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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Bragança na Era da Mudança Climática... “Um Território que Precisa (e pode) Liderar a Transição Ecológica”.

 
A crise climática deixou de ser uma ameaça longínqua para se tornar uma realidade visível e vivida no dia-a-dia de quem habita o interior de Portugal. Em Bragança e na região envolvente, os impactos da mudança climática são já sentidos. Verões mais longos e secos, aumento do risco de incêndios florestais, escassez hídrica e perda de produtividade agrícola. Mas esta vulnerabilidade também abre espaço para ação e para liderança. LIDERANÇA É NECESSÁRIA!
Bragança possui recursos naturais que a colocam numa posição privilegiada para contribuir ativamente para a transição energética nacional. O território tem um enorme potencial solar, com grande número de dias de sol por ano, ideal para a instalação de painéis fotovoltaicos tanto em edifícios públicos como em projetos cooperativos locais.
A energia eólica, já presente em algumas serras da região, pode ser reforçada, desde que respeite critérios ambientais e de aceitação social. E a biomassa florestal, se bem gerida, pode transformar resíduos em energia limpa, ao mesmo tempo que reduz o risco de incêndios.
Estas fontes de energia devem ser desenvolvidas com modelos descentralizados, envolvendo as comunidades locais, promovendo autoconsumo, comunidades de energia renovável e justiça energética, garantindo que todos, incluindo os mais vulneráveis, beneficiam da transição.
As florestas são parte da identidade e da economia da região, mas também uma das suas maiores fragilidades perante o novo clima. Os incêndios recorrentes resultam, em grande parte, do abandono da terra, do mau ordenamento e da monocultura de espécies vulneráveis como o pinheiro-bravo.
É urgente apostar numa gestão florestal ativa e diversificada, com incentivo ao mosaico agrícola-florestal, limpeza regular, valorização da floresta autóctone e envolvimento das populações através de baldios, cooperativas e remuneração dos serviços dos ecossistemas. A floresta pode ser fonte de rendimento, biodiversidade e protecção, se cuidada de forma sustentável.
A agricultura em Bragança é particularmente sensível às alterações climáticas, dada a dependência da água e a irregularidade crescente das estações. Mas a região tem condições para liderar a adaptação. A aposta na agricultura regenerativa, tecnologias de monitorização e eficiência hídrica, e na valorização de culturas tradicionais adaptadas ao clima local (como a castanha, o azeite ou os cereais de sequeiro) pode tornar o setor mais resiliente.
É necessário apoiar os agricultores na transição com formação técnica, inovação aplicada (com o papel do IPB e centros de investigação) e financiamento justo para práticas amigas do clima. A agricultura pode deixar de ser vítima para se tornar parte da solução.
Bragança não pode ficar à margem da resposta à emergência climática. Não só por necessidade, mas por oportunidade. A transição energética, a gestão sustentável da floresta e uma agricultura adaptada são caminhos para criar emprego qualificado, reter população e afirmar o interior como exemplo de território resiliente.
A mudança já começou. A diferença está em quem escolhe LIDERÁ-LA, ou ficar para trás. 2050… é já daqui a pouco.

HM

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