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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Notícias da aldeia de Milhão

Por: Fernando Calado
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Fotos de Emídio Galvão

 O meu primo Emídio Galvão quase me adivinha os pensamentos. Secretário da Junta de Freguesia, devolve-nos as memórias e ouvem-se de novo as vozes que há muito se calaram.

Andava eu incomodado com o abandono da Fonte de Cima, a fonte de mergulho da minha infância.

- Vê lá se cais à fonte, meu rei! — avisava a velha empregada da casa, quase mãe. Nunca caí à fonte, Sara! Mas tantas vezes me caíram lágrimas, misturadas com as silvas que esplendorosamente ocultavam a fonte e silenciavam o ribeiro que timidamente corria por baixo da ponte, que já não dava passagem para a outra margem.

A obra fez-se… urbanizou-se o espaço e a fonte esquecida renasceu das cinzas… fénix renascida em plena alvorada. O Emídio ia avisando que a obra estava quase pronta. Já vi o arranjo final com olhos marejados… mágoas antigas.

- Não sabia que havia aí uma fonte! — dizem muitos.

Havia uma fonte… há uma fonte… renasce o ribeiro e regressa tanta gente que, de cântaro no braço, vai à fonte… bebem água… dizem segredos em surdina… lavam a roupa, que fica a corar na relva fresca… e é madrugada… e a cegonha passa rasante à beira da saudade.

… e é quase Verão… com segadores…  cheios de sede que descansam no aconchego da fonte.

… Obrigado


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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