Quando os bragançanos tiveram conhecimento da intenção da autarquia levar a cabo as obras de intervenção das duas mais importantes avenidas da cidade, integradas no Plano de Acção de Mobilidade Urbana Sustentável (…), levantaram-se algumas vozes discordante.
Fizeram-no, julgo, não pelo impulso “revolucionário”, do “contratudismo”, quais Velhos do Restelo, mas porque o passado recente é de má memória, nomeadamente no que às obras do Polis e da Avenida do Sabor diz respeito. Ou seja, gato escaldado…
Como munícipe, tenho para mim que ambos os projectos, em termos gerais, assentam no apreciável propósito de facilitar a vida de quem da cidade usufrui; não vendo aqui qualquer ideia de megalomania da parte de quem os concebe.
No entanto, fico com algumas reservas quanto à criação da “Rede Ciclável” para a cidade: nós não temos a tradição urbana de andar de bicicleta (por causa do clima e das características orológicas da cidade, ninguém vai a pedalar para o trabalho); as três ciclovias em funcionamento (do Fervença, da Mãe d` Água e a Circular Interna) são utilizadas para passeios pedonais, por usuários de duas pernas e quatro patas. Os “atletas” do selim (que por cá são às dezenas), fazem-no, como “hobby”, num ritual que se cumpre ao Domingo, em contacto com a natureza.
Não tendo dúvidas quanto à bondade e importância dos dois projectos, não consigo dizer o mesmo em relação ao seu “carácter de urgência”; um “critério” reclamado pelo Dr. Hernâni Dias na comunicação social, para os justificar, porque entendo que a “prioridade” e a “premência” não são conceitos abstractos. Pois, se o critério da urgência fosse intocável (como deveria ser), os passeios das ruas Dr. Adrião Amado e Acácio Mariano (em estado vergonhoso) teriam sido objecto de intervenção no último mandato do seu antecessor.
A um dado momento da entrevista concedida à Agencia Lusa, no pretérito mês de Março, o autarca bragançano, sob compromisso de honra (palavra que em si não tem significado vazio), garantiu que os projectos em apreço seriam apenas “alguns ajustamentos e pequenas correcções”, ficando claro que não quer deixar como marca do seu consulado a conjugação do verbo “descaracterizar”.
Se assim não fosse, com algum lamento e incompreensão, reconheceríamos que pouco ou nada tínhamos aprendido com os erros do passado, que tanto nos custaram e sentimos na pele.
António Pires
in:mdb.pt
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