terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Festas de S. João e St.º Estevão - DUAS IGREJAS

Apresentação do Livro - RELÓGIO SEM HORAS - MOGADOURO


Balada para um Natal - Hora do Conto - MIRANDELA

La Fiesta De Ls Moços - CONSTANTIN

Programação de DEZEMBRO 2017 - MIRANDELA

Memórias da RTP - 2010-04-29 - Feira de Artesanato em Bragança

A RTP acompanha a edição da Feira de Artesanato de Bragança.
clica na imagem para aceder ao video

Torneio Zonal de Juvenis - Natação - Bragança

Concerto de Natal 2017 - Oficinas de Música 16 de dezembro às 21:30 - MOGADOURO

Atividades programadas - Natal 2017 - CARRAZEDA DE ANSIÃES

Uma Certa Lisboa

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Como bom transmontano demandamos a Lisboa nesta fugaz ritualidade de cumprir as tarefas de reunião com o carácter de urgência e sempre com uma certa ansiedade que o regresso ao trabalho do quotidiano já não demora.
Em Lisboa vive-se muito bem, em apartamentos recuperados em velhos edifícios ainda com memórias pombalinas.
Em Lisboa vive-se muito mal em becos sórdidos, ou no aconchego de pátios escuros adornados com jornais que meigamente recebem os sem abrigo.
Das janelas amplas, cheias de Lisboa, lá está a cidade desenhada a esquadro, régua e compasso na previsibilidade do homem que em 1755 mandou enterrar os mortos e cuidar dos vivos, depois do medonho terramoto que reduziu a escombros a velha Lisboa até ao Campo de Ourique.
A Baixa lisboeta é um mundo cosmopolita, a grande montra onde deslizam as múltiplas etnias. Os negros reúnem-se nos Restauradores, acampam, telefonam, falam num português negro, na grande alteridade das culturas sem fronteiras.
As esplanadas animam-se, come-se marisco com sabor a descobrimentos, a mar e ao anonimato de gentes de todo o mundo que passam como se não passassem e vão não se sabe para onde.
Os mendigos descobriram novas estratégias, na antiquíssima arte de pedir e aplicam técnicas de marketing que apostam na emoção e na novidade para atingir difíceis objectivos, numa concorrência desmesurada nas ruas de Lisboa. Assim, uma mulher andrajosa estendia a mão enquanto uma criança magríssima dormia no desconforto do colo. Os transeuntes olhavam com piedosa censura e recusavam a esmola que tardava para a mulher habituada à indiferença da humanidade. Mais além, um rapaz com longos cabelos e um ar de abandono de quem possuiu o tempo todo do mundo, amestrou um pequeno cão que levantava na pata uma lata, onde os transeuntes embevecidos iam depositando moedas, para gáudio e conforto do rapaz que descobriu que um cão obediente vale mais do que uma criança faminta que dorme no colo duma mãe velha e doente.
Mas Lisboa é assim, grande em tudo, no luxo, na riqueza, no Poder, na beleza, mas também no bizarro, no insólito e na pobreza.
No Hospital de São José passa Lisboa doente, numa infinidade de doenças. Os ciganos acampam no parque hospitalar à espera de um familiar operado há vários dias. Os mendigos querem ser internados na esperança de sopa quente e cama lavada. O “Troca a nota” é o homem Lisboeta típico que vive de expedientes, prometendo apoio às vizinhas que esperam na Urgência. Uma mulher suada, de telemóvel em riste, telefona à filha: - O “Troca a nota” diz que fica comigo em casa se o teu pai ficar internado. Tu que achas?
E ria, num rir de delírio, enquanto o seu homem se debatia nos cuidados intensivos entre a vida e a morte.
Lisboa tem muita gente. Muita gente culta, muita gente atenta ao País e ao Mundo e muita gente que se perdeu na vida e nos afectos e sobrevive nos subúrbios da grande cidade.
Lisboa acentua as contradições do povoamento, pois, enquanto a Capital tem gente a mais, o Interior morre paulatinamente na grande diáspora e envelhecimento das suas gentes
Mas hoje, o povoamento não se faz por decreto, do tipo lei das Sesmarias, promulgado em Portugal durante o reinado de D. Fernando I com a finalidade de fixar as populações rurais nas suas regiões de origem.
Hoje, o povoamento faz-se pelo aproveitamento e descriminação positiva das Regiões mais desfavorecidas, como recentemente fez o Governo, apoiando as empresas que se fixem no Interior. Hoje, o povoamento faz-se pelo apoio e incentivo à imigração selectiva e de qualidade que seja uma mais valia para a Região e para o País.O eterno retorno da filosofia Grega leva-nos aos antiquíssimos Castros que morreram por falta de habitantes, dizimados por conflitos étnicos e pestes que espalharam a morte e o terror. Das ruínas dos Castros nasceram as aldeias…Trás-os-Montes povoou-se e despovoou-se vezes sem fim…resistindo sempre à fome…à guerra e à peste com auxílio dos Santos e da bravura dos homens e mulheres deste reino maravilhoso.
Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez...falta cumprir-se Portugal…diz-nos Pessoa.
Portugal está a cumprir-se na abertura à Europa e ao Mundo…Trás-os-Montes há-de cumprir-se na tranquilidade e na valentia das suas gentes que sabem que o futuro e já hoje e a Região se vai cumprir no sucesso e no renascer para os novos tempos europeus.


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 

Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

"Poema de Aguardente em Casca de Noz" será apresentada no dia 16 de Dezembro no Museu do Abade de Baçal, em Bragança.

O Autor, Telmo Barreira, jovem brigantino, lançou recentemente o seu primeiro trabalho editorial. Trata-se de um primeiro livro de poesia e prosa poética editado pela Chiado Editora, encontrando-se o livro já disponível para venda em todas as livrarias do país como Wook, Bertrand, Fnac, Chiado, comércio tradicional. 
(Fonte: Jornal "Notícias do Nordeste", 22 de Novembro 2017)

Memórias da RTP - 2010-04-29 - Mais artesanato na feira de Bragança

A RTP acompanha mais uma edição da Feira de Artesanato de Bragança.
clica na imagem para aceder ao video

Workshop - Encadernação - Aldeia Pedagógica de Portela

MONTES DE PIEDADE

Em Frieira, concelho de Bragança, havia um montepio que tinha em Dezembro de 1864 o capital de cinquenta e cinco alqueires de serôdio, para serem fornecidos aos lavradores na sementeira, mediante o juro de um celamim por alqueire; mas, nesta data, foram extintos estes montepios, isto é, deixaram de ser administrados pelos párocos, como muitos costumavam ser, em razão de deverem a sua existência a um padre, e passaram à direcção das juntas de paróquia.
Em Carrazedo, também concelho de Bragança, havia outro nas mesmas condições, fundado por um abade desta freguesia, que fornecia pão para sementar aos moradores de Alimonde, Carrazedo, Refóios e Zoio.
No distrito de Bragança havia montepios em Algoso, Bagueixe, Castelãos, Chacim, Fermentãos, Freixo de Espada à Cinta, Izeda, Talhas e Vimioso.
Estes admiráveis estabelecimentos de caridade cristã, verdadeiras instituições de crédito agrícola, bem mereciam que os nossos economistas e quantos se dedicam ao fomento agrário as tomassem por base de novo restauro, certamente prometedor em vista da sua tradição nos meios populares por mais de três séculos (começaram no tempo de el-rei D. Sebastião e acabaram pelos anos de 1854, indo algumas muito mais adiante).
governo constitucional, na ânsia iconoclasta de tudo reformar, acabou com eles e não os substituiu; o republicano vai na mesma e a agricultura definha a olhos vistos, porque a solução da questão agrária, resolvida anteriormente pelos «Montes de piedade», confrarias e misericórdias, jamais chega.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Memórias da RTP - 2010-05-19 - Pinturas na rua

Bragança, cem crianças e jovens de diferentes escolas da cidade participaram numa aula de pintura ao ar livre, o santuário de Santa Ana, em Meixedo, em pleno Parque Natural de Montesinho foi o cenário escolhido para uma formação marcada pelo contributo de vários artistas plásticos.
clica na imagem para aceder ao video

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - MANUEL FERNANDES VILA REAL (1608 – 1652, RELAXADO)

Como o sobrenome sugere, trata-se de uma família Trasmontana de Vila Real. E a história desta família na inquisição já nesse tempo era muito grande. Acaso, seria o ambiente de insegurança e medo que em Vila Real se vivia, que levou seus pais, Francisco Fernandes Vila Real e Violante Dias, a rumar a Lisboa, estabelecendo morada e loja na Fancaria de Cima. Depressa expandiu os seus negócios, de modo a mudar-se para a Rua das Mudas. E logo ascendeu à categoria de contratador, arrematando as rendas do Priorado do Crato.
Em Lisboa, no ano de 1608, nasceria Manuel Fernandes Vila Real. Teria uma educação esmerada, à maneira da gente da nobreza, pois aos 14 anos foi com o governador D. Jorge de Mascarenhas, em serviço de armas, para a praça de Tânger. Regressou a Lisboa, dois anos e meio depois, ostentando o honroso título de “capitão”, que muitas portas lhe abriria.
De regresso a Portugal, contando 17 anos, andou pelo Alentejo na cobrança das rendas que o pai arrematara. Seguiram-se dois anos no ofício de corretor dos “reales” da câmara de Lisboa e três ao serviço da mesma câmara na região de Coimbra, empenhado na compra de cereais que eram carregados em “barcos e caravelas” para a capital, onde escasseavam.
Casaria então com sua parente, em 4º grau, Isabel Dias, que em pequena se foi de T. Montes a viver em Lisboa. A mãe de V. Real terá falecido por 1619 e o pai ainda era vivo em 1627, altura em que pagou a fiança por Violante Dias e Leonor do Vale na mesa da inquisição.
Por essa altura iniciou a sua aventura pelo mundo das letras, publicando em 1637, em Madrid, o primeiro livro: El Color Verde, a la divina Celia.
Em Castela, andou por Madrid, Sevilha e Málaga, interessando-se particularmente pela navegação marítima e projetando a aquisição de um barco. Com esse espírito dirigiu-se para a Ruão, cidade portuária próxima da foz do rio Sena, onde estavam estabelecidos dois sobrinhos seus, filhos de sua irmã Branca Dias, e seu marido Luís Fernandes. Efetivamente, em parceria com seus cunhados (de Ruão e do Porto) comprou um barco que mandou alterar “acrescentando-lhe 20 palmos de quilha.” Certamente que os seus negócios passavam pela rede familiar, estendendo-se do Brasil, ao Porto, (1) a Lisboa e a Ruão.
Aproveitamos para dizer que Manuel Fernandes tinha dois irmãos e cinco irmãs. Um dos irmãos, Pantaleão Martins, foi para o Brasil, sítio do Cabo de Santo Agostinho e o outro, chamado Gonçalo Dias, tinha loja de mercearia na Rua Nova, em Lisboa. Das irmãs, referimos a Isabel Henriques, que era casada com António Rodrigues Mogadouro, grande mercador estabelecido na Rua das Mudas.
Em Ruão, o nosso biografado continuou exercitando a sua vida de escritor e meteu-se pelos caminhos da edição, impressão, tradução e venda de livros. (2) Assim o vemos traduzir do italiano e publicar, em 1639, logo depois de chegar a Ruão, um livro de Malvezzi, intitulado A Vida do Conde Duque de Olivares.
Dois anos depois publicou os seus Discursos Políticos, onde sobreleva a defesa da liberdade de consciência. No ano de 1643, na sequência da batalha de Rocroi, em que ele atuou como “consul” do rei de Portugal na libertação de prisioneiros lusos, escreveu o Anti-Caramuel em defesa do Manifesto do Reino de Portugal. Seguiu-se, em 1645, a edição da Década XII, de Diogo Couto.
Entretanto, a mulher e a filha, que ficaram em Lisboa, foram juntar-se-lhe em Ruão, munidas de passaporte do rei D. João IV. Ele, porém, passava a maior parte do tempo em Paris, em atividade diplomática, ao serviço do rei de Portugal. Ganhou a confiança do poderoso chefe do governo de França, o cardeal duque de Richelieu e sobre ele escreveu o seu livro mais famoso: Epítome Genealógico do Eminentíssimo Cardeal Duque de Richelieu e Discursos Políticos sobre Algumas Acções da Sua Vida. (3) Aliás, terá sido ele que, no Natal de 1640, levou pessoalmente e em primeira mão a Richelieu a notícia da revolução portuguesa, solicitando o apoio da França ao novo regime.
Ao início de abril de 1649, Manuel Fernandes Vila Real recebeu uma importante missão do rei D. João IV: acompanhar e prestar todo o apoio na Corte de Paris ao marquês de Nisa que ali foi na qualidade de embaixador. Não era esta, aliás, a primeira vez que Manuel Fernandes recebia e acompanhava os embaixadores portugueses no acesso aos corredores do poder em França. Desta vez, porém, o Marquês levava por secretário, Francisco de Santo Agostinho de Macedo, um frade muito ambicioso, “seu inimigo e concorrente literário” (palavras de Borges Coelho) e por confessor o franciscano António de Serpa.
Vila Real tinha prestado imensos serviços a Portugal e foi então convidado a regressar ao reino, onde seria agraciado por Sua Alteza Real. Desembarcaram em Lisboa a 30 de abril e na bagagem Manuel Fernandes trazia uns 500 livros. Foi vistoriada pelos homens da inquisição que encontraram uns 30 livros proibidos pelo seu índex. E esta foi uma primeira prova para decretarem a sua prisão. Outras haveriam de aparecer.
Entretanto, o nosso biografado ficou instalado na Rua das Mudas onde as casas de morada e de comércio da família se impunham. Certamente que os esbirros da inquisição o mantinham debaixo de vigilância constante. Meio ano depois, em 30.10.1649, Manuel Fernandes Vila Real era recolhido nos cárceres secretos da inquisição de Lisboa. (4)
Para além dos livros proibidos que lhe apreenderam na bagagem, os “mestres” e “qualificadores” do santo ofício esquadrinharam os escritos de Vila Real e neles encontraram “proposições que foram censuradas e mandadas riscar”, nomeadamente no Político Cristianíssimo… editado, aliás, sem visto prévio da autoridade censória.
Sobreveio o testemunho de frei António de Serpa dizendo que sempre o teve por judeu. Mais incisivas foram ainda as denúncias feitas por frei Agostinho de Macedo dizendo que Manuel Vila Real levava propositadamente a mulher para Ruão (5) para ali celebrar a páscoa dos judeus e que ele recebia e vendia livros compostos por hereges, indicando especialmente António Gomes Henriques, (6) “morador em Ruão, grande amigo de Vila Real”. Acrescentou Macedo que “ele se jactava de ser israelita e da tribo de Levi e que profetizava, por ter sangue de profeta”.
A ligação de Manuel Fernandes ao “escritor pícaro” António Gomes Henriques foi confirmada por João de Águila, um cristão-novo que aos 9 anos foi para Amesterdão, onde se circuncidou e viveu como judeu até aos 20 anos, altura em que se apresentou na inquisição de Lisboa a renegar a fé judaica e pedir o batismo, denunciando quantidade de antigos correligionários.
Dramático o processo de Manuel Fernandes, homem que tantos serviços prestou à Pátria. Abandonado pelo próprio Rei que, em outros tempos, o tratava como “cavaleiro fidalgo da minha casa”, Vila Real acabou queimado nas fogueiras do grandioso auto de fé do 1º de dezembro de 1652, especialmente preparado para celebrar o 12º aniversário da Revolução.

Notas:
1-No Porto eram correspondentes António Rodrigues de Morais, seu cunhado, falecido em 1640 e o irmão deste, Manuel Fernandes de Morais.
2-António Borges Coelho, referindo-se ao Mercúrio de Portugal, gazeta por ele editada em França, considera-o um dos primeiros jornalistas portugueses.
3- O livro foi composto e impresso pelo próprio em Ruão, sem indicação do autor, em língua castelhana e indicando Pamplona como local de impressão. Logo de seguida foram feitas publicações em italiano, francês e alemão. Ficou mais conhecido pelo título da edição francesa: O Político Cristianíssimo… A primeira edição em língua portuguesa aconteceu 364 anos depois, graças ao insigne historiador da questão “judaica, marrana e sefardita” o trasmontano António Borges Coelho, com chancela da Editorial Caminho, Lisboa, 2008.
4-ANTT, inq. Lisboa, pº 7794, de Manuel Fernandes Vila Real.
5-ROTH, Cecil – Les Marranes à Rouen, in: Révue des Études Juives, p. 134: - Parmi les accusations qui furent cause de sa mort, il en est une que dirigea contre lui Fra Francisco de Santo Agostinho, celle d´avoir accoutumé de rejoindre sa femme à Rouen chaque année pour célébrer Pàque ensemble.
A respeito de sua mulher deve dizer-se que abandonou a França e se foi para Itália com a filha, quando o marido foi preso. E temos notícia de um filho, chamado José Vila Real que, em 1670 recebeu autorização do “Rei Sol” para se estabelecer em Marselha, juntamente com seu cunhado Abrão Athias e suas famílias. E eles criariam a maior empresa comercial da cidade. Por 1695 José Vila Real era professor de Grego na dita cidade, autor do livro “A Escada de Jacob”– LÉVY, Lionel – La communauté juive de Livourne.
6-ANDRADEe GUIMARÃES – Na Rota dos Judeus Celorico da Beira, ed. câmara municipal, Celorico da Beira, 2015,pp. 91-95.

Bibliografia:
ALMEIDA, A. A. Marques de – Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses. Mercadores e gente de Trato, Campo da Comunicação, lisboa, 2009.
COELHO, António Borges – Cristãos-Novos Judeus e os Novos Argonautas, ed. Caminho, pp. 151 – 171, Lisboa, 1998.
SILVA, Inocêncio F. da – Declaração que faço eu Manuel Fernandes Vila Real, cristão-novo, preso neste cárcere do Santo Ofício, in: Dicionário Bibliográfico Português, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1973, tomo XVI, p. 190.
VILA REAL, Manuel Fernandes – Epítome Genealógico do Eminentíssimo Cardeal Duque de RIchelieu e Discursos Políticos sobre Algumas Acções da Sua Vida. Edição de António Borges Coelho, Editorial Caminho, Lisboa, 2005.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:diariodetrasosmontes.com

ULS Nordeste implementa Via Verde Coronária

A Unidade Local de Saúde do Nordeste tem em funcionamento desde ontem a Via Verde coronária. A medida vai agilizar a resposta aos doentes que apresentem sinais de enfarte do miocárdio fazendo com que sejam atendidos mais rapidamente na urgência. De acordo com o director do Serviço de Urgência Médico Cirúrgica de Bragança, Tiago Loza, o novo protocolo de atendimento vai permitir servir a população de uma forma mais rápida e organizada.

A via verde prevê a que “seja iniciado o protocolo de tratamento dos doentes mais rapidamente de forma a evitar complicações”. Segundo o responsável são doentes “cujo tratamento é tempo dependente, quanto mais tempo se passar pior são os resultados para os doentes”. Com a via verde coronária “os doentes têm benefício em fazer um electrocardiograma em 10 minutos e o tempo máximo de tratamento é de 90 minutos. Os doentes passam à frente dos outros por uma razão de benefício do tratamento para os doentes”.

De acordo com o responsável do serviço de urgência, a taxa de enfarte no nordeste transmontano é inferior a outras regiões, registando-se cerca de 300 casos por ano na área de abrangência da ULS Nordeste, e desses apenas 5 por cento têm de ser transferidos para o Hospital de Vila Real, o mais próximo com laboratório de hemodinâmica.

“A Via Verde Coronária vai parar o enfarte, evitar que continue e resolvê-lo mas o tratamento definitivo para que não haja novos enfartes e sofrimento é o laboratório de hemodinâmica com a colocação de próteses nas artérias coronárias, que evitam que haja novos enfartes”, adiantou ainda.

Norberto Silva, o enfermeiro chefe do departamento de urgência da ULS Nordeste, destaca que mesmo nos casos mais graves, o tempo de resposta é encurtado, factor fulcral para evitar sequelas e melhorar as hipóteses de recuperação:

“A partir da triagem na urgência são directamente encaminhados para o médico especialista hospitalar nessa patologia, isso permite poupar tempo e esse factor é crucial. Se pouparmos tempo desde que o doente entra na porta do serviço de urgência estamos sempre a ganhar tempo e a recuperar tecido cardíaco, diz-se que tempo é miocárdio, é músculo”, frisou.

O Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital de Bragança passa assim a ter as quatro vias verdes existentes no Serviço Nacional de Saúde. Depois de já ter implementado via verde do AVC (Acidente Vascular Cerebral), do Trauma e de Sépsis tem também agora a Coronária. 

Escrito por Brigantia

Convite à viagem, a preto e branco, através da imagem

Natural de Bragança, Lauren Maganete regressa à sua cidade-berço depois de ter partido aos 5 anos, aquando da morte do pai, para mostrar o seu trabalho numa exposição intitulada “Imaginário de um Trem”.
O Centro de Fotografia Georges Dussaud serviu de palco à inauguração de uma exposição intitulada “Imaginário de um Trem”. A artista por detrás da objetiva nasceu na capital do nordeste, mas partiu por volta dos cinco anos para Francelos para nunca mais voltar, até à semana passada. No total, Lauren Maganete manteve-se ausente quase um quarto de século da cidade que a viu nascer, trabalhando, agora, como fotógrafa para o município gaiense. 

“Apesar de, ainda, ter cá família, já não venho a Bragança há 20, 25 anos. Mas a minha família vai a Vila nova de Gaia e estou com ela regularmente. Parti depois do meu pai ter falecido e eu, se calhar, tenho um bocadinho esse historial. O meu pai, também ele natural daqui, viveu em Bragança muito mais tempo que eu e acho que, de alguma forma, tenho essa memória associada e essa memória é dolorosa”, começou por confessar a autora da mostra fotográfica, justificando, assim, tamanho corte com as suas raízes: “Então eu acho que é um bocadinho por causa disso que esta cidade ficou um bocadinho riscada do mapa porque Bragança é lindíssima, maravilhosa”.

Quanto ao seu trabalho enquanto artista, Lauren  usa as cores preto e branco como a base da fotografia de viagem, procurando na imagem um modo de teletransportar o consumidor de arte ou o simples apreciador para lugares aos quais a fotografia nos remete. É esse o seu propósito, levar o visitante numa viagem singular, feita de pormenores que se confundem num misto de sensações irreais, qual peregrino enfrentando o desconhecido, e que nos transportam para um espaço e tempo atuais.

“Esta exposição foi pensada como uma compilação de várias viagens. Não vamos falar de uma retrospetiva de viagens porque isso, obviamente, não existe. Mas sim, é uma compilação de diversas imagens que eu fiz e que eu acho que de alguma maneira elas estão relacionadas com viagens e que de alguma forma se podem interligar”, fundamentou Lauren, que expõe pela primeira vez, quer em Bragança, quer em toda a região transmontana, apesar de já ter mostrado o seu trabalho em Espanha e um pouco por todo o país.

“Cada uma destas imagens é um mundo que fala por si só, é um imaginário e espero que quando as pessoas vierem sintam cada imagem como uma imagem diferente e única através da qual podem viajar”, revelou a fotógrafa contemporânea, que assinala nas viagens o tema central de uma exposição marcada pelo tom negro e pela cor branca, num jogo de contrastes, daquela que é a sua imagem de marca. “O preto e branco é a minha referência, o meu trabalho e eu amo aquilo que faço. Obviamente, na Câmara Municipal de Gaia, o meu trabalho é a cores, mas, depois, toda esta vertente artística é a preto e branco”, sublinhou a autora / criadora de “Imaginário de um Trem”, onde a estação de comboio é, por definição, o enquadramento perfeito e o ponto de partida ideal para o provérbio popular: “O bom filho a casa torna”.

O remodelado Centro de Fotografia Georges Dussaud é, agora, “um espaço que permite fazer estas exposições temporárias e com esta magnifica sala só temos que aproveitar e potenciar”, sublinhou Hernâni Dias

Naquela que é a segunda exposição no Centro de Fotografia Georges Dussaud, após ter sido alvo de uma remodelação, o presidente da Câmara Municipal de Bragança marcou presença, num ato já habitual de demonstração clara de apoio efetivo do executivo à cultura.

“Tendo Bragança estes equipamentos de elevada qualidade como este onde nos encontramos e que foi renovado há pouco tempo, é o tipo de espaço ideal para acolher iniciativas como exposições de fotografias e tratando-se de uma conterrânea, de uma brigantina com vários trabalhos e que nunca tinha exposto em Bragança, veio fazê-lo agora, trazendo à sua terra aquilo que ela consegue captar de artístico para nos poder mostrar”, transmitiu Hernâni Dias à Comunicação Social, depois de inaugurada a exposição que contou com um momento musical solene protagonizada por uma aluna do Politécnico de Bragança que fez brilhar o seu violino.

“A cultura é, de facto, extremamente importante para qualquer comunidade e é aquilo que Bragança tem vindo a fazer tão bem, que é mostrar a sua cultura, mostrar aquilo que de melhor se consegue fazer ao nível da arte e não nos tem faltado, efetivamente, motivos para estarmos satisfeitos”, substanciou o edil brigantino, no encerrar de um dia em que inaugurou duas exposições, reforçando para a cidade a que preside uma visão onde a cultura seja predominante. “ Até porque a atividade cultural tem sido imensa e devidamente apreciada por quem tem essa capacidade, vontade e disponibilidade de visitar os vários equipamentos e, por isso, estamos confortáveis, também nesse papel, de promotores da cultura, seja ela de que forma for”, asseverou o autarca, para quem a cultura é sempre uma aposta segura.

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com

Pais Natal em bicicleta invadem centro da cidade de Bragança

Este fim de semana o centro da cidade de Bragança foi invadido por mais de uma centena de Pais Natal em bicicleta.
A iniciativa Natal a Pedalar promove o desporto e a solidariedade entre os brigantinos que, aproveitam o passeio de bibicleta e fazem uma pequena paragem numa instituição local para entregar alguns presentes.

“Portugal Rural”. Trás-os-Montes, décadas de 50/60 - Foto: Artur Pastor