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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 11 de abril de 2026

Explicador: Da plantação das cerejeiras à colheita da cereja

 Respondemos, hoje, a um pequeno conjunto de perguntas sobre a cerejeira – da sua plantação à apanha do seu fruto, passando pela poda e enxertia.

CÂMARA MUNICIPAL DO FUNDÃO - O fruto da cerejeira começa a ser notado por volta de Maio. 

O que é, afinal, uma cerejeira?

Sabemos todos que a cerejeira é uma árvore. O que talvez possa não saber é que a cerejeira-brava é o nome comum da Prunus avium, uma árvore pertencente às rosáceas que partilha o género com muitas outras árvores de fruto, como a amendoeira, o pessegueiro, o damasqueiro ou a ameixieira.

Entre outras características, todas partilham um fruto que pode ser classificado como uma drupa, com um endocarpo, ou seja, um caroço, de dimensões consideráveis, que não deve ser consumido, pois possui quantidades não irrelevantes de cianeto.

No seu estado selvagem, a cerejeira é uma árvore de porte médio-grande, nativa das zonas temperadas da Eurásia ocidental, de folha caduca. Em Portugal, existe de forma natural essencialmente na metade norte do país, até à zona de Portalegre, com uma pequena população na Serra de Monchique.

Uma característica interessante destas árvores é que necessitam de um período de frio (embora não demasiado frio) de 800-1.000 horas para que a floração primaveril (e consequente frutificação futura) seja induzida.

Uma outra espécie muito próxima, também plantada e consumida em Portugal, é a ginja (Prunus cerasum).

CÂMARA MUNICIPAL DO FUNDÃO - A plantação das cerejeiras deve ser feita entre o Outono e o início do Inverno.

QUAL É a principal zona de cultivo de cerejeira EM PORTUGAL?

No nosso país, o cultivo de cereja está essencialmente restrito ao norte e centro, com alguma tendência de crescimento, cerca de 100 hectares por ano.

Existem cinco cultivares registados em Portugal:

  • a cereja São Julião - Portalegre DOP;
  • a cereja de Alfândega da Fé;
  • a cereja de Penajóia;
  • a cereja do Fundão IGP;
  • e a cereja da Cova da Beira IGP.
CÂMARA MUNICIPAL DO FUNDÃO - Em Junho, a Festa da Cereja, em Alcongosta (no concelho do Fundão), celebra o maior atractivo da aldeia, com concertos, visitas de campo e óptima comida. 

Destes, os dois últimos são responsáveis por mais de metade da produção nacional, com mais de 2.500 hectares de área dedicada.

Quando É A ÉPOCA DA FLORAÇÃO e DA COLHEITA Da cereja?

As cerejeiras entram em dormência após o Verão, e assim se mantêm até ao fim de Fevereiro, inícios de Março, sempre que as necessidades de exposição ao frio sejam colmatadas. Se o forem, é nesta altura que sai deste estado e inicia o processo de floração, a que se segue a polinização das flores e, finalmente, a frutificação. Em Portugal, a época normal de floração acontece normalmente entre Março e Abril. Depois de amadurecido, dependendo da variedade/cultivar em questão, o fruto estará pronto para a colheita entre Maio e Julho.

Miguel Proença - Até 12 de Abril, há um programa em torno das “Cerejeiras em Flor” no município do Fundão, um dos maiores produtores do país. 

Quando deve ser PLANTADA E podada uma cerejeira?

As cerejeiras devem ser plantadas por volta de Janeiro / Fevereiro, para garantir que a planta está no terreno pelo menos cerca de um mês antes do aparecimento dos primeiros rebentos. É importante ter o cuidado de a plantar em solo só levemente ácido ou mesmo neutro (de pH 6,0-7,5), com boa drenagem, uma vez que esta árvore é sensível ao alagamento, boa exposição solar e relativamente pouca exposição a ventos.

Ao contrário de outras árvores, que são podadas no Inverno, não é nesta altura que se deve podar a cerejeira, uma vez que esta rosácea ainda se encontra na fase de dormência e está mais vulnerável a infecções. Assim, as podas devem ser realizadas só a partir do começo da Primavera, quando a árvore volta a estar fisiologicamente activa.

Há três momentos do ciclo da cerejeira em que a poda é relevante. Primeiro, ao fim dos primeiros três anos de vida da árvore, há uma poda de formação, para dar à árvore a forma desejada. No resto da vida da árvore, há uma poda primaveril, em que são eliminados ramos secos, mal formados ou doentes, assim como cerca de 30 centímetros de outros ramos que entretanto tenham crescido, e uma poda em verde, feita de Maio a Julho, em que são desbastados os ramos novos.

- CÂMARA MUNICIPAL DO FUNDÃOO período da floração depende da variabilidade climática, mas à partida ocorre entre Março e Abril. 

E QUANTO À ENXERTIA?

Quando à enxertia, processo alternativo à plantação da cerejeira com sementes, e que permite não só acelerar o calendário no que toca à exploração do fruto, mas também combinar diferentes características de árvores distintas, e que consiste essencialmente na transplantação de ramos de uma determinada variedade ou espécie para outra árvore (o porta-enxerto), ou mesmo de toda a parte superior da planta, resumindo-se o porta-enxerto ao sistema radicular e parte inferior do tronco, no caso do chamado enxerto de coroa.

Na cerejeira, o porta-enxerto é normalmente uma de entre as cerejeiras-bravas (Prunus avium), as ginjeiras (Prunus cerasum) as cerejeira-de-Santa-Lúcia (Prunus mahalebi) ou, mais raramente, ameixieira (Prunus domestica). Consoante o tipo de enxerto, deve ser feito na Primavera (casos dos enxertos de coroa ou dos chamados enxertos T-graft) ou no início do Verão (caso dos chamados enxertos de reforço), sempre antes da árvore entrar em dormência.

Como é feita a colheita da cereja?

A colheita da cereja é ainda hoje feita essencialmente de forma manual para as cerejas para consumo, tendo cuidado para colher o fruto pelo pedúnculo, ligeiramente antes da sua maturação completa, para maximizar o tempo em que se conservam comestíveis e minimizar o risco de infecções pós-colheita.

Para outros fins, como por exemplo processamento, pode fazer-se colheita mecânica, com a árvore a ser sacudida por uma máquina especializada e as cerejas a caírem em redes colocadas para o efeito.

Tradicionalmente, a apanha era feita pelos populares à mão, em cestos produzidos para o efeito, dizendo-se, meio a sério, meio a brincar que, em meados do século XX, da população da aldeia de Alcangosta, “metade eram cesteiros, metade comerciantes de fruta”.

CÂMARA MUNICIPAL DO FUNDÃO - O comboio turístico disponibilizado pelo concelho do Fundão é uma óptima forma de ver de perto as cerejeiras em flor.

Que interesse têm as cerejeiras, além da cereja?

Para além do interesse económico e gastronómico da produção de cereja, as cerejeiras apresentam também interesse do ponto de vista turístico. Por um lado, a beleza das cerejeiras em flor atrai os visitantes no princípio de Março e, por outro, várias empresas oferecem pacotes turísticos que incluem a participação e degustação de cerejas na altura da apanha, no período de Maio-Junho.

Noutros lugares do mundo, as cerejeiras são também culturalmente importantes, e talvez em nenhum lugar alcancem a importância que detêm no Japão.

Aí, a espécie local, Prunus serrulata, é usada principalmente como árvore ornamental. A  localmente chamada sakura é considerada a flor não oficial da nação nipónica e é o elemento central da actividade conhecida como hanami (visualização de flores).

António Matos
Actualizado a 6 de abril de 2026

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