Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
No dia 2 de fevereiro estiveram no magnífico auditório da Fundação Champalimaud mais de trezentos alunos das várias escolas da freguesia de Belém para fazerem ouvir a sua voz. Foi uma jornada memorável, onde os jovens estudantes foram desafiados a escolherem e promoverem alguém merecedor da sua admiração, depois de, enquadrados na figura tutelar de António Champalimaud, ouvirem vários testemunhos de destacadas personalidades que moram ou trabalham nesta freguesia alfacinha, como o cientista António Coutinho e a jornalista Maria João Ruela.
Os que responderam ao desafio regressaram a 10 de maio para mostrarem as suas opções e tomar conhecimento da decisão do júri bem como aclamar os premiados a quem foram entregues os respetivos troféus.
No âmbito do Programa da Junta de Freguesia de Belém, em Lisboa, “ESCOLAS COM VOZ”, com outras relevantes iniciativas, teve lugar, mais uma vez, o projeto “O HERÓI QUE HÁ EM NÓS”. Tive o privilégio de acompanhar esta ação desde o início fazendo, inclusive, parte do júri a quem coube a responsabilidade de eleger, entre todas as propostas, aquelas que mereceram ser distinguidas e agraciadas pela edilidade lisbonense.
Tendo a decisão sido unânime, permito-me, falando na primeira pessoa, estender as minhas apreciações aos restantes jurados. À surpresa inicial do objeto de algumas escolhas sucedeu o inegável reconhecimento da humanidade, relevo e simbologia da eleição dos jovens educandos de escolas existentes numa das mais elitistas freguesias da capital portuguesa.
A Escola Secundária do Restelo, albergando os atletas de alta competição, integrando a elite portuguesa das diferentes modalidades que praticam, habituados a conviver com estrelas internacionais nos campeonatos e encontros que frequentam, com alguma regularidade, encontraram o seu herói em João Bamba, o porteiro do estabelecimento escolar. Um homem de sorriso contagiante com que os brinda à entrada, embrulhando um incentivo motivador e que ao final do dia, se despede com um até amanhã repleto de confiança e esperança no amanhã radioso. João é um imigrante angolano a quem a vida caldeou um espírito lutador e esforçado de onde retirou um repositório de conselhos e recomendações que quis trazer para o auditório da Champalimaud. Correndo risco de não ser capaz de o citar, ipsis verbis não resisto a citar alguns: “O futuro está nas vossas mãos. Ouvi atentamente os professores não por serem quem são, mas pelo que vos querem ensinar. Dentro de alguns anos, o lugar deles será vosso. E também sereis vós os próximos deputados e ministros e presidentes.”
Sem desprimor para todos os restantes concorrentes e premiados, reveste igual relevo a escolha dos frequentadores da Escola D. Nuno Álvares Pereira que tiveram uma opção idêntica à dos seus colegas do Restelo, elegendo como ídolo a cabo-verdiana Nelly, muito menos expansiva que João, mas igualmente determinada, resiliente, sofrida e carinhosa (mesmo quando os repreende e chama à atenção pelos naturais desmandos) com os alunos da escola.
Muito havia (e há) a dizer sobre estas histórias de vida mas, numa altura em que imigrantes são barbaramente agredidos, apenas por essa condição, é importante dar relevo ao reconhecimento que quem escolheu a nossa pátria para viver e trabalhar, recolhe de quem beneficia do seu empenho generoso e dedicado.
Os que responderam ao desafio regressaram a 10 de maio para mostrarem as suas opções e tomar conhecimento da decisão do júri bem como aclamar os premiados a quem foram entregues os respetivos troféus.
No âmbito do Programa da Junta de Freguesia de Belém, em Lisboa, “ESCOLAS COM VOZ”, com outras relevantes iniciativas, teve lugar, mais uma vez, o projeto “O HERÓI QUE HÁ EM NÓS”. Tive o privilégio de acompanhar esta ação desde o início fazendo, inclusive, parte do júri a quem coube a responsabilidade de eleger, entre todas as propostas, aquelas que mereceram ser distinguidas e agraciadas pela edilidade lisbonense.
Tendo a decisão sido unânime, permito-me, falando na primeira pessoa, estender as minhas apreciações aos restantes jurados. À surpresa inicial do objeto de algumas escolhas sucedeu o inegável reconhecimento da humanidade, relevo e simbologia da eleição dos jovens educandos de escolas existentes numa das mais elitistas freguesias da capital portuguesa.
A Escola Secundária do Restelo, albergando os atletas de alta competição, integrando a elite portuguesa das diferentes modalidades que praticam, habituados a conviver com estrelas internacionais nos campeonatos e encontros que frequentam, com alguma regularidade, encontraram o seu herói em João Bamba, o porteiro do estabelecimento escolar. Um homem de sorriso contagiante com que os brinda à entrada, embrulhando um incentivo motivador e que ao final do dia, se despede com um até amanhã repleto de confiança e esperança no amanhã radioso. João é um imigrante angolano a quem a vida caldeou um espírito lutador e esforçado de onde retirou um repositório de conselhos e recomendações que quis trazer para o auditório da Champalimaud. Correndo risco de não ser capaz de o citar, ipsis verbis não resisto a citar alguns: “O futuro está nas vossas mãos. Ouvi atentamente os professores não por serem quem são, mas pelo que vos querem ensinar. Dentro de alguns anos, o lugar deles será vosso. E também sereis vós os próximos deputados e ministros e presidentes.”
Sem desprimor para todos os restantes concorrentes e premiados, reveste igual relevo a escolha dos frequentadores da Escola D. Nuno Álvares Pereira que tiveram uma opção idêntica à dos seus colegas do Restelo, elegendo como ídolo a cabo-verdiana Nelly, muito menos expansiva que João, mas igualmente determinada, resiliente, sofrida e carinhosa (mesmo quando os repreende e chama à atenção pelos naturais desmandos) com os alunos da escola.
Muito havia (e há) a dizer sobre estas histórias de vida mas, numa altura em que imigrantes são barbaramente agredidos, apenas por essa condição, é importante dar relevo ao reconhecimento que quem escolheu a nossa pátria para viver e trabalhar, recolhe de quem beneficia do seu empenho generoso e dedicado.
José Mário Leite, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance), Canto d'Encantos (Contos) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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