Júlia Rodrigues diz mesmo ser de uma “gravidade extrema” o facto de o distrito não ter nenhum representante nem no conselho diretivo da CCDRN, nem tão pouco nos cinco vice-presidentes recentemente nomeados para as áreas da Agricultura, Saúde, Ambiente, Cultura e Educação.
Beraldino Pinto, antigo presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, era um dos vice-presidentes do Conselho Diretivo da CCDRN, até à recente reestruturação orgânica que também previa a nomeação de cinco vice-presidentes responsáveis pelas áreas da educação, saúde, ambiente, cultura e agricultura e pescas. Este último, já tinha sido criado, no final de 2024, para resolver a polémica integração das anteriores Direções Regionais de Agricultura e Pescas, na CCDR, que passaram a designar-se unidades orgânicas regionais, sediadas em Mirandela, Castelo Branco, Santarém, Évora e Faro, uma decisão que causou forte oposição junto dos agricultores.
Foi a solução do Executivo de Luís Montenegro, que optou por não reverter a decisão, mas garantindo um vice-presidente designado sob proposta do ministro da Agricultura. Na altura, Paulo Ramalho, ex-vereador da Câmara da Maia, foi o escolhido para exercer essas funções e acabou, agora, por ser reconduzido.
Os restantes quatro vice-presidentes com funções setoriais foram nomeados, no Conselho de Ministros do dia 27 de fevereiro, por proposta dos membros dos Governo, mas nenhum é do distrito de Bragança, sendo distribuídos pelos distritos de Braga, Porto e Viana do Castelo.
Na educação foi escolhida Maria José Fernandes, de Guimarães, ex-professora coordenadora do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave. Na Saúde, foi nomeado Jorge Mendes, antigo presidente da Câmara de Valença. Teresa Leite, ex-Professora do Centro Universitário do Porto fica a gerir o ambiente, enquanto, Rui Costa, ex-Diretor de Recursos e Projetos Especiais da Fundação de Serralves, foi o escolhido para a área da cultura.
Para Júlia Rodrigues, esta falta de representatividade do distrito “é de uma gravidade extrema por não termos os nossos quadros técnicos – que também temos quadros técnicos da excelência – a representar o nosso distrito”.
A ex-presidente da Câmara de Mirandela recorda que estes representantes “fazem a gestão dos próximos quadros comunitários”, lamentando que, “apesar de termos quadros muito capazes, muito competentes que poderiam dar um aporte também de conhecimento do território à própria região Norte, perdemos toda a representatividade e a região fica, de alguma forma, enfraquecida”, diz.
Com estas nomeações, a deputada do PS, por Bragança, não tem dúvidas que o Governo dá mais um sinal negativo no chavão constantemente utilizado da coesão territorial, voltando a inclinar o país para o Litoral e dessa forma “vai-se acentuando esta discrepância entre aquilo que são os lugares de representação do interior e do litoral, o que é realmente muito preocupante”, acrescenta a deputada da Assembleia da República.
“Pode ser uma questão de menor importância para os territórios do litoral, mas a nível de coesão territorial para nós é determinante para um sentimento de inclusão até dos nossos quadros, das nossas competências, que temos tantas pessoas competentes que realmente não se compreende esta exclusão”, conclui.
Para a ex-presidente da Câmara de Mirandela este é também um claro sinal que a estrutura distrital do PSD não conseguiu mover qualquer tipo de influência sobre um Governo com a mesma cor partidária.
Apesar de diversas tentativas, não foi possível obter qualquer reação por parte de nenhum dos dois deputados eleitos pelo PSD, pelo círculo eleitoral de Bragança: Hernâni Dias e Nuno Gonçalves.

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