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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 15 de março de 2026

REQUIEM

Por: Fernando Calado
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 No Chave d’Ouro foi assim durante muitos anos… entre um café de saco e uma laranjada resolviam-se todos os problemas da humanidade… e o Zé Luís, o catedrático dos polidores de calçado, tão perto, com aquele seu sorriso imaterial que enchia a cidade inteira…

…os políticos sussurravam estranhíssimas e silenciosas conversas e a solução de todos os problemas do Nordeste estava ali… na hora rigorosamente certa… só a gente de Lisboa é cega e não quer ver…

…entrava um velho maçom sonhando com a cidade justa e perfeita, riscada a esquadro e compasso… e a sua Loja já não é o que era…

Entrava o meu pai e todos os negociantes do Nordeste na esperança do negócio… e era dia de feira.

Entravam os estudantes… os caixeiros-viajantes… os militares... e as autoridades com mesa marcada.

Entrava a mãe que telefonava para o filho que estava na tropa… e tardava

…entrava uma idosa que acreditava que era desta que encontra a raspadinha que resolve o sufoco da magra reforma… não foi… e ficou mais pobre…

…e entrei eu pela última vez… aconchegando, dolorosamente, as mágoas… chorando as memórias…

… tantas.

… adeus.


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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