sábado, 20 de janeiro de 2018

Na Pele do Lobo - Parte III

Por: Manuel Amaro Mendonça
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
                                                                           VIAGEM INTERMINÁVEL
Na porta do mosteiro, frei Bento e os dois frades ficaram de olhos postos no grupo que se distanciava a bom ritmo, enquanto o abade, uns metros à frente, abençoava os seus enviados e rezava em alta voz pela segurança daqueles que mandava em nome D’Ele.

São Bento de Asnes estava isolado de tudo, a sua construção em granito, erguia-se num vale profundo da serra do Gerês, praticamente rodeado de altos cumes e era a residência de cerca de cinquenta frades. Era abastecido de água pela ribeira gelada que corria alegremente por um percurso sinuoso e acidentado até se despenhar de grande altura, perto da aldeia de São Salvador de Asnes e continuar o seu caminho até ao rio Cávado a muitos quilómetros dali. O aglomerado era composto pela capela e duas alas, em forma de U que abriam para um claustro e logo de seguida para uma extensa área composta por hortas que eram uma das fontes de alimentos do mosteiro. Todo o conjunto estava protegido por um muro de cerca de três metros de altura, derrubado pelo tempo em alguns  sítios.

O planalto era batido pelos ventos que se escoavam  nos espaços entre os cumes dos montes e assobiavam furiosamente no inverno. Àquela altitude, o sol podia ser inclemente durante o dia, alternando para uma noite gélida, no espaço de poucas horas.

Disso mesmo começou a sofrer frei João… as pernas pouco habituadas a grandes caminhadas, o corpo pesado, pouco dado a esforço, aliado ao estranho mal estar que sentia, uniram-se sob o sol castigador, tão logo abandonaram a proteção do bosque que orlava a base do monte que precisavam passar.

O trajeto que teriam de fazer era pouco conhecido por qualquer um dos monges, pois vulgarmente deslocavam-se apenas até São Salvador de Asnes, ou São Pedro de Tourém, para a feira mensal, agora iriam em sentido contrário, passando a face de uma das serras, quase até à fronteira com Castela. Todo o grupo caminhava em silêncio, primeiro porque se sabiam observados pelo abade e depois, apreensivos com a sua missão.

João ficava para trás e cada passo era um martírio. O suor frio que vertera antes, depois de o gelar completamente, agora parecia correr como gotas de metal derretido no seu corpo. Tiago deixou-se apanhar por ele e, certificando-se que os restantes não os ouviam, perguntou:

—  Que achais de tudo isto, irmão?

—  Isto, o quê? — Perguntou o outro com esforço. — Esta expedição inusitada, ou a estranha doença que atacou a aldeia?

—  Tudo! Não só esta maleita parece algo terrível e inexplicável, como este nosso grupo não tem muito de normal.

—  Uma coisa é correta: é nossa obrigação ajudar os nossos irmãos em dificuldades e fazemos isso mesmo, sempre que nos aparecem às portas.

—  Sempre que nos aparecem às portas! Vós sabeis bem que o nosso abade não cumpre escrupulosamente  o dever de curar e alimentar, senão aos peregrinos. — Frisou Tiago. — Não há memória de se mandar ninguém “ver o que se passa”. Algo o assustou muito.

—  É verdade que, para ele, os cuidados com o mosteiro estão em primeiro lugar e acho que é essa, em última análise, a razão desta aventura; ajudar se pudermos, se não, regressar rapidamente. Se esta enfermidade for tão contagiosa como aparenta, o mosteiro está em perigo e temos de o fechar num isolamento completo.

—  Só isso vos preocupa? — O monge falou ainda mais baixo. — Também não acreditais que seja obra de demónios?

—  Que o bom Deus o proíba! — Exclamou João benzendo-se ao mesmo tempo que o companheiro. — Acho que o nosso previdente abade não deixou essa hipótese de lado… é essa a razão da presença de Simão entre nós.

Ambos se calaram ao mesmo tempo ao verem o olhar de desaprovação de Filipe, que se deixara atrasar, para ver os retardatários. O seu porte altivo impunha respeito, não era difícil acreditar que era um cavaleiro templário de origem nobre.

Mantiveram a marcha em silêncio, à semelhança dos restantes mas, gradualmente, a distância entre João e o resto da comitiva ia aumentando, ao ponto do pobre Tiago  hesitar entre ficar com o companheiro ou manter o passo pelo grupo. Por fim decidiu-se e João ficou sozinho.

Arfava a cada passo, a água escorria pelas pernas, os próprios pés, apenas tapados pela correia das sandálias, eram uma papa de lama com terra e suor. Os companheiros aguardavam-no num pequeno largo mais acima… não havia uma árvore onde arranjar um pouco de sombra.

Chegado junto deles, Simão questionou-o se não achava melhor voltar, uma vez que parecia doente, mas ele recusou e despejou um pouco da água do seu odre no rosto afogueado, que lhe trouxe algum conforto. Os outros olhavam-no preocupados e ele sossegou-os alegando que era apenas o sol que o estava a atormentar, assim que chegassem às sombras da floresta do outro lado, tudo seria melhor. Procurou uma pedra alta o suficiente para se sentar um pouco, mas Simão deu ordem de marcha e ele não conseguiu descansar.

Novamente a distância entre eles começou a ser cada vez maior, até que desapareceram no alto do caminho, haviam chegado ao topo; a partir daí era só descer.

Quando por sua vez chegou ao ponto mais alto, pode deleitar-se com a paisagem. À sua esquerda, o maciço das serras alinhavam-se numa imensa muralha despida que desaparecia no horizonte e em frente, o tapete de árvores que se estendia a perder de vista. Lá muito longe, conseguia perceber o brilho de prata do rio. A fronteira com Castela. Antes disso, oculta na floresta, a estrada pavimentada, construída pelos antigos, que vinha de Braga e atravessava São Cristóvão da Chã, seguindo depois para a fronteira.

Olhou com preocupação para a mão roxa… as unhas amarelas e salientes, por certo iriam cair com os maus humores que se formavam no membro inchado… já sentia rigidez no cotovelo. Tiago aproximou-se e ele baixou rapidamente a manga do hábito.

O monge trazia recado de Simão: iam continuar a andar e esperariam de tempos a tempos por ele, mas que estavam a perder tempo precioso. Perguntava-lhe se não seria melhor voltar. Teimosamente recusou, inclusivamente, não parou de andar para ouvir o companheiro. Este acabou por encolher os ombros e levantando as saias do hábito, correu a alcançar os outros.

Foi com alívio que atingiu a orla da floresta e recebeu em cheio a frescura da sombra, adornada aqui e ali com raios de luz oblíquos, carregados de minúsculas estrelas. Acelerou um pouco o passo, mas não havia meio de os apanhar e por fim, mesmo com a sombra, o peso nas pernas e nos braços começa a fazer-se sentir novamente. A transpiração, que entretanto arrefecera no corpo, gelava-o, mas ele não queria parar e continuou, com as sandálias a arrastar no terreno irregular do trilho.

Não sabia há quanto tempo caminhava sem ver ninguém. O carreiro por entre as árvores era uma paisagem ondulante e só se apercebia das pedras quando estava mesmo em cima delas, ou quando tropeçava. O ruído das sandálias a arrastar no chão coberto de folhas, era como se estivesse a flutuar em vez de caminhar.

Por fim, conseguiu perceber, por entre a visão turva, as pedras que limitavam o pavimento da estrada de Braga. Ia ser um consolo encontrar caminho mais direito, mas de repente, um pontapé numa pedra traiçoeira, atirou-o de borco contra o chão, numa nuvem de pó.

—  Irmão João, irmão, esperai que vos ajudo! — A voz aflita de Tiago chegava-lhe de muito longe.

O companheiro ajudou-o a erguer-se mas ele tinha atingido o limite das suas forças. Ergueu-se mas não se aguentava em pé e o outro tinha que o amparar.

—  Valha-nos o Senhor, irmão João. Frei Simão disse-me que viesse ter convosco. Se for vossa vontade continuar, eles esperá-lo-ão na aldeia, pois não se pode perder mais tempo, já vão chegar lá ao anoitecer. Ele recomenda que regresse ao mosteiro, de ambas as maneiras eu acompanho-vos.

—  Estou muito cansado. — Gemeu João, de forma quase inaudível. — Preciso descansar, deixai-me deitar aqui.

—  Mas, oh, ides deitar aqui no chão? Oh, tendes um ferimento grande na cara. Deixai-me limpar isso. Não comeis nada? Nós já comemos alguma coisa para aguentar a jornada.

Tiago não obteve mais resposta e teve de puxar sozinho pelo corpo adormecido e, com uma ponta do cobertor molhada, limpou o ferimento na bochecha do companheiro. Havia sangue no hábito e nas mãos do ferido. Ergueu-se e olhou em volta… que haveria de fazer? Agora ele ia dormir no mínimo um par de horas e acabavam por ficar de noite na floresta…


Manuel Amaro Mendonça nasceu em Janeiro de 1965, na cidade de São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos, a "Terra de Horizonte e Mar".
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (Agosto 2015), "Lágrimas no Rio" (Abril 2016) e "Daqueles Além Marão" (Abril 2017), todos editados pela CreateSpace e distribuídos pela Amazon.
Ganhou um 1º e um 3º prémio em dois concursos de escrita e os seus textos já foram seleccionados para mais de uma dezena de antologias de contos, de diversas editoras.

Outros trabalhos estão em projeto e saírão em breve, mantenha-se atento às novidades AQUI.

Bragança-Miranda: Formação dos agentes pastorais prossegue

A Unidade Pastoral de Santo António, em Macedo de Cavaleiros, vai promover uma formação de pastoral-litúrgica no próximo sábado, dia 3 de fevereiro, na comunidade de Arcas.
Acólitos, leitores, grupos corais, catequistas, ministros extraordinários da comunhão, zeladores de altares, floristas, sacristães, mordomias, agentes fúnebres, responsáveis pela limpeza, voluntários de hospitais e visitadores de doentes são os destinatários desta iniciativa gratuita. 

«Temos vindo a notar nesta Unidade Pastoral (e provavelmente em toda a Igreja Local) uma ausência crescente de carácter e de identidade na maioria dos baptizados. Há uma evidente falta do sentido sacramental e de uma gritante inoperância dos baptizados. Quase não se sente, não se vive e não se testemunha o dom da fé recebido no Baptismo. Perante esta conjuntura, queremos, nesta Unidade Pastoral, promover o sentido pastoral de “discípulo missionários” dos baptizandos e baptizados» salienta o Pároco, Pe. Manuel Ribeiro. 

Esta formação está sustentada no Plano Pastoral daquela Unidade que integra o arciprestado de Mirandela e «quer instruir, elucidar e comprometer os demais agentes pastorais nas dinâmicas evangelizadoras e missionárias, procurando dar maior amplitude espiritual, de modo que possa gerar mais consciência, mais seguimento, mais militância, mais testemunho» prossegue. 

Do programa destacam-se a conferência de abertura, pelo bispo da Diocese, e as escolas ministeriais que terão como formadores todos os presbíteros do arciprestado, bem como alguns leigos, consagrados e a equipa de cuidados continuados e paliativos da Unidade Local de Saúde do Nordeste, EPE. 

A participação é gratuita mas a inscrição é obrigatória . A formação é apoiada pelas instituições locais, pelos Secretariados diocesanos das Comunicações Sociais e Liturgia e Espiritualidade, Comissão diocesana de Arte Sacra e Bens Culturais, jornal Mensageiro de Bragança e Capelania da ULS Nordeste - Macedo de Cavaleiros.

Município de Macedo de Cavaleiros cria grupo de trabalho para dinamizar as feiras

A decadência das tradicionais feiras, pontos móveis de um comércio secular, estão a preocupar os autarcas de Macedo de Cavaleiros que vão criar um grupo de trabalho que promova a sua revitalização e uma nova dinâmica para este comércio local.
Tendo a noção de que as feiras que se realizam trimensalmente na Sede de Concelho têm vindo a decair, o executivo de Macedo de Cavaleiros criou um grupo de trabalho que, em estreita colaboração com a Associação Comercial, Industrial e Serviços, vai trabalhar no sentido de tornar mais dinâmicas e atrativas as feiras a realizar.

"As feiras e o comércio ambulante sempre tiveram um peso significativo na economia do nosso concelho e são uma atividade que deve ser acarinhada e potenciada. Feiras fortes e com muita gente são uma mais-valia para todos os que ali fazem o seu negócio, bem como para todo o comércio da cidade e é nesse sentido que este grupo trabalhará", refere uma nota da autarquia.

Seminário em Vimioso sobre frutos secos no âmbito do Projeto Portugal Nuts

O Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos – CNCFS organiza um Seminário, em parceria com a Câmara Municipal do Vimioso, no âmbito do projeto Portugal Nuts, sob o tema “Oportunidades e desafios no setor dos frutos secos”.
Seminário em Vimioso sobre frutos secos no âmbito do Projeto Portugal Nuts 
O seminário realiza-se no dia 25 de janeiro, pelas 10h00 horas, no Auditório da Casa da Cultura de Vimioso, contando com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Vimioso,António José Fidalgo Martins. 

A iniciativa tem como objetivo o reforço da capacitação empresarial das PME da região NUTII Norte para o desenvolvimento de processos de inovação, estimulando o trabalho em rede através da criação de comunidades de inovação assentes na estratégia regional de especialização inteligente (RIS3), da ligação das empresas ao ensino superior, do desenvolvimento de projetos inovadores, com vista ao desenvolvimento de novos bens e serviços, ao aumento da produtividade e capacidade de criação de valor. 

Esta é mais uma iniciativa do CNCFS no âmbito da promoção da fileira dos frutos secos em Portugal, numa divulgação do conhecimento em estreita ligação com os agentes da fileira.

in:noticiasdonordeste.pt

Bragança, um distrito com história na produção de seda

Do séc. XIII ao séc. XXI, da plantação de amoreiras aos métodos de tecelagem, várias são as passagens históricas da Sericicultura no distrito de Bragança que podem desde sexta-feira ser conhecidas em Macedo de Cavaleiros.
“Quando as Periferias São o Cento – A Indústria da Tecelagem e das Sedas” é o nome da exposição agora patente no Museu de Arte Sacra, que conta a história da seda, não só em cronologia mas também através de objetos e peças de vestuário ligadas à atividade.

Uma exposição que tem muito a oferecer a quem a visita, como enumera Eugénia Vilela, responsável pela itinerância e porta-voz da exposição.

“Quem visitar esta exposição vai poder saber mais sobre as histórias, o percurso que é feito, vai encontrar um conjunto de objetos que foram importantes para o estudo e para a história de sericicultura, vai também encontrar alguns vestígios arqueológicos também muito importantes encontrados na fábrica de Chacim e que nos permitiu retratar um pouco desta história e entende-la melhor.

Acaba por ser surpreendente esta cronologia tão grande que nos mostra momentos ao longo das décadas e séculos, sobre os quais Abade Baçal faz referência nas suas memórias arqueológicas. Foi um estudo exausto e muito bem feito.”

Um dos núcleos mais significativos e bem presentes na exposição é o de Chacim que preserva ainda vestígios que testemunham a atividade do Real Filatório.

“A fábrica de Chacim era uma grande produtora de seda, empregou muita mulheres e alimentou muitas famílias.

Ainda existem ruínas da fábrica em Chacim, é uma memória que ainda está muito viva, consiste num património material e imaterial que se conseguiu ao longo das décadas,  estudos e investigações feitos e importantes para enriquecer.

Sobretudo, é importante que as pessoas não se esqueçam que a produção da seda no distrito de Bragança foi muito importante.“

Histórias que fazem sentido em Macedo, especialmente pela importância que o concelho teve na produção de seda no Real Filatório de Chacim, espaço este que pode vir a ganhar uma nova dinâmica em breve, avança Elsa Escobar, Vereador da Cultura do município.

“Exatamente. Durante algum tempo Chacim foi sede de concelho e o Real Filatório continua a ser um espaço lindíssimo que queremos reabilitar, essa é uma possibilidade a ponderar.

Neste momento não posso adiantar muito pois ainda é tudo muito prematuro mas vamos ver como corre no futuro.

Recebi, inclusive, uma oferta para realizar uma exposição em Chacim, para quando esta terminar, de forma a dar alguma continuidade e levar as pessoas para fora da cidade e, assim, dar outro valor ao concelho.”

A exposição “Quando as Periferias São o Cento – A Indústria da Tecelagem e das Sedas”, partiu de Bragança para Macedo, segue depois para Alfândega e espera-se que consiga passar por todos os concelhos do distrito.

Histórias da seda que podem ser visitadas no Museu de Arte Sacra de Macedo até dia 7 de abril.

Um projeto expositivo do Museu do Abade de Baçal, organizado no âmbito de Terra(s) de Sefarad – Encontros de Culturas Judaico-Sefardita, com o apoio, entre outros, da CM de Macedo, da CM de Freixo, da Direção Geral de Património Cultural, GPC e DRAPN.

Escrito por ONDA LIVRE

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Campanha de sensibilização e recolha de pilhas usadas

Durante o mês de janeiro, a Câmara Municipal de Alfândega da Fé está a promover uma campanha de sensibilização e recolha de pilhas usadas. O objectivo é alertar a população para a importância da separação das pilhas que já não têm uso, evitando assim que estas acabem a poluir o meio ambiente.
A iniciativa começou em 2014, altura em que foram distribuídos vários mini pilhões junto de entidades públicas e privadas do concelho. Em 2016 iniciou-se a recolha das pilhas usadas, registando-se um total de 34kg de pilhas recolhidas nos mini pilhões distribuídos. Já em 2017 esse número aumentou para mais de 36kg de pilhas usadas e que não foram parar ao meio ambiente.

Para complementar o projeto de educação ambiental do município, estas pilhas são entregues no Agrupamento de Escolas de Alfândega da Fé, para serem contabilizadas e integradas no concurso do projeto Eco-Escolas. No final as pilhas são recolhidas por uma entidade devidamente licenciada para o efeito, permitindo que as mesmas sejam devidamente recicladas e não acabem a contaminar os solos.
Se tem pilhas usadas, já sabe. Coloque-as no pilhão!

Homem tenta acalmar briga entre vizinhos e leva uma facada

Um homem de 22 anos levou uma facada hoje ao final da tarde em Bragança.
Ao que apurámos o jovem estava em casa, quando ouviu um casal vizinho a discutir, saiu à rua para ver o que se passava e acalmar a situação, que pensou tratar-se de violência doméstica, e quando abriu a porta foi agredido no braço com uma arma branca.
O agressor foi detido pela PSP, que tentámos contactar mas não foi possível ainda obter mais esclarecimentos. 

Escrito por Brigantia

Familiares de mulher que foi esfaqueada 40 vezes revoltados

Clica na imagem para aceder ao video

Detido na aldeia de Morais devido a permanência ilegal em território nacional

Foi hoje detido em Morais, Macedo de Cavaleiros, um homem de 41 anos por permanência ilegal em território nacional.
O Comando Territorial de Bragança através do Posto Territorial de Morais e no âmbito de uma operação de fiscalização rodoviária, os militares abordaram um veículo  e, no decorrer da fiscalização, detetaram que o condutor de nacionalidade estrangeira não possuía qualquer visto que autorizasse a sua permanência em Portugal, transportando ainda 170 artigos contrafeitos de diversas marcas.

O indivíduo foi constituído arguido, sujeito a termo de identidade e residência estando, neste momento, a ser presente no Tribunal de Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

ALVITES - Freguesias do Concelho de Mirandela

ALVITES dista cerca de 16 km para norte da cidade de Mirandela numa zona planáltica. O povoamento remonta aos vestígios de fortificações castrejas que ali existem. E o seu topónimo parece significar "testemunho", tornando mais enigmática a sua origem. A sua Igreja era anexa de Ala noutros tempos, tem por orago S. Vicente, sendo uma terra a quem foi dado foral por Julião Gonçalves, juiz de Panóias, a consentimento de D. Afonso III, em Junho de 1249.
Vários Fidalgos e Cavaleiros Nobres ali tiveram o seu berço, como é o caso de Amaro Vicente Pavão de Sousa, oficial destemido que se distinguiu na guerra peninsular. Ou Cristóvão José de Frias Sarmento, Fidalgo da Casa Real, bem como os seus irmãos e irmãs. Ou António Maurício Pereira Cabral, que foi Fidalgo Cavaleiro por alvará de 6 de Abril de 1827. Para além de Alvites ter tido também um Morgadio.
Possui ainda dois riquíssimos solares brasonados. Um dos Bacelares e o outro dos Barbosas.
Em 19 de Julho de 1901, passava a ter escola primária. Em meados desse século viviam ali 797 pessoas. Porém, em 1991 eram 393 e em 2001 ficavam se pelos 287, sendo 140 do sexo feminino.
Em 1960 tinha 2 professoras, 2 mercearias e 3 proprietários a abastados.
Alvites é uma terra de emigrantes, que tem a agricultura e a pecuária como bases do seu sustento. Gado bovino, cabras e ovelhas abundam por ali, bem como frutas diversas, azeite, vinho e pão.
Apesar de conservarem já poucas profissões tradicionais, ainda lá vimos um barbeiro, dois sapateiros, três sapateiros, três negociantes. Um ferreiro, um lagar de azeite que emprega algumas pessoas em Dezembro e Janeiro e até Fevereiro de cada ano, como o Forno de cozer o pão que vai cumprindo a sua missão. Além dos Solares atrás mencionados, e que ficam na Rua Dr. Miguel Bacelar, vemos a sumptuosa Igreja Matriz de granito, com rosácea, frontaria românica, mas também o bonito Cruzeiro, a Casa Paroquial, a Fonte de 1938, tudo granítico também, e rodeando o Largo do Cruzeiro, qual praça histórica viva. Assim como a Fonte da rua do Paço, de 1931, As Capelas de Santa Madalena e de Santa Ana, a Casa do Povo, o Bairro Novo, a Rua do Lameiro, identificam bem esta interessante terra.
O jogo da Malha aos domingos e dias Santos, o passeio até ao Largo do Cruzeiro, os bailes de domingo na Casa do Povo ou os namoricos junto das fontes, são algumas maneiras de lazer que ainda se usam bastante nos nossos dias.
Alvites tem como anexas: Assoreira, Lamas de Cavalo e Vale de Lagoa. A primeira fica junto da Ribeira da Assoreira, que lhe deu o nome, e possui bons terrenos agrícolas.
Vale de Lagoa, com poucas dezenas de casas, no extremo oriente da freguesia, fica numa encosta, à volta da sua capela, e é composta de algumas casas rústicas. Quanto a Lamas de Cavalo tem cerca de 12 moradores encaixando se no declive de uma encosta que, naquele local apanhou um pequeno vale.

In III volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte.

Preço do azeite ainda vai subir mais

O preço do azeite está em alta mas ainda vai subir mais. A garantia foi deixada por Patrícia Falcão, Secretária Geral da Fenazeites, num encontro de cooperativas olivículas, que decorreu sexta-feira em Macedo de Cavaleiros.
“O preço do azeite está muito em alta pois a produção em Espanha não está a ser muito elevada. O preço está alto e com tendência para subir. O preço do azeite, estando alto e sendo o azeite transmontano de excelente qualidade, faz com que a venda do produto seja extremamente fácil”, garantiu.
Atualmente, o preço pago ao produtor ronda os quatro euros por litro (no supermercado supera os dez euros por litro) mas tempos houve em que os olivicultores não ganhavam sequer dois euros por litro de azeite. “Já tivemos estes valores, já tivemos uma quebra enorme de preço, numa altura em que o valor do azeite estava inferior a dois euros. Tiveram de ser criados mecanismos de apoios a nível europeu para a armazenagem, enquanto se espera que o preço suba. Neste momento estamos outra vez num valor alto mas é um mercado que flutua”, alerta.

Maior produção dos últimos 50 anos

Mas 2017 vai mesmo entrar para a história recente da agricultura portuguesa como o ano de maior produção de azeitona registada desde a década de 1960.

AGR
in:mdb.pt

Nova PAC vai beneficiar agricultores da região

A proposta para a nova Política Agrícola Comum (PAC) vai beneficiar os agricultores de Trás-os-Montes. A ideia foi defendida na sexta-feira, em Macedo de Cavaleiros, por Arlindo Cunha, antigo Ministro da Agricultura, à margem de um encontro de cooperativas agrícolas, organizada pela Fenazeites e pela Confagri.
“A Comissão apresentou, no final do ano passado, uma comunicação contendo princípios gerais, que está agora a ser objeto de discussão. Haverá propostas concretas lá para o final do primeiro semestre. Mas, nesta altura, a Comissão diz coisas interessantes. 
Em primeiro lugar, que vai haver uma continuidade. Portanto, não haverá um corte relativamente à política atual. Mas vai haver ajustamentos na distribuição dos apoios da PAC, principalmente nos pagamentos diretos aos agricultores, para que haja mais equidade, ou seja, uma repartição mais equitativa, mais justa, quer entre países da União Europeia, quer entre agricultores de um mesmo país. 
São questões que nos parecem interessantes, tal como uma manifestação de preocupação em relação ao mundo rural, que no nosso país está muito debilitado. 
É preciso reforçar os apoios para que as economias do espaço rural sejam mais densas”, explicou o docente universitário, que acredita que daí poderá haver benefícios para os agricultores da região.

AGR
in:mdb.pt

NOTÍCIAS DA ALDEIA

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
No Inverno a aldeia repousa… recolhe-se… pensa nos longos bocados da vida… nos filhos ausentes… nos que morreram, mas deixaram lugares… ditos… grandezas e misérias… e eu, como disse a minha neta Lara na candura dos seus 5 anos, hiberno na ausência de trabalho certo…
… é verdade Lara, os aposentados e pensionistas cada vez têm que hibernar mais… não comem… não passeiam… não vivem… só hibernam anestesiados… no espanto insólito do roubo das suas parcas pensões amealhadas, pacientemente, durante uma vida…
- Ele um homem vê cada uma!... 
Diz o meu vizinho, por não ter mais nada para dizer, enquanto parte, em cima dum carolo de pão, um cibo de linguiça que vai comendo no vagar da tarde… sem pressa… tem o tempo todo do mundo!
Já apanhou a azeitona… matou o porco… pendurou o fumeiro e os presuntos e agora só racha a lenha e faz o lume que arde amaciando o rigor dos Inverno e das memórias!
… o Senhor manda-me uns papéis para o meus rapaz… é por modos da sécurité sociale… por email… diz o rapaz! ….@hotmail.com… é a direcção!
…claro que mando!
- Quando chegarão lá os papéis?! 
- Daqui a cinco minutos!
O vizinho não ficou nada convencido… cortou mais uma rodela de linguiça…bebeu água no tanque e riu-se…
…pois sim…lá hão-de chegar!
Sim… lá hão-de chegar… 
… que tempos… que pressas… por onde andará a camioneta do correio que trazia cartas… postais e aerogramas?!
A linguiça está bem boa!
A aldeia hiberna… como eu!...
Vamos mas é acender o lume!


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

MEMÓRIAS DA TABERNA

Há, entre outras, uma forma de, neste inverno frio e citadino, me sentar à lareira e, mesmo com o fogo apagado, as vacas por acomodar e sem os ralhos da vizinha por causa das pitas que debicam o renovo, sentir um calor doce e reconfortante, vindo das cinzas da lareira, ou do canto silencioso de “um rouxinol intemporal, pendurado nos ramos secos dos freixos”... Neste inverno que começou com vento gelado trazendo, do nordeste branco, o frio das manhãs de neve e gelo, fui, diariamente, lendo, um capítulo por dia (não mais, para que o pudesse saborear adequadamente) do Pão Centeio, o último livro da trilogia brigantina da autoria do meu amigo de décadas, Fernando Calado.
Em O Milagre de Bragança o escritor de Milhão desvenda-nos a Coimbra em Miniatura do início do século passado, num hino aos homens e mulheres que trouxeram o velho burgo regional e tradicional para a modernidade e o abriram ao progresso do final do milénio. Quando as mães saíram à rua retrata-nos a urbe atual, que conhecemos no virar do século, com as contradições de um período de alguma prosperidade e abundância mas que já antecipava o ciclo de crises material e de valores que se aproximavam e que já marcavam o tempo, tal como se observa no ovo da serpente, o prenúncio do nascimento do réptil. Mas é, na minha opinião, com Pão Centeio que o poeta e romancista bragançano nos envolve com o calor das recordações tradicionais e caraterísticas do povo nordestino. Tal como quando se remexe nas cinzas se sente a quentura e conforto das brasas que lhe deram origem, igualmente a leitura deste romance, nos transporta aos tempos pretéritos de um modo de vida em vias de extinção. Quiçá, para um novo renascimento, tal como a fénix que o autor convoca várias vezes, pela voz dos seus personagens. Arriscando alguma injustiça para com o escritor, atrevo-me a reclamar que os dois primeiros livros foram “apenas” a introdução e o enquadramento urbano e temporal daquele que é a verdadeira marca da vida nordestina recente. Com algumas e justificadas exceções, todos os dias, pela tardinha, senti-me, de novo, na minha aldeia natal, sentei-me, umas vezes na lareira, outras no terreiro da fonte e, na maioria das vezes, no banco de madeira da taberna abrindo as portas da minha memória e assistindo a um desfilar de velhos e reconhecidos quadros rurais. Bebi fraternos copos de vinho do pipo, na taberna, partilhei saladas de bacalhau com tomate e cebola generosamente regada com azeite da almotolia, no soto e, sobretudo, persegui, à sombra das amoreiras do terreiro, os “ladrões do tempo” do futuro que nos espera.
Os vários painéis que desfilam ao longo das mais de duas centenas de páginas trazem-me um passado recente em que o soto foi o centro da vida da aldeia de onde venho e nisso me irmano com o autor pois também os meus pais tinham um estabelecimento onde tudo se vendia, desde a agulha ao açúcar amarelo a granel, desde as meadas de tripas, às sementes e ao corte de flanela e cotim. E, sobretudo, onde convergiam todos os forasteiros, fossem latoeiros, pantomineiros, comerciantes ou simples viajantes em trânsito e visitantes esporádicos. E onde aportavam os loucos, os mendigos e os excêntricos sonhadores!
Partilhando o anseio de ver o nordeste rural renascer, partilho igualmente as memórias da taberna onde, diariamente se registava a história quotidiana das várias fainas e tarefas agrícolas e sociais.
Sem dúvida,  o último livro de Fernando Calado é a chave dourada a encerrar a trilogia, em boa hora acordada com a edilidade brigantina. É o testemunho e o testamento das mulheres e homens que “cozem o pão... lavram a terra... bebem vinho... assistem ao envelhecer e à derrocada da aldeia que paulatinamente há-de renascer.”



José Mário Leite
in:mdb.pt

Monarquia portuguesa nas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Proclamada a independência de Portugal em 1139, com o seu primeiro rei D. Afonso Henriques, parece que a fronteira portuguesa, na parte respeitante ao distrito de Bragança, logo correu, com pouca diferença, pelas demarcações actuais. Ouçamos Herculano:

«Desde Montalegre até Bragança nenhuns documentos nos autorizaram a supor que os limites do país fossem subsequentemente alterados, devendo-se por isso crer que são os mesmos desde o princípio da monarquia».

Um diploma de 1130 figura Fernão Mendes, o Braganção, como governador, por Afonso Henriques, em Bragança e em Lampaças, território ao sudoeste desta cidade, e as particularidades coligidas por Figueiredo, o que tudo nos indica dilatarem-se os territórios portugueses para o ocidente de Bragança até Montenegro.
Do testamento de D. Fruela Ermiges se vê que os distritos do norte de Trás-os-Montes eram Bragança, Montenegro e Laedra.
Bragança teve foral, dado por D. Sancho I, em 1187. O de Laedra entestava com Bragança e pertencia a Portugal. Mas onde ficava situado? Devia ser contíguo ao de Lampaças e ambos a sudoeste de Bragança e a nordeste de Mirandela. Pelo menos este último concelho pretendia exercer aí jurisdição, e em 1196 doava Sancho I a Fernando Fernandes a vila de Sesulfe na terra de Laedra.
Descendo, porém, de Bragança para o sul, achamos que a vila do Vemenoso (Vimioso), em termo de Miranda e no território do castelo de Ulgoso (Algoso), pertencia a Sancho I, em 1186.
No ângulo que a linha da fronteira forma para o nascente acima de Miranda, doava este príncipe, em 1211, ao mosteiro leonês de Moreruela o reguengo de Infaneis (Ifanes).
A Miranda dera foral Afonso Henriques, em 1136. Com os termos deste município partiam provavelmente os de Mogadouro, ao sul do qual principiava o concelho de Molas (Mós). No foral deste último concelho se lê: «et inde a parada inter vos et mugadoiro». Pelas confrontações escritas nesse diploma se conhece que o território de Mós se dilatava para o norte e parte até o Sabor, ao passo que o de Urros (Urrios) o limitava pelo sul a bem curta distância da cabeça daquele concelho, estendendo-se até à margem direita do Douro.
Ainda que o foral de Urros careça de demarcações que muitas vezes se indicavam nas cartas de município, todavia, dos lugares em que se estabelecem os pontos nos quais se haviam de debater e julgar as demandas entre os habitantes de Urros e os povos limítrofes, o que sempre era na raia municipal ou mediania, se conhece que esta raia chegava ao Douro.

Vale de Prados de Ledra, anexa das Múrias
Como vemos, Herculano não acha onde ficaria situado o concelho de Laedra. Pela semelhança dos nomes, julgamos que a sua cabeça seja a Ledera dos fragmentos do concílio de Lugo, uma e a mesma Leta da divisão de Wamba, atrás mencionadas como igrejas pertencentes à Sé de Braga; e como ainda hoje a freguesia de Carvalhais, no concelho de Mirandela, tem uma anexa chamada Vilar de Ledra, entendemos que por aí, ou perto, na de Fornos de Ledra, demoraria o outrora importante povoado de quem herdou o apelido distintivo. Também perto deles fica Vale de Prados de Ledra, anexo da freguesia das Múrias. Imediato a este ficaria o de Lampaças, de quem o onomástico da freguesia de Quintela de Lampaças, no concelho de Bragança, nos conserva vestígios.
Ainda hoje, nos livros em que as confrarias de Bragança assentam os respectivos confrades, à parte dos que pertencem das povoações de Santa Comba e Sortes, para o sul, chamam «Ramo de Lampaças».
As antigas divisões eclesiásticas, diz Sarmiento, acomodavam-se às divisões dos povos gentios. Em arcediagados para os povos maiores, e arciprestados os menores. É vulgar estar oculto no nome de um arcediagado ou arciprestado o nome de algum povo antigo.

Divisão dos dois condados — Galiza e Portugal no tempo do conde D. Henrique (1097).
«A divisória entre os dois condados ou as duas Galizas, isto é, a lucense e a bracarense, não obedeceu então à ideia de conservar a mesma que os romanos demarcaram nos dois conventos jurídicos: o lucense e o bracarense.
Na época dos romanos, o rio Umia, ou das Caldas, era o limite divisório pela costa de oeste, entre as duas Galizas, estendendo-se esta linha até ao leste horizontalmente; de modo que os povos hoje de Vigo, Tui, Pontevedra, Ribadavia, Alariz e outros do Lima pertenciam não à Galiza de hoje, à lucense, mas à Galiza bracarense.
Desde o rio Bubal descia em seguida (a linha divisória) para o Castelo de Monforte de Rio Livre, e seguindo de oeste para leste até Manzalvos, formava entre este ponto e Castrelhor o vértice de um ângulo, pois que daí, torneando Bragança, descia perpendicularmente para o sul até ao Douro».

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Dizeres e Ditos na Carta Gastronómica de Bragança

Diamantina dos Anjos Veiga
Sr.ª Dona Diamantina dos Anjos Veiga, 83 anos, vive em Bragança.
Tem onze filhos, dezoito netos, e um bisneto.
O marido emigrou para a Alemanha, sempre que vinha ficava um filho. Os filhos ao toque das Trindades tinham de estar em casa, se não estivessem levavam. O seu casamento não foi alegre, eram só os noivos e a família.
Comeram cordeiro conseguido à conta da venda de uma burra do seu marido. Bolos foram económicos e pão-de-ló feitos pela irmã. Dançaram ao som de um realejo.
O gado era a principal riqueza na sua aldeia (Babe). Tinham cabras, ovelhas e vacas.
Comiam-se cabritos com dois ou três meses.
Os cordeiros também se comiam, o mesmo acontecia às ovelhas. O leite servia para beber em casa. Não conheciam a manteiga, usavam o pingo. Só em duas ou três casas é que se fazia queijo. Na matança dos recos, matava-se também uma vaca que se dividia por dois ou três vizinhos, curando-se juntamente com os chouriços, sendo comida durante todo o ano. Coziam fornadas de pão centeio. Trigo mais para a matança. Mesmo nas casas ricas à noite comia-se caldo e castanhas.
As lentilhas tinham de ser colhidas antes de o sol bater na terra, utilizavam-nas para fazer caldo. Na feira comprava os ramos dos pimentos, plantavam-nos e depois de os colher conservava-os em cima dos montões de batatas, sempre em sítios frescos, nos baixos. Comiam todos do mesmo prato grande, bebiam todos do mesmo garrafão.
Andavam às amoras para as vender.
Os doentes eram tratados a galinha velha cozida, as novas não faziam tão boa sopa.
Aos meninos davam-se sopas de leite e pão, quando não tinham sopas de alho. Davam alhos a cheirar aos meninos no intuito de apaziguarem as lombrigas. Na desmama dos filhos dava-lhe leite de ovelha pelo biberão, depois comiam o mesmo que os adultos.
Comiam caldo de hortaliças, batatas e massa.
Chegou a matar três porcos. A vida era mais alegre e de maior convivência.


Domingos do Nascimento Gonçalves
Sr. Domingos do Nascimento Gonçalves68 anos, vive em Outeiro. Ia para a Escola, no regresso dividia uma sardinha por três. Compravam-se as sardinhas a troco de trigo ou centeio. Principiou a cortar barbas e cabelos aos 12 anos. O trabalho de barbeiro pagava-se anualmente com cereal, doze quilos por pessoa. A barba só uma vez por semana, sábado ou domingo, cabelo quando necessário, rara as vezes a carecada.
O comércio fazia-se para Argoselo, antes eles precisavam mais de nós por serem muitos.
Agora, é o contrário, aqui (Outeiro) não há nada. Não há quem trabalhe as vinhas, o vinho não tem saída, não há quem beba.



Domingos dos Santos Esteves
Sr. Domingos dos Santos Esteves88 anos, vive em Soutelo. Foi alfaiate, trabalhava de casa em casa, durante todo o ano. Aprendeu a arte em Meixedo. O alfaiate era o artista mais bem tratado da sociedade.
Fazia fatos de fioco, cheviote e pana, capotes de burel pardo, só para os pastores.
Os capotes eram muito pesados e maus para trabalhar. No dia-a-dia comia-se o que havia.
Nos dias de festa matava-se um cordeiro.
A grande festa era a matança. Nesse dia comia-se bem. Tratava bem os porcos, teve porcos com toucinho de treze centímetros de altura. Vendeu o quilo a 25$00, a arroba de batatas na altura custava 5$00. As casas possuidoras de centeio, batatas, porco e vinho
viviam bem. Não havia javalis, havia muitos coelhos e lebres. A caça vendia-se.
A Mãe fazia carvão na Serra de Montesinho e vendia-o em Bragança, de onde trazia tudo o que era necessário. Em Soutelo no seu tempo de rapaz havia dezassete ou dezoito rebanhos de ovelhas e dois ou três de cabras. Foi regedor e presidente da Junta de Freguesia.


Dona Emília dos Anjos Afonso
Sr.ª Dona Emília dos Anjos Afonso78 anos, vive em Bragança. Eram seis irmãos. O primeiro vestido de chita percal que vestiu foi quando fez a quarta classe e os sapatos vieram de Espanha. O que faltava era dinheiro. Sempre trabalhou na lida da casa e no campo. Mal saía da Escola ia atrás das vaquinhas e juntava folhas para se fazer estrume. Ou ripar folhas de negrilho para com farelos as dar aos porcos.
Comiam chícharos com carne da barriga do porco, picava-se a carne para render mais e faziam ensopado de feijão seco. O que sobrava guardavam na mosqueira.
Teve uma vida difícil, não a deixavam chegar à janela. Ao toque das Trindades todos se recolhiam. Casou com 17 anos, ela ficou em casa da Mãe, e o marido na casa do Pai. Encontravam-se aos domingos. O marido não podia abandonar a casa paterna, se o fizesse seria deserdado. Viveram assim durante doze anos, depois o marido largou a casa dos pais. Foi deserdado.
Nos dias de festa nada se fazia no pote.
Era tudo assado no forno, até o arroz.
Se a padinheira ficasse roxa, o forno estava quente. Nos Santos comiam-se castanhas
assadas e provava-se o vinho para ver se estava bom. Butelos não se comiam, os ossinhos com que se fazem os butelos guisavam-se com os miolos.
Nas romarias levavam-se merendas compostas por bifes de presunto, coelho estufado,
frango frito, presunto e salpicão. Comiam cuscos com leite. Rabões comiam-nos os porcos e as vacas. As rabas coziam-se com batatas e temperavam-se com azeite. O que mais se comia eram batatas, couve penca, toucinho e centeio.
Na morte não se cozinhava na casa de quem morreu, a não ser para os padres vindos de longe.
No dia do seu casamento comeram cordeiro, leitão e vitela, arroz-doce e leite-creme.

Carta Gastronómica de Bragança
Autor: Armando Fernandes
Foto: É parte integrante da publicação

Publicação da Câmara Municipal de Bragança

Vimioso entrega alimentos para animais de zonas afectadas pelos incêndios

Os habitantes do concelho de Vimioso reuniram quase 40 toneladas de alimentos para animais que serão doados a agricultores afectados pelos incêndios na zona centro do país.
A iniciativa partiu da associação de pais do agrupamento de escolas e contou com a colaboração do município que se encarregou do transporte. Os dois camiões serão entregues hoje em Nelas, como adiantou o presidente do município de Vimioso, Jorge Fidalgo.

“Começámos há cerca de um mês e meio a recolha, vamos agora transportar em dois camiões o produto da doação dos particulares e das juntas de freguesia, que serão entre 30 a 40 toneladas de ração, cereais, palha e feno para animais, que se destina à Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela e será descarregado na zona industrial de Nelas”, destacou.

O autarca salienta a generosidade dos produtores do concelho que contribuíram para a campanha solidária, já que eles próprios sentiram dificuldades devido à seca.

“Para nossa surpresa e atendendo a que também as nossas colheitas foram muito afectados pela seca, a verdade é que a população do concelho de Vimioso revelou-se extremamente generosa”, referiu.

Também os Bombeiros Voluntários de Vimioso se associaram à iniciativa, colaborando no transporte dos materiais até Nelas, que se realiza hoje. 

Escrito por Brigantia

Municípios da Terra Quente Transmontana lançam Projeto-Piloto inovador nas Escolas designado “MASCOTE ESCOLAR”

Os municípios que constituem a Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana lançaram esta quarta feira a 1.ª Fase do projeto “Mascote Escolar” que consiste na adoção de um canídeo ou felídeo pelos Agrupamentos de Escolas da Terra Quente Transmontana, a que se seguirá uma ação de sensibilização da comunidade escolar.
Este projeto inovador, focado no território de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor tem entre os seus objetivos o envolvimento e a sensibilização da comunidade escolar e da sociedade para com os animais de companhia, fomentando uma relação de bem-estar benéfica para os estudantes com melhorias ao nível afetivo e social e, ao mesmo tempo, propiciando o aumento da adoção de animais alojados no Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia, transmitindo uma imagem melhorada desta instituição de acolhimento e integração de animais, muitas vezes conotada negativamente.

Os canídeos adotados pelos agrupamentos são devidamente selecionados ao nível de comportamento e de estado de saúde (vacinados, desparasitados e esterilizados) estando os cuidados médico-veterinários e a avaliação clínica periódica a cargo da Associação de Municípios, e os cuidados com a alimentação, higiene e bem-estar das mascotes a cargo dos agrupamentos.

A primeira mascote escolar, o “Ushi”, foi entregue nesta quarta-feira ao agrupamento de escolas de Carrazeda de Ansiães e teve à sua espera uma pequena multidão de crianças cheias de carinhos para lhe oferecer. Seguir-se-ão entregas nos restantes agrupamentos, incluindo a adoção de um gato por um jardim-de-infância.

Com a avaliação dos resultados desta 1.ª fase do projeto, será pensada a implementação de uma 2.ª fase que consistirá no alargamento a outras instituições.

Qualquer informação adicional poderá ser obtida junto da AMTQT, através do contacto telefónico 278201430, via email geral.amtqt@amtqt.pt

CM de Carrazeda de Ansiães

Matança do Porco - FERMENTÃOS

Utentes consideram médico de Macedo de Cavaleiros como membro da família

Há um médico em Macedo de Cavaleiros considerado pelos utentes como um membro da família.
Numa altura em que muitos se queixam da falta de médicos no interior, o Dr. Jorge Poço é a exceção. Há 13 anos criou a única unidade de AVC do distrito de Bragança e há até quem afirme que "como ele, já não se fazem".