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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 10 de agosto de 2025

,,,QUASE POEMA.... OU DAS VIDAS PASSADAS

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...) 


A 4 de julho de 1827, embarquei para o Rio de Janeiro a bordo do brigue Invencível, onde cheguei a 1 de agosto de 1827, a bordo da galera Príncipe Real.

Tinham-me dito que, no Brasil, havia de enriquecer logo… abanar a árvore das patacas e regressar a Portugal vestido de branco, com um dente de ouro e chapéu da mesma cor. Então, já podia casar contigo… e ver-te espadar o linho, tecer a colcha, criar os filhos… e o teu pai, judeu, já não havia de dizer, para toda a praça, que era um pelintra, um morto de fome… que só tinha um macho podre, o que até era mentira, pois nunca se viu macho mais valente nas cinquenta léguas ao redor.

… Depois, morri em 1830… de saudade… da falta dos montes… de febres bravas… e da tua ausência!

Lá longe, os sinos tocavam às Trindades, e tu fiavas o linho sentada à tua porta, e o teu sorriso era uma brisa fresca… e eu prometi que havia de voltar… Um judeu regressa sempre a casa… não se sabe em que vida… ou em quantas vidas!

.... Aqui estou!… Quantas vidas… quantas mortes… eternos emigrares…

… Judeu errante… Portugal… de novo pelo mundo… quantas vidas… quantas mortes… eternos emigrares!…

… Até quando?!


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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