São Paulo (Brasil)
(Colaborador do Memórias...e outras coisas)
Lembra da época que fazíamos pamonha em casa ?
Era uma lambança só.
Os meninos tiravam cabelos das espigas, depois cortávamos os milhos à faca. Passávamos os grãos na máquina de cortar carne, púnhamos uma bacia na saída da máquina, para apurar a massa, enquanto um balde abaixo, aparava o leite do milho para se fazer o curau e /ou o polvilho!
Enquanto isso, as meninas separavam as melhores, maiores e bonitas palhas das espigas, para se fazer as "bolsinhas", em que a mãe enchia com a mistura temperada da pamonha, com leite, açúcar, canela em pó, cravo, e pedaços de queijo feito em casa, já curado. As bolsinhas, então, recebiam a tampa, feita também das palhas de milho; quando então eram amarradas na cinturas delas, com fina tiras de palhas de milho. A seguir, dispunham as pamonhas no tacho com água fervente, cobriam as bolsinhas com palhas de milho (verdes), e deixávamos cozinhar até as palhas que cobriam as pamonhas ficassem amarelas. Era o ponto!
- Depois, era aquela algazarra para comê-las ainda quentes ! E os pedaços de queijo curado, dissolviam-se na boca !
Aí, que saudades do tempo em que eu, menino e caipira, vivenciava estas cenas que, gravadas em minhas íris e cérebro, me levaram a escrever este depoimento, para descrever um mundo que já existiu; mas que se perdeu!
Ave Vita; Ave Saudade!
Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 9 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de cinco outros publicados em antologias junto a outros escritores.

Parabens pelo texto. Amei. Revivi os momentos.
ResponderEliminarSegundo o professor Cortela, da PUC -SP, "as famílias estão precisando fazer mais pamonhas". Era uma festa com familia reunida, avós, primos, tios, padrinhos. Todos tinham funções importantes, as criancas participavam, os avós também. As crianças aprendiam que coisa boa demanda tempo. O milho era colhido na véspera. As funções de executar a tarefa em si, leva horas, mas ninguém reclamava.
Talvez toda a trabalheira fosse um dos segredos. Muitas brincadeiras e o cheiro das pamonhas? Inesquecível!
Que tal matar um pouco dessa saudade? Vamos fazer pamonha num final de semana desses? Fica o convite.