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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Viver Bem

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Recentemente o cineasta português João Canijo brindou-nos com um díptico explorando, em duas óticas, a complexidade de relacionamentos difíceis e penosos de duas realidades coexistentes num pequeno hotel, a dos proprietários e a dos utentes, que, adequadamente, titulou de “Mal Viver” e “Viver Mal”, respetivamente. É normal que a arte se debruce, ocupe e explore as situações mais críticas, impiedosas e, às vezes, cruéis. Sem qualquer reparo ou desmerecimento da qualidade, no caso em apreço, inquestionável, é preferível, porém, relatar, quando existente, as situações opostas ou as ações que as fomentam e promovem.

É o caso de uma Unidade de Investigação do IPB que tem por lema “Live Well” cuja tradução aponta o seu maior objetivo: Viver Bem!

Liderado pelo investigador Tiago Barbosa, este projeto, recorrendo aos recursos disponíveis na região, com especial relevo para a estância termal de Chaves, usando as melhores e mais evoluídas ferramentas da atualidade, com realce para a Inteligência Artificial e Machine Learning, em colaboração com várias instituições locais e nacionais (ULS Nordeste e Fundação Champalimaud), propõe-se promover a pesquisa interdisciplinar sobre a vida ativa e bem-estar, focando-se em compreender, para melhorar, a qualidade de vida em vários grupos demográficos, promovendo mudanças positivas na vida dos cidadãos e comunidades, com natural ênfase na nossa região.

Viver bem é algo que, obviamente, interessa a todos. Porém, os tempos que correm faz-nos olhar para este tema de forma diferente. Porque vivemos um tempo em que os desenvolvimentos nos tratamentos médicos e a diminuição na taxa de natalidade veio envelhecer a população, com grande incidência no nosso país e com maior gravidade nas regiões do interior, como o nosso nordeste, tornando-a mais frágil e necessitada de cuidados de saúde. Algumas das doenças não dispensam o tratamento nos Hospitais e Centros de Saúde mas, com os atuais desenvolvimentos da ciência médica e o uso de ferramentas cada vez mais eficientes e poderosas, muitas delas podem ser acompanhadas e cuidadas nos domicílios.

Segundo o último Relatório da OCDE Portugal não só está entre os países mais envelhecidos como ainda é um dos três que envelhecem mais rapidamente. Para complicar mais, o diferencial entre a esperança de vida e a esperança de vida saudável tendo vindo a crescer, tem valores significativos: 19 anos para os homens e 27 para as mulheres. É, pois, necessário acautelar os enormes desafios sociais e económicos que advêm da situação demográfica que o País enfrenta e permitir que todos, sem exceção, possam viver mais anos com maior autonomia e qualidade de vida. É esta missão que o projeto Live Well abraçou e está a trabalhar olhando com especial interesse as doenças que mais podem beneficiar dos avanços tecnológicos, quase independentemente das infraestruturas físicas que, em todo o país e, por maioria de razão, na nossa terra, escasseiam. Estão neste leque as doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson e que são, atualmente, de difícil tratamento. Só o Alzheimer e os distúrbios relacionados afetam mais de 7 milhões de europeus, com um custo de tratamento superior a 130 mil milhões de euros, prevendo-se que o número duplique a cada 20 anos.

Daí a premência e importância de projetos como este e, igualmente, a relevância da associação com a Fundação Champalimaud.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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