domingo, 22 de julho de 2018

Notícias da cidade

Por: Fernando Calado
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Encontram-se logo pela manhã. Reúnem-se como bandos de galinhas tontas. Delapidam a vida de meio mundo e sorriem no sufoco da graçola brejeira! Pobres coitadas de carnes secas… martirizam-se nas memórias dos verdes anos.
Senhoras de bem… Zeladoras do altar das Sete Virgens… purificam os lábios ressequidos com jaculatórias piedosas.
Chega mais outra: - Sabem quem anda com quem?! Ouve-se um profundo Ohhh! de espanto da novidade, ou orgasmo mal contido!
- E tanto luxo?! Só pode andar na droga!
- E a filha mais nova… já viste que saia traz! No nosso tempo é que havia respeito!
Depois regressam a casa saudosas das tardes tórridas na Estrada do turismo… do tempo do Liceu… dos beijos clandestinos no Jardim José de Almeida… do baile da aldeia com cheiro a perfume espanhol onde o Slow derretia o desejo!
Ouço-te para sempre meu poeta, meu irmão, meu Fernando Pessoa: 
" Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

TRÊS CASOS INSÓLITOS, PARA RIR

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Recentemente, o motorista da ambulância do INEM, foi multado, no Algarve, porque conduzia a velocidade superior à permitida.
Fora chamado de urgência para acudir vitima, que carecia de rápida assistência.
Noticiaram, que o motorista da viatura, fora intimado a pagar a multa, e corre o risco de ficar sem carta de condução, por alguns meses! …
Uma vez, já lá vão muitas décadas, os bombeiros de certa cidade alentejana, foram apagar um fogo, que rompera inesperadamente.
Desenrolaram a mangueira e ligaram-na a boca-de-incêndio…que tinha contador! …Decorrido tempo a Cooperação recebeu a conta da água utilizada para extinguir o incêndio! …
Após meses do falecimento da mulher, meu pai, recebeu da Repartição de Finanças, bilhete-postal, solicitando sua presença, com urgência, a fim de esclarecer, se seus filhos: A e B, eram irmãos!
Pela manhã, mal abriu a Repartição, apareceu, com o postal na mão muito circunspecto.
Foi atendido por jovem funcionário, que delicadamente, perguntou-lhe se sabia se seus filhos eram irmãos.
Com sorriso irónico nos lábios, respondeu, decifrando a charada:
- “ Se são meus filhos, como escreveram, são forçosamente irmãos! …”
O funcionário sorriu. Sorriu também meu pai. Ambos olharam espantados para o postal…Depois, cruzando o olhar, ficaram como garotinhos travessos, jogando o siso…; e explodiram, soltando sonora gargalhada, perante a estupefação dos utentes, que aguardavam a vez.
Há perguntas que se fazem sem pensar. Pergunta-se por perguntar…; há casos, como o condutor da ambulância, que por ser diligente, correu no grave crime, de ir a toda a velocidade, acudir quem precisava.
Se não fosse o “ JN” noticiar o caso – penso eu, – por certo o pobre do motorista ficaria sem carta e sem dinheiro…Assim tudo se resolveu…
Quando era menino, asseverava-se que, o século XXI, seria o século da ciência. Todos os males que afligiam a humanidade seriam resolvidos, pela educação (leia-se ensino,) e mais outras coisas, que agora não me recordo. 
Enganaram-se ou enganaram-nos?
Felizmente, agora, com tantos incêndios, os bombeiros não têm que pagar a água…
Se tivessem… o que seria do nosso país”! …

Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Ao estilo tribal zoela, Intercéltico de Sendim está aí à porta

Mais intimista, o Intercéltico promete concertos mais para ouvir do que para dançar, criando assim um novo diálogo entre músicos e público.
O Festival Intercéltico de Sendim (FIS), marcado para os dias 2, 3 e 4 de agosto, muda de figurino e vai realizar-se num recinto transformado numa aldeia zoela.

“Este é um festival de tribos que se encontra aqui [Sendim] com regularidade. E uma aldeia é sinónimo de hospitalidade. Por esse motivo, vamos transformar o recinto do festival numa aldeia zoela e criar um ambiente mais intimista para o público”, conta o diretor do FIS, Mário Correia.

O investigador da história e cultura do Planalto Mirandês explica que os Zoelas foram uma tribo que ocupou o território delimitado pelo rio Sabor e a fronteira com Espanha (Castela), durante os séculos I e II (d.C.).

O FIS vai na sua 19.ª edição e, ao longo dos anos, tem vindo a transformar-se e a atrair novos públicos, juntando na vila do concelho de Miranda do Douro, as sonoridades de raiz celta provenientes de vários países europeus e asiáticos, o que tem permitido fazer “o cruzamento de sonoridades”.
Segundo Mário Correia, as atividades do festival 2018 estão programadas para o recinto da aldeia, deixando de haver dispersão do público. “Os músicos que participam no festival vão tocar entre si, proporcionando momentos musicais únicos, dada a fusão de cada uma das sonoridades”, explica à Renascença.

O festival arranca no dia 2 de agosto, na cidade de Miranda do Douro, no largo D. João III, com atuação de vários gaiteiros do Planalto Mirandês e dos castelhanos Tundra. Depois o FIS desloca-se para Sendim, para o recinto da antiga escola primária, localizado no centro da vila, onde será instalada a “aldeia dos zoelas”.

Estão confirmadas as presenças dos Brigan de Itália e os Harmonica Creams do Japão, para o dia 3 de agosto, e para o dia 4 os Niamh Ni Charra da Irlanda e os Dallahan da Escócia.

O cartaz deste ano “tem a particularidade de apresentar grupos que há bem pouco eram desconhecidos do grande público e que estão com grande pujança”, adianta Mário Correia.

“Os grupos convidados estão a fazer músicas de encontros. Ou seja, é bem possível que os irlandeses passem pelo fado ou dêem um salto à música do Nordeste Transmontano, cruzando-a com música do sul de Itália”, exemplifica.

Niamh Ni Charra é uma das convidadas. Foto: DR
A iniciativa, que atrai milhares de festivaleiros, continua a “apostar forte” na animação das ruas e praças de Sendim, com atuações de gaiteiros mirandeses e músicos amadores. Prometidas estão, também, oficinas das gaitas e danças mirandesas, conferências, apresentação de livros, caminhadas e as celebrações intercélticas em vários espaços culturais e gastronómicos que se espalham pela vila transmontana.

Olímpia Mairos
Rádio Renascença

O Município de Vinhais acolheu 71 Comissões de Proteção de Crianças e Jovens da zona norte no encerramento do 9º Encontro Nacional.

Para além das amêndoas cobertas, Torre de Moncorvo é conhecido a nível gastronómico pelas famosas migas e peixes do rio

Pasteur, o sulfuroso e os vinhos com gosto a pesticidas

É seguro beber vinho com origem em vinhas onde se aplicaram herbicidas. Os efeitos dos herbicidas não chegam até às uvas, logo não chegam ao vinho. Mas, embora não o contaminem, podem influir na sua qualidade, por via indirecta.
Foto: José Maria Ferreira

Pasteur continua a ter razão: o vinho ainda é a mais sã e higiénica das bebidas. O seu único elemento verdadeiramente tóxico é o álcool — daí devermos beber com moderação. Se forem respeitadas as quantidades recomendadas, até mesmo o tão falado sulfuroso (dióxido de enxofre), usado como conservante e fixador de cor, é inócuo.

Em boa verdade, a dose de sulfuroso aplicada na maioria dos vinhos é muito inferior à quantidade usada na conservação de muitos outros alimentos. Nem sabemos, mas, por exemplo, muita da carne, vegetais e fruta embalados, frutos secos e camarões que comemos possuem mais sulfitos (os sais do dióxido de enxofre) do que a maioria dos vinhos. Os vinhos que ficam pior na fotografia são aqueles que possuem uma grande quantidade de açúcar e que não foram aguardentados. Os brancos de colheita tardia, por exemplo. Para interromper a fermentação (transformação do açúcar em álcool), de modo a deixar o vinho com algum açúcar, e evitar também o desenvolvimento de microorganismos, os quais podem provocar a refermentação do vinho já em garrafa, é necessário adicionar uma dose elevada de sulfuroso (mas dentro dos limites autorizados).

Em todo o caso, bebido de vez em quando, um copo bem fresco de um colheita tardia não faz mal a ninguém, pelo contrário. Comer frutos secos embalados também não. O perigo só surge se exagerarmos no consumo, se comermos e bebermos ao longo do mesmo dia vários produtos com sulfitos, porque a partir de uma certa quantidade os sulfitos podem tornar-se tóxicos.

A conservação dos alimentos foi uma das grandes conquistas da humanidade (é bom não esquecer também que o vinho não é uma criação da natureza, foi o homem que domou as videiras selvagens e inventou o vinho). Colocar isto em causa, em defesa do chamado vinho natural, livre de sulfitos e de tudo e mais alguma coisa, não faz qualquer sentido. Até porque uma das dimensões mais fascinantes do vinho é a sua durabilidade, e um vinho sem sulfitos tende a ter uma vida curta. O que faz sentido é ser exigente e cuidadoso na produção das uvas e no fabrico do vinho, porque dessa forma podemos fazer vinhos igualmente duráveis sem usar tanto sulfuroso.

Acontece mais ou menos o mesmo com os herbicidas. Também é seguro beber vinho com origem em vinhas onde se aplicaram herbicidas, seja à base do badalado glifosato, seja com outro princípio activo qualquer. Os efeitos dos herbicidas não chegam até às uvas, logo não chegam ao vinho. Mas, embora não o contaminem, podem influir na sua qualidade, por via indirecta.

Um solo tratado com herbicidas acaba por se tornar, com o tempo, num solo pobre e doente, num solo com pouca biodiversidade. Por desgraça, para muitos produtores, uma vinha só devia ter videiras. Há dias, um produtor do Douro publicou no Facebook uma foto da sua quinta em patamares, oferecendo uma garrafa de vinho a quem vislumbrasse uma erva. Noutra publicação, já tinha dito que trata as vinhas como um jardim”. Este é ainda o pensamento dominante na viticultura nacional.

Como podemos chamar jardim a um pedaço de terra só com videiras? Uma vinha limpa de ervas pode parecer bonita ao primeiro olhar, mas basta esperar pela queda das folhas ou pela poda para se perceber o que ela esconde, na verdade: esconde aridez e ausência de vida. Um jardim tem árvores, flores, arbustos. Diversidade, em suma. Diversidade que é essencial para o bom funcionamento dos ecossistemas e também para o sucesso das próprias culturas. Uma vinha sem ervas está mais exposta a doenças, por exemplo. E uma vinha com diversidade vegetal pode, por outro lado, originar vinhos mais ricos e originais, com sabores distintos, associados ao lugar e à sua flora e não apenas às castas. Os “odores” das plantas e das árvores também passam para as uvas. Há tintos com notas mentoladas que têm origem nos eucaliptos existentes em volta da vinha. Alguns tintos do Douro, por exemplo, cheiram muito a esteva, uma planta mediterrânica muito abundante na região. E não é por acaso que os vinhos com origem em vinhas situadas junto ao mar podem ter notas salgadas.

O facto de a pele das uvas ser tão receptiva a estes “sabores” exteriores devia também servir-nos de alerta em relação aos produtos que usamos para combater os fungos e os insectos que atacam as videiras. Se as uvas captam o cheiro da esteva ou do eucalipto, também devem captar os químicos dos fungicidas e insecticidas. Mesmo que se respeite o intervalo de segurança prescrito para todos estes produtos (entre o último tratamento e a vindima tem que passar um determinado tempo), há sempre resíduos que acabam por ir para o vinho (embora em doses negligenciáveis para a saúde humana) e que podem repercutir-se no seu aroma e sabor. Ora, quanto mais tratamentos fizermos, mais resíduos incorporamos nas uvas e no vinho.

Não é uma hipótese. Há até um livrinho — Le goût des pesticides dans le vin, dos franceses Jérôme Douzelet e Gilles-Éric Séralini —, que o demonstra com detalhe. Haveremos de voltar a ele proximamente.


Pedro Garcias
FUGAS - Jornal Público

L Gabilan i la Boubielha – Ũa Stória de l Tiu Mulica

Por: António Preto Torrão
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Pul títalo de la purmeira de las trés stórias que, subre l tiu Mulica bos irei a cuntar, sereis bien capazes de cuidar que, desta beç, son stórias de páixaros. Si, cumo bereis, por esta, la purmeira deilhas, tamien mete páixaros. I tamien las outras dues, que, mais tarde, penso cuntar-bos, acában por ser subre la, ambora outra, paixarada. Pegando, mais ũa beç, an filarapos de la mimória, scribo, agora, subre cousas que, antre ls anhos 30 i 50 de l seclo passado, inda antes de you ser nacido, acuntecírun an Angueira.

Bah, mas, para nun bos star yá a anfadar nin a cansar, l miu punto de bista subre l que se passou antre la figura percipal i las outras qu’éntran nestas stórias – nun cuideis, por i, que, ambora la antenda, çculpo l que aqueilha fizo – bai a quedar pa l final de la última. Claro que, zde esse tiempo anté hoije, para bien ou para mal – cuido que la maior parte para nuosso bien –, muita cousa demudou.

L Tiu Mulica

Algun de bós inda se lhembra de l tiu Porfírio Agusto Pires? Nin you! I nun admira nada. Ye que, sendo esse l sou nome berdadeiro, nun era assi qu’era coincido, mas por tiu Mulica, la alcunha que, nun sei quien tenerá sido l cura, nin la rezon por que, assi, le batizou. Mas, talbeç se puoda adabinar por que le ponírun esta alcunha. Se calhar, fui por ser cumo era: un rapaç baixo, mas peco, amante de la borga, danhado por saias i chambres i, cumoquiera, tamien inda por outras cousas. Bondava que le cheirasse a saias, que, anté, ls uolhos le relhuzien.

Pul que l miu amigo Zé Luís Quinteiro, Marie Rosa Rucica i Sabel Luisica, la sobrina mais nuoba de l tiu Porfírio, cuntórun i a quien agradeço, parece-me que l tiu Mulica serie uns anhos mais nuobo que sou armano, l tiu Luisico, coincido tamien por tiu Lhagonica.

Pul que me dixo miu armano Eimílio, a quien agradeço tamien, fui a nuosso pai que l’oubiu cuntar, pul menos, algũas de las albilidades de l tiu Mulica. Mas, çcunfio que algũas de las stórias las tenerá oubido cuntar a nuosso tiu Deimingos Quintanilha.

Cumo bereis, culas stórias de l tiu Mulica, cálhan mui bien las façanhas dũa semiente que, quando fui pa l Brasil, el deixou por Angueira.

Mas preguntareis bós: “Mas, afinal, que raio d’home serie l tiu Mulica?”

Pus nun perdereis por sperar un cachico, que yá ides a ber cumo ye qu’el era…

L Gabilan i la Boubielha

Era Mulica inda moço, un rapaç nuobo qu’inda nisquiera tenerie ido a sacar la suorte pa la tropa, quando, nũa tarde de l final de julho, le tocou a el d’ir culas bacas pa l lhameiro de Trabacinos.

Habie yá uns dies que ls fenos i la segada tenien acabado i mesmo anté l acarreio yá staba feito. A modos que, de ls trabalhos de la lhaboura própios de l berano, yá solo faltaba a la sue família fazer la lhimpa i, claro, arrecadar la palha ne l palheiro i acabar d’apanhar las patatas nalgũas lhaticas. Mas, cumo naide ye de fierro, era sábado i tamien el era filho de Dius, tenie dreito a çcansar un cachico.

Pul menos eilhi, cerca de l lhameiro para adonde fui culas bacas, nun se bie bibalma, nin pinta de giente, niũa jóldia que l’ajudasse a passar l tiempo. De modos que, despuis de meter las bacas ne l lhameiro i de les tapar l boqueiro, Mulica, nun bendo por eilhi páixaras, nin sendo el home de quedar queto, botou-se puls lhameiros de Trabacinos i de Bal de Molhado arriba, als páixaros. Lhebaba na eideia precurar nials de picanço, de gaio, de rola ou de palomba trocal puls lhameiros de l termo de Angueira. Mas, andando el assi todo acupado, iba tan çtraído que, sin se dar de cunta, fui a dar al termo de Caçareilhos. Andou, andou, andou tanto que, quando se aporcatou, staba yá quaije ne l termo de Zenízio.

Nun lhameiro yá de la punta de l termo de Caçareilhos, abistando ũa fémea de gaio a bolar cun çumiaco pindurado de l bico, lhougo le cheirou que nun habie de tener l nial mui loinje deilhi. I, de lhameiro an lhameiro, puso-se, anton, a segui-la i, dito i feito, alhá biu la páixara ir a dar a la crona de l frezno mais alto que eilhi habie. I mais ciente inda quedou, quando, deilhi a cachico, la biu a scapar-se de l’arbe sin nada ne l bico.

Agarrando balanço, Mulica poulou i, cumo las carnes nun le pesában muito, dun salto colgou-se nun de ls galhos de baixo de l frezno. Antrampolinado nel, agarrando-se als galhos i arrimado al tuoro, zbiando ũa ou outra fróncia, trepou pula arbe arriba. Trapola a trapola i galho a galho, delgeiro que nin un gato, nistantico, staba por baixo de la crona. I, anton, alhá dou el cũa niada de gaios, todos bien criadicos, yá quaije prontos a salíren de l nial, batéren la ala i se botáren a bolar. I, mal les tocou cula mano, lhougo ls paixaricos abrírun l bico a la spera de mais çumiaco. Pensando yá na arrozada de páixaros que sue mai poderie fazer pa la nuite, pegou neilhes un a un i – ala que se fai tarde! – toca de ls meter a todos ne ls bolsos de la jaqueta.

Al s’abaixar de l’arbe, oubiu ũa çquila de baca que nun debie star mui loinje deilhi. Botou-se, anton, pul meio de ls lhameiro arriba anté abistar ũa buiada – quatro bacas, ũa deilhas cun sou bitelico, ũa sobrana i ũa burra – mesmo a antrar nun lhameiro yá de l termo de Zenízio. I, atrás deilhas, alhá benie la buiera, ũa mociça de barica na mano que, lhougo de seguida, trata de les tapar l boqueiro.

Indo Mulica todo croco i campante cun sous cinco gaios, uns na mano i outros ne ls bolsos de fuora de la jaqueta, que lhebaba puls ombros, ancustou-se a la parede i puso-se a assomar-se i a oulhar bien la mocica. Era ũa boubelhica, que bestie saia azul i blusa branca i andarie por dezasseis ou dezassiete anhos. Sin tener dado inda por el, puso-se a la selombra, mesmo na borda al fondo de l lhameiro, un cachico zbiada i abaixo de l boqueiro.

Nuoba, airosa, guapa, bien bestida i, inda po riba, cũa buiada daqueilhas, staba bien de ber que la moça nun serie dũa família qualquiera. Sólo poderie ser, stá claro, de giente de posses. Si que, nesse tiempo, dues juntas de bacas i lhameiros assi, grandes i frescos cumo aquel, poucas éran las famílias que ls tenien. Claro que se botou de cuntas: “nuoba, guapa, rica i solica por eiqui… algũa falha debe tener!…”

Assi i todo, parece qu’inda maior tentaçon i deboçon eilha spertou nel. Anton, aparece-le, acerca-se deilha i toca de le meter cumbersa:

– Buonas tardes, moça. Mas que rica buiada tenes! Bien proua puodes tener c’ũas bacas tan bien tratadas! Anton la sobrana, que stá quaije yá ũa baca feita, ye mesmo pimpona!…

– Ah si!… Miu pai anté yá mos dixo que, se nun se stragar, pa l anho que ben, la bai a lhebar a la feira de Malhadas para ber s’arrecada dalgun prémio.

– Pus ye bien capaç disso!

I, fazendo de cunta que nun la tenie bido chegar culas bacas nin meté-las ne l lhameiro, diç-le el:

– Nun me digas que beniste todo l die cu’eilhas, moça!

– Nó!… Bin solo agora de tarde.

– Oulha, quieres benir cumigo anté alhá riba?

– Ah, nó… que miu pai mandou-me quedar cu’eilhas ne l lhameiro nun bá, por i, la nuossa Dourada sbarrulhar la parede i saltar pa la nuossa cortina eiqui al lhado i botar-se a trates al milho. Ye que ye mesmo ũa bardina i bien capaç disso. Nun cuides tu que ye la purmeira beç… I, atrás deilha, ban las outras i, anté, la burra!

Mas, cun eilha a guardá-las, mal serie que algũa fusse capaç de saltar pa la cortina i botar-se, anton, a fazer algũa lhobada ne l painço. De modos que la mocica parecie star çcansada. I, agora, cun mais un guardador, inda mais çcansada poderie quedar.

– Ah!… que páixaros tan guapos tenes na mano!

– Ah, si!… I inda tengo mais ne ls bolsos de la jaqueta! Ye ũa niada de gaios que, agora mesmo, tirei de l nial. Stán yá tan bien criadicos que nun demorarie nada i botában-se a bolar! A ber se dan para fazer ũa buona arrozada pa la nuite!

– Ai, cuitadicos… que pena me dan! Nun me digas que sós assi tan zalmado i les bás a matar?!

Cumo se questuma dezir que ye l tiempo destas tierras: nuobe meses de ambierno i trés de anfierno. Sendo yá l purmeiro destes trés meses de l anho, fazie ũa caloraça que mal se aguantaba ũa blusica ou ũa camisa por riba de l cuorpo…

Claro que Mulica staba mortico por mudar de cumbersa. Anté que, la moça, birando-se para el, le diç:

– Que caloraça! Puso-se acá ũa tarde tan caliente que solo a la selombra s’aguanta! Nun steias para ende al sol, home!… Pon-te mas ye a la selombra!

“Ora assi ye que ye falar!” – pensou el. Parecie qu’eilha le adabinara i atinou mesmo cul que le staba a passar pula cabeça del.

– Pus stá mesmo!… Yá que amentas nisso, oulha, bou mas ye a tirar la jaqueta! I tu por que nun zapertas la blusa?

I fui, assi, que un i outro fazírun. Ponírun-se ls dous un cachico mais a la buntade i el assentou-se acunchegadico a eilha a la selombra de l salgueiro, cerca de la fuonte que habie subre l fondo de l lhameiro.

Cumo na fuonte manaba yá pouca auga, la augueira de l meio de la barreira staba toda seca i mesmo l ribeiro yá nisquiera corrie. Assi i todo, inda restrában ne l lhameiro un poçaco cun cachico d’auga nel fondo i qu’inda daba pa la cria buer.

Anton el pegou ne ls sous páixaros i puso-se a amostrá-los. I eilha, a mirá-los. Bendo-los assi tan guapos, cun aqueilhas prumicas cor de cinza riscadas de negro i branco, parecie mesmo que staba ancantada, quaije anfeiteçada por eilhes. Claro que, bendo-la, assi, antolhada puls gaios, Mulica bota-se de cuntas: “quien sabe se desta beç i a la cunta de ls páixaros nun bou a tirar la barriga de misérias…”

Anton, bira-se pa la moça i diç-le:

– Se nun tubisses moço era bien capaç de te dezir ũa cousa!… Ye que, sendo tu assi tan guapa, çcunfio de que nun te faltará namorado!… Quien será l felizardo?!…

– Nun seias tonto!… Mie mai diç-me qu’inda sou mui nuoba para essas cousas. You nun ando de namoro cun naide!…

– Ah!… nun me digas!… Tal cumo you, qualquiera un debe cuidar que tenes moço!… Mas cumo beio que sós ũa moça a las dreitas i nun mintes…

– A las bezes, a algũas pessonas passa-les cada cousa pula cabeça!…

– Pus ye… Mas beio que ls paixaricos t’agrádan muito!…

– Ye que son tan guapos i mimosos!…

– Pus, anton, bou-te a dezir l que staba a pensar acá para mi. Ye qu’inda me agradas tu mais a mi que ls paixaricos a ti!… I, para beres que te stou a dezir l que sinto, oulha… toma-les alhá todos. Mas nun digas a naide que fui you que te ls dei!

La mocica quedou tan cuntentica cu’aquel regalo que nin sabie cumo l’agradecer…

– Oulha, i se fússemos anté aqueilha touça?! Assi, siempre poderemos poner-mos mais a la buntade i quedarmos inda mais frescos.

– Ah… i se hai, por i, lhagartos ou algun quelubron?!

– Mas qu’ye que há de haber, qu’ye que há de haber!… I nun stou you eiqui pa te porteger?!

La rapazica, que´era toda einocente, i, se calha, un cachico nécia, aceitando l zafiu, lhougo le respundiu:

– Si, stá bien! Ah… mas solo se me pormetires que, apuis, ls paixaricos quédan todos para mi.

– Pus, anton, se te les dou, para quien han de eilhes de ser?!…

– Pus bamos, anton!… A ber se alhá cuorre um cachico mais de airage!

– Si, claro!… Bamos para alhá, que se debe star bien melhor!

Feita la cumbinaçon, alhá fúrun eilhes. Nun sfregante, metírun-se ls dous na touça, po riba de la barranca mesmo na borda de l lhameiro. La touça era de carbalhicos inda tenricos, mas cun buona folharasca i ũas fróncias de frezno. Alhá pul meio, tenie un carreironico, cun scobas i fenanco, que daba bien para alhá s’ajeitáren. I fui l que fazírun. Assi, alhá quedórun eilhes, bien scundidicos. De drento para fuora, daba para ber las bacas. Mas, de fuora para drento de la touça, nun se bie mesmo nada. A modos que qualquiera un que passasse por eilhi, cuidarie que las bacas starien solicas i sin buieiro.

Anton, que nin gabilán mortico por chicha tienra i fresca, que nin un gabilan, alhá se botou el a la boubielhica. Arrincando ũa yerbica, cortou-le la raiç i passou-le la spiga pul pescoço de la moça. Apuis desta festica, Mulica puso-le las manos a la buolta de la cinta i agarrou-la bien.

– Nun me apertes tanto, carai!…

Depuis dessas festicas, diç-le eilha:

– Nun me belhiçques nin me fagas cuçquinhas!… que nun sou capaç de parar cula risa!…

Passando, anton, a outras festicas, Mulica pon-le ũa mano un cachico mais arriba i la outra un cachico mais abaixo de la cinta. I, apuis duns beisicos, lhougo habie de les dar pa la brincadeira. Purmeiro, de pie antre ls trampos, i, despuis, deitados subre l fenanco, brincórun, ampalpórun-se i rebolórun-se.

Al cuntrairo de la eigreija, nesta capelhica ponírun-se calças abaixo i saias arriba. I, nestes i noutros porparos, eilhi stubírun ls dous un buono cacho de tiempo a fazéren-se aqueilhes outros mimos que podereis eimaginar quales serien…

Ambora inda moço, Mulica era daqueilhes que, palabra dada ye mesmo palabra hunrada. Acabada la funçon, i inda eilha culas calcicas als pies, lhougo se prontificou pa le passar pa la mano ls cinco páixaros que le habie pormetido.

Inda assentada i culs paixaricos na mano, la moça ampeça a s’arranjar. Abaixou la saia, mas, quando iba pa chubir las calcicas, oulhou i biu que tenien ũas manchicas burmeilhas. Anton, birando-se para el preguntou-le:

– L que andubiste a fazer pa me botares sangre nas mies calcicas?

Claro que, ambora cun cara de causo, el lhougo le pregunta:

– Mas anton tu nun bés que te tirei l birgo?!…

Ui, palabras nun fússen ditas… Nun sfergante, la mocica, zatou nũa choradeira que parecie nun haber modo de la cunsolar. I birou-se para el a seluçar toda zgustosa:

– Ah… bés l que me faziste? Pus, mal chegue a casa, bou-le a dezir a mie mai!…

Bendo-la assi i l causo mal parado, diç-le el para ber se la calhaba:

– Bah!… Nun seias tonta! Nun te parece que será melhor you tornar-te a poné-lo?

– Si, i tu sós capaç?!…

– Claro que sou! Quien l sabe tirar tamien l sabe tornar a poner! Nun bés cumo se questuma fazer cul tapon de l garrafon!… Purmeiro, tira-se, mas, apuis, torna-se a poné-lo. Que ye pa que l bino nun s´arrame!… Ye só quedarmos eiqui mais un cachico que, nistante, te le pongo outra beç!

– I de l que stás, anton, a la spera?! Pus bota-te a isso!… Dius mos lhibre que tornasse para casa sin l birgo!… Buona jeira se quedasse sin el!… Quiero ye que me tornes a poné-lo!…

– Ah… mas bien sabes cumo son estas cousas!… Esta ye ũa cousa que lhieba l sou tiempo i qu’inda me bai a dar un cachico de trabalho!… Mas, se me dires ls gaios de buolta, you torno-te a poné-lo…

– Pus si! Stá bien! Pus pon-lo anton!…

I alhá tornórun ambos ls dous al trabalho ne l meio de la touça. Bien podereis eimaginar cumo ye qu´el fizo l trabalho i la canseira i cunsumiçon que le tenerá dado tornar a poné-le la cousa que, un cachico antes, tenie tirado a la moça! Assi cumo assi, eilhi stubírun ls dous mais un cacho de tiempo a trates a isso!

Por fin, eilha cul birgo i el culs páixaros de buolta, quedórun ls dous todos cuntenticos!… Mas, bien bistas las cousas, Mulica nada mais fizo que amprestá-le por un cachico de tiempo ls páixaros a la chabasquita.

Stubírun eilhi ls dous tan antretenidos que nin eilha, i muito menos el, se lhembrórun mais de las bacas. Bá lá que a niũa baca le dou na belharaça i se botou al milho. Que, solo apuis del ir ambora, ye que la moça biu qu’eilhas se portórun cumo debe ser.

Quando, uns dies mais tarde, falaba deste eipisódio a un amigo, dezie-le Mulica:

– I éran cinco gaios tan fermosos! Mas bou-te inda a dezir ũa cousa. A las mies filhas, quando las tubir, bou-les a dezir todo pa que nun quéden, por i, tan einocentes i les passe cumo a esta.


António Preto Torrão. Licenciado em Filosofia (Universidade do Porto)
DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Mestre em Educação – Filosofia da Educação (Universidade do Minho)
Pós-graduado em Inspeção da Educação (Universidade de Aveiro)
Professor e Presidente Conselho Diretivo/Executivo
Orientador de Projetos do DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Autor de livros e artigos sobre Administração Educativa
Formador Pessoal Docente e Diretores de AE/Escolas
Inspetor e Diretor de Serviços na Delegação Regional/Área Territorial do Norte da IGE/IGEC

Bocabulairo \\ vocabulário


Acá – cá \\ acauso – por acaso \\ acunchegadico – aconchegadinho \\ adabinar – adivinhar \\ aire/airage – ar/aragem \\ ajuntar – juntar \\ a la socapa – disfarçadamente \\ ala – asa \\ alblidoso – habilidoso \\ ­alhá – lá \\ alhebantar – levantar \\ alredor – em redor \\ ambentado – inventado \\ amentar – mencionar \\ amostrar – mostrar \\ ampeçar – começar \\ amurrado – com a cabeça baixa e em estado letárgico provocad pelo calor \\ ancantado – encantado \\ ancapaç – incapaz \\ anfadar – enfadar \\ ancun­trar – encontrar \\ ancuontro – encontro \\ andubíran – (3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do verbo andar) – andaram \\ anfeiteçado – enfeitiçado \\ anganhar – enganar \\ anho – ano \\ anté – até \\ anton – então \\ antretenido – entretido \\ apar­cer – aparecer \\ aprécio – apreço \\ apuis – após, de­pois \\ arbre – árvore \\ armano – irmão \\ arramar – derramar \\ arrecadar – guardar, recolher \\ arriba – acima \\ arri­mado – encos­tado \\ arrozada – pratada de arroz \\ assi i todo – mesmo assim, apesar disso \\ barreira – inclinação de um terreno \\ beç – vez \\ belharaça – maluqueira \\ belhiçco – belisco \\ benir – vir \\ bergóntia – rebento de árvore \\ bibalma – vivalma, ninguém \\ birgo – virgo, hímen, sinal de virgindade da mulher \\ biúdo – viúvo \\ bolar – voar \\ bondar – bastar \\ boqueiro – espaço na parede do lameiro por onde entrava a cria \\ borga – pân­dega \\ boubielha – poupa \\ buiada/buieiro – boiada/boieiro \\ buolta – volta \\ bun­tade – von­tade \\ calhar – calar, calhar \\ caliente – quente \\ camino/ar – caminho/ar \\ capaç – capaz \\ carai – caramba \\ carreiron/ico – carreiro/ito \\ çcair – descair \\ çcan­sadico – descansadinho \\ cena/r – ceia/cear \\ çforrar-se – desforrar-se \\ çfrenciar – distinguir \\ chabasquita – tontinha \\ chu­bir – subir, trepar \\ coincer – conhecer \\ co­raige – coragem \\ cortina – terra de cultivo cercada por muros \\ çquila – ­campainha da coleira de vaca \\ çtáncia – distância \\ çtino – destino \\ çtraído – distraído \\ cũa – com uma \\ cuçquinhas – cócegas \\ cuel/cueilha – com ele/com ela \\ cul/a – com o/a \\ cumoquiera – tal­vez \\ cunsante – conso­ante \\ cunta – conta \\ deilha/es – dela, deles \\ del – dele \\ die – dia \\ Dius – Deus \\ dreito – di­reito \\ dũa – de uma \\ dubidoso – duvidoso \\ eiceçon – exceção \\ eidade – idade \\ eilhi – ali \\ eiqui – aqui \\ eisistir – existir \\ einocéncia – inocência, ingenuidade \\ el – ele \\ ende – aí \\ fame – fome \\ fenanco – erva meio seca \\ fiapo – resto de fio \\ fierro – ferro \\ fizo – (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo fazer) – fez \\ frezno – freixo \\ friu – frio \\ fróncia – rebento de árvore \\ fuonte – fonte \\ fuora – fora \\ fusse na fita – fosse le­vado na con­versa \\ gabilan – gavião \\ garrafon – garrafão \\ gustar – gostar \\ hounrada – honrada \\ huorta – horta \\ jeira – geira \\ jóldia – joldra \\ lhagarto – lagarto \\ lhatica – pequena horta \\ lhi­mpa – trilha e limpa do cereal \\ lhameiro – lameiro \\ lhem­brar – lembrar \\ lhi­brar – livrar \\ lhobada – lobada \\ mala – má \\ manhana – manhã \\ mano – mão \\ mortico – mortinho \\ mos – nos \\ naide – nin­guém \\ niada – ninhada \\ nial – ninho \\ nin – nem \\ ningũa/ningun/niun – nenhuma/nenhum \\ nisquiera – nem sequer \\ nistante – num ins­tante \\ nó/nun – não \\ nomeada – fama \\ nuite – noite \\ ourrieta – pequeno vale \\ páixaro – pássaro \\ palomba – pomba \\ patata – batata \\ peco – bem apresentado, aperaltado \\ percisar – precisar \\ picanço – variedade de ave \\ pie – pé \\ piel – pele \\ pobo – povo, povoa­ção \\ poboa­çon – po­voação \\ por i – porventura, talvez, por azar \\ porparar – preparar \\ porlantre – avante \\ proua – proa, vaidade \\ pul/pula – pelo/pela \\ pur­meiro – pri­meiro \\ pus/puis – pois \\ quaije – quase \\ qualqui­era – qualquer \\ quedar – ficar \\ queluobra – cobra \\ queto – qui­eto \\ quien – quem \\ quienqui­era – qual­quer pessoa \\ rapaç – ra­paz \\ rezon/es – ra­zão/ões \\ regla – regra \\ re­lhuzir – re­luzir \\ respunder – responder \\ riba – cima \\ rugido – ruído, barulho \\ salir – sair \\ sastifeito – satisfeito \\ scapar-se – fugir \\ screbir – escrever \\ scuitar – escu­tar \\ scunder – esconder \\ selombra – sombra \\ semiente – semente \\ seno – seio \\ senó – se­não \\ sequi­era – sequer \\ sfergante – instante \\ sin – sem \\ spormen­tar – experimen­tar \\ sque­cer – esque­cer \\ stantico – instante \\ stranha/r – estranha/r \\ stu­bíran – (3ª pessoa do p­lural do preté­rito per­feito do verbo “star”) esti­veram \\ stu­bísse – (3ª pessoa do singu­lar do preté­rito imper­feito do conjun­tivo do verbo “star”) esti­vesse \\ subretodo – sobretudo \\ suorte – sorte, propriedade herdada \\ talbeç – talvez \\ tenta­çon – tenta­ção \\ títalo – título \\ tienrico – tenrinhos \\ touça – moita de carvalheiras \\ tornar culs cantares de la segada – regressar sem nada \\ seluçar – soluçar \\ trocer – torcer \\ tubírun – (3ª pessoa do p­lural do preté­rito per­feito do verbo “tener”) ti­veram \\ tu­bísse – (3ª pessoa do singu­lar do preté­rito imper­feito do conjun­tivo do verbo “tener”) ti­vesse \\ ũa – uma \\ uobo – ovo \\ uolho – olho \\ yá – já \\ ye – (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo ser) é \\ zabergonhado – desavergonhado \\ zafertunadamente – infeliz­mente \\ zatar – desatar \\ zbiar – desviar

sábado, 21 de julho de 2018

A geografia sentimental (e literária) de uma torga

Fez de Trás-os-Montes o seu, o nosso, “reino maravilhoso” e a sua porta foi sempre São Martinho de Anta. Foi aí que nasceu, foi aí que escolheu ser enterrado como Miguel Torga, o nome literário que é também uma homenagem a essas paragens. Daí partimos numa viagem pela sua vida e pela sua obra — com a serra e o Douro como espelhos.

“Este livro andava ao vento sobre a campa fria do poeta, foi deixado como lembrança por um discípulo venerador. Para que ficasse inteiro e firme, como foi o Mestre, guardei-o para que outros o leiam e amem (...).”


É uma campa rasa, a do poeta, uma tampa estreita — simples, rústica, granítica. Passa despercebida no cemitério de São Martinho de Anta. Como Miguel Torga quis. Uma torga terá sido o único pedido, e lá está ela, com se fosse o símbolo, ou a porta, do paraíso. Um paraíso necessariamente incomum: a torga é uma urze, gosta de terrenos inóspitos e lanças raízes fundas, aquece (posta a arder, dura a noite inteira), é espontânea. Nesta terra de serranias, difícil e rochosa, abunda, amaciando de lilás o cenário agreste. Nesta terra de serranias, nasceu Adolfo Correia da Rocha, que se faria, improvavelmente, médico. As raízes fundas nunca se desprenderam, nem quando foi para o Brasil, nem nas tantas viagens que fez, nem em Coimbra, onde fez a vida. As raízes fundas foram feitas metonímia, as raízes fundas foram personificadas. Nesta terra de serranias, escolheu ser enterrado Miguel Torga (o Miguel vem dos seus dois heróis literários, os espanhóis Miguel Cervantes e Miguel Unamuno), o escritor para quem o paraíso foi um “reino mágico”, que é o mesmo que dizer Trás-os-Montes.


Não sabemos por quantas mãos passou o velho exemplar dos Novos Contos da Montanha até chegar ao armário do Espaço Miguel Torga (EMT), a poucos metros da casa onde o escritor nasceu. Sabemos que a 22 de Maio de 1998, Arménio Vasconcelos, de Leiria, deixou o seu testemunho na primeira página do livro, manchada e já dura como um pergaminho. Assinado e datado, conta a descoberta do livro na campa, no fim de uma viagem de homenagem a Torga, que morrera três anos antes, em 1995. Agora, quem chega à campa do escritor provavelmente não encontrará livros (não faltarão flores: nós deparamo-nos com rosas vermelhas a rodear um jarro) mas estará em pleno território torguiano, servido de roteiro apropriado (delineado pela filha, Clara Rocha), que se declina na serra e no Douro, os dois rostos de Trás-os-Montes que ele descreveu e que o descrevem.

Nós seguimos o roteiro improvisado pelo director do EMT (São Martinho de Anta), João Sequeira, em torno das próprias palavras de Torga.

“S. Domingos, S. Leonardo, a Senhora da Azinheira, o Poio... As páginas capitais de uma antologia panorâmica da minha geografia nativa (...)”.

Concentramo-nos no concelho de Sabrosa (a “terra de Fernão Magalhães”, como se anuncia) com um desvio apenas até ao vizinho Peso da Régua. Na verdade, não saímos de São Martinho de Anta — “S. Martinho é um marco de orientação e segurança que vejo em todas as horas de perplexidade e angústia e de todos os quadrantes do mundo”.


“O que estamos a fazer era uma das actividades preferidas de Miguel Torga”, nota João Sequeira, também nosso guia informal por este território híbrido de biografia e literatura, a dada altura do nosso passeio. “Ele gostava de fazer de guia turístico.”

“Mostro-lhes o que nunca viram: panoramas que são autênticas obras-primas da ecúmena, onde a geografia física e a geografia humana se complementam. A ossatura telúrica e a epiderme elaborada. O natural e o cultural em conjunção perfeita. E fico desobrigado. O resto é por conta deles. Se prestam, vão mais ricos. Dilataram o espírito à proporção dos horizontes. Se não prestam, vão mais pobres. Mediram-se com a grandeza e perderam.”

Para trás ficou já a Senhora da Azinheira, um “sítio por excelência da geografia de Torga”, sublinha João Sequeira. Oficialmente até é Senhora da Assunção, mas a azinheira por detrás da capela impôs-se. No nome, apenas, porque o orago é celebrado a 15 de Agosto. E “ele gostava muito da romaria aqui”, algo que lhe ficou talvez “da infância”. É uma festa especial, esta, que prossegue no dia seguinte com merendas nos penedios — “cada família tem a sua fraga”, explica João Sequeira — feitas dos restos e de vista.


“Vejo a Senhora da Azinheira a branquejar no alto da serra, oiço o sino a badalar, sabe-me a boca tabafeira, cheira-me a rosmaninho.”

Não a vemos no alto, talvez nos falte treino, mas vemos do seu alto. O Marão e o Alvão, o cheiro a rosmaninho rodopia, estamos empoleirados num “mar de fragas”, onde se escavaram degraus toscos e improvisaram bancos. Voamos pelos vales, a âncora é a quase singela capela, branca, rematada a granito, interior que poderia ser espartano não fora o dourado — ocupa o retábulo, desenha pórticos e remates — e o colorido vivo do tecto em abóbada de madeira. É o barroco do século XVIII a aliviar a dureza da serra que aqui se salpica de castanheiros.

É pela sua crista que seguimos, contando as árvores que lhe resistem na luta contra o granito, que surge como uma erupção, e o vento, resiliente. Restos escurecidos de abrigos, aldeias de montanha, Garganta, a terra dos avós paternos de Torga, outrora com “forte sentido comunitário”, agora vazia, casas grandes fechadas. É na estrada que a liga a Vilar de Celas que fazemos o desvio. O carro fica na beira da estrada, percorremos umas poucas centenas de metros, para além do carvalhal, biombo involuntário da necrópole de Touças.


“Se um dia vier a talho de foice, hei-de escrever uma página sobre estas necrópoles transmontanas, de granito, aninhadas no cimo de uma serra, com ar de quem lava as mãos disto da vida e da morte.”

É uma paisagem que nos remete a paragens mais setentrionais, Escócia ou Irlanda — verde-esmeralda contra serras nuas de penedos amarelecidos, as pedras graníticas velhas, gastas, musgosas, que se empoleiram em pequenos muros, montam mosaicos. E nela queremos adivinhar um círculo sagrado de pedras — ilusão da primeira vista. As pedras, se já tiveram um alinhamento geométrico, perderam-no, afinal. Mantêm, porém, a aura ancestral, misteriosa, como se capaz de todas as magias e por isso, milénios depois, ainda ali se fizeram sepulturas antropomórficas, incluindo duplas. Torga, conta João Sequeira, quis escavar neste local, enquanto jovem, mas rapidamente desistiu. O fascínio, esse, permaneceu — “que silencioso alfabeto de pedras era aquele?”, escreveu.

A cultura megalítica é insidiosa por estes caminhos, os topónimos ecoam-no. Torga não lhe foi indiferente — refere, por exemplo, os monumentos megalíticos que nimbam a serra de mistério e que desde rapaz venera “como sacrários de uma ancestralidade” a que é “fiel”. Por isso não é surpreendente que quando soube da notícia de escavações na Mamoa de Madorras, “um sepulcro de gigantes construído por gigantes”, escreveu, tenha ido imediatamente para lá, conta João Sequeira, acompanhar os trabalhos.


“A grande mamoa da serra escavada. A câmara, o corredor e os contrafortes expostos à luz do dia e ao espanto de quem olha.”


Teve a impressão, registaria ainda, “de que estava a ser feita a autópsia do passado”. E o passado está de costas voltada para a estrada, a poucos metros dela, mas camuflado — vê-se sem se ver. Para quem passa é mais um monte de terra, a entrada abre-se do outro lado, o corredor já mal delineado, o portal em equilíbrio que pareceria precário não estivesse ali desde o neolítico, o espaço circular da câmara interior já vazio de sacralidade.

Sagrado foi sempre São Martinho da Anta: “Nenhuma hora da minha vida tem significação sem esta referência.”


“Aqui estou. Vim mostrar a mulher aos velhos, à senhora da azinheira e ao negrilho. Gostaram todos.”

São Martinho terá mudado muito desde esse ano de 1940, o das apresentações mútuas. Era aldeia, passou a vila. Há casas novas, avenida até à igreja, os pais partiram, o negrilho (ulmeiro) já não é um “gigante a sonhar, bosque suspenso/ Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!” — “secou quando o Torga morreu”, conta João Sequeira. É agora um resto macilento, tronco, quatro ramos amputados, pedaços de metal como ligaduras (e parte dele está nas traseiras do Espaço Miguel Torga, embrulhado em plásticos), certamente mantido como símbolo. O busto de escritor (“Aqui/ neste Lugar/ e nesta hora”) e o poema “A um negrilho”, este negrilho — ainda que, na verdade, na terra onde nasceu houvesse “só um poeta”, escreveu, o “mestre da inquietação/ serena”. Estamos no Largo do Eirô, que parece ser o principal, alinhado em rosto ecléctico, com “queda” clara para o granito, e cruzeiro central. Aqui, a farmácia, correio, minimercado, multibanco, clínica dentária, Residencial Central — onde Miguel Torga gostava de fazer refeições, diz João Sequeira, “era do senhor Mário, que foi presidente da junta por indicação do escritor” e que agora é só para dormidas —, junta de freguesia. No primeiro andar funcionou uma extensão do centro de saúde, diz João Sequeira, por teimosia do próprio escritor (e médico). Fechou e com ele fechou-se algum material médico-cirúrgicos que Miguel Torga, ou, no caso, o médico Adolfo Correia da Rocha, doou, incluindo batas suas que estão expostas numa vitrina no espaço que agora está vazio de função (e fechado).


Quando Miguel Torga, que vivia em Coimbra, estava em São Martinho de Anta (o que acontecia frequentemente, “vinha por temporadas”), não faltava quem lhe batesse à porta para consultas. A sua casa fica a poucos metros do largo, na rua que um ano depois da sua morte passou a ter o seu nome. É uma casa térrea, humilde, que herdou dos pais — a irmã vivia ao lado. Sofreu algumas obras quando a sua mulher, Andrée Crabbé, aqui viveu uns meses, “a casa nativa actualizada, com todas as sombras do passado pintadas (...)”.

Branca, com portadas pintadas de azul claro, cortinas de rendas a preencher os quadrados envidraçados da porta da cozinha; rododendros, as azáleas, noveleiro, carvalhos, o quintal. Tanto a casa como o terreno foram doados, em 2014, pela família à Direcção Regional de Cultura do Norte para ali se instalar uma casa-museu cuja abertura esteve anunciada para 2015 — por enquanto, permanece muda.

Muda está também a sineta da escola local, que continua lá, no pequeno frontão da fachada. Já não se ouve, portanto, o “Tem lêndeas... Tem lêndeas... Tem lêndeas”, de A Criação do Mundo, o romance semiautobiográfico, nem “há mimosas à roda” — conta João Sequeira que um dia de Natal, na década de 1970, Torga passou a tarde a replantar as mimosas da sua infância na escola. O EMT tinha a ideia de o fazer, em sua homenagem, mas, sendo proibido plantar mimosas, uma torga substituiu-a na escola ainda a funcionar.


“Foi ali que num remoto dia de mocidade me senti consciente do meu destino de artista (...). Ali ia retemperar a lira quando a sentia bamba.”

“Ali” é São Domingos de Monte Coxo e chegamos com o nevoeiro a tapar o “grandioso panorama circular” de que fala Torga nos seus Diários. O caminho é difícil até ao santuário, as pedras intrometem-se na terra sulcada pela chuva; o cenário é desolador, calcinado ainda. Lá em cima, as abertas deixam ver o apenas cenário aos retalhos — descemos seguindo o compasso de duas perdizes bamboleantes. Estivera Miguel Torga aqui, estas não poderiam estar tão relaxadas. Caçador ávido, muitos dos seus dias passava-os montes fora, boné na cabeça, espingarda a tiracolo. Dizia-se “geófago”: “Caminho que me desunho”.

É por esses montes, em estradas serpenteadas, que descemos para o Douro, ou melhor, o “Doiro, rio e região, certamente a realidade mais séria que temos”. É que não basta


“(...) descer de Sabrosa para o Pinhão, estacar em S. Cristovão, e abrir a boca de espanto. Não é ir a S. Leonardo de Galafura (...), olhar o caleidoscópio, e ficar maravilhado”.


Espaço Miguel Torga: a porta de entrada para o mundo do escritor

O Douro é um drama “feito de carne e sangue”. Se beleza não lhe falta, “a própria beleza deve ser entendida”. Adentramo-nos, então, pela beleza do drama. Entre florestas verdes, novamente o rosto pétreo que aflora em vertigem vertical no Poio, dramatismo acentuado pelo negro que o fogo deixou pintado no solo e nos troncos, e já vemos as vinhas a bordar os montes. Torga fazia quilómetros e quilómetros por aqui e um dia chegou a Ordonho. “Entre duas perdizes”, escreveu, desbloqueou S. Leonardo de Galafura, o poema, depois de 30 anos, “bem medidos”, a olhar o miradouro. Nós paramos numa das curvas à saída da aldeia e olhamo-lo, também, “alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir-lhe de resplendor”. Havemos de lá chegar.


Por enquanto, continuamos a descer, enganando as pedras que resvalaram dos muros dos socalcos na tempestade do dia anterior — um final de Maio violento. As quintas vão-se sucedendo, Caleira, do Crasto, Marka, as placas “vende-se vinho” na beira da estrada — cenários de Vindima. A estação de Ferrão já foi essencial nestas paragens, para o abastecimento destas quintas e aldeias, e para entretenimento: “As pessoas vinham ao domingo só para ver os comboios passar, faziam festas aqui.” Agora, o comboio ignora a estação de Ferrão — os edifícios esventrados parecem indicá-lo —, embora nesta tarde pare para deixar entrar um grupo de turistas brasileiros. Fica o silêncio do abandono, um parque de merendas novo em folha do lado de lá da linha, rente ao Douro a correr entre o lamacento e o verde (a “cor barrenta muito falada por Torga”, nota João Sequeira) — no Cais do Ferrão, um barco solitário. “Corre, corre caudal sagrado”, escreveu Torga aqui.


Nos passos de Torga não mais deixaremos de ter o Douro a espreitar ou a exibir-se. No miradouro de S. Cristóvão, vêmo-lo a receber o rio Pinhão, e em São Leonardo de Galafura temos uma das suas mais belas vistas.

“O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza.”

Miguel Torga nunca se cansou de aí perscrutar o cenário, medir as curvas do rio, aquilatar a geometria dos socalcos e a insolência dos campos e bosques. Voltou sempre, ao longo da sua vida. Ao rio e à serra, a Trás-os-Montes. Em cada regresso, nova reflexão, novo poema, os mesmos locais. Uma descoberta contínua (e compulsiva) que foi também uma espécie de auto-psicanálise.


“Estas paisagens já estão de tal modo explicitadas dentro de mim, que parecem escritas no meu entendimento. Quando cuido que estou a interpretá-las, estou a ler-me.”

Textos: Andreia Marques Pereira
Fotos: Nelson Garrido
Jornal Público

APPACDM Mirandela realizou o 17º Encontro Nacional de CAO's.

A APPACDM  Mirandela  organizou nos passados dias 13, 14 e 15 de Julho o 17º Encontro Nacional de CAO's. O evento é já uma tradição por parte da instituição e único no Distrito de Bragança. O encontro contou com cerca de 60 participantes, tendo inclusive juntado 100 pessoas entre familiares e associados da APPACDM Mirandela, no churrasco do dia 14 de Julho.
Os participantes eram oriundos de várias instituições de apoio à deficiência da região Norte. Para além dos diversos convívios, que incluíam muita dança e animação desportiva, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer Mirandela e a Praia Fluvial do Azibo, em Macedo de Cavaleiros. Na cidade mirandelense as atividades desenvolveram-me na Piscina do Parque de Campismo e na Praia Fluvial do Azibo. 

 Todos os utentes tiveram a oportunidade de realizar atividades náuticas e de teambuilding, entre outras, numa colaboração com a empresa Naturthoughts. Para Sofia Morais, coordenadora do projeto e diretora técnica do Centro de Atividades Ocupacionais “ a realização destes encontros entre jovens adultos com deficiência é muito importante para a existência e criação de laços de amizade entre eles, para promover atividades desportivas que normalmente não são realizadas durante o ano nas instituições. Este 17º Encontro de CAO’S, na minha opinião e na opinião de quem trabalhou próximo de nós foi aquele que mais sorrisos criou. Um agradecimento a todos os que colaboraram para que este Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental acampamento fosse um sucesso e em especial aos colaboradores da APPACDM que disponibilizaram do seu fim-de-semana de descanso para trabalharem. Bem hajam”.

Segundo a Presidente, Vera Pires Preto “o encontro anual de CAO´s promovido pela APPACDM de Mirandela é já um evento reconhecido pelas instituições congéneres do distrito e até de toda a região norte do país. Esta Edição, a 17ª, decorreu com grande animação, primando pela partilha e estreitamento dos laços de amizade entre utentes, pais e colaboradores. O Encontro de CAO´s é já um marco da nossa instituição e pretendemos continuar a dinamizá-lo, promovendo a inclusão através da diversão e desporto”. O projecto foi co-financiado pelo INR, IP.

in:noticiasdonordeste.pt

ESPERANÇA

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas..."
Nascem asas nos olhos,
sempre que se rasgam céus,
alamedas e clareiras…
sempre que se semeiam flores,
em canteiros de canções, 
os rios cantam de pedra em pedra
Faz-se música…
Sinfonias de chilreios 
Os dias sabem a rosas
Brota seiva perfumada
Em rostos e corações!
Abrem-se sorrisos… 
Decifram-se segredos…
morrem mágoas e medos
soltam-se razões!
Escancaram-se janelas,
em movimentos cegos,
em carradas de ilusões
Em palavras solidárias, 
Abrem-se fronteiras
Fecham-se mágoas 
Em peitos e corações.


Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.


Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA