terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Montaria Solidária no concelho de Bragança

MDP TV: Mais um negócio público (muito) sujo?

"É um negócio que pode chegar aos nove milhões de euros mas que foi suspenso por suspeitas de irregularidades. Portugal estava a importar lixo à polémica região italiana de Nápoles, tendo já chegado quase sete mil toneladas. 
O Sexta às 9 foi o primeiro programa de televisão do mundo a conseguir autorização para entrar nesta gigantesca lixeira a céu aberto." A reportagem foi transmitida na passada sexta-feira e o Má Despesa reclama a atenção de todos os cidadãos para este negócio que tem contornos nada limpos. Ver programa AQUI.. A região de Nápoles, a Campania, é sobejamente conhecida por ser um local onde se acumula o lixo tóxico de Itália e da Europa, num negócio milionário, controlado pela máfia local, a famosa Camorra.. A empresa portuguesa que importa o lixo (CITRI – Centro Integrado de Tratamento de Resíduos Industriais, S.A) pertence ao ex-Secretário de Estado do Ambiente do Governo de Pedro Passos Coelho, Pedro Afonso Paulo. Ao contrário do que é normal, o lixo que entra em Portugal não foi sujeito a análises por parte das autoridades portuguesas responsáveis ...até ao início das investigações do Sexta às 9. As análises da Inspecção Geral do Ambiente acusaram níveis inaceitáveis de carbono orgânico dissolvido (ou seja, estamos perante lixo urbano perigoso), contrariando os relatórios enviados por Itália. Estes relatórios italianos foram aceites sem reservas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade com competência exclusiva para gerir os processos de importação de resíduos, que é presidida por Nuno Lacasta, o qual foi nomeado pelo mencionado ex-governante e actual interessado na importação de lixo. 

in:madespesapublica.blogspot.pt

É tempo de colocar a Máscara e viajar entre os Caretos"

A Progestur vai lançar hoje maqis dois livros, inseridos na coleção “Rituais com Máscara” dedicados inteiramente às máscaras dos municípios de Ílhavo e Macedo de Cavaleiros. A apresentação das duas publicações está agendada para hoje as 18h30, no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa.
A apresentação contará com a presença de personalidades de várias áreas da cultura portuguesa dando espaço para uma conversa reveladora sobre tradições, rituais das máscaras e seus simbolismos e significados nos municípios de Ílhavo e Macedo de Cavaleiros. Moderada pelo Dr. Francisco José Viegas, o lançamento dos livros contará com a presença do presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Fernando Caçoilo, presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Duarte Moreno, presidente da Progestur, Hélder Ferreira e ainda a representação da Fundação Inatel.

Depois das publicações dedicadas aos rituais com máscara de Lamego, Mira, Miranda do Douro e Mogadouro, a coleção, editada em português e inglês, apresenta-se mais uma vez com uma forte componente informativa e cultural abordando ao pormenor os as máscaras e rituais dos Cardadores de Vale de Ílhavo e Caretos de Podence.

Ao leitor é transmitido um sentimento de pertença nestas celebrações ancestrais, contadas por quem vive de perto estes rituais, evidenciando a importância das regiões e populações na garantia da perpetuidade das tradições culturais como marca da sua identidade.

Esta coleção, composta por 11 volumes, contêm, para além da explicação das origens, significados e simbolismos destas manifestações culturais, dez páginas dedicadas à promoção da região da festa apresentada, funcionando como um roteiro turístico, possibilitando a divulgação e promoção da oferta turística dos municípios envolvidos.

Inseridas nos “Rituais com Máscara” e resultantes de uma parceria entre a Progestur e o INATEL, foram criadas três rotas turísticas com base nas festas com rituais de máscaras - uma no centro de Portugal e duas no Nordeste Trasmontano – que estarão presentes na totalidade da coleção.

in:diariodetrasosmontes.com

Ministro da Agricultura espera que programa de cadastro florestal permita prevenir incêndios

O ministro da Agricultura esteve ontem em Alfândega da Fé numa sessão de discussão pública sobre a reforma da floresta. São 12 propostas que visam melhorar o ordenamento do território, levar a uma boa gestão da floresta e contrariar o abandono. O Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural acredita que esta reforma pode ajudar a criar riqueza e prevenir incêndios.
“Queremos através de uma boa gestão da floresta criar melhores condições para gerar emprego, criar riqueza e alimentar as nossas indústrias e permitir aos pequenos proprietários colher rendimento”, frisou Luís Capoulas Santos.

O governante destaca deste pacote legislativo a medida que prevê um regime simplificado de identificação e cadastro do património rústico.

“A norte do Tejo praticamente não existe cadastro e assim ninguém sabe os limites da sua propriedade. Com o êxodo rural estima-se que mais de um milhão de prédios não terão dono conhecido. O objectivo do governo é criar mecanismos que permitam identificar o património. Durante dois anos será totalmente gratuito para os proprietários”, adiantou.

Será assim possível identificar a propriedade que não tem dono. O governo assume a gestão, que entregará a autarquias, cooperativa ou sociedades de gestão florestal para que sejam geridas através de planos de ordenamento e de protecção contra incêndios.

Outra das medidas implica a atribuição aos municípios de uma maior intervenção nos processos de decisão relativa ao uso dos solos, transferindo competências do Ordenamento Florestal para os Planos Directores Municipais.

A presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Berta Nunes, considerou “muito positivo” o papel mais activo que as autarquias podem assumir nesta matéria.

“Não se trata de municipalizar, no sentido de que as autarquias vão ser responsáveis por tudo ou ser donas de tudo. Trata-se de as incluir nesse esforço nas várias áreas, neste caso da gestão e ordenamento de florestas e prevenção dos incêndios, porque quando há incêndio, são os nossos munícipes que sofrem”, sustentou.

A proposta legislativa prevê ainda a criação de um regime jurídico de reconhecimento das sociedades de gestão florestal, um conjunto de incentivos e isenções fiscais para estas sociedades, o condicionamento de plantação de eucaliptos, a criação de centrais de biomassa e alterações nos planos de defesa da floresta contra incêndios.

A sociedade civil vai ser ouvida até ao final de Janeiro, porque, acredita o ministro, essa será a forma de garantir que a reforma “seja consensualizada” e que possa ir para além deste governo ou dos próximos. 

Escrito por Brigantia

Bombeiros de Bragança recebem ambulância de empresário benemérito brigantino

Os Bombeiros Voluntário de Bragança receberam uma ambulância, com equipamento de topo, doada pela empresa de Bragança, Fepronor, no valor de 54 mil euros. A ambulância possui, entre outros equipamentos, um desfibrilhador. Até ao momento a corporação dispunha de apenas um, cedido pelo INEM.
Para o comandante dos bombeiros, José Fernandes, é importante que a população tome conhecimento da dimensão desta oferta, que faz com que os bombeiros de Bragança se possam orgulhar de ter ao dispor uma viatura de emergência com o melhor material que existe no mercado para servir a população.
“Felizmente para Bragança, que o eng. Luís Gonçalves tem a disponibilidade financeira e a vontade para colmatar aquela que era uma lacuna na nossa corporação”, referiu José Fernandes.

Já o segundo comandante da corporação, Carlos Martins, congratula-se com facto dos bombeiros poderem contar com uma ambulância de características especiais, que, entre outras coisas, possui um chassis que permite uma carga de 3500 kg, um motor potente, suspensão pneumática e todo o equipamento de socorro mais moderno que existe no mercado.
“Nós temos algumas ambulâncias deste tipo, mas já com alguns anos. No entanto, ao nível do equipamento, nada como isto. Quando o nosso sócio benemérito chegou ao pé de nós e nos disse para escolhermos o melhor material que houvesse no mercado, nós nem queríamos acreditar”, referiu o segundo comandante, Carlos Martins.
Luís Gonçalves, da Fepronor, adiantou à Brigantia o que o motivou a doar este equipamento.
“Eu realizei um sonho que já tinha vários anos. A ambulância teria que ser equipada com tudo o que há de melhor no mercado, não podia ser de outra maneira. Para mim é uma enorme satisfação pensar que esta viatura pode auxiliar o socorro da população de forma rápida e funcional, de forma a aliviar o sofrimento das pessoas, e isso deixa-me extremamente feliz”, afirmou o responsável da empresa.
Os bombeiros contam agora com uma nova viatura que tem todo o equipamento para prestar socorro à população doada pela Fepronor. 

Escrito por Brigantia

Domingos José Afonso Cordeiro

Doutor em medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Natural de Meirinhos, concelho de Mogadouro, onde nasceu a 20 de Setembro de 1856; filho de Francisco Xavier Afonso e de D. Maria Angélica Cordeiro. Fez o curso liceal em Braga. Foi subdelegado de saúde, médico do Hospital de Santa Violante em Matosinhos e presidente da câmara deste concelho, onde faleceu a 4 de Janeiro de 1926. Foi também deputado e senador e grande propagandista republicano durante a monarquia, tendo sido o chefe desse partido em Matosinhos.
Escreveu: O sonambolismo provocado – Dissertação inaugural apresentada e defendida na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Porto, Tip. Ocidental, 1882. 8.° de XXX-114 págs. Colaborou em diferentes jornais, dos quais citaremos: Comércio do Porto, O Debate, de Matosinhos, Primeiro de Janeiro, A Águia e Monitor.
Afonso Cordeiro foi um acérrimo propagandista das grandes obras do porto de Leixões (transformação em porto comercial). A essas obras referiu-se, em 3 de Outubro de 1915, num «Aforismo» publicado em O Comércio do Porto, intitulado «A agonia de Leça», o sr. Agostinho de Campos (que assinava com o pseudónimo de Diógenes):
«Agora está sendo assassinada pelos industriaes e negociantes portuenses, emprehendedores e activos, que juraram transformar em docas e caes, em armazens e em vias ferreas – os rios, estuarios, braços de mar, areaes e praias, estradas e ruellas, da linda povoação... Leça, a Morta – Appetece chamar-lhe assim, quando se pensa que a querem transformar n’uma especie de Antuerpia ou de Hamburgo... Á linda borboleta de poesia e sonho vae suceder em breve o empório do commercio e do transito – a pesada
lagarta util e prática».
Sobre as obras do porto de Leixões escreveu Afonso Cordeiro longos e numerosos artigos nas gazetas, aos quais aludiu pitorescamente numa «Carta a Diógenes» em resposta ao artigo de Agostinho de Campos, acima citado,o meu falecido professor e amigo sr. Joaquim Aroso, filho ilustre de Matosinhos. Recordo alguns passos da aludida carta, que ficou inédita:
«Leça não agonisa, transforma-se. Vai desaparecendo a Leça idilica, a Leça arcadica dos inglezes e dos poetas, mas surge uma nova Leça com fabricas e pescarias e grandes docas em perspectiva, que um nosso amigo quer com capacidade para transatlânticos de trinta mil toneladas e vias férreas que a liguem ràpida e directamente com Calcutá e Pekim... Estranho destino o desta terra: dever o seu impulso progressivo menos aos seus próprios filhos do que aos adoptivos. É a um dêstes últimos que eu devo a fé inquebrantável que hoje tenho na conclusão do pôrto de Leixões e na subsequente grandeza de Leça. As circunstâncias em que essa fé me foi inculcada tornaram-na indelével. Foi ha cinco anos, numa tarde de inverno.
Eram quatro horas. A criada acabava de me dizer que a sopa estava na mesa, quando ouvi bater à porta. Era o moço da farmácia visinha que me vinha chamar do mando de X, grande sonhador perante o Eterno. Objectei timidamente que ia jantar. O rapaz retirou-se, mas voltou pouco depois com nova mensagem: – Que era coisa de cinco minutos. Resignei-me, e, sem mudar de calçado, atravessei a rua e entrei na farmácia. Começavam a cair as primeiras gotas e o cariz do ceu ameaçava um tremendo aguaceiro.
X esperava-me com um maço de linguados na mão. Ao vê-los tive o pressentimento dum cataclismo inevitável. – Sente-se aí, ordenou êle imperiosamente, e ouça. Ia-me ler a história do pôrto de Leixões...... E começou a leitura, ao som duma formidável bátega de água, que a breve trecho convertia a estreita rua num ribeiro impetuoso e principiava a inundar a farmácia.
Ao fim de uma hora de leitura, quando o erudito discurso atingia as alturas do jurássico,…… a nossa posição, sentados nas cadeiras, era insustentável: a farmácia já tinha um palmo de água. X poz-se em pé sôbre a cadeira e, impavidum ferient ruinae, continuou a leitura. E eu imitei-o. Ás oito horas da noite tinha chegado ao fim do plioceno – época crítica para o antropoide... Não vinha longe a história do pôrto de Leixões, quando o farmacêutico insinuou que eram dez horas da noite, hora de fechar a farmácia.
X então dobrou os linguados restantes e pediu mais uns minutos para resumir o resto. E no menor número de palavras possivel traçou diante dos meus olhos deslumbrados o quadro grandioso da futura transformação de Leça, graças à conclusão do pôrto de Leixões. Quando terminou, era perto da meia-noite.O farmacêutico fechou as portas. Separamo-nos. E ao entrar em casa, com a barriga a dar horas, eu dizia comigo mesmo, profundamente convicto: – Leça é grande e X é o seu profeta!».
Os artigos que o doutor Cordeiro escreveu sobre o porto de Leixões e publicados em Janeiro, Fevereiro e Março de 1910, no jornal de Matosinhos o Debate, foram coligidos em volume, com uma carta-prefácio do conselheiro Adolfo Loureiro, engenheiro e autor do projecto para a construção do porto comercial.
O opúsculo, de 68 páginas (Porto, Tip. Peninsular de Monteiro & Gonçalves, rua dos Mercadores, foi editado pela Associação Comercial e Industrial de Matosinhos, de que era presidente da direcção José da Fonseca Menéres e intitula-se O porto de Leixões e sua rede ferroviária. Nele se inclui, em folha avulsa, uma gravura representando o «Projecto de melhoramento do porto de abrigo e da construcção de um porto commercial pelo conselheiro Adolpho Loureiro».
Na referida carta-prefácio lê-se: «...... Por esta forma viria o Porto a tornar-se em pouco tempo um verdadeiro emporio commercial. Urgia, portanto, não demorar a realisação d’esse grande melhoramento, que muito desenvolveria a riqueza publica e transformaria completamente essa predestinada localidade de Leça e Mattosinhos, fazendo expandir até ali a cidade do Porto, creando novas industrias, desenvolvendo extraordinariamente outras e tornando-se um centro de grandissima vida e actividade commercial e industrial».
E mais adiante: «É da construcção do novo porto de Leixões, com todos os accessorios e a rêde de vias-ferreas que deve dar-lhe serviço, que muito superiormente tratou nos seus artigos o snr. Dr. Afonso Cordeiro».
O retrato do doutor Cordeiro está em lugar de honra na secretaria do Hospital de Matosinhos, do qual foi grande benemérito. O Comércio de Leixões de 10 de Janeiro de 1926 é consagrado ao prestante cidadão, inserindo o seu retrato, e no número do mesmo jornal relativo ao dia 17 do referido mês vêm reproduzidos os discursos pronunciados por diferentes amigos à beira da sua sepultura. O doutor Afonso Cordeiro foi um grande trasmontano, que muito honrou a nossa terra, a quem segundo refere O Primeiro de Janeiro de 11 de Setembro de 1928, vai ser levantado, por subscrição pública, um monumento.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Autarca de Bragança congratula-se com a construção da paragem do comboio de alta velocidade na Sanabria

O presidente do Município de Bragança congratula-se com a aprovação da construção de uma estação do comboio espanhol de alta velocidade em Otero de Sanabria. Esta localidade, situada na comarca de Sanabria, dista cerca de 47 quilómetros de Bragança, o que se pode traduzir numa oportunidade para potenciar o turismo no concelho e em toda a região transmontana.
Esta possibilidade tinha vindo a ser discutida nos últimos meses e chegou a mobilizar associações de defesa do desenvolvimento dos territórios raianos que temiam que os pouco mais de 20 habitantes de Otero não justificassem a paragem do TGV.

A construção desta estação acabou, no entanto, por ser aprovada, há pouco mais de uma semana, o que não surpreende o autarca brigantino, Hernâni Dias.

“Já tínhamos vindo, desde há muito tempo, a falar da garantia de que haveria uma paragem em Otero. Não faria sentido que fosse de outra forma. Não é uma novidade, mas antes uma confirmação daquilo que já estava previsto”, referiu Hernâni dias O autarca reitera a importância de melhorar as acessibilidades entre Bragança e Puebla de Sanabria para potenciar a mobilidade de turistas portugueses e espanhóis, nestas regiões.

E garante que brevemente haverá novidades nesse sentido.

“O que importa agora é, de facto, reforçar a necessidade de conseguirmos ter uma ligação rodoviária Bragança - Puebla de Sanabria, que é tão importante para o nosso desenvolvimento, não só para o concelho, como para a região e para o país. Estamos, neste momento, em conversações com altos responsáveis políticos do governo espanhol, no sentido de podermos avançar efectivamente para esta obra”, acrescentou Hernâni Dias.

A aprovação da construção da estação de TGV em Otero de Sanabria motivou várias iniciativas promovidas pelo Movimento (DART) Defender, Autonomizar e Rejuvenescer Trás-os-Montes, em conjunto com a Associação de Defesa da Sanabria e Carballeda.

O objectivo era unir os cerca de 7 mil moradores da comarca da Sanabria aos cerca de 35 mil habitantes do concelho de Bragança.

Esta associação espanhola chegou mesmo a sugerir que a estação inclua o nome da Sanabria e de Trás-os-Montes. 

Escrito por Brigantia

O 1.º de Dezembro em Bragança

O primeiro de Dezembro em Bragança continua a lembrar-se na minha memória de forma a ser acontecimento simbólico, extraordinário, fora da litania lacrimejante ou da evocação serôdia, sim dentro da realidade singular das vivências marcantes numa adolescência cinzenta, de poucos raios luminosos no enfadonho e circular quotidiano. E, a adolescência para a maioria dos estudantes foi radiosa. Algumas e alguns talvez se lembrem do livro Juventude Radiosa, muito aconselhado aos jovens. Recordam-se?
O 1.º de Dezembro no dizer risonho da Dona Aninhas Castro é fruto da teimosia de uma espanhola. Tomo a liberdade de acrescento: uma duquesa filha do Duque de Medina Sidónia, enorme potentado ainda agora, cansada da beatitude de Vila Viçosa coagiu o marido, o Duque de Bragança, a sair do torpor e do temor obrigando-o a ser rei, pois mais valia ser rainha um hora, do que duquesa toda a vida.
A resoluta Dona Luísa de Gusmão não esquecia a triste sorte de uma ancestral, também filha de outro Duque Medina Sidónia, assassinada por Dom Jaime, igualmente Duque de Bragança, o qual no paradoxismo do ciúme matou a formosa mulher. Os interessados no drama podem ler o Pajem da Duquesa, do militar e prolixo escritor Campos Júnior.
A celebração do 1.º de Dezembro em Bragança conseguia suprir a propositada ausência de significação geral, o comércio não fechava, nem as oficinas e lojas similares, graças ao entusiasmo ao elementos de maior idade da Academia estudantil, peritos no roubo de galináceos e deambulações etílicas dando lucro aos taberneiros e prejuízos a criadores de aves de capoeira.
A figuração iconográfica estava a cargo das meninas e dos rapazes da Mocidade Portuguesa, ao fim da tarde o cortejo estudantil dominado cenograficamente pelas capas e batinas de quem as possuía e podia envergar deslocava-se até à residência do Dr. Amado, ícone da primeira República, a quem saudava. Ele agradecia atrás da vidraça nos dias de temperatura negativa. A banda do Patronato aquecia os corações levando as línguas a soltarem hurras e a lengalenga dos erres vogais.
A amostra de gratidão reflectia o vazio reinante desprovido de outras referências de cunho histórico, à noite no Cine Teatro Camões representava-se, julgo não cometer aleivosia ao referir Mestre Gil como o autor preferido, no tocante ao elenco prefiro não fazer nenhuma anotação pessoal.
Os temas circundantes ao feriado não terão sofrido alteridades até 1967, ano do afastamento. E agora como é comemorado o feriado? Agora só sei o lido nos jornais.
Talvez não provoque danos à verdade se disser que tudo desapareceu excepto as batinas e as capas pois o traje negro confere pose esvoaçante às fotografias, as fardas da Mocidade só deixaram saudades aos nostálgicos do salazarismo, as mocas estão anuladas nas proclamações do populismo mediático das tunas e órgãos quejandos, no tocante a galináceos as capoeiras deram lugar a arcas frigoríficas depositárias de frangos de ração vendidos em horário alargado.
A pulsão de exilados leva antigos estudantes a visitas a Bragança no dia da restauração da independência ao modo romagem de saudade entrelaçada no antigamente, ao contrário do sucede hoje, os rapazes apaixonados gastavam solas, horas, suores à espera da desejada, correndo riscos de não lograrem simples e rápida troca de palavras, quanto mais furtivo beijo.
Agora, a liberdade é total resmungarão contidamente as romeiras e os romeiros a olharem de esguelha a parelha escolhida noutras paragens. As duplas originárias do primeiro namoro geram exclamações ante a limpidez e perenidade da relação, no intento de não provocar invejas, ruminações interiores e torções nas orelhas resisto ao desejo de nomear duas raparigas e dois rapazes coevos que muito prezo.
A doença sentimental da saudade (sofro de outra variante) não me atacou, gosto e penso em Bragança numa perspectiva despojada de bairrismo espúrio, estúpido, gosto muito do velho burgo e de algumas pessoas, deixei de reconhecer outras, propositadamente, a maioria da população nasceu ou veio morar para cidade após o ter ingressado no vai vem da vida. É a vida!



Armando Fernandes
in:mdb.pt

“TRÊS ÁS”, o Sapateirinho

No dia 10-02-1934 nasci na freguesia da Sé, concelho de Bragança, onde com os meus 7 aninhos de idade fui para a escola, 1.ª classe como se chamava naquele tempo na escola do Bairro da Estação segui os anos todos até a 4.ª classe sempre com a mesma professora, D. Alice, grande senhora e boa professora, fiz o exame com distinção.
Em continuação da minha historia da vida, minha mãe levou-me a aprender uma arte que era a de alfaiate, da qual eu não gostei. Fugi dela até que a minha mãe me foibuscar ao rio, que era o nosso refugio de rapazitos. Puzeram-me a aprender a arte de sapateiro, de que, aí sim, gostei da arte até que chegou a altura de ir para o serviço militar no ano 1955. Fomos 4 sapateiros para Lisboa para o grupo de companhias do Trem Auto, onde me foi dada a especialidade de condutor e fui para chaufeur dum Brigadeiro, andei com ele 7 meses até que regressei ao quartel para ir para manobras em Santa Margarida. Fui 3 anos (1955-1957) passando à disponibilidade. Vim para a minha santa terrinha, voltando à arte de sapateiro para a oficina do Sr. Malã. Permaneci aí mais uns anos e especializei-me na arte. Um certo dia chamaram-me, por ordem do treinador João Soares, para ir treinar no Desportivo de Bragança, onde fiquei. Estive 3 temporadas pois era jeitoso a jogar a bola. Chegou a altura de sair da arte e ingressei nas forças policiais, em Lourenço Marques, onde estive 15 anos, sendo ano e meio a patrulha, o resto foi como encarregado da oficina de sapataria até que regressei a Portugal em 1975.
Regressado a Portugal fui para o quadro geral de adidos 4 meses, até que me chamassem para ingressar nas fileiras da polícia em Lisboa. Estive lá 9 meses, regressando ao Porto, comando do distrito, onde permaneci 11 anos. Éramos 22 homens na sapataria, na oficina e eu a trabalhar com as máquinas da sapataria do comando distrital até ao dia da minha aposentação. Agora a minha tarefa depois de reformado é ser artesão, de um artesanato que é distinto (são sandálias e soquinhas em miniatura para embelezar o frigorífico).

Alexandre António Aleixo
in:jornalnordeste.com

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - VILA REAL, JOSÉ (ISAAC) DA COSTA (1689 – 1730)

Filho de João da Costa, mercador e Isabel de Sá, nasceu em Bragança em 1689. Criança ainda, foi levado para Lisboa. Cedo foi introduzido no mundo dos negócios, com viagens e estadias por diferentes terras.
Em 1.2.1706, apresentou-se na inquisição a confessar que deixara a religião cristã e a abraçara o judaísmo, do que pedia perdão e misericórdia. Certamente que a apresentação ficou a dever-se à vaga de prisões que o santo ofício então lançou entre os seus familiares e amigos. (1).
Foi ouvido, admoestado e mandado embora, ficando seu processo aberto, nele se anotando denúncias que viessem a surgir, o que efetivamente aconteceu, nomeadamente com um estudante de filosofia que o retratou deste modo na inquisição de Lisboa:
- Há um ano, em casa de Salvador Mendes se achou (…) com um filho de João da Costa Vila Real, que há pouco deitou espada, terá 18 anos, alvo de rosto, trás cabeleira, sem ofício…
5 anos depois, em 9.11.1711, os inquisidores viram seu processo e as denúncias nele contidas e lançaram a sentença que foi lida em mesa no auto da fé de 18.11.1711 -  condenado em penas espirituais. Significativo que a data da sentença de José coincide com a prisão de seu irmão, da irmã mais nova e da sua prima Leonor da Costa. (2)
Se o retrato de José, “com 18 anos, usando cabeleira e sem ofício” era verdadeiro, então podemos dizer que ele cresceu muito e rápido se fez um “homem de negócio” capaz de arrematar o “assento da tropa na província de Trás-os-Montes” no ano de 1710 – 1711 – um contrato só acessível a grandes “assentistas”, capazes de fornecer géneros no formidável valor de mais de 125 contos de réis! Imaginem a capacidade deste homem de 21 anos que no espaço de um ano conseguiu fornecer às tropas estacionadas nos diferentes quartéis de Trás-os-Montes, (em tempo de guerra!)  os seguintes géneros:
- 10 701 alqueires de centeio; 39 496 arrobas de palha; 2 129 arrobas de poeiras da dita palha, vulgo: palha trilhada; 9 953 pães de munição; 590 alqueires de cevada; 25 alqueires de trigo; 160 alqueires de farinha e 100 alqueires de feno! (3)
Obviamente que estes fornecimentos eram confirmados pelos chefes militares e pagos depois pelos contadores oficiais da Fazenda Real. Algo de estranho terá acontecido com o escrivão da Contadoria João de Sousa Sotto Mayor, mandando Sua Majestade fazer uma devassa sobre os erros que cometeu.
Não sabemos que “erros” (ou “vigarices”?) foram aqueles. Facto é que o acerto final das contas daquele assento entre a Real Fazenda e o fornecedor José da Costa ficou “embaraçado” por largos anos e por 1722 terá mesmo originado a detenção de José Vila Real o confisco de papéis e bens seus, reclamando o Fisco cerca de 20 contos e ele tentando provar que era credor de mais de 30 contos de réis.
Entretanto o jovem assentista prosperava e tornava-se um dos grandes capitalistas do reino. E começava a internacionalizar os seus investimentos. Com efeito, em 1721 ele comprou ações do Banco de Inglaterra no montante de 4 000 libras. E em 1725, em resultado dos dividendos, tinha ali depositadas 15 000 libras. O seu representante na City era Fernando (Abraão) Dias Fernandes, originário de Freixo de Numão, que foi também o padrinho da circuncisão do pai de José da Costa Vila Real.
Em Bragança e em Lisboa sucediam-se vagas de prisões por parte do santo ofício e Costa Vila Real sentiria que o cerco se apertava em seu redor. Por isso foi preparando a fuga. E quis provar que não fugia por dívidas mas “pela quantidade de prisões sucedidas em Bragança e Trás-os-Montes, parentes e contraparentes de toda a minha família”. Para isso requereu certidões em todas as repartições financeiras do estado em como não tinha qualquer dívida a pagar. Foram 17 as certidões passadas, a partir de setembro de 1725, certamente a data em que começou a preparar a fuga. (4)
Não sabemos exatamente o dia mas terá sido entre 10 e 15 de Julho de 1726. Aproveitando a confusão provocada por um incêndio que deflagrou em Lisboa, José meteu-se num barco e abalou para Inglaterra com toda a sua família (17 pessoas), uma operação bem arrojada, num tempo em que a cidade estava pejada de espiões da inquisição.
A chegada a Londres causou estrondo. Em 26 de agosto seguinte o “Daily Journal” anunciava que Vial Real chegara a Londres com a formidável quantia de 300 000 libras e logo mandara distribuir 2 000 pelos judeus pobres da cidade, enquanto a inquisição de Lisboa decretava a sua prisão e lhe sequestrava os bens deixados em Portugal e a diplomacia portuguesa estudava hipóteses de extradição do fugitivo dizendo que ele entrara em Inglaterra sem “visto” oficial e pagamento das dívidas atrás referidas. (5)
De imediato ele entraria no círculo mais “snob” da elite judaica de Londres. E sendo solteiro, logo surgiram apelos a um casamento “rico e dotado”. Contava 38 anos quando casou, em 24.5.1727 (“Sivan 15th 5487” – assim consta na Ketubah), com uma sobrinha do poderoso comerciante de diamantes e pedras preciosas António Lopes Suasso, Catarina (Raquel) da Costa, a famosa Kitty, de 17 anos, a qual se estaria preparando para casar com o seu primo Philipe (Jacob) Mendes da Costa.
O prestígio de José cresceu ainda mais com a fundação da VillaReal School, uma escola para raparigas e a doação de 32 500 libras à sinagoga Bevis Marks onde Luís de Sá, irmão de seu cunhado  Alexandre (Abraão) de Morais desempenhava as funções de porteiro. (6)
Vida intensa a de José Vila Real, cedo se apagaria. Morando em College Hill, em 16.4.1730, fez testamento no qual deixava a importância de 100 000 libras à mulher e filhos. Faleceu em 27 de dezembro de 1730. A sua sepultura encontra-se no Mile End Cemetery.
Viúva e contando apenas 21 anos, Kitty, logo em 18 de janeiro seguinte, 3 semanas e 1 dia após a morte do marido, prometeu casamento a seu primo Philippe. E, em 27.2.1735, estando novamente viúva, casaria em terceiras núpcias com William Mellish. (7) E a 28 de Março seguinte, abandonaria o judaísmo, fazendo-se batizar na igreja de St. George´s Church, em Bloomsbury, acompanhada dos dois filhos dela e José da Costa Vila Real: Abraham e Sara, que então abandonaram os nomes judeus e adtaram os cristãos de William e Elizabeth.. A vivência em liberdade e o “cheiro” a um título honorífico inglês foram mais eficazes do que os tormentos da inquisição portuguesa. (8)

NOTAS
1-ANTT, inq. Lisboa, pº 1193, de Joseph da Costa Vila Real.
2-IDEM, pº 9990, Manuel (Jacob) da Costa Vila Real; pº 8158, Luísa de Sá; pº 8161, de Leonor da Costa.
3-IDEM, pº 8568, de José da Costa Vila Real.
4-O simples enunciado das repartições do estado onde ele tinha negócios e poderia ter alguma dívida, mostrará a grande diversidade empresarial deste homem. Por isso aqui deixamos a listagem dessas repartições: Conselho Ultramarino; Casa da Índia; Alfândega do Tabaco; Armazéns da Coroa e da Armada; Armazéns da Guiné e da Índia; Casa de Aveiro; Casa do Infantado; Casa de Bragança; Câmara de Lisboa; Junta do Tabaco; Casa da Rainha; Tribunal da Mesa da Consciência; Alfândega do Açúcar; Priorado do Crato; Executória Geral da Guerra; Junta dos 3 Estados; Repartição dos Contos do Reino.
5- A propósito veja-se esta correspondência de Londres para o secretário de estado Diogo Mendonça Corte Real em 9.1.1731:
- (…) A semana passada me veio um cristão-novo falar-me, chamado Isaac Fernandes Mendes, dizendo-me que sabia muito bem que José da Costa Vila Real, que se ausentou dessa corte, haverá 4 ou 5 anos, ficara devendo a V. Mag de que Deus guarde, somas de dinheiro, e que como ele é homem que diziam possuía grandes riquezas, podia pagar. Porém, que era necessário haver papéis que justificassem claramente a dívida para que, fazendo-lhe uma demanda, o podiam obrigar pela lei e não de outra sorte porque se ausentaria, e que seus fiadores vieram juntamente com ele, que são seu pai, tio e irmão, os quais suposto têm mudado os nomes, não importa para o caso.- Academia das Ciências de Lisboa, Série Vermelha, cod. 90, fl. 19.
6-Sobre este assunto são elucidativos os depoimentos de José Rodrigues Mendes, aliás, Moisés Mendes Pereira (ANTT, inq. Coimbra, pº 4939) e Francisco Ferreira Sanches Isidro (ANTT, inq. Lisboa, pº4727). Este disse nomeadamente: - A qual sinagoga (Bevis Marks) sustenta a muitas pessoas professores da dita lei, que são pobres, das muitas e copiosas esmolas que todos os dias lhe estão dando os que são ricos. E ouviu dizer que só o Vila Real dera de esmola 80 mil cruzados.
7-A vida aventurosa de Catarina da Costa deu origem a um romance publicado em 1934 por: LANDA, M. J. – Kitty Villa Real, the da Costas and Samson Gideon, Transactions of Jewish Historical Society of England, 13.
8-Na elaboração deste trabalho várias informações foram fornecidas pela Drª Carla Vieira, da Cátedra de Estudos Sefarditas, a quem agradecemos.

Por António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

Elementos da junta de Abambres condenados devolver 14 mil euros

Foram condenados, mas com a execução das penas suspensa, três antigos elementos do executivo da junta de freguesia de Abambres, no concelho de Mirandela, entre os quais está o antigo presidente, pelos crimes de abuso de poder e de violação das regras orçamentais.
Na passada sexta-feira, o tribunal de Bragança decidiu absolver os arguidos dos crimes de peculato e participação económica em negócio, mas vão ter de indemnizar a junta de freguesia em cerca de 14 mil euros.

Três antigos membros da junta de freguesia de Abambres, em Mirandela, condenados a 13 meses de prisão, mas com a execução das penas suspensa. Vão ter de indemnizar a junta, em cerca de 14 mil euros.

Informação CIR (Rádio Terra Quente)

Roubos de produtos agrícolas e apícolas

Hoje encontrar quem queira trabalhar um dia sequer quase não se encontra. Algumas pessoas da rédea larga que até têm terras e podiam colher os mimos da horta já não o fazem. Está a tornar-se prática vigiar quem tem a sua horta ou campo semeado e quando se retiram, os amigos do alheio, em horas mortas ou pela calada da noute, assaltam, escocham, cortam e arrancam.

Mas, o que é mais escandaloso, não se contentam em colher para eles, roubam para presentear amigas ou amigos e, sobretudo, para vender. Quem vende azeitona e não tem oliveiras é certo que é roubada. Quem vende tomates ou grelos sem os cultivar é porque os foi roubar. Com uma boneca ou outra da política a incentivar para que se roubem as poupanças, é mais fácil perder a vergonha. Isto vai chegar longe.

Essa gente amiga do alheio e que está na política não fala em trabalhar mas em roubar, a quem poupa uns tostões ao longo da vida. Um dia um proprietário enche-se e defende o que é seu. Depois chamam-lhe criminoso. Haverá maiores criminosos do que quem aveluda as leis para proteger os criminosos de colarinho branco? Muitos que estão nas cadeias deviam ser reconhecidos por defenderem o que é seu. Criminosos poderão ser alguns dos que tecem as teias da lei, com malha larga para quem é rico ou poderoso.

Em meu pouco entender, os criminosos deviam ser privados, temporariamente, das pensões que todos nós lhe pagamos. Ir para o «hotel recluso» uns dias, com cama e mesa, até pode dar para afinarem o expediente ou «tirarem um curso» mais sofisticado.

Jorge Lage
in:atelier.arteazul.net

4ª Caminhada da Diabetes em Mirandela

Para lá da conquista do titulo mundial de Pankration por Susana Novo os atletas da Associação Mirandelense de Artes Orientais que também representaram a selecção trouxeram duas medalhas de prata e outras tantas de bronze.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

(António Gedeão)

Natal ou natal?

Se nos referirmos à comemoração do nascimento de Jesus Cristo, teremos de escrever Natal, pois a letra maiúscula inicial é usada "nos nomes que designam festas ou festividades". 
Exemplo: Bom Natal!
No entanto, se usarmos a palavra como adjetivo, é obrigatória a minúscula. Exemplos: terra natal; país natal.
Pai Natal ou pai natal?
Devemos escrever Pai Natal, pois a maiúscula deve ser usada "nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos”.
Nestes casos, o Acordo Ortográfico 90 (AO90) nada altera, mantendo o que as regras de 1945 determinavam.
Pois, o eterno bom e mau Português, escrito e o malfadado Acordo Ortográfico, seja ele de que ano for…
Mas há mais!
Referindo o Natal como festa cristã, de cristã, pouco ou nada tem ou então eu como cristão não praticante se calhar vejo as coisas de forma errada, pois não tenho jeito para “beata” e muito menos para bater no peito, ou para evocar o nome de Deus, Cristo, por dá cá aquela palha… Há quem o faça, mas cada qual sabe o porquê… Pena é que depois não faça da sua vida o que evoca em terreno “sagrado” ou “cristão”…Neste mundo economicista, vive-se o Natal, durante mais de um mês, sem ter muito bem a certeza da data em que Cristo nasceu, celebrando um dia 25 de Dezembro, como se essa fosse a real data de tal suposto acontecimento. Se fosse nesta altura, certamente seria amplamente celebrado no Facebook, Twitter, Instagram, ou outra qualquer rede social… Espera… Mas porque razão?? Ah, sim, nosso Salvador… Pena é que há por cá quem insista em não nos salvar, fazendo as coisas em prol de minorias ou de interesses econômicos, ou de interesses particulares, ou então eu estou muito errado… Mas errar é humano e como humano que sou, também erro! Certo é que há mais quem erre e quem nunca errou (pecou) que atire a primeira pedra, tal como disse Jesus no Evangelho de João…
Por isso se erra em certas e determinadas situações, das quais apenas se pode chamar a atenção, para que se evitem esses mesmos erros…
Na cidade de Bragança, tal como todos os anos, o Município, engalana a cidade com iluminação Natalícia, nas suas principais artérias, promove eventos variados, nas principais artérias e praças, esquecendo-se do seu Ex-Libris da cidade, o Castelo, majestoso e altaneiro, local do nascimento desta bela cidade, há mais de 800 anos no lugar de Benquerença, reconstruída e erigida por Fernão Mendes… Que lutou para que a cidade prosperasse, tal como eventualmente todos os que lhe sucederam, segundo reza a história…
Então eu questiono, porque apesar dos meus quase 50 anos de existência, não me recordo de que o Castelo seja engalanado, como o resto da cidade?? Porque permitiram que tradições no seu interior se tenham perdido, tal como a fogueira, tal como outras comemorações durante o ano??
Dirão vocês, que o Castelo este ano está iluminado… sim está, timidamente, comparativamente ao resto da Cidade!
Deveria estar totalmente iluminado nas suas muralhas, nas suas torres, deveria ser feita uma aldeia Natal, por exemplo, nem que fosse, com uma feira de Artesanato, com artesões locais e não só, aberta a todos os que queiram promover os seus produtos, com um belo presépio, e até com um presépio vivo em certas horas!
Mas não, é preciso é que tudo esteja atafulhado no centro da cidade, numa praça que foi descaracterizada e que se teima em converter em palco de eventos para que se possa esquecer qual a sua anterior função durante quase um século!
Iluminou-se a Sé, mas mantêm-se os relógios sem qualquer iluminação nem que fosse à luz da vela, iluminaram-se os centros das rotundas, construídos nos últimos anos, iluminou-se o Mercado Municipal, iluminaram-se as ruas principais, com a sua música muitas vezes sem se saber muito bem a que época se reporta, pois ao Natal não é certamente, e o Castelo, imponente e principal monumento desta cidade, teve direito a uns metros de luzes no topo das ameias da sua Torre de Menagem, como que a tentar dar um chupa-chupa a uma criança para que não chore mais…
O Castelo e a Vila, merecem mais, merece o respeito do Município, dos cidadãos, desta bela cidade, de quem nos visita, não só no Natal, mas também no resto do Ano! O Centro da cidade merecem que a iluminação e animação, por lá decorra?? Merecem sim, tal como todos os bairros periféricos, tal como toda a cidade, mas também o Castelo, a Vila, merecem, pois todos nascemos dali, pelo menos uma grande parte! Somos filhos de Benquerença e esse local merece todo o nosso respeito e carinho a cada dia que passa!
Natal é todos os dias, é quando um homem quiser, já dizia a canção… Vamos fazer o Natal todos os dias…



Crónica do Corneteiro do BC3 // Por Fernando Aragão

Exposição “L Natal antre Letras” na Casa da Cultura de Miranda do Douro

De 5 de dezembro de 2016 a 2 de janeiro de 2017, está patente ao público na Casa da Cultura de Miranda do Douro, a Exposição “L Natal antre letras”.
Esta é uma mostra de literatura mirandesa, onde pode encontra as mais diversas obras de escritores/autores da segunda língua oficial de Portugal.

Nesta época natalícia “un bun lhibro ye un bun amigo”, até dia 2 de janeiro na Casa da Cultura Mirandesa.

Estreia em Freixo de Espada à Cinta dia 9 de Dezembro, sexta-feira


Berta Nunes anuncia projetos futuros da autarquia de Alfândega da Fé

O Plano e Orçamento para o ano de 2016 da Câmara Municipal de Alfândega da Fé vai ser enviado à à Assembleia Municipal no dia 10 de Dezembro para discussão. Segundo Berta Nunes, presidente do município, este ano o orçamento ascende a 8 milhões de euros, cerca de mais 1 milhão que no ano que agora termina.
“Temos um orçamento de cerca de 8 milhões de euros, sensivelmente mais 1 milhão que no ano anterior, e isso significa que finalmente estamos a iniciar a execução do quadro comunitário 2014/2020 que esteve parado durante dois anos”, refere a presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé num comunicado enviado à comunicação social.

A autarca salienta que durante o ano de 2017 deverá ser iniciado o plano de reabilitação urbana da vila, um projeto que já foi aprovado e cujo valor poderá ascender a 600 mil euros. “Prevemos no início do próximo ano reiniciar a reabilitação urbana da vila, candidatura já aprovada, no valor de cerca de 600 mil euros, e que irá continuar no espaço público a intervenção já realizada na zona da Torre do relógio, desta vez, até ao centro da vila. Na candidatura da reabilitação urbana está incluída, numa segunda fase, a iniciar até final de 2017, a reabilitação da casa do arcebispo José de Moura, junto ao Adro da igreja, que será transformada num espaço público, onde existirá uma sala de exposição do património religioso e outra dedicada ao mestre José Rodrigues”, refere Berta Nunes.

Segundo a autarca já foi também aprovado em reunião de câmara a aquisição do Lagar D’El Rei, um espaço já candidatado no Programa “Provere” que permitirá a recuperação do edifício. Uma outra candidatura prevê ainda a requalificação do espaço junto ao centro de saúde, como base de acolhimento dos GIPs e melhoria do heliporto com licenciamento do mesmo.

A nível escolar a autarca salienta os investimentos que vão ser feitos nas estruturas de ensino do concelho. “Ainda este ano iremos submeter a candidatura para requalificação da escola EB2, cuja intervenção ascenderá a 1 milhão de euros”.

Projeto já candidato foi o da “melhoria do fornecimento de água às aldeias da Ferradosa, Gouveia, Picões, Cabreira e Vilarelhos”, estando neste momento a autarquia a aguardar a aprovação deste projeto que considera de fundamental para a resolução definitiva do “problema da qualidade do abastecimento de água a estas aldeias, que têm vários problemas, há décadas, com a água actual proveniente de furos”, sublinha Berta Nunes. 

Uma pré - candidatura para requalificação da zona industrial e construção de uma incubadora de empresas, assim como a valorização da zona junto à albufeira do Sabor em parceria com a confraria do Santo Antão, que prevê a a construção de uma praia fluvial e um pequeno ancoradouro, são ainda intenções da autarquia de Alfândega para o ano de 2017.

O investimento no turismo é também uma das prioridades do plano de ação autárquico do concelho  para o ano de 2017. “Continuamos a considerar o turismo como uma das potencialidades a desenvolver e neste sentido iremos requalificar o espaço público da aldeia de Felgueiras, onde empresários privados estão a investir mais de 1 milhão de euros em vários projetos turísticos singulares e fortemente atrativos”.

Segundo Berta Nunes, estas candidaturas, cuja execução está prevista para os anos de 2017 e 2018, pretendem abrir “um novo ciclo de investimento, com o aproveitamento dos fundos comunitários, para o qual a autarquia está melhor preparada, tendo já estabilizado a situação financeira; pagamos a tempo e horas, não temos pagamentos em atraso e estamos a reduzir a dívida gradualmente de acordo com o previsto no Plano de Ajustamento Municipal”, diz a autarca. “De acordo com o anuário financeiro das autarquias fomos a 5ª melhor autarquia do distrito em termos de gestão financeira em 2015 e em 2016 ainda estaremos melhor”, salienta.

in:noticiasdonordeste.pt

A vida, obra e pensamento de Monsenhor José de Castro