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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Baldios de Cova de Lua denunciam limpezas abusivas em Montesinho

 A Comunidade Local dos Baldios de Cova de Lua, na freguesia de Espinhosela, no Parque Natural de Montesinho, em Bragança denunciou alegados trabalhos de limpeza executados pela E-Redes “de forma abusiva”, que incluíram o abate de azinheiras, espécie protegida.


Segundo a gestão dos baldios de Cova de Lua, e corroborado pela junta de freguesia a que pertencem, Espinhosela, os proprietários foram surpreendidos este mês com a limpeza de terrenos por parte da E-Redes – Distribuição de Eletricidade, S.A, entidade gestora das redes de distribuição de energia elétrica de média e alta tensão e responsável pela execução da gestão de combustível junto às linhas, sem que tivessem sido informados e sem pareceres prévios.

“Fomos avisados pelos proprietários de terrenos de que estaria a haver limpezas a cargo da E-Redes, onde estaria a ser cortado material lenhoso, entre eles o carrasco [azinheira] o que não é autorizado”, contou David Fernandes, presidente do conselho de administração da Comunidade dos Baldios de Cova de Lua, órgão que, depois de verificar a situação, emitiu de um comunicado escrito, enviado à Lusa, onde manifestou “insatisfação e sentimento de injustiça”.

De acordo com a descrição feita por David Fernandes, estava a ser aberto um corredor de 10 metros, que em zonas de carvalhal levou a um corte indiscriminado. Nas azinheiras “houve uma atenuante, deixando algumas de onde em onde”.

“Estes trabalhos de limpeza estavam a ser feitos de forma abusiva, sem respeitar as diretivas que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sempre colocou aos Baldios de Cova de Lua nas limpezas de materiais lenhosos por nós efetuados”, lê-se nessa tomada de posição dos Baldios.

David Fernandes afirmou ainda que contactaram o ICNF, responsável pela área protegida, que lhes transmitiu não haver qualquer tipo de permissão para os trabalhos.

O dirigente dos Baldios garantiu que vão apoiar os proprietários, para que exijam uma indemnização pelos estragos, onde “árvores foram assassinadas” e “privados ficaram sem rendimentos”.

No edital emitido pela E-Redes, datado de janeiro, com as freguesias a ser alvo de intervenção, e a que a Lusa teve acesso, Espinhosela não constava.

Otávio Reis, presidente da junta desta freguesia que tem como anexas das aldeias além de Cova de Lua, Terroso e Vilarinho, disse que também fez diligências junto do ICNF e do município de Bragança, que integra a cogestão do parque, que lhe transmitiram “não estar nenhuma previsão de limpeza na área este ano”.

“Agora vão tentar fazer diligências junto da E-Redes. Penso que já haja reuniões previstas. Depois irão dar-nos a informação, para transmitir à população. (…)O ICNF foi informado pelos Baldios e dirigiu-se ao local. Se não, tinha sido feita a limpeza e ninguém sabia de nada”, mostrou convicção o autarca.

O presidente da junta denunciou que foi feito “desbaste completo em zona de carvalhal, sem ficar árvore nenhuma”. Além de carvalho e de azinheira, foram cortados ou podados castanheiros e freixos, segundo Otávio Reis.

Entre 15 a 20 donos destas terrenos alegadamente afetados já reportaram que se sentiram lesados com estas limpezas.

“A lei prevê as limpezas. Mas, árvores protegidas foram abatidas e quando os privados têm terrenos nas mesmas condições não os deixarem cortar. Não somos donos dos nossos terrenos, chegaram lá e fizeram o que quiseram”, lamentou Otávio Reis.

Um dos exemplos apontados, de gestão da junta de freguesia e que garante o presidente, sempre esteve limpo, é o Parque de Merendas de Nossa Senhora da Hera, onde agora há “duas ou três clareiras e árvores isoladas, totalmente decapitadas”, sem que encontrem perigo de propagação de incêndio que justificasse o corte.

“As pessoas estão revoltadas”, afirmou Otávio Reis.

Entretanto, e segundo as mesmas fontes, os trabalhos terão parado.

O Parque Natural de Montesinho foi reconhecido em agosto de 1979. Tem cerca de 75 mil hectares nos concelhos de Bragança e Vinhais, a Terra Fria Transmontana, e inclui 92 aldeias.

A Lusa contactou o ICNF e a E-Redes para mais esclarecimentos e aguarda resposta.

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