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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Capela do Divino Salvador, Sortes. Tríptico Retabular da Paixão de Cristo!

 A freguesia de Sortes, que compreende a respetiva aldeia e as anexas de Lanção e Viduedo, situa-se na encosta Oriental da Serra da Nogueira, distante cerca de 16 km a Sudoeste de Bragança. A aldeia tem por templos católicos a Igreja Paroquial de São Mamede, da qual há notícia desde meados do século XIII, e a Capela do Divino Salvador, presumivelmente do século XV e requalificada pelo povo em 1693, conforme gravação na sineira.



As «Memórias Paroquiais» de 1758 referem-se-lhe como “Ermida da Sancta Vera Crux”, a onde “acodem muitas pessoas, no dia que se Solemniza Sua festa, aos tres do mes de Maio, a ganhar as Indulgençias ahi Conçedidas, da Irmandade”. Orientada na direção Norte-Sul e implantada numa elevação no espaço da aldeia, a pequena Capela destaca-se visualmente. O acesso, a uma frontaria simples à base de silhares de granito a terminar em empena, é feito por sete degraus de pedra. Está coroada por cruz trevolada sobre acrotério, com pináculo no pilar esquerdo e campanário de sineira única no lado direito, com cruz de ferro e catavento, voltado para a fachada direita e arruamento. Esta apresenta dois janelões geminados com vitrais de caixilharia, em arcos de volta perfeita assentes em três pilastras, à semelhança da fachada oposta. Tem saimento relativo à sacristia, com porta de acesso pelo exterior.

O interior é rebocado e pintado de branco e o teto forrado a madeira em forma de berço. A nave apresenta fausta luminosidade à conta dos referidos janelões. Contém púlpito de cantaria no lado do evangelho, de bacia plena e decoração frontal moldurada, com oito degraus adossados, sem guarda. O presbitério, individualizado por pórtico granítico de moldura recortada e arco quebrado, tem fresta para entrada de luz no lado do evangelho e porta de verga reta de acesso a sacristia no da epístola. Aposto lateralmente à parede está Nosso Senhor dos Passos, de quaresmal veste púrpura e realisticamente figurado em Via-Sacra, sobre mesa de altar em granito granulado, de suportes canelados.
No altar, elevado sobre supedâneo de granito de degrau duplo, a essência crística da Capela mostra-se em todo o esplendor, não obstante se apresentar em avançado estado de degradação e a merecer urgente restauro, porquanto a talha perdeu coloração e as fissuras avançam inexoravelmente. Na mesa, paralelepipédico e adossada ao embasamento, assenta bonito sacrário com cruz latina centrada na porta e envolvida por elementos vegetalistas, com dois anjos alados laterais adossados, sobrepujado por cara de anjo e coroamento à base de acantos enrolados.
O retábulo apresenta evidentes semelhanças, em termos de antiguidade, estilo decorativo e imagética, com o da capela dos Figueiredos na Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Quintela de Lampaças, de 1660. Em talha dourada do barroco, planta reta e três eixos, é constituído por quatro colunas salomónicas decoradas no fuste com vides e cachos de uva, putti e fénices, de base anelada e capitel coríntio. Assentam em plintos cúbicos com caras de anjos frontais, sendo superiormente unidas por entablamento interrompido pelo arco do nicho central.
A imagem do Divino Salvador exposto em Cruz revela a centralidade mística da Capela, com tela costeira pintura com árvores e, superiormente, o que aparenta uma cortina de camarim. Os nichos laterais, de vão retangular moldurado e arco pleno, convergem com o central, constituindo-se num tríptico doloroso da Sexta-feira Santa. Patenteiam sugestivas imagens alusivas à flagelação e apresentação de Jesus à multidão – Ecce Homo: a do lado do evangelho está de pé, preso à coluna da flagelação e de pulsos atados; a da epístola surge sentada com a cana na mão e os pulsos também atados.
Na parte superior do retábulo evolui arquivolta salomónica a unir as colunas interiores, decoração à base de acantos e florões, dois putti e remate com quatro volutas interrompidas por arco moldurado e cartela central. Sobre a mesa do altar nota para imagem de São Sebastião e duas, mais pequenas e possivelmente setecentistas, da Virgem Maria com o Menino. Crux ave, spes unica!

Susana Cipriano e Abílio Lousada

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