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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

MIRANDA DO DOURO RECEBE PRIMEIRA BIENAL DO TEATRO POPULAR MIRANDÊS

 O concelho de Miranda do Douro vai acolher, nos dias 22 e 23 de maio, a primeira Bienal do Teatro Popular Mirandês (TPM), uma iniciativa que pretende preservar, valorizar e projetar uma das mais autênticas manifestações culturais da Terra de Miranda.


A iniciativa, promovida pela Associação Tradifols, Artes e Ritmos (fundada em 2024) decorrerá em vários pontos do concelho brigantino e reunirá grupos de teatro, investigadores, artistas e comunidade local em torno de um património profundamente ligado à memória coletiva e à identidade mirandesa.

O regrador e estudioso do TPM, António García, sublinhou que esta bienal nasce da necessidade de manter viva uma tradição secular que resistiu ao tempo graças à forte ligação das populações às suas raízes culturais.

“O Teatro Popular Mirandês ultrapassa a dimensão do simples entretenimento, afirmando-se como um espaço de expressão cultural, transmissão de saberes e resistência identitária”, afirmou.

Historicamente associado a contextos rurais, festividades religiosas, romarias e momentos de convívio comunitário, o TPM constitui uma expressão artística singular do Planalto Mirandês, marcada pela oralidade, pela participação popular e pela adaptação contínua dos textos às realidades locais.

A programação da primeira edição inclui a apresentação do auto “A Confissão do Marujo”, recolhido na aldeia da Póvoa, em Miranda do Douro, bem como a estreia de “A Tia Lucrécia”, pelo Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC), parceiro da organização.

Para António García, a Bienal assume-se como muito mais do que um simples evento cultural.

“É um encontro, uma celebração e um espaço de criação que pretende unir diferentes gerações e agentes culturais, funcionando também como motor de desenvolvimento social, cultural e económico do Planalto Mirandês”, destacou.

Também envolvido no projeto, o linguista, escritor e investigador António Bárbolo Alves defende que o Teatro Popular Mirandês resulta de um complexo processo de cruzamento cultural, impossível de explicar a partir de uma única origem.

“O que hoje designamos como Teatro Popular Mirandês é fruto de várias correntes culturais que se fundiram no isolamento geográfico do Planalto Mirandês”, explicou.

Segundo o académico, os textos revelam influências diretas da escola vicentina e de dramaturgos peninsulares dos séculos XVI e XVII, como Baltasar Dias, Afonso Álvares, António Pires Gonge ou António Cândido de Vasconcelos, além de autores castelhanos cujas obras circulavam livremente nas feiras e romarias da região fronteiriça.

No entanto, António Bárbolo Alves sublinha que foram os chamados “regradores” locais os verdadeiros responsáveis pela preservação e reinvenção desta tradição.

“Eram encenadores, copistas e guardiões da memória coletiva. Não se limitavam a reproduzir os textos: adaptavam as falas, transformavam as palavras e aproximavam as histórias da realidade concreta das aldeias”, referiu.

A riqueza linguística do TPM é outro dos elementos destacados pelo investigador, que aponta a coexistência do português e do castelhano profundamente marcados pela oralidade mirandesa.

“Trata-se de um registo precioso sobre a forma como as comunidades locais se apropriaram de textos vindos de fora e os transformaram em património seu”, concluiu.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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