Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)
Neste espírito de existir, há um refúgio ardente de terra e chão
onde o solo respira, tão sereno e frágil!
Não há pegadas de dor na firmeza do vento brando.
Somente a dúvida dos que, ao olhar o céu, guiados pelos astros cegos,
carregam o lume manso de um fulgor que aquece sem queimar,
entre todos os silêncios que bradam uma outra humanidade.
Persistir, acredito…
Persistir com mãos imensas e o calor da vontade,
sem arranhar a esperança do caminhar leve.
Apenas o toque que se alça em abraço, suave e certo,
como as asas de um pássaro que não teme a tempestade.
.
Ah! Raros corações aqueles que conhecem o dom de estar sem ferir
e que se debruçam sobre o mundo
e que se debruçam sobre o mundo
num sopro limpo,
como o hálito da verdura que adormece na fugacidade nostálgica do instante…
São olhos onde cabe o infinito,
no ritmo puro do que vibra e do que cura.
E todas as raízes profundas brotam
por entre a pedra quente que seduz,
numa entrega solta de mistério, sobre o âmago ardente
de um poente nascido com lábios só de luz.
como o hálito da verdura que adormece na fugacidade nostálgica do instante…
São olhos onde cabe o infinito,
no ritmo puro do que vibra e do que cura.
E todas as raízes profundas brotam
por entre a pedra quente que seduz,
numa entrega solta de mistério, sobre o âmago ardente
de um poente nascido com lábios só de luz.
Paula Freire. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome.
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua.
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

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