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| Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Foto: Standbild-Fotografie/WikiCommons |
Por exemplo, uma andorinha cuja dieta se baseia principalmente em moscas, mosquitos, formigas aladas, vespas, percevejos e pequenos escaravelhos pode consumir cerca de 60 insetos por hora (cerca de 850 insetos por dia), o que equivale a 310.250 moscas e mosquitos por ano.
Todos os anos, após percorrerem milhares de quilómetros desde as suas áreas de invernada em África, estas aves voltam à Península Ibérica para se reproduzirem.
“Muito ligadas ao ser humano, fazem parte tanto do património natural como do legado cultural e histórico das nossas localidades. Trata-se de espécies protegidas a nível nacional e europeu (incluindo os seus ninhos, ovos e crias), que souberam adaptar-se à convivência com as pessoas, aproveitando, em muitos casos, as estruturas urbanas para nidificar”, escreve a organização em comunicado.
No entanto, nos últimos anos, as suas populações têm registado um acentuado declínio. Entre as principais causas deste declínio destacam-se a perda de espaços adequados para nidificar devido, em grande medida, ao desenho dos edifícios modernos, que não têm cavidades e estruturas apropriadas; o uso intensivo de pesticidas, que reduziu drasticamente a disponibilidade de insetos, a sua principal fonte de alimento; e a perda de habitat.
A isto soma-se o facto de, em muitas reabilitações de edifícios históricos e monumentos, não serem incorporados critérios que favoreçam a conservação dos ninhos existentes ou a criação de novos espaços de reprodução.
Também se registam perturbações, pilhagens e até a destruição de ninhos, o que provoca a morte de exemplares. No caso das andorinhas, outro problema adicional é a escassez de barro em ambientes urbanos, essencial para a construção dos seus ninhos.
Assim, a SEO/Birdlife considera “fundamental que, ao planear obras de reabilitação em edifícios e monumentos, se respeitem os períodos de reprodução e criação destas espécies protegidas”.
Antes de iniciar qualquer intervenção, é imprescindível verificar a presença destas aves e programar os trabalhos com a devida antecedência, assegurando que sejam realizados em períodos em que não estão presentes.
“A SEO/BirdLife defende que a conservação do património natural não é apenas uma obrigação legal, mas também um direito dos cidadãos, tal como acontece com o património cultural.”
Recentemente, várias organizações denunciaram o impacto das obras na muralha de Trancoso por ameaçarem uma das maiores colónias de andorinhões-pretos de Portugal.
A SEO/Birdlife sublinha que é possível aplicar soluções técnicas simples, plenamente compatíveis com as obras e a vida em meio urbano, que permitem evitar incómodos sem necessidade de eliminar os ninhos.
Entre as principais recomendações, destaca o planeamento das obras fora do período reprodutor (primavera e verão). “Nos casos em que uma intervenção possa afetar um ninho, é imprescindível obter previamente autorização da autoridade competente para a sua remoção”, especifica.
Propõe também a instalação de prateleiras ou outros sistemas de recolha de dejetos sob os ninhos, uma medida eficaz para minimizar os incómodos para a população. É ainda possível substituir ninhos danificados por estruturas artificiais adequadas, sempre fora da época de reprodução e com a devida autorização administrativa, quando necessário.
Há já várias temporadas que a SEO/BirdLife disponibiliza o acompanhamento em direto de uma colónia de andorinhão-pálido em Jerez, através de uma câmara web instalada no colégio Esclavas SCJ de Jerez. Trata-se de uma iniciativa única a nível mundial, que permite observar, 24 horas por dia, o comportamento reprodutor desta espécie, que apenas pousa durante a época de reprodução.


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