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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Democracia, Alternância e Responsabilidade


 Durante 28 anos, o município de Bragança foi governado por um partido, o PSD. Foram quase três décadas de liderança contínua, durante as quais esse partido conduziu os destinos do concelho conforme a sua visão, as suas capacidades e as circunstâncias de cada momento. Como acontece em muitos contextos onde o poder se prolonga por largos anos, foi-se criando uma cultura de influência e de presença dominante nas várias estruturas locais.

Ao longo desse período, muitas instituições, públicas, associativas e do setor social, foram sendo dirigidas por pessoas próximas daquele espaço político. Naturalmente, entre essas pessoas encontramos cidadãos sérios, competentes e dedicados ao bem comum. Seria injusto ignorar o contributo de tantos que, independentemente da sua filiação partidária, trabalharam com empenho pelas instituições e pela comunidade.

No entanto, também é verdade que a permanência prolongada no poder pode gerar hábitos difíceis de alterar, redes de confiança demasiado fechadas, lógicas de continuidade quase automática e, por vezes, uma sensação implícita de que o poder adquirido é permanente. A democracia, porém, vive precisamente da possibilidade de mudança.

Nas últimas eleições autárquicas, os cidadãos de Bragança decidiram exercer esse direito. Através do voto livre e democrático, confiaram a governação do concelho à Dra. Isabel Ferreira, candidata apoiada por outro partido, o PS, para um mandato de quatro anos. Essa escolha representou uma alternância política, mas também uma oportunidade para novas abordagens, novas prioridades e uma forma diferente de olhar para o futuro do município.

A alternância democrática é saudável e necessária. Contudo, nem sempre é facilmente aceite por quem esteve anos a fio em funções. Em alguns setores, sente-se ainda uma dificuldade em reconhecer plenamente o resultado eleitoral. Por vezes, o debate político tende a desviar-se do confronto de ideias e de projetos para um terreno menos construtivo, marcado por suspeições, insinuações ou disputas que pouco acrescentam ao desenvolvimento do concelho.

Numa democracia madura, a oposição tem um papel essencial. Questionar, fiscalizar e apresentar alternativas. Mas esse papel ganha força quando é exercido com elevação, respeito institucional e sentido de responsabilidade perante a comunidade.

Durante a campanha eleitoral, a atual Presidente da Câmara afirmou que pretendia ser presidente de todos os Bragançanos, independentemente das suas preferências políticas. Essa afirmação traduziu uma visão de governação assente na inclusão, no diálogo e no reconhecimento de que o município pertence a todos os cidadãos.

A prática política tem demonstrado a intenção de cumprir esse compromisso. Governar para todos implica ouvir diferentes sensibilidades, respeitar instituições e procurar construir pontes em vez de aprofundar divisões. Naturalmente, essa postura pode não corresponder às expectativas de quem encara a política sobretudo através de lógicas partidárias mais rígidas. Ainda assim, é precisamente esse espírito de abertura que fortalece a democracia local.

Num momento de mudança política, é importante que a comunidade saiba distinguir entre crítica legítima e mera tentativa de desgaste. O debate democrático deve existir, e é saudável que exista, mas deve centrar-se em ideias, propostas e projetos concretos para o futuro de Bragança.

Para quê alimentar polémicas ou conflitos estéreis? O essencial é permitir que quem foi democraticamente eleito possa desenvolver o seu trabalho e apresentar resultados. Só o tempo, a obra realizada e o impacto das decisões tomadas permitirão fazer uma avaliação justa e ponderada.

O caminho mais sensato, na minha opinião, é simples. Deixar governar, acompanhar com espírito crítico e, no momento próprio, avaliar em consciência. Os ressabiados não deram um minuto de “descanso” à novel Presidente e começaram mesmo antes da tomada de posse. Outros dão a sensação de quererem ser Presidente da Câmara à força. Para o serem, com legitimidade democrática, têm que se submeter a sufrágio.

Daqui a quatro anos, caberá novamente aos cidadãos decidir, através do voto, se o caminho seguido correspondeu às expectativas e às necessidades do concelho.

É essa a essência da democracia. O voto pode não garantir sempre a escolha perfeita, e por vezes nem a melhor, mas assegura algo fundamental, que o poder pertence ao povo e que nenhum poder é definitivo. A alternância democrática não é um problema, é uma garantia de liberdade, renovação e responsabilidade perante os cidadãos.

HM
Março de 2026

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