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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

ABRIL, MADRUGADA SEM CORRENTES

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Cravaram-se madrugadas no peito da terra,
punhos de sombra, silêncio profundo,
e um país inteiro, suspenso na espera,
respirava em segredo, à beira do mundo.
As ruas eram veias tensas, tremidas,
latejavam passos de medo escondido,
palavras caladas, bocas feridas,
sonhos sufocados, suspiros contidos.
Havia gritos de pedra, por dentro,
ecos sem voz, à beira de ser,
um povo dobrado ao peso do tempo,
com a alma inteira a querer romper.
Veio Abril
Cravos erguidos, punhais floridos,
vermelhos de vida, de paz e de luz,
nos canos frios, outrora temidos,
Nasceu a liberdade que a todos seduz
As portas abriram-se, vorazes, famintas,
como bocas sedentas de pão e verdade,
e os muros, outrora muralhas distintas 
caíram ao peso da liberdade.
Os tanques floriram, milagre de aço,
a ditadura cedeu ao perfume da paz,
e o tempo curvou-se, rendido ao abraço
de um povo que nunca voltará atrás.
Explodiu a vida num grito inteiro,
rasgou-se a noite, cedeu o segredo,
e o povo, de punho erguido e certeiro,
agarrou o dia, terminou com o medo.
Abril, ficou como um cravo, aceso,
cravado na carne da história vivida,
de quem nunca mais aceita a ferida.

M.C.M (São Marques)
(foto minha. Monumento em Bragança, que representa o corte das correntes)


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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