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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

𝗙𝗿𝗲𝗶𝘅𝗼 𝗖𝘂𝗽 𝟮𝟬𝟮𝟲 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮 𝗮 𝗙𝗿𝗲𝗶𝘅𝗼 𝗱𝗲 𝗘𝘀𝗽𝗮𝗱𝗮 à 𝗖𝗶𝗻𝘁𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝗱𝗶𝗮𝘀 𝟮𝟳 𝗲 𝟮𝟴 𝗱𝗲 𝗷𝘂𝗻𝗵𝗼

 Este sábado e domingo (dias 27 e 28), Freixo de Espada à Cinta volta a receber o Freixo Cup 2026, o Torneio de Futebol Formação que juntará 20 equipas, a competir nas modalidades de futebol 7 e futebol 9.
O Estádio Municipal Manuel de Jesus Mora será novamente o palco desta grande iniciativa desportiva que, ano após ano, se tem apresentado como uma importante referência no panorama desportivo com o objetivo de fomentar o futebol de formação juvenil, promover o desporto, dinamizar o concelho e contribuir para a economia local.

Freixo de Espada à Cinta estará, mais uma vez, muito bem representado nesta competição pelo Grupo Desportivo de Freixo, a quem desejamos boa sorte!

O Freixo Cup 2026 é organizado pelo Município de Freixo de Espada à Cinta em parceria com a Academia Desporto Oficinas Portugal (ADOP).

Este fim de semana esperamos por si no Estádio Municipal Manuel de Jesus Mora, para assistir a esta competição e apoiar a sua equipa favorita! 

MIRANDELA APROVA NOVO PLANO DIRETOR MUNICIPAL E PREPARA NOVA ZONA INDUSTRIAL JUNTO À A4

 Mirandela dispõe de um novo Plano Diretor Municipal (PDM), uma década após a entrada em vigor do anterior instrumento de ordenamento do território. O documento, recentemente aprovado pela Assembleia Municipal, redefine as áreas urbanizáveis do concelho, clarifica as regras de ocupação do solo e abre caminho à criação de uma nova zona industrial estratégica junto à Autoestrada Transmontana (A4).


Segundo o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Vítor Correia, a revisão do PDM teve como principal objetivo adaptar o planeamento territorial à realidade atual do concelho, estabelecendo uma distinção mais rigorosa entre solo urbano e solo rústico.

A atualização resultou numa redução de 6,9% da área anteriormente classificada como urbanizável. De acordo com o autarca, parte significativa desses terrenos não reunia condições para acolher construção, uma vez que carecia de infraestruturas essenciais como acessos rodoviários, abastecimento de água, saneamento e rede elétrica.

Com a entrada em vigor do novo plano, todas as áreas urbanas classificadas para edificação passam a dispor das condições necessárias para o seu desenvolvimento, garantindo maior coerência e sustentabilidade no crescimento urbano do concelho.

“Temos de nos focar em 1.616 hectares que podem ser edificados e é nisso que vamos trabalhar. Não podíamos, de maneira nenhuma, deixar que 6,9% pudessem pôr em causa uma evolução urbanística de todo o concelho”, afirmou Vítor Correia.

Outra das alterações introduzidas pelo novo PDM prende-se com a reclassificação de zonas verdes e espaços ajardinados, que deixam de ser considerados terrenos urbanizáveis, reforçando a proteção ambiental e a valorização dos espaços públicos.

NOVA ÁREA EMPRESARIAL COM 24 HECTARES

Entre as principais novidades previstas no documento está a criação de uma nova zona industrial com cerca de 24 hectares, localizada numa área estratégica junto ao nó da A4 e ao aeródromo municipal.

A localização foi escolhida pela proximidade às principais vias de comunicação da região, permitindo criar condições favoráveis à instalação de empresas, atração de investimento e criação de emprego.

A autarquia já iniciou contactos com os proprietários dos terrenos abrangidos pelo projeto, procurando alcançar consensos que permitam concretizar a operação urbanística.

“Perceber que aquela área, que é efetivamente uma área agrícola, pode vir a ser uma área muito importante para o desenvolvimento do concelho, para criação de empresas e criação de empregos”, sublinhou o presidente da Câmara.

AERÓDROMO PODE GANHAR NOVAS FUNÇÕES

Paralelamente, o município está a desenvolver negociações com o Governo para potenciar a utilização do aeródromo municipal, atualmente destinado a voos recreativos e de lazer.

A intenção passa por criar condições para que a infraestrutura possa futuramente acolher transporte de mercadorias e passageiros, funcionando como complemento à nova área empresarial prevista no PDM.

Segundo Vítor Correia, já decorreram reuniões com o secretário de Estado da Proteção Civil com vista à definição de uma estratégia que permita reforçar a capacidade operacional do aeródromo e acompanhar a dinâmica económica que o município pretende criar.

DOCUMENTO ENTRA EM VIGOR NAS PRÓXIMAS SEMANAS

O processo de revisão do Plano Diretor Municipal arrancou em 2019, tendo sofrido vários atrasos motivados, entre outros fatores, pela pandemia de Covid-19.

Com a aprovação pelos órgãos municipais concluída, o novo PDM aguarda agora publicação em Diário da República para entrar formalmente em vigor, algo que a autarquia espera que aconteça até ao final deste mês.

A revisão do principal instrumento de ordenamento territorial é vista pelo executivo municipal como uma ferramenta decisiva para orientar o crescimento de Mirandela nas próximas décadas, conciliando desenvolvimento urbano, competitividade económica e sustentabilidade ambiental.

Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

MORE COLAB APRESENTA INVESTIGAÇÃO SOBRE TURISMO CULTURAL EM TRÁS-OS-MONTES NA CISTI 2026

 O MORE CoLAB marcou presença na CISTI’2026 – 21.ª Conferência Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, em Santiago de Compostela, onde apresentou os resultados de um projeto-piloto dedicado ao desenvolvimento de um sistema de informação comunitário aplicado ao turismo cultural em Trás-os-Montes.


O trabalho científico, intitulado “From Local Knowledge to Interpretable Data”, descreve a recolha e estruturação de dados em várias localidades do concelho de Macedo de Cavaleiros, incluindo Santa Combinha, Salselas, Valdrez, Vale de Prados, Limãos e Vale da Porca. O objetivo passa por transformar conhecimento local, como tradições, memórias e saberes comunitários, em informação estruturada capaz de apoiar estratégias de valorização e desenvolvimento turístico do território.

Para além da apresentação do artigo, representantes do MORE CoLAB assumiram também a moderação de sessões científicas da conferência, reforçando a sua participação ativa num dos principais fóruns ibéricos na área dos sistemas de informação.

Este trabalho integra o projeto Oficinas de Turismo Cultural, desenvolvido em parceria com o Município de Macedo de Cavaleiros, dando continuidade a uma linha de investigação que tem vindo a ser aprofundada em projetos anteriores como o CREATOUR e o TExTOUR.

A iniciativa reforça a aposta na inovação aplicada ao território e na valorização do conhecimento local como motor de desenvolvimento sustentável no interior norte do país.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

ALUNAS DO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA CRIAM MANUAL INOVADOR PARA APOIAR ENVELHECIMENTO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

 Duas estudantes do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) desenvolveram um manual técnico pioneiro destinado a apoiar profissionais que trabalham com pessoas com deficiência em processo de envelhecimento, colmatando uma lacuna identificada a nível nacional numa área cada vez mais relevante do ponto de vista social e científico.


O projeto foi criado por Carolina Nogueiro e Margarida Silva, alunas da Licenciatura em Gerontologia, durante o estágio curricular realizado no Centro de Educação Especial da Santa Casa da Misericórdia de Bragança. Ao longo dos últimos seis meses, as estudantes dedicaram-se à elaboração de um instrumento prático que reúne orientações, procedimentos e estratégias de intervenção dirigidas aos profissionais que acompanham pessoas com deficiência congénita à medida que envelhecem.

Segundo Carolina Nogueiro, a iniciativa nasceu da constatação de que não existia, em Portugal, um manual técnico especificamente direcionado para a intervenção gerontológica nesta população.

“Ao longo do estágio percebemos que havia uma ausência de ferramentas orientadoras para os profissionais que trabalham diariamente com estas pessoas. Sentimos a necessidade de criar um recurso acessível, prático e baseado no conhecimento científico”, explicou.

O manual aborda áreas fundamentais como os princípios da gerontologia, as particularidades do envelhecimento em pessoas com deficiência, a comunicação, o luto, a promoção do envelhecimento ativo, a saúde e a adaptação de atividades gerontológicas às necessidades específicas desta população.

Uma das preocupações das autoras foi tornar a informação acessível a todos os profissionais do setor. Por essa razão, o documento foi desenvolvido com uma linguagem clara, simples e estruturada, afastando-se da complexidade frequentemente associada à literatura científica.

“O objetivo foi criar um instrumento que pudesse ser facilmente utilizado no terreno e que contribuísse para uma intervenção mais humanizada, organizada e sustentada pela evidência científica”, salientou Carolina Nogueiro.

A estudante destacou ainda a importância deste tipo de recursos em regiões do interior do país, onde o acesso a formação especializada nem sempre é imediato.

“Muitas vezes percebemos que há profissionais que desconhecem até o próprio conceito de gerontologia. Isso levanta questões sobre a preparação existente para lidar com os desafios do envelhecimento”, observou.

MANUAL PODERÁ CHEGAR A INSTITUIÇÕES DE TODO O PAÍS

O trabalho desenvolvido pelas jovens deverá agora ganhar uma nova dimensão, com a transformação do manual em livro, permitindo a sua distribuição por instituições que prestam apoio a pessoas com deficiência em todo o território nacional.

Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Duarte Fernandes, o projeto representa uma importante ferramenta de apoio à formação e qualificação dos profissionais da área social.

“Este manual pode constituir uma base sólida para a formação de futuros profissionais e para o aperfeiçoamento daqueles que já trabalham no terreno. É um instrumento que acrescenta valor e conhecimento a quem diariamente cuida de pessoas com necessidades específicas”, afirmou.

O responsável destacou ainda a crescente diversidade das equipas das instituições sociais, referindo que uma parte significativa dos colaboradores contratados nos últimos anos é oriunda de outros países, tornando ainda mais relevante a existência de materiais de apoio claros e acessíveis.

A iniciativa das duas estudantes do Instituto Politécnico de Bragança surge como um exemplo de inovação académica aplicada às necessidades reais da comunidade, contribuindo para uma resposta mais qualificada, inclusiva e humanizada aos desafios colocados pelo envelhecimento da população com deficiência.

Num contexto em que a longevidade aumenta e as exigências dos serviços sociais se tornam cada vez mais complexas, o manual desenvolvido em Bragança poderá tornar-se uma referência nacional numa área ainda pouco explorada, mas de crescente importância para o futuro da intervenção social e gerontológica.

Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

As partilhas...


Ao cair da tarde, quando o sol começa a esconder-se por trás das montanhas e o ar ganha aquele sossego típico das terras do interior, há um lugar da aldeia que ganha vida de uma forma diferente. Ali, num banco gasto pelo tempo, um idoso senta-se com a serenidade de quem suporta o mundo dentro de si, e começa a contar histórias.

As crianças chegam primeiro, quase sempre. Curiosas, inquietas, ainda com a energia do dia a manifestar-se nos gestos. Sentam-se no chão, aproximam-se sem cerimónia, com olhos atentos e a imaginação pronta a voar. Depois vêm os adultos, alguns por nostalgia, outros por acaso, outros ainda por necessidade de parar e ouvir. 

O idoso não precisa de palco, nem de microfone. A sua voz, marcada pelos anos, tem um ritmo próprio, ora pausado, ora vibrante, que prende quem o escuta. Fala de lendas antigas, passadas de geração em geração. Fala de mouras encantadas que guardam tesouros escondidos, de lobos que percorrem as serras sob a luz da lua, de almas penadas que vagueiam por caminhos que ninguém conhece. Mas não conta apenas histórias, ele dá-lhes vida.

Há ali uma autenticidade que não se aprende, herda-se. As suas narrativas não estão escritas em livros, mas gravadas na memória que resistiu ao tempo, às mudanças, ao esquecimento.

As crianças escutam com fascínio, mergulhadas num mundo onde tudo é possível. Para elas, aquelas histórias são aventura, mistério e magia. Para os adultos, são outra coisa. São um regresso. Um reencontro com a infância, com os avós, com noites à lareira onde o mundo parecia mais simples e, ao mesmo tempo, mais misterioso. Há, nos seus rostos, um brilho diferente, talvez saudade, talvez reconhecimento.

O mais extraordinário não está nas histórias. Está no que acontece entre elas. Na forma como desconhecidos trocam olhares cúmplices, como o riso de uma criança contagia um adulto, como o silêncio coletivo cria uma ligação entre todos. Naquele lugar da aldeia, por breves momentos, desaparecem as diferenças de idade, de experiência, de vida. Existe apenas a escuta, a partilha, a presença.

Num tempo em que tudo parece acelerado e fragmentado, aquele idoso oferece algo raro, tempo, e só pede atenção. Lembra-nos que as histórias não são apenas entretenimento, são pontes. Ligam o passado e o presente, unem pessoas, constroem sentido para a vida. São uma forma de resistir ao esquecimento, de afirmar que aquilo que fomos ainda vive dentro de nós.

Talvez seja isso que torna aquele encontro tão especial. Não é somente ouvir lendas transmontanas. É sobretudo a necessidade que os homens têm de se reunirem, de partilharem, de sentirem que fazem parte de algo maior do que o simples dia-a-dia.

Quando a noite cai e as histórias chegam ao fim, ninguém se levanta imediatamente. Há um momento de silêncio, quase sagrado, como se todos quisessem guardar um pouco mais daquele instante. Depois, aos poucos, as pessoas dispersam. Mas levam consigo uma sensação de ligação, de continuidade, de memória viva.

E no dia seguinte, quando o sol voltar a descer sobre aquele lugar da aldeia, muitos regressarão. Porque, bem no fundo, todos precisamos de alguém que nos conte histórias, e nos lembre quem somos.

HM
22 de Junho de 2026. O dia em que me desloquei à cidade para recolha de sangue no sentido de serem feitas análises clínicas, quando afinal a recolha é apenas daqui a um mês, tal como a consulta. A “velhice” é tramada.

Dr. Eduardo Carvalho

Como estão as ondas de calor estivais a mudar o turismo

 Segundo os especialistas, o aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor faz parte do futuro, mas os destinos e os viajantes estão a adaptar-se depressa.

Filippo Bacci, Getty Images - O Arizona alcançou 43ºC em Março de 2026, durante uma onda de calor primaveril sem precedentes.

Para Heike e Robert Taylor, dois viajantes experientes, a sua estadia na Umbria durante o Verão de 2022 foi um ponto de viragem. As memórias do casal de uma viagem stressante ao vale do Loire em Julho de 2019 – quando a região derreteu sob um calor de 40ºC – ainda estavam frescas, mas eles foram perseverantes e reservaram uma villa italiana para um grande encontro de família. 

Os membros do clã Taylor adoram explorar durante as férias. No entanto, a onda de calor que se abateu sobre a região central de Itália naquele Verão foi tão feroz que eles acabaram por sair mais cedo da casa que tinham arrendado. “O que foi realmente assustador foi estar deitada ao lado da piscina e ver o fumo dos incêndios florestais lá ao fundo e os helicópteros a voarem para apagar as chamas. Acho que nunca me vou esquecer disso”, diz Heike. Quando regressou a casa, o casal jurou para nunca mais. Agora, o pico do Verão é passado na sua casa, no Surrey, e arredores – e os meses meia-estação de Maio e Setembro estão reservados para férias activas em locais como a Sicília e a Córsega.

É um padrão que se tornou comum entre os viajantes à medida que as ondas de calor deixaram de ser anomalias desconfortáveis para se tornarem eventos quase anuais altamente disruptivos. O Verão de 2022 foi particularmente extremo, com um número estimado em 60.000 mortes relacionadas com o calor na Europa, a China a murchar sob uma onda de calor inédita de 70 dias e algumas zonas do Reino Unido a ultrapassarem os 40°C pela primeira vez, em Julho. No mesmo mês do ano seguinte quase 20.000 pessoas, muitas delas turistas, tiveram de ser evacuados da ilha grega de Rodes devido a incêndios florestais exacerbados por uma onda de calor.

As ondas de calor também estão a espalhar-se pelo calendário. Em Maio de 2022, a agência meteorológica espanhola Aemet relatou uma onda de calor com uma ‘intensidade extraordinária’, com temperaturas até 15ºC acima da média sazonal. Em 2023, um calor forte prolongou-se Setembro adentro em França, afectando o Campeonato Mundial de Râguebi. E grande parte do sudoeste dos EUA foi assolada por uma onda de calor em Março deste ano, com as temperaturas a alcançarem 43ºC em algumas zonas do estado do Arizona. Nas palavras de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, “o calor extremo já não é um evento raro – tornou-se o novo normal”.

Oleh Slobodeniuk, Getty Images - Com temperaturas entre os 15ºC e os 22ºC em Agosto, a Finlândia está a tornar-se cada vez mais popular entre os viajantes que procuram ‘férias frescas’.

Em termos estatísticos, não existe uma definição universal para uma onda de calor. Há demasiada variabilidade nas temperaturas globais. Contudo, refere-se sempre a um período de temperaturas anormalmente altas durante dias consecutivos. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) adopta a definição da Organização Meteorológica Mundial para onda de calor, evento que ocorre “quando, num período de pelo menos 6 dias consecutivos, a temperatura máxima diária é superior em 5°C ao valor médio mensal do respectivo local”. Já o Gabinete de Meteorologia do Reino Unido define uma onda de calor como pelo menos três dias durante os quais as temperaturas máximas ultrapassam um limiar regional. Em Londres, esse limiar é 28ºC. Na Escócia, 25ºC. Ambos seriam considerados amenos para um sítio como Atenas.

Com a actividade humana a impulsionar ‘inequivocamente’ o aquecimento global e o aumento de eventos climáticos extremos, segundo o Painel Intergovernamental Sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas, a situação só pode piorar. “Temos bastantes certezas de que, nas próximas décadas, se não séculos, só vai ficar mais quente”, diz Alejandro Saez Reale, especialista em ondas de calor e no seu impacto da Organização Meteorológica Mundial, em Genebra. “O impacto nos países que dependem do turismo poderá ser enorme.”

A Europa está no epicentro das dificuldades turísticas relacionadas com as ondas de calor. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, é o continente que está a aquecer mais depressa em todo o mundo e é também o mais visitado. França, Espanha, Itália e a Grécia são nomes sempre presentes na lista dos 10 principais destinos. Cada vez mais popular, a expressão ‘férias frescas’ resume muito bem a tendência emergente de viajantes de todo o continente que procuram locais mais temperados.

Os destinos no norte da Europa e na Europa de Leste são dos que estão a crescer mais depressa em termos turísticos, segundo o relatório apresentado pela European Travel Commission (ETC), com a Finlândia, a Noruega, a Polónia e a Islândia a registarem um aumento de visitantes na casa dos dois dígitos. Um estudo conduzido pela ETC em 2025 concluiu que 81% dos europeus estavam a ajustar os seus hábitos de viagem ao clima em mudança, com 15% a procurar activamente climas mais frios e 14% a evitar destinos propensos a calor extremo. Operadores turísticos como a TUI e a Thomas Cook também relatam uma procura crescente pelos países nórdicos.

No entanto, França (102 milhões) e Espanha (96,8 milhões) continuaram a ser os países mais visitados do mundo em 2025, segundo o Turismo da ONU. Itália ocupou o quinto lugar (64,5 milhões). A taxa de crescimento pode ter abrandado, mas o número de visitantes a estes países não está a diminuir.

A Association of British Travel Agents (ABTA) está céptica em relação à possibilidade de as ondas de calor terem a capacidade de redesenhar o mapa turístico, pelo menos no curto prazo. “O feedback que recebemos dos nossos membros sugere que, de um modo geral, as pessoas continuam a viajar como sempre, desfrutando de destinos mediterrânicos durante os meses de Verão”, disse um porta-voz. “O aumento do interesse em destinos ligeiramente mais frescos continua a ser a excepção e não a regra.”

Existem grandes incentivos para os destinos dependentes do turismo assegurarem que as ondas de calor não desencadeiam um êxodo turístico. Isto está a promover inovações que, a seu tempo, poderão tornar-se generalizadas. Sevilha, situada numa zona de Espanha conhecida como ‘forno ibérico’ devido aos ventos que sopram vindos do norte de África, é o epicentro de um dos países mais afectados por ondas de calor em todo o mundo. Os sevilhanos estão habituados a medidas requintadas para mitigar o calor, incluindo sistemas de aspersão de água alimentados por águas pluviais em zonas muito movimentadas, uma rede de câmaras subterrâneas semelhantes a aquedutos que podem baixar até 9ºC a temperatura ambiente ao nível da rua, toldos que cobrem as ruas e ‘ilhas urbanas frescas’ – santuários com vegetação densa que também existem em Los Angeles, Singapura, Paris e dezenas de outras cidades.

A criação de horários de visita nocturnos em atracções como o Real Alcazar de Sevilha é outra medida ditada pelo senso comum. O conceito de ‘nocturismo’ – visitar os locais de interesse após o anoitecer, em parte para mitigar as temperaturas altas diurnas – está a ser adoptado noutros sítios, desde o Coliseu de Roma à Acrópole de Atenas, que enfrentou encerramentos regulares no pico do Verão devido às ondas de calor recentes.

A Arcas Travel Services, que organiza viagens na Grécia, diz que começou a empurrar as suas viagens a sítios arqueológicos para a meia estação de modo a evitar o encerramento de sítios importantes devido ao calor. As viagens de ciclismo promovidas pela empresa também estão a ser organizadas de modo a começarem e acabarem mais cedo. Frequentemente, é a operadora e não os turistas a tomar a iniciativa, realçando uma das preocupações-chave: a falta de consciência sobre os perigos do calor extremo.

Mehri Khosravi é uma especialista em calor da University of East London e cresceu em Teerão, onde não é invulgar as temperaturas ultrapassarem os 40ºC. A investigadora diz que parte do problema é a ausência de uma “cultura de calor” nos turistas que visitam as regiões afectadas por ondas de calor – adaptações sociais e comportamentais que vão desde o vestuário ao planeamento do dia. “A percepção ainda é que o calor é uma coisa desejável”, afirma. “O comportamento [no turismo] vai ter de se adaptar e a comunicação de risco será fundamental.”

O crescente rigor das previsões meteorológicas a longo prazo é um grande trunfo no que diz respeito aos alertas climáticos. Saez Reale acha que vai ser cada vez mais comum os serviços meteorológicos comunicarem com os organismos turísticos sobre o clima extremo, da mesma forma que comunicam actualmente com as autoridades de saúde. Outra das tendências previstas é os turistas reservarem as suas viagens para mais tarde e serem mais flexíveis em termos de destino e datas. “As boas notícias é que há muita coisa que se pode fazer”, afirma. 

StevanZZ, Getty Images - Umbria é uma região italiana que tem sido assolada por incêndios florestais durante o Verão.

As vantagens das alterações dos padrões turísticos motivadas pelo calor são possíveis de ver. Uma delas é o potencial de uma distribuição mais homogénea dos viajantes, tanto geograficamente, como em termos sazonais. O turismo exerce uma pressão enorme sobre recursos naturais como água e cuidados de saúde – sobretudo em épocas de calor. O investimento em infra-estruturas resilientes ao clima para acalmar os turistas preocupados também traz benefícios evidentes para as populações locais.

No entanto, o ponto mais positivo, segundo Jenny Southan, directora executiva da agência de previsões de tendências de viagens Globetrender, pode ser a mudança de perspectiva. “Os turistas estão a tornar-se mais conscientes em relação ao clima, mesmo que haja uma tensão inerente entre o desejo de explorar e os custos ambientais de o fazer. As pressões exercidas pelo clima podem funcionar como catalisador para uma era turística mais ponderada e intencional.”

Para os convertidos à meia-estação, como Heike e Robert Taylor, as ondas de calor podem ter alterado a estrutura e o ritmo do seu ano, mas não necessariamente para pior. “Viajar mais cedo ou mais tarde, em vez de no pico do Verão, pode permitir-nos ter uma noção mais autêntica de como um sítio é na verdade”, diz Heike.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Duncan Craig
Actualizado a 17 de junho de 2026

Expositores fazem balanço positivo da Feira Agrícola de Bragança

 A primeira edição da Feira Agrícola de Bragança chegou ao fim com um balanço positivo.


“O balanço é extraordinariamente positivo porque o que sentimos nestes quatro dias de feira, foi um sentimento de pertença de todos os visitantes, dos expositores e da organização sobre a feira. Senti claramente que era algo que todo o território desejava, mas mais do que isso, é algo que une todo o território, as pessoas gostam, identificam-se, e portanto foi muito gratificante ouvir todas as pessoas”, destacou Isabel Ferreira, presidente da Câmara de Bragança.

Mas admitiu que há aspetos a melhorar. “O modelo é este, não há dúvida. Portanto, atividades complementares que tenham demonstração, exposição de maquinaria, mas também demonstração da mesma maquinaria, que tenham concursos de raças animais, a chega de touros também, algo tradicional no nosso território, expositores com os nossos produtos, e que tenham também para os mais novos atividades, como a nossa quinta pedagógica, e depois a parte também científica e tecnológica com os seminários”, explicou a autarca. Mas considerou que é preciso  “aumentar o espaço também para realizar mais atividades e a Quinta da Trajinha permite isso. Ela é grande e tem potencial também de expansão. Isto porque sentimos que nos últimos dias havia muitas pessoas que queriam aderir e já não tínhamos espaço disponível”, contou.

Isabel Ferreira defendeu que no futuro é necessário que a quinta também seja “mais vedada, para que os expositores não precisem de retirar o seu material” e também criar mais acessibilidades, como “duas passadeiras, para que as pessoas circulem à vontade entre a zona central e as zonas laterais dos expositores”, referiu.

No domingo, o último dia da feira, os expositores mostraram-se satisfeitos com as vendas. Garantiram que nem o calor impediu o negócio.

Isabel Rodrigues, de Pinela, levou vários produtos da terra, como mirtilos, cereja, azeite, figo seco, feijão frade, noz e amêndoa. “Com este calor até está a correr muito bem. Já fazia falta um certame destes, faz sempre falta para promover. E houve até bastantes visitantes para o calor que se sentiu”, partilhou.

Luísa Rio, de Macedo de Cavaleiros, apresentou enchidos tradicionais, como a chouriça, alheira, salpicão, chouriço doce, pão caseiro, entre outros. Sobre a feira revelou que correu bem. ”É primeira vez, portanto está a começar, mas tem pernas para andar e está no bom caminho”, disse. “Fazia muita falta porque não havia aqui no concelho”, apontou.

Já Dulce Veiga, produtora de pão, veio de Lombada. “Tenho bolos de carne económicos e folares. Nós costumamos fazer o mercadinho na Praça da Sé e e aceitámos o desafio e está a correr bem. É sempre uma novidade, mas foi uma boa aposta porque há muitos agricultores que precisam de divulgar os produtos e acho que é uma mais-valia para todos”, frisou.

A primeira edição da Feira Agrícola de Bragança, decorreu na Quinta da Trajinha e à partida deverá regressar no próximo ano no mesmo local e datas. “Tivemos alguma dificuldade no início em escolher a data, depois acabou por ser esta e no fundo também se revelou uma boa data, portanto temos ainda que refletir, mas ao dia de hoje consideramos que foi uma excelente escolha”, concluiu a autarca.

Festas, Festividades e Eventos.

Campeonato de Jogos Tradicionais levou meio milhar de pessoas a Alfândega da Fé

 No Domingo, dia 21 de junho, a vila de Alfândega da Fé, recebeu a visita de meio milhar de pessoas, provenientes de nove concelhos transmontanos, para participar no V Campeonato de Jogos Tradicionais das Terras de Trás-os-Montes, um iniciativa da comunidade intermunicipal, que proporciona o convívio, a sã competição e a visita das populações aos vários concelhos do nordeste transmontano.


Apostada em revitalizar os jogos tradicionais, a CIM-TTM organiza desde 2022, o Campeonato Intermunicipal de Jogos Tradicionais, envolvendo as populações dos nove municípios de Bragança, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

O presidente da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), Pedro Lima, sublinhou que os jogos tradicionais, como o fito, raiola, relha, malha, tração à corda e outros jogos fazem parte de uma memória e identidade comum, na região de Trás-os-Montes.

“Estes jogos fazem parte de uma memória coletiva, comum aos nove concelhos transmontanos, que queremos salvaguardar porque aproximam e unem as populações. No âmbito da CIM-TTM, queremos agora introduzir os jogos tradicionais no programa escolar, para que estas atividades lúdicas que promovem o convívio e a socialização, sejam transmitidas às crianças e aos jovens, assegurando assim a sua continuidade. O facto é que, os jogos tradicionais refletem um modo de ser coletivo e com o envolvimento dos mais jovens, está-se a garantir a sua transmissão e preservação”, justifica a CIM-TTM.”, indicou, Pedro Lima.


Questionado sobre o que podem fazer os autarcas da CIM-TTM, para mobilizar as populações a visitarem os concelhos vizinhos, por exemplo, aquando dos grandes certames, como a Festa da Cereja, em Alfândega da Fé, a Expovila, em Vila Flor, e outros certames nos outros concelhos, Pedro Lima, indicou que há que envolver as populações.

“A exemplo do que acontece nos jogos tradicionais, também no âmbito económico e turístico temos que convidar os produtores, artesãos, associações e as populações a visitarem os concelhos e os certames das Terras de Trás-os-Montes. Temos que criar uma identidade das Terras de Trás-os-Montes”, explicou, Pedro Lima.

O anfitrião do V Campeonato de Jogos Tradicionais das Terras de Trás-os-Montes, o autarca de Alfândega da Fé, Eduardo Tavares, disse ser um privilégio receber a visita dos cerca de 500 participantes, vindos dos nove concelhos transmontanos.

“Para Alfândega da Fé é uma honra receber a visita de tantas pessoas, adultos, jovens e crianças para participar na final do V Campeonato de Jogos Tradicionais das Terras de Trás-os-Montes. Esta iniciativa conjunta dos nove municípios transmontanos é um ótimo exemplo de união, amizade e partilha”, disse.

O concelho de Alfândega da Fé situa-se na região da Terra Quente Transmontana, onde vivem cerca de cinco mil habitantes e é predominantemente rural, com olivais, amendoais e o cultivo da cereja.

“A Festa da Cereja é o nosso principal evento promocional e mostra de atividades económicas do concelho de Alfândega da Fé. Atualmente, estão a realizar-se investimentos na agricultura, no regadio e na agroindústria.”, disse Eduardo Tavares.

De visita a Alfândega da Fé, o presidente do município de Vimioso, António Santos, expressou contentamento pela preservação dos jogos tradicionais nos concelhos do nordeste transmontano.

“Antigamente, os jogos tradicionais como a corrida de sacos, o pião, a macaca, o jogo da cadeira, o elástico, o saltar à corda, o fito, a raiola, a relha, o ferro, etc. eram o modo de diversão das comunidades rurais. Estou muito contente, porque vejo a participação de jovens e crianças no Campeonato de Jogos Tradicionais e isso dá-nos a esperança de que estas atividade lúdicas não vão perder-se no esquecimento”, disse o autarca vimiosense.


Por sua vez, o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rdodrigues, veio acompanhar a comitiva mirandesa, composta por 33 pessoas (crianças, jovens e adultos), no V Campeonato de Jogos Tradicionais das Terras de Trás-os-Montes.

“Quando era mais jovem costuma praticar jogos tradicionais como o fito, a raiola, a tração à corda, a relha e o ferro. Comparativamente com os atuais hábitos das crianças e jovens, vejo que estão muito dependentes dos jogos de écrans e reconheço que os jogos ancestrais como a raiola, corrida de sacos, tração à corda, jogo do burro, etc. proporcionam-lhes mais momentos convívio e de socialização. Também por isso, aplaudo, a iniciativa da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes de incluir estes jogos lúdicos no programa escolar”, referiu o autarca mirandês.

Questionado sobre que outras iniciativas conjuntas podem realizar os nove municípios da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes para promover o turismo entre concelhos, Nuno Rodrigues, respondeu que é a união que faz a força.

“Neste fim-de-semana realizou-se a I Feira de Agricultura de Bragança (FAB) e em conversa com outros autarcas do distrito chegámos à conclusão de que para criar certames com um forte dinamismo económico é necessário o compromisso e a participação de todos os concelhos vizinhos. Na prática, aquando da realização destes certames, propunha que cada um dos municípios deveria publicitar esses certames junto da sua populaçáo e disponibilizar um autocarro para que as pessoas possam visitar os certame na região transmontana. Como diz o lema: um por todos e todos por um”, propôs, Nuno Rodrigues.

O Campeonato de Jogos Tradicionais das Terras de Trás-os-Montes é uma iniciativa anual, organizada pela Comunidade Intermunicipal (CIM-TTM), em conjunto com a Associação de Jogos Populares de Bragança.. No próximo ano de 2027, a final do Campeonato de Jogos Tradicionais vai realizar-se em Macedo de Cavaleiros, no dia 20 de junho.

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DOURO SUPERIOR REFORÇA CAPACIDADE TÉCNICA COM NOVO INVESTIMENTO EM METROLOGIA

 A região do Douro Superior deu mais um passo no reforço da sua capacidade técnica e científica com a inauguração da ampliação do Laboratório de Metrologia da Associação de Municípios do Douro Superior de Fins Específicos (AMDSFE). A nova infraestrutura surge como uma aposta no apoio aos municípios, empresas e instituições da região, permitindo aumentar a resposta a necessidades de medição, calibração e controlo técnico especializado.


A cerimónia decorreu no passado dia 19 de junho e reuniu diversas entidades nacionais e regionais, sublinhando a importância estratégica deste investimento para o território transmontano e duriense.

Em funcionamento desde 2008, o laboratório tem vindo a alargar gradualmente a sua área de intervenção e presta atualmente apoio a 28 municípios. A ampliação permitirá reforçar os serviços disponíveis, aumentando a capacidade operacional e contribuindo para uma maior eficiência no acompanhamento técnico prestado às autarquias e ao tecido empresarial.

A infraestrutura distingue-se ainda por ser a única do género em contexto municipal, em Portugal, acreditada para cumprir requisitos internacionais associados à competência laboratorial, consolidando-se como um recurso relevante para várias regiões do interior do país.

O investimento pretende reforçar a competitividade regional, valorizar os recursos existentes e apoiar o desenvolvimento económico e institucional do Douro, Trás-os-Montes e Beiras, através de serviços especializados e tecnologicamente mais avançados.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

FEIRA AGRÍCOLA DE BRAGANÇA DESTACA PAPEL DO SETOR RURAL NO FUTURO DA REGIÃO

 A primeira edição da Feira Agrícola de Bragança reforçou a importância estratégica da agricultura para o desenvolvimento regional, assumindo-se como um espaço de valorização dos produtores, dos recursos locais e do mundo rural transmontano. O evento reuniu entidades e profissionais ligados ao setor, destacando o contributo da agricultura para a economia, para a sustentabilidade do território e para a manutenção da vida nas comunidades locais.


Durante a iniciativa, foi salientado o papel fundamental dos agricultores na produção alimentar, na preservação da paisagem, na proteção da biodiversidade e na prevenção de incêndios rurais, reconhecendo o seu impacto na coesão territorial e na identidade das aldeias.

A necessidade de tornar o setor mais atrativo para as novas gerações foi também um dos temas em destaque, defendendo-se uma agricultura mais inovadora, sustentável e apoiada pelas novas tecnologias, capaz de melhorar a competitividade e garantir melhores condições para os produtores.

A Feira Agrícola de Bragança surge ainda como uma oportunidade para promover produtos endógenos, aproximar a população do setor e reforçar a ligação entre tradição, inovação e futuro no território transmontano.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

Foi inaugurado o Laboratório de Metrologia da AMDS

Elisabete Ferreira distinguida como Personalidade do Ano nos Prémios AHRESP

 Uma brigantina está entre os vencedores dos prémios da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) 2026.


Elisabete Ferreira foi distinguida com o prémio Personalidade do Ano, na 10.ª edição dos Prémios AHRESP, que foram divulgados no sábado, 20 de junho.

A brigantina Elisabete Ferreira é diretora executiva do Pão de Gimonde, uma padaria familiar em Bragança. Há 30 anos que se dedica à arte de fazer pão e foi a primeira portuguesa a conquistar o título de Melhor Padeira do Mundo.

Os Prémios AHRESP distinguem, em Portugal, empresas e profissionais que se destacam nos setores da restauração, alojamento turístico e promoção gastronómica.

🚴‍♀️ 𝑷𝑬𝑫𝑨𝑳𝑨𝑵𝑫𝑶 𝑬𝑵𝑻𝑹𝑬 𝑭𝑹𝑶𝑵𝑻𝑬𝑰𝑹𝑨𝑺

 Portugal e Espanha ligam-se sobre duas rodas para um dia de convívio, descoberta e diversão em plena natureza.

Domingo, 28 de junho de 2026
Rio de Onor (Portugal) / Rihonor de Castilla (Espanha)

Participe neste evento de cicloturismo transfronteiriço para toda a família e desfrute de um programa repleto de atividades:

Participação gratuita

Inscreva-se AQUI.

Junte-se a esta iniciativa do projeto IBERLOBO_ON_BIKE e descubra um território sem fronteiras, onde a natureza, a mobilidade sustentável e a cooperação unem comunidades.

domingo, 21 de junho de 2026

𝗙𝗲𝘀𝘁𝗶𝘃𝗮𝗹 𝗦𝗼𝗹𝘀𝘁í𝗰𝗶𝗼 | 𝟮.º 𝗗𝗶𝗮

Alfândega da Fé recebeu o 5° Campeonato de Jogos Tradicionais das Terras de Trás-os-Montes, um evento que recebeu participantes de vários concelhos numa celebração da cultura transmontana, tradições e espírito de convívio.

O Mosteiro. Encontro marcado esta quinta-feira, dia 25 de junho na Biblioteca Municipal de Bragança às 21:00.

Azeite é o protagonista da quinta edição da EXPOVILA em Vila Flor

 Entre os dias 9 e 12 de julho, Vila Flor recebe a quinta edição da EXPOVILA, este ano sob o lema “A Essência do Azeite”.


A EXPOVILA 5.0 vai destacar um dos produtos mais emblemáticos de Trás-os-Montes que é o azeite. “A principal novidade é a ligação a um produto-chave, um produto âncora de Vila Flor, pelo qual a vila é conhecida, que é o azeite. E por isso, apelidamos esta edição de “A essência do azeite”. Vamos ter provas de azeite, conversas sobre azeite, a temática da saúde em torno do azeite, a temática do turismo também. O destaque será realmente o azeite e depois, claro, todos os outros produtos, como o vinho, queijo, enchidos, mel, amêndoa, entre outros”, destacou o presidente da Câmara Municipal de Vila Flor, Pedro Lima. Ao todo, vão participar 20 produtores de azeite só do concelho.

Para envolver os visitantes foi criado o Passaporte do Azeite. “Servirá para estimular a prova. Cada prova vai representar um carimbo, ou seja, cada produtor tem um carimbo com a sua marca identitária e acaba por ser uma atividade. Podemos ir para a Praça do Azeite, pegar num passaporte, colocar o nosso nome e vamos provar os 20 azeites, marcas de Vila Flor, e quem sabe até se pode tornar num apreciador de azeite”, explicou o autarca.

Durante a apresentação oficial da feira, o executivo apresentou os “números recorde”. Segundo os dados apresentados, o recinto encontra-se “totalmente lotado, reunindo mais de 150 participantes e expositores, após a receção de mais de 250 candidaturas, sendo mais de 75% provenientes do concelho de Vila Flor”. O que significa que pelo menos 100 expositores ficaram de fora do certame. “Isso é potencial de crescimento, isso mostra realmente o patamar da EXPOVILA. Ainda só estamos na 5ª edição e já estamos nesse patamar de interesse”, sublinhou Pedro Lima, adiantando que a feira é para “crescer no futuro” e que isso também irá “provocar um interesse corporativo de investimento no evento, que caminhe, não neste mandato, mas no futuro, para um certame que se paga a si próprio”, frisou.

De acordo com o presidente da câmara, o investimento é de 400 mil euros, mas o retorno é superior a um milhão de euros. Questionado se estava à espera que o certame rendesse mais do que um quarto do investimento, que ronda os 400 mil euros, o autarca disseque “realisticamente não”, acrescentando que “acho que já é muito bom estarmos com 25% de retorno direto. O objetivo que temos neste mandato é de chegar aos 50%”, referiu. Destacou que durante os quatro dias, “toda a restauração e hotelaria está esgotada em Vila Flor e nos concelhos limítrofes. Portanto, o que nos falta é capacidade para dar resposta a este tipo de eventos. O que o município está a fazer é trazer investimento, trazendo visitação a Vila Flor, como temos constatado nas outras edições, e que nos colocam num patamar de retorno de 1 milhão de euros.

Durante a EXPOVILA 5.0, os visitantes poderão desfrutar de um programa diversificado, que integra conferências e debates temáticos “Conversas de Azeite”, showcookings com chefs de reconhecido mérito nacional, provas orientadas de azeite, recriações culturais ligadas à tradição olivícola, exposições de maquinaria agrícola e industrial, street food, atividades para crianças e animação permanente.

Entre os momentos de maior destaque encontra-se o II Encontro de Percussão e Gaiteiros “Rufos e Roncos”, que vai reunir cerca de 50 grupos e aproximadamente mil participantes, numa celebração da música tradicional e da identidade cultural transmontana.

O evento contará igualmente com a participação das associações locais, grupos culturais e recreativos, bem como dos projetos municipais APROXIMAR e CLDS 5G, reforçando a dimensão comunitária e inclusiva da iniciativa.

O cartaz musical é composto pelos Descendentes que atuam a 9 de julho, Bispo sobe ao palco no dia 10, Bárbara Bandeira será a cabeça de cartaz do dia 11 e o encerramento, a 12 de julho, ficará a cargo de Carminho.

Crianças descobrem o território no Festival do Solstício de Verão em Moncorvo

 O Festival do Solstício de Verão transformou, entre sexta e sábado, o centro de Torre de Moncorvo num espaço de brincadeira, aprendizagem e convívio.


As atividades  conquistaram as crianças, que aproveitaram ao máximo os ateliers e os jogos preparados para assinalar a chegada do verão.

Uma das oficinas oferecia atividades que aproximaram as crianças ao território.

A responsável pelo ateliers, Fátima Ramos, conta as plantas, o barro e a argil, todos eram provenientes do concelho.

“Nós temos várias atividades para os meninos conhecerem o território. Temos plantas para eles sentirem os cheiros das plantas, para sentirem a textura das plantas. Temos pinhas encontradas na região, temos pedras encontradas na região, e então meio que é mais para eles conhecerem o que temos dentro da região. O interesse dos mais novos está mais no barro. Que é o barro mesmo do Felgar, daqui da terra, e a argila daqui de Moncorvo. Nós queríamos mesmo trazer o barro próprio da região para mostrar a qualidade do barro que temos aqui, porque muita gente está a perder esse interesse pelas tradições antigas.”

O autarca, José Meneses, diz que o objetivo deste festival é “animar” as ruas de Moncorvo promovendo o contacto com a natureza e a valorização do território.

“É de facto a festa do início do verão e o objetivo principal é darmos vida às ruas de Torre de Moncorvo, ao concelho, nomeadamente com as pessoas, com as famílias, com as crianças sobretudo. E a temática é sempre à volta muito também do ambiente e também da sustentabilidade ambiental. Por isso mesmo este solstício, esta festividade é para eles. O despovoamento é notório, os municípios não têm armas suficientes para combatermos esta desertificação. Agora vamos criar cada vez mais oportunidades dentro daquilo que é a nossa esfera de decisão para promover estes eventos, para educar as nossas crianças e também para os nossos governantes verem que aqui também sabem fazer festividades.”

O Festival Solsticío de Verão de Torre de Moncorvo decorreu entre dia 19 e 20. Contou com um programa diversificado para todas as idades e vários momentos musicais protagonizados pelos artistas Sexto Compasso, Karetus, Gaiteiros Sabor Artes, Cromos da Noite e dos DJs Manuel Diogo e Alex Lino.

As partidas sem retorno


O dia amanhece tétrico
Sem motivo aparente,
Só que o tom é eloquente,
O cortejo vai ser quimérico,
Surge mais um espaço sem gente.

A ascese é passional
No decurso da estadia
A dor terrena é frequente,
Da ilusão ao temporal.
E medito no que faria, 
A roda da sorte não para,
Leva sempre os melhores.
Morram todos os algozes
Que massacram noite e dia, 
Sem nunca darem a cara.

Se apenas realizasse
O que fosse do meu agrado,
Rejeitava o tempo passado,
A causa e a consequência.
Como palavra mágica ou passe,
Por tudo o de mais sagrado
Devolvia à procedência
Todo o correio sem guia
Para o outro mundo enviado.

(2001)
Carlos Morais

Manuel Carlos Dias Morais

O rio Fervença será palco de um encontro especial onde a ciência, a comunidade e a tradição se juntam num ambiente único

 𝗣𝗼𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗲𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼: Casa da Seda, às 18 h
Local: Auditório do Pólis, junto à Casa da Seda

Participação por convite (inscrições limitadas)

O evento contará com 𝗔𝗺í𝗹𝗰𝗮𝗿 𝗧𝗲𝗶𝘅𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗲 𝗔𝗻𝗮 𝗚𝗲𝗿𝗮𝗹𝗱𝗲𝘀, investigadores no CIMO-IPB, que irão partilhar conhecimento sobre a 𝓲𝓶𝓹𝓸𝓻𝓽â𝓷𝓬𝓲𝓪 𝓭𝓸𝓼 𝓮𝓬𝓸𝓼𝓼𝓲𝓼𝓽𝓮𝓶𝓪𝓼 𝓪𝓺𝓾á𝓽𝓲𝓬𝓸𝓼 𝓮 𝓪 𝓼𝓾𝓪 𝓹𝓻𝓮𝓼𝓮𝓻𝓿𝓪çã𝓸.

Haverá também uma 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗹𝗵𝗮 𝗱𝗲 𝗺𝗲𝗺ó𝗿𝗶𝗮𝘀 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗲𝘀𝗽𝗲𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗰𝗼𝗺 𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗲 𝗮𝗻𝘁𝗶𝗴𝗼𝘀 𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗕𝗮𝗶𝗿𝗿𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗕𝗮𝘁𝗼𝗾𝘂𝗲𝘀, trazendo diferentes perspetivas-sociais, económicas e culturais- sobre a ligação ao rio.

E porque a ciência também também une as pessoas, o arraial inclui momentos de convívio e animação, celebrando o encontro entre conhecimento e tradição.

Um evento que valoriza o rio como parte essencial da identidade local.

BRAGANÇA RECEBE EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE MICHEL BASSOMPIERRE E TRANSFORMA A CIDADE EM GALERIA A CÉU ABERTO

 Bragança prepara-se para receber uma das mais relevantes mostras internacionais de escultura contemporânea, dedicada ao artista francês Michel Bassompierre, reconhecido pela sua obra centrada na representação do mundo animal.


A iniciativa, que arranca a 30 de junho, assinala também o 18.º aniversário do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e está organizada em dois eixos complementares: uma intervenção no espaço público e uma exposição interior dedicada ao percurso criativo do artista.

No exterior, serão instaladas sete esculturas em vários pontos emblemáticos da cidade, criando um percurso artístico que convida residentes e visitantes a um contacto direto com peças de grande escala inspiradas em espécies como ursos, gorilas e outros animais selvagens. A proposta pretende transformar o espaço urbano num museu a céu aberto, promovendo a reflexão sobre a relação entre o ser humano e a natureza.

Em simultâneo, o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais apresenta uma exposição que revela o processo de trabalho de Bassompierre, desde os esboços iniciais até às obras finais em bronze e outros materiais. O percurso inclui peças de diferentes fases da sua carreira, permitindo uma leitura mais aprofundada da sua linguagem artística.

A mostra ganha ainda um significado especial por ocorrer após o falecimento do escultor, em abril de 2026, funcionando como homenagem ao legado de um dos nomes mais marcantes da escultura animalista contemporânea.

Com esta programação, Bragança reforça a sua ligação às artes visuais e assume-se como palco privilegiado de projetos culturais de dimensão internacional.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

CARETOS DE PODENCE LEVAM TRADIÇÃO TRANSMONTANA AO ROCK IN RIO LISBOA

 Os Caretos de Podence marcaram presença no Rock in Rio Lisboa, levando até um dos maiores festivais de música do mundo uma das expressões culturais mais emblemáticas de Trás-os-Montes.


Esta participação simboliza o percurso de uma tradição que, em décadas passadas, enfrentou riscos de desaparecimento, mas que acabou por se afirmar como um dos maiores ícones da identidade cultural portuguesa, atualmente reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A presença no festival representa um encontro entre o património e a contemporaneidade, mostrando como práticas ancestrais podem ganhar novos palcos e alcançar públicos globais sem perder a sua essência.

Do território de origem para um evento de dimensão internacional, os Caretos continuam a afirmar-se como símbolo vivo da cultura portuguesa, reforçando a ligação entre tradição, identidade e projeção do país no mundo.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR