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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Transparência opaca

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Já quase tudo foi dito sobre o desastrado discurso do Presidente da Assembleia da República por ocasião da sessão comemorativa do vinte e cinco de abril. A começar pela questionável opção do uso da caricatura para defender a redução do escrutínio dos políticos, supostamente exagerado. Não é. Mas, mesmo que fosse, não tem a dignidade para ser trazido à colação numa sessão solene da magnitude, importância e relevo das comemorações do dia da libertação da funesta ditadura que durante meio século oprimiu e espezinhou o povo português. Trazendo-o, porém, a opção pelo recurso à paródia não foi o mais acertado. Não só pelo desajuste à circunstância como, igualmente, pela desvalorização do tema. E não só. Trazendo, de arrasto, a problemática dos salários dos políticos, arrastou para um patamar de caricatura um assunto sério. É verdade que os titulares de cargos públicos ganham mal e isto não pode nem deve ser arrastado para o plano da piada fácil e depreciativa. Mais, a associação deste tema com o suposto excesso de exposição dos seus rendimentos, abre caminho para perigosas elucubrações. Se não, vejamos. Quando, a seguir à contenção dos rendimentos dos políticos se decidiu pela reposição dos seus rendimentos, em vez de se atualizar os valores nominais optou-se, erradamente, pela introdução e majoração das chamadas “despesas de representação” para, ao mesmo tempo, acomodar a necessária revisão e não a assumir publicamente perante o eleitorado. Deplorável! A coisa pública tem de ser gerida pelos melhores, pois só assim se garante e defende o interesse comum e, por consequência, estes têm de ser bem pagos pois, de outra forma, optarão, naturalmente por escolher carreiras onde a sua competência seja justamente reconhecida, valorizada e recompensada. Ao juntar estas duas questões, a remuneração e o escrutínio, fica a impressão que se este diminuir pode-se aumentar aquela… longe dos olhares “indiscretos”. Lamentável!

O pior é que esta “investida” de Aguiar Branco não surgiu do nada, não apareceu isolada, mas insere-se numa campanha iniciada já há algum tempo pelo seu correligionário e líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares. Curiosamente, certamente não por acaso, numa altura em que a atenção dos média se voltaram para o Primeiro Ministro, não só por causa da sua empresa Spinum Viva, mas igualmente, da sua casa, cuja associação é facilmente encontrada no inapropriado discurso do Presidente da Assembleia na referência ao elevador domiciliário que, como é certo e sabido não é um equipamento vulgar em habitações unifamiliares portuguesas.

Acontece que, pela mesma altura, surgiu no espaço mediático a intenção (espero que não passe disso) do Executivo em alargar, de forma significativa, os limites para os ajustes diretos nos contratos das entidades adjudicantes. Não é este o caminho! É verdade que a contratação pública é um calvário, que dificulta, para lá do razoável a atividade económica, sobretudo aquela que em muito depende da rapidez e flexibilidade, como a utilização de tecnologias de ponta e a investigação científica, mas não é excecionando determinados bens que se resolve o problema (embora possa, pontualmente, ajudar) sobretudo numa altura em que se reclama mais opacidade sobre os rendimentos dos decisores. Não. A solução passa pela racionalização e aligeiramento de todo o procedimento que, pasme-se (falo por conhecimento próprio), é mais complexo e consumidor de tempo e recursos, agora, que o uso das novas tecnologias é obrigatório, do que no tempo em que tudo era feito, manualmente e com recurso ao papel!!!


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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