Confesso que não consigo compreender esta dualidade de critérios por parte de uma força de segurança como a PSP.
Também não confundo a instituição com as pessoas que a representam, no terreno, e que cumprem ordens.
Não entendo como é que uma polícia que, tantas vezes, demonstra uma preocupação quase excessiva com manifestações pacíficas, legítimas e constitucionalmente protegidas, parece ter uma postura tão diferente quando chega o fim de semana e há um «clássico» de futebol.
Aí, assistimos a verdadeiros cordões policiais a proteger claques de energúmenos que insultam tudo e todos, intimidam cidadãos, provocam desacatos, destroem estabelecimentos comerciais, devastam bares e cafés e, em situações extremas, transformam cidades em autênticos cenários de guerra.
E a pergunta impõe-se! como é possível a PSP mostrar tanta determinação perante cidadãos que exercem pacificamente o seu direito à manifestação e, ao mesmo tempo, mobilizar enormes dispositivos policiais para proteger quem, tantas vezes, se comporta como se estivesse acima da lei?
Como é possível que manifestantes pacíficos sejam confrontados com bastões, enquanto indivíduos que promovem a violência, a intimidação e a destruição encontram na mesma polícia uma espécie de escudo protetor?
Afinal, qual é o critério? Onde está a proporcionalidade? E onde fica a igualdade de tratamento perante a lei?
A polícia existe para proteger os cidadãos, garantir a ordem pública e fazer cumprir a lei. Não para intimidar quem protesta pacificamente, nem para servir de guarda-costas a quem faz do vandalismo, da violência e da prepotência uma forma de estar.
E deixo uma pergunta, talvez incómoda. Porque não permitir que estas claques assumam a responsabilidade pelos seus próprios comportamentos, intervindo a polícia de forma firme e proporcional quando, e se, efetivamente houver crimes, agressões ou atos de vandalismo?
A autoridade não se mede pela quantidade de bastonadas distribuídas aos mais vulneráveis, nem pela dimensão dos cordões policiais montados para proteger os mais perigosos. Mede-se pela coragem de aplicar a lei a todos, sem medo, sem favoritismos e sem dois pesos e duas medidas.
Ou será que o Governo não está à altura do exigível?
A lei é a mesma para todos. Ou, pelos vistos, deveria ser.

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