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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Eleições Presidenciais 2026 - 100 anos depois da Ditadura Militar de 1926

Por: César Urbino Rodrigues
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 1 - No passado dia 18, realizaram-se as eleições para a Presidência da República. Curiosamente, no próximo mês de Maio, completam-se 100 anos da Ditadura Militar que derrubou a I República e instalou um regime que durou 48 anos. E a curiosidade aumenta ao verificarmos que, na 2ª volta das eleições Presidenciais do passado dia 18, um dos candidatos que passou à 2ª volta é um suposto admirador de Salazar, André Ventura, que, há relativamente pouco tempo, invocou a necessidade de 3 Salazares para salvar Portugal. 

Em função destas duas coincidências, vou recordar, aos leitores do Mensageiro de Bragança, como é que Salazar assumiu a Ditadura Militar como sua e fez com que a mesma atormentasse o país durante 48 anos.

2 – Os militares do 28 de Maio de 1926 depressa deram sinais de incapacidade para resolver os problemas que estiveram na base da sua sublevação e subsequente instauração da Ditadura. Logo em Maio de 1926, foram chamar Salazar para ministro das Finanças. Na altura, ele ainda foi até Lisboa para tomar posse. No entanto, só esteve 5 dias em Lisboa, findos os quais regressou a Coimbra, sem ter assumido quaisquer funções no governo militar. Quando, porém, em 1928, voltou a ser convidado para o governo, aceitou, porque, neste segundo convite, os militares submeteram-se às exigências de Salazar, que ele já explicara em 1926: 

«É preciso notar que a generalidade das pessoas que me querem no Ministério das Finanças me querem apenas como um técnico que conserta uma cadeira rota e não como um político. […] Jogo tudo por tudo e exijo condições de máxima liberdade de acção, de escolha e de direcção». 

Não restam dúvidas: Salazar só aceitaria ir para ministro das Finanças se todos os ministros do governo lhe obedecessem. E foi só isso que mudou no convite de 1926 para o convite de 1928.

3 - Perante estes factos, impõe-se uma pergunta: porque é que Salazar queria assim tanto poder, ou seja, o poder todo? A resposta tem que se encontrar procurando conhecer a personalidade de Salazar e aquilo que o motivava para se dedicar à política. E foi o próprio Salazar que, ainda em Coimbra e antes da Ditadura Militar, afirmou: «Sinto que a minha vocação é a de ser primeiro-ministro de um rei absoluto». Aliás, ainda em Coimbra, o padre Mateo Crawley-Boeevey, seu guia espiritual e confessor, se lhe dirigia nestes termos: “A mim não me enganas. Por detrás desta frieza, há uma ambição insaciável. És um vulcão de ambições”.

Não podem restar dúvidas: a personalidade de Salazar era duma sede insaciável de poder, sem limites de qualquer espécie. Em Portugal, todos os portugueses – desde os militares aos demais cidadãos – teriam que obedecer-lhe, sem que ele alguma vez precisasse de se justificar em qualquer acto eleitoral. Por isso, ele esteve 40 anos à frente dos destinos do país, sem se ter submetido a eleições uma única vez.

4 – Perante estes factos, são puro oportunismo político os esforços do André Ventura em tentar basear a política salazarista nos princípios que o próprio Salazar designava por «grandes certezas do humanismo português: Deus, Pátria, Família, Autoridade, Trabalho, Ordem e Paz Social». Na verdade, de todas estas supostas «certezas», a única que interessava a Salazar era a «Autoridade» se e quando exercida por ele.

5 - Em síntese, a democracia tem esta virtude, que é também um defeito: até os seus inimigos têm o direito de se servir dela para a combater, como fazem todos os “cheganos” e todos os que não cumprem os seus deveres e não respeitam os direitos dos outros. Só que, se e quando eles chegarem ao poder, ninguém fale em direitos, porque só o «cabeça de cartaz» e quem lhe beijar os sapatos é que os terá. Todos os outros terão apenas deveres, nomeadamente o dever de andarem sempre curvados diante dele e das suas fotos espalhadas pelas escolas e repartições públicas, como acontecia no tempo de Salazar.


César Urbino Rodrigues
, natural da aldeia de Peredo dos Castelhanos, concelho de Moncorvo, estudou 9 anos no Seminário de Macau, fez a licenciatura em Filosofia na Universidade do Porto, o Mestrado em Filosofia da Educação na Universidade do Minho, com uma tese sobre «As Coordenadas fundamentais da Educação no Estado Novo», e o doutoramento na Universidade de Valhadolid, em Teoria e História da Educação, com uma tese sobre a «Representação do Outro No Estado Novo. Foi professor no ensino secundário, na Escola do Magistério Primário de Bragança, no ISLA de Bragança, no Instituto Piaget de Mirandela e DAPP na Escola Superior de Educação de Bragança.

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