segunda-feira, 17 de julho de 2017

Festival Terra Transmontana superou expectativa da organização e dos visitantes

A edição deste ano do Festival Terra Transmontana (FTT), que decorreu este fim de semana em Mogadouro, segundo a organização da iniciativa cultural, “superou as todas as
expectativas”.
O FTT reviveu a história do concelho, num ambiente de sã convivência entre a história e a contemporaneidade, tendo a edição deste ano sido dedicada à família Távora – “Senhores de Mogadouro”.

Para Cristina Silva, que veio de Aveiro, este festival é diferente dos que já visitou, afirmando, que se vive uma atmosfera diferente, dado o sítio onde está implantado, o que a fez o visitante recuar numa idade numa realidade já passada.
“A zona histórica de Mogadouro é mágica. O seu castelo, pelourinho, igrejas e até os edifícios envolventes são de uma rusticidade única, já para não falar na envolvência do espaço”, afirmou ao Mensageiro.
Paulo Cristóvão, vindo de Viseu, acompanhado de um grupo de amigos e disse que está habituado a esta andanças, ressalvando, que se trata de um festival não massificado, o que oferece outras condições aos visitantes.
“Houve tempo suficiente para conhecer a vila, a gastronomia, a etnográfica e convívio direto com os habitantes locais ”, destacou.
Já os expositores e responsáveis pelas tasquitas referiram que o FTT ultrapassou a melhores expectativas e que em alguns casos os produtos endógenos acabaram por esgotar, devido à procura por parte dos visitantes.
Segundo o presidente da Câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães, o FTT é uma iniciativa cultural que tem vindo a crescer e que este ano, “superou as expectativas” da organização.
“Este ano superou em muito as expectativas com o número de casas particulares, a transformarem-se em antigas tascas, o que é bom já que praticamente a zona histórica foi aberta, aos visitantes aproveitaram provar a nossa gastronomia e ajudaram a dinamizar a economia local”, frisou o autarca.
Por entre ruas e ruelas da zona histórica de Mogadouro, ouviu-se o improviso da música, das lendas e dos cantares da terra, num ambiente moderno, com um toque ancestral, onde não faltaram mascarados, pauliteiros, gaiteiros e bombos, concertinas e o fado.
“Quando em 2014 iniciámos o festival tínhamos apenas duas casas particulares abertas a participar, mas logo percebemos que iríamos aumentar em muito no ano a seguir. Este ano estiveram prestantes 18 tasquinhas e 12 expositores ”, lembrou Francisco Guimarães.
Segundo fonte do Município, que a organizou o evento, pretendeu-se recriar um período de grande importância para o desenvolvimento do território de Mogadouro, ao recordar a família dos Távora - Senhores de Mogadouro.
De acordo com o investigador local Antero Neto, a família Távora chegou a Mogadouro no início do século XV e deixou um vasto legado patrimonial no concelho transmontano.
“Os Távora estabeleceram domicílio no velho castelo medieval que alargaram e beneficiaram, transformando-o em residência apalaçada, com estrebaria, coelheira e aposentos familiares, conforme se alcança do debuxo quinhentista de Duarte d’ Armas” explicou Antero Neto.
Os Távora foram ainda responsáveis pelas obras do convento de São Francisco, ponte de Remondes (entretanto submersa), pontão entre Zava e Mogadouro, ponte entre Meirinhos e Valverde, Monóptero de São Gonçalo, entre outras.
O investigador adiantou que família dos Távora deteve grandes propriedades rústicas e agrícolas no concelho de Mogadouro, como é caso da Quinta de Nogueira, umas das maiores do território nordestino.
Nuno Távora Lorena, um descendeste da família Távora, disse que este festival dedicados aos seus antepassados mostra que “ Mogadouro está vivo”.
“ Diz-se muitas vezes que o interior está morto e aqui vê-se, uma vila com as suas gentes, que souberam manter as suas tradições e a suas mais diversas atividades culturais e económicas”, enfatizou.
Segundo números avançados pela organização do FTT, o número visitantes rondou os seis mil, ao longo dos seus três dias de duração.

Francisco Pinto
Mensageiro de Bragança

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