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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Polícias e Bandidos

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 De forma dura e inesperada, fomos surpreendidos, recentemente, com notícias que nos davam conta de fortes evidências da existência de sevícias e atos de tortura, levados a cabo por agentes da autoridade na esquadra do Rato em Lisboa. Ainda não se tinham apagado os ecos de maus tratos e inadmissíveis humilhações a emigrantes, igualmente protagonizados por forças de segurança. Obviamente que estes grupos são excrescências das organizações de que fazem parte, mas, não arrastando consigo as respetivas corporações que integram, também não podem ser toleradas só por a elas pertencerem. Há muitos séculos que a sabedoria popular nos alerta para a inegável evidência que o hábito não faz o monge. Igualmente a farda não garante a correção de trato de quem a usa.

É assim que devemos olhar para estes fenómenos, condenando-os, obviamente, na esperança que as próprias organizações usem os seus próprios meios e mecanismos para os prevenirem e sancionar quando ocorram.

Acontece que, na nossa praça, há um político que se notabilizou pelo apoio incondicional às forças de segurança, não só quando estas agem de forma justa, proporcional e adequada às circunstâncias, mas igualmente quando abusam dos poderes de que estão investidas ultrapassando os limites legais e morais. Sempre lesto em vir reclamar ampla solidariedade sempre que estas são, de alguma forma, diminuídas, atacadas ou simplesmente questionadas, não consegue reconhecer quaisquer abusos ou desmandos, quando ocorrem. Tanto assim que, quando instado a comentar qualquer uma destas circunstâncias, costuma responder que, em qualquer circunstância prefere estar do lado dos polícias e não do lado dos bandidos.

O que, em termos genéricos está correto, porém, levando em devida conta, os casos concretos do Rato e de Odemira, o lado dos “bandidos” é preferível aos dos “polícias”.

Desde tempos imemoriais que a humanidade vive numa charneira de luta constante entre o Bem e o Mal e onde, genericamente, a maioria quer pertencer ao primeiro grupo, condenando o segundo. O problema começa, na definição da bondade e da maldade e, por consequência, termina em quem faz parte de qual. É um aspeto conhecido e escrutinado pelos homens, desde sempre. Não só na mitologia grega e romana como, de forma mais evidente e conhecida, no ocidente, pela própria teologia judaico-cristã. Foi na corte divina, onde por definição apenas terá lugar o Bem, em toda a sua essência e rigor que nasceu a mais pérfida semente maligna de que há conhecimento. Satanás foi um anjo que, pertencendo à elite celestial foi incapaz de honrar o lema e o propósito da mesma, tendo-se rebelado e caído em desgraça, para semear todo o género de malfeitorias.

Portanto, é normal querer pertencer ao grupo da gente de Bem. Onde, queiramos ou não, haverá muitos polícias e alguns “bandidos”. Que não haja dúvidas. O problema reside em quem tem autoridade moral para ir ungindo ou colocando a “marca de Caim” nos potenciais candidatos. Infelizmente não conheço quem o faça de forma justa e adequada. Porém, não me parece que possa ser quem acolhe e promove, no grupo onde está e reclama ser o melhor de todos, pedófilos, arruaceiros, trapaceiros e ladrões de malas em aeroportos.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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