Assim que me falaram desta possibilidade, fiquei em êxtase! Nunca tinha ouvido falar da beleza desta estrada, era uma zona que não conhecia bem e afirmo – fiquei rendida. Se quiserem desanuviar, desconectar, descansar e mais coisas começadas por “des”, esta a estrada para descobrir.
Nem sempre haverá rede ou internet, o que nos dias que correm, pode ser considerado um luxo. Poder viver sem estar ligado. Aproveitar o momento.
Bragança
Cheguei a Bragança, numa quarta-feira à noite, sozinha, vinda de Lisboa, depois de 6h30 dentro do autocarro. Marquei uma noite no Hotel Tulipa, já muito tarde, por volta da meia-noite e meia, e onde o autocarro parou nada estava aberto devido ao COVID. Resultado? Cheguei a Bragança cheia, cheia de fome. Comentei com a funcionária do Hotel e ela ofereceu-me uma sandes. Não tenho palavras para agradecer. Sinto que me salvou a vida.
No dia seguinte, acordei cedinho, cedinho para trabalhar antes de me juntar ao grupo de viajantes que iria percorrer a Estrada Nacional 103 comigo!
Passámos por Rio de Onor, como descrevi nesta publicação, mas a primeira paragem da Estrada Nacional 103 foi de volta a Bragança. Quem conhece a Lenda do Castelo de Bragança ou da Torre da Princesa? A história de uma princesa órfã que esperava ansiosamente pelo seu amado? Passámos pela igreja de S. Vicente, na qual se acredita que tenha sido celebrado o casamento entre D. Pedro e D. Inês de Castro, e descemos pelas ruas pitorescas da cidade.
Tivemos a oportunidade de visitar o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, onde existe a divulgação das tradições relacionadas com as máscaras do Nordeste Transmontano e da Região de Zamora.
Quem já conhece a tradição dos caretos? Na vida transmontana, os rituais com máscaras acontecem todos no inverno. Tem a ver com ritos de passagem, transição para a idade adulta, o culto da fertilidade, as tradições pagãs, as cerimónias religiosas ou os rituais agrícolas. Nunca vi ao vivo, mas quero muito, muito ir! E vocês? Já foram?
Quero imenso voltar a Bragança, porque fiquei com vontade de conhecer melhor esta cidade que não conheço tão bem. Tive sempre a sensação que Bragança era muito longe, por ser algarvia. Depois de viajar meio mundo, Bragança é definitivamente perto e não faz sentido que eu não tenha mais conhecimento sobre esta zona de Portugal.
Vinhais
Uma das surpresas da viagem foi sem dúvida a nossa passagem por Vinhais. Só conhecia esta terra pelas suas célebres músicas da Feira do Fumeiro. Adorei pernoitar e passar algum tempo no Parque Biológico de Vinhais. O Parque está situado em pleno Parque Natural de Montesinho e acolhe animais resgatados que não reuniam condições para estar no seu habitat. Uma coisa que aprendi em Vinhais é que “Todos os cogumelos são comestíveis, alguns é que são só uma vez”, e por isso é que é importante participar nos workshops de micologia, para saber distinguir entre um cogumelo venenoso e um comestível.
Uma das coisas que mais me encantou neste parque, para além das espécies autócones presentes, foi a verdadeira preocupação com a sustentabilidade. Existe uma importante vertente de educação ambiental, ecoturismo e foco no desenvolvimento das comunidades locais. O nosso bungalow era mesmo ao lado da piscina biológica e adormeci ao som das rãs. Confesso que achei super relaxante e terapêutico! O bungalow tinha quatro quartos, duas casas-de-banho e uma cozinha e sala comum. É óptimo para um grupo ou família. Para além disso há cabanitas! Adoro cabanitas!!
Há um relvado enorme para fazer yoga e estar em completa comunhão com a natureza. Este é o sítio perfeito para um detox de tecnologia, até porque a rede é escassa. Quem tem crianças, também tem imensas actividades para fazer, como por exemplo, visitas guiadas, alimentação das raças autóctones (hora da papinha) e passeios de burro mirandês. Para além das actividades com animais, há também percursos pedestres e de bicicleta.
Jantámos muito bem no Restaurante Comercial e comi tantas entradas boas que já quase não consegui comer o prato principal – um clássico.






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