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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

UM AMOR QUE MORREU PREMATURAMENTE

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


Houve um sentimento que nem chegou a aprender o nome das estrelas.

Morreu ainda no ventre do impossível, antes do primeiro abraço inteiro, antes das mãos criarem raízes uma na outra, antes da vida lhe acender a primeira madrugada nos olhos.

Era um sentimento ainda em estado de semente, mas já trazia dentro de si jardins, riso, gargalhadas livres como pássaros em manhã de verão, e aquela felicidade rara que não se compra, não se herda, não se deposita em bancos, apenas se sente, como chuva morna na alma.

Mas vieram os números, frios e metálicos.

E os sentimentos, tão frágeis diante da ambição, começaram a ser medidos como se o coração pudesse caber numa balança.

De um lado, o ouro, do outro, a ternura.

Há pessoas que preferem o eco das moedas ao som cristalino de uma gargalhada partilhada.

Vestem-se de abundância, mas caminham pobres por dentro, porque nunca compreenderam que há riquezas que não sobrevivem fora do peito.

E assim, o sentimento definhou devagar, como uma vela sufocada antes de incendiar a noite.

Não houve traição de corpos, nem guerras.

Houve algo pior:

a rendição da alma ao valor das coisas.

O sentimento que acabava de nascer morreu prematuramente.

Sem funeral.

Sem flores.

Sem testemunhas.

Morreu porque o mundo ensinou demasiadas pessoas a contar dinheiro, mas não a contar estrelas ao lado de quem nos faz feliz.

Esqueceram-se de que há mãos vazias capazes de oferecer universos inteiros.

Há sentimentos que não morrem, são assassinados antes do primeiro voo.

E deixam no peito uma dor estranha, a dor infinita de tudo aquilo que podia ter sido eternidade, mas foi enterrado vivo pelo peso frio do dinheiro.

M.C.M (São Marques)


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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