quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Metro de Mirandela pode deixar de circular

O metro de Mirandela pode deixar de fazer a ligação entre a cidade e o Cachão a partir do início de 2012. O prejuízo mensal de 10 mil euros, suportado apenas pelo município de Mirandela, e o constante adiamento da implementação do plano de mobilidade previsto para o Vale do Tua - uma das contrapartidas pela construção da barragem do Tua - leva o autarca local a ameaçar com a paragem do Metro. 
O presidente do Município e da administração do Metro de Mirandela considera que a situação é insustentável e que a câmara municipal não pode continuar a suportar os 10 mil euros de prejuízo mensal para assegurar o transporte na linha do Tua, por Metro entre Mirandela e o Cachão, e através de uma frota de táxis até ao Tua. José Silvano só admite recuar nesta posição caso avance, até final do ano, a assinatura do protocolo entre a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua e o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade para colocar em marcha o plano de mobilidade do Vale do Tua - uma das contrapartidas da construção da barragem de Foz-Tua e da consequente submersão de 16 quilómetros da linha ferroviária.
Esta agência foi criada em Março, mas até agora não teve qualquer avanço e José Silvano não está disposto a ceder muito mais tempo.“O metro de Mirandela corre o risco de ser extinto. Isso só não acontecerá se este protocolo estabelecido entre a Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua e as entidades que hoje suportam o metro tiver a sua execução a partir de Janeiro porque a exploração do metro passará da câmara para esta agência que suportará os custos” explica. “Se for assim o metro continuará, se não a câmara vai ter de tomar uma decisão que pode passar pelo encerramento porque não tem verba para continuar a dispor de 10 mil euros mensais para manter o transporte” acrescenta.O metro de Mirandela foi criado em 1995 para fazer o percurso urbano de quatro quilómetros, entre a cidade e Carvalhais, e quando se perspectivava o encerramento da Linha do Tua, em 2001, foi celebrado um contrato com a CP que estabelecia o pagamento anual de uma verba ao Metro de Mirandela pelo transporte na extensão total da linha.
No entanto, dois acidentes com vítimas mortais, o último deles há três anos, provocaram a interdição de circular na linha entre o Tua e o Cachão, sendo o restante percurso feito por táxis, suportados pela CP. No entanto, desde o início do ano, este encargo passou para o Metro de Mirandela que agora considera não ser rentável circular apenas nos 14 quilómetros até ao Cachão.“O acordo que existe é a CP transferir mil e tal euros por mês para fazer o transporte até ao Tua. Esse dinheiro vinha para o Metro de Mirandela que com ele pagava aos trabalhadores e custos de manutenção” refere. “Depois do acidente foi preciso acrescentar uma verba de quase 120 mil euros para transporte de táxi até ao Tua e esse dinheiro em vez de ser aumentado pela CP foi antes deduzido na contrapartida que o Metro tinha. Passou de 250 mil para 120 mil” salienta. “O taxo custa cerca de 96 mil euros por ano, dinheiro que nos fazia falta para manter o metro tal como estava. Por isso, ou o protocolo entra em vigor ou nós não estamos disponíveis para pagar toda extra contrapartida sozinhos porque a CP não aumentou mais nada” afirma.
Esta possibilidade do Metro deixar de fazer a ligação entre Mirandela e o Cachão não está a ser muito bem recebida pelos utilizadores deste meio de transporte. Maria do Carmo, Almerinda Gonçalves, Maria Alice e Sónia Azevedo, são unânimes no protesto porque consideram o Metro como a alternativa mais cómoda e barata.Curiosamente, no percurso entre Mirandela e Cachão, na comparação com o ano anterior, no período entre Janeiro e Maio, viajaram neste percurso mais 900 passageiros em 2011.Esta possibilidade do Metro deixar de fazer a ligação entre Mirandela e o Cachão não está a ser muito bem recebida pelos utilizadores deste meio de transporte. A população é unânime no protesto porque consideram o Metro como a alternativa mais cómoda e barata.“Faz-nos tanta falta.
Quando preciso de ir a Mirandela vou sempre no metro porque é mais barato e mais cómodo. As reformas são pequenas e não dão para pagar táxis” refere Maria do Carmo. Já Almerinda Gonçalves diz que usa o metro para “ir ao médico e ao mercado. Se acabar vou à boleia ou então não sei como me vou desenrascar”.Maria Alice considera que “é mau porque com a crise muita gente está a encostar os carros e o metro é um meio de transporte útil, mais barato e cómodo”.Apesar deste lamento dos passageiros, a continuidade do Metro de Mirandela está dependente da implementação do plano de mobilidade do Vale do Tua até ao final do ano. Caso não avance, o Metro deixa de circular a partir de Janeiro de 2012.
Escrito por CIR
in:brigantia.pt

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