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(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Alguns dos momentos de um verão que trouxe mais vida ao Centro Histórico de Bragança.
E esta dinâmica continua em setembro, agora com horário ajustado.
Circulação condicionada:
- sábado, a partir das 18h00 e até às 24h00 de domingo
Em setembro, há mais para viver no Centro Histórico.
ULS DO NORDESTE REFORÇA CUIDADOS EM MIRANDELA E ADMITE NOVOS PROJETOS PARA A SAÚDE
A reunião permitiu à Comissão transmitir à administração da ULS as principais preocupações identificadas na área da saúde, enquanto o Conselho de Administração apresentou as prioridades e linhas estratégicas que orientam a sua ação, destacando o trabalho desenvolvido nos primeiros 100 dias de gestão.
Entre as medidas já concretizadas, sobressai a criação do Posto Avançado de Medicina Intensiva na Unidade Hospitalar de Mirandela, uma resposta destinada a reforçar a capacidade de acompanhamento de doentes em situação clínica grave.
Em funcionamento desde 1 de julho, o serviço já prestou assistência a mais de 70 doentes em estado crítico, reforçando a capacidade de resposta diferenciada da unidade hospitalar e aproximando este tipo de cuidados das populações do território.
Durante o encontro foram igualmente abordados outros projetos que se encontram em estudo e que poderão representar uma mudança significativa na prestação de cuidados de saúde em Mirandela e na região, tanto no âmbito dos cuidados de saúde primários como da resposta hospitalar.
A ULS do Nordeste e a Assembleia Municipal de Mirandela reforçam, desta forma, uma articulação institucional centrada na identificação de problemas e na construção de respostas capazes de melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados prestados à população.
VILARINHO DO MONTE HOMENAGEIA “ZÉ PASTOR” PELOS 100 ANOS DE VIDA
Nascido a 25 de agosto de 1926, José Tomás dedicou a vida ao trabalho no campo e ao pastoreio, tendo começado a trabalhar aos 12 anos. Ao longo de um século, acompanhou profundas transformações sociais e económicas, mantendo-se ligado às tradições e à comunidade onde sempre viveu.
Pai de quatro filhos, avô de sete netos e bisavô de cinco bisnetos, celebrou também este ano 70 anos de casamento.
O Presidente da Câmara Municipal, Sérgio Borges, marcou presença na celebração e ofereceu ao centenário um cajado de pastoreio, numa homenagem simbólica à profissão que exerceu durante toda a vida.
Baldios de Cova de Lua denunciam estragos causados por veados em plantações de castanheiros
Destacamos, pelo lado positivo, a disponibilidade do deputado à Assembleia da República, Hernâni Dias que, assim que confrontado com esta questão, se deslocou ao terreno e viu os estragos provocados estando, neste momento, a trabalhar junto da tutela para a resolução desta situação que afeta diretamente a carteira dos agricultores. Também realçamos a predisposição da Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira que, aquando do pedido de reunião, acedeu prontamente ao nosso pedido e nos recebeu no município. Após esta reunião com a Câmara Municipal de Bragança, foi com surpresa que nos deparámos que, a população de veados que estava no termo de Cova de Lua, deixou de se ver “do dia para a noite”. Mas, após um mês desta reunião, os animais voltaram e os estragos fazem-se sentir”, explica o conselho diretivo. “Mas, no final, o proprietário, que tem gosto em manter o património herdado ou mantido, é quem sofre o prejuízo. O pedido de indemnização, que pode ser solicitado, esbarra na burocracia que se associa a esta situação.
Os proprietários estão cada vez mais desmotivados pois vivem numa situação de “pescadinha de rabo na boca”: Se plantam os terrenos, têm prejuízos porque “a natureza” destrói os investimentos; Se não os limpam, são autuados porque podem destruir a natureza. Não há quem entenda o Estado. Em vez de servir a população, o Estado foge com a sua responsabilidade esbarrando-se na burocracia como a sua maior aliada”, acrescenta a mesma nota reiterando o seu descontentamento face à situação que classificam “de falta de controlo das espécies animais por parte do ICNF”.
O Mensageiro aguarda ainda informação sobre o assunto solicitada ao ICNF.
Novo concurso para estrada de Vimioso já foi publicado
O presidente da Câmara de Vimioso, António Santos, espera que desta vez as empresas construtoras se candidatem ao concurso público. “O valor já é um pequeno jackpot, mas sabemos que há muitas obras no país para cumprir os prazos do PRR-Plano de Recuperação e Resiliência”, explicou António Santos confessando ao Mensageiro que, apesar do reforço de 15 milhões de euros, “o otimismo ainda não faz parte do nosso posicionamento para encarar essa obra como um facto consumado”,
Há décadas que a nova ligação entre Carção e Vimioso, cerca de 11 quilómetros, é reclamada. “Continuamos céticos. Só que agora o ceticismo reduziu alguma coisa. Quero acreditar que 45 milhões é um orçamento que pode permitir que os empreiteiros venham à obra, que façam contas bem feitas, por forma a que seja exequível”, referiu.
A obra é urgente. Segundo o autarca a estrada atual aponta sinais evidentes de degradação. “Situações de perigosidade, como deslizamento de terras, pedras que caem na via com a chuva e a estrada apresenta fendas preocupantes”, descreveu António Santos.
Este novo concurso vê a verba reforçada, com mais 15 milhões de euros do que o primeiro lançado, que não obteve propostas válidas.
Esta obra faz parte de um plano alargado de modernização da rede viária do Nordeste Transmontano, aguardada há décadas, uma vez que facilitará sobremaneira a acessibilidade no concelho de Vimioso, nomeadamente à vila e a Bragança. O financiamento é assegurado pelo governo através do Orçamento do Estado.
Mirandela recebe, nos dias 𝟐𝟗 𝐞 𝟑𝟎 𝐝𝐞 𝐚𝐠𝐨𝐬𝐭𝐨, 𝐚 𝟒.ª 𝐞𝐝𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐆𝐚𝐥𝐥𝐞𝐫𝐲, uma celebração da criatividade, da arte e da expressão artística em espaço público.
𝐃𝐚𝐬 𝟏𝟎𝐡𝟎𝟎 𝐚̀𝐬 𝟏𝟗𝐡𝟎𝟎, há muito para ver, descobrir e apreciar. Uma oportunidade para conhecer diferentes formas de arte, valorizar o talento criativo e viver o Parque Império de uma forma diferente.
29 e 30 de agosto | 10h00–19h00
Parque Império, Mirandela
A 4.ª Street Gallery espera por si. Venha descobrir a arte que acontece à nossa volta.
A Marta teve uma ideia vencedora: um robô para reflorestar Portugal
Estivemos à conversa com a única vencedora portuguesa do 2024 Slingshot Challenge, promovido pela National Geographic Society.
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| ALEXANDRE VAZ - Marta é a mente por detrás do Trovador, um robô criado com o objectivo de contribuir para a reflorestação de áreas de difícil acesso em Portugal. |
No arranque da leitura da última edição americana da National Geographic, curiosamente dedicada aos “futuros indígenas”, tropeçamos numa palavra praticamente caída em desuso: Trovador. Às tantas, damos por nós a viajar até à Idade Média embalados pela lírica provençal, imaginando homens em trânsito a verter poesia em cantigas enlevadas pelo som mágico de um alaúde ou de um cistre. E, no entanto, duas palavras adiante, o termo robô desperta-nos para o presente – senão para o futuro. Estamos estacionados na página que anuncia os vencedores do 2024 Slingshot Challenge.
No início deste ano, cerca de 3.600 adolescentes e jovens dos 13 aos 18 anos de todo o mundo submeteram as suas ideias criativas a este concurso, promovido pela National Geographic Society. O desafio? Apresentar, num vídeo de um minuto, uma solução inovadora e comprometida com o planeta Terra que contribuísse para a resolução de um problema específico da sua comunidade. Um desses changemakers – na terminologia da organização do Slingshot Challenge – chama-se Marta Bernardino, um nome bem português.
A ericeirense completou recentemente os 18 anos, mas o seu currículo parece o de uma licenciada, no mínimo. Não por acaso, Marta escolheu o curso das Ciências e Tecnologias no ensino secundário; depois de o concluir, decidiu fazer um gap year; e está, neste momento, em Amesterdão a estagiar na empresa Kelp Blue. Se tudo correr conforme os seus planos, ingressará na licenciatura de Engenharia Electrotécnica já em Setembro e, três anos depois, conta aventurar-se num mestrado em Robótica.
Na verdade, as “máquinas” – a expressão é da nossa entrevistada – já fazem parte da sua vida há algum tempo: aos sete, Marta já construía os seus brinquedos recorrendo à electrónica e, meia dúzia de anos depois, já se tinha rendido ao fascinante e vasto universo da automação.
Com a promessa de “proteger a natureza, ao contribuir para intensificar os esforços de reflorestação nas áreas montanhosas de Portugal”, o projecto Trovador: Tree Planting Robot – que lhe valeu um prémio de 10.000 dólares a fundo perdido – não terá nascido do nada, afinal. Um ano em “pousio” , uma passagem por Pedrógão Grande e o sentido de oportunidade deram a Marta Bernardino o impulso que precisava para juntar três áreas que a apaixonam e mobilizam: o ambiente, a robótica e a intervenção na comunidade.
Trovador é o contributo de Marta Bernardino para intensificar os esforços de reflorestação nas áreas montanhosas, de difícil acesso, em Portugal.
Na sequência deste prémio, marcámos encontro com a jovem criadora num espaço verde lisboeta. Da Ericeira, Marta trouxe uma das garras do primeiro protótipo do robô, alguns sonhos na mochila e muita vontade de mudar o mundo. A começar por Portugal.
National Geographic Portugal (NGP): Comecemos pelo nome do projecto que submeteste ao concurso da National Geographic Society. De onde vem?
Marta Bernardino (MB): É uma homenagem a Dom Dinis, que não só permitiu diversos progressos a nível da educação a economia durante o seu reinado, como também ordenou plantar o pinhal de Leiria. Por causa dos seus dotes e da sua fama de poeta, chamavam-lhe O Trovador.
NGP: Como tiveste conhecimento do Slingshot Challenge?
MB: Através de uma colega do programa da Knowledge Society, uma academia de que faço parte já há dois anos. Vou graduar-me neste ano.
NGP: E porque decidiste concorrer?
MB: Achei que fazia muito sentido. O desafio era que, para um problema que existisse na nossa comunidade e que estivesse relacionado com a natureza, arranjássemos uma solução.
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| Alexandre Vaz - Pelos materiais escolhidos, o robô acabou por se partir ao fim de 15 minutos, mas ainda assim conseguiu plantar dezenas de pinheiros. |
NGP: No teu caso, através da tecnologia.
MB: Sempre quis ligar [a minha paixão pela robótica] à protecção climática e aos problemas humanitários. E no ano passado, ao passar por Pedrógão Grande, reparei que a maior parte das encostas estava por reflorestar. Foram áreas que arderam há sete anos! Fiquei super intrigada e fui falar com algumas pessoas que trabalham em organizações de reflorestação. O que me disseram foi “imagina que estás no topo de uma montanha a carregar 100 quilogramas de árvores, olhas para baixo e estás com medo de cair”. Percebi que é mesmo muito arriscado para um humano. Então, a minha ideia foi construir uma máquina que pudesse resolver esse problema.
NGP: Portanto, o Trovador não surgiu propositadamente para este concurso.
MB: Durante o meu gap year [iniciado no Verão de 2023], estive basicamente a fazer o desenvolvimento da máquina, à procura de investimentos e de apoio técnico, entre conferências, pitches e competições [NR: Marta Bernardino venceu também um apoio do fundo 1517, do Medici Project]. E depois soube do desafio da National Geographic Society e achei que fosse interessante [apresentá-la].
Uma passagem por Pedrógão Grande, no ano passado, intrigou a futura vencedora portuguesa do Slingshot Challenge. Surpreendeu-a ver uma área considerável por reflorestar.
NGP: Fala-nos então do primeiro protótipo de robô-reflorestador que criaste.
MB: Com 15 euros, desenvolvi o primeiro protótipo de robô e testei-o na minha zona [Ericeira] com a plantação de pinheiros. Usei materiais reciclados, desde caixas de ovos a PVC, e a parte electrónica veio de projectos antigos. Claro que só funcionou cerca de 15 minutos. Pelos materiais que escolhi, acabou por se partir e não conseguiu andar mais. Pelas minhas estimativas, o robô tinha capacidade de plantar cerca de 128 árvores por hora.
NGP: Que particularidades terá o robô final?
MB: Será, certamente, muito maior do que o primeiro. Em termos de velocidade, o protótipo que estou a projectar será 500% mais rápido que a mão-de-obra humana. Depois, será 90% mais eficiente [do que o ser humano] porque respeita todo um conjunto de regras estritas de plantação, de forma a que as árvores consigam viver a longo prazo.
Marta testou o primeiro protótipo do Trovador – feito com recurso a materiais reciclados, desde caixas de ovos a PVC – na Ericeira, onde vive.
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| MARTA BERNARDINO - A árvore escolhida para o primeiro teste foi o pinheiro, acomodado e transportado pelo Trovador numa caixa de ovos. |
NGP: Lá fora, que outros exemplos de máquinas de apoio a humanos na reflorestação destacarias?
MB: Não há nenhum [robô] como o Trovador. Utiliza-se muito drones, por exemplo, mas a sua eficiência é cerca de 20%. Isto significa que apenas 20% das sementes acabam por sobreviver. Depois existem outros tipos de robô que não são tão flexíveis em termos de terreno. Existem aqueles de quatro patas, que não conseguem escalar montanhas, principalmente as nossas, e depois há também aquela maquinaria pesada que acaba por danificar o solo e que também não tem flexibilidade nenhuma.
NGP: Que alcance esperas que a tua iniciativa, ainda em fase de desenvolvimento, obtenha no futuro?
MB: O que preciso mais neste momento é financiamento, porque o apoio do Slingshot Challenge e dos outros fundos que obtive não são suficientes. Só o preço da máquina será mais ou menos cinco mil euros e até eu chegar a um protótipo viável e funcional, vai haver muita iteração à volta. Ou seja, há muito dinheiro que vou precisar de investir.
NGP: Neste momento, estás então a abordar instituições públicas e privadas para te apoiarem neste projecto. O que se segue?
MB: Até ao final de Novembro quero desenvolver o próximo protótipo e tê-lo completamente funcional em termos de software, porque gostava de lançar um piloto em Dezembro e, a partir daí, perceber o que preciso de melhorar.
O protótipo que a jovem está a projectar será, se tudo correr como desejado, 500% mais rápido que a mão-de-obra humana.
NGP: Isso em simultâneo com as aulas do curso de Electrotécnica, no qual esperas ingressar em breve. Que ferramentas e valências esperas que a universidade te possa proporcionar já neste ano?
MB: Conhecimento. Os professores e alunos têm sempre muito mais experiência a nível da parte electrónica. Eu estou a experimentar, falhar, mudar e tudo mais. Nesse sentido seria uma grande ajuda. Outra [vantagem] são as oficinas, porque têm máquinas de impressão em 3D, máquinas de corte, etc., tudo que eu não tenho em casa.
NGP: O Slingshot Challenge premeia jovens inovadores que tem ideias para resolver problemas da comunidade. Desde quando sentes essa veia construtiva?
MB: Comecei [a explorar a electrónica] com os brinquedos, mas a dada altura sentia a falta de um propósito. A robótica era a minha paixão, mas não tinha nenhum objectivo [que orientasse essa] paixão. Por volta dos treze, quatorze anos, comecei a preocupar-me muito com as mudanças climáticas e com os problemas humanitários... e a robótica era o encaixe perfeito para tentar resolver alguns destes problemas...
NGP: Começando pelo faça-você-mesmo caseiro para o, digamos, faça-você-mesmo-para-o-mundo...
MB: O programa Knowledge Society é mesmo para jovens que queiram fazer a diferença no mundo com a tecnologia. Eles ajudam-nos a descobrir como é que podemos criar as nossas próprias soluções para os problemas reais e depois levá-los para a realidade. É muito isso que eu fiz com o Trovador.
“Por volta dos treze, quatorze anos, comecei a preocupar-me muito com as mudanças climáticas e com os problemas humanitários... e a robótica era o encaixe perfeito para tentar resolver alguns destes problemas...”
NGP: Por último, qual a importância de teres recebido este prémio da National Geographic Society?
MB: Em primeiro lugar, a validação: o facto de a National Geographic acreditar na tua solução dá-te força. E depois a nível financeiro também é incrível. Além disso, convidaram-me para ir a Washington ao Explorers Festival. Estive, durante uma semana, em contacto com exploradores da National Geographic, que são pessoas super corajosas que realmente se preocupam com as suas próprias comunidades. E isso foi muito inspirador e ajudou-me a ambicionar mais e a querer fazer mais. Houve várias aulas de capacity building, mas acho que as actividades mais interessantes foram mesmo os simpósios, onde os exploradores falaram dos seus projectos, dos seus erros e de como deram a volta aos problemas.
Desde a sua fundação em 1888, a National Geographic Society atribuiu mais de 15.000 bolsas. Conheça os outros vencedores da edição de 2024 do Slingshot Challenge AQUI.
𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬 𝐫𝐞𝐜𝐞𝐛𝐞 𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 𝐍𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐁𝐨𝐯𝐢𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐑𝐚𝐜̧𝐚 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬𝐚
De 𝟐𝟖 𝐚 𝟑𝟎 𝐝𝐞 𝐚𝐠𝐨𝐬𝐭𝐨, Macedo de Cavaleiros será palco do 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 𝐍𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐁𝐨𝐯𝐢𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐑𝐚𝐜̧𝐚 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬𝐚, uma iniciativa realizada no âmbito da parceria entre o 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢́𝐩𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬 e a 𝐀𝐬𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐨𝐬 𝐂𝐫𝐢𝐚𝐝𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐨𝐯𝐢𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐑𝐚𝐜̧𝐚 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬𝐚 (ACBRM).
A realização deste Concurso Nacional insere-se numa estratégia de 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐞𝐫𝐯𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨, 𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐞 𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫𝐢𝐳𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐑𝐚𝐜̧𝐚 𝐁𝐨𝐯𝐢𝐧𝐚 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬𝐚, promovendo também a região e os seus produtos.
Esta é uma parceria com história. 𝐀𝐨 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐨 𝐝𝐨𝐬 𝐮́𝐥𝐭𝐢𝐦𝐨𝐬 𝟏𝟖 𝐚𝐧𝐨𝐬, 𝐨𝐬 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨𝐬 𝐍𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐢𝐬 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐳𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐜𝐢𝐩𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐀𝐂𝐁𝐑𝐌 𝐞 𝐝𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐢𝐬 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢́𝐩𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐒𝐨𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐚 𝐑𝐚𝐜̧𝐚 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬𝐚— Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso e Vinhais — 𝐭𝐞̂𝐦 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐢𝐛𝐮𝐢́𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚 𝐝𝐢𝐯𝐮𝐥𝐠𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐞 𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫𝐢𝐳𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐫𝐚𝐜̧𝐚, 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐚̃𝐨 𝐞 𝐝𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐮𝐬 𝐩𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐨𝐬, 𝐝𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐞 𝐟𝐨𝐫𝐚 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐢́𝐬.
Agora, é a vez de 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬 acolher esta grande celebração da Raça Mirandesa, reunindo criadores e os melhores exemplares da raça num momento de encontro, partilha e valorização do trabalho desenvolvido no território.
𝐓𝐫𝐞̂𝐬 𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐜𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚𝐫 𝐚 𝐞𝐱𝐜𝐞𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐑𝐚𝐜̧𝐚 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬𝐚.
28, 29 e 30 de agosto de 2026
10 mandamentos para o visitante nas Terras de Trás-os-Montes. Terras de Trás-os-Montes - O Destino Natural
Nas Terras de Trás-os-Montes, há caminhos que pedem tempo, paisagens que obrigam a parar, mesas onde cabe sempre mais um e histórias que só se descobrem quando falamos com quem cá vive.
Estas e outras lições aprendem-se depressa por aqui. Nós resumimo-las em 10.
FREIXO DE ESPADA À CINTA RECEBEU ENCONTRO MUSICAL ENTRE DUAS BANDAS FILARMÓNICAS
A atuação integrou o intercâmbio promovido entre as duas instituições, que decorreu entre os dias 20 e 25 de agosto, proporcionando um momento de partilha cultural e aproximação entre os dois grupos musicais.
Durante a manhã, as duas bandas apresentaram-se perante o público que se reuniu na praça, num espetáculo que permitiu celebrar a música filarmónica e o trabalho desenvolvido pelas instituições envolvidas.
A iniciativa contou ainda com a presença da vereadora da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Marisa Madeira, que representou o Executivo Municipal nesta receção.
O encontro encerrou um período de intercâmbio entre as duas bandas, reforçando os laços entre as instituições e promovendo a música como espaço de encontro e partilha.
PALAÇOULO VOLTA A JUNTAR CULTURA, TRADIÇÃO E IDENTIDADE MIRANDESA
O certame abre espaço à atividade económica local, com a presença de produtores e artesãos, equipamentos agrícolas e propostas ligadas ao mundo rural. A música também marca presença desde a manhã, com a participação de gaiteiros da terra e dos Porbatuka.
Entre os momentos culturais está a apresentação da exposição “Antes que se perca – rostos que contam”, na antiga escola primária, onde decorre também um concerto de “Mâles au Coeur de Tolosa”.
Já durante a tarde, o programa aproxima-se das tradições tauromáquicas transmontanas. Às 16h30, cinco chegas de touros da raça mirandesa vão animar o recinto, num dos momentos que habitualmente concentra maior afluência.
A celebração termina ao som de Urze de Lume e Triângulo, responsáveis pela animação musical da noite.
A ligação de Palaçoulo às suas tradições religiosas mantém-se também presente no início de setembro. No dia 2, a comunidade celebra Nossa Senhora do Rosário com uma missa e uma procissão acompanhada pela Banda Filarmónica Mirandesa.
A celebração recupera ainda uma memória antiga da localidade, quando os animais das casas eram levados para a festa e transportavam oferendas dos campos, numa tradição que procurava invocar proteção para pessoas, animais e colheitas.
DOURO LEVA SABORES E IDENTIDADE DA REGIÃO À SEMANA EUROPEIA DAS REGIÕES
Intitulada “Ancient Roots, Competitive Future: Tasting the Douro”, a iniciativa propõe uma viagem pelos sabores durienses através de produtos como azeites de altitude, amêndoas, mel, queijos, enchidos e pão artesanal.
A sessão está marcada para 14 de outubro, entre as 10h30 e as 13h30, no âmbito da edição de 2026 da Semana Europeia das Regiões e Cidades, em Bruxelas.
A CIM Douro pretende, desta forma, dar visibilidade ao património gastronómico regional e aos produtores que preservam conhecimentos e práticas transmitidos ao longo de gerações, associando tradição, valorização territorial e novas oportunidades para o futuro.
A iniciativa procura ainda afirmar o Douro no contexto europeu como um território com capacidade para transformar os seus recursos endógenos em produtos diferenciadores e competitivos.
ARGOZELO ASSINALA 25 ANOS DE ELEVAÇÃO A VILA COM OLHAR SOBRE O FUTURO DO INTERIOR
Durante a cerimónia, o partido recordou o movimento da população que, há 25 anos, reivindicou a elevação de Argozelo e destacou o envolvimento da comunidade na construção desse processo.
Na intervenção, o PCP apontou também o papel dos habitantes que continuam a assegurar a atividade económica, agrícola, cultural e associativa da localidade, apesar das dificuldades sentidas no Interior.
A desertificação populacional, a redução de serviços e os constrangimentos à atividade económica foram apontados como alguns dos problemas que continuam a condicionar o desenvolvimento de Argozelo e de outras localidades do Interior.
O partido criticou ainda opções que, segundo afirma, têm contribuído para a transformação da paisagem e defendeu que grandes projetos energéticos devem ter em conta “as reais preocupações do povo”.
Volvidos 25 anos sobre a elevação a vila, o PCP considera que a decisão trouxe benefícios para Argozelo, mas defende que continuam por concretizar parte das potencialidades da localidade.
Na sessão comemorativa, o partido reafirmou, por isso, a intenção de continuar a acompanhar a população e a defender medidas capazes de contrariar o despovoamento e promover o desenvolvimento da vila.
MIRANDA DO DOURO RECEBE ENCONTRO IBÉRICO DEDICADO ÀS RAÇAS AUTÓCTONES
O encontro, promovido pela AEPGA em parceria com o Município de Miranda do Douro, integra as comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, promovido pelas Nações Unidas, e reunirá criadores, pastores, técnicos, investigadores e associações.
A iniciativa pretende abordar o contributo das raças autóctones para a manutenção dos sistemas de pastoreio extensivo, a conservação da biodiversidade e a gestão da paisagem, incluindo o seu papel na redução da carga combustível e na prevenção de incêndios rurais.
A edição deste ano contará ainda com projetos provenientes de França, que vão trazer ao encontro outras experiências e perspetivas sobre a utilização do pastoreio enquanto ferramenta de conservação da natureza.
O programa decorre no Miniauditório Municipal de Miranda do Douro e tem entrada gratuita, mediante inscrição obrigatória.
BRAGANÇA JUNTA PAIXÃO AUTOMÓVEL E DINAMIZAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO
A iniciativa, promovida pelo Nordeste Automóvel Clube, integrou o programa de dinamização do Centro Histórico e proporcionou ao público a oportunidade de conhecer de perto diferentes modelos marcados pela história e pelo desempenho automóvel.
Ao longo do evento, a presença das viaturas despertou a atenção de moradores e visitantes, que se deslocaram à Praça da Sé para apreciar os exemplares em exposição.
Mais do que uma mostra automóvel, a iniciativa procurou contribuir para a ocupação e valorização do centro da cidade, associando o património histórico a atividades capazes de atrair público e criar novos pontos de encontro.
O encontro levou, assim, movimento à zona histórica de Bragança e reforçou a aposta em iniciativas que aproximam a população e os visitantes deste espaço emblemático da cidade.
Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite junta 120 expositores em Carrazeda de Ansiães
A iniciativa reúne 120 expositores e coloca em destaque três dos produtos com maior expressão na economia local: a maçã, o vinho e o azeite.
A programação musical arranca na primeira noite com a atuação do rapper Dillaz.
O principal destaque do cartaz está reservado para sábado, com o concerto de Mariza. No último dia, domingo, a animação fica a cargo da banda Vizinhos. Para além dos concertos, o programa inclui atuações de grupos locais e regionais.
A gastronomia assume igualmente um papel de destaque, com um showcooking conduzido pelo chef Fábio Bernardino.
O programa contempla ainda iniciativas de valorização da cultura e das tradições locais, como o Cortejo Etnográfico, no sábado, e as arruadas de bandas filarmónicas e fanfarras, no domingo. Está ainda prevista a Eucaristia e Procissão dos Padroeiros do Concelho.
Para o presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, João Gonçalves, a feira ultrapassa a promoção dos três produtos que lhe dão nome e constitui uma oportunidade para divulgar outras valências do concelho:
“É o principal evento que a Câmara Municipal promove e é um momento de promovermos não só esses três produtos de excelência, a maçã, o vinho e o azeite, mas sobretudo todas as potencialidades do concelho, quer em termos de gastronomia, quer em produtos turísticos, quer no património natural, quer na nossa cultura. É um momento alto de divulgação e promoção do concelho. Para nós, é obviamente um momento especial, que associamos também às festas da vila, que são uma oportunidade para os residentes conviverem e sentirem o orgulho próprio nas suas tradições.”
A autarquia espera uma forte afluência ao longo dos três dias e aposta na capacidade do evento para atrair visitantes que possam regressar ao concelho durante o resto do ano:
“As expectativas são grandes, porque fizemos uma boa preparação deste evento. Temos também um bom cartaz musical e, com isso, julgamos que vamos ter muitos visitantes. Penso que o tempo também vai melhorar no fim de semana e, portanto, poderão estar reunidas as condições para termos muitos visitantes que venham não só ao evento, mas sobretudo que depois voltem a Carrazeda de Ansiães para conhecer outras coisas.”
A ligação entre a atividade económica, a cultura e o património é apontada pelo autarca como uma das dimensões estratégicas da iniciativa:
“Nós temos sobretudo que olhar para as potencialidades do concelho. Esta ligação que fazemos neste evento, entre a nossa atividade económica, através dos produtos agrícolas, mas também com a cultura, a paisagem e todas as potencialidades do concelho, permite-nos, com certeza, durante este período, criar a curiosidade para sermos visitados no resto do ano. Isso é muito importante para nós.”
A campanha da maçã apresenta, este ano, uma evolução positiva, sem registo de ocorrências meteorológicas adversas que tenham afetado a produção.
O presidente da Câmara destaca os níveis de quantidade e qualidade, mas deixa também uma preocupação quanto à valorização da produção no mercado:
“Está a correr muito bem. Felizmente, este ano não houve ocorrências meteorológicas adversas que prejudicassem a maçã produzida. Tanto em quantidade como em qualidade está a correr bem. Esperamos também que, em termos de comercialização, seja valorizada como os nossos produtores pretendem, porque nem sempre quantidade significa maior volume de negócio. Temos bem a noção disso, mas esperamos que seja um ano importante não só para a maçã, mas também para o vinho e para o azeite.”
A 29.ª Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite decorre de 28 a 30 de agosto e reúne 120 expositores.
A iniciativa pretende dar visibilidade aos produtos agrícolas do concelho, com particular destaque para a maçã, cuja produção mantém um peso relevante na economia local, e reforçar a atratividade de Carrazeda de Ansiães enquanto destino turístico.
GPS EPIC leva gastronomia e paisagens em bicicleta a Torre de Moncorvo
A etapa chama-se “EPICentro dos Lagos e SABORes” e, segundo Rui Daniel, responsável do Clube de Ciclismo de Torre de Moncorvo, Sabor Bikers, promete juntar ciclismo de natureza, paisagem e gastronomia:
“Irá ser mais uma etapa, como as anteriormente organizadas aqui pelo clube de Torre de Moncorvo, onde, além de termos umas paisagens magníficas, deslumbrantes, temos também aquela parte que tanto nos caracteriza, que é o saber bem receber e dar a demonstrar um bocadinho da gastronomia que cá temos.”
Os participantes vão poder escolher entre dois percursos, de cerca de 60 e 80 quilómetros.
Pelo caminho, há vários pontos de interesse e duas “fugas gastronómicas”, com produtos locais:
“Vamos ter as nossas míticas torradinhas de azeite e alho, com azeite aqui da zona. A fuga gastronómica será num sítio idílico, que é o Miradouro de São Lourenço. Iremos também ter aqui um pouco dos enchidos e, claro, vamos ter o Combo da Escola Sabor Artes, também com animação musical para manter o ambiente.”
A organização sublinha que não se trata de uma prova competitiva.
Cada participante recebe um percurso em GPS, com diferentes graus de dificuldade, podendo gerir o passeio ao seu ritmo e até fazer desvios para conhecer a restauração local:
“Não há aqui nenhuma parte competitiva, é apenas virem e conhecerem. Não há uma partida em massa. As pessoas podem sair desde as 08h00 até às 10h00 da manhã e têm que chegar até às 19h00, para sabermos se todos os participantes chegaram.”
Entre os destaques do percurso estão vários pontos da Serra do Reboredo, as antigas minas de ferro, os miradouros da Fraga do Facho, Fraga do Cão, São Lourenço e Póvoa, além das paisagens sobre os Lagos do Sabor:
“Rodando pela encosta da Serra do Reboredo, em direção às Ferrominas, vamos encontrar alguma paisagem sobre os Lagos do Sabor, onde vamos fazer uma descida muito divertida em direção ao Miradouro de São Lourenço. De seguida, iremos estar em contacto com a Barragem do Baixo Sabor e, no final, a tão esperada prova de vinhos.”
A prova de vinhos decorre na Quinta Vale do Sabor e é aberta também aos acompanhantes dos participantes.
A participação é destinada, regra geral, a maiores de 18 anos e exige alguma experiência no ciclismo, devido à dificuldade dos percursos.
A sexta etapa do GPS EPIC acontece a 19 de setembro, em Torre de Moncorvo, numa proposta que alia desporto, natureza, gastronomia e promoção do território.
Fotografia: Facebook – GPS EPIC Samsys
A Promessa Por Entregar
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Xoán olhou a imponente torre do edifício da Câmara Municipal do Porto e pensou que uma cidade capaz de erguer tal construção seria demasiado grande para ele levar a bom termo a sua busca.
Sem alegria, riu-se da própria ingenuidade. Partira da longínqua aldeia galega nas encostas do Xurés atrás de algo cujas únicas referências eram uma fotografia velha e o nome de um santo. Imaginara que chegaria ao lugar e alguém saber-lhe-ia indicar a casa. Agora começava a compreender a impossibilidade da tarefa
Tirou do bolso interior do casaco uma pequena fotografia a preto e branco, envelhecida e já a descascar. Mostrava um casal sorridente. Um homem jovem, de fato escuro e chapéu de feltro e uma mulher de vestido claro. Atrás deles, um jardim florido e uma casa distinta, de paredes alvas, porta larga e janelas grandes. No verso, numa letra feminina, lia-se apenas
“São Mamede, 1965”.
Quando partira de Cela, em Lobios, quatro dias antes, o que tinha parecera-lhe pista suficiente. Um vizinho ajudara-o a identificar as freguesias do distrito do Porto dedicadas a São Mamede. Eram mais do que esperava. Após eliminar algumas hipóteses, restaram-lhe cinco.
Armado com a fotografia, fez-se ao caminho e apanhou o “coche de liña” para o Porto.
A viagem pareceu-lhe interminável. Arranjou um quarto num hotel de média qualidade e começou a percorrer os lugares que selecionara.
Em cada um deles, a sua pronúncia galega dificultava a conversa. Em São Mamede do Coronado, o funcionário da junta encolheu os ombros diante da fotografia. Em Valongo, disseram-lhe que sem o nome da rua ou dos proprietários nada podiam fazer. Em Recezinhos, uma mulher idosa examinou longamente a imagem antes de concluir que casas antigas havia muitas, mas aquela não lhe dizia nada.
Restavam São Mamede de Infesta e São Mamede de Perafita.
À beira de desistir, Xoán já não sabia se continuava por convicção ou por vergonha de regressar à Galiza sem ter esgotado todas as hipóteses.
O dinheiro começava também a faltar. Passara a depender dos transportes públicos, o que lhe alongava as jornadas e diminuía-lhe ainda mais a vontade de continuar.
Sentado na paragem do autocarro, entre o movimento dos veículos e o ruído dos automóveis, tirou novamente a fotografia do bolso.
O homem, sabia-o, era Manuel Ribeiro, antes de se tornar Manolo Riveiro ou simplesmente o Português, como era chamado em Cela. Era por causa dele que Xoán se encontrava ali, a quase duzentos quilómetros de casa — uma distância que, naquele momento, lhe parecia maior que todas as serras juntas.
Guardou a fotografia antes que o vento lha arrancasse dos dedos.
Como se envolvera naquela demanda? Manolo Riveiro, o seu avô materno, de quem tanto gostara, falecera há cerca de dois anos. Apesar de sempre lhe reconhecer um sotaque estranho, só há poucos anos percebera que “Português” não se tratava de uma simples alcunha.
O último ano de vida do avô fora complicado. Toda a coerência desaparecera quase de repente. Deixara de conhecer a família e era dado a delírios onde chamava nomes desconhecidos e falava muito rápido em português. A sua avó Carmiña partira muito cedo e, por isso, o fardo de cuidar dele pertencia à Xoana, filha única, mãe de Xoán.
Nesse verão, um irmão da sua avó, que fizera vida em Barcelona, veio visitar a família. Sendo o avô o tema principal da conversa, não tardou que se falasse de quando aparecera em Cela, em 1966, em plena ditadura franquista.
“Na altura, pouco se sabia,” — dizia o tio — “, apareceu muito magro, assustado e mal preparado para o frio das serras. Dizia que era perseguido e que o queriam matar.”
“Naquele mês houve muitas prisões em Vigo.” — Continuou o tio. — “Sempre pensamos que ele estaria escondido da PIDE com os comunistas daqui e que os de La Social desmantelaram a célula. Tinha consigo uma mala de cartão cheia de jornais O Avante e outros documentos. Eu ainda era novo, mas todos sabíamos que a nossa polícia era má, mas a deles não lhes ficava atrás. O escândalo do assassinato do general Humberto Delgado ainda era recente e entre Franco e Salazar, viesse o diabo e escolhesse. O nosso pai concordou em escondê-lo, mas teria de queimar aquilo tudo. A Carmiña ajudou-o a queimar e deitaram as cinzas ao rio.” — Esboçou um sorriso de saudade. — “Tornou-se cada vez mais próximo de mim e de Carmiña e, com o tempo, deixou de falar em voltar. Até que pediu ao nosso pai para casar com ela.”
A partir daquela conversa, Xoán ficou mais atento aos delírios do avô e, por entre a algarviada portuguesa, conseguia perceber algo como “Gena” e “tenho de ir”.
Quando finalmente partiu, não deixou respostas. Xoana pouco sabia; o passado do pai não era referido e não parecia admitir perguntas.
Outras frases do tio, porém, ecoavam-lhe na memória: “Ele tinha medo de que encontrassem o seu rasto até aqui nestes ermos.” E também: “Disse várias vezes que a sua honra estava manchada, pois faltara à sua palavra.”
Ao arrumar as coisas do falecido, no quarto que ocupara nos últimos anos, encontrou-se um envelope com uma fotografia e uma chave ferrugenta, que não servia em porta nenhuma da casa. Foi armado com as pistas do tio e esses dois testemunhos do passado de Manolo Riveiro que Xoán decidiu que havia uma resposta a obter e pôs-se ao caminho.
Por um instante, pensou em voltar para o hotel, pagar a conta e regressar à Galiza no primeiro transporte da manhã. Ninguém lhe pedira aquela viagem. Ninguém, além do morto que já não podia explicar-se.
O som do motor do autocarro que acabava de chegar, devolveu-o ao presente.
Apesar do desânimo, entrou no veículo e sentou-se pensativamente à janela, cogitando como iria abordar o funcionário da Junta de Freguesia a fim de obter mais colaboração.
Respirou fundo enquanto as pessoas, as ruas antigas e as casas desfilavam velozmente perante os seus olhos.
De repente, um vislumbre familiar fê-lo virar o pescoço até ao limite. A casa! Tinha acabado de passar por ela. As janelas, a porta, era aquela, quase de certeza!
Ergueu-se de um salto, com o coração a bater apressadamente e correu para a saída onde tocou insistentemente para sair.
O motorista olhou-o pelo retrovisor, com cara de poucos amigos, mas só começou a reduzir a velocidade à chegada à nova paragem. A porta abriu-se calmamente, quase que zombando da sua pressa.
Correu na direção contrária à marcha do autocarro, que seguiu o seu caminho, imperturbável. Várias pessoas com quem se cruzou olharam-no com curiosidade.
Xoán chegou à casa que tinha visto e pegou na inseparável fotografia comparando a imagem com a realidade; a maioria do jardim desaparecera, tomado pela estrada, precisava de pintura, mas as janelas e a porta eram as mesmas.
Tremia, enquanto se aproximou da porta. Ficou uns segundos com o dedo suspenso diante da campainha decidindo se tocava ou não. Quando finalmente o fez, a sineta que se ouviu do interior pareceu-lhe o carrilhão de Santiago de Compostela.
Ao fim de uns minutos a porta abriu-se e uma mulher de meia-idade, cabelo negro e curto, rosto redondo e a puxar para o gordo, enfrentou-o com ar de confundida: — Sim?
— Desculpe. A senhora é a dona da casa? — Perguntou, trémulo, no seu português hesitante.
— Quem quer saber? — Ela franziu o sobrolho.
— Olhe, desculpe o estorvo… Eu… eu busco esta casa. — Mostra-lhe a fotografia, apontando para a fachada em fundo com o dedo a tremer — É… é esta, verdade?
A mulher olhou a fotografia em silêncio e focou novamente o olhar semicerrado nele: — Não me disse o seu nome.
— Desculpe, non se assuste por favor. — Ele gaguejava cada vez mais. — Meu nome é Xoán e venho da Galiza… de Lobios, sigo pistas que me deixou o meu avô…
Ela quase lhe arrancou a foto das mãos e levou uma mão à boca, emocionada. — Não pode ser. — Gemeu.
— Conhece a mulher dessa fotografia? Non sei quem é, o meu avô nunca falou dela. Penso que era uma moça de aqui… — Os olhos dele brilharam. — O homem é o meu avô, chamavam-lhe o Português, lá em Cela.
— Se conheço? — Havia lágrimas nos olhos dela, enquanto acariciava as imagens. — Ela era a minha mãe, Eugénia e ele o meu pai, Manuel Ribeiro, desaparecido há mais de sessenta anos.
— Pai…? — Xoán abriu muito os olhos.
— Sim. — Respondeu convicta. — O seu avô é meu pai. Eu era criança ainda quando ele partiu para a Espanha, mas a minha mãe dizia-me que ele tinha ido fazer um recado e haveria de voltar… não voltou.
Xoán corou com a vergonha alheia. À procura de respostas, vinha, inadvertidamente, ser ele próprio uma resposta para outra pessoa.
Por um instante, nenhum dos dois soube o que fazer com aquela semelhança inesperada entre passado e presente. A fotografia deixara de ser uma pista e passara a ser uma acusação silenciosa, pousada entre as mãos de ambos.
— A sua mãe ainda… — Tentou ele desajeitadamente.
— Faleceu há mais de dezoito anos. — Esclareceu a mulher rapidamente. — Mas nunca tornou a casar. Sempre esperou por ele.
— Desculpe-me… Jo… estou sempre a pedir desculpas. — Desajeitado, estendeu a mão na direção dela. — Chamo-me Xoán Souto Riveiro.
Sem largar a foto, ela olhou por uns segundos para a mão estendida. Acabou por unir a sua e ambos apertaram com pouca força.
— Quer dizer que o meu pai tinha outra família… — havia desilusão no olhar dela, enquanto perscrutava o rosto dele —… no fim, a minha mãe esperou em vão. O meu nome é Catarina, já agora. Tinha oito anos quando ele partiu… nos deixou.
— Nos últimos anos, — acrescentou Xoán —, ele delirava e não se percebia muito do que dizia, mas recordo-me de algo que me parecia Gena.
— É possível, sim… — concordou Catarina pensativamente, enquanto mirava o verso da fotografia —… esta é a letra dela, reconhece-la-ia em qualquer lado.
— O que consegui saber por a família é que ele apareceu na aldeia em 1966, muito maltratado e… e corria risco de vida. — Ele tentou justificar o avô. — Estaria na mira tanto da secreta do Salazar como da do Franco. O meu bisavó aceitou axudá-lo a esconder-se.
— Então era a primeira vez que aparecia por aqueles lados? — Havia surpresa e esperança no olhar. — Não havia já uma família dele?
— Não, não. Ele não conhecia a ninguém na aldeia, nem o conheciam a ele. — Ele apressou-se a esclarecer. — Ficou ali escondido e acabou por casar com a minha avó Carmiña sete anos depois. Só entón nasceu Xoana, a minha mãe.
— Então isso faz de si meu sobrinho e da sua mãe minha irmã. — Catarina ficou séria. — Mas ainda não me disse ao que vinha. Como deve de compreender, não me deixa muito feliz, saber que o meu pai trocou a minha família por outra.
— Sim, compreendo e tenho pena de estar a trazer estas notícias, mas pense de outra maneira; non é outra família, senón um aumento da sua. — Xoán exibiu um pequeno sorriso de encorajamento.
Catarina mirou-o de alto a baixo tentando perceber aquilo que Xoán não dizia e resolveu “atirar” friamente: — E então? O meu pai morreu rico? Vem trazer-me a chave da herança?
— Infelizmente non. — Ele encolheu os ombros numa desculpa. — Non somos ricos, senón que trago comigo de verdad uma chave que gostava que me ajudasse a perceber onde pertence. — Retirou o objeto ferrugento do envelope manchado. — Estava nas coisas do meu avô, com a fotografia.
Ela pegou na chave e sopesou-a na mão. O metal escuro pareceu acordar nela uma memória antiga, talvez ouvida mais vezes do que vivida. Depois tornou a olhar o sobrinho a decidir se lhe confiaria ou não a última peça do quebra-cabeças.
— Siga-me. — Disse ela simplesmente, virando-lhe as costas e deixando a porta aberta.
Ele obedeceu, tendo o cuidado de encostar, não fechar, a porta.
Atravessaram uma sala comum, subiram uma escada e entraram num quarto. Aí, Catarina abriu totalmente a porta do guarda-vestidos embutido e exibiu um pequeno buraco na parede lateral. Entregou a chave a Xoán e fez-lhe o gesto para a utilizar.
Quase com reverência, ele introduziu a chave na abertura e rodou-a, provocando um pequeno estalido que ecoou no quarto. A parede moveu-se.
Ficaram perante um compartimento com várias prateleiras. Só uma delas estava ocupada com um maço de papéis atados com um cordel e uma caixa de folha enferrujada onde ainda se conseguia ver que era uma caixa de doces.
Xoán olhou Catarina interrogativamente e ela devolveu-lhe o olhar com um sorriso e um aceno de incentivo.
Dentro da caixa havia um envelope volumoso, manchado de humidade, com uma frase escrita numa letra firme. A tinta permanente borratara em alguns locais.
— A minha mãe disse-me que, se um dia alguém viesse com a chave, isto já não era nosso.
Xoán leu o recado no sobrescrito: “Se eu não voltar, entrega isto ao cauteleiro ao pé da igreja”. — Depois olhou para Catarina.
— Não. Pelos vistos nunca foi entregue. — Confirmou a mulher. — A minha mãe não se quis envolver no jogo mortal do meu pai. Não sabia se deveria chorar um morto ou odiar um vivo
Foi então que compreendeu: o avô não deixara apenas uma mulher à espera. Deixara uma missão interrompida.
Catarina pegou com cuidado no envelope que estava nas mãos de Xoán e depositou-o novamente na caixa de folha, tapando-a a seguir. Pegou no molho dos documentos, com a caixa em cima e entregou tudo a Xoán.
— A minha mãe esperou uma vida inteira por notícias do meu pai, boas ou más. — Ela pousou as mãos sobre os objetos para ele sentir o peso do que recebia. — Guardou isto para entregar-lhe ou quem viesse em seu nome. Aqui está. Parabéns, Xoán, podes levar a tua herança.
Ele recebeu o que lhe entregaram e sentiu o peso dos anos de espera, do medo e da esperança. Com os olhos húmidos, perguntou: — Voltaremos a ver-nos… non si?
— Não me parece que seja necessário. — Respondeu-lhe ela, com um sorriso pequeno, cansado, pendente entre a recusa e o perdão.
De regresso à aldeia de Cela, Xoán no cimo de uma colina aprecia o casario que se estende ziguezagueando pelos acidentes geográficos das abas do Xurés. As casas pareciam ter nascido da mesma pedra dos montes e os caminhos subiam entre muros baixos, lameiros e carvalhos antigos.
Chegava até si o som das campainhas do gado e o marulhar da água a correr nos regatos. Os cães ladravam sem pressa na distância.
Xoán crescera ali convencido de que o mundo começava na fonte, passava pelo adro, subia ao monte e terminava na fronteira. Percebia agora que, para o avô português, aquele lugar tinha sido outra coisa: não uma origem, mas um refúgio. Na humildade da aldeia havia discrição e um silêncio que o convidou a ficar.
Ninguém perguntava demasiado a um homem que trabalhava, cumprimentava os vizinhos e baixava os olhos quando se falava de política. Talvez por isso o avô se tivesse apaixonado pelo Xurés: a serra não lhe prometia felicidade, mas a possibilidade de continuar desaparecido.
Xoán tornou a olhar o maço de jornais de O Avante presos com um cordel e o envelope rasgado mais a lista infindável de nomes e moradas que deveriam ser entregues ao cauteleiro.
Uma última vez, a questão assomou-lhe à mente: “Deveria entregar os documentos a alguém que lhes desse o aproveitamento e enquadramento históricos?” Ficaria para a posteridade que o seu avô fora humano e, para salvar a vida, não fora capaz de cumprir a sua missão na Galiza, nem voltar para a sua mulher em Portugal. Fosse qual fosse essa missão, ficara-se no limbo de tantas memórias perdidas nessa história terrível que durante tantos anos abraçou Portugal e Espanha.
Acendeu o isqueiro e ateou fogo aos papéis ressequidos, permitindo que o fumo se erguesse a grande velocidade.
Enquanto ardiam, Xoán deixou de querer saber quantos tinham morrido por não serem entregues, quantos se tinham salvado apesar disso, quantas vítimas tinham escapado aos calabouços franquistas ou salazaristas e quantas outras ali continuavam, presas para sempre à omissão de Manuel Ribeiro. Aquele fogo purificador levava para longe a responsabilidade, a culpa, o heroísmo, a cobardia e a última desculpa de todos: a de ser apenas humano.
Manuel Amaro Mendonça é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo ISLA de Gaia. Nasceu em janeiro de 1965, em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos; a Terra de Horizonte e Mar.
Foi premiado em quatro concursos de escrita e os seus textos foram selecionados para mais de duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras e é membro fundador do grupo Pentautores (como o seu nome indica, trata-se de um grupo de cinco autores) que conta já com cinco volumes de contos publicados.
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (2015), "Lágrimas no Rio" (2016), "Daqueles Além Marão" (2017), “Entre o Preto e o Branco” (2020), “A Caixa do Mal” (2022), “Na Sombra da Mentira” (2022) e “Depois das Velas se Apagarem” (2024), todos editados e distribuídos pela Amazon.
Colabora nos blogues “Memórias e Outras Coisas… Bragança” https://5l-henrique.blogspot.com/, “Revista SAMIZDAT” http://www.revistasamizdat.com/, “Correio do Porto” https://www.correiodoporto.pt/ e “Pentautores” https://pentautores.blogspot.com/
Outros trabalhos estão em projeto, mantenha-se atento às novidades em http://myblog.debaixodosceus.pt/, onde poderá ler alguns dos seus trabalhos, ou visite a página de autor em https://www.debaixodosceus.pt/



































