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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 21 de junho de 2025

OS FIDALGOS - MACEDO DE CAVALEIROS

Solar dos Macedos

«É solar dos Macedos o lugar de Macedo no distrito desta cidade, e se chamou em tempos antigos Mazanedo que se corrompeu em Macedo.
Todas as casas nobres desta cidade são Macedos e outras muitas das províncias; e nesta cidade acho a Gonçalo de Macedo, que era filho de Martim Gonçalves de Macedo em um acordão da Câmara de 1448 sendo juízes Rodrigo Afonso Galego e Pedro Machado, escrita em pergaminho e tem nº 19.
De João de Macedo desta cidade, que foi alcaide-mor de Outeiro descendem os Condes de S. Miguel e outra muita nobreza; e suposto se vai perdendo nesta cidade o apelido dos Macedos, ainda se conservam em seus descendentes duas casas nobres antigas com torres, que foram dos Macedos; uma do alcaide-mor Lázaro de Figueiredo Sarmento, na Rua Direita, e outra de Álvaro de Morais Soares capitão de cavalos, na Rua do Espírito Santo; e dentro dos muros houve uma casa com torre desta família e se chamava a torre dos Maçanedos; consta por uma escritura do Arquivo da Câmara de 1519 da compra que fez de umas casas e venderam João Correia escudeiro e sua mulher Genebra de Macedo, que diz partem com casas de Álvaro de Chaves e com a casa torre que foi dos Maçanedos e dizem que os Macedos trazem origem do Conde D. Gomes de Maçanedo; bem pode ser viesse para esta algum de seus descendentes e fosse sua esta torre, de que tivesse princípio o solar dos Macedos.
Neste lugar de Macedo se conserva o Morgado que em 8 de Fevereiro da era de 1391, que é o ano de 1353 instituiu Rui Fernandes de Macedo, filho de Fernão Esteves de Macedo e teve mais filhos a Aires Fernandes de Macedo e Gonçalo Fernandes de Macedo, que foi pai de Martim Gonçalves de Macedo, o que livrou a el-rei D. João primeiro do lance em que se viu com o Sandoval na batalha de Aljubarrota em que se achavam estes Macedos e deu motivo aquela acção para o timbre das suas armas e deste Martim Gonçalves de Macedo era filho Gonçalo de Macedo.
Não usam hoje estes Morgados do apelido de Macedo de que muito se deviam lembrar, pois possuem o mesmo solar com vínculo acreditado com brasão tão nobre que aqueles ilustres cavaleiros grangearam e deles ficou este nome ao lugar de Macedo e a este morgado uma regalia; porque vindo a ser o lugar de Macedo foreiro da Casa de Bragança unicamente as herdades deste morgado não pagam reguengo e tem por tradição que os duques as conservaram nesta liberdade pela ocasião de Aljubarrota com D. João I, seu ascendente» (294).
Martim Gonçalves de Macedo, atrás citado, socorreu El-Rei D. João I na batalha de Aljubarrota, matando Álvaro Gonçalves de Sandoval, cavaleiro castelhano, que lhe tomara a massa. Por recompensa fez-lhe El-Rei mercê da alcaidaria do castelo de Outeiro, dos direitos reais de Bragança e de muitos outros (295).
Era possuidor deste morgadio em 1721-24 Jorge de Morais Sarmento, descendente dos primitivos instituidores, casado com D. Micaela do Sil Carneiro, filha de André do Sil Carneiro, filho de Mateus de Morais e de D. Maria de Madureira Sarmento, herdeira deste morgadio, filha de Manuel de Madureira Sarmento e de D. Ana de Castro e neta de Álvaro de Madureira e de D. Violante Sarmento(296).
1º D.MARIA JOSÉ DE ESCOVAR, viúva, e seus filhos Francisco Manuel de Morais Sarmento e Vasconcelos, fidalgo da Casa Real, e D. Doroteia Agostinha de Morais Sarmento e Vasconcelos, de Macedo de Cavaleiros, obtiveram em 1792 licença para oratório particular nas suas casas de moradia (297).
2º Doutor JOÃO BERNARDO DE OLIVEIRA SARMENTO, cavaleiro professo na Ordem de Cristo, natural e residente em Macedo de Cavaleiros, faleceu a 9 de Dezembro de 1806, deixando por sua alma duas mil missas!; cem moedas de ouro, de 4$800 réis cada uma, para comprar um pálio rico para a igreja matriz da freguesia e por herdeiro seu sobrinho «ahinda que o não seja» Lucas Agostinho de Gouveia Sá Vasconcelos, de Moncorvo, e seu irmão João de Gouveia Sarmento Vasconcelos, na falta dele (298).
Ver o volume IV, pág. 344, destas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança.

Família Morais Sarmento de Vasconcelos

Por uns apontamentos genealógicos desta família que nos enviou o capitão do exército Luciano José de Morais Sarmento e Vasconcelos, membro da mesma família, deduz-se a origem do primeiro Morais, cuja descendência mencionamos em Bragança – Morais. Seguem depois:
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(294) BORGES, José Cardoso – Descrição Topográfica da Cidade de Bragança, notícia X, fol.
220 (mihi).
(295) SANCHES DE BAENA – Arquivo Heráldico Genealógico, parte 2ª, artigo «Macedo».
(296) BORGES – Descrição, Topográfica da Cidade de Bragança, notícia XI, Dos Morgados, §14, fol. 299 (mihi).
(297) Museu Regional de Bragança, maço Capelas.
(298) Ibidem, Cartório Administrativo, livro 35, fol. 31, onde se encontra, na íntegra, o testamento.
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1º RODRIGO RODRIGUES DE MORAIS, que casou com D.Maria Sarmento, filha de Jácome Luís Sarmento, alcaide-mor de Bragança.
2º Doutor FRANCISCO SARMENTO DE MORAIS, formado em direito.
3º VALENTIM DE SÁ SARMENTO.
4º JULIÃO DE MORAIS SARMENTO capitão-mor de Algoso, cavaleiro da Ordem de Cristo por alvará de 8 de Fevereiro de 1700 e fidalgo-cavaleiro da Casa Real por alvará de 6 de Dezembro de 1705.
Casou com D. Maria de Gouveia e Vasconcelos, filha de Cristóvão de Gouveia e Vasconcelos, natural de Algoso.
5º JOSÉ SARMENTO DE VASCONCELOS, último administrador do morgadio de Trovões, instituído por seu tio Bento de Morais Sarmento, natural de Paradinha, onde também tinha casa brasonada. Era fidalgo da Casa Real por alvará de 18 de Agosto de 1738 e cavaleiro do hábito de Cristo por alvará de 20 de Fevereiro de 1752.
6º FRANCISCO MANUEL DE MORAIS SARMENTO E VASCONCELOS.
7º MANUEL ANTÓNIO DE MORAIS SARMENTO E VASCONCELOS.
Descendência:
8º MANUEL ANTÓNIO DE MORAIS SARMENTO E VASCONCELOS, que não casou, mas deixou filhos bastardos que ainda existem.
9º LUCIANO AUGUSTO DE MORAIS SARMENTO E VASCONCELOS, que casou em Alfândega da Fé, deixando três filhos, dos quais o mais velho é o nosso informador:
10º LUCIANO JOSÉ DE MORAIS SARMENTO E VASCONCELOS, capitão do exército. 
O belo palacete desta família (um dos edifícios mais importantes de Macedo de Cavaleiros), situado em frente dos Paços do Concelho, com grande e rica propriedade contígua e capela do morgadio dedicada a Santo António, pertence, por compra, à família Pimentel Martins que, segundo me informam, mandou picar as armas do escudo por não serem suas.
António Caetano de Oliveira fez o mesmo em Moncorvo às do palacete que comprou e que pertencera aos Morais Sarmentos e o mesmo tem sucedido em várias partes!
Que falta de gosto (muitos brasões têm valor artístico) e de veneração pelos monumentos históricos! Quando ingressaremos no culto do passado, sem o qual não há a compreensão do presente nem a formação do espírito da finalidade rácica que marca o triunfo característico de um povo no futuro?!...

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA

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