terça-feira, 21 de novembro de 2017

OS PROFESSORES SÓ PRECISAM DE RESPEITO

Tempos houve em que havia professores com estatuto de escravos, naturalmente numa condição diferente da escravatura pura e dura dos serviçais ou dos remadores das galés romanas.
Desempenhavam função fundamental nalgumas famílias da velha Grécia, preparando futuros cidadãos para o exercício das actividades na Polis, onde se atingiram patamares civilizacionais, inspiradores do melhor que se vai realizando hoje, num tempo de inesperadas inquietações e perplexidades.
Também preparavam caminho para voos mais altos, em escolas lideradas por vultos da cultura, da filosofia, da sabedoria. Ainda celebramos a memória da Academia de Platão ou do Liceu, de Aristóteles.
Aí se desenvolveu o modelo da função do professor: um pensador dedicado à observação racionalmente conduzida do mundo e do homem, à visão prospectiva de devir, partilhada com os discípulos, que levariam o testemunho até ao futuro.
Nobre e empolgante tarefa era essa, que os fundadores das modernas democracias quiseram proporcionar a todos, dando corpo à esperança de que a dignidade, a elevação moral, o sentido ético e a inteligência haveriam de ser os esteios da humanidade. Assim se lançaram sistemas educativos, assumindo responsabilidades históricas de quem encarava o poder político como um verdadeiro amor ao próximo.
Mas, quando se esperava que a ignorância, a boçalidade selvática e o imediatismo predador já fossem só dolorosas memórias, eis que se renovam ameaças de não deixar pedra sobre pedra.
O ataque terá sucesso garantido se lograr desferir golpes certeiros sobre os principais defensores, desgastados, trémulos de desgosto e desilusão, exaustos por tanto esforço inglório, os professores, esses mesmo, que têm visto sonhos de dignidade transformar-se em pesadelos que lhes secam até a vontade de levar o barco a porto de abrigo, enquanto os ventos não serenam.
Apesar da percepção quotidiana das turbas distraídas, o que levou algumas vezes os professores para a rua não foram questões de salário, de reivindicação de retroactivos, de progressão «à balda» numa carreira desvirtuada por decisões espúrias de eleitoralismo insano, que contribuíram para o descalabro financeiro do sector educativo e do país em geral.
O que os leva a desfilar pelas avenidas da Lisboa do novo riquismo bacoco, provinciano e ridículo é a falta de respeito por quem tem dado contributos inestimáveis para que o país ainda não tenha mergulhado no caos.
No futuro se verá o resultado, talvez triste, senão trágico da festarola tonta da ridicularização dos professores, iniciada há uma década por um governo liderado por novíssimo tartufo, que há-de ser mote de universal chacota nos próximos séculos.
O prestígio da escola é indissociável da dignificação dos professores, da sua autonomia como promotores do saber, da sua condição de referências para as gerações que acompanham. Fazendo deles burocratas mal pagos, que se limitam a dar legitimidade formal à passagem pelo sistema educativo, não se pode esperar que o país vá além da famosa modorra entediante, que tem alimentado a crónica satírica e nos deixa a todos com um sorriso amarelo.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

Prisioneiros do regimento de infantaria nº 10, de Bragança, na Grande Guerra

Capitães – Augusto Adriano Pires, António José Teixeira e Luís Emílio Ramires.
Tenentes – Adelino Delduque da Costa, António Augusto de Carvalho, Jaime Augusto Teles Grilo, Luís César Rodrigues e José Manuel Chiote.
Médicos – Manuel Joaquim Lourinho e Uriel João de Sousa Salvador.
Alferes – Alípio Augusto, Alberto Prior Coutinho, Armindo Pinto Martins, Artur de Brito Figueiroa, Felismino da Fonseca Araújo, Honorato Gomes Pereira, José Joaquim de Castro Meireles, José Maria Lopes, José da Conceição Neves Martins, Luís Augusto Soares de Sousa Sanches e Norberto de Figueiredo Salgueiro.
Sargentos – José Manuel Fernandes (faleceu), António Augusto Gonçalves, Manuel do Nascimento Garcia Buiça (faleceu), Gualdino Albano Fernandes, Rufino dos Santos Afonso, Magno Augusto de Barros, José Luís Rodrigues (de Coelhoso), António Augusto, Amadeu Carlos Bornes, Nicolau Tolentino Mendes (da Saldanha), Adolfo Augusto, Mário da Assunção de Barros, Delfim da Purificação Furriel, Eusébio António, José Joaquim Machado, José da Assunção Esteves e José Caetano Mota.

Mencionamos mais os seguintes prisioneiros, que, embora não pertencentes à guarnição de Bragança, são contudo naturais deste distrito:

Coronel Diocleciano Augusto Martins.
Capitão Teófilo Maurício Constantino Morais.
Tenentes – Aníbal Taninho e Casimiro da Glória Gonçalves.
Alferes – Augusto José Machado, Guilherme Augusto, Constantino Augusto Tavares, Lino Augusto Leão Teixeira, Hermínio da Assunção Castro e Jaime Augusto dos Santos Borges.

Oficiais, sargentos e soldados louvados
Capitães – Augusto Adriano Pires, um louvor, e António José Teixeira, quatro.
Tenentes – Adelino Delduque da Costa, um louvor; Artur Meireles Ramos Tarane, idem, e António Augusto Martins da Silva, médico, idem.
Alferes – Abílio dos Reis Morais, dois louvores; Alípio Augusto, um dito; Alberto Prior Coutinho, dois; Norberto Amâncio Alves, um; José Joaquim Coelho, três, e Abel Augusto Estima Júnior, um.
Sargentos – Francisco Exposto e Abílio José Tavares, um louvor; e o soldado João Narciso de Figueiredo.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Espanhóis despejam para o Douro esgotos sem "tratamento"

A falta de cuidados no tratamento de efluentes por parte de Espanha torna a qualidade da água do rio Douro "fraca", afirmou o presidente da Câmara de Miranda do Douro.
O presidente da Câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, alertou para a "fraca" qualidade da água do rio Douro no seu troço internacional, devido ao "pouco cuidado" que os vizinhos espanhóis têm no tratamento de efluentes.

"Espanha tem aldeias ribeirinhas do Douro que não fazem o devido tratamento de esgotos, que são vertidos diretamente para o caudal do rio, que em tempo de seca é mais reduzido, o que se torna preocupante ", especificou o autarca trasmontano.

O também vice-presidente da Associação de Municípios Ribeirinhos do Douro disse que o controlo da qualidade da água é feito regularmente por entidades públicas, como é caso da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e tem-se verificado "alguma contaminação" da água do rio Douro.

"A fraca qualidade da água chama ao rio insetos indesejáveis, ou outras preocupações ambientais, como é caso de alguma poluição da água que é utilizada para o abastecimento público, o que poderá ser preocupante neste período de seca ", frisou.

Para o autarca, há quantidade de água no Douro Internacional suficiente, mas a qualidade "é sempre discutível, já que há informação que não chega aos municípios".

"Ao procedermos à captação de água no rio Douro, tem de apostar no seu tratamento para se abastecer as populações com água de qualidade e com um preço em conta para os consumidores", frisou.

O rio Douro entra em Portugal através da aldeia de Paradela, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, e prolonga-se ao longo de mais de 120 quilómetros de extensão, atravessando os concelhos fronteiriços de Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo.

Agência Lusa

ÁGUA MOLE... O MEU JARDIM (2)

Não me tendo sido possível concluir a última crónica dentro do limite dos três mil e quinhentos carateres da norma, peço ao vereador a quem me dirigi um pouco mais paciência de modo a poder acrescentar alguns itens ao que lá propus.
Entendo que a autarquia veja vantagens em contratar empresas privadas tendo em conta que, nos tempos que correm, sempre é melhor entregar as coisas a profissionais. A chatice é que, lamentavelmente, no meio destes há muitos amadores. Se o fossem no sentido original do termo, que aponta no fundo para a ideia de amar, cuidar, zelar, acarinhar, seria ótimo, tal como o seria a utopia de ver um país inteiro entregue a esta classe de pessoas. Mas em muito do que tenho visto por aí trata-se de amadorismo na aceção mais vulgar, isto é, de inépcia, desleixo, falta de zelo, estar-se-nas-tintas que por vezes, para piorar a coisa, se misturam com estupidez.
Deixe-me só concretizar com alguns exemplos. Na braguinha, de que já falei, tenho reparado que em todas as primaveras se replantam os exemplares que por alguma razão não vingaram, o que é excelente. Entretanto, sempre que aparam o relvado passam também com motorroçadoras para cortar as ervas que crescem junto ao tronco das árvores, onde os corta-relvas não chegam. Acontece que, como esse trabalho é geralmente feito de forma descuidada, o fio daquelas máquinas (que como sabe roda a alta velocidade) desfaz-lhes a casca no fundo, a toda a volta, de forma que quem devia cuidar delas as assassina sem apelo, sobretudo as mais jovens. Entretanto, e sem que ninguém pareça dar-se conta daquele pormenor, voltam a ser replantadas, como disse, repetindo-se o processo ciclicamente pelo menos há uma boa dúzia de anos.
Um dia dei-me ao trabalho de descer e tentar explicar o processo, in loco, a uma senhora engenheira que supervisionava. Olhou para mim como olharia para um homúnculo verde com antenas, tendo eu tido o agudo pressentimento de que a técnica dizia para os seus botões: “E este cromo agora!?… De onde é que me saiu!?...” Nisto, como em tudo, ou se fazem as coisas por gosto, existem princípios, fios condutores, finalidades que nos orientam, ou então anda-se à deriva e tudo é possível. Se não, faça o favor de me dizer: qual é a lógica, por exemplo, de arrancar agreiras já com uns anitos de idade para, exatamente no mesmo sítio, plantar outras agreiras? Pois garanto-lhe que isso já aconteceu no dito jardim. Ou então, de se fazerem podas apenas porque se está no tempo delas e há que cortar qualquer coisa, apesar de os cortes serem mais do que discutíveis? Pela minha parte, enviei várias vezes estas e outras questões para um endereço de correio eletrónico onde parece que os munícipes podem dar opiniões, colocar dúvidas, fazer sugestões. Mas como nunca obtive resposta repito aqui algumas, não leve a mal.
Sei bem que existem pessoas para quem tudo isto são bagatelas, pantominas, coisas de quem tem pouco com que se preocupar. Mas não. Com efeito, a maneira como lidamos com as partes espelha a nossa postura perante o todo, se é que tal separação é sequer pertinente: os pequenos descuidos, incompetências e erros revelam como cada um se posiciona na vida e no final, somados, fazem com que na globalidade esta venha a ser de facto descuidada, incompetente, errática. 
Está ciente, sem dúvida, de que nos últimos anos as tradicionais estações do ano estão desreguladas, que quando o outono já vai avançado temos temperaturas de verão, que quase não há invernos, que a chuva se faz mais rara, que as ondas de calor aumentam de frequência, que os fogos passaram a ser calamitosos. Pois as perturbações climáticas, e é afinal disso que se trata, resultam de pequenos gestos banais e rotineiros, de rituais quotidianos e inconscientes nascidos da nossa relação desajustada com o meio ambiente e que, multiplicados por vários milhares de milhões, acabaram por redundar numa realidade para lá de preocupante.
Talvez já ontem fosse tarde para acordarmos. Mas ainda assim gostaria de concluir fazendo votos para que os espaços verdes, sem deixarem de ser símbolo do que sempre foram, carreguem agora uma nova simbologia, a da união entre o carinho pelo que é nosso e o respeito pela biosfera em geral. O futuro, a sobrevivência, podem depender disso.



Eduardo Pires
in:jornalnordeste.com

MANTEIGA DE TRAVANCA

Reina grossa tormenta no território gaulês. A falta de manteiga é a causa, o seu preço triplicou, quase desapareceu nas prateleiras dos supermercados, a escassez provoca dores de cabeça e azia nos estômagos dos cozinheiros e pasteleiros, pis a gordura láctea é fundamental nos restaurantes e pastelarias, assim como nos lares dos franceses.
Ao contrário dos países sulistas afeiçoados ao azeite, a cozinha gala atingiu a qualificação de alta cozinha escudada na gordura amarelo-dourada, o mesmo acontece no tocante à sua prestigiada pastelaria. A privação de manteiga já obrigou o governo a discutir as causas e as formas de atenuar o jejum também extensível a outro símbolo do requinte culinário da Nação que conseguiu criar um nacionalismo gastronómico, mantê-lo e irradia-lo para todo o Mundo pelo menos desde a Revolução Francesa. A sublevação que acabou com o Antigo Regime é a causa da afirmação do conceito de Restaurante tal como o conhecemos.
Em face da penúria de manteiga lembrei-me da outrora apreciada pelos burgueses de Bragança da manteiga de Travanca (Vinhais) chegada à mesa dos bragançanos em biquinhas. Eu não sei as vacas criadas na aldeia postada aos pés da serra da Coroa detinham carnes tão qualificadas como as de Kobe, Hida-gyu ou Matsuzaka, as quais atingem preços altíssimos por serem tenras, tanto a tenra carne de porco, desfaz-se n boca e é excelente para a elaboração do sushi e o carpaccio especialidades servidas cruas.
Eu não sei quão grato seria ao palato deliciar-se a comer um troço de vitela mamona de Travanca apenas temperado com uns grãos de sal e poisado por breves momentos em brasas vivas quanto baste, mas sei do bom nome da manteiga proveniente das ditas cujas vacas.
Discutir a razão de ter sido interrompida (digo interrompida) a produção de manteiga naquelas paragens de lameiros verdejantes não adianta, nem atrasa, saber que são necessários 22 quilos de leite para se obter um quilo de manteiga é um pormenor técnico (e económico), interessa-me acicatar a minha amiga Carla Alves, de modo a pensar na possibilidade de reatar-se a produção da cobiçada e macia gordura transformando-a noutra marca marcante do terrunho vinhaense, a pardos enchidos e do presunto.
Reclamo a atenção de Carla Alves na justa medida de desde há longos anos, principiou numa noite friorenta em Montalegre durante a Feira do Fumeiro a que estava ligado, ter acompanhado o seu entusiástico labor na requalificação das carnes fumadas produzidas no concelho de modo a constituírem (já assim acontece) um pomo de concórdia entre as aldeias independentemente da sua diversidade, prevalecendo a unidade nos propósitos de aprimoramento dos chouriços agres e doces, das chouriças, dos palaios, dos salpicões e presuntos provindos dos porcos e porcas criados ao longo dos meses.
Sim, existem rivalidades no tocante a gosto, é natural, sim existem interesses e interesseiros, já diziam os almocreves – onde há lúcaros, não há esccrúpa-los –, embora tenham de ser escrupulosamente salvaguardados, por assim ser o papel determinante das Autarquias, no caso em apreço – manteiga de Travanca – a Câmara de Vinhais.
Há tempos estanciei em Santander, a cidade do Banco da família Botin, no Hotel do temporário alojamento, ao pequeno-almoço aparecia a manteiga em biquinhas de barro vidrado, a memória avivou-me o terrunho onde frui a felicidade, a lembrança acirrou-se no barrar a deleitosa manteiga em torradas de centeio.
Os orçamentistas peritos no cálculo dos prejuízos dos toques e amolgadelas nos automóveis também farão o mesmo se lerem este artigo, só que a revalidação da marca Manteiga de Travanca seria (será) um ousado acto publicitário capaz de ser acarinhado no Comité das Regiões da União Europeia, a exemplo de outros no passado. Lembro, um pão de Feira produzido na Croácia foi considerado património da Humanidade pela UNESCO, a par das pimentas do México e da culinária dos agora carentes de manteiga.
Nós temos sido preguiçosos na competente defesa dos nossos produtos, gostamos de copiar, estudar e inovar dá imenso trabalho, porém se queremos conservar a nossa identidade é imperioso apressar-nos a preservar a Herança cultural ainda incólume às apropriações globais, à voracidade das tecnologias de ponta e registo de inventivas transmutações escoradas nas nossas ancestralidades.
A mundialização está na ordem do dia, o incremento do turismo também tem duas faces, por vezes esquecemo-nos, os desafios tocam todos, os atrasados mais atrasados ficam, repare-se no fenomenal progresso português na área da medicina, pense-se em cientistas do calibre de Maria de Sousa, não esqueçamos o facto de Ronaldo ser quem é no estrelato do futebol devido a exaustivo trabalho de treino. O anexim exalta – querer é poder – dá-se o facto de querermos pouco. Espero nova e mandados de Carla Alves. A antiquíssima Póvoa Rica merece aproveitarmos o ser Rica, pelo menos de nome!



Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - DIOGO HENRIQUES CARDOSO (PORTO, 1582 – ANVERS 1641)

Domingos Henriques, mercador e rendeiro de Torre de Moncorvo, foi casar ao Porto com Isabel Cardoso Baeça (1) e tiveram 3 filhas e 2 filhos, um deles batizado com o nome de Diogo Henriques Cardoso, que nasceu por 1582.
Em Julho de 1604, Diogo embarcou na caravela Nª Sª da Boa Viagem para o Brasil, com o objetivo principal de negociar açúcar, um dos produtos que então animavam a economia europeia. Por 11 anos ali permaneceu, na região de Pernambuco, regressando ao Porto em Julho de 1615, na nau Nª Sª da Ajuda. Com ele, no Brasil, fez “estágio profissional” o seu irmão António Henriques Cardoso.
Chegou ao Porto doente e a doença agravar-se-ia no ano seguinte, a ponto que, durante 4 meses “esteve de cama sem se levantar, sangrando muitas vezes, sacramentado e ungido e já em artigo de morte, desconfiado dos médicos”. Curou-se por milagre – diria ele – milagre feito por uma toalha de Jesus que lhe trouxeram do mosteiro de S. Domingos, a seu pedido, feito com muita “devoção e fé”.
Antes, porém, soube que a irmã Branca Cardoso estava de casamento contratado com um Pero Henriques, de Viana do Castelo. Para acertar os pormenores dirigiu-se àquela cidade do Minho, acompanhado de Gaspar Cardoso de Pena, (2) seu cunhado, marido da irmã Beatriz Henriques. Aí, Pero Henriques apresentou-lhe a irmã Filipa da Costa e propôs que Diogo casasse com ela. Este recusou e Pero Henriques rompeu o acordo de casamento com Branca. Esta viria depois a casar com Álvaro Vaz Nogueira, mercador no Porto, avô materno de sua futura mulher.
E não era apenas o casamento de sua irmã Branca que esperava o regresso de Diogo do Brasil. Também a outra irmã, Catarina Cardoso, estava de casamento contratado com João Luís Gomes, mercador, emigrado em Sevilha. (3) E coube a Diogo levar a irmã para ser “recebida” pelo marido. Demorou-se nesta diligência uns dois meses, regressando em Janeiro de 1618.
Neste mesmo ano, Diogo Henriques viu-se metido em um terceiro contrato nupcial, desta vez em Torre de Moncorvo, onde ele próprio foi casar com Catarina Henriques, filha de Vasco Pires Isidro, um grande mercador com trato e casa comercial repartida entre a Torre de Moncorvo, o Porto e Madrid. (4)
O casal fixou residência no Porto (5) e, em setembro desse mesmo ano, estando casados há 4 meses, Diogo Henriques foi preso pela inquisição de Coimbra. No seu processo não consta o mandato de prisão, mas uma nota dizendo: (6)
- Este réu foi preso por uma lista geral, como consta de uma certidão (…) acostada ao processo de Miguel Pais, de Coimbra.
Imagine-se: o trabalho dos escrivães da inquisição era tanto que nem transcreviam o mandado de prisão para o processo! E nem sequer algumas culpas, conforme o registo seguinte:
- As testemunhas abaixo nomeadas disseram deste réu (…) e não se trasladaram aqui: Filipa da Costa, Pantaleão da Silva, João de Leão e Lourenço Gomes.
Mais ainda, uma terceira prova de que as prisões inquisitoriais se encontravam atulhadas: Diogo foi metido numa cela em companhia de Manuel Rodrigues Isidro, tio de sua mulher, assim contrariando todas as regras do regimento da inquisição.
Um companheiro de cela foi “bufar” aos inquisidores a familiaridade e as conversas deles, pelo que logo os separaram e “despacharam” Diogo Henriques Cardoso para a inquisição de Lisboa onde começou por negar todas as acusações de judaísmo e tentar provar que era muito bom cristão, posição que manteve durante quase 3 anos. Para isso apresentou uma infinidade de contraditas, as quais constituem um colorido retrato da sociedade mercantil do Porto naquela época. Vejamos apenas uma delas, referente ao médico Lopo Dias da Cunha e seus filhos.
Estes tinham arrendado o contrato dos 3%, ou seja o imposto pago pelas mercadorias transportadas nos barcos que atracassem no Porto. Era uma fantástica fonte de receita, pagando eles 9 contos e 600 mil réis cada ano, com um lucro estimado de 6 contos/ano. Preterido no negócio e considerando-se “homem muito poderoso”, Diogo Henriques formou uma companhia com dois sócios e arrendou contrato semelhante no porto de Vila do Conde, para onde fazia desviar muitos barcos que, de outro modo, aportariam em Matosinhos. Obviamente que isso provocou inimizades com Lopo da Cunha, filhos e outros familiares, os quais, vendo-se presos na inquisição, o denunciariam por ódio e não por amor à verdade.
Claro que não era fácil enganar a “justiça divina” e, ao fim de quase 3 anos, Diogo Henriques acabou por confessar que fora judeu e estava arrependido, pedindo misericórdia. Contou que fora catequizado uns 14 anos atrás, no Brasil, por um Pero Henriques, irmão de seu pai. De seguida denunciou umas 50 pessoas que com ele se tinham declarado seguidores da lei de Moisés e feito cerimónias judaicas. Vejamos apenas uma dessas denúncias:
Disse que, haverá 6 anos e meio, em casa de Francisco de Cáceres se juntaram com eles António da Fonseca, Marco de Góis de Morais, Simão Rodrigues Lima, Fernão Gomes Mendes, Gaspar Mendes, Rodrigo Fróis e Rodrigo Fernandes “para fazerem uma companhia para assegurarem mercadorias para o Brasil e assentando-a, disse um deles que se ganhassem se desse no fim do ano 10% para o casamento de uma órfã da nação (…) e que esta fosse mulher que tivesse conhecimento de Deus, querendo dizer que fosse judia (…) pois a Misericórdia não entendia com elas, nem lhe dava nada”.
Impressionante esta iniciativa de mercadores portuenses: criar uma companhia de comércio e destinar 10% dos lucros para financiar o casamento de uma rapariga pobre, órfã, reconhecida pela sua crença judaica! Cruel para a Misericórdia do Porto a justificação! A iniciativa não resultou porque a companhia não deu lucros e se desfez ao cabo de um ano, com a vaga de prisões lançada pela inquisição.
Resta dizer que Diogo Henriques Cardoso foi penitenciado no auto de fé de 8.11.1621, contando 39 anos. Terá regressado ao Porto, certamente menos “poderoso” mas com indómita vontade de viver e trabalhar. E sentindo-se socialmente enxovalhado, obrigado a vestir o malfadado sambenito, pôs-se em fuga para a França. Vamos encontrá-lo a viver na cidade de Ruão em 1633, na lista de 36 mercadores denunciados às autoridades pelo padre Cisneros como judeus e residentes ilegais, juntamente com o seu cunhado, irmão de sua mulher, Francisco Lopes. Veja-se como ele foi apresentado por Cecil Roth:
- Diogo Henriques Cardoso était un marchand de haut rang dont les affaires furent considérables dans le commerce de Rouen à cette époque. (7)
Não vamos falar do processo desencadeado por Cisneros e que subiu às mais altas instâncias de França. Diremos tão só que Diogo Henriques abandonou a cidade e foi para a Flandres, estabelecendo-se em Anvers. Mas não deixaria de negociar açúcares em França, a partir de Ruão, açúcares enviados do Porto por seu tio André Rodrigues Isidro e outros mercadores Portuenses, que os recebiam do Brasil. Prova disso é a denúncia feita por Simão Lopes Manuel, um “traidor” de Ruão, comparsa de Cisneros, que em 26.11.1637 se apresentou na inquisição de Coimbra, dizendo:
- Ora veio a sua notícia que na cidade do Porto se estava carregando um navio para fazer viagem em direitura para a dita cidade de Ruão e que tem por certo ele denunciante que toda a fazenda que for no dito navio é para alguma das ditas pessoas acima nomeadas, que no Porto lhe carregam seus correspondentes, os quais são Manuel Fernandes de Morais, preso que foi nesta inquisição e reconciliado; André Rodrigues Isidro, cristão-novo e poderá também ser…
Era a “rede familiar de negócios” em pleno funcionamento. E certamente haveria de continuar depois da morte de Diogo Henriques Cardoso, acontecia em 1641, segundo informação de Cecil Roth.

Notas e Bibliografia:
1-Ambos foram prisioneiros da inquisição: ANTT, inq. Coimbra, pº 8658 e 4374, de Domingos Henriques; pº 2521, de Isabel Cardosa.
2-ANTT, inq. Coimbra, pº 8461, de Gaspar Cardoso de Pena, rendeiro, natural de Vila Franca, termo de Bragança. Sua mulher, Brites Henriques, faleceu em setembro de 1618, quando a inquisição prendeu o marido.
3-Porventura as funções de “chefe de família” eram assumidas por Diogo Cardoso, em razão de seu pai, ter sido antes processado pela inquisição.
4-Por essa altura Vasco Pires Isidro mudou a sua residência para Madrid, onde “tratava em muitos negócios de especiarias e roupas” e “arrecadava os juros de D. Francisca de Aragão e de seus filhos (…) de que lhe faz pagamento nessa Corte” – ANDRADE e GUIMARÃES, Os Isidros a epopeia de uma família de cristãos-novos de Torre de Moncorvo, ed. Lema d´Origem, Porto, 2012.
5-A casa de morada, sita ao Padrão de Belmonte seria propriedade do sogro, Vasco Isidro, e estava alugada a Álvaro Gomes Bravo, que dela foi então despejado, conforme contradita apresentada por Diogo.
6-ANTT, inq. Lisboa, pº 3080, de Diogo Henriques Cardoso.
7-ROTH, Cecil, Les Marranes à Rouen: un chapitre ignore de l´histoire des Juifs de France; ANDRADE e GUIMARÃES, A Traição de Ruão, in: Jornal Terra Quente, nº 212, de 2002-05-15 e 213, de 2002-06-01.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

Novo presidente da CIM aponta união dos municípios e desenho do quadro comunitário como objectivos do seu mandato

O novo presidente da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes promete que vai estar focado “na união dos nove municípios, no desenho do novo quadro comunitários e em lidar com o desafio da descentralização de competências.”
São estas as primeiras linhas orientadores da actuação de Artur Nunes, presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, que foi eleito a semana passada como líder da Conselho Intermunicipal da CIM para os próximos quatro anos.
Questões como o novo papel que as CIM podem assumir perante a descentralização de competências para estas entidades é outra das questões que vai marcar o próximo mandato.
Artur Nunes espera imprimir dinamismo e promover a coesão na Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes.

“Conhecendo a região, penso que poderei dar o meu contributo para que seja um projecto diferente, mais dinâmico e consolidados com o apoio das nove câmara municipais que integram a CIM”, destacou.
Acompanham Artur Nunes as autarcas de Alfândega da Fé, Berta Nunes, e de Mirandela, Júlia Rodrigues, no lugar de vice-presidentes do conselho intermunicipal, composto pelos presidentes das câmaras municipais dos nove concelhos que integram esta CIM: Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.
Falta agora escolher o secretário executivo da CIM, o que deverá acontecer na primeira reunião oficial deste conselho intermunicipal na próxima semana.

Escrito por Brigantia

Empresas do distrito de Bragança preocupadas com o atraso dos fundos comunitários

As estruturas empresariais e comerciais do distrito de Bragança estão preocupadas com o atraso significativo das verbas dos fundos comunitários, que pode colocar em causa a própria sustentabilidade das empresas e associações do sector.
Fizeram chegar estas preocupações aos três deputados eleitos pelo distrito e, na semana passada, o deputado do PSD, José Silvano, confrontou o Ministro da Economia, na Assembleia da república, com este bloqueio do fluxo financeiro dos fundos comunitários que pouco ou nada adiantou sobre o assunto, como revela José Silvano.
Perante isto, José Silvano diz que resta continuar a insistir junto do Governo com outras formas previstas no regimento do Parlamento.
O bloqueio de verbas dos fundos comunitários a preocupar as associações empresariais já que pode vir a colocar em causa a sustentabilidade das empresas e das próprias associações do sector. 

Escrito por Terra Quente (CIR)

O tradicional mercado rural de Vimioso este ano teve lugar em Carção, uma das freguesias do concelho

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

É MUITO TRISTE SER IDOSO…

Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
1º Sargento Mário na sua banca de trabalho no BC3
Quando vivi em Bragança, frequentava cafetaria, que ficava na Praça da Sé, mesmo no centro da cidade.
Após o jantar, vinha tomar cafezinho, e permanecia até às vinte e três horas, a ver televisão, ou a conversar com habituais fregueses do estabelecimento.
Por vezes ficava a cavaquear com o Primeiro-Sargento Mário – homem natural de Vinhais, – que primava pela bondade e vivia em modesta pensão.
Nessas amenas conversas, em que quase todos os temas eram abordados, muitas vezes ouvia-o dizer: “ Ninguém devia ganhar menos que a mensalidade de pensão de terceira.”
E eu logo acrescentava, conhecendo as miseráveis pensões, que se recebia: - “Que nenhum reformado devia auferir menos, que a mensalidade de lar modesto.”
Lembrei-me dessas agradáveis conversas, ao ouvir amiga minha, senhora idosa, que ficando viúva, resolveu recolher-se a lar.
Como estes, para além da mensalidade, exigem “joia”, a senhora vendeu o apartamento, onde vivia, para pagar a entrada.
Decorrido escassos meses, verificou que fora enganada: o tratamento prestado era inferior ao prometido, e a delicadeza do pessoal, não era recomendável.
Aflita, depois de muito matutar, resolveu abandonar a casa de repouso; e com a magra pensão, que deixara o marido, alugou casa.
É o drama da maioria dos idosos que vivem em Portugal, já que as reformas que usufruem, mal paga a estadia de lar modestíssimo.
O drama agudizou-se, nos últimos anos, ao se saber que reformados, de países europeus, com melhores aposentações, procuram passar o fim de vida em Portugal, onde podem levar vida quase principesca, em lares de luxo.
Estando a conversar num clube portuense, sobre a triste situação de alguns idosos, num grupo de amigos, levantou-se uma voz, para dizer que a Igreja poderia ajudar, ganhando. Como?
-” Bem fácil. - Continuou. - Há conventos que se encontram quase vazios. Se os transformassem em lares, recebendo parte das reformas dos utentes, ganhariam por certo, e estavam a ser úteis à sociedade.”
A ideia foi aplaudida, tanto mais, que acrescentou:
-” Cabe ao Estado, a obrigação, de cobrir a mensalidade daqueles cujas pensões sejam diminutas. Ser português e ter vivido em Portugal, devia servir para alguma coisa! …”
Claro que referia-se a residências, onde o idoso não se sentisse prisioneiro: obrigado a dormir com desconhecidos, e onde se passa o dia, diante de aparelho de TV, com manta nas pernas, e as noites, tomando sedativos, para não incomodar…


Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Magusto escolar juntou em tarde de festa os cerca de 240 alunos do Agrupamento de Escolas de Vimioso

Oito equipas e cerca de 140 atletas: Piscinas Municipais de Mirandela foram palco do Campeonato Regional de Natação Absolutos

Cerca de 750 alunos representaram 23 escolas dos concelhos do distrito de Bragança no corta-mato distrital em Mirandela

Seca diminui a produção de azeitona para metade

Produtores previam colheita de excelência, mas a ausência de chuva travou o crescimento dos frutos. 
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"Estimamos que as quebras na produção de azeitona andem na ordem dos 40 a 45 por cento, o que é bastante grave num ano que prevíamos de excelência porque a floração foi muito boa e o vingamento também, mas a seca foi catastrófica", revelou ao CM o olivicultor Francisco Ataíde Pavão, também presidente da Associação de Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro. 
No lagar da Casa de Santo Amaro, em Suçães, Mirandela, juntam-se por esta altura produtores de toda a região. "Talvez tenha menos 40 por cento de azeitona. Estava bem criada até junho, mas a partir daí, deixou de crescer", contou Pedro Alves, que aguarda pela chuva para dar calibre ao fruto. Em situação pior está Maria Vieira. "Este ano apanhei menos metade. Não se desenvolveu", diz.
Apesar de tudo, o rendimento em azeite é superior ao mesmo período do ano passado. "Estamos a ter, em média, entre três a quatro por cento mais azeite, também porque a colheita foi antecipada duas semanas. Muito por causa da seca, a maturação aconteceu mais cedo", explica Francisco Ataíde Pavão.
Deixar a cultura de sequeiro e apostar na rega parece ser o futuro. "Quem já tem, notou a diferença. Urge criar um plano de regadio forte na região para minimizar estes efeitos", conclui. Já em Freixo de Espada à Cinta, único concelho de Bragança onde a azeitona de conserva tem mais relevo que a de azeite, as perdas são igualmente elevadas. "Temos entre 30 a 40 por cento a menos este ano, em olivais com regadio. 
Em sequeiro, as quebras estão perto dos 100 por cento", estima Teófilo Ferreira, da cooperativa agrícola.

Tânia Rei
Correio da Manhã

Há quase 600 freguesias no país sem internet de banda larga

Há quase 600 freguesias no país sem internet de banda larga no telemóvel.
Os chamados pontos cegos concentram-se sobretudo no interior, sendo que Bragança é o concelho mais afetado. Na aldeia de Palácios, ainda é fácil encontrar quem opte mesmo por nem sequer ter telefone móvel.

Monteiros do Norte querem a mancha da Serra de Bornes na rota das montarias

O Clube de Monteiros do Norte quer ver a mancha da zona de caça da Serra de Bornes na rota das montarias de Trás-os-Montes.
A vontade foi deixada por Nelson Cadavez, presidente do clube, que diz que as condições são boas, falta é maior promoção daquela área.

“O que nos move e motiva é contribuir para que este Clube de Caçadores da Serra de Bornes, nomeadamente as freguesias de Vale Benfeito e Bornes, possam inscrever a sua mancha na rota das montarias afamadas de Trás-os-Montes, das quais destacamos neste concelho a de Morais, Talhas, Limãos, Talhinhas, Grijó e aqui também existem essas condições.

Esta mancha ainda não está nessa rota porque não é conhecida, nunca se organizou aqui uma montaria com critérios e rigor organizativo que conduzisse a um bom resultado.”

As montarias que, além da atividade de caçar, são também importantes para levar informação útil às diferentes associações de caçadores.

“O nosso papel é precisamente de dinamizar, promotor, potenciador e transmissor de boas práticas venatórias em matéria de caça maior que é a nossa especialidade.

É com estas experiências demonstrativas no terreno que passamos saber e conhecimento às zonas de caça e esperamos que depois saibam replicá-las e capitalizar esse valor que transmitimos.

É um processo formativo das organizações com quem estabelecemos parcerias de trabalho.”

Declarações à margem da montaria ao Javali que aconteceu no passado sábado na aldeia de Bornes, Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

Tribunal confirma incapacidade de centenário que casou com empregada

O centenário milionário de Bragança que casou com uma empregada em maio, dois meses antes de morrer, estava incapaz de tomar decisões, indica uma sentença judicial datada de hoje, a que a Lusa teve acesso.
A decisão do tribunal refere-se ao processo de interdição desencadeado em 2016 por três dos quatro filhos. Conclui que “estão reunidos os pressupostos para que fosse decretada a interdição”, fixando a data da incapacidade “em outubro de 2011”, seis anos antes do casamento.

Com a morte do idoso, entretanto ocorrida, a interdição não se aplica, mas a decisão pode produzir efeitos em outras ações judiciais em curso e servir de fundamento para a anulação do casamento e do testamento, além dos movimentos financeiros realizados através de procuração.
O caso foi conhecido em maio, depois de Rita Monteiro, de 52 anos, se ter casado com o idoso de 101 anos, Francisco Marcolino, para quem trabalhava há cerca de 30 anos.

Três dos quatro filhos do homem avançaram com uma ação judicial a pedir a anulação do casamento, alegando que o pai “praticou aqueles atos em estado de demência, anomalia psíquica e incapacidade”.

Antes, já tinham desencadeado a ação de interdição, em que a filha foi nomeada tutora, que foi agora decidida e que os filhos vão juntar como mais um fundamento ao processo de pedido de anulação do casamento, como indicaram à Lusa.

O centenário vivia com a empregada em Parada, uma aldeia do concelho de Bragança, e tinha uma fortuna avaliada judicialmente em cerca de dois milhões de euros, em bens e propriedades.

Os filhos alegam que a empregada queria ser herdeira e que se o pai quisesse casar com a mulher que foi contratada pela família há mais de 30 anos, “tê-lo-ia feito enquanto estava capaz” e não depois de se encontrar dependente.

Nas poucas explicações públicas dadas, a visada tem afirmado que se estivesse interessada na herança, tinha-se “casado há 20 ou 30 anos” e que se casou nestas circunstâncias porque os filhos lhe queriam tirar o pai. Relativamente aos bem e dinheiro, diz que tinha acesso e era ela que “estava entregue a tudo".

O casamento foi celebrado a 04 de maio no Registo Civil de Ribeira de Pena, a mais de 150 quilómetros de Bragança, depois de uma alegada primeira tentativa recusada no Registo Civil de Mogadouro, a 80 quilómetros de onde residem, segundo contou à Lusa o filho, Manuel Marcolino Jesus.

O idoso morreu dois meses depois, em julho.

Os contestatários dizem que a empregada começou a apoderar-se de tudo desde que o pai ficou incapaz, há cerca de cinco anos, e que “desde essa altura faltam, só numa conta (bancária), mais de 319 mil euros e mais de 200 mil, noutra”.

Em tribunal decorrem ainda processos contra a empregada por abuso de confiança.

A funcionária do registo civil de Ribeira de Pena que realizou o casamento foi alvo de um inquérito disciplinar, entretanto arquivado, decisão da qual os filhos do idoso recorreram.

Simultaneamente avançaram com um processo-crime contra a mesma por desobediência qualificada.

Agência Lusa

Memórias da RTP - 2010-03-19 - Areias do Portelo

Três meses depois das fortes chuvas terem arrastado as areias das antigas minas de volfrâmio de Montesinho, os inertes ainda correm pelo ribeiro que atravessa a aldeia do Portelo, em Bragança.
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Memórias da RTP - 2010-03-22 - Dia da Árvore em Bragança

Bragança, plantação de tílias num bairro novo da cidade por crianças do 1º ciclo, uma iniciativa no âmbito do Dia Mundial da Árvore.
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Memórias da RTP - 2010-03-18 - Centro histórico de Bragança

Bragança, Fundação Rei Afonso Henriques, vai patrocinar a candidatura da cidadela de Bragança e do centro histórico de Zamora a património da humanidade.
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