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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

25 DE ABRIL SEMPRE!


 O 25 de Abril de 1974, transformou-se rapidamente num grito coletivo, um grito de liberdade que levantou todo o país, desde as ruas agitadas de Lisboa até aos recantos mais distantes de Trás-os-Montes.

Em Bragança, como em tantas outras terras, havia uma juventude suspensa entre o presente e um futuro incerto. Rapazes com sonhos simples, trabalhar, amar, construir família, viam-se de repente chamados para uma guerra longínqua, uma guerra que não compreendiam totalmente, mas que lhes roubava anos, paz e, tantas vezes, a própria vida. Uns deixavam os estudos a meio, cadernos fechados com pressa e inquietação. Outros abandonavam empregos que mal tinham começado, despedindo-se dos colegas com um silêncio doloroso. E havia aqueles momentos duros, duros, duros, o abraço apertado à mãe, o olhar firme do pai que escondia o medo e a tristeza, o beijo demorado na esposa, as lágrimas silenciosas dos filhos que ainda não entendiam a ausência que se aproximava.

Era uma despedida coletiva, repetida na estação dos caminhos-de-ferro, largos e portas de casa. Uma geração inteira empurrada para longe, carregava nos bolsos cartas por escrever e promessas por cumprir.

Mas havia também outra ausência mais invisível, mais sufocante e cruel. A ausência de voz. Durante décadas, as palavras foram engolidas, as ideias escondidas, as opiniões comentadas entre paredes, numa tenda montada no monte, ou na comunicação social escrita pelos mais corajosos e irreverentes. A censura não era apenas nos jornais ou nos livros, vivia nas pessoas, nos gestos contidos, nos olhares desviados. A mordaça estava nas bocas, sim, mas também nos corações. O medo tinha ensinado a calar.

E então… veio o dia.

Naquela madrugada de Abril, tudo mudou para sempre. Como se o ar se tornasse mais leve, como se o silêncio acumulado ao longo de tantos anos finalmente tivesse voz. A notícia espalhou-se como o fogo. A ditadura tinha caído. A guerra estava a chegar ao fim. A polícia política já não mandava nas sombras, nem nas vidas. A PIDE, esse nome sussurrado com medo, deixava de ser uma ameaça constante.

Em Bragança, mesmo longe do centro das decisões, sentiu-se a força desse momento. As pessoas saíram à rua com uma mistura de incredibilidade e alegria. Falava-se mais alto. Sorria-se sem medo. Abraçavam-se desconhecidos como se fossem família. Pela primeira vez em muito tempo, o futuro parecia aberto, possível, humano.

Para aquela juventude que estava prestes a partir, ou que já tinha partido, o 25 de Abril foi o regresso da esperança. Foi a possibilidade de não ir. Foi a possibilidade de voltar. Foi o fim de uma guerra que lhes roubava a juventude antes mesmo de a viverem.

Foi também o nascimento de algo novo dentro de cada um. A liberdade de pensar, de falar, de sonhar sem medo… LIBERDADE.

LIBERDADE, uma palavra simples, mas que naquele dia ganhou um peso imenso. Não apenas como conceito, mas como sentimento vivido, no peito, na voz, nas ruas.

E talvez o mais bonito tenha sido isso. Foi o romper da mordaça nas bocas e nos corações. Foi o momento em que um povo inteiro voltou a respirar fundo… e a dizer, finalmente, o que sentia.

Em Bragança, como em todo o país, esse dia ficou gravado não só na memória, mas na alma. Houve um antes, de medo, guerra e silêncio, e um depois, onde a liberdade começou a escrever a sua própria história.

Pelo meio aconteceram “coisas”, umas para esquecer e outras que jamais podem ser esquecidas.

E desde então, firme e eterno surge um grito!

25 DE ABRIL, SEMPRE!

HM
17 de Abril de 2026. 25 de ABRIL SEMPRE!

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