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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 1 de agosto de 2026

NOITE BRANCA DE MIRANDELA REGRESSA EM SETEMBRO COM MÚSICA E ANIMAÇÃO ATÉ À MADRUGADA

 Mirandela prepara-se para receber mais uma edição da Noite Branca, um dos eventos mais aguardados do calendário de animação da cidade, promovido pela Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM).


A iniciativa está marcada para o próximo dia 12 de setembro e terá lugar no Parque do Império, onde são esperados centenas de visitantes para uma noite dedicada à música, ao convívio e à dinamização do comércio local.

A programação arranca às 19h30 e prolonga-se até às 04h00, contando com a participação dos DJs Sara Santini e Miguel Rendeiro, que assumem o papel de cabeças de cartaz. O alinhamento inclui ainda atuações de Rafa Santos, Ferdi e DJ Átila, prometendo uma oferta musical diversificada ao longo da noite.

À semelhança das edições anteriores, a organização convida a população a aderir ao espírito da iniciativa, vestindo-se de branco e participando naquele que pretende ser um momento de celebração e encontro entre a comunidade e os visitantes.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

A fornada está quase pronta!

ALFÂNDEGA DA FÉ REFORÇA RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO COM O MUNICÍPIO CABO-VERDIANO DE SANTA CRUZ

 O Município de Alfândega da Fé assinalou os 25 anos da geminação com o município de Santa Cruz, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, através de uma visita institucional que pretendeu reforçar os laços de cooperação entre os dois territórios.


A deslocação contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, acompanhado por uma delegação composta por representantes de diferentes áreas, na sequência de um convite formulado pelo presidente da autarquia de Santa Cruz.

A iniciativa surge no âmbito da parceria estabelecida entre os dois municípios, uma relação que, ao longo de mais de duas décadas, tem permitido o desenvolvimento de projetos conjuntos e a promoção de intercâmbios assentes na partilha de experiências e conhecimentos.

Entre os principais objetivos da visita estiveram o fortalecimento das relações institucionais e a identificação de novas oportunidades de colaboração em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento dos dois concelhos.

A autarquia de Alfândega da Fé considera que esta ligação continua a representar um importante instrumento de aproximação entre comunidades, contribuindo para o aprofundamento das relações de amizade e cooperação entre Portugal e Cabo Verde.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

CONSELHO MUNICIPAL CINEGÉTICO DE MACEDO DE CAVALEIROS REALIZA PRIMEIRA REUNIÃO DO MANDATO

 O Conselho Municipal Cinegético de Macedo de Cavaleiros reuniu-se, no passado dia 31 de julho, para a primeira sessão do atual mandato, num encontro que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho e que contou com a participação de representantes de várias entidades ligadas aos setores cinegético e agrícola.


A reunião teve como principal objetivo reforçar a cooperação entre as diferentes instituições e promover uma gestão sustentável dos recursos naturais associados à atividade cinegética.

Entre os temas em análise esteve a emissão de um parecer relativo à administração de uma zona de caça municipal, uma medida considerada fundamental para assegurar a preservação dos recursos existentes e o equilíbrio entre a atividade cinegética e a proteção do território.

Ao longo da sessão, foi ainda destacada a importância da caça no desenvolvimento económico e social do concelho, bem como o seu contributo para a valorização da biodiversidade e para a dinamização da atividade turística.

Com a realização desta primeira reunião, o município pretende dar continuidade a uma estratégia baseada no diálogo e na articulação entre as várias entidades envolvidas, reforçando a posição de Macedo de Cavaleiros como um dos principais territórios de referência no setor cinegético da região.

Esta aposta tem igualmente contribuído para a afirmação de iniciativas dedicadas à atividade, entre as quais a Festa dos Caçadores do Norte e a Feira da Caça, eventos que atraem visitantes de diferentes pontos do país.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Onda de Livros | Como requisitar livros na Biblioteca Municipal A.M. Pires Cabral de Macedo de Cavaleiros?

Até para ir para o céu, é preciso passar pela serra


 Quem nasce no nordeste profundo brigantino sabe que a vida se rege pelos sinos. No eixo sul, no pé da Serra da Nogueira, a fé caminha em espiral, marcando os meses numa matriz cristã inscrita na alma do povo.

O ciclo abre com as Cinzas, a Quaresma, a Páscoa e, a Visita Pascal, depois vem o 3 de maio e, a novena da Santa Cruz, em Cabeça-Boa. Cinquenta dias após a Páscoa, a novena do Pentecostes em São Pedro de Sarracenos, logo depois o novenário prossegue em Samil com o Santo António a 13 de junho. A 29 de junho, honra-se o padroeiro em São Pedro de Sarracenos. Em 15 de agosto, o compasso acelera com a padroeira de Samil, a Senhora da Assunção. Em Alfaião, as novenas da Senhora da Veiga acolhem os emigrantes, no 3.º domingo de agosto. São Roque assinala-se a 16 de agosto também em Samil e, nesse mês ainda a 24 corre-se ao São Bartolomeu. Coroa-se o verão no alto da «aldeia da novena», cumprindo o «fique»* de 29 de agosto até à festa da Senhora da Serra, a 8 de setembro. No outono, Santa Teresinha (1 de outubro), a Senhora do Rosário (7 de outubro) e, o São Judas Tadeu (28 de outubro) protegem Samil, guardando-nos o fôlego até ao São Martinho (11 de novembro) padroeiro de Alfaião, findo o qual o Natal e a refeição comunitária de bacalhau no Santo Estêvão nos aquecem.

Pelo meio atrapalha-se o mês de maio, o terço comunitário, as confissões na Quaresma e, toda uma “linguagem do coração”, entre sufrágios e muitíssimos funerais, que começam a deixar os párocos em verdadeira arritmia. Estes mistérios vivos, da piedade e da liturgia, perdem gente e, fôlego.

A génese deste esquema de fé está nas velhas abadias. Os párocos rodavam de festa em festa, num modelo que combatia o isolamento, dava sustento e, criava fraternidade sacerdotal. Valorizava-se a liturgia, o canto, a saúde e a vida espiritual, na ausência do SNS, os Santos eram o Ministério da Saúde contra as pestes. Pese o dinamismo juvenil, que persiste em animar a todo o custo a festa, falta ardor que suporte esta “atividade missionária espontânea”, que derreta o gelo, que a implacável demografia agravou, levando leigos e não poupando nos clérigos.

Só o culto, a “via da beleza”, a dignidade do altar, a verdade dos sacramentos, o canto que encanta as novas gerações e rejuvenesce assembleias, a verdade e autenticidade de uma vida cristã, que incremente uma maior participação ativa dos leigos, ajudam a contrariar a insana demografia! As confrarias, como a da Santa Cruz, ou da Senhora da Serra, continuam a ser pilares desafiadores de atualização e renovação. Mais do que carregar andores, como quem faz uns minutos de ginásio, precisamos de discípulos. Unindo os avós que guardam a memória e os netos que trazem a energia, gera-se corresponsabilidade. Provamos que a Igreja continua viva e que aqui, até para ir para o Céu, é preciso passar pela Serra.

Pe. Estevinho Pires

As férias na sociedade do desempenho

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Vêm aí as benditas férias, assim sentidas, pois há um cansaço que já não vem apenas do trabalho, nem do peso dos dias, nem sequer das horas mal dormidas. É um cansaço mais fundo, mais silencioso e mais perigoso...

É o cansaço de termos passado a viver, quase na plenitude do dia e como exigência da sociedade, como se fôssemos máquinas programadas para produzir, responder, vencer e andar sempre felizes.

A este propósito, Byung-Chul Han, no seu ensaio A Sociedade do Cansaço, coloca-nos uma pergunta assaz pertinente, mais a mais nesta era da IA e da robótica avançada: não estaremos a adoecer porque atribuímos ao ser humano qualidades próprias de um computador, como multitarefa, velocidade, eficiência, desempenho permanente?

É algo desconcertante olharmos para dentro da sociedade hodierna e quiçá dar-lhe razão, pois o mundo de hoje deixou de oprimir sobretudo por proibições e passou a esgotar por possibilidades, levando-nos a adoecer. Tem-nos tornado sujeitos, mais do que obedientes ao “deves”, verdadeiros prisioneiros seduzidos pelos diferentes “podes”: ir mais longe, ganhar mais, reinventar-te, superar-te...

Contudo, nesta gramática aparentemente luminosa de liberdade, instala-se paulatinamente uma servidão nova, diferente, a da pessoa que se explora a si própria e ainda se culpa por não conseguir corresponder ao ideal que lhe foi proposto.

Depois da sociedade disciplinar descrita por Michel Foucault, feita de vigilância, normas e instituições fechadas, tem emergido uma sociedade de ginásios, escritórios, aeroportos, centros comerciais, plataformas digitais, redes sociais, vigilância algorítmica e avaliações permanentes. É a sociedade do desempenho como também lhe chama o próprio Byung-Chul Han. O olhar do outro já não precisa de nos vigiar de fora, porque o transportamos dentro de nós. Somos, ao mesmo tempo, patrões e operários de nós mesmos, como se fôssemos ao mesmo tempo Prometeu e a águia.

Repare-se que a grande perversidade está no facto de esta pressão se apresentar sob a máscara da felicidade! Todos devem estar bem, realizados, disponíveis, motivados, bem-sucedidos. Quem não consegue não se sente punido, por alguém que o castigue, mas sente-se culpado. A promessa de liberdade transforma-se, assim, em ansiedade; a promessa de realização converte-se em exaustão; a promessa de reconhecimento desemboca na necessidade insaciável de validação.

Talvez por isso, este século XXI, venha a reconhecer-se não apenas pelas doenças virais ou bacterianas, mas pelas patologias emocionais, neuronais e até espirituais, como a ansiedade, depressão, défice de atenção,  burnout e a sensação persistente de insuficiência. À vida fugaz, frágil e bela como descobrimos no nosso território de Bragança tende-se a responder com produtividade histérica e febril, como se o sentido da vida pudesse nascer da acumulação de dinheiro ou outros bens, da velocidade com que se vive e da permanente exposição social e mediática.

Benditas férias então se forem ocasião para recuperar a vida na sua dimensão contemplativa, dos concertos, do convívio, dos sabores gastronómicos e dos saberes partilhados em amenas cavaqueiras, não como fuga ao mundo mas como resistência lúcida. Aproveitar para parar, desligar, escutar, pensar, caminhar, contemplar, rezar, aceitar limites, cuidar do corpo e da alma, coisas que não são um luxo nem um despropósito.

Sermos mais humanos é também sabermos não produzir, não respondermos imediatamente, não estarmos sempre disponíveis, não transformar cada minuto em rendimento.

A verdadeira liberdade começa quando deixamos de nos tratar como máquinas.

Talvez a maior sabedoria do nosso tempo, em contraponto da sociedade do desempenho, seja reaprender a descansar sem culpa, para voltarmos a viver com alma.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

Festas, Festividades e Eventos