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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

A voz das escolas (o herói que há em nós!)

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

No dia 2 de fevereiro estiveram no magnífico auditório da Fundação Champalimaud mais de trezentos alunos das várias escolas da freguesia de Belém para fazerem ouvir a sua voz. Foi uma jornada memorável, onde os jovens estudantes foram desafiados a escolherem e promoverem alguém merecedor da sua admiração, depois de, enquadrados na figura tutelar de António Champalimaud, ouvirem vários testemunhos de destacadas personalidades que moram ou trabalham nesta freguesia alfacinha, como o cientista António Coutinho e a jornalista Maria João Ruela.
Os que responderam ao desafio regressaram a 10 de maio para mostrarem as suas opções e tomar conhecimento da decisão do júri bem como aclamar os premiados a quem foram entregues os respetivos troféus.
No âmbito do Programa da Junta de Freguesia de Belém, em Lisboa, “ESCOLAS COM VOZ”, com outras relevantes iniciativas, teve lugar, mais uma vez, o projeto “O HERÓI QUE HÁ EM NÓS”. Tive o privilégio de acompanhar esta ação desde o início fazendo, inclusive, parte do júri a quem coube a responsabilidade de eleger, entre todas as propostas, aquelas que mereceram ser distinguidas e agraciadas pela edilidade lisbonense.
Tendo a decisão sido unânime, permito-me, falando na primeira pessoa, estender as minhas apreciações aos restantes jurados. À surpresa inicial do objeto de algumas escolhas sucedeu o inegável reconhecimento da humanidade, relevo e simbologia da eleição dos jovens educandos de escolas existentes numa das mais elitistas freguesias da capital portuguesa.
A Escola Secundária do Restelo, albergando os atletas de alta competição, integrando a elite portuguesa das diferentes modalidades que praticam, habituados a conviver com estrelas internacionais nos campeonatos e encontros que frequentam, com alguma regularidade, encontraram o seu herói em João Bamba, o porteiro do estabelecimento escolar. Um homem de sorriso contagiante com que os brinda à entrada, embrulhando um incentivo motivador e que ao final do dia, se despede com um até amanhã repleto de confiança e esperança no amanhã radioso. João é um imigrante angolano a quem a vida caldeou um espírito lutador e esforçado de onde retirou um repositório de conselhos e recomendações que quis trazer para o auditório da Champalimaud. Correndo risco de não ser capaz de o citar, ipsis verbis não resisto a citar alguns: “O futuro está nas vossas mãos. Ouvi atentamente os professores não por serem quem são, mas pelo que vos querem ensinar. Dentro de alguns anos, o lugar deles será vosso. E também sereis vós os próximos deputados e ministros e presidentes.”
Sem desprimor para todos os restantes concorrentes e premiados, reveste igual relevo a escolha dos frequentadores da Escola D. Nuno Álvares Pereira que tiveram uma opção idêntica à dos seus colegas do Restelo, elegendo como ídolo a cabo-verdiana Nelly, muito menos expansiva que João, mas igualmente determinada, resiliente, sofrida e carinhosa (mesmo quando os repreende e chama à atenção pelos naturais desmandos) com os alunos da escola.
Muito havia (e há) a dizer sobre estas histórias de vida mas, numa altura em que imigrantes são barbaramente agredidos, apenas por essa condição, é importante dar relevo ao reconhecimento que quem escolheu a nossa pátria para viver e trabalhar, recolhe de quem beneficia do seu empenho generoso e dedicado.

José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance), Canto d'Encantos (Contos) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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