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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Neste azeite transmontano DOP tudo se aproveita e até o bagaço de azeitona serve para tingir roupa

 Com Denominação de Origem Protegida, o azeite de Trás-os-Montes é fresco, doce, verde, amargo e picante, características que o distinguem dos demais. O da Acushla é produzido em Vila Flor de forma sustentável, sem químicos. Na Quinta do Prado, “onde nada se perde”, o bagaço de azeitona serve para tingir roupa. “Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.


Com “muitos anos” de trabalho no sector têxtil, “uma área muito bonita, mas muito desgastante”, Joaquim Moreira, mentor da Acushla – de origem celta, significa “beat of my heart” –, sentiu necessidade de ter “um projeto ligado à terra”. Em 2004, começou a desenvolvê-lo. “O meu pai tem uma casa em São Romão do Coronado e aos fins-de-semana ia para lá plantar tomates, alfaces, batatas. Lembro-me que, quando era miúdo, adorava ir com ele. Acho que isto marca.”

Azeite DOP Trás os Montes

E a escolha da cultura de azeite foi óbvia. “A minha mãe gostava de oliveiras, eu sempre gostei de oliveiras e o azeite teve e tem uma grande importância para a humanidade: para os fins energéticos, para a parte medicinal e de beleza…” Depois de muito estudo sobre as melhores zonas para a produção de azeite, concluiu que “Trás-os-Montes tem condições únicas” para a cultura olivícola. Instalou-se, então, na Quinta do Prado, em Vila Flor, com quase 300 hectares, a maioria com eucaliptal e apenas com “16 hectares de olival antigo e abandonado, em mau estado”. O trabalho mais moroso e dispendioso veio depois, com a plantação de “perto de 80 mil oliveiras”, que só terminou em 2011, transformando-se numa das maiores áreas de plantação biológica da região.

Azeite AcushlaMARTA MARJJJBA

Mas as contrariedades continuavam a surgir. “Naquela altura, os lagares não abriam em outubro. Queríamos apanhar em outubro, para colher o fruto são, verde, e estava tudo fechado. Em Trás-os-Montes, durante muitos anos, as pessoas colhiam em dezembro e em janeiro porque a azeitona já estava madura”, explica. “Colher o fruto no momento certo e transformá-lo de imediato”, num lagar com as melhores condições é a melhor forma de fazer um “azeite excecional”, acredita. “Para mim, o azeite é um medicamento. É um poderoso aliado da nossa saúde”, completa.

Com denominação de origem protegida (DOP), regulamentada pela União Europeia, que identifica um produto originário de um local ou região específicos, o azeite de Trás-os-Montes é produzido apenas em Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Nova de Foz Côa, Carrazeda de Ansiães e algumas freguesias dos concelhos de Valpaços, de Murça, de Moncorvo, do Mogadouro, de Vimioso e de Bragança.

Acushla, Azeite DOP transmontano

Sustentabilidade é bandeira desde a génese

Biológicos desde o início do projeto, depararam-se com uma praga de pequenos ratos em 2013/2014. Como a colocação de químicos, sugerida por algumas empresas, não era a alternativa que Joaquim procurava, já que “ia matar raposas, águias, falcões, corujas”, a solução foi colocar predadores naturais e espalhar ninhos por toda a quinta para que os animais sentissem que aquele era um bom sítio para nidificar. “Se sou bio, não vou ter aqui químicos para matar ratos”, conclui, dizendo-se fundamentalista.

Desde essa altura, criaram poças de água para que as cobras se possam alimentar, conseguiram garantir grande parte da energia através de painéis fotovoltaicos e construíram uma guest house, que recebeu os primeiros hóspedes este verão, com janelas a nascente e revestida a cortiça, “pensada para ser o mais amiga possível do ambiente”, afirma. Contribuir para a proteção da biodiversidade, melhorar os serviços ligados aos ecossistemas e preservar os habitats é também uma medida adotada pela Política Agrícola Comum (PAC) para os próximos quatro anos. A isto junta-se um ovil com 250 ovelhas, já que estão a caminhar para a produção biodinâmica. “Na Quinta do Prado nada se perde.”

Bruno Miguel Alves da Costa

Na Fábrica do Azeite há um lagar compacto e roupa tingida

Para trazer um pouco do campo para a cidade, Joaquim Moreira abriu, no final do ano passado, a Fábrica do Azeite no centro do Porto com o objetivo de “dar espaço a todos os produtos biológicos e nacionais”, inicialmente mais focados em Trás-os-Montes, onde o azeite Acushla é produzido. Mas também com a missão de divulgar as especialidades da marca e dar visibilidade à cultura do azeite, “tão rica” mas “menos explorada” do que a do vinho, elabora Diana Makhniy, gestora do projeto.

Por isso, foi instalado um lagar compacto onde os clientes podem provar o azeite “acabado de sair”. O bagaço da azeitona que, para muitos, é um “desperdício”, aqui é visto como um “subproduto”, já que é usado para a fertilização da quinta, juntamente com outros compostos, mas também para colorir a roupa da Barrio Santo, marca nascida no seio da empresa têxtil Tétribérica, de Joaquim Moreira, e cada vez mais sustentável. Além do bagaço de azeitona, a roupa é também tingida com flor de alkanna, cascas de cebola e cascas de noz. Até as etiquetas podem ser plantadas. Biodegradáveis e com sementes de camomila, são pensadas para “dar uma nova vida” ou, pelo menos, “repor o que já foi gasto”, fechando o ciclo.

AcushlaBruno Miguel Alves da Costa

Azeites monovarietais e embalagens a pensar no público mais jovem

A inovação é uma das premissas da marca, que lançou este verão azeites monovarietais. “Há poucas marcas, muito menos biológicas, que são monovarietais. O mercado está habituado ao blend”, afirma Diana. Agora, além do azeite feito com a mistura de variedades de oliveiras típicas de Trás-os-Montes, há embalagens de Cobrançosa, mais picante, com “notas de erva e folhas verdes, maçã, couve, casca de banana verde, casca de amêndoa verde e frutos secos”, de Verdeal, mais fresca, com uma “entrada doce”, um “amargo suave” e um “picante pouco intenso e tardio”, e de Madural, um azeite mais equilibrado, com um “frutado médio” consensual.

São pequenos tubos com 60 ml de capacidade, perfeitos para oferecer e fáceis de transportar. Como o pack com azeite Original Gold Edition, mel biológico de Rosmaninho e vinho do Porto Ruby, um três-em-um idealizado com base nos costumes transmontanos. “É habitual comer-se um pãozinho transmontano barrado com azeite e regado com mel”, conta. O vinho, esse, serve para acompanhar o repasto.

Também as embalagens destinadas ao público mais jovem são uma das apostas da Acushla. Habitualmente, “a comunicação do azeite é muito sóbria”, refere. Por isso, o packaging “mais chamativo e colorido” foi a estratégia para atingir targets diferentes, que cada vez mais se interessam pela cultura do azeite.

AcushlaBruno Miguel Alves da Costa

“Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

A sustentabilidade social, ambiental e económica na agricultura e nas zonas rurais são linhas orientadoras da PAC - Política Agrícola Comum que, em Portugal, tem como objetivos principais valorizar a pequena e média agricultura, apostar na sustentabilidade do desenvolvimento rural, promover o investimento e o rejuvenescimento no setor agrícola a a transição climática no período 2023-2027.

Publicação original AQUI.

Teresa Castro Viana
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