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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 9 de março de 2026

No próximo sábado dia 14, às 21h00, apresentaremos, no Pavilhão de Caçarelhos, "A Formosa Pelicana", pelo Grupo de Teatro "Alma de Ferro" (Torre de Moncorvo).

 "A Formosa Pelicana" mergulha-nos numa personagem icónica e enigmática, Violante Gomes, a Pelicana, mãe de António de Portugal, o Prior do Crato, que passou por Torre de Moncorvo.
Um orgulho no passado, entre intrigas, amor e o fulgor de uma era que ainda hoje nos fascina.

E se o lobo não for aquilo que sempre imaginámos?

 No dia 𝟏𝟒 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐜̧𝐨, às 𝟐𝟏𝐡𝟑𝟎, o Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros recebe a 𝐩𝐞𝐜̧𝐚 𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐚𝐭𝐫𝐨 “𝐋𝐨𝐛𝐚”, da companhia 𝐏𝐞𝐫𝐢𝐩𝐞́𝐜𝐢𝐚 𝐓𝐞𝐚𝐭𝐫𝐨.
Entre lendas, medos e histórias antigas, surge um retrato inesperado de um animal nobre, leal e profundamente ligado aos seus.

𝐔𝐦 𝐞𝐬𝐩𝐞𝐭𝐚́𝐜𝐮𝐥𝐨 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐧𝐬𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐨𝐧𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐚 𝐨𝐥𝐡𝐚𝐫 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐥𝐨𝐛𝐨 𝐝𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐚 𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚.

Venha descobrir “Loba”.

Bilhete: 𝟑€

Disponível no Centro Cultural ou através do telefone 278 428 100.

WORKSHOP DE QUEIJO ARTESANAL UNE TRADIÇÃO E SUSTENTABILIDADE EM VILARINHO DA CASTANHEIRA

 No dia 28 de março, o Museu da Memória Rural, em Vilarinho da Castanheira em Carrazeda de Ansiães, recebe um workshop de queijo artesanal, integrado nas “Oficinas Memórias com Futuro”. O evento propõe uma experiência prática para descobrir os segredos desta tradição, aliando saber ancestral a práticas sustentáveis.


A atividade começa às 15h00 e as inscrições decorrem até 25 de março, com vagas limitadas.

Uma oportunidade única para preservar e celebrar os sabores da cultura rural portuguesa. 

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Aumento dos combustíveis em Bragança. Nem toda a gente abasteceu durante o fim-de-semana

11 Milhões de Visitas ao Blogue — Obrigado! O Blogue MEMÓRIAS...e outras coisas...BRAGANÇA, atingiu os 11.000.000 (onze milhões) de visitas.

Seminário - O Peso da Máscara: Património Cultural Imaterial desde a Raia

 No âmbito do projeto VISITEC | PNDI, e na sequência de um primeiro seminário realizado em janeiro de 2025 com o apoio do Fundo Ambiental, a AEPGA promoverá um segundo seminário dedicado à valorização do património cultural imaterial da Raia, em parceria com o Município de Miranda do Douro, a Universidade de Salamanca (Espanha) e entidades sociais do território.


Intitulado "O peso da Máscara: Património Cultural Imaterial desde a Raia", este seminário centra-se na perspetiva das associações que têm vindo a promover a recuperação das mascaradas de inverno, analisando as suas trajetórias, as dificuldades na continuidade do trabalho, a relação com as instituições e as comunidades locais, asssim como os principais desafios colocados à salvaguarda do património cultural imaterial.

Estes encontros têm como principal objetivo dar a conhecer os inúmeros valores naturais e culturais do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), mobilizando entidades e comunidades locais para uma reflexão sobre o presente e o futuro do território, incentivando um modelo de desenvolvimento mais sustentável na região do PNDI.

Num contexto de territórios rurais e periféricos sujeitos a profundas transformações, o seminário propõe ainda uma reflexão crítica sobre conceitos como património, cultura e tradição, bem como sobre as práticas sociais que lhes dão forma e as ameaças à gestão cultural, nomeadamente a legitimidade e representatividade dos agentes envolvidos, a desvalorização das festas populares e os desafios associados à turistificação e à sustentabilidade do território.

O seminário terá lugar no dia 14 de Março de 2026, a partir das 09h00, no Mini-auditório Municipal de Miranda do Douro, com possibilidade de participação através de transmissão online.

O programa da manhã inicia-se com a conferência principal de Gonçalo Mota, intitulada “Imagem e representação nas festas de inverno: uma abordagem ecológica”. Seguem-se duas mesas de debate com representantes de associações e comunidades de Portugal e Espanha: a primeira, dedicada às experiências de recuperação das mascaradas de inverno, com exemplos de Bemposta, Vila Chã de Braciosa, Abejera e Villanueva de Valrojo; e a segunda, centrada nos desafios da gestão do património cultural imaterial a partir do território, a partir das experiências de Constantim, Podence, Riofrío de Aliste e Sanzoles.

O período da manhã termina com um debate final moderado por António Tiza, promovendo a partilha de perspetivas sobre os principais desafios e oportunidades na salvaguarda deste património.

Durante a tarde, os participantes terão a oportunidade de visitar o atelier de Carlos Ferreira, em Sendim, um dos pontos de interesse do Passaporte Rede Natura 2000, onde poderão conhecer de perto o processo de criação das máscaras e o trabalho artesanal que lhes dá forma.

Saiba mais informações e consulte o programa. A atividade, apesar de gratuita, requer inscrição obrigatória - pode fazê-la AQUI.

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En el marco del proyecto VISITEC | PNDI, y como continuación de un primer seminario realizado en enero de 2025 con el apoyo del Fondo Ambiental, la asociación AEPGA organizará un segundo seminario dedicado a la valorización del patrimonio cultural inmaterial de la Raia, en colaboración con el Ayuntamiento de Miranda do Douro, la Universidad de Salamanca y entidades sociales del territorio.

Intitulado "El peso de la Máscara: Patrimonio Cultural Inmaterial desde la Raia", este seminario se centra en la perspectiva de las asociaciones que han venido promoviendo la recuperación de las mascaradas de invierno, analizando sus trayectorias, las dificultades para la continuidad del trabajo, la relación con las instituciones y las comunidades locales, así como los principales desafíos para la salvaguarda del patrimonio cultural inmaterial.

Estos encuentros tienen como objetivo principal dar a conocer los numerosos valores naturales y culturales del Parque Natural del Duero Internacional (PNDI), movilizando a entidades y comunidades locales para reflexionar sobre el presente y el futuro del territorio, fomentando un modelo de desarrollo más sostenible en la región del PNDI.

En un contexto de territorios rurales y periféricos sujetos a profundas transformaciones, el seminario propone también una reflexión crítica sobre conceptos como patrimonio, cultura y tradición, así como sobre las prácticas sociales que los configuran y las amenazas a la gestión cultural, incluyendo la legitimidad y representatividad de los agentes involucrados, la desvalorización de las fiestas populares y los desafíos asociados a la turistificación y la sostenibilidad del territorio.

El seminario tendrá lugar el 14 de marzo de 2026, a partir de las 09:00 horas, en el Mini-auditorio Municipal de Miranda do Douro, con posibilidad de participación a través de transmisión online.

El programa de la mañana comienza con la conferencia principal de Gonçalo Mota, titulada "Imagen y representación en las fiestas de invierno: un enfoque ecológicol". Seguirán dos mesas de debate con representantes de asociaciones y comunidades de Portugal y España: la primera, dedicada a las experiencias de recuperación de las mascaradas de invierno, con ejemplos de Bemposta, Vila Chã de Braciosa, Abejera y Villanueva de Valrojo; y la segunda, centrada en los desafíos de la gestión del patrimonio cultural inmaterial desde el territorio, con experiencias de Constantim, Podence, Riofrío de Aliste y Sanzoles. La mañana concluirá con un debate final moderado por António Tiza, fomentando el intercambio de perspectivas sobre los principales desafíos y oportunidades en la salvaguarda de este patrimonio.

Durante la tarde, los participantes tendrán la oportunidad de visitar el taller de Carlos Ferreira, en Sendim, uno de los puntos de interés del Pasaporte Red Natura 2000, donde podrán conocer de cerca el proceso de creación de las máscaras y el trabajo artesanal que les da forma.

Consulte más información y el programa completo. La actividad, aunque gratuita, requiere inscripción obligatoria AQUI.

Formação: Barreiras vegetais multifuncionais para propriedades rurais resilientes

 Na sequência do ciclo de formações integradas no conceito de agricultura regenerativa, aproxima-se a formação organizada pela Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA) sobre “Barreiras Vegetais Multifuncionais para Propriedades Rurais Resilientes", que se irá realizar de 11 a 14 de abril de 2026, na aldeia de Atenor, situada no concelho de Miranda do Douro.


As barreiras verdes – linhas de vegetação estrategicamente posicionadas na paisagem – são fundamentais para a proteção e resiliência de terrenos agrícolas e rurais. A sua conceção e implementação desempenham funções essenciais: reduzir a velocidade do vento, proteger culturas e solos, criar microclimas mais favoráveis, promover biodiversidade, sequestrar carbono e integrar produção e sustentabilidade na paisagem. Nesta formação, os participantes serão capacitados para planear, dimensionar e implementar quebra-ventos integrados em sistemas agroflorestais e corta-fogos como ferramentas complementares de proteção do território, aumento da resiliência climática e promoção de paisagens sustentáveis e produtivas. Serão abordados temas como a escolha de espécies adaptadas, o dimensionamento e orientação das linhas vegetais, a preparação do terreno, a gestão do crescimento e da manutenção, e a integração dos quebra-ventos com a agrofloresta e a paisagem agrícola.

Esta formação constará de dois módulos principais: o curso básico (duração de 2 dias) e o curso avançado (duração de 2 dias). Os participantes do curso básico poderão prolongá-lo para o curso avançado, mediante inscrição neste. A formação será ministrada por Bruno Nunes, do coletivo Ekógaio, e constitui uma oportunidade para todos os que desejam aprender a planear, instalar e manter barreiras verdes e quebra-ventos integrados em sistemas agroflorestais, contribuindo para a proteção do território, a promoção da biodiversidade e a criação de paisagens mais resilientes e produtivas.

Esperamos que este curso seja do seu interesse. Juntos podemos fortalecer a nossa paisagem, aumentar a resiliência climática e construir um futuro mais sustentável e harmonioso entre a natureza e as atividades humanas.

Saiba mais informações, conheça o programa e faça a sua inscrição.

Casa do Pão ganhou prémio do melhor folar de Portugal

 A Casa do Pão, em Bragança, ganhou o primeiro lugar na categoria de ' O melhor Folar de Portugal, um prémio atribuído pela ACIP-Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares, que teve lugar na Exponorte, ontem.


O jovem empresário de Bragança, Bruno Lopes, foi distinguido entre 23 concorrentes no XII Concurso ACIP – “O Melhor Folar e Pão de Ló de Portugal”, integrado na TECNIPÃO, o maior evento nacional dedicado ao setor da panificação e pastelaria.

A aposta no folar tradicional deu vitória a Bruno Lopes, que destronou o folar de Valpaços, vencedores em anos anteriores. Os produtos foram submetidos a provas cegas até apurar o vencedor.

Este concurso é uma montra de excelência, tradição e inovação, que distingue os melhores produtos nacionais e valoriza o saber-fazer dos profissionais que mantêm viva a qualidade da panificação e pastelaria portuguesas.

Glória Lopes

Manuel Pinto Guedes Bacelar Sarmento de Morais Pimentel Teles de Meneses e Melo (2.º Visconde da Bouça) - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 13.setembro.1906 – 15.fevereiro.1908
LOUSADA, 4.8.1842 – ?

Proprietário.
Deputado (1882-1884). Par do Reino (12.6.1890). Governador civil de Bragança (1906-1908).
Natural da freguesia de Covas, concelho de Lousada.
Filho de Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento Pereira de Morais e Pimentel, 4.º visconde de Montalegre, moço-fidalgo com exercício na Casa Real, e de Ana Carolina Augusta Vaz Guedes Pereira Pinto Teles de Meneses e Melo, senhora das casas de Rio de Moinhos e de Vila Garcia.
Irmão de Luís Vaz Guedes Pinto Bacelar Sarmento Pereira de Morais Pimentel Teles de Meneses e Melo, 2.º visconde de Vila Garcia. Neto paterno de Luís Vaz Pereira Pinto Guedes e Maria Inês Cândida Pinto Bacelar, 2.os viscondes de Montalegre.
Casou com Maria Cândida de Sampaio e Castro, 2.ª viscondessa da Bouça, sem descendência. 2.º visconde da Bouça, por via do casamento (7.3.1889). Moço-fidalgo com exercício na Casa Real.

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Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento era um abastado proprietário, descendente de uma linhagem nobre. Porém, o título do seu pai, Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento Pereira de Morais e Pimentel, 4.º visconde de Montalegre, havia sido concedido por alvará da Junta Governativa do Reino, constituída aquando da Guerra Civil da Patuleia, pelo que não foi depois validado pelo Governo triunfante de D. Maria II.
Manuel Sarmento iria titular-se por outra via, ao casar em 1868 com Maria Cândida de Sampaio e Castro, sua prima, filha dos 1.os viscondes da Bouça e 2.ª viscondessa da Bouça, embora só em 21 de fevereiro de 1878 lhe viesse a ser concedido um alvará de lembrança de segunda vida do título, vindo o mesmo a ser reconhecido oficialmente por decreto de 7 de março de 1889.
Membro do Partido Regenerador, foi eleito deputado em 1881 para a legislatura de 1882 1884, em representação do círculo uninominal de Mirandela, onde residia ( juramento a 13.2.1882). Não fez parte de qualquer comissão, mas não deixou de defender a sua região sempre que foi oportuno. Assim, defendeu o trajeto que entendia ser o melhor para a linha de caminho-de-ferro de Foz Tua a Mirandela (6.3.1884).
Chamou depois a atenção dos poderes públicos para o muito deficiente estado de conservação da estrada que ligava Vinhais a Mirandela, situação que causava preocupação, especialmente no inverno, requerendo o visconde da Bouça que a mesma via fosse considerada estrada real (23.2.1882). Não se coibiu de chamar a atenção do Governo regenerador, que apoiava, para a necessidade de se proceder à construção de linhas férreas na província de Trás-os-Montes (24.4.1882).
A sua carreira política teve continuidade anos mais tarde, ao ser eleito par do Reino pelo distrito de Bragança, em 14 de abril de 1890 (posse a 12.6.1890). Também na câmara alta do Parlamento não fez parte de qualquer comissão, ocupado que estava a defender a regularidade da sua eleição, questionada pela oposição progressista.
Na altura, atacou diretamente Eduardo José Coelho, líder do Partido Progressista em Bragança, atribuindo-lhe a responsabilidade pela desordem que grassava no distrito, bem como o juiz de Vinhais, que “andava de assembleia em assembleia com um cacete na mão, ameaçando com processos e escrevendo a várias pessoas, incluindo subordinados e pessoas dependentes” (12.6.1890).
Por decreto de 13 de setembro de 1906, foi nomeado governador civil do distrito de Bragança, cargo de que tomou posse no dia 20 do mesmo mês, exercendo o cargo até 15 de fevereiro de 1908, data em que, prestes a completar 66 anos e com a saúde debilitada, se retirou para a sua casa na Bouça, em Mirandela.

Edital do visconde da Bouça restringindo os festejos no Carnaval (1908)

O Sr. secretário-geral, servindo de governador civil, entendendo dever dar cabal execução ao alvará que no ano passado foi posto em vigor pelo chefe do distrito de então, mandou novamente afixar, para conhecimento do público, o seguinte edital:
“O governador civil do distrito de Bragança: vindo já de longe as reclamações contra certas práticas e usos que nesta época se exibem na cidade, e que são condenáveis, não só por impróprias de terras civilizadas, como por terem originado lamentáveis conflitos, que convém acautelar, no uso da atribuição que me confere o n.º 1.º do art.º 251 do Código Administrativo, faço saber o seguinte:
1.º Que à exceção de Domingo, Segunda e Terça-feira de Carnaval, ninguém pode transitar pelas ruas da cidade com disfarces ou máscaras.
2.º Que nos citados dias é proibido o uso de qualquer traje ou a prática de atos ofensivos do decoro e moral pública.
3.º Que nos jogos carnavalescos não se podem usar coisas que possam molestar alguém, sendo absolutamente proibido contender com os transeuntes.

Bragança, 5 de fevereiro de 1907 – Visconde da Bouça.

Está conforme. Bragança e secretaria do Governo Civil, 28 de fevereiro de 1908, servindo de secretário-geral o oficial Antero Artur Lopes Navarro”.
É de esperar que o povo desta cidade, ordeiro e cordato como é, o respeitará por completo, pois trata-se de medidas que são de todo o ponto justas e legais. O ano passado houve infelizmente a lamentar algumas transgressões, de que resultou serem presas várias pessoas, algumas das quais, consta-nos, ainda se encontram na cadeia e outras têm processo pendente de julgamento. No interesse de todos, pois, recomendamos a estrita observância do disposto edital que deixamos transcrito.

Fonte: Gazeta de Bragança, Ano XVI, n.º 823, 1908, p. 2.

Carta dos alfandeguenses a Bacelar Sarmento, pedindo a sua intervenção urgente (1907)

Alfândega da Fé, 7.10.1907

(Particular)

Ao Sr. governador civil

Foi baldadamente que apelamos para o Sr. governador civil, pedindo-lhe encarecida e respeitosamente que olhasse um pouco para o estado anárquico em que se encontram os serviços administrativos nesta desventurada terra. Lastimamos, não só porque amamos muito esta nossa querida Alfândega, mas também porque muito prezamos o bom nome de S. Exa. e os seus bons desejos, mais de uma vez manifestados, de bem cumprir os altos deveres do seu honroso cargo. É provável que S. Exa. não lesse, por isso de novo voltamos a importuná -lo.
Oiça-nos Sr. Visconde da Bouça!
Os progressistas cá do burgo, hoje eduardistas, dissidentes, correligionários de V. Exa., ou lá o que são (pouco importa) têm estado há muitas dezenas de anos dirigindo os destinos políticos deste concelho. A sua influência nefasta, a sua administração ruinosa, levou-nos à miséria e custou-nos os maiores desgostos e vergonhas. Liquidaram-nos, como os rotativos liquidaram a Nação, como diria o Sr. João Franco ou qualquer dos seus ilustres sectários.
Reabilitamo-nos, readquirimos à força de trabalho e sacrifícios a nossa autonomia, tal e qual como Portugal terá de fazer um dia… próximo. Apareceram-nos logo os ilustres figurões retomando as rédeas da governação, apresentando programas mirabolantes, parecendo-se ainda,
Exmo. Sr., neste ponto com o grande Messias, salvador-mor da gente lusa. Pois falharam, Sr. Visconde, como falharam os do Messias. Em jantares lautos, entre o champanhe e o café, pronunciaram discursos de encantar, como pregou em águas furtadas na baixa e nos teatros da província o Grande Salvador. Não cumpriram o programa, esqueceram a palavra plumeamente comprometida, como o Sr. Presidente do Conselho esqueceu o seu e a sua. A diferença entre os nossos regedores e o grande Alcaide está em que esses estão completamente sós e S. Exa. tem ainda uma meia dúzia de secretários que o aplaudem e fingem acreditar.
Se o Governo, a quem Deus conserve por muitos anos no poder, para gáudio dos franquistas e salvação da pátria e das batatas, não adiasse sine die as eleições camarárias, nada pediríamos a S. Exa., pois nós mesmo, os alfandeguenses, liquidaríamos a situação vexatória  e delapidadora que não pode nem deve continuar, colocando à frente da administração municipal homens honestos, patriotas desinteressados e cheios de boa vontade de bem servir este povo. Mas o Governo não faz eleições e diz-se que ele vai nomear comissões. Não podemos portanto nós intervir com a urgência que o caso reclama, mas pode e deve fazê-lo V. Exa. É o que nós vimos a pedir-lhe, sem intuitos partidários, sem espírito egoísta, unicamente no propósito de bem servir a nossa Alfândega e na certeza de que defendemos uma causa nobre, justa e patriótica, que certamente encontrará apoio no espírito esclarecido de V. Exa.
Eram dez os vereadores da nossa Câmara, que Deus haja. Cinco efetivos e cinco substitutos.
Pois deu-lhes o trangulo-mangulo, como aos partidários de V. Exa., e dos dez ficou um. E este um é tudo ou melhor não é nada. O Sr. administrador, autoridade respeitabilíssima, a quem todos os alfandeguenses reconheciam como o seu melhor amigo, o nobre colega de V. Exa. (como ele diria) partiu, morreu… Tem-se, é certo, espalhado que ressuscita mas até hoje não apareceu o milagre. Que mais é preciso acrescentar ao quadro para V. Exa. ter o conhecimento exato da situação? Cremos que nada mais. Mas se for, Sr. governador civil, nós conhecemos factos, sabemos de casos interessantíssimos e tudo aqui virá em letra redonda; se V. Exa. quiser e o decreto de 20 de maio deixar… Salve-nos, ou melhor, ajude -nos, Sr. governador civil, e terá V. Exa. praticado mais um belo ato de administração e conquistado o geral aplauso deste bom povo.

Fonte: Gazeta de Bragança, 17.11.1907, Ano XVI, n.º 808.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Arquivo Distrital do Porto, Registos de Batismos, paróquia de Covas, 1775-1849.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
GRANDE Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, t. IV, Lisboa, 1935-1987.
MÓNICA, Maria Filomena (coord.). 2004. Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. III. Lisboa:
Assembleia da República.

Publicação da C.M. Bragança

Formação para Professores e Educadores - AUDIÇÃO MUSICAL PARTICIPADA

 Inscrições AQUI.

VOLUNTARIADO JOVEM ABERTO NO CAMINHO DE SANTIAGO COM PROJETO EUROPEU

 O Município de Mirandela anunciou a abertura de candidaturas para jovens entre 18 e 30 anos interessados em integrar o projeto “New Footsteps on the Camino”, promovido pela Federação Portuguesa do Caminho de Santiago no âmbito do European Solidarity Corps.


A iniciativa oferece experiências de voluntariado ao longo do Caminho Português de Santiago, permitindo contato direto com comunidades locais, intercâmbio cultural e participação em ações sociais, culturais e ambientais. Há duas modalidades: voluntariado individual, com cerca de três meses e meio, e em equipa, com duração aproximada de duas semanas, abrangendo percursos como o Caminho Central, da Costa, Interior, de Torres e Via Nascente.

Os voluntários apoiam peregrinos, participam em campanhas de limpeza, sinalização e valorização patrimonial, além de ações de promoção do turismo sustentável. O projeto oferece transporte, alojamento e alimentação, e concede o certificado Youthpass, reconhecendo as competências adquiridas.

As inscrições são gratuitas e exclusivamente online.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

MACEDO DE CAVALEIROS ABRE INSCRIÇÕES PARA ATIVIDADES DE APOIO À FAMÍLIA DURANTE A PÁSCOA

 A Câmara de Macedo de Cavaleiros anunciou que as inscrições para as atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF), para a educação pré-escolar, e para a Componente de Apoio à Família (CAF), do 1.º ciclo do ensino básico, decorrerão entre 11 e 24 de março durante a interrupção letiva da Páscoa.


A inscrição é obrigatória, mesmo para crianças que já frequentam estes serviços, e deve ser feita através da plataforma Siga Edubox, no separador “Candidaturas”, onde os pais poderão escolher o período e horário desejados.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Passeio TT “Mulheres ao Volante” junta aventura e solidariedade em Bragança

 Vindas de vários pontos do país, as mulheres aceitaram o desafio de percorrer um trajeto inédito, que passou maioritariamente pelo Parque Natural de Montesinho


Convívio e solidariedade marcaram, no sábado, o VIII Passeio TT Mulheres ao volante. O evento, que decorre, anualmente, em Bragança, serve para celebrar o Dia Internacional da Mulher, reunindo dezenas de participantes para um dia de condução fora de estrada e contacto com a natureza. “Isto é mesmo para a brincadeira e levamo-lo aos máximos. Gostamos imenso de conviver. Quem não conhece que venha porque não se vai arrepender”, disse Melissa Pires. “É espetacular. Este passeio também serve para homenagear a história e a independência das mulheres”, explicou Sandrina Ramalho.

Vindas de vários pontos do país, as mulheres aceitaram o desafio de percorrer um trajeto inédito, que passou maioritariamente pelo Parque Natural de Montesinho. Para muitas, a participação já é tradição, mas há cada vez mais estreantes, conta Nélio Fraga, da Aventura Norte, que organiza o passeio. “De ano após ano, e cada vez mais, nas redes sociais, e mesmo pessoalmente, há quem nos pergunte, questione, quando é que vai ser a data, qual é que vai ser o dia deste evento. Temos gente de praticamente todo Portugal”.

Anualmente, parte do valor arrecado com as inscrições reverte a favor do Lar de São Francisco, que apoia crianças e jovens em situação de risco. A madrinha do oitavo passeio, Cláudia Rodrigues, destacou precisamente essa dimensão. “Quando nós percebemos qual é a causa, é quase que uma obrigação moral termos participação nestes eventos. Neste momento são eventos lúdicos, mas que o resultado final é para uma causa muito nobre. Quase que me sinto aqui obrigada emocionalmente a corresponder”.

A organização do passeio esteve a cargo da Aventura Norte, que assumiu pela primeira vez a responsabilidade do evento.

Jornalista: Carina Alves

Expansão da zona industrial de Mogadouro anunciada na Feira das Amendoeiras em Flor

 O presidente da câmara, António Pimentel, espera que, nos próximos tempos, haja vários investidores interessados em apostar no concelho


A zona industrial de Mogadouro vai ser expandida. O presidente da câmara, António Pimentel, espera que, nos próximos tempos, haja vários investidores interessados em apostar no concelho. “Temos já em adjudicação a expansão da zona industrial porque, efetivamente, não direi a totalidade, mas já temos poucos lotes na zona industrial para que agentes económicos se possam instalar. E como entendemos que o país vai sofrer um boom no desenvolvimento e na implantação de empresas, estamos esperançados que algumas delas possam vir optar por Mogadouro. Por isso, esta fase de expansão vai obedecer a outros critérios, como seja a dimensão dos lotes, para que verdadeiramente se instalem indústrias e não armazéns ou pequenas indústrias”.

Declarações de António Pimentel na abertura da trigésima nona edição da Feira Franca dos Produtos da Terra e Artesanato, a Feira das Amendoeiras em Flor.

Sónia Ferreira é de Mogadouro e participa pela primeira vez na feira. Produz bolos e quer dedicar-se em exclusivo a essa atividade. Entendeu que a feira era uma boa forma de mostrar o que faz. “Faço bolos em part-time e quero, futuramente, vir a trabalhar a tempo inteiro, então achei melhor começar a divulgar o meu trabalho através das feiras. São grandes as minhas expectativas, estou confiante que mais pessoas vão passar a conhecer o meu trabalho e depois também o passa palavra vai ajudar a que o meu trabalho seja mais divulgado”.

Mónica Ferreira também participa pela primeira vez na feira. A ideia é precisamente a mesma: dar a conhecer o que produz. “É uma forma também de divulgar os produtos que produzo há já 11 anos. O meu produto é realizado com chocolate belga e produtos locais, figo seco, marmelada, que também produzimos, amêndoa caramelizada, cogumelo desidratado”.

A feira decorre ainda no próximo fim-de-semana.

Jornalista: Carina Alves

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As inscrições já estão abertas!

domingo, 8 de março de 2026

PARA TODAS AS MULHERES SILENCIOSAMENTE HEROICAS

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Para todas as mulheres de olhos húmidos e sorriso firme. Para vós que chorais na sombra da noite, mas que ao amanhecer, ergueis o rosto como quem acende uma nova aurora dentro do peito

Para vós que tendes as mãos marcadas pelo trabalho duro, mãos que conhecem o peso da terra, do ferro, das horas longas e do cansaço. Mãos que já foram abrigo, pão, colo e resistência. Mãos que constroem vida mesmo quando a própria vida lhes parece desabar.

Para todas as que conheceram a traição, esse punhal silencioso que rasga a confiança. Que foram enganadas, usadas, esquecidas por quem prometeu cuidar. Mas, ainda assim, não deixaram morrer dentro de si a capacidade de amar o mundo.

Sois como árvores antigas: o vento pode vergar-vos, as tempestades podem arrancar-vos todas as folhas, mas as raízes… as raízes mergulham tão fundo na terra da coragem que nenhuma dor consegue derrubar.

Um dia feliz para vós, mulheres silenciosamente heroicas.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

O Município de Bragança assinalou o Dia Internacional da Mulher com um conjunto de iniciativas dedicadas à valorização, celebração e reflexão sobre o papel da mulher na sociedade.

 No Mercado Municipal realizaram-se várias atividades dirigidas às mulheres, com momentos de dança e workshops que promoveram o convívio, o bem-estar e a partilha. 
No Centro de Arte Contemporânea Graça Morais decorreu também o evento “Deusas da Montanha”, uma conversa inspiradora entre mulheres em torno do tema “Qual a montanha que ainda precisamos escalar até aqui?”, que promoveu a reflexão sobre desafios, conquistas e caminhos futuros.

Para assinalar esta data simbólica, foram ainda distribuídas flores às funcionárias municipais, como gesto de reconhecimento pelo seu trabalho e dedicação.

Porque celebrar as mulheres é também reconhecer a sua força, o seu percurso e o caminho que ainda continuamos a construir juntos.

Gasóleo acabou em praticamente todos os postos de combustíveis de Bragança

 A afluência aos postos foi tão grande ontem que hoje não há gasóleo em praticamente nenhum posto de abastecimento


Não há gasóleo em praticamente nenhum posto de combustível em Bragança. Ontem a afluência aos postos de combustível foi tão grande que o gasóleo acabou e hoje quem vai abastecer volta para casa com o depósito como estava.

É o caso de Carlos Augusto que foi atestar o depósito do jipe, mas vai ter de optar por outra solução. “Por acaso vou para casa e tenho lá a carrinha. Preciso de ir para a aldeia mas não posso ir de jipe, tenho de ir de carrinha”.

O preço dos combustíveis rodoviários em Portugal sofreu um forte aumento, com o custo do gasóleo a disparar mais de 20 cêntimos por litro e o da gasolina a subir 7 cêntimos por litro, o que fez com que os brigantinos corressem para os postos para abastecer. Carlos Augusto reprova a atitude de desespero. “Não há gasóleo em bomba nenhuma. Acabaram com ele. As pessoas não pensam umas nas outras e assim não se pode fazer”.

Quanto à subida de preços… diz que é incompreensível. “A subida é um exagero. Já ele estava caro… isto para os nossos ordenados é muito”.

Margarida Lopes teve mais sorte porque procurava gasolina, o que ainda há, mas não aprova a atitude de ir encher o depósito por medo. “Achamos que vamos resolver o problema da subida com os litros a mais, mas só faz com que muita gente fique sem”.

A condutora já contava com a subida de preços, mas diz que é um exagero. “Já era expetável. Com a guerra aproveitam logo para inflacionar o preço dos combustíveis, mas é um exagero e vamos ver o que ainda vai subir mais”.

Segundo o funcionário de um dos postos de combustível mais movimentados da cidade, o gasóleo já acabou ontem à noite. A expetativa é que amanhã o haja de novo. “Logo desde as oito da manhã, até ao fim da noite, ontem, houve sempre gente sem parar. Quase toda a gente enchia o depósito e muitos encheram também jerricans que traziam. Hoje não há praticamente ninguém, vem uma pessoa ou outra para meter gasolina. Penso que amanhã já voltará a haver amanhã, de manhã, quando vier o camião abastecer”.

Estes aumentos refletem a subida das cotações internacionais dos produtos refinados, com o gasóleo a ser particularmente penalizado pela guerra no Médio Oriente, já que uma boa parte da produção petrolífera e do crude mais pesado da região do golfo Pérsico é canalizada para o gasóleo. Além disso, a Europa embora sendo excedentária na produção de gasolina é deficitária em gasóleo, adquirindo no golfo Pérsico uma parte relevante do gasóleo que importa.

Jornalista: Carina Alves

MULHER - A Gentil Camponesa


Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
És a gentil camponesa.

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És tu que não tens maldade,
És tu que tudo mereces,
És, sim, porque desconheces
As podridões da cidade.

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Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilusão:

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És como a rosa em botão,
Tu és pura e imaculada.
És tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado...

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Vestes-te, tratas do gado
Que há-de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
É grande a tua pureza,

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Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.

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Teus lábios nunca pintaste,
És linda sem tal veneno;
Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;

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És verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poderá parecer bela;

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Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.
Pois se te tenho na mão,
Inda assim acho tão pouco,

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Que sinto um desejo louco:
Guardar-te no coração!...
As coisas mais belas são
Como as cria a Natureza,

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E tu tens toda a grandeza
Dessa beleza que almejo,
Tens tudo quanto desejo,
És a gentil camponesa

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António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

O avô Domingos e a avó Almerinda

Por: Manuel Amaro Mendonça
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 “Assim estejam os meus inimigos” — Dizia Domingos, o meu avô materno, feliz, ao brindar com a família em volta da mesa farta das festas. Quase de certeza que não tinha inimigos, embora pudesse ter quem lhe invejasse a felicidade.

A vida não lhe fora fácil, embora parecesse melhor, quando eu comecei a ter perceção das coisas; era canalizador numa empresa do Porto, para onde teve muitas vezes de fazer o caminho a pé. Era de Alfena de onde tinha vindo, com o irmão, para São Mamede de Infesta para trabalhar numa padaria, onde dormiram muitas vezes.

Era eu criança e ia ter com ele ao tasco, onde parava antes de regressar a casa do trabalho. “Ó Fernando, serve aí um «simolzinho» ao meu neto.” — pedia, feliz.

Gostava de uma boa piada e o rádio lá de casa estava sempre sintonizado nos “Parodiantes de Lisboa”, parece que ainda hoje consigo ouvir um dos comerciais mais repetidos: “Ò Barnabé! Que é? Toca o tango!”

Calado e observador, tinha, no entanto, sempre um abraço e um sorriso acolhedor de boas-vindas.

A avó Almerinda não era avó de sangue, mas era-o de coração. Substituíra a minha verdadeira avó, que se fora desta vida aos 43 anos e que eu nunca conheci.

No seu trabalho, corria toda a freguesia com uma enorme canastra à cabeça onde transportava o pão que distribuía pelas freguesas. Quando chegava à casa, trazia sempre a sua parte no pão que eu e o filho dela, meu tio por parte do pai, comíamos avidamente, como se alguma vez tivéssemos tido fome.

Os Natais eram em casa deles, na Ilha do Costa, como cheiro a bacalhau cozido e do açúcar dos doces a misturar-se no ar. Uma “enchente de gente” numa casa pequena, com um coração que não se enchia.

Regavam-se os jantares com vinho branco e as sobremesas com espumante, porque “a água, quer-se morninha, mas para lavar os pés.” — dizia o avô por graça.

Aquela casa pequenina, no pátio rodeado de tantas outras, era o nosso destino tantas vezes que era como se fosse uma extensão da nossa, poucas centenas de metros dali. Naquela Ilha tinha vários familiares e amigos e era sempre o ponto de partida para as nossas “aventuras” na Fonte dos Alhos ou nas construções das casas e do campo de futebol do Infesta.

O avô gostava da boa paz e quando não estava em casa, estava no quintal, que cuidava com esmero. Os vasos de flores em cimento, feitos por ele, rodeavam a horta organizada e cavada.

Um dia, magoou-se a trabalhar no quintal e o ferimento acabou por infetar. Era uma época em que não havia INEM e os telefones fixos eram raros e certa noite foram chamar o meu pai para o levar ao hospital. Nunca regressou.

Alguns anos mais tarde, beneficiando dos apoios da câmara municipal, o meu tio e a mulher, que viviam com a mãe, mudaram-se para um apartamento, num bairro construído em parte do que foi a bouça da Fonte dos Alhos e deixaram a casinha na Ilha do Costa.

A avó, sim, porque sempre foi a minha avó, partiu muitos anos mais tarde, quase sem vista e sem saber onde estava.

A Ilha lá está, renovada e reconstruída, mas sem a magia e os personagens que foram parte da minha infância.


Manuel Amaro Mendonça
é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/