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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

SOBRE A HÚMIDA, AREIA RECLINADA

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

Era ali, onde o mar se espraiava à beira do silêncio, que o teu corpo se desenhava como promessa húmida, sobre a areia reclinada. O mundo inteiro parecia ter parado de respirar só para assistir ao momento em que te entregavas ao chão morno, como se a terra te esperasse há séculos.
A areia, silenciosa, abraçava-te como se guardasse a memória de todos os amores que ali repousaram. Cada grão colava-se à tua pele, como palavras tímidas que o vento preferiu soprar.
A humidade do solo era útero, era origem, era um lençol que te recebia com a delicadeza de quem reconhece um regresso.
E eu, ao teu lado, não te tocava, temia desfazer o milagre de te ver assim, entregue à simplicidade do instante. O teu olhar voltado ao céu, como quem pede desculpa às estrelas por amar alguém mais próximo que elas. O teu peito subindo e descendo, lentamente, como maré obediente a um amor que se insinua sem pressa.
Ali, sobre a húmida, areia reclinada, o tempo deixou de contar, porque tudo que era urgente se curvou diante do que era eterno: tu, eu, e o silêncio entre nós.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó.

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