domingo, 18 de novembro de 2018

PSP recupera explosivos num armazém em Bragança

Alerta para os produtos explosivos foi dado pelo filho do proprietário.
Foto: Ricardo Almeida
O Núcleo de Armas e Explosivos da PSP de Bragança recuperou diverso material num armazém anexo a uma casa.
O alerta para os produtos explosivos foi dado pelo filho do proprietário, enquanto limpava o espaço. 
Foram apreendidos 160 detonadores pirotécnicos, 100 velas de explosivos, 9 quilos de gelamonite (explosivo gelatinoso composto por nitrato de amónio) e 200 metros de cordão detonante. 
O material, já muito degradado, vai ser destruído.

Tânia Rei
Correio da Manhã

Trás-os-Montes receia penalização por falta de empreiteiros

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes manifestou hoje o receio de perder fundos comunitários e ser penalizada no acesso a mais verbas europeias por falta de empreiteiros interessados em executar as obras projetadas para este território.
A CIM, assim como os nove municípios do distrito de Bragança que a compõem, tem projetos financiados, como edifícios escolares, que não consegue executar porque os concursos públicos ficam desertos, sem qualquer empresa interessada em realizar a obra, mesmo após várias tentativas e aumento dos preços-base.

O presidente desta comunidade intermunicipal, Artur Nunes, disse hoje que nas avaliações periódicas da execução todas as comunidades da região Norte têm um baixo grau de execução dos projetos, um problema que afeta mais os territórios de baixa densidade populacional, como Trás-os-Montes.

Segundo indicou, esta baixa execução tem a ver com o facto de haver poucas empresas na região e todas elas estão a deslocar-se para territórios onde as margens comerciais são maiores, e dos preços se terem alterado bastante e aumentado na iniciativa privada.

Artur Nunes salientou que, "neste momento, as empresas não estão a concorrer aos concursos públicos porque as margens comerciais são menores relativamente à área privada".

"Isso prejudica-nos claramente porque não estamos a executar de acordo com aquilo que pretendemos", afirmou, vincando que os municípios não estão a conseguir avançar dentro daquilo que está comprometido.

Outra consequência que temem é não conseguirem reforço de verbas para a região na renegociação dos fundos do Programa 2020, já que não conseguem executar aquelas que já têm.

"Temos aqui um prejuízo para o território", alertou.

De acordo com presidente da CIM Terras de Trás-os-Montes, aquilo que os autarcas deste território estão "a reclamar é que sejam dilatados os concursos e que não sejam penalizados".

"É isso que vamos reforçar na negociação entre a CCDRN [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte] e as diferentes CIM, que não sejamos penalizados pela baixa execução porque há vários fatores e um dos grandes fatores é, de facto, os concursos terem ficado desertos", reiterou.

Integram a Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

Agência Lusa

Os tipógrafos e o seu papel inestimável no progresso da cidade de Bragança

Desde que comecei a tomar atenção ao que ia ouvindo e a seleccionar as diferentes formas de discurso, que uma referência às artes e ofícios me prendia a atenção . Fosse a referência a Sapateiros, Alfaiates,Trolhas ou Mecânicos e os meus ouvidos, avisados, faziam-me parar e escutar com atenção os comentários proferidos. Mais ainda quando as referências se referiam aos tipógrafos.



O simples mencionar da palavra Tipografia dava-me uma imagem e me conduzia em pensamento à Instituição, Patronato de Santo António.
Era nesse tempo onde para mim a verdade das artes gráficas, residia.
Por razões de acasos pontuais havia mais que uma vez entrado nas oficinas da Escola Tipográfica, que teve atribuída a missão de ensinar aos rapazes ali internados as artes gráficas e que para além de tipógrafos formava também paginadores e encadernadores. Havia mais duas tipografias em Bragança, ambas com prestígio e que empregavam até, gente minha conhecida e alguns meus condiscípulos que eram aprendizes e se fizeram bons tipógrafos que estiveram ligados às várias etapas acontecidas desde os anos sessenta quando se passou dos caracteres móveis para o offset  e posteriormente para o processo digital, que foi responsável pela mudança radical de planear e executar a impressão de textos sem recurso a processos arcaicos.
As duas tipografias que penso serem mais antigas do que a Escola Tipográfica eram a Gráfica Transmontana e a Tipografia Académica. Ambas situadas na Rua Direita estavam ligadas a Livrarias-Papelarias que forneciam todos os artigos que as empresas necessitavam para o seu normal funcionamento, como, facturas, requisições, livros de escrituração e cartas timbradas, material publicitário, calendários e cartões de visita, bem assim como todos os artigos que as Escolas e seus alunos precisavam para o desempenho das suas tarefas, respectivamente de ensinar e aprender. 
Ora, quando eu aos onze anos comecei a trabalhar na Pastelaria Ribeiro e dado que era eu que fazia os recados", ía com frequência ao Patronato encomendar e recolher as cintas para os Bolo-de-arroz, que eles executavam num papel próprio e num grafismo sóbrio de cor azul. O chefe de oficina era o Snr Gomes, homem simpático e afável que sempre ocupado numa azáfama frenética dispensava dois minutos para me atender após eu penetrar através da porta da oficina e com acenos lhe chamar a atenção. Acenos porque palavras eram inúteis dado o ruído que as máquinas constantemente em actividade produziam e tornava o ambiente algo em que se reconhecia a necessidade de grande concentração nas tarefas pois a comunicação era difícil. 
Daí os vários quadros que avisavam ou aconselhavam os trabalhadores e as visitas a serem vigilantes e cuidadosos. Um recordo, rezava assim: - Nada há de mais prejudicial aos que trabalham, do que a presença daqueles que nada fazem. 
Recordo bem a figura dos que trabalhavam na Tipografia nesse tempo, como o Snr Gomes, O Zé Manuel, mas confesso que os nomes da maioria está a precisar de uma recapitulação pois estou em branco nalguns casos. O mesmo não direi dos tipógrafos da Gráfica em que pontuava o Toninho Marrana, patrão, seu irmão fundador do GDB, já era falecido. O Taboada que tinha cabelo cor de cobre, o Rui meu vizinho a quem chamávamos Rui da Gráfica ou Bagaço, o Zé Maria, irmão da esposa do patrão, o Alvarinho Minhoca, havendo também o Abílio e o Carlitos que me parece que começaram no Patronato.



O João Reis, glória do Desportivo que também era do Patronato e o Fernando Rei-Preto que acho ser da Tipografia Académica, mais conhecida por Maria Preta onde trabalhavam o Alberto Geraldes, o Senhor Paixão, pai do Toni ourives do Sousa e um filho da tia Lurdes Pimpa que foi para o Brasil e não mais regressou a quem chamávamos Treló. Havia também um neto da Maria Zé que se chamava Teixeira que não vejo desde o princípio dos anos sessenta.
Também trabalhava na Académica onde ao balcão estava sempre a tia Maria Preta com o seu ar sempre sorridente, a sua filha Alcina que é das pessoas de que eu mais gostei de ter como amiga.Tinha duas filhas maravilhosas que espero estejam bem e que sempre me manifestou um carinho verdadeiro, bastando-lhe para tal o saber que eu era filho do meu pai!
A crónica é dedicada aos tipógrafos mas não lhe queda mal a inclusão daqueles(as) que trabalhavam complementarmente com eles para que se cumprisse com o determinado nas regras das artes e ofícios que no meu tempo de menino eram a alma e a vida da minha cidade, que povoada de artistas conferia ao meu pensamento idealista uma ideia de sociedade de labor e honra! Sei que a Escola Tipográfica não é hoje o que foi e que a Gráfica e a Académica fecharam portas!
É para mim motivo de grande saudade todo o imaginário que a minha mente contém e que me transporta ao tempo do meu começo. Estou ao mesmo tempo feliz porque o Abílio e o Carlitos continuam na arte e são hoje donos de Tipografias em outros moldes mais modernos e com prestígio, sendo que para mim são acima de tudo Tipografias, que estão prestando à comunidade serviços como o que as que mencionei prestaram nos tempos mágicos da minha criação em que o Mensageiro e os Amigos de Bragança eram impressos aqui mesmo e todo o material impresso que as firmas precisavam era feito por Tipógrafos de Bragança que eram operários competente e artistas completos.



Das muitas memórias que tenho das oficinas de Tipografia que mencionei, há uma que tenho gravada indelevelmente e é ainda fascinante pelo simbólico do acto que era a composição de um texto com tipos de letras separadas individualmente e que ao formarem uma palavra era separada da seguinte por um separador e também a configuração das linhas que resultava da introdução na caixa de texto de uma régua fina em metal colocada na base das letras e que fazia a separação destas. O início do texto era sempre começado por um caracter estilizado que transmitia ao texto uma elegância apreciável. Do offset lembro-me de me ter sido explicado, na Tipografia Académica no tempo em que era propriedade dos Irmãos Reis e o Alvarinho Minhoca teve a paciência de me aturar, explicando-me o sistema.
Da impressão digital em Tipografia nada sei pois tendo estado já algumas vezes na Tipografia do Abílio, na Zona Industrial das Cantarias nunca tive a ousadia de pedir o que pedi ao meu amigo Álvaro Soares. 
Deixo aqui em traços largos e imprecisos algumas memórias de mais uma profissão que também fez parte do meu imaginário de rapaz e que foi ganha pão de muita gente honesta e trabalhadora da nossa cidade.






Bragança, 14/11/2018
A. O. dos Santos
(Bombadas)

sábado, 17 de novembro de 2018

Os produtores caixeiros-viajantes e uma feira exemplar em Zurique

Mais do que nunca, ao produtor não basta fazer vinho, tem que estar sempre de malas feitas e longe da família. Há produtores que passam mais tempo fora do que em casa. Tiro-lhes o chapéu.


REGIS DUVIGNAU/REUTERS

Zurique, Outono, pouca neve nas montanhas mas a mesma beleza de sempre. Meia dúzia de barcos acolhem mais uma Expovina, uma feira de degustação e de compra de vinhos de todo o mundo. É um momento importante para os importadores/distribuidores locais. Com a proximidade do Natal, as pessoas ficam mais receptivas a comprar.


A feira dura 15 dias. Por um balcão com cerca de 10 metros quadrados, cada importador paga cerca de mil euros por dia. O serviço e limpeza de copos e os convites são pagos à parte. Cada convite custa 5 euros. A isto acresce o custo com a contratação de colaboradores, para atenderem os visitantes. São duas semanas de muito trabalho e de muita despesa.

O sistema de compra e venda é simples: os clientes provam, fazem a encomenda e os vinhos são depois entregues em casa. Nem toda a gente que vai à feira compra vinho. A maior parte só prova. Um importador de vinho português, para conseguir ter algum lucro, necessita de vender cerca de 5 mil euros de vinho por dia. É muito dinheiro. Apesar de Zurique ser uma cidade rica, há muitos vinhos de todo o mundo. Por que razão hão-de os suíços comprar vinho português em vez de francês, italiano ou espanhol?

Andamos sempre a falar em exportar, que vender lá fora é que é bom, mas raramente nos colocamos na pele de um importador. Os problemas dos produtores são os mesmos dos importadores/distribuidores: uns e outros têm que investir muito antes de venderem alguma coisa. E vender vinho não é o mesmo que vender pão. Não é um produto de primeira necessidade.

Exportar vinho e esperar sentado pela segunda encomenda não existe. Nem mesmo quem produz vinhos famosos se pode dar a esse luxo. Todos os anos há uma nova colheita para vender e também novos produtores no mercado. A concorrência é impiedosa.

Mais do que nunca, ao produtor não basta fazer vinho, tem que ser também um incansável caixeiro-viajante, sempre de malas feitas e longe da família. Há produtores que passam mais tempo fora do que em casa. Tiro-lhes o chapéu. Domingos Alves de Sousa, da Quinta da Gaivosa (Douro), por exemplo, é um dos que não param. Anda sempre a saltar de feira em feira, de jantar vínico em jantar vínico, em Portugal e pelo mundo fora. A sua capacidade de trabalho já tem algo de lendário no sector. O bairradino Luís Pato é outro que anda sempre em viagem, a dar vinhos a provar e a contar a sua história uma e outra vez. Fá-lo há 30 anos de forma ininterrupta. Há mais uns quantos produtores nacionais veteranos da estrada e dos aeroportos. Falo nestes porque são um exemplo para todos. Um exemplo de trabalho e também de sucesso. Que ninguém lhes inveje o sucesso. Deu mesmo muito trabalho.

Também podia falar de Duarte Leal da Costa, da Ervideira (Alentejo). A grande notoriedade que a Ervideira possui hoje não aconteceu por acaso. Tem muito suor seu e de outros colaboradores por trás. Este ano, Duarte, segundo o próprio, só teve um único dia em que não fez absolutamente nada relacionado com o vinho. Até ao final do ano, tirando o Natal, não terá mais nenhum fim-de-semana livre para estar com a família.

Encontrei-o em Zurique. Estava em trânsito, a caminho da China. Encontrei-o a servir vinhos no balcão do seu importador. Não apenas os da sua família, mas também os dos outros produtores portugueses representados. Vi-o a promover e a vender vinho do Douro, de Lisboa, do Dão. Ao longo das duas semanas da feira, outros produtores fizeram o mesmo. O sucesso do importador é também o sucesso de todos eles.

Nunca tinha assistido a uma feira assim, tão solidária e produtiva. Estas são as feiras a que vale a pena ir, em que se promove, se contacta com o consumidor final e se vende. Não é só servir copos, como acontece nas principais feiras que se realizam em Portugal.

Vi vários emigrantes a comprar em função da qualidade do vinho e não apenas do preço. Duas primas madeirenses, por exemplo, quiseram provar o melhor e gastaram mais de mil euros. Encontrei muitos jovens suíços, italianos e franceses que visitaram recentemente Portugal e que, por terem gostado tanto do país, quiseram “recordar” a viagem provando e comprando algum vinho português. Testemunhei, com alguma surpresa, o interesse de vários deles pelo vinho do Porto, em especial pelo Porto Tawny. Vi vários brasileiros a comprar vinho e azeite, falando com saudade das coisas boas da “terrinha”. Encontrei muitos suíços já repetentes a fazer compras avultadas. Conheci gente que nunca tinha provado um vinho português e que acabou a comprar várias caixas. E confirmei uma vez mais o que já aqui escrevi noutras ocasiões: num negócio tão competitivo como o do vinho, a empatia é, mais do que nunca, o melhor motor de venda. Com tanta oferta, com tanto vinho de valor semelhante por onde escolher, o que nos faz optar por um ou por outro é cada vez mais o conhecimento pessoal, a “história” do produtor, a sua simpatia, a explicação certa no momento certo.


Já ao fim do dia, um casal suíço na casa dos 70 anos pediu para provar vinhos portugueses tintos de uma só casta. Provaram os únicos três que havia e não mostraram grande entusiasmo por nenhum, nem muito menos abertura para provar vinhos de lote. A senhora falou num insecto que teria afectado os vinhos portugueses e que a junção de várias castas era uma forma de combater a doença. Tentei explicar-lhe que devia estar a confundir com a filoxera, uma praga que afectou as vinhas de Portugal e de muitos outros países, e que o uso de várias castas num vinho é apenas uma opção enológica com raízes bem antigas, não uma estratégia sanitária. Uma tradição directamente ligada às vinhas velhas, nas quais era costume plantar diferentes castas para prevenir quebras de produção em algumas delas. A conversa animou, derivou para as vinhas sem herbicidas, para os vinhos mais orgânicos, e havia ali alguns, embora fossem de várias castas. Não querem experimentar? O gelo já se tinha quebrado. O marido acedeu, a senhora também. Provaram, gostaram e compraram 12 garrafas de dois vinhos multicastas do Douro, gastando cerca de 300 euros.


Pedro Gacias
Fugas
Jornal Público

Ano de 2018 foi aquele com menos área ardida de sempre no distrito de Bragança

O ano de 2018 é aquele que apresenta a menor ardida de sempre no distrito de Bragança no balanço dos incêndios florestais até 31 de outubro, divulgado hoje pelo Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS).
Os dados foram apresentados pelo comandante distrital, Noel Afonso, numa cerimónia com a presença do Secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, sobre o Sistema de Vigilância e Apoio à Decisão Operacional das Terras de Trás-os-Montes que, desde junho, apoia a deteção e combate aos incêndios florestais com três câmaras instaladas em pontos estratégicos da região.

Desde o início do ano até 31 de outubro, o CDOS registou 574 ignições, o maior número no mês de fevereiro com 151 focos de incêndio.

Apesar do número de ocorrências, segundo o comandante distrital, no ano de 2018 houve uma redução de "81% da área ardida".

"É o valor mais reduzido de área ardida desde que há registos no distrito de Bragança", afirmou Noel Afonso.

O comandante do CDOS não quis avançar mais informação nem prestar declarações à Comunicação Social, indicando que fornecerá todos os dados depois de feito o balanço oficial a nível interno.

O distrito de Bragança tem um dos territórios mais extensos de Portugal, com uma vasta área florestal classificada em três áreas protegidas, nomeadamente os parques naturais de Montesinho e Douro Internacional e a Paisagem protegida do Azibo, além de várias zonas incluídas na Rede Natura 2000.

HFI // LIL
Lusa/fim

Câmara de Bragança multada em 12 mil euros

O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, divulgou hoje que o município foi multado em mais de 12 mil euros pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) por ter arranjado um caminho rural.
O autarca apresentou o caso durante uma sessão sobre prevenção dos incêndios florestais com a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, Artur Neves, que sugeriu a exposição do assunto à colega de Governo Célia Ramos, a secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza.

Hernâni Dias explicou que a contraordenação apontava, inicialmente, para um valor de “70 mil euros”, entretanto o município recorreu e agora recebeu “uma coima de 12 mil euros” pelo facto de “ter procedido à intervenção num caminho rural, na área do Parque Natural de Montesinho”.

O presidente da Câmara de Bragança afirmou que a intervenção do município foi feita a pedido da população de Donai que, alegadamente, já não conseguia passar no caminho rural que liga à aldeia vizinha de Carragosa.

“Hoje, as necessidades das populações não são, exatamente, essas em que antes se passava com um carro de bois ou de outra forma, mas não com um trator ou até com uma viatura todo-o-terreno”, ilustrou.

Segundo disse, numa fase inicial, o município contactou o ICNF no sentido de ajudar a definir o perfil da intervenção que iria ser feito e houve colaboração do instituto.

“Mesmo assim, numa fase em que estávamos a intervir, houve essa decisão de levantar um auto de contraordenação e agora está na fase final. Vai aplicar uma coima de 12 mil e poucos euros ao município, fazendo com que nós sejamos obrigados a colocar ali aqueles 12 mil e tal euros, deixando de fazer uma intervenção que seria seguramente bem mais benéfica noutra coisa qualquer”, declarou.

O autarca encara esta coima como “um desperdício de dinheiro” e uma demonstração da “forma como o ICNF atua perante as entidades que têm, também, responsabilidade no terreno”.

“Sentimo-nos muito, mas muito lesados neste processo e, obviamente, manifestaremos sempre a nossa discordância e o nosso repúdio para com este tipo de situações, uma vez que prejudicam e penalizam, não só o município, mas também os munícipes que nós representamos”, salientou.

Hernâni Dias sugeriu ainda ao ICNF que “é melhor irem ver os sobreiros protegidos que foram abatidos de forma ilegal”, recentemente, em plena cidade de Bragança, junto a um prédio em construção, “e ninguém se preocupou com isso”.

As queixas contra o instituo que gere as áreas protegidas são frequentes entre os autarcas desta região, com municípios como o de Vinhais a somar várias coimas por situações idênticas às relatadas por Bragança.

O presidente da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes, Artur Nunes, corroborou as críticas, na mesma cerimónia em Bragança, afirmando que “há um problema sério ao nível da gestão e da interligação entre o ICNF e as autarquias”.

“Há uma atitude punitiva e pouco colaborativa relativamente à organização, gestão, proteção, prevenção”, apontou.

O instituto chega a “extravasar a sua capacidade de intervenção no território, nomeadamente em matéria de edificação”, na opinião de Artur Nunes, que é também presidente da Câmara de Miranda do Douro, concelho que integra o Parque Natural do Douro Internacional.

Este autarca criticou o caráter vinculativo dos pareceres do ICNF para a construção, por exemplo de uma habitação, quando, segundo defende, “se trata de uma matéria exclusiva das câmaras ao nível do PDM [Plano Diretor Municipal]”.

“Não podemos ter a sobreposição entre aquilo que as câmaras municipais têm vertido em PDM e depois por parte do ICNF, dizendo que eles é que têm a tutela e que eles é que têm competências”, argumentou.

Agência Lusa

Financiamento municipal a rádio envolto em polémica

A Câmara de Macedo de Cavaleiros informou esta sexta-feira que está à procura de uma solução legal para continuar a garantir à rádio local Onda Livre o financiamento que nos últimos anos tem gerado polémica.
O caso ganhou visibilidade depois de uma reunião recente da Assembleia Geral da Cooperativa que gere a emissora e que coloca a possibilidade de despedimentos por dificuldades financeiras resultantes de a Câmara não ter assinado o protocolo que tem garantido um subsídio anual, que ascendeu a 18 mil euros no ano de 2017.

Nesse mesmo ano, a presidência do município mudou do social-democrata Duarte Moreno para o socialista Benjamim Rodrigues, que entende que o protocolo que estipulava o financiamento “é ilegal”, mas diz estar “disponível para apoiar financeiramente a Cooperativa de Informação e Cultura, Rádio Onda Livre Macedense se forem cumpridos todos os pressupostos definidos pela lei".

"De acordo com um parecer jurídico pedido, em 2014, pela autarquia, o protocolo em vigor viola a lei, pelo que terá de ser repensada a forma como podemos apoiar este órgão de comunicação social", observou o presidente da Câmara, Benjamim Rodrigues.

Segundo o autarca, o protocolo "prevê o pagamento de uma avença mensal à Rádio", o que “é ilegal e pode colocar em causa a liberdade editorial e de programação da rádio".

As atas das reuniões de Câmara de anos anteriores que podem ser consultadas na Internet revelam a polémica em torno deste protocolo, nomeadamente com a oposição a questionar a sua utilidade, enquanto a autarquia cortava subsídios a outras coletividades do concelho.

O atual presidente da Câmara, Benjamim Rodrigues, defende que a solução passará por transformar este protocolo num contrato de prestação de serviços.

Segundo adianta, a autarquia lançará um “procedimento concursal” em que os serviços a prestar serão “a transmissão das assembleias municipais ou das reuniões de câmara públicas, bem como de outros eventos de especial interesse para o município”.

"Creio que esta é a solução que melhor defende os interesses das duas partes, nomeadamente da Rádio Onda Livre, que não quererá perder o seu estatuto de independência e isenção face aos poderes políticos", acrescentou.

O parecer jurídico de 2014 que apontava para a ilegalidade do protocolo, e que foi então discutido em reunião de câmara, sublinha que “a proximidade das rádios locais aos poderes políticos e públicos locais pode implicar algumas vulnerabilidades, nomeadamente ao nível de eventuais pressões em torno de matéria editorial”.

O mesmo parecer jurídico, segundo informação divulgada hoje pelo município, “esclarece ainda que por exigir a realização de ações mediáticas concretas, o protocolo devia ser transformado num contrato de prestação de serviços, com o respetivo procedimento concursal público prévio”.

O autarca local afirma que "é preciso respeitar a lei em vigor” e que é isso que tem estado “a tentar explicar aos responsáveis da Cooperativa” proprietária da rádio.

Benjamim Rodrigues espera que “seja possível chegar a um acordo, até para que seja possível repor a paz social e que tem estado afetada nos últimos meses".

Agência Lusa

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Foi encontrada uma jovem que estava desaparecida

A PSP localizou em Bragança, uma jovem de 17 anos que estava desaparecida e em fuga, desde 23 de Setembro de 2018, de um centro de acolhimento e assistência situado no Algarve.
A jovem é natural da Madeira e esteve internada no Lar de S. Francisco, em Bragança, sujeita à medida de acolhimento residencial, donde também fugiu algumas vezes.

Em cumprimento de Mandado de Condução emitido pelo Tribunal de Família e Menores do Funchal, a jovem foi conduzida pela PSP, em coordenação com a PSP de Faro, ao centro de acolhimento social donde estava desaparecida.

Escrito por Brigantia 

MoviCantaBebé

No próximo sábado, 17 de novembro, o Museu do Abade de Baçal recebe mais duas sessões do MoviCantaBebé! Venha ao Museu, com música e dança, para bebés e papás!


Magusto já é tradição no coração de Paris

A 9ª edição da Festa da Castanha, em Paris, reuniu centenas de portugueses e franceses à volta de uma tonelada de castanhas vindas diretamente de Trás-os-Montes, numa tradição portuguesa onde não faltaram fado, ranchos folclóricos e bombos.
A Festa da Castanha é promovida pela associação de jovens luso-descendentes CAP Magellan e acontece anualmente junto à Câmara Municipal do 14º bairro, num espaço ao ar livre cedido pelas autoridades francesas.

"Estamos sediados aqui com a nossa organização e mantemos uma boa relação com as autoridades do 14º bairro. É um evento onde se reúnem bastantes portugueses, mas cada vez mais franceses também", explicou à Lusa Anna Martins, presidente da CAP Magellan.

Por seu lado, o vereador e Conselheiro Municipal de Paris, Hermano Sanches Ruivo, disse que "o São Martinho é a festa portuguesa mais festejada em França".

"Quando os portugueses emigraram para aqui e perceberam que o dia 11 de novembro era feriado devido ao Armistício da Primeira Guerra Mundial, tornou-se possível transpor a festa para Paris com algumas castanhas e vinho", acrescentou.

Hoje em dia "há muitos franceses que perguntam a Carine Petit [presidente da Câmara do 14º bairro] quando é a festa da castanha. Já é uma tradição aqui", assegurou Sanches Ruivo.

Esta tradição é confirmada por Julie, uma francesa que foi convidada por amigas para vir espreitar a festa e provar castanhas: "Eu vim com duas amigas, porque elas me explicaram que esta festa acontecia todos os anos. O ano passado fui a Portugal e apaixonei-me. Estou a gostar do convívio e é bom haver estas festas".

A iniciativa conta com o apoio da Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes que envia gratuitamente uma tonelada de castanhas.

"Muitas vezes nota-se que há uns franceses um pouco perdidos e nós temos muito gosto em explicar o São Martinho, explicar a lenda e falar sobre os valores da solidariedade e da partilha. Já para não falar que os franceses adoram castanha... E jeropiga!", acrescentou Anna Martins.

Além das castanhas, assadas por 20 voluntários, e das bebidas tradicionalmente portuguesas, a festa contou com a presença da Academia de Fado, de Vincennes, com as associações de folclore Coração em Portugal, de Cormeilles-en-Parisis, e Casa de Portugal Plaisir e com o grupo de bombos ACFP Estrela Do Norte, de Mitry-Mory.

Esta é uma oportunidade também para a região de Trás os Montes estreitar os laços com o destino de emigração mais importante da região, mas também procurar novas oportunidades económicas.

"É uma forma de estarmos mais próximos dos portugueses e de estarmos a promover um produto português junto dos franceses. Queremos agora alargar a cooperação" económica, disse à Lusa Artur Nunes, presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro e presidente da Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes, que esteve a acompanhar a festa.

O reforço da cooperação está já prometido para o próximo ano com a possível vinda dos Pauliteiros de Miranda à Festa da Castanha.

"É uma festa à volta da castanha, mas queremos que seja mais. Para o ano, em cooperação com o presidente da Câmara de Miranda do Douro, queremos trazer os Pauliteiros de Miranda e promover o artesanato local, assim como fazer provas de mais produtos regionais. A ideia é crescer de ano para ano", afirmou Hermano Sanches Ruivo.






Agência Lusa
Fotos - CAP Magellan

Revelar a história de Miranda do Douro através de escavações arqueológicas

Pôr a descoberto os vestígios da guerra do Mirandum, evento histórico do século XVIII é o objectivo das escavações arqueológicas, que já começaram em Miranda do Douro.
A campanha vai dar a conhecer, na área envolvente do castelo e da antiga fortificação da cidade, indícios da guerra do Mirandum que matou cerca de um terço dos habitantes e levou à destruição de parte do povoado, nomeadamente de parte do castelo e das muralhas, quando um paiol de pólvora explodiu.

O autarca de Miranda, Artur Nunes, deposita grande expectativa nos trabalhos já que a área nunca foi investigada: “a história de Miranda associada ao castelo está ali enterrada, por isso, descobrir todo aquele espaço é no fundo, um sonho dos mirandeses, e por um outro lado, esperemos que todos os artefactos ligados à história do castelo sejam trazidos à luz”.

Para além de revelar parte da história de Miranda do Douro, quando finalizadas as escavações, os resultados podem constituir-se como mais um ponto de atracção para a cidade transmontana: “é muito marcante porque quem conhece Miranda sabe que vai criar uma nova imagem da cidade, dando lhe um novo valor. O paço episcopal também está a ser intervencionado, teve uma pequena paragem, mas estão a ser retomados os trabalhos. A outra questão é o castelo e da importância de Miranda do Douro na história portuguesa e linha defensiva quer dos espanhóis, quer dos franceses”.  

Esta é uma intervenção de 6 mil metros quadrados e as escavações estão inseridas em trabalhos de revitalização das muralhas da antiga estrutura defensiva fronteiriça de Miranda do Douro numa parceria com Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

Foto: Municipio de Miranda do Douro 

Escrito por Brigantia 
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Projecto vai analisar a gestão da água no Parque Natural de Montesinho

A gestão da água no parque natural de Montesinho esteve ontem em discussão na Escola Superior Agrária de Bragança. A iniciativa, dinamizada pela Rede Douro Vivo, tem como propósito promover um debate sobre uma visão estratégica para uma acção comprometida dos recursos hídricos.
Ana Brazão da organização da iniciativa, explicou que no primeiro de vários workshops serviu para fazer um levantamento de quais os problemas e preocupações no que diz respeito à gestão da água: “o objectivo é compreender junto das partes interessadas como estão os rios e quais são os impactos que as barreiras podem estar a ter. O que é necessário fazer e o que preocupa as pessoas na gestão da água neste território. Nós escolhemos esta zona porque é comunitária, Rede Natura 2000, Zona de Protecção Especial e portanto tem todos os atributos legais para que esta zona seja conservada. Para além desta ser uma zona de importante conservação, aquilo que nós queremos perceber é o que se pode fazer por uma zona de tão elevado valor em termos naturais e o que nós podemos fazer mais para preservar e minimizar os impactos que as barreias podem ter”.  

Através do Politécnico de Bragança, o projecto está por exemplo a estudar o impacto da barragem da Serra Serrada no concelho de Bragança: “neste caso aqui, e é por isso que o IPB é parceiro do projecto e está e estudar o caso da albufeira da Serra Serrada em que queremos perceber como é que a questão da retenção de sedimentos, o que esta albufeira causa e a questão da degradação da qualidade da água no rio. Esta é uma barragem que tem uma elevada importância, que faz captação de água para o consumo humano em Bragança e é também uma fonte de produção hídrica. E estamos a falar também de uma zona com algum aproveitamento turístico. Ou seja, queremos perceber se esses impactos existem como é que eles podem ser minimizados, porque estamos a falar de uma infra-estrutura que causa impacto, como muitas barragens e neste caso acrescido, porque estamos a falar do Parque natural de Montesinho.

O projecto tem diversos parceiros deverá apresentar alguns resultados no final do ano e apresentadas propostas de melhoria concretas face aos problemas identificados.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Concurso para o regadio de Freixiel e do Vieiro já foi lançado

Já está aberto o concurso para a elaboração do projecto da barragem Redonda das Olgas, que a Câmara de Vila Flor vai construir para o regadio de Freixiel e do Vieiro.
O presidente do município, Fernando Barros, diz que é o primeiro passo para a criação de um importante Projecto que vai custar mais de 10 milhões de euros: “um projecto que no seu montante, o preço base é 250 mil euros e é um concurso público internacional. Foi dado o primeiro passo. Já foram feitos os levantamentos topográficos, através da associação de municípios, de algumas zonas. 
Estamos a continuar a trabalhar e estamos a reunir todos os elementos para depois se colocar em concurso a construção da barragem. O projecto insere-se no PDR 2020, de 10,17 milhões de euros”.

Para já, está aberto o concurso para a elaboração do projecto da barragem de regadio de Freixiel e do Vieiro, em Vila Flor.

Escrito por Rádio Ansiães (CIR)

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Na Biblioteca Adriano Moreira, foi criado um Clube de Leitura...

Respondendo a um convite para inscrições feito aos leitores, tive a fortuna de haver tomado a decisão de me inscrever, o que me proporcionou ao longo das oito sessões levadas a efeito, um prazer enorme em participar.
Cada sessão versa um tema diferente, sendo o de ontem, bastante complexo, mas fascinante! Tratava-se de analisar o que nos diz o conceito de Beleza. As várias ideias para explicar o conceito, diversas, mas complementares, foram o corolário do que os gostos estéticos de cada um de nós trouxe à apreciação dos outros e que contribuíram para enriquecer o debate e nos deram a possibilidade de sabermos da existência de livros, imagens e sons, que refletem com clareza parte substancial do que é a BELEZA. 
Da minha parte, partilhei com os meus parceiros (as) um pequeno texto, e desejo também fazê-lo convosco, aqui nas redes sociais.

Aqui vai ele.


Quem o feio ama, bonito lhe parece.
O tema de hoje, proposto para discussão, é um tema que pode colocar respostas e conceitos díspares e até incongruências! 
Darei como primeiro exemplo as imagens de duas obras de estatuária que são indubitavelmente belas e que podem servir de paradigma para a pretensão do homem definir o que é a Beleza. A estátua de David, obra-prima de Miguel Ângelo, está exposta na Galeria da Academia em Florença. A segunda a que me refiro está em exposição no Museu do Louvre em Paris e foi esculpida muitos séculos antes e encontrada decepada, mas sem sofrer amputação, severa, suficientemente para lhe retirar a original Beleza.
De outro modo a pintura oferece-nos obras que retratam o belo e são o pináculo que o homem se propôs escalar quando com as suas mãos conseguiu materializar o abstracto do seu pensamento. Monet pintou um quadro de quase perfeição, ao reproduzir na tela, o seu jardim, que parcialmente mostra com uma profusão de flores. Denominou-o por: O jardim vazio e eu coloco-o no meu conceito como uma das mais belas obras pintadas por ele e que quando o revisito me traz uma paz que só o que é belo consegue transmitir-me. Foi executado entre 1880/1883. Mais ou menos três séculos antes Paolo Veronese, pintou uma cena histórica, que está hoje exposta na National Gallery, Trafalgar Square em Londres. Mostra a mãe e a esposa de Dário da Pérsia, em genuflexão, prestando vassalagem a Alexandre da Macedónia após a Vitória deste sobre Dário, na batalha de Issus. A mãe de Dário dirige a palavra de submissão a Hephaestus, pensando ser ele Alexandre O Grande, sendo um pouco mais baixo do que o amigo, não se sentiu ofendido e magnânimo como era prometeu à Rainha mãe que lhe garantia que não perseguiria o filho e à Rainha esposa que não a faria viúva nem se apoderaria dela para esposa como o direito dos vencedores daquele tempo lhe concedia.
A sequência dos edifícios que compõem a tela gigantesca e as figuras das mulheres representadas com o joelho flectido em sinal de submissão, é impressionante pela forma como Veronese conseguiu dar aos rostos a expressão exacta e coloriu as vestes com os adornos q.b., para que a harmonia dos espaços corpóreos ou tão só vazios atingisse um ponto em que se pressente o Belo, ali tão perto. Alexandre e Hephaestus, cada qual com um uniforme diferente são as figuras impressionantes que esperamos antecipadamente se mostrem soberbas. A cor é distribuída com acerto, no grená das vestes de Alexandre ou na cor da armadura de Hephaestus, bem como na capa e na bota que contrastam com as peças homólogas do Imperador que ostenta uma cobertura bordada a ouro, no seu uniforme tinto. 
Os restantes personagens são também retratados com mestria! É esta tela a minha preferida de toda a obra de Veronese que já vi ao vivo ou encontrei nos livros. Do belo em Literatura destaco os Sermões do Padre António Vieira, com O Estatuário no lugar cimeiro. Obra em prosa que tem um começo que é autêntica Poesia. (Beleza Pura), apenas e só! Da poesia destaco A Procissão de António Lopes Ribeiro, declamada ou cantada por João Villaret que reflecte todo o imaginário da minha infância de fascínio e constante aprendizagem da música destaco a melodia e ritmo de O Bolero de Ravel e também de La Paloma de Sebastian Yradier, duas das peças musicais que se tornaram intemporais! 
Haverá mais beleza por aí disseminada, mas mais belo do que o que descrevi só mesmo a Beleza a quem Deus ordenou: -Beleza, sê Bela! Há outras coisas belas, mesmo muitíssimo belas. Um sorriso de criança, o olhar meigo de pessoa envelhecida, um latido de júbilo de cachorro saudando o dono, um correr à desfilada de cavalo e cavaleiro e também como corolário o beijo de boas vindas de esposa recém casada, só superado pelo beijo protector de mãe que nos recebe tão firme, hoje, como quando crianças nos recolhia no seu colo aconchegante. 
Há também o nascer do dia com a Aurora chegada em apoteose e o pôr-do-sol que Deus nos ofereceu a nós e às outras criaturas para que o desfrutemos, sentindo o seu eterno mistério. 
E finalmente a BELEZA, que intuímos, pois, “quem o feio ama bonito lhe parece”. (popular)






Bragança 26/10/2018
A. O. dos Santos
(Bombadas)

Diocese homenageia a “avó” dos presos - 28 de novembro

A Diocese de Bragança-Miranda vai homenagear, a título póstumo, a professora Maria da Assunção.


A cerimónia terá lugar no próximo dia 28 de novembro, em Bragança, na igreja de Santo Condestável, pelas 18h, e é organizada pelo Serviço Diocesano da Pastoral Penitenciária.

Madrinha de alguns, “avó” de todos, Maria da Assunção foi presença assídua durante mais de 4 décadas no mundo prisional. Faleceu em 2013 deixando a feliz memória do seu sorriso e da sua palavra.

Mulher simples e expedita, começou o voluntariado nas prisões por mero acaso: um dos seus alunos foi detido por roubo. Para o poder visitar, uma vez que não era familiar, tornou-se visitadora oficial da Prisão Escola de Leiria.

Quando se jubilou e regressou a Trás-os-Montes transferiu conhecimentos e ações para os reclusos do Estabelecimento Prisional de Bragança, procurando dar-lhes catequese, além de falar com eles e lhes prestar apoio material e espiritual diversos. Apoio esse que sentia ser retribuído no respeito com que a tratavam, salientava ao jornal diocesano “Mensageiro de Bragança”, em dezembro de 2005.

A homenagem será precedida de uma Eucaristia à qual presidirá D. José Cordeiro, bispo da Diocese de Bragança-Miranda.

Também o Padre João Gonçalves, Coordenador Nacional da Pastoral Penitenciária, e D. Virgílio Antunes estarão presentes na cerimónia. Enquanto seminarista, o agora bispo da Diocese de Coimbra, pôde testemunhar a ação pastoral desta senhora que falava a «pensar nos outros».

PROGRAMA:

18h00 – Eucaristia na Igreja de Santo Condestável

18h45 – Homenagem à Menina Assunção, a “avó” dos presos, no Salão Paroquial de Santo Condestável. Intervenções de:

Rui Magalhães (Diretor do Serviço Diocesano da Pastoral Penitenciária) e Sandra Rodrigues (Voluntária e membro do Serviço Diocesano da Pastoral Penitenciária);
Pe. Fernando Calado Rodrigues (Assistente do Serviço Diocesano da Pastoral Penitenciária);
D. José Cordeiro (Bispo de Bragança-Miranda);
D. Virgílio Antunes (Bispo de Coimbra);
Ana Maria Machado Rodrigues (Familiar da Homenageada);
Pe. João Gonçalves (Coordenador Nacional da Pastoral Penitenciária);
Pe. José Bento Soares (Presidente da Cáritas Diocesana de Bragança-Miranda);
Representante do Município de Bragança;
Representante do Estabelecimento Prisional de Bragança.

A gincana de tratores foi a grande novidade da 17ª Feira Internacional do Norte - Norcaça, norpesca e Norcastanha.

O Concurso de Castanha da Terra Fria e o Concurso de Doçaria com castanha foram dois dos pontos altos da 17ª edição da Norcaça, Norpesca e Norcastanha.

Roupas e tendências da estação outono/inverno, e muitas caras brigantinas passaram pela Passagem de Modelos Norcaça, Norpesca e Norcastanha.

“Nunca tivemos tanto e nunca se soube tão pouco e de tanto ver estamos todos cegos”

O fadista Paulo Bragança regressa já esta quinta-feira à terra que o viu crescer, onde irá atuar no teatro municipal da Capital do Nordeste, depois do último álbum "Cativo" ter entrado no Top Nacional logo na primeira semana. 

Bruno Mateus Filena (BMF): Estiveste ausente mais de uma década, foi uma espécie de exílio ou de retiro espiritual?

Paulo Bragança (PB): Esse período foi um período acima de tudo de reflexão, completamente self-inflicted (autoinfligido), ninguém me mandou embora, eu é que quis ir embora, estive muito tempo ausente porque as circunstâncias assim o permitiram, para poder ir fundo dentro de mim sem medo. Aliás, quando te encontras sozinho não podes fazer muito, isto é, eu não tinha distrações, não tinha muitas coisas com que me divertir e, então, tinha de me divertir comigo, acontecesse como acontecesse, ia ao fundo da questão tentando que ela ficasse esclarecida ou pelo menos mais avançada porque resolvida nunca fica. Resolvida só a morte!

BMF: Mas qual foi o propósito desse período?

PB: Esse período serviu, acima de tudo, para me refazer enquanto ser humano, para pensar naquilo que queria fazer da minha vida, ate que ponto tudo isto vale a pena e para quê! E, sinceramente, acho que nunca disse isto a ninguém, nem nestas tantas entrevistas que tenho dado, mas às vezes pergunto-me para quê?

BMF: Não estarás a ser um bocado fatalista?

PB: Bruno, isto é tudo uma irrealidade dentro daquilo que é real, aquilo que é realmente verdade. Uma pessoa tem de ter os pés muito bem assentes no terra para saber se está a fazer as coisas de uma forma que é autêntica, de uma forma que é verdadeira, porque às vezes é tao fácil falar para o lado de lá, para o lado do deslumbramento, para o lado do “eu sou assim”… Para já eu nunca fui assim, muito menos agora. Por exemplo, o meu último álbum, passado uma semana, entrou diretamente para o 14º lugar do Top Nacional. E isso não é mérito só meu, percebes? É o mérito de toda uma equipa, desde os músicos aos técnicos, desde a editora até ao rapaz que nos traz qualquer coisa de comer durante os concertos. A verdade é que há toda uma dinâmica que é preciso estabelecer. Eu, simplesmente, sou quem está a frente e, obviamente, tenho mais responsabilidades, pois se der bronca o culpado sou eu.

BMF: Estavas farto de algumas situações vividas em Portugal ou este desvio de 180 graus que implicou uma total mudança de vida com a tua ida para o estrangeiro foi tão, somente, uma viagem de descoberta interior?

PB: Eu nunca tive chatices com ninguém, com os media nunca, mas no meio musical, às vezes, criam-se certas situações. No entanto, a mim, diretamente, ninguém me disse nada. Agora, obviamente, as pessoas não são parvas e percebem. Mas a verdade é que não estava zangado com ninguém, apenas comigo, saturado também, eram muitas viagens… Durante ano e meio, só vim duas vezes a Lisboa. Demorei uma hora e meia para montar uma casa, só tinha caixotes e um colchão no quarto, perto do aeroporto, pois não parava, andava sempre de um lado para o outro. E isso, também, é extremamente cansativo.

Depois, houve outra situação… Uma morte pelo meio que me deitou muito abaixo, mas não quero falar sobre isso porque acima de tudo tenho respeito pela sua família. Mas era alguém que me era muito próximo e por terem sido umas circunstâncias muito trágicas, marcou-me tanto que, mesmo hoje, não há um dia que eu não pense nisso. Essa morte matou-me, mas não quero falar mais sobre isso.

BMF: Porquê Dublin? Porquê a capital da Irlanda?

PB: Eu não fui para lá diretamente. Mas é melhor começar pelo princípio. Houve uma situação dentro da minha própria equipa, pessoas que não foram honestas comigo, que me tiraram tudo que havia para tirar. Deixei-lhes tudo e tiraram-me tudo. Não sou santo nenhum, mas eles também não o são. Houve duas ou três situações, entre as mortes e, depois, surgiu a falta de confiança, as pessoas começam a afastar-se e, logo de seguida, vieram os comentários, o diz que disse. Após tudo isto estive envolto num grande dilema, sem ter culpas diretas no cartório, fiquei sem absolutamente ninguém. Só para que compreendas, a minha casa era sempre rodeada de gente, sempre cheia, dormiam, bebiam e, inclusive, dormiam lá, mas eu cheguei a um ponto em que um dia me fechei num quarto na minha própria casa. Uma amiga minha tinha chave, entrou e disse “isto é inacreditável” e era. Ali estava eu, parecia um cão triste, sozinho, magoado e escondido. Agora fico em Portugal, vou à Irlanda na mesma de vez em quando, mas aquele país deu-me muito e eu só posso estar-lhe muito grato.

BMF: E foi toda essa conjugação de fatores que te levou a partir?

PB: Toda esta situação magoou-me tanto que decidi partir para Madrid. Seguiu-se a cidade londrina, onde estive algum tempo. Mas, apesar de ser uma cidade fantástica, aquilo chateava-me. Londres é gigantesca e já tinha passado lá grande parte da minha vida. Até porque era a base de todas as minhas viagens. A Lisboa só vinha mesmo quando havia essa necessidade ou quando era obrigado. Mas eu não estava bem, nem em Londres, nem na Lua. Fui para a Roménia, Bucareste e Constance. Aí houve uma situação peculiar. Sempre fui apaixonado pela música cigana, mas aquela gente não te deixa entrar assim sem mais nem menos, corriam-te logo à pedrada, se não tivesses indicações de um músico conhecido deles, corriam-te mesmo, pois eram comunidades muito fechadas. Aquilo na Irlanda, chamam-lhe o Chelta, ali era difícil… Um dia, um deles vira-se para mim de mau e foi quando eu comecei a cantar uma música romena, mas mal porque eu nem sabia o tema em condições. Expliquei-me e a verdade é que, a partir daí, ficaram meus amigos.

Entretanto, andei com eles uns meses, mas aquilo não era vida. Adoro a Roménia, mas é um país caótico. Ainda, agora, tive um convite do diretor do instituto cultural romeno que foi ter comigo à FNAC. Adoro a Roménia, só que é um país muito corrupto, mas também a corrupção atualmente existe em quase todo o lado. Atualmente, cada vez se percebe menos, cada vez se vê menos e cada vez se ouve menos… E quando alguém está num papel como o meu tem de dizer as coisas com cuidado para não ser mal interpretado.

BMF: Pode-se dizer que chegaste à Irlanda um homem desfeito e saíste da Irlanda um homem revigorado?

PB: Exatamente, Lisboa como que me fez homem, desfez-me e, agora, volto feito.

“E mesmo se fosse sapateiro ou se tivesse a varrer ruas e limpar casas de banho, acredita que a casa de banho que eu limpasse poder-se-ia comer na sanita. Isso é garantido! Há que ter brilho naquilo que fazemos, seja o que for”

BMF: Nesse sentido e pegando nas tuas palavras, “cada vez se percebe menos, cada vez se vê menos e cada vez se ouve menos”, consideras que, frequentemente, o excesso de informação acaba por ser prejudicial?

PB: Completamente! Tive uma “batalha” em que eu, simplesmente, não queria capa ou queria uma capa preta sem cara, sem nome ou o nome só na lombada, mas não queria imagens. Nem imaginas a guerra que foi. Sinceramente, estou farto de ser bombardeado com imagens de “compre”, “leve”, “experimente” ou “ligue já”. Nunca tivemos tanto e nunca se soube tão pouco e de tanto ver estamos todos cegos. Quando tive um vídeo mais calmo, as pessoas começaram logo a dizer que não porque hoje todos ou quase todos querem coisas de dois segundos. E eu não sou assim! Hoje é, “vi e já está visto”, “vou e já fui” e é uma velocidade que não é real, impossível de acompanhar. Já as redes sociais, tenho de levar com elas porque é um instrumento de trabalho. De vez em quando ia à internet e passava três horas a ver “NADA”, é um despudor absoluto.

BMF: Há muita falta de conteúdo, portanto?

PB: Claro que sim! Aliás, não há conteúdo nenhum! O conteúdo é: quanto menos melhor. Um iogurte vende um par de calças e vice-versa. Preocupa-me, de facto, mas não posso mudar as coisas sozinho, tem de haver, também, um alerta das pessoas. Eu e um grupo de amigos tínhamos um jantar em Dublin todas as quintas-feiras e fizemos aquilo durante, pelo menos, meia dúzia de anos. No último ano desse convívio, eu já todo chateado disse: “não volto mais” porque estava tudo ao telemóvel, constantemente, a mandar e a receber mensagens. Para isso, fico em casa e deixei de ir aos jantares. Era um grupo das 7 à meia-noite, homens para socializar na pura, íamos às cabines telefónicas e não funcionavam, então íamos ao café buscar moedas, mas as coisas faziam-se. Há que haver um equilíbrio! Tanto assim que, os restaurantes em Dublin, onde trabalhei e conheci muita gente, começaram com animação e a pediram às pessoas à entrada para desligarem os telemóveis.

BMF: Na tua opinião, hoje em dia, estando nós cada vez mais “conectados”, seja através do telemóvel, do pc ou do tablet, na realidade há uma falta de comunicação crescente entre as pessoas?

PB: Claro que sim! Estamos cada vez mais desligados. Vivemos num tumulto, há que dobrar o cabo das tormentas para chegar ao pacífico, a um mar de tranquilidade. Andamos todos absurdos, nós somos todos absurdos, o ser humano tornou-se um absurdo de si próprio.

BMF: Vivemos num mundo tipo Matrix onde reina a ilusão?

PB: Totalmente! Já dizia Andy Warhol que, no futuro, toda a gente iria ter 15 minutos de fama. Pronto, é legítimo! Mas o que anda por aí são os designados “wannabe`s”, gente que quer ser famosa sem ter nenhum talento, sem trabalho, que quer fama por fama… Eu, por exemplo, se fosse um cozinheiro a minha comida teria que ser a melhor do mundo e como cantor tenho de dar o meu melhor às pessoas. E mesmo se fosse sapateiro ou se tivesse a varrer ruas e limpar casas de banho, acredita que a casa de banho que eu limpasse poder-se-ia comer na sanita. Isso é garantido! Há que ter brilho naquilo que fazemos, seja o que for.

A minha posição não é nada privilegiada, em dinheiro já não é, só se for pelo facto de ser conhecido. A vantagem disto tudo é que quando estou num palco, sejas gordo, magro, alto, baixo, rico ou pobre, toda a gente naquele espaço, naquele concerto, naquela celebração, toda a gente está ao mesmo nível, estamos todos em comunhão, é um princípio que está subjacente a uma filosofia dita cristã ou, mesmo, muçulmana, mas, no fim de contas e, principalmente, humana.

Hoje, o mundo em que vivemos é o do “Me, myself and I”. Esses são os tempos em que vivemos. Onde cada um se preocupa só consigo próprio, em vez de se preocupar com o outro.  

BMF: Será que o mundo anda como que adormecido com aquilo que lhe “dão a comer”?

PB: Agora, basicamente, sim. Quando fui ao Japão e a Changai, há muito tempo, já naquela altura fiquei parvo com a maneira como aquela gente vive, completamente centrada, a viver em três metros quadrados. E aquele bocadinho de espaço é o seu mundo.

No Japão, por exemplo, tens agências para alugar amigos, os “Rent a Friend”. Ou seja, se não quiseres ir ao cinema sozinho, podes sempre alugar um amigo, escolheres as caraterísticas do amigo, amiga ou até podes optar pela companhia de um robô. Nem sei catalogar estas situações. Só sei que devíamos aliviar a barra. No crivo do tempo, passam todas as areias, umas ficam à tona, enquanto outras perdem-se nas milhentas e milhentas… O tempo, esse, é maior que todos nós. Nesse crivo do tempo, tudo passa, tudo se vê.

Tivemos a moda do “Cubo de Rubik”, do “tamagotchi”, mas eram coisas diferentes, pois além da diversão, existia um desafio inerente. Agora, fazem-se as coisas só quando está implícita uma autopromoção, dão-se coisas gratuitamente, a troco de nada. Só para te dar um exemplo, chamam-me para ir a um concerto, não oferecem quase nada, mas se não for eu vai outro até a ganhar nada mesmo. Eu não critico festivais, só me questiono até que ponto tudo aquilo que se passa é legítimo ou, até que ponto as pessoas fazem aquilo que querem. Não estarão a ser um bocado manipuladas? E não deveria ser esse, se calhar, o papel da religião católica, o papel de “religar”, colocar as pessoas em contacto. Deveria haver uma chamada de atenção para todas estas situações. A realidade atual pode virar-se contra nós e transformar-se em algo muito perigoso! Sem dúvida que as pessoas estão a perder o norte.

Por outro lado, por vezes, penso que nós só temos aquilo que merecemos. Por vezes penso que o ser humano é a maior besta à face da terra e, por vezes, desejo que nunca encontre outro ser vivo neste universo porque, de certeza, que o iremos aniquilar. Infelizmente, somos maus e cruéis por natureza.

“Hoje, o mundo em que vivemos é o do “Me, myself and I”. Esses são os tempos em que vivemos. Onde cada um se preocupa só consigo próprio, em vez de se preocupar com o outro”

BMF: És pessimista por natureza ou haverá uma réstia de esperança no final?

PB: Não é ser pessimista, não vejo é que haja esperança e, tão pouco, não me parece que isto vá melhorar. Por acaso, eu leio muito sobre essa situação e mesmo os grandes pensadores não trazem nada de novo ao que foi dito no passado. É urgente que as pessoas tenham consciência de facto e pensem, por exemplo, “para que vou comprar isto se não preciso?”.

BMF: Falas do materialismo? A necessidade de ter, comprar, só para mostrar ao outro?

PB: Sim e no nosso país consegue ser ainda pior. A inveja existe no ser humano. Mas, em Portugal, há uma mesquinhice que diz: “eu não tenho mas tu também não hás-de ter “. É má, não há sentido de comunidade. Felizmente que não é regra geral.

BMF: Cada um olha para o seu umbigo e pouco mais. É isso?

PB: Ora bem! Comparando com a Irlanda, que é uma realidade que eu tão bem conheço, acredita que se não vires um amigo durante um ou dois dias na rua, imediatamente as pessoas vão procurar-te e tentar saber o que é que se passa. Isso é certinho! Obviamente que não o fazem porque fica bem ou mal, mas sim porque aos irlandeses lhes é inerente e natural. Claro que, depois, é praticamente impossível encontrarem-se pessoas mortas em casa. como acontece aqui em Portugal. E às vezes passados meses.

BMF: Como acontece, por exemplo, em Portugal, onde muitas vezes são encontradas pessoas mortas um mês ou dois depois de falecerem, sem que ninguém tenha procurado ou se preocupado com elas.

PB: Pode acontecer, mas há um espírito de comunidade maior, as pessoas estão muito mais unidas. A mim o que mais me enfurece é que tenho a certeza que certos políticos tenham essa consciência, mas depois ninguém faz nada. E depois as pessoas manifestam-se contra, mas pergunto: “quem os mete lá? Certo é que há uma relação de cumplicidade entre os que estão no poder e os que entram nos corredores do poder. Os políticos, a grande maioria não tem vocação, e saem dali para exercer o gargó de CEO e ganharem milhões. Nnão digo que sejamos todos iguais, aos políticos alguém os coloca no poder, mas a relação de cumplicidade é vergonhosa. Agora, só lá estão porque alguém votou neles e esse alguém é o povo. A carreira política devia ser um apostolado, um serviço, ponto final, parágrafo. Alguém que vá a política tem de ir com o pensamento de tentar tornar a vida das pessoas um bocadinho melhor.

BMF: Mudando, agora, de assunto e centrando a conversa na tua carreira, descreve-nos este teu quinto e último álbum: Cativo.

PB: Já ouve muitos “Best Of`s” e outras tantas ontologias, mas tirando isso, sim, este é o meu quinto álbum. Este é o sumo e o sumario do verão de 2017. Cheguei em maio a Portugal com um tema no bolso, que era com os moonspell e fiz a cena com eles. Mas eu já estava a gravar desde 2012 com o Carlos Maria Trindade. Cada vez que vinha a Portugal, depois de seis anos ausente, comecei a vir de vez de enquanto, uma vez ou outra, quando me chamavam para algum concerto ou íamos para o Cais de Maria, um monte no Alentejo, onde existia um estúdio e ficávamos lá. E eu sempre lhe disse: “vamos fazer isto sem pressões de editores, nem nada, quando dermos o álbum por encerrado damos, se for daqui a um, cinco ou dez anos que seja”. Entretanto, trouxe música da Irlanda, levei músicos lá e fizemos muita coisa. O álbum está quase pronto, faltam uns caprichos que quero pôr e quero limá-lo mais.

E o sumo do sumo de 2017 porquê? Depois de ter passado pelo Museu de Faro, depois do “Bons Sons”, “Oito muralhas”, “Festa do Avante”, “MeshFest” e o “Caixa Alfama”, constatei que as pessoas não se esquecem e que são capazes de me dizer coisas muito bonitas. Por vezes, as pessoas dizem-me coisas de uma forma que eu fico sem palavras. De tal forma que eu até fico confrangido. Uma vez, quando comecei a tocar o primeiro tema uma senhora começou a chorar e a chorar contagiou a sala toda. Noutra ocasião, uma senhora das Astúrias veio de propósito ver-me atuar e esteve a sessão toda a chorar.

Mas, depois, penso como é que as pessoas dizem essas coisas e depois atuam de uma forma completamente diferente, distinta. Algo se passa na cabeça delas! E a máquina é tão forte, não estou com teorias da conspiração que eu não acredito, mas são manipuladas. Isto não é ser tétrico, nem estou a anunciar que vou morrer, mas simplesmente tenho consciência da fragilidade das coisas. Tudo é um ápice, tudo acaba e de repente já não se existe.

“…somos simplesmente mais um ser como qualquer ser vivo à face da terra, que se desfaz na imensidão das coisas por outra forma qualquer, mas sem consciência de um qualquer passado”

BMF: É esse, para Paulo Bragança, o significado de “Cativo”? Cativo da fragilidade da vida humana da nossa existência?

PB: Exatamente, da fragilidade da vida humana da nossa existência. Uma ignorância permanente, apesar de todos os avanços tecnológicos. Há aqui uma linha ténue que não se consegue ultrapassar mesmo indo aos microcosmos, mesmo indo à ciência quântica, ainda não há respostas satisfatórias e penso que nunca haverá. Estamos aqui nesta ignorância, o microcosmos é um macro por si só. O que eu estou a tentar dizer é a pergunta que todos fazemos… Se calhar, nem aí a vamos encontrar. Por isso é que continuam os estudos e sempre gostei e, ainda, gosto de filosofia.

BMF: Num tom, agora, mais fúnebre, conotado, também, com o próprio Fado, enquanto expressão musical, acreditas que possa existir algo depois da morte?

PB: Não. Penso que, depois da morte, o que há é a consciência que ficará de nós nos outros e que se poderá perpetuar, a alma. Não sei! Acreditar piamente como aquelas pessoas que acreditam na ressurreição, deixo tudo em aberto, mas confesso que gostaria de acreditar que sim. No entanto, acho que somos simplesmente mais um ser como qualquer ser vivo à face da terra, que se desfaz na imensidão das coisas por outra forma qualquer, mas sem consciência de um qualquer passado. A filosofia deu-me muito e continua a dar-me, a filosofia permite todas as perguntas, nada é ridículo perguntar na filosofia.

BMF: Depois de tantos anos ausente, lançar o álbum a 9 de março e semana e meia depois estar no Top Nacional, não é para qualquer um.

PB: Nem sei que te diga! Fico contente, obviamente, mas lancei logo um comunicado com a equipa a dizer que o mérito é de todos por igual porque toda a gente trabalhou para isso. Eu só sou uma peça, eu sou, digamos, o que estou nos cornos do touro, mas também se cair caio sozinho. Os sucessos partilham-se e os fracassos, esses guardas para ti, pois ninguém tos quer.

No outro dia na FNAC, peguei num pano qualquer e disse: isto é uma bandeira, se ninguém lhe pegar cai, é a lei da gravidade. E é como eu, eu sou a bandeira, mas também tem de haver o poste e o estandarte se não ela cai, e quem é o poste e o estandarte, é esta gente toda, são os técnicos, são os músicos, a editora, as pessoas que mandam os concertos, eu sou a engrenagem da peça central que é insubstituível, mas não é um trabalho só meu porque eu sozinho não o fazia assim, podia fazê-lo, mas não era assim. Agora, claro que estou contente pelo 14º lugar.

As pessoas dizem me as coisas de uma forma que eu fico sem palavras que eu ate fico confrangido, quando comecei a tocar o primeiro tema uma senhora começou a chorar e a chorar contagiou a sala toda, outra senhora das Astúrias veio de propósito esteve a sessão toda a chorar.

BMF: E porque a entrevista já vai longa... Última pergunta... Novo álbum, Exílio, para quando?

PB: Este novo álbum sairá a 25 de abril de 2019 e tanto pode ter 14 como 20 temas porque há muita matéria, há muita canção, muito tema, muito fado, daí que não sei, até pode ser duplo. Quanto a datas, não estou nada preocupado, o que sei é que está quase pronto, tive de parar que estou no meio da promoção, em estúdio, tinha apontado para Junho mas não dá, pois o tempo foge e tenho que promover o Cativo também. De salientar, ainda, para finalizar que este ciclo da primeira fase do regresso terminará a 25 de outubro de 2019 no Grande Auditório do CCB (Centro Cultural de Belém).


Bruno Mateus Filena

in:diariodetrasosmontes.com