A crise climática deixou de ser uma ameaça longínqua para se tornar uma realidade visível e vivida no dia-a-dia de quem habita o interior de Portugal. Em Bragança e na região envolvente, os impactos da mudança climática são já sentidos. Verões mais longos e secos, aumento do risco de incêndios florestais, escassez hídrica e perda de produtividade agrícola. Mas esta vulnerabilidade também abre espaço para ação e para liderança. LIDERANÇA É NECESSÁRIA!
Bragança possui recursos naturais que a colocam numa posição privilegiada para contribuir ativamente para a transição energética nacional. O território tem um enorme potencial solar, com grande número de dias de sol por ano, ideal para a instalação de painéis fotovoltaicos tanto em edifícios públicos como em projetos cooperativos locais.
A energia eólica, já presente em algumas serras da região, pode ser reforçada, desde que respeite critérios ambientais e de aceitação social. E a biomassa florestal, se bem gerida, pode transformar resíduos em energia limpa, ao mesmo tempo que reduz o risco de incêndios.
Estas fontes de energia devem ser desenvolvidas com modelos descentralizados, envolvendo as comunidades locais, promovendo autoconsumo, comunidades de energia renovável e justiça energética, garantindo que todos, incluindo os mais vulneráveis, beneficiam da transição.
As florestas são parte da identidade e da economia da região, mas também uma das suas maiores fragilidades perante o novo clima. Os incêndios recorrentes resultam, em grande parte, do abandono da terra, do mau ordenamento e da monocultura de espécies vulneráveis como o pinheiro-bravo.
É urgente apostar numa gestão florestal ativa e diversificada, com incentivo ao mosaico agrícola-florestal, limpeza regular, valorização da floresta autóctone e envolvimento das populações através de baldios, cooperativas e remuneração dos serviços dos ecossistemas. A floresta pode ser fonte de rendimento, biodiversidade e protecção, se cuidada de forma sustentável.
A agricultura em Bragança é particularmente sensível às alterações climáticas, dada a dependência da água e a irregularidade crescente das estações. Mas a região tem condições para liderar a adaptação. A aposta na agricultura regenerativa, tecnologias de monitorização e eficiência hídrica, e na valorização de culturas tradicionais adaptadas ao clima local (como a castanha, o azeite ou os cereais de sequeiro) pode tornar o setor mais resiliente.
É necessário apoiar os agricultores na transição com formação técnica, inovação aplicada (com o papel do IPB e centros de investigação) e financiamento justo para práticas amigas do clima. A agricultura pode deixar de ser vítima para se tornar parte da solução.
Bragança não pode ficar à margem da resposta à emergência climática. Não só por necessidade, mas por oportunidade. A transição energética, a gestão sustentável da floresta e uma agricultura adaptada são caminhos para criar emprego qualificado, reter população e afirmar o interior como exemplo de território resiliente.
A mudança já começou. A diferença está em quem escolhe LIDERÁ-LA, ou ficar para trás. 2050… é já daqui a pouco.


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