A iniciativa decorreu entre sexta-feira a domingo, em Mirandela.
Há mais de 1200 alunos africanos no Instituto Politécnico de Bragança, sendo que em Mirandela, na Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo, esta comunidade está representada por quase 230 pessoas. E é por aqui que se voltou a repetir a Semana d'África, uma iniciativa promovida por estes alunos e que pretende, acima de tudo, homenagear a presença da cultura africana na região. Para quem deixou o continente, Mirandela tem-se revelado uma boa surpresa. "Sou uma pessoa que gosta de novos desafios e decidi arriscar. Custou muito deixar a zona de conforto mas aguentei e estou a gostar de cá estar.
No inicio foi um pouco complicado, ninguém nos conhece de lado nenhum e por isso ninguém nos vai dar confiança. Com o tempo fui conhecendo as pessoas e ganhei aqui grandes amigos. Amo Mirandela”, contou Euclides Júnior, de 20 anos, natural de Moçambique. “Foi complicado no início, tive que me adaptar. Aqui em Mirandela sentimo-nos em casa e somos muito bem acolhidos”, disse Aníbal Francisco, 25 anos, da Guiné Bissau. “É uma cidade muito acolhedora. Não vejo preconceito nenhum. As pessoas que vieram na minha altura foram muito bem recebidas. Não há nada negativo a apontar. É tudo positivo”, referiu Nilton Soares, de São Tomé Príncipe.
A iniciativa começou sexta-feira e contou com atividades desportivas e culturais, uma mini feira e uma palestra alusiva a África. Vanderlei Antunes, presidente da associação dos estudantes africanos em Mirandela, sublinha o convívio criado entre os alunos. “Já vamos na terceira edição aqui em Mirandela e como associação temos uma preocupação no aspecto de fomentar laços de amizade entre toda a comunidade africana do IPB. Sabemos que estamos longe de casa e é bom que existam este tipo de laços entre todos os alunos”.
Os alunos têm sido bem recebidos, contudo, segundo o presidente da associação, Mirandela tem pouca oferta em termos de alojamento. “Actualmente, a associação encontra-se com grandes dificuldades de alojamento, a cidade não foi preparada para receber tantos alunos. O nível de especulação imobiliária tem afectado muito. As outras dificuldades são o clima, a comida e a adaptação mas a comunidade tem recebido bem os alunos que vêm do exterior. Não há nenhum tipo de conflito ou desigualdade”.
Estes alunos africanos são provenientes da Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Guiné Equatorial e, com uma representatividade de quase 900 alunos, de Cabo Verde.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
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SOBRE O BLOGUE:
Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço.
A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)
(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.
segunda-feira, 3 de junho de 2019
9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra
Os muros de pedra são um ícone do património rural e da paisagem transmontana. Possuem um grande valor, quer para as comunidades, quer para a conservação da biodiversidade. Além de servirem as necessidades das populações, os muros de pedra são um abrigo e refúgio para várias espécies de plantas e animais.
Apesar da sua elevada importância, atualmente, são já poucas as pessoas que sabem como construí-los ou repará-los. É no sentido de tentar combater esse esquecimento e de transmitir a riqueza e o potencial destas técnicas construtivas que a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural organiza a 9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra, que terá lugar na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, nos dias 15 e 16 de junho.
Nesta oficina, vamos reconstruir as paredes de um pombal tradicional na aldeia de Uva. Os participantes terão a oportunidade de aprender a trabalhar o xisto.
Formador: Nuno Martins
PROGRAMA
15 de junho | sábado
9h00 Encontro dos participantes no café da aldeia
9h30 Introdução teórica
10h15 Início da componente prática
12h30 Almoço
14h30 Continuação dos trabalhos
18h00 Fim dos trabalhos do dia
16 de junho | domingo
9h00 Continuação dos trabalhos
12h30 Almoço
14h30 Continuação dos trabalhos
16h00 Fim dos trabalhos do dia
INSCRIÇÕES
PREÇO
Sócios da Palombar: 25€
Não-sócios*: 50€
*Poderá fazer-se sócio no ato da inscrição e, assim, usufruir do desconto aplicável.
CONDIÇÕES
- As inscrições estão limitadas a 12 pessoas;
- A data limite de inscrição é o dia 11 de junho;
- O curso só se realizará se houver um mínimo de 5 participantes inscritos – em caso de cancelamento, os participantes inscritos serão devidamente informados até ao dia 11 de junho;
- Os participantes interessados em almoçar com os formadores deverão contar com 7€ por refeição – agradecemos que nos comunique o seu interesse atempadamente, para procedermos à reserva.
INSCREVA-SE AQUI.
Após preencher o formulário de inscrição, envie para o e-mail palombar@palombar.pt o comprovativo de pagamento, o qual deverá ser efetuado para o IBAN PT50004522624021507266657, com o assunto "Comprovativo de pagamento - 9.ª Oficina de Muros de Pedra", indicando o seu nome. Poderá também realizar o pagamento no primeiro dia da Oficina.
CONSELHOS
Aconselha-se os participantes a trazerem: roupas de trabalho frescas e confortáveis, sapatos de biqueira de aço, luvas de trabalho, chapéu, protetor solar, agasalhos para as noites.
Apesar da sua elevada importância, atualmente, são já poucas as pessoas que sabem como construí-los ou repará-los. É no sentido de tentar combater esse esquecimento e de transmitir a riqueza e o potencial destas técnicas construtivas que a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural organiza a 9.ª Oficina de Construção de Muros de Pedra, que terá lugar na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, nos dias 15 e 16 de junho.
Nesta oficina, vamos reconstruir as paredes de um pombal tradicional na aldeia de Uva. Os participantes terão a oportunidade de aprender a trabalhar o xisto.
Formador: Nuno Martins
PROGRAMA
15 de junho | sábado
9h00 Encontro dos participantes no café da aldeia
9h30 Introdução teórica
10h15 Início da componente prática
12h30 Almoço
14h30 Continuação dos trabalhos
18h00 Fim dos trabalhos do dia
16 de junho | domingo
9h00 Continuação dos trabalhos
12h30 Almoço
14h30 Continuação dos trabalhos
16h00 Fim dos trabalhos do dia
INSCRIÇÕES
PREÇO
Sócios da Palombar: 25€
Não-sócios*: 50€
*Poderá fazer-se sócio no ato da inscrição e, assim, usufruir do desconto aplicável.
CONDIÇÕES
- As inscrições estão limitadas a 12 pessoas;
- A data limite de inscrição é o dia 11 de junho;
- O curso só se realizará se houver um mínimo de 5 participantes inscritos – em caso de cancelamento, os participantes inscritos serão devidamente informados até ao dia 11 de junho;
- Os participantes interessados em almoçar com os formadores deverão contar com 7€ por refeição – agradecemos que nos comunique o seu interesse atempadamente, para procedermos à reserva.
INSCREVA-SE AQUI.
Após preencher o formulário de inscrição, envie para o e-mail palombar@palombar.pt o comprovativo de pagamento, o qual deverá ser efetuado para o IBAN PT50004522624021507266657, com o assunto "Comprovativo de pagamento - 9.ª Oficina de Muros de Pedra", indicando o seu nome. Poderá também realizar o pagamento no primeiro dia da Oficina.
CONSELHOS
Aconselha-se os participantes a trazerem: roupas de trabalho frescas e confortáveis, sapatos de biqueira de aço, luvas de trabalho, chapéu, protetor solar, agasalhos para as noites.
domingo, 2 de junho de 2019
Despiste faz um ferido em Santo Antão da Barca
Um homem, com cerca de 35 anos, sofreu ferimentos graves na sequência do despiste de uma viatura na estrada de acesso a Santo Antão da Barca, na freguesia de Parada, em Alfândega da Fé, este domingo cerca das 16h45.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé indicou que a vítima foi encontrada no exterior da viatura e que se presume tenha sido projetada durante o acidente.
Trata-se de um homem residente na aldeia de Vilar Chão que, segundo João Martins, foi socorrido por seis operacionais apoiados por três viaturas.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé indicou que a vítima foi encontrada no exterior da viatura e que se presume tenha sido projetada durante o acidente.
Trata-se de um homem residente na aldeia de Vilar Chão que, segundo João Martins, foi socorrido por seis operacionais apoiados por três viaturas.
Feira do Fumeiro de Vinhais distinguida
A Feira do Fumeiro de Vinhais, no nordeste Transmontano, foi distinguida com um prémio na categoria “Contributo para a Defesa da Gastronomia como Património Nacional” pela Associação da hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).
Trata-se do certame do género mais antigo de Portugal que comemora quatro décadas no próximo ano e que anualmente é uma montra do fumeiro regional, um dos produtos com maior peso económico no concelho transmontano.
A distinção partiu da AHRESP que atribui anualmente prémios em várias categorias ligadas aos setores da gastronomia, restauração e hotelaria, segundo o município.
Trata-se do certame do género mais antigo de Portugal que comemora quatro décadas no próximo ano e que anualmente é uma montra do fumeiro regional, um dos produtos com maior peso económico no concelho transmontano.
A distinção partiu da AHRESP que atribui anualmente prémios em várias categorias ligadas aos setores da gastronomia, restauração e hotelaria, segundo o município.
Fogo em Carrazeda de Ansiães combatido por cinco meios aéreos
Um incêndio em mato deflagrou hoje em Carrazeda de Ansiães (Bragança) e está a ser combatido por 66 operacionais, apoiados por 17 veículos, e cinco meios aéreos, mas não há casas em perigo.
"O alerta do incêndio foi dado as 15:14 desta tarde e arde mato nesta altura (16:48)", disse à Lusa fonte do Comando Distrital de Operação de Socorros (CDOS) de Bragança.
Fonte dos Bombeiros de Carrazeda de Ansiães, que estão a combater as chamas, adiantaram à Lusa que arde pinhal e mato, mas não há habitações em perigo.
"O alerta do incêndio foi dado as 15:14 desta tarde e arde mato nesta altura (16:48)", disse à Lusa fonte do Comando Distrital de Operação de Socorros (CDOS) de Bragança.
Fonte dos Bombeiros de Carrazeda de Ansiães, que estão a combater as chamas, adiantaram à Lusa que arde pinhal e mato, mas não há habitações em perigo.
sábado, 1 de junho de 2019
Vários concelhos de Trás-os-Montes têm mais reformados do que trabalhadores
Quase um quarto dos concelhos em Portugal continental tem mais pensionistas do que trabalhadores.
O interior é o que mais sente esta realidade, com Vinhais a ocupar o primeiro lugar. Neste concelho de Bragança, a população queixa-se que não há jovens porque não há empregos que os fixem.
O interior é o que mais sente esta realidade, com Vinhais a ocupar o primeiro lugar. Neste concelho de Bragança, a população queixa-se que não há jovens porque não há empregos que os fixem.
…conta das rosas para as minhas netas Lara e Joana e para todas as netas e netos no dia mundial da criança
Por: Fernando Calado
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
- Bom dia!
Disse eu a todas as roseiras que milagrosamente se fazem junho. Perfume. E a cor é tanta que os olhos ficam.
Bom dia!
Disse a roseira que tem muitas rosas, muito bonitas! Perfumadas. Mas todas iguais. É uma roseira muito vaidosa e gosta de morar à beira do caminho para ouvir as pessoas dizer:
- Que rosas tão bonitas e cheiram tão bem!
E a roseira fica toda orgulhosa e no dia seguinte ainda tem mais rosas. Perfumadas. Muito bonitas!
- Obrigado roseira que tens muitas rosas!
Digo eu, mas a roseira não diz nada… mas noto que fica contente e no dia seguinte ainda tem mais rosas e mais e mais! És tão bonita!
Mas perto estão duas pequenas roseiras. Uma tem uma rosa branca e a outra uma rosa cor-de-rosa toda aos caracóis!
- Bom dia rosa branca e rosa aos caracóis!
Das suas pétalas caíram duas lágrimas de orvalho!
… estavam tristes por serem, somente, uma rosa branca e uma rosa aos caracóis e ninguém reparar que estão ali e por ninguém dizer que rosas tão bonitas!
Mas eu fiquei mais feliz e a manhã mais bonita, não por ter muitas rosas, mas por ter uma rosa branca e uma rosa aos caracóis… únicas… diferentes!
As lágrimas das rosas orvalharam os meus olhos e toda a natureza se harmonizou!
…um rouxinol cantava!
Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança.
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
- Bom dia!
Disse eu a todas as roseiras que milagrosamente se fazem junho. Perfume. E a cor é tanta que os olhos ficam.
Bom dia!
Disse a roseira que tem muitas rosas, muito bonitas! Perfumadas. Mas todas iguais. É uma roseira muito vaidosa e gosta de morar à beira do caminho para ouvir as pessoas dizer:
- Que rosas tão bonitas e cheiram tão bem!
E a roseira fica toda orgulhosa e no dia seguinte ainda tem mais rosas. Perfumadas. Muito bonitas!
- Obrigado roseira que tens muitas rosas!
Digo eu, mas a roseira não diz nada… mas noto que fica contente e no dia seguinte ainda tem mais rosas e mais e mais! És tão bonita!
Mas perto estão duas pequenas roseiras. Uma tem uma rosa branca e a outra uma rosa cor-de-rosa toda aos caracóis!
- Bom dia rosa branca e rosa aos caracóis!
Das suas pétalas caíram duas lágrimas de orvalho!
… estavam tristes por serem, somente, uma rosa branca e uma rosa aos caracóis e ninguém reparar que estão ali e por ninguém dizer que rosas tão bonitas!
Mas eu fiquei mais feliz e a manhã mais bonita, não por ter muitas rosas, mas por ter uma rosa branca e uma rosa aos caracóis… únicas… diferentes!
As lágrimas das rosas orvalharam os meus olhos e toda a natureza se harmonizou!
…um rouxinol cantava!
Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança.
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.
DESCOBERTA NOVA ESPÉCIE DE BORBOLETA EM PORTUGAL
Pistas deixadas por morcegos-de-ferradura ajudam a descobrir esta pequena borboleta nocturna, de antenas pretas e brancas.
A borboleta-do-morcego-de-ferradura (Ypsolopha rhinolophi) só entrou para a lista de espécies de insectos registados em Portugal porque foi comida por dois morcegos.
Esta espécie foi descrita pela primeira vez para Portugal num artigo científico publicado a 24 de Maio na revista Zootaxa, por três investigadores do CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos).
É uma borboleta nocturna beije, com antenas pretas e brancas.
“Há borboletas muito mais pequeninas mas, ainda assim, esta é considerada uma borboleta pequena”, com uma envergadura de asa entre os 17 e os 18,5 milímetros, explicou à Wilder Sónia Ferreira, investigadora do CIBIO-InBIO e uma das autoras do estudo.
Pertence ao género Ypsolopha que, actualmente, tem mais de 160 espécies descritas em todo o mundo. Em Portugal estão descritas cinco e na Península Ibérica, 21.
“Nesta fase ainda não sabemos ao certo qual o habitat onde esta espécie ocorre”, acrescentou Sónia Ferreira. Mas a investigadora acredita que a espécie não terá uma distribuição muito restrita porque, à partida, ocorre em carvalhais.
De acordo com o artigo científico, algumas larvas foram encontradas no início de Junho a alimentar-se de folhas de carvalho-negral (Quercus pyrenaica). As borboletas adultas emergiram no início de Julho.
Os dois morcegos e a borboleta
A descoberta de uma nova espécie não é, necessariamente, um caminho que se percorre a direito. E foi isso que aconteceu com esta borboleta que, até agora, tinha passado completamente despercebida e estava de fora da lista de mais de 2.600 espécies de borboletas nocturnas conhecidas em Portugal.
Os investigadores não estavam à procura de espécies novas mas sim a estudar a dieta dos morcegos no Norte de Portugal.
O grande objectivo era identificar as diferentes espécies de insectos das quais os morcegos se alimentavam e assim perceber como nos podem ajudar no combate às pragas agrícolas.
Para isso os investigadores analisaram o conteúdo das fezes dos morcegos recorrendo a uma técnica conhecida por Código de Barras de DNA ou DNA Barcoding.
Ora, em 2018, nas fezes de dois morcegos-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum) foi encontrado um novo Código de Barras de DNA, ou seja, um segmento curto de DNA que pode ser analisado para distinguir espécies.
“Observámos que um segmento de DNA era semelhante ao de uma borboleta, contudo distinto das espécies já conhecidas”, explicou, em comunicado, Vanessa Mata, co-autora do artigo.
Os investigadores voltaram então ao sítio onde haviam recolhido as fezes de morcego em busca de borboletas. Encontraram algumas borboletas com anatomia claramente diferente das espécies já conhecidas e cujo DNA era perfeitamente compatível ao “novo” Código de Barras encontrado nas fezes do morcego.
Assim foi reconhecida a existência de uma nova espécie para a ciência, com base em dados morfológicos e genéticos. Pode-se dizer que os primeiros indivíduos a encontrar esta nova espécie foram efetivamente dois morcegos de ferradura, pertencentes ao género Rhinolophus. Os autores do artigo decidiram, então, nomear a nova espécie em sua honra: Ypsolopha rhinolophi.
“A história desta descoberta é muito gira”, disse Sónia Ferreira que admitiu ter um “carinho especial pela espécie”.
Ao revisar os exemplares de borboletas presentes em diferentes museus de História Natural, os autores verificaram que a nova espécie de borboleta não ocorre somente no Norte de Portugal mas também no Sul de França.
“Sabemos muito pouco sobre o grupo mais diverso de animais no nosso país”
Hoje em dia já não é raro descobrirem-se novas espécies de borboletas nocturnas em Portugal.
“Há 15 anos era comum encontrar-se uma espécie nova para Portugal por noite”, lembra Sónia Ferreira.
Actualmente existem mais de 2.600 espécies de borboletas nocturnas citadas para o país.
“Os últimos anos têm sido realmente especiais no estudo dos insectos em Portugal”, disse Sónia Ferreira, lembrando a iniciativa de Barcoding a decorrer no CIBIO-InBIO – desde 2015 já estão registados mais de 7.000 exemplares de mais de 2.500 espécies de invertebrados -, iniciativas de ciência cidadã como o projecto Vacaloura.pt e o “tão esperado projecto da Lista Vermelha dos Invertebrados de Portugal”.
“Mas continuamos a encontrar espécies novas e acredito que esta não será a última espécie a ser descrita para Portugal.”
Na opinião desta investigadora, esta descoberta “salienta de que forma os morcegos são relevantes para o controlo de pragas agrícolas e ainda o quanto ainda não sabemos sobre a biodiversidade em Portugal”.
Ainda “sabemos muito pouco sobre o grupo mais diverso de animais no nosso país. Não sabemos quantos são, quem são, nem onde estão”.
Efectivamente a descrição de uma espécie nova, por muito interessante que seja, é apenas a ponta do icebergue do que é o estudo dos insectos. “Dar-lhes um nome é extremamente importante mas depois há que saber a sua ecologia, distribuição e comportamento, por exemplo”, acrescentou.
“Mas estamos no bom caminho em diversos grupos taxonómicos para que essa informação seja gerada e tornada acessível a todos.”
Esta investigadora defende que é preciso mais financiamento e mais especialistas e novos investigadores nesta área.
“Nesse aspecto é fundamental a divulgação do que já se faz, para atrair mais pessoas. O futuro promete, vamos lá a isso.”
O estudo agora publicado foi desenvolvido no âmbito do projecto EnvMetaGen CIBIO-InBIO, mais precisamente a iniciativa IBI: InBIO Barcoding Initiative. Este projecto é financiado pelo programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia e tem como objectivo fomentar a investigação em metagenómica ambiental em Portugal, e o IBI consiste na construção de uma biblioteca de códigos de barras de DNA de Invertebrados.
Saiba mais.
Por que são as borboletas nocturnas atraídas pela luz? Esta é uma pergunta que fizemos a Sónia Ferreira.
“Ainda não há nenhuma teoria oficialmente aceite. Mas há algumas defendidas por vários peritos. Uma diz que é uma questão de orientação destes animais, pela luz da Lua. Outra diz que, simplesmente, as borboletas ficam super estimuladas e perdem o controlo, andando às voltas de candeeiros, por exemplo.
Sobre os impactos da poluição luminosa ainda pouco se sabe.
“Muita luz pode alterar os hábitos das espécies mas não há dados que o provem. Acredito que possa aumentar drasticamente a mortalidade de insectos nos candeeiros de rua e os morcegos tiram partido deste ponto de atracção. Há morcegos que andam entretidos à volta dos candeeiros, à caça.
![]() |
| Foto: João Nunes |
A borboleta-do-morcego-de-ferradura (Ypsolopha rhinolophi) só entrou para a lista de espécies de insectos registados em Portugal porque foi comida por dois morcegos.
Esta espécie foi descrita pela primeira vez para Portugal num artigo científico publicado a 24 de Maio na revista Zootaxa, por três investigadores do CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos).
É uma borboleta nocturna beije, com antenas pretas e brancas.
“Há borboletas muito mais pequeninas mas, ainda assim, esta é considerada uma borboleta pequena”, com uma envergadura de asa entre os 17 e os 18,5 milímetros, explicou à Wilder Sónia Ferreira, investigadora do CIBIO-InBIO e uma das autoras do estudo.
Pertence ao género Ypsolopha que, actualmente, tem mais de 160 espécies descritas em todo o mundo. Em Portugal estão descritas cinco e na Península Ibérica, 21.
“Nesta fase ainda não sabemos ao certo qual o habitat onde esta espécie ocorre”, acrescentou Sónia Ferreira. Mas a investigadora acredita que a espécie não terá uma distribuição muito restrita porque, à partida, ocorre em carvalhais.
De acordo com o artigo científico, algumas larvas foram encontradas no início de Junho a alimentar-se de folhas de carvalho-negral (Quercus pyrenaica). As borboletas adultas emergiram no início de Julho.
Os dois morcegos e a borboleta
A descoberta de uma nova espécie não é, necessariamente, um caminho que se percorre a direito. E foi isso que aconteceu com esta borboleta que, até agora, tinha passado completamente despercebida e estava de fora da lista de mais de 2.600 espécies de borboletas nocturnas conhecidas em Portugal.
Os investigadores não estavam à procura de espécies novas mas sim a estudar a dieta dos morcegos no Norte de Portugal.
O grande objectivo era identificar as diferentes espécies de insectos das quais os morcegos se alimentavam e assim perceber como nos podem ajudar no combate às pragas agrícolas.
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| Morcegos Rhinolophus. Foto: Sónia Ferreira |
Para isso os investigadores analisaram o conteúdo das fezes dos morcegos recorrendo a uma técnica conhecida por Código de Barras de DNA ou DNA Barcoding.
Ora, em 2018, nas fezes de dois morcegos-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum) foi encontrado um novo Código de Barras de DNA, ou seja, um segmento curto de DNA que pode ser analisado para distinguir espécies.
“Observámos que um segmento de DNA era semelhante ao de uma borboleta, contudo distinto das espécies já conhecidas”, explicou, em comunicado, Vanessa Mata, co-autora do artigo.
Os investigadores voltaram então ao sítio onde haviam recolhido as fezes de morcego em busca de borboletas. Encontraram algumas borboletas com anatomia claramente diferente das espécies já conhecidas e cujo DNA era perfeitamente compatível ao “novo” Código de Barras encontrado nas fezes do morcego.
Assim foi reconhecida a existência de uma nova espécie para a ciência, com base em dados morfológicos e genéticos. Pode-se dizer que os primeiros indivíduos a encontrar esta nova espécie foram efetivamente dois morcegos de ferradura, pertencentes ao género Rhinolophus. Os autores do artigo decidiram, então, nomear a nova espécie em sua honra: Ypsolopha rhinolophi.
“A história desta descoberta é muito gira”, disse Sónia Ferreira que admitiu ter um “carinho especial pela espécie”.
Ao revisar os exemplares de borboletas presentes em diferentes museus de História Natural, os autores verificaram que a nova espécie de borboleta não ocorre somente no Norte de Portugal mas também no Sul de França.
“Sabemos muito pouco sobre o grupo mais diverso de animais no nosso país”
Hoje em dia já não é raro descobrirem-se novas espécies de borboletas nocturnas em Portugal.
“Há 15 anos era comum encontrar-se uma espécie nova para Portugal por noite”, lembra Sónia Ferreira.
Actualmente existem mais de 2.600 espécies de borboletas nocturnas citadas para o país.
“Os últimos anos têm sido realmente especiais no estudo dos insectos em Portugal”, disse Sónia Ferreira, lembrando a iniciativa de Barcoding a decorrer no CIBIO-InBIO – desde 2015 já estão registados mais de 7.000 exemplares de mais de 2.500 espécies de invertebrados -, iniciativas de ciência cidadã como o projecto Vacaloura.pt e o “tão esperado projecto da Lista Vermelha dos Invertebrados de Portugal”.
“Mas continuamos a encontrar espécies novas e acredito que esta não será a última espécie a ser descrita para Portugal.”
Na opinião desta investigadora, esta descoberta “salienta de que forma os morcegos são relevantes para o controlo de pragas agrícolas e ainda o quanto ainda não sabemos sobre a biodiversidade em Portugal”.
Ainda “sabemos muito pouco sobre o grupo mais diverso de animais no nosso país. Não sabemos quantos são, quem são, nem onde estão”.
Efectivamente a descrição de uma espécie nova, por muito interessante que seja, é apenas a ponta do icebergue do que é o estudo dos insectos. “Dar-lhes um nome é extremamente importante mas depois há que saber a sua ecologia, distribuição e comportamento, por exemplo”, acrescentou.
“Mas estamos no bom caminho em diversos grupos taxonómicos para que essa informação seja gerada e tornada acessível a todos.”
Esta investigadora defende que é preciso mais financiamento e mais especialistas e novos investigadores nesta área.
“Nesse aspecto é fundamental a divulgação do que já se faz, para atrair mais pessoas. O futuro promete, vamos lá a isso.”
O estudo agora publicado foi desenvolvido no âmbito do projecto EnvMetaGen CIBIO-InBIO, mais precisamente a iniciativa IBI: InBIO Barcoding Initiative. Este projecto é financiado pelo programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia e tem como objectivo fomentar a investigação em metagenómica ambiental em Portugal, e o IBI consiste na construção de uma biblioteca de códigos de barras de DNA de Invertebrados.
Saiba mais.
Por que são as borboletas nocturnas atraídas pela luz? Esta é uma pergunta que fizemos a Sónia Ferreira.
“Ainda não há nenhuma teoria oficialmente aceite. Mas há algumas defendidas por vários peritos. Uma diz que é uma questão de orientação destes animais, pela luz da Lua. Outra diz que, simplesmente, as borboletas ficam super estimuladas e perdem o controlo, andando às voltas de candeeiros, por exemplo.
Sobre os impactos da poluição luminosa ainda pouco se sabe.
“Muita luz pode alterar os hábitos das espécies mas não há dados que o provem. Acredito que possa aumentar drasticamente a mortalidade de insectos nos candeeiros de rua e os morcegos tiram partido deste ponto de atracção. Há morcegos que andam entretidos à volta dos candeeiros, à caça.
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