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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 28 de março de 2026

Caçador condenado a pagar 100.800 euros por abater lince-ibérico em Toledo

 Um caçador foi condenado pelo Tribunal Penal n.º 3 de Toledo a pagar uma indemnização de 100.800 euros por ter abatido a tiro, em 2019, Nenúfar, uma fêmea de lince-ibérico que, na altura, tinha quatro crias, no concelho de Menasalbas (Toledo).

Lince-ibérico. Foto: António Rivas/Programa de Conservación Ex-situ

A sentença considera provado que o arguido matou Nenúfar, uma fêmea de lince-ibérico (Lynx pardinus) equipada com um radiotransmissor para monitorização, incorrendo num crime contra a fauna por negligência grave, noticia a agência de notícias espanhola EFE.

Os factos remontam a junho de 2019, altura em que o condenado praticava caça ilegal de raposas com a licença caducada e fora do período autorizado.

Nenúfar foi encontrada a 14 de junho de 2019 no município de Menasalbas, graças ao sinal GPS do seu colar. Este animal fazia parte do programa de recuperação do lince-ibérico e foi reintroduzida nos Montes de Toledo em fevereiro de 2017. Os resultados da necrópsia confirmaram que morreu devido a um disparo. Uma das suas crias foi encontrada morta por inanição e desidratação.

A juíza aplicou uma pena de multa durante vários meses, bem como a inibição, por três anos, do exercício de atividades relacionadas com a caça.

A Federação de Caça de Castela-La Mancha, constituída como assistente no processo, recordou a necessidade de reforçar a responsabilidade na prática cinegética e sublinhou o seu envolvimento na perseguição de crimes contra espécies protegidas, participando como assistente em casos particularmente graves, como envenenamentos ou mortes de fauna.

A organização WWF Espanha já saudou a condenação deste “grave crime contra a fauna selvagem”, segundo um comunicado.

No entanto, a organização considera que “a pena aplicada é insuficiente e não reflete adequadamente a gravidade dos factos nem o impacto na conservação da espécie”.

“No momento da sua morte, a fêmea estava a criar quatro crias. Uma delas foi encontrada morta poucos dias depois, e as outras três, que não puderam ser localizadas, provavelmente também não sobreviveram, por dependerem totalmente da mãe.”

A WWF Espanha recorda que, à data dos factos, o lince-ibérico estava classificado como Em Perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e beneficia do nível máximo de proteção.

Apesar desta organização ter valorizado o facto de “a sentença estabelecer uma responsabilidade civil significativa, com uma indemnização de 100.800 euros”, considera insuficiente a resposta penal.

A WWF Espanha reiterou que “disparar contra um lince-ibérico constitui um crime grave contra a fauna. Este caso é particularmente preocupante por envolver uma fêmea reprodutora, cuja perda tem um impacto direto na recuperação de uma espécie emblemática e ameaçada”.

Os disparos, juntamente com o uso de armadilhas ilegais e venenos, continuam a ser uma das principais causas de mortalidade não natural do lince-ibérico, apenas atrás dos atropelamentos.

A organização sublinhou ainda que “estes crimes continuam a ser largamente sub-detetados”, estimando-se que menos de 10% dos casos cheguem a ser conhecidos.

“Os crimes contra a fauna selvagem não são menores. Têm consequências profundas para a biodiversidade e, no entanto, muitas vezes ficam impunes ou são alvo de sanções pouco dissuasoras. Por isso, a WWF Espanha considera essencial reforçar o quadro legal e a sua aplicação.”

O lince-ibérico vive hoje uma fase de consolidação, depois de mais de duas décadas de recuperação, graças a sucessivos projetos de conservação. Estima-se que existam hoje na Península Ibérica, pelo menos, 2401 linces, 354 dos quais em Portugal.

Para isto tem sido crucial o papel dos centros de reprodução dedicados a esta espécie emblemática, um dos quais em Portugal. Em 2025 conseguiram um total de 62 crias, 48 das quais sobreviveram e estão a ser libertadas este ano.

Segundo as contas da EFE, desde 2005 nasceram em cativeiro mais de 800 crias e dessas mais de 400 já foram reintroduzidas na natureza.

Neste momento, o lince-ibérico continua numa das três categorias de ameaça definidas pela Lista Vermelha da UICN, ainda que esteja na mais baixa, Vulnerável.

O seu futuro está longe de estar garantido.

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