quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Polícia Judiciária deteve suspeito de abuso sexual em Macedo de Cavaleiros

A Polícia Judiciária de Vila Real deteve um homem fortemente indiciado pela prática de um crime de abuso sexual de uma menor em Macedo de Cavaleiros.
Os factos ocorreram em Novembro de 2018, numa residência e a vítima é uma criança de 14 anos, dependente.

O detido, de 38 anos, é servente de armazém e vai ser presente a interrogatório judicial para aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.

Escrito por Brigantia

O PINTOR DE EMOÇÕES

Por: Paula Freire
(colaboradora do Memórias...e outras coisas...)

Em cada noite lenta de sombras e espetros vazios
ele regressava aos lugares de onde nunca tinha partido.
Vagueava pelo norte acaso dos caminhos perdidos,
pela cidade poluída, caída em desuso
e num voo noturno se construía pessoa
disfarçado com asas de esperança.
Era apenas assim que acreditava merecer a vida.
Agarrado aos pincéis em bruto da alma
entre a misteriosa ponte de nevoeiro
pincelava a fé escondida dos homens
quando parecia não haver mais nada…
Com letras soltas de aromas e silêncio,
pois assim se constroem as palavras 
onde cabem todos os mistérios da vida.
Abraçado à leveza do branco alvo que acolhe
renascia no azul da imensidão que se faz próxima
e num rosa sorriso de afetos revelados
transbordava a essência do vermelho emoção
absorvido no verde futuro de uma outra dimensão.
E assim explodia no brilho dourado que emana
a gratidão serena do violeta imortalizado.
Souberam depois que se demorava sempre
 na luz confundida entre a noite e o dia
ao encontro de uma madrugada sem tempo
a tornar única, esta promessa sem opções.
Ficou conhecido na cidade e no mundo…
Era ele: o Pintor de Emoções.

Paula Freire - Psicologia de formação, fotografia e arte de coração. Com o pensamento no papel, segue as palavras de Alberto Caeiro, 'a espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias'.

Mariana Bragada

Mariana Bragada nasceu em Bragança em 1997 com a necessidade de cantar, de ouvir e se expressar. As primeiras músicas originais surgiram aos 15 anos, assim que aprendeu a tocar guitarra. Mas canta desde que tem memória, tanto para passar o tempo como para vencer os medos.

Mais tarde mudou-se para o Porto para estudar Design de Comunicação e ali foi acolhida por novos ritmos e influências. Não se esquecendo das raízes criou o seu primeiro EP para um projeto da faculdade: “A voz, A vós, Avós”, trabalho feito com uma loopstation, improvisação vocal e gravações dos avós.

Atualmente, para além da guitarra, Mariana explora melodias usando apenas a voz, cosendo tapetes sonoros de sonhos e linguagens coletivas.

Com o projeto MetaMónada, tocou em 2018 no TedxPorto, Festival Bons Sons, Um ao Molhe, SofarSounds Madrid, Porto e Coimbra, entre outros, e gravou para “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria “ e para a Antena1, tendo participado no programa “Masterclass”. Tem também trabalho de sonoplastia feito para o teatro (com o Um Coletivo) e está a trabalhar no seu disco de estreia. Esta é a sua estreia no Festival da Canção.
in:rtp.pt

Assalto deixa prejuízo de cerca de 10 mil euros em Macedo de Cavaleiros

O anexo de uma habitação na Rua do Padrão Norte em Macedo de Cavaleiros foi assaltado, ao que tudo indica, durante a madrugada desta terça-feira.
O proprietário, Marco Claro, emigrante no Luxemburgo, conta que os assaltantes levaram vários motociclos e uma bicicleta, e calcula que o prejuízo ande à volta dos 10 mil euros:

“Rebentaram o portão e a porta.

Levaram duas motas: uma Yamaha XT 600 azul, valorizada em cerca de 4 mil euros, depois levaram também uma Zundapp que vale mais de mil euros neste momento.

Furtaram ainda três motas de cross pequenas, as três valorizadas em 500 euros, e ainda  uma bicicleta que, mesmo usada, já me custou 700 euros.

Ao todo, o prejuízo não deve andar longe dos 10 mil euros.”

O furto foi alertado pela mãe do proprietário, e neste momento já foi apresentada queixa na GNR que está a investigar o caso.

Escrito por ONDA LIVRE

Bragança em desacordo com transferência de competências

Município brigantino defende que fundo de financiamento da descentralização não tem qualquer dotação financeira no Orçamento do Estado para 2019 e que “os respetivos envelopes financeiros associados a cada autarquia com a identificação das verbas por área de competências ainda não aconteceu de uma forma clara e objetiva”.

Em comunicado enviado às redações, respeitante à transferência de competências da administração central para a administração local, a Câmara Municipal de Bragança revela os resultados da Reunião Extraordinária realizada ontem, dia 21 de janeiro.

Assim sendo, o documento refere que “foi aprovada a proposta de não aceitação da transferência das competências, no ano de 2019, nas seguintes áreas setoriais: Praias marítimas, fluviais e lacustres; Exploração das modalidades afins de jogos de fortuna ou azar e outras formas de jogo; Vias de comunicação; Justiça; Apoio às Associações de Bombeiros; Estruturas de atendimento ao cidadão; Turismo; Fundos europeus e captação de investimento; Habitação e Estacionamento público”.

Na mesma reunião, só foi “deliberada a aceitação da transferência da competência que diz respeito à gestão do património imobiliário público sem utilização”. Isto acontece porque, de acordo com o executivo do PSD, “após uma apreciação sobre este processo e na defesa dos interesses quer da autarquia quer da população”, entende que “não existem condições para aceitar a transferência de todas as competências no ano de 2019”. E explica:

“A aprovação da Lei-Quadro de Descentralização, aprovada no ano passado, pressupunha a aprovação dos decretos-leis setoriais e os envelopes financeiros associados a cada autarquia com a identificação das verbas por área de competências, o que ainda não aconteceu de uma forma clara e objetiva, para além de ainda não terem sido promulgados todos os diplomas previstos.

Os diplomas setoriais publicados não referem os recursos financeiros, patrimoniais e humanos necessários para a efetiva transferência de competências da administração central, não permitindo uma análise rigorosa e responsável sobre o impacto dessa decisão nas contas municipais, sendo fundamental uma maior informação sobre as condições e implicações da sua materialização.

O fundo de financiamento da descentralização, único elemento legal habilitante para transferência de verbas para esta delegação de competências, não tem qualquer dotação financeira no Orçamento do Estado para 2019.”

Bruno Mateus Filena
Foto: Fernando Pimparel
in:diariodetrasosmontes.com

Quase 2 milhões de pessoas visitaram os museus da Direcção Regional de Cultura do Norte em 2018

O total de visitantes registados nos museus geridos pela Direcção Regional de Cultura do Norte, no ano de 2018, ultrapassou, pela primeira vez, os 1,8 milhões de visitantes.

Segundo a Direcção Regional de Cultura do Norte, o número mais do que duplicou em cinco anos, com uma subida de 37% em relação ao período homólogo. O Museu do Abade Baçal, em Bragança, é um dos sete que está sob a tutela deste organismo. O director, Amândio Felicío, confirma que, no caso deste museu brigantino, nos últimos anos o número de visitantes também duplicou. "Aquilo que se verifica, de facto, é que, no âmbito dos museus que estão à guarda da Direcção Regional de Cultura do Norte, é um aumento exponencial do número de visitantes. O ano de 2018 foi o melhor desde 2014. Nos últimos 10 anos passámos de valores que estavam perto das 10 mil pessoas para valores perto dos 20 mil visitantes".

Desde 2014, já se registaram cerca de 6,15 milhões de visitantes no conjunto de museus e monumentos geridos por esta entidade. Amândio Felicío admite que esta recuperação de deve a novas dinâmicas e ao aumento de turistas na cidade. "Estamos naturalmente satisfeitos com esta recuperação que tem que ver também com as dinâmicas de visitação turística e do crescimento do turismo na cidade de Bragança. Aquilo que temos tentado realizar, no fundo, é promover um conjunto de actividades que possam trazer um maior número de visitantes. Este mês de Agosto foi o melhor desde que temos registo".

O museu está ainda a implementar novos conteúdos para atrais mais público. "Estamos a implementar, aliás, começa já este fim-de-semana, no sábado, um protocolo com o projecto MoviCanta Bebé procurando promover uma oferta destinada a um público especifico. Simultaneamente temos um programa de exposições temporárias que irá tentar trazer alguma dinâmica e novas temáticas às exposições do museu", explicou o director.

Além do protocolo com o projecto MoviCanta Bebé e das exposições temporárias com novas temáticas, o museu vai implementar um programa de serviço educativo com os agrupamentos de escolas do concelho de Bragança para criar uma oferta cultural qualificada destinada a este público.

Escrito por Brigantia
Foto: Direção Regional de Cultura do Norte
Jornalista: Carina Alves

GIPS de Bragança mudam de instalações depois de edifício ter sido encerrado por degradação

As instalações dos GIPS de Bragança estão em risco de ruir, tendo já sido vedadas devido à degradação e falta de segurança. A GNR avançou que está a ser identificada uma solução para o problema, mas para já os 20 militares dos GIPS estão em instalações provisórias.
Um dos edifícios que alberga a 7.ª companhia do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS) de Bragança foi interditado há cerca de 15 dias, por estar em risco de ruir.

Os militares que se encontravam naquelas instalações tiveram de ser transferidos, estando agora os 20 elementos concentrados num outro imóvel, contíguo ao antigo Governo Civil, no Largo de São João, que, ao que pudemos apurar, também não apresenta as melhores condições.

As garagens usadas pela subunidade da GNR foram igualmente vedadas, por motivos de segurança.

Perante estas condições, foi mesmo suscitada a possibilidade de transferência para outro concelho deste efectivo e dos recursos afectos ao Centro de Meios Aéreos de Nogueira do GIPS, mas essa hipótese foi já afastada pela Guarda Nacional Republicana, que informou à rádio Brigantia, que “a solução para a reinstalação dos militares está identificada” e “passa por um edifício, já existente, localizado no mesmo concelho”, sem no entanto adiantar qual o imóvel e onde se situa. Quanto à altura em que se concretizará a mudança, a divisão de Comunicação e Relações Públicas da GNR, não avançou nenhuma data, mas esclareceu que “estão em curso as necessárias diligências tendentes à concretização da mudança, que se espera venha a ocorrer a curto prazo”.

Perante esta solução encontrada, tal “não implicará qualquer constrangimento ao nível operacional ou ao nível da vida pessoal dos militares”, assegura ainda a GNR.

O edifício que foi evacuado serviu de oficinas da PSP, quando esta força de segurança se encontrava instalada no edifício contíguo, actualmente ocupado pelos serviços da protecção civil distrital. Já o edifício que ainda está a ser ocupado e alberga agora todo os operacionais dos GIPS de Bragança foi construído nos anos 90 para instalar o centro de formação da Escola Nacional de Bombeiros, que funcionou na capital de distrito. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

O que realmente importa - Workshop de Fotografia

Uma tecnologia galopante, inúmeros equipamentos de captação e uma avalanche de fotografias partilhada diariamente nas redes sociais assinalam os tempos que vivemos. Paradoxalmente, a fotografia parece estar a passar por uma crise de identidade, porque a pertinência e a longevidade da imagem fotográfica parecem eclipsar-se a cada nova vaga de imagens, sempre que acedemos à internet.

Neste workshop de iniciação, sintetizam-se os ingredientes técnicos e estéticos que fazem uma boa imagem e revisita-se a cultura visual que consolidou esta forma de expressão artística durante o século XX – tudo o que precisamos saber para dar asas à criatividade. Porque a boa fotografia depende hoje, como sempre, do fotógrafo!
O workshop encontra-se aberto a todos os que querem iniciar ou evoluir na fotografia, independentemente da sua experiência, conhecimentos ou tipo de equipamento fotográfico que utilizam. Para participar, basta trazer a câmara fotográfica, papel e caneta para apontamentos; serão distribuídos alguns documentos com a informação teórica.

PROGRAMA
DIA 9 de Fevereiro
09.45 I. ESTÉTICA FOTOGRÁFICA: O FOTÓGRAFO ÚNICO QUE HÁ EM NÓS
A importância das regras de sempre: luz, perspetiva, composição, momento
10:30 II. TÉCNICA FOTOGRÁFICA: BEM TRADUZIR A VISÃO PESSOAL
Conhecimento e aplicação das funções básicas da câmara digital
13:00 Almoço
14:30 III. DE QUE VIVE UMA BOA FOTOGRAFIA?
Aprender a identificar os aspetos técnicos e estéticos na obra de fotógrafos de referência
15:30 IV. PÓS-PROCESSAMENTO DIGITAL: SABER ABRIR A CAIXA DE PANDORA
O essencial do processamento digital, descomplicado!
17:00 V. ENSAIO
Identificar e experimentar as diferentes funções na câmara digital pessoal
18:30 Final do primeiro dia

DIA 10 de Fevereiro
09:45 VI. AULA PRÁTICA
16.30 Final do segundo dia

Inscrições limitadas a 15 participantes.

Sobre o António Sá…
Nascido em Espinho em 1968, António Sá iniciou-se na fotografia aos 11 anos de idade. Em 1995, com 26 anos e após várias profissões, começa o percurso como fotógrafo profissional e jornalista, realizando reportagens para diversas revistas europeias, incluindo a edição portuguesa da National Geographic. Explorando ideias próprias ou em assignments para clientes específicos, a vida como freelance leva-o a destinos como Bornéu, Turquia, Brasil, China, Alasca, Mongólia, Islândia, Namíbia ou Cabo Verde, entre muitos outros.
Como instrutor, António Sá tem realizado workshops para várias entidades, entre as quais a Fundação de Serralves (Porto), e conduzido passeios fotográficos em Portugal, Espanha, Islândia e Marrocos. A par destas iniciativas, participa regularmente em conferências e seminários a convite de estabelecimentos de ensino e empresas da área da fotografia.
Em 2007 e 2008 foi convidado para orientar a disciplina de Projeto Fotográfico do Curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual, do Instituto Politécnico do Porto.
Ainda em 2007, foi o fotógrafo escolhido para o projeto do National Geographic Channel sobre os sítios portugueses classificados pela UNESCO como Património Mundial. O documentário resultante, Portugal: Um Outro Olhar, foi emitido por este canal na Alemanha, Espanha, Portugal e Reino Unido, e o seu trabalho fotográfico esteve presente em Berlim, Lisboa, Londres e na cidade turca de Eskisehir.
Em Maio de 2012, a recolha fotográfica que realizou para a Fundação Rei Afonso Henriques, sobre os 11 sítios Património da Humanidade na bacia do Douro culmina com uma exposição inaugurada pelos chefes de governo de Espanha e Portugal, durante a XXV Cimeira Ibérica, realizada no Porto.

CM de Vimioso

Workshop de Poda e Enxertia em árvores de Fruto

As práticas da poda e da enxertia assumem particular importância no cultivo de determinadas culturas. É através destes métodos que se assegura o correto desenvolvimento da planta e a sua produtividade bem como o combate a pragas.

Neste workshop os participantes terão a oportunidade de aprender a identificar as épocas adequadas para a realização da poda e da enxertia e as diferentes técnicas utilizadas, assim como executar diferentes técnicas de poda e de enxertia.

Formador: Duarte Fernandes (Engº Agrónomo)

Programa

Sábado – Poda
Manhã – Teórica
10:00h Poda de fruteiras – Princípios teóricos: objetivos, época e tipos de poda.
Tarde – Prática
14:00h Realização da poda de formação e de frutificação
16:30h Final dos trabalhos


Domingo – Enxertia
Manhã – Teórica
10:00h Enxertia de fruteiras – Princípios teóricos: objetivos e época de realização. Escolha do material a propagar. Tipos de enxertia.
Tarde – prática
14:00h Realização de enxertia em diferentes árvores de fruto
16:30h Final dos trabalhos

CM de Vimioso

Passeio BTT - Integrado no Festival de Sabores Mirandeses, o 15º Passeio de BTT- L'Crenque

Integrado no Festival de Sabores Mirandeses, o 15º Passeio de BTT- L'Crenque , é já de referencia para amantes das bicicletas, da gastronomia, da natureza e das paisagens do Planalto Mirandês.
Inscrições até ao dia 14 de Fevereiro.

VI Concurso da Tabafeia de Miranda

A Câmara Municipal de Miranda do Douro e a Sabores de Miranda – Associação de Produtores Gastronómicos das Terras de Miranda, promovem o VI Concurso de Tabafeia, no dia 16 de fevereiro, às 11h00, no Recinto do Jardim dos Frades Trinos, inserido no Festival de Sabores Mirandeses, que irá decorrer de 15 a 17 de fevereiro.

O concurso tem como objetivo promover e incentivar a produção e consumo da Tabafeia de Miranda, bem como estimular o seu melhoramento sensorial e degustativo, sensibilizando a população para a valorização dos recursos e produtos locais. A tabafeia de Miranda é um enchido fumado, de carne de aves e porco, pão regional de trigo, azeite, condimentada com sal, alho, colorau ou pimenta e salsa.

Inscrições até dia 1 de fevereiro, no Balção Único deste Município.

Venham apreciar e degustar este produto de excelência!

CM de Miranda do Douro

Crianças vão às “Hortas Aromáticas"

Os serviços educativos da Câmara Municipal de Mirandela estão a dinamizar a iniciativa “Hortas Aromáticas”, para as crianças do ensino pré-escolar e 1º ciclo, no Museu da Oliveira e do Azeite (MOA).
Já participaram 500 crianças e ainda se irá prolongar até ao final do mês de fevereiro.

Nesta atividade, que tem por base o livro infantil “Hortas Aromáticas”, as crianças protagonistas da história, mergulham na diversidade do mundo vegetal.

Aprendem a extrair óleo essencial e hidrolato de Alecrim, planta aromática e medicinal, escolhida, devido ao facto de existir em todos os jardins de Mirandela. Espreitam as colmeias, regam a horta e aprendem algumas receitas com a utilização das plantas.

Com ela pretende-se aproximar as crianças ao mundo que as rodeia, despertando nelas o interesse também pelo azeite e pelo património cultural e imaterial que existe no concelho.

CM de Mirandela

Rancho de Mirandela volta ao Mercado Municipal no dia 16 de fevereiro

O aclamado Rancho de Mirandela volta ao Mercado Municipal no dia 16 de fevereiro. Mais de 30 restaurantes irão pôr à prova os seus dotes com esta iguaria típica da região. 

Adquira a sua malga a partir do dia 05 de fevereiro nos seguintes locais:
- Posto de Turismo
- Museu da Oliveira e do Azeite
- Mircom
- Centro Cultural

PERTURBAÇÃO DO ESPECTRO DO AUTISMO

O Município de Carrazeda de Ansiães informa que estão abertas as inscrições, até ao dia 30 de janeiro de 2019, para a participação no Curso de Formação "Perturbações do Espectro do Autismo –Compreender para Intervir" com a duração de 25 horas, destinado a Educadores e Professores dos Ensinos Básico e Secundário, pais e à comunidade em geral. 

O curso será dinamizado pela formadora Dr.ª Charlotte Coelho, no Auditório da CITICA, em Carrazeda de Ansiães.

Comunidade em geral  - Poderá efectuar a sua inscrição mediante o preenchimento da ficha de inscrição que disponibilizamos em anexo que deverá ser enviada para o seguinte email sucessoescolar@cmca.pt

Professores e educadores - Para os professores e educadores a formação é creditada sendo a inscrição efectuada AQUI.

Stand-Up Comedy com Joel Ricardo Santos e João Seabra - 9 Fevereiro - 21h30 Cineteatro de Torre de Moncorvo

Festividades da Amendoeira em Flor - Fevereiro e Março de 2019 - Torre de Moncorvo

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O Gardel, o Leonel Petra e o Senhor César Barata.Três personagens maiores do imaginário do meu tempo de menino

Entrar às nove da manhã era coisa que o Gardel abominava. Se algum dia entrou na Barbearia antes da hora para poder estar operacional quando soassem as quatro mais nove badaladas no relógio da torre da Sé, foi porque se enganou, ou teria grande responsabilidade. Já o Leonel entrava sempre a tempo excepto quando a noitada acabava já o dia se pressentia e a Alvorada despontava, mais cedo no Verão, mais tarde no Inverno.
O Senhor César Barata era patrão de dois tipos tão diferentes e mesmo assim tão iguais. O Senhor César tinha como caraterísticas primeiras a benevolência e a boa disposição. A benevolência, eu atribuía-a ao seu carácter conciliador e a boa disposição nascera da sua tendência para se rir de tudo e todos e ter o dom de saber aforismos e frases feitas em quantidade industrial.

No nosso tempo de Flórida o Senhor César antes das nove abria a porta, metia a cabeça e dizia: -Isto é que são terras não é Vidoedo! Ele sabia há muitíssimo tempo que a mãe da minha mulher era de lá e gostava de "atazanar, pois a Isabel adorava o diálogo com ele.
Eram os bons dias que o preparavam para aturar e meter o Gardel nos eixos quando o Benfica perdia e o Leonel quando as manhãs ajudavam a destilar o "Grazil" da noitada no Almeida ou no Verbo. O Padre Carneiro chegava a partir das 09:30 e se o Dr. Patrício estivesse presente eram abertas as hostilidades que o Senhor César tentava em vão remeter para uma espécie de "Truce" que pusesse as hostilidades em banho-Maria. 
Quando eu era pequeno o Gardel dormia pouquíssimo, tinha afazeres após deixar a Barbearia que nunca consegui compreender como se desenvencilhava deles tão airosamente. Era chefe de sala na JOC no tempo em que o ping-pong estava na moda. Os duelos Entre o Telmo Seixas e o Senhor Ribeiro duravam horas e os mirones manifestavam-se sempre que o seu preferido ganhava uma partida. 
Quando o Gardel fechava o salão de Santa Clara eram 23:00 e ele ainda tinha no mínimo até às 02:00 da matina para ir visitar o Zé Verde-gaio que depois o acompanhava ao Verbo, Almeida e estabelecimentos afins. Andava sempre a pé. Raramente entrava num carro pois só confiava em pouquíssimos "chauffeurs".
O Leonel, esse, era um castiço mas amicíssimo da mãe e irmãs e o seu carácter era bom por natureza. No dia que fomos ao Cemitério eu fiquei convencido, que por aquele não viria o mal ao mundo. O Fininho recusou-se a acompanhá-lo, o outro entrou em pânico que se borrou completamente, a Alma do outro mundo, afinal era o Victor Fotógrafo e ele encarou tudo sem um remoque, antes achando que tudo era natural e só não acontecia a quem não entrava naquele trem. 

Acho que o Senhor César queria a estes dois como se fossem seus irmãos. A minha amizade com o Gardel era uma das que eu mais prezava. A minha filha mais velha era da idade do seu mais novo. Como já disse ele era adepto do Benfica e eu do Sporting. Teriam os miúdos sete ou oito anos e o Sporting jogaria em Alvalade com o Sevilha para as competições europeias.
Uma noite o Gardel passou no Flórida para cobrar as quotas do Desportivo. Fez-me então uma proposta. Já mais que uma vez havíamos falado de irmos a Lisboa ver o Sporting X Benfica e aproveitarmos para relaxar um pouco. Disse-me vamos a Lisboa ver o jogo e levamos os garotos. Eu respondi, vamos no meu carro. Resposta rápida :-sabes bem que não viajo de automóvel, assim vamos de Comboio. 
Quando fechei o Café e fui para cima, dormíamos no terceiro andar, e disse à minha mulher o que tencionava fazer ela só disse :-se um Diz mata outro Diz esfola!
O padre Carneiro era um bom garfo…Sabia também estar à mesa das festas de aldeia e seleccionar o melhor do cabrito, da vitela e do leitão que não sei porque artes de mágica ia sempre a parar ao prato de Suas Reverências. 
Tendo tido o cuidado de avisar o da Música para não reabrir o Baile muito cedo era um consolo vê-los trinchar nas carnes que mais pareciam trogloditas à volta de um cervo tenrinho e dourado com as peles crestadas como só o forno de lenha das aldeias é capaz com esteva e vide ardendo para se cumprir mais uma refeição magistral. 
Quando o Padre Carneiro começava a contar os pormenores o Dr. Patrício irritado falava alto e dirigindo-se ao Leonel ou ao Gardel afirmava com convicção, sois uns alarves e pior ainda não cumpris com a abstenção das carnes o que infringe a lei da temperança.
Tenho ao longo do ano que findou escrito sobre a Babel que se formava na Barbearia Ideal e a capacidade de argumentação que particularmente os mais letrados possuíam de com uma simples menção a algum tema controverso se armava ali uma confrontação retórica que para mim era ouro sobre azul!
 Além da frequência e do prazer de dizer algo que deixasse o outro estupefacto havia capacidade do Leonel dizer ao Cigano: -Não tens dinheiro para alimentares a criança? E respondendo o cigano,-Num Senhora. O Petra verdadeiramente Zangado ripostou :-VENDE O VEÍCULO!






Bragança, 22 de Janeiro de 2019
A. O. dos Santos
(Bombadas)

FOI ASSIM

Ilustração: Susa Monteiro
Eis-me aqui em Lisboa mas nunca saí inteiramente de lá. Já não tenho camuflado, já não tenho arma, já não tenho cabelo loiro. O que tenho eu então? O que aconteceu à minha G3, o que me aconteceu a mim?

A minha filha mais velha nasceu quando eu andava na guerra, nas Terras do Fim do Mundo, cerca de seis meses depois de embarcar para lá. Lembro-me que tínhamos, à entrada do arame farpado, um letreiro que dizia Lisboa 10 000 km, Moscovo 13 000. Estávamos na fronteira da Zâmbia, a uma distância imensa de Luanda, vivendo os sobressaltos do primeiro ano de horrores. Nenhum de nós tinha trinta anos excepto o capitão e os sargentos e tudo aquilo era um pesadelo. Nisto veio uma mensagem em cifra

(porquê em cifra Santo Deus?)

a anunciar que me nascera uma menina. É difícil descrever o que senti. Lembro-me que me apeteceu matar os cabrões de Lisboa que me haviam mandado para ali. Matá-los mesmo, juro, matá-los mesmo. Fui sozinho para a beira do arame, o mais longe possível dos meus camaradas porque me apetecia chorar. E aí fiquei que tempos, voltado para a chama numa mistura de sentimentos que não sei descrever, embrulhado em lágrimas de alegria, desespero e ódio, repetindo

– Cabrões cabrões cabrões

e depois, à medida que o tempo corria, os abraços apertados e tristes

(tão apertados e tão tristes)

dos outros rapazes. Sem palavras: de que serviam as palavras? Andei para ali que tempos na areia, a cambalear como um tonto. Isto não perdoo. Não perdoarei nunca. Mas continuo a sentir a carne viva da amizade deles, que sempre foi tão importante para mim. Isto no Chiúme, no sítio pior do batalhão, era junho. Até um mês como junho pode ser tristíssimo. O meu camarada Eleutério, que sempre que ia para a mata regressava cadavérico, colocou-me a palma no ombro. E não podem imaginar o que uma palma ajuda, com os falcões por cima e as folhas das árvores a tremerem, tremerem, quase tanto como eu tremia. Depois nada, salvo eu sozinho sentado na cama, a olhar a G3 encostada à parede. O Eleutério olhou para mim e olhou para ela sem dizer nada, claro, para quê falar? Recordo-me de haver pensado

– E se eu não chego a vê-la?

Como aconteceu ao meu primo Quim Zé, e nisto eis-me outra vez na Vespa do Quim Zé, sempre com paciência para o miúdo que eu era, a passear-me em Benfica, agarrado às costas dele, todo vaidoso. Gostava de ti, primo, eras bom e paciente para mim, não te esqueci nunca, nunca te esquecerei, fui com os meus pais assistir à chegada do teu caixão, a pensar

– Oxalá a Ana Maria

(a irmã dele de que eu gostava tanto, ainda gosto)

a pensar

– Oxalá a Ana Maria saiba mexer na Vespa.

Demorei quase cinco meses a espreitar o meu bebé ao vir de licença a Lisboa, onde passei trinta dias quase sempre deitado na cama, mirando o tecto, a contar os dias que faltavam para regressar àquele inferno, com uma criança loira, de olhos claros, a dormir no meu quarto. A minha laranjinha, como eu lhe chamava, a minha laranjinha, eu sempre de olhos cheios de Angola, tão aflito, tão tenso de raiva. O Quim Zé morreu de um tiro só, pensava-se que do Pedro Afamado, o Mata-Alferes. Pode ser, pode não ser, o que importa? De qualquer maneira não foi o Pedro Afamado, foram os tais cabrões de Lisboa que o mataram, o Pedro Afamado fazia o que lhe mandavam, tal como nós, só que ele lutava pela sua terra, em relação à qual tinha mais direito do que eu. Pronto, foi assim. Mas para quê tanta violência, tanta injustiça, tanto sofrimento? Voltei ao fim de vinte e sete meses daquilo a que o meu camarada e amigo de coração Ernesto Melo Antunes chamava um erro formidável, um erro de uma maldade atroz. Meu Deus as lágrimas que apesar de tudo consegui congelar na parte de trás dos olhos. Lembro-me do capitão

– Matei um homem de costas, doutor, matei um homem de costas para nós

numa perplexidade e num sofrimento que se palpava. E eu a ouvi-lo engolindo-me a mim mesmo, porque era eu quem se atravessava na minha própria garganta. Passaram anos sobre isto tudo e de vez em quando estou lá, palavra de honra, de vez em quando estou lá. Não era apenas um erro formidável, Ernesto, era uma estupidez formidável. Porquê, porquê, porquê? E tudo isto no país mais bonito que visitei, sob estrelas que não conhecia, negros miseráveis perto dos brancos miseráveis que éramos, miúdos atirados para um espaço que não nos pertencia com a estação das chuvas a crescer, a crescer.

Agora eis-me aqui em Lisboa a escrever isto. Eis-me aqui em Lisboa mas nunca saí inteiramente de lá. Já não tenho camuflado, já não tenho arma, já não tenho cabelo loiro. O que tenho eu então? O que aconteceu à minha G3, o que me aconteceu a mim? Se contasse isto ao Quim Zé aposto que ele me respondia

– Senta-te aí atrás na Vespa

e me levava a passear por Benfica até as lágrimas me secarem todas no interior das pálpebras.



(Crónica publicada na VISÃO 1349 de 10 de janeiro de 2019)
António Lobo Antunes

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos FERNANDO MONTESINOS (VILA FLOR, 1589 – ANTUÉRPIA, 1659)

Seu pai, Manuel Lopes Teles, passou pelas cadeias da inquisição de Coimbra, em 1577, sendo absolvido das acusações que lhe fizeram. Como testemunhas de defesa, apresentaram-se os homens de maior nobreza e fidalguia de Vila Flor e do processo ressalta a ideia que ele era homem de influência e abonado de bens.(1) Faleceu em Vila Flor pelo ano de 1596.

Sua mãe, Filipa Dias, era filha de Pedro Dias, que foi tenente em Monforte de Lemos e tesoureiro da confraria de Nossa senhora do Rosário, passou igualmente pelas celas de Coimbra, empenhando-se particularmente na sua prisão o inquisidor Jerónimo de Sousa que andou atrás dele por terras de Vinhais.(2)

Manuel Lopes e Filipa Dias moraram em Vila Flor e ali criaram 6 rapazes e 2 raparigas, que todos casaram. Apenas a filha mais nova, Beatriz Rodrigues, ficou a morar em Vila Flor, casada com Jorge Fernandes e ali terá falecido, em 1613.

Um dos filhos, Diogo Lopes Teles, frequentou a universidade de Salamanca nos anos de 1592 a 1597, saindo formado em medicina. Exerceu a profissão em Vila Flor, nos primeiros anos do século XVII, ali casando com Isabel Henriques.(3) Mudou-se depois para o Porto e ali comerciava, em rede com seus irmãos. Possivelmente, sentindo o cerco do santo ofício, foi-se dali para Amesterdão, onde se terá circuncidado, tomando o nome de David Arari. Faleceu em 1632.(4)

Os restantes filhos rumaram a Castela e espalharam-se pela Europa, em posições estratégicas, tecendo uma fantástica rede familiar de negócios, em que o líder seria exatamente um dos irmãos mais novos, Fernando Montesinos. No dizer de Markus Schreiber, “os Lopes Teles foram uma das principais famílias de Castela no século XVII”.

Bartolomeu Lopes Teles, seria o primeiro a seguir para Espanha, com mulher e filhos, estabelecendo morada em Valhadolid.

João Lopes Teles foi de casa movida com a família assentar morada em Sevilha, no outro extremo de Espanha.

O irmão Pedro, casado com Guiomar Henriques, estabeleceu-se em Baeza, no sul de Espanha, seguindo mais tarde para Marselha, em França.

A irmã Catarina, casada com Bernardo Lopes Ferro, morou em Medina del Campo. O marido, porém, foi tomar conta da delegação das empresas no Brasil.

Manuel da Serra seguiu para França, passando de seguida à Holanda, para assentar definitivamente em Amesterdão.

Fernando Montesinhos terá começado a viajar e mercadejar entre Vila Flor e Castela com os irmãos. Encontramo-lo, nomeadamente em Baeza, com o irmão Pedro, em 1602. Pouco depois, com o capital de 500 ducados, ganhos por ele ou emprestados pelos irmãos, começou a negociar por conta própria. Nesta situação se manteve até 1612, altura em que se associou ao irmão Bartolomeu, com “lonja” aberta em Valhadolid. Os negócios da “lonja” andavam à volta dos tecidos mas sobretudo da compra de lãs em Portugal e Castela, que eram exportadas para a Flandres e para a França, país este onde ele começou a frequentar as feiras de Ruão, Paris, Lyon e La Rochelle.

Por 1616, Bartolomeu e a mulher faleceram, e Fernando Montesinos mudou-se para Madrid, ali estabelecendo a sede da sua própria empresa e levando também os seus 3 sobrinhos, filhos de Bartolomeu. Era já empresário de nome, um próspero “hombre de negócios” e, por isso, em 1620, alcançou casar com D. Serafina de Almeida, da família dos Lopes de Castro, “banqueiros do rei Filipe”, família onde também casou António Lopes Cortiços. Ligavam-se assim algumas das mais ricas e prestigiadas famílias cristãs-novas de Bragança, Mogadouro, Torre de Moncorvo e Vila Flor.

Fernando Montesinos logo ascendeu à classe dos “asientistas”, apresentando-se a concursos de prestação de serviços à Coroa, serviços que exigiam extraordinária capacidade financeira, forte liderança e recursos humanos especializados. Foi o caso do comércio do sal, cujo monopólio arrematou por 10 anos, nas regiões da Galiza, Astúrias e Andaluzia.

Obviamente que nos lugares de direção nos diversos postos de abastecimento (“alfolis”) estavam colocados familiares e amigos, e que a porta estava sempre aberta para os cristãos-novos de Vila Flor e Trás-os-Montes que para Espanha se iam e demandavam trabalho nas empresas Montesinos. Deve acrescentar-se que a atividade da empresa não se limitava à venda de sal em Castela, mas também à sua exportação para os países nórdicos.

Outro “asiento” que ele conseguiu foi o provimento das tropas estacionadas na praça de Ceuta, que incluía o pagamento dos ordenados, o fornecimento de géneros alimentares e fardas às tropas, bem como a palha e grão para os cavalos. Imagina-se a quantidade de pessoas a trabalhar para o “asiento”, desde a compra do cereal ao fabrico do pão, aos transportes, etc.

Mas não se pense que os outros negócios de Fernando Montesinos pararam. Pelo contrário, cresceram e estenderam-se à Flandres, Holanda e Alemanha, certamente em rede com seus familiares. Contudo, a inquisição vigiava e Fernando Montesinos foi preso pelo tribunal de Cuenca, acabando por ser absolvido e sem grande prejuízo para os seus negócios. O pior estava para vir.

Por 1650, a inquisição iniciou uma série de investigações a respeito da limpeza de sangue dos Cortiços, que haviam alcançado o grau de Cavaleiros da ordem de Calatrava, concluindo que vários “hombres de negócio” tinham prestado falsas declarações. Por outro lado, falecendo Manuel Cortiços Villasante, fizeram-se muitas esmolas por sua alma, em paga de jejuns judaicos, o que também chegou ao conhecimento dos inquisidores. Em consequência, registou-se uma vaga de prisões entre aquele grupo de mercadores e “banqueiros do rei”.

Foi o caso de Serafina de Almeida e Fernando Montesinos, presos em 1654, que saíram penitenciados dois anos depois e condenados a pagar, respetivamente, 2 mil e 6 mil ducados (12 contos de réis, no total), de acordo com a informação de M. Schreiber, se bem que Cármen Sanz eleve a conta para 10 000 cruzados.(5)

Claro que com a prisão de Montesinos pela inquisição, se colocava o problema da reversão dos “asientos” por ele contratados com a Coroa. Porém, nenhum empresário se apresentou a concorrer, para além dos filhos do próprio Fernando Montesinos, sobre quem os conselheiros da Coroa prestaram a seguinte informação:

— Estos hijos de Montesinos son muy inteligentes y por cuyas manos corrían las negociaciones de su padre y ninguno como ellos podrá com la notícia que tienen y com el crédito, acudir tan bién a la uno e a la outro como ellos.(6)

Na verdade, apesar daquele rombo financeiro, as empresas Montesinos continuaram florescentes, dirigidos pelos filhos, Manuel e Bartolomeu que, mutuamente, se conferiram amplos poderes. E para melhor gestão, estabeleceram uma espécie de direção bicéfala e descentralizada, ficando Manuel na agência de Madrid e Bartolomeu em Pontevedra.

Entretanto, retomada a liberdade, Fernando Montesinos e Serafina de Almeida abandonaram Madrid e foram para a Flandres, estabelecendo morada em Antuérpia, onde viriam a falecer. Com eles para a Flandres, viajou o sobrinho/neto Francisco Teles que em Madrid trabalhava de tesoureiro com Fernando Montesinos. Voltará a Espanha e como “hombre de negócios” e mais tarde ganhará o concurso para o abastecimento das tropas espanholas em Marrocos, indo fixar-se em Larache.

Notas:

1 - Inq. Coimbra, pº 458, de Manuel Lopes. Este processo é bem revelador das preocupações do arcebispo de Braga, Frei Bartolomeu dos Mártires, relativamente aos procedimentos da inquisição contra os cristãos-novos, bem como da atuação verdadeiramente estranha e singular desenvolvida pelo inquisidor de Évora, Jerónimo de Sousa, enviado para Vila Flor como abade da igreja matriz.

2 - Idem, pº 9881, de Pedro Dias.

3 - DIOS, Ángel Marco de – Índice de Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580 – 1640), in: Brigantia, vol. XII, n.º 3; Bragança, 1992.

4 - 3-SCHREIBER, Markus – Marranen in Madrid 1600-1670, pp. 164 - 171, Stuttgard, Steiner Verlag, 1994.

5 - SANZ, Cármen Ayán – Los Banqueros de Carlos II, Valladolid, Universidad, 1989, pp. 336 – 338. Outros prisioneiros do círculo de F. Montesinos, condenados em “multa” para o santo ofício foram os seguintes: António de Sória, originário de Bragança, agente dos Cortiços – 1000 ducados; Gaspar de Gouveia, empregado da Casa Cortiços – 4000; Diogo da Costa Brandão, “asientista” – 4000; Gaspar Nunes, de Aveiro, negociante de sal – 2000; Francisca da Veiga – 4000; Mência de Almeida, irmã de Serafina – 4000; André da Fonseca, médico de Mirandela – 500.

6 - Idem.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

QUEM MAIS DÁ MAIS AMIGO É DO SANTO

Como vai a nossa gente boa a amiga? Como diz o nosso povo “NÓS CÁ VAMOS E CÁ IMOS!”.

Para nós, que nos queixamos com o frio, lembro a todos que estamos em pleno Inverno e que além das geadas que têm sido ásperas, também o nevoeiro tem marcado bem a sua presença. A chuva e a neve ainda andam a fazer os exercícios de aquecimento para poderem entrar nesta época.

Atenção familiazinha, está aí a senhora gripe! Há lares inteiros que já a apanharam, pois basta que um elemento da família se contagie para que os restantes fiquem automaticamente habilitados a tão mau prémio. Este tempo, em especial o nevoeiro, também mexe nos ossos daqueles cujo corpo já é uma autêntica estação meteorológica.

A azeitona ainda vai dando trabalho, pois em algumas aldeias ainda há muita por apanhar, como é o caso de Castro Vicente (Mogadouro) onde, segundo o nosso tio Amândio Valença, têm ainda várias semanas de azeitona pela frente. Continuando na agricultura, há muita da nossa gente que está “tipo de férias”, mas outros há que vão lavrando e plantando castanheiros e oliveiras, assim como pequenas sementeiras de alhos e outras miudezas.

A nossa rádio retrata a vida diária de pessoas simples e humildes, cheias de bom coração, que nos habituaram a fazer da rádio a Família do Tio João. Diariamente é sempre uma incógnita quem pode aparecer a confortar a família com o seu calor humano, nestas madrugadas tão gélidas, mas uma certeza temos: milhares de ouvidos nos escutam e fazem da nossa voz a mais ouvida de toda a região.

No ano em que estamos a festejar os trinta anos de existência da nossa família, tivemos, na passada sexta-feira, uma participação telefónica de uma senhora que nos ouviu pela primeira vez e nos disse que ficou apaixonada “à primeira vista” pelo programa, explicando-nos que foi o seu marido, motorista de profissão, a circular na A52, entre a Puebla de Sanabria e Verin, que nos sintonizou e lhe telefonou a contar que estava a ouvir um programa de rádio único e apaixonante. Logo de seguida e depois do telefonema do seu marido, a tia Adélia, que vive em Celorico da Beira (Guarda), encontrou a nossa rádio na internet e ligou-nos, fazendo com que o seu marido, Carlos Gomes, também nos tenha ligado muito emocionado. Fizemos-lhes o baptismo de tio e tia, recebendo-os de braços abertos na nossa família, que assim ficou mais forte. Desde o início deste ano de 2019, já ultrapassamos as 600 participações em directo, e destas, 20 foram novas apresentações.

Nos últimos dias têm-se festejado os santos de Janeiro um pouco por toda a parte. Na nossa região, o dia 15 foi o dia de Santo Amaro, o dia 17 foi o de Santo Antão, o dia 20 foi o de São Sebastião e hoje, dia 22, é o dia de São Vicente. Ao longo dos anos, tradição antiga, estes santos são presenteados com peças de bom fumeiro, salpicões, chouriças, alheiras e outras partes do porco. Apesar de haver cada vez mais localidades em que a matança do porco caiu em desuso, como é o caso de Salselas (Macedo de Cavaleiros), terra da tia Noémia, que nos contou que, nesta localidade, da capela do São Sebastião nem as portas se abriram e nem a uma missa teve direito. De referir que São Sebastião é o santo que mais “casas próprias” tem na nossa região e nas localidades onde não tem capela própria, tem um lugar de honra no altar da igreja matriz.

Por estas e por outras, é com alegria que constatamos que a tradição dos arremates ainda se mantém em muitas localidades, como é o caso de Alimonde (Bragança), onde se arrematam peça por peça aquilo que as pessoas oferecem, desde fumeiro a animais vivos, bolos e garrafas de bebidas. Em Baçal (Bragança), o tio Eusébio contou-nos que há dois anos, um salpicão atingiu o valor de 110 euros no arremate, porque a pessoa que o ofereceu, incentivou as puxadas, licitando ela também e acabou por ficar com ele. Como diz o povo “quem mais dá, mais amigo é do santo”. Em Vale de Lamas (Bragança), além do arremate individual das peças de fumeiro, também fazem o ramo de fumeiro e o ramo de doçaria para arremate. Também em Castro Vicente (Mogadouro), no dia de São Vicente (22) se fez o arremate do ramo, composto por fumeiro e animais vivos e que é licitado de uma só vez, entre o grupo dos casados e o grupo dos solteiros, sendo que no fim é repartido por todos, assim como os custos. Na aldeia de Caravela (Bragança), no dia das contas, dia de São Sebastião (20), foram leiloados um cesto cheio de orelhas de porco e outro de pés de porco. Antigamente este leilão rendia mais porque os cestos também eram maiores. Mesmo assim, o seu valor ainda chega aos 250 euros actualmente. Em algumas das nossas terras os arremates são abertos a toda a gente que apareça, seja ou não natural ou com ligações à localidade, o que motiva o despique das puxadas que vai reflectir-se no preço final. Noutras localidades a tradição é que só as pessoas naturais da aldeia podem participar nas licitações.

Na última semana estiveram de parabéns a Rosalina (53) de Rebordelo (Vinhais); Agostinha (50), de Estorãos (Valpaços); Vítor Pinela (46), de Sacoias; Maria (62), esposa do Jorge Rodrigues que nos ouvem de Colónia (Alemanha); Fernanda (57), de Bagueixe (Macedo de Cavaleiros); Helena Romão (81), de Caravela (Bragança) e Palmira (58), de Grijó (Bragança). Que todos eles continuem a festejar a vida connosco.

Tio João
in:jornalnordeste.com