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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 10 de maio de 2026

A política, os políticos e a estratégia do culto da imagem

Representação da primeira Fête de la Raison ("Festival da Razão")
na Catedral de Notre-Dame de Paris em 10 de novembro de 1793.
Pintura de Charles Müller, 1878).

 Desde a antiguidade clássica, segundo ideias preconizadas pelos ilustres pensadores gregos, nomeadamente Sócrates, Platão e principalmente Aristóteles, que o termo política define em primeiro lugar a forma de governar a polis, assente num conjunto de decisões e/ou atividades pelos quais os cidadãos criam e gerem prerrogativas de poder, visando inequivocamente o interesse coletivo e a gestão do Estado. A política seria, grosso modo, a arte de governar e gerir o espaço público, organizando a vida em sociedade e prosseguindo o bem comum de todos os habitantes. Claro que esse poder de organizar o espaço comum, defendendo formas diversas de harmonizar os interesses quer do Estado quer dos cidadãos, foi sendo exercido por indivíduos que baseavam a sua força na capacidade intrínseca de, através da retórica, conseguirem convencer os seus concidadãos da bondade das suas ideias. Temos, pois, como teoria comumente aceite, que os debates públicos eram as vias que influenciavam as diferentes estratégias apresentadas para a governação das cidades. E não tenhamos dúvidas de que os protagonistas retoricamente mais hábeis, conseguiam os apoios suficientes para assumirem o poder dos respetivos territórios. A palavra articulada e discutida na praça pública era o princípio e o fim de toda a atividade política. E eis que assim nasciam os políticos.

Com o decorrer dos séculos e talvez até finais do século XX, os atores políticos persistiam na senda da difusão das suas doutrinas, através da apresentação de ideias bem definidas e sistematicamente bem defendidas através de exposições públicas e debates, onde a ideologia e a mítica quimera do bem comum se sobrepunham a quaisquer outros interesses. Ou seja, o apoio político provinha da capacidade de um líder conseguir a apropriação das suas teses pelos eleitores, mais do que pela importância de qualquer cenografia programada para o efeito. É claro que houve, entretanto, diversos exemplos em que o culto da imagem prevaleceu sobre qualquer ideia ou motivação ideológica. Mas esses casos, pontuais embora determinantes, deram origem a regimes que estavam nos antípodas da ideia original de política. Não nos podemos esquecer da existência funesta de uma série de ditadores que traçaram o destino do mundo inteiro, para nos situarmos apenas no século anterior. Hitler, Mussolini, Staline, Mao, indicando apenas os que pela sua ação direta alteraram a ordem mundial, estão dentro dessa ideia do culto da imagem como forma de lograr a sua eterna permanência no poder.

Os atores políticos atuais apresentam-se de forma diferente. Na sua grande maioria destituídos de qualquer argumentação retórica consistente e longe de subscreverem teses ideológicas assentes no alcance do bem comum, os novos protagonistas da governação desenvolvem a sua ação na força da imagem. Assumindo a desnecessidade da apresentação e defesa de ideias sustentadas e alternativas, baseiam toda a sua estratégia na transmissão da sua imagem, desdobrando-se em mil atividades, cada qual a mais inócua, procurando captar eleitores através da imparável demonstração de um jogo de sombras, que na maior parte das vezes leva à sua inequívoca rejeição.

Na realidade, a existência per si de plataformas digitais, nomeadamente canais televisivos e redes sociais, até se podiam revelar uma mais valia para a difusão de ideias políticas, se encaradas com toda a honestidade intelectual. Serviriam de forma eficiente para transmitir informação pertinente, para incorporar outras ideias ou recomendações, para auscultar o país real. Mas, pelo contrário, as redes sociais têm servido principalmente para dar nota de um mundo que não corresponde à realidade. Tudo serve para influenciar os eleitores e almejar a continuidade dos cargos conquistados, desde cenas da vida familiar (férias, por exemplo) até imagens infinitas de uma realidade paralela. A propaganda segue inexorável, focando assuntos tão menores como a reparação de uma simples fuga de água, até à aprovação de uma lei, passando pela receção de dignatários estrangeiros até ao alcance de uma qualquer meta que já devia ter sido alcançado há várias décadas, em que os responsáveis políticos surgem em plano destacado e com outfit adequado para o efeito (Capacetes, anoraques de trabalho do respetivo organismo, fatos de proteção, etc.) E neste aspeto a democracia mostra-se exuberante: o mesmo modus operandi estende-se desde as freguesias, passando pelos municípios, regiões e governos. 

Esta ideia peregrina da política-espetáculo, tão do agrado de um atual protagonista mundial, executada através de uma entropia vertiginosa, pode ter resultados perversos. Os atores políticos da atualidade tendem a pensar que quantas mais publicações fizerem nas redes sociais, maiores serão as chances da apropriação das suas estratégias por parte do seu eleitorado. Todavia, quando se constata que o que é difundido não corresponde à realidade, denunciando um eufemismo balofo quanto à sua capacidade governativa, o efeito pode ser nefasto. Assim sendo, conclui-se pragmaticamente, que uma excessiva exposição mediática pode tornar-se contraproducente, quando os resultados ficam muito aquém do anunciado. E, neste caso, o fascínio e o apoio começam a resvalar rapidamente para a saturação.  Vejamos o caso muito concreto do Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump. Os destinatários da informação propalada, seja através de canais televisivos ou redes sociais, tendem a passar à frente ou mudar de canal, demonstrado uma rejeição perante uma evidente incredibilidade. Verificamos, à saciedade, que o discurso não tem correspondência com a realidade. E esta ilusão permanente, camuflada pelas extraordinárias imagens difundidas, segundo a graça divina de um deus das grandes causas, transforma-se gradualmente no descrédito absoluto de qualquer aspirante a político.

Concluindo: a política, na sua essência, visa construir um mundo paritário, onde os cidadãos são o epicentro ideológico de toda a construção programática. O aparelho digital tenta construir o mundo à medida das utopias mais adequadas.

2026.05.09

Membro do Grupo Memórias...e outras coisas - BRAGANÇA

EM DEFESA DA NOSSA CULTURA

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Passei a véspera de Natal em companhia de minha mulher, na residência de casal amigo, que gentilmente nos convidaram.

A consoada foi simples: o tradicional bacalhau com batatas, pencas e grelos. Tudo regado com generoso azeite trasmontano. Após a farta ceia, houve doces da época e, apetitosas e douradinhas rabanadas.

Realizada a troca habitual de lembranças - sempre ansiosamente esperada pelas crianças - aconchegamo-nos ao redor da cálida lareira.

As achas, colocadas de fresco, estrelejavam e crepitavam; altas labaredas irradiavam tons doirados com tonalidades, que iam de vermelho a verde-pálido, lambendo os ressequidos toros de oliveira.

As crianças tagarelavam. em surdina, com bonecas que o " generoso" Menino - Jesus lhes trouxera; e nós, os mais velhos, debatíamos acaloradamente "importantes” assuntos em voga.

Abordou-se, entre outros, os meios de comunicação, e a influência que exercem na opinião; na escolha dos cidadãos. (Numerosos países proíbem sondagens políticas, durante a campanha eleitoral. Entre eles: a Espanha - cinco dias antes do dia de reflexão, e a Itália. duas semanas. Erradamente julgamos que pensamos; mas não pensamos: somos simples bonifrates. E nem nos lembramos, a influência que exercem, na nossa mente, os meios de comunicação.

 Estávamos a prosear animadamente, quando me apercebi de vozes infantis em murmúrio. Dois petizes, que frequentavam o quarto ano, engalfinharam-se:

- Salazar era mau!...

refutou o amigo, empertigado:

-   Não era Salazar!... Era a polícia!...

- A "fessora" disse-nos que" fazia" guerra” nas colónias....

- Colónias?!: Não: Províncias Ultramarinas!...

Os ânimos acalmaram-se, derivando para temas apropriados para a idade. Temas que não deviam entrar na escola. Assuntos, que são apenas da família: pais e avós. Estarei em erro?

 A sociedade mudou - sempre muda, - Apareceram, no nosso país: novas culturas, e novos modos de viver, que devem ser respeitados

Já o nosso Camões dizia:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A globalização, a entrada de imigrantes, com diferentes culturas e crenças, deve ser respeitada; e igualmente rever: mentalidades, conceitos e preconceitos, se queremos concórdia e paz.

Contudo não devemos abdicar das nossas: tradições, costumes, crença e raízes, que herdamos dos nossos maiores, e devemos transmiti-las a futuras gerações.

Isso não é nacionalismo, é o desejo de continuarmos a ser portugueses.


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

UM CARNAVAL FORA DE ÉPOCA


 De um momento para o outro passámos a ter festas e feiras ditas medievais em todos os cantos e recantos do país, uma moda pindérica que veio substituir e aniquilar tradições populares seculares. 

Estes eventos que nuns sítios se chamam medievais, noutros quinhentistas, noutros oitocentistas, etc. são todos iguais e realizados pelos mesmos atores e figurantes. O modelo é sempre o mesmo, para além das deprimentes danças supostamente da corte, não falta o porco no espeto e muita cerveja e sangria. 

Tanto os feirantes, como figurantes e atores percorrem o país de lés a lés e participam em todos os eventos que podem, sempre com o mesmo programa, sempre com os mesmos trajes e sempre com o mesmo reportório. 

Criou-se uma indústria especifica para este tipo de feiras mas apesar de os seus nomes aludirem a uma época fazem "tábua rasa" da história e romantizam uma das épocas mais tenebrosas da história da humanidade. Aqui não há nada de cultural, didático ou rigor histórico, muito pelo contrário, mas o publico acorre a estes eventos como moscas ao mel. A falta de cultura e conhecimento leva a que as pessoas acreditem que estão a assistir a representações históricas verídicas quando pura e simplesmente não passam de "carnavais fora de época" onde alguns fetichistas realizam as suas fantasias mas que têm como único objetivo faturar, faturar, faturar. 

Nunca vi um evento tão sensaborão que se disseminasse pelo país à velocidade de um cancro maligno. 

É uma moda de muito mau gosto que se aproveita da ignorância da população tal como as ervas daninhas se aproveitam das plantações do agricultor. Como todas as modas esta também há de passar mas vai deixar grandes estragos na nossa cultura quando for embora.

Membro do Grupo Memórias...e outras coisas - BRAGANÇA

FEIRA DO VINHO E DOS MORANGOS VOLTA A ANIMAR SÃO PEDRO VELHO

 A Feira do Vinho e dos Morangos realiza-se este fim de semana em São Pedro Velho, reunindo produtores, visitantes e a comunidade num ambiente de convívio e valorização dos sabores locais. 
Durante dois dias, o evento destaca dois dos principais produtos da região — o vinho e os morangos — promovendo a tradição e a identidade da freguesia. A iniciativa inclui ainda animação, atividades diversas e momentos de partilha, reforçando o papel da feira na preservação das tradições e na promoção dos produtos locais.

BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ALFÂNDEGA DA FÉ RECEBEU SESSÃO DE CONTOS PARA BEBÉS

 A Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé acolheu, ontem, uma sessão de contos dedicada aos bebés, numa iniciativa integrada nas atividades promovidas pela Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM).


A atividade, dinamizada por Teresa Matos, proporcionou aos mais pequenos e às suas famílias um momento marcado pela descoberta, pela interação e pelo estímulo sensorial, através da narração de histórias adaptadas à primeira infância.

Pensada como uma experiência afetiva e educativa, a sessão teve como principal objetivo incentivar, desde cedo, o contacto das crianças com os livros e a leitura, promovendo simultaneamente laços emocionais entre bebés, pais e cuidadores.

Ao longo da iniciativa, os participantes foram convidados a explorar sons, ritmos, palavras e diferentes estímulos visuais, num ambiente acolhedor e participativo, especialmente preparado para despertar a curiosidade e a imaginação dos mais novos.

A realização deste tipo de atividades insere-se na estratégia de promoção da literacia e do acesso à cultura desenvolvida pela CIM-TTM em articulação com os municípios da região, reforçando o papel das bibliotecas enquanto espaços de aprendizagem, inclusão e partilha intergeracional.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

MIRANDA DO DOURO PROMOVEU SESSÃO DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE O IMPACTO DOS ECRÃS NAS CRIANÇAS

 Miranda do Douro acolheu, no passado dia 6 de maio, uma sessão de sensibilização dedicada ao impacto dos ecrãs no desenvolvimento infantil, uma temática cada vez mais presente nas preocupações de pais, educadores e profissionais de saúde.


A iniciativa, realizada no âmbito do projeto PIPSE de Miranda do Douro, decorreu pelas 21h e contou com a participação do pediatra Hugo Rodrigues, que conduziu a palestra perante uma audiência composta por famílias, membros da comunidade educativa e população em geral.

Durante a sessão, o especialista alertou para os efeitos da exposição prolongada a dispositivos digitais no crescimento das crianças, destacando consequências ao nível da linguagem, da capacidade de atenção e da qualidade do sono. Foram ainda abordados impactos relacionados com a motricidade, a postura e a redução da atividade física, consequência do aumento de comportamentos sedentários associados ao uso excessivo de tecnologia.

A dimensão emocional e social também esteve em destaque. Segundo o pediatra, o recurso excessivo a ecrãs pode comprometer a interação direta entre crianças, afetando competências de comunicação, a criação de relações interpessoais e o desenvolvimento emocional.

Ao longo da intervenção, foi igualmente sublinhada a importância do exemplo dado pelos adultos. Para Hugo Rodrigues, a mudança de hábitos deve começar em casa, defendendo que pais e cuidadores devem refletir sobre a sua própria utilização das tecnologias antes de procurarem impor limites às crianças.

A sessão teve como principal objetivo sensibilizar a comunidade para a necessidade de promover um uso equilibrado dos dispositivos digitais. Foram partilhadas estratégias práticas para a gestão do tempo de ecrã no quotidiano, incentivando atividades alternativas como a brincadeira ao ar livre, a leitura e o convívio presencial.

A iniciativa terminou com um apelo à consciencialização coletiva, reforçando a ideia de que o desafio não passa por proibir a tecnologia, mas antes por educar para uma utilização responsável e equilibrada, sem comprometer experiências fundamentais ao desenvolvimento saudável das crianças.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

PERCURSO PEDESTRE ENTRE PEREIROS E CODEÇAIS CONVIDA À DESCOBERTA DAS PAISAGENS DE CARRAZEDA DE ANSIÃES

 O concelho de Carrazeda de Ansiães prepara-se para receber mais uma iniciativa dedicada à promoção da atividade física e do património natural, com a realização de um percurso pedestre entre as localidades de Pereiros e Codeçais, agendado para o próximo dia 17 de maio.


A caminhada, de tipologia linear, terá uma extensão aproximada de 10 quilómetros e apresenta um grau de dificuldade moderado, estando prevista uma duração de cerca de três horas.

A iniciativa pretende proporcionar aos participantes uma experiência de contacto direto com a natureza e com as paisagens características do território transmontano, num percurso marcado pelo ar livre, pela tranquilidade e pela valorização do património local.

Além da componente desportiva e recreativa, a atividade surge também como uma oportunidade de convívio entre participantes, incentivando hábitos de vida saudáveis e a descoberta de alguns dos recantos naturais do concelho.

A organização convida a população e os amantes das caminhadas a participar nesta jornada entre Pereiros e Codeçais, aconselhando o uso de calçado confortável e adequado às características do percurso.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

AGRINORDESTE QUER AFIRMAR O NORDESTE TRANSMONTANO COMO REFERÊNCIA AGRÍCOLA

 Macedo de Cavaleiros recebeu a primeira edição da Agrinordeste, uma feira dedicada à promoção da agricultura, da pecuária e dos produtos regionais.
O certame juntou produtores, empresas e entidades institucionais numa aposta na valorização do interior, na dinamização económica do território e no reforço do papel do setor agrícola no desenvolvimento da região Norte.

Jornalista: Vitória Botelho

Homem fica gravemente ferido a rachar lenha em Deilão

 Um homem de 72 anos ficou gravemente ferido, enquanto andava a partir lenha na aldeia de Deilão, no concelho de Bragança, na tarde de sábado.


O Comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança, Carlos Martins contou o “homem estava a trabalhar com um rachador de lenha e que de alguma forma, magoou-se no braço direito, tendo sido transportado para o Hospital de Bragança devido aos ferimentos graves”.

O alerta foi dado por volta das 15h30. Para o terreno foram mobilizados quatro operacionais, com uma ambulância, um veículo de apoio, a VMER (Viatura de Emergência Médica) e ainda GNR.

Fotografia: Bombeiros Voluntários de Bragança

Maria João Canadas

Dois detidos por tráfico de droga

 Dois homens, com 50 e 42 anos, foram detidos pela PSP, anteontem, em Bragança, pela suspeita da prática do crime de tráfico de produtos estupefacientes.


Segundo informações facultadas pela Polícia, os suspeitos foram abordados em Bragança, encontrando-se na sua posse cerca de 90 doses individuais de cocaína e 9 doses individuais de heroína, bem como a quantia de 120 euros em numerário, tendo o produto estupefaciente e o dinheiro sido apreendidos.

Os detidos foram constituídos arguidos e sujeitos a Termo de Identidade e Residência, tendo recolhido às salas de detenção do Comando Distrital de Bragança, onde permaneceram até apresentação à autoridade judiciária competente.

Glória Lopes

Festa da Cereja&Co acontece de 5 a 7 de junho e conta com 120 expositores

 De 5 a 7 de junho, Alfândega da Fé recebe a Festa da Cereja&Co, com centenas de expositores, animação musical e a cereja como grande protagonista.


Com mais de 30 anos de história, o evento continua a crescer e este ano contará com 120 expositores, revelou o presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares. “É um investimento de cerca de 300 mil euros, mas é um investimento que efetivamente fica no território”, sublinhou o autarca.

Segundo Eduardo Tavares, a festa gera “muita dinâmica económica” não apenas durante os três dias do certame, mas também ao longo do ano, através dos “contactos comerciais” e da “promoção do território”. Nos últimos anos, a feira “tem batido recordes de venda de cereja”, atingindo cerca de 25 toneladas comercializadas. “Este ano, felizmente, vamos ter muita e boa cereja e promete batermos esse recorde”, afirmou ainda.

O presidente da autarquia destacou também a recente conquista da proteção nacional da Cereja de Alfândega da Fé, um passo importante no processo de valorização do produto e na futura obtenção da certificação europeia IGP.

Além da componente agrícola e económica, a Festa da Cereja&Co continua a afirmar-se como um dos principais motores turísticos da região. Telmo Mesquita, presidente da Associação dos Comerciantes de Alfândega da Fé, garante que a procura já se faz sentir na hotelaria e restauração. “Pelos indicadores que já tenho dos nossos associados, a hotelaria está completamente esgotada neste momento”, revelou.

O cartaz musical da edição deste ano inclui Carolina Deslandes no dia 5 de junho, Ivandro e Kura no dia 6 e Zé Amaro no encerramento, a 7 de junho.

sábado, 9 de maio de 2026

A 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗟𝗶𝘃𝗿𝗼 regressa a Bragança de 28 a 31 de maio, no Corredor Verde do Fervença - Pólis 📚

 Durante quatro dias, o espaço transforma-se num ponto de encontro entre livros, autores e leitores, com apresentações, atividades culturais e propostas para todas as idades.
Um evento que celebra a leitura e a cultura no coração da cidade.

𝐃𝐞𝐬𝐚𝐟𝐢𝐨: 𝐕𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐟𝐚𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐩𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨? - 𝐄𝐩𝐢𝐬ó𝐝𝐢𝐨 𝟔 — Berrões de Miranda do Douro

 Entre campos e antigos caminhos rurais de Miranda do Douro, permanecem testemunhos silenciosos de comunidades que habitaram este território há mais de dois mil anos. Entre eles destacam-se os 𝐛𝐞𝐫𝐫õ𝐞𝐬, esculturas zoomórficas talhadas em granito que continuam envoltas em mistério.
Conhecidos em Espanha como verracos, estes monumentos representam geralmente javalis, porcos ou touros e fazem parte de uma tradição escultórica da Idade do Ferro, associada à força, proteção e fertilidade. Espalhados pela paisagem da Meseta Ibérica, revelam a profunda ligação das antigas comunidades ao mundo animal e à terra.

Em Miranda do Douro existem vários exemplares desta estatuária ancestral, como o Berrão de Ramilo, descoberto em 2020 na freguesia de Duas Igrejas, ou os achados de Picote e Malhadas, que ajudam a contar a história e a importância desta região ao longo dos séculos.

Talhados há milhares de anos, os berrões continuam a guardar silenciosamente a paisagem transmontana, lembrando-nos que a história está muitas vezes escondida à vista de todos.

Moda e Estilo nos Anos 70 - Liberdade, Cor e Juventude


 Os anos 70 do século passado foram um grito. Um grito que se ouviu nas ruas, nos palcos, nas universidades, nos liceus e nas escolas, nos bairros, e nos salões de baile. Um grito que dizia: - Queremos ser nós. E esse grito, não estava nu. Vestia-se.

A roupa deixou de ser apenas tecido e costura. Tornou-se num manifesto. Tornou-se parte da linguagem. Tornou-se pele política.

Depois das convulsões sociais e culturais dos anos 60, a juventude dos anos 70 recusou herdar um mundo pronto e fechado. Quis reinventá-lo, e começou pelo corpo. Vestir passou a ser um ato de afirmação, quase um ritual diário de liberdade. Já não se tratava de parecer “adequado”, mas de parecer verdadeiro.

As calças à boca-de-sino eram movimento e afirmação. Abertas na base, ondulavam ao caminhar como se dançassem com o vento. Ajustadas na cintura, desenhavam uma silhueta confiante e despreocupada. Homens e mulheres usavam-nas sem distinção, muitas vezes combinadas com camisas de colarinhos largos, t-shirts justas ou blusas coloridas. O tecido acompanhava o corpo como se dissesse… não temos de nos envergonhar por estarmos vivos.

As cores explodiram. Depois de décadas de sobriedade, surgiram laranjas queimados, amarelos solares, verdes intensos, rosas elétricos. Os padrões psicadélicos, herança da arte visionária e da música que saía das guitarras e dos sonhos coletivos, espalharam-se por vestidos, lenços e camisas. Eram espirais, formas geométricas, flores impossíveis. Vestir era entrar num quadro vivo, onde cada pessoa se tornava parte da própria obra.

Nos cabelos também se fez revolução. Para muitos rapazes, eu incluído, deixá-los crescer era um ato de desafio pacífico. Inspirados por bandas como os The Beatles ou os Led Zeppelin, o cabelo comprido simbolizava rutura com convenções conservadoras e aproximação a uma cultura alternativa, mais livre e experimental. Não era só estética, era identidade.

Para as raparigas, a naturalidade tornou-se símbolo de autenticidade. Franjas soltas, cabelos longos ao vento, maquilhagem leve. A beleza afastava-se do excesso rígido das décadas anteriores. Havia um desejo de parecer menos “construída” e mais vivida. Como se o rosto dissesse que não precisava de moldes para existir.

Artistas como David Bowie transformaram o palco numa passerelle futurista, misturando androginia, brilho e teatralidade. A roupa já não tinha género fixo nem regras estáticas, tinha atitude.

Dos Estados Unidos vinha a força do movimento hippie, que tinha aparecido em lugares como São Francisco. Tecidos naturais, túnicas, coletes de camurça, franjas, contas artesanais. Havia uma procura por autenticidade, por ligação à terra, por espiritualidade. Vestir, também era recusar o consumismo cego e valorizar o feito à mão, o imperfeito, o humano.

E depois havia a ganga.

Antes associada ao trabalho duro, aos operários e agricultores, a ganga renasceu como bandeira juvenil. As calças de ganga tornaram-se quase universais. Rasgadas, bordadas, ajustadas ou largas, eram democráticas. Podiam ser usadas numa manifestação, num concerto, numa tarde despreocupada. A ganga simbolizava igualdade, todos podiam vestir liberdade.

Mas talvez o mais poderoso da moda dos anos 70 tenha sido a sensação de que… tudo era possível. A ideia de que cada manhã era uma tela em branco. Que o espelho não servia apenas para verificar a aparência, mas para afirmar: - Eu escolho quem sou.

A moda tornou-se palco de debates sobre género, sobre autoridade, sobre tradição. Misturavam-se peças masculinas e femininas, o formal com o informal, o artesanal com o industrial. Nada era rígido. Tudo podia ser reinventado.

Era a resistência às normas rígidas, às expectativas estreitas, ao silêncio imposto. Os padrões vibrantes, os cabelos ao vento, a boca-de-sino em movimento carregava uma mensagem. A juventude já não queria caber em moldes antigos e gastos.

Os anos 70 ensinaram que o vestir podia ser um ato de desenvoltura e até de alguma coragem. Que o estilo podia ser um manifesto. Que a cor podia ser política. E que a juventude, quando se reconhece a si própria, transforma até o mais simples pedaço de tecido numa declaração de liberdade.

Foi uma década de nova moda. Foi uma década de identidade. Uma década em que a roupa deixou de ser aparência, e passou a ser a nossa alma exposta ao mundo.

HM
9 de Maio de 2026

Hoje, 9 de Maio, a AEPGA celebra 25 anos de existência, assinalando um percurso marcado pelo compromisso contínuo com a salvaguarda do Burro de Miranda e com a valorização do território do Nordeste Transmontano.

 Fundada numa altura em que a raça se encontrava em acentuado declínio e socialmente desvalorizada, a associação tem vindo a desempenhar um papel determinante na inversão deste cenário. Ao longo destas duas décadas e meia, o trabalho desenvolvido traduziu-se no aumento do número de animais, na melhoria significativa das suas condições de bem-estar e no reconhecimento crescente do seu valor enquanto património genético, cultural, ecológico e identitário.


A missão de “trabalhar pelo bem-estar de burros e pessoas” tem orientado toda a atuação da AEPGA, sustentando uma abordagem integrada que cruza ambiente e conservação da natureza, educação, bem-estar animal, cultura, investigação e intervenção social. Este caminho tem sido possível graças ao envolvimento de comunidades locais, investigadores, parceiros institucionais e público em geral, num esforço colectivo de valorização do mundo rural.

A criação de infra-estruturas como o Centro de Valorização do Burro de Miranda e o Centro de Actividades Lúdico-Pedagógicas, bem como o desenvolvimento de iniciativas culturais, educativas e científicas, contribuíram de forma decisiva para reforçar a ligação entre pessoas, animais e território. Paralelamente, a associação tem promovido uma transformação profunda da percepção sobre o burro, hoje reconhecido como símbolo de sustentabilidade, identidade e renovação rural.

Mais do que preservar uma raça, a AEPGA tem procurado demonstrar que é possível construir territórios mais vivos, equilibrados e sustentáveis, através de uma relação mais consciente entre pessoas, animais e natureza.

As celebrações dos 25 anos da AEPGA irão decorrer ao longo do próximo ano, através de diferentes iniciativas que darão a conhecer este percurso, revisitar memórias e projectar desafios e ambições para o futuro.

Parabéns, AEPGA! Que venham muitos mais anos de dedicação e inspiração!

SEO/Birdlife: andorinhas consomem cerca de 850 insetos por dia e são essenciais a um ambiente saudável

 A presença de aves como andorinhões e andorinhas nas vilas e cidades é um sinal de um ambiente saudável para as pessoas. Por exemplo, uma andorinha pode consumir cerca de 850 insetos por dia, desempenhando um papel muito benéfico, segundo a Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/Birdlife).

Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Foto: Standbild-Fotografie/WikiCommons

Por exemplo, uma andorinha cuja dieta se baseia principalmente em moscas, mosquitos, formigas aladas, vespas, percevejos e pequenos escaravelhos pode consumir cerca de 60 insetos por hora (cerca de 850 insetos por dia), o que equivale a 310.250 moscas e mosquitos por ano.

Todos os anos, após percorrerem milhares de quilómetros desde as suas áreas de invernada em África, estas aves voltam à Península Ibérica para se reproduzirem.

“Muito ligadas ao ser humano, fazem parte tanto do património natural como do legado cultural e histórico das nossas localidades. Trata-se de espécies protegidas a nível nacional e europeu (incluindo os seus ninhos, ovos e crias), que souberam adaptar-se à convivência com as pessoas, aproveitando, em muitos casos, as estruturas urbanas para nidificar”, escreve a organização em comunicado.

No entanto, nos últimos anos, as suas populações têm registado um acentuado declínio. Entre as principais causas deste declínio destacam-se a perda de espaços adequados para nidificar devido, em grande medida, ao desenho dos edifícios modernos, que não têm cavidades e estruturas apropriadas; o uso intensivo de pesticidas, que reduziu drasticamente a disponibilidade de insetos, a sua principal fonte de alimento; e a perda de habitat.

A isto soma-se o facto de, em muitas reabilitações de edifícios históricos e monumentos, não serem incorporados critérios que favoreçam a conservação dos ninhos existentes ou a criação de novos espaços de reprodução.

Também se registam perturbações, pilhagens e até a destruição de ninhos, o que provoca a morte de exemplares. No caso das andorinhas, outro problema adicional é a escassez de barro em ambientes urbanos, essencial para a construção dos seus ninhos.

Assim, a SEO/Birdlife considera “fundamental que, ao planear obras de reabilitação em edifícios e monumentos, se respeitem os períodos de reprodução e criação destas espécies protegidas”.

Antes de iniciar qualquer intervenção, é imprescindível verificar a presença destas aves e programar os trabalhos com a devida antecedência, assegurando que sejam realizados em períodos em que não estão presentes.

“A SEO/BirdLife defende que a conservação do património natural não é apenas uma obrigação legal, mas também um direito dos cidadãos, tal como acontece com o património cultural.”

Recentemente, várias organizações denunciaram o impacto das obras na muralha de Trancoso por ameaçarem uma das maiores colónias de andorinhões-pretos de Portugal.

A SEO/Birdlife sublinha que é possível aplicar soluções técnicas simples, plenamente compatíveis com as obras e a vida em meio urbano, que permitem evitar incómodos sem necessidade de eliminar os ninhos.

Entre as principais recomendações, destaca o planeamento das obras fora do período reprodutor (primavera e verão). “Nos casos em que uma intervenção possa afetar um ninho, é imprescindível obter previamente autorização da autoridade competente para a sua remoção”, especifica.

Propõe também a instalação de prateleiras ou outros sistemas de recolha de dejetos sob os ninhos, uma medida eficaz para minimizar os incómodos para a população. É ainda possível substituir ninhos danificados por estruturas artificiais adequadas, sempre fora da época de reprodução e com a devida autorização administrativa, quando necessário.

Há já várias temporadas que a SEO/BirdLife disponibiliza o acompanhamento em direto de uma colónia de andorinhão-pálido em Jerez, através de uma câmara web instalada no colégio Esclavas SCJ de Jerez. Trata-se de uma iniciativa única a nível mundial, que permite observar, 24 horas por dia, o comportamento reprodutor desta espécie, que apenas pousa durante a época de reprodução.


ICNF e APA: Zero, SPEA e Quercus questionam reestruturação anunciada pela ministra do Ambiente

 As três organizações reagiram esta quinta-feira com preocupação ao anúncio feito pelo gabinete da ministra do Ambiente e Energia. Quercus pede reunião urgente com Maria da Graça Carvalho.

Foto: KevinsPhoto/Pixabay

As mudanças planeadas para o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e para a Agência Portuguesa de Ambiente (APA), anunciadas esta semana pela ministra da tutela, Maria da Graça Carvalho, estão a ser vistas com apreensão por várias organizações ligadas à defesa do ambiente, que pedem para ser escutadas neste processo e receiam que a anunciada “simplificação profunda dos processos de licenciamento” enfraqueça ainda mais a conservação do património natural.

“O comunicado do Governo centra-se exclusivamente na linguagem da desburocratização e da facilitação do investimento, sem uma única menção à missão fundamental destas instituições: proteger o património natural de Portugal”, afirma a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), defendendo que “a eficiência administrativa não pode ser alcançada à custa do enfraquecimento dos mecanismos de proteção ambiental”.

A mesma opinião é partilhada pela ZERO, que aponta o dedo às reformas em cima da mesa, considerando-as “uma clara tentativa de fragilizar ainda mais as instituições que devem defender o bem comum, criando não só uma inaceitável pressão adicional sobre recursos técnicos que já estão há muito no limite das suas capacidades, mas também prejudicando a qualidade e o rigor das avaliações que serão efetuadas, o que poderá levar a decisões tecnicamente pouco ponderadas”. 

A ONG questiona também se este processo de “debilitação” poderá ser agravado por “cortes nos orçamentos de funcionamento das instituições, situação que gerará a inoperacionalidade quase total dos serviços públicos”. E alerta para uma possível “tentativa de desestruturação da política pública de ambiente, em benefício de interesses que poderão não ser compatíveis com os instrumentos de gestão territorial ou com a conservação dos valores naturais protegidos”. 

Também a Quercus exige cautela neste processo de reestruturação, admitindo que “a modernização, simplificação e automatização de processos é desejável”, mas desde que “não abra caminho ao eventual esvaziamento de competências e de autonomia destes organismos” nem comprometa a sua capacidade operacional e os meios necessários para fiscalizarem no terreno.

Fiscalizar antes ou no final?

Outra das medidas olhadas com preocupação, aliás, é a “simplificação profunda” dos processos de licenciamento, incluindo a passagem de um modelo de controlo prévio para a aposta na fiscalização a posteriori.

A Quercus teme que a simplificação anunciada tenha de facto como objetivo a criação de “um ‘livre-trânsito’ para atropelar os interesses e as regras ambientais”.

“A destruição de um habitat prioritário, a perturbação de espécies em época de nidificação ou a alteração irreversível de uma zona húmida não são danos que possam ser remediados com uma multa ou uma ordem de reposição”, acrescenta por seu lado a SPEA, que afirma que “enfraquecer os mecanismos de avaliação prévia não só agravaria a situação do património natural como exporia Portugal a sanções comunitárias acrescidas”.

“Proteger a natureza é proteger o futuro de Portugal e dos portugueses. As zonas húmidas que filtram a água que bebemos, as paisagens naturais saudáveis que nos protegem dos incêndios, os ecossistemas costeiros que defendem as comunidades piscatórias — tudo isto depende de instituições públicas capazes de fazer o seu trabalho. Quando se enfraquecem a APA e o ICNF, não é só a Natureza que fica desprotegida são só as aves que ficam desprotegidas: são as pessoas”, afirma Pedro Neto, diretor-executivo da SPEA.

Também a ZERO avisa para a necessidade de mais reflexão face a uma nova simplificação dos processos de licenciamento, depois das iniciativas do Governo socialista (Simplex) e do atual Executivo. “Não deixa de ser preocupante que se proponha mais simplificação sem uma efetiva avaliação de quais foram os resultados das medidas tomadas anteriormente. Não seria aconselhável avaliar o que já foi proposto antes de voltar a sugerir mais alterações?”, questionam.

Além do mais, acrescenta a mesma associação, “o discurso político parece querer passar a mensagem que o licenciamento não tem uma função ou dignidade próprias”. “Ele existe para garantir a equidade entre todos (todos devem ter de cumprir as mesmas obrigações) e garantir que o bem comum não seja usurpado ou prejudicado para interesse apenas de alguns. Nem todo o investimento contribui para o desenvolvimento sustentável do país, nem deve ser aprovado”, sustenta.

ONG de Ambiente querem ser ouvidas

A SPEA apela também à tomada de várias medidas da parte do Governo, incluindo que a missão de conservação da natureza seja assumida como “pilar central da reforma” e não como “o obstáculo a remover”, e lembra também a necessidade de reforço dos meios humanos, técnicos e financeiros do ICNF e da APA – “condição indispensável para que qualquer reforma produza resultados reais”.

Tanto a SPEA como a Quercus e a ZERO exigem que o processo de reestruturação envolva ouvir as organizações de conservação da natureza, mas também outras entidades como a comunidade científica, “garantindo que as decisões são informadas pelo melhor conhecimento disponível”.

A Quercus anunciou também que vai pedir uma reunião “com urgência” à ministra do Ambiente, “a fim de expôr as suas reservas, preocupações e obter todas as informações sobre esta reestruturação”. “Paralelamente, iremos solicitar uma audiência a todos os Grupos Parlamentares sobre este assunto no sentido de exigir a fiscalização necessária para garantir a defesa do Ambiente”, avisa esta ONG.

ULS DO NORDESTE E TORRE DE MONCORVO UNEM ESFORÇOS PARA REFORÇAR CUIDADOS DE SAÚDE DE PROXIMIDADE

 A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste e o Município de Torre de Moncorvo formalizaram, esta sexta-feira, 8 de maio, dois protocolos de cooperação destinados a reforçar o acesso da população a cuidados de saúde de proximidade, numa aposta conjunta na melhoria da resposta assistencial no concelho.


A assinatura dos acordos decorreu em Torre de Moncorvo e contou com a presença do presidente do Conselho de Administração da ULS do Nordeste, Miguel Abrunhosa, acompanhado pelos diretores clínicos dos Cuidados de Saúde Primários, Filipa Faria, e dos Cuidados de Saúde Hospitalar, Rui Terras Alexandre. Pelo Município marcou presença o presidente da Câmara Municipal, José Carlos Meneses.

Os protocolos agora celebrados visam fortalecer a capacidade de resposta do Centro de Saúde de Torre de Moncorvo, assegurando um acesso mais rápido e eficaz a cuidados especializados e promovendo uma maior proximidade entre os serviços de saúde e a população.

CONSULTAS DE ESPECIALIDADE NO CENTRO DE SAÚDE

Uma das principais medidas previstas passa pela disponibilização de um gabinete no Centro de Saúde de Torre de Moncorvo para a realização de consultas médicas de diversas especialidades, em regime programado.

Os profissionais clínicos serão assegurados pelo Município, de acordo com as necessidades identificadas, ficando também a cargo da autarquia a definição dos horários de funcionamento das consultas.

Com esta iniciativa, pretende-se minimizar constrangimentos no acesso a consultas especializadas, reduzindo tempos de espera e garantindo uma resposta mais célere e eficiente aos utentes da região.

Segundo as entidades envolvidas, a medida permitirá reforçar a promoção da saúde, a prevenção da doença e o acesso facilitado aos cuidados médicos, sobretudo numa região marcada pela dispersão geográfica e pelo envelhecimento populacional.

APOIO FINANCEIRO PARA REFORÇAR O SERVIÇO MÉDICO

O segundo protocolo estabelece a atribuição, por parte da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, de um apoio financeiro de 10 euros por hora a cada médico que desempenhe funções no Serviço de Atendimento Complementar do Centro de Saúde local.

O incentivo pretende contribuir para melhorar o funcionamento do serviço, reforçar a capacidade de resposta assistencial e criar condições mais atrativas para a fixação de médicos no concelho.

Através desta cooperação institucional, técnica e financeira, a ULS do Nordeste e o Município de Torre de Moncorvo sublinham o compromisso conjunto de garantir cuidados de saúde de qualidade, mais próximos da população e ajustados às necessidades do território.

A Redação
Fotos: DR

CENTRO CULTURAL DE VINHAIS RECEBEU TRIBUTO A “OS QUATRO E MEIA” PELA ESCOLA MUNICIPAL DE MÚSICA

 O Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais recebeu, na noite desta quinta-feira, 8 de maio, um espetáculo de tributo à banda portuguesa Os Quatro e Meia, protagonizado pelos alunos da Escola Municipal de Música de Vinhais.


Sob orientação técnica e artística do professor e músico Romeu Beato, os jovens músicos interpretaram alguns dos temas mais conhecidos da banda de Coimbra, proporcionando ao público um momento marcado pela qualidade musical e pela forte adesão da plateia presente.

Ao longo do espetáculo, os alunos demonstraram o trabalho desenvolvido no âmbito da sua formação artística, num concerto que evidenciou talento, dedicação e capacidade interpretativa.

Na sessão de encerramento, o vice-presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Artur Marques, agradeceu publicamente o desempenho dos participantes, destacando o empenho demonstrado pelos alunos e o papel da Escola Municipal de Música na promoção cultural do concelho.

O autarca aproveitou ainda a ocasião para incentivar a participação da comunidade no ensino artístico, deixando um convite aos munícipes interessados na música para integrarem a Escola Municipal, reforçando a importância de continuar a valorizar o talento e a cultura musical em Vinhais.

Maria Inês Pereira
Foto: DR

“AS ÁRVORES TAMBÉM SONHAM” DÁ VOZ À CRIATIVIDADE E À CONSCIÊNCIA AMBIENTAL EM CARRAZEDA DE ANSIÃES

 Os alunos do 4.º ano do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães são os protagonistas da exposição “As Árvores Também Sonham”, uma iniciativa integrada no projeto “Semear + Cedo”, promovido pelo PNRVT – Parque Natural Regional do Vale do Tua.


Através da pintura, das texturas e da expressão artística, as crianças deram vida a trabalhos inspirados na natureza, num exercício criativo que une imaginação, sensibilização ambiental e valorização do território. A mostra traduz um olhar singular sobre o mundo natural, colocando as árvores no centro de histórias e sonhos concebidos pelos mais novos.

O projeto resulta de uma parceria entre o Município de Carrazeda de Ansiães, o Parque Natural Regional do Vale do Tua e a ESACT-IPB – Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela, entidades que têm vindo a desenvolver ações educativas e culturais junto da comunidade escolar.

Mais do que uma atividade artística, a iniciativa pretende estimular, desde cedo, a consciência ecológica das novas gerações, incentivando o contacto com o património natural e promovendo valores de sustentabilidade e cidadania ambiental.

A exposição evidencia, assim, o envolvimento das crianças na preservação do Vale do Tua e demonstra como a arte pode assumir um papel importante na educação ambiental e na construção de uma ligação mais próxima entre os jovens e o território onde vivem.

Maria Inês Pereira
Foto: DR