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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

À descoberta da Estrada Nacional 103, Portugal

 Qual Route 66. Isso já deu o que tinha a dar. Estou a brincar! Claro que um dia a quero fazer! Isso, e a nossa Nacional 2! Já está há imenso tempo nos meus planos. No entanto, tive o privilégio de fazer algo Off the Beaten Track – a Estrada Nacional 103. Já há algum tempo que não escrevo roteiros, tenho destinado mais tempo a uma narrativa mais antropológica, um storytelling mais profundo. Desta vez, percorri um vasto percurso em quatro dias e por isso, irei fazer essa viagem convosco, com destaque para as coisas que mais me marcaram. Até porque se quiserem fazer a Estrada Nacional 103, ficam com uma boa ideia de onde devem ir. Vamos a isto?


Assim que me falaram desta possibilidade, fiquei em êxtase! Nunca tinha ouvido falar da beleza desta estrada, era uma zona que não conhecia bem e afirmo – fiquei rendida. Se quiserem desanuviar, desconectar, descansar e mais coisas começadas por “des”, esta a estrada para descobrir.

Nem sempre haverá rede ou internet, o que nos dias que correm, pode ser considerado um luxo. Poder viver sem estar ligado. Aproveitar o momento.

Bragança

Cheguei a Bragança, numa quarta-feira à noite, sozinha, vinda de Lisboa, depois de 6h30 dentro do autocarro. Marquei uma noite no Hotel Tulipa, já muito tarde, por volta da meia-noite e meia, e onde o autocarro parou nada estava aberto devido ao COVID. Resultado? Cheguei a Bragança cheia, cheia de fome. Comentei com a funcionária do Hotel e ela ofereceu-me uma sandes. Não tenho palavras para agradecer. Sinto que me salvou a vida.

No dia seguinte, acordei cedinho, cedinho para trabalhar antes de me juntar ao grupo de viajantes que iria percorrer a Estrada Nacional 103 comigo!

Passámos por Rio de Onor, como descrevi nesta publicação, mas a primeira paragem da Estrada Nacional 103 foi de volta a Bragança. Quem conhece a Lenda do Castelo de Bragança ou da Torre da Princesa? A história de uma princesa órfã que esperava ansiosamente pelo seu amado? Passámos pela igreja de S. Vicente, na qual se acredita que tenha sido celebrado o casamento entre D. Pedro e D. Inês de Castro, e descemos pelas ruas pitorescas da cidade.

Tivemos a oportunidade de visitar o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, onde existe a divulgação das tradições relacionadas com as máscaras do Nordeste Transmontano e da Região de Zamora.

Quem já conhece a tradição dos caretos? Na vida transmontana,  os rituais com máscaras acontecem todos no inverno. Tem a ver com ritos de passagem, transição para a idade adulta, o culto da fertilidade, as tradições pagãs, as cerimónias religiosas ou os rituais agrícolas. Nunca vi ao vivo, mas quero muito, muito ir! E vocês? Já foram?

Quero imenso voltar a Bragança, porque fiquei com vontade de conhecer melhor esta cidade que não conheço tão bem. Tive sempre a sensação que Bragança era muito longe, por ser algarvia. Depois de viajar meio mundo, Bragança é definitivamente perto e não faz sentido que eu não tenha mais conhecimento sobre esta zona de Portugal.

Vinhais

Uma das surpresas da viagem foi sem dúvida a nossa passagem por Vinhais. Só conhecia esta terra pelas suas célebres músicas da Feira do Fumeiro. Adorei pernoitar e passar algum tempo no Parque Biológico de Vinhais. O Parque está situado em pleno Parque Natural de Montesinho e acolhe animais resgatados que não reuniam condições para estar no seu habitat. Uma coisa que aprendi em Vinhais é que “Todos os cogumelos são comestíveis, alguns é que são só uma vez”, e por isso é que é importante participar nos workshops de micologia, para saber distinguir entre um cogumelo venenoso e um comestível.

Uma das coisas que mais me encantou neste parque, para além das espécies autócones presentes, foi a verdadeira preocupação com a sustentabilidade. Existe uma importante vertente de educação ambiental, ecoturismo e foco no desenvolvimento das comunidades locais. O nosso bungalow era mesmo ao lado da piscina biológica e adormeci ao som das rãs. Confesso que achei super relaxante e terapêutico! O bungalow tinha quatro quartos, duas casas-de-banho e uma cozinha e sala comum. É óptimo para um grupo ou família. Para além disso há cabanitas! Adoro cabanitas!!

Há um relvado enorme para fazer yoga e estar em completa comunhão com a natureza. Este é o sítio perfeito para um detox de tecnologia, até porque a rede é escassa. Quem tem crianças, também tem imensas actividades para fazer, como por exemplo, visitas guiadas, alimentação das raças autóctones (hora da papinha) e passeios de burro mirandês. Para além das actividades com animais, há também percursos pedestres e de bicicleta.

Jantámos muito bem no Restaurante Comercial e comi tantas entradas boas que já quase não consegui comer o prato principal – um clássico.


Publicação original e completa AQUI.

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