Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Há 200 anos, pelo Natal, não houve «Mascaradas» nos concelhos de Vinhais e de Bragança

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Corria o ano de 1825, há precisamente 200 anos, no tempo em que viviam os meus tetravós e pentavós (e os de muitos...). E estas terras andavam «a ferro e fogo». Ninguém nos conta isso quando nos falam da «Revolução Liberal» ou das «Guerras Liberais» que se lhe seguiriam. Aliás, ninguém nos conta acerca do papel preponderante que figuras bragançanas tiveram nessa época, de um lado e do outro dos contendores. Aliás, ainda, segundo a cartilha, todos os acontecimentos importantes da História de Portugal ocorreram muito longe daqui… Mesmo que os irmãos Pedro e Miguel, os que conduziram a «guerra fratricida», tivessem «sangue bragançano»…

Fracassada a «Abrilada» de 1824, conduzido ao exílio D. Miguel, não terminariam, porém, as contendas entre os «constitucionais» e os «ultra-realistas», ou seja, entre os defensores do «Liberalismo» e os do «Absolutismo». E as Terras de Bragança não ficariam alheias a essas lutas que se prolongariam até 1834. Um dos sectores mais inflamados, não interessando aqui dissecar os motivos para tal, era o do Povo. Rapidamente surgiram desacatos, acirrados por algumas instâncias, que conduziram, inclusive, a roubos, nomeadamente a casas de alguns membros mais abastados da Nobreza e do Clero, praticados por autênticos salteadores. Assaltos esses que resultavam, em inúmeros casos, de vinganças, e que redundavam, segundo alguns relatos da época, em mortes. 

O Povo sempre foi dado a excessos, quando incitado a tal. E uma das formas encontradas pelos defensores da ordem pública para acalmar os ânimos, foi a proibição, através de editais, do uso de máscaras durante as festividades natalícias. Se, numa primeira fase, tal não resultou, o Juiz de Fora de Vinhais acabaria por impor, através da força, a referida proibição. E assim, no Natal de 1825, há precisamente 200 anos, ninguém se atreveu a aparecer publicamente mascarado. Significando isto, pelas notícias da época, que, para os nossos tetravós/pentavós, não houve «Festas de Inverno», pelo menos nos concelhos de Vinhais e de Bragança. Eram outros os tempos… e as motivações políticas!

Este estado de guerrilha prolongar-se-ia pelos anos subsequentes, particularmente pelo de 1826. Como ao longo do vindouro ano de 2026 se cumprirão 200 anos sobre uma série de eventos importantes por estas terras, no âmbito da referida «Revolução Liberal», já cá os irei trazendo, tal como os nomes de algumas relevantes figuras bragançanas que aí tiveram papel decisivo. E «não temos História»... Imaginem lá caso tivéssemos...

(Foto: Comissão de Festas Varge)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Já é proibido continuar a ser lírico? Ainda não, ora não?

Às vezes, quase sempre...

Eu tenho Fé e Esperança!

BOM ANO NOVO PARA TODOS!

Ajudem-se...

 É um apelo simples, mas sentido. Partilhem, ajudem-se, estejam presentes uns para os outros. Um grupo vive da amizade, da entreajuda e do apoio colectivo, é isso que o faz crescer e ganhar alma. Comentem, critiquem, aplaudam, discordem se for preciso, mas nunca fiquem indiferentes. A indiferença afasta, o envolvimento constrói.

Este Grupo precisa de todos. De todas as vozes, de todos os contributos, por pequenos que pareçam. Só juntos faremos caminho e só juntos faz sentido continuar.

Cumpram as Regras do Grupo. É assim que tem que ser e assim é em todo o lado, e aqui não podia ser diferente.

Que 2026 nos encontre mais próximos, mais atentos e mais unidos. Bom 2026.

HM

Miranda do Douro despede-se de 2025 com uma das tradições mais emblemáticas da nossa terra

 Na noite de 31 de dezembro, o Antierro de L Bielho volta a sair à rua, num ritual simbólico que marca o fim do ano velho e abre caminho ao novo ano, entre fogo, sátira e identidade cultural mirandesa.
A partir das 23h30, no Largo do Castelo, acompanhe a procissão fúnebre até ao Largo da Sé e viva este momento único que une comunidade, tradição e memória coletiva.

No âmbito da rubrica municipal “𝗣𝗿𝗲́𝗺𝗶𝗼𝘀 𝗲𝗺 𝗗𝗲𝘀𝘁𝗮𝗾𝘂𝗲”, reconhecemos as conquistas desportivas alcançadas pelos atletas do concelho.

 Destacamos resultados de relevo nas modalidades de Desporto Adaptado, Jiu-Jitsu e Motociclismo, com distinções obtidas em competições distritais, nacionais e internacionais, reforçando o compromisso do Município com a valorização do desporto e do mérito desportivo local.

9ª Feira Rural - LOMBADA

A Moura Encantada - Parte 5 – A Noite do Destino


 A lenda da Moura Encantada cresceu com o passar dos anos, e a fraga de Castramouro tornou-se um lugar de respeito e mistério. Mas há sempre aqueles que são consumidos pela curiosidade ou pela ganância, incapazes de resistir ao desejo do ouro e do poder oculto.

Foi numa noite sem lua, quando o céu estava negro e o vento soprava de forma cortante, que um jovem forasteiro chamado Miguel chegou à aldeia. Tinha ouvido falar da princesa e do tear de ouro, e não acreditava em contos e advertências. Para ele, a história era um enigma a ser desvendado, e os novelos, uma oportunidade de fortuna.

Enquanto a aldeia dormia, Miguel aproximou-se da fraga. O ar estava gelado, e a água refletia apenas a escuridão, tornando o ambiente mais assustador. Porém, o som do tear surgiu, claro e melodioso, cortando a noite como se chamasse por ele. Quanto mais se aproximava, mais sentia uma presença intensa, quase palpável, que parecia medir os seus pensamentos e intenções.

Quando viu a princesa Moura, radiante e silenciosa, Miguel sentiu um calafrio, mas a ambição era maior que o medo. Avançou, tentando agarrar os novelos de ouro, que brilhavam com uma luz própria.

- Não! A voz da Moura ecoou com força sobrenatural. Quem ousa tocar no que não lhe pertence, enfrenta o destino que nunca deveria desafiar!

Mal Miguel tocou num fio, a fraga pareceu despertar. A água borbulhou como se estivesse viva, o vento uivou entre as rochas, e uma luz dourada envolveu o jovem, prendendo-o como se os fios do tear se tivessem tornado correntes. Ele viu imagens de destruição e perda, o castelo em chamas, o desespero da fuga, os corações partidos de quem amou e protegeu a princesa. Cada memória atingia Miguel com intensidade, e ele percebeu que o ouro que buscava não era tesouro, mas legado, vida e dor entrelaçados.

- Entendes agora? Disse a Moura, flutuando acima das águas, a sua figura envolta em luz dourada e prata. - Quem toca nestes fios deve carregar a história inteira, sentir o peso de cada lágrima e a coragem de cada ato. O tear não dá riqueza, ele dá compreensão, e muitos não suportam o que ele mostra.

Miguel caiu de joelhos, tremendo, arrependido. As correntes douradas dissolveram-se, mas o coração dele estava mudado. Olhou para a princesa, que agora sorria, uma expressão de tristeza e compaixão.

- O segredo do tear não é ouro nem poder, disse a Moura, é memória, é história, é tudo o que Outeiro guarda em si. Quem não respeitar isso, será lembrado, mas nunca compreenderá.

Quando a névoa subiu, Miguel desapareceu entre as sombras da fraga, com os olhos cheios de lágrimas, mas com o coração finalmente ciente da magnitude do que tivera diante de si. A princesa voltou a tecer, e o som do tear retomou seu ritmo suave, como se a noite tivesse voltado a dormir.

Desde então, a lenda da Moura Encantada tornou-se mais forte. A fraga permaneceu silenciosa para todos, exceto para aqueles que podiam ouvir o verdadeiro canto do tear. E a princesa continuou a tecer, noite após noite, protegendo o seu legado de coragem, dor e beleza, lembrando ao mundo que certos segredos existem para serem respeitados, e que o ouro mais valioso nem sempre brilha à luz do sol, às vezes, brilha no ritmo de fios dourados, entre a água, a pedra e a eternidade.

continua...

N.B.: Este conto teve como base a Lenda de Outeiro "A Moura  Encantada" e a colaboração, na construção do "esqueleto", da IA. A narrativa e os personagens fazem parte do mundo da ficção. Qualquer semelhança com acontecimentos ou pessoas reais, não passa de mera coincidência.

HM - com IA e IN

Malhadas: Livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764” permite descobrir a língua mirandesa

 A igreja de Nossa Senhora da Expectação, em Malhadas, foi o local da apresentação do livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764”, uma obra de investigação que dá a conhecer aspetos da língua mirandesa, economia, família, religiosidade desta aldeia do concelho de Miranda do Douro, no decorrer do século XVIII.


A apresentação do livro contou com a participação da presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, da presidente da Freguesia de Malhadas, Micaela Igreja e dos autores da obra, os professores António Bárbolo Alves e Anabela Leal de Barros.

Coube ao professor de História, Fernando Pereira, natural de Malhadas, iniciar a apresentação do livro, na qual destacou que os testamentários referidos na obra, foram todos sepultados na igreja de Nossa Senhora da Expectação, em Malhadas, como era costume no século XVIII.

«Não é por acaso que foi escolhida esta igreja para a apresentação da obra sobre os “Testamentos de Malhadas”. Este lugar sagrado foi o centro espiritual da comunidade, onde os homens e mulheres rezaram e refletiram sobre a vida, a morte e a salvação da alma”, começou por dizer.


Sobre o conteúdo da obra, Fernando Pereira, indicou que a investigação inclui 41 testamentos, relativos ao período 1757-1764 e revela aspetos da realidade daquela época, relativos à economia, família, sociedade, língua, fé, território e vida quotidiana.

“Do ponto de vista linguístico, os testamentos são textos riquíssimos, pois indicam nomes e lugares, alguns já desaparecidos, como Currala, Pardal, Ferrão, Delagad, Preta, Mouro, Rapoza. Os topónimos são outro tesouro: Panhalta, Pral, Olmeda, Val de Madeiro, Camino de Palaçoço, Vale de Angueira”, exemplificou.

O professor de história do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro destacou ainda que os testamentos estudados revelam os costumes religiosos de então, como a encomendação de missas, ofícios e sufrágios para a salvação das almas.

“Estes testamentos serviam para preparar a morte, mas também para organizar a vida, a família, a memória e evitar desentendimentos. Revelam uma comunidade estruturada, consciente e profundamente ligada à fé e ao território”, disse.

Segundo o professor de História, o livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764” é útil aos estudiosos mas também à própria comunidade de Malhadas, porque ajuda a compreender a identidade da comunidade local.

O livro resultou de um trabalho de investigação, realizado pelos professores António Bárbolo Alves e Anabela Leal de Barros, ambos doutorados e interessados em estudar a linguística da língua mirandesa.

No concelho de Miranda do Douro, António Bárbolo Alves explicou que os testamentos, como documentos antigos, estão a ser estudados como registos escritos da língua que se falava na designada Terra de Miranda.

“Ao longos dos séculos, a língua mirandesa foi transmitida de geração em geração através da oralidade e antes do século XX há poucos escritos de mirandês. O estudo e análise destes testamentos ou textos jurídicos, dos séculos XVIII e XIX, escritos em português padrão, deixam transparecer caraterísticas (fonéticas, sintáticas, morfológicas) da língua falada nesta região da Terra de Miranda, seja o português e/ou o mirandês”, justificou.

Por sua vez, a professora da Universidade do Minho, Anabela Leal de Barros, acrescentou que os testamentos são textos objetivos, com locais e datas definidas e autores identificados, constituindo por isso, fontes credíveis para o estudo da língua mirandesa.

“Os escrivães, a quem competia a redação dos testamentos, embora escrevessem em português, deixavam transparecer palavras e marcas orais da língua mirandesa, como por exemplo, as palavras que designavam peças de roupa, móveis de casa, tradições, costumes, movimentos populacionais, etc. Os testamentos são textos riquíssimos de conteúdo, pois revelam aspetos sociais, económicos, culturais, religiosos e espirituais das pessoas e comunidades”, indicou.


A edição do livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764” contou com os apoios do município de Miranda do Douro e da freguesia de Malhadas.

A presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, elogiou o trabalho de investigação dos autores, que está a revelar aspetos históricos das localidades do concelho de Miranda do Douro.

“Este livro é um legado dos nossos antepassados, que nos convida a conhecer a realidade do século XVIII. Destaco, por exemplo, o modo como as pessoas se relacionavam e transmitiam os seus bens (propriedades, objetos, etc.) e preparavam a sua morte, numa perspectiva profundamente religiosa”, salientou a autarca de Miranda do Douro.

Por sua vez, a anfitriã do encontro, a presidente da Freguesia de Malhadas, Micaela Igreja, expressou contentamento pela apresentação deste livro que traz à luz aspetos da história desta localidade, situada em pleno planalto mirandês.

“Compete à freguesia de Malhadas apoiar todas as iniciativas que revelem e promovam a nossa história, com especial atenção aos estudos da língua mirandesa, pois é um dos tesouros da nossa cultura, que nos diferencia e torna únicos”, disse a jovem autarca.

Após as apresentações dos livros “Testamentos de Picote” e “Testamentos de Malhadas”, a FRAUGA pretende apresentar outros livros similares relativos aos testamentos nas localidades de Sendim, Duas Igrejas e Águas Vivas.

HA

Constantim: Jovens regressam para dar alegria à Festa de São João Evangelista

 De 27 a 30 de dezembro, decorre na aldeia raiana de Constantim, no concelho de Miranda do Douro, a festividade em honra de São João Evangelista ou Festa dos Moços, uma festa de solstício de inverno organizada e animada pelos jovens pauliteiros, músicos e mascarados que trazem alegria e vida a uma aldeia despovoada.


Confessa aficionada da Festa de San Juan ou Festa dos Moços, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, mostrou-se otimista de que a preservação desta tradição na aldeia de Constantim também contribui para o rejuvenescimento desta localidade raiana.

“É com enorme alegria que vejo os jovens, muitos deles a estudar e trabalhar noutras regiões do país, a regressar a Constantim para assumirem a responsabilidade de organizar a Festa de São João Evangelista ou Festa dos Moços. A participação entusiasta dos jovens é um motivo de esperança de que esta tradição tem futuro”, disse a autarca de Miranda do Douro.


Helena Barril recordou que esta festividade em Constantim é uma das três festas de solstício de inverno, no concelho de Miranda do Douro, que aguardam pela inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

“Dada a relevância cultural das festas de Santa Luzia (Velho e a Galdrapa), em São Pedro da Silva; de São João Evangelista (Festa dos Moços), em Constantim; e a Festa do Menino, em Vila Chá de Braciosa, o município de Miranda do Douro entende que estas manifestações culturais são únicas e também contribuem para o desenvolvimento do concelho, na atração de visitantes”, justificou.

Sobre a festa de San Juan ou Festa dos Moços, o presidente da União de Freguesias de Constantim e Cicouro, José Ribeiro, explicou que é organizada pelos moços ou rapazes solteiros da aldeia de Constantim.

“Os principais momentos da festa são o peditório, animado pelas danças dos pauliteiros de Constantim e as travessuras dos mascarados, o carocho e a velha. Outro momento importante é a celebração da missa em honra de São João Evangelista e que conta com a participação dos pauliteiros. No dia seguinte, realiza-se o jantar comunitário, com o fumeiro angariado no peditório”, indicou o autarca local.


De visita a Constantim, o etnógrafo, Mário Correia, um dos estudiosos da festas de solstício de inverno no concelho de Miranda do Douro indicou que esta festa é a mais completa, pela envolvência de toda a comunidade e porque se desenrola ao longo de quatro dias.

“Em Constantim, a Festa de São João ou Festa dos Moços começa com a recolha dos cepos ou da lenha para fazer a fogueira comunitária. Neste primeiro dia faz-se a apresentação dos mascarados, o carocho e a velha. No dia seguinte, há a ronda do peditório pela aldeia, no qual se convidam pessoas para a festa oferecendo-lhes tremoços e castanhas. O peditório culmina com a celebração da missa em honra de São João Evangelista, na qual participam os pauliteiros com a dança do Ato de Contrição. No dia seguinte, realiza-se uma ceia comunitária, que antigamente era confeccionada com o fumeiro angariado no peditório. No último dia, os moços fazem as contas da festa e nomeiam-se os mordomos do próximo ano”, descreveu.


Este ano, a festa de solstício de inverno, em Constantim, recebeu a visita de um grupo de 30 pessoas, vindas de Setúbal, Lisboa, Açores e Madeira, no âmbito do programa do INATEL “Aldeias de Sonho”.

“O programa Aldeia de Sonho destina-se a aldeias com menos de 100 habitantes, como é o caso de Constantim. Há três anos, os poucos habitantes desta aldeia foram presenteados com uma viagem para conhecer o Minho. Agora foi a vez da população de Constantim receber a visita de pessoas de Setúbal, Lisboa, Açores e da Madeira, que aproveitaram a viagem para visitar também a cidade de Miranda do Douro”, explicou o responsável da INATEL, Pedro.

Integrado no grupo de visitantes da Inatel, dos Açores, veio o casal, Maria Barcelos e Carlos Ferreira, que elogiaram a participação dos jovens na organização da festa, um modo segundo o casal, de devolver vida à uma localidade afetada pelo despovoamento.

“É muito bonito ver o entusiasmo destes jovens pauliteiros, músicos e mascarados na animação da festa em honra do apóstolo, São João Evangelista. Para nós, visitantes, que costumamos ver os Pauliteiros de Miranda na televisão é muito diferente presenciar ao vivo estas danças e escutar os sons da gaita de foles, da caixa e do bombo”, disseram.

De acordo com os visitantes açorianos, a preservação das tradições e a promoção turística da região podem ser uma estratégia para atrair visitantes e fixar a população, em aldeias como Constantim.

Da vizinha Espanha, Luísa Balares, Cristina Rodero e Carlos Blanco, vieram de Madrid, Valladolid e Aliste, para acompanhar a Festa de São João ou Festa dos Moços, em Constantim.

“Viemos com o propósito de conhecer esta bela e antiga tradição da festa de San Juan, nesta aldeia raiana de Constantim. Dada a proximidade geográfica com Espanha, em algumas aldeias espanholas, como Vilarinho Tras la Sierra, também há festas de mascarados e são rituais de fim-de-ano e de purificação para o ano novo que aí vem”, disseram os visitantes espanhóis.

Questionados sobre como inverter o declínio populacional das aldeias raianas, o grupo espanhol referiu que, em Espanha, tem-se verificado um gradual regresso de pessoas para se dedicarem à agricultura, à pecuária, ao comércio e a atividades artesanais.

HA

Genísio: Padre Telmo Ferraz regressou para apresentar “Fui Pároco de Aldeia”

 Na tarde de Domingo, dia 28 de dezembro, a Associação Cultural e Recreativa Sol Nascente, em Genísio, recebeu a visita do padre Telmo Ferraz, antigo pároco (1951-1953), para a apresentação do livro “Fui Pároco de Aldeia”, que recorda os primeiros anos de sacerdócio nas paróquias de Genísio e Vilar Seco.


Telmo Ferraz nasceu a 25 de novembro de 1925, na aldeia de Bruçó, no concelho de Mogadouro, tendo celebrado recentemente 100 anos de vida. Foi ordenado sacerdote em Bragança, em 1951, pelo então bispo de Bragança-Miranda, Dom Abílio Vaz das Neves e teve como primeiras paróquias as aldeias de Genísio e Vilar Seco, de 2 de agosto de 1951 até 30 de junho de 1953.

Na apresentação do livro “Fui Pároco de Aldeia”, em Genísio, estiveram presentes o vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, a presidente da Freguesia de Genísio, Edite Lopes e o padre Basileu Pires.

Coube ao professor da Universidade Católica, Henrique Manuel Pereira, autor do prefácio, fazer uma apresentação do livro que assinala os 100 anos de vida do Padre Telmo Ferraz (1925-2025).

«A primeira edição de “Fui Pároco de Aldeia” foi lançada a 29 de junho, data da sua ordenação sacerdotal, dia de São Pedro e no âmbito dos 100 anos de vida do padre Telmo Ferraz. O “Lodo e as Estrelas (1985)” foi o seu primeiro livro e “Pároco de Aldeia” é o 14º livro da sua autoria”, indicou Henrique Manuel Pereira.


Sobre o conteúdo do livro, Henrique Manuel Pereira, escreve no prefácio que «este livro é um coração aberto, um gesto de ternura, um fio de memória feito de terra, de povo e de Evangelho. .. “Fui Pároco de Aldeia” é um regresso à própria vocação de Telmo Ferraz, jovem e caloiro padre num remota paróquia de Miranda do Douro», pode ler-se no prefácio.

Após o serviço nas paróquias de Genísio e Vilar Seco, o padre Telmo Ferraz assumiu a responsabilidade de ser capelão da barragem de Picote, onde desenvolveu uma “pastoral e humanitária junto dos operários”.

Em 1960, viajou para Angola, para ser capelão na barragem de Cambambe. Em 1963, ainda por terras africanas, fundou a Casa do Gaiato de Malanje, dedicando-se à formação de sucessivas gerações de jovens em risco.


Ao longo dos anos, o padre Telmo Ferraz publicou livros como Mourela (2012), Contigo no Planalto (2013), Pelo Caminho das Tipoias (2013), Mibangas e Frutos (2013), A Mulemba e o Grão de Areia (2014), Um Retiro na Montanha (2016), Terra Batida (2017), As Abelhas e o Mel (2018), O Silêncio de Deus (2019), Sinais (2021), Aldeia de Leprosos (2023) e Meu Sonho Profundo (2023).

Atualmente, o padre Telmo Ferraz vive na comunidade da Casa do Gaiato, no Calvário de Beire, em Paredes (Portugal).

HA

Saldos animam comércio local de Macedo de Cavaleiros até fevereiro

 Depois das mesas de Natal arrumadas, começa uma nova corrida nas ruas de Macedo de Cavaleiros. A época de saldos já arrancou no comércio tradicional, trazendo de volta às lojas quem procura trocar prendas, aproveitar descontos e apoiar o negócio local.


Em vários setores, do vestuário ao calçado, as montras anunciam reduções que chegam aos 50%, numa campanha que se vai prolongar até quase ao final de fevereiro de 2026.

Na loja PTN, Marisa Marques confirma que os primeiros dias já trouxeram movimento, sobretudo com trocas de prendas, mas também novas compras:

Também na Sapataria Triângulo, Carla Borges fala numa altura forte para o comércio, impulsionada pelo regresso de emigrantes nesta quadra festiva:

Do lado dos clientes, a palavra mais repetida é oportunidade. Quem anda pelas lojas procura preços mais baixos, mas sem abdicar da proximidade:

Para os comerciantes, esta fase é decisiva para fechar o ano com equilíbrio e manter a dinâmica das lojas abertas durante o inverno. Para os clientes, é o momento certo para comprar com mais calma e consciência.

Cátia Barreira

Clube Mototurístico de Macedo de Cavaleiros reforça agenda de atividades e aposta na sensibilização rodoviária

 O Clube Mototurístico de Macedo de Cavaleiros entra numa nova fase, após as eleições de 6 de dezembro, com uma agenda preenchida de atividades ao longo do ano, mantendo o foco no convívio, no mototurismo e na ligação à comunidade local. Passeios, concentrações, ações solidárias e iniciativas abertas à população continuam a marcar a dinâmica do clube.


O novo presidente do Clube Mototurístico, João Pires, destaca que o objetivo passa por manter o ritmo de atividades e diversificar propostas, valorizando o território e envolvendo associados e visitantes:

Para além do lazer, o clube assume também uma preocupação crescente com a segurança rodoviária, numa altura em que se registam mais acidentes envolvendo motociclistas. João Pires defende que a sensibilização deve fazer parte da missão associativa:

Com uma programação regular e uma forte ligação à comunidade, o Clube Mototurístico de Macedo de Cavaleiros afirma-se como um agente ativo na promoção do mototurismo, do convívio associativo e da segurança rodoviária no concelho.

Cátia Barreira

Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros aprova orçamento de 36 milhões de euros para 2026

 A Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros aprovou o Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2026, no valor global de 36 milhões de euros, mais dois milhões do que no ano anterior.


O presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, explica que se trata de um orçamento prudente, realista e sustentável, condicionado por opções políticas tomadas pelo anterior executivo:

Segundo o autarca, alguns projetos que já estavam cabimentados vão agora ser revistos e reprogramados, por diversas razões:

Uma das principais justificações prende-se com a reduzida comparticipação de fundos comunitários, situação que poderá colocar em risco a tesouraria municipal. Entre os projetos que ficam suspensos estão a construção da Base de Apoio Logístico, no valor de 2 milhões 276 mil euros, a Casa da Ceifa e da Malha, em Morais, orçada em 602 mil 975 euros, a requalificação das naves do Parque Municipal de Exposições, no montante de 5 milhões 169 mil euros, a requalificação da Casa da Fábrica da Igreja, com um investimento previsto de 787 mil 613 euros, e o projeto de Conservação da Natureza, Biodiversidade e Património Natural do Azibo, avaliado em 1 milhão 174 mil euros, cuja execução deveria terminar a 31 de julho do próximo ano.

Sérgio Borges referiu ainda que, em alguns destes projetos, foram lançados concursos públicos que acabaram por ficar desertos.

O orçamento mereceu fortes críticas por parte da oposição do Partido Socialista, sobretudo pelo cabimento financeiro de um milhão de euros destinado a festas e feiras. A oposição questionou as prioridades do executivo, tendo o presidente da câmara respondido que uma das principais apostas passa pelo saneamento básico em várias aldeias do concelho.

O documento foi aprovado com 37 votos a favor, um voto contra e 22 abstenções.

Maria João Canadas

Antiga diretora de lar de idosos de Rebordãos foi absolvida de todos os crimes

 O Tribunal de Bragança absolveu a antiga diretora técnica do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Assunção de Rebordãos, no concelho de Bragança, de todos os crimes de que estava acusada e pelos quais foi julgada, relacionados com o alegado uso indevido do cartão multibanco da instituição para proveito próprio.


Jacinta Lemos sentou-se no banco dos réus acusada de um crime de abuso de confiança qualificado, um crime de burla informática e nas comunicações, um crime de falsificação de documentos e um crime de burla qualificado.

O Ministério Público acusou-a de utilizar o cartão multibanco da instituição de apoio aos idosos em proveito próprio, imputando-lhe uma vantagem patrimonial de 18.884 euros, com movimentos realizados em 2016 e 2017, para pagar compras pessoais, nomeadamente mercearias, cosméticos e joias.

A acusação deduzida pelo MP refere que a diretora “registava e faturava contabilisticamente as despesas como se fossem efetuadas em benefício do referido centro, quando eram em benefício próprio, utilizando para tal, sem autorização e contra a vontade dos respetivos donos, o referido cartão de débito”.

O tribunal entendeu que não foi produzida prova “suficiente e consistente” que permitisse concluir que a antiga diretora técnica tivesse na sua posse e utilização exclusiva o cartão multibanco da IPSS e que existisse um plano delineado por ela no sentido de utilizar aquele cartão para efetuar pagamento de compras em proveito próprio.

LEIA A NOTÍCIA COMPLETA NA PRÓXIMA EDIÇÃO IMPRESSA DO MENSAGEIRO

Glória Lopes

Detido por violência doméstica após mulher acionar "botão de pânico"

 O homem terá tentado entrar na habitação da mulher, o que não podia fazer por determinação do tribunal


Um homem de 63 anos foi detido, esta segunda-feira, pela PSP de Mirandela, suspeito do crime de violência doméstica contra a companheira, após esta ter acionado o “botão de pânico”, que utilizava desde 13 de outubro.

A medida de proteção por teleassistência foi determinada pelo tribunal, depois de um primeiro episódio de agressões físicas e psicológicas praticado pelo mesmo indivíduo, na altura também detido, mas entretanto libertado com proibição de se aproximar da vítima, medida controlada por pulseira eletrónica, adianta à CIR, fonte da PSP.

Durante o dia de ontem, o indivíduo terá tentado entrar na habitação da mulher, o que não podia fazer por determinação do tribunal, levando a vítima a acionar o “botão de pânico”, dando, de imediato, o alerta a uma patrulha da PSP, que o deteve. O homem será presente, esta terça-feira, ao Tribunal Judicial de Mirandela.

O “botão de pânico” é um dispositivo entregue às vítimas de violência doméstica, por decisão do Ministério Público ou do tribunal, serve para pedir ajuda às autoridades em caso de perigo ou aproximação do agressor.

Escrito por Terra Quente FM

Jovens criam plataforma para facilitar a adoção de animais em todo o país

 Criada por dois jovens, um deles natural de Bragança, a Pawseum é uma plataforma digital que reúne cães e gatos de associações e canis de todo o país para facilitar o processo de adoção. O projeto nasceu de uma experiência pessoal marcada pela dificuldade em adotar um animal


Encontrar um cão ou um gato para adotar continua a ser, por vezes, um processo longo. Foi essa dificuldade sentida na primeira pessoa que levou Jéssica Padrão, de 24 anos, natural de Bragança, juntamente com Guilherme Pinto, de 23, de Viana do Castelo, a criar o Pawseum, uma plataforma digital que reúne animais de associações e canis de vários pontos do país, com o objetivo de tornar a adoção mais rápida, simples e humana. Jéssica é licenciada em Design, e Guilherme frequenta, atualmente, o mestrado em Ciência de Computadores, na Faculdade de Ciências na Universidade do Porto, foi a complementaridade das áreas em que se formaram e a paixão comum pelos animais que serviram de ponto de partida para o projeto, criado este ano e lançado ao público em outubro.

A ideia surgiu quando Jéssica tentou adotar um cão para os pais. “Foi um processo muito complicado. Ou era através de grupos de Facebook ou de sites pouco organizados. Demorou mais de um mês e foi bastante frustrante”, contou. A partir daí, perceberam que existia espaço para uma solução que centralizasse a informação e facilitasse o contacto entre quem quer adotar e quem tem animais para adoção. Foi desta forma que nasceu a Pawseum, uma plataforma online que funciona como uma montra digital de cães e gatos disponíveis para adoção, reunindo informações fornecidas diretamente pelas associações e canis. “Costumamos dizer que somos o ‘Idealista dos animais’”, brincou Guilherme, que explicou que querem diferenciar-se. “Um problema do Facebook é que às vezes coloca-se só uma foto e uma palavra. Nem conseguimos conhecer nada da alma do animal. Na Pawseum as associações são incentivadas a descrever a personalidade dos cães e gatos, usando adjetivos e pequenos textos que ajudam a criar uma ligação emocional com quem procura adotar. “Queremos que as pessoas conheçam a ‘alma’ do animal”, acrescentou.

A plataforma permite ainda filtrar a pesquisa por zona do país, características físicas, cores ou outros critérios, tornando a procura mais direcionada. Depois de escolhido um animal, o utilizador é encaminhado diretamente para a associação responsável. “Cada associação tem o seu próprio método de adoção. Nós falamos com elas, percebemos como funcionam e respeitamos sempre esse processo”, sublinhou Guilherme. Além de facilitar a vida a quem quer adotar, a Pawseum procura também apoiar as associações, muitas das quais não têm site próprio ou mantêm as redes sociais pouco atualizadas. “Para elas, é uma ajuda enorme, porque a plataforma é muito fácil de usar e concentra tudo num só espaço”, explicou o fundador.

Entre as funcionalidades em desenvolvimento está um sistema inspirado no modelo do Tinder, onde o utilizador define preferências e vai “deslizando” pelos animais que correspondem a essas características. “Não há um ‘match’ do outro lado, claro, mas é uma forma mais intuitiva e divertida de encontrar um animal compatível”, referiu Jéssica. Para já, o projeto está disponível apenas em versão web, mas segundo os criadores poderá evoluir mais tarde para aplicação móvel.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Rita Teixeira

Bragança foi o único distrito do país onde o preço médio das casas desceu

 Bragança foi o único distrito do país a registar, este ano, uma descida anual no preço médio de venda de casas. A descida é de 5%.


Bragança registou, em 2025, um comportamento singular no mercado imobiliário nacional. Enquanto a maioria dos distritos viu os preços das casas subir de forma expressiva, o distrito foi o único do país a apresentar uma descida anual no valor médio de venda, que recuou 5%, fixando-se nos 115 mil euros.

A nível nacional, comprar casa tornou-se substancialmente mais caro, o preço médio anunciado passou de 350 mil euros em 2024 para 420 mil euros em 2025, um aumento anual de 20%, equivalente a mais 70 mil euros. Esta valorização reflete a combinação entre escassez de oferta, procura persistente e a crescente atratividade de mercados fora dos grandes centros urbanos.

Os dados são do Imovirtual, portal imobiliário, que divulgou ontem o seu barómetro anual relativo à evolução dos preços médios anunciados de arrendamento e venda em Portugal, com base no comparativo entre 2025 e 2024.

Em contraciclo, o arrendamento, em Bragança, seguiu a tendência de subida, com as rendas médias a aumentarem 15%, para os 550 euros, confirmando a crescente pressão sobre quem procura casa para viver.

No arrendamento, a subida foi mais moderada no agregado nacional. O valor médio passou de 1250 para 1300 euros, um aumento de 4%. No entanto, por trás desta média escondem-se variações significativas. Distritos tradicionalmente mais acessíveis concentraram as maiores subidas. A Guarda liderou o crescimento, com um aumento de 31%, seguida de São Miguel, nos Açores (+25%), Vila Real (+22%) e Bragança (+15%). Em sentido inverso, o Porto registou uma descida das rendas e Lisboa manteve-se praticamente estável, apesar de continuar a ser o distrito mais caro para arrendar.

No mercado da compra, a valorização foi mais intensa e generalizada. Lisboa reforçou a liderança como distrito mais caro do continente, com uma subida de 30%, para 650 mil euros. Santarém, Coimbra, Beja e Portalegre destacaram-se igualmente com aumentos expressivos, confirmando que a pressão da procura já não se limita às áreas metropolitanas. No Norte, Braga e Aveiro lideraram as subidas, enquanto o Porto cresceu de forma mais contida.

Segundo Tiago Ferreira, da Head of Operations Real Estate Portugal, Imovirtual e OLX, os dados de 2025 mostram “um mercado cada vez mais desigual, onde a pressão sobre a compra se mantém elevada e empurra a procura para outros territórios”. A leitura global aponta para um mercado heterogéneo, com assimetrias regionais cada vez mais evidentes, onde Bragança surge como exceção na venda, mas acompanha a tendência nacional no aumento das rendas.

Comprar casa em Portugal custou, em média, 420.000 euros em 2025, mais 20% do que em 2024. No arrendamento, valores médios sobem para 1.300€, com aumentos mais expressivos em distritos tradicionalmente mais acessíveis.

Escrito por rádio Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Entre o Natal e o mítico Entrudo, as Festas de Inverno não páram.

 Celebramos o Novo Ano, a chegada dos Reis e outras celebrações onde caretos, chocalheiros, mascarões e mascarinhas tomam conta das aldeias, para gaudio da população, num festim que perdura há séculos, respeitando a autenticidade cultural da Terra Fria Transmontana. 
Fica o convite para partilhar uma experiência exclusiva das nossas gentes e dos nossos costumes.

O ano termina, um novo começa…🥂

 Junta-te a nós na Passagem de Ano e celebra a chegada de 2026 num ambiente cheio de luz, festa e boa energia 

📄 𝐀𝐠𝐞𝐧𝐝𝐚 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 - 𝐉𝐚𝐧𝐞𝐢𝐫𝐨 / 𝐅𝐞𝐯𝐞𝐫𝐞𝐢𝐫𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔

 Confira a programação dos primeiros meses de 2026, com muita música, teatro, exposições e outras atividades culturais.

👉 Veja a agenda completa AQUI.

📣 𝐀𝐣𝐮𝐝𝐞-𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐧𝐚𝐠𝐞𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐟𝐚𝐳 𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐜𝐫𝐞𝐬𝐜𝐞𝐫

 No âmbito da comemoração dos 562 anos da cidade de Bragança (20 de fevereiro), o Município quer reconhecer pessoas e entidades que se destacaram pelo seu contributo para o concelho e para o bem comum.

👉 Participe no formulário e indique quem considera merecedor de homenagem no âmbito dos Prémios “Município de Bragança”.

𝗗𝗲̂ 𝗼 𝘀𝗲𝘂 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝘁𝗼 AQUI.

𝗗𝗮𝘁𝗮 𝗹𝗶𝗺𝗶𝘁𝗲 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀: 𝟭𝟭 𝗱𝗲 𝗷𝗮𝗻𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟲

Consulte o regulamento AQUI.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Há quase 840 anos, num final de Dezembro, uns nossos antepassados bragançanos faziam uma doação a um mosteiro beneditino…

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 ...mas não a um mosteiro qualquer. Fá-lo-iam a um dos mosteiros «espanhóis» que por estas terras mandou imenso, tendo até fundado povoações. E lembrei-me hoje desta doação, por entre as imensas que lhe foram efectuadas nesta região, especialmente nos concelhos de Vinhais, Bragança, Vimioso e Miranda do Douro, porque uma simpática Senhora relevou o facto de ter escrito uma expressão em «Dialecto», reminiscências do Ásturo-Leonês que (ainda) se fala por estas bandas. E muita da responsabilidade por esse facto reside nos monges do dito mosteiro beneditino!

A implementação do ramo linguístico Ásturo-Leonês por estas bandas, bem visível, na actualidade, no seu expoente máximo, o «Mirandés», muito se deve à implantação patrimonial que os mosteiros leoneses por aqui tiveram, no caso em apreço, o de «San Martín de Castañeda», ou São Martinho da Castanheira. Na própria urbe de Bragança, então ainda vila, há notícias de que lhe foram doadas propriedades, ainda no século XII, tendo, já na primeira metade do século XIII, aí adquirido vinhas. Ainda neste mesmo último século, transfeririam um hospício de sua propriedade, que existia intramuros, para o exterior da vila, por uma troca imobiliária que fizeram. 

De facto, o poder patrimonial do Mosteiro de São Martinho da Castanheira era imenso. A tal ponto que o «nosso» Mosteiro de Castro de Avelãs, com a conivência dos seus patronos, os Bragançãos, nele se filiou. Filiação que não duraria muito tempo, que o Arcebispo de Braga, com receio de perder a hegemonia espiritual – e patrimonial - que por aqui também tinha, rapidamente tratou de excomungar o Abade de São Martinho da Castanheira... Mas isso são outras histórias, que pano dariam para mangas…

Mosteiro este que teria, por Terras de Bragança, uma grande influência até ao século XIV. Por motivações políticas alheias ao nosso país, seria abandonado e entraria em ruínas, tendo sido recuperado em finais do século passado, servindo, hoje, de Centro Interpretativo do Parque Natural do Lago de Sanabria. Lago em cujas imediações se situa, a norte do mesmo, no Município de Galende, a poucos quilómetros de Vigo de Sanabria.

Para os que se interessam por História, particularmente pela «nossa» História, vale bem a pena uma visita, não apenas pelo local e pela pitoresca povoação que lhe tomou o nome, mas porque mora lá muito do diferente que somos. 

“Num se finta? Astreba-se… Que lu digu ou, bale bem a pena!”… 

(Foto: Junta de Castilla y León)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Bragança mede-se pela grandeza da sua gente - Em jeito de Fim de Ano


 Este é um texto para agradecer, para enaltecer e para reconhecer todos aqueles que, ao longo do ano, elevaram a cidade muito acima do lugar que ocupa no mapa. Por norma, este período do ano é profíquo a este tipo de pensamentos, lembranças e agradecimentos.

Para mim, que durante toda a minha vida dediquei pedaços de todos os meus dias ao Associativismo na nossa terra, e nas mais diversas áreas, é minha obrigação ajudar a elevar quem persiste!

Às associações e clubes que mantêm vivo o pulsar do desporto, da cultura e da solidariedade. Às coletividades que persistem, mesmo quando é difícil, guiadas apenas pelo amor à terra e às pessoas. Às associações humanitárias que estendem a mão, muitas vezes em silêncio, onde ela é mais necessária.

Aos dirigentes associativos que dão o que têm de mais precioso, o tempo, a dedicação e o coração, sem pedir nada em troca. Aos escritores, artistas e criadores que transformam Bragança em palavra, em memória, em emoção partilhada. Aos que contam histórias para que o esquecimento nunca vença.

Este agradecimento estende-se aos amigos leais, aos vizinhos atentos, aos voluntários anónimos, aos que ajudam sem fazer barulho nem confusão. Àqueles que ainda acreditam mais do que desconfiam, que confiam na bondade humana e que escolhem a empatia num mundo tantas vezes duro e desconfiado.

É esta nossa gente, simples, generosa e verdadeira, que constrói todos os dias uma Bragança mais humana. Uma cidade onde o valor não está no aplauso, mas no gesto, não na visibilidade, mas na presença, não no interesse, mas no cuidado.

A todos vós, que fazeis acontecer, que fazeis acreditar, que resistis e que continuais a sonhar, o meu mais profundo obrigado. Enquanto houver pessoas assim, Bragança terá sempre alma, memória e futuro.

Sem fato e gravata (adereços) … e com a palma das mãos viradas para cima!

Se for a vossa vontade, podeis e porventura deveis, nomear essa gente que durante todo o ano ajuda quem mais necessita de ajuda e sem procurar a "luz da ribalta".

HM

Caros e estimados membros do grupo MEMÓRIAS… e outras coisas… BRAGANÇA


 À, breve, entrada de um novo ano, quero deixar uma palavra sentida de votos de um excelente Ano Novo para todos vós. Que este seja um ano de saúde, de serenidade e de esperança renovada, num tempo em que tanto precisamos de cuidar uns dos outros e de valorizar aquilo que verdadeiramente importa.

Este grupo é mais do que um espaço virtual. É um lugar de encontro, de partilha e de afetos, onde as memórias ganham vida, onde Bragança é recordada com orgulho, saudade e amor. Aqui cruzam-se histórias pessoais e coletivas, fotografias que falam, palavras que emocionam e recordações que nos ligam às nossas raízes, às pessoas que fomos e às que nos tornámos.

Os contributos, os comentários, as lembranças partilhadas ajudam a manter viva a nossa identidade, a nossa história e o sentido de pertença a esta terra única. Num mundo cada vez mais apressado, este grupo lembra-nos a importância de parar, recordar, ouvir e sentir.

Que o novo ano nos traga mais momentos de partilha, mais histórias para contar, mais memórias para preservar e também novas “outras coisas” que continuem a enriquecer este espaço tão especial. Que saibamos manter o respeito, a amizade e a humanidade que aqui se vivem, fortalecendo os laços que nos unem, mesmo quando estamos fisicamente distantes.

Desejo a todos um Ano Novo cheio de paz, alegria e pequenos gestos que façam a diferença. Que nunca nos falte a memória, o afeto e o orgulho em Bragança e na nossa gente.

E, por favor, NUNCA se esqueçam que Bragança não pode ter DONOS!

Um abraço caloroso a todos e votos de um ano de 2026 verdadeiramente feliz.

HM

CONSTANTIM: a mascarada que é memória viva, festa do 'Carocho e da Velha'

 Em Constantim, concelho de Miranda do Douro, dentro da Terra Fria Transmontana, o inverno não chega sozinho. Chega com passos disfarçados, com vozes que não têm nome e com rostos que já não são rostos, mas memória. A mascarada, festa do 'Carocho e da Velha', acorda quando o frio aperta a terra e o povo aprende a ouvir o que não é dito.

As máscaras nascem do silêncio. Eles não escondem o homem: eles libertam-no. Sob a madeira pintada e as cores impossíveis de casas já vazias, o tempo antigo volta a respirar. Cada gesto é uma memória que se move, cada corrida do 'Carocho' uma pergunta lançada no ar. As ruas se tornam trilhas de outro mundo, onde o real e o imaginado andam de mãos dadas.

Há riso, sim, mas também um tremor profundo. A bagunça dança com a tradição dos pauliteiros, e nesse vaivém o povo se reconhece. Os personagens avançam como se obedecessem a uma música invisível, uma melodia herdada que ninguém escreveu e que todos sabem. Provocam, perseguem, quebram a calma: não por jogo, mas por necessidade.

Por algumas horas, ao ritmo dos gaiteiros, Constantim se despoja do seu nome e se torna um ritual. O passado não é lembrado: encarna-se. As regras dormem, o mundo vira do avesso e a máscara diz a verdade que o rosto está calado. É um momento suspenso, frágil e poderoso, onde a identidade é pronunciada sem palavras.

Quando tudo termina com a procissão e no templo, o povo pega os disfarces e a aldeia volta a respirar devagar. Mas algo fica batendo sob a pele das pedras. Porque a mascarada não vai embora: fica esperando. E todos os inverno, com a memória dos que já não estão, Constantim volta a abrir-lhe a porta.

Estas terras são fantásticas! De Gondesende (Bragança) a Vilar de Peregrinos (Vinhais)… Do Mosteiro Beneditino de São Martinho da Castanheira ao… Mosteiro Beneditino de Santa Maria de Montederramo!…

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Ontem por aqui deixei umas humildes notas acerca da magnífica freguesia bragançana de Gondesende, aí incluídas as suas anexas Oleiros e Portela. Igualmente escrevinhei acerca da influência do Mosteiro de São Martinho da Castanheira. E fiquei a “remuere n’ua cousa”: os Caminhos de Santiago. Tudo porque há um desses ancestrais caminhos de peregrinação que atravessa a dita freguesia de Gondesende, especificamente passando pela aldeia de Portela, onde está devidamente assinalado. Pensamento puxa pensamento…

...e fui parar, inevitavelmente, a uma das freguesias cujo nome mais recorda essas vias de peregrinação em direcção a Santiago de Compostela: Vilar de Peregrinos. Ainda inevitavelmente, pensa-se em Vilar de Peregrinos e, de imediato, em época de «Mascaradas» e «Festas de Inverno», se é acossado pela sua anexa, a “piquerrutcha” Cidões, ali à «beirinha» do Rio Tuela, onde tem início, precisamente, a temporada das ditas «Festas de Inverno», com a sumptuosa e inesquecível «Festa da Cabra e do Canhoto», o nosso «Samhain Trasmontano», o início do «ano celta», na noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro. “E pr’ós q’inda num lá fôrum, caralhitchas’e, num sabim u que perdim!”… Mas regressemos a Vilar de Peregrinos e aos Caminhos de Santiago… 

Caminhos que, naturalmente, atravessam todo o distrito, de sul para norte, de este para oeste. Mesmo que representem, na sua maioria, derivações a partir da mais conhecida «Vía de la Plata», os peregrinos «espanholicos», que de sul vinham, não conheciam fronteiras e seguiam pelos atalhos que mais rápido os conduzissem a Santiago, seguindo as rotas dos almocreves e de outros mercadores castelhanos que tomavam a direcção das grandes feiras compostelanas. E assim nasceria Vilar de Peregrinos, local onde iam desembocar inúmeros caminhos vindos de sul. Mesmo que haja umas teorias de que terá nascido numa quinta designada por São Cibrainho, posteriormente Quinta de São Jorge, à custa da capela que por lá existe, motivo da devoção maior do Povo de Vilar de Peregrinos. Até poderá ser… Porém, há menos de 300 anos a dita quinta, São Cibrainho, era anexa de Vilar de Peregrinos, coexistindo ambas... E Cidões, por estranho que possa parecer, até é bastante anterior, e já foi a sede da freguesia, que Vilar de Peregrinos é que era a anexa. “Cousas”…

Assim como “cousa stranha” era o facto de, em eclesiásticos termos, ser a anexa Vilar de Peregrinos, que Abadia era, a mandar em Cidões. Aldeia esta que, há quase 800 anos já teria alguma importância, pois era detentora de propriedades em Ousilhão e em Nunes! Propriedades essas, conjuntamente com muitas outras, no concelho de Vinhais, que passariam, por diversas doações, para a posse de outro mosteiro: o de Santa Maria de Montederramo! Mosteiro esse que se situa em terras ourensanas, para lá do surpreendente «Parque Natural do Invernadeiro», um parque que assoberba os sentidos, pelo seu «estado selvagem». 

E passaria este mosteiro beneditino a ser o «dono» de Cidões, onde possuía uma enorme granja, a partir da qual administrava todos os seus restantes e extensos bens no concelho de Vinhais. De tal forma era dono, quer de Cidões, quer de Vilar de Peregrinos, que aí exercia jurisdição civil, para a qual nomeava os seus representantes, os quais tinham poderes para prender malfeitores e levá-los à Justiça de Bragança! Até que D. Afonso IV não esteve pelos ajustes e lhe retirou essa prerrogativa. “Atãu num pudria habere uns spanhóis’e a mandare n’uas terras que num erum du reinu déis”!…

Coincidências do «arco da velha», se ontem trouxe a mais pequena freguesia, em termos demográficos, do concelho de Bragança, hoje «calhou na rifa» a menor, em iguais termos, do concelho de Vinhais! “C’um catantchu’e, ele hai cum cada cousa”!… E haveria tanto mais para dizer acerca de Vilar de Peregrinos, de Cidões, dos Caminhos de Santiago e do Mosteiro que mandou na freguesia. Mas tanto mais! 

“Mas, pur hoije, já tchega! Caralhitchas’e, têmus e sêmus tantu’e, or sim’e?”… E fazemos tão pouco com a grandiosidade que temos…

(Foto Vilar de Peregrinos: Tina Morais – Grupo «Naturais e Amigos de Vilar de Peregrinos»)

(Fotos Cidões: Roberto Afonso – Página «Festa da Cabra e do Canhoto»)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.