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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Eduardo Alberto Ferreira de Almeida - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 9.fevereiro.1918 – 19.março.1918
MIRANDA DO DOURO, 10.8.1887 – ?, 9.2.1967

Oficial da Marinha. Médico naval.
Licenciado em Medicina pela Universidade do Porto.
Governador civil de Bragança (1918).
Natural de Miranda do Douro.
Filho de António Augusto de Lima e Almeida e de Gracinda Augusta Ferreira.
Casou com Adriana Natália Calheira Viegas (6.8.1919), de quem teve dois filhos, Eduardo
Alexandre Viegas Ferreira de Almeida (n. 31.8.1920) e Adriano Alexandre Viegas Ferreira de Almeida (n. 2.12.1923).
Medalha de Prata Comemorativa das Campanhas do Exército Português, “Moçambique, 1914 a 1918” (1919). Medalha de Prata Comemorativa das Campanhas do Exército Português, “No Mar, 1916-1917-1918” (1919). Medalha da Vitória (30.10.1919).

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Assentou praça na Armada portuguesa como voluntário em 2 de setembro de 1907, ao mesmo tempo que prosseguia o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto – convertida, em 1911, em Faculdade de Medicina da Universidade do Porto –, que concluiu em 24 de julho de 1912, com classificação final de 14 valores.
A nota prévia à sua dissertação inaugural, intitulada Breve Estudo sobre a Endemo-epidemia palustre, deixa evidente o seu caráter contestatário e assertivo: “Coagido pela lei a apresentar como prova última do meu aproveitamento escolar este trabalho, não quero dispensar-me de levantar um enérgico e justo protesto contra tão absurda como inútil disposição. Não se pode exigir a quem, como eu, por razões de vária ordem, necessita concluir o seu curso no mínimo espaço de tempo, a apresentação de um trabalho com prurido de originalidade”.
Foi promovido a 2.º tenente médico em 17 de janeiro de 1914 e a 1.º tenente-médico em 29 de janeiro de 1918. Dias depois desta última promoção, foi nomeado governador civil de Bragança, por decreto de 9 de fevereiro de 1918, tomando posse a 19 do mesmo mês. Contudo, demorou-se no cargo apenas um mês, até 19 de março seguinte.
Teve uma participação muito ativa na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), primeiro na campanha de Moçambique e depois integrando a guarnição do contratorpedeiro Douro, que deu constantes comboios para Inglaterra, França e outros portos e prestou serviços de reconhecimento em águas vigiadas por submarinos alemães e em zonas infestadas de minas.
Em setembro de 1920, foi colocado em Moçambique, ao serviço do Ministério das Colónias, passando a residir na cidade da Beira.
Conheceu a sua última promoção a 30 de setembro de 1929, data em que alcançou a patente de capitão-tenente médico.
Faleceu em fevereiro de 1967, aos 79 anos.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Biblioteca Central de Marinha – Arquivo Histórico, Livro Mestre – Médicos Navais N.º 4.
Repositório Aberto da Universidade do Porto (disponível em repositorio-aberto.up.pt).
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.

Publicação da C.M. Bragança

Sr. Manuel Mirandela

ANUNCIADA A CRIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO "CÍRCULO DE AMIGOS E ADMIRADORES DO DOUTOR MIRANDELA"

 Mirandela passa a ter uma nova associação cívica. Foi apresentada, publicamente, no passado sábado. 


Trata-se da  Associação “Círculo de Amigos e Admiradores do Dr. Mirandela” que tem como principal função divulgar e promover a vida e a obra deste ilustre médico mirandelense, também reconhecido como o primeiro hidrólogo português, há mais de 300 anos.

Esta nova associação, presidida pelo médico mirandelense, José Manuel Pavão, antigo presidente da Assembleia Municipal de Mirandela, tem a intenção de “perpetuar a sua memória, reconhecendo o seu contributo científico e cultural, bem como fomentar iniciativas cívicas, educativas e culturais”, explica.

Chamava-se Francisco da Fonseca Henriques. Nasceu em 1665, em Carvalhais, no concelho de Mirandela. Estudou Medicina em Coimbra, exerceu em Chaves e em Mirandela e chegou à Casa Real, onde se tornou médico de D. João V. 

Mas não foi o brilho da corte que lhe deu o nome pelo qual atravessou os séculos. Chamaram-lhe Dr. Mirandela, porque, mesmo junto do rei, continuava a levar consigo a terra onde tinha nascido.

Distinguiu-se como um dos mais relevantes intelectuais da medicina portuguesa do período pré-iluminista, assumindo um papel singular de verdadeiro “arquiteto de pontes” entre o saber médico tradicional e uma abordagem mais empírica, racional e sistemática do conhecimento científico. 

Foi reconhecido como o primeiro hidrólogo português e autor de uma obra científica de excecional valor, entre a qual sobressai o “Aquilégio Medicinal” (1726), a sua obra mais conhecida e influente, constituindo o primeiro inventário sistemático das águas minerais, enquanto recurso terapêutico, do território nacional. 

No entanto, na terra que lhe deu o nome,

muitos ainda não sabem quem foi nem conhecem a dimensão da obra que deixou. “Não consegui explicar a mim mesmo, nem ninguém me explicou, dos eruditos da elite preparada para este efeito, por que razão as sucessivas gerações de mirandelenses não trouxeram à tona a figura que é notável. Não sei mesmo quem é que poderá demonstrar uma figura maior na história, nestes últimos 400 anos”, afirma.

É nesse contexto que surge esta nova associação que, no entender de José Manuel Pavão, é “um passo que vem preencher um vazio histórico e cultural”. O presidente desta nova associação, sublinha que a sua produção bibliográfica “é rica no número de publicações, mas é muito mais rica no conteúdo. Em pleno século XVIII, este doutor Mirandela apontou o mesmo caminho em relação à manutenção da boa saúde, daquilo que hoje nós vivemos, o ambiente, a alimentação, a medicina, e sobretudo, um trabalho que é inquestionavelmente um trabalho notável, gigantesco”, reitera.

O antigo presidente da Assembleia Municipal de Mirandela considera que o legado deixado pelo Doutor Mirandela tem de ser dado a conhecer “Temos a obrigação de transmitir, sobretudo à camada jovem, aos responsáveis políticos, esta figura que tem de ter uma projeção nacional. E cumpre aos cidadãos, ter esse papel de grande responsabilidade, a que o município e outras entidades, não podem furtar-se”, acrescenta.

Para já, a recém criada Associação tem priorizadas duas iniciativas: “Temos dois prémios para dar aos jovens do concelho, naturalmente, com temáticas à volta do doutor Mirandela, mas também queremos ser os pioneiros desta vontade de promover não apenas um livro fruto de investigação histórica, mas criar um monumento, que assinale, em definitivo, num espaço com dignidade, a figura de maior envergadura cultural que temos na nossa terra”, refere José Manuel Pavão. 

Entre as várias personalidades mirandelenses que fazem parte desta nova associação, está Isaltino Morais. O atual presidente da Câmara Municipal de Oeiras diz que “não podia deixar de aceitar este convite para integrar esta nova associação cívica e divulgar o trabalho deste ilustre conterrâneo”, ainda por cima, tratando-se de um convite protagonizado por José Manuel Pavão. “É o elemento de união. Ele é, de facto, um homem extraordinário, dedicado a muitas causas, mas, sobretudo, ele é praticamente da minha infância e tenho uma admiração enorme por ele, há muitos anos”, conta Isaltino, reforçando a ideia de que “é um excelente pretexto para o aparecimento de uma nova associação que, tendo como figura central uma personalidade que, na época, foi realmente extraordinária, uma referência de persistência, de estudo, de rigor, tudo aquilo que nos faz falta”, afirma

Par o autarca de Oeiras, “ir buscar personalidades como esta, do doutor Mirandela, é realmente chamar a atenção que as coisas, mesmo perante as maiores adversidades, as maiores dificuldades, são sempre possíveis de realizar”. 

Está apresentada a mais recente associação cívica de Mirandela. A Associação “Círculo de Amigos e Admiradores do Dr. Mirandela”, para resgatar a sua memória, dar a conhecer a sua vida e devolver este legado à comunidade a que pertence. 

Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)

" Nas escombreiras do amor" - Capítulo III

Por: Luís Abel Carvalho
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


...continuação

O neto era um menino de rosto redondo e suave. O olhar era manso e assustado, quase sofrido. Tinha olhos redondos, esverdeados, quase esféricos, entre o verde oliva e o verde musgo, cor do limo. Parecia que tinha medo do mundo!  O cabelo era loiro, como o trigo quando está pronto a ser ceifado. A avó devotava àquela criança sentimentos generosos. O neto seria o seu primeiro apoio na queda constante e interminável da vida. Era aquele neto a única ponte para o passado. Era o suporte derradeiro da sua esperança. Todo o resto se ia esboroando dentro de si. Ao amar assim tanto o neto, Tia Inácia criava alguma coisa, tinha uma fé e sentia-se útil. Sabia que a sua vida não seria inútil. Na maioria das vezes a nossa maior frustração é não compreendermos a utilidade daquilo que fazemos. Na verdade, grande parte das coisas que fazemos, são inúteis; fazêmo-las maquinalmente, sem uma entrega absoluta. Quantos de nós passamos uma vida inteira num emprego que detestamos? Chegamos ao local de trabalho já irritados e cansados pelo atraso e aperto nos transportes e pela má educação de quem se cruza connosco. Mal começa o dia, começamos logo a bocejar implorando que chegue a hora de sair para no dia seguinte desejarmos o mesmo! No entanto, o lavrador, por exemplo, sabe que aquilo que nasce e que colhe, foi ele que semeou, foi ele que criou! Tia Inácia não teve medo. Encarou com coragem a responsabilidade de criar o neto.

    Tia Inácia cismava na vida e na morte, principalmente nesta. Arremessava no cinzento negro do amplo espaço celestial e para a nudez fria dos montes gritos de alma dilacerada. Trazia a dor escrita na cara. Deixamos de viver quando só se vivemos a dor. É importante a maneira como morremos. Não tanto para quem parte, mas mais para quem fica. Se soubermos que os nossos entes queridos morreram em paz, em conforto e rodeados de carinho, isso apazigua-nos a alma até à nossa vez.

    Ouviam-se, quase continuamente, fortes rajadas de vento no colmo do telhado e no souto de castanheiros que havia nas traseiras da casa. O vento bufou tanto durante a noite toda e com tanta ferocidade, que mais parecia uma ninhada de gatos assanhados. Por outro lado, os pardais e os estorninhos protestavam veementemente contra a ousadia vendaval, que sacudia ferozmente os ramos dos castanheiros. 

    Durante a noite o menino teve pesadelos. Mexia-se e gemia muito, de maneira aflitiva. Mostrava-se inquieto, impaciente e atormentado.

- Ó qu´é que tães, que num páras cos obos? Inté parece que tães bitchos carpinteiros!!- perguntou-lhe a Avó, preocupada.

- É um anxo que ´tá qui, a ri pa mim - disse com voz suave e macia, num murmúrio.

- Um anjo?! - perguntou a Avó admirada. - Pois ´stás com sorte, porqu´a mim só m´aparecem demónios. E o Anjo era bonito?

- Eia, xim. Tinha cabelo compido e baba tamãe compida. Dixia qué pa me potegê- respondeu com alguma satisfação na voz. – Paexe aquele que tá penduiado na cuz, na ingueja e na capeia de Xanta Bába! – acrescentou quase em sussurro.

    A avó abraçou o menino contra si com afecto e com carinho e embalou-o com toda a doçura e assim adormeceram novamente até ao luzir do colmo.

    Na verdade, à Avó só lhe povoavam os sonhos lembranças desagradáveis: as valentes surras que levou da Mãe enquanto criança, as vezes que mijou pelas pernas abaixo para as aquecer, a perda inesperada do Pai e os valentes tabefes e as frequentes arrochadas do Tchico Zé . Os bons tempos de criança trazem sempre muita saudade e vontade de a eles regressar. Recordava também a fome e o frio, rota, suja e descalça no Inverno.  Quantas vezes os pés lhe verteram sangue de andar descalça pelos montes, em busca de uns fustos para acender o lume! Mas essas não eram as piores recordações e as que mais a afligiam. Essas aceitava-as e compreendia-as no contexto da época, mas a vida desgraçada que levou depois de adulta, essa é que a martirizava e a punha de mal com o mundo e com Deus. Tudo isso a tornou num pedaço frio de gelo, quase sem emoções. Apenas a ternura pelo neto a aproximava do humano! Só o amor àquela criança lhe preenchia de sol um pouco o coração cheio de fel, de onde só brotavam palavras avinagradas, cheias de pus. Era um amor incontrolável como uma trovoada de granizo em Agosto, aquele que dedicava ao menino.

    Antes de adormecer recordou-se de duas conversas inocentes que tinham tido numa noite de lua cheia, sentados em frente da casa:

- Ó Bójinha! Aqueia lua ´stá bonita!!

- É berdade! Munto linda! É a lua tcheia.

- A oita da oita noite taba stagada. Chá eia belhota.

- Qual?

- A oita da oita noite. Até taba patida e tudo...Só tinha métade, no eia?

- Pois era. Tchama-se quarto crescente.

- Atão a oita pate caiu pa onde? Xe calhar caiu no rio.

- Num caiu – riu-se a Avó afagando-lhe a cabeça. - ´Staba lá toda, só que num se bia!.

    Numa outra noite em que ambos apreciavam a beleza da lua cheia, perguntou-lhe o neto.

- Ó Bójinha! Aqueias xombas petas da lua, xão os montes?

- Aquilo ´scuro que se bê, é um home com as silbas às costas.

- Aí é?! E num cai?

- Não. E sabes porqu´é que ´stá lá?

- Não. Poquê?

- Porque andabá trabalhar ó Domingo, imentes dir à missa! Foi cortar silbas nas paredes dum prédio. Ós Domingos num se pode trabalhar, porqué o dia do Senhor. Atão, pra castigo, Deus posi-o lá na lua, pra todá gente o ber e serbir d´inxemplo.

    Houve uma outra vez que lhe perguntou se as nuvens eram feitas de açúcar!

    A solidão dominava a sua vida e tinha secado a fonte da coragem de viver. Tia Inácia era pragmática; não ia para além do que via. O rio, os montes, os pássaros e o gato, eram apenas o rio, os montes, os pássaros e o gato. Nada mais do que o real palpável e tangível ao primeiro olhar. Não tinha curiosidade em saber o que não sabia, pois o que não sabia poderia ser muito pior do que aquilo que sabia. Sabia o que sabia e isso bastava-lhe. O que não sabia não lhe atormentava a alma. Recebia a desgraça como um mal necessário à vida e recebia-o como a um hóspede que se aloja temporariamente em nossa casa, sem o questionar.

    Poucos restos de uma felicidade passada lhe sobravam que lhe dessem esperanças para o futuro. Ia buscar desalmadamente a energia ao amor do neto. Quantas pessoas no mundo não têm isso, sequer?! Deu voltas à vida a digerir os pesadelos do passado e a ruminar o presente. O futuro, tal como o passado, apresentava-se-lhe como uma negra e espessa floresta de ralações, cheia de predadores. Mas é no passado que o futuro cria raízes. Pelas frinchas do telhado de colmo, além de um luar claro, manso e tristonho de fim de Inverno, entravam-lhe também as saudades no coração.

FIM

Fontes de Carvalho

Lê aqui o Capítulo II.

Lê aqui o Capítulo I.


Fontes de Carvalho
, pseudónimo de Luís Abel Carvalho, nasceu no Larinho, uma aldeia transmontana do Concelho de Torre de Moncorvo, Distrito de Bragança. É o filho do meio de três irmãos.
Estudou em Moncorvo, Bragança e no Porto, onde se formou em Engenharia Geotécnica. É casado e Pai de três filhos.
Viveu no Brasil, onde passou por momentos dolorosos e de terror, a nível económico e psicológico. Chegou a viver das vendas de artesanato nas ruas e a dormir debaixo de Viadutos.
No ano de 1980 e 1981 foi Professor de Matemática em Angola, na Província de Kwanza Sul, em Wuaku-Kungo. Aí aprendeu a desmistificar certos mitos e viveu uma realidade muito diferente da propagandeada.
Em Portugal deu aulas de Matemática em diversas cidades, nomeadamente em São Pedro da Cova, Ponte de Lima, Cascais (na Escola de Alcabideche, onde deu aulas aos presos da cadeia do Linhó), Alcácer do Sal, Escola Francisco Arruda e Luís de Gusmão, em Lisboa. Frequentou durante quatro anos, como trabalhador-estudante, o curso de Engenharia Rural, no Instituto Superior de Agronomia.
Em 1995 fundou a empresa Bioprimática – Reciclagem de Consumíveis de Informática, onde trabalha até hoje como sócio-gerente.

ALBUFEIRA DO AZIBO CONSAGROU VENCEDORES DA 4.ª ETAPA DO CIRCUITO NACIONAL DE VOLEIBOL DE PRAIA

 A Praia da Ribeira, na Albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, voltou a afirmar-se como um dos grandes palcos do voleibol de praia nacional ao receber, durante três dias, a 4.ª etapa do Circuito Nacional de Voleibol de Praia 2026, competição que reuniu algumas das melhores duplas portuguesas e proporcionou um espetáculo desportivo de elevado nível.


A prova terminou este domingo com a disputa das finais, que coroaram as duplas vencedoras da etapa. No setor feminino, Pinheiro/Castro conquistaram o primeiro lugar após derrotarem Loureiro/Paquete, enquanto, na competição masculina, Sousa/Sousa superiorizaram-se a Pombeiro/Borlini, assegurando o triunfo na etapa transmontana do circuito.

Ao longo do fim de semana, atletas e público viveram jornadas marcadas pela competitividade, pela qualidade técnica dos jogos e pelo ambiente de convívio, num cenário natural de excelência que voltou a demonstrar o potencial da Albufeira do Azibo para acolher grandes eventos desportivos.

O regresso do Circuito Nacional de Voleibol de Praia a Macedo de Cavaleiros, nove anos depois, foi amplamente elogiado pelos participantes e adeptos da modalidade, reforçando a aposta do concelho na promoção do desporto e na valorização dos seus recursos naturais como palco privilegiado para competições de dimensão nacional.

A organização destacou o sucesso da iniciativa e o forte envolvimento de atletas, equipas, voluntários e público, fatores que contribuíram para consolidar esta etapa como um dos momentos mais marcantes do calendário nacional da modalidade.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Fotos: DR

Pombal de Ansiães volta a ser palco do Festival de Artes com teatro, pintura e exposições

 Está a decorrer até 9 de agosto o FARPA 2026 – Festival de Artes de Pombal de Ansiães, no concelho de Carrazeda de Ansiães, que mais uma vez eleva a cultura local, cruzando disciplinas como a música, o teatro, a dança, o cinema, a performance e as artes plásticas. Os artistas locais e regionais estão em destaque.


Organizado pela Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães, o festival promete uma semana intensa de atividades que se iniciam esta segunda-feira com a inauguração oficial das exposições pelas 16:00, destacando trabalhos como Reflexos na ponta do Lápis, A Ilustração como estratégia de criação de valor acrescentado, Transparências e Vestígios e A Casa Eterna. O momento solene de abertura contará com a atuação da Academia Sénior de Carrazeda de Ansiães e um Porto d'Honra, seguindo-se a performance “Lembra-me do nome das coisas” e o espetáculo de comédia com Sor Miguel e Bicalho.

Festas, Festividades e Eventos

Eclipse solar em Outeiro

domingo, 2 de agosto de 2026

EMPRESTO-VOS OS MEUS SAPATOS DE SALTO ALTO

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


Calçai-os e percorrei os caminhos que eu percorri. Descobrireis que nem sempre vesti de rosa, e que nem todas as estradas foram feitas de flores; muitas foram tapetes de pedregulhos afiados que me rasgaram a pele, a esperança e a alma. 

A cada passo, o equilíbrio foi uma batalha e o sorriso, um ato de coragem. O vento deu-me o perfume da liberdade, mas também o eco das lágrimas que aprendi a secar sem testemunhas.

Quando calçarem os meus sapatos de salto alto, ireis sentir o silêncio ensurdecedor das noites em que o coração sangrou sem deixar manchas, o peso das palavras que nunca disse e das cicatrizes que o tempo apenas me ensinou a esconder. Percebereis que há dores que moldam para sempre a forma como caminhamos.

Depois, devolvei-me os meus sapatos. Olhai-me nos olhos e perguntai ao vosso coração se ainda encontra razões para me julgar. Porque só quem atravessa os espinhos conhece o verdadeiro valor de cada passo dado. E talvez, nesse instante, compreendais que aquilo a que chamais fraqueza foi, a força silenciosa que me impediu de desistir.

M.C.M (São Marques)


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

Sr. Inocêncio Pereira

Quando eu morrer…*

Por: Carlos Pires,  inVERSOS, 1973
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


Quando eu morrer…
Quando deixar de ver guerras,
Bichos, bestas, papões, oportunistas,
Intrujões e malfeitores…
Quando deixar de ver um Sol mal repartido,
Banquetes de papanças, festanças com fantoches,
Homens de cilha na barriga e sobrecarga no bandulho,
Almas sem pão no inferno da miséria,
Bocas sem paz na paz das injustiças
E monstros a brincar aos soldadinhos
Incutindo, heroicamente, amor ao ódio na destruição da Humanidade…
Abra um Sol novo que os pobres ilumine!
Haja um novo Mundo, sem raças, distinções!
Haja paz, sossego, em TODAS as nações!

Quando eu morrer…
Quando me gelar o céu da boca,
Que toda uma mudança neste mundo seja pouca!
As mãos se apertem em paz e amizade
E os pobres façam parte de uma só Humanidade!

Quando eu morrer…
Seja a morrer o chefe dos cruéis,
Recomece-se outra história,
Legislem-se outras leis,
Festeje-se com palmas a palma da vitória!
E dançai! Pulai! Cantai!
Contratai, familiares, os bailarinos mais briosos,
Toquem a despique os conjuntos mais famosos!

Quando o frio me gelar,
As fanfarras não parem de tocar!
Haja sarabanda e reboliço,
Metam-lhe bons copos,
Festejando a união,
O branco, o preto e o mestiço!
Ouça-se o batuque,
Dance-se merengue, valsas, tangos e balé!
Baloucem ancas,
Gozem corpos,
Cante-se em tom alto, bem de pé,
Um coro bem alegre e vivo contra os mortos!

Quando eu morrer…
Seja Primavera!
Gorgolejem, cristalinas, as águas dos ribeiros,
Escambalhem-se os botões em rosas a sorrir,
O Sol espreite, lindo, no cimo dos outeiros,
E os prados sejam camas onde vós possais dormir!

Quando eu morrer…
Não haja diferenças de brancas e de pretas,
E venham para o baile cegos, coxos e manetas!
Cumpra-se o que digo
E os mortos se levantem do fundo do jazigo!
Ladrem os cães,
Os lobos soltem uivos,
Relinchem os cavalos,
Entoem bem os burros!
Que à minha morte morra a “caridade”,
Se respeitem os direitos,
Se implante a igualdade!
Que à minha morte os pobres tenham sorte.
E toda a Terra, o Mundo, o Universo,
Saibam que quem morreu
Fui eu! Fui eu!

*O poema “Quando eu morrer…”, publicado em plena ditadura em in VERSOS - primeiro livro do autor, composto e impresso na Escola Tipográfica de Bragança em 1973 -, foi inspirado num dos mais emblemáticos poemas de Mário de Sá-Carneiro, "Fim".


Carlos Pires
é natural de Macedo de Cavaleiros, tendo adoptado a pequena aldeia de Meles, onde crestou à  solta nas férias grandes, como o seu verdadeiro berço. Como jornalista, fez parte das Redações do "Tempo", "Portugal Hoje", " Primeira Página", "Liberal", "Semanário" e da revista de economia "Exame" (de que foi editor). Em Bragança, colaborou no semanário "Mensageiro de Bragança" (1970-72), tendo sido co-fundador do semanário "ÈNÍÉ - uma voz do Nordeste Português" (1975) e da publicação  "Domus", da Casa de Cultura da Juventude de Bragança (1977-78).
Foi assessor de imprensa de Maldonado Gonelha, ministro da Saúde (1983-85).
Entrou para o Infarmed em fins de 2000, depois de ter sido assessor de imprensa da ministra Elisa Ferreira, nos dois governos de António Guterres, primeiro no Ministério do Ambiente, depois no Planeamento (1995-2000).
No Infarmed criou o Gabinete de Imprensa, tendo sido porta-voz da instituição durante mais de uma dúzia de anos.
Alguns aspetos marcantes: a iniciativa da realização de um curso para jornalistas (2001), ministrado por peritos do Infarmed, em que os principais órgãos de informação estiveram representados, sobre o ciclo de vida do medicamento; a elaboração do jornal da instituição, "Infarmed Notícias", trimestral (de que é coordenador/editor/redator). A edição especial de Janeiro de 2018, com 120 testemunhos sobre o INFARMED na altura conturbada da ideia controversa da sua deslocalização para o Porto (depois editada em livro); e ainda a publicação de um livro, editado pela Âncora, "Redondilhando", que nasce no seio da instituição e cujo prefácio foi assinado por Ernesto José Rodrigues.

7 eventos do céu nocturno para observar em Agosto

 Este mês traz-nos um elenco excepcional de eventos celestiais, com alinhamentos raros, meteoros brilhantes e eclipses dramáticos iluminando o céu.

Lorenzo Di Cola/ NurPhoto, Getty Images - A lua cheia do “esturjão” ergue-se atrás do castelo de Rocca Calascio e da Igreja de Santa Maria della Pietà, na cidade italiana de Rocca Calascio. A lua cheia de Agosto coincide com um eclipse lunar quase total.

Os observadores celestes esperaram o ano inteiro por este Agosto recheado de acção – um mês com um excepcional eclipse solar total visível sobre uma faixa da Europa e condições quase perfeitas da chuva de meteoros das Perseidas.

E isso é apenas o começo. Os céus nocturnos de Agosto exibirão ainda agrupamentos de planetas, um segundo eclipse e uma Lua cheia.

Saiba como desfrutar ao máximo dos eventos celestes deste mês, incluindo para onde olhar – e quando.

Todo o mês de Agosto: Agrupamento de planetas antes da alvorada 

O oitavo mês do ano traz-nos um desfile planetário matinal, com Marte, Úrano, Saturno e Neptuno visíveis durante várias horas antes do nascer do Sol. Precisará de um telescópio ou de uns bons binóculos para ver Úrano e Neptuno. Cerca de uma hora antes de o Sol nascer, Mercúrio e Júpiter juntam-se ao espectáculo mesmo acima do horizonte a nascente.

Para desfrutar da melhor vista, saia na noite de 4 de Agosto para ver a Lua e Saturno viajarem juntos: estarão visíveis pouco depois do pôr do Sol. Poucos antes de o Sol nascer entre os dias 8 e 11 de Agosto, começa outro espectáculo: um alinhamento planetário sobre o horizonte a nascente, com Júpiter, Mercúrio, Marte e a Lua a formarem uma linha diagonal. É uma representação visual da eclíptica – o plano que todos os planetas seguem ao orbitar o sol.

2 de Agosto: Mercúrio na sua maior elongação ocidental 

O veloz Mercúrio costuma estar demasiado perto do Sol para ser fácil de detectar. No dia 2 de Agosto, a vista melhora quando o planeta atinge a sua maior elongação ocidental, ou seja, a maior separação aparente do Sol. O momento coincide perfeitamente com o desfile planetário matinal de Agosto. Fique atento ao planeta veloz, que se junta a muitos outros dos nossos vizinhos interstelares, nas horas que antecedem a alvorada – sobretudo no início do mês.

BABAK TAFRESHI, National Geographic Image Collection - Uma imagem composta de dia-e-noite mostra um eclipse solar total sobre as montanhas de Grand Teton e do Lago Solitude, no estado americano do Wyoming. O eclipse solar total deste ano será visível ao longo de uma faixa estreita desde a Gronelândia a Espanha.

12 de Agosto: Eclipse solar total

Em meados deste mês teremos o tão aguardado eclipse solar total. Esta maravilha, que ocorre quando a Lua se desloca entre a Terra e o Sol, trará um crepúsculo temporário à estreita faixa de totalidade da Europa, que inclui sobretudo a região oriental da Gronelândia, a região ocidental da Islândia e o norte de Espanha, onde a totalidade – quando a Lua cobre toda a nossa estrela brilhante – ocorrerá ao fim da tarde e durará entre um e pouco mais de dois minutos. Mas não só: em Portugal, o eclipse também será visível na totalidade numa estreita faixa do nordeste transmontano, nas proximidades de Bragança e do Parque Natural de Montesinho.

Não se esqueça de garantir a sua segurança observando o eclipse com uns óculos especiais.

12-13 de Agosto: Pico da chuva de estrelas das Perseidas 

As Perseidas são um evento essencial da observação celeste estival e, neste ano, vão dar um espectáculo fabuloso. O pico da chuva de meteoros, a 12-13 de Agosto coincide com uma Lua nova, o que significa que a Lua não obstruirá o espectáculo das Perseidas. Com o céu escuro, poderá ver mais de 100 meteoros por hora. As Perseidas são conhecidas pelo seu rasto excepcionalmente luminoso – o traço que segue a rocha espacial quando esta atinge a nossa atmosfera superior. A melhor altura para observar é entre a meia-noite e o nascer do Sol.

Alan Dyer/VWPics, Redux - Dezenas de meteoros das Perseidas rasgam o céu nocturno sobre o parque Dinosaur Provincial Park, em Alberta, no Canadá, durante a chuva de meteoros anual no dia 12 de Agosto de 2023. Neste ano, o pico das Perseidas ocorrerá em céus escuros e sem luar, proporcionando as melhores condições dos últimos anos.

27-28 de Agosto: Eclipse lunar quase total 

Na noite de 27 para 28 de Agosto, se as condições meteorológicas o permitirem, Portugal poderá observar um eclipse lunar parcial muito profundo, durante o qual a sombra da Terra cobrirá cerca de 96% do disco da Lua cheia.

Embora não se trate de um eclipse lunar total – e, por isso, a Lua não adquira a característica tonalidade avermelhada de uma Lua de Sangue –, a parte eclipsada poderá apresentar um subtil brilho alaranjado ou acobreado, resultado da luz solar refractada pela atmosfera terrestre. A Lua estará visível no horizonte sudeste ao início da noite e o eclipse poderá ser acompanhado durante várias horas, atingindo o seu ponto máximo já na madrugada de 28 de Agosto. 

28 de Agosto: Lua cheia do “esturjão” 

Embora a noite de 27 para 28 de agosto seja a mais indicada para observar o eclipse lunar parcial que acompanha esta fase, também valerá a pena contemplar o nascer da Lua após o pôr do Sol do dia 28 de Agosto, quando surgirá no horizonte com um aspecto particularmente brilhante e majestoso. Esta Lua cheia é conhecida como Lua cheia do “Esturjão” devido à proliferação de esturjões nos Grandos Lagos e no Lago Champlain, situado no Nordeste dos EUA, segundo o The Old Farmer’s Almanac.

30-31 de Agosto: A Lua aproxima-se de Saturno

A Lua encerra este mês cheio de emoções com a aproximação de Saturno na noite de 30 para 31 de Agosto. A dupla aparecerá separada por cinco graus, cerca de três dedos. Veja-os subir juntos no céu no horizonte a nascente cerca de duas horas depois do pôr do Sol. O par viajará junto ao longo da eclíptica durante a noite, desaparecendo quando o Sol nascer. O resto do desfile planetário deste mês seguirá no seu encalce, incluindo Marte e Júpiter, que serão os planetas mais visíveis a olho nu.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Stephanie Vermillion
Actualizado a 1 de agosto de 2026

Festas, Festividades e Eventos

Estas descobertas só foram possíveis graças aos eclipses solares

 Desde a descoberta do hélio à confirmação da teoria de Einstein, os eclipses permitiram observar fenómenos de outra forma invisíveis e mudaram para sempre o nosso conhecimento do universo.

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Os eclipses solares possibilitaram algumas das maiores descobertas da história da astronomia. Graças aos escassos minutos durante os quais a Lua oculta o disco solar, os investigadores conseguiram estudar regiões normalmente ofuscadas pelo seu brilho intenso e resolver enigmas que pareciam inatingíveis.

Embora disponhamos actualmente de telescópios espaciais e satélites sofisticados, os eclipses continuam a proporcionar-nos oportunidades únicas. A própria natureza cria o coronógrafo perfeito, bloqueando o Sol com uma precisão impossível de reproduzir com a engenharia humana e revelando uma física que permaneceria de outra forma oculta.

O eclipse que descobriu um elemento antes de este existir na Terra

Um dos episódios mais extraordinários da história da ciência aconteceu no dia 18 de Agosto de 1868. Durante um eclipse solar total, o astrónomo francês Pierre Janssen detectou uma linha amarela desconhecida no espectro das protuberâncias solares. Pouco depois, o astrónomo britânico Norman Lockyer concluiu que aquele sinal não correspondia a nenhum elemento conhecido.

Assim nasceu o hélio, o único elemento químico descoberto primeiro no Sol e só décadas mais tarde na Terra. Lockyer deu-lhe esse nome em homenagem a Hélio, o deus grego do Sol, muito antes de ser possível isolá-lo em minerais terrestres, algo que só sucedeu em 1895.

Aquela descoberta marcou o nascimento da astrofísica moderna. Demostrou que era possível conhecer a composição química de estrelas situadas a milhões de quilómetros através da espectroscopia, uma técnica que ainda hoje é fundamental para o estudo do universo.

Quando um eclipse transformou Einstein numa celebridade mundial

Se existe um eclipse que mudou a história da ciência, foi o de 29 de Maio de 1919. Albert Einstein previra que a gravidade do Sol deformava o espaço-tempo e desviava ligeiramente a luz proveniente de estrelas distantes. O problema era evidente: quando o Sol brilhava, essas estrelas eram completamente invisíveis.

Durante a totalidade, o astrónomo Arthur Eddington fotografou o céu a partir da ilha de Príncipe, enquanto outra expedição o fez a partir de Sobral, no Brasil. Comparando essas imagens com fotografias captadas alguns meses antes, foi comprovado que as posições aparentes das estrelas coincidiam com as previsões da relatividade geral.

Aqueles poucos minutos foram suficientes para transformar a forma como vemos o universo. A gravidade deixou de ser considerada uma força convencional e passou a ser interpretada como uma curvatura do espaço-tempo.

NASA - Da esquerda para a direita, um eclipse solar total, um eclipse solar anular e um eclipse solar parcial. Um eclipse híbrido apresenta-se como um eclipse total ou anular (imagens esquerda e central), consoante a localização do observador.

A corona solar: um laboratório natural que continua a surpreender

Durante muito tempo, acreditou-se que a corona solar era simplesmente um halo ténue que circundava o Sol. No entanto, os eclipses revelaram uma realidade muito mais complexa. Os espectros obtidos durante diferentes fases da totalidade mostravam umas linhas misteriosas que os cientistas atribuíram inicialmente a um elemento inexistente chamado corónio. Décadas depois, descobriu-se que aqueles sinais eram emitidos por ferro extremamente ionizado, algo que só poderia ser produzido se a coroa alcançasse temperaturas superiores a um milhão de graus.

A descoberta desconcertou completamente a comunidade científica. A superfície visível do Sol ronda os 5.500°C e a atmosfera exterior é centenas de vezes mais quente – um paradoxo cujo mecanismo exacto continua a ser estudado.

Os eclipses também revelaram que a corona é formada por filamentos, arcos de plasma e anéis gigantes moldados por campos magnéticos intensos. Graças a essas observações, foi possível compreender melhor a origem do vento solar, as erupções de massa coronal e a relação estreita entre a actividade magnética do Sol e o chamado clima espacial.

Luis Rojas M - Corona solar. Eclipse solar total de 2019, Valle de Elqui, no Chile. Durante o período de actividade solar mínima, é possível observar os campos magnéticos dos eixos norte e sul do Sol na quietude da corona.

Longe de terem perdido o interesse, os eclipses continuam a ser essenciais para a investigação. Existe uma região estreita situada junto à borda do Sol que até os melhores coronógrafos artificiais têm dificuldades em observar, enquanto a Lua a oculta de forma perfeita durante alguns minutos. Essa vantagem explica a razão pela qual a NASA organizou dezenas de experiências durante o eclipse total de 2017 para melhorar os seus modelos do vento solar e do clima espacial.

Os eclipses também permitiram cartografar o relevo da borda da Lua através das famosas contas de Baily – pequenas pérolas luminosas que aparecem imediatamente antes e depois da totalidade. Durante séculos foram a ferramenta mais rigorosa para estudar as montanhas, vales e crateras do limbo lunar, muito antes do advento das sondas espaciais.

A sua utilidade não se fica por aqui. As crónicas sobre eclipses observados há mais de dois mil anos tornaram-se um precioso registo geofísico. Comparando essas descrições históricas com os cálculos orbitais actuais, os investigadores reconstruíram pequenas variações na velocidade de rotação da Terra causadas pelas marés e outros processos internos, fornecendo assim informação impossível de obter com outros métodos.

Afinal, os eclipses evocam uma ideia fascinante. Durante poucos minutos, a Lua e o Sol protagonizam um alinhamento perfeito que transforma o céu num laboratório irrepetível. Nesse breve intervalo, o brilho que normalmente oculta a corona desaparece e o universo revela alguns dos seus segredos mais profundos. É uma demonstração de que, até na era dos telescópios espaciais, a natureza continua a ser capaz de construir o instrumento científico mais rigoroso de todos.

Sergio Parra
Actualizado a 30 de julho de 2026

A fíbula dos Bragança

Uma investigadora portuguesa analisa um velho artefacto das colecções reais à luz de uma história da medicina.

ALAMY E CATARINA JANEIRO, CORTESIA DO MUSEU BRITÂNICO- FONTE: "THE BRAGANZA FIBULA: MEDICINE PORTUGAL AND GALICIA" (CATARINA JANEIRO E JOSÉ PAULO ANDRADE) - A fíbula de Bragança tem sido interpretada pelos especialistas que lhe dedicaram atenção como um amuleto ou ídolo de função protectora, talvez um presente a alguém de estatuto elevado.

À sua maneira, a fíbula dos Bragança conta uma história do século XX português. Não se sabe de que ponto do país provém esta extraordinária peça votiva à qual os especialistas atribuem uma datação entre os séculos IV e II a.C., mas ela terá integrado a colecção de antiguidades de Dom Fernando, rei consorte de Dona Maria II.

Do rei, é legítimo deduzir que passou para as mãos de Dom Afonso, duque do Porto e irmão de Dom Carlos. Com a morte desta figura, em 1920, a peça tornou-se propriedade da sua esposa, uma socialite norte-americana chamada Nevada Hayes, que consumiu boa parte dos seus anos finais reclamando ao Estado português os bens que deixara em Portugal. A fíbula, porém, não constava nos inventários, o  que sugere que a viúva a levou de imediato para os Estados Unidos.

O novelo voltou a adensar-se na década de 1940, quando o joalheiro Warren J. Piper a adquiriu aos herdeiros de Nevada. Em 1949, a qualidade da ourivesaria chamava a atenção de alguns especialistas e a peça figurou pela primeira vez num catálogo. Anos depois, foi adquirida pelo coleccionador de Illinois Thomas Flannery, que enviou fotografias da peça para várias autoridades, cativando historiador de arte Ole Klindt-Jensen, que a deu a conhecer ao mundo em 1960. Cinco anos mais tarde, a peça foi exibida numa exposição em Edimburgo (Escócia).

O Museu Britânico mantinha a fíbula debaixo de olho e, no início do século XXI, quando a Christie’s a levou a leilão, a peça foi arrematada. Depois disso, voltou a ser mostrada em 2007 numa exposição em Madrid sob tema O Herói e o Monstro e começou a ser valorizada como importante ícone de uma cultura ibérica da Idade do Ferro, talvez propriedade de um chefe que quis transpor para o objecto a cosmovisão do seu povo.

Catarina Janeiro é historiadora da medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e tem sido uma das responsáveis pela reabilitação do conhecimento sobre este artefacto, divulgando-o em congressos e chamando a atenção para as semelhanças do mesmo com outros artefactos coevos da região noroeste da Península Ibérica. “Eu creio que há um significado telúrico na fíbula”, diz. “A sociedade da Idade do Ferro dividia-se na tríade entre sacerdotes, artesãos e guerreiros. Os guerreiros e os sacerdotes usavam a magia de diferentes formas para protegerem o seu povo, mas carácter sagrado do seu mundo traduzia-se nos seus objectos.”

Não se sabe muito sobre a proveniência da peça, mas, por afinidade tipológica com a dezena de objectos similares, muitos especialistas concordam que deverá ter feito parte de um enxoval de uma cultura de inspiração celtibera da Galiza ou do Norte de Portugal.

Em 2023, Catarina Janeiro teve acesso à peça no Museu Britânico e teve então oportunidade de estudar melhor este extraordinário objecto de ouro maciço. “O tipo de capacete monte-fortino e a bainha da espada remetem para este universo cultural, mas interessa-me mais o uso que a peça poderia ter.” A historiadora acredita que a peça estabeleceria a ligação possível com o universo mágico destas comunidades. “O médico moderno é o repositório de ciência, mas já foi muitas coisas na história da nossa espécie: já foi druida e sacerdote e, neste contexto, acredito que esta peça destinava-se a proteger alguém, tal como ainda hoje se oferecem no Norte alfinetes e crucifixos de ouro aos bebés.” Longe do país há mais de um século, talvez a fíbula dos Bragança possa um dia regressar.

INTERPRETANDO A FÍBULA DE BRAGANÇA

ALAMY E CATARINA JANEIRO. CORTESIA DO MUSEU BRITÂNICO. FONTE: “THE BRAGANZA FIBULA: MEDICINE, PORTUGAL AND GALICIA”, CATARINA JANEIRO E JOSÉ PAULO ANDRADE (2026)

Com evidentes paralelos com artefactos zoomórficos de Briteiros, Braga, Penafiel e Marco de Canaveses, entre outros sítios arqueológicos da Idade do Ferro, a peça reproduz a cosmovisão celtibera de representação do divino através de um animal. O monstro marinho a que os gregos mais tarde chamaram Ceto (1) desafia o guerreiro que segura um escudo como protecção (2). O javali, regularmente associado ao submundo, puxa na direcção contrária (3). “O torneado lembra uma trompa uterina (4) talvez para representar as águas de onde se nasce”, diz Catarina Janeiro. “E o formato parece um círculo. O rapaz nasce das águas e volta ao submundo.” 

Artigo publicado originalmente na edição nº 30 da revista National Geographic História.

Gonçalo Pereira Rosa
Actualizado a 29 de julho de 2026

IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA SERRA REGRESSA ÀS PROCISSÕES EM VILARINHO DA CASTANHEIRA

 A freguesia de Vilarinho da Castanheira, no concelho de Carrazeda de Ansiães, prepara-se para viver mais uma edição das Festas em Honra de Nossa Senhora da Assunção, este ano marcada pelo regresso da imagem restaurada de Nossa Senhora da Serra, uma peça de elevado valor histórico e religioso para a comunidade.


A imagem voltará a integrar a tradicional procissão do primeiro domingo de agosto, retomando uma tradição com vários séculos de existência. De acordo com os registos históricos, já em 1758 existia, no alto da serra, uma capela dedicada a esta invocação mariana.

Ao longo de décadas, a imagem foi transportada em procissão até ao cimo da serra, uma prática que continua a ocupar um lugar especial na memória da população. A tradição esteve suspensa nos últimos anos, mas será agora recuperada, depois do processo de restauro promovido pela paróquia.

Segundo o pároco, padre Manuel, a peça, anteriormente conhecida pela população como «Nossa Senhora da Assunção Velhinha», corresponde, na verdade, à imagem de Nossa Senhora da Serra.

Outro dos aspetos que distingue estas festividades é a ornamentação dos andores, um trabalho artesanal desenvolvido por voluntários, que recorrem a tecidos de cetim e a milhares de alfinetes para preservar uma tradição profundamente enraizada na identidade local.

As celebrações continuam, assim, a afirmar-se como um dos momentos mais importantes da vida religiosa e cultural de Vilarinho da Castanheira, reunindo fé, história e património.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

GNR PROMOVE AÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE BURLAS A IDOSOS EM CARRAZEDA DE ANSIÃES

 A Guarda Nacional Republicana (GNR) promoveu uma ação de sensibilização dedicada à prevenção de burlas dirigidas à população sénior, no âmbito do programa «Idosos em Segurança», em Carrazeda de Ansiães.


A iniciativa teve como principal objetivo alertar os participantes para alguns dos esquemas fraudulentos mais frequentes e divulgar estratégias de prevenção que permitam reforçar a segurança e reduzir situações de risco.

Ao longo da sessão, foram abordadas várias medidas de autoproteção, numa ação que procurou incentivar a adoção de comportamentos preventivos e reforçar a confiança da população mais idosa.

A iniciativa contou com a colaboração da Junta de Freguesia de Carrazeda de Ansiães, reforçando a importância do trabalho desenvolvido em articulação com as entidades locais na promoção da segurança e do bem-estar da comunidade.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

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