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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

O Cantus Noster - Voz Viva da Memória Transmontana


 Antes de falar do Cantus Noster, é impossível não destacar a figura do Francisco Prada, mentor, impulsionador e grande dinamizador da cultura Bragançana. Homem de visão e de uma dedicação rara às tradições de Trás-os-Montes, foi ele quem soube reconhecer a urgência de preservar um património que corria o risco de se perder no tempo. O Chico não criou apenas um grupo, o Chico semeou um movimento, despertou consciências, reuniu vontades e inspirou gerações a olhar para as suas raízes com orgulho. O Cantus Noster nasceu desse espírito inquieto e apaixonado, como uma extensão natural do seu compromisso com a cultura e a identidade da região.

O Cantus Noster foi um grupo de música etnográfica, mas foi, sobretudo, uma presença viva, pulsante, que marcou profundamente a vida cultural de Bragança ao longo de várias décadas. Nascido do entusiasmo genuíno de Bragançanos, a maioria professores e estudantes, comprometidos com a preservação das tradições populares, o grupo assumiu, desde cedo, a missão de dar voz à memória coletiva de Trás-os-Montes. Recolhiam, recriavam e devolviam ao povo as cantigas e sonoridades que se iam ouvindo no quotidiano rural, sobretudo nas terras da raia, onde a cultura, ainda hoje, se constrói na fronteira entre o tempo e a resistência.

As atuações transcendiam o conceito do  simples concerto ou atuação. Eram encontros emocionais com a identidade transmontana, momentos em que o passado e o presente se entrelaçavam. O som da caixa e do bombo, o dedilhar da guitarra e da viola, do cavaquinho e as vozes carregadas de história enchiam palcos, largos das aldeias, festas populares e encontros culturais. Quem assistia não fazia apenas parte do público, era parte de um ritual coletivo onde se reconhecia, onde se revia, onde sentia que aquelas músicas também lhe pertenciam.

Ao longo dos anos, o grupo conheceu diversas formações. Os rostos mudavam, os caminhos divergiam, mas a essência permanecia inabalável, a paixão pela música tradicional e a vontade firme de preservar um legado ameaçado pelo avanço do tempo e da modernidade. Cada nova formação do grupo trazia consigo novas energias, novas interpretações e até novas recolhas, provando que a tradição não é estática, é viva, adaptável, capaz de se reinventar sem nunca perder a sua alma.

E nessa caminhada, foram muitos os que deram corpo e voz a este projeto. A Fernanda, a Cristina, a Bárbara Silva, a Tété, a Raquel Castro, o Zé Rui, o Manuel Minhoto, a Isabel Martins, a Paula Machado, a Helena Subtil, a Glória Alves, a Céu Afonso, a Glória, o Henrique Jorge Dias, o Jorge Higino, o Maximino Silva, o António Tiza, o João Nunes, o Carlos Aguiar, o João Manuel Saldanha, e tantos outros que a memória, por vezes injusta, não consegue reter com a precisão merecida. Cada um deles contribuiu com o seu talento, o seu tempo e a sua dedicação. E até eu, quando era preciso, dava um jeito ao bombo. No Cantus Noster não havia papéis fixos, havia espírito de entreajuda e pertença.

Com o passar dos anos, as exigências da vida pessoal e profissional foram tornando mais difícil manter o grupo ativo. Lentamente, quase sem se dar por isso, o Cantus Noster foi-se silenciando. Mas não desapareceu. Ficou nas memórias que aqui partilho, nas noites de convívio, nos ensaios cheios de camaradagem, nas atuações em que o público também cantava, emocionado. Ficou, sobretudo, na certeza de que foi feito algo importante, preservar e dignificar um património imaterial de valor incalculável.

Evocar o nome Cantus Noster é abrir um baú de recordações, é revisitar uma época em que a música etnográfica transmontana encontrou voz em jovens apaixonados pelas suas raízes. É sentir saudades, mas também orgulho nos meus amigos. Aquilo que foi vivido não se perdeu, permanece na memória de quem ouviu, de quem participou, e de quem, de alguma forma, continua a levar consigo esse canto nosso… esse Cantus Noster.

Os que viraram as costas ao Chico Prada, quando ele mais precisava de apoio são uns cobardes, não valem nada! O Chico fará sempre parte da história de Bragança. Os cobardes, vegetam até ao dia em que o diabo os leve.

O Cantus Noster esteve na Génese do Grupo Etnográfico da Casa do Professor de Bragança de que falarei um dia. Isto se não houver alguém que o faça antes de mim.

HM
20 de Abril de 2026, (para que a memória dos homens, e a da terra, não se perca)

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