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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Entre a neve e o silêncio: memórias, terra e vida no nordeste transmontano


 Em Bragança e em todo o nordeste transmontano, o inverno sempre foi uma estação de identidade. A neve, que outrora caía com regularidade e vestia os campos de branco, era parte de um ritmo de vida, de uma cultura e de uma ligação entre o homem e a terra. Hoje, porém, essa imagem começa a esbater-se, trazendo consigo questões que vão muito além da saudade.

A neve em Bragança já não é o que era. As alterações climáticas tornaram-se uma realidade palpável, não em relatórios, mas nos campos, nas serras e nas memórias das populações. Invernos mais curtos, temperaturas mais irregulares e a diminuição da queda de neve alteram o equilíbrio natural da região. A neve, que alimentava solos, regulava ciclos e fazia parte da biodiversidade local, começa a desaparecer lentamente, como um vestígio de um tempo mais estável. E com ela, perde-se também uma referência colectiva, uma marca identitária que ligava gerações.

Mas a relação entre o homem e a terra no nordeste transmontano sempre foi feita de adaptação. Durante séculos, as populações aprenderam a ler os sinais da natureza, a respeitar os seus ritmos e a viver em harmonia com um território exigente. A agricultura de subsistência, o pastoreio, os ciclos das estações, tudo fazia parte de um saber ancestral, passado de geração em geração. Não era uma relação de domínio, mas de equilíbrio. A terra não era apenas recurso, era pertença, era sustento, era vida.

Hoje, essa ligação encontra-se fragilizada. O despovoamento é talvez uma das marcas mais visíveis dessa transformação. Aldeias que outrora tinham vida, vozes e trabalho, veem-se agora reduzidas ao silêncio. Casas fechadas, campos abandonados, caminhos esquecidos. Os jovens partiram em busca de oportunidades, deixando para trás uma terra que, apesar da sua riqueza, não consegue reter quem nela nasce. O resultado é um território envelhecido, onde a presença humana se torna cada vez mais rara.

Este abandono tem consequências profundas. A terra, sem o cuidado humano, transforma-se. Os campos deixam de ser cultivados, os matos crescem desordenadamente, aumentando o risco de incêndios. Os saberes tradicionais perdem-se, e com eles desaparece uma forma de viver que era sustentável e integrada na natureza. O silêncio das aldeias não é só ausência de pessoas, é também ausência de continuidade.

E, no entanto, a natureza resiste. O nordeste transmontano continua a ser um dos territórios mais ricos em biodiversidade de Portugal. Em áreas como o Parque Natural de Montesinho, a fauna encontra refúgio e equilíbrio. Espécies emblemáticas como o Lobo-ibérico percorrem as serras, símbolo de um ecossistema ainda vivo e selvagem. A Águia-real sobrevoa os vales, enquanto veados, javalis e inúmeras outras espécies mantêm uma presença discreta mas essencial.

Contudo, também aqui os desafios são evidentes. As alterações climáticas, o abandono rural e a pressão humana em certas áreas colocam em risco este equilíbrio delicado. A fauna depende não apenas da natureza, mas também da forma como o homem se relaciona com ela. Paradoxalmente, a ausência humana pode ser tão problemática como o excesso, pois rompe dinâmicas que durante séculos ajudaram a moldar o território.

O nordeste transmontano vive num ponto de transição. Entre o passado e o futuro, entre a memória e a mudança. A neve que já não cai como antes, as aldeias que se esvaziam, a terra que espera, a fauna que resiste, tudo faz parte de uma narrativa maior, que nos obriga a refletir sobre o nosso papel.

Talvez a verdadeira questão seja esta. Como preservar sem parar o tempo? Como valorizar a herança sem impedir a evolução? O desafio não está apenas em proteger o que resta, mas em reinventar a relação entre o homem e a terra. No fundo, o futuro destas montanhas dependerá sempre de um equilíbrio, entre presença e respeito, entre progresso e memória.

E talvez, um dia, quando voltar a nevar em Bragança, mesmo que mais raramente, possamos olhar para essa neve não só com nostalgia, mas também como sinal de que ainda há tempo para cuidar, preservar e recomeçar.

HM
1 de Maio de 2026, com saudades das grandes nevadas.

Lagos do Sabor: viagem a um paraíso transmontano

 Os lagos do Sabor são um paraíso em Trás-os-Montes, que lhe vai proporcionar momentos de descanso e diversão. Venha conhecer.

Nunca o mote “vá para fora, cá dentro” fez tanto sentido como nestes tempos. Por isso, os Lagos do Sabor, um tesouro escondido em Trás-os-Montes, são uma aventura à espera de acontecer.

São 70 quilómetros de lagos “ligados entre si por gargantas e penhascos, que formam um verdadeiro santuário da vida selvagem e oferecem aos visitantes um céu azul e um horizonte de cortar a respiração”, afirma a Associação de Municípios do Baixo Sabor, que une os concelhos de Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Torre de Moncorvo.

Mas não pense que foi por acaso. Na verdade, os lagos nasceram devido à construção da barragem do Baixo Sabor, que alterou o curso de água, mudando, por completo o cenário e tornando-o num local de visita obrigatório, numa tentativa de impulsionar também o turismo da região, beneficiando da proximidade com a região do Douro, que dispensa apresentações, e com o território espanhol.

Veja aqui como chegar rapidamente ao Sabor

A Barragem do Baixo Sabor começou a ser construída em 2008 e alterou de forma decisiva o cenário natural da região transmontana. Foi criada para ser uma alternativa à barragem prevista para Vila Nova de Foz Côa, salva pelas gravuras rupestres.

Como tal, o plano B implicou a fundação de uma barragem mais a Norte, para o Sabor, também ele um rio que se junta ao Douro, que custou cerca de 450 milhões de euros e produz eletricidade para aproximadamente 300 mil pessoas.

Todavia, esta experiência turística ainda é partilhada por poucos e, por isso, se gosta de descobrir novos locais, este é, sem dúvida, um destino para conhecer.

A origem dos Lagos do Sabor

No que respeita a Trás-os-Montes, considerava-se haver alguma falta de diversidade das atividades culturais e de lazer e pouca divulgação da mesma, pelo que a região tem um grande potencial a atingir.

Como tal, a criação dos novos Lagos do Sabor e a instituição da Associação de Municípios do Baixo Sabor, com um forte pendor de coordenação e atuação intermunicipal, têm como grande objetivo ajuda a corrigir esta debilidade.

Os novos Lagos do Sabor constituem-se, assim, como uma oportunidade imperdível, enquanto agentes diferenciadores do território face à restante região. Além disso, estão muito próximos do vale do Douro e da foz do rio Sabor, por isso há muito para descobrir e aproveitar no próximo passeio por terras transmontanas. 

A vida animal aqui tão perto

Se é amante de birdwatching é obrigatória uma visita às Lagoas do Sabor. Pode conviver com diversos animais, como o Grifo, Bufo-Real e Águia de Bonelli. Mas se desviar os olhos do céu para a terra, então, é bem possível que se cruze com uma lontra-europeia ou uma toupeira de água.

Tudo isto foi possível graças a uma ação de preservação de habitats prioritários, de algumas espécies com estatuto de conservação, bem como graças à criação de condições para o seu desenvolvimento, com benefícios para a biodiversidade da região. Afinal, o turismo não pode ser desenvolvido a qualquer custo.

Lagos do sabor: o rio selvagem

O Rio Sabor nasce na província de Zamora, em Espanha, entra em Portugal pela Serra de Montesinho, em Bragança, e segue pela margem direita do rio Douro. Com a construção da barragem, o Rio Sabor deixou de ser o “último rio selvagem” do país, visto que o seu curso foi interrompido.

Como consequência, apareceram os Lagos do Sabor, que são, na verdade, três: Lago de Cilhades, o maior de todos e cujo nome foi inspirado numa aldeia homónima, no concelho de Torre de Moncorvo agora submersa, Lago dos Santuários e Lago do Medal.

Além disso, com a subida do leito do rio, a Foz do Azibo – conhecida zona de praia fluvial – ficou maior e mais larga. Aliás, esta é mesmo uma excelente altura para conhecer a região e, assim, poder usufruir das praias da Foz do Sabor e da Foz do Azibo, que fazem as delícias de quem experimenta as águas locais.

Património histórico? Também existe

Sossego, natureza e património: quase parece a Santíssima Trindade dos destinos turísticos de sonho e, convenhamos, isto são opções que encontra em grande quantidade – e qualidade – por terras lusas.

Antes da construção da barragem, existia um santuário no local, que foi transferido para outro ponto da região. Sim, o edifício foi mesmo transportado, pedra a pedra, para o cimo do Monte da Parada, naquele que foi um trabalho exaustivo de equipas de restauradores.

Esta ação era necessária, já que a igreja remonta ao século XVIII e foi mandada originalmente construir pela família dos Távoras. Assim, trata-se de um património que merece prevalecer e permanecer ao longo dos tempos.

Pode também visitar o Castelo de Mogadouro, com vista para esta nova paisagem, assim como ao monóptero de São Gonçalo, um monumento de inspiração barroca, considerado de interesse público, mas que infelizmente se tem vindo a degradar ao longo dos tempos.

O passeio por terras transmontanas continua pelas aldeias de Penas Róias ou de Azinhoso, cada uma com as suas particularidades e encantos.

A zona permanece ainda como que meio por explorar mas, no fundo, é isto que lhe confere tal beleza: a tranquilidade, a harmonia, a sensação de que vai mesmo ficar tudo bem. 

Publicação original AQUI.

Miguel Pinto

José António da Rocha Lousa - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 27.junho.1910 – 5.outubro.1910
ALIJÓ, 4.4.1858 – ?

Alto funcionário da Administração Pública.
Deputado (1908-1910). Governador civil de Bragança (1910).
Natural da freguesia de Casal de Loivos, concelho de Alijó.
Filho de Bernardino António da Rocha Lousa e de Luísa Lamas Rebelo.
Casou com Maria Antónia de Almeida, de quem teve um filho, João Augusto de Almeida Lousa.

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Chefe do Partido Regenerador no distrito de Bragança, Rocha Lousa foi eleito deputado pelo círculo plurinominal de Bragança para a legislatura de 1908-1910. Em 1909, integrou a Comissão Interparlamentar de Tarifas, mas não se lhe conhecem intervenções de relevo no Parlamento.
Nomeado governador civil de Bragança em junho de 1910, cargo de que tomou posse a 7 de julho do mesmo ano, foi o último neste lugar no tempo da Monarquia, mantendo-se em funções até ao eclodir da revolução republicana, em 5 de outubro seguinte, sendo exonerado por despacho publicado nesse mesmo dia, como os restantes governadores civis do País.
O novo regime, porém, não parece ter perturbado a sua carreira, já que foi de imediato nomeado primeiro fiscal técnico junto da Inspeção dos Tabacos.
O seu nome encontra-se inscrito na toponímia da cidade de Bragança.

Notícia sobre a receção em Bragança a José António da Rocha Lousa aquando da sua tomada de posse como governador civil (1910)

Foi deveras afetuosa e íntima a receção que o Partido Regenerador deste distrito fez ao Sr. José António da Rocha Lousa, ilustre chefe do nosso distrito. Não houve exteriorizações de grande atavio, de mistura com foguetes e música, mas nem por isso deixou de ser carinhosa e de traduzir toda a estima para Sua Exa.
Os seus amigos, que são muitos, interpretando o sentir do digno magistrado do distrito, que não desejava manifestações estrondosas ao entrar na cidade em que há bem pouco tempo tinha perdido um dos seus melhores amigos e leais companheiros [Abílio Beça], fizeram-lhe uma receção amistosa, que teve a sua maior significação na singeleza e simplicidade de cada um que abraçou Sua Exa. A satisfação era bem visível em todos os que se acercavam de tão distinto e afável cavalheiro, que teve para cada um uma frase amiga e sincera.
Era esperado às 11 horas da manhã, porém, na dúvida da sua chegada inesperada, já às 10 horas se encontrava muita gente na gare da estação, esperando o comboio em que se dizia vir Sua Exa. São 10h30m, o comboio chega e Sua Exa. mostra-se aos numerosos amigos que em breve o rodeiam e abraçam cordialmente e em seguida o acompanham ao Hotel Virgínia, onde ficou hospedado.
Ao meio-dia em ponto entrava Sua Exa. no edifício do Governo Civil a tomar a posse, que lhe foi conferida pelo digno secretário-geral, servindo de governador civil, Sr. Dr. Rui da Câmara, depois da leitura do termo respetivo pelo Sr. Antero Navarro, primeiro-oficial do mesmo Governo Civil.
Terminada que foi a assinatura do termo, Sua Exa. o Sr. governador civil referiu-se em palavras repassadas de sentimento e saudade ao sempre chorado conselheiro Beça, pondo em destaque as altas qualidades do que foi seu amigo e companheiro nas agruras das lutas partidárias e relativamente à política geral, Sua Exa. acentuou bem frisantemente a sua orientação de dar todo o seu apoio aos correligionários e de respeitar os adversários, mas sem transigências de espécie alguma, palavras que mereceram o aplauso de todos os assistentes.
Exprimiu-se Sua Exa. de uma maneira clara e incisiva, a não deixar dúvida de que temos muito a lucrar com a sua vinda de governador civil para este distrito, e outra coisa não há a esperar de quem não afirma o que não é capaz de fazer. Ficámos plenamente satisfeitos e convencidos de que se há de fazer sentir em todo o distrito a sua benéfica ação e que a favor dele porá Sua Exa. toda a sua inteligência, dedicação e valor.
Receba, pois, o distrito de Bragança as mais sinceras felicitações por ter à sua frente um magistrado digno a todos os respeitos do alto cargo em que foi investido como prémio dos seus merecimentos pessoais e políticos.
Dos concelhos que sabiam o dia da chegada havia larga representação e sabemos também que em algumas estações entre Mirandela e Bragança lhe prepararam manifestações de simpatia, mas que Sua Exa. não chegou a receber, por antecipar a chegada.

Fonte: Gazeta de Bragança, Ano XIX, 1910.

Artigo de opinião sobre a nomeação de Rocha Lousa para o Governo Civil de Bragança (1910)

Primeira desilusão
Foi nomeado governador civil deste distrito o Sr. José António da Rocha Lousa, pessoa bem conhecida de todos para que precisemos encarecer-lhe as qualidades.
De rasgo, não se prende com pequenos escrúpulos; testo de génio, não admite senão subordinados; de crédito feito, quebrará mas não dá satisfações. Cria fama…
(...)
O Sr. José de Miranda, que desde 1886 vem sendo conhecido pelo José do Chicote, por causa daquele apetecido chicote que de Grijó de Valbemfeito chegasse até Lisboa, tinha afirmado ao Sr. Dr. Henrique José Pereira que seria ele que havia de vir a suceder-lhe no lugar de governador civil do distrito. E dava o negócio como assente e resolvido. E afinal dão-lhe no afastadouro com o Sr. José Lousa.
Não se amofine, porém, Sua Exa., atrás de tempo, tempo vem. Não tem Sua Exa. tantos merecimentos para com o Sr. Teixeira de Sousa por muitas razões que são da consciência deste, mas principalmente porque não é do concelho de Alijó. Mas o Sr. Lousa não há de querer morrer governador civil de Bragança, nem mesmo espera aposentar-se nesse lugar; e como o Sr. Teixeira de Sousa, pela tarraxa da futura Câmara dos Deputados, há de ficar sobre o poder como S. Jorge sobre o seu cavalo, descansando apenas quando o cavalo sentir a necessidade de alimento, tem o Sr. José de Miranda muito tempo de provar a seu primo que também sabe ocupar o lugar de governador civil.
Mas agora à urna sob as ordens do Sr. Lousa. Não há remédio para ser governadorisável.

Fonte: Nordeste, Ano XXII, n.º 1187, 1910, p. 1 e 2.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Diário do Governo, 11.1.1911.
Gazeta de Bragança, Ano XIX, 1910.
Nordeste, Ano XXII, n.º 1187, 1910.
MÓNICA, Maria Filomena (coord.). 2004. Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. II. Lisboa: Assembleia da República.
Geneall – Portal de Genealogia (disponível em geneall.net).

Publicação da C.M. Bragança

A Agenda Cultural já está disponível, trazendo opções que vão desde o teatro e cinema até feiras profissionais e o famoso Mercado e Torneio Medieval.

 Para mais informações sobre o Torneio Medieval, consulte a programação específica.

IX edição da Feira Da Cereja Da Serra - Bornes 2026🍒🍒🍒

A origem do Pecado


 O documento do mês dá relevo ao livro de registo das Pastorais de Quintela de Lampaças, concelho de Bragança. Os livros de registo das pastorais e os registos paroquiais da Diocese de Miranda [1545/1780] serviam fundamentalmente para reconstruir a vida religiosa e social das comunidades, controlar a administração dos sacramentos, gerir o património eclesiástico e registar as orientações dos bispos. Funcionavam como o arquivo administrativo e genealógico da região transmontana.

Registo de Sacramentos: Batismos, casamentos e funerais (óbito) eram registados para comprovar a vida paroquial.

Controle de “Desobrigas”: Os Róis de Confessados (ou livros de desobrigas) serviam para garantir que todos os católicos cumpriam o preceito quaresmal de confissão e comunhão.

Visitas Pastorais e Administração: Registavam os capítulos de visita dos bispos, inspeções às paróquias, inventários de bens, testamentos e as “pastorais” (orientações e normas) dos bispos.

Memória Histórica: Registavam a história local, incluindo a construção da Catedral e a vida das irmandades.

Funcionamento Económico: Incluíam registos de receita e despesa das paróquias.

Em suma, as visitas pastorais demonstravam a realização prática das conceções da Igreja e das determinações sobre aspetos relacionados com a tentativa de correção do pecado público.

Os livros de registo de Capítulos de Visitas, são elementos fundamentais de um sistema estruturado para monitorizar e disciplinar as populações, conforme as normas do Concílio de Trento. Tais registos constituíam, assim, um instrumento de inspeção regular através do qual os prelados aferiam a situação das paróquias sob sua autoridade.

Assim apresentamos parte de exemplos de atos e comportamentos que eram considerados pecados públicos mais frequentes, a partir da transcrição de um excerto do livro de registos de Pastorais de Quintela de Lampaças do ano de 1764, fl 3v.

Transcrição do documento: “Informam-me que o adro da igreja matriz deste lugar e o Cabido de Santa Cruz, serve para neles se exercitarem jogos, fazerem lutas, armarem bailes, e outros actos indecorosos a tão santos lugares, assim mando ao reverendo pároco pena de suspensão, não consinta que nos referidos lugares se exercitem actos tão indecorosos, e lhe recomendo muita vigia neste particular, e contra delinquentes procederá condenando-os a cada um na pena de cem reis por cada vez o que ira cada vez multiplicando conforme a rebeldia de cada um e sendo costumares para la se proceder, e contra os que condenar para as exclusões das penas poderá proceder com censuras cuja pena aplicara para obras da dita igreja…”.

(Cota: PT/ADBGC/PRQ/BGC33- liv 139;cx14)

Fonte: Arquivo Distrital de Bragança

GOVERNO INVESTE 7,5 MILHÕES NO PASTOREIO PARA REDUZIR RISCO DE INCÊNDIOS

 O Governo vai avançar com um novo programa nacional de apoio ao pastoreio extensivo, apostando na atividade pecuária como instrumento estratégico de prevenção de incêndios rurais e de gestão sustentável da paisagem.


A medida, direcionada para os territórios mais vulneráveis ao fogo, prevê uma dotação financeira de 7,5 milhões de euros e assenta em dois regimes de apoio principais: a instalação de novos produtores pecuários e a conversão de matos em novas áreas de pastagem.

O objetivo passa por reduzir a carga combustível existente nas zonas rurais através do pastoreio, promovendo simultaneamente a valorização do mundo rural, a dinamização da economia agrícola e o combate ao abandono do território.

As candidaturas estarão abertas entre 25 de maio e 30 de junho de 2026, devendo ser submetidas através do portal do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas.

O apoio à instalação de novos produtores pretende incentivar a entrada de jovens agricultores e novos criadores de bovinos, ovinos e caprinos em regime extensivo, reforçando um setor considerado essencial para a preservação das paisagens rurais e para a manutenção da atividade económica em territórios de baixa densidade.

Já a linha destinada à conversão de matos em pastagens visa criar mosaicos agroflorestais capazes de interromper a continuidade da vegetação combustível, funcionando como barreiras naturais à propagação dos incêndios.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de prevenção estrutural dos fogos rurais, valorizando práticas tradicionais de pastorícia e reconhecendo o papel das comunidades locais na gestão ativa da floresta e do território.

Além da componente ambiental e de proteção civil, o programa pretende ainda reforçar a coesão territorial e contribuir para os objetivos definidos no Plano Nacional de Energia e Clima 2030, através da promoção de práticas agrícolas sustentáveis e da recuperação produtiva de áreas abandonadas.

Com esta medida, o Executivo procura responder a um dos principais desafios do interior do país: conciliar prevenção de incêndios, desenvolvimento rural e sustentabilidade ambiental através de soluções de longo prazo assentes na ocupação ativa do território.

A Redação,
Fotos: DR

Aprovada moção a recomendar ao Governo a manutenção do helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros

 Foi aprovada, esta quinta-feira, uma moção que recomenda ao Governo a manutenção do helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros, na Assembleia Municipal de Bragança.


A moção foi apresentada por Bruno Veloso. O membro da bancada do Partido Socialista (PS), referiu que “é nestas alturas que devemos apresentar estas moções, porque a decisão ainda não está tomada, é uma tentativa obviamente legítima de influenciar a decisão política e as decisões políticas às vezes nem sempre têm que acompanhar aquilo que são alguns estudos técnicos ou reorganizativos de uma determinada organização, neste caso do INEM”, disse.

Defendeu ainda que “esta é uma questão mais do que política, mas sim de preocupação com aquilo que é o próprio sentimento de confiança das populações e de perceber qual é a natureza do helicóptero no nosso distrito”.

Relembrou o distrito continua a “ter algum déficit”, no que diz respeito a emergências médicas e que “enquanto não forem salvaguardadas todas estas situações, não há pressuposto nenhum que se mantenha”.

No entanto, o INEM garantiu ontem, em comunicado, que o contrato dos helicópteros de emergência médica se mantém em vigor até 30 de junho de 2030 e que não haverá qualquer alteração ao modelo operacional até essa data. O instituto assegurou que a base de Macedo de Cavaleiros se mantém “em pleno funcionamento”.

Se assim for, Bruno Veloso garantiu que fica “contente que não seja verdade”, mas que se baseia “naquilo que foram as declarações em sede de Comissão Parlamentar da ministra da Saúde, que também não disse que ia tirar o helicóptero, mas levantou essa possibilidade”. Acrescentou ainda que esta “é uma moção de defesa das populações e que estranhamos que o PSD venha aqui dizer que isto é levantar poeira. Não, não é levantar poeira”, apontou.

A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, também manifestou preocupação com o processo. “De facto, o que foi dito pelo Ministério da Saúde, através do INEM, que até 2030 haveria a possibilidade de retirar os quatro helicópteros que estão descentralizados, foi este o termo utilizado, para territórios mais centrais, está totalmente desequilibrado. É com grande preocupação que assisti a essas declarações, mas estou confiante que isso não aconteça porque era um grande golpe nas políticas de coesão territorial, nas políticas de valorização do interior e era tratar os portugueses de forma desigual, considerando que alguns têm mais direito à vida do que outros”, concluiu.

A moção deverá ser enviada aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, ao Governo, ao Presidente da República e às Assembleias Municipais do distrito de Bragança.

A moção foi aprovada com 33 votos a favor, nove abstenções e 27 votos contra.

Recorde-se que também está a decorrer uma petição pública online, que neste momento conta com 956 assinaturas.