sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O Caos e a Ordem - 5 outubro 1991

Documentário antropológico sobre as figuras do “chocalheiro”, do “careto” e do “cardador”, exemplos evidentes da cultura de inspiração mágico-religiosa na tradição popular portuguesa mais profunda, indissociáveis da celebração das festas do Natal e do Carnaval em algumas regiões do norte do país. São destacadas as antigas origens romanas destas figuras tradicionais, o seu carácter excessivo e libidinoso, e a crítica social que promovem, a coberto da imunidade e anonimato que lhes é conferido pela máscara.
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Águas de lago; declarações de idoso sobre o mito da destruição do mundo por um Dilúvio enviado pela divindade e a recriação do mundo após o Dilúvio, declarações ilustradas com montanha coberta de nevoeiro, fogo e lagoas vulcânicas; leito do rio Douro; ressaca das ondas nas rochas; pôr-do-sol junto ao mar; lenha a arder. 04m03: Festa do Chocalheiro na Bemposta, concelho de Mogadouro, populares reunidos na rua durante a noite de 25 para 26 de Dezembro; relógio de parede; mordomo a anunciar o tempo que falta para o início do leilão do fato de Chocalheiro; popular coloca achas na Fogueira do Galo, fogueira realizada na noite de Natal; pessoas a fazer lanços sobre o fato e mordomo a anunciar as ofertas feitas, durante a noite que antecede a saída do Chocalheiro "manso"; habitantes a assistir ao leilão a partir de varanda; homem a lançar oferta; criança a aplaudir; mordomo a encerrar as ofertas; vencedor das "mandas", licitações sobre o fato de Chocalheiro cujo valor reverte para a Igreja; Chocalheiro "manso", homem mascarado que enverga um fato de linho preto e uma máscara conotada com o diabo, a sair de casa do mordomo na manhã de 26 de Dezembro; Chocalheiro "manso" a percorrer as ruas da Bemposta na companhia de populares, tradição que tem por base uma lenda segundo a qual o Diabo teria tentado Nossa Senhora e como castigo, foi penalizado a pedir esmola para Ela e o seu filho, o Menino Jesus; mordomo a conduzir o Chocalheiro pelas ruas da aldeia; Chocalheiro a afugentar animais; Chocalheiro a perseguir rapariga; Chocalheiro a pedir esmola e a agradecer; populares a caminhar na rua; rostos de habitantes; "Chocalheiro manso" com a máscara levantada. 08m09: Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros: rapazes e homens solteiros da aldeia, no adro da Igreja de Nossa Senhora da Purificação durante a noite de Carnaval, a apregoar casamentos entre pessoas de personalidades opostas e sem qualquer ligação afectiva recorrendo, para isso, ao uso de um amplo funil que amplifica o som e distorce a voz, tornando assim impossível a identificação do pregoeiro; homem a moldar máscara de Careto; homem a trabalhar no tear; mulher a coser um fato de Careto. 10m52: Vale de Ílhavo, concelho de Ílhavo: casa destinada às reuniões dos Cardadores, grupo de rapazes e homens solteiros da aldeia que festejam o Carnaval; Cardadores dentro da caserna; foliões a trazer máscaras para o exterior da caserna; paredes com inscrições; Cardadores a carregar pipa de vinho para o exterior; máscaras em pele de ovelha e com narizes em forma fálica dispostas no chão; foliões a trazer o "Carro do Entrudo" para junto das máscaras; rapazes e homens solteiros a colocar pipa de vinho no "Carro do Entrudo" e a dependurar as máscaras nas ramagens de mimosas que o ornamentam. 13m03: Paisagem protegida da albufeira do Azibo, junto a Podence; vista de Podence; rapaz a subir escadas e a bater à porta; rapariga a abrir a porta e a cumprimentar o "noivo" que lhe foi atribuído durante a noite de Carnaval; rapaz a sentar-se à mesa e a dirigir-se aos familiares da "noiva"; pai da rapariga a falar com o "noivo"; "mata-bicho", pequeno-almoço oferecido pela "noiva" no dia seguinte aos anúncios de casamento fictícios: rapaz a sentar-se à mesa; rapariga a servir aguardente; rapariga a sentar-se; "casal" a comer e a dialogar; pai da rapariga a sentar-se à mesa. 15m00: Rapaz a soprar búzio; Cardadores, disfarçados com chapéus e óculos, a beber vinho; rapaz a saltar do "Carro do Entrudo"; Cardadores a transportar o "Carro do Entrudo" pelas ruas de Vale de Ílhavo ao som do sopro de cornos de carneiro e búzios; folião a oferecer restolho a colega tocador de corno; Cardador a retirar vinho da pipa e a dá-lo a popular; mãos a tocar idiofone de percussão; folião a simular o acto de pastagem de restolho; Cardadores a segurar o "Carro do Entrudo"; popular a beber vinho; pessoas a assistir. 16m46: Casaco de Careto; Caretos de Podence a arranjarem-se; Careto a pular; Cardadores de Vale de Ílhavo a arranjarem-se com roupas femininas e máscaras masculinas, uma reminiscência do antigo mito da divindade andrógina; Cardadores a dirigirem-se para carro decorado utilizado no corso da cidade de Ílhavo; Caretos a correr pelas ruas da aldeia; Cardadores a bater e a esfregar tabuinhas utilizadas como cardas durante os festejos carnavalescos. 18m45: Pampilhosa, concelho da Mealhada: pessoas a jogar ao "Jogo do Panelo" junto ao coreto, jogo tradicional em que os participantes formam uma roda e passam rapidamente entre si uma pequena panela de barro. 19m16: Caretos a correr pela feira; Cardadores a pular e a perseguir raparigas; Cardador a caminhar; Caretos a chocalhar mulheres, breve dança com conteúdo erótico que é feita agitando a cintura e batendo com os chocalhos nas ancas das vítimas; declarações em off de antigo Cardador sobre a apreensão de máscaras nos anos de 1966 e de 1967 pela GNR e o improviso de novas máscaras, declarações ilustradas com Cardadores a cardar raparigas e a interagir com a assistência; Caretos a correr pelas ruas da aldeia; Caretos a subir varanda e a entrar em casa; Caretos a trazer raparigas para a rua e a chocalhá-las; Cardador a correr perto de outros mascarados. 22m28: Podence: Careto a chocalhar idoso; foliões a segurar homem; Caretos a molhar a cabeça de habitante; Careto a chocalhar rapariga; Caretos a olhar; foliões a transportar homens ao colo; popular a encher jarro de vinho na sua adega; idoso a servir vinho aos foliões; Caretos, sem máscaras, a pular e a beber vinho na adega de conterrâneo. 24m30: "Casal" de mascarados com a cara coberta com um pano branco a caminhar pela rua, um símbolo da vergonha com que as "pulhas" podem cobrir os habitantes; homens a deitar pulhas na Serra da Nogueira, entoação de versos de escárnio e mal-dizer feita em locais altos com recurso a um funil que amplifica o som e distorce a voz; declarações de idosa sobre a prática de deitar pulhas.

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