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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 18 de abril de 2026

Pardal, uma ave em todos os cantos do mundo

 O pardal-doméstico é uma ave que todos conhecemos, mas à qual nem sempre prestamos a devida atenção. Conheça as suas principais características.

Victor Suarez Naranjo / SHUTTERSTOCK - O chilreio do pardal-doméstico, uma presença comum nas cidades de todo o mundo, é um bom indicador da saúde dos ecossistemas urbanos. 

Nenhuma ave não doméstica merece mais o epíteto de ave com a distribuição mais vasta do mundo do que o humilde... pardal-doméstico (Passer domesticus).

Parcialmente por acção humana – a sua presença no continente americano deve-se a uma introdução propositada em 1851, no âmbito de um programa de introduções com o fim de controle de pragas –, mas também pelos seus próprios meios, esta espécie conquistou o seu espaço em todos os continentes, menos na Antárctida.

É, no entanto, nativa da Europa, da bacia do Mediterrâneo e de grande parte da Ásia continental, com uma excepção interessante: está praticamente ausente da maior parte da Península Itálica, onde é substituído por uma espécie com origem na sua hibridação com o pardal-espanhol (Passer hispaniolensis), o pardal-italiano (Passer italiae).

Steve Byland / SHUTTERSTOCK - O pardal-doméstico é uma ave com marcado dimorfismo sexual, sendo o macho bastante mais colorido do que a fêmea.

É também considerada uma das espécies mais abundantes do planeta, com as estimativas populacionais mais altas a ultrapassar confortavelmente o milhar de milhão de indivíduos maduros. No entanto, a sua história parece ser bastante recente, com a primeira evidência da sua presença encontrada no registo fóssil a datar há apenas 12 mil anos. Vários estudos apontam no sentido que o pardal-doméstico, tal como o conhecemos, seja uma forma comensal para com os humanos do chamado pardal-bactriano, hoje considerado uma subespécie selvagem nativa do Médio Oriente, e que se tenha adaptado ao novo nicho ecológico que o começo da actividade agrícola por parte das comunidades humanas proporcionou. É, assim, uma das primeiras espécies – que não os parasitas, entenda-se – a ligar-se de maneira quase umbilical ao homem.

SHUTTERSTOCK - Um pardal-comum banqueteia-se no  no Museu Vivo do Peixe Seco,
 na praia da Nazaré. 

O pássaro por definição

Não é por acaso que o género em que se enquadra esta espécie, Passer, se assemelha à palavra “pássaro”, que usamos em sentido lato para nos referir às aves e num sentido um pouco mais rigoroso para nos referirmos ao grupo taxonómico dos passeriformes. Afinal, “Passer” é a palavra romana para pardal, e o pardal-doméstico é a espécie-tipo (ou seja, a espécie que define o grupo) para o seu género, família e ordem. “Passeriformes” mais não é do que um termo que significa… “em forma de pardal”.

O género Passer engloba 28 espécies distintas, com uma série de outros géneros de relação próxima a juntar-se-lhe na família Passeridae, num total de 43 espécies, e a formar o que a comummente se chama “verdadeiros pardais”. Isto porque, um pouco por todo o mundo, há outras espécies de pequenas aves granívoras de cores maioritariamente acastanhadas que tomam como nome comum também “pardal” (ou o equivalente noutras línguas), com particular ênfase para os chamados “pardais do Novo Mundo”, um conjunto de espécies americanas evolutivamente mais próximas das nossas escrevedeiras.

Zacarias da Mata / SHUTTERSTOCK - O pardal-doméstico é evolutivamente muito recente, tendo-se tornado rapidamente uma espécie comensal do homem após o desenvolvimento
da agricultura e consequente sedentarização.

Em Portugal, o pardal-doméstico divide o país com três outras espécies: o pardal-montês (Passer montanus), o pardal-espanhol (Passer hispanoliensis) e o pardal-francês (Petronia petronia). Os machos adultos de cada uma destas espécies são facilmente distinguíveis para um observador atento, mas identificar as fêmeas e juvenis pode ser um desafio difícil de transpor até para observadores mais experimentados.

UM DIA QUE SEJA SEU

A génese do Dia Mundial do Pardal remonta a 2010. Nesse ano, a associação de natureza indiana Nature Forever Society, fundada pelo conservacionista Mohammed Dilawar, e a organização não-governamental francesa Eco-Sys Foundation resolveram dedicar o dia 20 de Março à sensibilização do público em geral para a rápida diminuição – pode chegar a 3% ao ano – das populações dos pardais e de outras aves comuns normalmente associadas aos humanos, mas com particular ênfase no pardal-doméstico.

Neil Bowman / Shutterstock - Fêmea adulta de pardal-comum a ocupar um ninho de andorinha-das-chaminés construído sob uma ponte rodoviária no Algarve. 

Sim, é algo contraintuitivo, mas uma das espécies de ave mais comuns no planeta encontra-se neste momento, senão em perigo, numa trajectória francamente descendente. Por trás desta tendência, está uma série de causas. A saber: diminuição da disponibilidade alimentar em meio urbano, principalmente ao nível dos insectos (embora os pardais sejam aves granívoras, os juvenis são fortemente dependentes de insectos como fonte de proteína nos seus primeiros dias de vida); redução de espaços de nidificação, com a progressiva eliminação de frestas e pequenas cavidades nos edifícios onde estas aves possam assegurar a sua descendência; urbanização acelerada, com redução dos espaços verdes, quintais e zonas arborizadas; e poluição, que pode afectar a saúde e sucesso reprodutor destes animais.

Neste dia e nos restantes, lembremo-nos que o pardal-doméstico é um bom indicador da saúde dos ecossistemas urbanos e de outras áreas humanizadas. Populações saudáveis de pardais indiciam uma cidade saudável.

António Matos

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