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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Capela de Nossa Senhora da Cabeça, Nogueira. Parte II. “Regina Sacratissimi Rosarii ora pro nobis”!

 Durante o séc. XVIII, a Capela da Senhora da Cabeça era muito concorrida de gente nos dias em que os confrades usufruíam de indulgência papal: 2 de fevereiro, dia da Purificação da Virgem Maria; 25 de março, da Encarnação; Oitava do Espírito Santo; 1 de novembro, Dia de Todos os Santos; 8 de dezembro, da Imaculada Conceição. A devoção maior e a romagem de peregrinos ganhavam relevância a 2 de fevereiro, devotando-se os filhos dos crentes à proteção de Nossa Senhora. Na Oitava do Pentecostes, as mulheres ofereciam à Senhora cestas de trigo e peças de linho, em agradecimento pelas curas e como forma de angariação de dinheiro para o culto através de arremate público. Entre 1802-1935, existiu Confraria de Nossa Senhora da Purificação da Cabeça. Com pedido de aprovação de Estatutos em 1933, desconhece-se atividade subsequente a 1935. Atualmente, as festividades decorrem a 2 de fevereiro, com novenas iniciadas a 24 de janeiro, e a 15 de agosto, dia da Assunção de Maria, com novenas a partir do dia seis. A de 2 de fevereiro manteve-se, com procissão no dia em volta da Capela. A de agosto, ganhou tradição após a II Guerra Mundial, com a procissão dos agricultores da aldeia à Capela para bênção dos campos, das colheitas e dos animais. Fixou-se, na década de 1960, no 3.º Domingo desse mês, até se instituir, no decénio seguinte, a 15 de agosto.


A imagem da Senhora da Cabeça ‘desce’ à aldeia para participar nas festividades de Santo António, recolhendo à Igreja Matriz a 13 de junho. Regressa, então, à Capela no início das novenas, a 6 de agosto. A (re)edificação da Capela em finais de quinhentos, feita também com materiais pétreos do antigo castro, resultou num edifício retangular, com o pormenor de não conter portal na frontaria. Delimitada por pilares, encimados por pináculos piramidais, rasga-se por dois janelões simétricos quadrangulares, de moldura em granito, gradeados. Na empena assenta espaldar trapezoidal, sobrepujado por pequeno campanário de sineira única, de cornija em gola, coroado por Cruz latina e ladeada por pináculos. A ala direita contém portal de acesso ao Templo, de verga reta e capiteis vegetalistas e volutados. Encima-o frontão em cortina, com figuração relevada no tímpano. No tramo do presbitério existe porta e janela retangular. A ala esquerda tem saimento referente à casa das esmolas, com porta, e à sacristia. A posterior, em empena, é cega, com Cruz no vértice e pináculos bolbosos nos pilares. Aí existe tocheiro para queima de velas e um frondoso e secular Sardão. No interior, inclinado e nivelado desde a parte fundeira à cabeceira, a nave resume-se a singelo púlpito balaustrado no lado do evangelho, sobre plataforma de granito piramidal invertida, sem escadas de acesso e, na parede oposta, a pequena pia de água benta. O arco triunfal, rebaixado, acolhe nas impostas ex-votos de cera, a maioria cabeças, indicativo de preces e agradecimentos de fiéis a Nossa Senhora da Cabeça – na sacristia, existe ex-voto em pintura moldurada. O altar, do Barroco, com mesa em forma de urna, é de retábulo policromado em três eixos. Constituem-no seis colunas salomónicas de capitel em estilo coríntio, a irradiar em arquivoltas para o ático, unidas por aduelas. A decoração é à base de pâmpanos, putti, querubins, fénices, acantos e florões. 
No eixo central, de volta perfeita e moldura rendilhada, expõe-se a imagem do Orago Nossa Senhora da Cabeça, com o Menino, assente em três querubins, sobre Sacrário. Imagem adquirida após a Gripe Pneumónica que varreu o país nos anos 1918-20. Nos eixos laterais, de menores dimensões, no lado do evangelho está pequena e antiga imagem de Nossa Senhora do Alívio. No da epístola, de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em 2024, a parede fundeira foi complementada por ‘retábulos fingidos’, com pinturas de Filipe Pereira, natural de Nogueira, alusivas à apresentação do Menino Jesus no templo pela Virgem Maria e S. José (evangelho) e o velho Simeão com o Menino no colo, apresentando-o como o Messias Prometido (epístola). No pretérito 6 de agosto, foi dedicada por D. Nuno Almeida mesa de celebração, ambão e cadeira do celebrante em calcário, com representações esféricas a remeter para cabeças de ex-votos; de contextualização e estética discutíveis. Do espaço envolvente, requalificado no decorrer das últimas décadas, resultou um amplo adro, recinto de festas e de merendas e edifício com restaurante. 
A presente Comissão de Festas emprestou-lhe um ambiente de maior sacralidade neste 2025: construção de um cruzeiro defronte da fachada principal, com informação nas quatro faces do suporte relativas às origens da Capela e da devoção à Senhora da Cabeça; marcos em granito, com painéis gravados alusivos aos Mistérios do Santo Rosário; conclusão de sete painéis de azulejos, na parede exterior do adro voltada a Poente, com a assinatura de Zé DaFonte, natural da aldeia, com pinturas referentes a Nossa Senhora da Cabeça, tradição da romaria, procissão e devoção à Santa, Anunciação, Purificação e Assunção da Virgem. Foi ainda instalado um miradouro com a aprazível vista para a albufeira de Castanheira.

Susana Cipriano e Abílio Lousada

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