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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

BALDIOS: FEDERAÇÃO ALERTA PARA “CHEQUE EM BRANCO AO ESTADO” EM NOVO MODELO DE GESTÃO

 A Federação Nacional dos Baldios (Baladi) criticou esta terça-feira a proposta de acordo apresentada pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, classificando-a como um “cheque em branco ao Estado” que poderá comprometer a autonomia das comunidades locais na gestão dos baldios.


Em conferência de imprensa realizada em Vila Real, o presidente da direção da federação, José Castro, afirmou que o documento vai muito além de um simples apoio técnico, representando, na prática, uma “gestão unilateral” por parte do Estado.

O atual regime de cogestão entre o ICNF e as comunidades locais terminou a 24 de janeiro de 2026, assinalando 50 anos desde a criação do enquadramento legal dos baldios. Desde então, as comunidades retomaram a gestão autónoma destes territórios, estando agora em cima da mesa uma nova proposta de delegação de competências.

Segundo a Baladi, o acordo prevê que, ao assiná-lo, as assembleias de compartes e os conselhos diretivos deixem de ter poder de decisão sobre a exploração dos recursos dos baldios durante um período que pode ir até 30 anos, prorrogável. “As populações ficam completamente arredadas do tipo de gestão que pode ser feito sobre o seu baldio”, sublinhou José Castro.

Outro dos pontos críticos apontados prende-se com a componente financeira: o ICNF propõe ser compensado com 40% das receitas geradas, nomeadamente da exploração de madeira e outros recursos naturais, o que, na ótica da federação, levanta dúvidas sobre o equilíbrio do modelo.

A Baladi reconhece que muitas comunidades enfrentam dificuldades estruturais, desde a escassez de apoio técnico à crescente complexidade burocrática, mas alerta para os riscos de soluções que aparentam ser mais fáceis. Além do acordo com o ICNF, algumas comunidades têm recebido propostas de empresas privadas, que prometem elevados retornos financeiros, cenário que a federação diz dever ser analisado “com grande cautela”.

“O falso dilema é perigoso: ou os baldios ficam expostos a interesses financeiros ou entregam a sua administração ao Estado. Rejeitamos essa escolha”, frisou a organização.

A federação levanta ainda questões jurídicas e de transparência, argumentando que o ICNF, enquanto autoridade nacional em matérias florestais, poderá acumular o papel de regulador e gestor, criando desigualdades entre comunidades que aceitem ou rejeitem o acordo.

Sem ter sido envolvida no processo, a Baladi solicitou audiências ao ICNF e ao Governo, nomeadamente ao secretário de Estado das Florestas, e garante estar a preparar alternativas que assegurem que o poder de decisão permanece nas comunidades locais.

De acordo com dados citados pela federação, Portugal possui cerca de 550 mil hectares de baldios, um património coletivo cuja gestão continua a gerar debate cinco décadas após a sua consagração legal.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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