O edifício foi sujeito a obras de requalificação que já estavam concluídas há dois meses,, mas só na semana passada é que recebeu o aval da Segurança Social. “Tivemos que passar pelo processo de aprovação das medidas de autoproteção e após a vistoria da segurança social tivemos a luz verde, na última terça-feira, mas depois tivemos que adotar alguns preparativos finais e também não quisemos iniciar o processo da transferência junto ao fim de semana”, afirma o Provedor da SCMM.
A operação de transferência dos idosos começou, esta segunda-feira, devendo estar concluída até ao final da semana. “É rápido. Qualquer coisa como 3 a 4 dias será o tempo suficiente”, acredita João Matias, acrescentando que fica ainda a faltar a inspeção da proteção civil. “Querem fazer isso quando estivermos em pleno funcionamento, para que tudo esteja nas condições perfeitas, de segurança pelo menos”, conta o Provedor não escondendo que foram nove meses de “muita pressão” e que agora fica uma “clara sensação de alívio”.
Com os utentes, regressam também, cerca de 30 auxiliares do lar “Bom Samaritano”, mais os técnicos e o pessoal da limpeza, que estiveram alocados aos restantes quatro lares da instituição.
INQUÉRITOS SEM CONCLUSÕES
Ainda não foram apuradas responsabilidades nem são conhecidas as causas que levaram a este trágico desfecho.
Os inquéritos abertos pelo Ministério Público (MP) e pelo Instituto de Segurança Social (ISS) para se apurar responsabilidades e proceder ao pagamento das indemnizações aos familiares das vítimas ainda não estão concluídos.
A Procuradoria-Geral da República confirmou à Terra Quente FM que ainda está “em fase de investigação”, precisamente a mesma resposta do Ministério do Trabalho e da Segurança Social.
O caso remonta à madrugada de 16 de agosto de 2025. Seis idosos – cinco mulheres e um homem – com idades entre os 75 e os 95 anos – morreram no incêndio que deflagrou num dos quartos daquele equipamento que albergava 89 utentes. Quatro dias depois, o número de vítimas mortais aumentou para sete. Uma utente de 84 anos não resistiu aos ferimentos. Deste incêndio, cujo alerta aconteceu cerca das cinco e meia da manhã, resultaram ainda 25 feridos.
Na altura da tragédia, o então Provedor chegou a adiantar que a origem do incêndio poderia ter sido “um curto-circuito num colchão anti-escaras”, referiu Adérito Gomes, mas garantiu que os extintores “estavam a funcionar e foram carregados nos prazos previstos”.
Um vizinho do lar, o primeiro a prestar auxílio, afirmou que os sensores de incêndio “não funcionaram, porque ninguém ouviu soar qualquer alarme”, relatou Paulo Pereira.

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