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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 5 de março de 2026

“Os resultados falaram mais alto do que o preconceito”

 Júlia Rodrigues foi a primeira presidente de Câmara de Mirandela. Tinha sido deputada, cargo ao qual voltou após deixar a autarquia.


Mensageiro de Bragança
: Como foi assumir, pela primeira vez, uma mulher os destinos da autarquia? Sentiu alguma desconfiança por parte de colegas e funcionários pelo facto de ser mulher?

Júlia Rodrigues: Assumir, pela primeira vez, enquanto mulher, os destinos da nossa autarquia foi uma honra imensa, mas também um momento de grande responsabilidade.  Senti o peso simbólico desse passo — não era apenas a Júlia Rodrigues que tomava posse, era, de certa forma, um sinal de mudança e de esperança para muitas mulheres que, durante anos, não se viram representadas nestes lugares de decisão.

Houve, naturalmente, alguma expectativa e até desconfiança. Não necessariamente expressa de forma direta, mas presente em olhares mais atentos, em silêncios mais prolongados, numa necessidade constante de provar competência. Contudo, sempre acreditei que o trabalho consistente, a escuta ativa e o respeito pelas pessoas são as melhores respostas a qualquer dúvida.  Com o tempo, o profissionalismo e os resultados falam mais alto do que qualquer preconceito.

MB.: Acha que a situação evoluiu até aos dias de hoje? De que forma?

JR.: Acredito que evoluímos, sim. 

Hoje há uma maior consciência coletiva sobre a importância da igualdade e da representatividade. As mulheres estão mais presentes na política, nas empresas, nas associações, nas lideranças locais.

No entanto, essa evolução não aconteceu por acaso — foi fruto da coragem de muitas mulheres que abriram caminho antes de nós. Ainda há trabalho a fazer, mas sinto que as novas gerações já encaram a liderança feminina com mais naturalidade. Isso é um sinal muito positivo.

MB.: Que constrangimentos sentiu?

JR.: Talvez o maior constrangimento tenha sido o escrutínio diferente. Muitas vezes, uma mulher em funções públicas sente que tem de estar permanentemente a provar que é capaz, que é firme sem deixar de ser sensível, que é determinada sem ser rotulada. Houve também o desafio de conciliar a vida pública com a vida pessoal e familiar — uma realidade que continua a pesar de forma muito particular sobre as mulheres. Mas cada obstáculo foi também uma oportunidade de crescimento, de resiliência e de afirmação.

MB.: Na sua opinião, que características/qualidades pode aportar uma mulher a um cargo autárquico relativamente a um homem?

JR.: Acredito profundamente que não se trata de uma questão de superioridade, mas de complementaridade. Homens e mulheres trazem experiências de vida diferentes, olhares distintos, sensibilidades próprias.

Muitas mulheres trazem para a política uma grande capacidade de escuta, empatia, proximidade e gestão equilibrada de conflitos. Têm uma visão muitas vezes agregadora, conciliadora, sem abdicar da firmeza quando é necessária. Essa combinação pode enriquecer muito a governação local, que é, acima de tudo, feita de proximidade às pessoas.

MB.: O que é preciso para haver mais mulheres na Política?

JR.: É preciso confiança — desde logo, confiança das próprias mulheres nas suas capacidades. É preciso apoio das famílias, das estruturas partidárias e da sociedade. É preciso que deixemos de olhar para uma mulher na política como uma exceção e passemos a vê-la como algo natural. Mas, acima de tudo, é preciso exemplo. Quando uma mulher ocupa um cargo de responsabilidade com competência e humanidade, está silenciosamente a dizer a outras que também é possível. Se o meu percurso puder inspirar uma única jovem a acreditar que pode servir a sua comunidade, então já valeu a pena.

António G. Rodrigues

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