a visão moral do regime. Para além da sala de aula, a influência religiosa fazia-se sentir em cerimónias, celebrações e no próprio ambiente escolar, onde se promovia uma educação assente na obediência, no respeito pela hierarquia e na valorização da família tradicional.

No ensino superior, embora o acesso fosse ainda limitado, vivia-se um ambiente simultaneamente controlado e intelectualmente vibrante. As universidades, sobretudo em Lisboa, Coimbra e Porto, eram espaços onde a juventude começava a questionar o regime. Mesmo sob vigilância, os estudantes encontravam formas de debate e de partilha cultural. Os Centros Académicos e associações estudantis organizavam atividades desportivas, sessões de cinema, conferências e tertúlias literárias. Nestes encontros discutiam-se autores estrangeiros, correntes filosóficas contemporâneas e ideias políticas que circulavam discretamente, muitas vezes trazidas por livros e revistas vindos do exterior.

A censura era uma realidade constante. A Comissão de Censura analisava previamente livros, jornais, peças de teatro, músicas e filmes. Obras consideradas subversivas, imorais ou contrárias aos valores do regime eram proibidas ou amputadas. Este controlo gerava um clima de autocensura, mas também estimulava a criatividade. Estudantes e artistas recorriam a metáforas, simbolismos e leituras entrelinhas para expressar críticas sociais e políticas. Nas conversas privadas, nos cafés e nas repúblicas estudantis, discutiam-se os acontecimentos internacionais, a guerra colonial e os sinais de mudança que sopravam da Europa.

Em Bragança, apesar da distância dos grandes centros universitários, também se sentiam ecos dessa transformação. Jovens que partiam para estudar fora regressavam nas férias com novas ideias e novas músicas, partilhando experiências que contrastavam com o ambiente tradicional da região. O contacto com outras realidades contribuía para alargar horizontes e alimentar uma consciência crítica crescente.

Antes de 1974, jovens como o Carlos Pires ou o Ernesto José Rodrigues, o Marcolino Cepeda e alguns mais, encontravam sempre maneira de, com as metáforas de que já falei, transmitirem as mensagens pretendidas no Mensageiro de Bragança e em livros da sua autoria.

A vida estudantil dos anos 70 foi marcada por contrastes, disciplina e inquietação, tradição e mudança, silêncio imposto e alguma resistência. Nos corredores das escolas e nas salas das universidades, germinava uma geração que, mesmo condicionada pelas limitações do regime, preparava o caminho para uma sociedade mais participativa e livre. A educação dessa época, com todas as suas restrições, tornou-se paradoxalmente um dos espaços onde amadureceu o desejo coletivo de transformação que viria a redefinir Portugal após 1974.

HM
Março de 2026

Serrar das Velhas & Casamento das Novas - REBORDAÍNHOS