O projeto USE4FOREST pretende melhorar a resposta e resiliência do território na prevenção dos incêndios rurais, através de intervenções no terreno, partilha de conhecimento e envolvimento direto das populações, assente numa lógica de cooperação transfronteiriça entre Portugal, Espanha e França.
Para o presidente da CIM, Pedro Lima, é urgente mudar comportamentos.
“Em primeiro lugar agir na prevenção e é muito importante o envolvimento das comunidades intermunicipais porque têm a responsabilidade da proteção civil sub-regional, a responsabilidade de ajudar na prevenção e proteção das florestas, e têm um cordão umbilical, digamos assim, com os municípios que, por sua vez, através das juntas de freguesia, conseguem entregar esta mensagem às populações de uma forma mais eficiente. Porque só através da alteração dos comportamentos é que nós vamos conseguir uma redução das ignições.”
Os incêndios são cada vez mais explosivos devido às alterações climáticas e ao abandono do território. O envelhecimento da população e a desertificação do interior levam à diminuição da gestão ativa da floresta. Pedro Lima defende que a agricultura e a pecuária são fundamentais para mudar o paradigma.
“Tenho sido defensor de desenvolvermos políticas que estimulem, positivamente, a quebra das áreas contínuas de material de combustível, com agricultura, com pecuária, em vez de gastarmos milhões de uma forma desalmada e de uma forma completamente inglória numa fase de combate, com aviões, com equipamentos e homens, etc.Nós queríamos vocacionar alguns desses recursos financeiros para a prevenção ou pelo menos para um combate mais eficiente, que é estabelecermos áreas de descontinuidade, e isso tem que ser feito ao nível da CIM”
Sem a população não há prevenção eficaz e este é o grande consenso entre os intervenientes, já que grande parte dos incêndios continua a ter origem em comportamentos negligentes.
“Temos que aprender a viver com esta nova realidade e não pensar que ela vai desaparecer. O inverno traz-nos a calmia e traz-nos a sensação de que os incêndios já passaram há bastante tempo, mas vão voltar. E temos é que diminuir o impacto que os mesmos têm nas nossas vidas. Para isso, em primeiro lugar, diminuir as ignições para que os incêndios sejam menos e diminuir a sua grandeza, portanto reduzir a área que eles tenham disponível para consumir. Isso faz-se com atividade humana, por isso é que as pessoas têm que estar envolvidas, temos que as chamar à discussão e à preservação acima de tudo e conservação do nosso património natural.”
O projeto integra uma componente científica e tecnológica. Serão testadas ferramentas de simulação do comportamento do fogo, monitorização e planeamento. Outro eixo fundamental é a deteção precoce. Para isso, o território conta com um sistema de videovigilância florestal com monitorização contínua. Neste momento, há câmaras instaladas em pontos estratégicos do território. São três torres, uma na Serra de Bornes, outra na Serra da Nogueira e outra em Castanheira. Através de uma candidatura que foi já aprovada, o sistema de videovigilância vai aumentar significativamente a cobertura do território.
Até ao final deste mês, a CIM está a promover ações de sensibilização em várias freguesias dos nove concelhos que a compõe. A ideia é dar a conhecer o projeto e sensibilizar a população.
Foto: Interreg Sudeo

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